quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Deus é mais simples que as religiões



Por Antônio Pereira Jr.

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).

“Deus é mais simples que as religiões”, disse o poeta Mário Quintana, que não se considerava um religioso, embora fosse criado nos moldes do catolicismo. Eu particularmente acho que ele poderia ser agnóstico, não um ateu propriamente dito. Agnóstico é aquele que pode até acreditar na existência de Deus, embora não tenha certeza que de fato Ele exista. Literalmente falando um agnóstico é aquele que não tem o conhecimento necessário sobre a certeza da existência de uma divindade superior (um não conhecimento), pois “gnose” significa conhecimento. Em certo sentido eu concordo com a frase. Geralmente as religiões complicam tudo.

Deus é simples, não no sentindo de ser simplista ou cuja constituição se pode conhecer plenamente. Não dá para dissecarmos a Deus como se faz com um cadáver humano para que se conheça seus pormenores. Deus é infinitamente Ele. Só Ele é o que é. Nesse sentido Ele é altamente complexo. Impossível a concepção pela mente humana. Como disse Santo Agostinho: “O finito não pode conhecer o infinito”.

Deus é simples no sentido de se deixar conhecer. E nesse “deixar-se conhecer”, que conhecemos dEle já nos é suficiente. Sem barganhas, sem sacrifícios e sem teorizações filosóficas. Em contrapartida a religião exige normas, regras sobre-humanas, leis impraticáveis. É preciso cumprir exaustivamente os sacrifícios, oferendas e exigências das divindades mal-humoradas.

Em Jesus tudo isso fica em segundo plano. As exigências do Deus-Pai foram cumpridas pelo Deus-Filho. É coisa de Deus não de homens. Nenhum homem poderia cumprir as exigências do Deus Eterno. E Cristo o nosso substituto pede pouca coisa, aliás, uma só coisa: que se creia nEle. Por isso o seu jugo é suave e seu fardo é leve.

Um jugo, se você não sabe, é tipo uma peça de madeira que se colocava no pescoço dos animais. Geralmente eram dois bois ou outros animais fortes. Se fazia assim para que se controlasse o arado onde se fazia os sulcos no terreno, preparando-o para a plantação. O jugo desigual seria colocar a peça em dois animais de espécies diferente. Um boi e um cavalo, por exemplo. O que era proibido pela Lei (Deuteronômio 22.10).

O jugo de Jesus é suave porque não carregamos o fardo da vida sozinhos. Ele sempre está conosco para nos ajudar. O alivio vem dEle. Todo descanso para a alma cansada só pode vir dEle. A religião nua e crua ao invés de aliviar a carga, aumenta o sofrimento do ser humano porque ela é quase sempre desumana. Essa é a diferença de Jesus e da religião.

O fardo da religião é pesado. E como é pesado. O apóstolo Paulo sabia disso. Ele era um fariseu insensível. Um religioso que matava em nome de Deus. Um líder religioso que não conhecia a Graça, o amor e o perdão de Deus. Até que teve um encontro com o Mestre dos mestres. No caminho de Damasco (Atos 9) ele descobriu que servir a Jesus é uma coisa, servir a religião é outra totalmente diferente. Ele tentava viver perfeitamente. Era sincero no que fazia. Tantas exigências para que se viva uma vida intocável, pura e perfeita. Mas como um imperfeito pode viver perfeitamente?

A religião sufoca, mata, oprime… A religião escraviza, Cristo liberta. A religião entristece, Cristo dá alegria. A religião reprime, Cristo dá paz. A maioria das pessoas têm fé em algo, mas é preciso ter fé em alguém. É nisso que as religiões erram. O algo é efêmero, o alguém tem que ser Eterno. O algo é fraco, frágil, pueril. O alguém deve ser Todo-poderoso e imortal.

Mas também não podemos colocar nossa fé em qualquer alguém. Esse alguém tem que ser Deus-Cristo, do contrário, colocar a fé em homens ou na religião vazia é outro grande erro que não se deve cometer. Hoje as pessoas estão crendo em falsos apóstolos, profetas, bispos e líderes falíveis. Colocar a fé na religião é colocar a fé em algo. Crer em Jesus é colocar a fé em alguém que não pode mentir. É esse alguém que merece ser adorado e amado com todas as nossas forças. Você está colocando sua fé em algo ou em alguém? Lembre-se do que Ele disse: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele”. João 3.36 (KJV).

Fonte: NAPEC

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

João Marcos: De Inútil a Útil


Por Dennis Allan

A missão dos apóstolos de Jesus foi a divulgação do evangelho, a boa-nova sobre a vida, morte e ressurreição do Filho de Deus e a graça estendida ao mundo. Um dos mais influentes desses embaixadores de Cristo foi Paulo, autor de 13 dos 27 livros do Novo Testamento e apóstolo aos gentios, as nações que não haviam recebido os privilégios especiais dados aos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, no Antigo Testamento.

A segunda metade do livro de Atos registra quatro viagens realizadas por Paulo: três comumente conhecidos como suas viagens missionárias, e mais uma viagem, de Jerusalém a Roma via Cesareia, na qual Paulo foi levado como prisioneiro para uma série de julgamentos.

Na história da primeira viagem (Atos 13 e 14), encontramos João Marcos (ou apenas Marcos), um jovem, parente de Barnabé (Colossenses 4:10). Marcos acompanhou Paulo e Barnabé quando partiram de Antioquia da Síria e passaram pela ilha de Chipre, no Mediterrâneo. Ele continuou com esses evangelistas experientes na viagem de Chipre à Ásia Menor. Quando a viagem ficou mais difícil e perigosa, porém, Marcos abandonou os outros dois e voltou para Jerusalém.

Paulo e Barnabé perseveraram, apesar de severas perseguições que levaram ao apedrejamento do apóstolo em Listra. Completaram esta fase do seu trabalho, deixando na região vários novos convertidos organizados em igrejas locais. Voltaram para Antioquia da Síria e, depois, viajaram para Jerusalém para ajudarem a corrigir um mal-entendido doutrinário (Atos 15).

Quando Paulo e Barnabé se preparavam para uma segunda viagem, Paulo recusou levar Marcos. Ele não sentiu confiança no jovem, e escolheu um outro irmão, Silas, como ajudante (Atos 15:36-41). Naquele momento, Marcos foi inútil para Paulo.

Barnabé deu uma segunda chance para Marcos, levando-o na sua viagem para Chipre. Ele achou melhor trabalhar mais com esse jovem, esperando que fosse útil para o Senhor. Como o relato de Atos segue a viagem de Paulo, e não a de Barnabé, não temos detalhes do trabalho feito por Barnabé e Marcos. Temos apenas alguns indícios dos resultados da paciência de Barnabé no seu trabalho com esse jovem.

João Marcos escreveu um dos relatos da vida de Jesus, o evangelho segundo Marcos, aceito pela igreja primitiva como uma versão divinamente inspirada dessa mensagem fundamental das Escrituras.

Anos mais tarde, o próprio apóstolo Paulo escreveu: “Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério” (2 Timóteo 4:11). O mesmo apóstolo que não confiava no jovem Marcos depois do problema do seu procedimento na primeira viagem chegou a pedir a sua ajuda no final da sua vida.

João Marcos amadureceu. Cresceu espiritualmente. Aprendeu ser responsável e ganhou a confiança do mesmo apóstolo que mostrou sua decepção em outra época.

Todos nós precisamos de exemplos como o de João Marcos. Falhamos. Decepcionamos os outros. Nem sempre agimos como devemos e nem como pessoas mais fortes esperam de nós. Mas Marcos serve para nos lembrar de segundas chances, da possibilidade de superar as nossas falhas e fazer melhor. O servo inútil se tornou útil.

Não vivemos, porém, para agradar ao apóstolo Paulo. Devemos sempre procurar agradar a Deus. E nisso, já temos falhado. Como as pessoas imperfeitas que somos, nossas primeiras viagens nessa vida não foram tão boas. Erramos. Pecamos. Paulo escreveu: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3:23). Deus, porém, acredita em segundas chances. Ele nos oferece, em Jesus, o perdão e a oportunidade de começar novamente. Ele nos oferece a redenção! Paulo continua: “sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:24).

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

DEUS É LIVRE


Por Pr. Roberto de A. Laurindo

Ao longo das páginas da Bíblia, acompanhamos o labor de grandes homens e mulheres tementes a Deus, gente empenhada em descrevê-lo. Porém, qual a melhor maneira de escrever ou discorrer na esfera natural, sobre um SER espiritual, sobrenatural e transcendental? Como formatar um SER ilimitável, invisível, essencialmente divino?

Em busca destas respostas, nasce o pensamento religioso. A religião, nada mais é, do que a tentativa de “enquadrar” Deus, buscando compreendê-lo, através de conceitos e princípios humanos; do latim “religare”, a busca por “detê-lo”, “retê-lo”, quem sabe, até “prendê-lo,” dentro do espaço limitado da compreensão humana...

Seja no Antigo, seja no Novo Testamento, Deus e a religião parecem nunca ter trilhado os mesmos caminhos... A Lei, pelo Senhor fornecida a Moisés, de conselhos para o viver prático, de bússola para uma correta orientação à respeito do divino, pelos hebreus acabou transformada em um fim em sí mesma; isto é, de manual passou a objeto de adoração...

Com o advento de Jesus, vindo definitivamente ao mundo dos homens, o Deus Emanuel, agora conosco, não se permitiu ser aprisionado pelas regras, pelos sacrifícios e pela doutrina dos religiosos. Ao censurar os Escribas, os Fariseus, os Saduceus, enfim, a religião da sua época, Cristo gritava por seu direito de ser livre, por deixar o homem acima da instituição.

A palavra decreta! “Deus é espírito, que sopra como, onde e sobre quem ele quiser”. O Deus da Bíblia, revelado em Jesus, esteve mais à vontade entre pecadores, prostitutas e ladrões, do que entre religiosos... Deus não pode ser preso em uma “gaiola” filosófica, teológica, religiosa, científica ou denominacional; ELE não possui bandeiras, Deus é livre!

Fonte: Blog do autor

domingo, 5 de fevereiro de 2017

VINHO NOVO É MELHOR



Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: João 2.1-11

INTRODUÇÃO

As razões para a instabilidade do casamento nos dias de hoje são numerosas, mas não há dúvidas que uma das origens do problema é a falta de cuidado com que as pessoas se casam. Construídos principalmente sobre a atração sexual, o desejo de escapar de uma situação doméstica difícil, um sentimento vago de amor, ou qualquer outro motivo assim superficial, muitos relacionamentos são demasiado frágeis para sobreviver às pressões, desafios e tempestades da vida diária. Despreparados para as tensões conjugais ou para o esforço e determinação exigidos a fim de que ele funcione, muitos preferem desistir e “libertar-se”. Aquilo que poderia ser significativo e satisfatório, torna-se frustrante e pessoalmente devastador [1].

Como disse o Reverendo Hernandes Dias Lopes: “O casamento é o palco onde se desenrola os grandes dramas da vida. O casamento é o sonho de uns e o pesadelo de outros. É lugar de vida para uns e também antessala da morte para outros. É na família que celebramos as nossas vitórias e é também nela que curtimos a nossa dor mais amarga” [2]. Podemos resumir dizendo que se não cuidarmos do casamento ele pode tornar-se um inferno. O lar pode deixar de ser um referencial da nossa união com Cristo e passa ser a nossa união com Satanás. Mas isso acontece quando se banaliza o casamento e, consequentemente, a família; quando não se tem uma visão bíblica e clara de como o Senhor deseja que seja o relacionamento conjugal.

Muito se tem falado a respeito de família e casamento no meio evangélico, não é por falta de informação que os cristãos têm errado, mas por falta de colocar em prática os seus ensinamentos. Se Deus “trabalha” de um lado para nos ajudar a termos um casamento feliz, por outro lado o diabo também está fazendo a sua parte para destruir a família.

Por exemplo, a antropóloga americana Helen Ficher em 1990 publicou o livro: “The anatomy of Love” – “A anatomia do amor”, uma história sobre monogonia (forma de reprodução sexual), adultério e divórcio. A autora defendendo a doutrina Darwiniana, afirma que o homem originou-se do macaco:

Nossos parentes (os macacos) mais próximos são promíscuos: os chimpanzés, por exemplo, moram em comunidade, e a fêmea, na época do cio, copula com todos os machos do grupo. Temos uma longa história de parceiros múltiplos, uma tendência que foi rompida pela necessidade de formar casais para cuidar dos filhos.

A autora, diz ter casado com 23 anos e com essa idade se divorciou, subestima até o elevado percentual dos pássaros que formam casas para criar a ninhada. Certamente, sente-se reprovada pelo comportamento dessas aves e afirma:

Não conheço razões para o casamento durar mais que quatro anos, o tempo correspondente à primeira infância de uma criança, ficando daí em diante o filho praticamente independente.

Significa que essa infeliz criança será a única responsável pela sua própria sorte. Ao deixar o filho de quatro anos de idade, Helen Ficher justifica-se:

Assim a mãe ficará livre para juntar-se a outro homem de sua preferência. A indissolubilidade do casamento e a fidelidade conjugal são simples efeitos de alguma cultura.

A escritora revela desconhecer os princípios bíblicos sobre o casamento e nega a constituição divina da família. Esse livro tornou-se Best-seller em pouco tempo e circula em vários países. Isso revela que as criaturas humanas, ávidas por liberdade sexual, banalizam o casamento e subestimam a família. Que terrível semeadura! Qual será a ceifa? [3]. A ceifa? É só olharmos ao redor e veremos o caos que se encontram as famílias e, infelizmente, as dos crentes em Jesus não tem sido muito diferentes. A maioria das famílias que se dizem cristãs têm andado segundo fluxo desse mundo e não tem andado na sua contramão; são poucos os que  andam observando os princípios bíblicos. 

Ao lermos esse texto de João 2.1-11 nós encontramos Jesus em uma festa de casamento e ali operando o seu primeiro milagre, ou sinal, como diz João. Nós vemos o Senhor onde Ele quer sempre estar: no seio da família. 

Através desse episódio nós podemos tirar lições preciosas para o nosso casamento e família.

PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O CASAMENTO É UMA INSTITUIÇÃO DIVINA (Jo 2.1,2; Gn 1.27,28, 2.24).

Se o mundo está banalizando o casamento e a família, nós como cristãos devemos olhar para ele como algo santo, puro e imaculado. Como disse o autor de Hebreus:

“O casamento (matrimônio) deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro; pois Deus julgará os imorais e os adúlteros” (Hb 13.4 – NVI).

Não podemos nos conformar com este século (Rm 12.2), mas devemos lutar para termos um casamento e uma família na presença do Senhor.

1º - Se o casamento é uma instituição divina eu tenho que ter consciência que o diabo vai tentar destruí-lo. Observe que o apóstolo Paulo disse a Timóteo em sua primeira epístola:

“O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada e proíbem o casamento...” (1Tm 4.1-3a –NVI).

O casamento é uma instituição divina e uma fonte de felicidade tanto para o homem como para a mulher. Jesus foi a essa festa com seus discípulos em Caná da Galileia, mostrando que aprovava as alegrias sãs e santifica o casamento, bem como nossas relações sociais [4]. Por isso que o diabo tem banalizado essa instituição, pois ela é divina, abençoadora e traz felicidade aos seus componentes. Apesar da imperfeição dos seres humanos nós podemos ter famílias felizes.

2º - Devemos vigiar para que o diabo não entre em nosso lar (Mt 24.43). Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa (ARA).

Assim como o Filho do Homem virá numa hora que ninguém espera, da mesma forma o ladrão, ele vem na hora que ninguém o aguarda. Por isso que o Senhor disse que o pai de família deve estar vigilante tanto em relação a Sua vinda quanto em relação ao ladrão para não entrar em sua casa.

O diabo tem entrado em muitos lares cristãos e roubado a paz, a alegria, a harmonia, o diálogo. Tem roubado a prosperidade – que é o fruto do trabalho. Por isso que devemos não só vigiar para ele não entrar, mas expulsá-lo se ele tiver entrado. Mas como eu faço isso? Talvez você pergunte. A Bíblia nos dá a resposta:

“Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração. Entristeçam-se, lamentem e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará” (Tg 4.7-10 – NVI).

Se humilhar diante do Senhor é reconhecer o pecado praticado e se sujeitar ao Seu Senhorio através da prática da Sua Palavra que nos orienta como deve ser nosso relacionamento familiar (1Co 7; Ef 5.22-33, 6.1-4; Cl 3.18-21; 1Tm 3.1-7; Hb 13.4; 1Pe 3.1-7). Isso sem contar outros textos do Antigo Testamento. 

A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE DEVEMOS CONVIDAR O SENHOR JESUS PARA O CASAMENTO (Jo 2.1,2).

Esse casamento ocorreu três dias depois do chamado de Natanael (Jo 1.45-51). Uma vez que Natanael foi chamado no quarto dia da semana registrada por João (Jo 1.19, 29, 35, 43), temos que o casamento foi celebrado no sétimo dia dessa “nova semana da criação” [5]. Ali estava Jesus com os seus seis primeiros discípulos e sua mãe, mas o texto não fala nada a respeito de seus irmãos, embora cremos que eles estivessem ali também.

1º - A pessoa mais importante a ser convidado para a cerimônia de casamento deve ser o Senhor Jesus. Não só como convidado para a cerimônia, mas também para fazer parte da família para sempre. Muitos cristãos, infelizmente, têm pensado em todos os detalhes para a cerimônia matrimonial, menos de convidar Jesus para fazer parte de suas vidas. Só se lembram dEle quando vem os problemas, quando lembram.

Muitas famílias buscam ganhar dinheiro, buscam o conforto material, correm atrás do sucesso, mas se esquecem de que o principal para a família é a presença de Jesus, pois com Ele no lar as outras coisas “nos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

Lembro-me que uma vez um casal me procurou para perguntar se eu poderia fazer o casamento deles. Enquanto nós conversávamos eles me falaram que procuram o padre para casá-los, mas que não havia data disponível. Então eu lhes falei que também não faria o casamento deles, pois eles não estavam querendo se casar numa igreja evangélica por convicção, mas por conveniência; até um pai de santo poderia fazer o casamento deles que não haveria diferença para eles. E é exatamente o que mais temos visto por aí; gente que quer a cerimônia, mas não convidam Jesus para fazer parte de suas vidas.

Outra vez eu fui convidado a fazer o casamento religioso de um casal, até aí tudo bem, pois eles já eram casados no civil, mas depois descobri que eles queriam se casar em várias outras religiões, até na maçonaria. Sinceramente eu não sei o que se passa na cabeça de pessoas assim.

2º - A presença de Jesus não nos isenta da falta da alegria no casamento (Jo 2.3a). Quantos casamentos já começam dando tudo errado. Um exemplo disso nós vemos nesse texto. Na tradição judaica a festa de casamento costumava durar cerca de sete dias. As virgens deveriam casar-se na quarta-feira, enquanto que as viúvas deveriam casar-se na quinta-feira [6]. Quando Jesus chega, logo após chega a notícia que o vinho havia acabado. Que situação constrangedora. Se hoje já é algo desagradável às pessoas convidadas não serem bem servidas, imagine numa época em que tal situação gerava não só embaraço, mas também poderia ser multada por isso. Assim, ficar sem vinho acabava custando caro, tanto em termos financeiros quanto sociais.

O vinho era a principal provisão no casamento e também simbolizava a alegria (Ec 10.19). Às vezes, o vinho da alegria acaba no casamento, desde o início. A vida cristã não é um parque de diversões nem uma colônia de férias. Ser cristão não é viver numa estufa espiritual nem mesmo ser blindado dos problemas naturais da vida. Um crente verdadeiro enfrenta lutas, dissabores, tristezas e decepções. Os filhos de Deus também lidam com doenças, pobreza e escassez. Mesmo quando Jesus está conosco, somos provados para sermos aprovados [7].

Um casamento já pode começar em crise e não passar da lua de mel. Por isso que antes de casar devemos convidar o Senhor Jesus para fazer parte do namoro, do noivado e permanecer no casamento. O casamento pode ser o início de uma vida feliz, mas pode significar o fim da felicidade e da esperança do jovem [8].

A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE PRECISAMOS DETECTAR O PROBLEMA ASSIM QUE ELE SURGE (Jo 2.3b).

Há pessoas que não detectam o problema; outros pensam que o tempo irá resolver o problema e o pior, há pessoas que negligenciam o problema. Eles têm consciência de que existe um problema, mas não se esforçam em resolver o problema. Convivem com ele como se ele não estivesse ali.  

É igual à história de uma pessoa que recebeu um amigo em casa, e eles não se viam há muitos anos. Assim que o amigo chegou, entrou com ele um cachorro. À medida que os amigos conversavam o cachorro estava subindo em tudo, quebrando coisas dentro de casa... Mas o anfitrião não falou nada para não ofender o amigo, pois afinal de contas há muito tempo que não se viam e não seria o seu cachorro que iria estragar aquele momento. A tarde passou e eles se lembrando dos velhos tempos. E o cachorro do amigo ali, além de quebrar, subir e incomodar fez suas necessidades no tapete da sala. Mas o anfitrião não quis ofender se amigo.

Quando o amigo finalmente disse que já era tarde e que iria embora o anfitrião percebeu que ele estava deixando o seu cachorro. Foi quando ele lhe disse:

- Você está se esquecendo do seu cachorro!

O amigo dele então lhe falou:

- Mas esse cachorro não é meu, eu pensei que ele fosse seu!

1º - Não seja insensível ao problema. Maria percebeu o problema da falta de vinho e não se calou diante da crise que aquela família estava passando. Entenda uma coisa, ninguém tem que viver se metendo na vida dos outros, mas há momentos que devemos ajudar aqueles que estão precisando de ajuda.

Talvez você esteja vendo uma família com dificuldades – seja material, emocionam ou até mesmo espiritual – não deixe de ser um intercessor. Se há algo que você possa fazer, faça. Um jovem casal muitas vezes está passando por alguma crise, você que é experiente auxilie este jovem casal (Tt 2.3-5).

Quem está de fora percebe muitas vezes melhor a solução do problema do que quem está envolvido emocionalmente com ele. Maria chega ao casamento e logo identifica o problema e busca a solução.

2º - Leve o problema a quem pode resolvê-lo, leve-o a Jesus. Observe que Maria leva o caso a Jesus. Concordo com Champlin quando diz que Maria se aproximou de Jesus com esse problema, e que ela simplesmente esperava que ele, de alguma maneira, pudesse prestar ao casal alguma ajuda, embora não esperasse qualquer milagre [9].

Quando levamos para Jesus os nossos problemas podemos ter certeza de que Ele irá intervir, à Sua maneira e não segundo pensamos. Mas observe que Maria não espalhou a notícia da falta de vinho entre os convidados, evitando um clima de murmuração. Ela levou o problema a Jesus. Antes de comentarmos as crises que atingem a família, devemos levar o assunto aos pés de Jesus. Nossos dramas familiares não devem se tornar motivos de murmuração, mas de intercessão; em vez de envergonharmos a família com a divulgação de nossas limitações e fraquezas, devemos confiadamente apresentar essa causa a Deus em oração [10].

A QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE QUANDO O SENHOR INTERVÉM A SOLUÇÃO VEM DE ONDE MENOS ESPERAMOS (Jo 2.4-10).

Quando Jesus chama Maria de mulher Ele não a está desrespeitando como muitos pensam. O que estava acontecendo é que ali não estava mais Jesus o filho de Maria, mas Jesus o Deus encarnado Filho do Deus Pai que O havia enviado. Quando Jesus iniciou Seu ministério esse laço familiar se rompeu. O Evangelho de Lucas nos diz que Jesus foi obediente aos seus pais (Lc 2.51), mas esse laço agora havia se rompido. 
   
Isso também nos mostra que a mariolatria é algo condenável e que não pode ser aceita por nós cristãos. Jesus se dirige a Maria com essa palavra “ainda não é chegada a minha hora” para mostrá-la que Sua obediência estava ligada agora ao Pai e não mais a ela. Mas Maria é um exemplo para nós, pois no mesmo instante ela percebeu que Jesus iria, de alguma forma intervir. Ela só não sabia como.

Para que o Senhor intervenha são necessárias duas coisas básicas:

1º - Devemos obedecer e fazer o que Jesus manda (Jo 2.5). Maria percebe que o Senhor iria agir, como já falamos, só não sabia de que forma. Isso serve de exemplo para todos nós hoje, pois não devemos questionar como o Senhor irá agir, mas devemos somente obedecê-Lo. Muitas pessoas querem que o Senhor intervenha em suas famílias, mas não se coloca em submissão à Sua vontade.

“Façam tudo o que ele lhes mandar”, essas palavras de Maria nos leva a nos sujeitarmos totalmente à vontade do Senhor e esquecermos a nossa vontade. Pois Ele sabe quando agir e como agir e nós não.
  
2º - Devemos ser guiados pela fé e não pelos nossos sentimentos (Jo 2.6,7). Jesus mandou os serventes encher de água as talhas (grego – metretas). Essas talhas cabiam em torno de oitenta a cento e vinte litros de água. Elas davam uma média de seiscentos litros de água no total. A função dessas talhas de pedra era permitir aos hóspedes enxaguarem as mãos e possibilitar a lavagem dos utensílios usados na festa, de acordo com a tradição antiga mencionada em Marcos 7.3-13. A água, que servia para a purificação que a lei e os costumes judaicos exigiam, representa toda a antiga ordem do cerimonial judaico, que Cristo haveria de substituir por algo melhor [11]. 

Aquela ordem parecia absurda. Eles poderiam ter questionado, dizendo: nós não estamos precisando de água. O que está faltando aqui é vinho. Mas se queremos ver as maravilhas de Deus acontecendo na família, precisamos exercer uma pronta obediência às ordens de Jesus. Precisamos deixar de lado nossas racionalizações e fazer o que ele nos manda. Sempre que obedecemos a Jesus nossa vida é transformada. Sempre que o casal se dispõe a obedecer a Palavra de Deus, o vinho da alegria começa a jorrar de novo dentro do lar.

Assim como aqueles serventes não questionaram a ordem dada, nós também não devemos relutar nem duvidar do agir de Jesus. Eles obedeceram prontamente. Eles creram e agiram. Eles encheram de água as talhas. Eles levaram a água ao mestre sala. Mas quando este enfiou a cuia dentro da água, um milagre aconteceu: a água havia se transformado em vinho. O milagre da transformação acontece quando nos dispomos a crer e a confiar. Quando fazemos o que Jesus ordena, mesmo que a nossa razão não consiga explicar, experimentamos as maravilhas divinas. Feliz é a família que vive pela fé. Bem-aventurada é a família que obedece a Palavra de Deus [12].

CONCLUSÃO

“Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora” (Jo 2.10 – NVI). Aqui está toda a diferença que o Senhor Jesus faz em nosso lar, Ele transforma a tristeza em alegria, e não só isso, Ele transforma aquilo que aos nossos olhos parece impossível como algo possível, pois para Deus não há impossível. Como disse Paulo em Rm 4.17: “O Deus que chama à existência as coisas que não existem, como se existissem”.

Se quisermos o Vinho Novo em nossa vida, em nosso lar, na nossa família devemos estar atentos para percebermos quando ele estiver acabando. É muito comum os casais mais antigos se acomodarem no decorrer dos anos, mas o Senhor tem uma “Nova Alegria” para todos os dias, meses e anos de nossa vida conjugal. Não se acomode diante dos problemas como se não tivesse mais como ser resolvido. Não se conforme com a tristeza, com a indiferença, com a frieza e muito menos com a falta de amor. Busque ao Senhor hoje, creia que Ele pode intervir em seu lar, renovar o seu amor pelo seu cônjuge. Creia que o Vinho Novo pode surgir de onde você menos espera. Mas para isso obedeça e não questione o agir do Senhor.

Os servos que encheram as talhas com água foram os primeiros a verem o milagre. Quando obedecemos, o extraordinário de Deus acontece em nossas vidas. Faça como aqueles servos, não racionalize o agir de Deus, creia somente.
O ministério terreno de Jesus começou em um casamento, e a história humana terminará com um casamento. No final da história, o povo de Deus celebrará as Bodas do Cordeiro (Ap 19.9). O que o Senhor tem para nós é uma família feliz. Esse é o fim e o princípio da História que Ele tem para nós!

Pense Nisso!  

Fonte:

1 – Collins, Gary R. Aconselhamento Cristão. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986: p. 135.
2 – Lopes, Hernandes Dias. A diferença que Jesus faz na família. http://hernandesdiaslopes.com.br/portal/a-diferenca-que-jesus-faz-na-familia/, acessado em 03/02/2017.
3 – Souza, Estevam Ângelo de. ...e fez Deus a família – O padrão divino para um lar feliz. Editora CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 1999: p. 11,12.
4 – Lopes, Hernandes Dias. João, As glórias do Filho de Deus. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2015: p. 58.
5 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo vol. 5. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 373.
6 – Ibid, p. 373.
7 – Lopes, Hernandes Dias. João, As glórias do Filho de Deus. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2015: p. 60.
8 – Souza, Estevam Ângelo de. ...e fez Deus a família – O padrão divino para um lar feliz. Editora CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 1999: p. 43.
9 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado Vol. 2, versículo por versículo. Editora Candeia, São Paulo, SP, 10ª Reimpressão, 1998: p. 293.
10 – Lopes, Hernandes Dias. João, As glórias do Filho de Deus. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2015: p. 61.
11 –  Bruce, F. F. João: introdução e comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1987: p. 71. 
12 – Lopes, Hernandes Dias. A diferença que Jesus faz na família. http://hernandesdiaslopes.com.br/portal/a-diferenca-que-jesus-faz-na-familia/, acessado em 03/02/2017.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Sendo a boca de Satanás!



Por Josemar Bessa 

“Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens.” - Mateus 16:23

Pedro tinha acabado de confessar que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo. Jesus respondeu a ele: "Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus. Então mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era Jesus o Cristo” - Mateus 16:16-20

Mas quando Jesus advertiu seus discípulos sobre a necessidade da cruz ( como a pregação sobre sua necessidade tem se tornado rara em nossos dias), Pedro levou Jesus para um canto e começou a repreendê-lo – como é tão comum hoje, a ideia era – “Esse não pode ser um plano de Deus, tenha pena de você, Deus não quer que você sofra... não aceite isso...” – Ou seja, ele disse que a cruz era uma má ideia e disse literalmente que Jesus devia ter pena de si mesmo... “E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso.”- Mateus 16:22 – Como as palavras de Pedro se parecem com a grande maioria dos sermões pregados em nossos dias.

Mas como éramos para fazer hoje, Jesus discerniu em Pedro outra presença espiritual. O Pedro que pouco antes tinha falado sob a força iluminadora de Deus, agora estava falando sob o poder tentador de Satanás. O espantoso é que o próprio Pedro não pode perceber a diferença, então Jesus chocou a sua consciência com palavras duras: “Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens.” - Mateus 16:23

O que fez a diferença não foi Pedro focar a sua mente em Satanás para expressar sua vontade, mas simplesmente deixar sua mente se fixar nas coisas e sabedoria dos homens. Coisas como sobrevivência, ter pena de si mesmo, achar que Deus não pode ter um plano que inclui dor, cruz, vergonha, morte, coroa de espinhos... achar que Deus existe para nosso conforto, para nos servir e nos ajudar a evitar toda aflição... Ou seja, qualquer coisa que parece razoável, inteligente, compreensível a mente humana natural, adâmica... mas contrárias a mensagem da cruz, que sempre é um escândalo e loucura para a mente natural: “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.” 1 Coríntios 1:23

Sempre que ao pregar, a cruz é omitida para que o mundo, a mente natural possa gostar do evangelho, o pregador não passa de porta-voz de satanás. O que deve ser pregado é o escândalo da cruz: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.” - 1 Coríntios 2:2. Essa mensagem deixa claro que um dos motivos pelos quais Cristo morreu é fazer de nós, homens que tomam também a sua cruz e não a ideia do “tenha pena de si mesmo”: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.” - Mateus 10:38

Cristo só encontra homens na estrada do Calvário: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.” - Lucas 9:23 – Ou seja, o Seu chamado para nós é: “Venha e morra!” – Para segui-lo o velho e egocêntrico EU deve ser crucificado, seu mote não é tenha pena de si mesmo, mas, morra para si mesmo. Devemos cada dia nos considerar mortos para o pecado e vivos para Deus.

Qualquer mensagem “agradável” do tipo – “tenha pena de si mesmo! Deus não pode querer isso para você... não morra... não negue-se, Deus está aqui para satisfazer seus desejos... Deus é bom e não pode fazer parte do Seu plano a cruz, a aflição e a dor...” – Nada mais é do que Satanás falando – por qualquer um que assim fale, mesmo você.

Nossa oração então deve ser: “Jesus, mantenha-me perto da cruz!”.

sábado, 28 de janeiro de 2017

NATANAEL UM PRECONCEITUOSO QUE ENCONTROU JESUS


Por Pr. Silas Figueira

Texto base: João 1.43-51

INTRODUÇÃO

O texto que lemos mostra-nos o início do ministério de Jesus. João Batista estava dando testemunho a respeito Jesus quando dois de seus discípulos passaram a segui-Lo (Jo 1.35-40). Um deles era André irmão de Simão Pedro que o leva a Cristo (Jo 1.41,42). No dia seguinte, ou seja, no quarto dia, Jesus propõe uma viagem para a Galiléia, lá Ele encontra Filipe e o chama e ele passa a ser um de seus discípulos. Assim como André que evangelizou seu irmão, Filipe procura em seguida seu amigo Natanael para evangelizá-lo.

É interessante destacar que tanto Filipe quanto Natanael aparecem mais no Evangelho de João do que nos outros Evangelhos. Natanael só é mencionado aqui no Evangelho de João, embora, alguns estudiosos creiam que ele seja o apóstolo Bartolomeu, pois Filipe e Bartolomeu sempre aparecem juntos (Mt 10.3; Mc 3.18 e Lc 6.14). F. F. Bruce diz que Bartolomeu era o seu sobrenome – que significa filho de Tolomai ou Ptolomeu [1]. Natanael aparece no Evangelho de João, no primeiro e último capítulo (Jo 21.2), seu nome significa “Dom de Deus”. Ele era galileu, da cidade de Caná; cidade esta que ficava próxima a Nazaré. E a forma de sua pergunta deixa claro que Nazaré não gozava de boa reputação entre os outros galileus. Por isso que Filipe não só falou que havia encontrado o Messias prometido na Lei e nos profetas, mas chamou Natanael para vir vê-lo.

O que podemos aprender com esse texto? Quais lições ele tem a nos apresentar?

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O SENHOR NOS SALVA PARA ALCANÇARMOS OUTROS (Jo 1.43,44).

No momento em que Filipe foi chamado por Jesus ele encontrou Natanael e imediatamente ele fala a respeito do seu maravilhoso encontro com o Mestre. Esse encontro com Jesus o levou a anunciar aos outros. Há muitas formas de levar uma pessoa a Cristo, não existe um método rígido de evangelismo. Nós não podemos engessar o método, mas permitir que o Espírito Santo aja de forma livre através de nossas vidas.

1º - Porque nem todas as pessoas virão a Cristo da mesma forma. O reverendo Hernandes Dias Lopes citando John Charles Ryle diz que há diversidade de operações na salvação de almas. Todos os verdadeiros cristãos foram regenerados pelo mesmo Espírito, lavados no mesmo sangue, servem ao único Senhor, creem na mesma verdade e andam pelos mesmos princípios divinos. Mas nem todos são convertidos da mesma maneira. Nem todos passam pela mesma experiência. Na conversão, o Espírito Santo age de forma soberana. Ele chama cada um conforme sua vontade [2]. Vejamos alguns exemplos:

a) Para Saulo de Tarso se converter foi necessário ele passar por uma experiência extraordinária (At 9.3-6).
b) Para Zaqueu bastou o Senhor se hospedar em sua casa (Lc 19.1-10).
c) Para o endemoninhado gadareno foi necessário libertá-lo primeiro da sua prisão espiritual (Mc 5.8,18-20).
d) Para o oficial do rei foi necessário a cura de seu filho (Jo 4.46-53).
e) Para Natanael foi necessário a Palavra juntamente com a revelação de quem ele era e onde estava (Jo 1.45-49). 

Mas observe que todos eles foram apresentados a Jesus e foi o Senhor Jesus quem manifestou o Seu poder e a Sua graça na vida de cada um deles. Se o Senhor não se manifestar de forma salvadora, por mais que as pessoas vejam milagres, não irão se converter, pois quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo é o Espírito santo (Jo 16.8).

2º - Porque o evangelismo pessoal é uma obrigação de todo salvo (1Co 9.16,17). O texto de 1 Coríntios 9.16,17 é um imperativo para que todo salvo anuncie o Evangelho. Veja o que Paulo nos fala:

“Quando prego o evangelho, não posso me orgulhar, pois me é imposta a necessidade de pregar. Ai de mim se não pregar o evangelho! Porque, se prego de livre vontade, tenho recompensa; contudo, como prego por obrigação, estou simplesmente cumprindo uma incumbência a mim confiada”.

Esse texto não significa que o crente deve pregar a palavra constrangido ou forçado; e sim que, por se tratar de uma testemunha do Senhor Jesus (At 1.8), foi convidado para testificar da sua salvação (At 26.22), a fim de que os que ouvirem seu testemunho possam saber a razão da esperança que há nele (1Pe 3.15). Somente o crente pode afirmar com convicção quem ele era, quem ele é, e quem ele será, ou seja: era um perdido pecador (Rm 3.23), candidato à morte eterna (Rm 6.23; Ap 21.8) e à condenação (Jo 5.24); porém, hoje, é um pecador redimido (Tt 2.14), libertado por Jesus (Jo 8.34); e, no futuro, estará eternamente na presença do Senhor (1Ts 4.17), nos céus (Fl 3.20), possuindo o corpo imortal e incorruptível (1Co 15.51-54) [3].

A Bíblia nos fala “que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!” ( Is 52.7 – NVI).

A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE DEVEMOS USAR AS ESCRITURAS PARA APRESENTAR CRISTO AOS PERDIDOS (Jo 1.43).

Quando Filipe procurou Natanael ele falou a respeito daquele que constava nas Escrituras. Jesus se revela na Palavra e nós só podemos conhecê-Lo através da Palavra. Há muitas pessoas que dizem conhecer Jesus, mas o Jesus que eles conhecem muitas vezes não consta na Bíblia.

Vemos através desse texto que o Evangelho não é uma nova religião, mas a revelação plena do que o Senhor havia falado através de Moisés, nos profetas e nos salmos, como disse Jesus em Lucas 24.44:

E disse-lhes: “Foi isso que eu lhes falei enquanto ainda estava com vocês: Era necessário que se cumprisse tudo o que a meu respeito estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (NVI).

Foi o que o diácono Filipe fez ao apresentar Cristo ao etíope que vinha de Jerusalém. Diz o texto que ele vinha lendo o profeta Isaías e Filipe através do texto das Escrituras que ele vinha lendo lhe apresentou-lhe as boas novas de Jesus (At 8.32-35).

Jesus se revela nas escrituras e é nela e por não conhecê-la as pessoas tem cometido vários erros. O próprio Jesus alertou aos saduceus que foram lhe procurar:

“Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22.29 – ARA).

1º - Para apresentar Jesus eu não posso me envergonhar do Evangelho (Rm 1.16,17). Citando mais uma vez o apóstolo Paulo, ele escrevendo aos romanos ele disse em Rm 1.16,17:

Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego. Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: “O justo viverá pela fé” (NVI).

Não há salvação fora de Jesus e não há como conhecermos o Senhor Jesus fora do Evangelho. É no Evangelho que Ele se revela, é através do Evangelho que conhecemos o que o Senhor Jesus veio fazer por nós, é nas páginas da Bíblia que encontramos direção para nossa vida. Por isso que o apóstolo Paulo nos diz que não se envergonhava do Evangelho. Como podemos nos envergonhar de tão grande salvação que nos é revelada nele?

O Evangelho nos revela o amor de Deus por nós. Através do Evangelho eu entendo que o Senhor não veio ao mundo para simplesmente resolver os meus problemas físicos, emocionais ou mesmo espirituais, mas para me livrar da ira futura. Nas páginas da Bíblia Sagrada é que eu descubro que o Senhor veio a este mundo, se esvaziou de Sua glória para morrer na cruz do Calvário e ressuscitou ao terceiro dia pagando um alto preço pelos nossos pecados e nos salvar.

Isso me lembra a história de um ateu que chegou para um cristão e lhe perguntou se ele acreditava no inferno e que as pessoas que não tinham Jesus como seu salvador pessoal iriam para lá, e que esse sofrimento era eterno. O cristão então lhe disse que acreditava. O ateu olhando firmemente para ele lhe disse: “Você como cristão é uma das pessoas mais cruéis que eu já conheci. Você é uma pessoa egoísta, mesquinha e sem amor ao próximo”. Nisso o cristão lhe perguntou por que ele estava falando isso a seu respeito. E o ateu então lhe respondeu: “Eu posso ser ateu, mas se você crê nesse inferno e na salvação que você diz que Jesus veio trazer ao mundo, porque você nunca me falou a respeito disso?”.

2º - Devemos apresentar Jesus com intrepidez e convicção (Jo 1.44). Observe como Filipe chega para Natanael e lhe conta que havia encontrado Aquele que contava na Lei e nos profetas. Eu não consigo ler esse texto sem vê-lo todo empolgado e convicto em suas palavras. Temos que ter convicção em apresentar o Salvador Jesus, afinal de contas nós estamos falando do salvador do mundo e não de um personagem fictício. 

Há uma história muito interessante sobre George Whitefield, reconhecido como um dos maiores pregadores do Grande Despertamento do século XVIII e a história contada sobre David Hume, filósofo escocês e também deísta, indo ouvir a pregação de Whitefield.

David Hume era um filósofo britânico deísta do século dezoito que rejeitava o cristianismo histórico. Um amigo uma vez o encontrou correndo ao longo de uma rua de Londres e o perguntou onde ele estava indo. Hume respondeu que ele ia ouvir George Whitefield pregar. ‘Mas certamente,’ seu amigo perguntou assustado, ‘você não acredita no que Whitefield prega, acredita?’ ‘Não, eu não,’ respondeu Hume, ‘mas ele sim’.

O que está faltando na vida de muitos crentes hoje é convicção e firmeza doutrinária. Eu tenho examinado alguns seminaristas e tenho participado de alguns concílios e, geralmente, há uma falta de convicção doutrinária na maioria deles. Saem do seminário flutuando entre uma teologia e outra, mas até aí tudo bem, triste é vermos pastores antigos agindo assim também. São pastores que são arminianos calvinistas, tradicionais neopentecostais, pregam a Palavra, mas utilizam de sincretismo religioso nos cultos, que fazem uma salada doutrinária e empurram tudo goela abaixo do povo. Ao invés de servirem alimento sólido servem palha. Ao invés de serem bíblicos são hereges. Ao invés de serem sólidos na fé são levados por vento de doutrina. Ao invés de serem espirituais são mundanos. Vivem de modismos gospel e não são firmados nos marcos antigos.

Jesus não é um produto a ser vendido, mas temos que apresentá-lo com convicção, pois afinal de contas nós estamos apresentando a Pessoa mais importante deste mundo. Mas para isso eu tenho que conhecê-Lo. Eu me lembro de quando eu trabalhava em uma loja, uma moça foi comprar um fogão. Fui até ela para atendê-la e ela então me pergunta se eu poderia lhe dizer se aquele fogão era de acendimento automático. Eu olhei para o fogão, mas eu não sabia nada a respeito do fogão. Então lhe disse: “Éeee?”. Ela me olhou e disse mesmo assim: “O teu ‘é’ não me convenceu, vou comprar em outro lugar”. E saiu me deixando com a cara de bobo. A partir daquele dia eu passei a conhecer “bem” todos os produtos da loja, não só fogões. Como disse Paulo a Timóteo:

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2.15 – ARA).

Esse é o X da questão. Será que estamos manejando bem a Palavra da verdade? Ou será que mal lemos o Novo Testamento? Observe que Filipe quando apresenta Jesus a Natanael ele sabia o que estava escrito a respeito dEle nos profetas e na Lei.

Mais triste que ver o povo cristão semianalfabeto em relação a Bíblia é vermos líderes totalmente analfabetos em relação a ela. Creio que estamos vivendo o tempo do profeta Oséias. Veja o que o Senhor nos fala a respeito da liderança e das consequências do seu desleixo em praticar a Lei do Senhor:

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Quanto mais estes se multiplicaram, tanto mais contra mim pecaram; eu mudarei a sua honra em vergonha. Alimentam-se do pecado do meu povo e da maldade dele têm desejo ardente. Por isso, como é o povo, assim é o sacerdote; castigá-lo-ei pelo seu procedimento e lhe darei o pago das suas obras. Comerão, mas não se fartarão; entregar-se-ão à sensualidade, mas não se multiplicarão, porque ao SENHOR deixaram de adorar. A sensualidade, o vinho e o mosto tiram o entendimento” (Os 4.4-11 – NVI).

O que mais temos visto hoje são crentes totalmente envolvidos com o pecado, gente que vive na prostituição, na bebedeira, na pouca vergonha; jovens sem compromisso com o Senhor, mas dentro da igreja parecem santos, coisa que estão longe de ser. Líderes descompromissados com a verdade, mas que é o retrato do povo e o povo sendo a cara de seus líderes. Falta intrepidez, falta convicção, mas o mal maior é que falta temor.

A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE AINDA HÁ MUITAS PESSOAS PRECONCEITUOSAS NA IGREJA (Jo 1.46).

Preconceito é um juízo pré-concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória, perante pessoas, crenças, sentimentos e tendências de comportamento. É uma ideia formada antecipadamente e que não tem fundamento sério. Como diz um antigo livro: “Não vi e não gostei”.

Natanael se mostra uma pessoa preconceituosa no momento em que disse que de Nazaré nada de bom sairia de lá. Para ele as pessoas que moravam naquela localidade eram pessoas desqualificadas, e eu creio que deveria ser um lugar difícil de morar, por isso ela tinha essa fama. Mas o erro dele é que ele colocou todas as pessoas dali em uma vala comum. Ele nivelou todos de forma igual. E se tem algo que devemos tomar muito cuidado é com o preconceito. Cuidado!

Para os galileus aquele lugar era insignificante, aliás, Nazaré não é citada nem uma vez se quer no Antigo Testamento, e embora o historiador Flávio Josefo, tenha enumerado quarenta e cinco cidades da Galiléia, não mencionou Nazaré. Com isso vemos que este lugar era desprezado por todos. No entanto, foi de para lá que o Nosso Senhor foi morar em sua infância, foi lá que ele cresceu e foi de lá que ele saiu para evangelizar o mundo. Nazaré só “surgiu no mapa” pelo fato de Jesus ter passado a maior parte da sua vida ali.

Pela forma zombeteira como Natanael perguntou a Filipe se alguma coisa boa viesse de lá o levou a dizer: “venha e veja”.

1º - Entendo com isso que a nossa visão preconceituosa nos impede de ver o agir de Deus na vida dos outros (1Co 1.26-29). O apóstolo Paulo deixa isso bem claro nesse texto de 1 Coríntios 1.26-29:

“Irmãos, pensem no que vocês eram quando foram chamados. Poucos eram sábios segundo os padrões humanos; poucos eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento. Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se vanglorie diante dele” (NVI).

Observe as escolhas que o Senhor fez no decorrer da história; observe os personagens que foram escolhidos para realizar a Sua obra. Veja a história de Abraão nosso pai na fé. Ele saiu de Ur dos Caldeus, de uma terra idólatra para ser o pai de uma grande nação e posteriormente ser o pai de todos que tem fé no Senhor Jesus (Gl 3.6-9).

Davi foi tirado detrás do rebanho para ser rei de Israel (1Cr 17.7,8). José saiu da cadeia para ser primeiro ministro do Egito (Gn 41.39-43). Jefté foi tirado do meio de marginais para ser juiz em Israel (Jz 11.1-8). Elizeu foi tirado de trás de juntas de bois para ser profeta no lugar de Elias (1Rs 19.19-21).

Veja a história dos apóstolos; homens simples, mas que sacudiram o mundo da época. O apóstolo Paulo foi um dos maiores bandeirantes de sua época. Como ele mesmo falou:

 “Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo” (1Co 15.10 – ARA).

E ele mesmo se comparava indigno e o principal dos pecadores, pois ele perseguiu a Igreja do Senhor (1Tm 1.12-16).

Agora para por um instante e olhe para você e veja de onde Ele lhe tirou e onde Ele lhe colocou.

2º - O preconceituoso é uma pessoa que não entende a graça do Senhor. Há grande realidade é que o preconceituoso é uma pessoa que não vê o agir de Deus na vida dos outros porque ele não entende o que é a graça do Senhor em sua própria vida. Ele não entende que somente pela graça é que ele está onde está, e que sem a graça do Senhor sobre a sua vida ele seria menos do que ele já é.

Temos como exemplo os próprios judeus convertidos, que mesmo depois de serem alcançados por Deus ainda olhavam para os gentios com desdém. Veja por exemplo a história de Cornélio e Pedro (At 10 e 11). Os judaizantes que queriam que os gentios observassem a Lei de Moisés para serem salvos...

E hoje nós temos visto isso em nosso meio, no momento que uma pessoa pensa que é melhor que a outra pela igreja que frequenta, pela denominação pertence, pela teologia que observa; se for arminiano é herege para os calvinistas, se for calvinista é herege para os arminianos. Se diz que frequenta uma igreja pentecostal já pensa que o indivíduo roda e pula igual em centro espírita, se for tradicional o pentecostal já o vê como mundano e frio na fé. Se a pessoa fala que é neopentecostal o outro só vê ato profético na vida do outro. Facebook virou campo de guerra para algumas pessoas. Já vi brigas das mais diversas e já fui bloqueado também por alguns, tudo por causa de discussão teológica. Isso sem falar dos grupos apologéticos do WatsApp.

As pessoas, muitas vezes, só se conhecem virtualmente e, no entanto, se amam ou se odeiam por questões fúteis, por puro preconceito. Gente preconceituosa com os que falam em línguas e gente ridicularizando os que não têm experiências arrebatadoras.

Que Deus nos livre e guarde!

(Não quero dizer com isso que devemos tolerar as heresias que têm surgido em nosso meio, não é isso que estou falando aqui).  
     
A QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O SENHOR QUEBRA O NOSSO ORGULHO (Jo 1.47-51).

Venha e veja foi o que Filipe falou para Natanael. E é exatamente isso que temos que fazer para que possamos mudar a nossa maneira de ver muitas coisas ao nosso redor. Apesar da fama não invejável de Nazaré, a generosidade transparente de Natanael tornou-o disposto a vir e ver este Nazareno que Filipe dizia ser aquele predito na Lei e nos profetas [4]. Uma coisa que devemos entender é que toda regra tem a sua exceção. E a exceção Natanael encontrou.
O Senhor quebra o orgulho preconceituoso de Natanael com duas revelações:

1º - O Senhor revela quem ele era (Jo 1.47). Quando Jesus disse para Natanael que ele era um verdadeiro israelita em quem não havia falsidade (dolo), Jesus estava fazendo um paralelo não com seu descendente Jacó que teve o nome mudado para Israel depois que lutou com o Anjo do Senhor (Gn 32.22-32). Natanael era um israelita não segundo a carne, mas segundo o espírito, ele era um descendente genuíno de Israel que antes era Jacó, mas teve o nome mudado por ter lutado com Deus em busca da bênção.

Natanael, provavelmente, era um homem que buscava a Deus em oração, no estudo da Palavra. Era um verdadeiro lutador com Deus e buscava prevalecer.

Natanael era um verdadeiro israelita cuja religião não era meramente uma demonstração externa ou uma conveniência, é aquele que está espiritualmente resolvido a contender com Deus, por assim dizer, é alguém que leva a sério e de forma intensa a sua religião [5].

Há muitas pessoas como Natanael hoje. Gente que leva a sério a sua religião, é sincero de coração, busca entender as coisas de Deus, mas não tem a plena revelação, pois é preconceituoso em relação ao que o Senhor pode fazer a mais em suas vidas.

Há muitos “israelitas” que precisam ter a experiência de “Jacó”. Mas para que isso ocorra, precisam deixar de ser preconceituosos.

Eu conheço um pastor muito sério na fé e na doutrina, mas que via com certo pé atrás algumas experiências que as pessoas diziam que tinham em oração no monte. Um dia ele foi convidado a ir orar em um monte com alguns irmãos conhecidos dele. Como eram pessoas muito sérias e espirituais, ele aceitou, mas meio receoso. Chegando lá uma irmã perguntou se ele estava vendo alguma coisa e ele disse que não. Que estava tudo escuro ao seu redor. Essa irmã então pediu para ele se ajoelhar que ela iria fazer uma oração por ele, assim ele fez. Quando ela terminou de orar ela fez a mesma pergunta, e ele respondeu da mesma forma. Então ela disse para ele por a boca no pó, se humilhar que ela iria orar mais uma vez por ele. Quando ela terminou de orar e que ele abriu os olhos ele me disse que tudo ao redor brilhava e, principalmente onde eles estavam. Ele me disse que pegava coisas no chão que estavam brilhando. Algo que a teologia não explica. E o mais interessante que foi eles saírem dali que tudo voltou ao normal.

Não podemos fazer de uma experiência espiritual uma doutrina, mas não podemos rejeitar as pessoas que as tem. Não brinque com as coisas espirituais. 
    
Jesus em outras palavras disse para Natanael: “Você pode ser Israel, mas você precisa da experiência de Jacó”. Veja o que Jesus diz para ele no versículo 51:

E então acrescentou: “Digo-lhes a verdade: Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” (NVI).

Assim como Jacó teve o sonho da escada vocês verão, não em sonho, os anjos de Deus descendo e subindo sobre o Filho do homem. E não seria uma experiência só de Natanael, mas de todos os discípulos. Observe que o Senhor fala no plural: “Vocês verão”.

2º - O Senhor revela onde ele estava (Jo 1.48). A figueira é uma planta bastante adaptável a vários tipos de solo, crescendo bem até mesmo em solo rochoso. Pode atingir a altura de uns 9 m, com um tronco do diâmetro de uns 60 cm, e tem ramos que se espalham amplamente. Embora seja primariamente apreciada pelos seus frutos, é também muito prezada pela sua boa sombra. As folhas são amplas, tendo até 20 cm ou mais de largura. A primeira menção da figueira é com respeito ao uso das suas folhas costuradas como cobertura para os lombos de Adão e Eva. (Gn 3.7) Em algumas partes do Oriente Médio, folhas de figueira ainda são costuradas e usadas para embrulhar frutas, e para outros fins.

A expressão “sentar-se cada um debaixo da sua própria videira e figueira” simbolizava condições pacíficas, prósperas e seguras (1Rs 4.25; Mq 4.4; Za 3.10). Em vista do destaque da figueira na vida das pessoas, é compreensível por que foi tantas vezes usada nas profecias. Por causa da sua importância como alimento para a nação, o total fracasso duma safra de figos seria calamitoso. De modo que a figueira recebeu menção especial quando se predisse a destruição ou ruína daquela terra. — Je 5.17; 8:13; Os 2.12; Jl 1.7, 12; Am 4.9; Hc 3.17.

A própria nação de Israel foi comparada pelo Senhor a duas espécies de figos. (Jr 24.1-10) Jesus, para ilustrar que se poderiam reconhecer os falsos profetas pelos maus frutos deles, citou a impossibilidade de se colherem “figos dos abrolhos” (Mt 7.15,16; compare isso com Tg 3.12.).

É bem provável que Natanael estivesse debaixo da figueira estudando as Escrituras, ou quem sabe orando e questionando a Deus a respeito do futuro de Israel e em relação à vinda do Messias. Mas de uma coisa nós podemos afirmar, o Senhor sabia onde ele estava e conhecia o seu coração.

Da mesma forma o Senhor sabe onde estamos e em que condições nós nos encontramos. Ele esquadrinha os nossos corações, Ele sabe o que nos alegra e o que nos tem angustiado. Ele conhece as nossas inquietações e os nossos questionamentos. Por isso Ele se revela a cada um de nós e nos diz o Salmo 46:

“Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é a nossa torre segura” (Sl 46.1,11 – NVI).

Devido a essa experiência com o Senhor e essa quebra de paradigmas e preconceito que Natanael pode se prostrar diante do Senhor Jesus e dizer:

“Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!” (Jo 1.49 – NVI).

CONCLUSÃO

Meu irmão e minha irmã, o Senhor sabe onde você se encontra e se preocupa com você, por isso Ele te chama. Ele envia pessoas para nos falar a Seu respeito, mas para que Ele se revele a cada um de nós de forma plena nós precisamos deixar os nossos preconceitos, os nossos achismos, a nossa teologia sem espiritualidade.

O Senhor ainda se revela hoje, disso eu não tenho dúvidas. Não é porque existem pessoas “brincando” com coisas sérias em muitas igrejas por aí que eu devo me recusar a acreditar no agir dEle hoje. Eu também não creio em tudo que vejo e nem mesmo em tudo que sinto, mas nesse mais de trinta e três anos de crente eu posso lhe dizer que o Senhor ainda nos leva a ter experiências espirituais que a nossa teologia muitas vezes não explica.

Pense nisso!

Fonte:

1 – Bruce, F. F. João: introdução e comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1987: p. 64.
2 – Lopes, Hernandes Dias. João, As glórias do Filho de Deus. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2015: p. 54.
3 – Bícego, Valdir. Manual de Evangelismo. Editora CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 9ª Edição 1999: p. 12.
4 – Bruce, F. F. João: introdução e comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1987: p. 65.
5 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado Vol. 2, versículo por versículo. Editora Candeia, São Paulo, SP, 10ª Reimpressão, 1998: p. 290.