sexta-feira, 12 de agosto de 2016

ABRAÃO, UM PAI AMADURECIDO NA FÉ

Por Pr. Silas Figueira

INTRODUÇÃO

Texto Base: Gênesis 22.1-19

A história de Abraão começa quando o Senhor o chama de Ur dos caldeus para, a partir dele, fazer uma grande nação (Gn 12.1). Abraão estava com 75 anos e sua esposa Sara com 65, sendo que eles não tinham filhos, pois Sara era estéril.

Warren W. Wiersbe diz que Abraão matriculou-se na “escola da fé” aos setenta e cinco de idade. Nesta passagem, estava com mais de cem anos e continuava passando por experiências intensas. Nunca somos velhos demais para enfrentar novos desafios, para lutar novas batalhas e para aprender novas verdades. Quando paramos de aprender, deixamos de crescer, e quando deixamos de crescer, paramos de viver [1].
 
Quando lemos a história de Abraão, em Gênesis, nós nos deparamos com um homem em conflito da fé e nos fracassos que ele cometeu; mas à medida que os anos foram se passando ele foi tendo um crescimento na fé, alcançando o seu ápice em Gênesis 22 quando o Senhor pede seu filho em sacrifício. No entanto, até chegar a essa maturidade espiritual muitos percalços Abraão enfrentou.

A estrada da maturidade da fé (Gn 22.1-19; Tg 2.21,22) sempre foi baseada na prática de dois passos para frente e um para trás; é um teste constante, no qual as pressões da vida – alimento (Gn 12.10), família (Gn 13.7), anseios (Gn 15.3, 16.1) e temores (Gn 20.11) – cooperam, em forma de “provações” (Tg 1.2), as quais, quando enfrentadas com fé e perseverança, nos tornam “maduros e completos” (Tg 1.4) [2].

Qual pai que nunca enfrentou essas crises também? Crise do pão de cada dia, quando o dinheiro acaba e não sabemos o que fazer para alimentar a família? Problemas com membros da família; parentes que vem nos causar angústias e tristezas? Momento de dúvidas, se realmente o que o Senhor falou irá se cumprir em nossa vida, ou será que não foi fruto da nossa imaginação? Quantos medos nós enfrentamos também. Quantas aflições diante de uma insegurança do bem estar de nossa família. A história de Abraão não é diferente em nada da nossa. Enfrentamos problemas e mais problemas, talvez não tanto quanto Abraão enfrentou, mas enfrentamos os nossos. Pequenos ou grandes, reais ou imaginários, mas nós os enfrentamos todos os dias. Por isso que o “justo vive pela fé” (Hc 2.4).

E para enfrentar esses problemas nós precisamos do Senhor e, com urgência, amadurecer na fé como Abraão amadureceu. Nesse episódio narrado em Gênesis 22 Abraão já estava andando com Deus por cerca de 40 anos. Por isso eu quero pensar com você sobre esse amadurecimento da fé, e como ela deve demonstrada na vida de um pai.

1º - Um pai maduro na fé sabe que passará por provas e ensina isso a seus filhos (Gn 22.1). Uma das maiores imaturidades que alguém pode ter é pensar que a vida não lhe trará problemas. É achar que na vida tudo vai dar certo e que não sofreremos decepções. A geração atual de crentes tem recebido essa ideia através de muitos púlpitos, e pior, dentro de casa.

Há uma geração de pais que querem poupar seus filhos das lutas da vida. Tentam a todo custo fazer da vida dos filhos uma vida sem dificuldades; com isso, temos hoje uma grande gama de jovens que acham que na vida tudo é fácil, pois seu “papai” os socorre em tudo que fazem, principalmente nos seus erros.

Temos vivido a geração de Adonias, uma geração de jovens que não são contrariados pelos seus pais: Ora, Adonias, cuja mãe se chamava Hagite, tomou a dianteira e disse: “Eu serei o rei”. Providenciou uma carruagem e cavalos, além de cinquenta homens para correrem à sua frente. Seu pai nunca o havia contrariado; nunca lhe perguntava: “Por que você age assim?(1Rs 1.5,6).

Um pai maduro na fé não passa a mão nos erros dos filhos e os ensina a assumir suas responsabilidades diante dos erros cometidos, mas para isso esse pai deve ser também amadurecido na fé.

Abraão não só enfrentou a prova dada por Deus como levou seu filho a enfrentá-la também, pois Isaque fazia parte da prova. O amadurecimento na fé de nossos filhos vem através exemplo de crescimento da fé de seu pai. Lembre-se disso!

E há outro detalhe importante na maturidade da fé: saber discernir provação e tentação. As tentações vêm dos desejos de dentro de nós (Tg 1.13-15), já as provações procedem de Deus, que tem um propósito específico a cumprir. A tentação é par a nossa queda, a provação é para nos manter de pé.  
      
2º - Um pai maduro na fé conhece a voz de Deus (Gn 22.1,2). Quem anda com Deus deve saber discernir a voz de Deus entre muitas vozes. Há pessoas que diz que Deus falou com elas, essa colocação é extremamente séria. Se Deus falou não há discussão, não há questionamentos, não há duvidas. Mas quantas pessoas dizem que Deus falou e depois dizem que foi engano. Isso se chama imaturidade na fé.

Abraão conhecia a voz de Deus, tanto que ele não questiona a ordem dada, ele obedece. Os pais devem saber discernir a voz de Deus e ensinar seus filhos a terem essa mesma experiência, pois afinal de contas nós não queremos ver nossos filhos agindo como esquizofrênicos na fé. E um dos sintomas da esquizofrenia é a alucinação: são percepções falsas dos órgãos dos sentidos. As alucinações mais comuns na esquizofrenia são as auditivas, em forma de vozes. O paciente ouve vozes que falam sobre ele, ou que acompanham suas atividades com comentários. Muitas vezes essas vozes dão ordens de como agir em determinada circunstancia.

Pai maduro na fé não é esquizofrênico nela.  

3º - Um pai maduro na fé obedece a ordem do Senhor (Gn 22.2,3). Como já falamos, por conhecer a voz de Deus, Abraão não questiona, ele obedece. Ainda que aparentemente fosse uma ordem absurda, ele não deixou de cumpri-la.

Um pai maduro na fé entende que Deus sabe o que faz ainda que não entendamos. Como nos diz o Senhor por boca do profeta Jeremias: “Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro” (Jr 29.11 – NVI).

Deus sabe o que faz e o que nos pede!

No entanto, há pais que estão questionando o agir de Deus e até lhe pedindo explicações de seus atos, como se Deus lhe devesse alguma explicação. Isso é imaturidade, criancice e mundanismo. Veja o que Paulo disse para os crentes de Corinto:

“Irmãos, não lhes pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo. Dei-lhes leite, e não alimento sólido, pois vocês não estavam em condições de recebê-lo. De fato, vocês ainda não estão em condições, porque ainda são carnais. Porque, visto que há inveja e divisão entre vocês, não estão sendo carnais e agindo como mundanos?” (1Co 3.1-3 – NVI).

A imaturidade na fé leva aos questionamentos.

Isaque nesse texto tipifica Cristo e Abraão tipifica Deus. Observe o versículo 2 de Gênesis 22: Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei” (NVI).

1) Abraão é o Pai que sacrificou Seu Filho Unigênito como expiação pelo mundo (Jo 3.16).
2) Isaque é tipifica Cristo que foi obediente até a morte (Fl 2.5-8).
3) A lenha sobre Isaque tipifica a cruz que o Senhor levou (Jo 19.16,17).
4) O carneiro é tipifica a substituição de Cristo que foi oferecido como oferta em nosso lugar (Hb 10.5-10).
5) A ressurreição foi tipificada na fé de Abraão de que Deus traria Isaque de volta à vida, se o sacrifício fosse levado a efeito (Hb 11.17-19).

Teu único filho. Abraão já tinha Ismael, mas Isaque era o único filho por meio de quem o pacto que o Senhor havia feito com Abraão seria realizado (Gn 15.1-7).

4º - Um pai maduro na fé adora a Deus em todas as circunstâncias (Gn 22.5). Observe que Abraão diz para os seus servos que ele e o rapaz iriam adorar. Ele não lamuriou diante da crise aparente, mas foi buscar a face do Senhor em adoração.

Quantos pais ficam em casa e deixam de vir adorar a Deus junto com outros irmãos na igreja porque estão passando por alguma crise. Deixam de ser adoradores para serem lamuriadores. Ficam como cães lambendo a própria ferida. E nem em casa adoram, não adoram no hospital, na sala de espera do consultório médico, não adoram diante de um túmulo. Adoração é um estilo vida e não um ato de momento. Independe das circunstâncias, mas adora em todo o tempo. 

Adorar quando tudo vai bem é fácil, mas nem sempre está tudo bem com a gente. Há dias de densas trevas em nossas vidas, como também há dias ensolarados. Lembre-se de Jó:

“Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor”. Em tudo isso Jó não pecou e não culpou a Deus de coisa alguma (Jó 1.21,22 – NVI).

Mas um pai maduro na fé não anda com gente incrédula. Anda com gente crente. Anda pela fé. Gente incrédula deve ficar tomando conta de jumento. Observe que Abraão falou para os moços que foram com ele: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos” (Gn 22.5 – NVI).

Há provações na vida que precisamos enfrentar sozinhos e entender isso é maturidade da fé. Quem amadurece na fé sabe que há momentos que é você e Deus somente. Não tem como termos a companhia de amigos ou familiares. Jesus quando estava no Getsêmani levou consigo três de seus apóstolos, Pedro, Tiago e João, mas se dirigiu sozinho para orar (Mt 26.36-39). 

5º - Um pai maduro na fé crê na intervenção divina (Gn 22.7,8). Andar pela fé é andar crendo em milagres. Um pai maduro na fé crê na intervenção divina na vida dos filhos, na família. Crê que o Senhor há de intervir para mudar a história que parece estar caminhando para o fim. Um pai maduro na fé crê na provisão divina em todo o tempo.

O SENHOR proverá – “Jeova-Jire”. A declaração: “No monte do Senhor se proverá” (v. 14) nos ajuda a compreender algumas verdades sobre a provisão de Senhor.

Onde o Senhor provê nossas necessidades? No lugar indicado por Ele. Abraão estava no lugar certo, de modo que o Senhor pôde suprir as suas necessidades. Não temos o direito de esperar pela provisão de Deus se não estivermos dentro da vontade de Deus.

Quando o Senhor provê nossas necessidades? Exatamente quando precisamos, nem um minuto antes – “Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hb 4.16 – NVI).

Como Deus provê? De maneira que, normalmente, são bastante naturais. Deus não enviou um anjo junto com o sacrifício; simplesmente permitiu que carneiro ficasse preso pelos chifres nos arbustos no momento em que Abraão precisava e num lugar que Abraão podia alcançar. Abraão só necessitava de um animal, de modo que o Senhor não mandou um rebanho de ovelhas.

A quem o Senhor concede sua provisão? Àqueles que confiam nele e que obedecem a suas instruções.

Por que o Senhor supre todas as nossas necessidades? Para que Seu nome seja glorificado [3]. 
  
6º - Um pai maduro na fé constrói altares para oferecer os filhos (Gn 22.9). Abraão era um construtor de altares, vemos isto por quatro vezes no decorrer de sua vida.

Após Abraão conhecer o DEUS VERDADEIRO ele dispôs o seu coração para servi-lo e obedecê-lo. Começa então a sua trajetória de "Construtor de Altares".

1º Altar - SIQUÉM (Altar da Promessa – Gn 12.6,7).  A motivação de Abraão construir este primeiro altar foi em adoração ao SENHOR que lhe aparecera. E nesta aparição o SENHOR reafirmou-lhe a Sua Promessa: “... te darei esta terra". Hoje nós também temos valiosíssimas promessas de Deus para nossa família (Sl 128).

2º Altar - BETEL (Altar da Comunhão – Gn 12.8). Betel significa "Casa de Deus". E foi aí, na Casa de Deus onde Abraão invocou o Nome do Senhor. Não somente Deus falava com Abraão, mas Abraão podia falar com Deus! É interessante atentarmos para o fato de que hoje nós somos "Betel", ou seja, nós somos “Casa de Deus”: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” 1Co 3.16 e “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos?” 1Co 6.19.

3º Altar - HEBROM (Recomeço – Gn 13.18). Após separar-se de Ló o SENHOR volta a falar com Abraão, é seu recomeço! 

“Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló separou-se dele: De onde você está, olhe para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste: toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre” (Gn 13.14,15 – NVI).

4º Altar - MORIÁ (Provação – Gn 22.9). O último e mais impactante altar da vida de Abraão marca este que foi o momento crucial na vida de Abraão.

Devemos ensinar aos nossos filhos que há uma necessidade de termos o nosso coração como altar ao Senhor. Necessitamos construir o altar da promessa, da comunhão, do recomeço e da provação e mantê-los erguidos em nossas vidas para testemunho diante de nossos filhos e apresentar os nossos filhos ao Senhor nesses altares todos os dias.
 
7º - Um pai maduro na fé não adora as bênçãos recebidas, mas adora o doador das bênçãos (Gn 22.10-12). Um dos grandes perigos que corremos é de adorar as bênçãos no lugar do abençoador. Não são raros os casos de pessoas que trocam Deus pelos bens materiais recebidos, aliás, vemos isto em muitas igrejas onde dão ênfase as bênçãos fazendo de Deus um doador simplesmente.

A maturidade na fé nos leva a ver as coisas como elas realmente são: bens matérias, família e tantas outras coisas não podem substituir a nossa adoração a Deus. Como nos disse Jesus em Mateus 10.37,38:

“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (NVI).

Abraão amava seu filho, mas ele não o amava mais do que amava a Deus. Isso aqui é muito sério. Por isso que o Senhor nos deixou esse alerta em Mateus 10.37, há um perigo de isso acontecer e nós nos tornarmos idólatras.

Devemos levar os nossos filhos entenderem que somente Deus deve receber o nosso amor pleno e só a Ele adorar. O Senhor Jesus em Mateus 6.38 que devemos buscar o Reino de Deus em primeiro lugar, pois o resto é resto.

O nome Isaque quer dizer sorriso, mas quem deu esse sorriso para Abraão e Sara foi o Senhor. A nossa real alegria está em Deus, pois se depositarmos a nossa felicidade nas coisas dessa terra nós seremos os mais infelizes dos homens. Veja o que Paulo nos fala em Filipenses 4.10-13:

“Alegro-me grandemente no Senhor, porque finalmente vocês renovaram o seu interesse por mim. De fato, vocês já se interessavam, mas não tinham oportunidade para demonstrá-lo. Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece” (NVI).

Isso é maturidade na fé, e essa maturidade que os pais cristãos precisam atingir, não só para viverem felizes, mas também para não idolatrar as bênçãos recebidas de Deus; ainda que essas bênçãos seja a família.

8º - Um pai maduro na fé crê no milagre na vida dos filhos (Gn 22.9-12; Hb 11.17-19). O texto de Hebreus nos diz que Abraão cria que o Senhor era poderoso para ressuscitar Isaque. Havia uma confiança em Deus e nas suas promessas, pois Isaque era o filho da promessa (Gn 17.16,17,19). Veja o texto:

Eu a abençoarei e também por meio dela darei a você um filho. Sim, eu a abençoarei e dela procederão nações e reis de povos.  Abraão prostrou-se com o rosto em terra; riu-se e disse a si mesmo: “Poderá um homem de cem anos de idade gerar um filho? Poderá Sara dar à luz aos noventa anos?” Então Deus respondeu: Na verdade Sara, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe chamará Isaque. Com ele estabelecerei a minha aliança, que será aliança eterna para os seus futuros descendentes.

O que Abraão fez vai muito além da compreensão humana, isso se chama fé, e a fé não tem explicação. Ou você crê ou você não crê. Há momentos que muitos pais olham para os seus filhos e a impressão que tem é que a morte irá chegar a qualquer momento. Quantos pais estão chorando a morte espiritual de seus filhos, mas creia na intervenção de Deus na vida deles, não deixe de crer. Se há uma promessa para vida deles da parte de Deus, creia que o Senhor irá intervir. A ressurreição vai acontecer, creia somente, foi isso que o Senhor Jesus disse para Jairo quando este recebeu a notícia que sua filha havia falecido (Mc 5.35,36).

Ainda que só você creia no milagre, ofereça seus filhos no altar e deixe o resto com Deus. A entrega no altar do Senhor é deixar Deus ser Deus na vida de seus filhos. É deixar as coisas acontecerem segundo a ordem dada e não segundo o que achamos que deveria ser. Deus sabe o que faz, e nós muitas vezes só atrapalhamos – veja o que Sara fez (Gn 16). Não seja precipitado!

9º - Um pai maduro na fé vê sua fé confirmada (Gn 22.13). A fé não é um salto no escuro como algumas pessoas pensam. A fé é a certeza da ação poderosa de Deus intervindo em nosso lar. Como está registrado em Hebreus 11.1,6:

“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam”.

Esse carneiro é o cordeiro adulto, esse animal simbolizava a fé madura de Abraão. Ele já não era um neófito na fé, mas um maduro na fé. Jesus deixou isso bem claro em relação a nossa fé. Ele disse que a nossa fé deveria crescer. Veja o que Ele disse para os discípulos em Lucas 17.5,6:

“Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” Ele respondeu: Se vocês tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, poderão dizer a esta amoreira: “Arranque-se e plante-se no mar”, e ela lhes obedecerá” (NVI).

Na verdade o Senhor ensinava sobre a semelhança entre a fé e uma semente e não sobre o tamanho da fé. O Senhor Jesus está mostrando que a fé deve ser desenvolvida. Deve virar árvore. Tem que crescer. Mas como ela cresce? Para que nossa fé cresça, temos que SEMEÁ-LA. E a forma pela qual se semeia a fé é mediante seu exercício; quando usamos a fé que temos em uma necessidade específica, e vemos a intervenção de Deus, colhemos mais fé. Foi o que Abrão fez durante toda a sua vida, por fim colheu o milagre.

10º - Um pai maduro na fé é canal de bênção para outras pessoas (Gn 22.15-19). Veja que a promessa de que a casa de Abraão seria abençoada chegou até nós. Por isso que Abraão é chamado de pai da fé (Rm 4.11).

Através da fé de Abraão o Senhor disse que todas as famílias da terra seriam abençoadas, o Senhor está se referindo a Pessoa de Jesus que viria ao mundo. Quando obedecemos a Deus nós nos tornamos, através de Jesus, abençoadores também.

As bênçãos procedentes da fé não são egoístas, mas abrangentes, elas alcançam muitas vidas. Charles Spurgeon costumava dizer que as promessas de Deus nunca brilham com tanta intensidade quanto na fornalha da aflição. Aquilo que dois homens fizeram num altar solitário um dia serviria de bênção para todo o mundo. 
  
11º - Um pai maduro na fé se preocupa com quem os filhos irão constituir família (Gn 22.23, 24.1-4). A preocupação de Abraão também deve ser a nossa preocupação, com quem nossos filhos irão se casar. Abraão não queria que seu filho se casasse com uma mulher cananéia. A Lei de Moisés também não permitia que homens israelitas se casassem com mulheres pagãs (Dt 7.1-11). Os cristãos também não devem se casar com pessoas incrédulas (1Co 7.39, 2Co 6.14-18). Por isso devemos buscar a Deus em oração para que o Senhor tenha misericórdia de nossos filhos e lhes deem pessoas crentes e fiéis, não basta ser crente.

Pais maduros na fé tem essa preocupação porque sabem que um relacionamento de jugo desigual gera confusão espiritual na vida do cônjuge, assim como na vida dos filhos. Veja o que ocorreu em Israel depois do cativeiro babilônico:

Além disso, naqueles dias vi alguns judeus que se haviam casado com mulheres de Asdode, de Amom e de Moabe. A metade dos seus filhos falavam a língua de Asdode ou a língua de um dos outros povos, e não sabiam falar a língua de Judá. Eu os repreendi e invoquei maldições sobre eles. Bati em alguns deles e arranquei os seus cabelos. Fiz com que jurassem em nome de Deus e disse-lhes: “Não consintam mais em dar suas filhas em casamento aos filhos deles, nem haja casamento das filhas deles com seus filhos ou com vocês. Não foi por causa de casamentos como esses que Salomão, rei de Israel, pecou? Entre as muitas nações não havia rei algum como ele. Ele era amado de seu Deus, e Deus o fez rei sobre todo o Israel, mas até mesmo ele foi induzido ao pecado por mulheres estrangeiras. Como podemos tolerar o que ouvimos? Como podem vocês cometer essa terrível maldade e serem infiéis ao nosso Deus, casando-se com mulheres estrangeiras? (Ne 13.23-27 – NVI).

O que temos aqui é uma casa dividida onde cada um fala uma língua, menos a língua do povo de Deus. Isso tem ocorrido em muitos lares de pessoas cristãs também, pois se casaram com pessoas que não eram cristãs, ou estavam na igreja, mas não eram fiéis. Jugo desigual acontece até com pessoas da mesma igreja.

Por exemplo: se você tem o chamado para o ministério e sua namorada não concorda com isso é melhor terminar esse relacionamento ou, você é totalmente envolvido com as coisas de Deus e seu namorado é um songa monga procure outro rapaz que tenha os mesmos objetivos que você. Isso em relação aos estudos, se a pessoas é ciumenta demais etc.

Meus queridos pais se preocupem com quem seus filhos irão se casar, pois se não você sofrerá como rebeca e Isaque sofreram com Esaú (Gn 26.34,35).

CONCLUSÃO

Vimos que um pai maduro na fé age de acordo com a vontade de Deus e não segue os seus desejos. Um pai maduro na fé conhece e obedece a voz de Deus e colhe frutos abençoados das mãos do Senhor.

Homens maduros na fé sabem que são totalmente dependentes de Deus em todo o tempo. Como disse Max Lucado: “Conselheiros podem confortar você na hora da tempestade, mas você precisa de um Deus que possa acalmar a tempestade. Amigos podem segurar-lhe a mão em seu leito de morte, mas você precisa de Yahweh que venceu a sepultura. Filósofos podem debater o significado da vida, mas você precisa de um Senhor que possa declarar o sentido da vida. Você precisa de Yahweh!”  
  
Pense nisso!

Fonte: 
  
1 – Wiersbe, Warren W. Pentateuco, Comentário Bíblico Expositivo. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 133. 
2 – Gardner, Paul. Quem é Quem na Bíblia Sagrada. Editora Vida, São Paulo, SP, 1999: p. 11.

3 – Wiersbe, Warren W. Pentateuco, Comentário Bíblico Expositivo. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012: p. 135.
4 - Lucado, Max. Aliviando a Bagagem. Editora CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2002: p. 19.

Nenhum comentário:

Postar um comentário