terça-feira, 28 de julho de 2020

IDOLATRIA E PERVERSÃO SEXUAL – UMA DAS CONSEQUÊNCIAS DA MORTE ESPIRITUAL


Por Pr. Silas Figueira

“E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2.16,17)

Quando nossos primeiros pais desobedeceram a ordem de Deus (Gn 3), a humanidade sofreu graves consequências. A queda trouxe morte espiritual e, como consequência, a ruína e a destruição. E uma das maneiras de vermos isto é quando vemos os homens dizendo que são independentes Deus, e que não precisam dEle para reger as suas vidas, apesar de todo caos ao nosso redor. Como disse John Stott: “não há nada que afasta tanto as pessoas de Cristo quando a sua incapacidade de ver que precisam dele, ou o fato de se recusarem a admitir isso” [1]. 

O que antes era harmônico transformou-se num caos, devido ao pecado. As consequências da queda foram danosas não somente para o homem mas também para a natureza: “E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo” Gn (3.17,18). De alguma forma, devido ao pecado, o cosmos foi abalado também. Tanto que a palavra cosmético vem da palavra cosmos - ordem, conveniência, organização, ordem do universo - por isso que o inverso de cosmos é caos. Assim como as mulheres usam cosméticos para melhorar a aparência, a humanidade, como um todo, tem usado “cosméticos” – boas obras, justiça própria - para esconder a feiura espiritual que se encontra. Em outras palavras, são mortos espirituais maquiados com suas justiças, mas que aos olhos de Deus não passa de trapo de imundícia, como nos fala Isaías: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam” (Is 64.6). 

Devido a isso, o homem está sob a ira de Deus, por isso precisa de salvação. Como nos fala Paulo aos Efésios 2.1-3: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também”

No momento que houve o pecado original, desencadeou-se uma série de males que foram contagiando a humanidade. Dentre muitos, eu quero destacar duas em particular: a idolatria e a perversão sexual. 

1 – IDOLATRIA – Em uma definição básica, idolatria é tudo aquilo que toma o lugar de Deus no coração das pessoas. A idolatria vai muito além de se prostrar diante de uma imagem de escultura. A questão é muito mais complexa. 

A idolatria é a rejeição a Deus, como nos fala Paulo: “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Rm 1.20-23). 

No livro de Sabedoria, apesar de ser um livro apócrifo o que está registrado aqui é extremamente verdadeiro, nos diz: “Tudo está numa confusão completa – sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, perversão dos sexos, instabilidade das uniões, adultérios e impudicícias – porque o culto de inomináveis ídolos é o começo, a causa e o fim de todo o mal. (Seus adeptos) incitam o prazer até a loucura, ou fazem vaticínios falsos, ou vivem na injustiça, ou, sem escrúpulo, juram falso, porque, confiando em ídolos inanimados, esperam não ser punidos por má-fé” (Sabedoria, 14.25-29). 

Quando os homens rejeitam a verdade, abraçam a mentira em seu lugar. Diante disso, o erro assegura presença na mente das pessoas. Os homens rejeitam o conhecimento de Deus deixando de glorifica-lo e deixando de agradar-lhe. 

Mas como o homem é por natureza um ser religioso, no momento que se afasta de Deus, este homem irá colocar no lugar de Deus outro deus. Irá criar sua própria religião com suas divindades e sistema de culto. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos, como disse Paulo, ou seja, em sua pretensa sabedoria os homens rejeitaram o conhecimento de Deus e mudaram a glória do Deus incorruptível em imagem de homens, aves, quadrúpedes e répteis. Isso sim é loucura e a mais baixa degradação que uma pessoa longe de Deus pode chegar. 

A idolatria é algo tão danoso que os homens reduzem Deus a duas pernas, depois a quatro patas, e finalmente a rastejar sobre o ventre. E em todo tempo eles se dizem sábios [2]. 

2 – PERVERSÃO SEXUAL – Da idolatria para a imoralidade sexual é passo. John Stott diz: “A história do mundo confirma que a tendência da idolatria é acabar em imoralidade. Uma falsa imagem de Deus leva a um falso conceito quanto ao sexo. O sexo ilícito leva à degradação das pessoas como seres humanos” [3]. 

Como disse o filósofo indiano Jiddu Krishnamurti: “Não é sinal de saúde estar bem-adaptado a uma sociedade profundamente doente”. No entanto, os homens estão bem-adaptados a esta sociedade doente. E por que estão bem-adaptados? Porque eles não se veem doentes, se veem sãos. Pelo menos os homens sem Deus estão se vendo assim. 

“Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” (Rm 1.24-27). 

A Bíblia sempre condenou o homossexualismo e o lesbianismo, no entanto, por vivermos em uma sociedade adoentada pelo pecado, a degradação humana não parou por aí. No início da década de 90 a sigla GLS se popularizou no Brasil como referência ao público homossexual, tendo como significado: gays, lésbicas e simpatizantes – pessoas heterossexuais solidárias com a causa. 

Com o passar dos anos, remodelações foram realizadas e novas siglas foram surgindo, dando voz a outras vertentes dentro do movimento em prol dos direitos homossexuais perante a sociedade. Então, a sigla já passou por diversas mudanças, e no final das contas, não existe um certo ou errado, mas a vontade de que todos se sintam representados. Abaixo segue algumas explicações LGBTQI+

L – Lésbicas: Mulheres que se sentem atraídas fisicamente e/ou emocionalmente por outras mulheres. 

G – Gays: Homens que se sentem atraídos fisicamente e/ou emocionalmente por outros homens. 

B – Bissexuais: Pessoas que se sentem atraídas fisicamente e/ou emocionalmente por ambos os gêneros. 

T – Transgênero: Pessoas em que não se identificam com seu sexo biológico, podendo ser homens ou mulheres transsexuais, além dos não binários, que é quando não há identificação com nenhum dos gêneros. 

Q – Queer: Pessoa em que não se identifica com nenhum dos gêneros e não seguem o padrão binário (feminino ou masculino) imposto socialmente. 

I – Interssexuais: Pessoas que nascem com características que não se enquadram propriamente aos gêneros feminino ou masculino, podendo ser relativas a anomalias cromossômicas, harmônicas ou genital. 

+ : engloba todas as outras orientações sexuais, identidades e expressões de gênero. 

Observem que eles se viram obrigados a colocarem um + (mais), pois a coisa descambou de tal maneira que creio que não há limites para o imaginário humano. Tanto que já temos: 

Transracial – pessoas que nasceram em raça, no entanto, dizem que são de outra raça. A ativista americana Rachel Dolezal, que se passou por negra durante vários anos e foi protagonista de um intenso debate sobre raça e identidade após ter revelada sua origem caucasiana, afirma que a ideia de raça é uma mentira e se classifica como “transracial”. 

Transdeficiente – Uma pessoa que nasce com o corpo saudável, mas que diz deveria ser deficiente. Teve um caso de um homem que cortou o próprio braço, pois, segundo ele, ele se via como um amputado. Teve o caso de uma mulher que pôs soda cáustica nos olhos, pois se sentia como uma pessoa cega. 

Transbebê – Um homem pôs um anúncio no jornal querendo uma baba para ele, pois ele se sentia como uma criança. 

A questão é: Onde irá parar essa insanidade cultural? Estamos caminhando a passos largos para a transespécie, onde cada um pode ser qualquer coisa, menos gente imagem e semelhança de Deus. 

O pior de tudo isso é que muitos líderes cristãos, que deveriam ser voz profética censurando o pecado do mundo, estão transformando o cristianismo em uma mesa de debates. Ou seja, os princípios cristãos que nunca deveriam ser relativizados a pretexto de uma postura de “tolerância” e entendimento com os “diferentes” estão sendo relativizados. Há um movimento hoje que se esforça neste sentido, diz que devemos ter “novos diálogos”, lutam por um evangelho inclusivo, e por uma igreja sensível que se amolda e se acultura ao contexto e valores sociais vigentes. 

No entanto, veja o que a Bíblia nos fala: 

“E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as” (Ef 5.11). 

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4). 

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1Jo 2.15,16). 

Portanto, à luz da Bíblia, podemos dizer que este discurso não passa de um discurso estético, politicamente correto. Dizer que a igreja tem necessidade dialogar com a sociedade sobre esse tema LGBTQI+, inclusive sobre o aborto, novas configurações familiares, teologia negra, feminismo, “direitos humanos” ..., como se fosse possível luz e trevas entrarem em acordo e firmarem consenso. Como se os fundamentos cristãos pudessem ser adequados a partir do entendimento comum entre as partes. Biblicamente isso é impossível. O argumento utilizado é quase sempre o “amor”. Para eles o “amor” é a única doutrina, uma vez que tudo mais pode ser reinterpretado. Esta é uma tentativa diabólica de fazer a igreja “relevante” perante a sociedade, de produzir uma nova teologia a partir das ruas, de criar uma hermenêutica com base no pensamento de certas minorias, e reimaginar a igreja. Isso nada mais é que parte de um esforço bem articulado para levar adiante um processo de desconstrução não só da igreja, mas da própria sociedade, que passa pela quebra de paradigmas e conduz para um novo código moral que se contrapõe ao padrão divino ensinado nas Escrituras; é a criação de um novo deus, um novo evangelho, uma nova sociedade e uma nova religião. 

Este “diálogo” é falácia maligna, é estratégia das trevas. Deus não deixou sua igreja na Terra para se entender com o mundo, senão para fazer discípulos de Cristo que venham a fazer jus ao nome cristão. A luz não comunga com as trevas, antes revela e condena suas obras más e desnuda o pecado; por isso os salvos são odiados (Mateus 24.9 – leia o contexto). 

A verdadeira igreja é a noiva do Cordeiro que se preserva santa e irrepreensível (Ef 5.27; Ap 19.7). Ela não precisa ser reimaginada, deve ser igreja conforme o modelo bíblico, e capacitar os santos para cumprir seu papel de Sal e Luz. Igreja que busca consenso com o mundo não é igreja, é amante do diabo [4]. 

1 – Stott, John. A Mensagem de Romanos. Editora ABU, 4ª reimpressão 2009, pag. 71. 

2 – Lopes, Hernandes Dias. Romanos, o evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos, 2010, pag. 86. 

3 – Stott, John. A Mensagem de Romanos. Editora ABU, 4ª reimpressão 2009, pag. 83. 

4 – Monteiro, Cleber. NOIVA DE CRISTO, OU AMANTE DO DIABO? Acionado em 28/07/2020. https://pastorcleber.blogspot.com/2018/04/noiva-de-cristo-ou-amante-do-diabo.html

sábado, 20 de junho de 2020

Os loucos não reconhecem a própria loucura!


Por Jorge F. Isah

Em matéria de Cristianismo, os chamados "cristãos-marxistas" não entendem nada do que seja o Evangelho, desconhecendo o seu real significado e objetivo que é não tornar o homem perfeito na terra, nem criar o homem ideal, mas que os cristãos sejam exatamente aquilo para o que foram chamados: imitadores de Cristo. 

Em qual mundo é possível se defender uma ideologia que, em sua história, massacrou e ainda massacra milhões de irmãos? Cuja única culpa é amarem o Senhor de suas vidas? Culpados por professarem a fé indestrutível? Culpados por não se sujeitarem a "rezar" na cartilha esquerdista? Ou de qualquer governo, ou ideologia, ou movimento, a torná-los idólatras? E não adorarem o deus-estado? E não crerem num falso-salvador?

Seria o mesmo que cristãos primitivos defendessem a prisão e execução dos irmãos pelo governo romano, ou, ainda defendessem a crucificação de Cristo. Alguém pode dizer que devemos amar os nossos inimigos, mas não estou falando de amá-los, porque o amor pressupõe o desejo de levá-los à compreensão do "bem supremo. Pregando-lhes Cristo como Senhor e Salvador, mas também aquele que mudará a natureza do pecador, tornando-o santo e conformando-o à sua imagem. Quando evangelizamos um criminoso queremos que ele, conhecendo a Cristo, liberte-se dos crimes e faça o bem. 

Amar o próximo e amar o mal que ele produz não é amor ao próximo, mas amor ao que ele faz. Para amá-lo verdadeiramente desejamos a sua transformação, a sua conversão, e de que ele tenha a mente de Cristo, abandonando o mal para apegar-se ao bem. 

Ao defendermos governos e pessoas malignas, no mal que praticam, negamos qualquer efeito do Evangelho sobre elas. De que adiantaria proclamar a verdade se apoiamos as suas mentiras?

Somente neste mundo caído, e miserável, e cego, e nu, no qual vivemos, essa incoerência é possível. Em que vale mais dizer o que se quer ser, como uma possibilidade ainda que irreal, do que viver o que se diz ser... ou deveria ser. 

Utopia regada a sangue inocente e fundamentada no mal que dizem combater. Terminando por solapar e destruir também inúmeras almas. 

Como diz o Senhor Jesus: 

"Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira" (João 8.43-44)

Os loucos nunca reconhecem a própria loucura!

Fonte: kalamos

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Uma contracultura num mundo perdido


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Jhon Stott, num de seus livros, chamou o evangelho de “contracultura”. Segundo ele, os cristãos devem viver em oposição à cultura do mundo. Este está sob o do Maligno, e nós somos de Deus (1 Jo 5:19). Além da cultura do mundo, há também uma “teologia do mundo”, aceita por alguns setores da igreja e alguns crentes. Acham que a igreja deve ser “amiga do mundo”. Esta não deve ser sua preocupação principal, mas sim ser leal ao se Senhor, à sua vocação, aos valores que recebeu (Tg 4:4) Há hoje muita gente fascinada pelos valores do mundo, diluindo a mensagem de Jesus para torná-la mais suave. A preocupação com megaigrejas tem levado alguns a esquecerem que a igreja deve, antes de tudo, lealdade a Jesus e ao seu evangelho. Somos uma contracultura num mundo perdido. Não que devamos nos portar arrogantemente, mas que devemos ser santos e não enamorados do mundo.

1. O ponto de partida

Partamos de Romanos 12:1,2. Após expor o conteúdo do evangelho até o capítulo 11, Paulo trata de ética (12:1). Começa com “pois”. O grego é oûn, uma partícula conclusiva, com o sentido de “portanto”. O que se segue é consequência do anterior. Por tudo que foi dito (o conteúdo do evangelho) deve-se viver de uma maneira. Primeiro a teologia (o credo). Depois a ética (a conduta). O que uma pessoa crê afeta sua maneira de ser. O seguidor de Jesus não vive como o mundo sem Jesus vive (Ef 4:18,19). Ele deve apresentar-se a Deus e não se amoldar ao mundo (Rm 12:2). “Não vos conformeis” significa “não tomar a forma do mundo”. O cristão não é massa de bolo que toma a forma de onde é posta. Ele é do Senhor, na igreja, na casa e no mundo. Ele se nega a ser moldado pelos padrões do mundo.

Devemos apresentar nossos “corpos” como um ato de culto a Deus (v. 1). O grego é sômata, que significa mais que a parte física. É “a realidade da existência, a pessoa concreta”. É a totalidade da pessoa, não só o físico. O cristão deu toda a vida a Cristo: física, mental, emocional e espiritual. Por isso, sua “mente” deve ser transformada (v. 2). “Transformai-vos” é metamorfouste, de onde vem “metamorfose”, que é passar para outro estágio. É a lagarta que se transforma em borboleta.

Eis o ponto de partida. Cremos em Jesus, assumimos o compromisso de uma vida santa. A ética segue a fé. Quem crê rompeu com o passado. O crente em Jesus não é massa de manobra. Ele ousa nadar contra a correnteza.

2. Como o Novo Testamento vê o mundo

Precisamos recuperar a visão bíblica da vida. Muitos crentes são moldados pela mídia e têm uma visão romântica do mundo. Outros o amam. A igreja contemporânea é mundana. Até os critérios para se avaliar uma igreja são mundanos e não bíblicos: a arquitetura do templo, o volume de entradas, o nível social dos membros. O critério deveria ser: quanto de Cristo ela exibe ao mundo?

Como o Novo Testamento vê o mundo? Não o cosmos ou as pessoas que Deus amou (Jo 3:16), mas “mundo” como um sistema de valores corrompidos?

Não é um olhar positivo. Somos filhos de Deus, no meio de uma geração corrupta (Fp 2:15). No longo texto de Efésios 4:17 a 5:21 há uma descrição do mundo, que é como não devemos ser. Por isso, “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2:15).

A igreja de Jesus não pode ser moldada pelo mundo nem ceder aos seus apelos. A conversa de “igrejas amigas do mundo” é perigosa. Não devemos ser beligerantes nem nos julgarmos superiores. Mas, desde o convite divino ao pai da fé, o chamado é “anda em minha presença, e sê perfeito” (Gn 17:1).

Isto não é legalismo nem fundamentalismo. Chamar alguém de legalista e fundamentalista é obra de quem não tem argumento. Isto é santidade. O padrão de vida para a igreja está no Novo Testamento, não em pesquisas de opinião ou em planos de marqueteiros eclesiásticos. Ela deve ser santa, e não bajuladora de pecadores. Paulo diz que é assim que devemos viver (Cl 1:10-12).

3. A santidade é moral, não litúrgica

No judaísmo a santidade era litúrgica. Expressava-se por ritos. No evangelho é moral. Ser santo não é adotar posturas no culto. É ter uma moral sadia. A santidade se liga ao caráter. Há uma série de declarações de Paulo que podem ser chamadas de “éreis” e “sois”. Elas mostram o que éramos antes da conversão, e o que somos agora. Entre algumas passagens “éreis”, que mostram nosso passado e como não mais devemos ser, estão Romanos 6:20,21, 1 Coríntios 6:9-11, 12:2, Efésios 5:8 e Colossenses 1:21. Veja-se ainda 1 Pedro 4:3. Entre as passagens “sois” estão Romanos 1:6, 1 Coríntios 1:30,31, 3:16,17, 5:7 e 6:19,20, Efésios 2:19-22, 5:1-8 e 1Tessalonicenses 5:5.

O exame destas passagens mostra que a conversão é um divisor de águas na vida moral da pessoa. Mudou seu destino final, de inferno para céu. Mudou sua vida aqui na terra. Seus valores mudaram. Quem aceita a Cristo tem um novo jeito de viver. O comportamento do mundo não é sadio. Podemos nos acostumar com o adultério, o roubo, o homossexualismo, a violência, porque a mídia despeja estas coisas em nossas casas e nos anestesia. Mas elas são pecado! Mesmo que as leis humanas as autorizem e punam quem as combatam, elas são pecado! A Bíblia diz que são pecado. A santidade é moral, e não gestual, como levantar as mãos, ou de volume nos cânticos. Santidade é caráter de acordo com o padrão bíblico.

4. A santidade é relacional, não mística

Na Idade Média havia os “santos no poleiro”. Eram pessoas que subiam a uma plataforma sobre um alto poste e ali ficavam anos a fio. Alguns, quando retirados, tinham os membros inferiores atrofiados. Isolavam-se do mundo, viviam de comida que lhes davam e ficavam ao relento. Eram inúteis à sociedade. Santos no poleiro não ajudam o mundo em nada.

Vivemos num mundo altamente individualista. Na cultura atual, chamada de pós-moderna, prevalece o individual sobre o coletivo. Somos uma sociedade fragmentada, em que cada um busca seu interesse. Um mundo mesquinho.

A igreja é uma comunidade e não um bando de solitários. “Deus faz que o solitário viva em família” (Sl 102:6) e isto acontece na igreja. Somos postos como família, para nos relacionar uns com os outros. Na igreja nos agrupamos como pessoas para exercitarmos a fé, aprendermos uns dos outros, aperfeiçoarmos uns aos outros, e recebermos forças para vivermos no mundo. Vivemos em grupo, exercemos a fé em grupo, e vivemos no mundo, como cristãos. A vida cristã não é vida no poleiro, mas bondade nas relações (Ef 4:32). O amor cristão não busca seus próprios interesses (1Co 13:5). Volta-se para os outros. A igreja de Jerusalém e Barnabé nos mostram isso (At 4:32-37). Os crentes devem ter vidas entrelaçadas, sendo responsáveis uns pelos outros, como se vê em 2 Coríntios 8:1-5. Muita gente levanta um poleiro espiritual, no culto, onde canta, louva, ora, mas não se envolve com os necessitados nem com a obra do reino em geral. Esta santidade mística é desvirtuada. Santidade é relacional, não intimista, apenas eu e Deus. Sou eu, Deus e meu próximo. Isto é a igreja: Deus e nós, e não Deus e eu. Isto é santidade: relações corretas com Deus e com o próximo.

Quando saímos do culto, fortalecidos pela comunhão com Deus e com os irmãos, vamos ao mundo testemunhar nossa fé. O caráter cristão, prova da nossa fé, se vê em nossas relações. Mostra misericórdia, apoio aos fracos (Rm 15:1, 1 Ts 5:14) e retidão na vida. É melhor ser ingênuo e ultrapassado que ser cruel e frio como o mundo. Deus vê e julga.

A ESSÊNCIA DO CULTO A DEUS - Sl 50.1-23

sábado, 9 de maio de 2020

PASTORES ESQUERDISTAS, LOBOS EM PELE DE CORDEIRO

O BATISMO DE JOÃO E O BATISMO DE JESUS



Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 3.15-18

INTRODUÇÃO

O aparecimento de João foi como o ressoar repentino da voz de Deus. Naquela época os judeus estavam conscientes de que os profetas já não falavam. Dizia-se que durante quatrocentos anos não tinha havido profeta algum. Ao longo de vários séculos a voz da profecia se manteve calada. Tal como eles mesmos diziam: “Não havia voz, nem quem respondesse”. Mas em João voltou a fazer-se ouvir a voz profética.

Quais eram as características de João e sua mensagem?

1 – Denunciava intrepidamente o mal em qualquer lugar que o encontrasse. Se o rei Herodes pecava, contraindo um casamento ilegal e pecaminoso, João o reprovava. Se os saduceus e os fariseus, dirigentes da ortodoxia religiosa daquela época, estavam afundados em um formalismo e ritualismo, João não duvidava em dizer-lhe diretamente. Se as pessoas comuns viviam afastados de Deus, João não temia em dizer-lhes a verdade. Em qualquer lugar que João visse o mal ele o denunciava. Era como uma luz acesa em algum lugar escuro: era como um vento de Deus que varria todo o país.

2 – Convocava os homens à justiça, e o fazia com um profundo sentimento de urgência. A mensagem do João não era uma mera denúncia negativa. Era uma apresentação positiva das exigências morais de Deus. Não somente denunciava a conduta dos homens, pelo que tinham feito, mas sim os convocava a fazer o que deviam fazer.

3 – João vinha de Deus. Sua procedência era o deserto (Lc 1.80). Achegou-se aos homens só depois de ter passado anos de preparação sob a orientação de Deus.

Agora este homem se apresenta não somente denunciando o pecado e falando a respeito da vinda do Messias, mas ele aparece batizando as pessoas que criam em sua mensagem e se arrependiam de seus pecados. No entanto, ele fala que o seu batismo era com água, mas que viria outro que batizaria com o Espírito Santo e com fogo. João deixa claro que havia duas espécies de batismos: um externo e outro interno.

Diante disso, quais as lições que podemos tirar desses versículos?

1 – JOÃO RECONHECIA AS LIMITAÇÕES DO SEU BATISMO (Lc 3.15,16).

O ministério de João Batista teve um resultado estrondoso. Mesmo pregando no deserto, multidões saíam das cidades e vilas para ouvi-lo. Pessoas de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a circunvizinhança do Jordão foram ao encontro dele, e eram por ele batizadas no rio Jordão, confessando seus pecados. No entanto, João deixou claro que o seu batismo era externo, com água, mas viria outro após ele que batizaria com o Espírito Santo e com fogo. João era somente um eco, uma voz, mas o que viria após ele era a verdadeira voz, era o Verbo de Deus.

Podemos ver quatro lições importantes aqui:
1o – João sabia quem ele era (Lc 3.15). João em momento algum colocou-se maior do que era, como é o costume de alguns – muito pelo contrário, ele se anulou. Ele era um servo que não era digno de desatar as correias das alparcas do seu Senhor. O servo ou escravo que lavava os pés dos seus senhores eram os escravos mais inferiores, João, diante de Jesus, não era digno nem de fazer tal coisa. Diferente de alguns pregadores atuais que estão dizendo que são perfeitos iguais a Deus, diferentemente de João se via pequeno e indigno.

2o – Ele sabia exatamente seu lugar e qual a sua missão. As pessoas até poderiam pensar que ele era o Messias, mas João não quis tomar para si esse título que não lhe pertencia. O fato das pessoas pensarem que João poderia ser o Messias não alterou em nada quem ele realmente era. Ele não tomou para si essa prerrogativa. Aliás, ele deixou bem claro isso quando disse a respeito de Jesus: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). No entanto, o que temos visto hoje são pessoas que se pudessem davam um golpe de estado no inferno para tomarem o lugar do diabo.

3o – João reconhece as limitações do seu ministério (Lc 3.16). O batismo de João na água era uma exigência, cujo alvo era a conversão. Eu batizo vocês em direção da conversão ou para dentro da conversão. João batizava para se deixar os pecados, para que se viva em obediência a Deus na nova vida do reinado dos céus. Ele pode batizar com água, mas só Jesus batiza com o Espírito Santo e com fogo. Ele pode administrar o batismo externo, mas o batismo interno que gera a verdadeira bênção, só o Senhor pode realizar. Ele pregava sobre remissão de pecados, arrependimento, mas só Jesus pode perdoar os pecados. O batismo de João tocava somente a superfície e não trazia resultados permanentes. O batismo de Jesus, diferente do de João, gera vida eterna.

4o – João apontava para além de si mesmo (Lc 3.16). João não somente era uma luz que iluminava o mal, uma voz que reprovava o pecado, ele ia além disso, ele era um sinal indicador do caminho para Deus. Ele não desejava que os homens se fixassem nele, seu objetivo era prepará-los para Aquele que havia de vir. Por isso ele diz: “mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Lc 3.16).

2 – O BATISMO DE JESUS É COM O ESPÍRITO SANTO E COM FOGO (Lc 3.16).

João diz que o seu batismo era limitado e externo, mas o batismo do Messias era com o Espírito Santo e com fogo. Muito se tem falado a respeito do batismo com o Espírito Santo e com fogo. Para uns é uma experiência que advém a conversão, para outros é a conversão. No meio pentecostal ele deve ser buscado, pois, segundo eles, é uma segunda bênção. Para outros, existe uma segunda bênção, mas não pode ser chamado de batismo com o Espírito Santo.

No entanto, você não encontra em parte alguma do Novo Testamento uma ordem dada por Jesus ou alguns de seus apóstolos para se buscar o batismo com o Espírito Santo.

Mais afinal o que vem a ser o Batismo com o Espírito Santo e com fogo?

1o – O que é o Batismo com o Espírito Santo e com fogo. O batismo com o Espírito Santo e com fogo não é o que os pentecostais ensinam. O batismo com o Espírito Santo é a conversão.

A expressão batismo com o Espírito Santo e com fogo nos casos de Mateus e Lucas só aparece no contexto da pregação de João Batista. O contexto dessa pregação é o anúncio do Reino dos Céus e a necessidade de arrependimento (mudança de mente) para ingresso nesse reino. O termo grego metanóia – arrependimento – utilizado pelos evangelistas designa a renúncia ao pecado e uma volta a Deus.

O batismo com o Espírito Santo é o ato do Espírito Santo reunir em uma unidade espiritual, pessoas de diferentes origens raciais e formação social, a fim de que se formem o Corpo de Cristo – a ekklesia ou igreja (Rm 12.4,5; 1Co 12.27; Ef 4.4, 5.29,30; Cl 1.24). Como nos fala 1Co 12.13: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito”.

Na realidade a Igreja nasceu no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado sobre o pequeno grupo de discípulos de Jesus, constituindo-os o núcleo do corpo de Cristo. Com isso, podemos afirmar que a Igreja não é uma invenção humana, mas a sua criação veio por intermédio do Espírito Santo.

O batismo com o Espírito Santo não é idêntico à plenitude do Espírito (Gl 5.22-25). O primeiro é um evento que ocorre de uma vez por todas, quando alguém crê em Cristo. A plenitude do Espírito, que significa ser cheio com o Espírito é uma experiência individual que pode ser repetida e tem a ver com a devoção cristã (Ef 5.18 e ss.) e com o ministério (At 4.8, 13.9). Em nenhuma parte o Novo Testamento ordena os crentes a serem batizados com o Espírito Santo, como o faz no sentido de serem cheios com o Espírito Santo (Ef 5.19), pois o batismo é um fato que ocorre por ocasião do início da fé.

2o – O Batismo com o Espírito Santo ocorreu em quatro grupos distintos. Vamos destacar esses quatro grupos e ver porque que o Espírito Santo desceu sobre eles.

1 – O primeiro ocorreu nos dias de Pentecostes, no nascimento da Igreja (At 2.1-21). Esse batismo além de significar o nascimento da igreja, veio também especificamente sobre judeus.

2 – O segundo ocorreu com os samaritanos (At 8.12-17). Os judeus não se davam com os samaritanos por serem um povo misto. A ida de Pedro e João como representantes da igreja de Jerusalém significava a quebra desse preconceito sobre este povo. Por isso que a vinda do Espírito Santo desceu sobre ele só depois que os representantes da igreja de Jerusalém chegaram ali.

3 – O terceiro ocorreu na casa de Cornélio (At 10.44-48). Os judeus procuravam não se envolver com gentios, pois os consideravam impuros (At 10.28). Aqui foi uma quebra de paradigmas e estava se cumprindo aqui o que Jesus havia ordenado em Atos 1.8.

4 – O quarto ocorreu com com os discípulos de João Batista quando Paulo estava em Éfeso (At 19.1-6). Esses representavam a antiga Aliança e a promessa da vinda do Messias.

Mais uma vez eu repito: em nenhuma parte o Novo Testamento ordena os crentes buscarem o batismo com Espírito Santo, como o faz no sentido de serem cheios com o Espírito Santo (Ef 5.19), pois o batismo é um fato que ocorre por ocasião do início da fé.

3o – O que é ser batizado com fogo? Para essa pergunta nós temos duas explicações dentro da Teologia Reformada.

1 – O Batismo de Julgamento – O batismo com fogo, à luz do contexto da pregação de João, é anúncio de julgamento, como podemos depreender dos versículos anterior e posterior: “O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo” (Mt 3.10; Lc 3.9) e “Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga” (Mt 3.12; Lc 3.17).

A partir de Mateus se entende que parte desse discurso agressivo de João é direcionado aos fariseus e saduceus, que apoiavam a sua salvação no fato de serem descendentes de Abraão, pois os mestres rabínicos ensinavam que a todos os descendentes de Abraão segundo a carne será dado o reino eterno, ainda que sejam pecadores e desobedientes a Deus. Mas para João isso não se encaixa no novo reino, “quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes: Raça de víboras! Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima?”. Para um israelita ser chamado de “ninhada de serpentes” era arrasador, pois a velha serpente era sinônimo de mentira e poder das trevas. João estava dizendo que não era a semente de Abraão que estava no coração deles, mas a antiga maldição lançada por Deus sobre a serpente - Satanás. O fogo citado aqui, claramente aponta para o julgamento de Deus e a justa condenação dos ímpios.

Dentro desse contexto João continua sua fala aos fariseus e saduceus e, claro, para aqueles que deveriam estar ali ouvindo toda essa conversa, explicando a eles da vinda do Messias, que seria maior do que ele (Mateus 3.11). Esse Messias estaria apto a oferecer dois batismos, sendo: o batismo com o Espírito Santo: é o batismo do arrependimento, a morte para a velha vida, a purificação dos pecados, a nova vida. E o batismo com fogo: Esse é o batismo no qual os perversos serão batizados, conforme o próprio João explica na sequência: “A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível” (Mateus 3.12).

Assim, o crente verdadeiro não deve ser batizado com esse fogo citado nesse texto, pois se o for, nem mesmo poderá mais ser chamado de crente, pois, na verdade, nunca o foi. Antes, se for batizado com esse fogo citado por João Batista, será um batismo de condenação.

2 – Batismo de misericórdia e purificação. Muitos teólogos acreditam que João está falando aqui sobre dois batismos distintos e opostos, um de graça e o outro de juízo. No entanto, o texto nos diz que o batismo é um só. Observe que o texto diz: “esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Lc 3.16). O evangelista Mateus registrou assim: “ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo” (Mt 3.11).

O fogo aqui é uma imagem de juízo, mas do juízo misericordioso que purifica e limpa, como o fogo do ourives. Podemos dizer que esse fogo do Espírito limpa e purifica como destrói o mal. Aquilo que o batismo com água não consegue fazer o batismo com o Espírito Santo faz.

De acordo com a vasta maioria dos exegetas bíblicos o batismo com o Espírito e com fogo são complementares. João Calvino escreve a esse respeito: “A palavra fogo é acrescentada como um epíteto, e é aplicada ao Espírito, porque ele remove nossa poluição, como fogo purifica o ouro.

De acordo com as Escrituras, foram muitas as vezes em que Deus se revelou ao seu povo usando a figura do fogo. Ele apareceu a Moisés no monte Horebe, numa chama de fogo no meio de uma sarça que ardia e não se consumia (Êx 3.2). Conduziu o povo de Israel pelo deserto durante quarenta anos, nas noites escuras e tenebrosas, por meio de uma coluna de fogo (Êx 13.22). Deus desceu sobre o Sinai em fogo (Êx 19.18). O aspecto da sua glória era como fogo (Êx 24.17). Ali, no Sinai, Deus falou com Moisés do meio do fogo (Dt 4.12). O Senhor respondeu com fogo à oração de Elias e provou ao povo apóstata de Israel que só Ele é Deus (1Rs 18.38). Deus respondeu à oração de Davi com fogo, quando lhe ofereceu sacrifício (1Cr 21.26). No altar do tabernáculo, o fogo era mantido continuamente aceso (Lv 6.9). Desceu fogo do céu quando Salomão acabou de orar, consagrando ao Senhor o templo em Jerusalém, e a glória do Senhor encheu a casa (2Cr 7.1). Elias foi transladado da terra para o céu por um carro de fogo e cavalos de fogo (2Rs 6.17). Isaías orou para que Deus fendesse os céus e descesse e se manifestasse como quando o fogo inflama os gravetos (Is 64.1,2). Zacarias disse que Deus se coloca protetoramente ao nosso redor como muro de fogo (Zc 2.5). Ele fez dos seus ministros labaredas de fogo (Hb 1.7). Nosso Deus é fogo (Hb 12.29). O seu trono é fogo (Dn 7.9). A sua palavra é fogo (Jr 23.29). Jesus batiza com fogo (Mt 3.11; Lc 3.16), e o Espírito Santo desceu no Pentecostes em língua como de fogo (At 2.3).

O Espírito Santo veio sobre a igreja em forma de fogo para que houvesse a purificação do povo escolhido. Não creio que o fogo falado em Mateus e em Lucas represente o fogo do juízo, mas o fogo da santificação.

3 – Haverá um batismo de juízo (Mt 3.12; Lc 3.10,12; Lc 3.17). Assim como há o Batismo da purificação, há também o batismo do juízo. Jesus veio ao mundo para salvá-lo (Jo 3.17,18), mas na sua volta Ele virá como juiz (Mt 7.21-23, Mt 25.31-33; Ap 20.11-15).

A ideia apresentada aqui é de urgência. A vinda de Cristo já chegara, pois Ele já estava no meio do povo; já tinha a pá na mão; o tempo da salvação e do juízo já havia chegado. Naquele instante o Senhor estava peneirando o trigo, para separá-lo da palha. O fogo já estava esperando a palha. Esse fogo não é o fogo dado pelo Espírito, pois esse será para os salvos, mas será um fogo que nunca se apaga e o bicho nunca morre (Mc 9.43-49; Ap 21.8).
O fogo de Deus assim como purifica, queima. Assim como restaura o crente, condena o incrédulo. O fogo Divino ilumina, mas também queima. Traz alegria, mas também gera grande angústia.

CONCLUSÃO

O batismo com o Espírito Santo e com fogo não é o que os pentecostais ensinam. O batismo com o Espírito Santo é a conversão. A plenitude do Espírito é que deve ser buscada para termos uma vida consagrada a Deus. Vimos também que o fogo mencionado por João não fala de julgamento, mas de purificação. No entanto, devemos deixar claro que o Senhor virá como juiz e separará as ovelhas e os bodes, os crentes e os descrentes. Os crentes para a vida eterna e os descrentes para a morte eterna. Os justos para a vida eterna na presença de Deus e os descrentes para longe dele.

O céu é real, mas o inferno também. Não devemos pensar que o amor de Deus o isenta de praticar a sua justiça santa. Longe disso.

Bibliografia:
1 – Barclay, William. Comentário do Novo Testamento, Lucas.
2 – Carson, D. A. O Comentário de Mateus. Editora Shedd, Santo Amaro, S.P., 2017.
3 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, volume 1, Mateus e Marcos. Editora Candeia, São Paulo, SP, 1995.
4 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, volume 2, Lucas e João. Editora Candeia, São Paulo, SP, 1995.
5 – Davidson, F. O Novo Comentário da Bíblia, volume 2. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1987.
6 – Edwards, James R. O Comentário de Lucas. Editora Shedd, Santo Amaro, S.P., 2019.
7 – Hale, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento, Editora Juerp, Rio de Janeiro, RJ, 1986.
8 – Keener, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia, Novo Testamento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2017.
9 – Ladd, George Eldon. Teologia do Novo Testamento, Editora Hagnos, São Paulo, S.P., reimpressão 2014.
10 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Mateus, o Rei dos reis. Comentário Expositivo Hagnos. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2019.
11 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus, o homem perfeito. Comentário Expositivo Hagnos. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017.
12 – MacArthur, John. Comentário do Novo Testamento, Lucas.
13 – Manual Bíblico SBB. Barueri, SP, 3a edição, 2018.
14 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1986.
15 – Rienecker, Fritz. Evangelho de Lucas, Comentário Esperança. Editora Esperança, Curitiba, PR, 2005.
16 –Tasker, R. V. G. Mateus, introdução e comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1985.

UMA MENSAGEM DURA, MAS NECESSÁRIA



Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 3.7-14


A mensagem de João não era uma mensagem evangelística como conhecemos hoje. Geralmente as mensagens ditas evangelísticas hoje costumam se falar assim: “Há um Deus apaixonado por você, que se importa com o que você está sentindo, sofrendo e vivendo. Ele entende a linguagem do seu sofrimento, e Ele é profundamente apaixonado por você!”. No entanto, não foram essas palavras que as pessoas que foram até ao deserto ouviram de João Batista. William Barclay disse que a mensagem de João “não se tratava de boas novas; eram novas de terror”. Porque “essas novas” que estava sendo anunciada denunciava o pecado do povo.

É interessante destacar que João passou a vida no deserto, então não podíamos esperar outra forma de se expressar se não daquilo que ele vivenciou ali. Ele conviveu com cobras, escorpiões, aridez, sol escaldante. Por isso que ele chamou as pessoas que iam até o deserto para vê-lo batizar de “raça de víboras”. Por exemplo, Amós que era um criador de ovelhas e colhedor de figos silvestres, chamou as mulheres de Samaria de “vacas de basã” (Os 4.1), era a linguagem que ele estava acostumado a usar. Essa expressão raça de víboras era uma dura crítica ao pecado que havia se instalado em Israel em sua época. Por isso que em qualquer lugar que João visse o mal, fosse no Estado, na templo, na multidão, intrépidamente ele o denunciava. João era como uma luz acesa em meio a uma total escuridão que havia se instalado em todo o Israel, era como um vento de Deus que varria todo o país.

O relato de Lucas coincide quase textualmente com Mt 3.7-10. Mas, ao contrário de Mateus, Lucas nada diz sobre o grande afluxo de pessoas, particularmente da parte dos fariseus e saduceus, ao batismo de João. Lucas também não diz nada sobre o batismo em si, nem tampouco sobre o alimento e a vestimenta de João (cf. Mc 1.5s; Mt 3.7). Mateus dirige as palavras de arrependimento também aos fariseus e saduceus. De acordo com Lucas, essas palavras de arrependimento, no entanto, são dirigidas ao povo. Marcos aponta mais para aqueles que vinham de Jerusalém. – Ainda que em Lucas as camadas dirigentes, a saber, os fariseus e saduceus, não sejam citados, o espírito predominante da época em todo o povo não deixa de ser criticado com palavras duras.

Quais as lições que podemos aprender com esse texto?

1 – O CHAMADO AO ARREPENDIMENTO É UNIVERSAL (Lc 3.7).

Observe que o sermão de João é dirigido a todos que iam até onde ele se encontrava. João não foi muito polido, podemos dize assim, na forma de ministrar o seu sermão. Ele, tomado pelo Espírito Santo, não pregou para agradar seus ouvintes, mas para feri-los com a espada do Espírito Santo e levá-los ao arrependimento. Ele trouxe uma palavra dura, para um povo de dura cerviz, ou seja, que não dobrava a “nuca” ou o pescoço em reverência ou em submissão a vontade de Deus (At 7.51). Afinal, eles eram o povo da aliança, no entanto a haviam abandonado!

Podemos destacar três coisas aqui:

1o – O sermão de João denuncia a hipocrisia do povo e dos religiosos (Lc 3.7; Mt 3.7). Quando João Batista desmascarou o coração de todo o povo, principalmente dos fariseus e saduceus, com a expressão “raça de víboras”, isso incidiu com impacto no âmago da hipocrisia e do fingimento farisaicos (Mt 5.17 e Mt 23), pois isso abalou as estruturas religiosas de sua época. A nação como um todo se via como povo escolhido de Deus, no entanto, a vida que estavam levando não condizia com o que eles diziam ser. Essa foi a hipocrisia denunciada.

Esta mesma denúncia Jesus fez posteriormente aos líderes religiosos em João 8.41,44: “Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, que é Deus. [Disse Jesus] Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”.

Jesus aqui está se referindo a Satanás que havia enganado Eva com suas mentiras (Gn 3.1-5; 2Co 11.3; Ap 12.9). Por isso João os chama de “raça de víboras”, pois era exatamente assim que eles eram. Entenda uma coisa, na condição de profeta, João denunciava o estado espiritual do povo que ia até ele dentro da visão que Deus tinha. Ele falava o que Deus via. João revela que o veneno que eles carregavam era pior que o veneno da serpente, pois o veneno da serpente foi o próprio Deus quem nelas colocou, mas o veneno da hipocrisia que eles carregavam no coração fora neles colocado pelo diabo.

Os fariseus = os separados, eram os piedosos praticantes do judaísmo. Seu agir inicialmente era excelente e visava erguer o povo humilhado como nação e observar rigorosamente a lei. Posteriormente sua influência tornou-se perniciosa. Não se satisfaziam em cumprir a lei mosaica (Torá), mas também consideravam como compromissiva para a vida e o comportamento a tradição dos pais, os artigos dos anciãos, pelos quais a lei mosaica foi interpretada e ampliada. No tempo Jesus contavam 248 mandamentos e 365 proibições. Com temerosa preocupação cuidavam do cumprimento de todas as determinações da lei cerimonial e eram extremamente meticulosos na prática de obrigações religiosas exteriores (jejuar, lavar-se, orar, dar esmolas, pagar o dízimo e santificar o sábado).

Os saduceus = os justos, derivavam seu nome do rabino Sadoque. Ao contrário dos israelitas ortodoxos, eles eram os livres-pensadores incrédulos, que negavam a doutrina da existência dos anjos, a imortalidade, a ressurreição e o juízo, bem como qualquer influência do regimento universal de Deus sobre as ações das pessoas.

Eram esses líderes que iam até João para verem o seu batismo e, com certeza, criticá-lo.

2o – O sermão de João denuncia a realidade do inferno (Lc 3.7,9). Mais uma vez João usa de uma figura de linguagem. Era muito comum no deserto quando a relva seca pegava fogo os animais que nela se escondiam fugirem de suas tocas para salvar suas vidas se não morreriam queimadas. E dentre muitos animais estavam as serpentes. Jesus usou esta mesma figura de linguagem para se referir aos fariseus e aos saduceus em Mateus 23.33: “Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?”.

João não evitou falar de temas graves como a ira vindoura. É melhor escutar sobre o inferno do que ir para lá. É melhor exortar as pessoas a fugirem da ira vindoura do que acalmá-las com o anestésico da mentira, mantendo-as no caminho da perdição. Você já se perguntou do que Deus lhe salvou? A resposta é simples, talvez você diga: “Ele me salvou dos meus pecados”. “Não. Ele lhe salvou dEle”. Ele lhe salvou da Sua ira. Veja o que nos fala Paulo em Efésios 2.1-3:

E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também”.

3o – A religiosidade não leva ninguém para o céu (Lc 3.8). O que nos salva da ira divina é reconhecimento de que somos pecadores e recebermos Jesus como nosso Salvador pessoal. Isso se chama arrependimento. Mas para os judeus que iam até João e rejeitavam o seu batismo ele mostrava que a religiosidade deles não os impediam de ir para o inferno. Por eles descenderem de Abraão não os tornava melhores que os gentios, aliás, os tornava piores, pois eles conheciam a lei e os gentios não. Os filhos de Abraão são os que tem Jesus como seu salvador pessoal.

A Bíblia é muito clara em relação a esta doutrina. Veja o que Paulo nos diz em Romanos 4.16,17:

Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós, (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem”.

O mesmo nos é apresentado em Gálatas 3.7-9,29:

Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa”.

No Evangelho de João 3.11-13 encontramos o mesmo princípio:

Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.

2 – O CHAMADO AO ARREPENDIMENTO TEM QUE GERAR FRUTOS (Lc 3.8,10-14).

João agora mostra que há uma forma de salvação. Ela ocorre com a conversão e fruto dessa conversão. O arrependimento tem que ser demonstrado através de uma nova vida. Através de atos de bondade não só de palavras.

1o – A palavra “arrependimento” no grego é “metanoia”. O que significa essa palavra no grego secular? Indica a mudança do pensamento, precisamente no sentido de que intelectualmente mudei minha opinião sobre um ou outro assunto. No Novo Testamento a palavra metanoia, por sua vez, não significa mudar a opinião sobre algo qualquer (talvez sobre algumas coisas), mas estende-se sobre a opinião toda e o pensamento todo da pessoa. Quer dizer uma mudança radical de coração.

A metanoia (meia-volta, conversão). A conversão é ato de Deus ou da pessoa? Citemos o seguinte aspecto: A pessoa não pode converter-se a si própria, mas pode deixar-se converter! – Nosso sim a ele, a nosso Senhor, origina-se unicamente do sim de Deus por nós. Nosso não, porém, é unicamente a nossa culpa!

Usando uma ilustração: Quando se joga uma boia salva-vidas a uma pessoa que está se afogando e ela a segura, e de fato a agarra firmemente com toda a sua energia – a pessoa assim resgatada não pode dizer: Eu me salvei, mas terá de dizer: Eu fui resgatada. Da mesma forma, a pessoa salva terá de reconhecer: Se eu não tivesse agarrado com toda a seriedade aquela boia, eu sozinho seria culpado da minha morte nas ondas. Assim, ter sido salvo é um presente. Afogar-se, porém, é culpa!
Conversão não é produto do esforço, mas dádiva! Perder-se, no entanto, é culpa, culpa própria, cem por cento!

2o – João diz que o arrependimento tem que vir acompanhado de frutos (Lc 3.8-14). Um dos melhores exemplos que encontramos na Bíblia a esse respeito é a conversão de Zaqueu. Ele não só se converteu como tentou reparar os erros do passado. Essa é a conversão que João Batista está pregando aqui.

É o que Tiago diz quando aborda em sua carta que a fé sem as obras é morta (Tg 2.14-18). A fé tem que vir acompanhada de testemunho de vida e não só de palavras. Paulo fala a mesma coisa em Efésios 4.28: “Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade”.

O arrependimento tira o egoísmo do coração do homem. É o resumo da lei: “amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” (Mt 22.37-39).

3 – A SECULARIDADE DA VIDA É CULTO A DEUS (Lc 3.10-14).

Muitas pessoas pensam que culto é o momento que passamos juntos para adorar a Deus, mas, na verdade, o culto é vida que levamos. Estamos em culto em tudo que fazemos de forma honesta. Veja o que o Senhor Jesus nos diz em Mateus 5.16: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”. Deus será glorificado em nossas vidas lá fora, na nossa vida secular. Deus é glorificado em nosso testemunho diário em um mundo em trevas.

João mostra que a vida é um culto e ele se revela nas nossas atitudes.

1o – João fala de um Evangelho social (Lc 3.10,11). João diz que não devemos ser egoístas, mas compartilhar nossos bens com os que estão passando por necessidade, pois Deus nunca absolverá ao homem que se contente tendo muito enquanto outros têm pouco (Pv 19.17; Lc 6.38; Rm 12.19-21; Tg 2.14-16; 1Jo 3.17,18).

2o – João fala de um Evangelho de gente honesta (Lc 3.12-14). Ordenava aos homens não deixarem seus trabalhos, e sim trabalhar com honestidade, fazendo seu trabalho como devia ser feito. Que o coletor de impostos seja um bom funcionário, que um soldado seja um bom defensor. O dever do homem era servir a Deus onde Ele o tinha posto. João estava convencido de que em nenhuma parte se pode servir a Deus melhor que no trabalho diário. O nosso culto é prestado a Deus lá fora no mundo.

Como nos fala o autor de Hebreus 13.12,13: “E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério”.

O culto a Deus não começa aqui dentro, começa lá fora. Na minha vida secular, no meu relacionamento em meu lar, na escola, na faculdade, no trabalho, no laser. A fé cristã não se limita o estar dentro da igreja, nas manifestações de adoração que exercemos quando nos reunimos para culto. Por exemplo, o louvor não começa quando eu me reúno para o culto, na verdade o louvor não começa, ele é uma continuidade lá de fora. Pois louvor é vida! A adoração dentro da igreja só é legitimado quando manifesto no meu dia a dia lá fora. No secular. Pois ele é uma extensão do que eu fiz do lado de fora do portão.

CONCLUSÃO

A mensagem de João Batista foi uma mensagem dura, mas necessária. Ela foi um alerta para as multidões que iam até ele para serem batizadas. João chamou a atenção para a hipocrisia que estava sendo a religião que estavam praticando. Era uma religião descompromissada com Deus, havia sacrifício de animais, mas não sacrifício de vida. Havia culto, mas não havia adoração verdadeira. O povo era o reflexo dos líderes religiosos da época. Foi contra essa hipocrisia que João criticou de forma tão veemente. João estava preparando o coração do povo para a vinda do Messias. João deixou claro que o Messias tinha o seu machado na mão e cortaria toda árvore que não estivesse dando bom fruto.

Hoje, assim como nos dias de João, devemos entender que a nossa religião deve der pautada numa fé demonstrada na vida fora da igreja e refletida dentro dela. Que a adoração é vivida na vida secular, onde Deus será exaltado através do nosso viver diário. Como nos fala um antigo hino: “Se eu tiver Jesus ao lado e por Ele auxiliado, se por Ele for mandado, aonde quer que for irei”. E onde estivermos, ali será lugar de culto e adoração, pois Deus se faz presente em nossas vidas.

Pense nisso!

Bibliografia:

1 – Barclay, William. Comentário do Novo Testamento, Mateus.

2 – Barclay, William. Comentário do Novo Testamento, Lucas.

2 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, volume 2, Lucas e João. Editora Candeia, São Paulo, SP, 1995.

3 – Davidson, F. O Novo Comentário da Bíblia, volume 2. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1987.

4 – Keener, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia, Novo Testamento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2017.

5 – Lopes, Hernandes Dias. Mateus, Jesus, Rei dos reis. Comentário Expositivo Hagnos. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2019.

6 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus, o homem perfeito. Comentário Expositivo Hagnos. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017.

7 – MacArthur, John. Comentário Bíblico. Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2019.

8 – Manual Bíblico SBB. Barueri, SP, 3a edição, 2018.

9 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1986.

10 – Rienecker, Fritz. Evangelho de Mateus, Comentário Esperança. Editora Esperança, Curitiba, PR, 2017.

11 – Rienecker, Fritz. Evangelho de Lucas, Comentário Esperança. Editora Esperança, Curitiba, PR, 2005.

12 – Tasker, R. V. G. Mateus, Introdução e Comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1980.