domingo, 11 de dezembro de 2016

O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DO VERBO


Pr. Silas Figueira

Texto Base: João 1.15-18

INTRODUÇÃO

Vivemos uma época, embora isso não venha de hoje, onde muitas pessoas dão testemunho acerca do que Deus fez com eles, de como eram antes de terem tido um encontro com o Senhor – de como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo... – parecendo até frase da música “Como os nossos pais” de Belchior. Isso vai dos testemunhos sérios aos mais ridículos, alguns chegando à beira do besteirol, isso para não falar da loucura.

João não age assim. Ele não dá testemunho do que o Senhor fez na vida dele, mas dá testemunho acerca de Jesus. Ele direciona o seu testemunho para revelar quem era aquele que estava entre eles, mas que Israel ainda não tinha consciência disso ainda.

É bom lembrar que João Batista é uma das pessoas mais importantes do Novo Testamento, no qual é mencionado pelo menos 89 vezes. João teve o privilégio especial de apresentar Jesus à nação de Israel. Também foi incumbido da difícil tarefa de preparar a nação para receber o seu Messias. Chamou o povo ao arrependimento dos pecados e a dar testemunho desse arrependimento por meio do batismo e de uma vida transformada [1].

Quando o Evangelho de João foi escrito João Batista já estava morto, no entanto, seu testemunho permanecia e ainda permanece. Apesar de a sua proclamação ser um evento passado, o seu conteúdo é verdade permanente [2]. Muitas pessoas passam pela vida e deixam um legado de bênção; são homens e mulheres que o Senhor usou para proclamar Sua Palavra. Gente que o Senhor levantou em cada época para serem voz profética em meio ao caos que viviam. Desses podemos destacar John Knox, C. H. Spurgen, A. W. Tozer, D. Martyn Lloyd-Jones John Stott... A lista, graças a Deus, é enorme. Nos dias de hoje temos dentre muitos também: Hernandes Dias Lopes, Augustus Nicodemos, Norman Geisler, Kevin DeYoug, Mark Dever... Se formos enumerar perderemos a conta.

Deixar um legado através do testemunho apontando para Cristo e não para si mesmo, essa é a questão. Foi isso que João Batista fez e nos deixou o exemplo.
Diante desse texto quais as lições que podemos aprender através do testemunho de João?

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O TESTEMUNHO É UM ESTILO DE VIDA (Jo 1.15b).

João dá testemunho dele. Ele exclama: "Este é aquele de quem eu falei”.

Ser testemunha de Jesus é não ter vergonha de mostrar quem Ele é e o que Ele representa para nós. Se nós nos envergonhamos do Senhor, Ele se envergonhará de nós quando regressar na Sua Segunda Vinda. A Bíblia diz em Lucas 9.26:

“Porque, quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos”.

Nunca devemos nos envergonhar do Evangelho, ele é uma fonte de poder. A Bíblia diz em Romanos 1.16:

“Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”.

Há três tipos de pessoas: 1) Os que sentem vergonha do Evangelho, 2) Os que são vergonha para o Evangelho e 3) E os que não se envergonham do Evangelho. Quem você é?

1º - Para ser testemunha de Jesus devemos ter consciência de que Ele tem a primazia em nossas vidas (Jo 1.15). João deixa claro que o Senhor tinha a primazia em sua vida. Apesar de João ter nascido seis meses antes de Jesus (Lc 1.36), de modo que essa afirmação refere-se à preexistência de Jesus, não ao dia de seu nascimento. João está se referindo aqui a eternidade do Verbo. João está afirmando que o Verbo era o próprio Deus, que criou e trouxe à existência o próprio tempo, aquele elemento de tempo, do qual João Batista era apenas uma parte integrante [3].

João deixa claro que o Senhor era superior a ele, e que ele não estava em pé de igualdade com o Senhor. Longe disso. João foi um grande profeta, mas isso não fazia dele o Messias.

Há um ditado que diz: “Quer conhecer alguém? Dá-lhe um pouco de poder”. João soube muito bem lidar com o poder.  

2º - Para ser testemunha de Jesus devemos fazê-lo dentro e fora da igreja (Hb 13.12-16).

 “Assim, Jesus também sofreu fora das portas da cidade, para santificar o povo por meio do seu próprio sangue. Portanto, saiamos até ele, fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou. Pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir. Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome. Não se esqueçam de fazer o bem e de repartir com os outros o que vocês têm, pois de tais sacrifícios Deus se agrada” (Hb 13.12-16 – NVI).

O testemunho vai além de contar o que Jesus fez e faz em nossas vidas, é viver o Evangelho de forma plena, não uma vida que se vive dentro da igreja, mas fora dela. Não um Evangelho hipócrita e sem vida, mas um Evangelho que gera vida em outras vidas.

O Evangelho é vivido fora dos portões (Igreja), ou seja, no dia a dia na sociedade em que vivemos. Há muitas pessoas que dentro da igreja são excelentes crentes, mas fora dela ninguém sabe se ele é cristão ou não. E isso vai das vestimentas ao linguajar, gente que compra e não paga, que não gosta de trabalho, mas diz que vive pela fé; todos esses episódios só gera mau testemunho. Só gera escândalo no meio evangélico.

Por isso devemos analisar o nosso discipulado, pois existem três tipos de pessoas que querem ser testemunhas de Cristo (Lc 9. 57-61):
1) Há pessoas que querem seguir a Jesus, mas querem alguma vantagem (Lc 9.57,58).

2) Há pessoas que querem seguir a Jesus, mas não querem ofender os de sua casa (Lc 9.59,60).

3) Há pessoas que querem seguir a Jesus, mas tem saudades do mundo (Lc 9.61,62).

Devemos tomar cuidado com esse pensamento.

Ser testemunha é fazer diferença na sociedade em que vivemos, mostrando ao mundo que o Senhor tem a primazia em nossas vidas.

EU QUERO SER IGUAL AO JOE.

Joe era um bêbado que se converteu milagrosamente, em uma Missão. Antes de sua conversão, ele ganhou a fama de ser um alcoólatra sem recuperação, que passaria sua miserável existência em um gueto. Porém, após sua conversão e uma nova vida com Deus, tudo mudou. Joe tornou-se a pessoa mais zelosa que aqueles que eram ligados à Missão conheceram. Joe passava dias e noites trabalhando na Missão, fazendo tudo o que precisasse ser feito.

Nada do que lhe fosse pedido era considerado por ele uma tarefa humilhante. Quer fosse limpar o vômito de um bêbado que ingeriu violentas doses de álcool, quer os imundos vasos sanitários dos banheiros masculinos, Joe fazia o que lhe pediam com um sorriso no rosto, como se estivesse grato pela oportunidade de ajudar. Diziam que ele alimentava homens fracos que vagueavam pelas ruas e os levava para a Missão, conseguindo roupas limpas e um leito para aqueles que não tinham forças para cuidar de si mesmos.

Certa noite, quando o dirigente da Missão estava proferindo sua mensagem evangelística à costumeira audiência composta de homens mal-humorados e cabisbaixos, houve um que levantou a cabeça,  caminhou pelo corredor em direção ao púlpito e ajoelhou-se para orar, clamando a Deus para ajudá-lo a mudar de vida. O bêbado arrependido gritava repetidas vezes:

— Ó Deus! Quero ser igual ao Joe! Quero ser igual ao Joe! Quero ser igual ao Joe! Quero ser igual ao Joe!

O dirigente da Missão curvou-se e disse ao homem:

— Filho, acho que você deveria orar: “Quero ser igual a Jesus!”

O homem olhou para o dirigente com uma expressão estranha no rosto e perguntou:

— Ele é igual ao Joe?

E sua vida, como tem sido? Será que alguém quer ter você como exemplo?

A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE A GRAÇA DO SENHOR É DERRAMADA DE FORMA PLENA (Jo 1.16).

“Todos recebemos da sua plenitude, graça sobre graça”.

Essa parte do versículo na verdade é a continuação do verso 14 (o versículo 15 é um parêntese) [4]. Aquele que é a plenitude de Deus veio para oferecer-nos sua plenitude. Nele temos não apenas graça, sobre graça. A graça está encarnada nele, e quem está nele tem graça abundante [5]. Graça resumidamente falando significa: perdão imerecido.

1º - A graça é abundante sobre nós desde os primórdios da humanidade (Jo 1.16). Recebemos da Sua plenitude, ou seja, através da Pessoa de Cristo, o Pai manifestou e derramou sobre nós da Sua infinita graça.

Como nos diz A. W. Tozer, a graça precede tudo – desde o primeiro dia da criação até Maria dando à luz em uma manjedoura em Belém. Foi a graça de Deus em Cristo que salvou a humanidade da extinção, quando os homens pecaram no jardim. Foi a graça divina em Jesus que ainda nasceria que salvou oito pessoas quando o Dilúvio cobriu a Terra (Gn 6.8; 1Pe 3.20; 2Pe 2.5). Foi a graça divina em Cristo, antes da encarnação, que fez Deus estender Suas mãos sobre a humanidade [6].  
     
2º - A graça não nos isenta de lutas, mas nos capacita a testemunhar de Cristo apesar delas (2Co 12.7-10). Esse texto nos mostra o apóstolo Paulo relatando a luta que enfrentava, apesar da graça do Senhor Jesus se renovar sobre a vida dele. Deus não deu o que ele lhe pediu, deu-lhe algo melhor, melhor que a própria vida: a Sua graça. A graça de Deus é melhor que a vida; pois por meio dela enfrentamos o sofrimento vitoriosamente. O que é graça? É a provisão de Deus para cada uma das nossas necessidades. O nosso Deus é o Deus de toda graça (1Pe 5.10) [7].

A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O FIM DA LEI É CRISTO (Jo 1.17).

“Pois a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo” (NVI).

A graça consiste no favor e na bondade de Deus, sendo concedida aos que não merecem e que não podem fazer coisa alguma para ser dignos dela. Se Deus nos tratasse de acordo com a verdade, nenhum de nós sobreviveria; mas Ele nos trata de acordo com a Sua graça e verdade. Em Sua vida, morte e ressurreição, Jesus Cristo cumpriu todos os requisitos da Lei; gora, Deus pode compartilhar a plenitude da graça com os que creem em Cristo. A graça sem a verdade seria enganosa, e verdade sem a graça seria condenatória [8].

1º - Jesus não veio rebaixar nem Moisés e nem muito menos a Lei. A Lei é boa, santa e justa, porém nós somos pecadores. Ela é perfeita, mas nós somos imperfeitos. Por isso a Lei não pode justificar. A Lei não tem poder para curar. A Lei pode ferir, mas não fechar a ferida. O papel da Lei, portanto, nunca foi salvar, mas convencer-nos de pecado, tomarmos pela mão e conduzir-nos a Cristo [9]. Até mesmo a Lei foi uma dispensação da graça do Logos, porquanto teve por finalidade especial mostrar aos homens a profunda santidade de Deus, e também que essa santidade precisa ser duplicada nos homens. A Lei simplesmente faltava o poder de produzir essa duplicação moral [...] Cristo é poderoso para produzir tal duplicação por intermédio do Seu Espírito [10].

2º - A função da Lei era nos conduzir a Cristo. O que o Senhor veio fazer foi substituir a Lei de Moisés e se revelar como o ponto central da revelação divina e do novo estilo de vida. Este Evangelho mostra de diversas maneiras que a nova ordem cumpre, ultrapassa e substitui a antiga: o vinho da nova criação é melhor que a água usada na religião judaica (Jo 2.10); o novo templo é mais excelente que o antigo (Jo 2.19); o novo nascimento é a porta de entrada para um nível de vida que não pode ser alcançado pelo nascimento natural, mesmo dentro do povo escolhido (Jo 3.3,5). Moisés foi o mediador da Lei; Jesus Cristo é mais que mediador, é a corporificação da graça e da verdade [11].

QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O PAI SE REVELA NO FILHO (Jo 1.18).

“Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido”.

O significado do texto está claro: o Senhor Jesus tem, de uma vez para sempre, revelado o Pai aos homens. Ele é a perfeita exegese de Deus [12]. A palavra conhecer no grego é exegesato, de onde vem a nossa palavra exegese.

Exegese: Exegese é uma análise, interpretação ou explicação detalhada e cuidadosa de uma obra, um texto, uma palavra ou expressão.

Jesus fez conhecido o ser santo de Deus e, acima de tudo, para nós, pobres pecadores, tornou conhecido Seu amor e Sua misericórdia. Ele apresentou Deus. Jesus Cristo conta-nos, de um jeito gentilmente humano, que Deus se importa conosco [13].

1º - Como Deus se revelou no Antigo Testamento. Quando lemos o Antigo Testamento, nós sempre vemos o Senhor se revelando ao homem, ainda que de forma menos abrangente como Ele o fez através de Jesus no Novo Testamento.

No que diz respeito sua essência, Deus é invisível (1Tm 1.17; Hb 11.27). O homem pode ver Deus revelado na natureza (Sl 19.1-6; Rm 1.20) e em seus feitos poderosos na história, mas não pode ver o próprio Deus [14]. O Senhor se revelou aos seus santos no Antigo Testamento muitas vezes através da teofania.

Teofania é uma manifestação de Deus na Bíblia que é tangível aos sentidos humanos. Em seu sentido mais restritivo, é uma aparência visível de Deus no período do Antigo Testamento, muitas vezes, mas não sempre, em forma humana. Algumas das teofanias são encontradas nestas passagens:

1) Gênesis 12.7-9 - O Senhor apareceu a Abraão em sua chegada à terra que Deus prometeu a ele e a seus descendentes.

2) Gênesis 18.1-33 - Um dia, Abraão teve alguns visitantes: dois anjos e o próprio Deus. Ele os convidou para ir à sua casa, e ele e Sara os entretiveram. Muitos comentaristas acreditam que este também poderia ser um exemplo de Cristofania, uma aparência pré-encarnada de Cristo.

3) Gênesis 32.22-30 - Jacó lutou com o que parecia ser um homem, mas era na verdade Deus (versículos 28-30). Isso também pode ter sido um exemplo de Cristofania.

4) Êxodo 3.2 – 4.17 - Deus apareceu a Moisés na forma de uma sarça ardente, dizendo-lhe exatamente o que queria que ele fizesse.

5) Êxodo 24.9-11 - Deus apareceu a Moisés, com Arão e seus filhos e os 70 anciãos.

6) Deuteronômio 31.14-15 - Deus apareceu a Moisés e Josué na transferência de liderança para Josué.

7) Jó 38-42 - Deus respondeu a Jó de um redemoinho e falou longamente em resposta às perguntas de Jó.

Frequentemente, o termo "glória do Senhor" reflete uma teofania, como em Êxodo 24.16-18, a "nuvem" tem uma função similar em Êxodo 33.9. Uma introdução frequente de teofanias pode ser vista nas palavras "o Senhor desceu", como em Gênesis 11.5, Êxodo 34.5, Números 11.5 e 12.5.

Alguns comentaristas da Bíblia acreditam que sempre que alguém recebeu uma visita do "anjo do Senhor", isso era de fato Cristo pré-encarnado. Essas aparições podem ser vistas em Gênesis 16.7-14, Gênesis 22.11-18; Juízes 5.23, 2 Reis 19.35 e outras passagens. Outros comentaristas acreditam que estes eram de fato angelofanias, ou aparições de anjos. Embora não existam Cristofanias indiscutíveis no Antigo Testamento, cada teofania na qual Deus assume forma humana prefigura a encarnação, quando Deus tomou a forma de um homem para viver entre nós como Emanuel, "Deus conosco" (Mateus 1.23) [15].

 2º - Jesus revela a plenitude do Pai. Deus sendo Espírito puro, é invisível à visão física. Nem Abraão, o “amigo de Deus”, nem Moisés, “com quem o Senhor tratava face a face” (Dt 34.10), puderam ver a glória divina em sua plenitude [16]. Jesus Cristo revela Deus a nós, pois Ele é “a imagem do Deus invisível” (Cl 1.15) e “a expressão exata do seu ser” (Hb 1.3). Jesus Cristo explica e interpreta Deus para nós. É simplesmente impossível entender Deus sem seu Filho, Jesus Cristo [17].

Só Jesus pode nos tomar pela mão e nos levar a Deus. Ninguém pode ir ao Pai senão por Ele. Ninguém pode conhecer o Pai senão através de Sua revelação. Deus outrora nos falou muitas vezes, de muitas maneiras, mas agora ele nos fala pelo seu Filho. Em Jesus habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Ele é a imagem exata do ser de Deus. Jesus é a exegese de Deus. Quem o vê, vê o Pai, pois ele e o Pai são um [18].

CONCLUSÃO

João Batista é um exemplo de como se deve testemunhar. O testemunho vai além de contar o que fomos e o que o Senhor fez por nós, mas testemunhar é dizer quem é o Senhor Jesus. É falar do Seu amor por nós demonstrado através da sua morte na cruz em nosso lugar. É viver o Evangelho de forma que todos possam ver Cristo em nós, como disse Jesus no Sermão do Monte:

“E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus" (Mt 5.15,16 – NVI).

Testemunhar é viver o Evangelho refletindo a glória de Cristo em tudo que fizermos. É não ter vergonha de dizer de quem somos e porque o amamos.

Que o nosso testemunho seja maduro e não igual de certas crianças e adolescentes que sentem vergonha dos pais quando estão em público.

Pense nisso!

Notas:

1 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo vol. 5. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 368.
2 – Bruce, F. F. João: introdução e comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1987: p. 47.
3 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado Vol. 2, versículo por versículo. Editora Candeia, São Paulo, SP, 10ª Reimpressão, 1998: p. 274.
4 – Bruce, F. F. João: introdução e comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1987: p. 48.
5 – Lopes, Hernandes Dias. João, As glórias do Filho de Deus. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2015: p. 37.
6 – Tozer, A. W. E Ele Habitou Entre Nós. Graça Editorial, Rio de Janeiro, RJ, 2014, p: 96.
7 – Lopes, Hernandes Dias. 2 Coríntios, o triunfo de um homem de Deus diante das dificuldades. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2008: p. 272.
8 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo vol. 5. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 369.
9 – Lopes, Hernandes Dias. João, As glórias do Filho de Deus. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2015: p. 37.
10 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado Vol. 2, versículo por versículo. Editora Candeia, São Paulo, SP, 10ª Reimpressão, 1998: p. 275.
11 – Bruce, F. F. João: introdução e comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1987: p. 49.
12 – Davidson, F. M.A., D.D. O Novo Comentário da Bíblia Vol. II. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1987, p: 1064.
13 – Tozer, A. W. E Ele Habitou Entre Nós. Graça Editorial, Rio de Janeiro, RJ, 2014, p: 99.
14 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo vol. 5. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 369.
15 – O que é teofania? O que é Cristofania? https://gotquestions.org/Portugues/teofania-Christofania.html, acessado em 10/12/2016.
16 – Bruce, F. F. João: introdução e comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1987: p. 49.
17 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo vol. 5. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 369. 
18 – Lopes, Hernandes Dias. João, As glórias do Filho de Deus. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2015: p. 39.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O PÚLPITO EM RUÍNAS


Por Pr. Silas Figueira

Ouvi a história que um pastor que estava carregando um púlpito de madeira nas costas pela rua. Alguém que conhecia o pastor lhe perguntou para onde ele estava levando aquele púlpito; ele então respondeu que estava levando o púlpito para a marcenaria, pois o mesmo estava em ruínas devido aos cupins em sua base.

Fiquei pensando nesse ocorrido e comecei a observar que há hoje em dia muitos púlpitos em ruínas devido ao ataque de “cupins” em sua base. Embora nós temos visto hoje em dia a moda dos púlpitos de acrílico, mas a base está sendo atacada por “cupins” espirituais. E a base dos púlpitos em ruína hoje são os líderes que estão por trás deles. Pessoas que não condizem com o nome que carregam; o nome de cristãos. Pessoas que estão em ruínas em várias áreas de suas vidas. Líderes que estão à frente de uma congregação, seja ela pequena, média ou grande, mas tem sido referência negativa para essas pessoas. Líderes que influenciam e que, de alguma forma, direcionam muitos para o mal e não para o bem. Gente trabalhando para o diabo, mas usando o nome de Deus.

Vamos enumerar alguns fatos que têm levado muitos púlpitos à ruína hoje:

Primeiro é vermos líderes não convertidos atrás do púlpito. Parece loucura o que vou falar, mas infelizmente não é, há muitos líderes atrás do púlpito que não nasceram de novo. Pessoas que nunca tiveram uma experiência de conversão. Agem como crente, tem cacoete de crente, mas estão longe de uma fé genuína, pois não nasceram de novo.

Vemos isso através das próprias palavras do Senhor Jesus no final do Sermão do Monte:

Muitos me dirão naquele dia: “Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?” Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! (Mt 7.22,23 – NVI).

Como disse Spurgeon, que coisa horrível, ser pregador do evangelho, e, todavia, não estar convertido! Um pastor destituído da graça é semelhante a um cego eleito professor de ótica, que faz filosofia sobre a luz e a visão, comentando e distinguindo para outros os belos sombreados e as delicadas combinações das cores prismáticas, enquanto ele mesmo está absolutamente em trevas! É um mudo elevado à cátedra de música; um surdo a falar sobre sinfonias e harmonias! Uma toupeira pretendendo criar filhotes de águias; um molusco eleito presidente de anjos! [1].

Tais líderes são cegos guindo cegos (Mt 15.14; Lc 6.39). São pessoas que estão indo para o buraco e estão levando outros com eles. 

Segundo é vermos líderes deformados em seu caráter. Spurgeon diz que se o nosso relógio não estiver certo, muitas poucas pessoas, além de nós mesmos, sofrerão com o engano, mas se o do edifício dos Horse Guards, de Londres, ou o do Observatório de Greenwich, estiver errado, a metade de Londres ficará desorientada. Assim com o ministro. Ele é o relógio da comunidade. Muitos conferem a sua hora com ele e, se ele for incorreto, todos andarão erradamente, uns mais outros menos, e em grande medida ele terá que responder por todos os pecados que ocasiona [2].

É igual a história de um determinado pastor que assumiu uma igreja. No dia da posse ele estava com a esposa, pagaram hotel para o casal passar a noite... Alguns dias depois esse pastor disse que estava separado de sua esposa e que estava aberto para novos relacionamentos. Não tardou muito, vários membros da igreja passaram a agir como ele e ainda diziam que se o pastor podia eles podiam também.

Se houver pecado na congregação que não seja o pastor o exemplo desse pecado. Como disse Paulo a Timóteo:

“Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza. Até a minha chegada, dedique-se à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino. Não negligencie o dom que lhe foi dado por mensagem profética com imposição de mãos dos presbíteros. Seja diligente nessas coisas; dedique-se inteiramente a elas, para que todos vejam o seu progresso. Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem” (1Tm 4.12-16 – NVI).

Terceiro é vermos líderes preguiçosos no estudo da Palavra. A. W. Tozer falando a respeito do coração inconstante diz que o problema é que, em geral, as únicas atividades nas quais todos perseveram são aquelas em que a natureza as força a praticar – comer, beber, dormir, proteger a si mesmo, ou outro poderoso instinto interno. Enquanto humanidade perdurar, o amor, o casamento e tudo mais continuarão a existir, já que esses são instintos profundamente arraigados à nossa espécie. Entretanto, aquilo que requer planejamento e um esforço cuidadoso e árduo torna-se fácil de abandonar [2]. No caso em questão a perseverança em estudar as Sagradas Escrituras.

Para tal é necessário, em primeiro lugar, ter senso de responsabilidade. Ter consciência de que temos que estudar com dedicação e empenho, pois afinal de contas a igreja espera de nós alimento sólido toda vez que nos posicionarmos atrás do púlpito, e não lhes oferecermos palha como muitos fazem. Mas para isso é necessário sermos responsáveis, pois o irresponsável não se importa com isso.

Manejar bem a palavra da verdade implica em dedicação e empenho, esforço redobrado, desejo de fazer o melhor pelo Reino e para o Reino. 

Tomemos como exemplo a carta de John Wesley a John Trembath:

“O que tem lhe prejudicado excessivamente nos últimos tempos e, temo que seja o mesmo atualmente, é a carência de leitura. Eu raramente conheci um pregador que lesse tão pouco. E talvez por negligenciar a leitura, você tenha perdido o gosto por ela. Por esta razão, o seu talento na pregação não se desenvolve. Você é apenas o mesmo de há sete anos. É vigoroso, mas não é profundo; há pouca variedade; não há sequencia de argumentos. Só a leitura pode suprir esta deficiência, juntamente com a meditação e a oração diária. Você engana a si mesmo, omitindo isso. Você nunca poderá ser um pregador fecundo nem mesmo um crente completo. Vamos, comece! Estabeleça um horário para exercícios pessoais. Poderá adquirir o gosto que não tem; o que no início é tedioso será agradável, posteriormente. Quer goste ou não, leia e ore diariamente. É para sua vida; não há outro caminho; caso contrário, você será, sempre, um frívolo, medíocre e superficial pregador. Faça justiça à sua própria alma; dê-lhe tempo e meios para crescer. Não passe mais fome. Carregue a sua cruz e seja um cristão no verdadeiro sentido da palavra. E então, todos os filhos de Deus se regozijarão (e não se afligirão) consigo; e, particularmente”.

Poderíamos ampliar essa lista, mas creio que tudo começa pela falta de temor, por que muitos na verdade nunca tiveram uma experiência de conversão. Quem não é convertido não tem o Espírito Santo habitando em si, quem não tem o Espírito Santo não pertence ao Senhor e quem não pertence ao Senhor é filho do diabo.

O que temos visto hoje em muitas igrejas são filhos do diabo se passando por filho de Deus e levando as pessoas para o inferno com elas.

Pense nisso!

Notas:   
1 – Spurgeon, C. H. Lições aos meus alunos, vol. 2. Editora PES, São Paulo, SP, 2002: p. 11.
2 – Spurgeon, C. H. Lições aos meus alunos, vol. 2. Editora PES, São Paulo, SP, 2002: p. 20.
3 – Tozer, A. W. Os Perigos de Uma Fé Superficial. Graça Editorial, Rio de Janeiro, RJ, 2014: p. 86.  

sábado, 3 de dezembro de 2016

ATITUDES EM RELAÇÃO AO VERBO



Por Pr. Silas Figueira

Texto base: João 1.10-13

INTRODUÇÃO

João, depois de ter mostrado o Verbo como aquele que veio trazer luz espiritual ao homem que andava em densas trevas em relação a Deus, agora nos mostra como o mundo o recebeu. Como o mundo se posicionou diante do Seu Criador. Como o mundo agiu diante do Deus encarnado. Como muitos o rejeitaram e como muitos o receberam.

Essa mesma postura continua hoje, pois o homem não mudou. A Pessoa de Jesus ainda gera muito incômodo em muitas pessoas. Pois, como disse o próprio Senhor, os homens amaram mais as trevas que a luz (Jo 3.19). E por que os homens amaram mais as trevas? Em primeiro lugar, porque a luz incomoda. Faz doer os olhos do entendimento. Causa um mal estar na consciência. Em segundo lugar, porque revela todas as coisas. Tudo que antes estava oculto é revelado, e para muitas pessoas isso não lhes agrada.

A luz de Cristo que tem incomodado tantas pessoas hoje é refletida através da sã doutrina. Através da Sua Palavra pregada sem ocultar a verdade que liberta. Como disse o apóstolo Paulo a Timóteo:

“Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” (2Tm 4.2-4 – NVI).

A sã doutrina divide, confronta, separa, julga, convence, repreende, chama a atenção, exorta e refuta o erro. Nenhuma dessas coisas goza de alta estima no pensamento pós-moderno. Entretanto, a saúde da igreja depende de mantermos a verdade com firmeza, pois, onde convicções fortes não são toleradas, o discernimento não pode sobreviver [1].

Mas assim como existem aqueles que odeiam a Luz, há aqueles que a buscam. São aquelas pessoas que se veem na total dependência de Deus e sabem que só através de Sua amorosa direção andarão seguras neste mundo. São aquelas pessoas que amam a luz e nela se regozijam. Veja o que nos fala o Salmo 119.105,106:

“A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho. Prometi sob juramento e o cumprirei: vou obedecer às tuas justas ordenanças” (NVI). 

João no texto que lemos nos mostra a atitude do mundo em relação a Jesus e a Sua mensagem, daqueles que o rejeitaram como também dos que o receberam. Podemos destacar quatro pontos importantes aqui:

EM PRIMEIRO LUGAR, JOÃO NOS MOSTRA O VERBO EM RELAÇÃO AO MUNDO (Jo 1.10).

Em Cristo, Deus está relacionado diretamente a este mundo conhecido como kosmos. João usa esse conceito 79 vezes e demonstra as várias relações de Deus com o kosmos. Somos informados no Evangelho de João que “Deus amou o mundo de tal maneia que deu se Filho unigênito...” (Jo 3.16). “Porque Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17). Somos informados de que Cristo é “o Cordeiro de Deus que tira [carrega] o pecado do mundo” (Jo 1.29); “o Salvador do mundo” (Jo 4.42); “o pão de Deus é aquele que... dá vida ao mundo” (Jo 6.63); “a luz do mundo” (Jo 8.12; 9.5; 12.46). Fala-se do Espírito Santo como o Consolador que irá condenar ou “convencer o mundo” (Jo 16.8) [2]. Por “mundo” subentendem-se o mundo de pessoas, alienado de Deus, que, nas palavras de Paulo, “que desprezaram o conhecimento de Deus” (Rm 1.28 – NVI), apesar de, “desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Rm 1.20 – NVI) [3]. Sendo tais pessoas indesculpáveis.

O versículo 10 do texto que lemos nos traz a palavra “mundo” três vezes:
“Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu” (NVI). 

1º - O Verbo estava no mundo. O Verbo sempre esteve presente no mundo. Antes de ele vir a Terra Ele já estava reinando no mundo, pois Ele reina em toda a criação desde o princípio. Quando João diz que “o Verbo estava no mundo”, está falando a respeito de Sua encarnação. Como lemos no verso quatorze:

“Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós” (NVI).

2º - O Verbo criou o mundo. O mundo é de Deus, criado por Ele através do Logos. Vemos isso no verso três:

“Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito” (NVI).

O Verbo é o agente divino na criação do universo. Foi Ele quem trouxe à existência as coisas que não existiam. Deus disse: “Haja luz”. E houve luz (Gn 1.3). O Verbo é a palavra criadora de Deus, por meio de quem todas as coisas foram feitas, tanto as visíveis como as invisíveis, tanto as terrenas como as celestiais (Cl 1.16) [4].

3º - O Verbo foi ignorado pelo mundo. Por que a nação de Israel rejeitou Jesus Cristo? Porque “não o conheceu”. O povo de Israel era espiritualmente ignorante. Jesus é a “verdadeira Luz” – a Luz original da qual toda outra luz é cópia –, mas os judeus contentaram-se com as cópias. Tinham Moisés e a Lei, o templo e os sacrifícios, mas não entendiam que essas “luzes” apontavam para a verdadeira Luz, a conclusão e a consumação da religião do Antigo Testamento [5].

Isso é um alerta par todos nós hoje. Muitas vezes ficamos encantados com as coisas aparentes a tal ponto que perdemos o foco do que devemos adorar.

Veja o que aconteceu com a igreja de Éfeso (Ap 2.1-4). Corremos este mesmo perigo! 
 
Em um estilo majestoso, João retrata o fato, o propósito e o resultado da vinda de Jesus ao mundo. O fato: ele estava no mundo. O propósito: ele veio para o que era seu. O resultado: mas os seus não o receberam. João coloca, assim, em chocante contraste a oferta divina e a rejeição humana [6].

EM SEGUNDO LUGAR, JOÃO NOS MOSTRA QUE O VERBO FOI REJEITADO (Jo 1.10,11).

A Igreja está vivendo um período extremamente difícil onde a sã doutrina tem sido substituída pelo pragmatismo (corrente de ideias que prega que a validade de uma doutrina é determinada pelo seu bom êxito prático – o importante é o que dá certo e não o que é certo). As igrejas que pensam assim abandonaram a suficiência das Escrituras e a substituíram por doutrinas falsas. A sã doutrina gera no coração do pecador consciência de que ele está perdido e de que precisa do Salvador, ele pode até rejeitar o Senhor Jesus, mas consciente de seus erros.

A. W. Tozer enumera cinco razões pelas quais os Seus O rejeitaram e porque as pessoas ainda hoje O rejeitam:

1 – Mudança nas prioridades. A primeira razão para a rejeição de Cristo tem a ver com prioridades. Receber Jesus enquanto Ele estava aqui teria significado uma possível perda financeira. Temos o exemplo do jovem rico (veja Mt 19.16-29). As pessoas no tempo de Jesus não O recebiam porque amavam mais o dinheiro do que amavam a Deus.

Por que as pessoas não O recebem hoje? A resposta é simples e, mesmo assim, complicada. Receber Jesus Cristo conforme Ele exige ser recebido requer dar as costas a tudo, o que poderia significar perda financeira. Caso determinadas pessoas, algum dia, quisesse seguir Jesus Cristo, teriam de, por exemplo, sair de um negócio lucrativo. Mas há pessoas que pensam que podem glorificar Jesus onde estão.

E Tozer vai além, diz ele que, se as coisas continuarem a ir de mal a pior nos círculos evangélicos logo chegará o momento em que imprimiremos João 3.16 no fundo de um copo de cerveja, de modo que, quando um companheiro beber e olhar para o fundo, “verá a salvação irradiar na sua direção”. Além disso, hotéis de beira de estrada disporão meninas que, além de oferecerem seus “favores”, distribuirão pequenas mensagens bíblicas. Você não pode ser cristão e fazer algumas coisas. É melhor esclarecer isso agora.

2 – Mudança de hábito. A segunda razão tem a ver com nossos hábitos. Para os judeus, receber Jesus significaria mudar a maneira de eles viverem. O que não é diferente nos dias de hoje.

Exemplos de maus hábitos na igreja: Cultuar ou orar com o celular ligado. Chegar atrasado às reuniões da Igreja. Gostar de fofoca. Só buscar ao Senhor quando se vê em apuros. Sair, antes do término, das reuniões da Igreja. Passar uma “temporada boa” sem se reunir com os demais irmãos. Dar razão a um interlocutor que maltrata a Igreja, os irmãos da Igreja e os oficiais da Igreja. Dormir durante as reuniões da Igreja. Passar o culto no maior bate papo com a pessoa sentada ao lado. Administrar, ele próprio, o dízimo. Convidar pessoas para virem às reuniões da Igreja e não comparecer! Não meditar, com verdadeiro amor, na Palavra de Deus. Visitar todas as “igrejas” que lhe fazem um convite. Repetir “nossa” como um mantra (“Nossa” vem de “nossa senhora”, entende? Ou quer que eu desenhe) [7].

3º - Limpeza pessoal. A terceira razão pela qual recusaram Cristo tem a ver com a limpeza pessoal. Aceitá-Lo significaria uma limpeza completa do interior. Algumas pessoas preferem a sujeira ao Filho de Deus. Preferem as trevas a irem para a luz (Jo 3.19).

4º - Mudança de direção. A quarta razão pela qual não aceitam Jesus é o fato de isso significar uma mudança completa para eles. Significaria uma limpeza completa da casa, de seu interior, e uma renúncia do eu. Veja o que Jesus disse a respeito de quem quer segui-lo:

“Então Jesus disse aos seus discípulos: Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24 – NVI).

Isso gera a morte do "eu", e matar o "eu" é mais difícil do que parece.

5º - Amamos mais o pecado. Ninguém pode compreender o cristianismo, a menos que esteja dentro dele. Ninguém que ama o pecado vive o verdadeiro cristianismo. A tragédia é que O temos rejeitado no coração porque queremos os nossos próprios caminhos [8]. 

João não está pensando só no que aconteceu quando o Verbo veio a Sua própria terra, mas no que vinha acontecendo durante toda a história de Israel. Veja o que o Senhor nos fala pela boca do profeta Jeremias:

“Desde a época em que os seus antepassados saíram do Egito até o dia de hoje, eu lhes enviei os meus servos, os profetas, dia após dia. Mas eles não me ouviram nem me deram atenção. Antes, tornaram-se obstinados e foram piores do que os seus antepassados” (Jr 7.25,26 – NVI).

Com Jesus a história só estava se repetindo como já vinha acontecendo há anos a fio. Os judeus viram suas obras e ouviram as suas palavras. Observaram a sua vida perfeita. Jesus deu-lhes inúmeras oportunidades de compreender a verdade, de crer e de receber a salvação. Jesus é o caminho, mas se recusaram a andar com ele (Jo 66-71). Ele é a vida, mas o crucificaram! [9].

EM TERCEIRO LUGAR, JOÃO NOS MOSTRA QUE O VERBO FOI ACEITO (Jo 1.12).

“Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” (NVI).

Aqui cai por terra aquele velho ditado que diz que “todos são filhos de Deus”. Há, inclusive, uma música popular que diz no refrão: “Todos somos filhos de Deus, só não falamos a mesma língua” [10]. No entanto, esse é um ledo engano. Na verdade todos nós somos criaturas de Deus, pois Ele é o criador de todas as coisas.

Não basta nascer para se tornar filho de Deus; na verdade é necessário morrer para se tornar Seu filho. Como disse o apóstolo Paulo:

“Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.20 – ARA).

Assim como Deus tem seus filhos, o diabo também tem os seus:

“Desta forma sabemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não procede de Deus, tampouco quem não ama seu irmão” (1Jo 3.10 – NVI).

Como ocorre o novo nascimento e o que prova que a pessoa nasceu de novo?

1º - O novo nascimento ocorre quando a pessoa recebe Jesus como seu salvador pessoal. Receber aquele que é a Palavra de Deus significa depositar a fé nele, jurar fidelidade a ele, e também, de maneira muito prática, acreditar que ele é o que diz ser [11]. Esse nascimento não é natural, mas espiritual como Jesus explicou a Nicodemos (Jo 3.3-6). Esse nascimento é mediante a fé em Jesus.

2º - A salvação é mediante a graça (Ef 2.8,9). A salvação procede de Deus agindo através da Sua graça no coração do homem perdido. Veja o que o apóstolo Paulo nos fala em Ef 2.8,9: 

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (NVI).

3º - A prova de que a pessoa nasceu de novo. O que revela que uma pessoa nasceu de novo, entre muitas provas, creio que seja a de que essa pessoa passa a ser habitado pelo Espírito Santo. Veja o que nos fala Rm 8.9:

“Entretanto, vocês não estão sob o domínio da carne, mas do Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo” (NVI). 

Muitas pessoas pensam que por ser bons pais, bons cidadãos, terem boa conduta perante a sociedade, serem honestas etc. são filhos de Deus. Cornélio é um exemplo de um homem bom, religioso, bem visto pela sociedade, tanto gentílica quanto judaica, no entanto não era salvo. Veja o que o próprio texto em Atos nos conta:

Havia em Cesaréia um homem chamado Cornélio, centurião do regimento conhecido como Italiano. Ele e toda a sua família eram religiosos e tementes a Deus; dava muitas esmolas ao povo e orava continuamente a Deus. Certo dia, por volta das três horas da tarde, ele teve uma visão. Viu claramente um anjo de Deus que se aproximava dele e dizia: “Cornélio!” Atemorizado, Cornélio olhou para ele e perguntou: “Que é, Senhor?” O anjo respondeu: “Suas orações e esmolas subiram como oferta memorial diante de Deus. Agora, mande alguns homens a Jope para trazerem um certo Simão, também conhecido como Pedro, que está hospedado na casa de Simão, o curtidor de couro, que fica perto do mar. Depois que o anjo que lhe falou se foi, Cornélio chamou dois dos seus servos e um soldado religioso dentre os seus auxiliares e, contando-lhes tudo o que tinha acontecido, enviou-os a Jope (At 10.1-8 – NVI).

"O Espírito me disse que não hesitasse em ir com eles. Estes seis irmãos também foram comigo, e entramos na casa de um certo homem. Ele nos contou como um anjo lhe tinha aparecido em sua casa e dissera: “Mande buscar, em Jope, a Simão, chamado Pedro. Ele lhe trará uma mensagem por meio da qual serão salvos você e todos os da sua casa”. Quando comecei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles como sobre nós no princípio" (At 11.12-15 – NVI).

Através desse texto vemos claramente que a salvação não é pelas obras, mas mediante a graça de Deus (Ef 2.8,9).

4º - O novo nascimento gera novo comportamento. Quem teve um encontro real com Cristo não vive na prática de velhos hábitos, não quero dizer com isso que tal pessoa não peque, mas que é uma pessoa que não vive na prática do pecado. Veja o que nos diz 1Jo 3.9:

“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (ARA).

Veja também Cl 3.1-10:

Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória. Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria. É por causa dessas coisas que vem a ira de Deus sobre os que vivem na desobediência, as quais vocês praticaram no passado, quando costumavam viver nelas. Mas agora, abandonem todas estas coisas: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar. Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador (NVI). 

Para se tornar filho de Deus e entrar nesta família é preciso receber Aquele que é a Palavra como seu único e suficiente salvador.

EM QUARTO LUGAR, JOÃO NOS MOSTRA QUE O VERBO VEIO PARA SALVAR O MUNDO (Jo 1.13).

“Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (ARA).

A salvação sai das fronteiras de Israel e se estende para o mundo inteiro. Pessoas de todas as tribos, raças e povos, que recebem Cristo, receberão poder de serem feitas não apenas filhos de Abraão, mas filhos de Deus, de fazerem parte da família de Deus. Esse poder é conferido não aos que se julgam merecedores por suas obras, mas aos que creem no Seu Nome [12]. Para os judeus a salvação era só para eles. A ideia que eles tinham era que o restante do mundo não tinha nenhum merecimento a salvação que lhes fora entregue.

Por terem sido escolhidos como nação eleita o orgulho lhes cegou o entendimento para ver o que a própria Escritura dizia em relação a Deus e como Ele queria que Israel se posicionasse em relação aos gentios. Várias passagens das Escrituras revelam o amor de Deus manifestado gratuitamente aos gentios que exerceram fé no Santo de Israel, como por exemplo, Raabe (Js 6.1-27); Rute (Rt 1– 4 ); Naamã (2 Rs 5.1-19), e os ninivitas (Jn 3.1-10). Se isso não bastasse, o Senhor prometera tornar os gentios o seu povo (Is 11.1,10; 421-5; 52.15; 65.1; compare com Mt 12.18-21; At 15.14-18; Rm 9.25-30; 10.19-21; 15.8-12, 19-21).

Outro detalhe interessante é que o versículo 13 antecipa a declaração mais completa sobre o novo nascimento, que será feita no capítulo 3. Lá se enfatiza a diferença entre as duas ordens: “O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito, é espírito” (Jo 3.6) [13].

João mostra que para se tornar filho de Deus não ocorre de forma natural. Para se tornar filho de Deus tem que haver uma intervenção divina na pessoa, e ele nos apresenta isso de três maneiras negativas:

 1º - Não se é filho de Deus por ser judeu - Os quais não nasceram do sangue. Hereditariedade – ninguém recebe a salvação por herança. Em outras palavras: filho de crente não é crentinho. Toda pessoa precisa ter sua própria experiência com Deus. Para os judeus bastava ser judeu para herdar a vida eterna, no entanto Jesus deixou bem claro que tal coisa era uma ideia distorcida que eles tinham.

Muitos líderes religiosos criam que por serem judeus e religiosos que isso lhes bastava, mas Jesus mostrou-lhes que eles eram filhos do diabo e não de Deus (Jo 8.44).

2º - Não se é filho de Deus por vontade própria - Nem da vontade da carne, nem da vontade do homem. Eu não me torno filho de Deus pela minha própria vontade. Como dizem alguns: “Eu passei para crente”. A mudança de religião não traz salvação para a pessoa. Ninguém irá para o céu por ser evangélico ou ser um religioso. Veja o que Paulo nos fala em Rm 9.15,16:

“Pois ele diz a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão”. Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus” (NVI).

3º - Se é filho de Deus pela vontade de Deus - mas de Deus. Este direito de nascimento divino não tem nada a ver com laços raciais, nacionais ou familiares. O que nos leva a sermos filhos de Deus vem da graça e misericórdia de Deus agir em nossos corações.

E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição? Que dizer, se ele fez isto para tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória, ou seja, a nós, a quem também chamou, não apenas dentre os judeus, mas também dentre os gentios? Como ele diz em Oséias: “Chamarei “meu povo” a quem não é meu povo; e chamarei “minha amada” a quem não é minha amada”, e: “Acontecerá que, no mesmo lugar em que se lhes declarou: “Vocês não são meu povo”, eles serão chamados “filhos do Deus vivo” (Rm 9.22-26 – NVI).

Não depende de mim nem muito menos de você, mas de Deus usar de Sua misericórdia.

CONCLUSÃO

O texto que nós meditamos mostra que o Senhor Jesus veio a este mundo buscar o perdido, mas que muitos dos que estavam perdidos não se viam perdidos. Esse é o grande problema da humanidade ainda hoje. Muitos confiam em seus próprios méritos para chegar ao céu. Muitos acreditam que por serem boas pessoas mereçam ser salvas. Outras por sua vez creem que para tal é necessário ter uma religião. Outros já pensam que todos irão ser salvos, pois todos somos filhos de Deus “só não falamos a mesma língua”.

O mundo continua sem reconhecer Jesus, por isso cada um pensa de um jeito e agem segundo as suas próprias vontades.

No entanto, o texto de João é claro em afirmar que para nos tornarmos filhos de Deus é necessário crer no Seu Filho Jesus e tê-lo como senhor de nossas vidas. Fora de Jesus não há salvação, pois só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Pense nisso!  

Notas

1 – MacArthur, John. A Guerra Pela Verdade. Editora Fiel, São José dos Campos, SP, 2014: p. 244.
2 – Peters, George W. Teologia Bíblica de Missões. Editor CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 11ª impressão, 2015: p. 47.
3 – Bruce, F. F. João: introdução e comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1987: p. 41.
4 – Lopes, Hernandes Dias. João, As glórias do Filho de Deus. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2015: p. 27.
5 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo vol. 5. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 368.  
6 – Lopes, Hernandes Dias. João, As glórias do Filho de Deus. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2015: p. 31.
7 – Magela, Geraldo. Maus hábitos dos crentes. http://pastorgeraldomagela.blogspot.com.br/2009/07/maus-habitos-dos-crentes.html, acessado em 02/12/16.
8 – Tozer, A. W. E Ele Habitou Entre Nós. Graça Editorial, Rio de Janeiro, RJ, 2014, p: 74-80.
9 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo vol. 5. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 369.  
10 – Música O Mundo. Compositor: André Abujamra.
11 – Bruce, F. F. João: introdução e comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1987: p. 43.
12 – Lopes, Hernandes Dias. João, As glórias do Filho de Deus. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2015: p. 32.
13 – Bruce, F. F. João: introdução e comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1987: p. 43.