quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Os Três Mosqueteiros foram ao Rock in Rio

Dartagnan-musketeers.jpg

Por Pr. Silas Figueira



O livro “Os Três Mosqueteiros” conta a história de um jovem abandonado de 18 anos, proveniente da Gasconha, D'Artagnan, que vai a Paris buscando se tornar membro do corpo de elite dos guardas do rei, os mosqueteiros. Chegando lá, após acontecimentos similares, ele conhece três mosqueteiros chamados "os inseparáveis": Athos, Porthos e Aramis. Juntos, os quatro enfrentaram grandes aventuras a serviço do rei da França, Luís XIII, e principalmente, da rainha, Ana de Áustria [1]. 


Agora vamos imaginar que os três mosqueteiros, juntamente com D'Artagnan, resolvem deixar o serviço real para virem ao “Rock in Rio” assistir um grupo de heavy metal o Iron Maiden. Uma banda britânica de heavy metal, formada em 1975 pelo baixista Steve Harris, ex-integrante das bandas Gypsy's Kiss e Smiler. O nome "Iron Maiden", homônimo de um instrumento de tortura medieval que aparece no filme “O Homem da Máscara de Ferro”, baseado na obra de Alexandre Dumas, autor também do livro Os Três Mosqueteiros [2]. Chegando lá um deles faz a seguinte declaração: “Como me arrependo de ter quebrado todos os meus discos do Iron assim que ingressei no serviço real. Que mal faz o legalismo!” Será que o rei Luis XIII e rainha Ana de Áustria ficariam felizes em ouvir tal declaração? 

O que o rei falaria com os seus homens de confiança ao saber que no momento em que eles passaram a fazer parte da guarda principal do rei eles olharam para trás e se arrependeram de ter deixado a sua antiga vida? Ou melhor, de não estarem conciliando as duas vidas? Imagine se o rei Luis XIII lhes chamassem e lhes dessem essa resposta: “Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou” (2Tm 2.4).

Essa história na verdade é uma triste realidade que ocorreu recentemente com alguns pastores e um bispo de uma determinada comunidade. Isso demonstra que essas pessoas, na verdade, estão com suas vidas divididas. É bom lembrar que esse texto de 2Tm 2.4 não é restrita somente a pastores. Cada cristão é, num certo grau, um soldado de Cristo, ainda que seja tímido como Timóteo. Não importando qual seja o nosso temperamento, não podemos evitar o conflito cristão. Se queremos ser bons soldados de Cristo, devemos dedicar-nos à batalha, comprometendo-nos com uma vida de disciplina e de sofrimento, e evitando tudo o que possa nos “envolver” e assim nos desviar do seu propósito [3]. 

Paulo escrevendo aos Gálatas nos diz: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.19b,20). A vida crucificada evita essa vida dividida. Uma vida em parte secular, em parte espiritual, em parte deste mundo e em parte do mundo acima não é, de modo algum, o que o Novo Testamento ensina [4]. O que esse bispo, juntamente com seus pastores, na verdade estão demonstrando não estarem com suas vidas crucificadas com Cristo como o apóstolo Paulo nos diz que estava, muito pelo contrário; o que eles estão demonstrando com a atitude que tomaram é que na verdade estão com as suas vidas divididas. Demonstram terem uma vida espiritual, mas estão com as suas mentes totalmente secularizadas. Se a liderança é assim o que será do rebanho que pastoreiam?

Pense nisso?

Notas: 

3 – Stott, John R. W. Tu, Porém, A mensagem de 2 Timóteo. ABU Editora, 2ª Ed. 1983, São Paulo, SP: p. 46.
4 – Tozer, A. W. A Vida Crucificada. Ed. Vida, 2013, São Paulo, SP, p. 44.

8 comentários:

  1. Onde assino? Li o tal post, nem quis comentar. Como afirmou Salomão:O escarnecedor não ama aquele que o repreende, nem se chegará aos sábios. Provérbios 15:12
    Já passei por essa experiência quando o mesmo escreveu um texto defendendo a regulamentação da "profissão" de prostituta. Ele me respondeu amigavelmente, mas...
    Um grande abraço meu irmão. Estou levando seu texto para o "A Pedra".

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    1. Graça e paz Pr. Anselmo.
      Cada vez mais temos visto a secularização entrando na igreja e assumindo os púlpitos, e alguns, não fazem o mínimo esforço de esconder isso. Tais líderes não tem noção do estrago que estão fazendo em suas igrejas e na vida de muitas outras pessoas.
      Será que Jesus iria assistir esse tipo de evento e essa banda de rock?
      Fique na Paz!
      Pr. Silas Figueira

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    2. Eu pessoalmente não vejo nenhuma hipótese de Jesus não ir a um evento desses. Jesus adorava estar com pessoas. Jesus amava pessoas. A secularização da igreja não tem a haver com os shows de rock, ou como um pastor se diverte. (Um pastor não se pode divertir? Não tem tempo de lazer? Não tem gostos pessoais? hipocrisia...) Tem a haver com a falta de amor entre os crentes. Com a falta de amor para com os perdidos. O mundo na igreja não são o tamanho dos cabelos, a depilação, ou as irmãs usarem calças. É a amargura, a acepção de pessoas, manipulação, sentimento de superioridade em relação ao próximo. Isso sim, é o mundo na igreja, é contra isso que temos de lutar.

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    3. Graça e paz Paulo.
      Creio que o Jesus que iria a um lugar assim seja bem diferente do que nos é apresentado na Bíblia. O Jesus que a Bíblia nos apresenta andava com pecadores com a finalidade de leva-los ao arrependimento e não de participar de suas festas como pura diversão secular. Principalmente diante de uma banda de rock satânica.
      O que eu tenho visto hoje em dia é uma igreja secularizada, pregando a teologia inclusiva, pregando o teísmo aberto e também a teologia emergente; menos a bíblica. É por isso que um evento como o Rock in Rio é uma fascinação para muitos líderes que se dizem cristãos.
      É assim que eu penso.
      Fique na Paz!
      Pr. Silas Figueira

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  2. Quem diz o que é secular e o que é espiritual? A Bíblia? Onde? Só atividades claramente espirituais ou voltadas pra igreja são dignas? E a música, a arte, a dança, a boa comida, o riso, um bom filme, onde ficam? Depende? Tem que ser claro! A graça comum de Deus é manifesta nas artes e na vida de diversas formas e temos que ser mais objetivos, assertivos ao fazermos uma crítica. Não vi nada demais na ida do bispo ao Rock in Rio. E a espiritualidade dele, nem a minha, podem ser julgadas por não vermos problema nisso. A liberdade cristã é isso - e se você disser que o bispo a usou para dar lugar à carne estará o julgando. É pecado ir ao Rock in Rio? Então o senhor e sua esposa não podem ver filmes que não sejam cristãos, comprar produtos de marca não cristã, ir a peças de teatro não cristãs! Isso é legalismo! Viver a liberdade cristã certamente tem seus riscos, mas fomos chamados à liberdade! Eu pensava como você, mas hoje vejo quanta energia desperdiçada! E não me vejo menos espiritual que antes, continuo me santificando e buscando a Deus. Mas não perco tempo com essas coisas mais não. Se existisse um porquê convincente eu ponderaria, mas não vi nenhum. Enfim, que Deus nos dê a sabedoria pra discernirmos em situações assim - sem nossos preconceitos culturais.

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    1. Graça e paz Leandro.
      Você acha Jesus juntamente com os seus apóstolos estaria em um lugar assim? Será que o apóstolo Paulo, que é conhecido como o apóstolo dos gentios, que se irou com tanta idolatria em Atenas - que para muitos era arte - estaria curtindo uma banda de rock no Rock in Rio? Eu creio que não.
      Lembra quando a AIDS se espalhou de forma alarmante no Brasil? Foi através do primeiro Rock in Rio. Eta lugar abençoado...
      Fique na Paz!
      Pr. Silas Figueira

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  3. Eu concordo. Por isso me apego a Bíblia no contexto da época de Paulo. Leio A. W. Tozer e participo da dor da igreja perseguida. Mas, Jesus virá com seus anjos e cada um responderá por seus atos. Esses líderes estão ensinando seus "seguidores" a continuar no mundo enquanto se dizem crentes. A distorção começa na soberba. Escarnecem de quem guarda os princípios bíblicos. Usam sua intelectualidade para zombar e arrebanhar crentes que não estão despidos do orgulho da queda.
    Deus te abençoe Pastor.

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    1. Graça e paz Leonardo.
      A nova geração de crentes que temos visto por aí está tão secularizada que um ato como esse que estamos questionando está sendo vista como algo normal. Afinal de contas o que há mal em estar em um lugar como o Rock in Rio, certamente Jesus estaria lá também... O estar crucificado com Cristo para estas pessoas é só uma hipótese e não uma realidade. É algo sem sentido, afinal de contas o mundo é bom; e as desculpas são as mais variadas.
      Que o Senhor avive essa nova geração, principalmente os líderes secularizados.
      Fique na Paz!
      Pr. Silas Figueira

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