terça-feira, 28 de julho de 2020

IDOLATRIA E PERVERSÃO SEXUAL – UMA DAS CONSEQUÊNCIAS DA MORTE ESPIRITUAL


Por Pr. Silas Figueira

“E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2.16,17)

Quando nossos primeiros pais desobedeceram a ordem de Deus (Gn 3), a humanidade sofreu graves consequências. A queda trouxe morte espiritual e, como consequência, a ruína e a destruição. E uma das maneiras de vermos isto é quando vemos os homens dizendo que são independentes Deus, e que não precisam dEle para reger as suas vidas, apesar de todo caos ao nosso redor. Como disse John Stott: “não há nada que afasta tanto as pessoas de Cristo quando a sua incapacidade de ver que precisam dele, ou o fato de se recusarem a admitir isso” [1]. 

O que antes era harmônico transformou-se num caos, devido ao pecado. As consequências da queda foram danosas não somente para o homem mas também para a natureza: “E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo” Gn (3.17,18). De alguma forma, devido ao pecado, o cosmos foi abalado também. Tanto que a palavra cosmético vem da palavra cosmos - ordem, conveniência, organização, ordem do universo - por isso que o inverso de cosmos é caos. Assim como as mulheres usam cosméticos para melhorar a aparência, a humanidade, como um todo, tem usado “cosméticos” – boas obras, justiça própria - para esconder a feiura espiritual que se encontra. Em outras palavras, são mortos espirituais maquiados com suas justiças, mas que aos olhos de Deus não passa de trapo de imundícia, como nos fala Isaías: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam” (Is 64.6). 

Devido a isso, o homem está sob a ira de Deus, por isso precisa de salvação. Como nos fala Paulo aos Efésios 2.1-3: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também”

No momento que houve o pecado original, desencadeou-se uma série de males que foram contagiando a humanidade. Dentre muitos, eu quero destacar duas em particular: a idolatria e a perversão sexual. 

1 – IDOLATRIA – Em uma definição básica, idolatria é tudo aquilo que toma o lugar de Deus no coração das pessoas. A idolatria vai muito além de se prostrar diante de uma imagem de escultura. A questão é muito mais complexa. 

A idolatria é a rejeição a Deus, como nos fala Paulo: “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Rm 1.20-23). 

No livro de Sabedoria, apesar de ser um livro apócrifo o que está registrado aqui é extremamente verdadeiro, nos diz: “Tudo está numa confusão completa – sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, perversão dos sexos, instabilidade das uniões, adultérios e impudicícias – porque o culto de inomináveis ídolos é o começo, a causa e o fim de todo o mal. (Seus adeptos) incitam o prazer até a loucura, ou fazem vaticínios falsos, ou vivem na injustiça, ou, sem escrúpulo, juram falso, porque, confiando em ídolos inanimados, esperam não ser punidos por má-fé” (Sabedoria, 14.25-29). 

Quando os homens rejeitam a verdade, abraçam a mentira em seu lugar. Diante disso, o erro assegura presença na mente das pessoas. Os homens rejeitam o conhecimento de Deus deixando de glorifica-lo e deixando de agradar-lhe. 

Mas como o homem é por natureza um ser religioso, no momento que se afasta de Deus, este homem irá colocar no lugar de Deus outro deus. Irá criar sua própria religião com suas divindades e sistema de culto. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos, como disse Paulo, ou seja, em sua pretensa sabedoria os homens rejeitaram o conhecimento de Deus e mudaram a glória do Deus incorruptível em imagem de homens, aves, quadrúpedes e répteis. Isso sim é loucura e a mais baixa degradação que uma pessoa longe de Deus pode chegar. 

A idolatria é algo tão danoso que os homens reduzem Deus a duas pernas, depois a quatro patas, e finalmente a rastejar sobre o ventre. E em todo tempo eles se dizem sábios [2]. 

2 – PERVERSÃO SEXUAL – Da idolatria para a imoralidade sexual é passo. John Stott diz: “A história do mundo confirma que a tendência da idolatria é acabar em imoralidade. Uma falsa imagem de Deus leva a um falso conceito quanto ao sexo. O sexo ilícito leva à degradação das pessoas como seres humanos” [3]. 

Como disse o filósofo indiano Jiddu Krishnamurti: “Não é sinal de saúde estar bem-adaptado a uma sociedade profundamente doente”. No entanto, os homens estão bem-adaptados a esta sociedade doente. E por que estão bem-adaptados? Porque eles não se veem doentes, se veem sãos. Pelo menos os homens sem Deus estão se vendo assim. 

“Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” (Rm 1.24-27). 

A Bíblia sempre condenou o homossexualismo e o lesbianismo, no entanto, por vivermos em uma sociedade adoentada pelo pecado, a degradação humana não parou por aí. No início da década de 90 a sigla GLS se popularizou no Brasil como referência ao público homossexual, tendo como significado: gays, lésbicas e simpatizantes – pessoas heterossexuais solidárias com a causa. 

Com o passar dos anos, remodelações foram realizadas e novas siglas foram surgindo, dando voz a outras vertentes dentro do movimento em prol dos direitos homossexuais perante a sociedade. Então, a sigla já passou por diversas mudanças, e no final das contas, não existe um certo ou errado, mas a vontade de que todos se sintam representados. Abaixo segue algumas explicações LGBTQI+

L – Lésbicas: Mulheres que se sentem atraídas fisicamente e/ou emocionalmente por outras mulheres. 

G – Gays: Homens que se sentem atraídos fisicamente e/ou emocionalmente por outros homens. 

B – Bissexuais: Pessoas que se sentem atraídas fisicamente e/ou emocionalmente por ambos os gêneros. 

T – Transgênero: Pessoas em que não se identificam com seu sexo biológico, podendo ser homens ou mulheres transsexuais, além dos não binários, que é quando não há identificação com nenhum dos gêneros. 

Q – Queer: Pessoa em que não se identifica com nenhum dos gêneros e não seguem o padrão binário (feminino ou masculino) imposto socialmente. 

I – Interssexuais: Pessoas que nascem com características que não se enquadram propriamente aos gêneros feminino ou masculino, podendo ser relativas a anomalias cromossômicas, harmônicas ou genital. 

+ : engloba todas as outras orientações sexuais, identidades e expressões de gênero. 

Observem que eles se viram obrigados a colocarem um + (mais), pois a coisa descambou de tal maneira que creio que não há limites para o imaginário humano. Tanto que já temos: 

Transracial – pessoas que nasceram em raça, no entanto, dizem que são de outra raça. A ativista americana Rachel Dolezal, que se passou por negra durante vários anos e foi protagonista de um intenso debate sobre raça e identidade após ter revelada sua origem caucasiana, afirma que a ideia de raça é uma mentira e se classifica como “transracial”. 

Transdeficiente – Uma pessoa que nasce com o corpo saudável, mas que diz deveria ser deficiente. Teve um caso de um homem que cortou o próprio braço, pois, segundo ele, ele se via como um amputado. Teve o caso de uma mulher que pôs soda cáustica nos olhos, pois se sentia como uma pessoa cega. 

Transbebê – Um homem pôs um anúncio no jornal querendo uma baba para ele, pois ele se sentia como uma criança. 

A questão é: Onde irá parar essa insanidade cultural? Estamos caminhando a passos largos para a transespécie, onde cada um pode ser qualquer coisa, menos gente imagem e semelhança de Deus. 

O pior de tudo isso é que muitos líderes cristãos, que deveriam ser voz profética censurando o pecado do mundo, estão transformando o cristianismo em uma mesa de debates. Ou seja, os princípios cristãos que nunca deveriam ser relativizados a pretexto de uma postura de “tolerância” e entendimento com os “diferentes” estão sendo relativizados. Há um movimento hoje que se esforça neste sentido, diz que devemos ter “novos diálogos”, lutam por um evangelho inclusivo, e por uma igreja sensível que se amolda e se acultura ao contexto e valores sociais vigentes. 

No entanto, veja o que a Bíblia nos fala: 

“E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as” (Ef 5.11). 

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4). 

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1Jo 2.15,16). 

Portanto, à luz da Bíblia, podemos dizer que este discurso não passa de um discurso estético, politicamente correto. Dizer que a igreja tem necessidade dialogar com a sociedade sobre esse tema LGBTQI+, inclusive sobre o aborto, novas configurações familiares, teologia negra, feminismo, “direitos humanos” ..., como se fosse possível luz e trevas entrarem em acordo e firmarem consenso. Como se os fundamentos cristãos pudessem ser adequados a partir do entendimento comum entre as partes. Biblicamente isso é impossível. O argumento utilizado é quase sempre o “amor”. Para eles o “amor” é a única doutrina, uma vez que tudo mais pode ser reinterpretado. Esta é uma tentativa diabólica de fazer a igreja “relevante” perante a sociedade, de produzir uma nova teologia a partir das ruas, de criar uma hermenêutica com base no pensamento de certas minorias, e reimaginar a igreja. Isso nada mais é que parte de um esforço bem articulado para levar adiante um processo de desconstrução não só da igreja, mas da própria sociedade, que passa pela quebra de paradigmas e conduz para um novo código moral que se contrapõe ao padrão divino ensinado nas Escrituras; é a criação de um novo deus, um novo evangelho, uma nova sociedade e uma nova religião. 

Este “diálogo” é falácia maligna, é estratégia das trevas. Deus não deixou sua igreja na Terra para se entender com o mundo, senão para fazer discípulos de Cristo que venham a fazer jus ao nome cristão. A luz não comunga com as trevas, antes revela e condena suas obras más e desnuda o pecado; por isso os salvos são odiados (Mateus 24.9 – leia o contexto). 

A verdadeira igreja é a noiva do Cordeiro que se preserva santa e irrepreensível (Ef 5.27; Ap 19.7). Ela não precisa ser reimaginada, deve ser igreja conforme o modelo bíblico, e capacitar os santos para cumprir seu papel de Sal e Luz. Igreja que busca consenso com o mundo não é igreja, é amante do diabo [4]. 

1 – Stott, John. A Mensagem de Romanos. Editora ABU, 4ª reimpressão 2009, pag. 71. 

2 – Lopes, Hernandes Dias. Romanos, o evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos, 2010, pag. 86. 

3 – Stott, John. A Mensagem de Romanos. Editora ABU, 4ª reimpressão 2009, pag. 83. 

4 – Monteiro, Cleber. NOIVA DE CRISTO, OU AMANTE DO DIABO? Acionado em 28/07/2020. https://pastorcleber.blogspot.com/2018/04/noiva-de-cristo-ou-amante-do-diabo.html

sábado, 20 de junho de 2020

Os loucos não reconhecem a própria loucura!


Por Jorge F. Isah

Em matéria de Cristianismo, os chamados "cristãos-marxistas" não entendem nada do que seja o Evangelho, desconhecendo o seu real significado e objetivo que é não tornar o homem perfeito na terra, nem criar o homem ideal, mas que os cristãos sejam exatamente aquilo para o que foram chamados: imitadores de Cristo. 

Em qual mundo é possível se defender uma ideologia que, em sua história, massacrou e ainda massacra milhões de irmãos? Cuja única culpa é amarem o Senhor de suas vidas? Culpados por professarem a fé indestrutível? Culpados por não se sujeitarem a "rezar" na cartilha esquerdista? Ou de qualquer governo, ou ideologia, ou movimento, a torná-los idólatras? E não adorarem o deus-estado? E não crerem num falso-salvador?

Seria o mesmo que cristãos primitivos defendessem a prisão e execução dos irmãos pelo governo romano, ou, ainda defendessem a crucificação de Cristo. Alguém pode dizer que devemos amar os nossos inimigos, mas não estou falando de amá-los, porque o amor pressupõe o desejo de levá-los à compreensão do "bem supremo. Pregando-lhes Cristo como Senhor e Salvador, mas também aquele que mudará a natureza do pecador, tornando-o santo e conformando-o à sua imagem. Quando evangelizamos um criminoso queremos que ele, conhecendo a Cristo, liberte-se dos crimes e faça o bem. 

Amar o próximo e amar o mal que ele produz não é amor ao próximo, mas amor ao que ele faz. Para amá-lo verdadeiramente desejamos a sua transformação, a sua conversão, e de que ele tenha a mente de Cristo, abandonando o mal para apegar-se ao bem. 

Ao defendermos governos e pessoas malignas, no mal que praticam, negamos qualquer efeito do Evangelho sobre elas. De que adiantaria proclamar a verdade se apoiamos as suas mentiras?

Somente neste mundo caído, e miserável, e cego, e nu, no qual vivemos, essa incoerência é possível. Em que vale mais dizer o que se quer ser, como uma possibilidade ainda que irreal, do que viver o que se diz ser... ou deveria ser. 

Utopia regada a sangue inocente e fundamentada no mal que dizem combater. Terminando por solapar e destruir também inúmeras almas. 

Como diz o Senhor Jesus: 

"Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira" (João 8.43-44)

Os loucos nunca reconhecem a própria loucura!

Fonte: kalamos

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Uma contracultura num mundo perdido


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Jhon Stott, num de seus livros, chamou o evangelho de “contracultura”. Segundo ele, os cristãos devem viver em oposição à cultura do mundo. Este está sob o do Maligno, e nós somos de Deus (1 Jo 5:19). Além da cultura do mundo, há também uma “teologia do mundo”, aceita por alguns setores da igreja e alguns crentes. Acham que a igreja deve ser “amiga do mundo”. Esta não deve ser sua preocupação principal, mas sim ser leal ao se Senhor, à sua vocação, aos valores que recebeu (Tg 4:4) Há hoje muita gente fascinada pelos valores do mundo, diluindo a mensagem de Jesus para torná-la mais suave. A preocupação com megaigrejas tem levado alguns a esquecerem que a igreja deve, antes de tudo, lealdade a Jesus e ao seu evangelho. Somos uma contracultura num mundo perdido. Não que devamos nos portar arrogantemente, mas que devemos ser santos e não enamorados do mundo.

1. O ponto de partida

Partamos de Romanos 12:1,2. Após expor o conteúdo do evangelho até o capítulo 11, Paulo trata de ética (12:1). Começa com “pois”. O grego é oûn, uma partícula conclusiva, com o sentido de “portanto”. O que se segue é consequência do anterior. Por tudo que foi dito (o conteúdo do evangelho) deve-se viver de uma maneira. Primeiro a teologia (o credo). Depois a ética (a conduta). O que uma pessoa crê afeta sua maneira de ser. O seguidor de Jesus não vive como o mundo sem Jesus vive (Ef 4:18,19). Ele deve apresentar-se a Deus e não se amoldar ao mundo (Rm 12:2). “Não vos conformeis” significa “não tomar a forma do mundo”. O cristão não é massa de bolo que toma a forma de onde é posta. Ele é do Senhor, na igreja, na casa e no mundo. Ele se nega a ser moldado pelos padrões do mundo.

Devemos apresentar nossos “corpos” como um ato de culto a Deus (v. 1). O grego é sômata, que significa mais que a parte física. É “a realidade da existência, a pessoa concreta”. É a totalidade da pessoa, não só o físico. O cristão deu toda a vida a Cristo: física, mental, emocional e espiritual. Por isso, sua “mente” deve ser transformada (v. 2). “Transformai-vos” é metamorfouste, de onde vem “metamorfose”, que é passar para outro estágio. É a lagarta que se transforma em borboleta.

Eis o ponto de partida. Cremos em Jesus, assumimos o compromisso de uma vida santa. A ética segue a fé. Quem crê rompeu com o passado. O crente em Jesus não é massa de manobra. Ele ousa nadar contra a correnteza.

2. Como o Novo Testamento vê o mundo

Precisamos recuperar a visão bíblica da vida. Muitos crentes são moldados pela mídia e têm uma visão romântica do mundo. Outros o amam. A igreja contemporânea é mundana. Até os critérios para se avaliar uma igreja são mundanos e não bíblicos: a arquitetura do templo, o volume de entradas, o nível social dos membros. O critério deveria ser: quanto de Cristo ela exibe ao mundo?

Como o Novo Testamento vê o mundo? Não o cosmos ou as pessoas que Deus amou (Jo 3:16), mas “mundo” como um sistema de valores corrompidos?

Não é um olhar positivo. Somos filhos de Deus, no meio de uma geração corrupta (Fp 2:15). No longo texto de Efésios 4:17 a 5:21 há uma descrição do mundo, que é como não devemos ser. Por isso, “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2:15).

A igreja de Jesus não pode ser moldada pelo mundo nem ceder aos seus apelos. A conversa de “igrejas amigas do mundo” é perigosa. Não devemos ser beligerantes nem nos julgarmos superiores. Mas, desde o convite divino ao pai da fé, o chamado é “anda em minha presença, e sê perfeito” (Gn 17:1).

Isto não é legalismo nem fundamentalismo. Chamar alguém de legalista e fundamentalista é obra de quem não tem argumento. Isto é santidade. O padrão de vida para a igreja está no Novo Testamento, não em pesquisas de opinião ou em planos de marqueteiros eclesiásticos. Ela deve ser santa, e não bajuladora de pecadores. Paulo diz que é assim que devemos viver (Cl 1:10-12).

3. A santidade é moral, não litúrgica

No judaísmo a santidade era litúrgica. Expressava-se por ritos. No evangelho é moral. Ser santo não é adotar posturas no culto. É ter uma moral sadia. A santidade se liga ao caráter. Há uma série de declarações de Paulo que podem ser chamadas de “éreis” e “sois”. Elas mostram o que éramos antes da conversão, e o que somos agora. Entre algumas passagens “éreis”, que mostram nosso passado e como não mais devemos ser, estão Romanos 6:20,21, 1 Coríntios 6:9-11, 12:2, Efésios 5:8 e Colossenses 1:21. Veja-se ainda 1 Pedro 4:3. Entre as passagens “sois” estão Romanos 1:6, 1 Coríntios 1:30,31, 3:16,17, 5:7 e 6:19,20, Efésios 2:19-22, 5:1-8 e 1Tessalonicenses 5:5.

O exame destas passagens mostra que a conversão é um divisor de águas na vida moral da pessoa. Mudou seu destino final, de inferno para céu. Mudou sua vida aqui na terra. Seus valores mudaram. Quem aceita a Cristo tem um novo jeito de viver. O comportamento do mundo não é sadio. Podemos nos acostumar com o adultério, o roubo, o homossexualismo, a violência, porque a mídia despeja estas coisas em nossas casas e nos anestesia. Mas elas são pecado! Mesmo que as leis humanas as autorizem e punam quem as combatam, elas são pecado! A Bíblia diz que são pecado. A santidade é moral, e não gestual, como levantar as mãos, ou de volume nos cânticos. Santidade é caráter de acordo com o padrão bíblico.

4. A santidade é relacional, não mística

Na Idade Média havia os “santos no poleiro”. Eram pessoas que subiam a uma plataforma sobre um alto poste e ali ficavam anos a fio. Alguns, quando retirados, tinham os membros inferiores atrofiados. Isolavam-se do mundo, viviam de comida que lhes davam e ficavam ao relento. Eram inúteis à sociedade. Santos no poleiro não ajudam o mundo em nada.

Vivemos num mundo altamente individualista. Na cultura atual, chamada de pós-moderna, prevalece o individual sobre o coletivo. Somos uma sociedade fragmentada, em que cada um busca seu interesse. Um mundo mesquinho.

A igreja é uma comunidade e não um bando de solitários. “Deus faz que o solitário viva em família” (Sl 102:6) e isto acontece na igreja. Somos postos como família, para nos relacionar uns com os outros. Na igreja nos agrupamos como pessoas para exercitarmos a fé, aprendermos uns dos outros, aperfeiçoarmos uns aos outros, e recebermos forças para vivermos no mundo. Vivemos em grupo, exercemos a fé em grupo, e vivemos no mundo, como cristãos. A vida cristã não é vida no poleiro, mas bondade nas relações (Ef 4:32). O amor cristão não busca seus próprios interesses (1Co 13:5). Volta-se para os outros. A igreja de Jerusalém e Barnabé nos mostram isso (At 4:32-37). Os crentes devem ter vidas entrelaçadas, sendo responsáveis uns pelos outros, como se vê em 2 Coríntios 8:1-5. Muita gente levanta um poleiro espiritual, no culto, onde canta, louva, ora, mas não se envolve com os necessitados nem com a obra do reino em geral. Esta santidade mística é desvirtuada. Santidade é relacional, não intimista, apenas eu e Deus. Sou eu, Deus e meu próximo. Isto é a igreja: Deus e nós, e não Deus e eu. Isto é santidade: relações corretas com Deus e com o próximo.

Quando saímos do culto, fortalecidos pela comunhão com Deus e com os irmãos, vamos ao mundo testemunhar nossa fé. O caráter cristão, prova da nossa fé, se vê em nossas relações. Mostra misericórdia, apoio aos fracos (Rm 15:1, 1 Ts 5:14) e retidão na vida. É melhor ser ingênuo e ultrapassado que ser cruel e frio como o mundo. Deus vê e julga.

A ESSÊNCIA DO CULTO A DEUS - Sl 50.1-23