segunda-feira, 6 de maio de 2019

ORDENAÇÃO FEMiNINA AO MINISTÉRIO PASTORAL: o que tem a dizer a Bíblia Sagrada.

Por Pr. Barbosa Neto

Foi amplamente divulgado que foram eleitas três pastoras para integrar a diretoria da Ordem dos Pastores Batistas - OPBB  - a nível nacional.

Queridos colegas e irmãos e irmão e amigos, aqui vai um simples comentário muito respeitoso de um servo inútil, mas crente em Jesus e que tem o seu nome escrito no Livro da Vida do Cordeiro para sempre e que é guardado pelo poder de Deus, no Céu.
 
Acredito que pelos Princípios Batistas, já que afirmam ter a Bíblia Sagrada como única regra de fé e prática, podemos afirmar que toda ordem estipulada nesse mundo, seja ela de caráter eclesiástico ou não, deve se sujeitar às Escrituras Sagradas.

Se alguém conseguir defender - com argumentos honestos - de que a assim-chamada “ordenação feminina ao ministério pastoral” é bíblico quero retirar tudo o que aqui for escrito.

A “ordenação pastoral feminina” não fere questão de gênero, mas uma questão crucial de ordem da criação divina e ordem hierárquica estipulada por Deus entre homem e mulher, seja na família, seja na sociedade. Só uma pergunta: como uma mulher vai exercer autoridade espiritual sobre homens, sendo que em casa ela deve se sujeitar a autoridade de seu marido, inclusive espiritual?

A questão não é sociológica, como afirmam, mas teológico-bíblica. Queridos, diante dos fatos vistos no decorrer da História da Igreja, é melhor ser taxado de radical, tentando se apegar à verdade, do que ser liberal, abrindo mão de princípios fundamentais das Sagradas Escrituras.

Portanto, com todo respeito aos muitos anos de ministério de muitos amigos e irmãos. Não basta se envergonhar tão-somente, como servos de Deus, precisamos nos posicionar. Pagar um preço pela verdade e não se dobrar aos comodismos do sistema. Que Deus nos oriente a tomar as decisões certas. E não as convenientes! A esse comentário, recebi as seguintes reações:

1. Pastor, quem ordena são homens, mas o Espírito Santo é que concede dons, logo as mulheres podem receber o dom de pastoreio.

Minha resposta para nossa reflexão: Com todo respeito, seria uma boa análise, se não fosse os falsos silogismos que a análise possui.

As Sagradas Escrituras não se contradizem. O mesmo Deus que outorgou autoridade é o que delega funções na Igreja. A Bíblia Sagrada é clara, agora, cada um tem a sua responsabilidade diante da Palavra exposta!

Só para entendimento, a questão de gênero não tem nada a ver com capacidade ou atividade, mas com delegação de autoridade. O homem não é melhor do que a mulher em nada, mas uma coisa o homem cristão precisa exercer em casa e na Igreja: autoridade de homem. Autoridade entende-se por responsabilidade de assumir a liderança, seus bônus e muito mais os seus ônus.

2. Pastor, do ponto de vista filológico, não se pode afirmar que a ordenação fere as Sagradas Escrituras. Há de se considerar o contexto cultural da época em que o texto foi escrito, ou seja, patriarcal.

Minha resposta para nossa reflexão: A partir do momento que se menciona a estrutura cultural patriarcal, já se coloca como parâmetro uma análise sociológica e não teológica.

Além disso, a análise filológica não pode ser determinante e exclusiva para se chegar a uma posição diante do texto bíblico, afinal, as Sagradas Escrituras tem uma linha teológica indiscutível, que deve orientar toda a nossa análise textual.

Uma palavra deve ser avaliada em seu contexto, inclusive dentro da teologia bíblica. Dessa forma, não se pode analisar o texto do ponto de vista puramente semântico.

Sendo assim, a questão da liderança masculina é notória nas Sagradas Escrituras, não só por um contexto sociológico diferente, mas por uma questão teológica.

Deus fez o homem primeiro, Deus colocou sobre o homem uma responsabilidade maior do que sobre a mulher, Deus estipulou a mulher como auxiliadora e não como cabeça, Deus nos alerta sobre à parte mais frágil - a feminina, etc. Portanto, com todo respeito, toda análise técnica deve se render à naturalidade das Sagradas Escrituras que traça uma linha coerente no decorrer da história.

3. Assim como Deus permitiu algumas exceções, hoje, pela omissão dos homens, as mulheres tem se colocado para fazer e fazem bem.

Minha resposta para nossa reflexão: O fato dos homens se omitirem na História da Bíblia, como o caso de Débora, e os homens se omitirem de seus ofícios nos dias de hoje, seja na família, na igreja e na sociedade, não se torna um pressuposto legítimo para se defender a causa feminina na questão posta, pelo contrário, torna-se uma alerta para as falhas cometidas pelos homens e às consequências disso para si próprios, para a igreja, para a família e para a sociedade.

Isso não tem nada a ver com machismo, pois acredito que as mulheres são tão competentes quanto aos homens, mas trata-se - digo mais uma vez - de ordem da criação divina.

ISSO NÃO É UM MERO DETALHE NAS ESCRITURAS e do propósito da liderança masculina dentro dos planos de Deus.

Agora, se não acham isso pertinente, não sou eu que os convencerei, mas as consequências do movimento feminista em todas as esferas, inclusive familiar e eclesiástica, são visíveis.

4. Por que se importar com isso, sendo que isso não leva ninguém para o céu ou inferno. Existem discussões mais relevantes que precisamos nos ater.

Minha resposta para nossa reflexão: O fato da salvação eterna (ir ou não ir para o inferno) não pode minimizar a discussão.

Somos peregrinos sim, aqui na terra, mas enquanto peregrinos, obedecemos a uma ordem posta por Deus pelas Sagradas Escrituras, a fim de que nossa vida siga um parâmetro dado por Deus.

Portanto, minimizar a relevância do assunto, é desconsiderar os propósitos divinos para homens e mulheres na família, igreja e sociedade. Se fosse assim, com essa ótica, dízimo, ofertas, batismo, ceia do Senhor e tantos outros assuntos bíblicos e pertinentes à vida cotidiana da igreja deixariam de ser relevantes, afinal nenhum desses conduzem o homem ao céu ou ao inferno.

O fato de se ter assuntos mais importantes para a discussão é evidente. Acredito, sinceramente, que a salvação das almas é algo de sumo importância na vida da Igreja como agência do Senhor, todavia, isso não exclui a relevância da pauta aqui colocada, pois se parte do problema da Igreja estar deixando de lado algumas das suas funções elementares deve-se ao fato da omissão masculina em exercer liderança e cumprir seu papel, a começar na família, na igreja e na sociedade. Homens omissos, famílias comprometidas, igreja deficitária e sociedade fragilizada. Basta encararmos com sinceridade os fatos!

5. A Bíblia não proíbe a ordenação feminina. Não existe texto bíblico algum que faça isso. Portanto é uma questão de dialogar com a cultura. As experiências de cada realidade podem avaliar bem se é ou não da vontade de Deus a questão da ordenação feminina ao pastorado.

Minha resposta para nossa reflexão: O fato das mudanças culturais serem elementos importantes para uma hermenêutica responsável é verídico, mas não conclusivo, pois, como já foi dito, as variáveis textuais e especialmente uma teologia bíblica é crucial para se manter no trilho de uma interpretação bíblica sincera e responsável.

As experiências como um parâmetro para a coerência com a vontade de Deus é no mínimo perigoso, para não dizer, enganoso. Se partirmos desse pressuposto, sob uma avaliação humana do que dá ou não certo, o ministério de Jeremias foi um fracasso, mas divinamente, sabemos pelas Escrituras que ele cumpriu com êxito a vontade de Deus. Defender essa bandeira é se aproximar dos equívocos da neo-ortodoxia, da onda carismática e tantos outros modismos perigosos para a saúde da igreja.

A História da Igreja Cristã tem mostrado isso.

A questão da ordenação de mulheres ao ministério da Palavra tem sido objeto de discussão por parte de muitas pessoas em igrejas e seminários. É um assunto tão delicado que alguns preferem nem mesmo se pronunciar sobre ele. Normalmente, esse tema tem sido discutido mais sob a ótica cultural dos tempos bíblicos em relação ao tempo atual e dos direitos de igualdade entre homem e mulher. Por isso mesmo tem causado constrangimento em alguns meios, tornando-se um assunto melindroso. O debate tem sido mais em torno desses aspectos culturais e pessoais do que necessariamente exegético e talvez seja essa a razão do incômodo.

As posições giram sempre em torno de três opções: A primeira diz que mulher pode ser pastora; a segunda declara que a mulher não pode ser pastora e, a terceira afirma que não tem posição. De forma geral, aqueles que defendem a ordenação feminina ao pastorado usam argumentos baseados no avanço da civilização, na modernização dos tempos, no progresso humano e a crescente participação da mulher em outras áreas da sociedade. Nessa mesma linha, outros consideram simplesmente inevitável que as mulheres sejam ordenadas pastoras, pois, segundo pensam, essa é uma tendência irreversível. Naturalmente, ainda há aqueles que pensam sob o ponto de vista da igualdade e analisam a nova sociedade que Cristo construiu, fazendo de ambos um só povo, onde não há distinção entre homem e mulher (Efésios 2.14-16). Do segundo grupo, que é contrário à ordenação das irmãs, alguns são simplesmente machistas e não ponderam o assunto com sobriedade e acabam relegando às mulheres uma posição quase humilhante. Alguns simplesmente ignoram as questões mais simples da teologia, sociologia, entre outras, para oferecer uma posição consistente. O terceiro grupo está dividido entre aqueles que temem ser dogmáticos por não encontrarem subsídios e aqueles que não se importam com o assunto, como se isso não lhes dissesse respeito ou fosse importante.

No entanto, esse artigo deseja desafiar o leitor a uma reflexão teológica do assunto. Apesar de reconhecer que todos devem sempre considerar os tempos e as mudanças culturais, creio que a Bíblia deva ser sempre o primeiro e último escrutínio para uma decisão assim. Como pastores, nosso espírito precisa ser bíblico, mesmo que isso implique em posicionamentos contrários à cultura ou à tendência por mais inevitável que seja. A voz profética, aliás, nem sempre obteve respaldo da moda. Tendo como base os escritos de alguns autores comprometidos com a Bíblia, quero propor a análise de determinados textos sagrados para provocar uma reflexão consistente em cada um (pelo menos que sirva de ponto de partida), para depois chegar a uma conclusão.

2. Passagens consideradas a favor da ordenação feminina

Em primeiro lugar vamos olhar para algumas passagens bíblicas que muitas vezes são usadas para sustentar a possibilidade da ordenação feminina ao ministério pastoral. A primeira delas é Romanos 16.7 - aqui, em sua saudação à Igreja de Roma, Paulo menciona uma pessoa por nome Júnias, que era notável entre os apóstolos. Algumas correntes tomam esse texto para argumentar que Júnias era uma mulher que exercia o ofício apostólico. Antes de mais nada, porém, duas perguntas devem ser feitas: a) seria esse um nome feminino? b) a expressão "notável entre os apóstolos", significa que Júnias era um dos apóstolos ou significa que os apóstolos tinham Júnias em alta conta?

Ao que tudo indica, parece que Júnias era nome tanto de homem quanto de mulher no período neotestamentário. O conhecido pastor e teólogo batista Russell Shedd declara que "não é possível determinar através do original se o segundo nome é feminino ou masculino". Alguns autores lembram que Epifânio relata que Júnias se tornou bispo de Apaméia. Outro dos antigos pais da Igreja, Orígenes, também faz referência em seu comentário em latim à carta aos Romanos a Júnias, mas, no masculino. De forma conclusiva, no entanto, a única coisa de que se tem certeza no texto de Romanos 16.7 é que Júnias era uma pessoa que ajudou o apóstolo em seu ministério. Qualquer exegeta sabe que fica muito difícil tomar o apoio de uma passagem tão frágil como essa para fazer uma sustentação doutrinária.

Uma outra passagem muito usada para apoiar a visão da ordenação feminina é Gálatas 3.28, que declara: "não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus". É, de fato, um texto muito atraente e muitos encontram nele o respaldo para sua posição, fazendo uso dele para dizer que Cristo aboliu toda a diferença entre homem e mulher. Para eles, Cristo quebrou a maldição de Gênesis sobre a mulher, e agora dá, também a ela, o direito de ter as mesmas funções eclesiásticas que os homens.

Como sempre, a boa exegese sempre nos leva a fazer uma pergunta ao texto. Nesse caso específico, a melhor pergunta a ser feita seria: Nesse texto o apóstolo Paulo está falando da abolição da subordinação feminina e de igualdade de funções ministeriais entre homem e mulher? A resposta pode começar a ser encontrada no contexto de Gálatas. Ao que tudo indica, Paulo escreveu essa carta para responder a questões levantadas sobre a nossa justificação diante de Deus. Sua afirmação central é a de que todos, independente da sua raça, cor, posição social e sexo, são recebidos por Deus da mesma maneira: pela fé em Cristo. Definitivamente Gálatas 3.28 não está tratando do desempenho de papéis na igreja e na família, mas da nossa posição diante de Deus. A salvação em Cristo justifica igualmente homens e mulheres diante de Deus, mas não altera o papel de ambos estabelecido previamente na Criação. O pastor e teólogo presbiteriano Augustus Nicodemus afirma que "o assunto não são as funções que homens e mulheres desempenham na Igreja de Cristo, mas a posição que todos os que creem desfrutam diante de Deus".

É importante sempre ter em mente que a questão da subordinação feminina tem sua base na Criação (Gênesis 1 e 2) e não na Queda (Gênesis 3). A cruz de Cristo aboliu as diferenças cerimoniais para que todos pudessem aproximar-se de Deus, mas em nenhum momento pôs um término nas funções ou papéis fundamentais do homem e da mulher estabelecidos por Deus muito antes da Queda. Para o saudoso Dr. Shedd "no reino de Deus, homem e mulher são iguais; na natureza, são interdependentes, na sociedade, igreja e família, a mulher se submete". A igualdade que hoje há em Cristo não afetou ou alterou o papel do homem ou da mulher. O marido continua sendo o cabeça e a mulher continua sendo submissa. Essa posição honrosa de ambos contribui inclusive para o entendimento da nossa eclesiologia. É o paralelo do casamento humano com as bodas de Cristo e sua igreja, a noiva (1Coríntios 11.7-10; Efésios 5.22-24 e 1Timóteo 2.12-15).

Há ainda um outro fator a ser observado. Aquilo que é bom para a Igreja é bom para a sociedade também. No coração de uma mulher cristã deveria haver o sentimento de promover a liderança de seu marido, bem como no coração de um homem cristão deveria haver o sentimento de liderar sua esposa em amor. Esse sentimento de submissão "no temor de Deus" (Efésios 5.21) deveria ser o tom do "bom andamento da vida", como sugere o saudoso Dr. Russell Shedd. Para ele esse compasso de submissão deveria existir naturalmente no lar, "da esposa para o marido, dos filhos aos pais", e também "no emprego, dos empregados aos chefes", todos, enfim, refletindo a submissão "da Igreja para o seu Mestre, Cristo". A deterioração desse valor dentro da Igreja tem afetado em grande parte as famílias por todo o mundo. A Igreja tem a oportunidade de colocar-se como um padrão diferente do mundo, mas infelizmente tem se adaptado com muita facilidade às suas pressões. O pastor batista John Piper declara que "na igreja, a redenção em Cristo deu a homens e mulheres bênçãos iguais da salvação; no entanto, alguns papéis do governo e ensino dentro da igreja permanecem restritos aos homens". Assim, esse texto de Gálatas também não deve ser utilizado como base teológica para o ministério pastoral feminino.

Uma terceira passagem ainda muito usada para sustentar a ordenação feminina ao ministério pastoral é Atos 2.16-18, quando Pedro cita o profeta Joel dizendo que, "vossas filhas profetizarão e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito". Esse texto é usado para dizer que, assim como os homens, as mulheres também receberam o Espírito Santo de Deus e, portanto, podem exercer as mesmas funções que eles. Em primeiro lugar, deve-se notar o paradoxo dessa defesa, pois, para se reclamar igualdade aqui, dever-se-ia antes, reclamar igualdade lá. O texto diz que elas receberam o Espírito, sim, mas não diz que elas exerceram ministério pastoral. Pelo menos, é o que o "silêncio da Bíblia" indica. Se as mulheres exerceram os mesmos ministérios que os homens no período da igreja apostólica, por que não há nenhuma menção no Novo Testamento de apóstolas, presbíteras, pastoras ou bispas? Por todo o Novo Testamento não se encontra qualquer recomendação apostólica nesse sentido. Nem uma sequer! As cartas conhecidas como "Pastorais", em que Paulo instrui Timóteo e Tito, e que são usadas como texto base para a ordenação dos oficiais da Igreja, nada falam quanto à ordenação de mulheres. O conhecido pastor e escritor John Piper (Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, EUA) lembra que todos os dons são dados tanto a homens como a mulheres, mas os ofícios, não, e essa distinção (entre dons e ofício) precisa estar em nossa mente. Uma simples leitura das qualificações exigidas por Paulo em 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9 transmite a clara impressão de que o apóstolo tinha em mente a ordenação de homens. E ninguém pode alegar que era uma questão cultural ou machismo da parte do apóstolo. Ele não apenas reconhecia a igualdade do ser humano diante de Deus e a importância do trabalho feminino no Reino, mas também sempre lutou para proteger a mulher dentro daquela sociedade machista. Ele tinha questões teológicas em mente.

Mais uma vez, então, a pergunta que deve ser feita ao texto em questão é: o fato de as mulheres receberem o Espírito Santo significa obter autorização para a ordenação ministerial? O Dr. Augustus Nicodemus Lopes lembra que o texto fala de profecia, sonhos e visões e, bem sabemos, que esses fenômenos podem acontecer sem que a pessoa seja ordenada. Essa passagem não é um texto que traz qualificações para o ministério pastoral. Apesar de ter havido profetizas na igreja apostólica, como as quatro filhas de Filipe (Atos 21.9; cf. 1 Coríntios 11.5), em nenhum lugar diz que elas eram pastoras.

Basicamente essas são as passagens utilizadas para sustentar a ordenação feminina ao pastorado. Mas elas devem ser analisadas com atenção, pois o fato de terem recebido os dons do Espírito (inclusive aqueles relacionados com o ensino), nenhum dos textos traz sustentação para que elas sejam ordenadas. Quando Cristo desejou estabelecer pastores para sua Igreja, ele nos deixou o registro bíblico de homens sendo incumbidos dessa função. Mesmo sendo um Senhor gracioso que considera todos iguais para receberem misericórdia e graça; que ama indistintamente suas ovelhas e morreu por todas de igual forma, ele não mencionou mulheres como pastoras. Ele as amou, serviu e foi servido por elas. Não as ignorou, mas, pelo contrário, foi-lhes um protetor num mundo desigual. Foi o libertador de tantas opressões que elas sofriam, mas nada falou sobre serem pastoras. Além disso, a igreja sempre declarou ser sustentada sobre o ensino dos apóstolos e eles, da mesma forma, não parecem sustentar essa posição.

Todos os textos acima demonstram que as mulheres cristãs, juntamente com os homens, participam da graça de Deus, e dos dons do Espírito, sem restrições. Entretanto, toda boa homilética afirmará que elas nada têm a dizer sobre ordenação ao ministério pastoral, nem a favor, nem contra, pois tratam de outros assuntos, não podendo ser usadas para sustentar essa posição. Há, todavia, pelo menos três passagens bíblicas que oferecem princípios sobre o assunto por tratarem do ensino e, aparentemente, impõem restrições à ordenação pastoral feminina e que por essa razão também devem ser analisadas.

3. Passagens consideradas contra a ordenação feminina

A primeira delas é I Coríntios 11.2-16. Aqui Paulo aborda o problema causado por algumas mulheres que estavam orando, profetizando (e provavelmente falando em línguas) com a cabeça descoberta, isto é, sem o véu, contrariando assim o costume das igrejas cristãs primitivas (v. 16). O contexto nos leva a entender que algumas mulheres daquela comunidade estavam fazendo reivindicações, mas tinham um espírito contencioso (v. 16). O apóstolo naturalmente não nega à essas mulheres a participação no culto, mas insiste que elas usem o véu - uma expressão cultural que reflete o princípio permanente da subordinação feminina (11.5,6,10,14). O apóstolo indica que, nos cultos, a participação delas deveria ser vista como um sinal de que estavam debaixo da autoridade eclesiástica masculina (v.10). Em outras palavras, embora Paulo permita que a mulher profetize e ore no culto público, ele requer dela que se apresente de forma a deixar claro que está debaixo de autoridade, no próprio ato de profetizar ou orar.

Isso pode ser confuso e soar como "politicamente incorreto" caso não tenhamos um coração espiritualmente disposto nas mãos do Senhor. No texto em questão, Paulo argumenta teologicamente, a partir da subordinação de Deus Filho a Deus Pai. A subordinação da mulher ao homem não a torna inferior. Assim como Pai e Filho, que são iguais em poder, honra e glória, desempenham papéis diferentes na economia da salvação (o Filho submete-se ao Pai), homem e mulher se complementam no exercício de diferentes funções, sem que nisso haja qualquer desvalorização. Para o professor de Novo Testamento, Dr. Thomas Schreiner, "uma vez que Paulo apela à relação entre os membros da Trindade, fica claro que ele não olha para as relações descritas neste texto como meramente cultural". Paulo ainda recorre ao relato da Criação em Gênesis 2, desejando mostrar que a mulher não é inferior, mas, sim, a glória do homem (vv.8-9). Paulo vê nos detalhes da Criação uma ordenação divina quanto aos diferentes papéis do homem e da mulher. O fato, por exemplo, de termos de ser submissos às autoridades civis não nos torna inferiores. A própria Bíblia ordena essa submissão (Rm 13.1-5; I Pe 2.13-17). Também os filhos não são inferiores a seus pais, mas lhes devem submissão (Ef 6.1). Como bem lembrou o Dr. Augustus Nicodemus Lopes , "o conceito de subordinação de uns a outros tem a ver apenas com a maneira pela qual Deus estruturou e ordenou a sociedade, a família e a igreja".

Logo se percebe a importância de I Coríntios 11 para a questão desse debate sobre a ordenação feminina. A mulher deve estar debaixo da autoridade espiritual exercida pelo homem e, ao participar do culto, não pode exercê-la sobre ele. Ao comentar essa passagem, o saudoso Dr. Shedd afirma que "com o véu" (sinal de submissão), "a esposa protegia sua própria dignidade". Alguém, então, poderia argumentar que deveríamos voltar a usar o véu como era o caso da igreja em Corinto. Mas o véu, no entanto, era apenas a maneira grega do século I de demonstrar subordinação. Não é necessário usar o véu hoje, mas o princípio da subordinação continua. O apóstolo defende a participação diferenciada da mulher no culto usando argumentos permanentes, que transcendem cultura, tempo e sociedade, como a distribuição ou economia da Trindade (v.3), o modo pelo qual Deus criou o homem (vv.8-9) e ainda apelando para o costume das igrejas cristãs em geral (v.16). Para o Dr. Shedd "Paulo apela para princípios. Usar ou não véu depende do que significa para a época ou sociedade atual". Além disso, é bom notar que I Coríntios 11 começa lembrando aos leitores que as questões de autoridade, submissão e ordem no culto público deveriam ser tratadas com uma instrução apostólica (v.2). O parágrafo termina afirmando que "ser contencioso" (como algumas mulheres de Corinto) não era um "costume" apostólico, nem deveria ser em nenhuma "igreja de Deus" (v.16).

Uma segunda passagem é encontrada no mesmo livro (I Co 14.33b-38), indicando uma sequência dentro de um mesmo tema: a ordem no culto público. "... Como em todas as igrejas dos santos. As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja" (vv. 33b-35).

A frase, "não lhes é permitido falar", tem conotação de autoridade. Elas podiam falar nos cultos, mas não de forma a parecerem insubmissas, como mostra o verso 34b. Paulo também cita "a lei", que é o Antigo Testamento. No contexto imediato, Paulo fala do julgamento dos profetas no culto (v. 29), o que envolveria certamente questionamentos, e mesmo a correção dos profetas por parte da igreja reunida. Para o professor de Novo Testamento e autor reconhecido internacionalmente, Dr. D. A. Carson há aqui uma alusão à Criação que deve ser observada universalmente. Paulo está possivelmente proibindo que as mulheres questionem ou ensinem os profetas em público. Certamente havia na igreja de Corinto um problema de arrogância jactanciosa por parte de algumas mulheres.

Assim como em I Coríntios 11.16, aqui também a determinação de Paulo está de acordo com o espírito cristão em todas as demais igrejas (14.33b). Portanto, não é local. Sua ordem está conforme a "lei", (14.34b) e deveria ser entendida como um "mandamento do Senhor" e esse mandamento seria prontamente reconhecido pelos "espirituais" (14.37). Mais uma vez o Dr. Carson lembra que existe uma sequência lógica tratada por Paulo desde o capítulo 11 e todo o tempo o apóstolo tem de advertir os coríntios que existe uma prática em todas as igrejas de Deus que deveria também ser observada por eles. Eles estavam tão orgulhosos de suas revelações que já começaram a agir diferentemente do padrão cristão. "Por que eles deveriam ser diferentes?" pergunta Carson. Na prática os coríntios deveriam se portar como as demais igrejas (14.33b) e na teologia também (14.36), pois Deus não teria dado uma doutrina diferente para aquela igreja em especial. Paulo, assim, não estaria estabelecendo um padrão apenas para aquela igreja, mas lembrando-lhe de que ela deveria seguir um padrão já estabelecido em todas as demais igrejas. O saudoso Dr. Russell Shedd, por sua vez, é muito objetivo ao comentar essa passagem. Para ele, "muitos dos abusos na igreja se devem às mulheres, geralmente mais dominadas por experiências psíquicas". Carson acredita que essas instruções são "para o nosso bem".

Uma terceira passagem é I Timóteo 2.11-15. Aqui vemos a palavra de Paulo para que "a mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição". A ordem apostólica não permite "que a mulher ensine, nem que exerça autoridade sobre o homem" (vv. 11-12). O apóstolo escreveu para instruir Timóteo a combater uma perigosa heresia que havia se infiltrado na igreja de Éfeso. Os falsos mestres estavam ensinando que a prática ascética era um meio para se alcançar uma espiritualidade mais elevada. Insistiam na abstinência de certas comidas, do casamento e do sexo em geral (I Timóteo 1.3-7; 4.1-3; 6.4-5; cf.  II Timóteo 2.14, 16-17, 23-24). Eles também rejeitavam os papéis tradicionais das mulheres no casamento, e encorajavam-nas a reivindicar papéis iguais na igreja e no lar (2.15; 4.1-2; 5.14-15). O texto dá a entender que o ensino desses falsos mestres tinha como porta de entrada as mulheres (I Timóteo 5.12,15; cf. II Timóteo 3.6-7).

A palavra "ensinar", em Timóteo, está relacionada com a frase "em posição de autoridade", no sentido restrito de instrução doutrinária autoritativa, feita com o peso da autoridade oficial dos pastores (I Tm 4.11; 6.2; 5.17). O leitor cuidadoso poderá fazer um estudo mais profundo e comprovar pessoalmente isso. Mas, o que fica evidente, afinal, é que a atitude que o apóstolo exigia das mulheres cristãs de Éfeso era de submissão e silêncio quanto ao aprendizado da doutrina no culto público. Não seria lógico concluir que essa proibição de a mulher exercer autoridade sobre os homens exclui as mulheres do ofício pastoral? De acordo com Paulo, o oficio pastoral está relacionado essencialmente ao ato de governar e presidir a casa de Deus (1Tm 3.4-5; 5.17). Não se limita a essa função, mas deve passar por ela.

O contexto de I Timóteo 2.11-15 é a instrução de Paulo a Timóteo quanto ao culto público da igreja (I Timóteo 2.1-10). A instrução de Paulo aqui tem força universal, como o próprio texto enfatiza. A ordem apostólica é para que os cristãos orem "por todos os homens" (2.1), por "todos os que se acham investidos de autoridade" (2.2), visto que Deus quer que "todos os homens sejam salvos" (2.4). Assim, os varões devem "orar em todo lugar" (2.8). O ensino de Paulo, portanto, tem a ver com "todos os homens... em todo lugar". (2.8).

Há, ainda, uma disputa sobre os termos gregos gnuaiki e andros. O contexto parece muito mais indicado a explicar que a frase se refere a "mulher e homem" e não a "esposa e marido". Com isso o texto ensina que a mulher não deveria "exercer autoridade sobre um homem" (NVI, RA, etc). Alguns acreditam que se uma mulher estiver em perfeita submissão ao seu próprio marido, então ela está autorizada a ensinar outros homens. Mais uma vez, essa seria uma análise precipitada e, possivelmente, descontextualizada. Douglas Moo (professor de Novo Testamento e conhecido autor), acredita que Paulo autoriza "mulher ensinar outra mulher", com base em Tito 2.3-4, mas "as proíbe de ensinar homens". Para o professor, nas epístolas pastorais, as atividades de governo (na igreja) são atribuídas a presbíteros. Claramente, então, a proibição de Paulo de que uma mulher exerça autoridade sobre um homem exclui a mulher de se tornar líder no sentido em que esse ofício é descrito por ele. Desta forma, Moo conclui que uma mulher estaria impedida de ocupar qualquer função em uma igreja que seja equivalente ao ofício de governo eclesiástico descrito por Paulo. Para ele essa conclusão é perfeitamente aplicável em nossos dias, uma vez que o apóstolo tem em mente a Criação e as funções do homem e da mulher que advêm dela e não sua cultura particular.

4. Conclusões e recomendações

Tanto John Piper como Wayne Grudem acreditam que uma verdadeira avalanche de material feminista desabou sobre o mundo e acabou por acertar a igreja também. Naturalmente não com a mesma má índole do mundo. Muitos dentro da igreja têm defendido sua posição em prol da ordenação feminina com as mais íntegras e honestas intenções. Com certeza, no entanto, isso tem causado grande incerteza dentro da igreja, como uma neblina sobre um assunto específico, tirando a clareza de quais papéis os homens e as mulheres devem exercer. Mas o fato é que a maioria dos evangélicos não tem aceitado essa posição, pois rejeitam aquilo que chamam de "o movimento feminista evangélico".

Devemos encontrar uma resposta bíblica que traga o equilíbrio sadio entre homem e mulher, como pessoas distintas diante de Deus. Celebrar a masculinidade e a feminilidade como presentes de Deus para um e para outro. Uma resposta que indique aos homens suas funções e posições como modelos aos filhos, resgatando sua masculinidade bíblica. Assim também as mulheres sabedoras de suas funções como modelos para suas filhas, resgatando sua feminilidade bíblica. As distorções causadas pelo pecado devem ser refutadas e, homem e mulher, devem ter um santo orgulho de serem o que são como dádiva de Deus ao mundo. Wayne Grudem (principalmente conhecido por sua "Teologia Sistemática") está certo quando comenta o texto de I  Pedro 3.1-7 e faz o alerta de que está mais do que na hora das "mulheres serem como Sara e os homens honrá-las assim". O assunto da ordenação feminina pode ter como raiz a distorção dos papéis inicialmente concedidos por Deus a homens e mulheres.

É evidente que há elementos no Novo Testamento que pertencem à cultura do século I. A função do exegeta é descobrir nelas o princípio permanente para então aplicá-lo no contexto contemporâneo. É a ponte construída entre o mundo bíblico e o mundo atual. As passagens de I Coríntios 11.2-16, 14.34-35 e 1 Timóteo 2.11-12 têm um princípio permanente para que se mantenham distintamente os papéis inerentes ao homem e à mulher na igreja e na família. Assim, não devemos inverter os papéis. A mulher não deve ocupar posição de autoridade sobre os homens, mas deve observar de maneira análoga seu papel como o da Igreja, que está submissa ao Senhor. Ela tem liberdade, usa seus dons e talentos e ainda tem suas preferências, mas, em última análise, deve ouvir ao Senhor.

Definitivamente Paulo não instrui sobre esse assunto tendo como base considerações condicionadas culturalmente. Seu apoio é basicamente feito de princípios inerentes à própria humanidade, enraizados na Criação. Ele sempre apela às Escrituras (Antigo Testamento), demonstrando que a origem dos papéis próprios do homem e da mulher não estão fundamentados nas questões transitórias das igrejas e muito menos em algum aspecto cultural, mas teológico, que envolve Deus e a Criação. É bem provável que o mundo dos apóstolos estava distante cerca de 4 mil anos do evento da Criação. Talvez alguém pudesse alegar que os tempos haviam mudado e o cristianismo deveria estabelecer novos critérios culturais, mas o apelo dos apóstolos às Escrituras mostra que havia um princípio permanente estabelecido por Deus que transcendia as épocas.

Assim, é difícil encontrar respaldo bíblico explícito e suficiente para que se recebam mulheres ao pastorado, onde irão presidir, governar, e ensinar doutrina aos homens. Por isso, nenhuma autoridade contemporânea pode criar seus argumentos a partir das mudanças sociais para ir além da Escritura ou ainda contradizê-la. É necessário grande temor no coração para não cair em alguma falácia. É verdade que muitas mulheres exerceram papel importante na vida de Cristo (como em Lucas 8) e dos apóstolos, como, Priscila (Atos 18.2; Romanos 16.3-5); Maria (Romanos 16.6); Trifena, Trifosa e Pérside (Romanos 16.12); Febe (Romanos 16.1), Evódia e Sínteque (Filipenses 4.2-3), et alii, mas a Bíblia nada fala sobre serem pastoras. Cada igreja local deve, portanto, analisar com critério o papel da mulher no ministério, dando a ela honra, respeito e espaço para exercer seus dons. Há muito trabalho preparado por Deus que pode e deve ser feito por mulheres piedosas. O Senhor as capacitou e a história tem dado demonstração abundante dessa verdade. Todo esse trabalho pode ser feito, com o digno sustento, inclusive, mas é precário afirmar ou insistir que deva ser oficializado com um título que carece de mais apoio escriturístico.

5. Referências

Grudem, Wayne: Teologia Sistemática
Keener, Graig S.: Paul, Women & Wives
Lopes, Augustus Nicodemus: O que o Novo Testamento Fala sobre Ordenação Feminina.
Piper, John: Recovering Biblical Manhood and Womanhood.
Shedd, Russell P.  A Bíblia Shedd. Vida Nova.
*Jaime Augusto Cisterna é pastor batista, pastoreando atualmente a Igreja Batista Mineira de Belo Horizonte - MG.
http://www.luz.eti.br/cr_ordenacaomulheres-cist.html
Sugestão de leituras e recursos complementares para a reflexão:
http://www.mackenzie.br/.../VOLUME_II.../ordenacao....pdf
http://tempora-mores.blogspot.com.br/2014/01/respostas-argumentos-usados-em-favor-da.html
https://docs.google.com/file/d/0B2Vaq-Hw2BXCQkdGSXNFSVlZMjg/edit
http://opbbcps.blogspot.com.br/2012/07/mulheres-no-ministerio-mark-driscoll.html
http://s3supimpa.blogspot.com.br/2014/01/masculina-mule-macho-sim-sinho.html
http://www.youtube.com/watch?v=vN6qgEwOZ7w
http://www.youtube.com/watch?v=0tWPo4eIs2c&feature=share
http://www.youtube.com/watch?v=T57-dF25_-E
http://www.youtube.com/watch?v=gfbXViH4SR8&feature=share
http://www.youtube.com/watch?v=0ovFvLMrKaU
https://www.youtube.com/watch?v=8iKASp_MlhU

segunda-feira, 29 de abril de 2019

ELIAS, UM HERÓI FEITO DE BARRO


Pr. Silas Figueira

Texto base: 1 Reis 19.1-10

INTRODUÇÃO

Elias (Meu Deus é Yahweh) nasceu na cidade de Tisbe - cidade esta que ninguém sabe ao certo onde estava localizada - ele foi levantado por Deus como profeta para confrontar a idolatria em que vivia o povo de Israel. Governado pelo rei Acabe e sua esposa Jezabel os israelitas se afastaram do Deus vivo e começaram a adorar Baal. No confronto com o rei Acabe, Elias disse que durante três anos e meio não choveria sobre a face da terra e que nem orvalho cairia (1Rs 17.1; Tg 5.17). É interessante destacar que o orvalho simboliza as bênçãos espirituais que caem sobre nós todos os dias que não vemos e nem percebemos

A seca profetizada por Elias era o reflexo da sequidão do coração povo de Israel em relação a Deus. A Palavra de Deus não inundava mais o coração do povo, pois a idolatria havia tomado por completo a vida deles. A Palavra de Deus era, para o povo de Israel, como a chuva do céu, mas há muito que o coração do povo havia se tornado sequidão de estio.

Veja a comparação da Palavra de Deus com a chuva (Dt 32.1,2; Is 55.10,11):

Inclinai os ouvidos, ó céus, e falarei; e ouça a terra as palavras da minha boca. Goteje a minha doutrina como a chuva, destile a minha palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e como gotas de água sobre a relva (Dt 32.1,2).

Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei (Is 55.10,11).

Baal foi só mais um deus a ser adorado com a ida de Jesabel para Israel. E este se tornou o principal deles (1Rs 18.19). Baal quer dizer “senhor” e “marido”, e esta entidade estava usurpando o título que o Deus de Israel tinha. Baal era conhecido também como o deus da fertilidade, por isso que foi profetizado que não choveria sobre a face da terra. Se Baal é o senhor e o deus da fertilidade então ele tem poder para fazer chover sobre a face da terra. O SENHOR usou de lógica nessa batalha, ou seja, destronou Baal naquilo que ele dizia ser senhor e deus.

Depois de profetizar a respeito dessa seca, Elias foi levado por Deus a se esconder junto ao ribeiro de Querite e ali o Senhor o sustentou com pão e carne através dos corvos, de manhã e a noite, durante muitos dias. Não sabemos quanto tempo Elias esteve ali, mas sabemos que ele fico neste lugar até que o ribeiro secasse. Esses ribeiros eram formados pelas chuvas e pela neve que derretia, como não chovia há muito tempo, o ribeiro secou. Dali o Senhor o envia a Serepta, onde havia ordenado a uma viúva que o sustentasse (1Rs 17.9). Observe que em todo o tempo o Senhor é quem orienta o que Elias devia fazer, quando fazer e para onde deveria ir. Em momento algum Elias tomou a iniciativa, mas foi guiado pelo Senhor.

O profeta Elias foi um homem que ousou desafiar o rei Acabe e sua esposa Jesabel. Desafiou os profetas de Baal e de Aserá. Orou e durante três anos e meio não choveu, orou de novo e a chuva voltou cair em abundância sobre a terra de Israel; orou e o Senhor fez cair fogo do céu. Orou e o Senhor ressuscitou o filho da viúva. Enfim, Elias era não só um homem de oração, mas um homem que orava segundo a vontade de Deus. Como nos fala 1 João 5.14:

E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve”.

Mas diante de tudo isso Elias fraquejou diante da ameaça de Jezabel. É sobre este assunto que quero pensar com você e quais as lições que podemos tirar desse episódio na vida de Elias. Vejamos:

1 – A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O SENHOR NÃO DÁ SUA GLÓRIA A OUTREM (Is 42.8).

A Bíblia nos fala em Isaías 42.8: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura”.

Diante de tanta idolatria que havia em Israel e diante de tantos milagres realizados por Elias, para o povo se voltar para Elias de forma a adorá-lo era só uma questão de tempo. Hoje temos visto isso acontecer em nosso meio. Quantos líderes são comparados a “deuses” e fazem questão de serem vistos assim. Como foi o caso de um determinado “apóstolo” que sofreu um atentado e depois começaram a dizer que o sangue dele operava milagres. O ser humano, como um todo, vive em busca do divino e tem necessidade de estar em sintonia com algum ser espiritual. Por isso que é tão comum encontramos as pessoas mergulhadas na idolatria, pois além de buscarem um ser divino, a maioria quer ver e tocar nesse “ser” ou naquilo que o represente. Por isso vemos as vendas de objetos consagrados por aí.

Por isso que o Senhor sempre condenou a idolatria. No entanto, apesar dessas ordenanças estarem bem claras nas Escrituras (Êx 20.1-5; 1Co 10.14-21), acabam caindo no esquecimento de muitas pessoas, e, infelizmente, isso têm ocorrido entre muitos cristãos. Os seres humanos são propensos à adoração de heróis, à idolatria, a atribuir às criaturas aquilo que só pode ser conferido ao Criador. Por essa razão é que frequentemente se deparam com frustrações e desapontamentos, e descobrem que o seu ídolo querido é, como eles mesmos, feito de barro. Assim, a expressão “Devagar com o andor, que o santo é de barro”, serve para todos nós.

Por esta razão que o Senhor escolheu como seu próprio povo “as coisas loucas do mundo”, as “coisas fracas do mundo”, as “coisas vis” e as “aquelas que não são”, “a fim de que ninguém se glorie na presença de Deus” (1Co 1.27-29). E ele chamou homens pecadores, embora regenerados, e não anjos santos, para serem pregadores do seu Evangelho, para que fique absolutamente evidente que, ao chamar pecadores das trevas para a sua maravilhosa luz, “a excelência do poder” não é deles nem procede deles, mas que é somente Ele quem dá o crescimento à semente espalhada por eles. “De modo que nem o que planta (o evangelista) é alguma coisa, nem o que rega (o mestre), mas Deus, que dá o crescimento” (1Co 3.7).

Diante disso não deveríamos nos surpreender ao olharmos para os heróis da Bíblia, pois os melhores dentre os homens nunca passaram de homens. Não importa quão cheios de talentos eles sejam, quão eminentes no trabalho de Deus, quão grandemente honrados e usados por Ele, basta que o seu poder sustentador seja removido deles por um só momento, e logo se verá que eles são “vasos de barro”. Nenhum homem fica de pé um minuto sequer, sem ser sustentado pela graça de Deus. Até mesmo o santo mais experimentado, quando é entregue aos seus próprios cuidados, logo mostrará quão frágil e tímido ele é. “Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade” (Sl 39.5).

Então, por que a surpresa, por que achar que é impossível, quando lemos a respeito dos fracassos e das quedas dos mais favorecidos dos santos e dos servos de Deus? A embriaguez de Noé, a carnalidade de Ló e suas filhas, as prevaricações (má fé) de Abraão, a raiva de Moisés, a inveja de Arão, a precipitação de Josué, o adultério de Davi, a desobediência de Jonas, a negação de Pedro, a contenda de Paulo com Barnabé – são tantas ilustrações da solene verdade que “Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque” (Ec 7.20). A perfeição só se encontra no céu. Na terra, não a encontramos em lugar nenhum, exceto no Perfeito Homem – Jesus.

Contudo, queremos deixar claro que os fracassos desses homens não estão registrados nas Escrituras para nos escondermos atrás deles, para usá-los como desculpa da nossa própria infidelidade. Pelo contrário. Eles nos são apresentados como sinais de perigo, para prestarmos atenção, como solenes advertências para levarmos em conta (1Co 10.1-13). Ler a respeito desses fracassos deve levar-nos à humilhação e conduzindo-nos a sermos mais desconfiados de nós mesmos. Eles devem imprimir em nosso coração o fato que nossa força se encontra unicamente no Senhor, e que sem ele não podemos fazer nada. Eles devem nos levar a clamar constantemente: “Sustenta-me, e serei salvo” (Sl 119.117). E não somente isso. Eles deveriam nos afastar da indevida confiança nas criaturas e libertar-nos de esperar demais dos outros. Eles deveriam nos tornar diligentes na oração por nossos irmãos em Cristo, especialmente por nossos pastores, para que Deus se agrade em preservá-los de tudo aquilo que traria desonra ao seu nome e faria com que os seus inimigos se regozijassem.

O profeta Elias, por cujas orações as janelas do céu se fecharam completamente por três anos e meio, e por cujas súplicas elas novamente se abriram, não era nenhuma exceção à regra. Ele também era feito de carne e sangue, e Deus permitiu que isso se tornasse evidente de forma dolorosa. Jezabel mandou uma mensagem para informá-lo que, no dia seguinte, ele teria o mesmo destino dos profetas dela. “O que vendo ele, se levantou, e, para escapar com vida, se foi” (1Rs 19.3). 


2 – A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE ELIAS PENSOU QUE OS MILAGRES ERAM O FIM EM SI MESMO (1Rs 19.3).

No meio do glorioso triunfo sobre os inimigos do Senhor, no exato momento em que o povo precisava dele para liderá-los para abandonar completamente a idolatria e para estabelecer a verdadeira adoração em Israel, ele se vê terrificado pela ameaça da rainha e foge.

Creio que Elias não havia entendido que o seu ministério não havia acabado no momento que a chuva havia começado a cair. A chuva era o início do grande avivamento que o Senhor começaria em Israel através dele. Muitas vezes agimos tal qual o profeta Elias, pensando que o nosso ministério se limita a alguns episódios de sucesso. Muitas pessoas têm perdido a visão do todo, da continuidade, da perseverança, do ir mais além quando contemplam algum milagre em seus ministérios.

O milagre não é o fim em si mesmo, mas muitas vezes eles ocorrem como uma porta que se abre para que algo maior aconteça, o verdadeiro milagre, a conversão de almas. Podemos ver isso em Atos dos apóstolos quando Pedro e João estão indo ao templo para orar e encontram aquele coxo mendigo em uma das portas do templo, e, pela misericórdia e graça, ele alcança a cura através de Pedro e João. Mas a cura não foi um fim em si mesmo, tanto o mendigo quanto uma multidão através do discurso de Pedro alcançam a salvação. Esse era o verdadeiro milagre que o Senhor queria operar naquele lugar. Mas a porta para que isso ocorresse foi a cura do coxo mendigo.

Paulo escrevendo ao seu filho na fé, Timóteo, disse para ele cumprir “cabalmente” ou “plenamente” o seu ministério (2Tm 4.5). Devemos tomar cuidado para não realizarmos somente uma parte do “todo” que o Senhor quer realizar através de nós. Podemos ver isso na vida de Elias, observe o que nos diz em 1Rs 19.15-19. Depois que Elias comissiona Eliseu ainda ficou mais quatro anos exercendo o seu ministério. Entenda uma coisa, o tempo e a hora de encerrarmos o ministério que o Senhor colocou em nossas mãos pertence a Ele. Não nos compete dar fim aquilo que o Senhor ainda não disse nada.

Da mesma maneira como o Senhor que tinha trazido o profeta Elias a Jezreel (1Rs 18.46), ele não recebeu nenhuma indicação de Deus para sair dali. Com toda certeza, era tanto privilégio como dever de Elias buscar a proteção do seu Senhor contra a fúria de Jezabel, assim como ele fizera em relação à ira de Acabe. Se Elias tivesse confiado a própria vida nas mãos de Deus, este não o desampararia; e, provavelmente, um grande benefício se concretizaria, se Elias permanecesse na posição em que o Senhor o havia colocado.

3 – A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE ELIAS TITUBEOU NA SUA FÉ (1Rs 19-1-3).

Em Tiago 4.17 nos diz que “Elias era homem sujeito as mesmas paixões que nós...”.

A Bíblia não nos deixa esquecer isso para que não venhamos a pensar que a nossa força é suficiente para alcançarmos os picos mais altos da fé. Elias, pela graça de Deus, operou grandes sinais e prodígios, e entrou para a história dos grandes profetas de Israel. Mas entenda uma coisa, ainda que os homens ímpios não saibam, mas é pela graça comum que muitos chegam a algum lugar de destaque na sociedade e na história. Como disse o Senhor Jesus a Pilatos: “Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado (João 19.10,11).

Por Elias ser como cada um de nós ele também titubeou na sua fé. Ele passou a olhar para a força do vento em meio “ao mar revolto” e tirou os olhos do Senhor, assim como Pedro o fez anos mais tarde (Mt 14,30).

Os seus olhos não estavam mais fixos em Deus; ele só via a furiosa Jezabel. Ele se esqueceu daquele que o tinha alimentado milagrosamente no ribeiro de Querite, daquele que tão maravilhosamente o tinha sustentado na casa da viúva em Sarepta, aquele que de forma tão destacada o fortalecera no Carmelo. Pensando apenas em si mesmo, Elias foge do lugar do testemunho.

A falta de fé que o levou a ficar com medo. Elias esperava resultados imediatos do milagre que havia ocorrido. Ele esperava que não somente a nação se voltasse para Deus, mas também a liderança. O erro de Elias é o mesmo nosso, esperarmos das outras pessoas aquilo que Deus tem feito em nossas vidas. Esperamos que as pessoas correspondam ao chamado de Deus com o mesmo afinco que nós. Mas, infelizmente, isso não ocorre, por isso nos decepcionamos com as pessoas, ou seja, nós criamos falsas expectativas em relação as outras pessoas.

Foi a sua preocupação com as circunstâncias que provocou a triste queda de Elias. A filosofia deste mundo diz: “O homem é produto do seu meio (das suas circunstâncias)”. Não há dúvida de que isso se aplica muito bem ao homem natural, mas não deveria ser verdade a respeito do cristão, pelo menos não o é enquanto as suas virtudes permanecerem em condição saudável. A fé se ocupa com aquele que ordena as nossas circunstâncias, a esperança olha além da cena atual, a paciência concede força para suportar as provas, e o amor se deleita naquele que não é afetado pelas circunstâncias. O apóstolo Paulo é um exemplo disso (Fl 4.10-13).

Enquanto Elias tinha o Senhor diante de si, não temeu, embora se acampasse contra ele um exército. Mas quando ele olhou para a criatura e ponderou no perigo que corria ele pensou mais na própria segurança do que na causa de Deus.

Estar ocupado com as circunstâncias é andar por vista, e isso é fatal tanto para nossa paz como para nossa prosperidade espiritual. Por mais desagradáveis ou desesperadoras que sejam nossas circunstâncias, Deus é capaz de nos preservar nelas, como ele fez com Daniel na cova dos leões e com seus companheiros na fornalha de fogo. Sim, ele é competente para fazer o coração triunfar sobre tudo isso, como testemunham os cânticos dos apóstolos na prisão em Filipos.

Como é grande o contraste entre a fuga de Elias e a fé de Eliseu! Quando o rei da Síria enviou uma grande multidão para prender Eliseu e o seu servo disse: “Ai! Meu senhor! Que faremos?”, o profeta respondeu: “Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles” (2Rs 6.15,16). Quando a Imperatriz Eudósia (ano 440 d.C) enviou uma mensagem ameaçadora a Crisóstomo, ele disse ao oficial dela: “Vá, diga a ela que eu nada temo além do pecado”. Quando os amigos de Lutero insistentemente lhe suplicaram que não comparecesse à Dieta de Worms, à qual tinha sido convocado pelo Imperador, ele replicou: “Ainda que cada telha das casas daquela cidade fosse um demônio, eu não me acovardaria”, e ele foi, e Deus o libertou das mãos dos seus inimigos. Contudo, as fraquezas de Crisóstomo e de Lutero se manifestaram em outras ocasiões.

Oh! Como precisamos clamar: “Senhor, aumenta-nos a fé”, pois somente somos fortes e estamos salvos enquanto exercemos fé em Deus! Se ele é esquecido e não percebemos a sua presença conosco no momento em que somos ameaçados por grandes perigos, então, com certeza, agiremos de forma indigna da nossa confissão cristã. É pela fé que estamos em pé (2Co 1.24):

Não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vosso gozo; porque pela fé estais em pé”.

4 – A QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O SENHOR ESTAVA QUEBRANDO O ORGULHO DE ELIAS (1Rs 19.8-10,14,18,19).

Muitas vezes corremos o risco de confundirmos zelo com orgulho. Vemos isso de forma clara na vida de Elias de três formas:

1o – Em primeiro lugar, que ele tinha um conceito demasiadamente elevado da sua própria importância (Só eu fiquei).
2o – Em segundo lugar, que ele estava excessivamente envolvido em seu trabalho: “eu, somente eu, fiquei” para cuidar da tua causa.
3o – E, em terceiro lugar, que ele estava decepcionado com a ausência dos resultados que esperava que acontecessem.

As operações do orgulho abafaram a prática da fé – a tripla insistência no “Eu”.. Observe como Elias repetiu essas declarações (v. 14), e como a resposta de Deus tem como objetivo descrever a doença que havia tomado o seu coração, o ego – Elias foi posto no seu lugar!

Jonathan Edwards (1703-1758) descreve o que é o orgulho espiritual. Diz ele assim:

A primeira e a pior causa de erro que prevalece nos nossos dias é o orgulho espiritual. Essa é a principal porta que o diabo usa para entrar nos corações daqueles que têm zelo pelo avanço da causa de Cristo. É a principal via de entrada de fumaça venenosa que vem do abismo para escurecer a mente e desviar o juízo. É o meio que Satanás usa para controlar cristãos e obstruir uma obra de Deus. Até que essa doença seja curada, em vão se aplicarão remédios para resolver quaisquer outras enfermidades.

O orgulho é muito mais difícil de ser discernido do que qualquer outra fonte de corrupção porque, por sua própria natureza, leva a pessoa a ter um conceito alto demais de si própria. É alguma surpresa, então, verificar que a pessoa que pensa de si acima do que deve está totalmente inconsciente desse fato? Ela pensa, pelo contrário, que a opinião que tem de si está bem fundamentada e que, portanto, não é um conceito elevado demais. Como resultado, não existe outro assunto no qual o coração esteja mais enganado e mais difícil de ser sondado. A própria natureza do orgulho é criar autoconfiança e expulsar qualquer suspeita de mal em relação a si próprio.

O orgulho toma muitas formas e manifestações e envolve o coração como as camadas de uma cebola – ao se arrancar uma camada, existe outra por baixo dela. Por isto, precisamos ter a maior vigilância imaginável sobre nossos corações com respeito a essa questão e clamar àquele que sonda as profundezas do coração para que nos auxilie. Quem confia em seu próprio coração é insensato.

A pessoa espiritualmente orgulhosa sente que já está cheia de luz, não necessitando assim de instrução. Assim, terá a tendência de prontamente rejeitar a oferta de ajuda nesse sentido.

As pessoas orgulhosas tendem a falar dos pecados dos outros: o terrível engano dos hipócritas, a falta de vida daqueles irmãos que têm amargura, a resistência de alguns crentes à santidade. A pessoa espiritualmente orgulhosa critica os outros cristãos por sua falta de crescimento na graça.

As pessoas espiritualmente orgulhosas falam frequentemente de quase tudo que percebem nos outros em termos extremamente severos e ásperos. É comum dizerem que a opinião, conduta ou atitude de outra pessoa é do diabo ou do inferno. Muitas vezes, sua crítica é direcionada não só a pessoas ímpias, mas a verdadeiros filhos de Deus e a pessoas que são seus superiores”.

Deus então retirou de Elias a sua força por um momento para que pudesse ser visto em sua fraqueza natural. Ele assim o fez com justiça, pois a graça só é prometida aos humildes (Tg 4.6):

Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”.

Deus atua nisso de forma soberana, pois é somente por sua graça que o homem é mantido humilde e de pé na sua presença. O Senhor reparou o coração de Elias que estava cheio de si, cheio de orgulho, cheio de zelo, mas vazio da graça do Senhor. Elias não era diferente de nenhum de nós. Por isso devemos vigiar para não cairmos nos mesmos erros que ele cometeu.

CONCLUSÃO

Muitas pessoas acham estranho quando leem que os mais destacados e dignos santos da Bíblia fracassam justamente naqueles que são os seus pontos mais fortes. Abraão se destaca por sua fé, sendo chamado “o pai daqueles que creem”; contudo, a fé dele desmoronou no Egito, quando mentiu a Faraó a respeito da sua esposa. Somos informados que Moisés era “mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12.3); contudo, ele foi impedido de entrar em Canaã porque perdeu a paciência e falou de forma imprudente com os seus lábios. João era o apóstolo do amor; contudo, em uma explosão de intolerância e impaciência, ele e o seu irmão Tiago queriam pedir fogo do céu para destruir os samaritanos, pelo que o Senhor os repreendeu (Lc 9.54,55). Elias era famoso por sua coragem; contudo, foi a coragem que lhe faltou nesse momento. Que evidências são essas, de que ninguém pode exercer as graças que mais distinguem o seu caráter sem a direta e constante assistência de Deus, e que, quando em perigo de se exaltar acima da medida, os homens de Deus são muitas vezes deixados a lutar com a tentação sem o seu costumeiro auxílio. É somente quando estamos conscientes da nossa fraqueza e a reconhecemos, que somos fortalecidos.

Pense nisso!

Obras consultadas:

A. W. Pink. A Vida do Profeta Elias. Editora os Puritanos, Santo André, SP, 2019.

R. N. Champlin, Ph. D. O Antigo Testamento Interpretado, Volume 2. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2001.

W. W. Wiersbe. Editora Geográfica, Santo André, SP, 6a reimpressão, 2012.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

JESUS COACH


Pr. Cleber Montes Moreira

Texto: Mateus 4:18-22 – Bíblia de Estudo Coach1
E Jesus, bem cedinho, andando junto ao mar da Galileia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, os quais passaram toda a noite no mar lançando suas redes, porém, sem nada apanhar. Ele lhes disse: “Cansados de tanto trabalho sem resultado satisfatório? Desejosos de experimentar o verdadeiro sucesso? Venham, aprendam comigo, e vocês serão pescadores de homens.” E eles, deixando as redes, seguiram o Senhor. Mais adiante, Ele viu outros dois irmãos, Tiago e João, filhos de Zebedeu, que estavam com o pai num barco consertando suas redes. Ele os chamou, e eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, acompanharam o Mestre, que lhes explicou:
Vocês serão capacitados…

✅ Para atuarem como Líderes Mentores e Coach em suas futuras igrejas, elevando a sua Performance de Gestão e liderança.
✅ Para orientar e ajudar outras pessoas ampliarem sua visão, e capacitá-las nas diversas áreas da vida, tanto secular quanto espiritual, para que atinjam suas metas, conquistem seus sonhos e sintam-se realizadas.
✅ Para criarem novas Estruturas Eclesiásticas, contextualizadas, flexíveis às mudanças de valores e comportamentos.
Vocês ainda aprenderão sobre:

✅ Estilos de liderança.
✅ Técnicas de Programação Neurolinguística (PNL).
✅ Como eliminar ANCORAS e a auto sabotagem que impedem a realização de seus sonhos e objetivos.
✅ Desenvolvimento de liderança auto responsável e controle da situação.
✅ Produtividade e Multiplicação.
✅ Relacionamentos Multiplicadores.
✅ Como criar um ambiente de “comunhão” para maior produtividade.
✅ Técnicas de Engajamento.
✅ Resolução de Conflitos.
✅ Liderança emocional.
✅ Técnicas de Gestão de pessoas.

Objetivos: Sair da vida comum, liderar pessoas, formar novos líderes e expandir o empreendimento por todo o mundo por meio do coaching.
É natural que mercenários da fé, obcecados pelo sucesso, troquem o Jesus da Bíblia e seu Evangelho pelo Jesus Coach.
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1 Versão bíblica fictícia.