domingo, 24 de janeiro de 2021

UMA LIDERANÇA ESCOLHIDA EM ORAÇÃO

Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 6.12-16

INTRODUÇÃO 

Havia se passado cerca de um ano e meio desde que João, o Batista, tinha apresentado Jesus como o Cordeiro de Deus e que Jesus havia iniciado seu ministério público. Depois de uma noite de oração, Jesus desce do monte e pela manhã chama a si os seus discípulos. Jesus agora está pronto para escolher seus apóstolos. Estes serão seus associados íntimos, que receberão treinamento especial. Contudo, visto que continuam sendo alunos de Jesus, eles ainda podem ser chamados de discípulos.

O que podemos aprender a respeito dessa escolha de Jesus desses doze homens?

1 – O QUE VEM A SER UM APÓSTOLO?

Antes de pensarmos na escolha que o Senhor fez, devemos pensar o que vem a ser um apóstolo e porque o número de doze.

1º - Apóstolo é uma pessoa enviada com uma comissão. A palavra “apóstolo” (gr. apostolos) deriva de apostellein, “enviar”.

O ministério de Jesus desde o batismo até a sua ressurreição, durou cerca de três anos. Assim, o período de treinamento intensivo dos discípulos foi equivalente a mais ou menos metade disso, pois quando Jesus identificou e chamou os doze apóstolos dentre um grupo maior de seguidores, metade do seu ministério aqui na terra já havia terminado.

John MacArthur citando A. B. Bruce diz que “a seleção dos doze por Jesus é um marco importante na história do Evangelho. Ela divide o ministério de nosso Senhor em duas partes, provavelmente quase iguais no que se refere à duração, porém desiguais no que se refere à extensão e importância em cada uma, respectivamente. No primeiro período, Jesus trabalhou sozinho; seus feitos miraculosos se limitaram em sua maioria a uma região mais restrita e seus ensinamentos foram principalmente de um caráter mais básico. No entanto, quando os doze foram escolhidos, o trabalho do reino já havia adquirido proporções tais que exigia uma organização e divisão do trabalho; além disso, os ensinamentos de Jesus estavam começando a ser de uma natureza mais profunda e suas obras benevolentes adquiriram uma abrangência cada vez maior” [1].   

Foi durante este período de um ano e meio iniciais que seus discípulos foram se fortalecendo na fé mediante os ensinos de Jesus e prodígios que Ele operava. Por isso foi necessário um período de tempo para que os apóstolos fossem escolhidos. Esses homens teriam a responsabilidade de dar continuidade ao ministério do Senhor.

Como lemos em Atos 1.1,2: “Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera.

Os apóstolos teriam a incumbência de dar prosseguimento aos ensinamentos de Jesus e espalhar essas Boas-Novas pelo mundo, como lemos em Atos 1.8: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”.

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mt 24.14).

Observe que em Atos 2.42 nos fala que a igreja que havia em Jerusalém “perseverava na doutrina dos apóstolos” (At 2.42). E a Bíblia também nos fala que nós estamos “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2.20).

2º -  Os doze apóstolos representam o Novo Israel juntamente com os doze patriarcas (Ap 21.9-14). “E veio a mim um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu. E tinha a glória de Deus; e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente. E tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Do lado do levante tinha três portas, do lado do norte, três portas, do lado do sul, três portas, do lado do poente, três portas. E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

O Novo Israel representado pelos doze patriarcas e pelos doze apóstolos seria formado por pessoas de todas as nações como lemos em Apocalipse 7.7-12:

“Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; e clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro. E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus, dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém”.

Podemos observar isso na escolha do Senhor nos escritores no Novo Testamento; Lucas foi o único escritor gentio de toda a Bíblia, ele era nativo de Antioquia da Síria. Ele escreveu o Evangelho que leva o seu nome e também o livro de Atos. O apóstolo Paulo passou a ser conhecido como o apóstolo dos gentios (Rm 11.13) e Pedro dos judeus (Gl 2.7,8).

O verdadeiro Israel do Antigo Testamento se torna o núcleo da igreja verdadeira no dia do Pentecostes. Aqui, a analogia da oliveira que Paulo usa em Romanos 11 é instrutiva. A árvore representa o povo pactual de Deus – Israel. Paulo compara o Israel descrente a ramos que foram arrancados da oliveira (v. 17a). Os gentios crentes são comparados a ramos de uma oliveira brava que foram enxertados na oliveira cultivada (vv. 17b-19). O ponto importante a notar é que Deus não corta a velha árvore e planta uma nova. Tampouco Deus planta uma segunda nova árvore ao lado da velha oliveira e então enxerta ramos a velha árvore na nova árvore. Em vez disso, a mesma árvore atravessa a divisão do Antigo para o Novo Testamento. Aquilo que sobra depois que os ramos mortos são removidos é o verdadeiro Israel. Os crentes gentios são agora enxertados nessa velha árvore já existente (o verdadeiro Israel/a verdadeira Igreja). Há apenas uma boa oliveira, e a mesma boa oliveira atravessa a divisão pactual.

O que isso significa para o nosso entendimento da relação entre a igreja e Israel? Significa que, quando o verdadeiro Israel foi batizado pelo Espírito no dia de Pentecostes, o verdadeiro Israel se tornou a igreja do Novo Testamento. Portanto, há continuidade entre o verdadeiro Israel e a igreja [2].

Quando lemos Apocalipse 4.4: “E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestes brancas; e tinham sobre suas cabeças coroas de ouro”. Esses 24 anciãos representam o povo fiel de Deus, a igreja do Velho Testamento e do Novo Testamento. A igreja dos Patriarcas e dos Apóstolos. A totalidade da igreja de Deus na história. É uma visão não do que é, mas do que há de ser. A igreja plena, como será na glória, adorando e louvando a Deus diante do trono, nos céus.

3º - Jesus só teve doze apóstolos. Os apóstolos foram os instrumentos para receberem a revelação de Deus, para o registro do Novo Testamento. Em sua polêmica contra os escribas e fariseus, Jesus certa feita se referiu a seus apóstolos como aqueles que, à semelhança dos profetas, sábios e escribas enviados por Deus ao antigo Israel, seriam igualmente enviados, rejeitados, perseguidos e mortos (Lc 11.49; Mt 23.34). Desta forma, ele estabelece um paralelo entre os apóstolos e os profetas como enviados de Deus ao seu povo [3]. Em sua segunda carta, Pedro admoesta seus leitores a se recordarem tanto das que foram ditas pelos “santos profetas” como do mandamento ensinado por “vossos apóstolos” (2Pe 3.2).

As credenciais apostólicas: um apóstolo tinha que ter visto a Cristo ressuscitado (1Co 9.1), ter tido comunhão com Cristo (At 1.21,22) e ter sido chamado pelo próprio Cristo (Ef 4.11). Os apóstolos receberam poder especial para realizar milagres como prova de sua credencial (Mc 16.19,20; At 2.43, 5.12; 2Co 12.12; Hb 2.1-4). 

Se você observar os escritores do Novo Testamento, você observará que eles ou são apóstolos ou alguém ligado diretamente a um apóstolo. Mateus e João foram apóstolos, Marcos e Lucas não; no entanto, Marcos era discípulo de Pedro enquanto Lucas era discípulo de Paulo. Tiago e Judas eram irmãos de Jesus; inclusive, Tiago se tornou líder da igreja de Jerusalém. Já o livro de Hebreus ninguém sabe quem o escreveu. Uns dizem que foi Paulo, outros que foi Barnabé ou Silvano, sendo esses dois eram ligados ao apóstolo Paulo.

Quem se intitula apóstolo hoje está na contramão da verdade das Escrituras.

2 - A ESCOLHA DA LIDERANÇA É SEGUNDO A EXPRESSA VONTADE DO PAI (Lc 6.13; Mc 3.13).

Após uma longa noite em oração, agora estava na hora de escolher entre os discípulos aqueles que estariam mais próximos de Jesus e que receberiam do Senhor autoridade para continuarem o Seu ministério.

Quais são as características dessa escolha que o Senhor fez?

1º - A escolha da liderança não parte dos homens (Lc 6.13; Mc 3.13). Não foram os discípulos que decidiram seguir Jesus nem fizeram um favor para Ele ao aceitarem ao chamado; antes, seu chamado suplanta a vontade deles. O texto em Marcos é enfático quando nos diz: “E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele” (Mc 3.13). O grego é mais enfático; o sentido é que ele reuniu aqueles que ele desejava. Jesus determina o chamado [4]. A escolha foi segundo a vontade do Pai, pois Jesus passou a noite em oração para fazer essa escolha.

A crise na liderança eclesiástica hoje e que tem afetado drasticamente a igreja evangélica, é que muitos líderes se fizeram líderes, mas em momento algum foram comissionados por Deus, ou se foram comissionados, se afastaram do real propósito do seu chamado. São líderes que andam nas pegadas de Jeroboão (1Rs 11.38) que teve um chamado e uma promessa, no entanto, se afastou de Deus se envolvendo na idolatria. Devido a isso as consequências foram danosas para o Reino Norte.

Diante disso nós temos visto florescer em nosso meio muitos pastores com muito carisma, mas sem nenhum caráter. Pastores que falam em nome de Deus o Deus não disse. Pregam uma teologia eisegética e não exegética. Vivem de modismos e os pregam como se fosse revelação das Escrituras...

Temos em nosso meio o pastor chamado e o chamado pastor. Um é vocacionado, o outro se vocacionou. O líder espiritual é vocacionado, é como ter algemas invisíveis; ele não retrocede. O vocacionado abre mão de tudo para seguir o mestre, como disse Pedro a Jesus: “Eis que nós tudo deixamos, e te seguimos” (Mc 10.28).

Isso é vocação e um chamado eficaz!

2º - Jesus os chama para estarem junto dele (Mc 3,13; Lc 6.13). Os apóstolos deviam perseverar com ele em suas tentações até chegarem ao Getsêmani; afinal, deviam tornar-se testemunhas dele até os confins do mundo (At 1.8). Precisavam conhecer suas “horas silenciosas”, conviver com ele no dia-a-dia, observar seu trabalho, obter uma visão dos mistérios de sua sabedoria de educador, e até mesmo familiarizar-se com os objetivos de sua ação [5]. Seria um aprendizado dinâmico.

Algumas vezes, nas Escrituras, os doze são chamados de “discípulos” (gr. methetes – Mt 10.1, 11.1, 20.17; Lc 9.1). Essa palavra significa “aprendizes, estudantes” [6]. A maior necessidade do líder é ter intimidade com Jesus. Quem não anda na presença de Jesus não tem credencial para ser líder na Igreja de Jesus [7].

A vida cristã deve ser assim também. É impossível haver um crescimento espiritual andando distante de Cristo. Devemos levar à sério o ministério que nos foi confiado.

Três coisas fazem parte do discipulado para seu crescimento: oração, leitura da Bíblia e estudo da Palavra. Na oração eu me aproximo do Senhor, na leitura da Bíblia eu conheço a sua vontade e no estudo das Escrituras e aprendo a aplicar a Palavra no meu viver diário. 

3 – JESUS ESCOLHE OS APÓSTOLOS COM UM PROPÓSITO (Mt 10.1; Mc 3.14,15; Lc 9.1,2).

Mateus e Marcos relatam a convocação e o credenciamento dos apóstolos em uma ocasião (Mt 10.1-8; Mc 3.13-19), e Lucas o faz em dois trechos, mais precisamente como segue: de acordo com Lucas, o primeiro passo de Jesus foi nomeá-los, provavelmente para que passassem a ser seus alunos de modo especial. Isso aconteceu aqui em Lc 6.12-16. A capacitação é relatada em Lc 9.1-6, onde Jesus lhes confere a autoridade para servir como apóstolos [8]. A nova fase do ministério é assinalada pela terminologia de Lucas: “E, convocando os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades. E enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos” (Lc 9.1,2).

1º - Jesus lhes deu autoridade para pregar (Mc 3.14; Lc 6.2). A autoridade que os apóstolos tinham procedia de Jesus e não deles mesmos. A proximidade com Jesus e a comunhão com Ele lhes deu condições de pregar com autoridade daquilo que haviam visto e ouvido (1Jo 1.3).

A pregação do Evangelho é a espinha dorsal do ministério. É através da pregação da Palavra que as pessoas alcançam a fé salvífica como lemos em Rmanos 10.17: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”.

2º - Jesus lhes deu poder para operar sinais e maravilhas (Mc 3.15; Lc 9.1,2). Essa autoridade era uma autoridade delegada, não eram os apóstolos que a possuíam, quem a possuía era Jesus. Veja o que nos fala Lucas: “E, convocando os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades. E enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos” (Lc 9.1,2). A proclamação correta do reino é a fonte de poder para expulsar demônios e curar.  

Precisamos reconhecer a autoridade que há no nome de Jesus. Este nome não é um patuá, uma invocação ou mesmo um passe de magia. A autoridade vem mediante o reconhecimento da soberania de Jesus. Mas saiba, a autoridade não é do líder, ela é uma autoridade delegada. A autoridade pertence a Cristo.

3º - Jesus lhe dá uma ordem explícita: “de graça recebestes, de graça dai” (Mt 10.8). Jesus ordenou que o ministério dos apóstolos no Reino de Deus jamais poderia ser desempenhado por ambição e retornos financeiros. Por isso Ele lhes disse: “de graça recebestes, de graça dai”. Tamanho poder que receberam chamaria atenção a ponto de haver quem tivesse disposto a comprá-lo. Isso de fato aconteceu quando Simão, o mágico, tentou comprar com dinheiro o dom de Deus (At 8.18).

As verdades essenciais da fé evangélica estão ausentes de muitos púlpitos chamados protestantes. Novidades têm sido introduzidas nas igrejas sob a conivência de uns e o silêncio de outros. A igreja protestante já não protesta mais. Somos chamados de evangélicos, mas o puro evangelho está escasseando em muitas igrejas. Temos influência política, mas falta-nos autoridade moral. Temos poder econômico, mas falta-nos poder espiritual. Temos um explosivo crescimento quantitativo, mas falta-nos o crescimento qualitativo. Muitos líderes estão barganhando a mensagem do evangelho. Fazem do púlpito um balcão de venda de bênçãos.

4 – JESUS ESCOLHEU HOMENS COMUNS, PARA UMA TAREFA INCOMUM (Lc 6.13-16).

Observe a progressão natural no programa de treinamento deles. A princípio, simplesmente seguiram Jesus, aprendendo com seus sermões para a multidão e ouvindo suas instruções juntamente com um grupo maior de discípulos. Em seguida (de acordo com o relato de Mateus 4), ele os chamou a deixar tudo e segui-lo de modo exclusivo. Agora (registrado no episódio de Lucas 6 e Marcos 3 e Mateus 10), ele escolhe doze homens dentre os outros daquele grupo de discípulos de tempo integral, identifica-os como apóstolos e começa a dedicar maior parte de suas energias à instrução pessoal desses homens [9].

Não sabemos quais os critérios que o Senhor utilizou para escolher esses homens. O que podemos dizer é que o Senhor sabe o que faz e porque faz. Olhando para essa lista de nomes podemos tirar algumas lições importantes:

1ª – Os doze apóstolos são um espelho da nova família de Deus. Ela é composta de pessoas diferentes, de lugares diferentes, profissões diferentes, ideologias diferentes. São pessoas limitadas, complicadas e imperfeitas que frequentemente discordam sobre muitos assuntos. Havia no grupo de Jesus desde um empregado de Roma até um nacionalista que defendia a guerrilha contra Roma. Esse grupo tão heterogêneo aprendeu a viver sob o senhorio de Cristo e tornou-se uma bênção para o mundo [10].

2º – Esse é o retrato da igreja, tanto local quanto do Corpo de Cristo aqui na terra. Ao olharmos para a lista dos doze apóstolos não temos muitas informações sobre todos eles. Nem todos se destacaram, ou melhor, não chegou até nós o registro de suas atividades. Os nomes de alguns não aparecem em outro lugar além da lista de apóstolos. Assim é a igreja. Há líderes que se destacam e são muito conhecidos, mas a maioria esmagadora só são conhecidos em suas igrejas.

Mas até isso é interessante observar. Essa falta de informações biográficas também indica algo muito importante: os primeiros evangelistas não estavam preocupados em criar celebridades, mas proclamar a essência da mensagem do evangelho.

Há um provérbio oriental que diz: “O sábio aponta para a lua, mas o néscio olha para o dedo do sábio”. Os apóstolos apontavam para Jesus e seu ministério.

CONCLUSÃO

Assim é a Igreja. Formada por pessoas diferentes com um único propósito: pregar a mensagem salvadora do Evangelho. Seja mediante líderes conhecidos, seja mediante líderes que agem no anonimato. Seja na liberdade para pregar assim também em meio as perseguições.

Alguns são chamados para serem líderes, outros no entanto, são chamados para serem liderados. Mas juntos formam a Igreja do Senhor. Igreja lavada e remida no sangue do Cordeiro.

Pense Nisso!      

Bibliografia

1 – MacArthur, John. Doze Homens Comuns, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2ª edição 2011, p. 14.

2 – Mathison Keith. https://ministeriofiel.com.br/artigos/a-igreja-e-israel-no-novo-testamento/Acessado em 19/01/2020.

3 – Lopes, Augustus Nicodemus. Apóstolos, verdade bíblica sobre o apostolado, São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2014, p. 31.

4 – Edwards, James R. O Comentário de Marcos, Santo Amaro, SP, Ed. Sheed, 2018, p. 153.

5 – Rienecker Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, 2005. p. 98.

6 – MacArthur, John. Doze Homens Comuns, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2ª edição 2011, p. 15.

7 – Lopes, Hernandes Dias. Marcos, O Evangelho dos Milagres, São Paulo, Editora Hagnos, 2006, p. 185.

8 – Rienecker Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, 2005. p. 98.

9 – MacArthur, John. Doze Homens Comuns, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2ª edição 2011, p. 34.

10 – Lopes, Hernandes Dias. Marcos, O Evangelho dos Milagres, São Paulo, Editora Hagnos, 2006, p. 187.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

UMA NOITE DE ORAÇÃO PARA TOMAR DECISÕES – A ESCOLHA DOS DOZE APÓSTOLOS

Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 6.12,13

INTRODUÇÃO

A escolha dos apóstolos é registrada nos três evangelhos sinópticos (Mt 10.1-4; Mc 3.14-19; Lc 6.13-16), e em Atos At 1.13 nós encontramos a relação dos onze apóstolos. É importante destacarmos que essa escolha ocorreu cerca e um ano e meio depois que Jesus iniciou o seu ministério. E a medida que seu ministério foi crescendo, foi crescendo também a inveja e perseguição por parte dos fariseus que questionavam os seus ensinamentos, principalmente porque Jesus não observava a tradição dos anciãos. Com isso, Jesus passou a sofrer muitas retaliações, como lemos em Mc 3.6: “E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam”. Jesus sabia que o seu ministério seria curto e que a obra que ele havia iniciado deveria ter continuidade. Para isso ele escolhe entre os seus discípulos doze homens que deu o nome de apóstolos.

O texto de Lucas destaca que antes de Jesus escolher esses homens para o apostolado, Ele passou a noite em oração e então, ao descer do monte pela manhã, escolhe entre os discípulos doze apóstolos. Jesus passou a noite nas montanhas, vigiando em oração. Mais de uma vez Lucas salientou essa necessidade íntima que o Redentor tinha de orar, que com frequência impelia Jesus a lugares ermos (Lc 4.42; 5.16). Contudo os termos aqui utilizados contêm uma ênfase muito especial. A palavra “vigiar por toda a noite” ocorre unicamente aqui [1].

É sobre esse assunto que quero pensar com você, sobre a necessidade da oração antes de tomarmos decisões importantes pois necessitamos ser dirigidos por Deus em todas as áreas da vida. Devemos orar pois muitas das nossas decisões poderão afetar drasticamente o nosso futuro e também de muitas outras pessoas. Podemos deixar um rastro de bênçãos ou de desilusão e tristeza na história.

Dizem que uma certa tribo antes de tomar qualquer decisão eles avaliam as consequências que essa decisão irá trazer até a quarta geração. Se isso é verdade não podemos afirmar, mas uma coisa é certa, deveríamos agir assim também antes de tomarmos decisões importantes. Fica a dica!

Quais a lições que podemos tirar para as nossa vidas nesse episódio das Escrituras?

JESUS NOS MOSTRA A NECESSIDADE DA ORAÇÃO ANTES DE TOMARMOS DECISÕES (Lc 6.12,13).

O texto nos diz que Jesus passou a noite em oração e pela manhã chamou a si os discípulos. Lucas é o único evangelista que menciona que Jesus passou a noite orando antes da escolha dos apóstolos. Por que Jesus passou a noite em oração? Podemos destacar quatro coisas:

1º - A oração de Jesus nos mostra algumas marcas distintas:

1) Ele orou secretamente. Jesus sobe ao monte para orar. O que Jesus fez aqui ele havia ensinado no Sermão do Monte: “E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente” (Mt 6.5,6).

2) Ele orou insistentemente. O texto de Lucas nos diz que Ele “passou a noite orando a Deus” (Lc 6.12). A decisão que deveria ser tomada naquela manhã não poderia ser resolvida em uma breve oração. A decisão era por demais importante que teve que ser estendida durante toda a noite. Como disse alguém: “Eu tenho tanta coisa para resolver hoje que terei que passar as primeiras quatro horas em oração”.

3) Ele orou de forma objetiva. Jesus tinha que escolher dentre os seus discípulos doze apóstolos e foi nesse propósito que o Senhor passou a noite em oração.

Devemos aprender com Jesus esses princípios.

2º - Jesus passou a noite em comunhão com o Pai submetendo-se à Sua vontade. A escolha de Jesus estava atrelada a vontade do Pai. Jesus mesmos falou: “Pois Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38).

A Bíblia é clara em declarar que Jesus em Sua humanidade anulou o uso independente de seus atributos divinos para estar em total dependência e obediência ao Pai, como nos fala Paulo em Filipenses 2.5-8:

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”.

O termo que Paulo usa aqui para esvaziou-se vem do verbo grego kenou. Esse verbo significa literalmente “tirar algo até que não fique nada”. Jesus não usou nenhum dos seus atributos divinos para ficar unicamente na dependência do Pai. Vemos isto de forma clara quando o Senhor Jesus estava no deserto sendo tentado pelo diabo (Mt 4.1-11).

Esse deve ser o nosso posicionamento também diante de Deus. Isto é o que nos orienta as Escrituras. Devemos nos submeter a vontade de Deus, pois assim poderemos experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.2). Como Jesus mesmo havia ensinado: “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). Devemos buscar a direção Deus em todas as nossas decisões. O Senhor sabe o que é melhor para nós e para o Seu Reino. Quando a vontade dele prevalece o resultado é abençoador.

3º - Jesus passou a noite em oração porque a escolha que ele iria fazer era importante para o curso futuro da história da redenção. O que estava em jogo era a nossa salvação. A escolha que o Senhor iria fazer afetaria a história da nossa redenção, por isso que os Seus ensinamentos deviam ser compartilhados de forma íntegra. Jesus antes de ascender aos céus Ele deu uma ordem para os seus discípulos:

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mt 28.19,20).

Paulo escrevendo a Timóteo, diz que ele deveria confiar o Evangelho a homens fiéis:

“Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus. E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2Tm 2.1,2).

A mensagem do Evangelho nos foi confiada, por isso não podemos ser relapsos, nem tão pouco displicentes com a Palavra de Deus.

Em meio a tantas heresias que temos visto por aí, nós que temos a responsabilidade de pregar a Palavra, devemos estar atentos. Jesus falou que um pouco de fermento leveda toda a massa. 

4º - Jesus nos ensina que na oração o Pai nos orienta em nossas escolhas e que caminho devemos seguir. Jesus estava na total dependência e direção de Deus. As decisões e os rumos de Seu ministério estavam de acordo com os céus e não com a terra. Haviam vários discípulos, mas somente doze seriam escolhidos. E Jesus fez a escolha certa. Até o traidor foi escolhido segundo a vontade do Pai:

“Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse (Jo 17.12).

As decisões que Jesus tomou foi segundo a direção do Pai, e as suas decisões?

E as decisões que temos tomando? Qual será o resultado daqui alguns anos para mim, para a minha família, para a humanidade? O Senhor será glorificado ou Seu nome será escandalizado?

Por isso devemos orar e pedir a Deus direção certa e não sermos guiados por nossas vontades e emoções. Jesus é o nosso melhor exemplo. Entenda, Deus continua orientando a cada um de seus filhos, basta buscarmos a sua face em oração sincera e esperar dele a resposta.

Muitas vezes nós até estamos bem intencionados em nossos planos. “Mas de boas intenções”, já diz um velho adágio, “é pavimentada a estrada que leva ao inferno”. Como nos fala a Palavra de Deus em Provérbios: “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Pv 14.12).

Veja por exemplo o que ocorreu com o apóstolo Paulo em Atos 16.6-10:

“E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu. E, tendo passado por Mísia, desceram a Trôade. E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um homem da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia, e ajuda-nos. E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho”.

Paulo disse que foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia, depois ele diz que o Espírito não lhes permitiu ir para Bitínia e por fim, depois da visão a noite, concluíram que o Senhor lhes comissionava a ir para a Macedônia. Paulo tinha discernimento e obedecia o que o Senhor lhe falava. Ele discernia a vontade de Deus.

Está em jogo aqui a vontade e a obediência, o que tem prevalecido em sua vida?

Mas não devemos romantizar a vida dirigida pela vontade de Deus. Devemos estar cientes de que estar no centro da vontade de Deus não nos isenta de lutas e provações. Nem sempre os caminhos percorridos dentro da vontade de Deus serão fáceis. O apóstolo Paulo e Silas quando chegaram a Filipos encontraram duras provas. Foram açoitados, lançados no cárcere e humilhados. Mas ali nasceu uma igreja.

Quando os discípulos obedeceram a ordem dada por Jesus de atravessarem o mar da Galileia enfrentaram uma grande tempestade (Mt 14.22-24). Jesus deixou bem claro: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Assim como Jesus recebeu direção do Pai por estar em comunhão com Ele em oração, nós, da mesma forma, recebemos direção de Deus para as nossas vidas hoje. Por isso ore!

CONCLUSÃO

Ao olharmos para esse texto, nós vemos o exemplo que Jesus nos deixou em relação a necessidade da oração. Aliás, uma das coisas que mais o Senhor falou foi a respeito da necessidade de orarmos. Através da oração nós recebemos do Senhor a direção certa a ser tomada em nossas vidas. Jesus nos deixou esse exemplo aqui, pois pela manhã Ele teria que escolher doze homens que dariam continuidade a obra que Ele havia começado (At 1.1,2). Como falamos anteriormente, até o traidor foi escolhido para se cumprir as Escrituras.

O que estava em jogo aqui era a nossa redenção, devido a isso, a escolha que o Senhor Jesus faria pela manhã era de extrema importância que fosse feita em profunda oração e direção de Deus Pai.

Esse exemplo o Senhor Jesus nos deixou, então sigamos os seus passos.

Pense nisso!

Bibliografia

1 – Rienecker Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, 2005. p. 97.

sábado, 2 de janeiro de 2021

A CURA DO HOMEM COM A MÃO RESSEQUIDA – FAZENDO O BEM TODOS OS DIAS

Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 6.6-11

INTRODUÇÃO

Logo após Jesus ter sido levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado (Lc 4.1-13), Ele inicia o seu ministério. Em Lucas 4.14-30 nos diz que Jesus volta para a Galileia e sua fama corre por todas as terras em derredor. Ensinava nas suas sinagogas e por todos era louvado. Mas quando chega em Nazaré, onde fora criado, entra num sábado, segundo o seu costume, em uma sinagoga e levantou-se para ler. E foi lhe dado o livro do profeta Isaías. Após a sua leitura ele disse que aquela Escritura havia se cumprido naquele momento (Lc 4.21).

No entanto, apesar de todos terem ficado maravilhados com Jesus e seus ensinamentos, Jesus foi expulso da sua cidade natal. Inclusive, tentaram matá-lo (Lc 4.28,29). Foi a partir daí que Jesus começou a ser rejeitado pelos fariseus e doutores da Lei, pois Jesus dizia ser o Filho de Deus, com isso dizia ser o próprio Deus encarnado. Ademais, Ele quebrava todas a tradições dos antigos, dizendo ser Senhor do sábado.

O evangelho de Lucas nos mostra paulatinamente como estava crescendo a sua rejeição entre os fariseus e doutores da Lei. Isso foi um processo que não demorou muito acontecer. A oposição, que até então era velada e indireta, agora ganha contornos de uma conspiração para tirar a vida de Jesus (Mt 12.14; Mc 3.6).

O texto que lemos nos mostra mais uma vez esse embate entre os fariseus e Jesus num dia de sábado em uma sinagoga. Quais as lições que podemos tirar desse texto para nós hoje? O que ele tem a nos ensinar?

1 – JESUS REVELA A MALDADE DO CORAÇÃO DO HOMEM (Lc 6.6-8a).

“E, partindo dali, chegou à sinagoga deles. E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para o acusarem, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados?” (Mt 12.9.10).

“E outra vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada. E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem” (Mc 3.1,2).

O texto nos diz que em outra ocasião, Jesus entra numa sinagoga, também em dia de sábado, e encontra ali um homem com a mão mirrada ou atrofiada. Era até provável que os próprios fariseus o tivessem levado ali para ver a reação de Jesus, como lemos nos textos acima.

Para os fariseus era proibido fazer qualquer trabalho no sábado que não fosse absolutamente necessário – entenda-se por “necessário” qualquer coisa que ameace a vida. Por exemplo, era proibido consertar um pé ou mão deslocado no sábado ou consertar um telhado caído. No caso em questão, curar esse homem com a mão mirrada, por ser dia de sábado, não era permitido.

Observe isso no episódio que ocorreu em Lucas 13.14, quando Jesus liberta uma mulher de um espírito de enfermidade. Veja a atitude do líder da sinagoga:

“E, tomando a palavra o príncipe da sinagoga, indignado porque Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não no dia de sábado”.

Isso não é zelo pela Palavra, é a malignidade do coração do homem embrulhada em uma religiosidade hipócrita.

Mediante esse episódio, podemos destacar três coisas:

1º - Nem todos que estavam na sinagoga estavam ali para adorar a Deus (Mt 12.10). “E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para o acusarem, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados?”.

Os fariseus não estavam ali com o propósito de adora a Deus, mas de observar o que Jesus faria diante daquela situação constrangedora que vivia aquele homem. 

Os fariseus pensavam tão somente em achar um motivo de condenação para Jesus e não atentavam para a necessidade daquele homem. A pergunta de Jesus em Marcos 3.4 e Lucas 6.9 reflete tanto a intenção de Jesus em relação àquele homem, quanto a intenção dos fariseus em relação a Jesus.

Os oponentes esperam secretamente que, por palavra e/ou por ação Jesus venha a pisotear a regra de conduta que eles haviam estabelecido. E assim maquiavelicamente motivados (ver Mt 12.14), eles lhe perguntam: “É certo curar no sábado?” Seu propósito é “formular uma acusação contra ele”. Não conseguiam compreender que sua própria motivação perversa constitui a mais crassa profanação do sábado, pecado este tão condenável ante os olhos do Todo-Poderoso, que constitui uma denúncia criminal muitíssimo grave contra eles? Além disso, não conseguem compreender que Jesus conhece os pensamentos deles? (Lc 6.8) [1].

Entenda uma coisa, nem todos que vem a igreja vem com o espírito para adorar. Infelizmente, muitas pessoas comparecem aos cultos públicos para jugar, condenar, fiscalizar, criticar... e outras motivações, talvez não tão escusas, mas, menos para adorar a Deus. Mesmo diante da malignidade dos fariseus, Jesus não deixou de abençoar aquele homem. Onde Jesus está o extraordinário sempre acontece.

AMANSA JOÃO ALVES

Conta-se que um cidadão chamado João Alves, num subúrbio carioca, foi contratado para dar uma surra em determinada pessoa: Sabe onde você pode encontrá-lo? Perguntou João. Vá domingo à noite àquela igreja, que ele costuma frequentá-la. João Alves pegou o dinheiro do contrato, muniu-se com um chicote e partiu domingo à noite. Postou-se próximo à igreja e esperou. Do lugar que se encontrava ouviu o início do culto. A congregação começou a cantar um hino: "Manso e suave, Jesus está chamando..." João Alves gostou da melodia. Prestou atenção à letra. Só que ele ouvia cantar assim: “Amansa João Alves, Jesus está chamando...” Não era possível! Como a congregação estaria sabendo que ele estava ali? Como saberia de seus propósitos? No entanto, ouvia perfeitamente: “Amansa João Alves, Jesus está chamando...”. João Alves não pôde resistir ao convite. “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos!” (Mt 28.11a).

Muitos vão à igreja e saem libertos, salvos e perdoados; outros, vão e saem piores, mais duros e mais culpados.

2º - Jesus revela a hipocrisia religiosa dos seus oponentes (Mt 12.11,12). “E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará? Pois, quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por consequência, lícito fazer bem nos sábados”.

Os fariseus se importavam mais com tradições e com os seus animais do que com a vida humana. Eles estavam tão cegos em suas tradições que a Palavra de Deus ficou em segundo plano na vida deles.

Jesus veio ao mundo para quebrar tradições e salvar os pecadores. No entanto, os fariseus se preocupavam mais com as tradições que a cura de uma pessoa. Eles no entanto, se preocupavam em salvar e cuidar dos seus animais, mesmo que fosse no dia de sábado. Isso era uma grande incoerência.

No entanto, ao ver Jesus curando no dia de sábado uma pessoa, levou-os à conclusão de que a autoridade de Jesus não procedia de Deus. Mas Jesus revelou que as tradições deles eram ridículas. Deus é Deus de pessoas, e não de tradições engenhosamente fabricadas pelos homens [2].

Devemos ser zelosos pela doutrina bíblica, não por tradições. No entanto hoje, tem surgido algumas pessoas que são tão apegadas a “doutrinas”, seja ela arminiana ou calvinista, que se esquecem de que o Espirito Santo não está encaixotado em nossas tradições, nem mesmo em nossas doutrinas. Devemos ficar com a Palavra sempre, ela sim tem a última palavra. Eu tenho visto vários teólogos jovens citando vários homens do passado e seus escritos, Calvino, Lutero, John Knox, Richard Backster, John Owen, C. H. Spurgeon... Mas não os vejo citando a Bíblia. 

Se não vigiarmos corremos o risco de cair no erro da igreja de Laodicéia onde Jesus está do lado de fora da igreja batendo na porta, mas a igreja não O ouve e não percebe que o Senhor não está mais lá com eles. Ou cairmos no erro da igreja de Éfeso que por ser tão zelosa pela doutrina, não se deram conta que haviam perdido o primeiro amor.  

3º - Jesus conhecia a malignidade de seus corações (Lc 6.8). Jesus sabia que a pergunta dos seus opositores era uma pergunta maldosa. Eles não tinham a intenção de aprender algo novo da parte de Jesus, mas de pegá-lo curando no sábado para tê-lo com que o acusar.

Nós não temos como saber quais são as intenções dos corações das pessoas que estão conosco. Algumas vezes podemos até supor e até acertar, mas, geralmente, não sabemos. Mas Deus esquadrinha os corações e ninguém pode enganá-lo.

Mesmo diante de pessoas tão duras de coração, o Senhor não deixou de abençoar aquele pobre homem.

2 – JESUS VALORIZA A VIDA HUMANA (Lc 6.8b-10).

O que tem valor para Deus, geralmente, não tem valor para muitos. Esse texto é um tapa na cara de muitos de nós que valorizamos tantas coisas, mas deixamos o que realmente importa em segundo plano, a vida humana.

Não sei se você viu o noticiário, mas foi aprovado um projeto de lei na quarta-feira (30/12/2020) na Argentina, onde estabelece que as mulheres têm direito a interromper voluntariamente a gravidez até a 14ª semana de gestação. Texto recebeu 38 votos a favor e 29 contra; houve uma abstenção. O ser humano para essas pessoas enquanto feto, não é gente, é só um feto.

Como bem escreveu o pastor Guilherme de Carvalho em seu Face: “Aqui vemos claramente como o dialeto liberal dos Direitos Humanos, com seu veneno do individualismo expressivo, distorceu o sentido dos DH. [...] Essa é uma das razões porque os Cristãos devem resistir de forma inflexível à hegemonia dessa ideologia, defendendo a família, o casamento e continência sexual: não ter que matar gente antes de nascer só pra você não precisar ficar “preso” numa mulher ou num homem a vida inteira”.

Enquanto os fariseus valorizavam o legalismo religioso, Jesus valorizava aquela pobre alma que estava aleijada. Jerônimo (347-419 d.C.), que traduziu a bíblia do Hebraico e do Grego para o Latim, na versão chamada “Vulgata Latina”, diz que este homem era um pedreiro especializado em reboco e estuque e que, portanto, dependia das mãos para trabalhar. Não podemos confirmar esta história, mas de qualquer forma aquela situação o deixava constrangido lhe limitando o trabalho.

Enquanto os fariseus valorizavam mais os bens materiais, Jesus valorizava aquele homem deficiente (Mt 12.11,12). Os escribas e fariseus estavam prontos a tirar uma ovelha de um buraco, no sábado, mas não aceitavam que aquele homem fosse curado no sábado. Para eles, uma ovelha valia mais que um homem. Hoje, muitos valorizam mais as coisas que as pessoas. Usam as pessoas e amam as coisas. Hoje, a sociedade valoriza mais o ter do que o ser. Temos mais pressa em cuidar dos animais do que das almas que perecem. Tem gente que ama mais um cachorrinho de estimação do que as pessoas doentes, necessitadas e aflitas. Temos mais pressa em ganhar dinheiro do que ver os perdidos alcançados [3].

O Senhor queria fazer o bem àquele homem e salvar-lhe a vida, enquanto os fariseus queriam fazer o mal a Jesus e matá-lo.

Para Jesus uma vida vale a sua própria vida (Mt 12.14; Mc 3.6). “E os fariseus, tendo saído, formaram conselho contra ele, para o matarem”. Em Marcos lemos que os fariseus se uniram aos herodianos para planejar a morte de Jesus: “E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam” (Mc 3.6).

Jesus sabia que a cura daquele homem da mão mirrada desencadearia uma perseguição a Ele, que culminaria em sua morte na cruz. Mas nem por isso Ele deixou de curá-lo. Jesus não contradiz a Sua Palavra: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4.17).

3 – O MÉTODO DE JESUS PARA CURAR ESTE HOMEM.

O evangelista Lucas diz que estava na sinagoga um homem que tinha a mão direita mirrada (Lc 6,6). É interessante observar que o termo “direito” era muito utilizado por Lucas: a mão atrofiada (Lc 6.6); para a orelha decepada de Malco (Lc 22.50); além de falar do anjo que aparece do lado direito do altar quando fala com Zacarias (Lc 1.11); possivelmente o ladrão arrependido estava à direita de Jesus (Lc 23.33) [4].

Do lado direito também ficarão as ovelhas do Senhor no dia do Juízo, quanto que os bodes ficarão à Sua esquerda, como lemos em Mateus 25.31-34:

“E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”.

Se dentro da sinagoga havia fariseus mal intencionados, que não agia de forma direita em seus atos, Jesus não deixou de abençoar aquele pobre homem por causa deles. Jesus conhecia a malignidade de seus corações, mas também sabia do quando aquele homem estava sofrendo.

Quais foram os métodos de Jesus para abençoar este homem e lhe restaurar a saúde? Vejamos:

1º - Jesus ficou indignado com a atitude dos fariseus (Mc 3.5). Jesus sentiu-se indignado com aqueles que não valorizavam a vida nem a salvação dos perdidos. A ira de Jesus era uma ira santa pela dureza do coração dos fariseus. Homens que deveriam ser instrumento de Deus para abençoar confortando os aflitos, estavam sendo instrumento de Satanás para julgar as atitudes abençoadoras de Jesus.

2º - Jesus sentiu compaixão daquele pobre homem (Mt 12.11-13). Enquanto os fariseus se compadeciam de uma ovelha caso caísse num buraco, Jesus se compadecia desse homem aleijado.

3º - Jesus encorajou o homem a assumir publicamente sua condição (Lc 6.8). Jesus disse para o homem da mão mirrada: “Levanta-te”. Aquele homem estava prostrado, caído, cabisbaixo, derrotado, vencido sem se expor no meio da sinagoga. Antes da cura, é preciso assumir a sua condição de doente. Não se esconda, rompa com os embaraços, saia da caverna, do anonimato. Reconheça suas necessidades e declare-as publicamente. Diz Lucas: Ele se levantou e permaneceu em pé (Lc 6.8) [5].

Todos nós, de uma forma ou de outra, tentamos esconder os nossos defeitos. Os maquiamos de várias maneiras, seja com boas obras, com a nossa religiosidade. No entanto, a Bíblia nos fala que “não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb 4.13).

4º - Jesus ajuda este pobre homem a superar os seus traumas (Lc 6.8). A intenção de Jesus não era mostrar a deficiência daquele homem para o expor ao ridículo. A intenção do Senhor era fazer com que ele encarasse os seus traumas para à partir daí começar o processo de cura.

Ninguém alcança a cura de seus traumas se escondendo de Deus e si mesmo. Outra coisa, todos nós temos o nosso “aleijo”. Se não for físico, é emocional, ou ambos. Mágoas, rancores, tristezas profundas. Cicatrizes na alma tão profundas e ainda tão doloridas.  Mazelas que foram se acumulando no decorrer dos anos. Mas o Senhor tem poder para tratar. No entanto, para que isso ocorra devemos nos despir da nossa arrogância, do nosso eu, arrancar a máscara perante o Senhor e assumir que estamos feridos, e que precisamos da ajuda divina.

Quantas pessoas que antes foram “direitas”, hoje se encontram atrofiadas no seu caráter, devido a uma crise, um deslize, uma engano... Precisamos de Jesus para nos curar das nossas mazelas, traumas e complexos. Jesus é o Psicólogo dos psicólogos.

5º - Jesus o encoraja a exercitar sua fé (3.5). Jesus lhe disse: “Estende a mão”. O médico Lucas nos informa que era a sua mão direita e ela estava ressequida (Lc 6.6). Como falamos anteriormente, tudo indica que este homem havia nascido perfeito, mas devido a um acidente ele ficou com a mão ressequida. A palavra grega traz a ideia de secar, ficar seco, murchar, ficar murcho.

Aquela era uma causa perdida, mas Jesus lhe dá uma ordem. Aquele homem deveria exercitar sua fé mediante a Palavra de Jesus. Devido a isso, ele alcançou a cura imediatamente.

4 – OS PASSOS QUE ESTE HOMEM DEU PARA SER CURADO.

Vamos acompanhar os passos que este homem deu para alcançar de Jesus a bênção que ele tanto necessitava.

1º Passo – Ele estava onde Jesus estava (Lc 6.6). Eu não acredito que ele estivesse ali para ser curado, mas para adorar a Deus. Ainda que se supõe que os fariseus o tenham levado ali para provocar Jesus a curá-lo. Se foi isso nós não podemos comprovar, mas de uma coisa nós bem sabemos, Jesus estava ali e teve compaixão dele.

O erro de muitas pessoas é que elas buscam a resolução dos seus problemas em lugares errados, isso quando buscam, pois muitos se acomodam e não fazem nada, desacreditando que um milagre possa vir acontecer. Este homem estava no lugar certo, na hora certa e com a pessoa certa, e por isso foi curado.

2º - Passo – Ele venceu o preconceito religioso (Lc 6.7,8). No dia de sábado, dentro da visão da tradição judaica, era proibido curar as pessoas no dia de sábado. No entanto esse homem quando recebeu a ordem dada por Jesus passou por cima da tradição. Tradição esta que ele havia aprendido e, com certeza, também guardava.

Esse homem queria tanto ser curado, que decidiu enfrentar o pré-conceito dos religiosos que estavam à sua volta. Além do pré-conceito dos escribas e dos fariseus, ele teve que enfrentar o próprio pré-conceito.

3º - Passo – Ele assumiu publicamente a sua fé em Jesus (Lc 6.8,10). Muitas pessoas querem a bênção de Deus, mas não o Deus da benção! Assumir publicamente nossa fé em Jesus não é apenas verbalizar que acredita n’Ele, mas sim assumir nossa fé e obediência ao Senhor diante dos outros. É obedecer a Palavra!

No entanto, quantas pessoas têm vergonha disso! Quantos têm receio de serem criticados, de serem rejeitados ou até mesmo serem taxados de “fanáticos”. No entanto, Deus só tem compromisso com quem assume compromisso com Ele:

“Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mt 10.32-33).

CONCLUSÃO

Mediante a misericórdia de Jesus este homem alcançou o milagre. Ele estava no lugar certo, no momento certo e recebeu do Senhor uma ordem e a obedeceu. Devido a isso, foi curado.

Mesmo diante da maldade dos fariseus, a misericórdia do Senhor não deixou de alcança-lo. Jesus é Senhor de todos os dias, por isso podemos esperar a Sua intervenção em nossas vidas a qualquer hora. Ele não está preso as tradições humanas e nem a nenhum homem Ele deve explicações: porque faz, quando faz, e com quem faz o milagre.

Pense nisso!

Bibliografia

1 – Hendriksen, William. Mateus, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2001, p. 19.

2 – Lopes, Hernandes Dias. Mateus, Jesus, o Rei dos reis, São Paulo, SP, Ed. Hagnos, 2019, p. 381.

3 – Lopes, Hernandes Dias. Marcos, O Evangelho dos Milagres, São Paulo, Editora Hagnos, 2006, p. 18.

4 – Edwards, James R. O Comentário de Lucas, Santo Amaro, SP, Ed. Sheed, 2019, p. 248.

5 – Lopes, Hernandes Dias. Marcos, O Evangelho dos Milagres, São Paulo, Editora Hagnos, 2006, p. 161.

domingo, 27 de dezembro de 2020

O PERIGO DO LEGALISMO - O SÁBADO, A LEI E A GRAÇA

Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 6.1-5

INTRODUÇÃO

O texto que lemos nos mostra o Senhor Jesus atravessando com os seus discípulos as plantações de cereais da Galileia (trigo ou cevada). Acompanham-nos fariseus, observando-os com a intenção de pegá-los em algum erro em relação a Lei. A situação tinha se agravado a tal ponto que nem no campo, entre colheitas que amadureciam, Jesus e seus seguidores estavam livres do controle de seus adversários.

Em Mateus 12.1 lemos: “Naquele tempo passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas, e a comer”. Seus discípulos estavam famintos... Isso é relatado só por Mateus, ainda que esteja também implícito em Marcos 2.25 e Lucas 6.3. Como não estavam mais trabalhando em suas ocupações anteriores, não surpreende que naqueles dias os discípulos – não se indica dessa vez quantos eram – tinham (ou “ficaram com”) fome. Jesus também, não só experimentou sede (Jo 4.6,7), mas igualmente fome (Mt 21.18). Esse pequeno grupo era pobre, necessitado e agora também faminto [1].

Foi diante dessa colheita para mitigar a fome que os fariseus os criticaram dizendo que eles estavam quebrando a Lei de Moisés. Mas diante desse episódio o Senhor Jesus lhes deu uma grande lição em relação ao sábado, mostrando o perigo do legalismo.

É sobre esse texto que quero pensar com você e aprendermos com Jesus lições preciosas para nossas vidas hoje.

1 – O PERIGO DO LEGALISMO SABÁTICO – ENTENDENDO O SÁBADO NA INTERPRETAÇÃO FARISAICA (Lc 6.1,2).

Legalismo pode ser definido como “relacionamento entre fé e prática baseado na obediência a regras e regulamentos”. É um envolvimento onde não prevalece a graça.

A maioria dos oponentes do Salvador eram aqueles que acreditavam que eles eram justos em si e por si mesmos, com base em seu zelo e compromisso com a lei de Deus.

Lutero disse: “É muito difícil para um homem acreditar que Deus é gentil com ele, o coração humano não consegue entender isso”. Se não olhamos para a graça, olhamos para nós mesmos e para nossos próprios esforços, e é aí que estão as raízes do legalismo.

Devemos buscar um ponto de equilíbrio. Se o legalismo é um zelo extremado pelas doutrinas (que é algo condenável e perigoso), o contrário disso também é muito perigoso, que é o de antinomianismo (transformar em libertinagem a graça de nosso Deus). Enquanto o legalismo é agarrado as regras o antinomianismo não se importa com elas. Os dois são perigosos e mortíferos. Enquanto o legalista exalta de tal modo a lei que chega a excluir a graça, o antinomiano é fascinado pela graça ao ponto de perder de vista a lei, como uma regra de vida.

Veja o que Paulo escrevendo aos Gálatas diz:

“Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão. Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei (legalismo). Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne (antinomianismo), mas servi-vos uns aos outros pelo amor” (Gl 5.1-3,13).

O ponto de equilíbrio: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (1Co 6.12).

O que era o legalismo sabático.

A maioria das religiões do mundo veneram lugares sagrados: o islamismo honra Meca; o hinduísmo, o rio Ganges; e o xintoísmo, a ilha do Japão. O judaísmo também venerava Jerusalém e em especial o templo como lugar sagrado, mas venerava algo mais e talvez acima desses dois locais: o tempo, o sábado [2]. E foi devido a “quebra” do sábado que alguns fariseus questionaram Jesus e seus discípulos.

a) A observância do sábado era a característica definidora do judaísmo, era mais que a circuncisão. Para os doutores da Lei um indivíduo era um judeu praticante se guardasse de forma correta o dia de sábado. A circuncisão e o sábado marcavam os judeus de forma perceptível, a primeira na carne deles e a segunda no uso do tempo. O sábado estendia-se do pôr do sol da sexta até o pôr do sol do sábado [3]. A regra geral era da observância do sábado era para não começar um trabalho que pudesse se estender até o sábado, e não fazer qualquer trabalho no sábado que não fosse absolutamente necessário – entenda-se por “necessário” qualquer coisa que ameace a vida. Por exemplo, era proibido consertar um pé ou mão deslocado no sábado ou consertar um telhado caído.

A observância do dia do Senhor nunca teve a finalidade de ser imposta como algo injurioso à saúde do homem; nunca foi instituída para interferir nas necessidades humanas. O mandamento original: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar” (Êx 20.8), não tinha o intuito de ser interpretado como prejudicial ao corpo do homem, ou como empecilho aos atos de misericórdia em favor do próximo. Esse era o ponto crucial que os fariseus tinham esquecido ou sepultado debaixo de suas tradições.

b) O sábado judaico tinha se transformado num carrasco do homem. Ele era um fardo insuportável em vez de um elemento terapêutico. Ele era um fim em si mesmo em vez de ser um instrumento de bênção para o homem. Por essa causa, os fariseus ao verem os discípulos de Jesus colhendo e comendo espigas nas searas em dia de sábado, debulhando-as com as mãos (Mc 2.23; Lc 6.1), advertiram a Jesus nesses termos: “Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados?” [4].

c) O sábado havia se transformado num fardo impossível de carregar, símbolo da escravidão religiosa que prendia a nação. O povo que havia sido liberto do Egito, agora era prisioneiro do sábado e do legalismo farisaico. Os fariseus transformaram o sábado num fardo, descaracterizando o propósito divino de que fosse um dia de bênção.

De acordo com o livro dos Jubileus, do século II a.C., o sábado foi guardado primeiro no céu, pelo próprio Deus e os anjos das classes mais elevadas (2.18-21,30,31). Até no inferno os ímpios poderão descansar do seu sofrimento, no sábado. No entanto, Deus queria implantar o seu sinal também na terra, e para isso só precisava de um povo ao qual pudesse confiar esse pedaço do céu. Então ele criou Israel. Destarte, a santificação do Sábado é o motivo real da existência de Israel, e a guarda do sábado é, para Israel, não só um mandamento entre outros, porém nada menos que a preservação da própria eleição [5]. São nessas ideias aqui que os adventistas tanto se apegam.

No entanto Jesus falou: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27). Jesus está mostrando aqui que o dia de descanso tem um objetivo de servir ao homem, de servir às necessidades de descanso do ser humano, de trazer a ele bênçãos, e não para ser um dia idolatrado.

Na época de Jesus, pregava-se que não respeitar o sábado atrairia desgraça para a família do desobediente. Inúmeras regras proibitivas atemorizavam as pessoas.

De acordo com a tradição judaica, havia 39 atividades que não podiam ser realizadas no sábado: Semear, arar, colher, agrupar feixes, debulhar, dispersar, catar, moer, peneirar, preparar massa, assar, tosquiar, lavar a lã, desembaraçar a lã, tingir a lã, fiar, tecer, dar dois nós, tecer dois fios, separar duas linhas, atar, desatar, coser, rasgar, caçar, abater, raspar o couro, curtir o couro, alisar o couro, demarcar o couro, cortar, escrever, apagar, construir, demolir, acender fogo, apagar ou diminuir o fogo, martelar e transportar algo desde um ambiente particular a um público.

Também estava proibido às mulheres olharem ao espelho no dia de sábado, pois poderiam descobrir algum fio de cabelo branco e querer arrancá-lo, o que seria um grave pecado. Um alfaiate não podia carregar uma agulha no sábado, para que não fosse tentado a costurar algo que rasgava. Um escriba não podia carregar sua caneta porque ele poderia escrever. Um aluno não podia levar seus livros porque ele poderia ler. Você não poderia examinar a roupa de ninguém, porque você pode encontrar um inseto e matá-lo. Matar insetos dava trabalho! [6].

O dia de sábado que era para ser um dia festivo virou um dia de escravidão. As pessoas se preocupavam mais em observar o que não se podia fazer do que desfrutar do dia do Senhor. Eles viraram escravos do sábado e os fariseus e os doutores da lei os carrascos para implantar a punição aos que o quebrasse.

Corremos o risco de cair no mesmo erro se nós não vigiarmos. O legalismo é uma armadilha para os bem intencionados. Conheço pessoas que vivem assim no domingo.

E o que foi mostrado aqui é só uma ideia de como procediam os fariseus. A coisa era muito pior.

2 – AS LIÇÕES DE JESUS EM RELAÇÃO AO SÁBADO (Lc 6.3-5).

O texto em questão reflete o conflito entre os fariseus, fiéis cumpridores da lei, e os discípulos de Jesus. O Senhor Jesus aproveita a oportunidade para explicar o verdadeiro sentido do sábado; dia de liberdade. Dia de festividade e não de tristeza.

1º - Jesus mostra que os seus discípulos não estavam fazendo nada que era proibido no sábado (Lc 6.1-3). Que dizia, afinal, o mandamento do sábado do AT? Em Êx 31.14 diz: “Guardareis o sábado, porque é santo para vós. […] Qualquer que nele fizer alguma obra será eliminado do meio do seu povo” (cf. Êx 31.15; 35.2; também Lv 23.30; Jr 17.27). Violação do sábado, portanto, dava pena de morte. Veja Nm 15.32,36; Ne 13.15,16,17,18; Ez 20.15s; Jr 17.21s!

Com base nesses textos do AT os fariseus pareciam estar com a razão. Porque, segundo sua opinião, arrancar espigas é “trabalho”. Quem trabalha viola o sábado e merece a morte por apedrejamento. Será que, com essa interpretação, os fariseus tinham razão? Não! Pois em Êx 12.16 consta expressamente: “Nenhuma obra se fará nesse dia, exceto o que diz respeito ao comer. Somente isso podereis fazer!” Aqui se afirma expressamente que a preparação de alimentos no sábado não constitui trabalho. Em que lugar da terra “matar a fome” poderia ser igual a “trabalhar”? A razão singela e sóbria já rejeita isso de antemão! O exemplo de Davi evidencia que a fome dos discípulos precisa ser levada a sério [7].

A prática de colher espigas nas searas para comer estava rigorosamente de conformidade com a lei de Moisés (Dt 23.24,25). A Lei dizia que se você estivesse com fome poderia comer até se fartar, não podia colocar no cesto e levar para casa. Aí seria considerado roubo.

2º - O conhecimento da Palavra nos livra da opressão do legalismo (Lc 6.3,4). Jesus não discutiu com eles, antes se referiu diretamente à Palavra de Deus (1Sm 21.1-6). O pão da proposição ou “pão sagrado” era, na realidade, um conjunto de doze pães, um para cada tribo de Israel, que ficava sobre a mesa no lugar santo do tabernáculo e, posteriormente, do templo (Êx 25.23-30; Lv 24.5-9). Todo sábado era colocado pão fresco sobre a mesa, e só os sacerdotes tinham permissão de comê-lo [8].

Jesus cita a Escritura para os fariseus e mostra como os sacerdotes, para mitigar a fome de Davi e de seus homens, quebrou a lei cerimonial lhes dando pães da proposição que era só permitido aos sacerdotes comerem. Jesus não usou texto fora de contexto, mas usou esse episódio para mostrar o quanto o Senhor é misericordioso e não um legalista.

“Vocês ainda não leram?” É como se quisesse dizer: “Vocês se orgulham de ser o próprio povo que defende a lei, e seus escribas se consideram tão bem versados nela que podem ensinar a outros; não obstante, vocês mesmos ignoram o fato de que ainda essa mesma lei permitia que suas restrições cerimoniais fossem passadas por alto em caso de necessidade?” [9]. A melhor maneira de adorar a Deus é ajudando as pessoas. O dia de descanso nunca é tão sagrado como quando é usado para prestar ajuda aos necessitados.

3º - O exercício da misericórdia é mais importante do que a oferta de sacrifícios (Mt 12.7). “Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes”. Mais uma vez o Senhor repreende os fariseus por seu fracasso em entender as Escrituras e, dessa vez, ele cita Oséias 6.6. Jesus mostra para os fariseus que é sempre certo mostrar misericórdia antes de observar preceitos da lei.

Esse foi o entendimento que o Senhor deixou e que Tiago em sua carta mostra de forma prática quando diz:

“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2.14-17).

Esse era precisamente o problema com esses fariseus: eram destituídos de compaixão. Não eram amantes da bondade. Portanto, a fome que afligia os discípulos de Jesus não podia acender nos corações de seus críticos qualquer sentimento de ternura ou solicitude para socorrê-los. Ao contrário, só sabiam condenar os discípulos.

Uma observação: A lei do sábado foi imposta para impor limites as pessoas, para evitar abusos, não para ser algo para ser aplicado como uma tirania. O sábado era dia de repouso e não dia de trabalho como nos dias anteriores. Quando Israel voltou do cativeiro passaram a quebrar a ordem do Senhor e Neemias teve que lhes corrigir esse erro:

“Naqueles dias vi em Judá os que pisavam lagares ao sábado e traziam feixes que carregavam sobre os jumentos; como também vinho, uvas e figos, e toda a espécie de cargas, que traziam a Jerusalém no dia de sábado; e protestei contra eles no dia em que vendiam mantimentos. Também habitavam em Jerusalém tírios que traziam peixe e toda a mercadoria, que vendiam no sábado aos filhos de Judá, e em Jerusalém. E contendi com os nobres de Judá, e lhes disse: Que mal é este que fazeis, profanando o dia de sábado? Porventura não fizeram vossos pais assim, e não trouxe o nosso Deus todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? E vós ainda mais acrescentais o ardor de sua ira sobre Israel, profanando o sábado (Ne 13.15-18).

Observe o que nos diz 2Cr 36.20,21:

“Os que escaparam da espada, a esses levou ele para a Babilônia, onde se tornaram seus servos e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia; para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram”.

Entre o tempo de Moisés e o início do cativeiro, houve (cerca de) 70 ocasiões em que a Lei do ano sabático Levítico 25.3-5 havia sido violada. Cerca de 490 anos.

“Seis anos semearás o teu campo, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás os seus frutos. Porém, no sétimo ano, haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha. O que nascer de si mesmo na tua seara não segarás e as uvas da tua vinha não podada não colherás; ano de descanso solene será para a terra”.

Veja o que o Senhor nos fala:

“Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono” (Salmos 127.2).

“Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:25,31-33).

Esse é o ponto de equilíbrio. Trabalhar, descansar e confiar no Senhor que irá suprir todas as nossas necessidades!

4º - O Soberano Senhor, inclusive do sábado, é o Filho do homem (Lc 6.5). Em Mateus 12.6 o Senhor diz: “Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo”. O Senhor está deixando claro para os fariseus que Ele tinha autoridade, pois ele era maior que o templo e Senhor do sábado.

Jesus acaba de declarar seus discípulos “inocentes”. De fato estavam destituídos de culpa com respeito à acusação dos fariseus pronunciada contra eles, porque, ao colherem e (depois de debulharem o grão) comerem esse alimento, estavam fazendo o que Jesus lhes permitia e queria que fizessem. Estavam reconhecendo o senhorio de Jesus acima do senhorio dos fariseus e suas tradições muitas vezes tolas [10].

Jesus deixa claro que o legalismo é um caldo mortífero que envenena, asfixia e mata as pessoas, mas o governo de Cristo traz liberdade e alegria [11].

3 – O “SÁBADO CRISTÃO”, DIA DE CELEBRARMOS A DEUS.

Embora existam opiniões diferentes sobre se os cristãos devem guardar ou não o sábado, a Bíblia diz que não estamos mais debaixo da Lei, mas debaixo da graça (Rm 6.14). Assim, o domingo não é o sábado cristão, com uma lista de coisas que podemos ou não podemos fazer (Rm 14.5; Gl 4.10; Cl 2.16-17). No entanto, ao mesmo tempo há princípio nas Leis do sábado no Antigo Testamento que podemos e devemos aplicar hoje.

Para os cristãos, o Dia do Senhor não é um dia de regras humanas (Cl 2.16) para alcançar a salvação (Gl 4.9-10). Pelo contrário, é o Dia do Senhor (Ap 1.10), o dia para celebrar a ressurreição de Jesus Cristo (Jo 20.1, 19) e a vinda do Espírito Santo (At 2.1). É um tempo de renovação (Êx 20.8-11), bênção (Mt 12.9-14) e alegria (Is 58.13).

John Murray afirma corretamente que “... o Shabbath [...] não deve ser definido em termos de cessação das atividades, mas cessação do tipo de atividade que fazia parte do trabalho nos outros seis dias”. Domingo é um bom dia para investir tempo com outros crentes e tempo com o Senhor nos horários que estávamos ocupados durante a semana, no trabalho.

CONCLUSÃO

O legalismo mata a graça e destrói a alegria de viver a liberdade que o Senhor nos trouxe em Cristo Jesus. O legalismo escraviza e transforma as pessoas em vigilantes dos pecados alheios. O legalismo transforma as pessoas em juiz e carrasco ao mesmo tempo; o legalismo condena e mata sem misericórdia.

Foi assim no tempo de Jesus e dos apóstolos, tem sido assim nos dias de hoje. Devemos ser livres e sermos servos obedientes, sem sermos escravos do legalismo. O ponto de equilíbrio deve ser buscado e aplicado a nossas vidas, só assim viveremos a graça de Deus que o Senhor veio nos trazer.

Pense nisso!

Bibliografia

1 – Hendriksen, William. Mateus, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2001, p. 11.

2 – Edwards, James R. O Comentário de Marcos, Santo Amaro, SP, Ed. Sheed, 2018, p. 130.

3 – Edwards, James R. O Comentário de Lucas, Santo Amaro, SP, Ed. Sheed, 2019, p. 243.

4 – Lopes, Hernandes Dias. Marcos, O Evangelho dos Milagres, São Paulo, Editora Hagnos, 2006, p. 148.

5 – Pohl, Adolf. O Evangelho de Marcos, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, 1998, p. 76.

6 – Immich, Vera Maria. Meditação do evangelho: Jesus é o Senhor do Sábado. https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/jesus-e-o-senhor-do-sabado/ Acessado em 23/12/2020.

7 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, 1998, p. 133.

8 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, 2012, p. 246.

9 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, 2012, p. 231.

10 – Hendriksen, William. Mateus, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2001, p. 17.

11 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, São Paulo: Editora Hagnos, 2017, p. 166.