quinta-feira, 11 de julho de 2019

DÍZIMOS E OFERTAS HOJE



Por Pr. Silas Figueira

INTRODUÇÃO

Texto base: Malaquias 3.6-12

O livro do profeta Malaquias foi escrito num período de grande crise espiritual em Israel. O povo havia voltado do cativeiro babilônico, no entanto, eles ainda não haviam aprendido nada com este cativeiro. Apesar de o Senhor ter colocado à frente deles líderes como Zorobabel, Esdras e Neemias e ter levantado profetas para motivá-los, o povo e os seus líderes continuavam em total descaso para com Deus e o culto que lhe era devido. Os tempos mudaram, mas o coração do povo não.

Sabemos que Malaquias foi um profeta pós-exílio e muitos o colocam num período entre a ausência de Neemias (doze anos), ou até mesmo depois de Neemias, tendo em vista que ele trata dos mesmos problemas que Neemias enfrentou quando ao seu retorno da Pérsia: sacerdócio corrompido, retenção dos dízimos e casamento misto.

Apesar de o templo estar reconstruído, o culto, entretanto, estava sendo oferecido com total desleixo. Havia frieza espiritual por parte do povo e, pior, dos sacerdotes. Estes eram somente profissionais no seu ofício e o povo somente religiosos. Infelizmente, nada diferente dos dias de hoje.

Warren W. Wiersbe conta uma história a respeito de uma senhora que havia repreendido o seu pastor por fazer uma série se sermões sobre “Os pecados dos santos”.
- Afinal – argumentou ela –, os pecados dos cristãos são diferentes dos pecados de outras pessoas.
-Sem dúvida – disse o pastor. - São piores.

São piores porque, quando os cristãos pecam, não apenas transgridem a lei de Deus, mas também entristecem o coração do Senhor [1].

O livro de Malaquias descreve alguns pecados que são comuns nos dias de hoje e que tem sido negligenciado por muitos cristãos: casamentos mistos com pagãos, a contaminação do sacerdócio, opressão dos pobres, descaso para com a religião (religiosidade morta), e por fim a negligência para com os dízimos e as ofertas.

De todos os pecados citados por Malaquias somente os dízimos, principalmente estes, são os mais questionados nos dias de hoje. Para muitos essa exigência ficou no Antigo Testamento, hoje, segundo eles, estamos debaixo da graça e isso não é mais necessário. Não há mais sacerdócio hoje e muito menos templo como havia antigamente. O Novo Testamento não fala sobre esse assunto. Enfim, não faltam argumentos para não se entregar o dízimo.

Mas é sobre este assunto que eu quero tratar com você. Vamos analisar o que a Bíblia tem a nos falar sobre esse assunto tão polêmico em nossos dias.

Antes de entrarmos propriamente no assunto “dízimo”, é necessário entendermos o que estava se passando naquela época e que é um reflexo da igreja atual.

Quais a lições que aprendemos aqui:

1 – EM PRIMEIRO LUGAR, DEVEMOS ENTENDER QUE DEUS É IMUTÁVEL (Ml 3.6).

A imutabilidade de Deus nos dá garantia de que aquilo que Ele prometeu irá se cumprir, mas também é um alerta em relação a aquilo que Ele exige do seu povo continua inalterado. Como nos fala Tiago 1.17: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança” (ACF), ou “sombra de variação” (ARA).

Por isso que, apesar de o Senhor ser provocado até ao limite, não se torna menos misericordioso [2]. A imutabilidade de Deus foi a causa do povo de Israel não ter sido consumido porque havia uma aliança entre Deus e Israel. Mas em que consistia essa aliança? Os termos da aliança eram estes: se o povo obedecesse a Deus, este o abençoaria; mas, se o povo desobedecesse a ele, seria castigado. E através da Lei dada por meio de Moisés o povo firmou essa aliança.

Em Deuteronômio 28 vemos as consequências da obediência – as bênçãos, e as consequências da desobediência – as maldições. E no capítulo 29 temos a renovação da aliança.

Foi esta aliança feita que o povo de Israel estava quebrando, e, devido a isso, estavam colhendo os frutos amargos dela proveniente.

O Rev. Hernandes Dias Lopes comentando sobre este texto nos mostra três verdades importantes em relação a Sua aliança com Seu povo [3]:

1oEm primeiro lugar, Deus é imutável em seu ser. Deus não tem picos de crise. Seu amor por nós não passa por baixas. Em outras palavras: Deus não é bipolar. Nele não há sombra de variação (Tg 1.17).

2oEm segundo lugar, Deus, é imutável em relação à Sua aliança conosco. Deus é leal ao compromisso que assume. Por isso que ainda que sejamos infiéis, Deus é permanece fiel (2Tm 2.13).

3oEm terceiro lugar, a imutabilidade de Deus é a nossa segurança. A imutabilidade de Deus é a causa de nós não sermos destruídos. Se Deus nos tratasse segundo os nossos pecados, estaríamos arruinados.

Se Deus não muda, isso deveria ser motivo para o povo temer ainda mais a Deus, no entanto, eles estavam vivendo em um total desleixo e apatia espiritual. A nação não estava temendo a Deus. Achavam que Deus era como eles e que faria vista grossa ao pecado. Assim como o antigo Israel estava cego em relação a Deus e a sua imutabilidade, a igreja de hoje também passa pelo mesmo problema. Passam-se os anos, mas os pecados continuam os mesmos.

O SENHOR através de Malaquias continua a chamar a atenção ao pecado do povo e nos serve de alerta hoje. Como disse Paulo em sua primeira carta aos Coríntios 10.6:

Essas coisas ocorreram como exemplos para nós, para que não cobicemos coisas más, como eles fizeram”.

Da mesma forma o relato do livro de Malaquias no serve de alerta hoje.

2 – EM SEGUNDA LUGAR, O SENHOR FAZ UM CONVITE AO ARREPENDIMENTO (Ml 3.7).

Devido à aliança quebrada, não havia como o Senhor abençoar de forma plena o Seu povo. A bênção e a maldição são uma via de mão dupla. O povo queria as bênçãos do Senhor, mas não queriam compromisso em cumprir integralmente a Lei por Ele estabelecida, devido a isso, o Senhor retinha as bênçãos sobre eles.

Como nos fala Oseias 4.9: “Como é o povo, assim é o sacerdote”, assim se encontrava a nação desviada de Deus.

No entanto, vemos nesse texto o Senhor mais uma vez usando de misericórdia com Seu povo. O Senhor estende a Sua mão em direção ao povo e os convida ao arrependimento. Champlin diz que a idolatria – adultério – apostasia começou cedo na história de Israel e persistiu por longo tempo. Na geração de Malaquias, aquele povo se tornou perito em pecar e debochar, imitando as corrupções antigas da nação, misturando múltiplos pecados pagãos. Há muito a Lei de Moisés tinha deixado de ser o guia […]. Portanto, eram necessário o arrependimento decisivo e a volta para YAHWEH [4].

O Rev. Hernandes Dias Lopes nos fala a respeito de quatro verdades fundamentais nesse convite gracioso de Deus [5]:

1o Em primeiro lugar, a paciência perseverante do restaurador (Ml 3.7a). A geração de Malaquias estava no mesmo curso de desvio e desobediência dos seus pais. O que não é diferente dos dias de hoje onde encontramos uma igreja longe de Deus, mas vemos a Sua mão estendida para esta mesma igreja.

2o Em segundo lugar, o profundo anseio do restaurador. “Tornai-vos para mim…” (Ml 3.7). “Voltem para mim...” (NVI). Deus não quer apenas uma volta a determinados ritos sagrados, a uma religiosidade formal. Ele quer comunhão, relacionamento. Por isso essa palavra. Não é diferente hoje, o cristianismo é mais que uma religião de credos, é comunhão com uma pessoa, com a Pessoa bendita de Deus. É um relacionamento vivo com um Deus vivo.

3oEm terceiro lugar, a dinâmica relacional do restaurador (Ml 3.7b). Quando nos voltamos para Deus com nosso coração arrependido, nós o encontramos de braços abertos para nos receber de volta. Assim como o pai do filho pródigo fez com seu filho que retornou para casa arrependido.

O que lemos aqui em Malaquias é o que vemos hoje através da pessoa de Jesus Cristo que pagou um alto preço por nós para nos reconciliar com o Pai. Como lemos em 2Co 5.19:

Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação”.

4o Em quarto lugar, a insensibilidade espiritual dos que são chamados à restauração (Ml 3.7c). Pior que o pecado é a insensibilidade a ele. Pior que a transgressão é a falta de consciência dela. A cauterização e o anestesiamento da consciência são estágios mais avançados da decadência espiritual.

Hoje estamos vendo o mesmo ocorrendo em muitas igrejas. Vemos uma liderança entorpecida pelo pecado e fazendo olhos e ouvidos de mercador diante do pecado nas igrejas que lideram.

3 – A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO AQUI É QUE O HOMEM PODE ROUBAR A DEUS (Ml 3.8,9).

O pecado que encabeça a lista é seu roubo a Deus. Eles roubaram a Deus, não trazendo [os dízimos e] as ofertas exigidas por Moisés, substituindo-os por animais defeituosos; também não trouxeram as ofertas necessárias para o sustento do ministério e do culto no templo. Foram ladrões das coisas divinas, um crime agravado [6]. Estavam como Acã roubando as coisas consagradas a Deus e trazendo sobre si e seus familiares a maldição.

Quando olhamos para esse texto que nos fala a respeito do dízimo, muitas pessoas pensam que esse texto ficou reservado ao Antigo Testamento. Muitas dessas pessoas pensam assim porque há em nossos dias líderes (não poucos), que destorcem a Palavra de Deus e fazem do dízimo um patuá. Uma forma de espantar toda e qualquer ação de Satanás sobre nossas vidas.

Quais são os erros mais frequentes que vemos em muitos ministérios em relação aos dízimos e as ofertas? Erros esses que trazem grandes escândalos em nosso meio:

1 – A manipulação de pastores para arrecadar dinheiro. Usam texto fora de contexto para manipular os incautos. E muitos desses líderes acumulam riquezas através de seus “ministérios”. E são esses que mais aparecem na mídia.

2 – Usam a oferta e o dízimo como barganha. Esses falsos pastores fazem com que as pessoas acreditem que a entrega dos seus dízimos e de suas ofertas vai fazer com que os ofertantes fiquem ricos, alcancem sucesso e tenha excelente saúde. E ainda dizem que quanto mais contribuírem mais receberão. Como se Deus fosse obrigado a cumprir uma palavra que não disse. Usando texto fora de seu contexto, na verdade estão gerando ganância no coração das pessoas. Eles centralizam no homem o culto e ensinam que essa entrega é uma aposta segura e um grande sucesso financeiro.

Claro que existe a lei da semeadura. Seríamos desleais com a Palavra de Deus que nos mostra claramente esta lei (2C 9.6-10; Pv 11.17,24,25,19.17; At 20.25; Gl 6.9,10). O que estamos falando aqui não é o dar e receber como nos diz esses textos, mas a motivação dessa entrega. No entanto, as pessoas que estão indo nesses lugares onde destorcem a Palavra, não estão entregando as suas ofertas e seus dízimos como culto a Deus, mas como barganha. Negociata. Um “toma lá dá cá”.
3 – O falso ensina da teologia da prosperidade. Em muitos púlpitos o verdadeiro evangelho já não existe a muito tempo. Foi substituído pelo evangelho da prosperidade que promete um paraíso aqui na terra. Como um certo “pastor” disse que Deus havia lhe revelado em oração pela madrugada que Jó passou por tudo que passou porque ele não era dizimista [7], ou seja, segundo esse indivíduo, Jó estaria blindado contra todo e qualquer mal se fosse dizimista e ofertante.

4 – O mercadejamento da Palavra de Deus. São os famosos cachês para os pregadores e cantores. Pessoas que querem ser tratados como astros e estrelas, ícones. Gente que acende os holofotes para si mesmos. Com isso Cristo e sua Palavra ficam em último plano, quando ficam em algum lugar na vida e nas palavras dessas pessoas.

Poderíamos citar muito mais coisas, mas creio que o que foi dito aqui já é o suficiente para entendermos o porquê de tantos escândalos em nosso meio em relação aos dízimos e as ofertas.

4 – A QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO AQUI É QUE ESTAMOS ROUBANDO A DEUS RETENDO OS NOSSOS DÍZIMOS E AS NOSSAS OFERTAS (Ml 3.8,9).

As necessidades dos sacerdotes e levitas eram supridas pelos sacrifícios e também pelos dízimos e ofertas levados ao templo pelo povo. A palavra “dízimo” vem do termo hebraico maaser e do grego dexatem que quer dizer “dez”. O dízimo é 10% dos grãos, dos frutos, dos animais ou do dinheiro de uma pessoa (Lv 27.30-34; Ne 13.5). Havia no templo depósitos especiais para guardar grãos, frutos e dinheiro que o povo levava para o Senhor em obediência a sua lei. Se as pessoas não quisessem carregar produtos pesados, podiam convertê-los em dinheiro, mas deviam acrescentar 20% só para certificar-se de que não estavam lucrando nem roubando a Deus (Lv 27.31) [8].

Dízimos e ofertas do tempo da graça. Muitas pessoas dizem que não são dizimistas porque o dízimo faz parte da lei cerimonial, e esta foi abolida na cruz.

De todas as críticas feitas à doutrina do dízimo, talvez esta seja a mais frequente. Se esta prática era para o Antigo Pacto, logo estou desobrigado de tal coisa hoje. No entanto, esta prática do dízimo está presente em toda a Bíblia.

A entrega do dízimo no Antigo Testamento era um gesto de adoração a Deus que vinha antes da Lei. Esse gesto vinha desde a ocasião em que Abrão deu o dízimo a Melquisedeque, reconhecendo que este sacerdote era o representante do Deus Altíssimo (Gn 14.20; Hb 7.1-10. Jacó fez um voto ao Senhor de que daria o dízimo o Gn 28.18-22), de modo que esta prática é antes da Lei de Moisés. Posteriormente, o dízimo foi incorporado oficialmente à Lei como parte da adoração a Deus.

A entrega do dízimo está presente em toda a Bíblia. Está presente nos livros da lei (Nm 18.21-32), nos Livros Históricos (Ne 13.10-14), nos livros poéticos (Pv 3.9,10) e nos livros proféticos (Ml 3.8-12). No Novo Testamento está presente nos Evangelhos (Mt 23.23) como nas Epístolas (Hb 7.1-19; 1Co 9.11-14).

Preste atenção no texto de 1Co 9.11-14 onde Paulo deixa claro que no ministério de hoje, na vigência da Nova Aliança, os que pregam o evangelho (pastores, missionários), devem viver do ministério.

Embora a ordem levítica tenha cessado com o advento da Nova Aliança (Hb 7.18), os dízimos não cessaram, porque Abraão, como pai da fé, entregou o dízimo a Melquisedeque, um tipo de Cristo (Hb 7.17).

O Senhor não precisa de nada, pois todas as coisas lhe pertencem (Sl 50.9-15; At 17.25). A entrega do dízimo não é porque o Senhor necessita de alguma coisa, mas é um sinal de obediência a Sua Palavra. Pois como disse o Senhor Jesus:

Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a

ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt 6.19-21).

Não quero dizer aqui que devemos entregar tudo que temos a igreja, mas devemos ser fiéis a Deus e sempre confiar que quem nos sustenta é o Senhor. Que o melhor investimento que podemos fazer é em Seu reino.

O apóstolo Paulo ensina que a contribuição deve ser pela graça (1Co 16.1,2; 2Co 9.7), de acordo com a renda de cada um, que certamente vai além dos 10%. Deveria ser entregue com alegria e não por constrangimento. E como já falamos, nem muito menos por barganha.

Se no tempo da Antiga Aliança se entregava a décima parte, hoje muito mais, no tempo da graça, na Nova Aliança. Reconhecendo o sacrifício de Jesus na cruz e a necessidade de que esse Evangelho chegue ao maior número possível de pessoas, vendo a necessidade da igreja local e emprenho dos líderes em pregar um Evangelho cristocêntrico. Devemos assim investir parte dos nossos ganhos reconhecendo esse ministério e em obediência a ordem do Senhor.

Em outras palavras, se os cristãos acreditam que, se os antigos fiéis sob a antiga aliança davam o dízimo, então como os cristãos sob a nova aliança podem começar com qualquer quantia abaixo disso? [9].

É preciso deixar claro que o dízimo não é uma questão somente financeira. Trata-se do reconhecimento de que tudo o que existe é de Deus. Não trouxemos nada para este mundo nem para dele levaremos (1Tm 6.7). Somos apenas mordomos de Deus e, no exercício dessa mordomia, devemos ser achados fiéis (1Co 4.2). O dízimo é um sinal de fidelidade a Deus e confiança em sua providência. A entrega dos dízimos é uma ordenança divina. Não temos licença para retê-lo, subtrai-lo nem administrá-lo (Ml 3.8-10).

Malaquias deixa claro que quem não entregava o dízimo estava roubando três vezes [10]:

1o – Estavam roubando de Deus (Ml 3.7,8). As necessidades dos sacerdotes e levitas eram supridas pelos sacrifícios e também pelos dízimos, e estes eram representantes legais de Deus aqui na terra.

2o – Estavam roubando a si mesmos (Ml 3.9-11). Sempre que roubamos de Deus, também roubamos de nós mesmos. Preste atenção, se o Senhor nos incentiva a contribuir não será lógico que Ele nos dará condições para contribuir? Por isso que quando não contribuímos nós atraímos dificuldades para nós e para os outros.

a) Privamo-nos das bênçãos espirituais que sempre acompanham a obediência e a contribuição fiel (2Co 9.6-15). Se nós não confiamos que Deus cuida de nós, então qualquer coisa em que confiamos se mostrará inútil.

b) O dinheiro que pertence a Deus nunca fica conosco (Ag 1.6). Só quem é dizimista fiel sabe do quanto esse dinheiro que fica em nossas mãos rende. Não falo por ouvir falar, mas por experiência.

3o – Estavam roubando dos outros (Ml 3.12). Como as nações ao redor saberiam o quanto Deus estava abençoando Israel? Através das bênçãos derramadas sobre a nação. Mas se eles eram infiéis o Senhor não tinha como abençoá-los. Diante disso os povos ao redor não poderiam ver sobre eles as bênçãos de Deus e também não poderiam confiar no Deus que eles diziam que havia feito grandes coisas por eles. Era uma coisa lógica. O mesmo ocorre com cada um de nós hoje. Observe a vida de uma pessoa que é fiel a Deus e uma que não é. E não falo pelos bens que uma e a outra possui, mas pelas bênçãos espirituais que brotam em abundância sobre a vida da pessoa. Se você não crê observe.

5 – QUINTA LIÇÃO QUE APRENDO AQUI SÃO AS CONSEQUÊNCIAS ESPIRITUAIS (Ml 3.9-11).

Há pessoas que ensinam ou que aprenderam que o devorador é um demônio, mas, na verdade, o Senhor está falando de gafanhotos, não de demônios, que devoravam a plantação dos israelitas. Mas quem tem todo poder e autoridade sobre todas as coisas é o nosso Deus.

Vemos isto claramente descrito no livro de Jonas quando o Senhor usa a natureza para ensinar grandes lições ao seu servo – a chuva, o grande peixe, a planta que cresce e depois é morta por um verme, o vento – tudo está debaixo da autoridade do nosso Deus. Até os gafanhotos que Joel descreve em seu livro (Joel 1.4,2.25).

O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor. Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador, o meu grande exército que enviei contra vós outros” (ARA).

Não quero dizer com isso que os fiéis nos dízimos não passarão por dificuldades e que não ficarão doentes. Longe disso. Eu quero dizer que o Senhor guarda e sustenta os seus servos e os acompanha nas suas tribulações. Como disse Paulo em sua segunda carta a Timóteo 4.16-18:

Na minha primeira defesa, ninguém apareceu para me apoiar; todos me abandonaram. Que isso não lhes seja cobrado. Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada, e todos os gentios a ouvissem. E eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará de toda obra maligna e me levará a salvo para o seu Reino celestial. A ele seja a glória para todo o sempre. Amém” (NVI).

Quando não somos fiéis duas coisas ocorrerão, segundo o texto de Malaquias:

a) O Senhor reterá as suas bênçãos (Ml 3.9). Observe que o Senhor diz que devido à infidelidade do povo eles estavam sendo amaldiçoados. Não é o Senhor que amaldiçoa, mas Ele deixa de abençoar. A desobediência sempre desemboca em maldição. Isso é muito sério.

b) O devorador pode ser tudo aquilo que subtrai nossos bens. Quando retemos o que pertence a Deus, o devorador come o que deveríamos entregar no altar do Senhor. Isso é fé, não lógica.

Quando somos fiéis duas coisas ocorrerão:

c) As bênçãos que acompanham a restauração que o Senhor realiza (Ml 3.10-12). O Senhor diz que irá nos abrir as janelas do céu. Todas as ricas bênçãos procede somente de Deus. Isso significa fartura em nossa vida. A Bíblia nos fala que o que plantamos colhemos, então, pela lógica da fé, iremos colher abundante colheita espiritual que se tornarão bênçãos materiais (Lc 6.38).

d) E teremos uma vida feliz (Ml 3.12). Essas são algumas bênçãos que acompanham o servo fiel. Nos faltaria tempo para descrever todas que acompanham aqueles que temem e obedecem ao Senhor.

O que você planta você colhe. Isso é uma lei espiritual.

Pense Nisso!

Fonte:

1 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo, Proféticos vol. 4, p. 591.
2 – Champlin, R. N. O Antigo Testamento Interpretado, Versículo por Versículo, vol. 5, p. 3710.
3 – Lopes, Hernandes Dias. Malaquias, a igreja no tribunal de Deus, p. 90.
4 – Champlin, R. N. O Antigo Testamento Interpretado, Versículo por Versículo, vol. 5, p. 3710.
5 – Lopes, Hernandes Dias. Malaquias, a igreja no tribunal de Deus, p. 91,92.
6 – Champlin, R. N. O Antigo Testamento Interpretado, Versículo por Versículo, vol. 5, p. 3711.
7 – Silveira, Jerônimo Onofre da. Os Exterminadores de Riquezas.
8 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo, Proféticos vol. 4, p. 602.
9 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo, Proféticos vol. 4, p. 602.
10 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo, Proféticos vol. 4, p. 603.

terça-feira, 18 de junho de 2019

A Igreja Verdadeira


Por Pr. Roque Lopes de Carvalho Filho

Introdução

Com tantas igrejas existentes, cria-se uma dificuldade: Qual igreja seguir e em qual acreditar? Quem "pegar o bonde da salvação errado, vai desembarcar no céu errado"? Muitas têm características da igreja verdadeira, mas só com objetivo de atrair as pessoas. A igreja verdadeira não é caracterizada pela prática de expulsão de demônios ou pelo uso do nome de Jesus. Há igrejas que até usam o nome de Jesus, expelem demônios em seu nome, mas ele não as reconhece (Mateus 7.22-23). Há elementos fundamentais que não podem faltar a uma igreja verdadeira. Vejamos alguns.

Serve ao Deus verdadeiro

Os hindus creem em cerca de 300 milhões de deuses. Adoram macacos, elefantes, vacas, cobras e até ratos. Embora se creia na existência de muitos deuses, que elementos os tornam verdadeiros? O apóstolo Paulo disse aos coríntios:

"Pois, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também" (I Coríntios 8.5-6 ACF1).

Não é somente a letra maiúscula que define um Deus verdadeiro, é a sua natureza (Gálatas 4.8). Um Deus verdadeiro não tem princípio nem fim (Gênesis 21.33). É o criador de todas as coisas (Salmo 102:25) (Isaías 44.24; 45.18). É único (Deuteronômio 6:4) (Isaías 44.6; 46.9). Ele sabe todas as coisas (Isaías 44.7-9). Ele não se deixa manipular através de imagens (Êxodo 20.3-5) (Salmo 115.3-10). Não é uma energia ou uma força impessoal, ele é uma pessoa e se comunica com seu povo (Gênesis 9.8;12:1) (2 Crônicas 7.14). Conhece profundamente o homem (Hebreus 4:13). Um "Deus conosco" (Mateus 1.23), presente entre o seu povo. Que se manifestou em carne, e se fez homem (João 1.14). Só restará um Deus no universo (Jeremias 10.11), o Deus que se manifestou a Israel (Deuteronômio 7.6), e que foi revelado por Jesus Cristo (João 17.3-6).

Tem a escritura verdadeira

Conta-se que o filósofo francês Voltaire (1694-1778) teria afirmado que a Bíblia, cem anos após a sua morte, seria um livro esquecido, ultrapassado, e empoeirado em todas as estantes em que estivesse. Antes que se completassem os cem anos de sua morte, na casa em que ele residia, abriu-se uma editora de Bíblias. Voltaire não conhecia a Bíblia, pois ela diz:

"Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão" (Mateus 24.35).

São palavras verdadeiras (João 17.17), de um Deus verdadeiro (I João 5.20). A Bíblia é divinamente inspirada (2 Timóteo 3.16-17) (2 Pedro 1.20-21). Ela mergulha profundamente dentro do homem com eficácia, discernindo todo o seu interior (Hebreus 4.12). Nela o homem deve meditar de dia e de noite (Josué 1:8) (Salmo 1.2).

Vale a pena ressaltar que alguns céticos, tentando denegrir as palavras da Bíblia, têm afirmado pejorativamente: "Lembrem-se, a Bíblia foi escrita por homens"! Citando as palavras do pastor Paulo Romero, respondemos: "E vocês queriam que fosse escrita por um cavalo?" Deus usou o que era mais óbvio, o homem, ser inteligente e capaz. E a escrita, comum a todos os povos, o meio prático de que sua Palavra passaria de geração a geração (Deuteronômio 6.6-9).

Tem o Messias verdadeiro

Muitos homens têm vindo ao mundo afirmando que foram enviados por Deus ou foram tidos como deuses: Buda, Maomé, Zoroastro, Confúcio, reverendo Moon, Yuri Tais, e tantos outros. Dizem-se portadores de uma mensagem divina. São eles messias verdadeiros? O que dizem veio de um Deus verdadeiro? quais as credenciais de um verdadeiro messias? Vejamos algumas: O reconhecimento do próprio Deus (Mateus 3.17) (1 João 5:9), profecias se cumpriram a seu respeito (Isaías 7.14; 9:6; 11.1-5;53:1-7), a natureza de sua missão (Lucas 4.14-21), os poderes que possui (Lucas 7.12-15), a autoridade que tem (Mateus 7.29), a capacidade de aproximar o homem de Deus (João 1:29) (1 João 1.7), a capacidade de vencer a morte (Lucas 24:1-6), de perdoar pecados (Lucas 5.20), sua origem celestial (João 3.11-13).

Napoleão Bonaparte, francês que tentou conquistar o mundo, disse o seguinte sobre Jesus: "Eu tive um reino que desmoronou rapidamente. Onde estão os meus seguidores? Onde estão aqueles que vinham aprender as minhas palavras? Onde estão os impérios que se ergueram na humanidade: babilônios, assírios, gregos e romanos? Todos acabaram assim como o meu. Mas Jesus Cristo ergueu um reino que já dura quase dois mil anos, e não terá fim". Jesus dividiu a história, e sem ele a história é incompreensível. Ele é Senhor, Rei e Deus (Apocalipse 17:14) (Tito 2.13). O Messias verdadeiro traz em suas mãos as chagas deixadas pela cruz, na qual morreu para salvar todo aquele que nele crê (João 20.24-29) (Colossenses 2.13-17). Jesus Cristo é o Messias verdadeiro, todos os outros são falsos (Mateus 24.24). "Jesus não é maior do que Buda, Maomé, Zoroastro, Confúcio, Kardec, ou qualquer outro, Jesus é incomparável".

Tem a Mensagem verdadeira

Conta-se que um menino de cinco anos estava no gabinete de seu pai fazendo-lhe várias perguntas. O pai, não conseguindo trabalhar, pegou um mapa com todos os países do mundo e recortou-os um por um, pedindo ao menino que os levasse para seu quarto e os colocasse em ordem. Não demorou cinco minutos e o menino já estava de volta com o mapa montado. O pai, espantado com a rapidez do menino, perguntou-lhe como havia montado tão facilmente o mapa. O Menino respondeu: "Havia um homem desenhado do outro lado, do tamanho do mapa, depois que coloquei o homem em ordem, vi que tinha colocado o mundo também". Só há uma forma deste mundo se tornar melhor, é mudar o ser humano, e a Bíblia é o livro que tem esta proposta(João 2.25) (1 Coríntios 15.1-4). A mensagem verdadeira é baseada na graça de Deus, arrependimento de pecados, não em méritos humanos. (Atos 17.30) (Efésios 2.8-9). É uma mensagem de salvação e vida eterna (Atos 16.29-31) (João 3.16). Infelizmente esta mensagem tem sido distorcida, e muitas pessoas já não se aproximam mais de Jesus pela cruz (João 12.32-33), mas por interesses pessoais. Várias tendências teológicas têm surgido, distorcendo a verdadeira mensagem da salvação: unção do riso, vômito do Espírito, maldição hereditária, regressão, dente de ouro, teologia da prosperidade. Vale a pena ressaltar que para tudo se encontra uma passagem bíblica. O chavão é: "Está na Bíblia". Satanás usou esta técnica com Jesus quando lhe disse: "...lança-te daqui abaixo; porque está escrito..." (Mateus 4.6). E citou para Jesus o Salmo 91.11-12, para que Jesus se atirasse do pináculo do templo, afirmando que os anjos do Senhor não o deixariam cair. Jesus respondeu a Satanás: "Também está escrito: Não tentarás ao Senhor teu Deus" (Mateus 4.7). Jesus usou o texto de Deuteronômio 6.16 para mostrar a Satanás que não basta apenas usar da autoridade da Bíblia em textos isolados, ela é um todo, e interpreta-se a si mesma. Apesar de todas as circunstâncias a Bíblia continua e continuará sendo o único livro verdadeiro e digno de confiança.

Tem um povo verdadeiro

Adolf Hitler quase destruiu o mundo porque achava que os alemães eram uma raça pura, superior e que só eles deveriam mandar e governar o planeta, mas os seus ideais não permaneceram. Os judeus foram considerados para Deus um povo especial, o qual ele escolheu para se manifestar (Deuteronômio 7.6). Hoje, o povo de Deus não é caracterizado pela raça, etnia, mas por ter nascido de novo (João 3.3-8). É um povo chamado e escolhido por Deus, mediante Jesus Cristo (Gálatas 3.28) (Romanos 9.21-25) (Romanos 9.27-33), que recebeu Jesus como Salvador, tornando-se filho de Deus (João 1:12). Esse povo busca as coisas de Deus (Colossenses 3.1-3) é templo do Deus verdadeiro (1 Coríntios 3.16), anda nos passos de seu Redentor(Colossenses 2.6-7), e espera a sua volta (Atos 1.11) (1 Tessalonicenses 4.16-17). Deus tem tolerado a maldade do mundo somente por causa deste povo (Mateus 24.22). É um povo selado pelo Deus verdadeiro (Efésios 1.13). É importante que se tenha em mente que a igreja é composta de pessoas imperfeitas: A igreja não é um museu para santos, mas um hospital para doentes. Jesus disse que não veio chamar justos ao arrependimento, mas pecadores (Mateus 9.12). Obviamente, espera-se que as pessoas que compõem a igreja sejam transformadas em seu viver, mas elas ainda não atingiram a perfeição.

Conta-se que uma irmã, insatisfeita com sua igreja, teria chegado para o seu pastor e lhe dito: "Estou à procura de uma igreja perfeita, com um pastor perfeito, diáconos perfeitos, ministro de música perfeito, regentes perfeitos, professores perfeitos, e membros perfeitos". O pastor lhe respondeu: "O dia em que irmã encontrar, por favor, não entre, senão a irmã vai estragá-la."

Conclusão

Alguém já disse: "Se a igreja não fosse de Deus os homens já teriam terminado com ela". Deus criou todas as coisas, e teve o bom gosto de criar tudo em ordem e perfeito. Mas o homem tem o poder de estragar tudo. A igreja foi criada por Jesus, que se entregou por ela (Efésios 5:25), ela é a noiva, bela, bonita e perfeita, e ele virá buscá-la (Apocalipse 19:7). Esta é a igreja verdadeira. Você é parte dela? Sua igreja tem estas marcas?

1 Todos os textos bíblicos citados neste estudo foram extraídos da tradução de João Ferreira de Almeida - Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF), editada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, exceto quando houver sido especificado em contrário.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

A Justificação pela Fé (Sobre a Dupla Imputação)


Por David S. Steele e Curtis C. Thomas 

A. O Significado de “Imputação”.

Imputar algo a uma pessoa significa pôr esse algo em sua conta (creditar) ou contá-la entre as coisas que lhe pertencem - ser-lhe creditado, e o que lhe é imputado passa a ser legalmente seu; é-lhe contado como sua possessão. Imputar significa contar, creditar, atribuir.

“Enquanto se faz referência ao significado de imputar, não importa quem é o que imputa, se é um homem (1 Sm 22:15) ou Deus mesmo, como vemos em Salmo 32:2; não importa o que é imputado, se uma boa ação para recompensa (Sm 106:30) ou uma ação má para castigo (Lv 17:4); e, finalmente, não importa se o imputado é algo que nos pertencia pessoalmente antes da imputação, como no caso citado anteriormente do Salmo 106:30, donde se imputa a Finéias sua própria boa ação, ou algo que não nos tem pertencido previamente, como é o caso em que Paulo pede a Filemom que uma dívida que não é sua pessoalmente, lhe seja colocada em sua conta (Fm 18). Em todos estes casos a ação de imputar é simplesmente colocar algo na conta de alguém. De forma que, quando Deus, no caso aqui, diz “imputar pecado” a alguém, o significado é que Deus considera o tal como pecador e em conseqüência, culpável e merecedor de castigo. Semelhantemente, a não imputação de pecado significa simplesmente não atribuir essa carga como base do castigo (Sl.32:2). Da mesma forma, quando Deus diz “Imputar justiça” a uma pessoa, o significado é que Deus considera judicialmente tal pessoa como justa e merecedora de todas as recompensas a que tem direito toda pessoa justa (Rm.4:6-11)”.

B. A Base da Justificação.

A dupla imputação de pecado e justiça (referidos a Cristo e ao crente) forma a base da justificação.

1. Os pecados dos crentes foram imputados a Cristo - por isto Ele sofreu e morreu na cruz (1 Pd 2:24; II. Co 5:21). Cristo foi feito legalmente responsável pelos pecados do crente, e sofreu o justo castigo que a este correspondia. Ao morrer no lugar do crente, Cristo satisfez as demandas da justiça e o libertou para sempre de toda possibilidade de condenação ou castigo. Quando os pecados do crente foram imputados a Cristo, o ato de imputação não fez a Cristo pecador ou contaminou Sua natureza -tampouco, de modo algum afetou Seu caráter; este ato só tornou Cristo o responsável legal de tais pecados. A imputação não troca a natureza de nada; somente afeta a posição legal da pessoa.

2. Jesus Cristo viveu uma vida perfeita - guardou completamente a lei de Deus. A justiça pessoal que Cristo obteve durante Sua vida na terra é imputada ao pecador no momento em que este crê. A justiça de Cristo é outorgada ao crente; e Deus o vê como se ele mesmo houvesse feito todo o bem que Cristo fez. A obediência de Cristo, Seus méritos, Sua justiça pessoal é imputada (atribuída) ao crente. Isto de modo algum troca a natureza do crente (como também a imputação de pecados a Cristo não muda a Sua natureza); somente muda a posição legal do crente diante de Deus.

C. O Meio da justificação.

O meio pelo qual o pecador recebe os benefícios da obra salvadora de Cristo (Sua vida sem pecado e Seu sacrifício), é a fé n’Ele. Ninguém pode ser justificado senão pela fé; no entanto, ninguém é justificado sobre a sua fé. A fé, em si mesma, não salva o pecador; porém o leva a Cristo, o qual é quem, de fato, salva; portanto, a fé, conquanto seja um meio necessário para a justificação, não é em si mesma a causa ou a base da justificação. “Paulo disse que os crentes são justificados dia pisteos (Rm.3:25), pistei (Rm.3:28) e ekpisteos (Rm.3:30). O dativo e a preposição dia, representam a fé como meio instrumental pelos quais Cristo e Sua justiça são imputados; a preposição ek mostra que a fé ocasiona, e logicamente precede, nossa justificação pessoal. Paulo nunca disse, e sem dúvida negaria, que os crentes são justificados dia pistin, ou seja, por causa de sua fé. Se a fé fosse a base da justificação, a fé seria, com efeito, uma obra meritória; e a mensagem do evangelho seria, depois de tudo, meramente uma nova versão da justificação por obras, doutrina considerada por Paulo como irreconciliável com a graça, e destrutiva espiritualmente (Compare Rm 4:4; 11:6; Gl .4:21-5:1 2). Paulo considera a fé, não como a causa da justificação, mas como a mão vazia, estendida, que recebe a justiça ao receber a Cristo”.

D. A distinção entre justiça “imputada” e justiça “pessoal”.

Devemos ter o cuidado de não confundir a justiça imputada (a qual recebemos pela fé e que é a única base de justificação) com os atos pessoais de justiça (santidade), realizados pelos crentes como resultado da obra do Espírito Santo em seus corações. Hodge disse:

A justiça pela qual somos justificados, não é algo feito por nós nem nada que tenhamos forjado em nós mesmos, mas algo feito por nós e a nós imputado. É a obra de Cristo, o que Ele fez e sofreu para satisfazer as demandas da lei (...) não é nada que tenhamos criado ou forjado em nós ou algo inerente em nós. Por isso dizemos que Cristo é nossa justiça; que somos justificados por Seu sangue, Sua morte, Sua obediência; somos justos nEle e somos justificados por Ele, ou em Seu nome. A justiça de Deus, revelada no Evangelho e pela qual somos constituídos justos é, portanto, a justiça perfeita de Cristo, a qual cumpre completamente todos os requisitos da lei a que os homens estão obrigados e que todos os homens tem quebrado”.

A base da justificação é A OBRA DE CRISTO, e O MEIO da justificação é a FÉ EM CRISTO.
Extraído do Livro “Romanos, um bosquejo explicativo”

Fonte: Jornal “OS PURITANOS” - Via: Monergismo

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Criação: O Fracasso Evangelical


Por P. Andrew Sandlin

Se você se pergunta por que tantos evangelicais estão se rendendo ao “casamento” entre pessoas do mesmo sexo ou a “atração” homossexual, “barrigas de aluguel”, “fluidez de gênero” e transgenerismo, parte da culpa está no DNA do próprio evangelicalismo. Os evangelicais defendem o evangelho bíblico, as boas novas de que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou dos mortos para que os pecadores pudessem ser salvos. Essa é a sua especialidade paradigmática e devemos agradecer a Deus de eles terem grande sucesso em promovê-la nos últimos dois séculos.

A marginalização criacional

Mas com essa especialização veio a marginalização de outras partes da Bíblia, a saber, a criação. Não é que os evangelicais neguem a criação. Eles frequentemente são os primeiros a defender a criação em seis dias de 24h e um dilúvio global. Todavia, eles tendem a não integrar a criação à sua cosmovisão. Pior: eles não entendem que a criação é o fundamento do evangelho. Isso é muito fácil de se provar, se você parar para pensar. O evangelho oferece a salvação dos pecados, mas o que é pecado? É uma violação da lei de Deus (1Jo 3.4). Mas como essa violação aconteceu? Ela aconteceu como resultado da distorção humana da criação. Os capítulos 1 e 2 de Gênesis expõem as leis ou normas criacionais. Elas incluem a distinção Criador-criatura, a humanidade feita à imagem de Deus, a distinção entre homem e mulher nessa imagem divina única, o imperativo da procriação, o mandato cultural, o Sábado e a bondade da própria criação. Podemos chamar isso do sistema operacional da criação. É assim que Deus montou o cosmos para funcionar.

E é justamente dentro desse sistema operacional que o software do evangelho funciona. O pecado introduziu um vírus nesse sistema operacional. O objetivo do evangelho é eliminar a esse vírus cada vez mais. O vírus não oblitera o sistema operacional, mas o danifica. O evangelho é a missão de Deus para caçar e eliminar o vírus.

Os evangélicos tendem, todavia, a internalizar, privatizar e gnosticizar o evangelho. O evangelho trata principalmente sobre conseguir que pecadores sejam perdoados por Deus e comungar com ele e levá-lo para o céu. É compreensível que, nessa linha de pensamento, tratar do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo possa ser algo periférico que tire a atenção da igreja do evangelho.Enfrentar barrigas de aluguel, armazenamento de óvulos fecundados e trans-humanismo (como o Center of Bioethics and Culture faz) é na melhor das hipóteses uma causa secundária e, na pior, uma distração da missão da igreja.

Mas se entendermos que o objetivo do evangelho é a restauração da ordem criacional de Deus, aumentar a aderência a suas normas criacionais, não só para a sua glória, mas para o nosso deleite, reconheceremos que essas tarefas e muitas outras estão bem detnro da estrutura do evangelho bíblico.

O Mediador da criação

Uma falha teológica fundamental está na raiz desse evangelho truncado. Os evangélicos modernos sabem que Jesus é o mediador da redenção, mas eles parecem menos interessados em vê-lo como o mediador da criação. Mas a Bíblia claramente ensina que ele é ambos. Veja o que Paulo escreve em Colossenses 1.13-20:

Ele [Deus o Pai] nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados [aqui temos Jesus como mediador da redenção]. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste [aqui temos Jesus como mediador da criação]. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

Para Paulo, a mediação de Jesus tanto na criação quanto na redenção integra ambas para transmitir a plenitude de Deus para e dentro do cosmos. O Jesus que morreu na rude cruz é o mesmo Jesus que moldou as leis do universo e sustenta a sua existência. 

Porque os evangélicos abraçaram uma visão truncada da Bíblia, porque eles enfatizaram o evangelho (numa construção mais estrita) como tudo que importa, eles estiveram dispostos a sacrificar as verdades criacionais mais fundamentais em que o verdadeiro evangelho está fundamentado. Eles não planejavam fazer isso. E se alguém tivesse lhes dito há 20 anos que eles um dia endossariam ou se renderiam a “fluidez de gênero” ou “‘casamento’ entre pessoas do mesmo sexo”, eles dariam risada. Mas a sua preocupação com uma parte vital da Bíblia e a relativa negligência de outras partes vitais pavimentou o caminho para essas mudanças indiscriminadas. As sementes do comprometimento atual estavam ali desde o princípio. A negligência não foi intencional, mas foi negligência mesmo assim e agora estamos pagando um preço alto por ela.

A solução para essa negligência é um retorno a uma visão robusta e completa da criação e das normas criacionais. Vamos pregar o antigo evangelho da rude cruz de Jesus e o mais antigo ainda do senhorio criacional. 

Traduzido por Guilherme Cordeiro.

Fonte: Monergismo

domingo, 2 de junho de 2019

O Esquerdismo é anticristão.


Por Josemar Bessa

Cristãos tem sido massacrados sistematicamente, e respondendo ao massacre de centenas de cristãos durante os ataques da Páscoa essa semana por terroristas islâmicos, vários proeminentes políticos democratas esquerdistas escolheram emitir declarações que omitem qualquer menção direta da identidade de fé das vítimas, ou seja, cristãos.

Obama disse o seguinte: "Os ataques aos turistas e adoradores da Páscoa no Sri Lanka são um ataque à humanidade. Em um dia dedicado ao amor, à redenção e à renovação, oramos pelas vítimas e permanecemos com o povo do Sri Lanka".

Hillary Clinton seguiu literalmente o mesmo roteiro: "Neste fim de semana sagrado para muitas religiões, devemos nos unir contra o ódio e a violência. Estou orando por todos os afetados pelos terríveis ataques de hoje aos turistas e adoradores da Páscoa no Sri Lanka."

Vários outros democratas ( Esquerdistas ) se apegaram a essa mesma frase - "adoradores da Páscoa". Se apenas um deles tivesse seguido esse caminho, talvez pudesse ser uma forma estranha de descrever o massacre aos cristãos neste Domingo de Páscoa. Mas é simplesmente impossível acreditar que vários democratas significativos ( os mais importantes - líderes ) pensariam independentemente e inocentemente em se referir às vítimas cristãs de maneira indireta e obscura – e não falando sobre atentado terrorista contra cristãos.

Eu sou cristão a vida toda, e o termo "adoradores da Páscoa", ou algo parecido, é algo totalmente estranho , mas de repente, virou expressão comum - “por pura coincidência” - na boca de todos os líderes esquerdistas na América. Judeus comemoram a páscoa, é óbvio, mas a grande maioria no mundo dos que celebram a páscoa são cristãos e o ataque foi feito em igrejas cristãs... ataques feitos por muçulmanos.

Imagine um atentado contra muçulmanos em que as pessoa se referissem simplesmente como ataques aos “observadores do Ramadã” – esse termos vago. Isso nunca acontece ou aconteceu. O temor vago nesse caso do ataque na Páscoa é totalmente proposital e geral nos líderes esquerdistas Democratas. Eles simplesmente não podem dizer ataque e massacre contra cristãos por serem cristãos. Por que ser tão vago sobre quem sofreu o ataque a não ser que haja um motivo para não reconhecer explicitamente o grupo atacado e vítima da barbárie em questão?

É a mesma razão pela qual você não verá, os ataques sem fim a cristãos na África, por exemplo, serem rotulados de cristofobia... mas qualquer coisa facilmente ser marcada e rotulada como islamofobia.

Tanto Hillary Clinton quanto Obama reagiram a um ataque há algumas semanas na Nova Zelândia de forma totalmente diferente. O que eles disseram?

Obama disse: "Michelle e eu enviamos nossas condolências ao povo da Nova Zelândia. Sofremos com vocês e a COMUNIDADE MUÇULMANA. Todos nós devemos nos opor ao ódio em todas as suas formas". Aqui é Comunidade Muçulmana e não “celebradores do Ramadã”. Mas para eles é impensável falar sobre um ataque a cristãos só porque são cristãos.

Clinton disse: "Meu coração está partido pela Nova Zelândia e pela COMUNIDADE MUÇULMANA global. Devemos continuar a combater a perpetuação e a normalização da ISLAMOFOBIA e do racismo em todas as suas formas. Os terroristas supremacistas brancos devem ser condenados pelos líderes em todos os lugares. Seu ódio mortal deve ser detido." Aqui ela fala em Comunidade Muçulmana e Islamofobia. Não é nada vago, difuso ou confuso. É claro e direto.

Só hipócritas poderiam deixar de notar o grande contraste entre essas declarações quando agora, 300 cristãos foram massacrados no Domingo de Páscoa. Eles não são “Cristãos”, são “adoradores da páscoa”. No que aconteceu na Nova Zelândia eles falam sobre Terrorismo, Islamofobia, supremacistas brancos... Era de se esperar que agora falassem no Massacre de Cristãos, Terroristas Islâmicos e Cristofobia. Mas não...

Os cristãos são o grupo mais perseguido do planeta. Em uma base mensal, centenas de cristãos são assassinadas por sua fé, milhares estão trancados na prisão sem justa causa, e dezenas de igrejas são queimadas ou vandalizadas na Europa, América e em todo mundo. De fato, a coisa mais chocante sobre a tragédia dessa Páscoa é quão rotineira ela tem se tornado. Foi apenas há dois anos que mais de cem cristãos foram mortos em explosões nos cultos do Domingo de Ramos no Egito. Muitos cristãos em várias partes do mundo sabem que estão com suas vidas em risco quando se reúnem para culto e adoração. Há um massacre sistêmico de cristãos acontecendo agora na África. Este é o fato - os cristãos não são apenas um grupo que sofre violência, mas os mais vitimizados no mundo pela violência e terrorismo – isto é extraordinariamente inconveniente para os esquerdistas, que estruturaram toda a sua agenda em torno de sua narrativa de vitimização – mas também em torno de ser anti-cristã. Ao contar, minorias raciais, mulheres, homossexuais e muçulmanos como vítimas, enquanto os homens ( brancos ) e cristãos como os maus. Os malvados da história... opressores... Essa dicotomia seria descontroladamente desequilibrada e desarticulada se os cristãos fossem admitidos na coluna das maiores vítimas de violência e atrocidades no mundo - especialmente porque são frequentemente vítimas de terroristas muçulmanos.

Então, o esquerdismo nas grandes mídias, nos seus maiores representantes e líderes políticos na América, Europa... ignoram o genocídio dos cristãos. E sempre que podem – países e agendas da ONU - promulgam políticas que tornam as coisas piores. E quando são forçados a olhar um massacre contra cristãos como esse de Domingo, tornam tudo vago com frases “adoradores da Páscoa”... deixando bem claro a sua hipocrisia ilimitada. Sistematicamente cristãos são decapitados, explodidos, assassinados de todas as formas possíveis pelo terrorismo islâmico. Mas você nunca verá esse massacre constante de cristãos sendo rotulados pelo esquerdismo pelo que ele é. Porque sendo o que são, os esquerdistas, na verdade não se importam. Os cristãos são “os maus” e não vítimas para o esquerdismo. E como eles não se importam, o esquerdismo olha para o massacre cristão como olham para o massacre de crianças abortadas... usam termos vagos, porque no fundo, acham pouco.

Fonte: Josemar Bessa