segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Cinto da Verdade

Por Vincent Cheung

Paulo diz em Efésios 6:10, “Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder”. Deus está aplicando a nós o Seu divino poder, e devemos buscar adquirir um entendimento intelectual deste fato, de forma que este poder possa se tornar eficaz em nossas vidas. Paulo então nos diz para “vestirmos toda a armadura de Deus”, através da qual seremos capazes de “ ficar firmes contra as ciladas do diabo” (v. 11). Embora o diabo seja hábil no engano, Deus nos deus armas com “poder divino” (2 Coríntios 10:4), de forma que podemos destruir os argumentos e pensamentos anti-cristãos que Satanás usa para nos atacar. Nossa luta “não é contra carne e sangue”, mas “contra as forças espirituais do mal” (v. 12). Assim, deveríamos apontar o ataque para a causa fundamental dos problemas que enfrentamos, e não tentarmos superar somente os sintomas. Tendo “vestido toda a armadura de Deus”, estamos preparados para permanecer firmes “quando o dia do mau chegar” (v. 13).

Paulo assemelha a armadura que Deus nos deu à armadura usada pelos soldados romanos naquele tempo. Certamente, a diferença é que nossas armas não são físicas, mas espirituais. Contudo, elas não são espirituais no sentido de serem místicas; antes, cada arma representa uma série de verdades bíblicas que protegem uma área da nossa caminhada cristã.

Por exemplo, é possível que, quando Paulo escreve que a salvação é como um capacete, ele queria dizer que as verdades bíblicas sobre a salvação pretendem proteger nossa “cabeça”, ou nossa mente. Ou, quando a justiça é comparada a uma couraça, talvez ele queria dizer que nosso entendimento da justiça de Cristo e nossa justificação servem para guardar nossa consciência contra acusações.

Em todo caso, visto que Paulo de fato nomeia as doutrinas, podemos confiar que cada arma corresponde a uma doutrina bíblica que devemos aprender, a fim de que travemos a guerra com sucesso contra o inimigo. Visto que compreendemos a verdade doutrinária com a mente, na medida em que ela é iluminada pelo Espírito Santo, é inegável que todas estas armas espirituais sejam intelectuais, em sua natureza.

A relevância é que, quando “vestimos” toda a armadura de Deus, não o fazemos imaginando nós mesmos vestidos numa armadura mística, com uma aparência semelhante àquela de um soldado romano, nem exercemos o poder destas armas através de movimentos físicos. Antes, nossas armas têm “poder divino” para “destruímos argumentos...e levarmos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo” (2 Coríntios 10:4-5). Na batalha espiritual, tratamos com argumentos e pensamentos, com a mente ou o intelecto. Tal é a natureza da batalha e das armas.

Assim, interpretaremos a identificação de Paulo, de cada arma espiritual a uma peça correspondente da armadura do soldado romano, como significativo, no sentido de que é um capacete por uma razão –– a saber, para proteger a mente como um capacete físico protege a cabeça. Desta perspectiva, comparar a verdade com a função do cinto na armadura do soldado romano é também apropriado. Mesmo que isto leve a analogia de Paulo longe de mais, enquanto guardarmos em mente que estas são armas intelectuais nos dadas para lutarmos com argumentos intelectuais do diabo, estaremos trabalhando dentro dos limites do texto.

Paulo menciona duas peças da armadura no verso 14: “Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, com a couraça da justiça no lugar”. Iremos discutir o “cinto da verdade” neste capítulo, e reservar a “couraça da justiça” para o próximo.

Paulo diz que a verdade é como um cinto, e na armadura do soldado romano, é o cinto que sustenta o resto dos itens no lugar. Da mesma forma, a verdade sustenta tudo em nossa caminhada cristã, e, portanto, ela é suprema. Sem a verdade revelada a nós por Deus, na Escritura, não haveria justiça, paz, fé e salvação para nós “vestirmos”. Sem a verdade nos revelada por Deus, na Escritura, a espada do Espírito, que é a palavra de Deus, não existiria.

Agora, o que entendemos por verdade? Jesus diz, “Se vocês permanecerem firmes no meu ensino, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (João 8:31-32). Você conhecerá a verdade somente se “permanecer firme” ao ensino (grego logos = palavra, raciocínio, doutrina) de Jesus. Contrário à opinião de muitas pessoas, a força de um cristão não reside na experiência, oração, ou comunhão, mas na verdade –– isto é, nos princípios e doutrinas bíblicas ensinadas pela Escritura. Sem verdade, não podemos nem mesmo definir –– e dessa forma, não podemos “vestir” –– as outras peças da nossa armadura, tais como justiça, fé e salvação. Como um cristão, sua prioridade deve ser adquirir conhecimento da verdade. Visto que Deus nos revela a verdade através das palavras da Escritura, você deve buscar estudos bíblicos e teológicos para construir o fundamento de sua vida espiritual.

Jesus diz que o conhecimento da verdade libertará você. À medida que crescemos em nosso conhecimento e compromisso com a verdade, nos tornamos progressivamente protegidos do engano. 1 Coríntios 2:12 explica, “Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente”. Enquanto o diabo mente para nós e tenta nos enganar –– mas, todavia, debaixo do decreto soberano de Deus –– Deus enviou o Espírito Santo aos nossos corações para que “entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente”.

Como Pedro diz, “Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do nosso conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2 Pedro 1:3). Deus já nos deu “tudo de que necessitamos para a vida”, mas é “por meio do nosso conhecimento [dele]” que Suas provisões são aplicadas a nós. Tal conhecimento é encontrado somente na Escritura, e é o Espírito Santo quem soberanamente nos concede compreensão e assentimento a tal conhecimento.

Muitos cristãos professos crêem na mentira de que o espiritual é irracional e que o intelectual é não-espiritual –– que espiritualidade e racionalidade são mutuamente exclusivos. Mas, visto que armas poderosas em Deus nos foram dadas para “destruir argumentos” e para “levarmos cativo todo pensamento”, você não se tornará mais espiritual ignorando a natureza intelectual essencial da fé bíblica e da vida. Antes, ignorar o intelectual é parar completamente de resistir ao diabo e aos seus enganos, e, assim, descartando tudo das suas armas poderosas em Deus, você se tornará completamente não-espiritual de acordo com os padrões bíblicos.

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