segunda-feira, 10 de abril de 2017

Podemos chamar Deus de mãe?



Por Franklin Ferreira e Alan Myatt

A influência do feminismo na teologia e na filosofia secular apresentou um desafio sério à interpretação tradicional da paternidade de Deus. Segundo a corrente feminista, a visão de Deus como Pai reflete uma ideologia patriarcal. Essa corrente entende a ideologia patriarcal como a dominação das mulheres pelos homens, através das estruturas familiar, econômica e em outros aspectos da sociedade.[1] Um tema recorrente no discurso da teologia feminista é o fato do predomínio da violência praticada por homens contra as mulheres, em todas as culturas. Supostamente, a noção de um Deus masculino, todo-poderoso, apoia este tipo de dominação e violência, especialmente na doutrina da expiação, que é vista como um exemplo de um pai irado esmagando sua vítima com o peso de sua raiva.[2] Além disso, a teoria feminista entende que a noção da divindade equivalente do Pai, Filho e Espírito dá ainda mais força à ideia de autoridade patriarcal. O ser masculino é vinculado ao divino, e a opressão à mulher é justificada à luz da teologia ortodoxa.[3] A resposta das feministas foi no sentido de modificar os elementos da teologia considerados ofensivos. Várias estudiosas feministas optaram por conceitos femininos do divino, como o conceito de deusa presente nas religiões antigas.

A variedade de interpretações e a escassez de estudos sobre a paternidade de Deus exigem que atenção seja prestada a este assunto, para a construção de uma teologia para o século XXI. Não queremos apenas depender de modelos antigos, mas muito menos queremos apenas adotar as atuais ondas da filosofia e da teologia pós-moderna. É necessário voltar ao texto bíblico tendo em vista a realidade em todas as camadas da sociedade contemporânea. Portanto, mais do que nunca, uma teologia da paternidade de Deus é necessária para o bem-estar da igreja e da sociedade.

As feministas liberais acreditam que as imagens masculinas de Deus são opressivas. Portanto, teólogas como Rosemary Radford Ruether propõem a substituição do Deus Pai da Bíblia por uma deusa, muitas vezes segundo o modelo das religiões pagãs da Antiguidade:

“Deus/a é a Matriz primitiva, o fundamento do ser do novo-ser, que nem é imanência sufocante nem transcendência sem alicerce. Espírito e matéria não são dicotomizados, mas são o lado interno e externo da mesma coisa.”[4]

Segundo Reuther, Fiorenza e outras, imagens masculinas, como a de Deus Pai, devem ser abandonadas, para que se ponha um fim aos valores patriarcais. De fato, essa teologia exige uma nova imagem de Deus, que, no final, dificilmente poderia ser reconhecida como o Deus confessado pela fé evangélica e ortodoxa.

Ao responder às feministas, notamos que tanto o Antigo Testamento quanto o Novo Testamento usam o gênero masculino quando se referem a Deus. Uma das analogias usadas é a analogia paterna. Isto seria um indício de que Deus é do gênero masculino? Alister McGrath escreve:

“Falar em Deus como pai é dizer que o papel do pai no antigo Israel permite que compreendemos melhor a natureza de Deus. Isso não significa dizer que Deus seja do gênero masculino. Nem a sexualidade masculina, nem a sexualidade feminina devem ser atribuídas a Deus. Pois a sexualidade é um atributo que pertence à ordem da criação, sendo inadmissível aceitar uma correspondência direta entre esse tipo de polaridade (homem/mulher), conforme se observa na criação, e o Deus criador.

Na verdade, o Antigo Testamento evita atribuir funções sexuais a Deus, devido à ocorrência de fortes traços pagãos nesses tipos de associações. Os cultos à fertilidade dos cananeus davam ênfase às funções sexuais tanto dos deuses quanto das deusas; portanto, o Antigo Testamento recusa-se a endossar a ideia de que o gênero ou a sexualidade de Deus seja uma questão importante.”

Assim, para McGrath, qualquer tentativa de atribuir sexualidade a Deus representa uma volta ao paganismo. Ele continua: “Não há a menor necessidade de trazer de volta as ideias pagãs dos deuses e deusas para resgatar a noção de que Deus não é nem masculino nem feminino; essas ideias já estão potencialmente presentes, se não forem negligenciadas, na teologia cristã.”[5]

Na verdade, existem imagens maternais de Deus na Escritura. Deus é revelado como uma mãe-pássaro (Rt 2.12; Sl 17.8; Mt 23.37), uma mãe-ursa que luta para proteger seus ursinhos (Os 13.8) e como uma mãe que consola seus filhos (Is 66.13). A presença de imagens paternais e maternais é evidência que apoia a conclusão de McGrath. Deus transcende as categorias do gênero humano. Não obstante, em lugar nenhum a Bíblia chama Deus de “mãe”. Portanto o título “mãe” não deve ser próprio para se falar da pessoa de Deus. Podemos reconhecer a plenitude da riqueza das imagens bíblicas de Deus, sem ir além da linguagem que a própria Bíblia emprega ao descrevê-lo.

Nosso resumo mostra como a doutrina da paternidade é um elemento central da teologia cristã. Ela determina a natureza de nossa experiência de Deus. Sem ela, as demais doutrinas essenciais para nossa salvação não podem ser mantidas. A defesa desta doutrina é a afirmação da realidade da nossa experiência de intimidade com Deus. Assim, crescer cada vez mais no conhecimento pessoal de nosso Deus é a melhor maneira de refutar as doutrinas falsas. Como crentes em Jesus Cristo nos é revelado um Deus que é Pai, que nos ama. Não devemos nos contentar com nada menos do que isto.
________________

[1] Elisabeth Schüssler Fiorenza, Wisdom ways; introducing feminist biblical interpretation, p. 116-117.

[2] Para uma discussão da questão, com um resumo da literatura feminista, cf. J. Denny Weaver, The nonviolent atonement.

[3] Rita Nakashima Brock, “Pacific, Asian and North American Asian Women’s Theologies”. In: Rosemary Radford Ruether (org.), Feminist theologies; legacy and prospect, p. 50.

[4] Sexism and God Talk, p. 61.

[5] Teologia sistemática, histórica e filosófica, p. 315-316. Vale a pena ler toda a argumentação de McGrath nesta obra, com especial atenção para a citação final da mística medieval Juliana de Norwich.

Trecho extraído e adaptado da obra “Teologia sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual”, de Franklin Ferreira e Alan Myatt, publicada por Vida Nova: São Paulo, 2007, pp. 237, 248-249. Publicado com permissão.

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Fonte: Tu Porém

domingo, 9 de abril de 2017

O PERIGO DA JANELA


Por Pr. Silas Figueira

INTRODUÇÃO

Texto base: Atos 20.7-12 

O apóstolo Paulo chegou a Trôade depois de cinco dias de viagem vindo de Filipos; ali ele ficou uma semana (At 20.6). No primeiro dia da semana os crentes da cidade se reuniram para ouvir o apóstolo Paulo. John Sttot diz que provavelmente esta reunião começou ao pôr do sol, com o povo se congregando depois de um dia de trabalho [1].

A igreja estava reunida no domingo, pois esse dia, a partir da ressurreição de Jesus, passou a ser observado pela igreja e não o sábado como ensinam os adventistas. Não foi Constantino quem estabeleceu esse dia, mas sim a igreja desde o princípio. 

Esta reunião aconteceu em uma casa, provavelmente de algum dos crentes da igreja local. Como o navio em que os amigos de Paulo iria zarpar no outro dia, eles se reuniram na véspera para celebrarem a ceia do Senhor. Nessa reunião o apóstolo Paulo faz um longo discurso até a meia-noite. É no meio dessa reunião, por causa da extensão da pregação de Paulo e, talvez, também por causa do calor e do ar viciado produzido pelas muitas luzes das candeias, que o jovem Êutico cai no sono enquanto está sentado em uma janela do terceiro andar [2], cai na rua e morre. Paulo sai para a rua, pega o jovem, proclama que ele viva e, simplesmente, retorna ao terceiro andar, onde os cristãos partem o pão, e Paulo continua sua extensa pregação [3].

O texto em Atos 20.9 nos diz que Êutico era um jovem, mas quantos anos ele tinha? O termo grego neanias usado aqui se refere a um homem entre 24 e 40 anos. O termo paida, em Atos 20.12, é usado para uma criança ou adolescente. Então podemos concluir que Êutico “era um jovem de 8 a 14 anos de idade”[4].

O nome Êutico significa felizardo e literalmente ele foi um, pois morreu e voltou à vida.

Algumas lições que podemos aprender aqui:

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE A JANELA PODE SER UM LUGAR PERIGOSO PARA SE ESTAR.

Se existe algo que muitas pessoas gostam é de sentar-se à janela. No carro, no ônibus, no avião; ou seja, a janela é um lugar onde podemos observar as coisas de forma melhor, sem ter ninguém nos atrapalhando. No caso de Êutico, ele se sentou na janela e ela se tornou um lugar perigoso e de morte para ele. A janela pode ser um lugar perigoso por algumas razões.

Porque que a janela pode se tornar um lugar perigoso?

1º - Por que ela pode nos distrair. A janela nos tira a atenção das coisas que estão ocorrendo do lado de dentro. Começamos a prestar atenção para as coisas externas e nos esquecemos das coisas internas. A pessoa está dentro, mas com os olhos para as coisas de fora.

Há muitas pessoas distraídas dentro de nossas igrejas porque vivem olhando para fora da igreja. Ficam distraídas e acabam se esquecendo de prestar atenção no que é realmente importante o que está ocorrendo do lado de dentro da igreja.

Quando eu me refiro “Igreja” estou falando das coisas espirituais. Das coisas de Deus. De prestar atenção no que o Senhor está falando. No que o Senhor quer de nós.

Infelizmente há muitas pessoas totalmente dispersas em nosso meio. Gente que antes era comprometida, focada, tinha compromisso com as coisas do Senhor, mas hoje, de tanto olhar para fora, perderam o foco. 
  
2º - Por que ela pode nos levar à morte (At 20.9). Geralmente, quem cai da janela, cai para trás e não para frente. Foi o que aconteceu com Êutico. Ele caiu no sono e acabou despencando do terceiro andar e morreu com a queda.

Há hoje em dia muitas janelas que tem levado muitos crentes – jovens e velhos – para a queda e morte. Veja alguns exemplos:

● Janelas da internet – Windows é janela em inglês e essa janela tem levado muitos crentes a olharem para fora da igreja, para as coisas que a Bíblia condena. Janelas que deveriam permanecer sem serem olhadas, mas que têm sido muito visitadas. Infelizmente tem muito crente sentado nessas janelas. Olhando para fora e se deliciando com o que vê. E isso tem gerado a queda e morte de muitos.

Mas há um outro perigo em relação a internet, é olharmos pela janela das novidades gospel. Tem muita gente observando e perdendo tempo com essas novidades que gera mais confusão que saúde espiritual. Um outro problema, é perdermos tempo com os "teólogos da internet"; gente que se conhecedora da Palavra de Deus, mas no entanto a destorce completamente. 

Recentemente eu vi um vídeo de um desses "doutores" que se dizia conhecedor do hebraico bíblico. E em um de seus estudos ele disse que Daniel era homossexual e que inclusive era amante do rei. E tem gente que dá ouvidos a esse tipo de gente e se arrebenta espiritualmente. 

Um outro "doutor" estava ridicularizando a ceia que realizamos em nossas igrejas, e assim por diante. Meu irmão e minha irmã cuidado com essas janelas, pois são extremamente perigosas. 

● Janela do mundo. O mundo tem atraído muitas pessoas, principalmente os jovens. E há muitos deles completamente fascinado com ele. Mas a Bíblia nos avisa: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2.15). O mundo oferece morte e não vida. Desilusão e não esperança. Angústia e tristeza e não alegria no Senhor.

Isso me lembra da história de Diná que saiu para conhecer (fazer amizade) com as mulheres daquela terra e foi violentada (Gn 34.1,2). 

Lembre-se que a Igreja tem três inimigos terríveis: o mundo, a carne e o diabo. Com esses três não se brinca, mas todo cuidado é pouco. Diná foi dar uma volta no mundo e voltou para casa desonrada. 

● Janela do sono do descaso. Êutico dormiu um sono profundo e caiu do terceiro andar e morreu. Há muitas pessoas dentro de nossas igrejas dormindo o sono do descaso com as coisas espirituais. Estão dormindo o sono da falda de compromisso. O sono da morte.

O apóstolo Paulo escrevendo aos Efésios nos diz: “Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 2.15).

Davi ficou olhando para a janela de Bete-Seba e caiu. Mesmo depois de ser avisado quem era aquela mulher, de que ela era casada, ele a chamou e se deitou com ela. Ele estava dormindo o sono do descaso. Por isso não deu ouvidos ao que lhe falaram e colheu frutos amargos desse ato impensado. 

Quem está dormindo esse sono profundo está correndo o risco de cair a qualquer momento e não se dá conta disso, pois está dormindo o sono do descaso. Veja por exemplo Sansão que dormiu no colo de Dalila depois de lhe contar o segredo de sua força (Jz 16.18-21). Quando acordou estava sem cabelo, sem força e se tornou preza fácil de seus inimigos. 

SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE DEVEMOS TOMAR CUIDADO COM A JANELA.

Como vimos, a janela nos faz distrair e nos leva à morte. Por isso devemos ter muito cuidado com ela. Quantas pessoas estão sentadas “na janela” em nossas igrejas. Quando vermos alguém sentado nela nós devemos observá-las com muito cuidado e avisá-las do perigo que estão correndo. Não podemos nos calar, fingir que nada irá acontecer. Por ser um lugar perigoso, devemos nos preocupar com quem está sentado ali.

1º - Devemos avisar as pessoas para não se sentarem na janela. O Senhor nos chamou para sermos suas atalaias (Atalaia é um termo de origem árabe e significa torre de observação. Designa qualquer lugar mais elevado ou ponto alto de onde se vigia. O termo também designa a pessoa que está encarregada de vigiar determinada área. Neste caso, é sinônimo de sentinela ou vigia). Veja o sentido bíblico desta palavra:

“A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lhe darás aviso da minha parte. Se eu disser ao perverso: Ó perverso, certamente, morrerás; e tu não falares, para avisar o perverso do seu caminho, morrerá esse perverso na sua iniquidade, mas o seu sangue eu o demandarei de ti. Mas, se falares ao perverso, para o avisar do seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho, morrerá ele na sua iniquidade, mas tu livraste a tua alma” (Ez 33.7-9).

Atalaia é alguém usado por Deus para levar a palavra de salvação aos que estão a caminho da morte espiritual.

2º - Ás pessoas que estão na janela dormindo nós devemos tentar despertá-las do sono. Acordar uma pessoa que está sentada na janela pode ser perigoso, pois ela pode se assustar e cair. Na vida espiritual é a mesma coisa, mas nem por isso devemos deixar pra lá. Pelo contrário, devemos tentar despertar essa pessoa e lhe mostrar o perigo que corre antes que caia. 
  
Depois que cair pode ser tarde demais, por isso nós somos responsáveis por essas pessoas. Entenda, nós somos responsáveis pela vida do nosso irmão. Se estamos vendo que ele está em perigo cabe a cada um de nós avisá-lo. Se ele irá nos ouvir e sair da "janela" aí é outra coisa; mas não podemos é nos calar diante de tais circunstâncias. 

A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE DEVEMOS SOCORRER AOS QUE CAEM DA JANELA (At 20.10,11).

Se existe um ministério que faz muita falta na igreja é o "ministério de Barnabé". Todo mundo quer ser um Paulo, mas são poucos que querem ser um Barnabé. Muitos livros já foram escritos a respeito de Paulo, mas eu não me lembro de ter ligo algum sobre Barnabé.

Saiba de uma coisa: se existiu um Paulo é porque existiu um Barnabé. Enquanto todos duvidaram da conversão de Saulo de Tarso, Barnabé acreditou e lhe estendeu a mão o ajudando. Se existe o Evangelho de Marcos hoje é porque Barnabé brigou com Paulo e lutou pela vida espiritual e emocional de João Marcos. Barnabé é sinônimo de gente que vê como Deus vê por isso investe em vidas. Barnabé é um exemplo de dedicação e fé. Devemos buscar de Deus esse mesmo coração para podermos ser úteis na igreja socorrendo os que caem da "janela". 

Através do ministério de Barnabé e da atitude de Paulo em relação a esse jovem que cai da janela eu entendo que as pessoas não são descartáveis. Devemos sim, nos preocupar com elas e, acima de tudo, buscá-las onde estiverem. Não podemos fazer como a música popular de João Bosco: De Frente Pro Crime; que diz assim: 

Tá lá o corpo
Estendido no chão
Em vez de rosto uma foto
De um gol
Em vez de reza
Uma praga de alguém
E um silêncio
Servindo de amém...

O bar mais perto
Depressa lotou
Malandro junto
Com trabalhador
Um homem subiu
Na mesa do bar
E fez discurso
Prá vereador...

Veio o camelô
Vender!
Anel, cordão
Perfume barato
Baiana
Prá fazer
Pastel
E um bom churrasco
De gato
Quatro horas da manhã
Baixou o santo
Na porta bandeira
E a moçada resolveu
Parar, e então...

Tá lá o corpo
Estendido no chão
Em vez de rosto uma foto
De um gol
Em vez de reza
Uma praga de alguém
E um silêncio
Servindo de amém...

Sem pressa foi cada um
Pro seu lado
Pensando numa mulher
Ou no time
Olhei o corpo no chão
E fechei
Minha janela

De frente pro crime...

As pessoas não são descartáveis, e muito menos a morte de alguém deve servir de pretexto para para se beneficiar, embora haja muitas pessoas se beneficiando da desgraça alheia. Mas isso não foi o que Paulo fez.

Aconteceu algo que não devia ter acontecido, a queda de um jovem. Olhando para esse ocorrido nós aprendemos quatro coisas importantes:

1º - Se alguém cair não podemos fazer de conta que nada aconteceu, muito pelo contrário, devemos buscar o caído e procurar socorrê-lo. Foi isso que Paulo fez imediatamente. Ele parou o sermão e foi socorrer o jovem que havia despencado da janela.

Alguém uma vez falou que a igreja é o único exército que quando cai um soldado ferido o deixa à sua própria sorte. Misericórdia irmãos! Que este não seja o nosso caso, pelo contrário, que possamos buscar o caído e fazer de tudo para tentar restaurá-lo.

2º - Devemos interromper por um momento nossa vida interior em favor do ferido. Foi isso que a igreja fez, parou por um momento o culto para socorrer o jovem morto.

Com isso aprendo que há coisas mais importantes que as nossas reuniões, que é prestar auxílio ao ferido. Muitas vezes as nossas atividades não passam ativismo e por causa desse ativismo deixamos de lado quem precisa de socorro. Vida é mais importante que reunião.

3º - Devemos tomar cuidado para não deixarmos de fazer o que é importante (At 20.11). Explico. Quando Paulo desce até onde Êutico está e ora e ele ressuscita, imediatamente eles voltaram para o culto e Paulo pregou até de manhã.

Devemos tomar cuidado para não deixamos de cultuar a Deus e vivermos correndo atrás de mortos. De gente que não quer compromisso com Deus. De gente que quer ser paparicada, mas não quer deixar a vida de pecado. Gente que não quer ressuscitar.

Isso é muito sério, pois o que mais vemos por aí são pessoas assim. Por isso não podemos de deixar de lado o que na verdade é apenas um intervalo em meio a algo mais importante [5].

Paulo e os cristãos retornam e continuam sua adoração. O milagre da ressurreição de Êutico, sem dúvida, causa-lhes grande conforto (v. 12), mas não é motivo para se vangloriar nem para abandonar a adoração de Deus e sair às ruas gritando e anunciando o grande milagre que Deus realizou. Por quê? Certamente, não porque o milagre é pequeno, mas, antes, por haver um milagre maior: a própria vida da igreja e a presença de Deus em sua vida comum e no partir do pão. Não é que eles não percebam o milagre da ressurreição de Êutico; antes, é que estão ouvindo a Palavra de Deus, e a atividade dessa palavra é mais milagrosa, mais poderosa, mais surpreendente, mais inspiradora, que a ressurreição de uma pessoa [6].
  
4º - Devemos deixar de vez a janela. Se a janela é um lugar que já te prejudicou saia de perto dela; se você já viu alguém cair dela preste atenção para não acontecer o mesmo com você, ou seja, não sente nela.

CONCLUSÃO 

Este é um assunto extremamente importante para todos nós, pois existem muitas janelas em nossas vidas que precisam ser fechadas. Como vimos, a janela é sinônimo de falta de compromisso, de descaso, de distração. Com isso devemos tomar muito cuidado para não sermos surpreendidos com o sono e pior ainda, com a queda.

Tome cuidado com as janelas, pois elas existem e tem atraído muitas pessoas e o resultado tem sido desastroso. Por isso cuidado!

Pense nisso!

Fonte:  
      
1 – Sttot, John. A Mensagem de Atos – Até os confins da terra. ABU Editora, São Paulo, SP, 2ª Edição 2010: p. 361.
2 – Gonzáles, Justo L. Atos, O Evangelho do Espírito Santo. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2014: p. 280.
3 – Ibid; p. 280.
4 – Wiersbe, Warren W. Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 629.
5 – Gonzáles, Justo L. Atos, O Evangelho do Espírito Santo. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2014: p. 281. 
6 – Ibid; p. 282.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Autofilia


Por Jorge Fernandes Isah

Tornou-se comum entre os crentes frases do tipo: “Não olhe para mim, olhe para Jesus”. Mas seria ela e suas corruptelas uma verdade? Digamos que… parcialmente, pois contém apenas uma fração da verdade.

Devemos olhar sempre para o nosso Senhor, pois é Ele quem nos dirigirá, revelando-nos, segundo a Escritura, a Sua vontade [para nós e nossos semelhantes] como Aquele que é o autor e consumador da nossa fé [Hb 12.2]. Contudo, isso não quer dizer que não devamos olhar para os homens, nem aprender com seus exemplos, seja imitando o que fazem de bom, e rejeitando prontamente seus erros, não incorrendo neles, tudo segundo e sob a luz das Escrituras Sagradas.

Muitos se utilizam daquela frase com o nítido intuito de justificar seus erros; alguns até mesmo para encobri-los, quando devíamos seguir o exemplo de Paulo: “Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores” [1Co 4.16].

Estaria o apóstolo tão cheio de si mesmo que proclamaria uma blasfêmia? Comparar-se a Cristo? Estaria envolvido pela vaidade e o orgulho a ponto de afirmar a necessidade dos coríntios serem como ele? Qual o fundamento de Paulo para tal afirmação? Não estaria o homem louco e dominado pela auto-exaltação?

Vejamos algumas características do apóstolo:

1) Paulo estava crucificado com Cristo [Rm 6.6, Gl 2.20a].

2) Paulo tinha a mente de Cristo [1Co 2.16].

3) Paulo tinha o Espírito de Cristo [Rm 8.9].

4) Paulo era imitador de Cristo [1Co 11.1].

No mundo atual, todos se querem originais, mas são exatamente os que se dizem originais que descambam para as esparrelas do diabo, os velhos ardis com que sempre os pegou; na pretensão de serem, digamos, únicos, singulares, acabam por repetir vulgarmente o que tornou satanás em pai da mentira e homicida desde o princípio, o qual “não se firmou na verdade, porque não há verdade nele” [Jo 8.44].

A mesma originalidade que fez Adão e Eva cairem; Caim matar seu irmão Abel; os homens contruírem a Torre de Babel; desprezarem os alertas de Nóe quanto ao julgamento divino; matar os profetas que proclamavam a Palavra de Deus; convencer Davi a assassinar covardemente um soldado a fim de adulterar com sua esposa; a crucificar Cristo; perseguir a igreja e matar os santos; implementar heresias, corrupções e formatar os antievangelhos com o nítido objetivo de dispersar o rebanho do Senhor, como se fosse possível espalhar aquilo que Cristo juntou pelo poder do Seu sangue na cruz [At 20.29].

Paulo não se envergonhava de ser como Cristo, pelo contrário, ele desejava ardentemente sê-lo, “esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”[Fl 3.13-14]. E o alvo era viver para e pelo Evangelho, o qual chamou apropriadamente de “meu evangelho” [Rm 2.16]. 

Novamente, parece que o apóstolo está envolto em soberba e arrogância, buscando uma autopromoção, porém, creio que para cada um de nós, os crucificados com Cristo, o Evangelho é nosso também, pois por ele fomos salvos, vivemos e seremos glorificados eternamente.

Antes de jactar-se em si mesmo, Paulo estava a glorificar Cristo, arraigado ao desejo de se parecer e ser semelhante ao seu Senhor. Ao invés de orgulho e vaidade, temos submissão e obediência, ao ponto de o termo “imitador”, algo tão desprezível em nossos dias, ser apontado por Paulo como uma virtude, uma qualidade dos que estão em Cristo, e são guiados por Ele.

Então, quando o apóstolo exorta a igreja a imitá-lo, o faz pelo privilégio de pertencer a Deus, mas não somente por isso, mas porque vivia não mais ele, mas Cristo nele; e a vida vivida na carne, vivia-a pela fé do Filho de Deus, o qual o amou, e se entregou a si mesmo por ele [Gl 2.20b]. O apóstolo tinha o legítimo direito de admoestar os crentes a serem seus imitadores, assim como ele era de Deus, pelo amor com que Cristo o amou em oferta e sacríficio a Deus [Ef 5.1-2].

E nós? Podemos pedir para que os irmãos nos imitem assim como imitamos Cristo? Ou nossa consciência nos diz para eles não fazerem isso? Por quê? Não será que nos esquecemos de seguir o exemplo de Paulo e imitar o Senhor? Ou estamos preocupados demais em imitarmos a nós mesmos, em nossas mentiras, orgulhos, vaidades, pretensões e objetivos nitidamente antibíblicos?

Se Paulo não vivesse a verdade seria facilmente confrontado. Não teria a autoridade apostólica reconhecida. Nem teria suas epístolas citadas por Pedro como parte das Escrituras. Se Paulo tivesse uma falsa vida cristã seria rejeitado pela igreja, a mesma igreja que o acolheu e reconheceu a regeneração operada pelo Espírito Santo naquele que antes a perseguia.

Na verdade, quando alguém afirma: “Não olhe para mim, olhe para Cristo”, está rejeitando em seu coração o próprio Evangelho; está se colocando vergonhosamente como alguém que não precisa seguir exemplos, e nem mesmo pode ser um; que se considera autosuficiente em si mesmo, e pode recusar qualquer conselho, exortação ou ensinamento, pois não se deve olhar para mais ninguém; e nisso, muitos acabam erroneamente por segui-lo… Contudo, Deus é um desconhecido para essa espécie de crente, o que nos levará inevitalmente à seguinte pergunta: como esse “super-homem” pode olhar exclusivamente para o Senhor, conhece-lO e a Sua vontade, se não se enquadra nas características de Paulo?

Ele:

1) Não está crucificado com Cristo.

2) Não tem a mente de Cristo.

3) Não tem o Espírito de Cristo.

4) Não é um imitador de Cristo.

É possível?

Como está escrito: “haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos… Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” [2Tm 3.1-2,5].

Assim se constrói uma mentira, a de que não devemos seguir os homens, nem ouvi-los, nem lê-los, nem espelharmos naquilo que de bíblico fazem. Ao contrário dos irmãos de Beréia que ouviam Paulo atentamente, mas confirmavam se tudo o que dizia estava nas Escrituras, a maioria está mais preocupada em viver uma vida à margem da Bíblia. Como bandoleiros e usurpadores da palavra; como se o testemunho cristão fosse algo irrelevante, descartável, inalcansável. E, nisso, tentam fazer de Deus mentiroso, para a própria condenação.

É uma via de mão-dupla:

1) Não se segue ninguém, porque assim pode-se viver a vida que quiser, à revelia da Escritura, sem que nada ou alguém o leve a imitar Cristo;

2) E não se corre o risco de ser imitado, e assim não é necessário aprimorar-se na palavra e no conhecimento de Deus. Pode-se ser o que sempre foi sem medo de ser importunado.

Sendo ainda possível:

1) Se considerarem em tão grande conta no seu orgulho que desprezam a igreja. Dizem: “Ela não é perfeita… ninguém é perfeito… então, por que devo olhar para os homens?“

Esquecem-se de que a igreja julgará o mundo juntamente com o Senhor, e de que, se não olharmos para ela, com seus erros e acertos, sendo capazes de apreender o bem e rejeitar o mal, não haverá purificação, porque Deus utilizará exatamente os meios humanos para torná-la santa e perfeita. De tal maneira que a multiforme sabedoria divina seja agora conhecida dos principados e potestades nos céus, através da igreja, “segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” [Ef. 3.10-11].

A falácia do não seguir os homens está em acordo com o individualismo, o egoísmo e o humanismo que têm permeado a igreja nos últimos tempos. Já imaginou se os discípulos do Senhor tivessem esse pensamento, visto ser Jesus homem (sem se esquecer da sua deidade)? Já imaginou se os discípulos, pelo fato dEle ser também humano, desprezassem seus ensinamentos e mandamentos? E como a igreja se iniciaria, progrediria, sendo pastoreada por homens simples e incultos como Pedro, Tiago e João? Mas, que tinham a sabedoria que vinha do céu? Haveria uma Igreja de Cristo? Haveria proclamação do Evangelho? Haveria salvação? Santificação? E Cristo teria um corpo? E o Noivo, a Noiva?

O Evangelho foi pregado por homens divinamente inspirados e guiados. Hoje, o Evangelho progride por homens igualmente inspirados e guiados pelo Espírito Santo. Assim como devemos orar e clamar a Deus para que Ele nos capacite e aperfeiçoe ao ponto em que outros sentirão o desejo de nos imitar. Não para a nossa glória pessoal, mas para a glória de Deus, que a cada dia nos faz mais semelhantes ao Seu Filho Amado, Jesus Cristo. Se você não crê nisto, a sua fé está posta em outro deus, não no Deus Vivo e Todo-Poderoso.

Não seguir os homens naquilo em que são bíblicos, fará seguir os que não são bíblicos. E esta não é a vontade de Deus, mas somente outra forma do maligno aprisioná-lo.

Nota: Autofilia = estima exagerada por si próprio; egolatria (Do gr. autós, «próprio» +philía, «amor; amizade»)

Fonte: NAPEC

quinta-feira, 30 de março de 2017

Pequenos cristos: roteiro para uma nanorrevolução


Por Davi Lago

“Cristão” significa “pequeno cristo”. Que somos pequenos não há dúvidas. Em relação à imensidão da história, nossa vida é como um milionésimo de segundo. Em relação à imensidão do cosmo, se a nossa Via Láctea é um grão, o que dirá da Terra e o que se dirá de nós? Ou seja, no tecido espaço-tempo somos uma diminuta partícula. O problema, no entanto, é que além de nossa finitude material, nos tornamos espiritualmente miseráveis ao abandonarmos nosso Criador. Nos tornamos pessoas mesquinhas, arrogantes, invejosas, vingativas.

Jesus é a revelação que Deus tem misericórdia de nós, apesar de nossa pequenez moral. O evangelho é o convite a seguir os passos de Jesus Cristo em direção à cruz, para uma vida cheia de amor, alegria e paz. “Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos” (Atos 11.26). Os pequenos cristos são aqueles que continuam os passos de Jesus Cristo hoje em Paris, Belo Horizonte, Tel Aviv, Detroit, Genebra, Luanda.

No início dos anos 2010 popularizou-se a noção de microrrevolução: no lugar de causas colossais, propostas simples; em vez de ideologias lentas e previsíveis, mudanças rápidas e pontuais. Em 2011 o evento TEDx na cidade de São Paulo apresentou o termo assim: “Uma microrrevolução é uma mudança significativa fomentada por ações simples. Quem reforma uma praça ou monta um projeto de inclusão digital, por exemplo, fez uma microrrevolução. Quem defende a agricultura urbana ou supera dificuldades físicas por meio da arte também é um microrrevolucionário. As microrrevoluções são sonhos possíveis, acontecem a todo momento, em qualquer lugar”.

Creio que nesse tempo de microrrevoluções, os pequenos cristos podem operar uma revolução ainda mais precisa, ainda mais acurada: uma nanorrevolução em cada ato da vida, até mesmo em nossos pensamentos e avaliações. Como disse o poeta moçambicano Mia Couto em seu Poema didático: “Eu tive um país tão pequeno, tão pequeno, que não cabia no mundo”[1].

O evangelho não é um borrão conceitual, um credo enevoado. Pelo contrário: é mensagem cristalina para uma vida cristalina. O evangelho é um convite para andar na luz: o pleno reconhecimento de nossas limitações por um lado, mas por outro, na imensidão do poder e do amor de Deus manifestos em Jesus Cristo. E isso precisa ser colocado em atitudes concretas, pequenas atitudes e gestos, como Jesus mesmo ensinou: até mesmo o simples entregar de um copo de água fria!

Nestes tempo líquido-gasosos caracterizados pela fluidez e instabilidade, sejamos nanomissionários sólidos! Missão não é uma tarefa a realizar, é a própria vida. Somos missão. “Antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações” (Jeremias 1.5).

A missão está sempre relacionada com a concretude da existência. Não existe nenhuma missão no abstrato, no vácuo, fora do tempo, do espaço e das culturas. A revolução cristã é a missão de anunciar e viver o evangelho real! É um processo de integração, de relação, de comunhão, de tolerância, de urgência.

Concordo com João Panazzolo: “missão é testemunhar, em todo o mundo, o que está acontecendo em nós. É diferente de só realizar tarefas ou da ambição expansionista. Manifesta-se em atividades, mas acontece primeiramente, em nós” [2]. “Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado” (Efésios 1.4-6).

A igreja está à serviço do Reino, estabelecendo uma nova relação, uma reviravolta na hierarquia do valores dominantes. O Reino é dos pequenos e simples e não dos sábios e poderosos (Lucas 18.9-14). Foram esses pequenos cristos que difundiram a mensagem de Jesus! Como afirmou John M. Kelly, a fé cristã alcançou “não só a plebe urbana (que se sentia especialmente atraída pela mensagem de Cristo), mas também membros das classes superiores educadas, que logo se tornaram capazes de opor ao paganismo argumentos intelectuais vencedores”[3].

A fé cristã vai direto ao ponto. Apresenta respostas incisivas e claras às grandes questões da vida. Apresenta preceitos diretos, sem embromação. Como afirmou Blaise Pascal: “Duas leis bastam para reger toda a República cristã, melhor do que todas as leis políticas”[4]. Os pequenos cristos são cidadãos do Reino do Amor.

Conforme o texto do Evangelho segundo São João 3.16 “Porque Deus amou tanto o mundo que enviou seu filho unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. Lutero chamou esse trecho bíblico de “evangelho em miniatura”. E é exatamente isso o que precisamos hoje: miniaturas de Jesus em circulação, miniaturas do evangelho, pequenos cristos por toda parte.

NOTAS

[1] COUTO, Mia. Poemas escolhidos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p.153.

[2] PANAZZOLO, João. Missão para todos: introdução à missiologia. São Paulo: Paulus, 2006, p.101.

[3] KELLY, John M. Uma breve história da teoria do direito ocidental. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010, p.108-109.

[4] PASCAL, Blaise. Pensamentos. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p.143.

Fonte: NAPEC

quarta-feira, 29 de março de 2017

A IRA DO HOMEM E A IRA DE DEUS



















Por Fabio Campos 

Segundo o dicionário Escolar da Língua Portuguesa, produzido pela academia brasileira de letras, “Ira” é o forte sentimento de raiva ou rancor (contra algo ou alguém), provocado por algum mal ou ofensa recebidos; ódio, cólera, fúria; trata-se do desejo de vingança ou de punição 1. O dicionário popular de teologia de Millard Erickson, diz que a “Ira de Deus”trata-se da oposição ao ódio pelo mal, juntamente com a intenção de puni-lo 2. Já o dicionário de Teologia da Editora Vida, edição de bolso, diz que Ira é a reação espontânea, subjetiva e santa de Deus ao pecado, ao mal e à impiedade exibidos pelas criaturas que a ele se opõem 3.

Este atributo não é tão fácil de definir, como acontece com amor, que também se trata de um dos atributos de Deus. Os reformadores enfatizaram muito em suas pregações e ensinos a ira de Deus. Os puritanos eram contundentes na exposição de seus sermões, e dentre os seus temas favoritos encontrava-se a ira de Deus. Quem não se lembra, por exemplo, o famoso sermão pregado por Jonathan Edwards Pecadores nas mãos de um Deus Irado. 

No entanto, o principal complicador para se definir a ira de Deus é porque, na maioria das vezes, partimos do ponto da ira do homem, isto é, de nós mesmos. O que deve ficar claro para nós, entretanto, é que a ira de Deus é diferente da ira do homem, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus (Tg 1.20). Aqui está o motivo pelo qual muitos se equivocam ao falar sobre este assunto.

Alguns entendem ira de Deus como ressentimento, animosidade, vingança pessoal etc. A nossa ira, no entanto, é que carrega este caráter. Deus, porém, não é movido por sentimentos ou paixões (ainda que Ele seja imanente). A ira de Deus, portanto, não é um sentimento de fúria no qual Deus se deixou levar pelo o momento, mas o estado na relação d’Ele com o homem (Jo 3.36; Rm 4.15; Cl 3.6). Jonh Stott diz que “a ira divina contra o pecado lhe causou dor (em Deus). Essa ira de Deus é absoluta e firme. Podemos dizer que o reconhecimento da ira de Deus é o princípio da sabedoria. Mas Deus ama as próprias pessoas com as quais está irado. De modo que a dor de Deus reflete a sua vontade de amar o objeto de sua ira”.4 Por este fator – diferente de nós quando irados – Deus continua amando o objeto da sua ira, sem, com isso, levá-la em conta, pois todos homens se encontram sob o seu juízo (Rm 3.23).

Esta ira, ou seja, me refiro ao estado, é removida quando alguém recebe Cristo como Senhor e Salvador. Aqui há algo extraordinário. Na cruz, a justiça e a misericórdia se beijaram. O Pai continuou amando o Filho mesmo quando o Filho, por amor a nós (Jo 3.16), foi o objeto da ira do Pai (Is 53. 3-7). Foi “Deus lutando com Deus”, como disse Martinho Lutero. 

Ele provou o seu amor para conosco pelo fato de ter entregado a Cristo quando ainda éramos pecadores, isto é, quando éramos ainda o objeto da sua ira (Rm 5.8). Esta é a razão pela qual não precisamos levantar a voz e nem fazer cara feia ao pregarmos a ira de Deus. Risos...

O que ocorre, entretanto, é que em certas ocasiões, o que temos são manifestações desta ira (Ex 4.14; Nn 12.9, 22.22, 32.14; Jz 10.7; 2 Sm 24.1; 1 Is 42.25; At 5. 1-10). A ira consumada, no entanto, se manifestará em sua plenitude no dia do Senhor (Am 5. 18-20). Essa será a última vez que o Senhor Deus se irará. Neste dia o juízo será sem misericórdia (Mt 3.7; 1 Ts 1.10; Ap 6.16). Por enquanto, a misericórdia ainda triunfa sobre o juízo (Tg 2.13).

Com efeito, a Bíblia usa um figura de linguagem chamada“antropopatismo” (compreensão de Deus como possuidor de emoções humanas) para fazer entender, em parte (1 Co 13.9), o estado entre Deus e os homens. Em Cristo, como disse anteriormente, essa ira é removida e a paz se estabelece. Paz no sentido de uma bênção ligada ao passado. Trata-se de algo que já aconteceu. Não é a paz de Deus (Fp 4.7), mas a paz com Deus (Rm 5.1). Não é um sentimento, mas um relacionamento. É a paz da reconciliação com Deus 5. 

Posto isto, o nosso cuidado consiste, ao falarmos da ira de Deus, em não atribuirmos ao Senhor a nossa ira, que é maculada pelo pecado. Para o homem apertar o gatilho não precisa de muito; basta ser contrariado. Essa ira é quem faz as pessoas cometerem erros sem que haja esforços para isso (Pr 14.17). A ira do homem o apressa em cometer loucuras (Ec 7.9); diferente da ira de Deus, que mesmo sendo santa, pura e justa, demora-se (por misericórdia) em ser aplicada (Sl 103.8). 

Muitos pregadores falam da ira de Deus com ódio no coração e raiva dos pecadores. Isto não tem nada a ver com as Escrituras e nem com o caráter Santo de Deus. Jamais podemos atribuir a Deus sentimentos que são nossos, como Ele mesmo diz, acerca disto: “... porque sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; eu não chegarei com ira” (Os 11.9). 

O que me traz temor numa pregação não é o dedo em riste do pregador ou a sua fisionomia de justiça, mas a Palavra de Deus exposta em sua fidelidade onde me é apresentado a justiça de Deus. O que me faz temer e tremer é a ira de Deus que me confronta junto do seu amor me constrange (Rm 2.4; 2 Co 5.14). Isto sim me leva ao arrependimento.

Portanto, em resumo, a ira de Deus está mundos à parte da nossa. O que provoca a nossa ira (a vaidade ferida) jamais provoca a dele; o que provoca a ira dele (o mal) raramente provoca a nossa6. O homem pode até se irar de acordo com a ira de Deus (Ef 4.26), porém, grosso modo, há uma distância muito grande entre a ira do homem para a Ira de Deus.

Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração.

Soli Deo Gloria!
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Notas e citações:

1 Academia brasileira de letras; São Paulo, SP; Companhia Editora Nacional, 2º edição –São Paulo – 2008.
2 ERICKSON, Millard J. Dicionário Popular de Teologia. Ed. Mundo Cristão; 1 º edição –São Paulo – março de 2008.
3 GRENZ, Stanley J & GURETZKI, David & NORDLING, Cherith Fee. Dicionário de Teologia. Ed. Vida; São Paulo 2007.
4 STOTT, John. A cruz de Cristo. Ed. Vida Acadêmica; 1 º edição – São Paulo – março de 2006., p. 337
5 LOPES, Hernandes D. Romanos, o Evangelho segundo Paulo; p. 203
6 STOTT, John. A cruz de Cristo. Ed. Vida Acadêmica; 1 º edição – São Paulo – março de 2006, p. 176

Fonte: Fabio Campos 

sábado, 25 de março de 2017

Discípulos sim, prosélitos nunca!


Por Sandro Veiga

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito e, depois de o terdes feito, vós o tornais duas vezes mais filho do inferno do que vós. Mateus 23:15

Mais uma vez este sujeito entrelaça os pés pelas mãos ao tentar realizar o inútil serviço de “defensor” da santidade de Deus e da autoridade da Igreja, pois Deus e a Igreja não precisam de advogados.

Mas dessa vez vejo uma intenção mais ousada por parte dele, por isso, antes de chegar onde quero, preciso explicar o contexto que envolve o versículo que citei acima.

Quando se trata de conceituar a palavra prosélito nas Escrituras é necessário muito cuidado, portanto, avaliar o contexto em que ela está sendo aplicada é indispensável, pois no judaísmo nem todas as pessoas classificadas assim pertenciam à mesma categoria.

Ou seja, nem todos aceitavam a religião judaica de forma absoluta, pois, nas Escrituras, alguns que poderiam ser assim denominados, são chamados de “tementes a Deus” ou simplesmente “adoradores”. Estes haviam renunciado suas práticas pagãs apenas pelo fato de terem simpatizado o suficiente com a religião dos judeus para frequentarem a sinagoga. Muitos entre estes que eram chamados “prosélitos de porta” foram alcançados pelo Evangelho e se converteram a Cristo, como por exemplo, Lídia (At. 16:14).

Entretanto, outros foram muito mais longe na sua mudança do paganismo para o judaísmo, isto é, embora fosse impossível se tornarem judeus quanto à raça, se tornavam judeus quanto à religião e, isso, até o ponto de ultrapassar os mandamentos e obedecer cegamente todas as regras dos rabinos. Esses eram aceitos na comunidade judaica como “prosélitos de justiça”, ou “homens novos” e, na maioria das vezes, recebiam até mesmo novos nomes.

Podemos estar certos então que quando Jesus diz que os escribas e fariseus percorriam o mar e a terra para fazer um prosélito está se referindo a esse último tipo, pois o propósito dos religiosos partidários não era simplesmente transformar um gentio num judeu, mas transformá-lo em um judeu cheio de zelo, absolutamente legalista, em tudo ritualista, dado a todas as sutilezas, ou seja, alguém inflamado de amor beato por sua nova religião.

Implicitamente, Jesus diz que esse novo convertido seria, em seu fanatismo, mais religioso que os religiosos que o converteram, pois não é incomum que novos adeptos se devotem de maneira lunática à sua nova fé e isso explica o porquê Jesus pôde dizer: “… e, depois de o terdes feito, vós o tornais duas vezes mais filho do inferno do que vós”.

Dito isto, a ideia do boicote proposto pelo cidadão em questão ganha um contorno, pois, quando, ao exercer sua religiosidade, ele se nega a coexistir com os diferentes e, não satisfeito só em praticar sua rigidez religiosa, convoca outros a o imitarem, fica clara a intenção dele de criar prosélitos partidários.

A missão da Igreja é fazer discípulos de Jesus por meio do amor revelado no Evangelho e estendido a partir disso. Esse é o único serviço e meio para a sua realização.

Sei que você agora pode estar repetido uma das expressões preferidas dele, “mas amar não significa concordar com o erro” e digo sim, isto é verdade, mas é mais verdade ainda que o amor reclamado pelo Evangelho deva ser estendido na mesma medida do entendimento da gravidade do pecado cometido contra Deus.

Assim, percorrer todos os caminhos para fazer um seguidor de um amor seletivo e inflexível aos erros, não tem nada de correlato com a ordem de fazer discípulos Daquele que, mesmo sendo a encarnação do amor e da justiça, decidiu conviver com todos nas suas piores manifestações e sem a neurose de estar se associando a quem quer que seja.

O “candidato a Aiatolá evangélico” que vive do surto de criar um exército de prosélitos intransigentes e partidários está cada vez mais fanático por sua ideologia, mas confiemos na graça e na misericórdia Daquele que orou pedindo para o Pai que não nos tirasse do mundo, mas que nos livrasse do mal, pois de que adianta nos isolarmos do mundo temendo sua influência, mas estarmos cada vez mais entranhados no mal que obscurece o bem que deve nos influenciar?

É APENAS no EVANGELHO que somos feitos discípulos de Jesus para boicotar o pecado que nos habita e o proselitismo que nos acedia por terra e mar.

Fonte: NAPEC

sábado, 18 de março de 2017

O "ESPÍRITO DE LÓ"


Por Pr. Silas Figueira

No livro de Gênesis capítulo 12 nós encontramos o Senhor chamando Abraão para sair da sua terra e do meio de sua parentela, e ir para um lugar que o Senhor designara. O Senhor lhe faz promessas de que ele seria extremamente abençoado, fazendo dele uma grande nação (Gn 12.1-3).

No entanto, nós vemos que Abraão não fez como o Senhor lhe havia ordenado. Abraão saiu da sua terra como o Senhor ordenara, mas levou consigo seu sobrinho Ló. Este sobrinho era filho de seu irmão Harã que havia falecido (Gn 11.27,28). Este sobrinho era como um filho para Abraão, por isso o levou com ele. Mas a ordem dada foi de que ele deveria deixar todos os seus parentes (Gn 12.1). Um dos maiores problemas do ser humano é ser guiado mais pelos seus sentimentos do que pela Palavra de Deus. Esse sentimentalismo tem gerado grandes dificuldades na vida de muitos crentes em Jesus. Ao longo da história nós vemos isso se repetindo.

Quando deixamos que os nossos sentimentos falem mais alto que a voz de Deus através de Sua Palavra, nós, infelizmente, sofreremos sérias consequências disso. Veja a história de Abraão e Ló e você verá que este sobrinho causou-lhe muitos aborrecimentos, tristezas e preocupações, coisas que teriam sido evitadas se Abraão tivesse dado ouvidos a ordem que lhe fora dada.

Eu não quero passar a imagem de ser uma pessoa sem sentimentos para com as pessoas, ou mesmo para com os nossos familiares; mas existe algo que tem que estar acima dos nossos sentimento e emoções: A Palavra de Deus. Nós andamos por fé e não por emoção. Nós andamos direcionados pela Palavra e não pelos nossos achismos. Somos ordenados a obedecer a Sua Palavra de não fazermos o que nós queremos.

Se nós somos servos não tem como fazermos de forma diferente daquilo que o Senhor nos fala para fazermos através da Sua Palavra. Se Ele é Senhor temos que obedecê-lo (Lc 6.46).

Nós estamos em uma guerra espiritual e todos nós temos um inimigo comum que se chama Satanás. No que depender dele, ele fará de tudo para impedir que as promessas do Senhor se cumpram em nossas vidas, ou pelo menos, irá fazer de tudo para nos atrapalhar em nossa caminhada. E uma das coisas que ele coloca em nosso caminho é esse “espírito de Ló”. Permita-me chama-lo assim.

É aquele sentimento que o diabo nutre dentro dos nossos parentes, amigos e pessoas que aparecem em nossas vidas. E esse espírito gera dentro de nós aquele sentimento de piedade pela outra pessoa. E esse envolvimento sentimental (espiritual) que nutrimos nos afasta do propósito inicial do Senhor para nós. Por isso que o Senhor nos alerta: Saia dela povo meu (Ap 18.4). Essa é a ordem, mas o nosso coração guarda a esperança de que as coisas podem mudar no decorrer dos anos, pois o diabo coloca essa “esperança” dentro de nós. E pensamos: “Quem sabe ele irá se converter. Quem sabe ele irá mudar. Quem sabe ele irá abandonar o vício”. Quem sabe é Deus e Ele disse que devemos deixar esse sentimento de lado. Devemos dar atenção à Sua Palavra e não aos nossos sentimentos, pois enganoso é o nosso coração (Jr 17.9).

Isso não é falta de fé, mas devemos ter discernimento espiritual para não sermos presas fáceis de Satanás. O diabo sempre irá colocar esse tipo de pessoa no nosso caminho. Por isso cuidado!

Esse “espírito de Ló” é uma grande armadilha para o nosso desenvolvimento espiritual. É um espírito que acompanha um sentimentalismo piegas e depois deixa um rastro de destruição e tristeza. Veja alguns exemplos na própria vida de Abraão como esse espírito só lhe causou danos.

Primeiro, pessoas com o “espírito de Ló” só trás contenda (Gn 13.1-13). Ló acompanha Abraão e nesse período Ló fica rico vivendo com seu tio. O texto nos diz que estava havendo uma cotenda entre os pastores de Abraão e os pastores de Ló devido à quantidade de animais. A ideia que se tem aqui é que estava havendo uma comparação de quem era o mais rico, se era Abraão ou Ló. E quem começou isso foi Ló (Gn 13.8). Abraão o chama e diz que entre eles não deveria haver esse tipo de coisa, e que era melhor eles então se separarem. É aqui que seu sobrinho mostra uma total falta de respeito e de generosidade para com seu tio Abraão. Quando Abraão lhe diz que se ele fosse para um lado, ele iria para o outro, que o importante é eles estarem bem (Gn 13.9); Ló mais do que de pressa escolhe a melhor parte sem se importar com seu tio.

Gente com esse espírito sempre traz contenda, confusão, falta de harmonia, desentendimento, comparação... É o tipo de pessoa que aparece em nossa vida como um cordeiro, mas aos poucos começa a se revelar como um lobo. 
  
Segundo, pessoas com o “espírito de Ló” tenta roubar as promessas de Deus para nossas vidas (Gn 13.10-12). Ló escolhe a parte melhor e deixa o seu tio com a pior. Ele não teve se quer a hombridade de dizer para o seu tio ter a primazia da escolha. Esse espírito é ganancioso, trapaceiro e ingrato e gera esses sentimentos na pessoa que tem esse espírito. Você já esteve com alguém assim? Creio que sim. Você ajudou a pessoa lhe estendendo a mão, e quando a pessoa já estava bem lhe deu às costas lhe causando inclusive prejuízo. Isso é mais comum do que parece.

Como disse Spurgeon: “Para nós não nos decepcionarmos com as pessoas não crie expectativas a respeito delas”.

Mas a culpa dessa situação é nossa porque desobedecemos ao que o Senhor ordenou. Deixar para trás aquilo que não era para trazermos. Se não for a graça do Senhor agindo por nós seríamos destruídos por pessoas com esse espírito.

Terceiro, pessoas com o “espírito de Ló” não levanta altares (Gn 12.8). Essas pessoas que nos acompanham não temem a Deus como nós tememos. Ló não levanta altares, não se vê na dependência do Senhor, mas quer desfrutar das Suas bênçãos. Quem tem esse espírito quer desfrutar do melhor que o Senhor tem nos dado, mas não se importa em estar em Sua presença.

Eu ouvi de um pastor dizer o seguinte: “Ande com pessoas que sejam mais crentes que você”. Ele estava dizendo com isso que devemos deixar de lado aquelas pessoas que não querem nada com Deus, apesar de estarem na igreja e até em nossa família.

Veja o que Paulo nos aconselha:

“Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer” (1Co 5.11 – NVI)

Quarto, pessoas com o “espírito de Ló” só fazem escolhas erradas (Gn 13.12,13). Ló foi Guido pelos olhos e não por Deus. Ló foi guiado pela ganância e não pela hombridade. Ló foi guiado pelo diabo e fez a escolha errada. Pessoas que carregam esse espírito levam aqueles que o acompanham para lugares perigosos, para lugares de pecado, para lugares condenados pelo Senhor. Pessoas assim são atraídas para esses lugares porque são guiados por demônios e não pelo Espírito Santo.

A história de Ló se repete nos dias de hoje. Quantos pais de família levando os seus familiares para o pecado, para a destruição e para a ruína. Quantos que andaram com pessoas piedosas, mas não absorveram esse mesmo temor. Esse tipo de gente é atraído pelo pecado e dele se satisfaz. 
     
Quinto, pessoas com o “espírito de Ló” só se mete em confusão (Gn 14.1-16). O texto nos fala que houve uma guerra e os moradores de Sodoma, cidade que Ló foi morar, foi saqueado e Ló foi preso também. Quem tem esse espírito só arruma lugar perigoso para viver e só se mete com pessoas erradas. E triste não é isso, é que tais pessoas precisam de ajuda e recorrem a nós muitas vezes. No caso aqui, Abraão quando ouviu que seu sobrinho estava em apuros foi socorrê-lo (Gn 14.14). Mas, geralmente, essas pessoas recorrem a nós, muitas e muitas vezes. 

Sexto, pessoas com o “espírito de Ló” não nunca aprendem a lição (Gn 19.1...). Veja que Ló foi retirado da cidade do pecado e voltou para esta mesma cidade. São pessoas incorrigíveis, insubordinadas e teimosas. Acham-se donas da verdade e por isso não ouvem conselho. Com tais pessoas devemos tomar muito cuidado, pois os tais não se importam com elas mesmas e ainda se passam por vítimas. E por fim são vítimas realmente, mas das suas más escolhas (Gn 19.23-26). Ló perdeu todos os bens que havia conquistado, perdeu a esposa por ser gananciosa e suas filhas para o pecado.

Pessoas com o “espírito de Ló” só atraem desgraça para si e para os que os acompanham. Tome cuidado com tais companhias. 

Sétimo, pessoas com o “espírito de Ló” geram descendentes impiedosos (Gn 19.30-38). O Senhor, por misericórdia e interseção de Abraão enviou dois anjos para livrar Ló e sua família da destruição iminente de Sodoma e Gomorra, mas o fim de sua família também foi iminente. Ele perdeu a esposa, pois ela desobedeceu a ordem dada de não olhar para trás, e virou uma estátua de sal (Gn 19.26). Esse espírito também influencia outros a se lamentar das perdas e não consegue ser grato a Deus pelos livramentos.

Suas duas filhas, provavelmente, aprenderam em Sodoma o pecado do incesto e coabitam com o próprio pai e tem filhos com ele (Gn 19.36-38). E os filhos que lhes nascem são filhos malditos que não temem ao Senhor e se tornam inimigos de quem o adora. Os amonitas e os moabitas foram inimigos de Israel.

CONCLUSÃO

Gente assim é a pior escolha que podemos fazer para ser nosso companheiro de caminhada. Vão nos sugar e nunca nos abençoar. Por isso fuja de tais indivíduos para que você possa desfrutar das bênçãos que o Senhor tem para sua vida.

Abraão não obedeceu de forma plena a ordem do Senhor e trouxe para si problemas terríveis, meu irmão o que está registrado na Palavra de Deus é para servir para nós de exemplo. E exemplos não faltam. Se errarmos é por nossa conta e risco e não por falta de Deus não nos avisar.

Pense nisso!