Por Pr. Silas Figueira
Lembro de uma conversa há uns três
anos. Um amigo meu, cristão há mais de vinte anos, me dizia com aquela
sinceridade que só o desespero permite: "Silas, eu não sei mais como criar
meus filhos nesse mundo. Tudo o que a escola ensina, tudo o que a internet
mostra, tudo o que os amiguinhos celebram — é o oposto do que tentamos viver em
casa."
Ele não estava exagerando.
É curioso como certas ideias ganham,
de repente, o peso da evidência. O que a maioria pensa costuma parecer simples
bom senso; e quem discorda é que precisa dar explicações. Aquilo que ontem
dispensava qualquer defesa, hoje exige argumentação. E o que antes causava
constrangimento, em poucos anos passa a ser exibido como troféu.
É nesse terreno movediço que o
cristão precisa redescobrir uma verdade antiga: o Evangelho nunca foi chamado
para acompanhar a cultura, mas para confrontá-la sempre que ela se afasta de
Deus.
Isso não quer dizer que o cristão
deva viver em guerra permanente com a sociedade, enxergando pecado em tudo o
que é novo ou diferente. A fé cristã não é nostalgia religiosa de um passado
idealizado. E tampouco fomos autorizados a transformar nossas preferências
pessoais em mandamento divino.
A questão é outra.
O cristianismo tem uma maneira
própria de enxergar Deus, o homem, o pecado, o corpo, a sexualidade, a família,
o dinheiro, o poder, o sofrimento e a própria história. Por isso,
inevitavelmente, haverá momentos em que a fidelidade a Cristo colocará seus discípulos
em rota de colisão com os valores dominantes de sua geração.
Desde o começo foi assim. Paulo
escreveu aos romanos uma frase que bastaria sozinha: "Não vos conformeis
com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente" (Rm
12.2). Não permitam que este século lhes dite a forma definitiva do pensamento,
do desejo, das convicções.
Quando a cultura deseja moldar o
cristão
Toda cultura tem os seus credos,
ainda que se declare sem religião nenhuma. Há verdades que ninguém ousa
questionar, pecados que não se perdoam, virtudes que se exaltam. A nossa
geração não é exceção. Existe uma espécie de catecismo sendo ensinado diariamente
por filmes, séries, redes sociais, publicidade, música, universidades e
influenciadores. Sem que percebamos, vamos aprendendo o que devemos desejar,
como devemos pensar e quem devemos nos tornar.
Uma das suas lições mais repetidas é
esta: "Seja fiel a você mesmo." Soa libertador. E é exatamente aí que
mora o perigo, porque Jesus ensinou o contrário: "Se alguém quer vir após
mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me" (Mt 16.24).
A cultura diz: descubra seus desejos
e siga-os. Cristo diz: examine seus desejos à luz da vontade de Deus. A cultura
diz: você pertence a si mesmo. O Evangelho responde: "Não sois de vós
mesmos" (1Co 6.19). A cultura diz: ninguém pode determinar quem você deve
ser. O cristianismo lembra: fomos criados por Deus e existimos para a glória
dele.
Talvez esteja aí um dos pontos mais
profundos de tensão entre a fé cristã e a mentalidade moderna. A grande
promessa do nosso tempo é autonomia. O Evangelho anuncia senhorio. E olha, eu
demorei pra entender isso. Passei anos achando que ser cristão era sobre me
realizar, me encontrar, ser feliz. Até que percebi que não era sobre mim. Nunca
foi.
O cristianismo começa destronando
o "eu"
Desde o Éden, o pecado carrega uma
marca fundamental: a criatura quer ocupar o centro. A serpente não ofereceu a
Eva apenas um fruto. Ofereceu autonomia: "Sereis como Deus" (Gn 3.5).
Essa promessa atravessa a história inteira. O pecado continua sussurrando as
mesmas coisas, com novas roupagens: você pode determinar sozinho o que é certo
e errado; pode definir a própria identidade; pode construir a própria verdade;
pode organizar a vida sem prestar contas ao Criador.
O Evangelho começa exatamente
demolindo essa ilusão. Ser cristão é confessar que Jesus Cristo é Senhor. Não
apenas Salvador — Senhor. O que significa que não entregamos a Cristo somente
os pecados, as preocupações e as necessidades. Entregamos também os nossos
direitos imaginários de autogoverno. Cristo reivindica a mente, o corpo, os
afetos, o dinheiro, a sexualidade, a família, os relacionamentos, o tempo, o
futuro. Tudo.
Por isso o cristianismo será sempre profundamente
contracultural numa sociedade que fez da autonomia pessoal um valor absoluto. E
aqui no Brasil isso é particularmente desafiador, porque crescemos ouvindo que
"cada um sabe o que é melhor pra si". O jeitinho brasileiro, no
fundo, é uma forma de autonomia: eu decido as regras, eu contorno a lei, eu me
adapto como convém. O Evangelho diz: não, você não é o centro. E isso dói.
Quando sentir virou sinônimo de
verdade
Uma das marcas do nosso tempo é a
autoridade que se concede aos sentimentos. "Eu sinto" passou, muitas
vezes, a significar "é verdade". Não se trata de desprezar as
emoções. A Bíblia leva a sério os sentimentos humanos — os Salmos transbordam
de medo, alegria, angústia, esperança, indignação, culpa e gratidão. Mas as
Escrituras nunca ensinaram que nossos sentimentos são infalíveis. O coração
também foi atingido pela queda.
Por isso Jeremias escreve:
"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas" (Jr 17.9). Há
desejos que precisam ser cultivados e desejos que precisam ser negados. Há
sentimentos que pedem consolo e sentimentos que pedem confronto. A grande pergunta
cristã não é simplesmente "o que estou sentindo?", mas "o que
Deus disse?". A diferença parece pequena; na prática, ela desloca por
completo o centro de autoridade da vida.
Eu já tomei decisões ruins confiando
demais no que eu sentia. Já achei que Deus estava me guiando para um lugar,
quando na verdade eu só queria ir para lá. Já confundi vontade da carne com
direção do Espírito. E vi gente fazendo o mesmo — casando, mudando de igreja,
tomando decisões financeiras, tudo baseado no "coração me disse". O
problema é que o coração mente.
A pureza se tornou rebeldia
Numa sociedade saturada de
erotização, a castidade virou estranheza. Esperar pelo casamento parece
antiquado, a fidelidade conjugal soa ingênua, dominar os próprios desejos
ganhou nome de repressão. A pornografia foi normalizada, o adultério
romantizado, o corpo reduzido a mercadoria.
Conheço um casal aqui no Rio — não
vou dizer o nome, mas são amigos próximos — que decidiu, antes de casar, que
não morariam juntos. Na época, todo mundo achou estranho. Os amigos faziam
piada. A família pressionava. "Vocês são adultos, já sabem o que querem,
qual é o problema?" Mas eles seguraram. E hoje, dez anos depois, me dizem
que aquela decisão foi uma das mais libertadoras que já tomaram. Não porque foi
fácil — não foi —, mas porque os ensinou que nem todo desejo precisa ser
satisfeito imediatamente.
Numa cultura que diz "se você
sente, faça", o Evangelho diz "espere, reflita, obedeça". Não é
repressão. É liberdade de não ser escravo dos próprios impulsos.
Nesse cenário, um jovem que decide
preservar-se sexualmente não está apenas sendo conservador: está praticando uma
forma silenciosa de resistência cultural. Um marido que permanece fiel à esposa
proclama algo sobre a aliança. Uma esposa que honra o casamento, numa sociedade
marcada pela descartabilidade, mostra que compromissos não precisam morrer
quando os sentimentos mudam.
O cristianismo recorda ao mundo que
nem tudo o que desejamos deve ser realizado. Há dignidade no domínio próprio,
beleza na fidelidade e liberdade em dizer não ao próprio desejo.
O contentamento se tornou
revolucionário
A sociedade de consumo não vive
apenas de vender produtos. Ela precisa fabricar insatisfação. Você precisa
acreditar que ainda falta alguma coisa: mais dinheiro, mais reconhecimento,
mais seguidores, uma casa melhor, um corpo melhor, uma vida melhor. O mercado
conhece bem a fragilidade do coração humano — e, tantas vezes, vende objetos
prometendo identidade.
É por isso que a palavra de Paulo
soa quase subversiva: "Aprendi a viver contente em toda e qualquer
situação" (Fp 4.11). O contentamento ameaça uma cultura sustentada pela
comparação. O homem contente não precisa provar o próprio valor a cada instante,
nem transformar cada conquista em espetáculo, nem possuir tudo o que os outros
possuem, nem competir sem descanso. Ele pode receber o que Deus lhe deu com
gratidão. Isso não é acomodação. É liberdade.
Vivemos numa cultura que mistura
religiosidade com prosperidade de um jeito meio estranho. Igrejas lotadas
pregando que Deus quer te dar carro do ano, casa na praia, conta bancária
cheia. E o povo acredita, porque a necessidade é real. Mas será que essa é a
mensagem do Evangelho? Será que Jesus prometeu isso? Ou ele disse algo bem
diferente: "No mundo vocês terão aflições" (Jo 16.33)?
Já vi gente passando necessidade e
sendo ensinada que era porque "não tinha fé suficiente". O Evangelho
não é fórmula de prosperidade. É convite à fidelidade — inclusive na escassez.
A verdade se tornou ofensiva
Existe uma ideia bastante difundida de que amar alguém
significa validar suas escolhas. Jesus nunca entendeu o amor assim. Ele acolhia
pecadores, mas também dizia: "Vai e não peques mais" (Jo 8.11). Em
Cristo, graça e verdade não eram inimigas. João escreve que "a graça e a
verdade vieram por meio de Jesus Cristo" (Jo 1.17). O nosso problema é que
insistimos em separar o que Cristo manteve unido.
Alguns têm verdade sem graça e se
tornam duros. Outros têm uma espécie de graça sem verdade e se tornam
permissivos. O Evangelho não nos deixa escolher entre as duas. O amor cristão
abraça, mas adverte; consola, mas confronta; perdoa o pecador, mas nunca chama
o pecado de virtude.
É justamente aqui que a Igreja
enfrenta uma das maiores pressões do nosso tempo. Não basta respeitar as
pessoas: espera-se, muitas vezes, que celebremos tudo aquilo que elas escolhem.
Quando a Igreja se recusa, é imediatamente acusada de intolerância. Precisamos
reaprender que discordar não é odiar. É possível amar profundamente alguém e,
ao mesmo tempo, dizer: "Creio que Deus deseja algo diferente para a sua
vida."
O equilíbrio é difícil. Mas é
necessário. E só vem quando a gente entende que amor de verdade não é concordar
com tudo — é querer o bem do outro, mesmo quando isso significa discordar.
O poder também precisa ser
confrontado
A contracultura cristã não pode ser
seletiva. É cômodo denunciar os pecados que moram do lado de fora e proteger os
que florescem entre nós. Os profetas bíblicos não confrontaram apenas idolatria
e imoralidade. Confrontaram corrupção, injustiça, exploração, violência e abuso
de poder. Isaías denunciou os que faziam leis injustas (Is 10.1). Amós
confrontou uma sociedade religiosamente ativa que esmagava os pobres. Miquéias
denunciou líderes que usavam a posição em benefício próprio. João Batista
perdeu a cabeça por ter coragem de confrontar Herodes.
Isso significa que o cristão não
pode simplesmente adotar o pacote ideológico da sua tribo política e batizá-lo
com linguagem bíblica. O Evangelho não pertence à direita nem à esquerda: julga
ambas. Onde houver idolatria, injustiça, mentira, corrupção, banalização sexual
ou exploração do pobre, ali devemos denunciar. Nossa fidelidade pertence a
Cristo — não às paixões políticas da época.
E aqui no Brasil, isso é urgente.
Quantas vezes vemos pastores abençoando candidatos sem nem verificar o caráter
deles? Quantas igrejas viraram comitês eleitorais? Quantos cristãos defendem
políticos corruptos só porque eles prometem "defender os valores
cristãos"? O Evangelho não é moeda de troca política. E quem tenta usá-lo
assim, na verdade, está traindo a Cristo. Eu já vi isso acontecer. Já vi gente
boa, sincera, sendo manipulada porque confundiu fé com partido. Dói ver.
E a gente reclama do mundo lá fora,
mas esquece que o mundo lá fora também senta no banco da igreja do lado e canta
os mesmos hinos. A diferença é que, às vezes, a gente só muda o vocabulário,
não o coração.
A Igreja não foi chamada para ser
popular
Toda geração cristã enfrenta a mesma
tentação: adaptar a mensagem para torná-la mais aceitável. Em alguns lugares,
retira-se o pecado; em outros, o juízo; em outros ainda, o Evangelho vira
mensagem terapêutica de autoestima. O homem deixa de ser um pecador que precisa
reconciliar-se com Deus e passa a ser apresentado como alguém ferido que só
precisa descobrir o próprio potencial.
A cruz deixa de ser o lugar onde
Cristo carrega a culpa dos pecadores e vira mero símbolo de amor e aceitação. O
arrependimento desaparece. A santidade perde espaço. O discipulado deixa de
significar seguir a Cristo e passa a significar realizar sonhos religiosos.
Quando isso acontece, a mensagem pode até continuar popular — mas já não é o
Evangelho apostólico. Paulo advertiu: "Pois haverá tempo em que não
suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as
suas próprias cobiças" (2Tm 4.3).
O perigo não está apenas na
existência de falsos mestres. O texto revela algo ainda mais perturbador:
haverá ouvintes à procura de mestres que lhes digam exatamente aquilo que
desejam ouvir. E, sinceramente, eu entendo isso. É mais fácil ouvir que Deus quer
te fazer feliz do que ouvir que você precisa morrer pra si mesmo. Mas o
Evangelho não é sobre nos sentir bem. É sobre sermos feitos novos. E isso dói.
A verdadeira contracultura começa
dentro da Igreja
Ser contracultural não é cultivar
uma atitude permanente de confronto. Não é transformar grosseria em coragem,
nem arrogância em fidelidade. Há quem pareça sentir prazer em ofender e depois
chame a reação que provoca de perseguição. Esse não é o espírito de Cristo.
Pedro escreveu: "Estando sempre
preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há
em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor" (1Pe 3.15-16). A firmeza
cristã precisa vir acompanhada de mansidão. Convicção sem amor vira dureza;
amor sem convicção vira sentimentalismo. O cristão precisa das duas coisas.
Além disso, a contracultura cristã
começa dentro da própria casa. É fácil protestar contra a imoralidade do mundo
enquanto alimentamos pecados secretos; denunciar o materialismo da sociedade
enquanto somos dominados pela cobiça; falar contra a destruição da família
enquanto negligenciamos esposa e filhos; criticar a arrogância cultural
enquanto cultivamos orgulho religioso. Antes de confrontar Babilônia, convém
verificar se Babilônia não construiu altares dentro do nosso coração.
Algumas revoluções acontecem em
silêncio
Talvez imaginemos a resistência cultural como algo
grandioso. Nem sempre é. Na maioria das vezes, a contracultura cristã aparece
em escolhas aparentemente comuns. Um empresário que prefere perder dinheiro a
mentir. Um jovem que decide preservar a pureza. Uma mulher que se recusa a
construir a identidade a partir da aprovação das redes sociais. Um homem que
pede perdão aos filhos. Uma família que aprende a viver sem transformar o
consumo em propósito. Um cristão que perdoa quem o feriu. Uma igreja que continua
pregando pecado, graça, arrependimento e cruz quando esses temas deixaram de
ser populares. Um pastor que se recusa a transformar o púlpito em palco. Uma
pessoa que prefere sofrer injustiça a praticá-la.
Tudo isso parece pequeno. Mas é
profundamente revolucionário — porque a maneira cristã de viver desafia alguns
dos dogmas mais arraigados da nossa época. E, na maioria das vezes, ninguém vai
aplaudir. Ninguém vai ver. Mas Deus vê. E isso basta.
Não pertencemos completamente a
este século
A Igreja viverá sempre numa tensão.
Estamos no mundo, mas não pertencemos ao sistema de valores que o governa.
Jesus orou ao Pai: "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes
do mal" (Jo 17.15). Não fomos chamados ao isolamento. Precisamos
trabalhar, estudar, produzir cultura, servir à sociedade, cuidar dos
necessitados, criar filhos, participar da vida pública e amar os vizinhos. Mas
tudo isso deve ser feito com a lembrança de que a nossa cidadania definitiva
pertence a outro Reino.
Pedro chama os cristãos de
"peregrinos e forasteiros" (1Pe 2.11). Essa identidade explica por
que, algumas vezes, sentiremos certo desconforto neste mundo. Haverá escolhas
que ninguém compreenderá, convicções ridicularizadas, valores considerados
ultrapassados. Talvez uma das maiores tragédias que poderiam acontecer à Igreja
fosse justamente deixar de parecer diferente. Quando não existe diferença
alguma entre a maneira como o cristão pensa, deseja, ama, gasta, trabalha,
perdoa, casa, cria os filhos e usa o corpo e a maneira como o mundo faz essas
mesmas coisas, algo essencial se perdeu.
A cruz continua sendo a nossa
maior contracultura
No coração da fé cristã existe uma cruz. E a cruz destrói
quase tudo o que o nosso orgulho deseja construir. Ela nos diz que não somos
bons o suficiente para salvar a nós mesmos. Que a nossa justiça não basta, a
nossa moralidade não basta, o nosso conhecimento não basta, a nossa religião
não basta. Precisamos de um Salvador.
Ao mesmo tempo, a cruz revela que a
nossa vida tem valor tão grande diante de Deus que o Filho foi entregue para
redimir pecadores. Assim, o Evangelho destrói tanto o orgulho quanto o
desespero. Não podemos dizer: "Sou bom demais para precisar de graça."
Nem precisamos concluir: "Sou mau demais para recebê-la." A cruz
responde às duas coisas.
Por isso o cristianismo será sempre
contracultural. Numa sociedade que exalta o indivíduo, ele proclama Cristo.
Numa cultura que idolatra a autonomia, anuncia senhorio. Numa geração que
transforma desejos em direitos absolutos, ensina domínio próprio. Num mundo
marcado pela vingança, prega perdão. Numa sociedade obcecada pelo sucesso,
valoriza fidelidade. Numa cultura que teme o sofrimento acima de tudo,
apresenta um Salvador crucificado.
E num tempo em que muitos desejam
moldar a verdade aos sentimentos, a Igreja continua ouvindo a antiga oração de
Jesus: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (Jo
17.17).
Talvez essa seja uma das vocações
mais urgentes da Igreja neste século: não odiar a cultura, não fugir dela, não
imitá-la — mas viver diante dela como testemunha de outro Reino. Um Reino no
qual o maior serve, o pecador se arrepende, o ofendido perdoa, o poderoso se
humilha, o corpo pertence a Deus, a verdade não está à venda e Cristo continua
sendo Senhor.
A verdadeira contracultura cristã
não nasce do desejo de ser diferente. Nasce do desejo de ser fiel. E, em
determinados momentos da história, ser fiel a Cristo inevitavelmente nos
tornará diferentes.