sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Os falsos profetas e os seus falsos ensinos sobre ofertas e primicias.


Por Renato Vargens

Lamentavelmente multiplica-se a olhos vistos a quantidade de falsos profetas que semeiam falsos ensinos na igreja evangélica brasileira.

Uma das ultimas invenções desta corja relaciona-se aos mais distintos tipos de ofertas. Pra variar, os profeteiros de GEZUIZ criaram algumas formas de tirar dinheiro dos incautos, senão vejamos:

1- Primícias (dever ser entregue ao "sacerdote"(pastor) o valor referente a um dia de trabalho do seu salário, Ex.: R$560,00 dividido por 30 = R$18,66 esse é o valor da primícia, é para uso pessoal do "sacerdote";

2- Semeadura (essa é a da barganha, se você deseja um bem material, deverá ofertar proporcionalmente ao tamanho da benção desejada);

3- Gratidão (Você deverá trazer todos o meses um oferta de gratidão pelas bençãos recebidas);

4- Ofertas voluntárias (aquelas que vão nas "salvas" para manutenção do templo);

5- Missões (essa não caresse explicação)

Pois é, com excessão das duas últimas, as outras não passam de invencionices apostólicas.

Infelizmente esses caras não se cansam de fabricar heresias! Confesso que estou chocado e escandalizado com essa história do crente em Jesus ser obrigado a ofertar ao pastor um dia de seu trabalho!

Caro leitor, vamos combinar uma coisa? Deus não é um tipo de bolsa de valores que quanto mais "investimos" mais dinheiro recebemos. Deus não se submete as nossas barganhas nem tampouco àqueles que pensam que podem manipular o sagrado estabelecendo regras de$avergonhada$ de sucesso pessoal.

Isto posto, afirmo que a doutrina das sementes ou primicias ensinadas por essa gente é espúria, sem fundamento bíblico e manipuladora cujo objetivo final é o enriquecimento dos profetas da prosperidade.

Que Deus tenha misericórdia do seu povo e nos guarde de tropeçar.

NEle que é a verdade absoluta,

Renato Vargens

"E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita."(II Pd 2:3)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Em que sentido a depravação é total?


Por Phil Johnson

Todo membro da raça de Adão nasce totalmente depravado, caído, alienado de Deus, e em escravidão ao mal. Em Romanos 6, Paulo chama isso de escravidão ao pecado. Ele diz, além disso, em Romanos 6:20, que as pessoas que são escravas do pecado são totalmente destituídas da verdadeira retidão. Todos os que estão em tal estado de pecado e incredulidade são inimigos de Deus (Romanos 5:8,10). Eles são "estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas" (Colossenses 1:21)".

Totalmente.

A depravação humana é "total" da mesma forma que a morte é total. Você não pode estar parcialmente morto. Você pode estar muito, muito doente ou extremamente machucado e sendo mantido por aparelhos, mas você está ou morto, ou vivo. Não existem graus de morte.

De fato, quando a Bíblia descreve a depravação humana, normalmente utiliza a linguagem da morte espiritual.

Efésios 2, por exemplo, diz que as pessoas em seu estado decaído estão mortas em delitos e pecados – espiritualmente mortos (v. 1). Eles andam em mundanismo e desobediência (v. 2). Eles vivem segundo as inclinações da carne, enquanto "fazendo a vontade da carne e dos pensamentos" e são, "por natureza, filhos da ira, como também os demais" (v. 3). Eles estão "sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo" (v. 12).

"A depravação humana é "total" da mesma forma que a morte é total. Você não pode estar parcialmente morto."

Em Romanos 8:6, Paulo diz que "o pendor da carne dá para a morte". Ele está falando sobre a mentalidade carnal da incredulidade, descrevendo o que significa ser totalmente depravado. Ele segue adiante dizendo (v. 7-8): "O pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus."

Em outras palavras, a morte espiritual é uma total inabilidade de amar a Deus, uma total inabilidade em obedecê-lO, e uma absoluta incapacidade de agradá-lO.

Ora, muitos não-cristãos negarão que eles são hostis a Deus. Mas eles estão se auto-iludindo. Na verdade, muitos que invocam o nome de Cristo e reivindicam amar a Deus não amam, de fato, o Deus da Bíblia. Eles amam um deus que só existe na imaginação deles – um deus tolerante, profano, passivo, frágil e fraco. Esse não é o Deus da Bíblia. O Deus da Bíblia é santo demais para o gosto dos pecadores. Ele é irado demais contra pecado. Os Seus padrões são por demais elevados. As Suas leis não estão de acordo com a preferência deles. Portanto, apesar deles professarem amar a Deus, não amam o verdadeiro Deus que se revelou nas Escrituras. Eles não são capazes de amá-lO.

A incapacidade de amar a Deus como devemos é a própria essência da depravação total. Ela torna-nos impotentes para cumprir o primeiro e grande mandamento: "Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força" (Marcos 12:30)". Portanto, tudo o que o pecador faz é permeado pelo pecado, porque ele está vivendo a vida em violação constante do mandamento mais importante de todos.

Por outro lado, "depravação total" não significa que todos os pecadores sempre são tão ruins quanto podem ser. Não significa que todo incrédulo viverá a sua depravação integralmente. Não significa que todos os não-cristãos são moralmente iguais a animais irracionais ou serial killers. Não significa que pessoas de não-convertidas são incapazes de cometer atos de bondade ou benevolência para com outros seres humanos. Na verdade o próprio Jesus declarou que os incrédulos fazem bem às pessoas em troca do bem que é feito a eles próprios (Lucas 6:33).

A raça humana foi criada à imagem de Deus. Embora o pecado tenha corrompido aquela imagem, até mesmo não-cristãos são capazes de subir a altos níveis de bondade humana, honestidade, decência e excelência. Depravação "total" não significa que toda mulher não salva deve ser uma terrível bruxa, ou que todo homem não-crente é um psicopata degenerado. Significa que incrédulos, aqueles que estão na carne, não podem agradar a Deus.

"Assim a palavra "total" em "depravação total" refere-se à extensão da nossa pecaminosidade e não ao grau em que nós a manifestamos."

Assim a palavra "total" em "depravação total" refere-se à extensão da nossa pecaminosidade e não ao grau em que nós a manifestamos. Significa que o mal contaminou todos os aspectos do nosso ser – nossa vontade, nosso intelecto, nossas emoções, nossa consciência, nossa personalidade, e nossos desejos.

Usando terminologia bíblica, o pecado corrompeu totalmente o coração humano. Jeremias 17:9 diz, "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?" Se o coração é corrupto, toda a pessoa está contaminada.

Descrevendo nossa depravação como corrupção do coração, as Escrituras deixam claro que o real problema conosco encontra-se no centro do nosso ser. Nossa própria alma é infectada pelo pecado. Nada em nós permanece puro. Nossa tendência para pecar é inflexível e, no final das contas, inconquistável. O pecado, então, define quem nós somos.

Diante de um Deus perfeitamente santo e impecavelmente íntegro nós somos profanos, pecadores, completamente degenerados – não importando quão bons aparentemente sejamos em termos humanos. Ser verdadeiramente íntegros não é meramente difícil para nós; é impossível.

Isso é tão verdade sobre alguém como Mahatma Gandhi ou Madre Teresa como é sobre Adolph Hitler ou Jeffrey Dahmer*. A relativa bondade das melhores pessoas do mundo nunca é suficiente para merecer a aprovação de Deus. Seu único padrão é a perfeição absoluta. O melhor dos pecadores não chega nem perto.

Vejamos uma ilustração: suponhamos que todos os leitores de Pyromaniacs fossem enfileirados em Point Dume (a praia mais próxima da minha casa), e todos nós tentássemos nadar até Cingapura. A maioria de nós provavelmente se afogaria antes de atingir Catalina – que fica apenas a 42 quilômetros. Uma coisa é certa: Ninguém chegaria a Cingapura. Todos nós estaríamos mortos muito antes da meta ser atingida. Se eu fosse um jogador (e eu não sou) eu apostaria tudo o que tenho que ninguém chegaria até mesmo até o Havaí, que fica a menos da metade do caminho.

Uma pergunta: Será que aqueles que morreram antes de nadar duas milhas são piores do que aqueles que morreram a trinta e sete quilômetros da praia? É claro que não. Todos estariam igualmente mortos. A meta era tão desesperadora para o nadador especializado e ultra-treinado, como para o sujeito gordo que fez seu treinamento sentado em frente a um computador escrevendo em seu blog o dia inteiro.

"As pessoas estão preparadas para serem chamadas de pecadoras no seu pecado, mas elas não querem ser rotuladas de pecadoras na sua religião."

É assim que as coisas são com o pecado. Todos os pecadores estão condenados diante de Deus. Até mesmo os melhores da descendência de Adão são completamente pecadores no coração. Não importa quão bons eles possam parecer pela lente do julgamento humano, eles estão exatamente na mesma condição desesperadora do mais vil degenerado – talvez até em um estado pior, porque é mais difícil para eles reconhecerem o seu pecado. De forma que eles combinam o seu pecado com a auto-justificação.

As pessoas estão preparadas para serem chamadas de pecadoras no seu pecado, mas elas não querem ser rotuladas de pecadoras na sua religião. Mas isso é crucial: A religião humana não contradiz a depravação. Ela a confirma e prova. A religião humana coloca outros deuses no lugar legítimo do verdadeiro Deus. É a própria essência do ódio a Deus. É falsa adoração. Nada além de uma tentativa de depor o próprio Deus. É a pior expressão da depravação.

Lembrem-se: Foram os fariseus que Jesus condenou com a injúria mais severa que Ele jamais proferiu. Por quê? Afinal de contas, eles acreditavam que as Escrituras eram literalmente verdade. Eles tentavam obedecer rigidamente a lei. Eles não eram como os Saduceus, liberais religiosos que negavam o sobrenatural. Eles eram os fundamentalistas teológicos dos seus dias.

Entretanto, eles se recusaram a reconhecer a falência dos seus próprios corações. Eles confiaram em si mesmos de que eram íntegros e continuaram a tentar estabelecer a sua própria retidão, em vez de submeterem-se à retidão de Deus (Romanos 10:3). Lembram-se do que eles disseram ao cego de nascença em João 9:34? "Tu és nascido todo em pecado" - como se eles não fossem.

Em outras palavras, eles rejeitaram a doutrina da depravação total, e isso conduziu à sua absoluta condenação. Jesus disse: "Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores" (Marcos 2:17). "Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido" (Lucas 19:10).

Eles pensavam que todas as suas boas obras os tornavam justos. Mas religião e boas obras não cancelam a depravação. A depravação corrompe até as formas mais elevadas de religião e boas obras. George Whitefield disse que Deus poderia nos condenar pela melhor oração que nós pudéssemos fazer. John Bunyan concordou. Ele disse que achava que a melhor oração que ele já tivesse feito tinha pecado suficiente nela para condenar o mundo inteiro. Isaías escreveu: "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos arrebatam" (Isaías 64:6).

Pecadores não remidos são, portanto, incapazes de fazer qualquer coisa que agrade a Deus. Eles não podem amar o Deus que se revela nas Escrituras. Eles não podem obedecer à lei de coração, com uma motivação pura. Eles não podem sequer compreender a essência da verdade espiritual. Primeira Coríntios 2:14 diz: "O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente". Incrédulos são, portanto, incapazes de ter fé. E "sem fé é impossível agradar a Deus" (Hebreus 11:6).

Notem: A palavra chave em tudo isso é incapacidade. Pecadores são totalmente incapazes de responder a Deus, à parte da Sua graça capacitadora.

Este é o ponto de partida para um entendimento saudável e bíblico da soteriologia.


* Serial Killer que entre 1978 e 1991 matou com requintes de crueldade 17 homens e garotos, inclusive praticando canibalismo. (Nota do Tradutor)

Fonte: Bom Caminho

As estratégias evangelísticas de Paulo


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

Paulo foi o maior missionário da história da igreja. Investigar o conteúdo da sua mensagem e a relevância de seus métodos é um desafio para a igreja contemporânea. Na busca do crescimento da igreja, não precisamos recorrer às novas técnicas engendradas no laboratório do pragmatismo, mas devemos nos voltar ao exemplo daquele que foi o maior bandeirante do Cristianismo. Algumas estratégias de Paulo merecem destaque:

1. Paulo sempre buscou as sinagogas para alcançar os religiosos. Sempre que Paulo chegava em uma cidade, procurava ali uma sinagoga. Sabia que nesse ambiente religioso, judeus e pessoas tementes a Deus se reuniam para estudar a lei e orar. Seu propósito era argumentar com essa pessoas, a partir do Antigo Testamento, que o Jesus histórico é o Messias, o Salvador do mundo. Não podemos perder a oportunidade de pregar a Palavra nos templos, onde pessoas religiosas se reúnem, para expor a elas as Escrituras e por meio delas apresentar-lhes Jesus.

2. Paulo sempre aproveitou os lugares seculares para alcançar as pessoas não religiosas. Tanto em Corinto como em Éfeso, Paulo lançou mão desse recurso. Não podemos limitar o ensino da Palavra de Deus apenas aos locais religiosos. Em Corinto Paulo ensinou na casa de Tício Justo e em Éfeso, na escola de Tirano. Paulo ia ao encontro das pessoas, onde elas estavam. Era um evangelista que tinha cheiro de gente. Estava nas ruas, nas praças, nas escolas. Era um pregador fora dos portões. Ainda hoje podemos e devemos usar esses recursos. Podemos e devemos plantar igrejas, usando espaços neutros, como fábricas, escolas e hotéis. Muitas pessoas que, ainda hoje, encontram resistência para entrar num lugar religioso não oferecem qualquer resistência para ir a um lugar neutro.

3. Paulo sempre utilizou os lares como lugares estratégicos para a evangelização e o ensino. Paulo ensinava publicamente e também de casa em casa, testemunhando tanto a judeus como a gregos o arrependimento e a fé em Cristo Jesus. Paulo era um evangelista e um mestre. O lar sempre foi um lugar estratégico para o crescimento da igreja. Na igreja apostólica não havia templos. As igrejas se reuniam nas casas. E a partir desses núcleos, a igreja espalhou-se e multiplicou-se por todo o império romano. O lar deve ser uma embaixada do reino de Deus na terra, uma agência de evangelização e uma escola de discipulado.

4. Paulo sempre plantou igrejas em cidades estratégicas. Paulo foi um pregador fiel e relevante. Ele lia o texto e o povo. Conhecia as Escrituras e a cultura. Jamais mudou a mensagem, mas sempre buscou os melhores métodos para alcançar os melhores resultados. Por isso, fixou-se nas cidades mais importantes do império, porque estava convencido de que a partir dali, o evangelho poderia se espalhar para outros horizontes. Nas quatro províncias que Paulo plantou igrejas, as províncias da Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia Menor, procurou sempre se estabelecer em lugares geográfica, econômica e religiosamente importantes, pois sabia que as igrejas nessas cidades tornar-se-iam multiplicadoras na evangelização mundial.

5. Paulo sempre acreditou no poder da verdade para convencer e converter os corações. Paulo pregou com lágrimas, mas sem deixar de usar seu cérebro. Por onde passou, dissertou sobre a verdade das Escrituras e persuadiu as pessoas a crerem em Cristo. Ele dirigiu-se à mente das pessoas e tocou-lhes o coração. Paulo rejeitou a sabedoria humana, mas não a sabedoria divina. Ele não confiou nos recursos da retórica, mas usou todos os argumentos lógicos e racionais, na dependência do Espírito, para alcançar as pessoas com o evangelho. Hoje, à semelhança de Paulo, precisamos de pregadores que conheçam a verdade; pregadores que ousem pregá-la com clareza, exatidão e poder.

A Graça Restringe a Depravação Humana


Por João Calvino (1509-1564)

Ora, em todos os tempos, alguns têm existido que, guiados pela natureza, têm-se inclinado para a virtude por toda a vida. Nem levo em conta se nos costumes se possam notar neles muitos deslizes, uma vez que, pelo próprio empenho para com a honestidade, têm dado prova de que na natureza algo de pureza lhes subsistia.

De que valor se revestem diante de Deus virtudes desta espécie, embora tenhamos de discuti-lo mais plenamente onde se haverá de tratar dos méritos das obras; contudo, até onde se faz necessário à elucidação do presente argumento, também neste lugar se nos impõe falar do assunto. Portanto, estes exemplos nos parecem avisar, para que não pensemos ser de todo corrompida a natureza do homem, visto que, de sua inclinação, alguns não só excederam em sublimadas ações, mas até se conduziram com a máxima dignidade por todo o curso da vida. Contudo, aqui nos deve ocorrer que, por entre esta corrupção de nossa natureza, algum lugar há para a graça de Deus, não aquela que a expurgue, mas aquela que a coíba interiormente. Ora, se o Senhor permitisse à mente de cada um esbaldar-se de rédeas soltas em todos os desejos, sem dúvida ninguém haveria que, de fato, não propiciasse confirmação de que, mui verdadeiramente, em si concorreriam todas aquelas coisas más pelas quais Paulo condena toda a natureza [Rm 3.12].

E então? Porventura te eximes ao número desses cujos pés são velozes para derramar sangue [Rm 3.15], as mãos aviltadas em rapinas e assassinatos, a garganta semelhante a sepulcros abertos, a língua enganosa, os lábios pejados de veneno [Rm 3.13], as obras inúteis, iníquas, pútridas, letais, cuja mente é sem Deus, cujas entranhas são depravações, cujos olhos estão voltados para as insídias, o ânimo alçado para ultrajar; em suma, todas as partes engrenadas para infindas impiedades?

Se, como o declara o Apóstolo inqualificadamente, cada alma é sujeita a todas as abominações desta espécie, seguramente vemos o que haveria de ser, se o Senhor deixasse que a licenciosidade humana vagasse, conforme sua inclinação. Não há nenhuma fera raivosa que seja impelida tão desbragadamente; rio nenhum, por mais caudaloso e violento, que o desbordamento seja tão impetuoso. Em seus eleitos, o Senhor cura estes achaques na maneira que logo exporemos; nos outros, aplicado um freio, apenas os coíbe, só para que não se arrojem a extremos, até onde antevê ser conveniente para a preservação da totalidade das coisas.

Daqui, uns são contidos pelo senso de vergonha, outros, pelo temor das leis, para que não se lancem a muitas espécies de torpezas, se bem que, em larga medida, não dissimulam sua impureza; outros, porque julguem ser de vantagem uma forma honesta de viver, a ela, de certa maneira, aspiram; outros se alteiam acima da condição vulgar para que, mercê de sua própria importância, contenham os demais na linha da deferência apropriada.

E assim, mediante sua providência, Deus nos refreia a perversidade da natureza para que não irrompa em ação; entretanto, não a purifica interiormente.

Maus até os Ossos


Por Phil Johnson

As Escrituras são muito claras e consistentes em seu ensino de que nós nascemos em um estado de pecaminosidade, culpa, e morte espiritual. Quando verdadeiramente compreendemos nosso estado decaído, podemos ver imediatamente que o nosso próprio pecado é um dilema moral e espiritual do qual somos totalmente incapazes de nos desembaraçar.

Paulo disse aos cristãos de Eféso: "estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais" (Efésios 2:1-3). Os "demais" de que ele fala é todo o mundo. Esse é o estado de toda pessoa que entra neste mundo. O apóstolo estava descrevendo os efeitos espirituais da nossa natureza humana decaída.

"A propósito, a doutrina da "depravação total" não foi inventada por Calvino. É uma doutrina bíblica."

Observem de perto o que ele diz ali: Toda pessoa não regenerada está espiritualmente morta, andando de acordo com Satanás, sendo por natureza filha da ira. Nós nascemos neste mundo como completos pecadores - não simplesmente um pouco manchado pelo pecado, mas completamente, desesperadamente, em escravidão a ele. Todo aspecto de nosso ser - mente, emoções, desejos, e até mesmo nossa constituição física - é corrompido, controlado, e desfigurado pelo pecado e seus efeitos. Ninguém escapa desse veredicto. Nós somos totalmente depravados.

A propósito, a doutrina da "depravação total" não foi inventada por Calvino. É uma doutrina bíblica. Ela também foi teologia cristã ortodoxa padrão, expressamente afirmada por todo o cristianismo dominante por mais de mil anos antes da Reforma, da controvérsia pelagiana em diante. Portanto não descarte a depravação total como sendo meramente uma novidade da época da Reforma, peculiar ao dogma calvinista. Não é.

"Eu não cedo nenhum terreno àqueles que querem diluir a soberania de Deus ou a inabilidade do pecador. Fazer isso é corromper o evangelho desde o seu ponto de partida."

Por outro lado, se você verdadeiramente entender a doutrina da depravação, você terá visto a verdade que está no coração da ênfase do calvinismo. É por isso que nós damos ênfase à graça divina em vez da livre vontade humana como o principal fator na nossa salvação. E eu não me desculpo por ser enfático quanto a isto: as Escrituras ensinam claramente que Deus é totalmente soberano, e os pecadores são totalmente impotentes para se salvarem. Uma vez que você compreende essas verdades da forma como a Bíblia as apresenta, você terá abraçado o próprio coração do que é comumente chamado de calvinismo. Esta ênfase dual na depravação humana e na necessidade da graça soberana de Deus na salvação dos pecadores também é a base de toda a verdade que pode ser chamada legitimamente de "evangélica". Eu não cedo nenhum terreno àqueles que querem diluir a soberania de Deus ou a inabilidade do pecador. Fazer isso é corromper o evangelho desde o seu ponto de partida.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ídolos inúteis - Mentiras vazias!


Por Douglas Bookman

Jonas obedeceu a uma mentira. Essa mentira foi dupla: 1) ele creu que seu desejo a favor da destruição de Nínive era mais digno que o desejo de YHWH quanto ao arrependimento daquela cidade; e 2) ele acreditou que poderia realmente fugir da "presença do SENHOR" (1.3). E difícil aceitar que Jonas realmente creu em tal mentira; ele era, afinal de contas, um verdadeiro profeta de YHWH (2 Reis 14.25).

É uma afronta à credulidade sugerir que um profeta que ministrava foi persuadido de que seus desejos transcendiam o mandamento de Deus em valor ou importância, ou que tal porta-voz de Deus conscientemente concebeu YHWH como sendo uma divindade local tão presa ao espaço que uma pessoa pudesse fugir de Sua presença, em um navio. Mas a questão se Jonas realmente creu na mentira ou se estaria conscientemente proclamando a credibilidade de suas pretensões é digna de discussão em processo simulado; o fato histórico, registrado na Bíblia, é que ele obedeceu a uma mentira.

Jonas confessou que por causa de seus próprios desejos ("ídolos inúteis : mentiras vazias e que serviam a seus próprios fins) foi tão espiritualmente tolo que se comportou como se essa mentira fosse verdade ("aqueles que acreditam : que se apegam, que abraçam, que acalentam a despeito de todas as influencias em contrário) e dessa forma trouxe sofrimento sobre si.

A horrenda realidade espiritual da experiência de Jonas é a seguinte: o poder de uma mentira não é intrínseco à sua inerente credibilidade, mas sim à sua força de atração. A questão moral principal não é se o povo crera na mentira, mas se eles a obedecerão! O pai das mentiras aprendeu no Jardim que uma mentira de uma improbabilidade quase que infinita ( no dia em que comeres... serão como deuses") seduzirá caso seja suficientemente tentadora ("era boa para comer... agradável aos olhos... sereis conhecedores do bem e do mal"). Em suma, uma mentira é poderosa não porque e enganosa, mas porque é deliciosa.

Para explicar a questão por um prisma diferente, a mentira é eficaz apenas por causa da nossa predisposição egoísta, já que como criaturas caídas somos inclinados a favorecer nossos próprios desejos, que estamos dispostos a ser tão espiritualmente tolos a ponto de obedecer a uma mentira que jamais declararíamos de forma consciente. Mas a predisposição egoísta é, em todos os casos, destrutiva. Quando as pessoas determinam abandonar o que sabem ser verdade para abraçar uma mentira sedutora, elas abandonam a misericórdia de Deus. Este é o testemunho do profeta Jonas.

Qualquer um que aconselha, pela natureza de seu ministério, haverá de confrontar quem obedeceu a mentiras sedutoras, e que desprezou a misericórdia. Essa pessoa obedeceu à mentira por causa de sua predisposição egoísta. Em outras palavras, ela rejeitou o foco na Pessoa de Deus em favor de um foco voltado para si mesma, e o resultado vem sendo destruição espiritual, emocional, física e/ou relacional. Essa pessoa está vivendo no meio de Jonas 2.8, mas sua única esperança encontra-se em Jonas 2.9.

Ela colocou seus olhos sobre si mesma e trouxe destruição à sua própria vida. Devemos confrontá-la com tal impiedade e desafiá-la a colocar seus olhos em Deus, para obedecer à Palavra dEle, viver sua vida para a glória dEle, e nisto confessar e experimentar que "ao Senhor pertence a salvação"!

ÍDOLOS INÚTEIS NO ACONSELHAMENTO BÍBLICO

A tragédia no mercado contemporâneo é que vários modelos de aconselhamento cristão estão baseados em teorias mais precisamente subordinadas sob o erro de Jonas 2.8 ("ídolos inúteis") do que sob a verdade de Jonas 2.9 ("Ao Senhor pertence a salvação!"). Intencionalmente ou não, alguns conselheiros provaram ser líderes cegos para cegos; têm concordado com posturas que agradam a seus ouvidos, que são subbíblicas e que desonram a Deus - posturas que apenas tornam as pessoas mais confortáveis em sua impiedade.

É angustiante contemplar a lista de "ídolos inúteis" que têm se insinuado como os mais diversos modelos de aconselhamento "cristão": modelos que legitimam uma preocupação narcisista com o eu; modelos que fabricam uma dimensão para a psique humana, cuja existência não pode ser comprovada, mas cujo reconhecimento possui o efeito prático insidioso de tornar o indivíduo vítima das forças diante das quais não pode ser responsabilizado, e por conseguinte negando que as pessoas são moralmente responsáveis pela forma que agem, pensam ou sentem; modelos que validam a postura de que criaturas finitas têm o direito de se enraivecerem contra o Juiz infinito do universo (que tem, de fato, nos assegurado que fará aquilo que é correto, Génesis 18.25), e que é possível obter benefícios espirituais e terapêuticos por meio do expressar tal atitude de raiva contra Deus; modelos que falam de cura e crescimento espiritual nos relacionamentos, e em maturidade enquanto evitam deliberadamente qualquer apelo ao Espírito Santo ou a graças-padrão a nós concedidas por Deus.

Tudo isso é mentira! Elas não haverão de ser intelectualmente incisivas a qualquer um que opera dentro da cosmovisão das Escrituras, mas já que tornam as pessoas confortáveis em seu pecado, são extremamente sedutoras. Além disso, pelo motivo dela ser uma realidade fixa do universo moral de que todos os que observam ídolos inúteis irão sempre desprezar a misericórdia, essas mentiras também são destrutivas.

Tanto para o conselheiro quanto para o aconselhado, a forma de se contrapor a essas mentiras destrutivas, é fazer um compromisso deliberado e prático de concentrar a atenção na glória de Deus. Esta foi a descoberta libertadora feita pelo profeta Jonas. Ao focar-se em seus desejos egoístas, Jonas se achou em uma enrascada, mas quando reconheceu a destrutividade de sua predisposição egoísta, quando confessou o caráter escravizador dos ídolos inúteis que ele tinha abraçado, quando reconheceu que ao apegar-se a tais ídolos ele havia abandonado a bondade de Deus e trazido sobre si destruição, Jonas encontrou alívio. Milhões têm seguido esse exemplo - pessoas que confessariam de forma alegre que a glória e o louvor pelo alívio que encontraram pertencem a Deus somente.

A porção de hoje é suficiente?

Por Adeildo Nascimento Filho

Vários personagens bíblicos me causam admiração, espanto, confusão e principalmente inspiração. Eliseu é um destes que me leva a vários pensamentos, raciocínios e exercícios de empatia.

Viver seguindo Elias devia ser algo fenomenal. Acompanhar seu ministério, suas ações a serviço de Deus e o seu caminhar cheio de aventuras, desventuras, controvérsias, indagações, traições, perigos, sucessos e amarguras deve ter sido uma escola de profeta e tanto. Ouvir falar de alguém e seus feitos é uma coisa, acompanhá-lo de perto é outra bem diferente. O contar das histórias cria ícones que, por vezes, ficam descolados das figuras humanas, com uma impressão de super-herói ou algo do gênero. Se quem conta um conto aumenta um ponto quem reproduz histórias as torna monumentais.

Que Elias foi um ícone bíblico ninguém nega. Mas qual seriam os comentários a respeito do mestre feito pelo aluno, pelo seguidor, pelo aprendiz, pelo companheiro, será que poderia dizer pelo amigo? Acho que sim. Prova maior são estas palavras: “Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei.”, só um verdadeiro e chato amigo poderia proferi-las. Ter referenciais é fundamental na vida de qualquer pessoa. De cristãos, em especial. Melhor ainda é ter referenciais e exemplos com os quais você possa caminhar junto diariamente.

Betel, Jericó e Jordão, um caminho final, uma estrada derradeira, o final de um tempo juntos, o final do aprendizado, o completar de um ciclo feito de lições práticas e diárias. No caminho avisos, provocações e gracejos… Seu senhor será tirado de você! Perdeu compadre! De agora em diante sua missão terminou. Não existira mais a quem seguir, não mais quem ajudar, não mais com quem aprender.

Aquele último trajeto foi decisivo na vida de Eliseu e meu exercício de empatia se fixa nos pensamentos a respeito do futuro: Se ele se for alguns talvez tenham em mim a continuidade do seu ministério; Será que aprendi como deveria? Será que sou capaz? Talvez mais algum tempo juntos? O final das coisas é sempre mais complicado que o início. Conseguir um moço para segui-lo era fácil, difícil agora é como se apartar dele. O meu exercício de empatia com Elias se foca na preocupação com a despedida. Acho que Elias, assim como a maioria de nós, não gostava dela. “Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou…” para cá, para lá e para acolá!… Melhor terminar com isso rapidamente, sem choro, sem despedidas, sem mais faça assim ou faça assado. Leio e enxergo um coração triste em Elias. Triste com a despedida de Eliseu.

Um rio, um capa dobrada, águas feridas e uma estrada a seco em sua frente. Como se não bastasse a preocupação sobre o futuro do ministério de profeta mais uma prova do poder de Deus sobre a vida do mestre deixa o aluno estupefato.

Sempre que idealizo Elias imagino, não sei por que, um sujeito sisudo. Mas num momento em específico me vejo enxergando um ar nunca antes visto na fisionomia de Elias. “Serei tomado de Ti Eliseu!”. Essa não é a frase expressa na bíblia mas gosto de parafrasear. “Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti.” Essa é a frase original. Se fosse um filme, a trilha sonora desse momento seria calma, tranquila, com muitas cordas e um close no olhar de Elias. Um momento sublime onde o mestre realiza um último pedido do aprendiz, um presente a lealdade, uma dádiva de despedida ao mais que aluno, ao amigo. Imagino que Elias não era assim tão bom – também como a maioria de nós – em expressar seus sentimentos e ali tentava usar uma linguagem de amor um pouco diferente, do jeito dele.

A câmera lentamente se move em direção ao rosto de Eliseu e lá encontra um homem surpreso com aquelas palavras. Acredito que ele não esperava essa atitude de Elias, não fazia o tipo dele. Naquele exato momento imagino o espírito de Eliseu em busca do pedido perfeito, do pedido de coroaria todos os momentos que viveram juntos, algo que conseguisse unir o passado e o futuro no presente que a partir daquele instante seria só dele, Eliseu.

Pois bem, mesmo a bíblia não nos dando noção de tempo entre uma frase e outra, acredito que aquele momento não demorou tanto assim. A resposta surge auxiliada por outro espírito que não apenas o Dele. “Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim.” Quem teria pensado em pedido melhor? Nem Elias imaginava isso, haja vista sua resposta: “Coisa difícil pediste;”. Talvez o pensamento de Elias tenha sido: atrevido não? Seguido desse pensamento deve ter vindo a felicidade pelo pedido, afinal de contas, que professor não ficaria feliz com um pedido de um aluno como este? Só os orgulhosos.

Elias sabia, contudo, que a resposta do pedido não dependia apenas dele. O Espírito que o movia vinha dos céus. “Só se me vires quando for tomado de ti, então se fará.”. Ponto, seguem o caminho, andando e falando quando de repente: um carro de fogo, com cavalos de fogo os separam.

Disse Eliseu: “Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros!”. Capa na mão e novamente um rio a frente. “Onde está o SENHOR DEUS de Elias?” e novamente uma estrada a seco em sua frente.

Pedido atendido. Porção dobrada concedida.

Imagino os líderes “cristãos” da atualidade se dirigindo aos jovens, as novas gerações e lhes perguntando o querem que lhes seja dado antes de partirem. Quais seriam os pedidos? Tenho receio deles. Porção dobrada do que dizem possuir seria suficiente para que seus seguidores espelhassem o exemplo de Elias na terra?

Vejo jovens andando com a água no pescoço porque não encontram líderes que possam lhes transmitir uma porção do espírito capaz de fazer um riacho se abrir a sua frente.

A porção do que hoje pregam, ensinam e vivem não é suficiente! E o SENHOR DEUS de Elias não é deus deles.

Fonte: NAPEC