quinta-feira, 4 de setembro de 2014

QUANDO O SENHOR RESTAUROU A NOSSA SORTE


Por Pr. Silas Figueira

Texto base Salmo 126

INTRODUÇÃO

O Salmo 126 registra um dos momentos mais lindos da história do povo judeu. Este salmo fala da alegria dos judeus quando receberam a notícia de que podiam retornar a sua terra – isso depois de setenta anos de cativeiro – para reconstruir o templo que Nabucodonosor havia destruído. Quando esta notícia chegou a alegria tomou conta do coração de todo o povo e este Salmo registra esse lindo momento.

O exílio babilônico havia chegado ao fim. Esse retorno ocorreu em 538-537 a.C, por ordem de Ciro Rei da Pérsia, como nos fala em 2Cr 36.22,23:

“Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do SENHOR, por boca de Jeremias, despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá; quem entre vós é de todo o seu povo, que suba, e o SENHOR, seu Deus, seja com ele”.

Veja também o que nos diz o livro de Esdras 1.1-5:

“No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do SENHOR, por boca de Jeremias, despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém de Judá. Quem dentre vós é, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém de Judá e edifique a Casa do SENHOR, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém. Todo aquele que restar em alguns lugares em que habita, os homens desse lugar o ajudarão com prata, ouro, bens e gado, afora as dádivas voluntárias para a Casa de Deus, a qual está em Jerusalém. Então, se levantaram os cabeças de famílias de Judá e de Benjamim, e os sacerdotes, e os levitas, com todos aqueles cujo espírito Deus despertou, para subirem a edificar a Casa do SENHOR, a qual está em Jerusalém”.

Esse rei não tomou uma decisão por conta própria, mas por ordem de Deus, pois o Senhor é o Senhor da História. Veja que o texto diz que isso ocorreu para que se cumprisse a Palavra do Senhor, e não a palavra de Ciro.

Veja o que o Senhor falou a respeito de Ciro por boca do profeta Isaías, cerca de 150 anos antes de ele nascer:

“Que digo de Ciro: Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado” Is 44.28.

“Assim diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para abrir diante dele as portas, que não se fecharão” Is 45.1.

Embora Isaías não tivesse poder para olhar para o futuro, Deus possui esse poder e declara: “desde o princípio anuncio o que há de acontecer” (Is 46.10). Deus não somente sabe quem assumirá o poder, mas “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Dn 4.32). É Deus quem estabelece reinos, e é ele quem os desfaz. Não é de se admirar, portanto, que o Senhor seja capaz de citar o nome de um rei quase 200 anos antes de ele subir ao seu trono. Outro fato não menos extraordinário foi o Senhor chamar Ciro de “meu pastor”, pois foi assim, como um pastor que o Senhor usou a Ciro para juntar as ovelhas dispersas da casa de Israel, chamando-as de muitas terras distantes.

Quando Nabucodonosor entrou em Jerusalém trouxe grande destruição tanto à cidade quanto ao povo. O Livro de Lamentações registra esse ocorrido e as suas consequências de forma muito vívida. Jeremias nesse livro registra não somente o exílio do povo, mas também as mortes, as humilhações, os estupros, a fome que se seguiu a ponto de mães matarem os próprios filhos para os comerem. A cidade ficou em ruínas, os muros foram derrubados e o templo destruído. O que se instalou na cidade tão populosa foi a ruína e a miséria. No entanto, o Senhor havia feito uma aliança com Seu povo de que eles iriam habitar numa terra que manava leite e mel. A Babilônia não era para ser a moradia do povo judeu. O Senhor os levou para lá para discipliná-los, mas não para que eles morassem lá para sempre. Tanto que setenta anos depois eles retornaram para sua terra. Deus não falha em Suas promessas, muito pelo contrário, Ele sempre irá cumpri-las.

No entanto, quando o povo retorna à Judá só havia ruínas. Os muros da cidade de Jerusalém estavam derrubados e o templo destruído. No lugar do júbilo eles passaram a enfrentar a dura realidade da reconstrução da cidade e do templo. O sonho virou pesadelo. Mas em lugar de se desesperarem eles buscaram no Senhor as condições de reconstruir o que o inimigo destruiu.

Talvez essa seja a sua realidade hoje. Você olha ao redor e observa que tudo o que um dia foi festa hoje é luto e destruição. Mas se o Senhor lhe fez uma promessa de reconstruir a sua vida pode ter certeza de que Ele irá lhe dar condições para que tal coisa ocorra.

Talvez você esteja vendo sua família, antes próspera e feliz, hoje passando por duras crises, mas saiba, se o Senhor está contigo você irá ver a sua casa reconstruída e feliz novamente. Mas nada é fácil. Nada acontece da noite para o dia. Tem que haver muito investimento, paciência e fé nas promessas do Senhor. E este Salmo nos fala exatamente disso. Por isso eu quero meditar com você neste salmo e no que ele pode nos ensinar e quanto ele pode renovar a nossa fé nas promessas do Senhor.

Quais as lições que podemos tirar desse salmo?

1º A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O SENHOR SEMPRE TRAZ UMA BOA NOVA PARA NÓS DEPOIS DE UMA GRANDE CALAMIDADE (V 1-3).

No exílio babilônico, os judeus, depois de setenta anos receberam uma boa notícia: “Quem dentre vós é, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém de Judá e edifique a Casa do SENHOR, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém” (Ed 1.3).

1º - O pesadelo havia acabado. Veja que o salmista nos diz que quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha (v 1). O Senhor havia se lembrado do Seu povo e estava lhes abençoando com essa Boa Nova. O que o Senhor havia falado por boca de Jeremias estava se cumprindo (Jr 25.12). Observe que Daniel também havia observado que o tempo da visitação do Senhor ao Seu povo havia chegado (Dn 9.1-19).

Entenda uma coisa meu irmão, Babilônia não é moradia do povo judeu e muito menos a nossa moradia. Talvez você esteja enfrentado um momento de luta e desesperança, mas saiba de uma coisa: o Senhor há de manifestar em sua vida a Sua graça e misericórdia. Você não foi resgatado do mundo para viver na Babilônia, mas para viver na presença do Senhor. Sião é a nossa morada!

Quando o Senhor visita o Seu povo ficamos como quem está sonhando, pois parece até mentira o que está acontecendo.

2º - A alegria tomou o lugar do pranto (v 2,3). O povo louvou ao Senhor pela bênção alcançada. Quando o Senhor visita o Seu povo não nos lembramos mais do sofrimento passado, ou melhor, ele não mais nos machuca como antes. O Salmo 137 nos diz que o povo ficava muitas vezes as margens dos rios da Babilônia e chorava se lembrando de Jerusalém (Sl 137.1-4). Mas esta tristeza foi substituída pela alegria plena do Senhor.

Isso me faz lembrar o dia da ressurreição do Senhor Jesus registrado em Lucas 24. 36-43:

“Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco! Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado [e um favo de mel]. E ele comeu na presença deles”.

A alegria dos discípulos foi tanta que eles não podiam acreditar no que estavam vendo. É exatamente isso que ocorre conosco ainda hoje quando o Senhor nos visita e nos tira o opróbrio de sobre nós.

3º - Até as pessoas ao nosso redor verão que algo extraordinário ocorreu conosco (v 2b). Quando o Senhor intervém até as pessoas ao nosso redor verão que algo anormal ocorreu. Que o que está acontecendo é impossível de acontecer a não ser por uma intervenção divina. Tanto que disseram: “Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles”. E é exatamente isso que ocorre ainda hoje; quando a graça do Senhor nos alcança algo extraordinário é visto por todos. Principalmente quando uma pessoa é salva pelo Senhor. Um bom exemplo disso é o endemoniado gadareno que antes vivia nos sepulcros e preso muitas vezes por algemas, mas depois de liberto da legião de demônios que o prendia ficou completamente lúcido e voltou para sua casa são e salvo (Mc 5.1-20). Ainda hoje o Senhor Jesus faz isso.


Quantas pessoas que você conhece que foram libertas e as pessoas ao redor testemunham que foi a boa mão do Senhor sobre ele. Isso ocorreu com você e comigo também.

Talvez o milagre que o Senhor operou em sua vida tenha sido uma porta de emprego que se abriu para você. Quem sabe aquele concurso público que você conseguiu passar ou a faculdade que finalmente você foi aprovado. A casa própria que parecia impossível, mas hoje você conseguiu. Quem sabe a conversão de um filho ou da esposa, ou do marido. Ah! São tantos milagres que o Senhor realiza que ficamos como quem sonha.

2º A SEGUNDA COISA QUE APRENDO É QUE MUITAS VEZES A DURA REALIDADE VEM DEPOIS DO SONHO (V 4).

Quando os Judeus viram o estado de calamidade que se encontrava a nação eles não desanimaram, pelo contrário, oraram ao Senhor buscando renovo para iniciarem a obra de restauração. E a oração que fizeram foi em cima de um milagre que eles presenciavam constantemente no deserto do Neguebe.

O Neguebe era uma região desértica ao sul da Palestina (na época território de Israel), abaixo da linha das cidades de Belém e Hebrom. O Neguebe era um lugar árido, muito seco, um grande deserto, mas que durante os meses de outubro a abril (a estação das chuvas), recebia um fenômeno natural e espantoso: as chuvas fortes em regiões distantes faziam correr dos montes uma enorme quantidade de águas e estas águas iam aos poucos formando riachos que regavam o deserto levando vida em abundância.

A terra seca se transformava em belos campos floridos, a vegetação enchia de vida o vale e os animais voltavam a povoar a paisagem, antes deserta e estéril.

O vale do Neguebe escondia debaixo de sua aparência desértica, inóspita e solitária uma vocação natural para jardim regado. O Neguebe não tinha águas próprias, porque as torrentes eram decorrentes de chuvas que aconteciam distante e que escorriam dos montes restaurando a vida no vale.

Nenhum de nós tem vida em si mesmo, Jesus é o Senhor da Vida e é Ele quem determina o curso e a duração de nossos dias. Jesus é o Senhor da História (EU SOU o Alfa e o Ômega) e é Ele quem escreve as páginas de nossa história pessoal. Jesus morreu por nossos pecados e nos dá o Espírito Santo para habitar em nossos corações, portanto a vida espiritual nos é dada também por Jesus. É o Senhor que transforma o nosso deserto existencial e um manancial de águas doces.

Quando o povo volta da Babilônia eles se depararam com um quadro caótico em Judá, a cidade estava destruída e o povo que ficou em total miséria. O sonho do retorno estava se transformando em pesadelo novamente. Mas eles não se deixaram levar pela calamidade e por isso oram para que o Senhor restaurasse a sua sorte e lhes dessem capacidade para tornar o sonho em realidade como as torrentes do Neguebe.

1ª - Primeira coisa que devemos entender que é o Senhor que pode trazer ao nosso coração uma nova perspectiva de vida. Diante da calamidade a tendência da maioria das pessoas é afundar no lamaçal do desânimo e da depressão. Mas o Senhor renova o nosso sonho, nos desperta do pesadelo que está a nossa frente e nos faz ver a possibilidade de uma nova vida. Ele nos faz ver que é possível mudar esse quadro caótico.

Foi isso que o Senhor fez ao Seu povo na Babilônia. Muitos dos que foram levados para a Babilônia haviam perdido a esperança de retorno a sua terra, mas o Senhor não havia esquecido Seu povo. Como nos diz o Salmo 30.5: “Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã”.

O Senhor traz ao nosso coração palavra de ânimo assim como fez com o Seu povo quando retornaram da Babilônia. Veja como Ele reanimou o seu povo através de Ageu:

“No segundo ano do rei Dario, no sétimo mês, ao vigésimo primeiro do mês, veio a palavra do SENHOR por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Fala, agora, a Zorobabel, filho de Salatiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e ao resto do povo, dizendo: Quem dentre vós, que tenha sobrevivido, contemplou esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é ela como nada aos vossos olhos? Ora, pois, sê forte, Zorobabel, diz o SENHOR, e sê forte, Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e tu, todo o povo da terra, sê forte, diz o SENHOR, e trabalhai, porque eu sou convosco, diz o SENHOR dos Exércitos; segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito habita no meio de vós; não temais. A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos; e, neste lugar, darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos” (Ag 2.1-5;9).

Para nos desanimar há muitas pessoas, mas para nos fortalecer basta o Senhor e a Sua Palavra. Enquanto muitas pessoas mandavam Bartimeu se calar o Senhor mandou chamá-lo. Se o Senhor é por nós, quem será contra nós?

Se a sua vida está como o deserto do Neguebe então há esperança de renovo.

2ª - A segunda coisa que devemos entender que não devemos viver no mundo dos sonhos, mas encarar a realidade a nossa frente. Israel quando recebeu a Boa Nova no exílio ficou como quem sonha, mas teve que deixar o mundo dos sonhos e encarar a dura realidade a sua frente: a tragédia que se encontrava o lugar antes habitado e feliz. O mesmo acontece com cada um de nós. Passou na faculdade; parece um sonho, mas como vou fazer para pagá-la? É uma faculdade Federal, mas como fazer para conseguir boas notas? Como vou me manter se estou em outra cidade para estudar? Estou falando faculdade, mas pode ser qualquer outro sonho que pode se tornar um pesadelo diante das dificuldades que surgem. Por exemplo, uma quimioterapia, dela vem a cura do câncer, mas as sequelas são terríveis. A adaptação a um novo emprego. A luta para se livrar de um vício. Ah! São tantas as lutas que vem depois do sonho.

Lembre-se de uma coisa, a vitória de Davi contra o gigante Golias se deu porque ele se lembrou das vitórias passadas que o Senhor lhe havia dado, por isso ele não temeu o gigante. A dura realidade que se instala a nossa frente pode de início nos assustar, mas devemos nos lembrar das vitórias passadas, e, principalmente, se o Senhor nos trouxe até aqui ele irá nos ajudar a vencer as adversidades que surgirem.

3ª – A terceira coisa que devemos entender que não produzimos nossa própria restauração. O Salmista clamou: “Restaura, Senhor, a nossa sorte como as torrentes do Neguebe”. Essa restauração não vem da nossa capacidade, mas do Senhor. Há muitas pessoas que diante das vitórias alcançadas se esquecem de quem veio a vitória. Muitos falam como Nabucodonosor:

“Ao cabo de doze meses, passeando sobre o palácio real da cidade de Babilônia, falou o rei e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade? Falava ainda o rei quando desceu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Já passou de ti o reino. Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; e far-te-ão comer ervas como os bois, e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que aprendas que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Dn 4.29-32).

Cuidado com a sua língua e, principalmente, nunca se esqueça de que a sua vitória vem do Senhor. Cuidado com a arrogância. A nossa vitoria vem do Senhor e a glória é dEle.

3º A TERCEIRA COISA QUE APRENDO É QUE COM A GRAÇA DE DEUS EU POSSO ME PROJETAR PARA O FUTURO (V 5,6).

O salmista agora passa a usar a linguagem simbólica da colheita, da dura dificuldade de preparar o solo para o plantio; das dificuldades de enfrentar o tempo, trabalhando de sol a sol, labutando com perseverança para ver o fruto da terra. Mas o resultado é a colheita em abundância. 

O salmista nos mostra três coisas muito importantes que muitas pessoas se esquecem:

1ª – A primeira coisa que o salmista nos mostra é que nada acontece sem esforço (v 5a). Os que com lágrimas semeiam... Antes de semear, a terra tem que ser preparada, tem que ser adubada, tem que tirar as pedras, o mato, preparar as covas para por a semente, e assim por diante. A Bíblia nos fala que o semeador saiu a semear. Semeou em terra boa e deu muito fruto (Mt 13.8), mas essa terra boa foi preparada para receber a semente. Ninguém lança a semente ao acaso. Eu pelo menos nunca vi isso aqui na região rural de minha cidade.

Do céu só desce a graça do Senhor, já dizia a minha mãe. Deus não irá fazer a parte que cabe a você fazer. Ele irá abençoar o seu esforço não a sua preguiça e o seu desleixo.

Vou lhe dar um exemplo que ocorreu comigo quando eu era ainda bem jovem:

Há muitos anos eu trabalhei em uma loja que vendia eletro doméstico, móveis, fogões, geladeiras, máquinas de lavar roupa. Um dia eu fui vender um fogão e uma moça me perguntou se o fogão que ela estava interessada era de acendimento automático. Confesso que eu não fazia a menor ideia como era o seu acendimento. Mas para não ficar mal eu lhe disse que era. Mas eu lhe disse assim: “éééé??” Foi um “É” tão duvidoso que a mulher me disse assim: “O teu “É” não me passa nenhuma segurança, vou comprar em outro lugar. E foi embora. Eu fiquei com tanta vergonha que a partir daquele dia eu sabia TUDO de fogão, geladeira, máquina de lavar, televisão...

Meu irmão procure ser o melhor onde o Senhor lhe colocou, mas para isso é necessário muito esforço e dedicação. Se você está estudando procure ser o melhor aluno, se está trabalhando seja um excelente funcionário. Se especialize, não fique para trás. Mas isso dá trabalho. É como preparar a terra para o plantio. Se você quer pregar a Palavra ou quem sabe ser um professor de EBD siga o conselho de Paulo a Timóteo:

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” 2Tm 2.15

2ª – A segunda coisa que o salmista nos mostra nesse texto é que muitas vezes iremos chorar antes de sorrir (vs 5,6). Os que com lágrimas semeiam e quem sai andando e chorando enquanto semeiam. Para alcançarmos bons resultados é necessário esforço e dedicação. Muitas vezes iremos chorar, mas não desista. O triste é que muitas pessoas dizem que irão parar porque o diabo está furioso e a luta está muito grande. Responda-me duas coisas:

1º Desde quando o diabo ama alguém?
2º Desde quando sem luta se alcança a vitória?

Você acha que foi fácil Abraão deixar a sua terra e seguir peregrinando a terra da promessa? Pensa que foi fácil Josué conquistar a terra da promessa? Pensa que foi fácil retornar e reconstruir Jerusalém? Leia o livro de Esdras, Neemias, Ageu e Zacarias e você terá uma ideia da luta que enfrentaram. Por acaso foi fácil para Paulo evangelizar os gentios? Leia o livro de Atos e as suas epístolas e você verá que foi com lágrimas que esse trabalho foi realizado. Nas duas cartas aos Coríntios Paulo teve que defender o seu apostolado e na sua segunda carta no capítulo 12 ele fala do espinho na carne que ele tinha. Leia a segunda carta de Paulo a Timóteo e verá um homem preste a ser morto por Nero. As lutas que enfrentou e a sua preocupação com as igrejas. 

As lágrimas fazem parte da vida. O problema que muitos líderes estão pregando um evangelho sem cruz, sem Calvário. Mas sem cruz e sem Calvário não pode haver Pentecoste. Lembre-se disso.

Eu quando trabalhei em uma casa de recuperação em viciados em drogas e álcool na cidade de Teófilo Otoni, MG, no início dos anos 80, os internos trabalhavam no preparo de uma grande horta. Só que a terra era muito seca e dura. Deu muito trabalho preparar aquela terra. Principalmente porque estávamos em uma época de grande seca na região. Mas depois de algumas semanas de trabalho a terra estava preparada para receber as sementes. E o milagre da vida aconteceu naquela terra antes devastada. Nasceu alface, tomate, cenoura, banana, aipim... Havia cerca de uns vinte homens internados ali e nós não dávamos conta de comer o que a terra produzia.

A parturiente antes de dar à luz sofre as dores de parto, mas depois vem a alegria.

“A mulher, quando está para dar à luz, tem tristeza, porque a sua hora é chegada; mas, depois de nascido o menino, já não se lembra da aflição, pelo prazer que tem de ter nascido ao mundo um homem” Jo 16.21

3ª – A terceira coisa que o salmista nos mostra nesse texto é que iremos sorrir trazendo os frutos do nosso trabalho (vs 5,6). O quebrantamento de coração e a constante semeadura em oração contrita trarão da parte de Deus as bênçãos da renovação, do avivamento e de grandes milagres. O cristão tem a certeza de que aquilo que hoje semeia será grandemente abençoado por Deus no futuro (Gl 6.7-9). Vamos, portanto, semear para Deus a fidelidade, a santidade e a intercessão, mesmo sofrendo, se for o caso, pois sabemos que teremos uma grande colheita de bênçãos divinas.

CONCLUSÃO

O Salmo 126 é uma grande realidade dos nossos dias. Temos dificuldades, provações e lutas, a vida não é fácil. A não ser para aquelas pessoas que não querem chegar a lugar algum, mas se você quer crescer e alcançar grandes voos aí a coisa é diferente.

Este salmo nos mostra o sonho passado, o duro presente e a alegria futura. Com Deus podemos acordar do pesadelo, lutar para alcançar os nossos sonhos e ver a alegria das Suas bênçãos se tornando realidade em nosso futuro.

Mas sem esforço, muita luta e dedicação nada pode acontecer. E, principalmente, se o Senhor não for glorificado nesse nosso projeto. Pois todo projeto antes de ser nosso deve ser dEle. Amem?

Pense nisso!

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