sexta-feira, 12 de agosto de 2016

ABRAÃO, UM PAI AMADURECIDO NA FÉ

Por Pr. Silas Figueira

INTRODUÇÃO

Texto Base: Gênesis 22.1-19

A história de Abraão começa quando o Senhor o chama de Ur dos caldeus para, a partir dele, fazer uma grande nação (Gn 12.1). Abraão estava com 75 anos e sua esposa Sara com 65, sendo que eles não tinham filhos, pois Sara era estéril.

Warren W. Wiersbe diz que Abraão matriculou-se na “escola da fé” aos setenta e cinco de idade. Nesta passagem, estava com mais de cem anos e continuava passando por experiências intensas. Nunca somos velhos demais para enfrentar novos desafios, para lutar novas batalhas e para aprender novas verdades. Quando paramos de aprender, deixamos de crescer, e quando deixamos de crescer, paramos de viver [1].
 
Quando lemos a história de Abraão, em Gênesis, nós nos deparamos com um homem em conflito da fé e nos fracassos que ele cometeu; mas à medida que os anos foram se passando ele foi tendo um crescimento na fé, alcançando o seu ápice em Gênesis 22 quando o Senhor pede seu filho em sacrifício. No entanto, até chegar a essa maturidade espiritual muitos percalços Abraão enfrentou.

A estrada da maturidade da fé (Gn 22.1-19; Tg 2.21,22) sempre foi baseada na prática de dois passos para frente e um para trás; é um teste constante, no qual as pressões da vida – alimento (Gn 12.10), família (Gn 13.7), anseios (Gn 15.3, 16.1) e temores (Gn 20.11) – cooperam, em forma de “provações” (Tg 1.2), as quais, quando enfrentadas com fé e perseverança, nos tornam “maduros e completos” (Tg 1.4) [2].

Qual pai que nunca enfrentou essas crises também? Crise do pão de cada dia, quando o dinheiro acaba e não sabemos o que fazer para alimentar a família? Problemas com membros da família; parentes que vem nos causar angústias e tristezas? Momento de dúvidas, se realmente o que o Senhor falou irá se cumprir em nossa vida, ou será que não foi fruto da nossa imaginação? Quantos medos nós enfrentamos também. Quantas aflições diante de uma insegurança do bem estar de nossa família. A história de Abraão não é diferente em nada da nossa. Enfrentamos problemas e mais problemas, talvez não tanto quanto Abraão enfrentou, mas enfrentamos os nossos. Pequenos ou grandes, reais ou imaginários, mas nós os enfrentamos todos os dias. Por isso que o “justo vive pela fé” (Hc 2.4).

E para enfrentar esses problemas nós precisamos do Senhor e, com urgência, amadurecer na fé como Abraão amadureceu. Nesse episódio narrado em Gênesis 22 Abraão já estava andando com Deus por cerca de 40 anos. Por isso eu quero pensar com você sobre esse amadurecimento da fé, e como ela deve demonstrada na vida de um pai.

1º - Um pai maduro na fé sabe que passará por provas e ensina isso a seus filhos (Gn 22.1). Uma das maiores imaturidades que alguém pode ter é pensar que a vida não lhe trará problemas. É achar que na vida tudo vai dar certo e que não sofreremos decepções. A geração atual de crentes tem recebido essa ideia através de muitos púlpitos, e pior, dentro de casa.

Há uma geração de pais que querem poupar seus filhos das lutas da vida. Tentam a todo custo fazer da vida dos filhos uma vida sem dificuldades; com isso, temos hoje uma grande gama de jovens que acham que na vida tudo é fácil, pois seu “papai” os socorre em tudo que fazem, principalmente nos seus erros.

Temos vivido a geração de Adonias, uma geração de jovens que não são contrariados pelos seus pais: Ora, Adonias, cuja mãe se chamava Hagite, tomou a dianteira e disse: “Eu serei o rei”. Providenciou uma carruagem e cavalos, além de cinquenta homens para correrem à sua frente. Seu pai nunca o havia contrariado; nunca lhe perguntava: “Por que você age assim?(1Rs 1.5,6).

Um pai maduro na fé não passa a mão nos erros dos filhos e os ensina a assumir suas responsabilidades diante dos erros cometidos, mas para isso esse pai deve ser também amadurecido na fé.

Abraão não só enfrentou a prova dada por Deus como levou seu filho a enfrentá-la também, pois Isaque fazia parte da prova. O amadurecimento na fé de nossos filhos vem através exemplo de crescimento da fé de seu pai. Lembre-se disso!

E há outro detalhe importante na maturidade da fé: saber discernir provação e tentação. As tentações vêm dos desejos de dentro de nós (Tg 1.13-15), já as provações procedem de Deus, que tem um propósito específico a cumprir. A tentação é par a nossa queda, a provação é para nos manter de pé.  
      
2º - Um pai maduro na fé conhece a voz de Deus (Gn 22.1,2). Quem anda com Deus deve saber discernir a voz de Deus entre muitas vozes. Há pessoas que diz que Deus falou com elas, essa colocação é extremamente séria. Se Deus falou não há discussão, não há questionamentos, não há duvidas. Mas quantas pessoas dizem que Deus falou e depois dizem que foi engano. Isso se chama imaturidade na fé.

Abraão conhecia a voz de Deus, tanto que ele não questiona a ordem dada, ele obedece. Os pais devem saber discernir a voz de Deus e ensinar seus filhos a terem essa mesma experiência, pois afinal de contas nós não queremos ver nossos filhos agindo como esquizofrênicos na fé. E um dos sintomas da esquizofrenia é a alucinação: são percepções falsas dos órgãos dos sentidos. As alucinações mais comuns na esquizofrenia são as auditivas, em forma de vozes. O paciente ouve vozes que falam sobre ele, ou que acompanham suas atividades com comentários. Muitas vezes essas vozes dão ordens de como agir em determinada circunstancia.

Pai maduro na fé não é esquizofrênico nela.  

3º - Um pai maduro na fé obedece a ordem do Senhor (Gn 22.2,3). Como já falamos, por conhecer a voz de Deus, Abraão não questiona, ele obedece. Ainda que aparentemente fosse uma ordem absurda, ele não deixou de cumpri-la.

Um pai maduro na fé entende que Deus sabe o que faz ainda que não entendamos. Como nos diz o Senhor por boca do profeta Jeremias: “Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro” (Jr 29.11 – NVI).

Deus sabe o que faz e o que nos pede!

No entanto, há pais que estão questionando o agir de Deus e até lhe pedindo explicações de seus atos, como se Deus lhe devesse alguma explicação. Isso é imaturidade, criancice e mundanismo. Veja o que Paulo disse para os crentes de Corinto:

“Irmãos, não lhes pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo. Dei-lhes leite, e não alimento sólido, pois vocês não estavam em condições de recebê-lo. De fato, vocês ainda não estão em condições, porque ainda são carnais. Porque, visto que há inveja e divisão entre vocês, não estão sendo carnais e agindo como mundanos?” (1Co 3.1-3 – NVI).

A imaturidade na fé leva aos questionamentos.

Isaque nesse texto tipifica Cristo e Abraão tipifica Deus. Observe o versículo 2 de Gênesis 22: Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei” (NVI).

1) Abraão é o Pai que sacrificou Seu Filho Unigênito como expiação pelo mundo (Jo 3.16).
2) Isaque é tipifica Cristo que foi obediente até a morte (Fl 2.5-8).
3) A lenha sobre Isaque tipifica a cruz que o Senhor levou (Jo 19.16,17).
4) O carneiro é tipifica a substituição de Cristo que foi oferecido como oferta em nosso lugar (Hb 10.5-10).
5) A ressurreição foi tipificada na fé de Abraão de que Deus traria Isaque de volta à vida, se o sacrifício fosse levado a efeito (Hb 11.17-19).

Teu único filho. Abraão já tinha Ismael, mas Isaque era o único filho por meio de quem o pacto que o Senhor havia feito com Abraão seria realizado (Gn 15.1-7).

4º - Um pai maduro na fé adora a Deus em todas as circunstâncias (Gn 22.5). Observe que Abraão diz para os seus servos que ele e o rapaz iriam adorar. Ele não lamuriou diante da crise aparente, mas foi buscar a face do Senhor em adoração.

Quantos pais ficam em casa e deixam de vir adorar a Deus junto com outros irmãos na igreja porque estão passando por alguma crise. Deixam de ser adoradores para serem lamuriadores. Ficam como cães lambendo a própria ferida. E nem em casa adoram, não adoram no hospital, na sala de espera do consultório médico, não adoram diante de um túmulo. Adoração é um estilo vida e não um ato de momento. Independe das circunstâncias, mas adora em todo o tempo. 

Adorar quando tudo vai bem é fácil, mas nem sempre está tudo bem com a gente. Há dias de densas trevas em nossas vidas, como também há dias ensolarados. Lembre-se de Jó:

“Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor”. Em tudo isso Jó não pecou e não culpou a Deus de coisa alguma (Jó 1.21,22 – NVI).

Mas um pai maduro na fé não anda com gente incrédula. Anda com gente crente. Anda pela fé. Gente incrédula deve ficar tomando conta de jumento. Observe que Abraão falou para os moços que foram com ele: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos” (Gn 22.5 – NVI).

Há provações na vida que precisamos enfrentar sozinhos e entender isso é maturidade da fé. Quem amadurece na fé sabe que há momentos que é você e Deus somente. Não tem como termos a companhia de amigos ou familiares. Jesus quando estava no Getsêmani levou consigo três de seus apóstolos, Pedro, Tiago e João, mas se dirigiu sozinho para orar (Mt 26.36-39). 

5º - Um pai maduro na fé crê na intervenção divina (Gn 22.7,8). Andar pela fé é andar crendo em milagres. Um pai maduro na fé crê na intervenção divina na vida dos filhos, na família. Crê que o Senhor há de intervir para mudar a história que parece estar caminhando para o fim. Um pai maduro na fé crê na provisão divina em todo o tempo.

O SENHOR proverá – “Jeova-Jire”. A declaração: “No monte do Senhor se proverá” (v. 14) nos ajuda a compreender algumas verdades sobre a provisão de Senhor.

Onde o Senhor provê nossas necessidades? No lugar indicado por Ele. Abraão estava no lugar certo, de modo que o Senhor pôde suprir as suas necessidades. Não temos o direito de esperar pela provisão de Deus se não estivermos dentro da vontade de Deus.

Quando o Senhor provê nossas necessidades? Exatamente quando precisamos, nem um minuto antes – “Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hb 4.16 – NVI).

Como Deus provê? De maneira que, normalmente, são bastante naturais. Deus não enviou um anjo junto com o sacrifício; simplesmente permitiu que carneiro ficasse preso pelos chifres nos arbustos no momento em que Abraão precisava e num lugar que Abraão podia alcançar. Abraão só necessitava de um animal, de modo que o Senhor não mandou um rebanho de ovelhas.

A quem o Senhor concede sua provisão? Àqueles que confiam nele e que obedecem a suas instruções.

Por que o Senhor supre todas as nossas necessidades? Para que Seu nome seja glorificado [3]. 
  
6º - Um pai maduro na fé constrói altares para oferecer os filhos (Gn 22.9). Abraão era um construtor de altares, vemos isto por quatro vezes no decorrer de sua vida.

Após Abraão conhecer o DEUS VERDADEIRO ele dispôs o seu coração para servi-lo e obedecê-lo. Começa então a sua trajetória de "Construtor de Altares".

1º Altar - SIQUÉM (Altar da Promessa – Gn 12.6,7).  A motivação de Abraão construir este primeiro altar foi em adoração ao SENHOR que lhe aparecera. E nesta aparição o SENHOR reafirmou-lhe a Sua Promessa: “... te darei esta terra". Hoje nós também temos valiosíssimas promessas de Deus para nossa família (Sl 128).

2º Altar - BETEL (Altar da Comunhão – Gn 12.8). Betel significa "Casa de Deus". E foi aí, na Casa de Deus onde Abraão invocou o Nome do Senhor. Não somente Deus falava com Abraão, mas Abraão podia falar com Deus! É interessante atentarmos para o fato de que hoje nós somos "Betel", ou seja, nós somos “Casa de Deus”: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” 1Co 3.16 e “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos?” 1Co 6.19.

3º Altar - HEBROM (Recomeço – Gn 13.18). Após separar-se de Ló o SENHOR volta a falar com Abraão, é seu recomeço! 

“Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló separou-se dele: De onde você está, olhe para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste: toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre” (Gn 13.14,15 – NVI).

4º Altar - MORIÁ (Provação – Gn 22.9). O último e mais impactante altar da vida de Abraão marca este que foi o momento crucial na vida de Abraão.

Devemos ensinar aos nossos filhos que há uma necessidade de termos o nosso coração como altar ao Senhor. Necessitamos construir o altar da promessa, da comunhão, do recomeço e da provação e mantê-los erguidos em nossas vidas para testemunho diante de nossos filhos e apresentar os nossos filhos ao Senhor nesses altares todos os dias.
 
7º - Um pai maduro na fé não adora as bênçãos recebidas, mas adora o doador das bênçãos (Gn 22.10-12). Um dos grandes perigos que corremos é de adorar as bênçãos no lugar do abençoador. Não são raros os casos de pessoas que trocam Deus pelos bens materiais recebidos, aliás, vemos isto em muitas igrejas onde dão ênfase as bênçãos fazendo de Deus um doador simplesmente.

A maturidade na fé nos leva a ver as coisas como elas realmente são: bens matérias, família e tantas outras coisas não podem substituir a nossa adoração a Deus. Como nos disse Jesus em Mateus 10.37,38:

“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (NVI).

Abraão amava seu filho, mas ele não o amava mais do que amava a Deus. Isso aqui é muito sério. Por isso que o Senhor nos deixou esse alerta em Mateus 10.37, há um perigo de isso acontecer e nós nos tornarmos idólatras.

Devemos levar os nossos filhos entenderem que somente Deus deve receber o nosso amor pleno e só a Ele adorar. O Senhor Jesus em Mateus 6.38 que devemos buscar o Reino de Deus em primeiro lugar, pois o resto é resto.

O nome Isaque quer dizer sorriso, mas quem deu esse sorriso para Abraão e Sara foi o Senhor. A nossa real alegria está em Deus, pois se depositarmos a nossa felicidade nas coisas dessa terra nós seremos os mais infelizes dos homens. Veja o que Paulo nos fala em Filipenses 4.10-13:

“Alegro-me grandemente no Senhor, porque finalmente vocês renovaram o seu interesse por mim. De fato, vocês já se interessavam, mas não tinham oportunidade para demonstrá-lo. Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece” (NVI).

Isso é maturidade na fé, e essa maturidade que os pais cristãos precisam atingir, não só para viverem felizes, mas também para não idolatrar as bênçãos recebidas de Deus; ainda que essas bênçãos seja a família.

8º - Um pai maduro na fé crê no milagre na vida dos filhos (Gn 22.9-12; Hb 11.17-19). O texto de Hebreus nos diz que Abraão cria que o Senhor era poderoso para ressuscitar Isaque. Havia uma confiança em Deus e nas suas promessas, pois Isaque era o filho da promessa (Gn 17.16,17,19). Veja o texto:

Eu a abençoarei e também por meio dela darei a você um filho. Sim, eu a abençoarei e dela procederão nações e reis de povos.  Abraão prostrou-se com o rosto em terra; riu-se e disse a si mesmo: “Poderá um homem de cem anos de idade gerar um filho? Poderá Sara dar à luz aos noventa anos?” Então Deus respondeu: Na verdade Sara, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe chamará Isaque. Com ele estabelecerei a minha aliança, que será aliança eterna para os seus futuros descendentes.

O que Abraão fez vai muito além da compreensão humana, isso se chama fé, e a fé não tem explicação. Ou você crê ou você não crê. Há momentos que muitos pais olham para os seus filhos e a impressão que tem é que a morte irá chegar a qualquer momento. Quantos pais estão chorando a morte espiritual de seus filhos, mas creia na intervenção de Deus na vida deles, não deixe de crer. Se há uma promessa para vida deles da parte de Deus, creia que o Senhor irá intervir. A ressurreição vai acontecer, creia somente, foi isso que o Senhor Jesus disse para Jairo quando este recebeu a notícia que sua filha havia falecido (Mc 5.35,36).

Ainda que só você creia no milagre, ofereça seus filhos no altar e deixe o resto com Deus. A entrega no altar do Senhor é deixar Deus ser Deus na vida de seus filhos. É deixar as coisas acontecerem segundo a ordem dada e não segundo o que achamos que deveria ser. Deus sabe o que faz, e nós muitas vezes só atrapalhamos – veja o que Sara fez (Gn 16). Não seja precipitado!

9º - Um pai maduro na fé vê sua fé confirmada (Gn 22.13). A fé não é um salto no escuro como algumas pessoas pensam. A fé é a certeza da ação poderosa de Deus intervindo em nosso lar. Como está registrado em Hebreus 11.1,6:

“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam”.

Esse carneiro é o cordeiro adulto, esse animal simbolizava a fé madura de Abraão. Ele já não era um neófito na fé, mas um maduro na fé. Jesus deixou isso bem claro em relação a nossa fé. Ele disse que a nossa fé deveria crescer. Veja o que Ele disse para os discípulos em Lucas 17.5,6:

“Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” Ele respondeu: Se vocês tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, poderão dizer a esta amoreira: “Arranque-se e plante-se no mar”, e ela lhes obedecerá” (NVI).

Na verdade o Senhor ensinava sobre a semelhança entre a fé e uma semente e não sobre o tamanho da fé. O Senhor Jesus está mostrando que a fé deve ser desenvolvida. Deve virar árvore. Tem que crescer. Mas como ela cresce? Para que nossa fé cresça, temos que SEMEÁ-LA. E a forma pela qual se semeia a fé é mediante seu exercício; quando usamos a fé que temos em uma necessidade específica, e vemos a intervenção de Deus, colhemos mais fé. Foi o que Abrão fez durante toda a sua vida, por fim colheu o milagre.

10º - Um pai maduro na fé é canal de bênção para outras pessoas (Gn 22.15-19). Veja que a promessa de que a casa de Abraão seria abençoada chegou até nós. Por isso que Abraão é chamado de pai da fé (Rm 4.11).

Através da fé de Abraão o Senhor disse que todas as famílias da terra seriam abençoadas, o Senhor está se referindo a Pessoa de Jesus que viria ao mundo. Quando obedecemos a Deus nós nos tornamos, através de Jesus, abençoadores também.

As bênçãos procedentes da fé não são egoístas, mas abrangentes, elas alcançam muitas vidas. Charles Spurgeon costumava dizer que as promessas de Deus nunca brilham com tanta intensidade quanto na fornalha da aflição. Aquilo que dois homens fizeram num altar solitário um dia serviria de bênção para todo o mundo. 
  
11º - Um pai maduro na fé se preocupa com quem os filhos irão constituir família (Gn 22.23, 24.1-4). A preocupação de Abraão também deve ser a nossa preocupação, com quem nossos filhos irão se casar. Abraão não queria que seu filho se casasse com uma mulher cananéia. A Lei de Moisés também não permitia que homens israelitas se casassem com mulheres pagãs (Dt 7.1-11). Os cristãos também não devem se casar com pessoas incrédulas (1Co 7.39, 2Co 6.14-18). Por isso devemos buscar a Deus em oração para que o Senhor tenha misericórdia de nossos filhos e lhes deem pessoas crentes e fiéis, não basta ser crente.

Pais maduros na fé tem essa preocupação porque sabem que um relacionamento de jugo desigual gera confusão espiritual na vida do cônjuge, assim como na vida dos filhos. Veja o que ocorreu em Israel depois do cativeiro babilônico:

Além disso, naqueles dias vi alguns judeus que se haviam casado com mulheres de Asdode, de Amom e de Moabe. A metade dos seus filhos falavam a língua de Asdode ou a língua de um dos outros povos, e não sabiam falar a língua de Judá. Eu os repreendi e invoquei maldições sobre eles. Bati em alguns deles e arranquei os seus cabelos. Fiz com que jurassem em nome de Deus e disse-lhes: “Não consintam mais em dar suas filhas em casamento aos filhos deles, nem haja casamento das filhas deles com seus filhos ou com vocês. Não foi por causa de casamentos como esses que Salomão, rei de Israel, pecou? Entre as muitas nações não havia rei algum como ele. Ele era amado de seu Deus, e Deus o fez rei sobre todo o Israel, mas até mesmo ele foi induzido ao pecado por mulheres estrangeiras. Como podemos tolerar o que ouvimos? Como podem vocês cometer essa terrível maldade e serem infiéis ao nosso Deus, casando-se com mulheres estrangeiras? (Ne 13.23-27 – NVI).

O que temos aqui é uma casa dividida onde cada um fala uma língua, menos a língua do povo de Deus. Isso tem ocorrido em muitos lares de pessoas cristãs também, pois se casaram com pessoas que não eram cristãs, ou estavam na igreja, mas não eram fiéis. Jugo desigual acontece até com pessoas da mesma igreja.

Por exemplo: se você tem o chamado para o ministério e sua namorada não concorda com isso é melhor terminar esse relacionamento ou, você é totalmente envolvido com as coisas de Deus e seu namorado é um songa monga procure outro rapaz que tenha os mesmos objetivos que você. Isso em relação aos estudos, se a pessoas é ciumenta demais etc.

Meus queridos pais se preocupem com quem seus filhos irão se casar, pois se não você sofrerá como rebeca e Isaque sofreram com Esaú (Gn 26.34,35).

CONCLUSÃO

Vimos que um pai maduro na fé age de acordo com a vontade de Deus e não segue os seus desejos. Um pai maduro na fé conhece e obedece a voz de Deus e colhe frutos abençoados das mãos do Senhor.

Homens maduros na fé sabem que são totalmente dependentes de Deus em todo o tempo. Como disse Max Lucado: “Conselheiros podem confortar você na hora da tempestade, mas você precisa de um Deus que possa acalmar a tempestade. Amigos podem segurar-lhe a mão em seu leito de morte, mas você precisa de Yahweh que venceu a sepultura. Filósofos podem debater o significado da vida, mas você precisa de um Senhor que possa declarar o sentido da vida. Você precisa de Yahweh!”  
  
Pense nisso!

Fonte: 
  
1 – Wiersbe, Warren W. Pentateuco, Comentário Bíblico Expositivo. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 133. 
2 – Gardner, Paul. Quem é Quem na Bíblia Sagrada. Editora Vida, São Paulo, SP, 1999: p. 11.

3 – Wiersbe, Warren W. Pentateuco, Comentário Bíblico Expositivo. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 135.
4 - Lucado, Max. Aliviando a Bagagem. Editora CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2002: p. 19.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A NOIVA EMBRIAGADA

Por Pr. Silas Figueira

Recentemente eu estive na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) aqui de minha cidade por volta das 23h30min, na véspera de domingo. Chegando lá, duas coisas me chamaram a atenção, a primeira é que não havia quase ninguém lá, e olha que a UPA vive cheia de pacientes. A segunda coisa que me chamou a atenção é que estava sendo atendida uma noiva completamente bêbada. Após o casamento os noivos foram para a festa e, chegando lá, ela bebeu até passar mal.

Quando eu cheguei, ela ainda estava vomitando muito, mas logo depois lhe aplicaram uma injeção com uma medicação e ela dormiu de roncar. O triste da história é que o noivo estava do lado dela tentando acordá-la.

- Querida acorda! Acorda!

E ela simplesmente não se dava conta de que o noivo estava ali do lado dela. Ele vestido de fraque e ela toda de branco com o vestido vomitado. Simplesmente uma cena deprimente.

Ao olhar para aquela cena eu me lembrei da noiva de Cristo, a Igreja. Esta também, pelo que temos visto, está completamente embriagada, não com o Espírito Santo (Ef 5.18), mas embriagada com as coisas deste mundo; com a bebida que o diabo oferece.

Com que a igreja tem se embriagado? Talvez você pergunte.

1º - A igreja tem estado embriagada com as falsas promessas de uma vida sem problemas neste mundo. Quando lemos a Bíblia nós nunca nos deparamos com tais promessas, temos sim a promessa de que o Senhor estaria conosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28.20b). Quanto às dificuldades neste mundo sempre as teremos, isso é inevitável. 

Observe o que o Jesus falou para os seus discípulos em João 16.33:

“Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (NVI).

Já o apóstolo Paulo nos fala em Atos 14.22:

Fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: “É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus” (NVI).

Esta embriaguês leva as pessoas acharem que a vida é uma colônia de férias como nos fala o Reverendo Hernandes Dias Lopes. É uma visão distorcida achando que o céu é aqui na terra.

Os jovens, principalmente, vêm para a igreja para se divertir. Jovens que desconhecem o que é a vida dos primeiros mártires da Igreja Primitiva. Jovens que desconhecem o que é viver para Cristo. Jovens que pensam que o Evangelho é diversão sem compromisso com o testemunho de vida. Jovens que honram seus líderes, mas não honram a Deus e nem seus pais. Jovens fracos, frouxos, sem varonilidade, parecendo mais homossexuais no jeito de se vestir e de falar. Jovens que pensam que a igreja é clube de dança. Profanam o sagrado com suas danças sensuais, com Hip Hop, funk... e os líderes dizem que é uma forma de atrair os jovens. Gente que quer fazer da igreja um lugar de diversão e não um lugar de adoração. 
     
2º - A igreja está embriagada com o pecado. Não há temor em muitas pessoas dentro de nossas igrejas. Temos visto uma igreja inchada de pessoas sem compromisso com a verdade. Gente que quer trazer o mundo para dentro do ambiente religioso.

Líderes que deixaram há muito tempo de pregar sobre pecado para não ofender os ouvintes, que na verdade não passam de fregueses dessas tais igrejas. Por isso predomina o pecado nesses ambientes religiosos. Uma religiosidade sem temor, uma religiosidade onde o que predomina é o que o as pessoas gostam de ouvir e não o que elas têm necessidade de ouvir. Quem não é confrontado com a verdade será confrontado com a falsidade. Só que a verdade liberta a mentira escraviza. A verdade mostra o verdadeiro caminho para o céu, a mentira mostra um caminho que não o leva a ele, mas mantém as pessoas presas no inferno.

Igrejas que não falam em cruz, vida santa, vida de oração... Igrejas onde o homossexualismo é algo natural, onde o adultério é tido como corriqueiro, a começar pelo pastor. Igrejas que lutam pelo o que dá certo e não pelo que é certo. Onde os líderes se preocupam em manter o local empilhado de gente sem se preocupar com o destino de suas almas.

O texto de Paulo aos Colossenses 3.1-7 passa longe dos púlpitos dessas igrejas:

“Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória. Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria. É por causa dessas coisas que vem a ira de Deus sobre os que vivem na desobediência, as quais vocês praticaram no passado, quando costumavam viver nelas” (NVI).
   
3º - A igreja está embriagada com a heresia. A verdade há muito tempo deixou de ser referência na boca de muitos pastores. As heresias têm tomado os púlpitos e as pessoas não se dão conta disso. É tanta aberração em nome de Deus que não sei onde nós vamos parar. Vai de vassoura ungida a cigarro ungido. Na verdade isso não é bem heresia, está mais para idolatria, pois no momento em que se deposita a fé no objeto “consagrado” virou uma idolatria.

As verdades absolutas do Evangelho têm sido deixadas de lado, sendo substituídas por uma nova releitura. Afinal de contas, dizem eles, temos que ter uma nova mensagem para esse novo século. Para tais pessoas a Bíblia deixou de ser boca de Deus para ser boca do apóstolo que escreveu para aquela época. O relativismo teológico está na boca e na mente de muitos líderes. A verdade da bíblica não é absoluta, mas relativa. Ela não é inerrante para esses líderes, por isso distorcem o texto sagrado a seu bel prazer.

Sinceramente, eu não sei onde isso vai parar. Mas de uma coisa eu sei, se o Senhor não intervir a próxima geração estará completamente perdida.  Por isso nós não podemos parar de falar a verdade, ainda que as igrejas que pastoreamos fiquem vazias. É melhor pregar a verdade para o remanescente fiel que entreter as pessoas para manter a igreja cheia.

Muitas vezes me dá uma tristeza tremenda ao ver o que tem ocorrido com a igreja de Cristo. Olhando para aquela noiva lá na UPA eu vi o quando o Noivo – Jesus – tem estado ao ver sua noiva embriagada com as coisas desse mundo.

Que o Senhor nos ajude a permanecermos fiéis a Ele até a Sua volta.

Pense nisso!   

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A AUTÊNTICA MENSAGEM CRISTÃ


Por Pr. Silas Figueira

INTRODUÇÃO

Texto base: Atos 3.11-26

A cura do coxo mendigo fez com que a multidão ajuntasse ao redor deles. Essa cura foi realizada em uma das portas do templo chamada Porta Formosa, e nos diz o texto que quando o coxo se viu curado entrou saltando e louvando a Deus para dentro do templo (v. 8). A multidão ficou atônita, pois conheciam o mendigo que esmolava ali há muitos anos. Este homem tinha mais de quarenta anos (At 4.22); acredito que ele esmolava ali desde criança, por isso era bem conhecido de todos.

O homem curado ainda estava junto de Pedro e João quando eles foram abordados pela multidão no Pórtico de Salomão; este era um corredor coberto que ficava do lado leste do templo. Neste pórtico Jesus havia ministrado (Jo 10.23), e a igreja posteriormente passou a adorar ali (At 5.12).

Pelo menos umas dez mil pessoas havia ali, pois era a hora da oração [1]. Aproveitando a oportunidade, Pedro toma da palavra para pregar o Evangelho. O milagre, porém, não é o Evangelho, mas abre portas para a pregação do Evangelho [2]. Pedro começa o seu sermão explicando que o fato ocorrido não procedia de algum poder pessoal deles. Eles não eram a fonte do milagre, eles eram somente o canal.

Quanta diferença nos dias de hoje, onde muitos pregadores passam a ser adorados como se eles fossem a fonte do milagre, ou quando muito, a igreja que pastoreiam é que é a fonte. É só olhar para certos programas na TV que veremos como isso é comum. “Venha para a nossa igreja, aqui o milagre acontece” dizem eles, como se Deus não estivesse em outros lugares e se limitando àquele espaço físico, ou somente agisse naquela denominação. Pedro e João repudiam para longe de si a ideia de que eles eram milagreiros (v. 12). Pedro corrigiu a multidão e não aceitou glória para si mesmo. Pedro era um pregador fiel. O poder para curar não estava nele, mas no nome de Jesus, o Nazareno [...]. Aqueles que hoje fazem propaganda de pretensos milagres, como se fossem homens poderosos, estão na contramão do ensino bíblico. Os que acendem holofotes e buscam glória para si estão em total desacordo com o ensino das Escrituras [3].

Essa adoração a esses milagreiros ocorre porque uma vez que os homens não podem ver a Deus, e usualmente também não se mostram capazes de discernir claramente as obras de suas mãos ou de apreciar devidamente o desígnio, e o poder divino por detrás dessas coisas, habitualmente prestam aos homens a adoração e o respeito que pertence exclusivamente a Deus [4]. 

D. Martyn Lloyd-Jones nos diz que “algumas pessoas poderiam dizer que essa era a oportunidade maravilhosa para Pedro pregar sobre milagres, para oferecer cura a outros. Um homem tinha acabado de ser curado. ‘Alguém mais quer ser curado? Venha à frente’. Ele não fez isso, embora isso hoje passe por cristianismo [...]. O cristianismo faz coisas desse tipo, porém não as prega; é isso que as seitas fazem [...] Pedro aproveitou a oportunidade para explicar o milagre, falando a respeito de Jesus como a fonte do milagre. Pedro mostra para a multidão que eles estavam concentrados no milagre em si, e não na fonte do milagre. O que é vital é para onde o milagre aponta, não é o milagre, como milagre que é importante” [5]. Quanta diferença nos dias de hoje!

Diante dessa multidão Pedro aproveita para pregar o Evangelho, não cura divina.

Quais lições nós podemos aprender com a mensagem de Pedro?

EM PRIMEIRO LUGAR, PEDRO MOSTRA QUE O OCORRIDO NÃO ERA ALGO NOVO (At 3.13).

Pedro não inicia o seu sermão a partir de Jesus, mas começa falando “o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais...”.

1º - Pedro mostra que o Senhor não mudou. Ele mostra um Deus pessoal que agiu na vida dos patriarcas e que continua agindo hoje no meio do seu povo. Ele é o Deus que diz: “Eu Sou o que Sou” (Êx 3.14), se revelando a Moisés no monte Horebe. Ele é o Deus vivo.

O Deus da Bíblia é o Deus que criou o universo. “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Ele é o Deus que age, um Deus que faz todas as coisas, um Deus que planeja, que pensa e que ordena. Este é o Deus que ouviu o clamor de Seu povo no Egito e enviou um libertador. Ele é o Senhor dos senhores que age com graça e misericórdia da mesma forma que agiu no passado, mas agora no meio e por meio da Sua Igreja através do Espírito Santo no meio dela.

2º - Pedro mostra também que assim como Deus agiu no passado está agindo agora, só que na pessoa de Seu Filho Jesus. Como nos fala Hebreus 1.1-3:

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”.

Através de Jesus não estava se iniciando uma nova religião como muitos judeus estavam pensando. A vinda de Jesus era uma continuidade do que o Senhor havia começado na eternidade passada quando havia planejado todas as coisas.

Esse Deus dos pais é quem glorificou a seu Servo Jesus. Com essa referência a Deus, Pedro expressou a convicção de que o que era novo em Jesus gozava de uma continuidade direta com o Antigo Testamento [6]. Logo, a história de Jesus é a obra desse único Deus vivo, que é o Deus dos patriarcas. Pedro usou vários nomes e títulos para descrever Jesus, como: Jesus Cristo, o Nazareno (3.6), o Servo de Deus (3.13), o Santo e Justo (3.14), o Autor da vida (3.15), o profeta prometido por Moisés (3.22), a pedra rejeitada que se tornou a pedra angular (4.11) [7].

Enfim, o Senhor é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Amem!

EM SEGUNDO LUGAR, PEDRO FAZ UMA ACUSAÇÃO ESMAGADORA (At 3.13b-15).

Pedro depois de falar que o Senhor havia glorificado a Jesus o ressuscitado dentre os mortos não deixou de mostrar que eles eram culpados de um crime hediondo. Mesmo quando Pilatos quis soltá-lo, pois havia observado que Jesus era inocente e que as autoridades judaicas estavam o acusando por inveja (Mt 27.18).

1º - A mensagem de Pedro foi esmagadora, pois eles tinham que ter consciência do que haviam feito. Pedro é extremamente direto ao descrever a desonra quádrupla com que os habitantes de Jerusalém trataram o Mestre:

1) vós (o) traístes e 2) negastes perante Pilatos (assim como Pedro o havia “negado” diante de uma criada e de outros), quando este havia decidido soltá-lo. 3) Vós, porém, negastes o Santo e o Justo e pedistes que vos concedessem um homicida, exigindo assim “a condenação do inocente” e “o perdão do culpado”. 4) matastes o Autor da vida, um paradoxo perturbador, em que o próprio pioneiro ou doador da vida (archegos, tem os dois significados), é privado da vida [8].

Mas isso não é diferente nos dias de hoje. Quantas pessoas estão negando Aquele que é o Autor da vida escolhendo para si caminhos de morte (Pv 14.12). Outros estão inocentando os homicidas e condenando Jesus, e como isso tem ocorrido? No momento que achamos que a Palavra de Deus não é a verdade e escolhemos ouvir pessoas que a tripudiam, que a ridicularizam; como por exemplo, o deputado Jean Wyllys. Este ao falar sobre a Bíblia ressalta que nenhum texto bíblico deve ser levado ao pé da letra, “mas deve ser interpretado como um mito”, “como textos alegóricos, e não textos que dão conta de uma verdade”.

Triste não é ver uma pessoa como esta falar isso a respeito da Bíblia, triste é ver homens que se dizem pastores que desacreditam da Palavra de Deus, são os teólogos liberais que consideram que os relatos bíblicos dos milagres são invenções piedosas do povo judeu e dos primeiros cristãos, mitos e lendas oriundas de uma época pré-científica, quando ainda não havia explicação racional e lógica para o sobrenatural.

E esse ensinamento está sendo ensinado em muitos seminários teológicos de nosso país. Estão formando pastores incrédulos que pregarão mensagens filosóficas que não levam as pessoas ao arrependimento, mas a viver uma vida moldada em conceitos humanistas.

Hoje, em muitos púlpitos, já não se fala em pecado, arrependimento, vida santa e cruz, nem pensar!

A. W. Tozer deixou isso bem claro quando escreveu a respeito da Velha e Nova Cruz. Diz ele: Sem fazer-se anunciar e quase despercebida uma nova cruz introduziu-se nos círculos evangélicos dos tempos modernos. Ela se parece com a velha cruz, mas é diferente; as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais. 

A nova cruz encoraja uma abordagem evangelística nova e por completo diferente. O evangelista não exige a renúncia da velha vida antes que a nova possa ser recebida. Ele não prega contrastes, mas semelhanças. Busca a chave para o interesse do público, mostrando que o cristianismo não faz exigências desagradáveis; mas, pelo contrário, oferece a mesma coisa que o mundo, somente num plano superior. O que quer que o mundo pecador esteja idolizando no momento é mostrado como sendo exatamente aquilo que o evangelho oferece, sendo que o produto religioso é melhor.

Nós, os que pregamos o evangelho, não devemos julgar-nos agentes ou relações públicas enviados para estabelecer boa vontade entre Cristo e o mundo. Não devemos imaginar que fomos comissionados para tornar Cristo aceitável aos homens de negócio, à imprensa, ao mundo dos esportes ou à educação moderna. Não somos diplomatas, mas profetas, e nossa mensagem não é um acordo, mas um ultimato [9].

2º - A mensagem de Pedro é esmagadora, pois mostra que o Senhor cumpre os seus propósitos eternos independente da ação humana (v. 15b). Essa mensagem esmagou toda a ideia de que o homem tem a palavra final, de que ele é senhor da história.

Warren Wiersbe salienta que o calvário pode ter sido a última palavra do ser humano, mas o sepulcro vazio foi a última palavra de Deus. Ele glorificou seu Filho, ressuscitando-o dentre os mortos e levando-o de volta ao céu. O Cristo entronizado enviara seu Espírito Santo e operava no mundo por meio da igreja. O mendigo curado era uma prova de que Jesus estava vivo [10].

Pedro e João mostram para a multidão que aquele que eles haviam escolhido para morrer estava vivo, pois o Senhor o havia ressuscitado e eles eram testemunhas desse acontecimento. O vocábulo grego aqui para testemunha é “mártires”, ou seja, eles estavam dispostos a darem suas vidas por esse testemunho.

Uma das coisas que mais me tem impressionado é a falta de convicção entre muitos crentes. E por não terem muita convicção também não tem bom testemunho. São levados de um lado para outros como folhas secas por ventos de doutrina (1 Tm 4.1). Quanta diferença dos apóstolos que não abriram mão desse testemunho correndo o risco de até morrerem (At 4.18-20).

EM TERCERO LUGAR, PEDRO PROVA QUE JESUS ESTÁ VIVO ATRAVÉS DA CURA DO COXO (At 3.16).

Dentro deste pano de fundo, a cura do coxo agora podia ser entendida. O que aconteceu com aquele pobre homem era a prova de que o Senhor estava vivo e agindo na autoridade do Seu Nome pela boca de seus apóstolos.

1º Pedro mostra que o agente da cura é a fé em Jesus. A mensagem de Pedro é uma mensagem cristocêntrica. Ele desvia os olhos da multidão do coxo curado e dos apóstolos e os fixou em Cristo, a quem os homens haviam rejeitado, matando-o, mas a quem Deus vindicou, ressuscitando-o dentre os mortos, e cujo nome, uma vez adotado pela fé, era poderoso o bastante para curar completamente o homem [11].

O mesmo ele já havia feito em relação ao próprio coxo quando havia lhes pedido esmola. Observe que Pedro lhe disse: “Olha para nós. Ele os olhava atentamente, esperando receber alguma coisa. Pedro, porém, lhe disse: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (At 3.4-6).

Pedro mostra a todos ali presentes que ele e nem João eram a fonte do poder que trouxe cura ao coxo. A fonte era Jesus. O milagre ocorreu na autoridade do Nome de Jesus, este nome que está acima de todo nome como nos fala Paulo em Filipenses 2.9-11.

2º - Pedro mostra que o homem não é o agente da ação divina, mas apenas instrumento. Como disse o Reverendo Hernandes Dias Lopes, “não há homens poderosos; há homens cheios do Espírito Santo, usados pelo Deus Todo-poderoso [...]. O Jesus exaltado é quem realiza os milagres na vida da igreja, pelo poder do Espírito Santo, por intermédio de seus servos” [12].

No entanto hoje há muitos homens reivindicando para si essa autoridade. Há muitas pessoas que estão idolatrando certos líderes achando que eles têm poder para operar sinais e maravilhas. Fazem coisas por esses líderes que Deus nunca exigiu que se fizesse por Ele. Há coisas que ultrapassam o ridículo, mas as pessoas parecem que gostam. 
  
Recentemente eu vi um vídeo em que um “pastor” mandava as pessoas comerem grama para serem mais abençoadas, e as pessoas saíam correndo de dentro da tal igreja para fazer isso. Em outro vídeo que assisti um líder ficava em pé nas costas das pessoas e elas o carregavam como se fossem animais.

Perdoem-me, mas não estou querendo rotular ninguém, mas essas tais “igrejas” eram pentecostais ou neopentecostais. Embora o abuso de poder esteja em todas as denominações.

EM QUARTO LUGAR, PEDRO MOSTRA QUE A IGNORÂNCIA NÃO OS ISENTAVA DA CULPA (At 3.17).

Pedro depois de fazer essa séria acusação ele agora mostra que eles fizeram isso na total ignorância, ou seja, um total desconhecimento de quem era Jesus. O seu propósito, ao dizer isso, não era desculpá-los do pecado, nem dar a entender que o perdão era desnecessário, mas mostrar a razão pela qual ele era possível [13]. Como nos fala Paulo em 1Co 2.8: “porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória”.

1º - A ignorância não os isentava de seus pecados. O desconhecimento de quem era Jesus não os tornava inocentes. É como alguém tomar veneno por engano e querer que nada aconteça por causa disso. Isso é ignorância em cima de ignorância.

O Apóstolo Paulo, judeu praticante das Leis judaicas, antes de sua conversão se confessou ignorante com relação a Jesus. Ele blasfemou, perseguiu, foi insolente, torturou os cristãos (At 26.9-11; 1Co 15.9). A partir do momento em que Jesus apareceu a ele no caminho para Damasco, sua ignorância e incredulidade desapareceram e ele deixou de ser perseguidor, transformando-se no Apóstolo dos gentios, ou seja, ele desejava acabar com a ignorância de muitos que não conheciam Jesus.

A misericórdia do Senhor o alcançou de tal maneira que houve uma genuína conversão em seu modo de agir com os cristãos. O Senhor o designou e o convocou para o ministério, “a ele, que em tempos passados foi, blasfemo, perseguidor e insolente; contudo, Jesus foi misericordioso com ele, porquanto fez o que fez por ignorância e incredulidade” 1Tm 1.12-14. Mas ao mesmo tempo ele se considerava o maior dos pecadores, pois perseguiu a Igreja de Cristo (1Tm 1.15,16). Ele era inocente na sua ignorância, mas culpado de seus atos. 

2º - O mundo hoje continua ignorante em relação a Jesus. O problema do mundo hoje continua sendo a ignorância em relação à pessoa de Cristo. Anos se passaram, mas o homem continua na total cegueira espiritual (2Co 4.4). O problema da ignorância do homem não está na cabeça, mas no estado do coração.

D. Martyn Lloyd-Jones nos dá alguns motivos para a ignorância do homem.

Primeiro, o mundo é ignorante de Deus. O mundo por desconhecer a Deus age como age na total contra mão da Sua vontade. Homens e mulheres pensam que Deus está contra eles. O problema é que eles não conhecem o único Deus vivo e verdadeiro.

Segundo, os homens não só são ignorantes de Deus, os homens e as mulheres nem a si mesmos se conhecem. Eles não conhecem o estado e as condições em que se encontram. Não entendem o seu problema essencial. Eles não se dão conta do seu pecado.

Terceiro, as pessoas também são ignorantes do fato de que haverá um juízo final e que estamos indo nessa direção (Hb 9.27). Os homens e as mulheres são seres responsáveis para com Deus. Deus os observa e os julgará. Todos nós teremos que prestar contas dos atos praticados no corpo, bons ou maus. Mas as pessoas são ignorantes disso; vivem para o momento.

Quarto, o mundo não sabe que precisa de um salvador. Por isso o mundo rejeitou Cristo quando Ele veio na carne, e é por isso que continua a rejeitá-lo. Em geral as pessoas pensam que podem reformar-se e que podem reformar o mundo. Todavia não se apercebem da sua fraqueza, da completa desesperança e inutilidade de todas as suas obras.

Quinto, o mundo também é ignorante das bênçãos da salvação, ignora justamente as bênçãos que ele tanto necessita. Quais são as suas maiores necessidades? Ei-las: o perdão dos pecados. Cristo morreu para que você fosse perdoado, para que os seus pecados fossem apagados. E o mundo é ignorante disso.

Sexto, o mundo é ignorante quanto ao novo nascimento, da nova vida. Veja o exemplo de Nicodemos (Jo 3) [14].

EM QUINTO LUGAR, PEDRO MOSTRA QUE O OCORRIDO FOI UM CUMPRIMENTO PROFÉTICO (At 3.18).

Deus traçou um plano desde a eternidade; no entanto, dentro desse plano, não forçou ninguém a agir contra a própria vontade. Os profetas haviam prenunciado os sofrimentos e a morte do Messias, e, sem se dar conta do que estava fazendo, a nação cumpriu essas profecias. Mesmo quando não permitimos que Deus governe, ainda assim ele prevalece e sempre cumpre seus propósitos e desígnios [15].

1º - Pedro mostra que Deus é o Senhor da história. Por mais que o homem se negue a pensar o contrário não é isso que vemos através dos relatos bíblicos. De Gênesis a Apocalipse nós vemos o Senhor no controle da história da humanidade. Como disse o Senhor por boca do profeta Isaías 43.13: “Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?”

2º - Pedro mostra que o Teísmo Aberto é uma teologia diabólica. Essa teologia nega a onipresença, a onipotência e a onisciência de Deus. Seus defensores apresentam outra definição onde afirmam pretender uma reavaliação do conceito da onisciência de Deus, na qual se afirma que Deus não conhece o futuro completamente, e pode mudar de ideia conforme as circunstâncias.

O Teísmo Aberto diz: “A soberania de Deus tem sido autolimitada em virtude da criação de agentes livres” no caso em questão, o homem.

No entanto a Bíblia nos mostra que Deus é soberano e controla todas as coisas no mundo criado, incluindo as ações dos agentes responsáveis. Por isso Ele é Deus. Os planos de Deus não podem ser frustrados (Jó 42.2).

EM SEXTO LUGAR, PEDRO DÁ UMA ORDEM IMPORTANTE (At 3.19).

Pedro endereçou esse sermão a um povo religioso, não a um povo pagão; mas a um público que acreditava na lei de Deus e observava atentamente seus rituais sagrados. Porém, a religiosidade deles não era suficiente para salvá-los. Era preciso que se arrependessem e se convertessem [16].

Eles precisavam de arrependimento e conversão.

1º - Arrependimento. Arrependimento indica uma mudança de direção na vida da pessoa mais do que uma alteração mental de atitude, ou um sentimento de remorso; significa o repúdio do modo de vida pecaminoso e ímpio. É o ato de voltar-se do modo de vida antigo, especialmente da adoração dos ídolos, para um novo modo de vida, baseado na fé e na obediência a Deus (At 9.35; 11.21; 14.15; 15.19) [17].

Arrependimento é muito mais do que se lamentar pelos pecados. O verdadeiro arrependimento implica reconhecer que as palavras de Deus são verdadeiras e, por esse motivo, transformam nossa maneira de encarar nossos pecados e o Salvador. O arrependimento é uma dádiva de Deus (At 11.18); por outro lado, é uma resposta do coração ao ministério do Espírito de Deus que nos convence do pecado (At 26.20) [18].

2º - Conversão. O termo conversão significa “Mudança de vida operada por Deus”. Essa mudança tem dois aspectos. O primeiro, relacionado com o pecado, chama-se arrependimento. O segundo, relacionado com Cristo, é a fé.  É mudar de rumo e exercitar a fé salvadora em Jesus Cristo. A conversão é o que acontece quando Deus desperta aqueles que estão espiritualmente mortos e os capacita a se arrependerem de seus pecados e a terem fé em Cristo (Ef 2.1-10).

Desta forma, a conversão está intimamente ligada com a mudança de rumo na vida de alguém. Quando uma pessoa se arrepende de seus erros, confessa a Jesus como Único Senhor e Salvador, demonstrando fé e decide direcionar seus passos de acordo com os ensinos da Palavra, está principiando um processo chamado conversão.

EM SÉTIMO LUGAR, PEDRO FAZ UMA PROMESSA MARAVILHOSA (At 3.19b-21).

Pedro continua o seu sermão mostrando as consequências do arrependimento e da conversão a Cristo. Ele mostra três bênçãos que eles iriam receber.

1º - A bênção de serem cancelados os seus pecados. Mesmo depois de eles terem matado o Autor da vida esse terrível pecado seria cancelado caso se arrependessem desse ato.

2º - Viriam tempos de refrigério. A palavra refrigério de acordo com o dicionário significa alívio ou consolo. Esse tempo de refrigério começou com a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes. É a consequência do arrependimento e da conversão a Cristo. É o alívio da alma que procede do Senhor para cada um de nós, independente das circunstâncias ao nosso redor.

3º - O Senhor viria para buscá-los. E por fim, o Senhor viria para buscar os seus para estarem com Ele para todo o sempre. Aqui ele fala da restauração de todas as coisas quando teremos novo céu e nova terra (Ap 21.1-7).

EM OITAVO LUGAR, PEDRO FAZ UM ALERTA DO QUE OS PROFETAS FALARAM A RESPEITO DE JESUS (At 22-26).

Pedro conclui o seu sermão abordando três correntes proféticas associadas a Moisés, a Samuel (e seus sucessores) e a Abraão. Ele mostra que o Senhor veio como prova do cumprimento profético, começando por Abraão, Moisés, Samuel e os demais profetas, conf. Lc 24.44,45.

Veja o texto de Lucas 24.44,45 que diz:

“São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras”.

O sermão de Pedro é a aplicação desse entendimento das Escrituras. O Espírito Santo abriu o seu entendimento para que ele entendesse e soubesse aplicá-la para àquele momento.

1º - Pedro cita Moisés. Pedro está citando Dt 18.15-19 e Lv 23.29, 26.12. Nesta passagem, Moisés advertia o povo de Israel contra o emprego das praxes mágicas para descobrir a vontade do Senhor. Deus haveria de suscitar entre eles um profeta com a mesma capacidade de Moisés para conhecer e declarar a vontade de Deus, e o povo deveria obedecer àquilo que o profeta dizia [19].

De que modo foi Jesus semelhante a Moisés? Deus usou Moisés para apresentar o Antigo Pacto; Jesus apresentou o Novo Pacto. Moisés guiou a nação de Israel para fora do Egito e conduziu os israelitas ao Sinai onde Deus os chamou a si mesmo (para uma relação de pacto consigo mesmo – Êx 19.4). Jesus tornou-se no novo e vivo caminho pela qual entramos na santíssima presença de Deus. Moisés deu ordem a Israel para sacrificar um cordeiro; Jesus é o Cordeiro de Deus. Moisés foi usado por Deus para operar grandes milagres e sinais; Jesus operou muitos milagres e sinais.

Moises advertiu as pessoas de que seriam excluídas se não recebessem e obedecessem a este Profeta. Assim, embora Deus seja bom, há uma penalidade para os que não se arrependem. Pedro enfatizou o significado da advertência de Moisés. Serão destruídos dentre o povo. Isto é, Deus não destruirá seu povo como um todo, mas indivíduos podem perder-se.

2º - Pedro cita Samuel e os outros profetas. Samuel foi o grande profeta que veio logo depois de Moisés (1Sm 3.20). Daquele tempo em diante, todos os profetas predisseram acerca destes dias, que são os dias da obra de Deus através de Cristo. Alguns podem não ter apresentado profecias específicas em seus escritos, mas todos eles apresentaram profecias que conduziram ou prepararam para estes dias.

3º - Pedro cita Abraão. Os judeus aos quais Pedro estava falando eram descendentes legítimos dos profetas, também herdeiros do pacto abraâmico com sua promessa de que na semente de Abraão (Cristo) todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 22.18; Gl 3.16).

Essa bênção prometida a todas as famílias da terra veio primeiro aos judeus de Jerusalém. Todavia, isto não era um favoritismo da parte de Deus. Era a oportunidade dada a eles de receber a bênção pelo arrependimento e pela renúncia de seus pecados [20].

Assim como Pedro, nós também podemos ter o entendimento das Escrituras, pois o mesmo Espírito está sobre a Sua Igreja hoje. Como disse Tiago 1.5: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida”. Peça a Deus sabedoria para entender as Escrituras e o Senhor lhe dará.

CONCLUSÃO

Vemos que esse sermão dirigido à multidão começou com a bênção sobre um indivíduo, o mendigo coxo. Primeiro foi esse pobre homem e, por fim, a multidão. Devemos valorizar todas as pessoas e aproveitar todas as oportunidades que o Senhor nos dá para falarmos dEle. Muitos pregadores hoje visam as multidões e não valorizam o indivíduo. Quem assim procede não entendeu o sacrifício de Cristo na cruz.

Através da cura do mendigo coxo ficou provado, diante dele e da multidão posteriormente, que Jesus havia ressuscitado. A cura daquele pobre homem era a prova cabal desse fato. Porém, Pedro não fez da cura do coxo um culto de cura divina, mas aproveitou a oportunidade para pregar sobre o pecado do povo e os chamou ao arrependimento, esse sim foi o maior milagre que poderia ocorre ali, a salvação dos ouvintes.

O verdadeiro testemunho inclui as “mas notícias” do pecado e da culpa, bem como as “boas notícias” da salvação pela fé em Jesus Cristo. Não pode haver fé em Cristo sem antes haver arrependimento do pecado. É ministério de o Espírito Santo convencer os pecadores da sua culpa (Jo 16.7-11), e o Espírito realizará essa obra quando dermos testemunho fiel e usarmos a Palavra de Deus [21].

Pense nisso!

Notas
1 – Horton, Stanley M. O Livro de Atos. Editora Vida, Miami, Florida, E. U. A. 1983: p. 47.
2 – Lopes, Hernandes Dias. Atos, a ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2012: p. 82.
3 – Lopes, Hernandes Dias. Atos, a ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2012: p. 82.
4 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo. Editora Candeia, São Paulo, SP, 10ª Reimpressão, 1998: p. 81.
5 – Lloyd-Jones, D. Martyn. Cristianismo Autêntico, volume 1. Editora PES, São Paulo, SP, 2005: p. 310, 14.
6 – Stott, John. A Mensagem de Atos, até os confins da terra. Editora ABU, São Paulo, SP, 2010: p. 101.
7 – Lopes, Hernandes Dias. Atos, a ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2012: p. 83.
8 – Stott, John. A Mensagem de Atos, até os confins da terra. Editora ABU, São Paulo, SP, 2010: p. 101.
9 – Tozer, A. W. A Velha e Nova Cruz, http://www.monergismo.com/textos/cruz/cruz_tozer.htm, acessado em 02/08/2016.
10 – Wiersbe, Warren W. Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 533.
11 – Stott, John. A Mensagem de Atos, até os confins da terra. Editora ABU, São Paulo, SP, 2010: p. 102.
12 – Lopes, Hernandes Dias. Atos, a ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2012: p. 84.
13 – Stott, John. A Mensagem de Atos, até os confins da terra. Editora ABU, São Paulo, SP, 2010: p. 102.
14 – Lloyd-Jones, D. Martyn. Cristianismo Autêntico, volume 1. Editora PES, São Paulo, SP, 2005: p. 372, 80.
15 – Wiersbe, Warren W. Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 534.
16 – Lopes, Hernandes Dias. Atos, a ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2012: p. 86.
17 – Marshall, I. Howard. Atos, introdução e comentário, Edições Vida Nova e Editora Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1988: p. 80.
18 – Wiersbe, Warren W. Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 535.
19 – Marshall, I. Howard. Atos, introdução e comentário, Edições Vida Nova e Editora Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1988: p. 94.
20 – Horton, Stanley M. O Livro de Atos. Editora Vida, Miami, Florida, E. U. A. 1983: p. 50.

21 – Wiersbe, Warren W. Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 536.