sábado, 20 de fevereiro de 2010

Diná, as jovens crentes e a curiosidade pelas coisas do mundo


Depois de morar por um tempo em Sicote, no vale do rio Jordão, Jacó se mudou com sua família para Siquém. Foi naquela cidade que Abraão, seu avô, havia feito o primeiro acampamento ao entrar em Canaã; portanto, a cidade tinha um significado especial para ele. Também era uma resposta à sua oração, em Betel, de voltar em segurança à sua terra natal.

Jacó comprou algumas terras dos filhos de Hamor. Ali montou suas tendas e construiu um altar para o sacrifício da manhã e da tarde. Também cavou um poço para ter água (ver João 4.14). A família vivia praticamente isolada, para não se misturar com os idólatras cananeus. Aquela era uma recomendação divina que não devia ser desprezada.

Em Gênesis 34, vemos a história de Diná, a filha caçula de Léia e Jacó, que devia estar com uns quinze anos de idade nesse tempo. Como é próprio dos adolescentes, sua curiosidade foi despertada para o que havia sido proibido. Tinha tanta vontade de conhecer os hábitos e costumes dos vizinhos que um dia saiu sozinha e sem autorização para ver como eram as festas deles. Talvez tivesse sido convidada por uma amiga.

Aconteceu que um dos homens da cidade se engraçou com ela. Se isso não bastasse, forçou-a a ter relações sexuais com ele. Aquela era uma situação comum em Canaã, para se ter uma ideia de quão baixos eram os tais "costumes". O homem notou, porém, que aquela mocinha era diferente das outras e acabou se apaixonando por ela. Não podia deixá-la ir embora. Teria que tomar providências para tê-la como esposa.

Enquanto isso, todos começaram a sentir falta de Dina em casa. O que teria acontecido? A notícia correu rapidamente e chegou aos ouvidos de Jacó. Ele ficou angustiado. Como resolveria a situação? Se recusasse o pedido de casamento, seria malvisto pelos siquemitas; se concordasse, estaria desobedecendo a uma ordem clara de Deus. Era necessário encontrar uma solução; afinal, a moça estava detida na casa do filho de Hamor, um dos homens mais importantes da cidade.

Quando estive meditando na passagem bíblica que conta essa história, eu lembrei como muitas adolescentes cristãs têm se parecido com Diná.

Posso relacionar dois pontos cruciais que identificam a filha de Jacó com muitas jovens crentes de hoje:

(v. 1) - "Saiu Diná a ver as filhas da terra"

Segundo Flavio Josefo, havia um grande festival em Siquém, e Diná foi lá para ver de que maneira as mulheres daquele país se vestiam. Diná teve interesse por aquilo que não podia. Ir a Siquém foi fundamental para que Diná atraísse o interesse de Hamor, príncipe de Siquém. Da mesma forma, muitas adolescentes têm tido amizade (Tg 4.4) e até amor (1 Jo 2.15) pelos atrativos mundanos.

Conheço algumas adolescentes que passaram a ter grandes afinidades com amigos não cristãos. Muitas tinham um caráter cristão dentro da igreja e um mundano nos colégios. Depois se saírem para festas e diverimentos seculares, algumas chegaram a engravidar dos garotos. Outras, saíram da igreja e não voltaram mais. Com isso, não quero dizer que não se pode ter relações sociais com as pessoas não crentes, mas o problema está quando se age como Diná, "sair para ver as filhas da terra". Jovens, mantenham-se firmes na casa do Senhor (Hb 10.25)!

(v. 2) As atitudes do príncipe Hamor

Hamor era um príncipe heveu na terra de Siquém. Seu status lhe dava a ousadia de ter quantas mulheres ele quisesse. Se, porventura, ele não tivesse esse cargo tão alto, provavelmente não atrairia a mesma atenção feminina. Para conquistar Diná, o processo começou na curiosidade até chegar à violação e ao aliciamento. Os estágios foram:

- Viu-a (atração): Ele viu Diná em suas terras e ficou atraído por ela.

- Tomou (ação): Assim como aconteceu com Sansão (Jz 14.1) e Davi (2 Sm 11.2), Hamor também tomou a iniciativa contrária aos princípios divinos.

- Deitou-se com ela (possessão): Diná, então, passou a ser escrava dele.

- Humilhou-a ou estuprou-a (obsessão e compulsão): Por fim, passou a dominá-la e mantê-la como prisioneira.

Dessa mesma forma, os jovens descrentes nunca começam a "orar para saber se a irmã é da vontade de Deus". A primeira ação é perguntar aos amigos se conhecem aquela adolescente crente. Depois, não esperam muito tempo e já partem pra cima. Como as moças se sentem atraídas (já que - assim como Hamor - dificilmente os jovens não crentes não são atraentes e bonitos, na visão delas), eles - sem princípios de pureza e moralidade - partem logo para as relações sexuais. Daí pra frente, surge a gravidez, o fim da vida juvenil, o afastamento de Deus....

A história de Diná e Hamor se segue ao longo do capítulo 34 de Gênesis. No fim das contas, os irmãos de Diná se vingam contra Hamor pelo abuso contra ela e matam-no.

Tudo isso começou pelo simples fato de Diná sair da sua terra para conhecer outra que não podia. A recomendação de Deus para os adolescentes é que meditem sobre a história da filha de Jacó e analisem seu comportamento. Tenho visto muitas adolescentes reclamarem que "na igreja, não tem nenhum menino interessante" (e vice-versa). Mas o propósito divino é que cada jovem mantenha-se firme, bebendo da própria fonte (Pv 5.15-17; Jr 2.13).

Muitos adolescentes descrentes veem que a saída tem sido se infiltrar no meio evangélico para poderem namorar as jovens da igreja. Assim como Hamor, que topou as exigentes propostas de Jacó só para ter Diná, alguns lobos estão dispostos a ceder às leis denominacionais por puro interesse afetivo, ou seja, estão entre nós apenas para ter o aval legal de se relacionarem com as meninas crentes.

Então, que as adolescentes e jovens cristãs mantenham-se vigilantes (Mt 26.41) e fujam do julgo desigual (2 Co 6.14-17). Se o mundo é interessante e tem seus atrativos, ele não deixa de ser maléfico, maligno e destruidor, além de ir ao encontro do que Deus quer para as nossas vidas.

"... tornem-se eles para ti, mas não voltes tu para eles." (Jr 15.19)

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