segunda-feira, 7 de setembro de 2009

QUE TENHO EU CONTIGO MULHER?


Por Cláudia Castor Figueira

Ao estudarmos o Evangelho de João é de consenso que este é o Evangelho Universal, destinado a todo o mundo e retrata Jesus Cristo como o Filho de Deus.

Logo no capítulo 2 de João, encontramos o relato das Bodas em Cana da Galiléia, local onde Jesus realizou publicamente pela primeira vez um milagre. Jesus transforma água em vinho, pois este havia acabado e, certamente, com ele a alegria daquelas bodas. O vinho para o judeu simbolizava alegria e prazer.

No versículo 2 desse capítulo, é relatado que Jesus estava ali como convidado, juntamente com seus discípulos e sua mãe Maria. Como Jesus havia crescido naquela região, certamente, estava ali como convidado filho de Maria e de José o carpinteiro, não como o Filho de Deus que ali começaria seu ministério. Ele ainda não havia se revelado como o próprio Deus encarnado.

Ao perceber que algo não estava ocorrendo perfeitamente, Maria recorre ao seu filho, Jesus. Ela, melhor que ninguém, sabia que Ele poderia solucionar o problema. Posso imaginar a trajetória dessa jovem serva de Deus até aquele momento em Caná. Teria enfrentado murmurações, sussurros, olhares acusadores, calúnias, desconfianças, ofensas sobre uma suposta gravidez concebida pelo Espírito Santo. Maria conviveu e convivia com essa situação até ali no momento daquele cenário. O anjo lhe havia aparecido, confirmado a Isabel sua prima, encorajado a José a não temer, porém a hora de mostrar ao mundo que seu Deus era fiel e verdadeiro parecia não chegar. Posso imaginar o coração de Maria bater mais forte, sua ansiedade aumentar. Certamente havia chegado a hora em que toda aquela multidão reconheceria sua versão dos fatos. Um milagre e todos creriam. Chega-se a Jesus, ansiosa, porém feliz com a fidelidade de Deus, e relata o acontecido já podendo imaginar todos maravilhados, admirados, estupefatos com o milagre. Um milagre e anos de reputação manchada totalmente limpa, como que em um passe de mágica. Afinal, já se passara mais de trinta anos desde o nascimento virginal do Messias Prometido e a espera pela confirmação, constatação divina a todos que a apontavam. Prova que sua história não era fruto de uma gravidez indesejada, ou de sua imaginação juntamente com José que havia embarcado também nesta aventura espiritual. Apenas um milagre e tudo mudaria.

Observemos agora o versículo 4. Percebemos a princípio uma atitude ríspida de um judeu para com sua mãe. Culturalmente, um judeu temente a Deus e a sua lei não trataria, principalmente em público, sua mãe daquela forma. Resposta grosseira e culturalmente inadequada a um judeu comum, ainda mais ao Messias prometido a sua mãe e serva fiel a Deus.

“QUE TENHO EU CONTIGO MULHER?” Ora, entender Jesus e suas palavras é ir mais profundo ao significado de simples palavras. Aqui Jesus está rompendo publicamente com Maria sua vida de homem comum, mas declarando não ser o filho de José o carpinteiro, mas o Deus encarnado, totalmente comprometido com os propósitos de Deus Pai. Agora era Ele, Deus Filho, com Ele, Deus Pai.

“NÃO É CHEGADA AINDA A MINHA HORA.” Que hora Jesus se referia. Que decepção para Maria, não ocorreria o milagre e tudo se esclareceria. Apesar de sua resposta, a contradição. Jesus transforma água em vinho, traz o prazer e a alegria de volta ao ambiente. Maria confusa. Nós confusos se ficássemos apenas nesse texto. Porém, indo mais adiante, encontramos Jesus no cenário da crucificação e, novamente, Maria com o apóstolo João. Ao vê-la, Jesus a olha e responde. Responde não àquele momento, mas a ansiedade, preocupação, desejo no coração de provar a fidelidade de Deus, pergunta feita em Cana da Galiléia. “MULHER, EIS AÍ TEU FILHO”. Foi como que entregar a Sua amada mãe aos cuidados do discípulo amado que, desde aquela hora, a recebeu em sua casa. Jesus, não obstante as Suas dores físicas e morais, pensou em Sua mãe que, a partir deste momento, tinha necessidades especiais de ajuda e protecção. Ou seja, é aqui que toda sua história se revela, que a promessa é cumprida. Não foram os milagres, sinais e prodígios que definitivamente colocariam um ponto final na questão de sua divindade, mas sim sua morte e ressurreição que traria ao mundo e a todos a oportunidade de salvação eterna.

Esse texto deixa claro o real motivo do evangelho: A SALVAÇÂO ATRAVÈS DE CRISTO JESUS. Deus não tem compromisso com nossa reputação, o que irão pensar se Ele não fizer, o que faremos para agradá-lo e agradar a quem queremos, provar que Ele é Deus vivo, de milagres e promessas. Ele é o Deus que tem compromisso com sua Palavra e suas promessas. “PORQUE DEUS AMOU O MUNDO DE TAL MANEIRA QUE DEU SEU FILHO UNIGÊNITO PARA TODO AQUELE QUE NELE CRÊ NÃO PEREÇA, MAS TENHA A VIDA ETERNA.”

Querido leitor, Deus não tem que provar nada a você ou a mim. Ele é Deus e basta. Devemos servi-lo pelo que Ele é e não pelo que nos dá ou faz. Ele é soberano em suas decisões e hora de cumprir suas promessas. Muitas vezes, ficamos como Maria, ansiosos tentando tomar o lugar e a hora de Deus. A nós cabe pregar a tempo e fora de tempo o evangelho e a volta de Cristo. A decisão de crer é sua e minha, através da ação do Espírito Santo em nós. Nós pregamos, Deus cuida em cumprir o que pregamos baseados em sua Palavra, quem cuida é Ele. Que Deus, através do Espírito Santo o faça entender, abra os seus olhos, ouvidos e mente espirituais. Eis aí o Filho de Deus!

5 comentários:

  1. Irmãos..... Beréianos, A Paz do Senhor.
    O comentário de Maria: Eles não têm mais vinho. E a resposta de Jesus, de forma aparêntemente ríspida: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
    Esse breve diálogo entre a serva mãe e o Filho Deus; tem cido alvo de muita discussão, e discriminação religiosa, levando a distorção dos fatos e propósitos do momento.
    Como devemos compreender está passagem:
    1º- Maria estava preocupada com a familia que com serteza era pobre, e o suprimento de vinho não foi suficiênte para todos os convidados.
    2º -Este pode até ter cido o primeiro milagre púbrico de Jesus; porém segundo Jo-7:1-5,Os seus irmãos insitava a Jesus, para fazer os seus milagres em público, para que todos podessem ver,inclusive os seus discípulos, isto indica que Ele já operava milagres.
    3º - A resposta que Ele deu a Maria foi a mesma que Ele deu aos seus irmãos: Não é chegado a minha hora.
    4º - Isto indica a total submissão de Jesus ao plano do Pai e a sua hora.
    5º - Maria foi tão importante para Jesus, quanto os seus milagres, o foram para glória de Deus; E neste evento, ela foi a prepursora."Fazei tudo o que Ele vos disser.
    Jesus lhes disse: Enchei de àgua as talhas. E eles às encheram totalmente.Não foi o caso dos seus irmãos. Disse-lhes,pois, Jesus: o meu tempo ainda não chegou, mas o vosso sempre está presente.
    Nota: Os milagres não foram realizados como propaganda do minietério público de Jesus, mas para suprir as necessidades dos homens, e glorificar a Deus.
    Deus te abenções.............

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  2. Graça e paz Presb. Fábio. Esse milagre que Jesus realizou nesse casamento pode ter várias interpretações e boa parte delas dentro de uma aplicação bem fundamentada. Mas creio que nesse primeiro milagre o Senhor estava trazendo ao coração de Maria e de todos nós que Ele é a real alegria em nossas vidas.
    Fique na Paz!
    Pr Silas

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  3. Interessante como vcs acham justificativa para cada ato injusto, fora de qualquer padrão de comportamento humano decente. Sempre que há um episódio que, interpretado à luz do bom senso e deixado de lado a verborragia e interpretação fantasiosa, surgem as mais esdrúxulas respostas. Um homem que trata a própria mãe desta maneira hostil e desrrespeitosa não é digno nem de ter morrido numa cruz, após ser devidamente punido. Segundo a justificativa para tal ato de desrrespeito, jesus estava se desfazendo da ligação mundana que até então, aos 30 anos de idade, tinha com sua mãe e seu pai. Muita consideração: desrrespeitar publicamente a genitora, que tratou como se fosse apenas uma chocadeira; romper com o José, o coitado, vítima do golpe da barriga mais famoso da história!

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  4. Antes de alguém fazer um comentário de uma parte da Bíblia é necessário conhecer a cultura e os costumes da época em que o texto foi escrito,pois a expressão mulher era muito comum naquela época, inclusive, nos escritos das tragédias gregas, essa forma de tratamento é constantemente utilizada quando alguém se dirige a rainhas ou outras mulheres distintas. A expressão"que tenho eu contigo", contém sim uma suave repreensão de Jesus á sua, como bem disse Vicent:" embora de forma gentil e afetuosa, Jesus rejeitou a interferência de Maria, tencionando dar solução ao problema à sua própria maneira". Em outras palavras de forma cordial Jesus disse à sua Mãe que o homem não pode interferir na ação de Deus, pois Deus sabe o momento certo de agir e como agir.

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  5. A preocupação de Maria em provar publicamente que ela tinha se engravidado do Espírito Santo e não de José, levou-a a pedir a Jesus que fizesse o milagre. Dessa forma, o povo reconheceria que Jesus era Deus e como tal, não era filho de José. Certamente, Maria ainda era criticada por ter se engravidado antes de se casar. Na cultura judaica isso não soava muito bem. Quantos não achava que ela teria mentido ao dizer que teria se engravidado do Espírito Santo e não de José? Tal afirmativa não cabia na cabeça dos Judeus. Então ela queria por tudo que Jesus realizasse um milagre para provar que Ele era Deus e como tal não poderia ser filho de José. O texto acima de Cláudia Castor Figueira clarea bem essa corrente explicativa. "Ainda não é chegada a minha hora"! Que hora? A hora de sua morte e ressurreição, claro! Essa era a hora de provar que Ele era realmente filho de Deus. Jesus não estava preocupado em realizar milagres para provar o que Ele realmente era. Infelizmente, hoje, existe os que colocam Deus no canto da parede pra provar que Deus está nesta ou naquela igreja. Grande besteira! Deus não está preocupado com isso. A sua palavra está aí. Quem quiser acreditar que a credite. A nós, resta-nos pregar o evangelho.

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