sábado, 14 de agosto de 2021

O PREÇO DO DISCIPULADO – TOMAR A CRUZ

Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 9.23-26

INTRODUÇÃO

Esta breve passagem tem verdades valiosas, claras e brilhantes, e contém o coração do convite de Jesus para seus discípulos. Em suas próprias palavras o Senhor colocou para fora o que significa ser um verdadeiro discípulo. Confessar a fé no Salvador vai muito além de palavras, envolve ação e reação. Envolve atitude e posicionamento ante a fé professada. O que é mais impressionante sobre o chamado do Senhor ao discipulado é que ele exige abnegação radical, talvez a ponto de morrer, ao mesmo tempo, vivendo em completa obediência aos seus mandamentos.

A visão equivocada do messiado leva a um a visão equivocada do discipulado. Esse é o ponto em Marcos 8.34, em que o assunto passa de Jesus para seus seguidores. Marcos reintroduz de forma abrupta “a multidão” e, com isso, indica que o que Jesus diz agora o diz para todos os discípulos, e não apenas para os Doze. A gravidade do ensino é assinalada pelo relato de que Jesus convocou (gr. proskaleomar, NVI, “chamou”) a multidão [1]. Essas exigências são para todos os que querem ser seus discípulos.

Quais as lições que podemos tirar desse texto para nós?

1 – DEVEMOS ENTENDER O QUE NÃO É TOMAR A CRUZ

Diante do evangelho que muitos têm pregado, há uma distorção do que venha ser “tomar a cruz” que Jesus exige dos seus discípulos. Para isso devemos primeiramente procurar entender o que não é tomar a cruz. Podemos destacar duas coisas básicas:

1º - Tomar a cruz não é auto realização. Isso coloca o verdadeiro evangelho pregado por Jesus em nítido contraste com o pseudo-evangelho contemporâneo de auto realização, popularmente anunciado e recebido por muitos que se identificam como cristãos. Esses falsos mestres veem o Senhor como um gênio da lâmpada utilitário, como um deus domesticado e adestrado que concede as pessoas o que eles quiserem. Alguns afirmam que Jesus quer que as pessoas sejam saudáveis e ricas, e se eles não estão é porque elas não conseguiram reivindicar suas bênçãos.

Outros afirmam que o objetivo principal de Deus é fazer as pessoas se sentirem melhores, elevando sua autoimagem e eliminando os seus pensamentos negativos. Alguns até já pediram uma “nova reforma”, abandonando a teologia centrada no Deus bíblico em favor de uma teologia centrada no homem. Esta abordagem do evangelho “ao gosto do freguês” veio para substituir o Evangelho bíblico da salvação, com um conjunto de suportes psicológicos para elevar as pessoas a satisfação e maior propósito de vida. Este narcisismo, quase Cristão, promove o egoísmo, o que na verdade caracteriza os falsos mestres que o pregam (2Tm 3.2) e centralizam, como eles fazem, em sua satisfação, em vez da glória de Deus.

2º - Tomar a cruz não são os problemas que enfrentamos. Outro grande erro que muitos pensam é que a cruz são as dificuldades da vida, as crises que enfrentamos, principalmente as doenças. Mas quem tem esse pensamento não deveria orar para Deus resolver os seus problemas e nem pedir a cura, pois como lemos em Lucas 9.23 devemos tomar a cruz cada dia. Se a cruz são os problemas, então não devemos orar para que Deus nos ajude a superá-los. Isso seria uma contradição.

2 – TOMAR A CRUZ É COMPROMISSO COM O EVANGELHO (Lc 9.23).

Qualquer judeu da Palestina saberia que o homem condenado à crucificação, com frequência, era forçado a carregar parte da sua própria cruz uma obrigação e um sinal da morte [2]. Jesus usou uma linguagem que eles entendiam muito bem, pois era um caminho sem volta.

Podemos destacar duas coisas em relação ao tomar a cruz:

1º - Tomar a cruz é entender o significado da cruz para Jesus (Lc 9.22). Só podemos entender as palavras de Jesus para os seus discípulos depois que entendemos o que a cruz significava para Jesus. E uma das coisas que Jesus deixou claro para os seus discípulos era o seu real significado e propósito. Ele nunca escondeu isso deles.

Jesus depois da confissão de Pedro passa a falar claramente a respeito do propósito de sua ida para Jerusalém (Mt 16.21). Para isso Ele veio e estava cumprindo o Seu propósito. Jesus estava em total submissão ao Pai, como Ele nos fala em João 6.38: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”.   

A morte de Jesus foi planejada e planejada desde a eternidade (Ap 13.8). Toda a história da humanidade foi uma preparação para a chegada do Messias e ele veio para morrer, e morrer pelos nossos pecados. Tanto sua morte como sua ressurreição estavam fartamente profetizados nas Escrituras (1Co 15.3,4). A morte de Jesus foi uma tragédia, mas não foi um acidente; pois ele estava cumprindo o propósito de Deus na redenção.

2º - Tomar a cruz é seguir o exemplo de Jesus. A cruz que o Senhor nos mandou tomar não é a cruz literal. A cruz que Ele nos mandou tomar todos os dias é seguir o seu exemplo de obediência ao Pai, e aos Seus mandamentos. Como disse o apóstolo Paulo em Gálatas 2.20: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”.

Esse é o verdadeiro significado de tomar a cruz que Jesus quer de nós.

3 – O PREÇO DO DISCÍPULADO (Lc 9.23).

Uma das expressões mais significativas de Jesus (cf. Mt 10.38; Mc 8.34; Lc 9.23; 14.27) é encontrada nessa exortação. Não era só Cristo que deveria enfrentar a Cruz, mas também os seus discípulos [3]. Jesus sabia que as multidões que o seguiam estavam apenas atrás de milagres e prazeres terrenos, sem disposição para trilhar o caminho da renúncia ou pagar o preço do discipulado. O discipulado é uma proposta oferecida a todos, indistintamente (Lc 9.23). Jesus dirige-se não apenas aos discípulos, mas também à multidão. O discipulado não é apenas para uma elite espiritual, mas para todos quantos quiserem seguir a Cristo.

Jesus chama a si a multidão porque a fervorosa exortação que se segue é de importância para todos; aliás, é para todos uma questão de vida ou morte, de vida eterna em oposição à morte eterna [4].

O que é ser um discípulo de Cristo? Talvez essa pergunta hoje tenha perdido o seu real significado. Muitas vezes está atrelado a alcançar todos os sonhos, possuir muitos bens materiais, nunca ficar enfermo... essa ideia tem tomado muitos púlpitos, mas essa é uma distorção maligna do que venha ser um verdadeiro discípulo de Cristo.

Vejamos o que é ser um verdadeiro discípulo nas próprias palavras de Jesus:

1º - O discípulo de Jesus sabe o preço do discipulado (Lc 9.23). O discípulo de Jesus não é alguém iludido com promessas vãs e ideias distorcidas de uma vida sem problemas. Como disse Leon Morris Jesus imediatamente acrescentou à previsão da cruz uma referência a outra cruz, sendo que esta teria de ser carregada pelos Seus seguidores. Há, naturalmente, uma diferença. A cruz deles não era literal, e os sofrimentos não tinham poder expiador. Mas era (e é) real [5].

a) O discipulado começa com um chamado condicional“se alguém quer vir após mim...”. A soberania de Deus não violenta a vontade humana. E preciso existir uma predisposição para seguir a Cristo. Jesus citou quatro tipos de ouvintes: os endurecidos, os superficiais, os ocupados e os receptivos. Muitos querem apenas o glamour do evangelho, mas não a cruz. Querem os milagres, mas não a renúncia. Querem prosperidade e saúde, mas não arrependimento. Querem o paraíso na terra, mas não a bem- aventurança no céu [6].

b) O discipulado exige renúncia“...negue-se a si mesmo...”. Negar-se a si mesmo é despedir-se. Dar adeus à vontade própria, às inclinações e aos desejos pessoais, essa é a “negação de si mesmo” que nos cabe realizar. Negar-se a si mesmo significa viver como se não nos importássemos mais conosco e nossa vontade [7]. É priorizar o Reino de Deus e a Sua vontade. Como nos ensinou Jesus: “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).

Negue-se, isto é, que diga de uma vez por todas Não ao seu velho eu, o eu como se acha separado da graça regeneradora. Uma pessoa que se nega renuncia toda a confiança no que ela mesma é por natureza e depende, para a salvação, tão-somente de Deus. Afasta-se decepcionada não só com os pensamentos e hábitos que são claramente pecaminosos, mas inclusive com a confiança nas ideias “religiosas” – por exemplo, farisaicas – que não podem harmonizar-se com a confiança em Cristo. Veja 2Co 10.5. Deve dispor-se a dizer com Paulo: “As coisas que para mim eram lucro, agora as considero perda por amor a Cristo ...” Veja Filipenses 3.7-11 [8].

c) O discipulado exige tomar a cruz“e tome cada dia a sua cruz...”. Tomar a cruz é um caminho sem volta. Os judeus na época de Jesus estavam familiarizados com a cruz, e com as crucificações que os romanos realizavam. Eles sabiam que quando um malfeitor passava carregando a cruz e ia para ser crucificado, ele não retornaria com vida. Tomar a cruz é abraçar a morte e escolher a vereda do sacrifício.

Tomar sobre si a cruz refere-se ao fardo que devemos nos dispor a carregar. A cruz é a mais infame pena de morte que jamais existiu. Jesus compromete os seus com a morte. Ao mostrar-lhes o desfecho que esperava por ele em Jerusalém, asseverou-lhes: “Minha cruz mostra a vocês para onde eu conduzo. Vocês estão seguindo atrás de mim como expulsos, malditos, condenados à morte, iguais àqueles que carregam sua cruz para o local de execuções. Para essas pessoas, o mundo passou e a vida está encerrada; o que ainda têm diante de si é somente infâmia, dor e morte” [9].

“Dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (ARA) – A razão de Lucas para inserir a expressão “dia a dia” só pode ter sido que ele entendia esta exigência como uma ação constantemente repetida no discipulado de Jesus. Não é algo que se pode fazer esporadicamente, é algo constante, envolve renúncia e consequências desse ato. É morte para o eu e vida com Cristo.

Um erro contra o qual devemos guardar-nos é a noção de que uma pessoa pode, por suas próprias forças, negar-se a si mesma, tomar a cruz e seguir o Salvador. A conversão (bem como o processo de santificação que se segue), embora certamente seja uma responsabilidade humana, é impossível sem a regeneração (Jó 3.3,5) que é a obra do Espírito Santo no coração do homem [10].

d) O discipulado é um convite para uma caminhada dinâmica com Cristo“...e siga-me”. Seguir a Cristo é algo sublime e dinâmico. Esse desafio nos é exigido todos os dias, em nossas escolhas, decisões, propósitos, sonhos e realizações. Seguir a Cristo é imitá-lo. É fazer o que ele faria em nosso lugar. E amar o que ele ama e aborrecer o que ele aborrece. E viver a vida na sua perspectiva [11]. Siga-me é o caminho que nos cabe percorrer, é andar a cada instante o caminho traçado por Cristo e em cada passo seguir as pegadas dele [12].

3 – O PARADOXO DO VERDADEIRO DISCÍPULO (Lc 9.24).

No Evangelho de Marcos esse texto acrescenta a morte por amor a Cristo e do Evangelho: “Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á” (Mc 8.35).

O discipulado implica o maior paradoxo da existência humana. Os valores de um discípulo estão invertidos: ganhar é perder, e perder é ganhar. O discípulo vive num mundo de ponta-cabeça. Para ele ser grande, é preciso ser servo de todos. Ser rico é ter a mão aberta para dar. Ser feliz é renunciar os prazeres do mundo. Satanás promete a você glória, mas no fim lhe dá sofrimento. Cristo oferece a você uma cruz, mas no fim lhe oferece uma coroa e o conduz à glória [13].

Paradoxalmente, tal autonegação e tal submissão é o ganho mais seguro e duradouro, enquanto a vida egocêntrica de auto expressão, tão estimada pelos filósofos modernos, leva o homem a perder sua alma. E uma vez perdida, que dará o homem em troca, para remi-la? (Mc 8.37). Tal perda é irrevogável.

1º - Como uma pessoa pode ganhar a vida e ao mesmo tempo perdê-la?

a) Quando busca a salvação fora de Cristo. Há muitos caminhos que conduzem as pessoas para a religião, mas um só caminho que conduz o homem a Deus. Uma pessoa pode ter fortes experiências e arrebatadoras emoções na busca do sagrado, no afã de encontrar-se com o Eterno, porém quanto mais mergulha nas águas profundas das filosofias e religiões, mais distante fica de Deus e mais perdida fica sua vida.

b) Quando busca realização em coisas materiais. O mundo gira em torno do dinheiro. Ele é a mola que move o mundo. É o maior senhor de escravos da atualidade. Muitos se esquecem de Deus na busca do dinheiro e perdem a vida nessa corrida desenfreada. A possessão de todos os tesouros que o mundo contém não compensa a ruína eterna [14].

Fritz Rienecker diz que o termo psyché (vida em grego) designa a alma com todas as suas pulsões e capacidades naturais. Salvar a vida psíquica significa querer mantê-la da maneira como ela é, tentando tão-somente desenvolvê-la e satisfazê-la. Esse, porém, é o meio para perdê-la. Porque nesse caso tentamos transformar em algo duradouro o que por natureza representa apenas uma passagem. Para protegê-la do aniquilamento, existe apenas um meio: é preciso consentir em perdê-la livremente, pelo fato de entregá-la ao sopro do Espírito divino, que mata e vivifica simultaneamente, e o qual a preenche com seu poder superior e lhe comunica valor e beleza perenes. Contudo, quando se visa conservar a vida psyché, perde-se não apenas a vida natural em si, mas também a vida superior, eterna, na qual deveria ter-se transformada como a flor que se transforma no fruto [15].

2º - Como uma pessoa pode perder a vida e ao mesmo tempo ganha-la?

a) Perdendo a vida por amor a Cristo (Lc 9.24c). Apenas entregando a si mesmo a Cristo o ser humano pode corresponder a essa profunda lei da existência humana. O eu somente é capaz de negar-se a si mesmo quando existe a finalidade de reconhecer um eu superior, diante de cuja palavra absoluta ele se curva [16].

Jesus em Mateus 10.37,38 nos diz: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim”.

b) Perdendo a vida por amor ao Evangelho (Mc 8.35). “Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á” (Mc 8.35). Observe que aqui o Senhor acrescenta também o Evangelho.

E o que é o Evangelho? O Evangelho é as boas-novas de salvação que o Senhor veio nos trazer.

Negar-se a si mesmo não é um ato de desespero, mas sim de devoção. No entanto, é preciso ir ainda mais longe: a devoção pessoal deve conduzir a responsabilidades práticas, a compartilhar o evangelho com o mundo perdido. A declaração: “por causa de mim” poderia levar a um isolamento religioso egoísta, de modo que é contrabalançada com: “e do evangelho”. Por viver para Cristo, vive-se para os outros [17].

4 – O DISCÍPULO VALORIZA A VIDA COM JESUS (Lc 9.25).

O versículo 25 coloca a questão do discipulado no contexto da realidade derradeira: a alma e o mundo. Suponha que o indivíduo fosse ganhar “o mundo todo” – tudo pelo que alguém pudesse possivelmente esperar – ao custo de sua alma. De acordo com Jesus, essa seria uma troca ruim. O indivíduo consegue viver sem “o mundo”, mas quando ele perde sua pessoalidade ou ser, o que se pode dar em troca por isso (Sl 49.6-8)? [18].

Suponha, que você pudesse possuir todo o mundo, alcançar tudo o que as suas paixões desejassem, tudo que seus olhos cobiçassem, e pudesse satisfazer seu orgulho de todas as demandas (cf. 1Jo 2.16), qual seria o lucro se você perdesse a sua alma eterna?”. A resposta óbvia é “nada”. Nada no mundo é de valor comparável a alma eterna de uma pessoa. É isso que Jesus deixa bem claro aqui.

Podemos destacar três fatos a respeito desse texto [19].

1º - O dinheiro não pode comprar a vida eterna. Há muitas pessoas que são ricas no mundo, mas são pobres diante de Deus (Lc 12.16-21). Transigir com os absolutos de Deus, vender a consciência e a própria alma para amealhar riquezas, é uma grande tolice. A vida é curta e o dinheiro perde o seu valor para quem vai para o túmulo. A morte nivela ricos e pobres. Nada trouxemos e nada levaremos do mundo. Passar a vida correndo atrás de um tesouro falaz é loucura. Pôr sua confiança na instabilidade e efemeridade da riqueza é estultícia.

2º - A salvação da alma vale mais do que as riquezas (Lc 9.25). É melhor ser salvo do que ser rico. A riqueza só pode nos acompanhar até o túmulo, mas a salvação será desfrutada por toda a eternidade. Jesus chamou de louco o homem que negligenciou a salvação da sua alma e pôs sua confiança nos bens materiais. A morte chegou e, com ela, o juízo (Lc 12.20).

3º - A perda da alma é uma perda irreparável (Lc 9.25). Algumas pessoas vendem a honra, os princípios, a consciência e a até mesmo a alma para alcançar bens, popularidade e prazeres terrenos. Porém, nenhuma quantidade de dinheiro, poder ou status pode comprar de volta uma alma perdida. Vender a alma por dinheiro, portanto, é um péssimo negócio. Essa troca é um engodo. A um morto não pertence mais nada; ele é que pertence à morte. No julgamento final, essa conta não fechará.

Jesus pressupõe que o propósito de preservar a própria vida tenha sido coroado com o mais esplêndido sucesso imaginável, chegando-se a possuir o mundo inteiro [20].

O discipulado é uma questão de ganhos e de perdas, de desperdiçar ou de investir a vida. Deve-se atentar para a advertência de Jesus aqui: ao gastar a vida, não há como comprá-la de volta! Não é possível esquecer que ele estava instruindo seus discípulos, homens que já o haviam confessado como Filho de Deus [21].

5 – O DISCÍPULO NÃO SE ENVERGONHA DE JESUS (Lc 9.26).

Jesus identifica aqueles que não irão se arrepender e crer nEle como aqueles que estão com vergonha dele e de suas palavras (cf. Mt 10.32,33). Se envergonhar neste contexto significa rejeitar, desprezar e se encontrar inaceitável. Tais pessoas são orgulhosas do que deveriam ter vergonha; a sua “glória é para confusão deles” (Fl 3.19). Deus disse dos israelitas impenitente: “nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto, cairão com os que caem; quando eu os castigar, tropeçarão, diz o Senhor” (Jr 6.15).

A mensagem da cruz é loucura e algo ofensivo para aqueles que querem manter os seus pecados (1Co 1.18,23), que amam mais a aprovação dos homens do que a aprovação de Deus (Jo 12.43).

Podemos tirar duas lições importantes desse texto:

1º - Os que se envergonham de Cristo. Envergonhar-se de Jesus significa estar alguém tão orgulhoso de si mesmo que não quer ter nada com ele [Jesus] e com suas palavras. De tais pessoas Jesus também se envergonhará [22].

Quando uma pessoa se envergonha de Cristo? Quando temos medo que as pessoas saibam que o amamos, bem como a sua doutrina, que desejamos viver de acordo com os seus mandamentos e que nos sentimos constrangidos quando nos identificam como membros do seu povo. Quando o negamos como Pedro o fez (Mt 26.69-75).

Ser cristão nunca foi e jamais será uma posição de popularidade. Todos aqueles que querem viver piedosamente em Cristo serão perseguidos (2Tm 3.12). Contudo, é mil vezes melhor confessar Cristo agora, e ser desprezado pelo povo, do que ser popular agora e ser desonrado por Cristo diante do Pai no dia do julgamento [23].

2º - Os que se envergonham de Cristo sofrerão uma perda irreparável. Aqueles que se envergonham de Cristo agora, Cristo se envergonhará deles na sua segunda vinda. O julgamento mais pesado que as pessoas receberão no dia do juízo é que elas vão receber exatamente aquilo que sempre desejaram. O injusto continuará sendo injusto. Quem se envergonhou de Cristo durante esta vida se apartará dele eternamente [24].

CONCLUSÃO

O verdadeiro discípulo recebe alguma recompensa? Sim. Torna-se cada vez mais semelhante a Jesus Cristo e, um dia, compartilhará de sua glória. Satanás promete glória, mas no final o que se recebe é apenas sofrimento. Deus promete sofrimento, mas por fim esse sofrimento será transformado em glória. Quem reconhece a Cristo e vive para ele, um dia será por ele reconhecido e compartilhará sua glória [25].

Bibliografia

1 – Edwards, James R. O Comentário de Marcos, Ed. Sheed, Santo Amaro, SP, 2018, p. 324.

2 – Carson, D. A. Carson, D. A. O Comentário de Mateus, Editora Shedd, Santo Amaro, SP, 2010, p. 444.  

3 – Earle, Ralph. Comentário Bíblico Beacon, Mateus, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 120.

4 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, 2017, p. 296.

5 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p.161.

6 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, 2017, p. 297.

7 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 139.

8 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 1, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 662.

9 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 139.

10 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 1, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 663.

11 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, 2017, p. 298.

12 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 140.

13 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, 2017, p. 299.

14 – Ibidem, p. 299,300.

15 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 140.

16 – Ibidem, 140.

17 – Wiersbe, Warren W. Marcos, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 181.

18 – Edwards, James R. O Comentário de Lucas, Ed. Sheed, Santo Amaro, SP, 2019, p. 361.

19 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, 2017, p. 301.

20 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 141.

21 – Wiersbe, Warren W. Marcos, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 181.

22 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 1, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 666.

23 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, 2017, p. 302.

24 – Ibidem, p. 302.

25 – Wiersbe, Warren W. Marcos, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 181. 

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