quinta-feira, 27 de julho de 2017

NENHUMA IMAGEM DE ESCULTURA


Por Timothy Keller

Quando pensamos que Deus tem que agir conforme o nosso querer Ele não passa de um ídolo para nós. Ou, mais especificamente, o Deus que apoia os nossos planos, segundo o que nós achamos melhor para o mundo e a nossa história, esse Deus não passa de uma criação nossa, um deus falso. Nesse modo de agir, Deus é o nosso “parceiro”, alguém com quem nos relacionamos desde que ele faça o que queremos. Se ele quiser agir de outra maneira, nosso desejo é “despedi-lo” ou “hostilizá-lo”, como faríamos com um assistente pessoal ou um conhecido insubordinado ou incompetente.

Elisabeth Elliot no epílogo do livro Através dos portais do esplendor, escrito em 1996, em que relata a morte de cinco missionários, dentre eles o seu esposo Jim Elliot, ela relata que eles queriam alcançar o então isolado e hostil povo waorani da floresta amazônica. No entanto, eles foram mortos por esses índios, deixando para trás muitas viúvas e órfãos. Elizabeth Elliot desafia os pontos de vista secular e tradicional a respeito de Deus e do sofrimento como algo simples e ingênuo. Ela alerta contra a tentativa de “descobrir um raio de sol entre as nuvens escuras” que justifique os acontecimentos.

Elisabeth escreve:

Sabemos que, na história da igreja cristã, repetidamente o sangue dos mártires foi sua semente. Somos tentados a pressupor uma equação simples aqui. Cinco homens morreram. Isso resultará num número “x” de waoranis cristãos. Talvez sim. Talvez não... Deus é Deus. Se eu exigisse que Ele aja de modo a satisfazer a minha ideia de justiça, estarei destronando-o do meu coração. Esse é o mesmo espírito que provocou: “... se és Filho de Deus, desce da cruz” (Mt 27.40). Existe descrença, até mesmo rebelião no coração que afirma: “Deus não tinha o direito de fazer isso com os cinco homens, a não ser que...”.

O tema recorrente em toda a obra de Elliot é que confiar em Deus quando não o entendemos significa tratá-lo como Deus, e não como outro ser humano. É tratá-lo como glorioso, infinitamente superior a nós em bondade e sabedoria. Mas, como Jesus diz, a glória de Deus nunca foi revelada de maneira mais esplendorosa do que na cruz (Jo 12.23,32). Ali vemos que Deus é tão infinito e integralmente justo que Cristo precisou morrer pelo pecado, mas também que Deus é tão absolutamente amoroso que Jesus se mostrou disposto e feliz em morrer. Isso é sabedoria consumada, o fato de que o amor e justiça de Deus, aspectos aparentemente contraditórios, tenham sido cumpridos ao mesmo tempo. Portanto, confiar na sabedoria de Deus durante o sofrimento, mesmo quando ficamos sem entender nada, é lembrar da glória e do significado da cruz.

Vemos então que um dos propósitos do sofrimento é glorificar a Deus tratando-o como o Deus infinito, soberano, totalmente sábio e, mesmo assim, encarnado e sofredor, que ele é. Isso glorifica Deus aos olhos de Deus; é o comportamento mais apropriado que podemos ter.  E se nos comportarmos da forma apropriada com relação a Deus e às nossas almas, encontraremos, como Elisabeth Elliot afirma, o descanso que não está firmado em circunstâncias. 

Fonte: 

Keller, Timothy. Caminhando com Deus em mia a dor e ao sofrimento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2016, p. 189-193.           

sábado, 22 de julho de 2017

PERCORRENDO O CAMINHO DO MILAGRE ATRAVÉS DE NAAMÃ





















Por Pr. Silas Figueira

Texto base: 2 Reis 5.1-19

INTRODUÇÃO

Quando lemos a história de Naamã, encontramos um homem respeitado e temido em toda a Síria. Contudo, mesmo com toda autoridade e prestígio como comandante do exército do rei Ben-Hadade II — sendo, por esse cargo, o segundo em poder no reino —, Naamã era um homem condenado, pois debaixo de seu uniforme escondia-se o corpo de um leproso. Como diz o versículo primeiro, havia um "porém" em sua história de sucesso.

Naamã enfrentava um inimigo pessoal mais poderoso que todos os exércitos que já havia vencido: a lepra. Por causa dessa doença, vivia isolado dentro de sua própria casa.

A hanseníase (lepra, morfeia ou mal de Hansen) é uma doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, que provoca lesões severas em nervos e pele. O nome "hanseníase" homenageia o Dr. Gerhard Hansen, descobridor do micro-organismo; o termo "lepra" está em desuso por sua carga histórica negativa.

Trata-se de doença contagiosa, transmitida por pessoa doente sem tratamento. Os primeiros sintomas costumam levar de dois a cinco anos para aparecer, manifestando-se por sinais dermatológicos e neurológicos. Pode afetar qualquer pessoa que tenha contato intenso e prolongado com o bacilo, independentemente de idade ou classe social. Sem tratamento adequado, pode causar deformidades — mas tem cura 

A escrava israelita levada para a casa de Naamã temia a Deus e se compadeceu da situação de seu senhor. Ousou testemunhar à sua senhora que havia um profeta em Samaria capaz de curá-lo. Deus usou uma escrava como profetisa e missionária em terra estrangeira, testemunhando do Deus de Israel — pois ainda hoje o Senhor usa as coisas "loucas" para confundir as sábias (1Co 1.26-29). Ele se serve de todos os que temem o Seu nome para que, em qualquer lugar, testemunhem a fé e exaltem o Seu nome.

Por onde você tem passado, tem testemunhado do Senhor? As pessoas têm ouvido de seus lábios a Palavra, ou você se cala quando poderia testemunhar? Essa menina, apesar de escrava, não deixou de ser serva e boca do Deus Altíssimo em terra estranha. Assim como Daniel e seus amigos testemunhariam mais tarde na Babilônia, encontramos aqui essa jovem testemunhando na Síria. Muitas vezes é justamente nos momentos de maior adversidade que o Senhor será exaltado por meio do nosso testemunho.

Deus a levou até ali para alcançar Naamã e sua família. O Senhor tem os Seus escolhidos e vai buscá-los onde estiverem. Mas, para alcançar Naamã, permitiu que uma doença extremamente humilhante o atingisse.

Como disse Jó: "Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado" (Jó 42.2).

Este texto não fala apenas de um homem curado de sua enfermidade; mostra os caminhos que o Senhor traçou para que Naamã alcançasse também a salvação.

1ª LIÇÃO: O SENHOR REVELOU A NAAMÃ CINCO IDEIAS ERRADAS SOBRE COMO ALCANÇAR A BÊNÇÃO

Ao ouvir de sua esposa o testemunho da criada, Naamã imediatamente crê na possibilidade do milagre. Vai então ao seu rei e relata sua doença e a esperança de cura em Israel. Mas o general cometeu cinco erros que muitos ainda cometem hoje.

1º erro: achar que influência e autoridade garantem a bênção do Senhor (2Rs 5.5). Naamã viaja para Israel com carta do rei da Síria, que servia de intermediário diante do rei de Israel para providenciar o encontro com o profeta Eliseu. 

Para Naamã, não haveria como o profeta recusar recebê-lo — afinal, vinha em nome do rei da Síria e por intermédio do próprio rei de Israel. Não havia meio-termo: quem estava ali era o General Naamã.

Mas o Senhor não olha para patentes e títulos pendurados em nossas paredes. Ele age por sua graça e misericórdia, não pelo que somos diante dos homens. Como escreveu Paulo:

"Pois ele diz a Moisés: 'Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão'. Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus... Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer, e endurece a quem ele quer" (Romanos 9.15-18).

Naamã podia ser general, portar carta do rei, ser enviado por intermédio do rei de Israel — nada disso valia diante do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Como disse Isaías:

"Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam" (Isaías 64.6 – NVI).

2º erro: achar que o dinheiro compra tudo, até as bênçãos de Deus (2Rs 5.5). O rei respondeu: "Vá. Eu lhe darei uma carta que você entregará ao rei de Israel". Naamã partiu levando trezentos e cinquenta quilos de prata, setenta e dois quilos de ouro e dez mudas de roupas finas (NVI).

Naamã pensava poder pagar pela bênção de Deus, como fazia com os deuses sírios — o dinheiro era destinado aos falsos profetas que se diziam portadores de bênçãos.

Hoje isso ainda é comum: pastores que ensinam que uma oferta de sacrifício "garante" a bênção. Basta ligar a TV para ver esse sincretismo religioso nefasto disseminado em muitas ditas igrejas.

A palavra "sincretismo" origina-se em Creta: as cidades cretenses, avessas à unidade, só se aliavam ("syn-cretenses") diante de um inimigo comum. Naquela ilha conviviam cultos e filosofias diversas.

Jesus, porém, deixou claro o que muitos parecem ter arrancado de suas Bíblias:

"À medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai" (Mateus 10.7,8 – ARA).

3º erro: achar que Deus deve agir conforme minha maneira (2Rs 5.9-11)Naamã tinha em mente os profetas dos deuses sírios e esperava que Eliseu agisse do mesmo modo.

Esse é o problema de muitos de nós: pensar que o Senhor deve agir sempre da mesma forma. Mas Deus trata cada pessoa de maneira única, considerando questões emocionais, espirituais e psicológicas que muitas vezes desconhecemos — embora nunca escapem ao conhecimento de Deus.

Ele não operará um milagre sempre do mesmo jeito. Observando os milagres bíblicos, vemos formas variadas de atuação divina. É importante testemunhar a bênção recebida, mas sem transformá-la em referência fixa para como Deus agirá com você ou com outros.

Assim como as pessoas questionaram a morte de Lázaro:

"Mas alguns objetaram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer que este não morresse?" (João 11.37 – ARA).

Não pensamos assim também, muitas vezes? Mas o Senhor age segundo o Seu querer, não conforme nossa expectativa.

4º erro: recusar-se a obedecer à ordem de Deus (2Rs 5.12). Naamã queria o milagre, mas não aceitava se sujeitar à ordem do profeta. "Assim eu não quero. Desse jeito não vou fazer."

Esse é o grande problema de muitos: querem a cura, mas não praticam a obediência às Escrituras. Querem a bênção, mas não o Senhor da bênção — pois obedecer significa submeter-se à vontade d’Ele, algo que muitos resistem a fazer.

Os anos passam, mas o homem permanece o mesmo: quer ser agraciado por Deus sem se sujeitar à Sua vontade.

5º erro: achar que a bênção está nas mudanças sociais (2Rs 5.7). "Por acaso sou Deus, capaz de conceder vida ou morte?" Em outras palavras: "Não espere que eu faça o que só Deus pode fazer!"

A cura de Naamã não dependia do rei de Israel, da política ou dos melhores médicos da época.

O mundo ocidental precisa ouvir essa exclamação. Diante do sofrimento, costumamos crer que a solução está em mudanças políticas, técnicas terapêuticas ou avanços tecnológicos. Mas a escuridão do mundo é profunda demais para ser dissipada por essas coisas. Em nossa arrogância, cometemos o erro de crer que podemos controlar e vencer a escuridão apenas pelo conhecimento [1].

O rei de Israel reconheceu não ter tal autoridade — mas muitos ainda acreditam que a solução de seus problemas está nas mãos das autoridades constituídas.

Não desmereço médicos, hospitais e avanços — reconheço sua importância. Mas nossa vida está, em última instância, nas mãos do Senhor.

Depois de ver os erros que Naamã cometia em sua busca pela bênção, é preciso reconhecer algo maior: por trás de cada tropeço humano, havia uma mão divina silenciosamente conduzindo os fatos. É o que vemos na segunda lição.

2ª LIÇÃO: O PRÓPRIO SENHOR TRAÇA O CAMINHO DO MILAGRE NA VIDA DE NAAMÃ

1º - Levando uma serva sua para dentro da casa de Naamã. Quando Naamã invadiu Israel e levou aquela menina cativa, não podia imaginar que o Deus de Israel já providenciava aquele episódio. Não foi coincidência, mas providência — o cuidado de Deus por Naamã, mesmo antes de ele O conhecer.

Vejamos a história de José, vendido e levado ao Egito:

"Cheguem mais perto... Eu sou José, seu irmão, aquele que vocês venderam ao Egito! Agora, não se aflijam nem se recriminem... pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês... Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos" (Gênesis 45.4-8; 50.19-21 – NVI).

A história de José, assim como a dessa menina, prova que o Senhor governa a história segundo Seus propósitos. Por isso, na vida do crente, não existe coincidência — apenas providência.

2º - Fazendo com que o próprio Naamã desse crédito ao testemunho. A esposa de Naamã transmite ao marido o relato da menina, e ele busca confirmação. Ao descobrir a existência do profeta, parte em busca da cura. Essa jovem poderia ter se calado, mas foi dirigida por Deus a trazer palavra de esperança àquela família.

3º - Fazendo com que Naamã se prontificasse a buscar a cura. Imediatamente ele parte para Israel ao encontro de Eliseu. Quando Deus move os corações, as pessoas não questionam — apressam-se a agir conforme Sua orientação.

Mas o Senhor não apenas abre o caminho — Ele também espera que caminhemos por ele. Não basta que Deus trace a rota; é preciso que o homem se posicione para percorrê-la. É isso que a terceira lição nos revela.

3ª LIÇÃO: O CAMINHO DO MILAGRE EXIGIU DE NAAMÃ POSICIONAMENTO

Uma coisa é Deus querer abençoar; outra é nos posicionarmos para receber a bênção. Há muitos anos, eu e minha esposa orávamos pedindo um carro, pois era difícil levar nossa filha à escola e minha esposa ao trabalho. De repente, ela me disse para pararmos de orar — o motivo era simples: nenhum de nós dois sabia dirigir! Passamos então a orar por condições de tirar a carteira de habilitação. Antes mesmo de ela chegar, já havíamos comprado um belo fusca 69 verde.

É preciso posicionamento para recebermos o que o Senhor tem para cada um de nós. Para Naamã, o Senhor exigiu quatro coisas:

1º - Naamã teve que se humilhar (2Rs 5.10-12). Acostumado a dar ordens e ser obedecido, encontra no profeta uma resposta totalmente diferente: sem cerimônia, Eliseu apenas o manda mergulhar sete vezes no Jordão. Ponto final. 

Naamã não aceitou. Quem o profeta pensava que era, para falar assim com ele?

A Bíblia é clara: "embora esteja nas alturas, o Senhor olha para os humildes, e de longe reconhece os arrogantes" (Salmos 138.6). E Tiago acrescenta: "Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes" (Tiago 4.6 – NVI).

Ele teria que se despir diante de seus servos, expor sua enfermidade a todos — algo profundamente humilhante, mas exatamente o que o Senhor precisava quebrar nele antes de curá-lo.

2º - Naamã teve que ouvir conselhos (2Rs 5.13,14). Seus próprios soldados foram usados por Deus para fazê-lo refletir sobre a ordem de Eliseu.

Como diz o ditado: quem não ouve conselhos, ouve "ah, coitado!". Há quem pense que conselho, se fosse bom, não se dava — mas quem assim pensa só quebra a cara na vida.

"Não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança" (Provérbios 11.14 – ACF).

"Ouve o conselho, e recebe a correção, para que no fim sejas sábio" (Provérbios 19.20 – ACF).

Naamã ouviu o conselho de seus servos — e por isso alcançou a cura.

3º - Naamã teve que obedecer. Ouvir é uma coisa; praticar, outra bem diferente. Há grande distância entre ouvir e obedecer. A instrução de Eliseu parecia simples, mas não era o que Naamã desejava ouvir.

Obedecer é, muitas vezes, ir contra o que não queremos fazer — lutar contra a própria vontade em prol de um bem maior. No caso de Naamã, sua cura.

Muitos perdem a bênção por se negarem a obedecer à Palavra. Ser cristão é mais do que frequentar a igreja — é praticar a Palavra. Como diz Tiago:

"Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos... Mas o homem que observa atentamente a lei perfeita que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei... será feliz naquilo que fizer" (Tiago 1.22-25 – NVI).

4º - Naamã teve que entender que o Senhor abençoa onde, quando e se Ele quiser. Precisou sujeitar-se à vontade de Deus, não aos seus próprios caprichos — caso contrário, deixaria escapar a bênção que buscava.

Naamã não é tão diferente de muitos de nós hoje — gente que pensa que Deus está à sua disposição, devendo abençoar conforme sua vontade e conveniência.

Depois de humilhar-se, ouvir e obedecer, Naamã finalmente mergulha no Jordão — mas o que ele recebe ali vai muito além da pele restaurada. É essa a quarta e mais profunda lição.

4ª LIÇÃO: O SENHOR CUROU MUITO MAIS QUE A DOENÇA FÍSICA DE NAAMà

O Senhor não curou apenas a lepra — Ele sempre vai além da cura física, tratando enfermidades que muitas vezes nem percebemos em nós mesmos. Todo milagre que não gera transformação, quebrantamento e uma nova postura diante do Senhor é questionável. A cura não é um fim em si mesma; deve conduzir a algo maior — temor, reverência, crescimento espiritual.

1º - O Senhor transformou sua postura diante de Deus (2Rs 5.15,16). Aquele que chegou cheio de si à casa do profeta, agora está diante dele, suplicando humildemente. Que diferença! O homem que antes exigia ser servido agora pede, por favor. Alguns aprendem como Naamã — outros, infelizmente, não, mesmo passando por experiências semelhantes.

2º - O Senhor o curou de sua cegueira espiritual (2Rs 5.15-17). Naamã passou a ver o que antes não conseguia enxergar: que só o Senhor é Deus, e fora d’Ele não há salvação. Abandonou os deuses que servia e passou a adorar o único Deus criador dos céus e da terra.

3º - O Senhor lhe deu a vida eterna (2Rs 5.18,19). "Vá em paz!" Muitas vezes somos levados a situações que não agradam ao Senhor — como Naamã, que ainda teria que entrar no templo de Rimom —, mas ele justificou sua atitude diante do profeta.

Naamã saiu da Síria em busca de cura e voltou transformado pelo Senhor. Saiu perdido, mas retornou pelo caminho da graça. Saiu morto, mas voltou de posse da vida eterna. Saiu em trevas, mas voltou em luz.

Ninguém que tenha um encontro real com o Senhor pode continuar andando como antes. Assim como os magos, advertidos por revelação divina, retornaram por outro caminho após visitar Jesus (Mateus 2.12), quem verdadeiramente encontra o Senhor não volta ao que era. Como escreveu Paulo:

"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Coríntios 5.17).

CONCLUSÃO

Alguém já disse que, no sofrimento, não há lugar para o ego. Naamã aprendeu isso não no sofrimento, mas na cura — pois, enquanto doente do corpo, estava também doente da alma e do espírito. Ao ver-se curado pela graça do Senhor, voltou com o coração totalmente transformado.

O Senhor operou uma cura completa, não apenas superficial — embora esta última seja, infelizmente, o que muitos pregadores oferecem hoje. Por isso, muitos saem dos cultos tão enfermos quanto entraram: talvez curados do corpo, mas sem alcançar o real sentido da vida — a vida eterna em Cristo Jesus.

Naamã alcançou o pleno milagre em todos os sentidos: a cura física, da alma e do espírito.

E você, já alcançou esse milagre?

Pense nisso!

Fonte:

[1] Keller, Timothy. Caminhando Com Deus em Meio à Dor e ao Sofrimento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2016, p. 96.

domingo, 16 de julho de 2017

JÓ E A FÉ NOSSA DE CADA DIA


Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Jó 1.1,8;2.3

INTRODUÃO

Quando lemos a história de Jó nós deparamos com algo muito maior que uma questão de alguém bom passando por uma crise; nós nos deparamos com uma guerra cósmica. Nós nos deparamos com Satanás questionando o próprio Deus. A acusação feita por Satanás de que Jó ama a Deus só porque ele tem tudo e nada lhe falta é uma forma de ferir o caráter e integridade de Deus:

“Acaso não puseste uma cerca em volta dele, da família dele e de tudo o que ele possui? Tu mesmo tens abençoado tudo o que ele faz, de modo que todos os seus rebanhos estão espalhados por toda a terra. Mas estende a tua mão e fere tudo o que ele tem, e com certeza ele te amaldiçoará na tua face” (Jó 1:10,11 NVI).

Com isso Satanás, sem nenhum escrúpulo, ataca o caráter divino. Satanás está dizendo que o Senhor não é digno de ser amado em si mesmo, que as pessoas o seguem somente porque ganham algo com isso ou estão sendo “subornadas” para agir assim.

Por isso, quando lemos o livro de Jó devemos entender que o livro não fala de sofrimento, mas de fé. É a história de um homem que foi escolhido por Deus para passar por uma experiência penosa e estarrecedora através da tribulação. Sua reação apresenta uma mensagem que se aplica não somente a pessoas em sofrimento, mas a toda pessoa que vive na terra. É a história de todos nós. É a nossa fidelidade colocada à prova, seja na tribulação ou na bonança. Pois fidelidade a Deus independe de termos algo ou não, de estarmos com saúde ou doente. Fidelidade a Deus é na verdade um casamento, onde fazemos um juramento ao nosso cônjuge no altar diante do juiz e das testemunhas. É servir a Deus pelo o que Ele é e não pelo o que Ele dá e faz. Essa é a mensagem de Jó.

Quando lemos esses dois primeiros capítulos de Jó aprendemos algumas lições preciosas para as nossas vidas.

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE A FÉ NÃO É POR CONTRATO: FAÇA O BEM E SERÁ ABENÇOADO; FAÇA O MAL E SERÁ PUNIDO (Jó 1.1-5,8,2.3).

Quem dá testemunho de Jó é o próprio Deus diante dos santos anjos e de Satanás. O Senhor fala de Jó como um homem íntegro em sua fé. O Senhor o abençoava por ele ser um homem fiel, mas a fidelidade de Jó independia de ter ou não o que possuía e de ser ou não abençoado por Deus. Jó não havia feito um contrato com Deus: se me abençoar eu te sirvo, se não me abençoar eu lhe abandono. Jó não agia assim, embora muitas pessoas ajam assim com Deus nos dias hoje. 

1º - Em primeiro, lugar Jó era um homem que temia ao Senhor (Jó 1.1). Temer ao Senhor significa respeitá-lo por seu caráter, seus atos e suas palavras. Esse temor não é medo que faz o escravo encolher-se diante de seu senhor, mas sim a reverência amorosa de um filho diante do pai, um respeito que conduz à obediência [1]. Temor é o amor posto em prática através da reverência. Jó temia a Deus por O amava.

2º - Em segundo lugar, Jó era um homem de caráter (Jó 1.1). O texto nos diz que Jó era um homem integro e reto. Isso não quer dizer que ele não tinha pecado, mas que procurava andar de forma a glorificar a Deus diante da sua família e da sociedade em que vivia. A palavra “íntegro” quer dizer completo, pleno, sem hipocrisia ou duplicidade. Como nos diz Tiago 1.7,8:

“Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos” (ARA).

Jó era um homem em quem se podia confiar. Nele não havia maldade, ele era um homem sincero.  Etimologicamente, a palavra sincero vem de sincera, que é a junção de duas outras palavras do latim, “sine cera” e foi inicialmente utilizada pelos romanos. Isso porque os artesãos ao fabricarem vasos de barro, muitos se rachavam e para esconder tais defeitos, era usando para tal uma cera especial. “Sine cera” queria dizer “sem cera”, que era a qualidade esperada de um vaso perfeito, muito fino, que deixava ver através de suas paredes aquilo que guardava dentro de si. O vocábulo sincero evoluiu e passou a ter um significado muito elevado. Sincero, é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações. Aquele que é sincero, como acontecia com o vaso, deixa ver através de suas palavras aquilo que está guardado em seu coração, sem nada temer nem ocultar. Jó era assim.

3º - Em terceiro lugar, Jó era rico, mas seu coração não estava na riqueza (Jó 1.3,21). Jesus já nos alertou que nós não podemos servir a dois senhores: “A Deus e as riquezas” ou “mamom” (Mt 6.24). A riqueza tem sido buscada muito hoje em muitas igrejas. As pessoas vão ao culto buscar uma bênção e não adorar a Deus. O lugar onde mamom tem sido mais adorado tem sido nas igrejas onde se prega o Evangelho da Prosperidade. Lá não existe mensagem de salvação, mas mensagem de enriquecimento, cura e libertação. As pessoas não saem com seus nomes escritos no Livro da Vida, mas com a certeza de que serão ricas e bem sucedidas nesta vida. Para estes pregadores a vida no provir não existe. Para eles o céu é aqui e agora.

Jó temia a Deus independentemente de ser rico ou não.

4º - Em quarto lugar, Jó ensinava o temor ao Senhor aos seus filhos (Jó 1.5,6). Jó era exemplo fora e dentro de casa. Ele não era crente somente diante dos homens, mas também diante da sua família. Jó não era como Naamã que era herói na sociedade, mas dentro de casa todos sabiam que ele era leproso. A integridade de Jó era vista por seus familiares. Jó levantava altares dentro de seu lar. Ele intercedia pelos seus filhos e os fazia se voltar para Deus em todo tempo. Ele orava pelos filhos e com os filhos.

A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE NINGUÉM ESTÁ LIVRE DAS ADVERSIDADES E CALAMIDADES DA VIDA (Jó 1.13-21; 2.4-7).

Jó, da noite para o dia perdeu todos os seus bens, todos os seus filhos e, algum tempo depois, a sua saúde. Jó ficou falido, desprovido da companhia dos filhos e por fim, ficou extremamente doente. E para piorar sua esposa desejou a sua morte e seus amigos o acusavam de pecado.

Quando as calamidades e adversidades vêm sobre uma pessoa boa sempre surge àquela velha pergunta: “Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?”

1º - Em primeiro lugar, é bom deixar claro que a única pessoa boa que esteve nessa terra foi o Senhor Jesus e, mesmo assim, sofreu mais que todos nós juntos. Ele morreu pelos nossos pecados, levou sobre si as nossas culpas, se tornou maldito em nosso lugar para que hoje nós fôssemos benditos do Senhor. Como nos diz Isaías:

“Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de tristeza e familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima” (Isaías 53.3 – NVI).

2º - Em segundo lugar, coisas ruins acontecem com todas as pessoas, independente de serem boas ou não. O mundo é um lugar extremamente perigoso, basta lermos o Salmo 91 que veremos isso. Devido ao pecado, o homem mostrou a sua carranca maldosa e tem gerado o mal uns aos outros. Somos maus por natureza. Uns de forma mais intensa, outros menos, mas ninguém é bom, ninguém merece o Céu. Como disse o apóstolo Paulo: “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus” (Romanos 3.10,11).

O mundo é um lugar perigosíssimo para se viver. Veja os noticiários de quantos assaltos, balas perdidas, sequestros, mortes e torturas. Isso sem contar com os nossos governantes que nos roubam e os juízes que julgam por causas próprias.

3º - E em terceiro lugar, nós temos um terrível adversário que é o diabo. Este tem como único objetivo trazer destruição ao ser humano. Ele só sabe fazer três coisas: “matar, roubar e destruir”; não há nele bondade alguma. Ele é um ser totalmente destituído de luz. Totalmente destituído de graça, mas se mostra como portador de luz e graça. Quem lhe dá ouvidos acaba com a vida destruída e está caminhando a passos largos para o inferno.

Ele é mentiroso desde o princípio, seduziu um terço dos anjos e enganou nossos primeiros pais e continua fazendo isso até hoje. Tentou o próprio Senhor Jesus no deserto, mas louvado seja o Senhor que o venceu, tanto no deserto quanto na cruz.

Observe o texto que quem tocou em Jó foi Satanás e não o Senhor. Foi o diabo que colocou em dúvida a integridade de Jó e não o Senhor. 

A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE SATANÁS SÓ PODE NOS TOCAR COM A PERMISSÃO DIVINA (Jó 1.12; 2.6).

Nas palavras de Martinho Lutero, “Satanás é um cachorro na coleira de Deus”.

Por mais estranho que pareça, Deus permite que o diabo nos toque. Muitas vezes nós não sabemos por que o Senhor permite isso, mas para tudo a um propósito divino nisso. No caso de Jó era para mostrar para o próprio diabo que é possível sim servir a Deus em meio às adversidades e calamidades da vida. Mas a pergunta insiste: “Por que Deus permite que Satanás nos toque?” Nós não temos todas as respostas, mas podemos enumerar algumas.

1º - Deus permite que Satanás nos toque para o nosso crescimento espiritual. As adversidades provocadas por Satanás em nossas vidas servem como um purificador da nossa fé. Assim como o ouro precisa passar pelo fogo para tirar as impurezas do mesmo modo, o Senhor deixa o diabo nos tocar para purificar a nossa fé. Para termos uma fé sadia, bem firmada e não uma fé trôpega.

Uma fé sadia é uma fé firmada em valores esternos e não em coisas passageiras. O apóstolo Paulo escrevendo aos Filipenses 4.10-13 diz assim:

“Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade. Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece”

A fé nos leva crescer e deixar a meninices espirituais. A fé madura nos faz aprender e por em prática o aprendizado. É essa fé que o Senhor quer de cada um de nós. 

2º - Deus permite que Satanás nos toque para não nos esquecermos que estamos em guerra. O Reverendo Hernandes Dias Lopes diz que a vida não é colônia de férias. Paulo escrevendo aos Efésios 6.10-18 nos diz que devemos estar revestidos de toda armadura de Deus para podermos ficar atentos contra as ciladas do diabo. Porque a qualquer momento pode vir o dia mal.

O diabo arma ciladas. Esta palavra no grego é metodeia de onde vem a palavra método. Para cada pessoa, ele usa uma estratégia diferente. Ele ousa mudar os métodos.

Por isso que o Senhor nos leva para o campo de batalha espiritual para nos treinar para vencermos o diabo e seus ardis. Para aprendermos a usar o escudo da fé, e entendermos que a vida espiritual está acima da nossa compreensão. Se há uma guerra aqui na terra, saiba que também há uma peleja também no céu.

Em segunda Coríntios 2.11 Paulo nos diz: “para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios”.

Há dois erros que muitos cristãos cometem quando se trata de batalha espiritual. Um é superestimar Satanás, o outro é subestimar Satanás. Com o diabo não se brinca, mas não devemos temê-lo, pois ele já foi vencido na cruz do calvário por nosso Senhor Jesus Cristo. Veja o que Tiago 4.7 nos fala: 

“Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”.

A nossa vitória está na nossa sujeição a Deus e não na nossa própria força.

3º - Deus permite que Satanás nos toque para firmar a nossa fé. Satanás insinuou que Jó só servia a Deus porque tinha tudo de bom e de melhor, que se tudo lhe fosse tirado ele blasfemaria diante de sua face (Jó 1.11). Essa mesma insinuação continua hoje. Para o diabo Jó amava mais o dinheiro que a Deus, mais a sua família que a Deus, mais a sua saúde que a Deus, mais a sua reputação que a Deus. E nós? Quem nós amamos mais? Não que Deus não saiba, mas nós precisamos saber quem nós amamos mais.

Em que e em quem a nossa fé está firmada? Jesus nos deixou um sério alerta em Mateus 10.34-38:

“Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim” (ARA).

A nossa fé está no Senhor e só a Ele devemos amar mais que todas as coisas.

4º - Deus permite que satanás nos toque porque Ele quer nos mostrar quem são os nossos verdadeiros amigos na hora da prova. Amigo não é aquele que concorda com a gente em tudo, mas é aquele que ousa discordar de nós também. Amigo é aquele que, por amor, nos aconselha, nos mostra onde estamos errando e está do nosso lado nos tempos bons e nos tempos maus.

Amigos de Jó há muitos por aí. Gente que está ao nosso lado nos dias bons, mas nos dias maus são verdadeiros acusadores de pecados que não cometemos. É na adversidade que conhecemos os nossos verdadeiros amigos.

5º - Deus permite que Satanás nos toque porque Ele quer que o conheçamos não na teoria, mas na prática (Jó 42.5,6). Há muitas pessoas que foram criadas desde a infância na igreja, mas nunca tiveram uma experiência real com o Senhor. A vida cristã é mais que guardar a Lei do Senhor, é uma vida de intimidade com Deus.

Em nossas igrejas hoje há muitas pessoas piedosas, mas que não conhece a Deus como Ele é. E é através de uma experiência muitas vezes amarga que descobrimos quem é o Senhor. Como disse Timothy Keller:

“Na teoria, eu sempre soube que Jesus é tudo que alguém precisa para seguir adiante. Mas ninguém sabe de verdade que Jesus é tudo do que a pessoa precisa até que Jesus seja a única coisa que lhe resta”.

6º - Deus permite que Satanás nos toque por causa do pecado. Como dizem os neopentecostais: tem gente que dá legalidade ao diabo. Há muitas pessoas brincando com o pecado e depois sofrem as suas consequências. O Senhor permite que o diabo venha e toque porque tal pessoa está em desobediência.

Não brinque com o pecado. Não brinque com as coisas de Deus. Não brinque com o sagrado. Não profane o templo do Espírito Santo que é você.

QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE PODEMOS PASSAR POR VÁRIAS PROVAÇÕES, MAS SEM PECAR (Jó 1.22; 2.10c).

O pecado é uma opção. Diante das provas da vida nós temos dois caminhos: o da fidelidade ou o da infidelidade a Deus. Em Apocalipse 16.8-11 nos diz que diante do sofrimento que está por vir os homens blasfemarão o nome do Senhor:

“O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado queimar os homens com fogo. Com efeito, os homens se queimaram com o intenso calor, e blasfemaram o nome de Deus, que tem autoridade sobre estes flagelos, e nem se arrependeram para lhe darem glória. Derramou o quinto a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino se tornou em trevas, e os homens remordiam a língua por causa da dor que sentiam e blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que sofriam; e não se arrependeram de suas obras”.

Jó andou totalmente na contramão de tudo isso. Diante da dor e da calamidade ele não pecou, mas se arrependeu no pó e na cinza (Jó 42.6).

Timothy Keller diz que às vezes, o objetivo do sofrimento é disciplinar e corrigir padrões errados (como no caso de Jonas, castigado pela tempestade); às vezes, seu objetivo é não é corrigir erros passados, mas prevenir erros futuros (como no caso de José vendido como escravo); outras vezes, o único propósito é nos levar a amar Deus com mais fervor simplesmente por quem Ele é, e, assim, encontrarmos paz e liberdade absolutas [2].

Quando se tem essa maturidade espiritual nós não caímos na tentação do pecado. Podemos não entender o que está acontecendo, mas não nos deixamos levar pela situação. Por isso eu quero deixar três conselhos quando você estiver diante de uma situação como a de Jó ou semelhante a esta.

1º - Cale a boca. É isso mesmo, cale a sua boca. Pensar você até pode, mas não abra a sua boca para falar contra Deus. Isso é muito comum, mas não faça tal coisa. você pode minar a fé de alguém com essa atitude (Sl 73.13,14).

Uma vez eu fui a um velório de um senhor. A filha do falecido alisava o rosto do pai morto e dizia assim: “Que pecado Deus cometeu contigo!”. “Ele não podia ter feito isso”. Ao ver isso eu lhe disse que Deus não peca e que se Ele o levou é porque Ele tem toda autoridade sobre tudo. Ela podia até chorar pela perda do pai, mas não tinha o direito de pecar contra o Senhor.

2º - Busque ao Senhor em oração (Sl 73.16,17). Meu irmão, na hora da adversidade vá orar. Vá buscar a face do Senhor, pode ser que Ele lhe revele o porquê de tudo isso. Mas independentemente dele lhe revelar ou não, através da oração o Senhor acalma o nosso coração e ameniza a dor.

3º - Repreenda a voz do diabo em seu ouvido. O diabo é como o vírus do herpes que ataca quando a imunidade do corpo está baixa, da mesma forma o diabo é oportunista diante da nossa baixa imunidade espiritual. Por isso repreenda a sua voz tentando nos desestabilizar diante da crise.

A voz do diabo na vida de Jó foi a sua mulher e os seus amigos, mas ele não se deixou levar por eles em momento algum. Por isso vigie e lute contra isso.

CONCLUSÃO

O que Jó passou só nos mostra que a vida é muito dura e estamos sujeitos a tudo nesta vida. Quando lemos o livro de Jó devemos entender que o livro não fala de sofrimento, mas de fé. É a história de um homem que foi escolhido por Deus para passar por uma experiência penosa e estarrecedora através da tribulação. Sua reação apresenta uma mensagem que se aplica não somente a pessoas em sofrimento, mas a toda pessoa que vive na terra. É a história de todos nós. É a nossa fidelidade colocada à prova, seja na tribulação ou na bonança. Pois fidelidade a Deus independe de termos algo ou não, de estarmos com saúde ou doente. Fidelidade a Deus é na verdade um casamento, onde fazemos um juramento ao nosso cônjuge no altar diante do juiz e das testemunhas. É servir a Deus pelo o que Ele é e não pelo o que Ele dá e faz. Essa é a mensagem de Jó.

Pense nisso!

Fonte:

1 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo – Volume III, Poéticos. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 8.
2 – Keller, Timothy. Caminhando Com Deus em Meio à Dor e ao Sofrimento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2016: p.62.

domingo, 9 de julho de 2017

O PERIGO DE NOS ESQUECERMOS DE QUEM NOS DEU TUDO O QUE TEMOS



Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: Deuteronômio 6.1-25

INTRODUÇÃO

Quando o povo de Israel estava prestes a entrar na terra prometida, Moisés, o grande líder do povo, chamou o povo para lhes dar os últimos conselhos e lembrar-lhes tudo que já havia lhes falado. Neste episódio, Moisés faz um grande alerta que serve para todos nós ainda hoje: “o perigo de nos esquecermos de quem nos deu o temos”.

A cena pode ser antiga, mas a mensagem é muito moderna. As pessoas que estavam diante de Moisés era a nova geração de hebreus, pois os de vinte anos para cima havia morrido no deserto durante os quarenta anos de peregrinação. Os únicos sobreviventes foram Josué e Calebe. Naquela nova geração os mais velhos tinham em média sessenta anos. Essa era uma geração muito jovem e poucos eram os que se lembravam dos grandes feitos que o Senhor havia feito no Egito para libertar o Seu povo. Por isso que Moisés chama a si a todos para lhes alertar do perigo que corriam, pois eles estavam prestes a tomar posse da terra que o Senhor havia prometido dar quando fez esse juramento a Abraão (Dt 6.10).

Aquela nova geração iria tomar posse de cidades que não edificaram, de vinhas que não plantaram, de poços que não haviam aberto. Em outras palavras, eles receberiam tudo pela qual não lutaram. Que grande perigo essa nova geração corria de se tornarem mimados. Pois o povo receberia muito em breve tudo isso a troco de nada (embora eles fossem lutar para conquistar a terra), mas estava tudo pronto eles não teriam que construir nada, plantar nada... Tudo estava pronto.

Essa era a grande armadilha que eles corriam: o perigo esquecer-se do Senhor Seu Deus.

Assim como o Senhor alertou o Seu povo através de Moisés, o Senhor também nos alerta hoje. Não pense nem por um instante sequer que o Senhor não se interessa pela conduta dos seus escolhidos. Corremos os mesmos perigos dessa nova geração que estava diante de Moisés. Corremos o perigo de nos esquecermos do Senhor por causa da prosperidade. Corremos o perigo de pensamos que por termos tudo somos melhores que os outros. Cuidado com esse pensamento.

Analisando esse texto, nós podemos tirar algumas lições preciosas para nós hoje.

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE TER TUDO DE FORMA FÁCIL PODE NOS FAZER ESQUECER QUEM NOS DEU TUDO (Dt 6.10-12).

Moisés alerta essa nova geração do perigo de se esquecerem do abençoador diante da facilidade da bênção adquirida. Observe o verso 12: “guarda-te, para que não esqueças o SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão”. Diante desse texto podemos tirar duas lições preciosas:

1º - A gratidão é um dom esquecidos por muitos. Vigie para que vocês não venham se esquecer de quem lhe tirou da terra do Egito e lhes deu essa boa terra. Não se esqueçam do Senhor, foi Ele quem lhes deu tudo isso, disse Moisés.

Quem é grato não esquece, mas o ingrato nunca se lembra. O ingrato é o tipo de pessoa que é extremamente egoísta, só olha para o seu próprio umbigo e quando levanta os olhos é para pedir alguma coisa. Mas ele mesmo não sabe dizer muito obrigado pelo bem recebido.

Veja por exemplo a cura dos dez leprosos em Lucas 17.11-19, de dez curados somente um voltou para agradecer. E isso não mudou de lá para cá, continua a mesma coisa.

a) Observe que existem mais pessoas que recebem benefícios da parte de Deus que quem chega diante dele para agradecer.

b) O número de pessoas que oram é maior que o número de pessoas agradece.

c) Existem mais pessoas que creem e recebe a bênção do que as que voltam para dizer muito obrigado.

Israel corria o risco de se tornar uma nação ingrata. Uma nação que não se lembraria de quem os havia libertado da terra da servidão e os levado para a terra que havia jurado que daria aos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. E, infelizmente, Israel se esqueceu do Senhor e passou a seguir outros deuses.

Ingratidão, quem a pratica não tem sentimento, quem a recebe se entristece amargamente.

2º - Devemos vigiar para não nos tornamos pessoas ingratas também. A ordem de Moisés foi muito clara: “guarda-te”, vigie o seu coração para não cair nessa terrível armadilha.

Para muitas pessoas, Deus é alguém que só serve para períodos tensos e de ameaças de morte. Geralmente pessoas que pensam assim não dão lugar e, muitos menos, têm tempo para Deus em suas vidas. Só o buscam quando se encontram em grande perigo, mas depois do livramento, dEle não se lembram mais.

Por isso devemos tomar muito cuidado para não cairmos no mesmo erro, tanto dos israelitas como a dos nove leprosos.

A nossa vitória está no Senhor e dEle seremos sempre dependentes. Como nos fala o Salmo 33.17-22:

“Não há rei que se salve com o poder dos seus exércitos; nem por sua muita força se livra o valente. O cavalo não garante vitória; a despeito de sua grande força, a ninguém pode livrar. Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia, para livrar-lhes a alma da morte, e, no tempo da fome, conservar-lhes a vida. Nossa alma espera no SENHOR, nosso auxílio e escudo. Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome. Seja sobre nós, SENHOR, a tua misericórdia, como de ti esperamos”.

Você pode até receber ingratidão, mas em nome do Senhor, não seja ingrato. Lembre-se do Senhor.

A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE OBTER ALGUMA COISA A TROCO DE NADA PODE NOS LEVAR À IRRESPONSABILIDADE (Dt 6.10-12).

Essa irresponsabilidade se transforma na síndrome da criança mimada. A criança tem brinquedos demais, luxo demais, tudo adquirido com grande facilidade e isso induz a irresponsabilidade. Pois afinal de contas ela não lutou por alcançar nada naquilo.

Eu sou de uma geração que tudo que adquiri foi com muito esforço. Se eu queria algo eu deveria lutar por alcançar, eu deveria trabalhar para conquistar o que desejava. Hoje, infelizmente, nós temos visto muitos jovens tendo tudo, mas sem o mínimo de esforço para alcançar. Por isso que não valorizam nada, não se importam com nada e acham que são merecedores de tudo. Temos visto uma geração de jovens que receberam tudo “de mãos beijada”, por isso não sabem o quanto foi difícil para os seus pais conquistarem o que conquistaram.

1º - Quem recebe as coisas de forma muito fácil, muitas vezes, não dão o devido valor do que recebeu. Israel iria entrar na terra que manava leite e mel. Iria tomar posse da boa terra que lhes daria tudo, inclusive cidades edificadas, vinhas plantadas, poços cavados. Eles não teriam nenhum trabalho para edificar, plantar e nem cavar poços. Estava tudo ali a disposição deles.

Devido a isso, eles corriam o risco de se tornar um povo mimado, que não daria o devido valor a tudo aquilo que estava diante deles. Corria o risco de não glorificar ao Senhor por todo bem adquirido, reconhecendo que fora a boa mão do Senhor que estava sobre eles. Que tudo aquilo era o cumprimento de uma promessa que o Senhor havia feito a Abraão, Isaque e a Jacó. Que tudo aquilo era como se fosse o pagamento pelos anos de escravidão que haviam passado no Egito. Literalmente era a graça de Deus sendo derramada sobre a vida dos seus servos. 

E isso é o que mais temos visto hoje. Pais que se esforçam para dar aos filhos as melhores escolas, as melhores roupas, os melhores celulares... E quantos filhos recebem isso com desdém, e o pior, acha que isso é obrigação dos pais.

O que temos visto hoje em dia são jovens fúteis, mimados, ainda cheirando a leite e todinho; um bando de jovens que não valorizam seus pais e o esforço deles em tentar lhes proporcionar o melhor. E o pior, agem assim dentro da igreja e pensam que Deus é um pai bonachão que deve lhes dar tudo também, afinal eles são “príncipes e princesas do Senhor”. 
    
2º - Quem recebe as coisas de forma muito fácil, muitas vezes, não cuida do que recebeu. Os hebreus iriam receber tudo do bom e do melhor. Preste atenção no que o Senhor daria para os seus servos:

“Havendo-te, pois, o SENHOR, teu Deus, introduzido na terra que, sob juramento, prometeu a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, te daria, grandes e boas cidades, que tu não edificaste; e casas cheias de tudo o que é bom, casas que não encheste; e poços abertos, que não abriste; vinhais e olivais, que não plantaste” (Dt 6.10,11).

O mínimo que eles deveriam fazer era cuidar de tudo aquilo com muito zelo, sabendo que o Senhor lhes havia dado. Em cada casa que entrassem, cada uva que colhessem, cada copo d’água que tomassem deveriam se lembrar de que a boa mão do Senhor os havia dado tudo aquilo, então eles deveriam ser zelosos por tudo aquilo.

Cuidar significa se importar. Significa que é grato pelo bem recebido. Entende o significado do carinho recebido.

O Filho Pródigo é um bom exemplo que você pode receber tudo de forma muito fácil e não cuidar do que recebeu. Ele simplesmente esbanjou tudo o que o pai havia lhe entregue. Ficou na total miséria.

Tudo que vem fácil vai embora da mesma forma! 
   
A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE A ATITUDE DESCUIDADA CONDUZ À PERDA DOS PADRÕES DE FIDELIDADE (Dt 6.13-19).

A ordem de Moisés ao povo era para que eles jamais se esquecessem de quem lhes havia dado tudo aquilo. Aquela era a segunda geração de israelitas dos que saíram do Egito. Eles deveriam se lembrar do Senhor o do bem adquirido através dEle.

O texto é claro em avisar para que eles, ao entrarem na terra, não se envolvessem com os deuses dos cananeus (v. 14), e lhes avisou das consequências se isso viesse ocorrer (v. 15). O Senhor estava alertando essa nova geração de israelitas para não se perderem diante da prosperidade adquirida. Diante dos deuses dos pagãos e diante do povo da terra. Mas, infelizmente, foi isso que ocorreu, a terceira geração se desviou completamente do Senhor. Veja o que nos fala o Livro de Juízes 2.6-15:

“Havendo Josué despedido o povo, foram-se os filhos de Israel, cada um à sua herança, para possuírem a terra. Serviu o povo ao SENHOR todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que viram todas as grandes obras feitas pelo SENHOR a Israel. Faleceu Josué, filho de Num, servo do SENHOR, com a idade de cento e dez anos; sepultaram-no no limite da sua herança, em Timnate-Heres, na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás. Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o SENHOR, nem tampouco as obras que fizera a Israel. Então, fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o SENHOR; pois serviram aos baalins. Deixaram o SENHOR, Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses das gentes que havia ao redor deles, e os adoraram, e provocaram o SENHOR à ira. Porquanto deixaram o SENHOR e serviram a Baal e a Astarote. Pelo que a ira do SENHOR se acendeu contra Israel e os deu na mão dos espoliadores, que os pilharam; e os entregou na mão dos seus inimigos ao redor; e não mais puderam resistir a eles. Por onde quer que saíam, a mão do SENHOR era contra eles para seu mal, como o SENHOR lhes dissera e jurara; e estavam em grande aperto”.

Esse é o grande problema que enfrentamos hoje. A nova geração de crentes não tem a mesma fidelidade, o mesmo zelo e a mesma identificação com Cristo como a geração passada. O que mais vemos por aí são jovens e adultos descompromissados com a verdade do Evangelho. E a culpa é da nova geração de líderes que está surgindo hoje. Grande parte da liderança cristã passou a acreditar e a ensinar que a relação entre Deus e o homem é algo pautado na busca de sensações, emoções, bênçãos individuais, diversão, relacionamentos e prazeres temporais. O importante hoje é a promoção de um ambiente ‘cool’ para chamar a atenção do jovem e segurá-lo na igreja custe o que custar.

Para tanto, negocia-se a mensagem, a forma de culto, o conteúdo das músicas, a centralidade de Cristo, e tudo mais que possa compor a experiência da pessoa que estará presente na igreja. O problema é que quando subestimamos a eficiência da pregação da mensagem do evangelho e passamos a buscar complementos que, supostamente, venham suprir as expectativas daqueles que frequentarão nossos cultos, estamos assumindo, ainda que inconscientemente, a insuficiência da cruz de Cristo para redenção de todas as necessidades da vida humana.

1º - Fidelidade a Deus é mais que frequentar uma igreja (Dt 6.13-15,17). Tem gente que é fiel a igreja que frequenta, mas não é fiel a Deus. Devemos ter compromisso com as nossas igrejas e também com a liderança das mesmas, mas antes devemos ter compromisso com Deus. Os homens falham, se desviam da verdade, traçam caminhos que levam para longe da verdade. Por isso, quando temos compromisso, em primeiro lugar, com o Senhor e com a Sua Palavra, nós não nos deixamos levar pelo engodo dos homens. O privilégio sempre vem acompanhado de responsabilidade, e a responsabilidade de Israel era temer ao Senhor e obedecê-lo. 

2º - Fidelidade a Deus envolve confiança plena no Senhor (Dt 6.16). Massá e Meriba significam “teste e condenação”. Encontramos esse episódio em Êx 17.1-7 onde os israelitas estavam com sede e questionaram com Moisés se o Senhor estava no meio deles ou não. A adversidade revela a nossa fé. É muito fácil ser crente fiel em tempo de bonança, mas devemos ser fiéis em todo tempo. Jó é um exemplo disso. Mesmo diante de tudo que passou ele não pecou (Jó 1.22).

Essa nova geração de crentes tem colocado o Senhor à prova constantemente. Observe como os líderes midiáticos têm ensinado os seus seguidores a orarem. Geralmente é “determinar”, “ordenar”, “tomar posse”, “reivindicar”, é por aí vai.

Entenda uma coisa meu irmão, o Senhor prova a nossa fé não somente nas grandes crises da vida, mas ainda mais nos pequenos acontecimentos inesperados, que pode ir de um atraso e a perda da condução a uma enfermidade súbita que pela qual podemos ser acometidos. A maneira como reagimos a essas situações indicará o que há em nossos corações.

3º - A fidelidade a Deus tem as suas consequências (Dt 6.18,19). O que o homem planta isso ele colhe (Gl 6.7,8). E isso é uma lei espiritual. O Senhor tem compromisso com a Sua Palavra e com o que Ele nos prometeu, o problema é que muitos líderes estão falando e prometendo o que o Senhor não disse e acham que o Senhor tem obrigação de fazer o que eles querem.

QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE PARA SALVARMOS A PRÓXIMA GERAÇÃO DEVEMOS TESTEMUNHAR PARA ELES DOS FEITOS DO SENHOR EM NOSSAS VIDAS (Dt 6.20-25).

Testemunhar é mais do que falar, é viver. As palavras nem sempre permanecem, mas o exemplo sim. A próxima geração precisa ver em nós um exemplo de fidelidade a Deus e não apenas palavras. Isso quer dizer que mais que ir à igreja, devemos ser a igreja.

Observe que o futuro reserva a continuidade da fé e não devemos deixar que esta fé esfrie e se desvie do Senhor. Essa é uma responsabilidade nossa. Mas para isso é necessário três coisas:

1º - Devemos manter a fé viva dentro de nós (Dt 6.20-23). “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que veem” (Hb 11.1 – ACF). Como podemos falar de algo que não cremos ou que duvidamos? A fé deve ser viva, firme e inabalável. Como nos fala o Salmo 125.1:

“Os que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre”.

2º - Devemos perseverar na doutrina do Senhor (Dt 6.24). A fé que devemos transmitir deve estar embasa na doutrina e não em achismos comuns hoje em dia em nosso meio. A Bíblia nos fala que a Igreja Primitiva permanecia firme na doutrina dos apóstolos (At 2.42). Permanecer na doutrina implica em cuidado em observar o que foi ensinado. Por isso devemos ser como os crentes de Bereia que observavam as Escrituras para ver se o que Paulo ensinava tinha procedência (At 17.11).
  
3º - Devemos crer no cuidado do Senhor por nós (Dt 6.25). O Senhor Jesus antes de ser recebido aos céus deixou estas palavras:

“Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”. (Mt 28.20 – ACF).

Deus tem cuidado de nós todos os dias. Ele não nos desampara e cuida de cada um de nós, ainda que não percebamos muitas vezes o seu cuidado. Mas para que isso ocorra é necessário permanecer fiel a Ele. O Senhor não tem responsabilidades com quem não tem responsabilidade com Ele. Há muitos crentes nominais, mas são poucos os que levam o Senhor a sério. Entenda uma coisa meu irmão, de Deus não se zomba.

Essa mensagem de renovo deveria ser transmitida a nova geração para que ela não se perdesse se esquecendo do Senhor. E para que esta nova geração seja salva devemos contar do cuidado de Deus para com cada um de nós. Como nos fala a segunda estrofe do hino 7 do Cantor Cristão:

Já nossos pais nos contaram a glória
De Deus, falando com muito prazer,
Que nas tristezas, nos grandes perigos,
Ele os salvou por seu grande poder.

CONCLUSÃO

Um dos maiores perigos que corremos é nos apegarmos às bênçãos do Senhor e não ao Senhor da bênção. Israel corria esse risco, pois estavam para entrar na terra que tinha tudo a lhes oferecer. Eles corriam o perigo de se tornarem ingratos, infiéis, e o pior se envolverem com outros deuses. Mas infelizmente tudo isso veio a acontecer e as consequências foram terríveis, mas não foi por falta de aviso do Senhor.

Da mesma forma hoje, nós corremos esse mesmo perigo. Como disse o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 10.11,12:

“Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado. Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (ARA).

Essas palavras de Moisés é uma advertência para nós hoje, por isso, não despreze as palavras do Senhor para você hoje. Vigie para não ser uma pessoa próspera, mas sem a graça do Senhor sobre a sua vida. E não ser uma pessoa ingrata com Aquele que tudo tem nos dado, principalmente a vida eterna.

Pense nisso!