sábado, 23 de março de 2019

UMA IGREJA INSPIRADORA


Por Flávio Santos

1 Tessalonicenses 1.1-10 

A cidade de Tessalônica e sua importância. Tessalônica era uma cidade próspera pela sua própria história. Uma cidade que ligava Roma ao Oriente. Os estudiosos dizem que o Oriente e Ocidente passavam por Tessalônica. Sua importância está nisto, em ser um lugar, que recebendo o evangelho, poderia levá-lo ao mundo. 

Paulo em Tessalônica. At 17.1-10. Como era costumeiro, Paulo vai à sinagoga discutir e pregar o Evangelho baseado nas Escrituras, dizendo que o Cristo havia morrido e ressuscitado. A pregação gerou a conversão de alguns judeus, muitos gregos e muitas mulheres de alta posição. Paulo pregou ali por, no máximo, três semanas. (2). E o sucesso de sua pregação, como sempre, gerou inveja nos judeus e estes o quiseram prender. Mas, pela graça, Paulo foi enviado para Beréia. (11) 

Com surgiu a Carta aos Tessalonicenses. 1 Ts 2.17-20; 3.1-13. Como Paulo teve que sair às pressas de Tessalônica, ocasionada pela perseguição dos judeus, e por ter de seguir o seu caminho. Não teve oportunidade de voltar para ver o que o Evangelho tinha produzido, de fato, ali, entre os irmãos, pois, satanás o havia impedido. Paulo, então, com muita saudade e ansioso por saber notícias dos irmãos, envia Timóteo para saber como os irmãos daquela igreja estavam. Timóteo volta com boas e más notícias dos tessalonicenses. Com este relatório em mãos, Paulo escreve sua primeira carta aos Tessalonicenses. 

Propósito da Carta aos Tessalonicenses. O propósito da carta é louvar a atitude dos tessalonicenses de permanecerem firmes na fé, no amor e na esperança diante da perseguição dos judeus e corrigir alguns erros doutrinários sobre a volta de Cristo. 

Vejamos, então, a partir destas informações, o que fez a igreja dos Tessalonicenses uma igreja inspiradora. 

A SAUDAÇÃO DE PAULO. (1) A igreja em Tessalônica era uma comunidade que honrava quem era Paulo. Ele não escreve sua carta à igreja mostrando suas credenciais apostólicas, dizendo que era o Apóstolo Paulo como fez a outras igrejas. Igrejas que não honravam seu apostolado. A igreja tinha muita consideração por Paulo. 

Paulo mostra na sua saudação que a igreja em Tessalônica era dos Tessalonicenses. Era uma igreja das pessoas. Não era uma igreja dele. Era uma igreja do povo. E também era uma igreja em Deus. 

A GRATIDÃO DE PAULO PELOS TESSALONICENSES. (2,3) Paulo escrevendo aos tessalonicenses diz que sempre agradecia a Deus por todos eles. A gratidão que Paulo tinha por elas era demonstrada em suas orações. Paulo usa duas palavras para mostrar qual era a sua gratidão por eles em suas orações. Sempre e Continuamente. 

Por quais motivos Paulo dava graças a Deus por esses irmãos? Por três motivos: o trabalho que resulta da fé. Todo o trabalho cristão, mas principalmente o trabalho de evangelismo; o esforço motivado pelo amor. Usar todas as energias no trabalho para Deus; e a perseverança proveniente da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo. Paciência triunfadora. 

OS EFEITOS DO EVANGELHO NOS TESSALONICENSES. (4 – 6) Paulo tratava os tessalonicenses com muito carinho. Chamando-os de irmãos e amados de Deus. Com essas palavras de carinho, Paulo diz que o Evangelho produziu efeitos naquela igreja. Eles se entenderam a sua eleição por meio do evangelho. Paulo pregou o evangelho no poder do Espirito Santo e com convicção. O evangelho produziu discípulos: receberam a palavra com alegria e tornaram-se modelos para outros. 

A PROPAGAÇÃO DO EVANGELHO PELOS TESSALONICENSES. (7 – 10) A igreja em Tessalônica tornou-se uma agência missionária. Dali o evangelho se expandiu chegando a outras pessoas. Propagou-se para a Macedônia e a Acaia. E em outros lugares. A fé deles em Deus ficou conhecida. O que precisa ser conhecido de uma igreja inspiradora é a fé que ela possui em Deus. A fé deles se dava em duas dimensões: servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus a Jesus.

terça-feira, 12 de março de 2019

O FUNDAMENTO DA IGREJA


Pr. Cleber Montes Moreira

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.” “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Efésios 2:20; Mateus 16:16)

Um dia Pedro fez uma bela confissão: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16). Tal afirmação sobre Jesus destoava do entendimento das pessoas de fora, que diziam ser ele João o Batista, Elias, Jeremias, ou um dos profetas. Esta verdade revelada a Pedro pelo próprio Deus é a base da construção da igreja, por isso Jesus, a partir dela, diz: “E também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra (que é o próprio Cristo, e não Pedro) edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18 – adendo explicativo). No texto é usado o grego "Petros" para se referir a Pedro, palavra cujo significado é “pedrinha” ou “fragmento de rocha”. Porém, para Cristo é usado "Petra", que significa “rocha”, usualmente uma rocha utilizada no mundo antigo para fazer fundações. Por isso o melhor entendimento do texto é que Pedro é uma pedrinha, e que Jesus é a verdadeira Rocha, ou pedra angular, sobre a qual o Senhor edificaria a sua igreja. É esta pedra que os judeus rejeitaram: “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina” (Atos 4:11).

Ainda hoje muitos rejeitam a Cristo, a pedra angular, na tentativa vã de construir a fé sobre outros fundamentos. A questão é que as edificações erguidas sobre outros alicerces têm prazo de validade, pois não podem suportar por muito tempo as intempéries. A sentença para este tipo de construção é esta: “E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda” (Mateus 7:27). Por isso, tenhamos em mente que: A sabedoria humana não pode constituir a base da construção da igreja, porque o conhecimento sobre quem é Cristo não pode ser elaborado a partir da mente do homem natural, uma vez que para compreender esta verdade é imprescindível a iluminação do Espírito de Deus, que habita somente nos salvos. Por isso Paulo, escrevendo aos Coríntios, afirmou que sua mensagem não consistia em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; que não falava segundo sua própria sabedoria, mas segundo o ensino do Espírito Santo (1 Coríntios 2:4,13). É assim que a revelação sobre quem é Cristo não veio do próprio Pedro, mas do Eterno: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus” (Mateus 16:17). A importância desta verdade que o próprio Deus revelou a Pedro consiste em que nossas convicções determinam o modo como vivemos. Só podemos ser edificados na verdade se, de fato, conhecermos a verdade. Assim, a verdadeira igreja é firmada na verdade que é Cristo, ou então, não será uma igreja.

Toda construção que se chama “igreja”, edificada a partir do conhecimento, do pensamento e capacidade humana ruirá. Pregadores que se utilizam da sabedoria humana, como por exemplo da filosofia, podem proferir mensagens agradáveis, atrair pessoas, promover adesões e encher os templos, mas não podem cooperar para a edificação da igreja. Portanto, a declaração de Pedro nos revela o único fundamento sobre o qual a verdadeira igreja, como edifício santo, se ergue: Cristo! “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:11). João Calvino tem razão ao afirmar: “Aqueles que desejam construir a Igreja pela rejeição da Bíblia, constroem um chiqueiro e não a Igreja de Deus.”

Quando lemos sobre os primeiros cristãos, que “perseveravam na doutrina dos apóstolos” (Atos 2:42), logo identificamos que o ensino apostólico era Cristo, assim como deve ser o ensino da igreja hoje. Os escritos paulinos dizem que o fundamento dos apóstolos e dos profetas é o ensino de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina. Os apóstolos anunciavam a Cristo, e não uma religião, ou uma ciência, ou uma cultura, e foi este ensino que chegou também a nós.

Entendamos que cada igreja local só será expressão fiel da igreja de Cristo, só continuará sendo verdadeiramente edificada, e permanecerá, se tudo o que fizer for a partir de Cristo e para Cristo: Se seu púlpito proclamar a Cristo, se seu ensino for Cristo, se sua música exaltar exclusivamente a Cristo, se sua evangelização proclamar a Cristo como único e suficiente Salvador e Senhor dos que creem, e se toda a sua obra glorificar a Cristo, porque sem Cristo não há igreja verdadeira, e toda igreja que não tiver Cristo por fundamento um dia cairá, e será grande a sua queda.

O PECADO NÃO INCOMODA MAIS

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

DISCURSO FRAUDULENTO


Pr. Cleber Montes Moreira

Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.” (Colossenses 2:8)

Um pastor evangélico progressista publicou numa rede social:

“Ainda sobre o Boechat, alguns estão perguntando: ‘Adianta ter amor ao próximo e não acreditar em Deus?’ Gente! Ter amor ao próximo é acreditar em Deus!”

A teologia Inclusiva considera o amor como a única doutrina para o acesso a Deus, desprezando exigências bíblicas como o arrependimento e o novo nascimento. Assim, qualquer pecador, mesmo um ateu confesso, se é capaz de amar ao próximo, está salvo. Esta “teologia” (entre aspas mesmo), exalta a liberdade e despreza a cruz, debocha do evangelho, barateia a graça, torna desnecessária a obra de Cristo, e zomba do próprio Deus porque apresenta uma mentira travestida de verdade. Para não dizer que rasgam a Bíblia, os teólogos inclusivos ressignificam sua mensagem para adequá-la aos interesses humanos e aplacar as consciências em relação ao pecado. Aqueles que defendem os valores do verdadeiro evangelho são tidos como “puritanos e castradores” que proferem uma “repetição infinda de velhas fórmulas moralistas, que escravizam as pessoas, em vez de libertá-las”.1

Nada mais perigoso que essa mentira travestida de verdade. É como se dissessem: “Evitem a porta estreita, nela há falso moralismo, muitas exigências inúteis, e o caminho é muito difícil. Entrem pela porta larga onde não há legalismos, onde sua liberdade não será tolhida, onde o “evangelho” é suave e sua vida não será importunada.” Quer coisa melhor que um evangelho atrativo e sem a exigência de carregar a cruz? (Lucas 9:23)

“Se você ama, tudo bem, nada mais importa, você está salvo!” Esta é a mensagem que gera ateus evangélicos, crentes num deus a seu gosto, guiados por uma “verdade” aprisionadora – mas que lhes dá uma falsa sensação de liberdade – e orientados por uma “bíblia” cuja leitura e entendimento se dá a partir dos anseios das pessoas, especialmente de certas minorias.

“Ter amor ao próximo é acreditar em Deus” é um discurso fraudulento, construído pelo inimigo mais sutil e ardiloso – Satanás – cujo propósito é alargar a porta do inferno.

1http://teologiainclusiva.blogspot.com/ (acessado em 18 de fevereiro de 2019)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

JESUS AINDA CURA HOJE



Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Mateus 15.29-31

INTRODUÇÃO

Jesus está região de Tiro e Sidom e expulsa o demônio da filha da mulher grega de origem siro fenícia (Mc 7.24-30), depois Jesus deixou Tiro e Sidom e se dirigiu à região de Decápolis – dez cidades predominantemente gentílicas que constituíam uma confederação com autorização dos romanos. Chegando lá, Jesus cura um homem que era surdo e gago (Mc 7.31-37), e o Senhor lhe proíbe de falar o que Ele lhe havia feito (Mc 7.35, 36), no entanto, o homem não obedeceu. Ao que parece, a notícia se espalhou e uma grande multidão se reuniu para ser curada também.

Muitas pessoas perguntam: por que Jesus não cura hoje como curou no passado, assim como foi no tempo dos apóstolos? Para responder a essa pergunta creio que seja melhor nós olharmos para aqueles dias e observar que muitos dos milagres foram realizados porque a ciência não estava tão avançada como nos dias de hoje; muitas doenças que antes gerava paralisia ou até mesmo a morte foram erradicadas, como por exemplo a paralisia infantil.

Não estou querendo com isso dizer que o Senhor não cure hoje, estou dizendo que o que antes era necessário uma intervenção através de um milagre, hoje, pelo avanço da ciência, muitos desses males já não existem mais, ou estão sob controle. Mas quando há necessidade do milagre o Senhor, pela misericórdia e graça, intervém na vida de muitos.

Esse texto nos mostra como que aquelas multidões receberam do Senhor o milagre que tanto necessitavam. E o método não mudou de lá pra cá, pois onde há a necessidade da intervenção divina o Senhor age pela sua misericórdia.

Mas por que o milagre ocorreu?

EM PRIMEIRO LUGAR, ELES FORAM ATÉ ONDE JESUS ESTAVA (Mt 15.29, 30a).

Observe que as multidões foram até onde Jesus estava em busca do milagre que tanto desejavam. Eles tinham uma necessidade e devido a isso romperam as barreiras da distância, do tempo, do cansaço, para encontrar em Jesus o refrigério que tanto necessitavam.

Agora, observe alguns detalhes:

a) Jesus nem sempre está nos lugares que queremos que Ele esteja. Há muitas pessoas hoje querendo o milagre, no entanto, estão indo aos lugares dos mais diversos, menos onde Jesus está. Jesus não está nos lugares que queremos que ele esteja, Ele está onde muitas pessoas não querem estar, ou seja, Jesus se revela no Evangelho e através da Sua Igreja.

Há muitas pessoas iguais a Zaqueu, querem ver Jesus subindo em árvore. Fazem os mais estranhos sacrifícios para ver Jesus, fazem trabalhos em encruzilhadas, andam quilômetros a pé, levam objetos consagrados para casa. Mas o necessário não fazem, ir onde Jesus está.

b) O texto nos diz que Jesus subiu a um monte (Mt 15.29). Ele não estava no nível do mar, Ele estava acima dele. Nós não vamos encontrar Jesus no nosso nível de entendimento, Ele sempre estará acima dele. Veja o que o Senhor nos fala em Isaías 55:8, 9:

Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”.

Esse é outro problema que enfrentamos, pensar que Jesus está dentro do nosso raciocínio humano e caído, dentro da nossa lógica. O agir de Deus vai muito além, como lemos em Jeremias 29.11:

Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais”.

Agora como conciliar isso na hora da crise? Como conciliar as promessas do Pai e as adversidades que enfrentamos? Pela fé. Esse é o único meio de enfrentarmos as crises que vem sobre nós. É exatamente isso que o autor de Hebreus nos diz:

Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11.6).

c) Jesus está assentado em lugares altos. Isso quer dizer que Ele está acima das nossas crises, dos nossos problemas, acima daquilo que nos sufoca a alma. Ele vê as nossas dores, as nossas aflições porque Ele está acima delas.

Isaías quando entra no templo no ano da morte do rei Uzias, ele pensou que com a morte do rei o povo estivesse desamparado, mas o Senhor lhe revela que aquele que reina pelos séculos dos séculos estava reinando em Judá e em sua história. Aquilo que para Isaías era o fim, o Senhor lhe mostra que era apenas o começo.

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e a cauda do seu manto enchia o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6.1-3).

O Senhor está no controle da história universal, mas também está no controle da nossa história. Nada acontece em nossa vida sem que o Senhor não saiba e não intervenha.

Há situações nas quais Deus intervém e realiza o que chamamos de milagre.

Há situações nas quais Deus não intervém ou aparentemente não intervém.

Talvez nos ajude superar a dificuldade ao considerar o sentido de “vontade de Deus” que nos é revelado no Novo Testamento:

A VONTADE DETERMINATIVA

Existe a vontade determinativa (ou decisória) de Deus e pode ser traduzida também como “plano de Deus” ou “decisão”, como em Atos 2.23 (“A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos”), Atos 4.28 (“Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer”) e em Tiago 1.18 (“Por Sua decisão Ele nos gerou pela palavra da verdade, a fim de sermos como que os primeiros frutos de tudo o que Ele criou”), entre outros.

VONTADE DIRETIVA – Essa vontade determinativa é, por vezes, diretiva, através da qual Deus guia as nossas vidas. Ele lança mão de nós para que Sua vontade determinativa se cumpra. Foi Sua vontade determinativa, por exemplo, salvar o Eunuco etíope. Para realizar esta vontade, Ele enviou o evangelista Filipe ao seu encontro (Atos 8.26).

VONTADE IMPLÍCITA – Ela se dá nas leis naturais. Deus decidiu que o mundo (logo, as nossas vidas) seria governado por leis, leis morais (sei que não posso matar ou mentir, certo que matar ou mentir tem consequências para a minha vida e as vidas dos outros) e leis naturais, conhecidas pelas ciências. Podemos dizer que essas leis põem em prática a vontade determinativa de Deus – graça comum.

VONTADE PRESCRITIVA (BULA MÉDICA)

Trata-se do desejo de Deus para o ser humano, como na oração do “Pai nosso”: Seja feita a tua vontade (Mateus 6.10). É da vontade de Deus que todos vivamos de modo justo. Por isto Ele deixa Suas instruções na Bíblia. Nela Ele nos lega o que é justo e certo para a vida individual e coletiva. Somos chamados a viver segundo estas regras.

A VONTADE PERMISSIVA

Para os que creem, uma das soluções teológicas para enfrentar o dificílimo problema do mal, vivenciado como sofrimento, é a chamada “vontade permissiva” de Deus.

Deus permite que vivamos como queremos viver, dentro ou fora das instruções que nos deixou. Deus permite que exploremos a terra como queremos, em lugar de cuidar dela. Deus permite que as consequências de nossas ações nos alcancem, a nós e a outros. Deus não deseja que o mal aconteça, mas permite que ele se dê. A vontade permissiva de Deus é, portanto, uma vontade indireta (Brumadinho e Mariana).

Leríamos melhor a Bíblia se não confundíssemos as coisas. O fato de um mal ter ocorrido e estar narrado na Bíblia não quer dizer que Deus o aprove. De igual modo, viveríamos melhor se prestássemos mais atenção à palavra de Deus para obedecê-la. É mais cômodo agir irresponsavelmente e pôr na conta da vontade permissiva de Deus do que assumirmos as nossas responsabilidades. A graça de Deus não pode ser uma avenida larga e longa para a prática dos nossos pecados. Temos que assumir as nossas responsabilidades.

EM SEGUNDO LUGAR, ELES TRAZIAM OS SEUS PROBLEMAS E LANÇAVAM AOS PÉS DE JESUS (Mt 15.30).

Podemos ter um problema, isso é o que mais ocorre, mas o que eu faço com ele é uma decisão minha. Há muitas pessoas que se acostumam com os seus problemas e ainda dizem que é a cruz que devem carregar, outros utilizam dos seus problemas para se beneficiarem – há pessoas que não querem ser curadas se não serão cortadas do INSS. Tem louco pra tudo!

No entanto, há pessoas que querem se desvencilhar dos seus problemas. Querem a todo custo se livrar deles, é o caso dessas multidões que foram até onde Jesus estava.

a) Para receber o milagre de Jesus tem que se admitir que temos um problema. Essa é a grande questão que muitos têm dificuldade – o problema é sempre do outro. O aleijado é o outro, o cego é o outro, o manco é o outro, e assim por diante. O outro, sempre o outro!

Tem gente que se vê mais perfeita que Jesus!

Para sermos curados devemos olhar para dentro de nós e admitirmos que estamos precisando da intervenção divina. Devemos fazer como fez a mulher que tinha um fluxo de sangue, ela sabia que tinha uma enfermidade e se prontificou a buscar em Jesus a solução do seu problema (Mc 5.25-29).

A cura começa quando nos vemos dependentes da intervenção divina para os nossos problemas.

Devemos agir como a mulher que perdeu a sua dracma e a procurou diligentemente:

Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar?” (Lucas 15.8)

b) Para que o milagre aconteça devemos deixar tudo aos pés de Jesus (Mt 15.30). Talvez esse seja a maior dificuldade que enfrentamos. Deixar para Deus tratar o problema: “Toma, é teu, faça-se como Tu queres!”. Quem em sã consciência está disposto a tomar uma atitude assim?

Deixar significa que não vamos mais tomar conta, vigiar, cobrar do outro. Deixar aos pés de Jesus é descansar no cuidado dele e na hora dele. É não ficar cobrando do outro o milagre que estamos esperando em Jesus. Afinal de contas nós entregamos para Deus ou não entregamos?

Imagine se as pessoas que foram até Jesus levando os seus doentes voltassem para casa carregando-os de volta antes de Jesus os curar? E se Jesus não cura e resolve matar a pessoa? É isso que passa na mente de muitas pessoas, principalmente pais que têm seus filhos doentes. Muitos têm medo que o Senhor leve seus filhos e não os cure. Por isso que quando oram não os entregam para Deus, não deixam aos pés de Jesus, até levam, mas os trazem de volta antes do milagre.

c) Para que o milagre aconteça devemos aproveitar as oportunidades. Jesus estava em um dos montes em Decápolis, as pessoas souberam que Jesus estava lá, e correram para receber dele a cura. Muitas pessoas deixam de receber o milagre porque deixam a oportunidade passar. E sempre dão uma desculpa dizendo: Jesus está longe, tem que subir até o monte, ele não podia ficar no pé do monte? Com Deus não há facilidade! Como na vida também não.

A Bíblia nos deixa isso de forma muito clara: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós” (Tiago 48).

Muitas pessoas oram querendo o milagre, mas não fazem a sua parte. Tem muita gente que quer um emprego público, mas não estudam para as provas, ou, muitas vezes, não tem formação acadêmica para exercer aquela função que desejam. Há empregos que exige nível superior, e outros um outro idioma.

Muitas vezes o milagre que queremos virá através de uma cirurgia, de uma quimioterapia, de um remédio.

Bartimeu é um excelente exemplo de uma pessoa que aproveitou a oportunidade para ser curado de sua cegueira (Mc 10.46-52). Aquela era a última vez que Jesus passaria em Jericó. Dali Jesus estava indo para Jerusalém e iria ser morto na cruz.

EM TERCEIRO LUGAR, O QUE OCORRE QUANDO JESUS INTERVÉM (Mt 15.31).

Observe que as multidões se maravilharam com o que viram. Essas pessoas eram gentias, não eram judias. É impressionante ver o contraste entre os gentios e os líderes judeus que conheciam as Escrituras do Antigo Testamento. Os gentios glorificaram ao Deus de Israel, mas os líderes judeus disseram que Jesus estava operando em conjunto com Satanás (Mt 12.22-24). Os milagres de Jesus não levaram as cidades de Israel ao arrependimento (Mt 11.20-24), mas os gentios creram nele. Os milagres de Jesus deveriam ter convencido os judeus de que ele era o Messias (Is 29.18, 19, 35.4-6; Mt 11.1-6). Ele se admirou com a fé do soldado gentio e da mulher cananeia, e também se espantou com a incredulidade do seu povo (Mc 6.6).

Mas o que aconteceu com aquelas multidões o Senhor quer realizar hoje em nossas vidas. Ele não mudou, como nos fala o autor de Hebreus: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13.8).

Quando deixamos aos pés do Senhor os nossos problemas veja o que acontece, observe o versículo 31:

De tal sorte, que a multidão se maravilhou vendo os mudos a falar, os aleijados sãos, os coxos a andar, e os cegos a ver; e glorificava o Deus de Israel”.

a) Os mudos a falar – Uma pessoa muda é alguém que não escuta, ou que tem dificuldade na sua audição. Se há algo que o Senhor restaura primeiro é a audição, do contrário, a pessoa continuará sem falar. O Senhor Jesus ainda hoje cura os surdos. Eu trabalhei em uma congregação em Parada Modelo onde havia uma criança surda, a medida que a criança frequentava com os pais os cultos ela passou a ouvir e a falar normalmente.

Veja o que nos fala Marcos 7.31-35:

E ele, tornando a sair dos termos de Tiro e de Sidom, foi até ao mar da Galileia, pelos confins de Decápolis. E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente; e rogaram-lhe que pusesse a mão sobre ele. E, tirando-o à parte, de entre a multidão, pôs-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe na língua. E, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse: Efatá; isto é, Abre-te. E logo se abriram os seus ouvidos, e a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente”.

Num relacionamento interpessoal se alguém não escuta, automaticamente não falará. Essa é uma das dificuldades em muitos casamentos hoje. As pessoas não escutam umas as outras. Falam e falam, mas ninguém se escuta.

Na família os pais falam e os filhos não ouvem. Na igreja o pastor fala, mas muitos membros não dão atenção ao que está sendo dito. Já nos fala um ditado antigo: “Quem não houve conselho ouve: Ah coitado!”.

Jesus quer curar exatamente essa surdez interpessoal para que possamos ouvir uns aos outros. No entanto, mais que curar a surdez interpessoal, o Senhor precisa curar a nossa surdez espiritual; só assim poderemos ouvir o que o Senhor tem a nos falar e poderemos falar das suas maravilhas e sermos restaurados da nossa surdez espiritual e interpessoal também.

O jovem Samuel estava dormindo quando ouviu o Senhor lhe chamando, mas ele não identificou a voz pensando que era o sacerdote Eli que o chamava. Há muitas pessoas assim em nossas igrejas hoje, estão na Casa de Deus, mas não conseguem identificar a voz de Deus e a voz dos homens.

Então veio o Senhor, e pôs-se ali, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel. E disse Samuel: Fala, porque o teu servo ouve” (1 Samuel 3.10).

Provavelmente Samuel estava em tordo dos seus 12 anos quando o Senhor o chama.

Quem não ouve a voz de Deus e a discerne é levado por por todo vento de doutrinas.

b) Os aleijados sãos – Os aleijados são pessoas que têm alguma deficiência em seus corpos, sejam elas visíveis aos nossos olhos ou não. E, geralmente, tentamos esconder o nosso aleijo. Não queremos ser alvo dos olhares de curiosos e muito menos sermos zombados.

O homem da mão mirrada tinha a sua mão direita defeituosa (Lc 6.1), Jesus o chama para ficar no meio da sinagoga, pede que ele estenda a mão e ela ficou restaurada.

Para que o Senhor nos cure de nosso aleijo devemos nos expôr diante do Senhor. Não é escondendo a deficiência que enganaremos ao nosso Deus, podemos enganar os homens.

Assim como existem deficiências físicas, existem também deficiências emocionais. Assim como o Senhor curou as físicas e consequentemente as emocionais, pois uma estava ligada a outra, da mesma forma o Senhor quer curar os nossos aleijos emocionais hoje também.
Todos nós temos as nossas deficiências. Umas mais aparentes, outras nem tanto. Mas todas elas nós tentamos mascarar para que ninguém as perceba, e se perceberem, que não seja tão feia aos olhos dos outros.

Há em nossas igrejas muitas pessoas traumatizadas, doentes emocionalmente, aleijadas da alma. Gente que tem tatuagem na alma. Tatuagem da dor do abandono, das suas fobias, dos traumas da infância, dos abusos sofridos. Gente que precisa vir para o meio e permitir que o Senhor trate dos seus traumas, dos seus medos, dos seus aleijos. Tudo isso deve ser colocado diante do Senhor!

c) Os coxos a andar – Coxo é alguém que coxeia (manca) temporária ou permanentemente, que apresenta uma extremidade mais curta que a outra ou a que falta uma perna ou pé.

Diante dessa descrição podemos entender que o Senhor curou os coxos que mancavam, que não andavam, mas também pessoas que não tinham nem perna e nem pé. O milagre vai além do nosso entendimento. O texto diz que Jesus curou a todos!

O Senhor hoje, assim como curou esses coxos, pode curar o nosso andar vacilante, nos ajudar a deixarmos as nossas mancadas que prejudicam os outros e a nossa vida com Deus. Ele pode fazer crescer aquilo que nos falta. Naquilo que estamos amputados.

Para andarmos direito na presença de Deus e dos homens temos que ter uma intervenção divina. É impossível para o homem natural andar assim.

O Senhor faz crescer dentro de nós o amor, a alegria, a paz de espírito, o prazer de estarmos na companhia dEle e dos nossos familiares. O Senhor traz equilíbrio em nossos caminhos.

d) Os cegos a ver – Não saber por onde vai e nem poder identificar o lugar que se encontra creio que seja extremante difícil. Identificar as pessoas somente pela voz, ou quem sabe, pelo tato.

Como vemos em Gênesis, Rebeca e Jacó enganando Isaque: Gênesis 27.21-23.

Tudo isso é muito difícil de explicar devido ao fato de enxergarmos. Mas quantas pessoas vivem em total escuridão. Uma coisa é nascer cego, outra é perder a visão, que particularmente, eu creio que seja muito pior.

Mas pior que a cegueira dos olhos físicos, a pior cegueira é a espiritual. Há muitas pessoas que veem a luz natural, mas estão enxergando a glória de Deus. Outros veem extremamente bem, mas estão cegos espiritualmente.

Em 2 Co 4.4 o apóstolo Paulo nos fala que o deus deste século segou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.

Satanás vai fazer de tudo para que os homens continuem cegos. Ele fará de tudo para manter os seres humanos na total escuridão espiritual, para que a glória de Cristo que resplandece no evangelho não abra o entendimento espiritual das pessoas. Ou então que fiquem satisfeitos em ver de forma embaçada.

Observe esse episódio que Marcos registra:

E chegou a Betsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse. E, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia; e, cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa. E, levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam. Depois disto, tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos, e o fez olhar para cima: e ele ficou restaurado, e viu a todos claramente” (Marcos 8.22-25).

Há muitas pessoas dentro de nossas igrejas assim, veem, mas não conseguem identificar as pessoas. São crentes que não vê o irmão como irmão, mas como árvores que andam. Tem o olhar preconceituoso. Veem o “negro bom”, no sentido comportamental como se este tivesse uma alma branca, como se alma tivesse cor.

Julgam tudo pela aparência e não com o reto juízo. Gente se veem superiores as demais pessoas só porque tem mais recurso financeiro que os outros. Gente de nariz em pé. Gente que precisar olhar para cima para terem seus olhos espirituais totalmente restaurados.

Mas estes “cegos” estão como a igreja de Laodiceia:

Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas” (Apocalipse 3.17,18).

Esse conselho do Senhor é para você e para mim. Corremos o risco de perdermos a visão e não vermos de forma clara as coisas ao nosso redor, e por isso julgamos as coisas de forma errada e pensamos que somos melhores que os nossos irmãos.

CONCLUSÃO

Jesus ainda hoje cura, liberta e traz esperança para o coração aflito. Por isso, esse texto que acabamos de analisar é tão atual quanto foi em sua época. Não duvide do milagre, creia que o que é impossível para o nós sempre será possível para o nosso Deus.

O Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente! Amém?

Pense nisso!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

O CLAMOR DO AFLITO


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

“Estou aflitíssimo; vivifica-me, Senhor, segundo a tua palavra” (Sl 119.107).

A aflição é inevitável. Chega para todos, sem exceção. A vida não se desenrola num parque de diversões. Aqui navegamos por mares revoltos e atravessamos desertos inóspitos. Pessoas e circunstâncias tiram nossa alegria. Preocupações e ansiedade roubam nossas forças. Pecados e transgressões estrangulam a nossa paz. Enfermidades e limitações financeiras roubam nosso sono. Muitas são as causas de nossas aflições. Variadas são as consequências delas. O texto em apreço apresenta-nos quatro lições oportunas:

Uma confissão. “Estou aflitíssimo…”. O Salmista coloca sua aflição em grau superlativo. Sua aflição chegou ao nível máximo. Essa aflição vaza por todos os seus poros. Sua mente é açoitada pelo chicote dessa dor indescritível. Seu corpo é surrado pelos efeitos dessa angústia. Sua alma é atormentada, sem pausa, por essa tristeza que o encurrala por todos os lados. Temores internos e ameaças externas agravam sua crise. As dores do passado e o medo do futuro lançam sombras sobre sua vida. O presente o deixa atordoado. Não encontra nos recursos dos homens nenhum lenitivo. Saúde, dinheiro e prazeres não podem aplacar a sua dor emocional. Aventuras e conquistas não podem serenar os vendavais de sua alma. Está muito aflito, aflitíssimo!

Uma súplica. “… vivifica-me…”. Em face de sua extrema aflição, o salmista clama por vivificação. A tristeza nos abate a ponto de secar nossa alma. A aflição profunda transforma os cenários verdejantes do nosso coração num deserto cheio de cactos. Onde havia júbilo, a aflição traz a sinfonia dos gemidos. Onde havia brados de vitória, a aflição chega com sua bagagem cheia de derrotas amargas. Onde havia os raios fúlgidos da esperança, a aflição traz as nuvens escuras do desespero. Nessas horas, precisamos clamar aos céus para que nossa sorte seja restaurada. Precisamos de renovo, de restauração, de vivificação.

Um consolador. “… Senhor….”. A aflição pode vir de diversas fontes, mas nossa vivificação só pode vir do Senhor. Só ele tem poder para enxugar nossas lágrimas, terapeutizar nosso coração e curar as feridas da nossa alma. Só ele tem poder para perdoar nossos pecados, quebrar os grilhões que nos oprimem e arrancar da nossa alma a dor que nos aflige. Só o Senhor pode curar o enfermo, dar paz ao aflito e salvar o perdido. Quando descemos às profundezas da nossa aflição, somente Deus pode estender-nos a mão e tirar-nos desse poço escuro. Ele é poderoso para transformar nossos desertos secos em mananciais, nossos vales escuros em horizontes ensolarados, nossos dramas pessoais e familiares em motivos sobejos de louvor. O Senhor é o nosso consolador. Para ele não tem causa perdida nem problema insolúvel. Dele vem a nossa cura. De suas mãos procedem a nossa restauração.

Um instrumento. “… segundo a tua palavra”. Deus opera maravilhas em nossa vida segundo a sua palavra. Ele chama-nos ao arrependimento pela voz poderosa da sua palavra. Ele transforma-nos pelo poder de sua palavra. Ele instrui-nos na verdade, segundo a sua palavra. Ele guia-nos pelas veredas da justiça, pela luz da sua palavra. É pela palavra que nascemos. É pela palavra que crescemos. É pela palavra que atingimos a maturidade. Pela palavra Deus nos salva e nos reveste de poder. Pela palavra Deus nos consola e faz de nós instrumentos de consolação. Pela palavra Deus enche nossa alma de gozo e vivifica o nosso coração.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Por Que A Arca Da Aliança Nunca Será Encontrada?


Por Michael S. Heiser

Eu ainda posso lembrar a emoção de ver Indiana Jones: Os Caçadores da Arca Perdida nos cinemas. Já no ensino médio, eu já tinha sido infectado com o “vírus da arqueologia”. Esse filme levou os meus interesses a um nível inteiramente novo. Seguindo o caminho da Providência, eu segui o caminho de Indiana Jones, ao menos academicamente. Eu ainda estou fascinado pela arca, mas eu não acredito mais que ela está perdida e precisa ser descoberta. E a culpa é de Jeremias.

A ideia de que a arca da aliança sobreviveu à invasão de Nabucodonosor a Judá se baseia na ausência de qualquer referência explícita à arca dentre os utensílios de ouro levados para a Babilônia (2Cr 36.5-8). Da mesma forma, a lista de itens levados de volta para Judá depois do fim do exílio não menciona a arca (Ed 1.5-11). A explicação mais simples é que a arca estava dentre os “utensílios de ouro no templo do Senhor” que Nabucodonosor deixou em pedaços (2Rs 24.13). Ninguém pagaria para ver um filme assim.

Desde tempos antigos até os dias de hoje, as pessoas têm resistido à ideia de que Deus permitira Nabucodonosor destruir o objeto mais sagrado de Israel. Testemunhando o poder dessa resistência, há quase uma dúzia de teorias que dizem como a arca sobreviveu.

Algumas dessas teorias são extraídas de eventos bíblicos. Talvez Ezequias deu a arca para Senaqueribe como parte dos tributos pagos (2Rs 18). Será que ela foi removida por sacerdotes fiéis quando Manassés colocou um ídolo no templo (2Rs 21.1-9)? Indiana Jones disse a milhões que o faraó Sisaque levou a arca para a cidade de Tanis no Egito quando ele invadiu Jerusalém (1Rs 14.25-28). Talvez a teoria mais intricada envolve Menelik I, o suposto filho de Salomão e a rainha de Sabá, levando a arca para a Etiópia. A crônica real etíope, a Kebra Nagast, apresenta essa ideia com tanta seriedade que os governantes da Etiópia até o século XX tinham de provar a sua descendência de Menelik I.

Outras teorias cresceram a partir de passagens específicas em textos antigos. Segundo Maccabeus 2.5 relata Jeremias escondendo a arca numa caverna antes da invasão de Nabucodonosor. Segundo Baruque 6.1-9 descreve a arca sendo sobrenaturalmente engolida pela terra antes da invasão, ficando escondida ali até a hora da restauração de Israel.

Jeremias 3.16-17 torna todas essas hipóteses difíceis de se acreditar:

“Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o Senhor, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do Senhor! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra. Naquele tempo, chamarão a Jerusalém de Trono do Senhor; nela se reunirão todas as nações em nome do Senhor…”

A passagem mostra claramente que a arca deveria estar ausente por causa do exílio. Jeremias 3.16 também insiste que “não se fará outra”, um palavreado que sugere fortemente que a arca seria destruída no desastre iminente; se a arca não foi destinada para a destruição, falar em reconstruí-la não faria sentido. Jeremias 3.17 reforça esse ponto: a arca era o trono de Deus. Ele se sentava “entre os querubins” no suporte conhecido como o “propiciatório” (Ex 25.18-22; Nm 7.89). Mas a passagem fala de um dia em que a própria Jerusalém seria chamada de trono de Deus. Lemos sobre isso em Apocalipse 21.2-3: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles”. Uma arca da aliança recuperada não se encaixa nesse cenário, ela seria decepcionante demais.

Dr. Michael S. Heiser é um acadêmico contratado pela Faithlife, os criadores do Logos Bible Software. Ele é o autor do livro The Unseen Realm: Recovering the Supernatural Worldview of the Bible. Este artigo é um excerto do livro I Dare You Not to Bore Me with the Bible. Original aqui.

Traduzido por Guilherme Cordeiro.

Fonte: Monergismo