sábado, 12 de agosto de 2017

QUE PAI VOCÊ TEM SIDO?


Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: Efésios 6.4

INTRODUÇÃO

Estamos vivendo um período onde a palavra paternidade perdeu o seu verdadeiro sentido. Ser pai hoje, para muitas pessoas, é ser apenas o progenitor e não aquele que é exemplo na criação. E por que muitos pais não são exemplo para os seus filhos? Creio que podemos enumerar alguns motivos: 1) muitos pais não são exemplo para os seus filhos porque não tem maturidade para tal compromisso, muitos por terem sido pais cedo demais. 2) outros por não assumirem a paternidade – fazer filho é uma coisa, assumi-los é algo totalmente diferente. 3) outros porque nunca tiveram um exemplo de pai dentro de casa.

E muitos desses “pais” não assumem seu papel de pai porque foram criados sem limites e sem disciplina. Quando deveriam ser corrigidos, eles foram acobertados. É o caso do filho de uma desembargadora que foi detido com 130 quilos de maconha, centenas de munições de fuzil e uma pistola nove milímetros. A saída do presídio aconteceu depois de dois habeas corpus, pois, segundo a família, ele tem problemas psiquiátricos. No entanto, esse mesmo cidadão tinha outro mandado de prisão pois também é investigado pela Polícia Federal pela participação no plano de fuga de um chefe do tráfico de drogas.

Ser pai é um grande privilégio, mas também nos leva a refletir sobre sua grande responsabilidade. Ser pai implica em fazer diferença na vida dos filhos. Significa que este filho ao olhar para o seu pai veja nele o melhor exemplo de homem. O verdadeiro pai deixa de herança para os seus filhos o exemplo e não bens materiais. E um dos maiores exemplos que um pai pode deixar para os filhos é amar a mãe deles.

A Bíblia nos dá alguns exemplos de pais que fizeram diferença na vida de seus filhos, uns de forma positiva, outros, infelizmente, de forma negativa. Por isso que eu quero pensar com você que tipo de pai você tem sido analisando a vida e o exemplo de alguns desses pais.

1 – ABRAÃO O PAI QUE É EXEMPLO DE FÉ (Hb 11.17-19).

Pela fé Abraão, quando Deus o pôs à prova, ofereceu Isaque como sacrifício. Aquele que havia recebido as promessas estava a ponto de sacrificar o seu único filho, embora Deus lhe tivesse dito: "Por meio de Isaque a sua descendência será considerada". Abraão levou em conta que Deus pode ressuscitar os mortos; e, figuradamente, recebeu Isaque de volta dentre os mortos.

Quando lemos a história de Abraão nós vemos o quanto ele foi crescendo na fé a medida que andava com Deus. Foi um processo longo, mas que resultou em um grande amadurecimento na fé.

Cerca de 45 anos depois dele ter saído da terra de Ur dos Caldeus, Abraão se vê agora sendo provado pelo Senhor. Encontramos essa história em Gênesis 22. Mas eu quero me deter aqui em Hebreus, pois o autor nos mostra que pela fé Abraão cria que o Senhor era poderoso para ressuscitar o seu filho. Através desse texto aprendemos três lições:

1º - Um pai que anda pela fé entrega seus filhos ao Senhor. Abraão não questionou com Deus a respeito do que Ele estava lhe pedindo. Ele não tentou argumentar se não podia trocar Isaque por Ismael. Ele simplesmente obedeceu (Gn 22.1-3).

“Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: "Abraão! " Ele respondeu: "Eis-me aqui". Então disse Deus: "Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei". Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado” (NVI).

O Senhor lhe fez um pedido específico e ele não retrucou, simplesmente fez o que lhe foi pedido. Isso é fé. É reconhecer que o Senhor tem o direito de pedir o que lhe pertence. Se um dia você apresentou seus filhos a Deus e os entregando a Ele, saiba que eles pertencem ao Senhor.  

Você não é dono de seus filhos, você é responsável por cria-los nos caminhos do Senhor, isso é um fato, mas nós não somos donos deles. Eles pertencem ao Senhor, assim como tudo o que temos.

2 – Um pai que anda pela fé não duvida da onipotência de Deus. Abraão levou em conta que Deus pode ressuscitar os mortos; e, figuradamente, recebeu Isaque de volta dentre os mortos.

Nunca na história bíblica se havia visto ou ouvido de alguém que o Senhor havia ressuscitado, no entanto, Abraão cria que o Senhor (que havia feito a promessa de que seu filho Isaque seria sua descendência) iria ressuscitá-lo. Por isso que Abraão não questionou, mas fez o que lhe foi mandado.

Meus irmãos, será que seus filhos têm visto em você está fé? Uma fé que crê na intervenção divina na história? Um Deus que tem poder para cumprir as promessas que um dia lhe foram dadas? Um Deus que pode trazer a existência as coisas que não existem (Rm 4.17)?

Quantos pais que são frequentadores de igrejas, mas que não tem uma experiência viva com Deus. Falam de fé, mas vivem focados nas coisas materiais. Duvidam da intervenção divina na história de suas vidas e na história de seus filhos. Vivem uma religiosidade morta, uma religiosidade de fachada.

Muitos pais construíram suas casas espirituais na areia e não sobre a rocha (Mt 7.26,27):

“Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda” (NVI).

3º - Um pai que anda pela fé verá pela fé o milagre da ressurreição na vida dos seus filhos. Abraão [...] figuradamente, recebeu Isaque de volta dentre os mortos.

Abraão creu e viu o milagre em sua vida. Ele recebeu Isaque de volta dentre os mortos - figuradamente. Essa é a diferença entre servir a Deus pelo o que Ele é e não pelo o que Ele dá e faz.

Eu sei que há muitos pais que estão sofrendo pelos seus filhos. Muitos deles totalmente afastados do Senhor. Crianças que foram criadas nos caminhos do Senhor, mas que hoje, infelizmente, estão trilhando um caminho extremamente perigoso.

Não desista dos seus filhos. Creia que o Senhor há de ressuscitá-los. Que aqueles que um dia foram entregues aos Senhor, pela infinita graça voltarão à comunhão com o Pai. Lembre-se do filho pródigo. Sabemos que é uma parábola, mas que retrata muito bem o amor do Pai e o desejo de ver os seus filhos de volta ao lar.

2 – JÓ UM PAI QUE INTERCEDIA PELOS SEUS FILHOS (Jó 1.1-5).

Há homens que ganham notoriedade no mundo e fracassam como pais. Que conquistam riquezas e perderam os filhos; que tiveram tempo para estranhos, mas nunca para os filhos; que cultivam a simpatia de estranhos, mas abriram feridas na alma dos filhos [1].

Os filhos não precisam de presentes, mas da presença do pai. Alguns pais para compensar a sua ausência dão presentes, satisfazem todos os desejos dos filhos sem questioná-los. Tudo isso para compensar a sua ausência.

O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que Jó exercia plenamente o sacerdócio no seu lar. E ele destaca quatro verdades a respeito do zelo de Jó pelos seus filhos [2]:

1º - Jó se preocupava com a salvação de seus filhos (Jó 1.5). Uma das coisas que deve ser a nossa real preocupação é a salvação de nossos filhos. Não adianta eles se projetarem na vida profissional e não terem o nome escrito no Livro da Vida.

Mas para que os nossos filhos tenham a esperança da vida eterna, nós pais, devemos falar e testemunhar de Deus para eles. Como disse Larry Christenson: “Devemos apresentar Deus aos filhos através da Palavra” [3].

Como nos fala o Salmo 78.1-8:

“Povo meu, escute o meu ensino; incline os ouvidos para o que eu tenho a dizer. Em parábolas abrirei a minha boca, proferirei enigmas do passado; o que ouvimos e aprendemos, o que nossos pais nos contaram. Não os esconderemos dos nossos filhos; contaremos à próxima geração os louváveis feitos do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez. Ele decretou estatutos para Jacó, e em Israel estabeleceu a lei, e ordenou aos nossos antepassados que a ensinassem aos seus filhos, de modo que a geração seguinte a conhecesse, e também os filhos que ainda nasceriam, e eles, por sua vez, contassem aos seus próprios filhos. Então eles porão a confiança em Deus; não esquecerão os seus feitos e obedecerão aos seus mandamentos. Eles não serão como os seus antepassados, obstinados e rebeldes, povo de coração desleal para com Deus, gente de espírito infiel” (NVI). 

2º - Jó se preocupava com a santificação de seus filhos (Jó 1.5). Jó ao oferecer dez ofertas queimadas em nome de cada jovem adulto, ele se preocupava com a ideia de que poderiam haver no coração deles uma pitada de desobediência, ou que talvez um deles tivesse contado uma piada vulgar durante seus encontros frequentes. Jó é profundamente zeloso – espiritualmente sensível não só em relação a sua vida, mas no que se referia à coerência da vida dos filhos. Jó era homem de oração. Verdadeiro sacerdote [4].

3º - Jó se preocupava com a vida íntima de seus filhos (Jó 1.5). Devemos nos preocupar com a vida de nossos filhos longe dos nossos olhos. Devemos interceder para que a conduta deles condiga com a vida que professam ter dentro da igreja.

Jó dizia: “Talvez os meus filhos tenham lá no íntimo pecado e amaldiçoado a Deus”.

Esta também deve ser a nossa preocupação. Devemos ensinar aos nossos filhos que eles são crentes em Jesus longe e perto de nós. Que os olhos do Senhor estão em todos os lugares.

4º - Jó era um pai intercessor (Jó 1.5). Na era patriarcal os pais eram também os sacerdotes dentro de suas casas, posteriormente com a Lei sendo estabelecida é que a tribo de Levi ficou com essa incumbência.

Mas ainda hoje devemos ser sacerdotes em nossos lares, intercedendo pelos nossos filhos. Devemos orar constantemente por eles e com eles. Devemos ter em mente que a oração de um justo vale muito em seus efeitos (Tg 5.16).

Na família de Tim Cimbala, pastor em Nova York, sua filha primogênita estava se tornando resistente ao evangelho e começou a viver uma vida de rebeldia, mundanismo e pecado. Não demorou muito até se rebelar contra os pais e sair de casa. Seus pais choraram, sofreram e começaram a definhar a ponto de os amigos lhes dizerem para desistirem de procurá-la. Contudo, numa celebração de vigília, uma irmã interrompeu e disse que deveriam clamar por sua filha e todos deram as mãos e oraram. Ali se tornou uma “sala de parto” onde as dores e os gemidos eram expressos diante de Deus. Quando o pastor voltou para a casa ele disse à sua esposa: “Se há Deus no céu, nossa filha já foi liberta hoje”. Dois dias depois ela voltou para casa liberta e sarada. Deus restaurou aquela menina e o instrumento que Deus usou foi a oração intercessória.

Por isso meu querido pai não desista de seus filhos, ore por eles. Os apresente constantemente ao Senhor, pois Ele é que, através do Espírito Santo, convence-os do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8).

3 – GILEADE UM PAI AUSENTE (Jz 11.1-3).

“Jefté, o gileadita, era um guerreiro valente. Sua mãe era uma prostituta; seu pai foi Gileade. A mulher de Gileade também lhe deu filhos, que quando já estavam grandes, expulsaram Jefté, dizendo: "Você não vai receber nenhuma herança de nossa família, pois é filho de outra mulher". Então Jefté fugiu dos seus irmãos e se estabeleceu em Tobe. Ali um bando de vadios uniu-se a ele e o seguia” (NVI).

Jefté foi um dos juízes em um período caótico da história de Israel, 1380 a 1050 a. C: “Não havia rei em Israel, porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” Jz 21.25. Vivia em Gileade, sendo membro da tribo de Manasses. A história de Jefté é curiosa, controversa e não conclusiva. Ele nasceu e viveu em um contexto familiar desorganizado. Sua mãe era prostituta, seu pai (Gileade) tinha muitos filhos de outro relacionamento. A ausência do pai na vida de Jefté e depois a sua total indiferença para com ele, fez com que este se tornasse um marginal.

O sucesso de uma sociedade depende do sucesso da família. A forma como a sociedade define moralmente a família estabelece os padrões de conformação da personalidade da futura geração. Dessa forma podemos prever o caos ou a organização da sociedade [5]. Na vida de Jefté foi o caos. 

1º - Gileade foi um pai que criou os filhos sem afetividade com Jefté (Jz 11.2). Aqueles irmãos cresceram com ódio no coração. Tudo porque Gileade era um homem que não criou os filhos com vinculo de afetividade. Eles não se importavam uns com os outros, mas com os bens materiais. Se importavam era com a herança do pai.

Em momento algum vemos Gileade se envolvendo nessa questão. Aliás, Gileade por ser um homem promíscuo gerou isso em seus filhos. Eles, provavelmente, foram criados vendo sempre Jefté como um intruso em suas vidas. Ele era como um estranho no ninho.

Não são poucos os casos de irmãos que não se falam, quando não se odeiam. Muitas vezes não foram os pais que erraram, é bom destacar isto aqui; mas geralmente, muitos pais não envolveram nas brigas e desavenças contínuas entre seus filhos. 

Jacó e Esaú tornaram-se inimigos e a culpa foi dos pais. Posteriormente eles se retrataram, mas o estrago já estava feito entre os seus descendentes. O edomitas - descentes de Esaú - tornaram-se um dos maiores inimigos de Israel.

Pequenas brigas podem se tornar uma grande calamidade. 

2º - Gileade foi um pai ausente (Jz 11.2). Gileade não deu um basta aquela discórdia, ele se ausentou durante todo o tempo e as consequências foram desastrosas. Os outros irmãos se voltaram contra Jefté e o expulsaram de casa. Gileade foi um pai ausente que não defendeu o próprio filho.

Não são poucos os jovens que lutam com questões de identidade sexual, até mesmo desejo desejos homossexuais. Qual é o denominador comum desses homens? Anseiam por um pai. O dano sofrido pelas crianças criadas num lar cujo pai é ausente, cruel ou indiferente é uma ferida aberta (que reflete na sociedade e na igreja) [5].

Observe que o texto nos diz que Jefté fugiu para a terra de Tobe e ali um bando de vadios uniu-se a ele e o seguia. Devido a esse episódio em sua vida, Jefité tornou-se um aventureiro, um salteador. Vivia com seu bando roubando as pessoas e causando terror as pessoas.

Devido a um gigantesco desajuste familiar Jefté tornou-se um homem sem referencial de honestidade, pois cresceu em um lar onde os irmãos disputavam a herança do pai a ponto de o expulsarem por causa dela.  
   
3º - Gileade maculou o leito conjugal (Jz 11.1,2a). Gileade não foi nem exemplo de pai presente e pior, era um adúltero. Que exemplo esse homem poderia ser para os seus filhos? Que conselhos esse indivíduo poderia dar aos seus filhos a respeito de relacionamento conjugal? De fidelidade.

A Bíblia nos mostra muitos outros erros que outros pais cometeram. Homens esses que eram fiéis ao Senhor, mas que erraram na educação dos filhos. É fácil falar de Gileade, mas devemos olhar para esses outros pais também, pois eles, de alguma forma, são como nós também.

A Bíblia registra os resultados infelizes da negligência dos pais para com os filhos, quer dando um mau exemplo, quer deixando de discipliná-los corretamente. Davi mimou Absalão e deu um péssimo exemplo, e as consequências foram trágicas. Eli não disciplinou os filhos, e estes, além de desgraçarem seu nome, trouxeram derrota sobre a nação de Israel. Em sua velhice, Isaque mimou Esaú, e sua esposa demonstrou favoritismo por Jacó, resultando em um lar dividido. Jacó cultivava o seu favoritismo por José, quando Deus resgatou o menino de modo providencial e levou para o Egito, onde o transformou em um homem de caráter [7]. Com isso vemos que a Bíblia não esconde os erros nem dos seus filhos, mas permite que tais erros sejam mostrados para servir de exemplo para todos nós. Devemos aprender a observar os exemplos bíblicos para podermos ter um lar dentro dos seus padrões. Não é fácil, mas devemos lutar por isso.

4 – DEVER DOS PAIS COM OS FILHOS (Ef 6.4).

Nem um de nós é perfeito. Somos falhos, e por sermos falhos, cometemos muitos erros. Mas nós como pais devemos lutar para não errarmos, ou se errarmos, errarmos o menos possível e que tal erro não traga consequências devastadoras para dentro do nosso lar. Devemos nos esforçar para sermos como Abraão um homem de fé, e como Jó, um homem de oração. E devemos fazer de tudo para não cairmos no erro de Gileade.

No entanto, devemos lutar por exercer uma quarta coisa. Aquilo que o apóstolo Paulo nos fala em Efésios 6.4. O texto que lemos no início, que nos diz:

“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (ARA).

O apóstolo Paulo nos dá quatro conselhos em relação a educação dos filhos.

1º - Os pais não devem lhes provocar a ira. No tempo de Paulo, o pai exercia autoridade suprema sobre a família. No mundo greco-romano, as crianças gozavam, em geral, de pouquíssima estima. Os romanos simplesmente numeravam suas filhas, e também seus filhos homens a partir do terceiro ou quinto não recebiam nomes. A manifestação mais clara deste status baixo conferido às crianças era o costume amplamente difundido de enjeitar recém-nascidos. As crianças eram descartáveis no sentido literal da palavra. Em Roma, o recém-nascido era deitado aos pés do pai. Se o pai não o levantava e reconhecia como filho, era abandonado. O verbo que em latim significa “levantar” (suscipere) passou a ser sinônimo para sobrevivência. Muitas das crianças abandonadas morriam. Outras eram criadas para serem escravos. Os rapazes eventualmente eram obrigados a se tornarem gladiadores, enquanto que as moças acabavam se prostituindo. Sêneca, o Velho, um contemporâneo de Jesus, relata que em seu tempo mendigos profissionais recolhiam as crianças abandonadas, mutilavam-nas e depois exploravam seu estado lastimável para conseguir esmolas [8].

Para os judeus no entanto, as crianças eram consideradas dádivas de Deus e era uma forma da continuidade da raça. Com a vinda do Messias esse quadro se tornou ainda mais importante, pois não só os adultos eram valorizados, mas também as crianças eram respeitadas.

A personalidade da criança é frágil, e os pais podem abusar de sua autoridade usando ironia e ridicularização. O excesso ou a ausência de autoridade provoca ira nos filhos e leva os filhos ao desânimo. Cada criança é uma pessoa peculiar e precisa ser respeitada em sua individualidade.

O Reverendo Hernandes Dias Lopes citando William Hendriksen aborda seis atitudes dos pais que provocam a ira nos filhos:

1) Excesso de proteção; 2) favoritismo; 3) desestímulo; 4) não reconhecimento do fato de que o filho está crescendo e, portanto, tem o direito de ter suas próprias ideias e de que não precisa ser uma cópia exata do pai para ter êxito na vida; 5) negligência; e 6) palavras ásperas e crueldade física [9].

Calvino diz que os pais, por sua vez, são exortados a que não irritem seus filhos com imoderada severidade. Tal atitude excitaria o ódio e os levaria a lançar de si o jugo [paterno] de uma vez para sempre. Consequentemente, em Colossenses 3.21 ele adiciona: “para que não fiquem desanimados". O tratamento bondoso e liberal conserva a reverência dos filhos para com seus pais, e aumenta a prontidão e a alegria de sua obediência; enquanto que a severidade austera e inclemente suscita sua obstinação e destrói seu senso de dever [10].

2º - Os pais devem cuidar da vida física e emocional dos filhos. O texto diz: “criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”. O verbo traduzido por “criar” é a mesma palavra traduzida por “alimentar” em Efésios 5.29. O marido cristão deve nutrir a esposa e os filhos dando lhes amor e ânimo no Senhor. Não basta cuidar dos filhos fisicamente providenciando alimento, abrigo e roupas. Também deve lhes dar alimento emocional e espiritual [11].

3º - Os pais devem disciplinar os seus filhos. A palavra grega paideia, “disciplina”, tem o sentido de treinamento por meio da disciplina. Da palavra disciplina vem a palavra discípulo em português.

Provérbios 29.15 afirma que “A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe”; e é justamente a consequência dessa sabedoria proverbial que a Suécia está enfrentando, na prática, hoje em dia, por proibir as palmadas: uma geração de crianças mimadas. Tanto que em inglês a palavra “spoiled child” transmite a ideia de uma criança chata, com comportamentos inapropriados devido ao excesso contínuo de bajulações e a falta de repreensão. Spoiled significa estragado, deteriorado. 

Em provérbios 13.24 diz: “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina”.

A disciplina é um princípio fundamental da vida e uma demonstração de amor. Como nos diz em Hebreus 12.6-8: “porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos”.

4º - Os pais devem instruir e encorajar os seus filhos através da Palavra. Esse é o termo para admoestação; nouthesia no grego. Esse termo quer dizer educação verbal. É educar através da palavra falada, seja de ensino, seja de advertência, seja de estímulo. E esta instrução deve estar de acordo com a Palavra de Deus.

Mas observe que tudo isso deve ser feito de acordo com o Senhor: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”.  

A expressão “do Senhor” revela que os responsáveis pela educação cristã dos filhos não são: o Estado, a escola nem mesmo a igreja, mas os próprios pais.

Quando a Suprema Corte dos Estados Unidos deu seu veto contrário à obrigatoriedade de orar nas escolas públicas, o famoso cartunista Herblock publicou uma tira no jornal Washington Post mostrando um pai irado sacudindo um jornal para a família e gritando:

- Só faltava essa! Agora querem que a gente ouça as crianças orando em casa?

A resposta é: sim! O lar é o lugar onde as crianças devem aprender sobre o Senhor e a vida cristã [12]. 

CONCLUSÃO 
  
Ser pai cristão é entender que temos uma grande responsabilidade sobre os nossos ombros e que não podemos negligenciá-la, muito pelo contrário, devemos abraça-la com alegria e com maior afinco.

Sabemos que os dias estão muito difíceis para os nossos filhos e, principalmente, para educa-los nos caminhos do Senhor. A mídia e o governo estão fazendo de tudo para que os nossos filhos sejam tudo, menos servos do Senhor Jesus. O Estado está tentando a todo custo interferir na educação cristã; estão tentando desvirtuar os ensinamentos bíblicos adquiridos no lar e nas igrejas. Por isso, mais do que nunca, devemos estar preparados para guerrear pelos nossos filhos sendo exemplo para eles e para a sociedade. Sendo melhores crentes, melhores maridos e melhores pais para que amanhã nossos filhos possam andar em nossas pisadas e não errarem o Caminho, pois se trilharmos o Caminho que é Jesus, eles, pela fé, trilharão também. Por isso devemos ensinar No Caminho aos nossos filhos e não O Caminho como muitos tem feito.

Pense Nisso!

Fonte:  

1 – Lopes, Hernandes Dias. Pai, um homem de valor. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 5ª reimpressão 2012: p. 43.
2 –Ibid. p. 48-50.
3 – Christenson, Larry. A Família do Cristão. Ed. Betânia, Venda Nova, MG, 5ª edição 1996: p. 161.
4 – Swindoll, Charles R. Jó, um homem de tolerância histórica. Ed. Mundo Cristão, São Paulo, SP, 9ª reimpressão 2014: p. 18.
5 – Borges, Marcos de Souza. O Avivamento do Odre Novo. Ed. JOCUM, Paraná, 7ª edição 2011: p. 187.
6 – Grudem, Wayne e Rainey, Dennis. Famílias fortes, igrejas fortes – os desafios do aconselhamento familiar. Ed. Vida, São Paulo, SP, 2ª reimpressão 2013: p. 136.
7 – Wiersbe, Warren W. O Novo Testamento 2, comentário bíblico expositivo, vol. 6. Ed. Geográfica, Santo André, SP, 6ª reimpressão, 2012: p. 69. 
8 – Weber, Hans-Ruedi. Jesus e as Crianças. Ed. Sinodal, São Leopoldo, RS, 1986: p. 10,11.
9 – Lopes, Hernandes Dias. Efésios, igreja a noiva de Cristo. Ed. Hagnos, São Paulo, 2010: p. 165.
10 – Calvino, João. Série Comentários Bíblicos – Gálatas, Efésios, Filipenses e Colossenses. Ed. Fiel, São José dos Campos, São Paulo, SP, 2015: p. 351.
11 – Wiersbe, Warren W. O Novo Testamento 2, comentário bíblico expositivo, vol. 6. Ed. Geográfica, Santo André, SP, 6ª reimpressão, 2012: p. 70. 
12 – Ibid., p. 70.