terça-feira, 24 de setembro de 2013

PALAVRA DE PERDÃO



Por Pr. Silas Figueira

Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Lc 23.34 

As últimas palavras de uma pessoa podem ser muito reveladoras, principalmente se estas palavras são no momento de morte. Antes de falarmos a respeito das palavras que Jesus proferiu na Cruz, eu gostaria de compartilhar com você algumas palavras de alguns homens que influenciaram a sociedade e a história. Este é um artigo do site Chamada da Meia Noite, escrito por Alexander Seibel. 

ÚLTIMAS PALAVRAS DE GRANDES HOMENS INFIÉIS 

Praticamente nada é mais esclarecedor do que o testemunho de moribundos. Mesmo mentirosos confessam então a verdade. Um olhar para o leito de morte revela muitas vezes mais do que todas as grandes palavras e obras em tempo de vida. No momento em que pessoas se veem confrontadas com a morte, muitas perdem suas máscaras e tornam-se verdadeiras. Muitos tiveram que reconhecer que edificaram sobre a areia, se entregaram a uma ilusão e seguiram a uma grande mentira. Aldous Huxley escreve no prefácio do seu livro “Admirável Mundo Novo”, que se deveria avaliar todas as coisas como se estivessem sendo vistas do leito de morte. “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12), diz a Bíblia. 

VOLTAIRE, o famoso zombador, teve um fim terrível. Sua enfermeira disse: “Por todo o dinheiro da Europa, não quero mais ver um incrédulo morrer!” Durante toda a noite ele gritou por perdão. 

DAVID HUME, o ateu, gritou: “Estou nas chamas!” Seu desespero foi uma cena terrível. 

HEINRICH HEINE, o grande zombador, arrependeu-se posteriormente. Ao final da sua vida, ele ainda escreveu a poesia: “Destruída está a velha lira, na rocha que se chama Cristo! A lira que para a má comemoração, era movimentada pelo inimigo mau. A lira que soava para a rebelião, que cantava dúvidas, zombarias e apostasias. Senhor, Senhor, eu me ajoelho, perdoa, perdoa minhas canções!” 

De NAPOLEÃO escreveu seu médico particular: “O imperador morre solitário e abandonado. Sua luta de morte é terrível.” 

CESARE BORGIA, um estadista: “Tomei providências para tudo no decorrer de minha vida, somente não para a morte e agora tenho que morrer completamente despreparado.” 

TALLEYRAND: “Sofro os tormentos dos perdidos.” 

CARLOS IX (França): “Estou perdido, reconheço-o claramente.” 

MAZARINO: “Alma, que será de ti?” 

HOBBES, um filósofo inglês: “Estou diante de um terrível salto nas trevas.” 

SIR THOMAS SCOTT, o antigo presidente da Câmara Alta inglesa: “Até este momento, pensei que não havia nem Deus, nem inferno. Agora sei e sinto que ambos existem e estou entregue à destruição pelo justo juízo do Todo-Poderoso.” 

GOETHE: “Mais luz!” 

NIETZSCHE: “Se realmente existe um Deus vivo, sou o mais miserável dos homens.” 

LÊNIN morreu em confusão mental. Ele pediu pelo perdão dos seus pecados a mesas e cadeiras. À nossa juventude revolucionária se assegura insistentemente e em alta voz, que isso não é verdade. Pois seria desagradável, ter que admitir que o ídolo de milhões se derrubou a si mesmo de maneira tão evidente. 

SINOWYEW, o presidente da Internacional Comunista, que foi fuzilado por Stálin: “Ouve Israel, o Senhor nosso Deus é o único Deus.” 

CHURCHILL: “Que tolo fui!” 

YAGODA, chefe da polícia secreta russa: “Deve existir um Deus. Ele me castiga pelos meus pecados.” 

YAROSLAWSKI, presidente do movimento internacional dos ateus: “Por favor, queimem todos os meus livros. Vejam o Santo! Ele já espera por mim, Ele está aqui.” 

JESUS CRISTO: “Está consumado.” 

Voltaire, David Hume e outros, certamente teriam rido ou zombado, se em tempo de vida se explicasse a eles, que sem Jesus Cristo estariam eternamente perdidos. Apesar disso, eles tiveram que reconhecer que isso é verdade e que a Bíblia tem razão ao dizer: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo” (Hb 9.27). Como você morrerá? Será muito tarde também para você? Quais serão suas últimas palavras? [1]. 

CENAS DA MORTE DE FIÉIS 

Agora observemos algumas cenas da morte de fiéis. Ouça o que eles disseram e note o contraste: 

JOHN PAYSO - Seu leito de morte presenciou uma cena extraordinária e sublime; ele gritou: “Isto basta: Cristo morreu por mim. Estou subindo para o trono de Deus”. Então, rompendo em acordes de louvor arrebatadores, juntando as mãos como se estivesse orando, disse: “Sei que estou morrendo, mas meu leito de morte é um leito de rosas; não tenho espinhos plantados no travesseiro de minha morte. O céu já começou; a vida eterna está ganha, ganha, ganha. Tenho uma morte fácil, segura e feliz. Tu, meu Deus, estás presente, eu sei, eu sinto Tua presença. Jesus precioso! Glória a Deus” Logo depois, expirou exclamando: “Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!” 

DAVID BRAINERD – “Meu desejo é servir a Deus e ser completamente devotado à sua glória; este é o céu pelo qual anseio, esta é a minha religião e minha felicidade, e sempre foi, desde que julguei ter uma verdadeira religião. O guardião está comigo; porque a carruagem custa tanto a chegar? Porque tardam as rodas de Sua carruagem?” 

JOHN WESLEY – Quando os amigos se acercaram de seu leito de morte, ele tentou falar, mas, observando que não estava sendo entendido, parou. “Então”, disse uma testemunha ocular, “erguendo seus braços enfraquecidos num gesto de vitória, e elevando a voz debilitada em santo triunfo, gritou: O melhor de tudo é que Deus está conosco”. 

BILLY BRAY volta para casa – Na sexta-feira, ele desceu as escadas pela última vez. A um de seus amigos que, poucas horas antes de sua morte, perguntou-lhe se não tinha medo da morte, ou de se perder, ele disse: “O quê? Eu temer a morte? Eu perdido? Ora, meu Salvador venceu a morte. Se eu fosse para o inferno, iria gritando glória! Glória! Ao meu bendito Jesus, até fazer o inferno ressoar, e o miserável e velho Satanás diria: “Billy, Billy, isso não é lugar para você; saia daqui”. Então eu iria para o céu, gritando glória! Glória! Glória! Louvado seja Deus!” Pouco depois, ele disse: “Glória!”, e essa foi sua última palavra. 

MARTINHO LUTERO – Os amigos queriam que ele tomasse algum remédio. “Estou partindo e, em breve, vou render meu espírito”, disse Lutero, repetindo três vezes: “Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito, porque Tu me redimiste, Tu, Deus da Verdade”. Então, ficou completamente imóvel, não respondendo perguntas que lhe dirigiam, até que, friccionando seu pulso com uma solução revigorante, o Dr. Jones lhe disse ao ouvido: “Reverendo, o senhor permanece com Cristo e com as doutrinas que tem pregado? Elas resistem à agonia da morte? “Sim! Sim! Mil vezes, sim!”, gritou Lutero e, virando-se, adormeceu. 

O MARTÍRIO DE LATIMER – “Tenha bom ânimo, Mestre Ridley, e seja homem! Neste dia, acenderemos na Inglaterra, pela graça de Deus, uma vela que, confio, nunca será apagada!” Depois disso exclamou: “Ó Pai Celeste, recebe minha alma!” [2] 

APÓSTOLO PAULO - Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda. 

AS ÚLTIMAS PALAVRAS DA CRUZ

As últimas palavras de Jesus nos mostram que ninguém alcançará o favor de Deus se se desviar da cruz. A cruz é a dobradiça sobre a qual gira a porta da história. E nas últimas palavras do Nosso Salvador nos vemos o lado humano dEle, mas também o quanto seus ensinamentos eram mais que palavras, eram vida a ser vivida mesmo no momento da morte. Mesmo diante de tanta aflição Jesus não deixou de estar na dependência do Pai e de liberar perdão aos seus algozes. Mesmo diante de tanta dor Ele cuidou daquela que foi a sua mãe. A cruz foi o cumprimento cabal de Is 53.4,5: 

“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” 

Enquanto pende na cruz, Jesus é maltratado por três grupos de pessoas, que podem ser descritos respectivamente como “pecadores ignorantes”, “pecadores religiosos” e “pecadores condenados”. Primeiro, os que passavam descuidadamente, meneavam arrogantes a cabeça para Jesus, como os perseguidores do salmista haviam feito como ele (Sl 22.7). “Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!” (Mt 27.39,40). O que essas pessoas cheias de si foram totalmente incapazes de ver foi que este Filho de Deus não podia descer da cruz precisamente porque era o divino Salvador que estava levando “sobre si o pecado de muitos”. Os pecadores “religiosos” estavam representados por aqueles membros do Sinédrio que também saíram para escarnecer. Contudo, as suas zombarias não eram dirigidas a Jesus, mas partilhadas entre si. “Salvou os outros”, diziam,“a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele” (Mt 27.42). Os mesmos insultos, acrescenta Mateus, foram proferidos pelos pecadores “condenados”, pendurados ao lado de Jesus [3]. 

A cruz foi o resumo do ministério de Jesus, e através das suas últimas palavras nós encontramos o verdadeiro propósito de nossas vidas. Essas últimas palavras ditas pelo Senhor na cruz são importante não só por causa de quem falou, mas também pelo lugar e em que circunstâncias foram ditas. 

Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Lc 23.34. 

Durante todo o seu ministério Jesus sempre ensinou a respeito do perdão e sempre perdoava aqueles que necessitavam de misericórdia. Quando Jesus disse para aquele paralítico em Mc 2.5 que os seus pecados estavam perdoados, houve uma avalanche de controvérsias, pois seus ouvintes sabiam que só Deus podia perdoar pecados. Jesus explicou que possuía autoridade para perdoar pecados, porque detinha credenciais de divindade. Mas agora, porém, pendurado na cruz não exerceu essa prorrogativa divina, mas pediu ao Pai que fizesse aquilo que durante o Seu ministério tanto fez. Naquele momento Jesus estava se identificando completamente conosco, abrindo mão se sua posição de autoridade. Como disse o apóstolo Paulo em sua carta em Fl 2.5-8: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” Outra coisa que nos chama atenção é que o Senhor Jesus no Sermão do Monte ensinou a seus discípulos a perdoar os seus inimigos e agora o vemos pondo em prática os seus ensinamentos (Mt 5.43,44 cf. Rm 12.19,20). Não foram ensinamentos vazios, mas foram cheios de graça. Diante do maior crime de toda a humanidade, Jesus o Único Inocente estava sendo crucificado e intercedendo pelos seus algozes diante do Pai. 

Essa primeira das sete palavras na cruz do nosso Senhor o apresenta em atitude de oração. Seu ministério público tinha sido aberto com oração (Lucas 3.21), e aqui vemos Ele sendo fechado com oração. Certamente ele nos deixou um exemplo! Ao orar por seus inimigos, Cristo não somente colocou diante de nós um exemplo perfeito de como devemos tratar aqueles que nos prejudicam e nos odeiam, mas ele também nos ensinou a nunca considerar algo como além do alcance da oração. Se Cristo orou por seus assassinos, então certamente temos encorajamento para orar agora pelo maior de todos os pecadores! 

Jesus disse “Pai”. Enquanto estava na cruz, o Senhor se dirigiu a Deus três vezes. Sua primeira declaração foi: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lc 23.34). A quarta declaração foi: “Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). Sua declaração final foi: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! (Lc 23.46). 

Suas primeiras palavras, as centrais, e suas últimas, foram todas dirigidas ao Pai. Quando o Senhor entrou em seu sofrimento, enquanto o suportava e quando emergiu vitorioso dele, Jesus falou ao Pai nos céus. Nada ameaçou seu relacionamento com o Pai [4]. 

Jesus atribuiu a razão da ignorância aos motivos dos que o crucificavam. A ignorância dos soldados foi circunstancial, porquanto foram envolvidos em acontecimentos que não haviam provocado e que não podiam controlar. A ignorância dos judeus, entretanto, foi judicial, porquanto haviam fechado os próprios olhos à realidade de Jesus, por meio de supostas exigências de sua própria lei, em face das quais atribuíam sentido blasfemo às declarações de Jesus [5]. 

Arthur W. Pink nos diz que esta primeira palavra de Jesus nos traz ensinamentos preciosos. Vejamos: 

1. Aqui vemos o cumprimento da palavra profética. Quanto Deus fez conhecido de antemão do que deveria suceder naquele dia dos dias! Que retrato completo o Espírito Santo fornece da Paixão do nosso Senhor com todas as circunstâncias que a acompanharam! Entre outras coisas, foi predito que o Salvador deveria “interceder pelos transgressores” (Is 53.12). 

2. Aqui vemos Cristo identificado com o seu povo. Perdão de pecado é uma prerrogativa divina. Os escribas judeus estavam certos quando arrazoaram: “Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” (Mc 2.7). Mas dirá você: Cristo era Deus. Com toda certeza; mas homem também - o Deus-homem. Ele era o Filho de Deus que tinha se tornado o Filho do Homem com o expresso propósito de oferecer a si mesmo como sacrifício pelo pecado. E quando o Senhor Jesus clamou “Pai, perdoa-lhes”, ele estava sobre a cruz, e ali ele não poderia exercer suas prerrogativas divinas. 

3. Aqui vemos a avaliação divina do pecado e sua culpa consequente. Sob a economia levítica, Deus exigiu que a expiação devesse ser feita pelos pecados praticados por ignorância. “Quando alguma pessoa cometer uma transgressão e pecar por ignorância nas coisas sagradas do SENHOR, então, trará ao SENHOR, por expiação, um carneiro sem mancha do rebanho, conforme a tua estimação em siclos de prata, segundo o siclo do santuário, para expiação da culpa. Assim, restituirá o que ele tirou das coisas sagradas, e ainda de mais acrescentará o seu quinto, e o dará ao sacerdote; assim, o sacerdote, com o carneiro da expiação, fará expiação por ela, e ser-lhe-á perdoado o pecado”. (Lv 5.15, 16). O pecado é sempre pecado aos olhos divinos, quer estejamos consciente dele ou não. Pecados cometidos por ignorância precisam de expiação tanto quanto os conscientes. Deus é santo, e ele não rebaixará seu padrão de justiça ao nível da nossa ignorância. Ignorância não é inocência. Na verdade, ignorância é mais culpada agora do que na época de Moisés. Nós não temos desculpas pela nossa ignorância. Deus tem revelado clara e plenamente sua vontade. A Bíblia está em nossas mãos, e não podemos alegar ignorância de seu conteúdo, exceto para condenar-nos por nossa preguiça. Ele tem falado, e por sua palavra seremos julgados. 

4. Aqui vemos a cegueira do coração humano. “Porque não sabem o que fazem”. Isso não significa que os inimigos de Cristo eram ignorantes do fato de sua crucificação. Eles sabiam perfeitamente que tinham clamado: “Crucifica-o”. Eles sabiam perfeitamente que o seu vil pedido lhes tinha sido concedido por Pilatos. Eles sabiam perfeitamente que ele tinha sido pregado na cruz, pois eram testemunhas oculares do crime. O que, então, o Senhor quis dizer quando disse: “Porque não sabem o que fazem”? Ele quis dizer que eles eram ignorantes da grandeza do seu crime. Eles não sabiam que era o Senhor da glória que eles estavam crucificando. A ênfase não é sobre “porque não sabem”, mas sobre “porque não sabem o que fazem”. 

5. Aqui vemos uma exemplificação amorosa do seu próprio ensino. No Sermão do Monte nosso Senhor ensinou aos seus discípulos: “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mt 5.44). Acima de todos os outros, Cristo praticou o que ele pregou. A graça e a verdade vieram através de Jesus Cristo. Ele não somente ensinou a verdade, mas ele mesmo era a verdade encarnada. Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Assim, aqui sobre a cruz ele exemplificou perfeitamente seu ensino do monte. Em todas as coisas ele nos deixou um exemplo. 

6. Aqui vemos a grande e primária necessidade do homem. A primeira lição importante que todos precisam aprender é que somos pecadores, e como tais, inaptos para a presença de um Deus Santo. Não é de proveito algum tentar desenvolver um belo caráter e ter por objetivo obter a aprovação de Deus, enquanto há pecado entre ele e as nossas almas. A segunda lição importantíssima que precisamos aprender é como o perdão dos pecados pode ser obtido. O perdão é mostrado à custa da justiça e da retidão. Na corte humana da lei, o juiz tem que escolher entre duas alternativas: quando se prova que alguém no banco dos réus é culpado, o juiz deve aplicar a penalidade da lei, ou deve negligenciar os requerimentos da lei - uma é justiça, a outra é misericórdia. A única forma possível na qual o juiz pode tanto aplicar os requerimentos da lei e ainda mostrar misericórdia ao ofensor, é uma terceira parte oferecer sofrer em sua própria pessoa a penalidade que o condenado merece. Assim aconteceu no conselho divino. Deus não exerceria misericórdia à custa da justiça. Ele, como o juiz de toda a terra, não colocaria de lado as demandas da sua santa lei. Todavia, Deus mostraria misericórdia. Como? Através de um que satisfaria plenamente sua lei violada. Por intermédio de seu próprio Filho, tomando o lugar de todos aqueles que creem nele e carregando seus pecados em seu próprio corpo no madeiro. Deus poderia ser justo e ainda misericordioso, misericordioso e ainda justo. Foi assim para que a “graça reinasse pela justiça”. 

7. Aqui vemos o triunfo do amor redentor. Note atentamente a palavra com a qual nosso texto começa. “Então”. O versículo que imediatamente o precede é lido assim: “E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram e aos malfeitores, um, à direita, e outro, à esquerda”. Então, disse Jesus, Pai, perdoa-lhes. “Então” – quando o homem tinha feito o seu pior. “Então” - quando a vileza do coração humano foi demonstrada em maldade diabólica e climatérica. “Então” - quando com mãos ímpias a criatura ousou crucificar o Senhor da glória. Ele poderia ter expressado maldições terríveis sobre eles. Ele poderia ter lançado os raios da justa ira e os matado. Ele poderia ter feito a terra abrir a sua boca, de forma que eles caíssem vivos no abismo. Mas não. Embora sujeito à vergonha indizível, embora sofrendo dor excruciante, embora desprezado, rejeitado, odiado; todavia, ele clamou: “Pai, perdoa-lhes”. Esse era o triunfo do amor redentor. “O amor é paciente, é benigno... tudo sofre... tudo suporta” (1Co 13). Assim foi demonstrado na cruz [6]. 

Falar de perdão é falar de um coração muitas vezes deveras machucado. É questionar muitas vezes a justiça divina e humana. Talvez você pergunte: Como optar pelo “perdão” para uma pessoa que merece um destino pior que a morte? Como posso abrir mão da ira que, com justiça, busca compensação ou vingança? Jesus nos ajuda nesse ponto. “Pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1Pe 2.23). Jesus pode perdoar sem desistir do desejo de justiça. Ele não sentiu necessidade de ajustar as contas naquele momento e entregou o seu problema ao Juiz do Universo, aguardando o veredito final [7]. 

C. S. Lewis, disse certa feita: “É fácil falar sobre perdão até ter alguém para perdoar”. Ele estava certo em sua análise. Uma coisa é falar de perdão e outra coisa é praticar o perdão. Perdoar não é uma coisa simples, nem fácil, mas necessária. Sabe por quê? Porque nós temos a capacidade de decepcionar as pessoas e as pessoas têm a capacidade de nos decepcionar. Nós ferimos as pessoas, e as pessoas nos ferem. Por isso Jesus nos ensinou a respeito do perdão e foi até a cruz e perdoou os seus algozes. 

Mas o que é perdão? Em primeiro lugar o perdão não é algo natural. O perdão não é fácil. O perdão é o resultado da graça de Deus em nós. Sem a ação do Espírito Santo em nossos corações é impossível alguém perdoar a outra pessoa. Por isso que perdoar é deixar aquele que nos ofendeu ir em liberdade e ficar livre. É alforriar o ofensor em nosso próprio coração. Podemos dizer que perdoar é desistir de ser o juiz da vida alheia. Perdoar não é esquecer, perdoar é olhar para as cicatrizes e não sentir mais a dor.

Perdoar não é uma atitude natural. O que lateja em nossas veias e pulsa em nosso coração é a lei da vingança. Geralmente as pessoas se esquecem naturalmente as amabilidades e os favores das pessoas, mas as suas ofensas lembram-se sempre. Tanto que no mundo greco-romano a vingança era uma virtude e o perdão um sinal de fraqueza. O Cristianismo, entretanto, exalta o perdão, exige o perdão e pratica o perdão. Muitas pessoas são capazes de em paz com aqueles que lhes tratam com amor, mas são incapazes de perdoar aqueles que lhe prejudicam. A vida cristã não é apenas uma questão de ação, mas, sobretudo, uma questão de reação [8]. 

Notas: 
1 – Seibel, Alexander. Últimas Palavras de Grandes Homens. http://www.chamada.com.br/mensagens/ultimas_palavras.html, acessado em 21/03/12. 
2 – Shedd, Russell P., Pieratt, Allan. Imortalidade, Ed. Vida Nova, São Paulo, SP, 1992: p. 252-254. 
3 – Tasker, R. V. G. Mateus, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1985: p. 210. 
4 - Wiersbe, W. Warren. O Que As Palavras da Cruz Significam Para Nós, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2001: p. 53. 
5 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo. Ed. Candeia, São Paulo, SP, 1995, 10º Reimpressão: p. 228. 
6 - Pink, Arthur W. Os Sete Brados do Salvador na Cruz. Modo de Compatibilidade, Semeadores da Palavra e-books evangélicos, 2006: p. 10-19. 
7 - Lutzer, Erwin. Os Brados da Cruz. Ed. Vida, São Paulo, SP, 2002: p. 54. 
8 – Lopes, Hernandes Dias. Perdão, a cura das emoções. Ed. Candeia, São Paulo, SP, 2003: p. 58.

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