sexta-feira, 30 de setembro de 2022

O PERIGO DO FERMENTO DA HIPOCRISIA - Lucas 12.1-12


Por Pr Silas Figueira

Texto base: Lucas 12.1-12

INTRODUÇÃO

A controvérsia que começou no capítulo onze a partir do versículo quatorze ainda está em andamento. Essa controvérsia começou depois que Jesus expulsou um demônio de um homem que o deixava mudo e cego (Mt 12.22). Os fariseus (Mt 12.24) e os escribas (Mc 3.22) começaram a blasfemar e dizer que Jesus fazia tais prodígios pelo poder de Belzebu, o príncipe dos demônios – Satanás. Depois desse ocorrido um fariseu convidou Jesus para jantar em sua casa (Lc 11.37). Na casa desse fariseu Jesus destaca a hipocrisia dos fariseus e dos escribas (Lc 11.39-54). Fritz Rienecker destaca que os discípulos que talvez estivessem do lado de fora da casa do fariseu devem ter percebido que Jesus se encontrava em uma situação extremamente perigosa (Lc 11.53,54). Então Jesus sai da casa e dirige-se aos seus seguidores. Lemos no texto do v. 1: “Ele disse a seus discípulos”. Jesus sente a necessidade de voltar-se de forma especial aos seus que, como provavelmente é correto presumir, denotam um semblante totalmente atemorizado [1]. Quando Jesus revelou a hipocrisia dos líderes judeus a ira deles contra Jesus se tornou visível. Jesus fez isso, pois esses líderes eram uma influência entre o povo. O Reverendo Hernandes Dias Lopes destaca que aqueles que se tornaram incorrigíveis ainda poderiam influenciar perigosamente os discípulos, através de sua hipocrisia [2].

A hipocrisia religiosa dos fariseus não podia oferecer o verdadeiro conhecimento de Deus, pois não o conheciam, devido a isso, esses homens tinham uma visão distorcida do pecado e da salvação, por isso Jesus os confronta retirando a máscara da hipocrisia que se escondiam. Todo falso líder religioso afirma conhecer a verdade, mas, na realidade, nenhum deles conhece. E uma vez que esses líderes religiosos não tinham verdade em si mesmo, eles eram hipócritas vazios. Por isso, era uma má influência para o povo e, principalmente, para os discípulos de Jesus.

Quais as lições que podemos tirar desse texto?

1 – DEVEMOS TER CUIDADO COM A HIPOCRISIA (Lc 12.1).

Mas como podemos definir uma pessoa hipócrita? Hipócrita é aquela ou aquele que demonstra uma coisa, quando sente ou pensa outra, que dissimula sua verdadeira personalidade e afeta, quase sempre por motivos interesseiros ou por medo de assumir sua verdadeira natureza, qualidades ou sentimentos que não possui.

Com isso em mente podemos destacar três coisas:

1º - E primeiro lugar, o hipócrita é um ator. A palavra grega hupokritēs (hipócritas) era originalmente um termo secular referindo-se a um ator que desempenhou um papel no palco. Mas no Novo Testamento, tornou-se um termo religioso, usado exclusivamente no sentido negativo de alguém que diz falar em Deus, mas não vivem o que pregam, por isso são hipócritas. A definição original teatral de hupokritēs expressa figurativamente a natureza dos enganadores espirituais. Um ator tenta desempenhar um papel convincente no palco, fingindo ser alguém que não é, o falso religioso também.

2º - Em segundo lugar, sempre haverá hipócritas em todas as áreas da vida. Pessoas que tentam impressionar os outros e esconder seu verdadeiro eu. Na vida cristã, hipócrita é alguém que tenta parecer mais espiritual do que é de fato. Essas pessoas sabem que estão fingindo e esperam não ser descobertas. Sua vida cristã não passa de uma farsa [3]. J. C. Ryle diz que se não desejamos nos tornar fariseus, cultivemos um cristianismo que envolve todo nosso coração. Diariamente compreendemos que o Deus a quem temos de prestar contas vê muito além da superficialidade daquilo que professamos ser e nos avalia de acordo com o estado de nosso coração. Sejamos autênticos e verdadeiros em nosso cristianismo [4].

3º - Em terceiro lugar, a hipocrisia é como um fermento (Lc 12.1b). O fermento ou levedo é associado ao mal nas Escrituras (Êx 12.15-20; 1Co 5.6-8; G1 5.9). Assim como o fermento, a hipocrisia começa pequena, mas, de forma rápida e silenciosa, cresce e contamina toda a pessoa, fazendo-a inchar de soberba e orgulho [5]. Alcione Emerich diz que a massa representa o evangelho de forma geral, com sua mensagem (vida, perdão, salvação, ressurreição, pecado, confissão, restauração, arrependimento, etc.), mas o fermento, que é a menor parte, pode representar pequenos ensinamentos que vão se infiltrando e, sem que percebamos, vamos sendo contaminados e adoecemos progressivamente [6].

2 – A HIPOCRISIA SERÁ REVELADA POR DEUS (Lc 12.2,3).

A arte de ser hipócrita depende da capacidade de conservar algumas coisas ocultas. Quando o ocultamento já não é possível, o hipócrita é inevitavelmente desmascarado [7]. A lição que Jesus tencionava ensinar, ao mencionar aqui o fermento, é que o caráter hipócrita dos homens não pode ficar oculto para sempre, mas que finalmente será completamente revelado [8].  

Com isso em mente, podemos destacar duas coisas aqui:

1º - Em primeiro lugar, a hipocrisia é inútil diante de Deus (Lc 12.2). Jesus ecoa o verso final de Eclesiastes, onde Salomão advertiu que “Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” (Ec 12.14). Isto mostra como são tolos aqueles que praticam a hipocrisia e o fingimento. A religião tem a ver com o relacionamento do homem com Deus. Como Deus sabe de tudo, e no final revelará tudo, como é tolo alguém ficar contente com a forma e a sombra sem se importar com a realidade! É totalmente estúpido alguém ter a esperança de enganar o infinito conhecimento e a justiça de Deus! [9].

2º - Em segundo lugar, Jesus fundamenta o perigo da hipocrisia farisaica com uma ameaça (Lc 12.2). A hipocrisia é uma grande insensatez, pois aquilo que o homem esconde atrás das máscaras acaba por vir à tona. O que é feito atrás dos bastidores acaba por vir à plena luz. Aquilo que é dito às escondidas acaba por ser proclamado dos eirados. O oculto sempre será revelado, senão neste mundo, no porvir. A Bíblia diz: “Até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa” (Sl 139.12) [10]. No dia do Juízo tudo será revelado. Nesse dia as pessoas serão julgadas pelo que pensaram, falaram e agiram. O Justo Juiz, Jesus Cristo, já não será mais o Advogado, mas juiz. E ninguém terá como se defender de suas acusações.

3 – A CAUSA DA HIPOCRISIA (Lc 12.4-7).

A referência ao medo é feita cinco vezes em Lucas 12.1-7. Os versículos 4-7 são uma exortação para temer a Deus, e não àqueles que podem matar apenas o corpo. Contudo, o perigo também é espiritual. No NT, aquele que tem o poder para lançar alguém no inferno é Deus, e não o diabo (Mc 9.45,47; Tg 4.12) [11]. Wiersbe deixa claro que uma das principais causas da hipocrisia é o medo dos outros. Quando temos medo do que os outros vão dizer de nós ou fazer contra nós, tentamos impressioná-los, a fim de obter sua aprovação [12]. Os hipócritas temem os homens, mas não temem a Deus. Temem o que os outros irão falar a respeito deles, mas não temem a Deus que irá julgar seus atos pecaminosos.

Com isso em mente, podemos destacar três coisas:

1º - Em primeiro lugar, Jesus alerta os seus discípulos dos perigos futuros (Lc 12.5). Esta é a única vez que Jesus chama seus discípulos de “amigos” em Lucas. Faz isso para alertá-los sobre a causa da hipocrisia, que é o medo dos outros: o medo de não ser aceito, de ser criticado, de ser rejeitado, de ser perseguido. Em vez de temermos os outros que podem nos criticar, perseguir e até matar, devemos temer a Deus. Ele tem o poder de tirar a vida e até lançar a alma das pessoas no inferno. A autoridade de Deus se estende além da morte [13]. Jesus, no entanto, não esconde de seus discípulos a magnitude do perigo em que serão lançados! Não lhes assegura proteção para sua vida física. Mas como consolo mostra-lhes ao mesmo tempo o limite do poder humano hostil [14].

2º - Em segundo lugar, Jesus alerta os discípulos a temerem somente a Deus (Lc 12.5). Os hipócritas não temem a Deus, eles temem o que os outros irão falar a respeito deles. Mas Deus punirá os hipócritas no inferno. Jesus deixa claro para os seus discípulos não terem medo dos seres humanos, que nos piores cenários só podem matar o corpo e depois disso nada mais podem fazer. Por outro lado, Jesus passou a alertar a quem deviam temer, eles deviam temer Aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar a alma no inferno. A palavra “inferno” é “Geena” e refere-se ao vale de Hinom, localizada fora de Jerusalém. Dentro desse vale os judeus apóstatas tinham construído um local de culto, onde eles sacrificaram seus filhos ao deus pagão Moloque, queimando-os em fogo (Jr 7.31). Esse santuário foi profanado pelo piedoso rei Josias, como parte de suas reformas (2Rs 23.10), e, eventualmente, o local tornou-se depósito de lixo da cidade de Jerusalém. Era um lugar onde o fogo estava em constantemente combustão, por isso, Geena passou a ser usado em sentido figurado para falar do inferno eterno (cf. Mt 5.22,29,30; 10.28; 18.9.; 23.15, 33; Mc 9.43,45,47; Tg 3.6). Jesus deixa claro aqui que o inferno é real.

3º - Em terceiro lugar, não precisamos temer o futuro (Lc 12.6,7). Se o fim dos hipócritas é o castigo eterno, o fim dos salvos em Cristo é o gozo eterno (Ap 21.1-7). O cuidado de Deus estende-se não apenas a uma pessoa, mas até mesmo o aspecto mais secundário, os cabelos de nossa cabeça estão debaixo da providência de Deus. Nós não nos importamos muito com o fato de que diariamente perdemos alguns dos nossos 140.000 fios de cabelo. Deus, porém, diante do qual ocupamos posição de destaque em relação a todos os pardais, importa-se com as mínimas coisas de nossa vida. Por isso, lancemos fora o temor diante de pessoas e da natureza: não podeis cair sem o consentimento de Deus; e quando ele consente isso certamente redundará no melhor para seu filho! Consequentemente, o único temor que o discípulo pode e deve ter é o temor diante de Deus. Contudo, o significado de temor (reverência) a Deus será concretizado nas palavras subsequentes. A principal característica, a essência mais central desse temor é confiança absoluta e obediência incondicional [15].

4 – FIDELIDADE A DEUS O ANTÍDOTO CONTRA A HIPOCRISIA (Lc 12.8,9).

Em vez de negarmos nossa fé em Cristo, na terra, para ganharmos o aplauso dos outros, devemos confessar nossa fé em Cristo, diante dos outros, para recebermos aprovação nos céus. O que adianta sermos aprovados pelos outros e sermos reprovados por Jesus? O que adianta ganharmos troféus na terra e sermos rejeitados no céu? O que adianta sermos confessados perante os outros por causa da hipocrisia e sermos desmascarados e reprovados por Jesus perante os santos anjos no céu? [16]. Nesse tempo que se fala tanto em cancelamento, muitas pessoas, para serem aceitas pelas outras pessoas, negam a fé.

Podemos tirar duas lições importantes desse texto para nós:

1º - Em primeiro lugar, devemos professar Cristo abertamente (Lc 12.8). Nossa atitude diante de Jesus é a da máxima importância. Se um homem O confessar diante dos homens, Jesus o confessará diante dos anjos de Deus (Mateus diz “diante de meu Pai que está nos céus” Mt 10.32). Este é encorajamento caloroso para o dia do juízo. Mas o homem que negar Jesus (“repudiar”) enfrentará a negação final [17]. William Hendriksen destaca que esta palavra, confessar ou reconhecer, mostra que a mensagem levada pelos discípulos não devia ser friamente objetiva, um mero recital de palavras memorizadas. Ao contrário, o coração desses homens deve estar em sua mensagem. Sua pregação devia consistir em dar testemunho. Devia incluir seu testemunho pessoal (SI 66.16) [18].

A essência de confessar Jesus como Senhor é a abnegação, a apresentação de todos os aspectos da sua vida ao Seu controle soberano como um escravo ao seu mestre (Lc 7.8). Em Lucas 9.23,24 Jesus declarou: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará” (cf. Gl 2.20; Cl 3.3). Wiersbe é enfático ao dizer que não importa se nosso nome será reconhecido pelos homens aqui na Terra; o mais importante é que Deus nos reconheça no céu (ver 2Tm 2.8-14) [19].

2º - Em segundo lugar, aquele o negar diante dos homens será negado diante de Deus e seus anjos (Lc 12.9). Aquele que nega seus pais diante de seus amigos não é digno do lar a que pertence. E aquele que nega a sua relação com o Salvador, rompe essa relação. Aquele que testemunha por meio de seus atos não ter uma relação espiritual com Cristo recebe a negação da parte de Deus, nos céus, e aquilo que recebe no julgamento não é o resultado de um espírito de vingança da parte de Deus. Antes, é o reconhecimento de um fato. Ser filho de Deus e um cidadão dos céus é uma situação que não pode existir onde a falta de amor, o egoísmo e a covardia caracterizam a atitude humana em relação a Deus [20].

J. C. Ryle nos alerta para o fato de que confessar Cristo nos trará zombaria, desprezo, escárnio, ridículo, inimizade e perseguição. Os ímpios rejeitam a verdade. O mundo que odiou a Cristo odiará os verdadeiros os cristãos. Mas negar a Cristo ou envergonhar-nos de seu evangelho pode nos proporcionar uma pequena medida de boa opinião dos outros, por alguns anos, mas não nos proporcionará paz verdadeira. No entanto, se ele nos negar no último dia, isto será nossa ruína no inferno durante toda a eternidade. Abandonemos nossos covardes temores. Confessemos a Cristo [21].

5 – O PERIGO DO FERMENTO DA HIPOCRISIA (12.10-12).

A hipocrisia pode começar pequena como um pouco de fermento, mas cresce a ponto de levar uma pessoa não apenas a negar sua verdadeira identidade, mas a negar também a identidade de Cristo, associando-o aos demônios (11.15) [22]. No entanto, o fermento da hipocrisia não para por aí, ele cresce e desenvolve a blasfêmia. A pessoa blasfema contra o Pai, contra o Filho e o pior, contra o Espírito Santo. E Jesus deixou claro que a blasfêmia contra o Espírito Santo era algo inaceitável a ponto de não haver perdão para quem tal coisa fizer. Mas fica uma pergunta: o que é a blasfêmia contra o Espírito Santo e por que é algo imperdoável?

1º - Em primeiro lugar, a blasfêmia contra o Espírito Santo é negar o Seu testemunho a respeito de Jesus. O Espírito revela a verdade da salvação em Cristo, e aqueles que falam mal dessa revelação como os fariseus tinham feito (Lc 11.15), rejeita o testemunho do Espírito Santo Cristo (cf. Jo 15.26), isolando-se da única fonte divina, a verdade salvadora. Por isso eles não podem ser salvos.

2º - Em segundo lugar, a blasfêmia contra o Espírito Santo é associá-lo aos demônios (Lc 11.15). Em Mateus 12.31,32 nos diz: “Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro”. O contexto dá a entender que o “pecado imperdoável” é atribuir obstinadamente a Satanás uma obra que é do Espírito Santo. A blasfêmia contra o Espírito é uma rejeição escarnecedora do Espírito, como o único Revelador da santa propiciação realizada por Deus [23].

3º - Em terceiro lugar, por que é algo imperdoável? Quando lemos Lucas 12.10 a ideia que se tem é que há um pecado maior do que o outro. Deus quer perdoar uns e não outros? Em Marcos lemos: “Na verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem; Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo” (Mc 3.28,29).

C. S. Lewis escreveu certa vez algo que esclarece este ponto. Ele disse: “só existem dois tipos de pessoas: as que dizem a Deus: ‘Seja feita a tua vontade’, e aquelas a quem Deus diz: ‘A sua vontade seja feita’”. Quando nos arrependemos, dizemos que a vontade de Deus deve ser feita em nossa vida, que é o nosso perdão. Quando não há arrependimento, o homem escolhe viver afastado de Deus e conforme sabemos Deus não forçaria alguém a viver em sua presença sem que quisesse.

O pecado imperdoável é o estado de descrença contínua. “O pecado imperdoável é uma apostasia total” (Calvino). Toda pessoa que arrependida procura a Jesus, encontra nele abrigo: “Aquele que vem a mim de maneira nenhuma eu o lançarei fora” (Jo 6.37). A blasfêmia contra o Espírito Santo, a rejeição completa, deliberada, permanente até a morte. Ora, se Cristo é o único caminho de salvação e alguém deliberadamente o rejeita, não existe, pois, perdão para tal pessoa. Leon Morris diz que este pecado sem perdão não diminui a capacidade divina de perdoar, mas este tipo de pecador já não tem a capacidade de arrepender-se e crer [24].

4º - Em quarto lugar, os discípulos, por não serem hipócritas, não tinham nada a temer (Lc 12.11,12). Jesus conclui sua palavra sobre a hipocrisia dizendo que os seus amigos não precisam temer a perseguição nem ficar perplexos sobre o que dizer nos interrogatórios aos quais serão submetidos, pois, se forem levados aos tribunais, o Espírito Santo lhes ensinará como devem responder (12.11,12). O livro de Atos dos Apóstolos demonstra de forma cabal como essa promessa de Jesus se confirmou. Os sacerdotes, os escribas e fariseus em Jerusalém foram obrigados a presenciar e maravilhar-se diante da alegria de Pedro e João (At 4.13). O discurso de defesa de Estêvão penetrou o coração dos ouvintes (At 7.54). Félix assustou-se diante do Paulo algemado (At 24.25) [25].

CONCLUSÃO

Diante de tudo que ouvimos, creio que não precisamos de mais argumentos para mostrar o quanto é perigoso e repulsivo ser um hipócrita. Se tememos a Deus, devemos confessá-lo até o fim. Não precisamos temer o que os homens podem fazer conosco, pois o máximo que podem fazer é nos matar. No entanto, o Senhor não só tem poder para matar o corpo como também tem poder para lançar a alma da pessoa no inferno.

Podemos ser “cancelados” nesta terra por muitas pessoas, mas que não sejamos “cancelados” por Deus nos céus.

Pense nisso!

Bibliografia

1 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 175.  

2 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 379.

3 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 285.

4 – Ryle, J. C. Meditação no Evangelho de Lucas, Ed. Fiel, São José dos Campos, SP, 2002, p. 210.

5 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 380.

6 – Emerich, Alcione. Contaminação Espiritual, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2012, p. 49.

7 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 196.

8 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, Vol. 2, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 124.

9 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 424. 

10 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 380.

11 – Neale, David A. Lucas, 9 – 24, Novo Comentário Beacon, Ed. Central Gospel, Rio de Janeiro, RJ, 2015, p. 117.

12 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 285.

13 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 381.

14 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 176.

15 – Ibidem, p. 177.

16 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 382.

17 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 198.

18 –  Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 170.

19 –  Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 286.  

20 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 426. 

21 – Ryle, J. C. Meditação no Evangelho de Lucas, Ed. Fiel, São José dos Campos, SP, 2002, p. 213.

22 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 383.

23 – Earle, Ralph. Comentário Bíblico Beacon, Mateus, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 95.

24 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 199.

25 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 178.  

domingo, 21 de agosto de 2022

UMA HIPOCRISIA REVELADA - Lucas 11.37-54

Por Pr Silas Figueira

Texto base: Lucas 11.37-54

INTRODUÇÃO

Jesus mais uma vez foi convidado a fazer uma refeição na casa de um fariseu. Não era a primeira vez que tal coisa acontecia. Em outra ocasião o Senhor havia sido convidado também (Lc 7.36-49). Wiersbe destaca que a essa altura do ministério de Cristo, quando os líderes religiosos já haviam decidido matá-lo, o que levou um fariseu a convidá-lo para uma refeição em sua casa? Se estivesse buscando a verdade de coração, teria conversado com Jesus em particular. Ao que parece, procurava uma oportunidade de acusar Jesus e pensou tê-la encontrado, quando Jesus não realizou a lavagem cerimonial antes de comer (Mc 7.2,3) [1]. Jesus aproveita o momento para mostrar a insensatez desse fariseu e condenar os pecados do farisaísmo (11.42- 52) [2].

Parece que o contato de Jesus com os fariseus, até mesmo quando era um convidado deles, jamais produziu resultados favoráveis, pois se via forçado a pronunciar alguma reprimenda negativa [3]. Jesus não poderia evitar o conflito com o pecado e o erro, mesmo que tivesse que confrontá-lo à mesa no momento de uma refeição. Jesus era paciente e amoroso com os pecadores, mas era severo e até, para alguns, rude com os hipócritas. Estamos vivenciando uma época em que a promoção da tolerância e da diversidade está sendo visto como as mais altas virtudes, devido a isso, muitas pessoas são incapazes de distinguir a verdade do erro. Por isso que o engano tem dominado as mentes das pessoas. Mesmo aqueles que se dizem cristãos defendem tolerar falsos mestres em nome do amor, aceitação, paz e unidade. Coisa que Jesus nunca fez.

Muitas das declarações de Jesus relativas aos fariseus e doutores da lei nesta passagem são muito parecidas com suas acusações a esses mesmos grupos em Mateus 23. Estas não são, no entanto, duas versões do mesmo discurso, mas dois discursos proferidos pelo Mestre em duas ocasiões diferentes. Os eventos e ensinos registrados em Mateus 23 ocorreram em Jerusalém durante a Semana da Paixão; o episódio que estamos considerando em Lucas aconteceu enquanto Jesus estava na Peréia, a caminho de Jerusalém [4].

Quais as lições que esse texto tem para nós hoje?

1 – JESUS DISCERNE O PENSAMENTO DO FARISEU (Lc 11.37-38).

Quando Jesus entrou, o fariseu admirou-se que Jesus não se lavara (o verbo é baptizõ) antes da refeição. Isto nada tinha a ver com a higiene, mas, sim, era uma regra feita visando a pureza cerimonial. Antes de comer alguma coisa, os judeus escrupulosos mandavam derramar água sobre suas mãos para remover a contaminação contraída pelo seu contato com um mundo pecaminoso [5]. As abluções rituais, observadas antes das refeições, não foram prescritas por qualquer regulamento de lei mosaica, mas eram elaboradamente observadas pelos fariseus, em obediência à legislação oral criada pelos escribas (Mc 7.3,4) [6]. Por Jesus não ter agido segundo as suas tradições, este fariseu ficou admirado da Sua conduta.

Com isso em mente podemos destacar duas coisas:

1º - Jesus não tem compromisso com tradições humanas. Esses hábitos inventados pela tradição oral dos escribas não tinha nenhum respaldo bíblico, por isso Jesus não tinha nenhum compromisso em observá-la como eles observavam.

Muitas pessoas inventam usos e costumes, coisas até mesmo absurdas em nome de Deus. Aplicam proibições em coisas que a Bíblia não proíbe e liberam o que a Bíblia proíbe. E, geralmente, o peso recai muito mais sobre as mulheres.

2º - As tradições humanas afastam as pessoas de Deus. Muitas pessoas são tão presas às tradições e a usos e costumes que se afastam de Deus. Tradições são práticas, ensinamentos e costumes transmitidos de outras pessoas, muitas vezes, de uma geração para outra. Os religiosos da época de Jesus guardavam longas listas de regras inventadas e transmitidas por homens, princípios que não vieram da Lei revelada pelo Senhor. Tudo isso não passava de idolatria, pois eles colocavam em pé de igualdade as suas tradições com a Lei de Moisés.

2 – AS ACUSAÇÕES DE JESUS CONTRA OS FARISEUS (Lc 11.39-44).

Tudo indica que Jesus propositadamente não lavou as mãos antes do jantar. Se a ação de Jesus foi de fato deliberada, Ele deve ter tido dois motivos: a) Ele estava expressando sua reprovação a uma regra que, além de não ter significado, obscurecia um importante princípio e ocasionava um pretexto hipócrita; b) Ele, provavelmente, estava tentando provocar uma discussão com os fariseus exatamente sobre esses assuntos. Assim, Jesus e o fariseu (ou fariseus, se outros estivessem trabalhando por meio deste) estariam tentando precipitar o conflito verbal. Com certeza, Jesus não estava sendo vingativo; Ele estava tentando ajudar os fariseus a verem a verdade e, ao mesmo tempo, estava tentando salvar outros da influência corruptora do farisaísmo [7].

Jesus condena os fariseus pela hipocrisia da sua religião de aparência.

1º - Primeiro, os fariseus eram superficiais na conduta de fé. Embora o fariseu não dissesse nada, o Senhor sabia o que se passava em sua mente e entendeu que ele estava perturbado porque Jesus tinha ignorado a lavagem ritual. Imediatamente, sem pedir desculpas e sem deferência, Jesus confrontou a superficialidade do fariseu e lhe disse: “E o Senhor lhe disse: Agora vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade” (Lc 11.39).

2º - Segundo, os fariseus não se preocupavam em ter um coração puro (Lc 11.39-41). Jesus expõe a hipocrisia dos fariseus que são zelosos na purificação cerimonial e descuidados com a santificação do coração. Denuncia a espiritualidade das aparências farisaicas sem o concurso de uma vida piedosa. Do que vale seguir à risca os rituais cerimoniais sem observar a purificação do coração? Jesus declarou que lavar o corpo enquanto o coração permanece impuro é tão absurdo quanto lavar por fora um prato sujo por dentro [8]. Os fariseus falham em não purificar o coração “de rapina e perversidade”. Essa purificação interior é infinitamente mais importante do que a observação de seus preceitos exteriores de purificação [9].

Jesus mostra que o interior deve refletir no exterior, pois somos o que demonstramos ser interiormente e não o contrário (Lc 11.40,41). Jesus chama a atenção que os fariseus deveriam dar, generosa e amorosamente, de sua natureza mais íntima – seu amor, sua compaixão, sua devoção, seu próprio ser. O versículo 39 implica que esses fariseus estavam roubando os pobres [10].

Observe que Jesus chamam esses homens de “loucos” (v. 40). Loucos! Aphrones – grego (tolos, sem juízo, bobos) descreve aqueles que são ignorantes, que não têm bom senso e pensam superficialmente. Jesus então pergunta: “Quem fez o exterior fez também o interior?”, era uma repreensão inconfundível. É pensar que Deus santo só estaria preocupado com a sua observância de rituais externos e não sobre seus corações era o cúmulo da loucura.

Essa denúncia de Jesus em relação aos fariseus continua hoje. Não é incomum vermos cristãos preocupados em demasia com os usos e costumes, mas não vigia a língua, o mau testemunho na sociedade. Muitos, infelizmente, são maus pagadores. Péssimos pais de família. Guardam ódio no coração.

Bem disse Jesus em Mateus 5.8: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”.

- A partir do versículo 42 começa os “ais” de Jesus. “Ai” é uma expressão de pesar, não de índole vindicativa, e tem um significado como “Que pena!” [11]. Os primeiros três “ais” são dirigidos especificamente aos fariseus por suas prioridades erradas; os últimos três, aos escribas, especialistas na lei, ou “advogados”. Doutores da Lei.

3º - Os fariseus dizimavam do supérfluo e deixavam de dizimar do que era essencial (Lc 11.42). O que provocou esse primeiro “ai” era a devoção dos fariseus ao que era de importância secundária. Era costume entre eles, até se excediam, dando ao Senhor a décima parte de todas as pequenas ervas aromáticas que cultivavam em suas hortas, e exigiam de seus seguidores que fizessem o mesmo. Segundo eles o viam, a hortelã de “aroma adocicado”, a arruda de aroma forte, de fato toda erva de hortaliça, devia ser dizimada sem falta! Mas, na lei de Moisés não se diz uma palavra sequer acerca do dízimo dessas coisas [12].

No entanto, eles haviam Deixado completamente de lado o cerne da lei, de julgar com justiça e com o amor a Deus. Jesus ordena que a essência da lei seja cumprida; já as coisas secundárias, como o dízimo das ervas da horta, tampouco devem ser deixadas de lado!

4º - Os fariseus prezavam a reputação acima do caráter (Lc 11.43). Acreditavam que se tomariam mais espirituais ao se assentar nos lugares certos e ao ser reconhecidos pelas pessoas certas. Reputação é aquilo que as pessoas pensam que somos; caráter é aquilo que Deus sabe que somos [13]. Os fariseus eram hipócritas, orgulhosos e desprezavam as pessoas comuns (Jo 7.49), e deixavam de fazer justiça aos mais necessitados. Não obstante, queriam ser amados, admirados, reverenciados, respeitados, e se colocavam em uma posição elevada, acima de todos os outros.

5º - Os fariseus contaminavam o ambiente que viviam (Lc 11.44). Segundo um costume judaico, pouco antes da chegada das grandes caravanas de pessoas que viajavam para Jerusalém com o fim de assistir à Páscoa, os sepulcros eram caiados. Isso era feito para que ficassem bem visíveis, de modo que ninguém se contaminasse cerimonialmente ao andar inadvertidamente sobre um sepulcro (Nm 19.11-22) [14].

No entanto, os fariseus eram como sepulturas sem qualquer identificação (invisíveis); sua aparência não correspondia, de maneira alguma, à realidade! Isso significa que, inconscientemente, contaminavam os outros quando, na verdade, pensavam estar ajudando-os a se tornar mais santos! Ao invés de ajudar as pessoas, os fariseus as prejudicavam [15]. Os homens que passavam por sepulturas não marcadas tornavam-se cerimonialmente impuros. E os homens que andavam no ensino e nos caminhos dos fariseus tornavam-se moralmente impuros [16].

Como nos fala o autor de Hebreus 12.14,15: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem”.

3 – AS ACUSAÇÕES DE JESUS CONTRA OS DOUTORES DA LEI (Lc 11.45-52).

Uma objeção feita por um professor da Lei levou o discurso de Jesus em outra direção, pois um dos especialistas na lei não pôde conter-se por mais tempo e reagiu ao discurso de Jesus. Esse homem pergunta a Jesus se ele não percebe que ao atacar os fariseus está também “insultando” os especialistas na lei. Diante desse argumento Jesus então se volta para os doutores da lei. Os intérpretes da lei eram homens que se entregavam ao estudo da Lei do Antigo Testamento.

Jesus então profere três “ais” contra eles também.

1º - Os escribas colocavam fardos pesados sobre as pessoas que eles mesmos não carregavam (Lc 11.46). Esta é uma acusação brutal aos escribas (doutores da lei) por suas interpretações mesquinhas da lei escrita em seus ensinamentos orais (posteriormente, registradas por escrito como Mishna e depois como Gemara). Esta terrível carga, os doutores da lei não pretendiam carregar, nem mesmo “com um de seus dedos tocar” para ajudar as pessoas [17]. A Mishna determina que é mais importante observar as interpretações escribais do que a própria Lei. Os intérpretes da lei deveriam fazer uma tal exposição da Lei de Deus que ajudasse e inspirasse aos homens. Pelo contrário, fizeram dela um fardo cansativo [18].

2º - Os escribas seguiam as mesmas pegadas de seus pais, que foram assassinos de profetas (Lc 11.47-51). O primeiro martírio registrado no Antigo Testamento foi o de Abel, e o último, o de Zacarias (ver Gn 4.1-15; 2Cr 24.20-27, lembrando que 2Cr é o último livro da Bíblia hebraica) [19]. A segunda crítica foi o tratamento que os intérpretes da lei tinham dado aos profetas. Sustentavam que estavam honrando os heróis da fé ao edificar túmulos esplêndidos para eles. Mas realmente, nada mais faziam senão completar a obra daqueles que os mataram. O mesmo espírito operava em ambos os grupos. Sua ação dava assentimento inconsciente aos assassinos. É sempre mais fácil honrar santos mortos do que santos vivos. As vidas dos edificadores dos túmulos dos profetas mostravam por demais claramente que eram do mesmo espírito dos assassinos [20].  

3º - Os escribas não entravam no Reino e impediam os outros de entrarem (Lc 11.52). O terceiro “ai” contra os professores da lei diz que a Escritura Sagrada é um livro fechado para eles mesmos e para o povo [21]. Jesus diz que os intérpretes da lei tomam a chave do conhecimento e a escondem, não entrando no reino nem deixando que as pessoas entrem. Os escribas eram culpados de privar as pessoas comuns do conhecimento da Palavra de Deus. Em vez de abrir as Escrituras para o povo e explicá-las fielmente, eles impediam as pessoas de entenderem a Palavra [22]. Wiersbe diz que Jesus é a chave para o entendimento das Escrituras (Lc 24.44-48). Quando se remove a chave, não é possível entender o que Deus escreveu [23].

4 – JESUS SUSCITA A IRA DOS FARISEUS E DOUTORES DA LEI (Lc 11.53,54).

Infelizmente, os fariseus e os escribas não conseguiram dar ouvidos às advertências de Jesus. Em vez de se arrependerem de seus pecados, repudiando seu falso sistema de religião, e pedindo misericórdia divina, eles se tornaram ainda mais agressivos e hostis com Jesus. Enechō em grego (hostil) poderia ser traduzido como “guardar rancor”. Eles não apenas não concordavam com Jesus teologicamente, a animosidade contra Jesus era pessoal devido expô-los publicamente como falsos mestres.

Os escribas e os fariseus tentavam fazer Jesus errar em suas palavras (Lc 11.53,54). A última coisa que os hipócritas querem é ver seus pecados revelados, pois isso prejudica sua reputação. Em vez de se oporem ao Senhor, esses homens deveriam buscar sua misericórdia. Começaram a atacá-lo deliberadamente com perguntas capciosas, na esperança de pegá-lo em alguma heresia e de mandar prendê-lo. Que maneira vergonhosa de tratar o Filho de Deus! [24].

Diante do que Jesus falou esses homens se sentiram humilhados e resolveram confrontar Jesus ao invés de se arrependerem de seus pecados. E a ira deles se tornou ainda maior porque Jesus não fez isso em oculto, em uma conversa particular, mas à vista de muitas pessoas. Veja o capítulo 12.1: “Ajuntando-se entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discípulos: Acautelai-vos primeiramente do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”.

CONCLUSÃO

A igreja de Jesus Cristo deve, em qualquer tempo e lugar, estar sempre vigilante contra os falsos mestres que fingem serem morais, finge que amam a Deus, e que ensinam a verdade, mas, na realidade, são pecaminosos, tolos egoístas, desprovido de poder espiritual, de vida espiritual e da verdade espiritual. Porque eles são culpados de “falarem coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (At 20.30), eles não devem ser recebidos em nome da tolerância, mas devem ser rejeitados, pois, “promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (Rm 16.17). Esses tais devem ser confrontados em nome da sã doutrina e por amor a Deus!

Pense nisso!

Bibliografia:

1 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 282.

2 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 373.

3 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, vol. 2, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 120.

4 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 420.

5 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 191.

6 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, vol. 2, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 120.

7 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 421.  

8 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 374.

9 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 172.

10 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 421. 

11 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 192.

12 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 149.

13 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 282.

14 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 151.

15 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 282.

16 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 193.

17 – A. T. Robertson. Comentário de Lucas, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2013, p. 225.

18 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 193.

19 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 283.

20 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 194.

21 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 174.

22 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 376.

23 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 283.

24 – Ibidem, p. 283.

sábado, 6 de agosto de 2022

JESUS LAVOU OS PÉS DOS DISCÍPULOS DELE

Esta é uma leitura errada das Escrituras de acordo com os ideais humanistas pós-modernos.

É verdade que Jesus lavou os pés de seus discípulos, mas a palavra-chave operativa aqui é "d'Ele". Em outras palavras, ele não lavou os pés de todo e qualquer um, mas apenas os daqueles que o Pai lhe deu. De fato, depois de lavar os pés de seus discípulos, ele fez esta oração por eles:

"Eu revelei o teu Nome àqueles que do mundo me deste. Eles eram teus; Tu os confiaste a mim, e eles têm obedecido à tua Palavra. Agora, eles entendem que tudo o que me deste vem de Ti. Pois Eu compartilhei com eles as palavras que me deste, e eles as aceitaram. Eles reconheceram, de fato, que vim de Ti e creram que me enviaste. Eu rogo por eles. Não estou orando pelo mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus. Tudo o que tenho é teu, e tudo o que tens é meu; e neles Eu Sou glorificado. Agora, não ficarei muito mais no mundo, mas estes ainda estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai santo, protege-os em Teu Nome, o Nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um. Enquanto Eu estava com eles, protegi-os e os defendi em teu Nome. E nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura."

(João 17:6-12 - KJA)

Claramente, então, nosso Senhor Jesus Cristo — o verdadeiro Senhor das Escrituras, não a imaginação vã e hippie de uma cultura sem Deus — intercede e ora em favor apenas dos que são d'Ele. Em outras palavras, Ele não saiu aleatoriamente lavando pés, como se estivesse desesperado pela atenção de todos, mas apenas daqueles que o Pai em Sua soberana graça lhe deu.

Não, Jesus não lavou os pés de Pôncio Pilatos, ou Herodes, ou Caifás, etc., mas somente aqueles que o Pai escolheu.

Qualquer coisa menos do que isso ou fingir que Jesus sai lavando os pés de alguém sem nenhum chamado real à salvação e santificação, bem… não passa de uma completa degradação e corrupção do verdadeiro Evangelho de nosso Senhor que reduz Cristo a um “mendigo por amor”: quem faz isso é o falso Gezuz hippie da cultura hollywoodiana que predomina em nosso tempo.

(Tradução adaptada a partir de publicação de Cristiano Conservador)

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

NÃO DESPERDICE AS OPORTUNIDADES - Lucas 11.29-36

Por Pr Silas Figueira

Texto base: Lucas 11.29-36

INTRODUÇÃO

Durante todo o Seu ministério, o Senhor Jesus Cristo enfrentou a hostilidade e oposição, principalmente dos líderes da seita religiosa judaica; os escribas, fariseus e saduceus. Em Mateus 12.38 nos diz que os escribas e os fariseus tentaram colocar Jesus em dificuldades, pedindo que Ele lhes mostrasse algum sinal. O Mestre tinha acabado de lhes dar um maravilhoso sinal, ao libertar o endemoninhado cego e mudo. Mas eles procuravam alguma coisa ainda mais sensacional e espetacular. O texto de Lucas 11.16 indica que eles estavam pedindo “um sinal do céu” que provasse que Ele era o Messias [1]. Eles queriam um sinal do céu, algo como a chuva de maná no deserto (Êx 16.4s) ou a parada do sol e da lua (Js 10.13) ou a chuva de fogo do céu em Elias (1Rs 18.38). A exigência do sinal era tão-somente um pretexto para justificar sua incredulidade [2].

Jesus já tinha curado enfermos, purificado leprosos e ressuscitado mortos, e eles ainda se mantinham reféns de seu coração endurecido. Até mesmo quando Jesus estava dependurado no madeiro, disseram-lhe: Desce da cruz e creremos em ti. O problema deles, entretanto, não era evidência suficiente, mas cegueira incorrigível [3].

No relato de Marcos, Jesus diz simplesmente: “a esta geração não se lhe dará sinal algum” (Mc 8.12). Eles estavam tão cegos em seu ódio contra Jesus, que eles não perceberam as oportunidades espirituais que estavam perdendo.

Vejamos quais as lições que podemos aprender com esse texto.

1 – JESUS NÃO SE SURPREENDEU COM A INCREDULIDADE DAQUELA GERAÇÃO (Lc 11.29).

Jesus não se surpreendeu com a incredulidade daquelas pessoas, principalmente dos líderes judeus. Não era por falta de sinais e prodígios que eles desacreditavam de Jesus, era porque Jesus não fazia o que lhes agradava. Jesus colocava em xeque a autoridade deles (Mt 7.28,29), e isso gerou no coração deles um ódio profundo por Jesus.

Podemos destacar duas lições aqui:

1º - Em primeiro lugar, o problema dos líderes religiosos não era a falta de luz, mas a falta de visão. Eles estavam cegos de ira e de inveja de Jesus. A luz estava em todos os lugares. Ela brilhou de forma extraordinária nos milagres realizados por Jesus (Jo 15.24; cf. Jo 5.36; 10.25,38; 14.11) e no ensino incomparável que Ele deu (cf. Mt 7.28; Jo 7.46). Nada revela mais profundamente a maldade dos que o rejeitaram do que a realidade de que a luz estava em toda parte, mas eles recusaram-se a vê-la.

Há um velho ditado que diz que “o pior cego é aquele que não quer ver”. Assim eram essas pessoas que pediam um sinal a Jesus. E se Jesus lhes desse mais algum sinal eles continuariam na incredulidade.

2º - Em segundo lugar, aquela geração era maligna (Lc 11.29). Outro grande problema que temos aqui é que aquela geração era maligna. Era uma geração de incrédulos. Como lemos em Jo 12.37-40: E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso não podiam crer, então Isaías disse outra vez: Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure”. O Senhor permitiu que eles permanecessem em sua incredulidade.

O uso da palavra genea (geração) indica que Jesus estava se referindo à maioria das pessoas em Israel naquela época; tanto de galileus (cf. Lc 9.41), quanto também dos judeus. A forma como Jesus caracteriza o povo de Israel como ímpio é chocante. Afinal, Ele não estava falando dos pagãos que adoravam ídolos ou ateus. A geração que Ele se referia era, pelos padrões humanos normais, extremamente morais, religiosos e conscientes de Deus. O povo judeu foi fanaticamente devotado a manter a lei de Deus e observar suas tradições religiosas, como a vida de Paulo antes de sua conversão ilustra (cf. Atos 22.3; Gl 1.14). Mas embora exteriormente parecesse ser justas, interiormente, estavam cheios de maldade (Lc 11.39; Mt 23.25-28).

Algo que não podemos deixar de observar nos dias de hoje. Vivemos um tempo de muita apostasia, de muita incredulidade e de pouca fé. Uma geração de cristãos que espera muito de Deus, mas que não quer lhe dar a devida adoração. Uma geração mimada que pisam no sagrado e profanam o nome do Senhor. E não precisamos ir longe para vermos o que está acontecendo, basta olharmos as redes sociais.

2 – JESUS DÁ TRÊS SINAIS AOS SEUS OPONENTES (Lc 11.31-36).

Jesus não se sujeita em realizar o que seus adversários desejavam.  Eles queriam que Jesus realizasse algum sinal (milagre) extraordinário, mas Jesus diz que lhes dará três sinais, não sinais miraculosos, mas sinais de condenação, pois aquela geração cega havia rejeitado a luz do mundo (João 8.12; 9.5). Estes versículos revelam a realidade do julgamento, e a razão para o julgamento.

1º - Primeiro, o sinal do profeta Jonas (Lc 11.29,30,32). Quando Jonas foi chamado a pregar em Nínive, ele tentou escapar do Deus de Israel abandonando a terra de Israel: “Mas Jonas fugiu da presença do Senhor, dirigindo-se para Társis” (Jn 1.3a). A história demonstra que Deus não só está presente no templo de Israel, mas também onipresente em todas as nações [4].  

a) Os ninivitas se arrependeram com a mensagem de Jonas (Lc 11.32). Pessoas menos iluminadas obedeceram a uma pregação menos iluminada; porém pessoas muito mais iluminadas se negaram a obedecer à Luz do Mundo [5]. Ambos proclamaram julgamento e chamado para o arrependimento.

Jesus diz que, no dia do juízo, os ninivitas se levantarão para condenar essa geração, pois ouviram a pregação de Jonas e se arrependeram; no entanto, Jesus, sendo maior do que Jonas, não foi ouvido por sua geração, que permaneceu incrédula e perversa [6].

b) Jonas simboliza a ressurreição de Jesus (Mt 12.40). “Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra”. Para os ninivitas, “o sinal” era claramente a reaparição miraculosa do homem que se cria estar morto. Jonas tinha estado dentro da baleia (Jn 1.17) antes de voltar à vida, por assim dizer. Para os ninivitas o sinal foi o reaparecimento de um homem que aparentemente estivera morto durante três dias. Para os homens dos dias de Jesus, o sinal seria o reaparecimento do Filho do homem no terceiro dia após a Sua morte [7].

A mensagem de Jonas impactou os ninivitas porque o profeta era um milagre de alguém que estivera morto por três dias e havia voltado à vida. Assim a mensagem de Jesus tem impacto sobre nossas vidas, pois Ele ressuscitou ao terceiro dia (Jo 2.18,19), mas diferente de Jonas, Ele vive eternamente.

2º - Segundo, o sinal de Salomão (Lc 11.31). A rainha do sul, conhecido no Antigo Testamento como a Rainha de Sabá (1Rs 10.1-13), vai subir com os homens desta geração no dia do julgamento e irá condená-los por rejeitarem a mensagem de salvação.

Esta rainha fez uma árdua jornada de várias semanas desde os confins da terra (Seba foi localizado no sudoeste da Arábia, mais de mil quilômetros de Jerusalém), seu propósito era ouvir a sabedoria de Salomão, enquanto a sabedoria de Jesus era de fácil acesso para as pessoas de sua geração. Ela era uma idólatra pagã, sem o conhecimento do verdadeiro Deus, enquanto eles estavam mergulhados no Antigo Testamento. Eles foram convidados a vir a Jesus (Mt 11.28-30), enquanto que não há nenhuma indicação de que ela tenha sido convidada para visitar Salomão. No entanto, ela foi salva do seu pecado depois de crer no que Salomão disse a ela sobre o Deus verdadeiro, enquanto que aquela geração rejeitou salvação do verdadeiro Rei, infinitamente mais sábio e maior que Salomão. Essa é uma acusação grave sobre aquela geração perversa.

Quando Jonas pregou aos gentios de Nínive, eles se arrependeram e foram poupados. Quando uma rainha gentia ouviu as palavras do rei Salomão, maravilhou-se e creu. Se, com todos os seus privilégios, os judeus não se arrependessem, o povo de Nínive e a rainha de Sabá testemunhariam contra eles no julgamento final. O Senhor deu a Israel inúmeras oportunidades, mas ainda assim se recusaram a crer (Lc 13.34, 35; Jo 12.35-41) [8].

Quantos hoje têm tido a oportunidade de ouvir o Evangelho, mas o rejeitam ou dizem que em outra ocasião tomarão a decisão por Cristo. As oportunidades têm sido dadas, mas muitas pessoas continuam descrentes da mensagem de salvação que lhes tem sido pregadas. No entanto, chegará um tempo em será tarde demais para decidirem.

3º - O terceiro sinal, a luz (Lc 11.33-36). A experiência universal da luz e da escuridão no mundo físico fornece uma porta para a compreensão do conceito de luz e escuridão no mundo espiritual. Aqui a luz é uma metáfora para compreender a verdade revelada por Deus, já que a luz revela (Ef 5.13), enquanto que as trevas escondem (1Co 4.5). A Palavra de Deus é uma luz que brilha neste mundo escuro (SI 119.105; Pv 6.23). Mas não basta a luz brilhar externamente, também deve penetrar em nossa vida, a fim de surtimos os seus efeitos. “A entrada das tuas palavras dá luz, dá entendimento aos simples” (SI 119.130) [9]

Jesus ilustra esse assunto com três exemplos:

1) O perigo de esconder a luz (Lc 11.33). Seria inútil para alguém, depois de acender uma lâmpada colocá-la em um porão ou escondê-la debaixo do alqueire (cesta para medir grãos). Ninguém acende uma candeia e depois a coloca em lugar onde não pode ser vista. Pelo contrário, é colocada onde sua luz pode ser vista com o melhor proveito. No entanto, era exatamente o que os líderes judeus estavam fazendo na esfera espiritual. Em vez de permitir que luz de Jesus iluminasse os seus corações eles a estavam a obscurecendo.

2 – O perigo dos olhos maus (Lc 11.34,35). Sabendo que eles eram cegos, o Senhor emitiu este aviso “vê pois” (gr. Skopeo) poderia ser traduzido “manter um olhar atento sobre”, “nota com cuidado”, “prestar atenção a” ou “estar preocupado com”. Este aviso forte era uma chamada para o autoexame cuidadoso. O perigo de que o que eles pensavam que era luz neles, na verdade era escuridão. Esse autoengano marca cada falso sistema de crença para além do evangelho de Jesus Cristo.

Há dois tipos de escuridão: (a) a da ignorância; e (b) a da incredulidade obstinada. O segundo tipo, o que aqui está pauta, é muitíssimo mais perigoso. Foi esse tipo de escuridão que reinou no coração dos que odiavam a Jesus [9].

3 – A luz ilumina a todos que ouvem Jesus (Lc 11.36). Quando o coração tem uma configuração correta, isto é, quando ele pertence à verdade e intenta a verdade, ele se apropria da revelação da verdade divina e comunica essa luz com toda a capacidade da alma [10]. Quando cremos em Jesus Cristo, nossos olhos são abertos, a luz penetra nosso ser e nos tornamos filhos da luz (Jo 8.12; 2Co 4.3-6; Ef 5.8-14). É importante usar a luz e fixarmos nosso olhar na fé [11].

CONCLUSÃO

Quero concluir com as palavras de Wiersbe que diz que cada um de nós é controlado pela luz ou pela escuridão. O mais assustador é que algumas pessoas se endurecem de tal modo contra o Senhor que não conseguem fazer distinção entre uma coisa e outra! Acreditam que estão seguindo a luz quando, na verdade, seguem a escuridão. Os escribas e fariseus afirmavam “ver a luz” ao estudar a Lei, mas na verdade estavam vivendo em trevas (ver Jo 12.35-50) [12].

Pense nisso!

Bibliografia:

1 – Earle, Ralph.  Comentário Bíblico Beacon, Mateus, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 95.

2 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 170.

3 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 368.

4 – Neale, David A. Lucas, 9 – 24, Novo Comentário Beacon, Ed. Central Gospel, Rio de Janeiro, RJ, 2015, p. 105.

5 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 137.

6 – Lopes, Hernandes Dias. Mateus, Jesus, o Rei dos reis, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2019, p. 369.

7 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 189.

8 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 281.

9 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 142.

10 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 170.

11 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 281.

12 – Ibidem, p. 282.

domingo, 24 de julho de 2022

O REINO DE DEUS ENTRE NÓS - Lucas 11.20-28

Por Pr Silas Figueira

Texto base: Lucas 11.20-28

INTRUDUÇÃO

Após Jesus expulsar um demônio de um homem que o deixava mudo e cego, os fariseus (Mt 12.24) e os escribas (Mc 3.22) começaram a blasfemar e dizer que Jesus fazia tais prodígios pelo poder de Belzebu, o príncipe dos demônios – Satanás. Em sua defesa Jesus lhes pergunta por quem expulsava os seus filhos? Com essa pergunta o Senhor deixava exposta a incoerência deles. Se expulsar demônios provava que alguém estava em aliança com Satanás, então os exorcistas que atuavam entre eles estavam em aliança com Belzebu também! Esses exorcistas eram rabinos, fariseus, escribas e seus discípulos. Como explicar isso então? Com isso, Jesus os encurrala em seus próprios argumentos. 

Jesus continua o diálogo dizendo que se Ele expulsava demônios pelo dedo de Deus era chegado a eles o reino de Deus. Leon Morris diz que a presença do reino deve ser vista, não em bons conselhos nem em práticas piedosas, mas, sim, no poder que expulsa as forças do mal [1].  

Quais as lições que podemos tirar desse texto para nós hoje?

1 – A AUTORIDADE DE JESUS SOBRE OS DEMÔNIOS ERA A PROVA DA CHEGADA DO REINO DE DEUS (Lc 11.20-23).

Longe de aceitar a perversa e blasfema acusação dos escribas, Jesus mostra a libertação dos cativos pelo dedo de Deus como uma prova irrefutável da triunfal chegada do reino de Deus sobre eles (11.20) [2]. Jesus expulsava os demônios pelo poder do Espírito Santo (cf. Mt 12.28). Basta que Jesus levante o dedo, e Satanás solta a sua presa. Esse modo de falar simboliza o reino e a supremacia incondicionais sobre Satanás. Neste caso, porém, o reino de Deus chega já na pessoa de Jesus [3].

Quando Jesus usou a expressão “dedo de Deus”, Ele estava reportando ao que aconteceu em Êxodo 8.19, quando os magos de Faraó reconheceram o poder de Deus agindo através de Moisés. No entanto, os líderes religiosos judeus não reconheciam o poder de Deus exibido pelo Senhor Jesus Cristo. Nada poderia demonstrar mais claramente a sua condição de morte espiritual. A incredulidade era tanta que eles não perceberam o tempo da visitação de Deus em suas vidas.

Com isso em mente, podemos destacar três fatos importantes:

1º - Em primeiro lugar, Jesus destaca que Satanás é um adversário forte (Lc 11.21). Aqui Jesus compara Satanás a um homem forte totalmente armado. Jesus deixa claro que a nossa luta é contra um adversário poderoso. Em momento algum o Senhor disse que o diabo é um ser fraco, pelo contrário, ele é um ser ardiloso, como nos alertou o apóstolo Paulo (2Co 2.10,11).

Jesus mostra Satanás como o valente que guarda sua casa armado. Sua casa aqui simboliza o homem sob o seu poder. Satanás até então estava em paz, pois ainda não havia se manifestado o reino de Deus.

2º - Em segundo lugar, Jesus destaca que Satanás é um adversário derrotado (Lc 11.22). Jesus é o mais valente que ataca e domina o valente, tira-lhe toda a armadura em que ele confiava e distribui seus despojos. Satanás e suas hostes demoníacas são impotentes para impedir o Senhor Jesus de resgatar almas do reino das trevas (Cl 1.13,14). Jesus demonstrou claramente o Seu poder curando o mal que estava sobre este homem, e também outras doenças que eram resultado da ação de Satanás sobre a raça humana em pecado. Jesus foi além, Ele venceu a morte “aniquilando o que tinha o império da morte, isto é, o diabo” (Hb 2.14). Ninguém além de Jesus poderia tão completamente “destruir as obras do diabo” (1Jo 3.8).

3º - Em terceiro lugar, Jesus alerta acerca da neutralidade (Lc 11.23). Na guerra entre Deus e Satanás, entre o céu e o inferno, entre o bem e o mal, entre a verdade e o erro, ninguém é neutro. Não podemos tentar agir como Pilatos que lavou as suas mãos quando tinha que tomar uma decisão a respeito de Jesus (Mt 27.19,24). Não é necessário se opor abertamente a Cristo atacando a Sua divindade, Sua Palavra, o Evangelho ou mesmo Sua Igreja para ser contra Ele; é suficiente apenas não tomar uma decisão sobre Ele. Não tomar decisão nenhuma já é uma decisão tomada.

Há duas forças espirituais agindo no mundo, e devemos escolher uma delas. Satanás espalha e destrói, mas Jesus Cristo junta e constrói. Devemos fazer uma escolha e, se optarmos por não escolher um lado, já teremos decidido ficar contra o Senhor [4]. Saiba de uma coisa: “O muro pertence ao diabo”.

2 – O PERIGO DA CASA VAZIA (Lc 11.24-26).

Quando um homem se vê livre de um espírito maligno, mas não põe nada no seu lugar, está passando grave perigo moral. Ninguém pode viver por muito tempo tendo um vácuo moral na sua vida. O reino de Deus não provoca semelhante vácuo moral num homem. Significa uma vitória tão grande sobre o mal que o mal é substituído pelo bem e por Deus [5].

Podemos destacar algumas lições do que Jesus falou a respeito da casa adornada e vazia.

1º - Em primeiro lugar, existe muita libertação superficial (Lc 11.24,25). Jesus trata aqui de um homem que foi libertado de um espírito imundo, mas deixou de comprometer-se com Deus. O demônio que saiu do homem ainda o chama de “minha casa”. O demônio saiu, mas o Espírito Santo não entrou. A vida tornou-se melhor, mas a transformação não aconteceu [6]. É o que podemos chamar de evangelho social. Moralmente este homem melhorou, mas por pouco tempo. Não aconteceu uma conversão genuína a Cristo, mas uma mudança superficial. Ele não é trigo, ele continua joio.

2º - Em segundo lugar, uma casa adornada, mas vazia, ainda é moradia do diabo (Lc 11.25). É uma verdade fundamental que a alma de um homem não pode ficar vazia. Não adianta os demônios saírem se a alma do homem liberto não for preenchida pela presença do Espírito Santo. Ela continuará vazia. Esta foi a crítica que Jesus fez aos exorcistas de sua época. Eles expulsavam o demônio, mas não preenchia a alma liberta com a presença de Deus. Jesus quando expulsava demônios os proibia de retornarem (Mc 9.25), pois a pessoa liberta se convertia a Cristo (Mc 5.18-20).

O evangelho social tem feito isso com as pessoas – pois não há conversão –, elas aparentemente têm melhorado, mas estão vazias da presença do Espírito Santo em suas vidas. São frequentadoras da igreja, mas andam descompromissadas com a verdade do Evangelho. Muitos vivem de forma dissoluta não testemunhando uma fé genuína.

Como disse Champlin: “Nenhuma verdadeira santidade existe ali para barrar a porta; nenhuma espiritualidade positiva existe para guardar o portão. A reforma é superficial sujeita a reversão imediata” [7].

3º - Em terceiro lugar, o último estado é pior que o primeiro (Lc 11.26). “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama” (2Pe 2.20,22).

Vivemos hoje o perigo da igreja adornada e vazia. O perigo de uma igreja que tem perdido os seus valores judaico-cristãos. Uma igreja que tem feito aliança com o mundo para agradar as pessoas do mundo. É o que chamamos de liberalismo teológico. E temos visto isso acontecer em todas as denominações.

Vivemos em uma época extremamente relativista. Essa forma de pensamento pós-modernista pressupõe apenas uma coisa: negar a existência da verdade. É um pensamento filosófico que nega o pensamento absoluto e exalta que tudo depende do ponto de vista. E isso tem ocorrido em relação às Escrituras dentro da igreja. A presença do politicamente correto nas igrejas vem com a relativização dos “valores morais” presentes na Bíblia Sagrada, para agradar a audiência, por isso tantas igrejas têm abraçado a ideia de “igreja inclusiva”. E isso é só o começo.

Para você ter apenas uma ideia do que está acontecendo por aí. Um determinado líder afirmou que muitas igrejas aceitam gays, mas pedem para que eles se abstenham das relações homoafetivas. Na igreja que ele pastoreia, disse ele, não será necessário abandonar tal prática. A Igreja desse indivíduo anunciou a novidade utilizando a bandeira LGBTQ+ que é representada pelo arco-íris. Isso é só uma gota no mar lamacento que estamos vendo entrando na igreja hoje. Judas em sua carta chama esses líderes de “Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações” (Jd 1.13).

3 – A VERDADEIRA LIBERTAÇÃO (Lc 11.27,28).

Somente Lucas nos conta acerca desta exclamação espontânea de uma mulher que estava entre a multidão. Parece que aquela senhora pensava quão maravilhoso seria ter um filho como Jesus, e pronunciou uma bem-aventurança sobre aquela que O deu à luz. Suas palavras envolvem um reconhecimento do Seu messiado e são parcialmente uma saudação a Jesus [8].

Com isso, podemos destacar duas coisas:

1º - Em primeiro lugar, Jesus foi exaltado em meio à blasfêmia dos líderes religiosos. Esta mulher dentre a multidão estava, sem dúvida, dominada pela sabedoria e pelo poder que se manifestavam nas palavras e obras de Jesus. Ela podia ser uma daquelas que haviam experimentado a cura da possessão demoníaca que Jesus acabara de discutir [9]. O louvor da mulher certamente representou uma bela honraria num instante em que os hierarcas do país já o condenavam como herege supostamente aliado ao diabo [10].

Vivemos uma época em muitas pessoas têm blasfemado o nome do Senhor, difamado a Sua Igreja e menosprezado a Sua Palavra. Mas nós, como seus servos, devemos fazer como esta mulher, exaltar o Senhor por tudo que Ele representa em nossas vidas, e isso deve ser feito não em oculto, mas diante daqueles que O blasfemam. Isso se chama testemunho.

2º - Em segundo lugar, Jesus deixou claro qual é a verdadeira bem-aventurança. A maior bênção é ouvir as Palavras de Jesus e organizar a vida de acordo com elas. Portanto, mesmo para a própria Maria, a relação de discípula é mais abençoada do que a de mãe [11].

Essa bem-aventurança está em harmonia com o Salmo 128.1 que diz: “Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos”. E também com os ensinamentos de Jesus: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” (Mt 7.24).

Você é um bem-aventurado?

CONCLUSÃO

Os tempos podem não ser os mais favoráveis para a igreja, mas é nessa hora que devemos levantar a bandeira do verdadeiro Evangelho e mostrar ao mundo que o Nosso Redentor Vive e que temos uma aliança com Ele. Que a nossa aliança não é com o relativismo e muito menos com a teologia liberal. Somos sim, fundamentalistas, pois estamos fundamentados na verdade do Evangelho e não negociamos a nossa fé para agradar o mundo.

Pense nisso!

Bibliografia:

1 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 187.

2 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 361.

3 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 168.

4 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 280.

5 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 188.

6 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 364.

7 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, vol. 2, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 118.

8 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 189.

9 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 419.

10 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 169.

11 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 419.