Nossa geração é a primeira geração de cristãos em que se faz seriamente a pergunta: Quanto tempo posso gastar em entretenimento? Em toda a minha leitura a respeito dos séculos XVI e XVII, nunca me deparei uma única vez com essa pergunta sendo feita de alguma forma séria. Não é que esses séculos, ou os cristãos que viveram neles, eram anti-lazer – um bando de estraga-prazeres! Eles não eram. Ninguém fez mais para dispersar essa caricatura dos puritanos do que Leland Ryken em seu corretamente elogiado livro, Santos no Mundo.
"(...) é extremamente fácil tornar-se um viciado e cair em frente à TV por 3, 4, ou até mesmo 6 horas consecutivas."
Não obstante, esta é uma geração na qual o tempo livre foi inserido na estrutura da semana como um direito. Nós temos tempos reservados para entretenimento - sexta-feira à noite, o final de semana... Isso inclui (infelizmente!) as tardes de domingo, apesar dos fortes textos bíblicos que nos advertem quanto às conseqüências (veja, se desejar, Is. 58:13-14). De alguma forma, nunca nos ocorre perguntar por que é que nós nunca lemos a respeito de Jesus ou dos discípulos simplesmente "se divertindo". Não há nenhuma palavra sobre Paulo "dando uma saída" com os rapazes em Éfeso ou Corinto. O que a Bíblia tem a dizer sobre o lazer e o modo com que deveríamos fazer uso dele?
Eis aqui um princípio, enganador com certeza e com boa probabilidade de ser distorcido, mas, ainda assim, bíblico: Deus nos deu um padrão, um ritmo se você preferir, de um dia seguido de seis. Um dia de “descanso” seguido por seis dias de “trabalho”. Deixando de lado por um minuto a questão sobre a propriedade de usar o Dia do Senhor para entretenimento, o princípio que parece ser mais ou menos correto é que não há nada impróprio em se gastar aproximadamente 15% da semana, uma ou duas horas por dia, entretendo-se.
Mas aqui está o ponto: é extremamente fácil tornar-se um viciado e cair em frente à TV por 3, 4, ou até mesmo 6 horas consecutivas. Isso é deixar o entretenimento fugir ao controle. Não é que algumas horas são ruins para nós (é claro que isso depende do que se está assistindo!); é só que, como talvez dissesse Paulo, não convém*.
"Nós temos filmes, shopping centers e MP3 players e ainda assim o lamento “não tenho nada para fazer” ainda pode ser ouvido, alto e claro."
É verdade que, diante de todo o entretenimento disponível, talvez a nossa geração seja uma geração entediada. Nós temos filmes, shopping centers e MP3 players e ainda assim o lamento “não tenho nada para fazer” ainda pode ser ouvido, alto e claro. Uma recente pesquisa revelou que 71% das pessoas querem mais "novidade" em suas vidas. O tédio está em alta. O Dr. Richard Winter, um psicólogo do Covenant Theological Seminary (o seminário oficial da PCA – Presbiterian Church in America**) sugere que os americanos estão sendo entretidos até a morte. "O tédio pode vir logo após a excitação. Há um sentido no qual você precisa de cada vez mais e mais excitação, mais estímulo para mantê-lo interessado", ele escreve. O "Fator Medo" mostra que as pessoas farão coisas cada vez mais grosseiras e asquerosas para achar o requerido entusiasmo do entretenimento.
Em seu livro, Still Bored in a Culture of Entertainment (Ainda Enfadado em uma Cultura de Entretenimento), o Dr. Winter examina como o tédio aumentou conforme mais tempo livre tornou-se disponível. Na realidade, ele afirma que a pessoa média hoje tem aproximadamente 33.000 horas a mais de lazer do que uma pessoa que viveu na metade dos anos 1800.
Winter diz: "Estas são buscas viciosas, que causam dependência, de forma que as pessoas gastam horas e horas, e isso se torna a sua realidade. Elas vivem em uma realidade virtual, em vez da realidade real do mundo de Deus, o universo físico em que estamos inseridos."
Aqui vai uma idéia que certamente vai revolucionar nossa avaliação do valor do entretenimento: comece a ler livros novamente! Nunca houve um tempo em que os melhores livros estiveram mais disponíveis do que no presente. Algumas horas por dia lendo boa literatura nos recompensariam graciosamente.
“A predestinação para a vida é o eterno propósito de Deus, pelo qual (antes de lançados os fundamentos do mundo) tem constantemente decretado por seu conselho, a nós oculto, livrar da maldição e condenação os que elegeu em Cristo dentre o gênero humano, e conduzi-los por Cristo à salvação eterna, como vasos feitos para honra. Por isso os que se acham dotados de um tão excelente benefício de Deus, são chamados segundo o propósito de Deus, por seu Espírito operando em tempo devido; pela graça obedecem à vocação; são justificados gratuitamente; são feitos filhos de Deus por adoção; são criados conforme à imagem de seu Unigênito Filho Jesus Cristo; vivem religiosamente em boas obras, e, enfim, chegam, pela misericórdia de Deus, à felicidade eterna”. (XVII Artigo de Religião – Predestinação e Eleição).
“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou, também justificou; aos que justificou também glorificou” (Romanos 8:28-30). Nestes dois versículos Paulo esclarece o que quis dizer no versículo 28 ao referir-se ao “propósito” de Deus, segundo o qual ele nos chamou e age para que tudo contribua para o nosso bem. Ele analisa o “bem” segundo os parâmetros de Deus, bem como o seu propósito de salvação, através de cinco estágios, desde que a idéia surgiu em sua mente até a consumação do seu plano na glória vindoura. Segundo o apóstolo, esses estágios são: presciência, predestinação, chamado, justificação e glorificação. Primeiro há uma referência a aqueles que Deus de antemão conheceu. Essa alusão a “conhecer de antemão”, isto é, saber de alguma coisa antes que ela aconteça, tem levado muitos comentaristas, tanto antigos como contemporâneos, a concluir que Deus prevê quem irá crer e que essa presciência seria a base para a predestinação. Mas isso não pode estar certo, pelo menos por duas razões.
A primeira é que neste sentido Deus conhece todo mundo e todas as coisas de antemão, ao passo que Paulo está se referindo a um grupo específico.
Segundo, se Deus predestina as pessoas porque elas haverão de crer, então a salvação depende de seus próprios méritos e não da misericórdia divina; Paulo, no entanto, coloca toda a sua ênfase na livre iniciativa da graça de Deus. Assim, outros comentaristas nos fazem lembrar que no hebraico o verbo “conhecer” expressa muito mais do que mera cognição intelectual; ele denota um relacionamento pessoal de cuidado e afeição. Portanto, se Deus “conhece” as pessoas, ele sabe o que passa com elas [138]; e quando se diz que ele “conhecia” os filhos de Israel no deserto, isto significa que ele cuidava e se preocupava com eles.[139] Na verdade Israel foi o único povo dentre todas as famílias da terra a quem Javé “conheceu”, ou seja, amou, escolheu e estabeleceu com ele uma aliança. [140] O significado de “presciência” no Novo Testamento é similar. “Deus não rejeitou o seu povo [Israel], o qual de antemão conheceu”, isto é, a quem ele amou e escolheu (11:2). [141] À luz deste uso bíblico John Murray escreve: “’Conhecer’... É usado em um sentido praticamente sinônimo de ‘amar’... Portanto, ‘aqueles que ele conheceu de antemão’... é virtualmente equivalente a ‘aqueles que ele amou de antemão”.[142] Presciência é “amor peculiar e soberano”. [143] Isto se encaixa com a grande declaração de Moisés: “Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu, porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo... mas porque o Senhor vos amava...”. [144] A única fonte de eleição e predestinação divina é o amor divino.
Segundo, aqueles que [Deus] de antemão conheceu, ou que amou de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos (29). O verbo predestinou é uma tradução de proorizõ que significa “decidiu de antemão” (BAGD), como se vê em Atos.4:28 (“Fizeram o que o teu poder e tua vontade haviam decidido de antemão que acontecesse”). É, pois, evidente que o processo de tornar-se um cristão implica uma decisão; antes de ser nossa, porém, tem de ser uma decisão de Deus. Com isso não estamos negando o fato de que nós “nos decidimos por Cristo”, e isso livremente; o que estamos afirmando é que, se o fizemos, é só porque, antes disso, ele já havia “decidido por nós”. Esta ênfase na decisão ou escolha soberana e graciosa de Deus é reforçada pelo vocabulário com o qual ela está associada. Por um lado, ela é atribuída ao “prazer” de Deus, a sua “vontade”, “plano” e “propósito”, [145] e por outro lado, já existia “antes da criação do mundo” [146] ou “antes do princípio das eras”. [147] C. J. Vaughan resume esta questão nas seguintes palavras:
Cada um que se salva no final só pode atribuir sua salvação, do primeiro ao último passo, ao favor e à ação de Deus. O mérito humano tem de ser excluído: e isto só pode acontecer voltando às origens do que foi feito e que se encontra muito além da obediência que evidencia a salvação, ou mesmo da fé a que ela é atribuída; ou seja, um ato de espontâneo favor da parte daquele Deus que antevê e pré-ordena desde a eternidade todas as suas obras. [148]
Este ensino não pode se minimizado. Nem a Escritura nem a experiência nos autoriza faze-lo. Se apelarmos para a Escritura, veremos que no decorrer de todo o Antigo Testamento se reconhece ser Israel “a única nação na terra” a quem Deus decidiu “resgatar para ser seu povo”, escolhido para ser sua “propriedade peculiar”; [149] e em todo o Novo Testamento se admite que os seres humanos são por natureza cegos, surdos e mortos, de forma que sua conversão é impossível, a menos que Deus lhes dê vista, audição e vida. Nossa própria experiência confirma isso. O Dr. J. I. Packer, em sua excelente obra O Evangelismo e a Soberania de Deus,[150] aponta que, mesmo que neguem isso, a verdade é que os cristãos crêem na soberania de Deus na salvação. “Dois fatos demonstram isso”, ele escreve. “Em primeiro lugar, o crente agradece a Deus pela sua conversão. Ora, por que o crente age assim? Porque sabe em seu coração que Deus foi inteiramente responsável por ela. O crente não se salvou a si mesmo; Deus o salvou. (…) Há um segundo modo pelo qual o crente reconhece que Deus é soberano na salvação. O crente ora pela conversão de outros... roga a Deus para que opere neles tudo quanto for necessário para a salvação deles”. Assim os nossos agradecimentos e a nossa intercessão provam que nós cremos na soberania divina. “Quando estamos de pé podemos apresentar argumentos sobre a questão; mas, postados de joelhos, todos concordamos implicitamente”. [151] Mesmo assim há mistérios que permanecem. E, como criaturas caídas e finitas que somos, não nos cabe o direito de exigir explicações ao nosso Criador, que é perfeito e infinito. Não obstante, ele lançou luz sobre o nosso problema de tal maneira a contradizer as principais objeções que são levantadas e a mostrar que a predestinação gera conseqüências bem diferentes do que se costuma supor.
Vejamos cinco exemplos:
1. Dizem que a predestinação gera arrogância, uma vez que (alega-se) os eleitos de Deus se gloriam de sua condição privilegiada. Mas o que acontece é justamente o contrário: a predestinação exclui a arrogância, pois afinal, não dá para entender como Deus pode se compadecer de pecadores indignos como eles! Humilhados diante da cruz, eles só querem gastar o resto de suas vidas “para o louvor da sua gloriosa graça” [152] e passar a eternidade adorando o Cordeiro que foi morto. [153]
2. Dizem que a predestinação produz incerteza e que cria nas pessoas uma ansiedade neurótica quanto a serem ou não predestinadas e salvas. Mas não é bem assim. Quando se trata de incrédulos, eles nem se preocupam com a sua salvação – até que, e a não ser que, o Espírito Santo os convença do pecado, como um prelúdio para a sua conversão. Mas, se são crentes, mesmo que estejam passando por um período de dúvida, eles sabem que no final a sua única certeza consiste na eterna vontade predestinadora de Deus. Não há nada que proporcione mais segurança e conforto do que isso. Como escreveu Lutero ao comentar o versículo 28, a predestinação “é uma coisa maravilhosamente doce para quem tem o Espírito”. [154]
3. Dizem que a predestinação leva à apatia. Afinal, se a salvação depende inteiramente de Deus e não de nós, argumentam, então toda responsabilidade humana diante de Deus perde a razão de ser. Uma vez mais, isso não é verdade. A Escritura, ao enfatizar a soberania de Deus, deixa muito claro que isso não diminui em nada a nossa responsabilidade. Pelo contrário, as duas estão lado a lado em uma antinomia, que é uma aparente contradição entre duas verdades. Diferentemente de um paradoxo, uma antinomia “não é deliberadamente produzida; ela nos é imposta pelos próprios fatos... Nós não a inventamos e não conseguimos explicá-la. Não há como nos livrar dela, a não ser que falsifiquemos os próprios fatos que nos levaram a ela”. [155] Um bom exemplo se encontra no ensino de Jesus quando declarou que “ninguém pode vir a mim, se o Pai... não o atrair” [156] e que “vocês não querem vir a mim para terem vida”. [157] Por que as pessoas não vão a Jesus? Será porque não podem? Ou é porque não querem? A única resposta compatível com o próprio ensino de Jesus é: “Pelas duas razões, embora não consigamos conciliá-las”.
4. Dizem que a predestinação produz complacência e gera antinomianos. Afinal, se Deus nos predestinou para a salvação eterna, por que não podemos viver como nos agrada, sem restrições morais, e desafiar a lei divina? Paulo já respondeu esta questão no capítulo 6. Aqueles que Deus escolheu e chamou, ele os uniu com Cristo em sua morte e ressurreição. E agora, mortos para o pecado, eles renasceram para viver para Deus. Paulo escreve também em outro lugar que “Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença”. [158] Ou melhor, ele nos predestinou para sermos conformes à imagem de seu Filho (29).
5. Dizem que a predestinação deixa as pessoas bitoladas, pois os eleitos de Deus passam a viver voltados apenas para si mesmos. Mas o que acontece é o contrário. Deus chamou um único homem, Abraão, e sua família apenas, não para que somente eles fossem abençoados, mas para que através deles todas as famílias da terra pudessem ser abençoadas. [159] Semelhantemente, a razão pela qual Deus escolheu seu Servo, a figura simbólica de Isaías que vemos cumprida parcialmente em Israel, mas especialmente em Cristo e em seu povo, não foi apenas para glorificar Israel, mas para trazer luz e justiça às nações. [160][161] Assim, Deus fez de nós seu “povo exclusivo”, não para nos tornarmos seus favoritos, mas para que fôssemos suas testemunhas, “para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. [162]
Portanto, a doutrina da predestinação divina promove humildade, não arrogância; segurança e não apreensão; responsabilidade e não apatia; santidade e não complacência; e missão, não privilégio. Isso não significa que não existam problemas, mas é uma indicação de que estes são mais intelectuais do que pastorais. E o ponto que Paulo quer enfatizar no versículo 29 é, com toda certeza, pastoral. Tem a ver com dois propósitos práticos da predestinação de Deus. O primeiro é que nós devemos ser conformes [viver de conformidade com] à imagem de seu Filho. Ou, dito da forma mais simples possível, o eterno propósito de Deus para seu povo é que nos tornemos como Jesus. O processo de transformação começa aqui e agora, em nosso caráter e conduta, por meio da obra do Espírito Santo, [163] mas só será completado e aperfeiçoado quando Cristo vier e nós o virmos, [164] e quando nossos corpos se tornarem como o corpo de sua glória. [165]
O segundo propósito da predestinação de Deus é que, como resultado de nos tornarmos conformes à imagem de Cristo, ele passe a ser o primogênito entre muitos irmãos, desfrutando da comunhão da família como também da prerrogativa de ser o primogênito. [166]
Vamos agora à terceira afirmação de Paulo: E aos que predestinou, também chamou (30a). O chamado de Deus é a aplicação histórica da sua predestinação eterna. Seu chamado chega às pessoas por meio do evangelho; [167] quando esse evangelho é anunciado a elas com poder e elas lhe respondem com a obediência da fé, aí é que se sabe que Deus as escolheu. [168] Assim a evangelização (o anúncio do evangelho), longe de se tornar supérflua em virtude da predestinação de Deus, é indispensável, pois é exatamente ela o meio proporcionado por Deus para que o seu chamado chegue às pessoas e desperte a sua fé. Fica, pois, evidente que aqui, quando Paulo fala do “chamado de Deus”, não se trata daqueles apelos generalizados do evangelho, mas sim da convocação divina que levanta os espiritualmente morto e lhes dá vida. Geralmente se chama isso de chamado “efetivo” de Deus. Aqueles a quem Deus dirige esse chamado (30) são os mesmos que “foram chamados de acordo com o seu propósito” (28).
Em quarto lugar, aos que chamou, também justificou (30b). O chamado efetivo de Deus capacita aqueles que o ouvem a crer; e aqueles que crêem são justificados pela fé. Como a justificação pela fé é um assunto dominante nos capítulos anteriores desta carta de Paulo, não há necessidade de se repetir o que já foi dito, a não ser talvez enfatizar que a justificação é muito mais do que simples perdão ou absolvição, ou mesmo aceitação; é uma declaração de que nós, pecadores, agora somos justos aos olhos de Deus, pois ele nos conferiu o status de justos, que na verdade trata-se da justiça do próprio Cristo. É “em Cristo”, em virtude da nossa união com ele, que nós fomos justificados. [169] Ele se fez pecado com o nosso pecado, para que nós pudéssemos nos tornar justos com a sua justiça. [170]
Quinto, aos que justificou, também glorificou (30c). Já por diversas vezes Paulo usou o substantivo “glória”. Trata-se essencialmente da glória de Deus, a manifestação do seu esplendor, a glória da qual todos os pecadores estão destituídos (3:23), mas que se regozijam na esperança de recobrar (5:2). Paulo promete também que se participarmos dos sofrimentos de Cristo iremos participar também da sua glória (8:17), e que a própria criação irá um dia experimentar a liberdade da glória dos filhos de Deus (8:21). Agora ele usa o verbo: aos que justificou, também glorificou. Nosso destino é receber corpos novos em um mundo novo, e ambos serão transfigurados com a glória de Deus. Muitos estudiosos percebem que o processo da santificação, que ocorre entre a justificação e a glorificação, foi omitido no versículo 30. No entanto, ele está implícito ali, tanto na alusão a sermos conformados à imagem de Cristo, como na preliminar necessária para nossa glorificação. Pois “santificação é glória iniciada; glória é santificação consumada”. [171] Além disso, tão certo é esse estágio final que, embora ainda se encontre no futuro, Paulo o coloca no mesmo tempo aoristo, como se fosse um fato passado, tal como tem usado para os outros quatro estágios que já são passado. É o assim chamado “passado profético”. James Denney escreve que “o tempo da última palavra é impressionante. É a mais ousada antecipação de fé que o próprio Novo Testamento contém”. [172] Na verdade estas promessas serviram de grande estímulo para Paulo (como deveriam ser também para nós) quando ele, num ato de grande ousadia, decidiu ampliar sua visão evangelística para alcançar os gentios.
Vimos aqui, portanto, as cinco afirmações incontestáveis apresentadas por Paulo. Deus é retratado como alguém que se move irresistivelmente de um estágio ao outro; de uma presciência e predestinação eternas, através de um chamado e uma justificação históricos, para a glorificação final de seu povo em uma eternidade futura. Faz-nos lembrar uma cadeia composta de cinco elos inquebráveis.
NOTAS: [136] Jeremias 29.11. [137] At 2.23; cf. 4.27. [138] Sl. 1.6; 144.3. [139] Os 13.5. [140] Am 3.2. [141]Cf. 1 Pe 1.2. [142] Murray, vol. I, p. 317. [143]Ibid., p. 318. [144] Dt 7.7s.; cf. Ef 1.4s. [145] Ef 1.5,9,11; 3.11. [146] Ef 1.4. [147] 1 Co 2.7; 2 Tm 1.9; cf. 1 Pe 1.20; Ap 13.8. [148] Vaughan, 9. 163. [149] 2 Sm 7.22ss; cf. Êx 19.3ss; Dt 7.6; 10.15; 14.2; Sl 135.4. [150] Edições Vida Nova, 1961. [151]Ibid., pp. 13ss. [152] Ef 1.6,12.14. [153] Ap 5.11ss. [154] Lutero (1515), p. 371. [155] Packer, op. cit., p. 21. [156] Jo 6.44. [157] Jo 5.40. [158] Ef 1.4; cf 2 Tm 1.9. [159] Gn 12.1ss. [160] Is 40.1ss; 49.5ss. [161] Ver; por exemplo, At 13.47; 26.23. [162] 1 Pe 2.9ss. [163] 2 Co 3.18. [164] 1 Jo 3.2ss. [165] 1 Co 15.49; Fp 3.21. [166]Cf. Cl 1.18. [167] 2 Ts 2.13s. [168] 1 Ts 1.4s. [169] Gl 2.17. [170] 2 Co 5.21. [171] Bruce, p. 168. [172] Denney, p. 652. Fonte: STOTT, John. A Mensagem de Romanos. Trad. Silêda e Marcos D S Steuernagel. 1ed. São Paulo: ABU Ed., 2000. 528p.; pp. 300-306.Via: Monergismo
Psicólogos concluíram que sentir-se amado é a principal necessidade do ser humano. Por amor, subimos montanhas, atravessamos mares, cruzamos desertos e enfrentamos todo tipo de adversidade. Sem amor, montanhas tornam-se insuperáveis, mares intransponíveis, desertos insuportáveis e dificuldades avoluma-se pela vida afora.
A psicóloga Dorothy Tennov desenvolveu longos estudos sobre o fenômeno paixão. Após estudar os comportamentos entre os casais, ela concluiu que o tempo médio de extensão da obsessão romântica é de dois anos. Se a paixão foi um fruto proibido, talvez dure um pouco mais.
Bem vindos ao mundo real do casamento, onde fios de cabelo sempre estarão na pia e respingos brancos da pasta de dente estarão no espelho; discussões ocorrem por causa do lado de se colocar o papel higiênico: se a folha deve ser puxada por baixo ou por cima. É um mundo onde os sapatos não andam até o guarda-roupa e as gavetas não fecham sozinhas; os casacos não gostam de cabides e pés de meia somem quando vão para a máquina de lavar. Nesse mundo, um olhar pode machucar, uma palavra pode quebrar. Amantes podem tornar-se inimigos e o casamento um campo de batalha.
A principal falha na informação é o falso conceito de que a paixão dura para sempre.
O psiquiatra M. Scott Peck concluiu que apaixonar-se não é amor verdadeiro, por três razões:
I.Apaixonar-se não é um ato da vontade nem uma escolha consciente. Não importa o quanto desejemos, não conseguimos apaixonar-mos voluntariamente.
II.Apaixonar-se não é amor verdadeiro porque não implica em nenhuma participação de nossa parte. Qualquer coisa que façamos apaixonados, requererá pouca disciplina e esforço. Os longos e dispendiosos telefonemas realizados, o dinheiro gasto em viagem para ficar juntos, os presentes, todo trabalho envolvido, nada representam.
III.A pessoa apaixonada não está genuinamente interessada em incentivar o crescimento pessoal daquela por quem nutre sua paixão. Se temos algum propósito em mente ao nos apaixonarmos, é o de terminar nossa própria solidão e, talvez, assegurar essa solução através do casamento. A paixão não se focaliza em nosso crescimento pessoal e nem tampouco no da outra pessoa amada. Pelo contrário, a sensação é a de que já se chegou onde se deveria alcançar e não é necessário crescer mais.
Se apaixonar-se não é amor, então o que é? Dr. Peck afirma: É um componente instintivo e geneticamente determinado do comportamento de acasalamento. Em outras palavras, um colapso temporário das reservas do ego que constituem o apaixonar-se; é uma reação estereotipada do ser humano a uma configuração de tendências sexuais internas e estimulações sexuais externas, as quais designam-se ao crescimento da probabilidade da união e elo sexual, tendo em vista a perpetuação da espécie.
Quer concordemos ou não com essa conclusão, os que se apaixonaram e saíram desse estado de paixão, concluirão que essa experiência arremessa-nos a um órbita emocional diferente de qualquer outra que porventura experimentemos. A tendência é o rompimento com a nossa razão, o que nos leva a fazer e dizer coisas que nunca faríamos ou diríamos em momentos de maior sobriedade.
Quando a onda da emoção passa e voltamos ao mundo real, onde as diferenças são notórias, quantos já fizerem para si a pergunta: Por que me casei? Não combinamos em nada.
Quando a paixão murcha, apenas uma coisa é certa sobre nosso comportamento: não será o mesmo da época em que estávamos apaixonados. O que fazemos um para o outro antes do casamento não é garantia de que continuaremos a fazer depois de casados.
Isso significa que, por termos sido fisgados dentro da ilusão da paixão, encontramo-nos agora frente a duas opções: 1. Estamos destinados a uma vida miserável com nosso cônjuge, ou 2. Devemos nos separar e tentar novamente?
As pesquisas realizadas parecem indicar que existe uma terceira e melhor alternativa: reconhecer que a paixão é o que é – um pico emocional temporário – e então desenvolver o amor verdadeiro com nosso cônjuge. Esse tipo de sentimento é de natureza emocional, mas não obsessivo. É o amor que une razão e emoção. Envolve um ato da vontade e requer disciplina, pois reconhece a necessidade de um crescimento pessoal. Nossa necessidade emocional básica não é apaixonar-se, mas ser genuinamente amado pelo outro; é conhecer o amor que cresce com base na razão e na escolha e não no instinto. Preciso ser amado por alguém que escolheu me amar, que vê em mim algo digno de ser amado.
Esse tipo de amor requer esforço e disciplina. É a escolha que fazemos de gastar nossa energia em benefício da outra pessoa, sabendo que, se sua vida é enriquecida por nosso esforço, também nos sentimos satisfeitos – a satisfação de termos realmente amado alguém. Não exige a euforia na experiência da paixão. Na verdade, o amor verdadeiro não começa enquanto a experiência da paixão não tiver seguido seu curso.
Essa é uma boa notícia aos casais que perderam seus sentimentos de paixão. Se o amor é uma opção, então eles possuem a capacidade de amar após a experiência da paixão haver passado e regressarem ao mundo real. Esse tipo de amor inicia-se com uma atitude – o modo de pensar. Amor é a atitude que diz: Sou casado com você e escolho lutar pelos seus interesses.
Enquanto a paixão é avassaladora, ela mascara e supera as necessidades eventualmente não supridas pelo parceiro, mas quando a paixão se estabiliza, precisamos aprender como suprir as profundas necessidades de amor do parceiro.
Quando o casal começa a falar os dialetos certos, os “tanques de amor” de ambos começam a encher.
Mas, como fazer isso? Raramente encontramos algum casal onde ambos possuam a mesma linguagem do amor. Normalmente as pessoas utilizam diferentes linguagens para se comunicarem, gerando muita confusão e pouco entendimento.
O mesmo acontece no âmbito do amor. Sua linguagem emocional e a de seu cônjuge podem ser tão diferentes quanto é o idioma chinês do inglês. Não importa o tanto que você se esforce para manifestar seu amor em inglês, se seu cônjuge só entende chinês; jamais conseguirão entender o quanto se amam.
Vejamos quais as espécies de linguagem do amor podemos distinguir:
PRIMEIRA LINGUAGEM DO AMOR: PALAVRAS DE AFIRMAÇÃO
Elogios verbais e palavras de apreciação são poderosos comunicadores do amor. São os melhores comunicados em forma de expressão direta e simples, como: “Você ficou tão elegante com esse terno”; “Você está muito bem com esse vestido”; “Ninguém faz essas batatas melhor que você”.
Não sugiro que use de bajulação para conseguir o que deseja de seu cônjuge. O objetivo do amor não é obter o que se quer, mas fazer algo pelo bem-estar daquele a quem se ama. É verdade, porém, que ao recebermos palavras elogiosas, de afirmação, tornamo-nos mais motivados a sermos recíprocos e a fazermos algo que nosso cônjuge deseje.
Além de elogios verbais, outra maneira de expressar palavras de afirmação é com palavras encorajadoras.
Em determinadas fases da vida todos nós nos sentimos inseguros. Não possuímos a coragem necessária, e esse medo impede-nos de realizarmos certos atos positivos que gostaríamos de concretizar. O potencial latente do seu cônjuge, nestas áreas de instabilidade, talvez espere suas palavras de encorajamento.
Encorajamento requer empatia que nos leva a enxergar o mundo segundo a perspectiva de nosso cônjuge. Devemos, em primeiro lugar, procurar saber o que é importante para ele.
Se desejamos desenvolver um relacionamento precisamos saber quais são os desejos da pessoa amada. Se queremos amar um ao outro, precisamos saber como fazê-lo.
A melhor coisa que podemos fazer com os fracassos do passado é torná-los em simples história. Sim, eles ocorreram, e machucaram. E talvez ainda magoem, mas ele reconheceu seu erro e pediu o seu perdão.
O perdão não é um sentimento, mas um compromisso. É a opção de se mostrar misericórdia e não de se jogar a ofensa no rosto do ofensor. Perdão é uma expressão de amor.
Palavras humildes: quando alguém faz um pedido a seu cônjuge, afirma as habilidades dele. Faz entender que ele possui, ou pode fazer algo, que é significativo ou valioso para o outro. No entanto, quando dá ordens, torna-se um tirano. Seu cônjuge não se sentirá afirmado, mas diminuído.
SEGUNDA LINGUAGEM DO AMOR: QUALIDADE DE TEMPO
Ter um tempo de qualidade com seu cônjuge. Querer ser alvo da sua atenção, que lhe dedique mais tempo e possam realizar algumas atividades juntos.
Qualidade de tempo significa dedicar a alguém sua inteira atenção, sem dividi-la. Não é sentar no sofá e assistir TV. É assentar-se ao sofá, com a TV desligada, olhar um para o outro e conversar, no processo de dedicação mútua. É dar um passeio juntos, só os dois. É ambos saírem para comer fora.
O aspecto central da qualidade de tempo é estar sempre juntos. Não quero dizer simples proximidade. Duas pessoas sentadas em uma mesma sala estão próximas, mas não necessariamente juntas. O estar junto tem a ver com o focalizar a atenção.
Uma conversa de qualidade deve envolver disposição para ouvir e aconselhar, quando solicitado, e jamais de forma arrogante.
Dicas para uma conversa de qualidade:
-procure olhar nos olhos do seu cônjuge quando ele lhe falar (ajuda a não divagar e comunica atenção)
-não faça outra coisa enquanto ouve seu cônjuge
-escute o “sentimento”. Pergunte-se o tipo de emoção que seu cônjuge sente no momento. Certifique-se de que seu pensamento está correto
-observe a linguagem corporal. Punhos cerrados, mãos trêmulas, lágrimas, cenho franzido indicam o sentimento
-recuse interrupções. Se eu lhe dedicar minha total atenção enquanto você fala, evitarei defender-me a fim de fazer-lhe acusações. Meu objetivo é perceber seus sentimentos e pensamentos. O alvo não é auto defender-me ou permitir que você ganhe uma discussão. A intenção é compreender o outro.
Atividades de qualidade: um dos pontos positivos das atividades de qualidade é que elas possibilitam o armazenamento de um banco de memórias ao qual podemos nos reportar pelos anos futuros. Feliz é o casal que se lembra de uma caminhada feita de manhã ao longo da praia; de uma árvore plantada no jardim; do projeto de pintura dos quartos; da noite em que foram juntos ter aulas de patim e um deles caiu e quebrou a perna; dos passeios pelo parque; de um passeio de bicicleta. Essas são memórias de amor, especialmente para aquelas pessoas cuja primeira linguagem for qualidade de tempo.
TERCEIRA LINGUAGEM DO AMOR: RECEBER PRESENTES
Antes de comprarmos um presente para alguém, pensamos naquela pessoa. O objeto em si é um símbolo daquele pensamento. Não importa se foi caro ou barato.
Símbolos visuais do amor são mais importantes para uns do que para outros. Por esse motivo, existem os que, após se casarem, nunca mais tiram a aliança porém, também há alguns que nem chegam a usá-la. Essa é uma evidência de que as pessoas possuem linguagens do amor diferentes.
Quem tem essa linguagem vive grandes emoções ao receber presentes. Vê neles expressões de amor.
Sem lembranças como símbolos visuais, o amor do cônjuge poderá até ser questionado.
Se a primeira linguagem de seu cônjuge for “receber presentes”, você deve se tornar um expert nessa área.
Não espere uma ocasião especial. Se esta for a primeira linguagem de seu cônjuge, praticamente tudo o que você lhe conceder será recebido como expressão de amor.
Se ele foi muito crítico em relação aos presentes que recebeu no passado, então essa é uma grande dica de que receber presentes não é a primeira linguagem do amor do seu cônjuge.
A presença do cônjuge, em tempos de crise, é o maior presente que se pode dar a um cônjuge cuja primeira linguagem do amor seja receber presentes.
QUARTA LINGUAGEM DO AMOR: FORMAS DE SERVIR
É fazer aquilo que você sabe que seu cônjuge gostaria que você fizesse. É procurar agradar realizando coisas que ele aprecia, expressando amor através de diversas formas de servir.
Jesus Cristo deu uma ilustração simples, porém profunda, ao expressar amor através de uma forma de serviço quando lavou os pés dos discípulos.
QUINTA LINGUAGEM DO AMOR: TOQUE FÍSICO
No casamento, o toque de amor existe em várias formas. Considerando-se que os receptores ao toque localizam-se por todo o corpo, um afago amoroso em qualquer parte pode comunicar amor a seu cônjuge.
Seu cônjuge apreciará alguns toques mais do que a outros. Aprenda com ele.
Não insista em tocar de seu jeito e em seu tempo. Aprenda a falar o dialeto do outro, pois alguns toques podem ser considerados desconfortáveis ou irritantes. Não caia no erro de achar que o que lhe traz prazer também trará a seu cônjuge.
As crises propiciam uma oportunidade singular para se expressar amor. Toques afetuosos serão lembrados muito tempo ainda após as dificuldades terem passado. Porém, a ausência de seu toque talvez jamais seja esquecida.
Um gostoso cafuné, andar de mãos dadas, abraços apertados ou não, relações sexuais, tudo isso faz parte das necessidades de quem possui o “toque físico” como sua primeira linguagem do amor.
E sucedeu que, vendo Acabe a Elias, disse-lhe: ÉS TU O PERTURBADOR DE ISRAEL? Então disse ele: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do SENHOR, e seguistes aos baalins. (I Reis 18.17,18)A pergunta de Acabe nos deve trazer uma grande reflexão sobre a postura dos profetas de nossa atualidade. Quem são hoje os “perturbadores” de Israel?
Perturbar é "desarranjar, atrapalhar, embaraçar, envergonhar, confundir, provocar tonteira ou atordoamento em; aturdir, atordoar, estontear, desnortear, desorientar." Ou seja, é tudo que um servo de Deus não intenta fazer, independentemente de quem seja o alvo da perturbação.Exceto se este alvo for o diabo, ou mesmo os seus seguidores. Estes serão perturbados inevitavelmente. Foi o que aconteceu com Acabe. O profeta de Deus, o homem chamado de "santo homem de Deus", aquele que orou e multiplicou o azeite e a farinha da viúva, que deitou sobre uma criança e ela ressuscitou, que determinou que não chovesse e não choveu, para Acabe e os seus asseclas, era "o perturbador de Israel".O profeta Joel nos diz: "Tocai a buzina em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; perturbem-se todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, ele já está perto." (Joel 2.1) Já ouviu falar de uma buzina que não perturba? Tocamos a buzina com nossa vida, nosso testemunho e falando o que o Senhor nos ordena.
Por que Israel estava atraindo para si tamanha “Perturbação”?Amizade do mundo é inimizade contra Deus! “...não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4)Nitidamente Israel viveu essa perturbação descrita por Acabe, pois a inimizade era algo que realmente, nesse caso específico, interessava ao reino de Deus. Amizade do mundo é inimizade contra Deus!Vejamos que Acabe delimitou bem a sua posição no mundo espiritual, quando se dirigiu a Elias o profeta: "Ao que disse Acabe a Elias: Já me achaste, ó inimigo meu? Respondeu ele: Achei-te; porque te vendeste para fazeres o que é mau aos olhos do Senhor". (1Reis 21.20).Por que seria Elias neste momento além de perturbador, considerado um INIMIGO MEU?
Vejamos a história de Nabote e Acabe. Tudo começou por causa de uma vinha (entenda aqui que se trata de uma propriedade muito valiosa e bem localizada). (I Reis 21:1-4).Nabote tinha uma chácara ao lado do palácio (v.1) que era o palácio de verão do rei Acabe, rei de Samaria. O Rei Acabe cobiça a chácara de Nabote (v.2). A cobiça sempre gera um espírito destrutivo nas pessoas e com Acabe não foi diferente, ele era um homem controlado por suas paixões e emoções. Queria por que queria comprar a vinha. Decidiu que faria uma boa oferta pela vinha (v. 2). Isto era uma grande tentação. O comprador era o rei, que tinha poder sobre vida e morte. A pressão sobre Nabote era grande, contudo, ele não sucumbiu a ela.Nabote se recusou a vender a vinha (v. 3). Diante dele estavam duas opções: Agradar o rei, ou Agradar ao REI do reis. Nabote bem sabia que a Lei de Israel o proibia. Veja Levíticos 25:23 e também Números 36:7-8: "Também não se venderá a terra em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós estais comigo como estrangeiros e peregrinos". "Assim a herança dos filhos de Israel não passará de tribo em tribo, pois os filhos de Israel se apegarão cada um a herança da tribo de seus pais. E toda filha que possuir herança em qualquer tribo dos filhos de Israel se casará com alguém da família da tribo de seu pai, para que os filhos de Israel possuam cada um a herança de seus pais". Por razões financeiras a terra poderia ser vendida para um patrício, mas no ano do Jubileu a terra deveria voltar ao seu dono original.
O rei Acabe não gostou nada. Ele parece agir como uma criança (vs. 4-5). Aborreceu-se e indignou-se. Deitou-se. Virou-se para a parede e fez greve de fome (I Reis 21.4).
Diante de um homem que é fiel a Deus e aos seus princípios o que fazer? Essa era a pergunta de Jezabel a grande aliada de Acabe (gente sem escrúpulos terá sempre aliados sem escrúpulo algum). Decidiram puxar o tapete de Nabote (vs. 6-16). O plano era uma verdadeira maquinação do mal e vindo da Rainha Jezabel, envolvia: falsificação de documentos (v. 8), hipocrisia deliberada (em nome da religião) (vs. 9, 12), suborno (v.10) e perjuro (v.10). Observe-se aqui que tudo isso nos parece prática comum ainda nos dias de hoje. Era por tudo isso que Israel se mostrava perturbado e perseguido.
É exatamente aqui que entra “Elias” o homem de Deus. Ele como servo de Deus recebe a ordem para ir ao encontro de Acabe e fazer-lhe enxergar o mal que cometera. Não há acordo, nem meio termo. O Profeta de Deus não poderia deixar de falar do que tinha visto e ouvido. E agora? Acabe responde: INIMIGO MEU.
Não há alianças da luz com as trevas, não pode e nunca poderá ser assim. Sendo assim, em tempos de corrupção como hoje, em que nosso povo procura dar um "jeitinho" para que suas falcatruas pareçam corretas, seu comportamento leviano seja aceito ou ao menos tolerado. É certo então que Elias continuará a ser considerado: INIMIGO DE MUITOS, um PERTURBADOR de Israel.
Tudo isso porque "... virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas". (2 Timóteo 4.4). Não é de hoje que os homens estão se tornando resistentes a Palavra de Deus. Paulo enfrentou a duras provas a idéia de ser considerado como inimigo de muitos. Assim disse Paulo a Timóteo: "Alexandre, o latoeiro, me fez muito mal; o Senhor lhe retribuirá segundo as suas obras. Tu também guarda-te dele; porque resistiu muito às nossas palavras".(2 Timóteo 4.14-15). Essa é uma dimensão do ministério dos “ELIAS proféticos” que muitos não gostam de discutir ou de pensar. A Idéia de enfrentamento do mundo espiritual é hoje algo que tem se tornado muito tímido. Os homens parecem fazer o que querem, e já não tem encontrado com tanta freqüência os "profetas" de Deus em seu caminho. Precisamos orar e orar muito, para que nosso Deus continue a usar profetas como Elias, que sejam capazes de discernir quando vem a ele a palavra de Deus. Que tenham coragem de ir ao encontro dos pecadores para lhes mostrar o caminho errado no qual estão se enveredando, procurando assim abrir-lhes os olhos para que vejam o pecado que tão de perto lhes rodeia. Lembremo-nos que: "Onde não há profecia, o povo se corrompe..." (Provérbios 29.18). Que ecoe em nossos ouvidos as palavras de Jesus: "Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão". (Lucas 19.40). As alianças feitas no seio de Israel precisavam ser enfrentadas pelos profetas de Deus. Creio que ainda hoje precisam. Imagine que Deus no Novo Testamento ainda nos adverte:Apocalipse 2.20: "Mas tenho contra ti que toleras a Jezabel, mulher que se diz profetisa. Com o seu ensino ela engana os meus servos, seduzindo-os a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos".Vejamos que a intolerância exigida e requerida aqui é da parte de Deus e não dos homens. A intolerância aqui é contra o pecado que está impregnado e amplamente acolhido no coração das pessoas. Pelo fato de não se desviarem dos seus pecados, Acabe e Jezabel certamente não receberam um final de vida que esperavam. Deus também é Juiz.Os que acatam o convite de Deus e se tornam intolerantes ao pecado, serão sempre tratados e vistos como “perturbadores” e até “inimigos” de Israel.Queira Deus que o mundo veja em nós "perturbadores" nos moldes de Elias o profeta de Deus. O Profeta sujeito às mesmas paixões que nós (Tiago 5.17).
É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher... 1 Tm 3:2
alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher... Tt 1:6-7
Introdução
Esta qualificação é uma das mais polêmicas. Desde os primórdios da igreja os exegetas tentam descobrir exatamente o que Paulo quer dizer com o seu "marido de uma só mulher". A qualificação aparece nas duas listas. Vamos aos comentários. É importante observar que pode-se tirar um ensinamento baseado na soma dos comentários. A maioria deles vai para direções semelhantes, sendo que talvez o de Jamieson, Fausset e Brown seja o que mais saia do padrão dos outros e o de MacArthur seja o mais interessante e surpreendente. Mas veja por você mesmo. Coloquei em negrito as afirmações que mais resumem a posição do comentarista, portanto todos os grifos são meus.
Os comentários foram listados em ordem alfabética.
Grego
• Em 1 Timóteo μιαζ γυναικοζ ανδρα - mias ginaikos andra
Strongs - (não trabalha com expressões)
Rienecker e Rogers – "marido de uma mulher". A frase difícil significa provavelmente que ele tem apenas uma esposa de cada vez.
• Em Tito μιαζ γυναικοζ ανηρ - mias ginaikos aner
Strongs - (não trabalha com expressões)
Rienecker e Rogers – (-)
Comentários
• Broadman – O que exatamente isso significa permanece em disputa. Cinco interpretações têm sido sugeridas: (1) Fiel à sua única esposa; (2) casado com uma esposa de cada vez, isto é, monógamo; (3) casado só uma vez, isto é, não recasado depois de um divórcio ou a morte da esposa; (4) nunca divorciado e (5) necessariamente casado. Apesar de Paulo ter se oposto àqueles que proibiam o casamento, a última opção contradiria seus pontos de vista em 1 Coríntios 7 onde ele desencoraja o casamento "por causa da angustiosa situação presente". A antiga tradição contrária ao novo casamento tenderia a favorecer o terceiro ponto de vista, mas o encorajamento dado a Paulo ao segundo casamento de viúvas em 5:14 depõe contra. A natureza genérica das instruções faz com que o primeiro ou o segundo pontos de vista sejam os mais prováveis. Poligamia tanto entre os judeus como entre os gentios era extremamente comum; infidelidade no casamento era quase que um hábito pagão. Paulo insiste em fidelidade ao laço matrimonial.
• D. A. Carson - Em alguns aspectos essa é a mais difícil ou disputada qualificação da lista. Ela tem sido interpretada de diversas formas. Alguns pensam que significa que este homem deve ser casado - que ele deve ser um marido. Essa interpretação é altamente improvável. Está claro que Paulo não era casado, pelo menos naquele momento da vida dele, e certamente o Senhor Jesus nunca foi casado. Em 1 Coríntios 7, Paulo reconhece que há certas vantagens em ser solteiro no ministério. (...) Assim há vantagens em ser solteiro no ministério, e a condição de solteiro não deveria ser menosprezada. É altamente improvável que esse texto, então, estipule que um presbítero tenha que ser casado.
Algumas pessoas acham que esse verso sugere que o presbítero / pastor / bispo é proibido de casar-se novamente, se, por exemplo, sua primeira esposa falecer: ele deve ser o marido de só uma esposa, diria essa interpretação, não importa quanto tempo ele ou ela vivam. Mais uma vez, isso também é improvável. Em Romanos 7, Paulo insiste que não há nada desonroso em casar-se novamente, casando-se com um cônjuge cristão, depois que o primeiro faleceu. Certamente ele não dá nenhuma indicação de que tal passo é inconcebível no caso de um presbítero.
Alguns acreditam que esse verso ensina que um ancião não pode ser um divorciado que recasou. A Bíblia certamente adverte de várias formas contra o divórcio. Mas também é muito importante não fazer do divórcio o pior pecado no horizonte, o pecado imperdoável, o pecado contra o Espírito santo. Alguns tentaram impor uma proibição contra qualquer um que já tenha estado divorciado em algum momento da sua vida de tornar-se ministro do evangelho. Assim, ele poderia ter sido um assassino, e então pago a dívida dele à sociedade, saído da prisão e ter sido convertido e ter se tornado um ministro do evangelho. Mas se ele já esteve divorciado, ele não pode entrar no ministério - o que de alguma forma projeta uma imagem do divórcio como sendo o pecado imperdoável. O ponto em que o divórcio desqualifica uma pessoa para o ministério, me parece, está ligado a uma categoria que nós já discutimos: "um presbítero deve ser irrepreensível". É algo ligado à credibilidade; ou, ainda, um pouco mais adiante, "ele deve governar bem sua própria casa." Há uma preocupação quanto a alguém cuja vida rachou no seu matrimônio, e então, três meses depois, sente-se qualificado para estar de volta ao ministério. Mas alguém diria que ele se arrependeu, afinal de contas, e o evangelho é sempre algo relacionado ao perdão, não é? A Bíblia claramente tem algo mais severo a dizer do que isso. Divórcio não é o pecado maior, nem é o pecado imperdoável, contudo pode desqualificar uma pessoa para o ministério precisamente pelo tanto que destrói da credibilidade dela. Há mais que eu poderia dizer, mas o divórcio simplesmente não é o tema dessa qualificação.
Algumas pessoas interpretam esse versículo de forma que ele signifique que um ancião não deve ser um polígamo; ou seja, não pode ser alguém que se casa com duas ou mais esposas. As pessoas contestam essa interpretação dizendo que ninguém na igreja cristã teria se casado com duas ou três esposas; assim por que isso deveria ser estipulado? Além disso, se discute que no primeiro século a poligamia não era algo tão comum. Por que então estabelecer essa restrição particular? Entretanto, pode ser mostrado que havia mais poligamia no primeiro século do que algumas pessoas pensam, especialmente nas classes sociais em que as pessoas se sentiam acima da regra comum. Herodes o Grande teve dez esposas. Bem, ele não as teve todas de uma vez porque ele assassinou duas delas, mas ele teve várias ao mesmo tempo. (...) Mas na igreja, é o contrário: poligamia o desqualifica para a liderança.
(...) Até onde vai o assunto de que Paulo trata aqui - o tema da poligamia - os polígamos estão simplesmente excluídos. Uma das razões é que, na Bíblia, o casamento é apresentado não só como uma instituição social, mas como um modelo, um "tipo", da relação entre o Cristo e a "sua noiva", a igreja - e Cristo não tem muitas noivas, muitas igrejas. O matrimônio é um tipo da relação entre Cristo e o seu povo, a igreja. Assim há algo a ser modelado a respeito de Cristo e da igreja, pelo marido e pela esposa, e assim por uma estrutura de matrimônio não só caracterizada por fidelidade e integridade, mas também pela monogamia. De qualquer forma, Paulo exclui o polígamo da possibilidade de ser pastor / bispo / presbítero.
• Jamieson, Fausset e Brown – refutando o celibato do sacerdócio romano. Apesar dos judeus praticarem poligamia, ele está escrevendo para uma igreja gentílica, e como a poligamia nunca foi permitida nem mesmo entre leigos na igreja, a antiga interpretação que a proibição aqui é contra a poligamia em um candidato a bispo não está correta. Deve, portanto, significar que, mesmo que leigos possam se casar novamente de forma legítima, seria melhor que candidatos ao episcopado ou presbitério fossem casados somente uma vez. Como em 1 Tm 5:9, "esposa de um só marido", implica em uma mulher casada uma única vez; portanto "marido de uma só mulher" aqui deve significar a mesma coisa. O sentimento que prevalecia entre os gentios, bem como entre os judeus (compare com Ana em Lc 2:36-37), contrário a um segundo casamento, teria feito com que Paulo, baseado na conveniência e conciliação em coisas indiferentes e que não envolvessem o comprometimento de um princípio, colocasse uma proibição no caso daqueles que ocupassem uma posição tão proeminente como bispo e diácono. (...) O concílio de Laodicéia e os cânones apostólicos desaprovavam segundos casamentos, especialmente em caso de candidatos à ordenação. É claro que, como o segundo casamento era legítimo, o seu caráter indesejável só se sustenta sob circunstâncias especiais. Está implícito aqui também, que aquele que tem uma esposa e uma família virtuosa é preferível a um solteiro; porque aquele que está obrigado a desempenhar os deveres domésticos mencionados aqui, tem uma probabilidade maior de ser mais atraente para aqueles que têm compromissos semelhantes, porque ele os ensina não só por preceito, mas também pelo exemplo (1 Tm 3:4,5). Os judeus ensinam que um sacerdote não deve ser nem não casado, nem sem filhos, para que não seja inclemente [BENGEL]. Portanto, na sinagoga, "ninguém deve apresentar uma oração em público, a não ser que seja casado"[em Colbo, cap. 65; VITRINGA, Sinagoga e Templo].
• João Calvino – (...) Uma das exposições mais aceitas é de que aquele que é aceito para este ofício não deve ser alguém casado mais de uma vez, depois que a primeira esposa falece. Mas tanto aqui como em Tito 1:6, as palavras do apóstolo são "seja" e não "tenha sido". E nesta mesma epístola, quando ele fala de viúvas, (1 Tm 5:10), ele expressamente utiliza o tempo passado. Além disso, dessa forma ele contradiria a si mesmo; porque em outro ponto ele diz que não pretendia enredar as consciências.
A única exposicão verdadeira, portanto, é a de Crisóstomo, que em um bispo ele expressamente condena a poligamia que, naquele tempo, os judeus quase consideravam como legal. (...) Poligamia era bastante prevalente entre eles e, portanto, com grande propriedade Paulo especifica que o bispo deveria estar livre dessa mácula.
Entretanto eu não desaprovo aqueles que acham que o Espírito Santo pretendia prevenir-se contra a superstição diabólica que viria posteriormente; como se Ele dissesse: "A imposição do celibato aos bispos está longe de ser certa e apropriada visto que o casamento é um estado grandemente conveniente para todos os crentes." Desta forma, ele não o exigiria como algo necessário para eles, mas louvaria-o como não inconsistente com a dignidade do ofício. No entanto, a visão que já apresentei anteriormente é mais simples e mais sólida, que Paulo proíbe a poligamia em todos que detém o ofício de bispo, porque é a marca de um homem impuro, e de alguém que não observa a fidelidade conjugal.
• John Gill – Esta regra não torna necessário que ele tenha uma esposa, ou que ele não deva se casar, ou não tenha se casado com uma segunda esposa após a morte da primeira. Apenas se ele se casar ou for casado, que ele só tenha um esposa de cada vez, de forma que esta regra exclui do ofício de presbítero, pastor ou bispo das igrejas quaisquer pessoas que sejam polígamas, que tenham mais de uma esposa ao mesmo tempo, ou que tenham se divorciado de suas esposas, e não por causa de adultério, e tenham casado com outras. Poligamia e divórcio tinham ganhado terreno entre os judeus. E estes quando criam não podia facilmente e de repente ser separados delas. E mesmo sendo ilegítimo e não permissível para todos, era especialmente inconveniente e escandaloso para oficiais da igreja.
• John MacArthur – literalmente em grego "homem de uma mulher só". Isso nada tem a ver com casamento ou divórcio. O ponto não é o estado civil do presbítero, mas a sua pureza sexual e moral. Esta qualificação encabeça a lista porque é nessa área que líderes são mais inclinados a falhar. Muitas interpretações para esta qualificação têm sido dadas. Alguns a vêem como uma proibição contra a poligamia, uma injunção desnecessária já que a poligamia não era comum na sociedade romana e claramente proibida pelas Escrituras (Gn 2:24), pelo ensino de Jesus (Mt 19:5,6; Mc 10:6-9) e de Paulo (Ef 5:31). Um polígamo sequer poderia ser membro da igreja, que dirá um líder da igreja. Outros vêem este requisito como barrando aqueles que se casaram novamente após a morte de suas esposas. Mas, como já frisei, a questão é de pureza sexual e não de estado civil. Além disso, a Bíblia encoraja o novo casamento após a viuvez (1 Tm 5:14; 1 Co 7:39). Alguns crêem que Paulo exclui os homens divorciados da liderança da igreja. Essa posição também ignora o fato de que esta qualificação não lida com estado civil. A Bíblia também não proíbe todo novo casamento após o divórcio. Finalmente, alguns acham que este requisito exclui homens solteiros da liderança da igreja. Mas se esta era a intenção de Paulo ele teria dequalificado a si mesmo (1 Co 7:8). Um "homem de uma mulher só" é aquele que é totalmente dedicado à sua esposa, mantendo singular devoção, afeição e pureza sexual tanto em pensamento como em atos. Violar isso é perder a irrepreensibilidade (Tt 1:6,7).
• Matthew Henry – não pode ter dado carta de divórcio a uma, e tomado outra, ou não pode ter diversas esposas ao mesmo tempo, como era comum naquele tempo tanto entre judeus como entre gentios, especialmente entre gentios.
(Em Tito) ou seja, ao mesmo tempo, não ser um bígamo; não que ele não possa ser casado com mais de uma esposa sucessivamente, mas, sendo casado, ele deve ter apenas uma esposa por vez, não duas ou mais, de acordo com a prática pecaminosa comum daqueles tempos, por uma perversa imitação dos patriarcas, de cujo mau costume nosso Senhor ensinou uma reforma. Poligamia é escandalosa em qualquer pessoa, como também ter uma prostituta ou concubina junto com a sua esposa oficial; ou qualquer comportamento libidinoso devasso, deve estar muito distante daqueles que pretendem entrar na função sagrada.
• New American Commentary – A tradução da NVI "marido de uma só mulher" implica que Paulo estava proibindo a poligamia entre os bispos. Uma prática assim seria tão palpavelmente inaceitável entre cristãos que parece quase desnecessário proibi-la. É melhor não ver Paulo escrevendo primariamente em oposição à poligamia. Alguns acham que Paulo estava exigindo que o bispo fosse um homem casado. Entretanto, a própria condição de solteiro de Paulo (1 Co 7:7-8) e a sua recomendação positiva da condição de solteiro (1 Co 7:1,32-35) parece indicar ser admissível que um homem solteiro sirva como um líder na igreja. Outros acham que a passagem exclui o novo casamento caso a primeira esposa venha a falecer, mas Paulo claramente permite o novo casamento em outras passagens (1 Tm 5:14; Rm 7:2-3; 1 Co 7:39). Suas afirmações aqui não deveriam contradizer a permissão ao novo casamento que ele mesmo deu em outras passagens. Outra interpretação é o entendimento de que Paulo estava proibindo um homem divorciado de servir como líder da igreja. Apesar deste poder ser o sentido que Paulo quis dar aqui, a linguagem é geral demais para tornar esta interpretação precisa. Alguns estudiosos do Novo Testamento sugerem que há passagens do Novo Testamento que parecem permitir o divórcio (Mt 19:9; 1 Co 7:15).
Parece melhor ver Paulo exigindo que o líder da igreja seja fiel à sua única esposa. O grego descreve o bispo literalmente como "um homem de uma mulher só". Lenski sugere que o termo descreve um homem "que não pode ser acusado no campo da promiscuidade e permissividade sexual". Glasscock utiliza o entendimento de Lenski para apoiar sua visão de que um homem divorciado pode servir como líder na igreja se ele for totalmente devotado à mulher com quem se casou. Sua aplicação proíbe um homem monogâmico que é conhecido por ser um paquerador de servir em uma posição de liderança. Glasscock não pretende encorajar o divórcio ou a presença de homens divorciados no ministério. Ele sugere que não devemos sustentar os pecados pré-conversão de um homem contra ele (Cl 2:13). Se Paulo quisesse proibir claramente o divórcio, ele poderia ter dito inequivocamente usando a palavra grega para divórcio (apolyo, cf. Mt 1:19).
• William MacDonald – Esse requisito é compreendido de várias formas. Alguns sugerem que um bispo deve ser casado. O argumento é que um homem solteiro não teria a amplitude de experiência apropriada para tratar de eventuais problemas familiares. Se essa expressão significa que o bispo deve ser casado, seguindo a mesma linha de raciocínio, deve-se também argumentar no versículo 4 que um ancião precisa ter filhos.
Outros acham que esposo de uma só mulher significa que, se a primeira esposa do bispo morrer, ele não pode se casar de novo. É uma interpretação muito restritiva que pode provocar reflexão sobre a santidade do relacionamento conjugal.
A terceira interpretação afirma que um bispo não deve ser divorciado. Essa visão tem considerável mérito, embora não pareça ser uma explicação completa.
Outra visão sustenta que o bispo não deve ser culpado de nenhuma infidelidade ou irregularidade em seu casamento. Sua vida moral deve estar acima de qualquer suspeita. Isso certamente é verdade, por mais variadas interpretações que a passagem possa trazer.
A última interpretação sugere que um bispo não pode ser polígamo. Pode parecer uma explicação estranha, mas tem muito valor. Nas missões atuais, acontece muitas vezes de polígamos serem salvos. (...) A solução de Deus para um problema como esse jamais seria remediar um pecado causando outros piores. Missionários cristãos em diversos locais solucionam o problema permitindo ao homem ser batizado e recebido na igreja local; mas ele nunca poderá ser presbítero enquanto for polígamo.
(Em Tito) Certamente, a frase marido de uma só mulher significa que o presbítero não pode ser polígamo, nem ter outra companheira ou amante. Em suma, afirma que sua vida de casado deve ser um exemplo de pureza ao rebanho.
Conclusão
Para começar, percebe-se que há algumas divergências entre os comentaristas. A poligamia certamente está excluída. Os divorciados ficam em situação delicada, especialmente os que não se divorciaram por causa de adultério da outra parte. Apenas um dos comentários acha que casar de novo após a viuvez seja um elemento de desqualificação.
Aparentemente, a única coisa que poderia-se dizer com certeza é que um homem casado uma única vez e fiel à sua esposa passa no teste. Porém, talvez nem este passe para John MacArthur e para o New American Commentary. Porque não basta ser casado e fiel externamente, mas ele precisa ser um homem que só tem uma mulher diante de seus olhos e diante do seu coração: a sua esposa.
O que dizer dos solteiros? Don Carson é o que mais defende a possibilidade do presbítero ser um homem solteiro. Mas não parece ser uma situação ideal. A impressão que fica é que é possível, mas não é comum. Parece que Jamieson, Fausset e Brown vão nessa linha. Solteiros e divorciados, se aceitos, claramente são exceções. Deve haver outros bons motivos para aceitar um homem solteiro como presbítero. Talvez o principal seja que ele tenha realmente o dom de ser solteiro de 1 Coríntios 7. Certamente, eu aceitaria de bom grado um John Stott como presbítero na minha igreja. Mas ele é uma exceção que comprova a regra.
A posição de MacArthur é interessante. Ele traz tudo para o campo da pureza sexual e do compromisso com a aliança do casamento. O presbítero é alguém que encontrou uma esposa e deixou de ter olhos para outras mulheres. Ele é dedicado àquela única mulher. MacArthur enfatiza muito o grego original: "homem de uma mulher só". Homens maduros não tem a sua sexualidade exacerbada de maneira que sejam incontinentes e facilmente tentáveis nesse campo. Homens assim ainda apresentam traços de comportamento adolescente e portanto precisam amadurecer. Aí MacArthur tem um ponto. O New American Commentary cita Lenski: "que não pode ser acusado no campo da promiscuidade e permissividade sexual" e aponta que o presbítero não pode ser um paquerador, um flertador, alguém que está sempre em uma atitude de "conquistador" em relação a outras mulheres. Pode-se estender este raciocínio e excluir homens que, por exemplo, lutam com a pornografia em suas vidas. Há outras mulheres chamando a atenção deles e, por isso, eles não podem ser considerados, de fato, "homens de uma mulher só". O coração deles está dividido sexualmente e há espaço para outras mulheres na sua sexualidade, mesmo que seja só visualmente.
Portanto, pode-se dizer que o presbítero deve ser um homem maduro na sua sexualidade e no seu compromisso e fidelidade à sua esposa. Isso poupa a igreja de grandes riscos, como alertou MacArthur: "Esta qualificação encabeça a lista porque é nessa área que líderes são mais inclinados a falhar." O casamento do presbítero é belo e exemplar, adequado modelo do Evangelho (Ef 5:25-32). Viúvos, solteiros e divorciados são exceções e precisam ser analisados caso a caso, inclusive no aspecto da pureza sexual e moral. Na grande maioria das vezes, o presbítero é um homem casado e marido exemplar.
Próximo Artigo: Não Irascível
Fontes
Comentário Bíblico Popular – Novo Testamento – William MacDonald – Ed. Mundo Cristão The Broadman Bible Commentary – Broadman Press The MacArthur Bible Commentary – Thomas Nelson Publishers Bíblia OnLine 3.00 – SBB Definindo o que são presbíteros – artigo de D.A.Carson - http://www.bomcaminho.com/dac001.htm The New American Commentary – Broadman Press Chave Linguística do Novo Testamento Grego – Ed. Vida Nova