sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Jesus e as fraldas que vazam


Por Maurício Zágari

Quem já teve filho sabe do que vou falar. Você deixa seu neném todo cheirosinho, passa creminho, talquinho. Uma graça. Fofo. Lindo. Por cima de tudo vem a fraldinha. Coisa boa. Tem desenhos de bichinhos, da Turma da Mônica, de balões coloridos. São objetos úteis, mimosos e que deixam o neném com aquela aparência divertida de gorilinha, com o traseiro desproporcionalmente maior do que deveria. Que invenção extraordinária. A fralda retém o xixi e o cocô, mantém o bebê sequinho, limpinho e cheiroso e impede desastres que só quem já segurou um neném peladinho no colo enquanto ele faz xixi descontroladamente entende.

Mas as fraldas têm um problema: se elas não estiverem bem ajustadas, certinhas, no lugar certo... elas vazam. E aí, meu irmão, minha irmã, não queira saber a desgraceira que é. Não foi uma nem duas vezes em que acordei de manhã e encontrei o berço da filhota parecendo um circo de horrores: cocô espalhado pelas paredes, bichinhos, lençóis e, o que é pior: pelos braços, pernas, rosto e até cabelo do nenêm. Porque não pense você que ele entende que aquilo é sujo: para o pequeno é divertidíssimo se esbaldar jogando caquinha pra todo lado, se esfregando com aquela coisa quentinha e diferente e se emporcalhando com as imundícies que vazaram da fralda mal ajustada. Prefiro nem pensar na hipótese de que depois da farra feita ela lambeu os dedos. E isso não ocorre só no berço. Ocorre no carrinho, na cadeirinha de comer, no automóvel da familia, no colo. Se a fralda não está justa é certeza de que a coisa não vai prestar.

A vida espiritual do crente tem certas semelhanças com esse processo. Antes da conversão, somos como bebês peladinhos, fazendo todo tipo de porcaria por aí, descontroladamente, sem nada que impeça que nossas sujeiras e imundícies atinjam quem estiver ao nosso redor - e, em especial, a nós mesmos. Até que Jesus nos chama para si, nos elege, estende-nos sua graça. Com isso, numa metáfora. é como se Ele pusesse uma fralda em nós. Pois na regeneração ocorre o processo de adoção (Jo 1): fomos feitos filhos de Deus e, com isso nos tornamos seus herdeiros. E Jesus passa a cuidar de nós com olhar paterno. Passa creminho nas assaduras do passado, nos limpa. Também nos torna justos. Ou seja: ajusta-nos ao que é perfeito. Assim, pela graça do crucificado somos justificados mediante a fé e nossas "fraldinhas espirituais" são ajustadas perfeitamente em nós, impedindo que a sujeirada que antes fazíamos volte a ser contaminação. Ficamos limpos, puros ou, como diz o antigo hino, "alvos, mais que a neve".

O grande problema ocorre quando, por culpa nossa, essa proteção é removida mediante o que chamamos pecado. O pecado distorce o que é perfeito e faz nossas fraldas se "desajustarem". É como se o elástico ficasse frouxo ou se a fralda se deslocasse para fora do lugar. Com isso, surgem espaços que não deveriam existir numa realidade de justificação e toda aquela imundície que estava contida volta a vazar. E, ao vazar, suja tudo e todos ao nosso redor - em especial aquele que, como um neném, voltou a se divertir com as coisas impuras - afinal, para a mente cauterizada, o que é imundo é divertido e quentinho.

Fraldas que vazam são o terror dos pais. Pecados que retornam são o terror dos cristãos. Ninguém deseja um ou outro. Mas acontece. E aí, o que fazer? No caso do neném, troca-se a fralda desajustada por uma nova e todo o processo de limpeza se repete: dá-se um banho no bebê ou passa-se lencinhos umidecidos, creminho, talquinho... tudo de novo até que aquele que fez a sujeirada retorne ao seu estado de pureza. Já no caso do pecador o processo é bem similar. Mediante nosso arrependimento, Jesus nos limpa, dá banho, cuida de nossa alma com o creminho do perdão sobre as assaduras que o pecado provocou e ajusta novamente aquilo que impedirá que a caquinha da desobediência a Deus volte a nos sujar novamente. E aí retornamos ao nosso estado de pureza.

A você que ainda não teve filhos, meu desejo é que nunca tenha que passar pela experiência de uma fralda que vaza. Embora, sinceramente, eu ache impossível que isso não venha a ocorrer. Converse com qualquer pai veterano e ele terá histórias e mais histórias sobre isso para contar. De igual modo, meu desejo é que você nunca tenha de passar pela imundície de retornar ao pecado como, em linguagem bíblica, um cachorro que retorna ao próprio vômito. Embora, sinceramente, eu ache impossível que isso não venha a ocorrer. Converse com qualquer cristão veterano e ele terá histórias e mais histórias sobre isso para contar. A solução? O bebê tem os pais para limparem suas sujeiras. E o cristão tem Jesus para fazer exatamente a mesma coisa. Mantenha-se sempre perto de Cristo e, assim, você terá a garantia de que o pecado pode ocorrer, mas o teu advogado prontamente correrá em seu auxilio para solucionar a sujeirada que teus desajustes provocaram.

Você se desajustou? Está coberto de imundície espiritual? Não se desespere. Arrependa-se. Quem se sujava, não se suje mais. Mude de atitude. Pois, mediante seu arrependimento e a graça de Cristo, Jesus vai limpá-lo, purificá-lo e fazer você ficar limpinho e cheiroso aos olhos e às narinas do Pai, como aqueles lindos e fofos bebês que sempre nos deixam encantados por sua pureza e inocência.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Fonte: Apenas

Edificando em Falso Fundamento


Por João Calvino

Porque ninguém pode lançar outro fundamento (1Co 3. 11,12).
Esta sentença consiste de duas partes, a saber:

(1) que Cristo é o único fundamento da Igreja; e

(2) que os coríntios haviam sido apropriadamente fundados sobre Cristo através da pregação de Paulo.

Por isso, era necessário que fossem reconduzidos somente a Cristo, pois seus ouvidos se cocavam freneticamente por novidades. Era uma questão de grande importância que Paulo fosse conhecido como o principal e (se assim posso afirmar) fundamental arquiteto, de cujo ensino os coríntios não poderiam afastar-se, sob a pena de renunciar ao próprio Cristo. Resumindo: a Igreja deve estar total e definitivamente fundada exclusivamente sobre Cristo; e Paulo desempenhava seu papel, a este respeito, entre os coríntios tão fielmente que seu ministério não deixava nada a desejar.

Segue-se que, quem quer que viesse após ele não poderia servir ao Senhor conscienciosamente, ou ser ouvido como ministro de Cristo de algum outro modo além de esforçar-se em tornar o seu ensino como o dele, e manter o fundamento que ele lançara.

Daqui podemos chegar a certa conclusão sobre aqueles que, quando seguem os genuínos ministros, não se preocupam em adaptar-se ao seu doutrinamento e seguir de perto um bom princípio a fim de fazer perfeitamente claro que não se ocupavam com novidades. Podemos concluir, pois, que eles [coríntios] não estavam trabalhando fielmente para edificar a Igreja, senão que eram seus demolidores. Pois o que é mais destrutivo do que confundir os crentes bem fundamentados na sã doutrina com um novo gênero de doutrinamento, de modo que não sabem com certeza onde estão ou para onde vão? Por outro lado, a doutrina fundamental, que não pode ser subvertida, é aquela que aprendemos de Cristo. Porquanto Cristo é o único fundamento da Igreja. Mas são muitos os que usam o nome de Cristo como cegos, e reviram de ponta cabeça a verdade universal de Deus.

Portanto, observemos como a Igreja é adequadamente edificada sobre Cristo, a saber, se exclusivamente ele é posto como justiça, redenção, santificação, sabedoria, satisfação, purificação, em síntese, como vida e glória; ou, se se preferir de forma mais breve, se ele é pregado de tal forma que seu ofício e virtude são entendidos da forma como são apresentados no final do primeiro capítulo. Ora, se Cristo não é adequadamente conhecido e lhe é simplesmente atribuído o nome de Redentor, enquanto que, ao mesmo tempo, a justiça, a santificação e a salvação são buscadas em outras fontes, ele é lançado para fora do fundamento e pedras falsas são postas em seu lugar. Temos um exemplo disto no procedimento dos papistas, ou seja, ao despirem Cristo de quase todos os seus ornamentos, e não lhe deixam quase nada senão um simples nome. Tais pessoas, pois, não estão de forma alguma sendo fundamentadas em Cristo. Ora, visto que Cristo é o fundamento da Igreja em razão de ser ele a única fonte de salvação e vida eterna, em razão de que é nele que conhecemos Deus o Pai e em razão de se achar nele a fonte de todas as nossas bênçãos - então, se não é reconhecido como tal, ele, imediatamente, cessa de ser o fundamento.

Pode-se, porém, perguntar se Cristo é somente uma parte, ou é ele o originador da doutrina da salvação, porquanto o fundamento é apenas uma parte do edifício. Porque, se tal é o caso, os crentes fariam de Cristo só o ponto de partida, sendo levados à complementação sem qualquer conexão com ele, e de fato Paulo parece sugerir isto. Minha resposta é que este não é o significado do que ele diz, de outra sorte ele estaria se contradizendo ao dizer em Colossenses 2,3 que "todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos nele". Portanto, a pessoa que tem "aprendido Cristo" (Ef 4.20) já se acha plenificada de todo o ensino celestial. Porém, visto que o ministério de Paulo se preocupava mais em estabelecer os coríntios do que em erguer em seu meio a parte mais alta do corpo do edifício, ele apenas mostra aqui o que já fizera, a saber, que ele pregara Cristo, pura e simplesmente. Por esta razão, pensando no que fizera, Paulo chama Cristo de o fundamento, mas não significa que ele exclui Cristo do resto do edifício. Em outras palavras, ele não põe algum outro tipo de ensino em contraste com o conhecimento de Cristo; ele está, antes, realçando a relação existente entre ele [Cristo] e os outros ministros.

Mas se alguém edifica sobre este fundamento. Ele persiste no uso da metáfora. Não era suficiente - que o fundamento houvesse sido assentado, se toda a superestrutura não lhe correspondesse. Pois, visto que seria absurdo construir com material inferior sobre um fundamento de ouro, então é algo perverso sepultar Cristo sob outras doutrinas sobrepostas por homens. Portanto, Paulo quer dizer por "ouro, prata e jóias", o ensino que não só se harmoniza com Cristo, mas é também uma superestrutura em harmonia com esse fundamento. Além do mais, não imaginemos que esta doutrina é extraída de outras fontes e não de Cristo, senão que devemos, antes, entender que temos de continuar a ensinar Cristo, até que o edifício esteja completo. Contudo, temos de prestar atenção na ordem de fazer as coisas, de modo que pode-se iniciar com a doutrina geral e o mais essencial dos principais pontos, como o fundamento. Em seguida vem reprovação, exortações e tudo quanto é necessário para a perseverança, o encorajamento e o progresso.

Visto que há pleno acordo sobre o que Paulo quis dizer até aqui, segue-se, por outro lado, que o ensino que é descrito aqui como "madeira, restolho e feno" não se adequa ao fundamento; o ensino, isto é, o que é engendrado pela mente humana e nos é empurrado como se fosse [os próprios] oráculos de Deus. Pois Deus quer que sua Igreja seja edificada com base na genuína pregação de sua Palavra, não com base em ficções humanas; e isto é o que se pode descrever como tudo o que não faz nada na maneira de construir. Nesta categoria estão questões especulativas que geralmente fornecem mais para ostentação - ou algum louco desejo - do que para a salvação de homens.

Paulo faz notório que no fim a qualidade da obra de cada um se fará manifesta; mesmo que ela seja ocultada pelo tempo presente. É como se dissesse: "Pode ser que os maus obreiros vivam enganando, de modo que o mundo não consiga de forma alguma provar quão fielmente ou quão honestamente cada um tenha feito seu trabalho. Mas o que agora se acha, por assim dizer, submerso em trevas, deverá ser destruído diante da face de Deus, e será considerado como algo indigno.

Fonte:
O CALVINISTA

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O bispo Eddie Long é ordenado: "Rei dos Judeus".

Depois de todo o eclesiasticismo de "apóstolos e patriarcas" no catálogo dos guias cegos, agora é a vez de mais uma inscrição: "Rei dos Judeus".

O bispo Eddie Long, que já afirmou: "As Escrituras são o esperma de Deus" e que já foi acusado de assédio sexual aos jovens rapazes da sua freguesia religiosa, agora é ordenado: "Rei dos Judeus".

O mesmo convidou o rabino Ralph Messer para fazer a ordenação, envolto na Torá.

Após 5 minutos de vídeo, a coisa fica temerária...


PREGANDO O EVANGELHO ― QUAL DELES MESMO?


Por Zilton Alencar

A ordem de Jesus para que todos os seus discípulos preguem o Evangelho é imperativa e inegociável. Textos registrados de sua comissão, como “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura” (Mc 16:15) e ...ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (Mt 28:19-20) deixam claro não somente Sua ordem, mas também o teor da mensagem que deverá ser pregada. A mensagem tem que ser as coisas que o próprio Cristo ensinou. Entretanto, mais uma vez estão tentando justificar a pregação de qualquer evangelho, buscando calar qualquer oposição aos falsos evangelhos. Agora estão usando a Bíblia, as palavras do apóstolo Paulo, alegando-se que ele afirmou que o importante é pregar a Cristo, que de uma forma ou de outra o nome de Cristo está sendo propagado, e não importa como isso está sendo feito...

Será mesmo? Vamos então analisar o texto em questão e tentar esclarecer mais esta falácia:

E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho; De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestadas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares, E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor. Verdade é que, também, alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boamente; Uns por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho, Mas outros, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas, que importa? contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda.” (Fp 1:12-18 – grifos meus).

O Evangelho é uma mensagem que tem compromisso absoluto com a verdade. O verdadeiro Evangelho está intimamente associado com o que Jesus ensinou, e não com o que os seus pregadores acham conveniente. Não basta apenas pregar Jesus, mas também ensinar a guardar as coisas que Ele mandou (Mt 28:20). Fazer a primeira coisa dissociando-a da segunda transforma a pregação do Evangelho em uma mera pregação hipócrita! Ora, de que adianta convencer um pagão que Jesus Cristo é o Senhor, “ganhar sua alma” e em seguida ensiná-lo a adorar ídolos, ou a desobedecer a Palavra de Deus?

O próprio Senhor ensinou que não adianta ganhar alguém para o Reino e desencaminha-lo na doutrina. “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra, para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno, duas vezes mais do que vós” (Mt 23:15). Tão importante quanto trazer alguém ao caminho da salvação é ensiná-lo acerca do Caminho, para que o neófito não se desvie.

Neste aspecto, bem afirmou Jesus: “Pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos na cova? O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre” (Lc 6:39-40). Eis um problema: os homens não querem ser IGUAIS ao Mestre, mas superiores, criando normas, doutrinas e condutas que nada têm a ver com Seus ensinamentos. Pregam “evangelhos” dissociados da verdade e comprometidos com suas visões e revelações deturpadas, ensinando falsas doutrinas aos seus seguidores. Assim, tornam-se cegos guiando cegos; pregam o nome de Cristo, mas desfazem sua pregação ao ensinar o caminho errado aos novos convertidos. Seu fim é óbvio, e previsto pelo próprio Senhor Jesus: entrarão em perdição, e levarão após si todos aqueles que seguirem seus ensinamentos errados. Honram a Deus com os lábios, mas se afastam dEle e da Sua Palavra com as ações, pois valorizam mais suas próprias doutrinas que a pura Palavra de Deus (Mt 15:1-9)!

Isto se dá entre católicos, espíritas, testemunhas de Jeová, mórmons e outras seitas. Eles inegavelmente também pregam a Cristo e ganham almas supostamente para Ele. Em seguida ensinam os convertidos a andarem baseados em muitas doutrinas erradas, antibíblicas e até anticristãs! Podemos citar incontáveis casos de pessoas que conheceram a Cristo através das seitas citadas acima, que modificaram suas vidas, tornando-se inegavelmente pessoas transformadas. Nem mesmo os mais ferrenhos opositores destas seitas podem negar que [1] Eles pregam Cristo e [2] sua pregação transforma vidas. Podemos então concordar com suas pregações, e compreender que, já que estão pregando Cristo, devemos aceita-los, assim como a seus erros, e deixá-los em paz?

O problema do texto encontrado na epístola aos filipenses, que PARECE concordar com a pregação de qualquer evangelho, desde que Cristo seja pregado, é que interpretado desta forma fere a UNIDADE DA BÍBLIA e a sua impossibilidade de contradizer-se. Esta unidade bíblica está terrivelmente comprometida e abalada quando comparamos o texto usado com outro texto bíblico, oriundo da mesma pena de Paulo, que afirma:

Maravilho-me de que, tão depressa, passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo, para OUTRO EVANGELHO; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu, vos anuncie OUTRO EVANGELHO, além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo, também, vo-lo digo. Se alguém vos anunciar OUTRO EVANGELHO, além do que já recebestes, seja anátema. Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1:6-10 – grifos meus).

Desde os meus primeiros dias na fé cristã aprendi acerca da inerrância bíblica e da impossibilidade de contradição do texto sagrado. Nos casos onde a mesma aparentasse qualquer contradição, se fazia necessário esclarecer tudo considerando a unidade da Escritura. Como é possível, então, conciliar dois textos tão antagônicos, aonde Paulo elogia que se pregue DE TODA MANEIRA, e depois anatematiza o OUTRO EVANGELHO e quem o prega?

Vamos desfazer esta “contradição”: na carta aos filipenses, Paulo não se alegra com os falsos evangelhos; ele se alegra com o VERDADEIRO EVANGELHO, mesmo que pregado por motivos de contenda, quem sabe por alguém que queria ser maior que o apóstolo, ganhar mais almas que ele, por mera contenda. Fazendo uma comparação, é como se dois pastores brigassem entre si, dividissem a Igreja, e a partir daí cada um buscasse formar um ministério maior que o outro, ganhar mais almas que o outro, PREGANDO O MESMO EVANGELHO, sem deturpações. Neste caso, o Evangelho realmente está sendo pregado, e Cristo está sendo realmente proclamado, embora por motivos mesquinhos.

Divisões e contendas existem, e a Bíblia relata que isto aconteceu até mesmo entre Paulo e Barnabé, a ponto de se apartarem um do outro (At 15:35-41), mas os dois homens de Deus não passaram a pregar dois evangelhos diferentes. As divisões e os divisores, as mesquinhezas e as contendas, o Senhor as julgará. O Evangelho do Reino, entretanto, não foi adulterado. Muito diferente dos “evangelhos espúrios” que estão sendo pregados Brasil afora, e que seus defensores tentam ― usando a Bíblia fora de seu contexto e de sua unidade, como sempre fazem! ― defender a qualquer custo...

Na carta aos filipenses, Paulo trata de dois ou mais pregadores, mas de UM ÚNICO EVANGELHO sendo pregado, e ele se alegra com isto. Já na carta aos gálatas, percebem-se claramente dois pregadores, e DOIS EVANGELHOS distintos, e Paulo NÃO SE ALEGRA com esta duplicidade, nem com este novo evangelho, apesar de Cristo estar sendo inegavelmente anunciado. O apóstolo levanta-se ferrenhamente contra este falso evangelho que surge na Galácia, questiona-o, desmoraliza-o e declara-o como anátema, não só ele, mas todo e qualquer evangelho diferente do que foi ensinado, assim como seus pregadores. Mesmo que ELE MESMO, Paulo, viesse a cair no mesmo erro algum dia, já deixa os crentes avisados de antemão: todo evangelho pregado que se contraponha ao Evangelho da Graça de Deus, SEJA ANÁTEMA.

O uso indevido deste texto me faz lembrar a tentação do Senhor Jesus pelo diabo no deserto, narrado em Mateus 4:1-11, quando o adversário também usou o texto bíblico ― fora de seu contexto e de sua unidade, exatamente como os defensores dos falsos “evangelhos” fazem! ― para tentar confundir o Senhor. A sua leitura do texto “Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos, e eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra” (Sl 91:11-12) foi refutada pelo Mestre com outra porção da Escritura, “Não tentareis o Senhor, vosso Deus” (Dt 6:16), como prova de que as Escrituras não podem ser usadas a bel-prazer do homem, mas em sua plenitude, sempre considerando sua unidade doutrinária. Que tal, defensores dos “outros evangelhos”, seguir o exemplo do Senhor Jesus e observar o que diz a toda a Bíblia, e não somente um texto isolado e fora o contexto? Assim, permitam-me uma paráfrase do texto da tentação do Senhor, para que vos sirva de exemplo mais claro:

Então o diabo o transportou o crente à igreja, e colocou-o púlpito, e disse-lhe: Se tu és filho de Deus, prega um evangelho diferente; porque está escrito: ‘contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda. Porque sei que disto me resultará salvação...’. Disse-lhe o crente: Também está escrito: ‘Se alguém vos anunciar outro evangelho, além do que já recebestes, seja anátema’“. (paráfrase do texto de Mt 4:5-7).

Desculpem-me a sinceridade, irmãos defensores dos “falsos evangelhos”: Jesus foi aprovado na tentação porque conhecia e manejava bem a Palavra; vocês são reprovados porque a desconhecem, recusam-se a conhecê-la e a manejam com o objetivo de apenas corroborar com vossos achismos e perversidades do coração!

Ao invés de “dar as mãos” a estes pregadores, concordarmos com suas deturpações e tentarmos justificá-las, é necessário que façamos como Paulo apóstolo: levantemo-nos contra os falsos evangelhos! Estes evangelhozinhos medíocres que se espalham no meio do trigo como o joio pernicioso não têm compromisso com a Verdade do Evangelho trazido pelo Senhor e pregado pelos Seus apóstolos. Mesmo pregando Cristo, estes “evangelhos” afastam o homem do caminho de Cristo, levando-o por outros atalhos, ao ensinar-lhe doutrinas estranhas à Palavra de Deus. Por mais que estas falsas doutrinas se espalhem, cresçam e prosperem, nunca deixarão de ser falsos evangelhos, que mais afastam do que aproximam o pecador de Deus!

A pregação do Evangelho que interessa a Jesus, que promove verdadeiro crescimento do Reino de Deus e que alegra a Paulo não é qualquer um, mas é um só: o Evangelho do Reino, o genuíno, o centrado nas Escrituras, que está em pauta nos ensinamentos do Cristo. Paulo se alegra com a honra que lhe foi concedida de poder pregar este Evangelho, quando afirma: em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20:24). Não é qualquer “evangelho”. Paulo o nomeia: é o EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS.

Quando Jesus falava acerca do fim das coisas, ele menciona que o fim só viria quando o genuíno Evangelho fosse pregado a todas as nações: “Nesse tempo, muitos serão escandalizados e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. E ESTE EVANGELHO DO REINO será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim” (Mt 24:10-14 – grifo meu). Mais uma vez, não é qualquer um evangelho! Não é o evangelho da graça barata; não é o evangelho da prosperidade; não é o evangelho da barganha com Deus, mas O EVANGELHO DO REINO.

Desta forma, fica fácil compreender as palavras do Mestre, quando disse: “Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi, abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7:21-23). Dentre estes que ficarão de fora, com certeza estarão muitos pregadores de “evangelhos”, e muitos defensores de tais pregadores e de tais “evangelhos”.

Que Deus nos dê a graça de estarmos entre os que não serão enganados, mas entre os que perseverarão na Palavra e no verdadeiro Evangelho do Reino, sem nos desviarmos nem para a esquerda e nem para a direita!

Fonte:
Mulheres Sábias Blog da Rô

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O ateísmo moderno e o analfabetismo teológico

Por Alex Belmonte

A palavra ateísmo em seus vários campos é de difícil definição, porém na sua etimologia a palavra vem do grego a, “não” e theos, “deus”, ou seja, é a descrença em deuses ou Deus, e também a descrença ou negação de qualquer realidade sobrenatural. Desde a Renascença, o termo passou a indicar a atitude de quem não admite a existência de uma divindade. Chamam-se ateus os que não admitem a existência de um ser Absoluto, dotado de individualidade e personalidade reais, livre e inteligente.

No Dicionário Teológico do teólogo Claudionor Corrêa de Andrade, temos a seguinte declaração mais ampla e direta acerca do ateísmo:

…O ateísmo é ainda a condição do homem que descarta a realidade do Único e Verdadeiro Deus (Rm. 1.28). No Antigo Testamento, temos uma referência a um ateísmo pragmático: não se preocupa com a essência, nem com a não existência do Todo-Poderoso; ensina que, na vida do ser humano, o Criador é perfeitamente prescindível (Sl. 10.4; 14.1). Os ateus, segundo os gregos, eram: 1) os ímpios; 2) os que não contavam com o concurso das forças sobrenaturais; 3) e os que manifestavam crença alguma nos deuses. (pág. 66 – 17ª Edição, 2008 – Ed. Cpad).

O ateísmo também fez raízes. O agnosticismo e o ceticismo, por exemplo, de certa forma entram no âmbito do ateísmo, porque o agnóstico é alguém que crê e propaga a doutrina que defende a incognoscibilidade de qualquer ordem de realidade desprovida de evidência lógica satisfatória. O termo foi criado por T.H. Huxley (1825 – 1895), para expressar o seu desprezo em face da atitude de certeza dogmática simbolizada pelas crenças dos antigos gnósticos. Nega a possibilidade de um conhecimento racional e certo de qualquer realidade transcendente. Para o agnosticismo a razão humana não pode adquirir uma ciência certa, a não ser das realidades apreendidas pela experiência sensível; apenas afirma que isso não se pode conhecer com certeza por meio da razão. Como sistema teológico foi condenado pelos apóstolos e pela Igreja. Sob qualquer forma que se apresente, o agnosticismo deve ser considerado segundo o sistema científico a que se amolda e também os pressupostos da teoria do conhecimento que adota.

Quanto ao termo “analfabetismo teológico” sugerido no título deste artigo, se trata de um resultado por meio do uso do método analítico e interpretativo, dentro do argumento e exposição teológica de grupos e pessoas atéias, cujo final é a clara evidência da falta de conhecimento e incapacidade da visão ateísta em sua tentativa de rejeitar a pura Verdade bíblica. O que restou disso foi a certeza de uma mera falácia por parte desses.

Partindo desse princípio a primeira coisa que encontramos é de fato a existência de seis tipos de ateísmo. Esses diferentes tipos revelam sua expansão de pensamento e atitude, além da não unidade de pensamento. São esses: O Ateísmo Tradicional, Mitológico, Dialético, Semântico, Conceitual e Prático.

Vamos explorar aqui apenas os tipos Mitológico e Dialético, desejando a abordagem dos demais num próximo e possível artigo.

O Ateísmo Mitológico. Os que defendem essa corrente acreditam que o mito “Deus” jamais foi um Ser, mas o modelo vivo pelo qual as pessoas viviam. Esse mito foi morto pelo avanço do entendimento e da cultura do homem. O mais destacado ateu dessa linha é Friedrich Nietzsche, nascido em Röcken (Alemanha) em 15 de outubro de 1844. Ele Faleceu em Weimar no dia 25 de agosto de 1900.

Nietzsche nasceu numa família luterana, filho de Karl Ludwig, seus dois avós eram pastores protestantes. O próprio Nietzsche pensou em seguir a carreira de pastor, entretanto, rejeita a fé durante sua adolescência, e prefere os estudos de filosofia afastando-se do estudo teológico. Ingressou no semestre de Inverno de 1864-1865 na Universidade de Bonn em Filologia Clássica.

Nietzsche baseou sua crença de que Deus jamais existiu em vários pontos fundamentais (Além do bem e do mal, pág. 23). Ele argumentou que o mal no mundo eliminaria ainda mais o Criador benevolente. Nietzsche julgou que a base para a crença em Deus era puramente psicológica, e exortou:

Rogo-vos, meus irmãos, permanecei fiéis à terra, e não creiais naqueles que vos falam de esperanças de outros mundos!”. Acrescentou: “No passado o pecado contra Deus era o maior pecado; mas Deus morreu, e esses pecadores morreram com ele. Agora pecar contra a terra é a coisa mais terrível. (Assim falava Zaratustra, pág. 125).

O Analfabetismo Teológico de Nietzsche. Analisando os principais pontos dentro do argumento de Nietzsche entendemos que sua apresentação acerca da não existência de Deus está totalmente equivocada (teológica e filosoficamente falando) e falha para o assunto em questão. Se Friedrich Nietzsche seguisse a linha de raciocínio coerente e sana, a raiz de sua ideia partiria justamente do detalhamento da morte psicológica de Deus. Para isso responderia as seguintes perguntas: 1. Se Deus de fato existiu de forma puramente psicológica (como afirmou) em que período isso ocorreu na mente humana? 2. Por que Deus morreu e seus efeitos psicológicos não morreram com Ele (se isso também era Deus)? 3. Quando Deus morreu? E como morreu? 4. Por que um Ser tão “insignificante e morto” ainda é lembrado até mesmo pelo ateísmo? (isso também é psicológico?) e 5. Como uma divindade que existiu apenas na psique humana pode permanecer influente de forma coletiva em pleno século XXI?

Infelizmente Nietzsche não pode nos responder a esses pontos, pois sua linha de raciocínio é deficiente e repugnante, e ficou mais particularizada do que compartilhada. Mas, contudo, chegamos à seguinte conclusão: Nietzsche como filósofo destacado, definiu erroneamente o termo “psicologia” quando procurou assim argumentar a não existência de Deus por esse caminho.

A Psicologia (do grego psykhologuía, de “psique, “alma”, “mente” e lógos, “palavra”, “razão” ou “estudo”) é a ciência que estuda o comportamento (tudo o que um organismo faz) e os processos mentais através do comportamento. O principal foco da psicologia se encontra no indivíduo, em geral humano. Nietzsche ignorou ou talvez não alcançou o conhecimento de que paralela à psicologia científica aqui tratada existe também uma psicologia do senso comum ou quotidiana, que é o sistema de convicções transmitido culturalmente que cada indivíduo possui a respeito de como as pessoas funcionam, se comportam, sentem e pensam. A psicologia usa em parte o mesmo vocabulário, que adquire assim significados diversos de acordo com o contexto em que é usado. Assim, termos como “personalidade” ou “depressão” têm significados diferentes na linguagem psicológica e na linguagem quotidiana. A própria palavra “psicologia” é muitas vezes usada na linguagem comum como sinônimo de psicoterapia e, como esta, é muitas vezes confundida com a psicanálise.

O bem da verdade é a história da Psicologia se confunde com a Filosofia até meados do século XIX. Sócrates, Platão e Aristóteles deram o pontapé inicial na investigação da alma humana. Para Sócrates (469/399 a C.) a principal característica do ser humano era a razão – aspecto que permitiria ao homem deixar de ser um animal irracional. Platão (427/347 a C.) – discípulo de Sócrates, conclui que o lugar da razão no corpo humano era a cabeça, representando fisicamente a psique. Já Aristóteles (387/322 a C.) – discípulo de Platão – entendia corpo e mente de forma integrada, e percebia a psique como o princípio ativo da vida.

Dessa forma, se alguém como Nietzsche afirma que a base para a crença em Deus era puramente psicológica, está na verdade afirmando a existência real de Deus como parte da própria existência humana. O uso do pensamento filosófico para argumentar a inexistência de Deus com base no argumento psicológico só poderia resultar numa única verdade: Deus sempre existiu e ainda existe no coração, na mente e na experiência humana.

O Ateísmo Dialético. Norman L. Geisler em sua Enciclopédia de Apologética (Ed. Vida) diz que houve uma forma passageira de ateísmo Dialético defendido por Thomas Altizer que propôs que o Deus transcendente do passado morreu na encarnação e crucificação de Cristo, e essa morte foi posteriormente realizada nos tempos modernos.

Na década de 1960 Thomas J. J. Altizer propagou a “morte de Deus” em nossa Era (correspondendo ao século XX da recente época). Para isso ele criou a “morte divina” em três estágios:

1º. A morte na encarnação, onde, de acordo com Altizer, o próprio Deus morreu quando se encarnou em Cristo. Segundo acredita, o céu ficou vazio, e esse Deus ao se tornar carne, ao que parece, cometeu suicídio. 2º. A morte na cruz. Sendo Cristo o próprio Deus acabou morrendo quando foi crucificado na cruz. Altizer acreditava que Cristo se limitou aos poderes divinos e não conseguiu se livrar da morte. 3º. A morte nos tempos modernos. Finalmente Deus morreu nos tempos modernos na teologia de Thomas Altizer. Ele morreu na consciência humana, na nossa época.

O Analfabetismo Teológico de Thomas Altizer. O argumento ateísta de Altizer é muito mais vexatório que o anterior exposto, tamanha é a evidencia de seu flácido conhecimento teológico, já que o mesmo afirmou que “só o cristão sabe que Deus está morto” (O evangelho do ateísmo cristão – Altizer, p. 25) se comparando assim com os cristãos.

Não é difícil identificar o limite no conhecimento de Altizer, pois de início percebe-se que lhe falta uma exegese correta da visão trinitariana, causando assim uma interpretação errônea de quem realmente é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Altizer não alcançou o conhecimento de que quando a Bíblia menciona a palavra “Deus” está se referindo á natureza, essência e substancia divina das três Pessoas distintas na trindade, e não um limite ás mesmas. Com isso é fácil o entendimento de que quando o Verbo se fez carne, o que aconteceu não foi a subtração da divindade, mas a adição da humanidade.

Outro erro argumentativo de Altizer é a criação dos estágios da morte de Deus. Se Deus morreu logo na encarnação como pode morrer novamente na crucificação? Logo, inconscientemente, Altizer mostra a sua fé em dois princípios doutrinários da Bíblia: 1º. Que houve uma encarnação. Sendo a encarnação de Cristo um milagre na esfera espiritual, Thomas Altizer acreditou nesse milagre (sem ele mesmo perceber), de acordo com seu relato. 2º. Que houve um dia uma crucificação, o que naturalmente vai gerar a ressurreição. Nenhum ateu pode acreditar na crucificação como realidade cristã sem aceitar a ressurreição como fato. O mínimo que poderia dizer é que “alguém um dia foi crucificado, não necessariamente o Cristo”.

Conclusão: O Rev. Dr. Alderi Souza de Matos, do Instituto Presbiteriano Mackenzie, em uma de suas contribuições literárias apresenta uma resenha traduzida, na argumentação de Lee Strobel, intitulada “Em defesa da fé” (Ed. Vida, 2002, p.363) onde inicia dizendo que um dos maiores desafios enfrentados pelos cristãos é a existência de certas questões espinhosas levantadas pelos céticos que parecem pôr em cheque algumas afirmações centrais da fé cristã. Isto vem acontecendo desde os primeiros tempos da igreja, como comprovam tanto os documentos do Novo Testamento quanto os escritos dos apologistas e polemistas, os defensores intelectuais do cristianismo no 2º e no 3º séculos.

Para Dr. Alderi o mundo contemporâneo, secularizado e pluralista, herdeiro do iluminismo e do racionalismo, continua a fazer formidáveis questionamentos à fé cristã, questionamentos esses que são um obstáculo para muitos descrentes e uma fonte de incertezas para um grande número de cristãos. Essas objeções concentram-se em torno de questões como a fidedignidade da Bíblia, a veracidade das alegações cristãs, bem como a natureza e o caráter de Deus.

O que propomos para o crente fiel à Palavra de Deus e o leitor da Bíblia é fazer uma análise a partir dos argumentos apresentados pelos céticos. Um estudo bíblico sistemático nos principais temas da fé revelará a falta de harmonia no argumento contrário às Verdades espirituais, e levará você ao crescimento e edificação. Busque interpretar a Bíblia respeitando os princípios e regradas da hermenêutica teológica. E para se manter na correta linha de análise, comece orando à Deus.

Fonte: NAPEC - Apologética Cristã

A Demonologia da Prosperidade


Por Maurício Zágari

Para você que acredita ou professa a Teologia da Prosperidade, este post será esclarecedor, pois aqui vou explicar como surgiu essa filosofia, articulada habilmente pelas forças do mal para escravizar cristãos sérios com argumentos que, de tão bem engendrados, parecem fazer sentido bíblico. Mas que não verdade não passam de doutrina de demônios - e eu provo. Se você não gosta de ler textos mais longos, sugiro que segure um pouquinho e vá até o final deste. Tome posse do que está lendo, decrete a vitória, declare em nome de Jesus que "conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará" e vá adiante. É o destino de tua alma que está em jogo. Então penso que vale a pena. Vem comigo ao longo dos próximos parágrafos e vamos falar um pouco sobre Teologia da Prosperidade.

Tem havido muito ti-ti-ti ultimamente sobre a herética, antibíblica e demoníaca Teologia da Prosperidade. Não por ela ser herética, antibíblica e demoníaca, como sempre foi e sempre continuará sendo. Não também por ela ser alguma novidade: desde os anos 1970 algumas denominações neopentecostais abraçaram esse monte de mentiras "bíblicas" e enriqueceram às custas de pessoas desesperadas, dispostas a dar o que não têm a igrejas e falsos pastores para que Deus supostamente as abençoe. Foi assim com muitas denominações que, enganando seus membros com essa doutrina de demônios, encheram o bolso de dinheiro, compraram canais de TV e estações de rádio, viraram impérios empresariais mundanos cuja única finalidade é o lucro. Seus líderes são tão despreparados biblicamente que alguns defendem o aborto e a masturbação e acusam irmãos em Cristo de estarem possessos. Tá me entendendo, sim ou não?

Mas nada disso é novidade. Programas seculares de TV nos anos 80 já denunciavam as práticas dessas "igrejas". Só que um fato inesperado trouxe de novo essa teologia vinda do mais profundo do inferno novamente à boca dos cristãos. Aliás, dada a sua origem em religiões satânicas (mais à frente eu conto como surgiu essa "teologia") tenho certa dificuldade de chamá-la de Teo (Deus) Logia (Estudo), costumo denominar mais de "demonologia" da prosperidade.

De certo modo nós, que acreditamos professar o Cristianismo bíblico, já olhávamos para esses neopentecostais com um olhar meio "ah, eles são assim mesmo, deixe-os pra lá enganando o povo, vamos tocar aqui a nossa espiritualidade e largar esse turma, depois Deus acertará as contas com eles". Ocorre que um fato estarrecedor e inesperado trouxe a Demonologia da Prosperidade de volta à luz do dia e das nossas conversas: um telepastor de uma denominação séria, da chamada primeira onda no pentecostalismo brasileiro, a Assembleia de Deus (onde aliás Jesus me converteu, que em sua maioria professa um Cristianismo barulhento mas totalmente bíblico e pela qual tenho um carinho enorme) parou de pregar a verdade e começou a proclamar essa doutrina espúria. E em vez de ficar no seu canto, enganando as ovelhinhas que suicidam-se espiritualmente ao acreditar em suas palavras, lançou-se numa cruzada para promover essa demonologia.

Anos atrás, como comprovam videos do youtube, esse senhor biblicamente desqualificava essa doutrina. Metia o sarrafo nela e a acusava de ser fruto de más intenções. Mas aí os anos foram se passando, sabe-se lá o quê dentro do coração desse homem foi mudando e aos poucos Mamom foi empurrando Jesus para fora de seu programa de TV, de suas pregações, dos livros que publica... e a coisa foi ficando sombria. Herdou a igreja onde prega e criou uma denominação que está ganhando pelas posturas de seu líder ares de seita.

Quando menos se esperava sua editora lançou uma inacreditável Bíblia que tem como foco a "vitória financeira" - como se Jesus estivesse muito preocupado com esse assunto. Em seguida, importou dos Estados Unidos um pregador da Prosperidade, acusado de estelionato em seu país, mas que chamou de "profeta de Deus". O cidadão prometeu a satânica "unção dos R$ 900": quem doasse esse montante ao dono do programa receberia, ele garantia - avalizado pelo próprio Criador do universo - uma grana do Alto. Consta que com o dinheiro dos que caíram nessa história o apresentador desse programa comprou um jato particular. Já os pobres coitados que deram seu suado dinheirinho para ele até hoje estão olhando para o céu esperando a tal unção descer - e vão continuar esperando até Jesus voltar e explicar a essas inocentes e crédulas almas que Ele não tinha nada a ver com aquilo.

Depois esse telepastor importou outro papa da Demonologia da Prosperidade (dono de uma bela voz, sejamos justos com o homem), que em seu programa de TV novamente lançou uma campanha para arrancar dos inocentes que acreditam no empresário que comanda o show... adivinha? Mais dinheiro. Só o que eu vi foi um pastor americano pedir dinheiro “para a obra do Evangelho”. Em português claro, isso significa dar um montante para a organização do dono daquele programa, o que ele chamou de “a causa de Cristo”. Em troca, o americano garantiu que os que "plantassem essa semente" teriam 12 meses de vida espetacular, que o filho desviado do doador voltaria a Jesus, que cada decisão que o doador tomasse seria vinda direta de Deus e que o doador não tomaria uma decisão errada sequer por 12 meses. Nessa linha.

Durante uma hora inteira não se falou absolutamente nada de vida eterna, de arrependimento de pecados, de discipulado, de crescimento espiritual, de regeneração, de justificação, de ser sal da terra e luz do mundo, da Cruz de Cristo, da ressurreição do Senhor, da glória de Deus, nada, nada, nada edificante. Incrível. Um programa que se apresenta como sendo "evangelístico". E eu só pensava naqueles que vão tirar do seu suado dinheirinho, mandar para o já abastado dono do programa e... nada disso vai acontecer.

Claro que, como o empresário que comanda o programa sabe que pessoas que pensam e leem a Bíblia criticariam mais essa loucura, voltou a tentar desqualificar os críticos de promessas como essas repetindo seu mantra “criticos nao fazem nada por ninguém”, o que absolutamente não é verdade (leia o post Cristãos críticos que criticam cristãos críticos). Essa frase é um tremendo absurdo. Mesmo se não fosse, olha o contrassenso: o senhor que diz isso vive criticando outras pessoas (inclusive quem o critica). Chamando-as de “trouxa” e outras ofensas, como se pode conferir em vídeos que estão no Youtube. Recentemente criticou um sacerdote para quem quisesse ouvir. Ou seja: ele próprio é o maior dos críticos. A última desse telepastor foi chamar de "idiotas" os que são contra a Demonologia da Prosperidade. "Idiotas e trouxas". Uau. Que belo exemplo de linguajar cristão.

As origens da Demonologia da Prosperidade

Mas deixe-me te contar como surgiu a Demonologia da Prosperidade. E o que você lerá aqui são fatos. E aqui estão as origens da doutrina que esse líder assembleiano vem pregando e ensinando:

Não sei se você sabe, mas na verdade a Teologia da Prosperidade teria tudo para ser muito mais ligada às religiões não-cristãs do que ao Cristianismo. Simplesmente porque suas raízes estão na Nova Era. Uso como base estudo feito pelo respeitado Pastor Elinaldo Renovato de Lima, da Assembleia de Deus de Parnamirim e escritor de comentários e lições bíblicas – que cita outros autores em seu artigo, publicado em detalhes AQUI, mas vou procurar resumir ao máximo.

Tudo começou com uma mulher chamada Mary Baker Eddy (foto à esquerda), fundadora do movimento herético de Nova Era chamado Ciência Cristã, que afirma que “a matéria e a doença não existem e que tudo depende da nossa mente”. Foi quando, nas décadas de 1930 e 1940, um pastor chamado Essek William Kenyon (foto à direita) passou a admirar os ensinamentos heréticos de Mary Baker Eddy, sabe-se lá por quê. Ele acabou fazendo uma grande salada religiosa, em que misturava as heresias de movimentos não-cristãos (como Ciência da Mente, Ciência Cristã e Novo Pensamento) com partes do Cristianismo, tornando-se assim pai do chamado “Movimento da Fé”. Todas essas religiões afirmavam que, graças ao poder da mente, “tudo o que você pensar e disser se transformará em realidade”.É quando entra na história o homem que disseminou isso entre as igrejas cristãs: Kenneth Hagin.

Kenneth Hagin (foto à direita) conseguiu dar uma maquiagem cristã convincente às ideias satânicas de Kenyon. Discípulo dele, nasceu em 1918, nos Estados Unidos. Depois de ter sofrido com muitas doenças e de ter sido muito pobre, diz que se converteu “após ter ido três vezes ao inferno”. Aos 16 anos Kenneth Hagin afirmou ter recebido uma revelação e aí descobriu “que tudo se pode obter de Deus, desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário”. Pronto. Com isso ele inventou a heresia da “Confissão Positiva” – aquela coisa de “eu declaro isso em nome de Jesus”, “eu tomo posse daquilo em nome de Jesus”, “eu decreto isso em nome de Jesus” etc que até hoje é um modismo disseminado como um câncer entre grande parte da Igreja.

O próximo ensinamento que Hagin herdou de Kenyon, que por sua vez herdou das religiões de Nova Era, é o das “promessas da doutrina da prosperidade”. Segundo essa doutrina, o cristão tem direito a saúde e riqueza, o que tornaria doença e pobreza “maldições da lei”. Usando Gl 3.13,14, Kenneth Hagin diz que fomos libertos da maldição da lei, que seriam: pobreza, doença e morte espiritual. Ele tomou emprestadas as maldições de Dt 28 contra os israelitas que pecassem. Citando Pr. Elinaldo, “Hagin diz que os cristão sofrem doenças por causa da lei de Moisés”.

Depois que inventou seus absurdos, Hagin foi pastor de igrejas de diversas denominações até que fundou sua própria organização, o Instituto Bíblico Rhema. Uma curiosidade é que o inventor da Teologia da Prosperidade foi inclusive acusado de plágio, por ter escrito livros com total semelhança aos de seu mentor, Essek Kenyon. Sua explicação? “Não é plágio, recebi diretamente de Deus”. Tá me entendendo, sim ou não?

Pois é. Aí Kenneth Hagin começou a escrever um monte de livros, onde afirma, entre outras coisas, que “recebe revelações diretamente do Senhor” (Hagin, Compreendendo a Unção, p. 7). E esse lixo teológico passou a ser devorado por legiões de pessoas, que começaram a propagar a Teologia da Prosperidade. Como seus argumentos trazem soluções imediatas aos problemas da vida, foi fácil arrebanhar multidões. Mas, se você analisar bem, a Confissão Positiva e a Teologia da Prosperidade tentam com suas práticas fazer Deus de escravo – afinal, por esse pensamento, se as pessoas “declaram pela fé”, “decretam em nome de Jesus” e coisa que o valha, o Onipotente e Soberano Criador do Universo não tem o que fazer a não ser obedecer suas criaturas como uma vaquinha de presépio. É só ter fé e vai chover dinheiro.

A coisa está feia

Essa é a verdade, meu irmão, minha irmã. Se você acredita nessa doutrina de demônios, pare hoje. Abandone essas práticas agora. E volte a professar o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo. Enquanto essas mentiras invadiam apenas rincões reconhecidamente neopentecostais, onde quem entra já sabe o que esperar, a gente até entende. Mas quando um representante de uma das mais tradicionais e bíblicas denominações do país, como a Assembleia de Deus, que está na TV, é visto como um semideus por milhares de pessoas e que inclusive está fazendo acordos com a TV Globo para organizar festivais de "louvor" abraça esse pensamento de Nova Era, satânico, elaborado nas profundezas do inferno e começa a pregar aos quatro ventos, chamando de "trouxa" quem oferta por amor e de "idiota" quem se opõe a essa doutrina de demônios... é hora de levantar a bandeira vermelha. É sinal de que a coisa está feia. Feia e cheirando mal.

Mamom - que, em primeira análise, é Satanás - está conquistando adeptos. E eles seguem, achando que estão a serviço de Jesus. É hora de despertar e dizer NÃO a essas Demonologias infiltradas nas pregações e nos programas daqueles que, um dia, já serviram o Deus Altíssimo. Não assista a esses programas, meu irmão. Não doe dinheiro a essas organizações. Mantenha suas ofertas na sua igreja local. Quer doar? Apadrinhe uma criança pela Visão Mundial, uma organização cristã séria. E pare de acreditar em absurdos teológicos e bíblicos que são pregados em nome de Jesus. Por amor a Cristo e a sua própria alma. Afinal, o Jesus da Teologia da Prosperidade não é o Jesus da Bíblia. É um ídolo. E quem deposita sua fé em ídolos não tem a fé que salva. Então o que está em jogo aqui é mais do que o seu dinheiro: é o destino eterno da sua alma.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Fonte: Apenas

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O limite da fraqueza

Por Adeildo Nascimento Filho

“Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos.” 1 Co 9:22. Lendo este texto fico me perguntando se Paulo pensou em algum limite para esta fraqueza quando o escreveu. Também me pergunto se atualmente a suposta fraqueza de alguns efetivamente tem o objetivo santo de ganhar os fracos.

Até que ponto a pregação do evangelho tem que se sujeitar a modismos e ondas pós-modernas de dominação do mundo e principalmente do consciente e inconsciente coletivo? Será que a cruz precisa de estratégias agressivas de marketing como os produtos tecnológicos ou as cadeias de varejo? Será que a TV e os programas de auditório, antes tão atacados pelos cristãos tradicionalistas, agora são a mais indicada forma de se pregar o evangelho de Cristo? Boas perguntas.

Não consigo acreditar que Paulo toparia lançar oferendas para Iemanjá a fim de alcançar os seus devotos. Também não consigo imaginar que Paulo toparia subir num palco e cantar “ai se eu te pego” a fim de abrir caminho para o coração do pessoal da “tribo” do sertanejo universitário. Não acredito em discipulado feito virtualmente, não foi assim que Jesus fez. Também não creio que o evangelho precise de subterfúgios de entretenimento coletivo para “vender” sua mensagem. Até porque ele não precisa ser vendido, é gratuito.

Talvez o limite da fraqueza citada por Paulo seja o da pessoalidade. Se fazer de fraco não significa ser fraco, ou seja, não é necessário ser viciado em nada para ter o mínimo de empatia com aqueles que são. Do contrário, seguindo esta lógica, seríamos forçados a pecar para demonstrar amor aos que pecam. Jesus não pecou e ninguém amou mais o pecador que ele.

Outro ponto é o motivo explicitado por Paulo para este tipo de atitude, ganhar os fracos. Se fazer de fraco só tinha este objetivo. Como sempre a resposta está no motivo e não na ação em si. Não tenho dúvidas quanto aos objetivos de Paulo, sua vida traduziu na íntegra tudo o que ele pregou. E hoje? O motivo ainda é o mesmo? Estamos fazendo papel de tolos e fracos buscando as mesmas glórias de Paulo? Tenho lá minhas dúvidas. E quando digo isso não penso em ninguém mais além de mim. Meu coração é enganoso e falho. Vivo a várias centenas de anos distante de Paulo e do primeiro derramar do Espírito Santo. Tenho receio de, no mínimo, me perder na fraqueza enquanto tento ganhar os fracos. Acho melhor mostrar a fortaleza da rocha na qual procuro me firmar a cada novo dia.

Na maior parte das vezes acho que estamos abrindo mão da nossa responsabilidade na expansão do reino. A maior propaganda do evangelho deveria ser nossas vidas. Pregações ambulantes. Corpos cravejados de cicatrizes que provam a eficácia do evangelho. Vidas redimidas e limpas através do sangue de um cordeiro inocente. Mas ao invés disso, na maior parte do tempo, temos terceirizado nosso chamado para ícones do mundo gospel na esperança que eles preguem, discipulem e conduzam vidas até a cruz.

É difícil não ser pessimista quanto a eficácia dessa estratégia para o reino de Cristo. Continuo acreditando não haver comunhão entre luz e trevas.

O limite da fraqueza citada por Paulo é Jesus. Enquanto Ele for o ÚNICO caminho apontado por você ok, mas caso Ele se torne UM DOS, então você deixou de se fazer de fraco e passou a ser um deles.

Fonte: NAPEC - Apologética Cristã