domingo, 3 de agosto de 2014

DANIEL UM HOMEM DE ESPÍRITO EXCELENTE


Por Pr. Silas Figueira

Texto base Dn 6.1-3

INTRODUÇÃO

A Babilônia caiu nas mãos dos Medos e dos Persas, mas apesar da mudança de governo, Daniel continuou sendo bem visto e respeitado também nesse novo governo. Por isso, quando o rei Dario resolveu acabar com a corrupção em seu governo e, para isso, constituiu 120 prefeitos e três governadores, Daniel estava entre eles. Mas aqueles que deveriam vigiar e fiscalizar as finanças se corromperam. O governo mudou, mas o coração dos homens não. A corrupção estava instalada dentro do palácio, nas rodas mais altas do governo de Dario. 

Por isso que a postura de Daniel incomodou tanto os outros fiscais. Daniel mantém-se íntegro a despeito do ambiente, ou seja, Daniel não se corrompe. Ele não se torna produto do meio. Ele não se vendeu e nem negociou seus valores absolutos. Por isso, Daniel foi vítima de inveja dos outros “colegas” de trabalho. Daniel foi vítima do ódio e da inveja deles. Ainda mais porque o rei Dario queria colocá-lo como primeiro-ministro da Babilônia (Dn 6.3). Ah! Inveja que sentimento diabólico!

Preste atenção nessa ilustração:

O QUEBRADOR DE PEDRAS

Era uma vez um sujeito muito simples, que ganhava a vida quebrando pedras. Ele tinha saúde, emprego, família, mas, vivia permanentemente insatisfeito.

Um dia ele passou em frente à casa de um homem muito rico e importante e sentiu uma terrível inveja ao vê-lo cercado de bens valiosos e pessoas importantes.

Ah... Como ele queria ser como aquele homem!

Então, inexplicavelmente, como num passe de mágica... plim! Ele foi colocado no lugar do rico.

Mas, quando ia começar a usufruir o luxo e o poder, passou em frente daquela casa um importante general, montado num magnífico cavalo, e todos se curvavam diante dele. O quebrador de pedras novamente sentiu inveja e desejou ser aquele general e, mais uma vez, plim! Lá estava ele, em cima do cavalo.

Mas, quando ia começar a desfrutar o prestígio do general, caiu do cavalo, devido ao forte calor do sol do meio-dia. Então, ele invejou o sol e... plim!

Mas, quando ia começar a experimentar todo o poder de seus raios, uma nuvem escura veio e tapou-lhe a visão e interrompeu seus raios. Invejou a nuvem escura e... plim!

Mas, quando ia começar a tapar os raios do sol, passou um forte vento e jogou a nuvem pra longe. Invejou o vento e... plim!

Mas, quando ia começar a jogar nuvens escuras para bem longe, uma montanha quebrou o vento. Invejou a montanha e... plim! Tornou-se a montanha.

Ah... Agora, finalmente, parece que ficou satisfeito, pois, parecia-lhe que, em todo o mundo, nada era mais poderoso que uma grande e inabalável montanha.

Mas, foi neste pequeno e único momento de satisfação que ele ouviu um som que lhe era bastante familiar, o som de uma pesada marreta de ferro manejada com habilidade por um musculoso quebrador de pedras, quebrando a montanha devagarzinho.

“Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros” Tito 3.3

Mas o que é inveja?

Inveja, palavra proveniente do latim invidia, significa o desejo de obter algo que outra pessoa possui e que você não tem. Representa a tristeza ou o pesar pelo bem alheio.

De acordo com o psicoterapeuta e escritor José Luis Cano, a inveja nada mais é do que “um fenômeno psicológico muito comum que causa um grande sofrimento para muitas pessoas, tanto para os invejosos como para suas vítimas. Ela pode ser explícita e transparente, ou formar parte da psicodinâmica de alguns sintomas neuróticos. Em todos os casos, a inveja é um sentimento de frustração insuportável perante algum bem de outra pessoa, causando o desejo inconsciente de danificá-lo”.

Cano também afirma que um indivíduo invejoso é um ser insatisfeito, seja por imaturidade, repressão, frustração, etc. No geral, essas pessoas sentem, consciente ou inconscientemente, muito rancor contra outros que possuem algo que elas também desejam, mas que não podem obter ou não querem desenvolver (beleza, dinheiro, sexo, sucesso, poder, liberdade, amor, personalidade, experiência, felicidade).

É por isso que o invejoso, ao invés de aceitar suas carências ou perceber seus desejos e capacidades e assim desenvolvê-los, odeia e deseja destruir todas as pessoas que, como um espelho, lembrem-no da sua privação. Em outras palavras, a inveja é a raiva vingadora do impotente que, em vez de lutar por seus anseios, prefere eliminar a concorrência.

Mas como a inveja surge? 

Esse sentimento tem sua gênese a partir de uma ideia que a pessoa tem de que é incapaz de viver seus próprios sonhos, de estabelecer objetivos para si mesma e os realizar. Sendo assim, o que o outro consegue executar faz com que o invejoso se lembre do que não foi capaz de fazer. Todavia, a sensação de incapacidade, e posteriormente da inveja, deve-se exatamente à escolha indevida de metas e planos, como desejar algo que não está ao alcance no momento. Há ainda a não valorização do que já foi conquistado, que gera a impressão de desvalia, ou seja, não nos damos conta do nosso próprio valor. A inveja é um sentimento que consome o invejoso, pois o faz dar valor apenas ao que está além de seu alcance.

A Bíblia nos diz em Pv 27.4: “Cruel é o furor, e impetuosa, a ira, mas quem pode resistir à inveja?”

I – O ESPÍRITO EXCELENTE DE DANIEL (Dn 6.3)

Daniel foi vítima de inveja devido a sua amizade com o rei Dario, por ser ele uma pessoa que sabia administrar as coisas do reino Medo-Persa e acima de tudo por ser uma pessoa abençoada pelo Senhor. A Bíblia nos fala no v. 3 que Daniel tinha um espírito excelente. Mas, o que podemos detectar na vida de Daniel que nos leva a ver nele esse espírito excelente? Podemos destacar pelo menos seis coisas:

1º DANIEL ERA FIEL A DEUS E A SUA PALAVRA (Dn 1.8,9).

Daniel quando chegou a Babilônia estava com a idade de 14 anos, mas apesar de ser um adolescente ele sabia muito bem quem ele era e a quem ele deveria servir. Apesar de estar na Babilônia ele não era babilônico. Apesar de estar em um lugar onde se adorava vários deuses, ele só servia ao Deus de Israel. Com isso em mente Daniel se propôs a não se contaminar com as comidas consagradas aos deuses babilônicos. 

Em meio a tanto relativismo atualmente, a vida de Daniel é um farol a ensinar-nos o caminho certo no meio dessa escuridão. Outros jovens que estavam com ele logo se corromperam a oferta do rei Nabucodonosor, no entanto, Daniel se propôs firmemente não se contaminar. Por ser fiel a Deus e a Sua Palavra ele desafiou a ordem dada e ousou fazer uma contraproposta ao chefe dos eunucos (Dn 1.9-15). 

Mudaram seu nome, mas ele não se importou. Ensinaram-lhe as leis e a língua dos caudeus e ele se sujeitou a isso sem questionar, mas quando lhe disseram para se contaminar com aquela comida consagrada aos deuses babilônicos ele disse não, mesmo correndo risco de morrer. Mesmo sendo um escravo naquele país ele não se deixou influenciar pela situação, mas procurou influenciar outros jovens. 

2º DANIEL ERA UM HOMEM QUE NÃO SE VENDIA (Dn 5.17).

Quando o filho de Nabucodonosor assumiu o trono, nos diz o texto sagrado que ele pegou os utensílios de ouro que eram consagrados ao Senhor para beber vinho com seus grandes e as suas mulheres e concubinas (Dn 5.3). Mas durante essa festa eles estavam louvando aos deuses babilônicos (Dn 5.4). Foi nesse momento que apareceu uns dedos de mão de homem escrevendo na parede (Dn 5.5-9). 

A rainha-mãe fala a Belsazar que havia no reino um homem que poderia lhe dar a interpretação (Dn 5.10-16). Mas Daniel disse que não queria nada do rei, mas que desse a outro os seus presentes. 

O rei Belsazar estava debaixo de maldição e o que provinha dele também, por isso Daniel disse não ao seus presentes. 

3º DANIEL FALAVA A VERDADE COM INTREPIDEZ (Dn 5.15-31).

Daniel foi duro em sua palavra para com o rei Belsazar porque ele sabia o que o Altíssimo havia feito a seu pai Nabucodonosor, mas ele não lhe deu a glória devida, mas pelo contrário, ele se levantou contra o Senhor (Dn 5.22,23). Por essa atitude o reino dele seria passado a outro (Dn 5.24-29). O exemplo de seu pai não lhe serviu de nada, por isso iria sofrer consequências de sua atitude.

Daniel não relativou a Palavra de Deus, muito pelo contrário, ele confrontou o rei e os seus pecados. Daniel não fez a obra de Deus por dinheiro. Ele não vende seu ministério. Ele não busca favores dos poderosos deste mundo. Ele rejeita os presentes do rei. Daniel não procura recompensas nem favores.

Esse exemplo muitos líderes precisam seguir de perto e por em prática em suas vidas. 

4º DANIEL ERA UM HOMEM FIEL NOS RELACIONAMENTOS (Dn 6.4).

Por ser fiel a Deus e a Sua Palavra, essa fidelidade se manifestou em seu relacionamento com o rei Nabucodonosor, Belsazar e Dario. O nosso relacionamento com Deus deve ser manifesto em nossos relacionamentos também. Daniel é um bom exemplo disso. Eu não posso dizer que sou fiel a Deus e agir de forma diferente em meus relacionamentos com as pessoas. Tanto que o Senhor Jesus nos diz assim:

“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16).

5º DANIEL ERA UM HOMEM DE ORAÇÃO (Dn 6.10).

As pessoas sabiam que ele orava, e sabiam por que ele orava três vezes por dia. Quando lhe perguntavam o que significava tudo aquilo, ele era franco em dizer no que acreditava. Foi exatamente esta lealdade aos antigos modos de Judá, esta constante recusa de separar-se de Jerusalém, esta repetida alegação de que a verdade e a salvação para o mundo achavam-se ali e em nenhum outro lugar, que levaram muitas pessoas poderosas na Babilônia a odiá-lo. Por isso planejaram matá-lo, pois além de fiel ao rei Dario, por não ser uma pessoa corruptível ainda era fiel ao Deus de Israel. Ele não se curvava aos deuses dos babilônicos e nem dos medos e dos persas. 

Daniel era um homem de oração. Vejamos algumas marcas de sua oração:

Em primeiro lugar, sua oração foi constante. Daniel tinha por hábito a oração. Mesmo informado da lei assinada pelo rei que dizia que quem orasse a outro deus a não ser ao rei Dario e quem fizesse tal coisa morreria, Daniel não suspendeu sua prática de oração. 

Em segundo lugar, sua oração foi regular. Daniel orava três vezes ao dia. Como nos diz o Salmo 55.17:

“À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei; e ele ouvirá a minha voz”. 

Daniel não deixou de fazer suas orações regularmente, mesmo correndo risco de morte.

Em terceiro lugar, sua oração foi confiante. Ele orava com a janela aberta para as bandas de Jerusalém. Ele cria nas promessas feitas por Deus a Salomão quando o templo foi consagrado que nos diz: 

“Quando pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles, e os entregares às mãos do inimigo, a fim de que os leve cativos à terra inimiga, longe ou perto esteja; e, na terra aonde forem levados cativos, caírem em si, e se converterem, e, na terra do seu cativeiro, te suplicarem, dizendo: Pecamos, e perversamente procedemos, e cometemos iniquidade; e se converterem a ti de todo o seu coração e de toda a sua alma, na terra de seus inimigos que os levarem cativos, e orarem a ti, voltados para a sua terra, que deste a seus pais, para esta cidade que escolheste e para a casa que edifiquei ao teu nome; ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, a sua prece e a sua súplica e faze-lhes justiça” (1Rs 8.46-49).

Em quarto lugar, sua oração foi corajosa. Mesmo sabendo ao que estava sujeito, não abriu mão de orar. 

6º DANIEL ERA UM HOMEM QUE ESTUDAVA A PALAVRA (Dn 9.1-3).

Ao lermos o relato da vida de Daniel, vemos claramente que a sua religião era muito mais de livros do que de visões. Ele não era guiado por visões, mas pela Palavra de Deus. 

Aqui encontramos Daniel examinando os rolos do livro de Jeremias, quando descobre o profeta falando do cativeiro e da libertação do povo judeu (Jr 25.8-11; 29.10-14). Podemos dizer com muita propriedade que a vida de Daniel é construída em cima de dois pilares: a oração e a Palavra. 

Hoje temos visto um grande analfabetismo bíblico nos púlpitos de nossas igrejas. As pessoas querem ser guiadas por “visões e profecias”, mas não pela Palavra de Deus. precisamos com urgência aprender com os bereanos que procuravam se informar na Palavra se o que Paulo dizia tinha base nas Escrituras (At 17.11). 

II - POR QUE SETENTA ANOS DE CATIVEIRO?

Nada na Bíblia é por acaso, os setenta anos de cativeiro havia uma razão por parte de Deus. Em 2Cr 36.2,21 nos diz:

“Os que escaparam da espada, a esses levou ele para a Babilônia, onde se tornaram seus servos e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia; para que se cumprisse a palavra do SENHOR, por boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram”.

Segundo o mandamento de Deus, dado no monte Sinai, a terra tinha que ficar um ano sem cultivo a cada sete anos (Lv 25.1-7). Israel e Judá tinham deixado de observar esses anos sabáticos; por isso, mediante o exílio de setenta anos, Deus ia dar cumprimento a esses descansos sabáticos da terra (Jr 25.11,12; 29.10). 

Isto significa que todo o “tempo pertence a Deus”. Durante esse ano (de repouso), a terra não era lavrada, o fruto era livre, e a confiança do povo em Deus era provada.

Aprendem os de Deuteronômio 31.10-13, que este ano era empregado para dar instrução religiosa ao povo. Durante os 490 anos da monarquia, esta lei não foi observada, como devia ter sido por 70 vezes. Por isso, foram dados ao povo 70 anos de cativeiro. Deus, apenas, como sempre, só exigiu o dízimo dos 490 anos. (Ver 2 Cr 36.21.) Daniel sabia que Deus é o “Justo Juiz” e só cobraria o “dízimo” dos anos, e pôs-se a orar confiantemente por um repatriamento. (Comp SI 126.)

Por isso Daniel faz uma oração confessando o pecado do seu povo por não darem crédito à voz do Senhor através de seus profetas (Dn 9.4-14). 

É bom destacar que foi nesse período do cativeiro que surgiram as sinagogas, locais em que os judeus se reuniam para estudar a lei de Deus. 

Muitas pessoas vivem como se não tivessem que prestar contas a Deus da vida que Ele nos deu. Principalmente os cristãos terão que prestar contas a Deus da vida que tem levado. Muitos têm negligenciado as palavras de Jesus que está sempre nos alertando a respeito disso. Jesus contou várias parábolas a esse respeito (Mt 24.32-44; 45-51; 25.1-13; 14-30). 

Cristianismo sem cruz é “cristianismo” sem compromisso. Se na antiga aliança o povo deveria observar a Lei de Moisés, na nova aliança devemos observar os preceitos da Sua Palavra. Estamos debaixo da graça, mas nem por isso devemos viver dissolutamente. Porque o que o homem planta ele colhe (Gl 6.6-10). 

III – A EXCELÊNCIA DE DANIEL É COLOCADA À PROVA (Dn 6.1-23)

Ser íntegro em todos os relacionamentos é o que o Senhor espera de todo crente. No entanto vivemos em uma grande crise de integridade no meio da igreja local. Muitos têm sucumbido à tentação e trazido um péssimo testemunho diante do mundo. No entanto, a vida de Daniel é um grande exemplo para todos nós, principalmente para aqueles cristãos que estão envolvidos na política de nosso País. É possível ser íntegro na política testemunhando de Cristo, Daniel é um exemplo disso, mas o que temos visto tem nos dado náuseas. O que temos visto são ditos políticos cristãos envolvidos em escândalos dos mais diversos – desde enriquecimento a troca de esposas e maridos. Gente sem escrúpulo roubando a nação e deixando os pobres de estômago vazio. 

Aliás, eu gostaria de saber por que existe a tal “Bancada Evangélica”. Eu não vejo “Bancada Espírita”, “Muçulmana”, “Católica”, “Budista”... Mas vejo pessoas usando o nome de Deus em vão nesse lugar. Alguns dizem que estão ali para defenderem a família. Só se for a deles!

Mas ao olharmos para vida de Daniel vemos que é possível manter-se íntegro em meio a tanta corrupção. Dentre os líderes que o rei Dario havia escolhido só Daniel era realmente de confiança, e, por isso, foi vítima de uma emboscada. 

1 – Para matar Daniel esses homens usaram duas coisas para cumprir os seus intentos:

Primeiro, manipularam o ego do rei Dario (Dn 6.5-9; Jd 16). A mesma tentação que os nossos primeiros pais enfrentaram o rei Dario também passou: Ser igual a Deus. Na verdade, o rei Dario foi tentado naquilo que na verdade já havia em seu coração (Tg 1.13-15). E Satanás muito ardilosamente usou desse desejo usando esses líderes inescrupulosos para instigar ainda mais esse desejo. 

Segundo, usaram a própria lei dos Medos e dos Persas contra o rei Dario (Dn 6.11-16). O rei Dario foi vítima do seu próprio pecado e de homens cruéis. Esses homens perderam totalmente o temor ao rei diante do ódio que tinham de Daniel. 

A Bíblia nos fala que quem é dominado pelo ódio fica cega. Veja o que a Bíblia nos fala em 1Jo 2.11:

“Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos”. 

Daniel foi odiado pelos seus contemporâneos, foi vítima de complôs e condenado a morrer simplesmente porque era partidário da verdade; amava a Deus e vivia à altura. Mas a história de Daniel pode ser a sua história, pois a Bíblia nos fala que quem quiser viver piedosamente em Cristo sofrerá perseguição (2Tm 3.12). 

IV – O QUE DANIEL FEZ DIANTE DISSO? DANIEL FOI ORAR (Dn 6.10)

O texto nos diz que Daniel manteve-se na sua rotina de oração. Quando soube que a escritura estava assinada foi dar graças a Deus como sempre fazia. Mesmo sabendo que corria risco de morte, não se deixou abalar por isso. É interessante observar que Tiago nos fala exatamente isso: “Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração” (Tg 5.13).

Um cristão maduro é aquele que tem uma vida plena de oração diante das lutas da vida. Em vez de ficar amargurado, desanimado, reclamando, ele coloca a sua causa diante de Deus e Deus responde ao seu clamor.

Podemos destacar quatro formas de oração através de 1Tm 2.1:

Primeiro, as “súplicas”. Elas estão relacionadas à apresentação de um pedido ou uma necessidade a Deus. A ideia fundamental da palavra grega deesis, é um sentimento de necessidade. A oração começa com esse sentimento de nossa total dependência de Deus. Oração é a insuficiência humana aproximando-se da suficiência divina.

Segundo, as “orações”. Designam o movimento da alma em direção a Deus. As orações são um ato de adoração a Deus, exaltando-o pela excelência de seus atributos e rogando a ele pela grandeza de suas misericórdias.

Terceiro, as “intercessões”. Elas estão relacionadas com a súplica em favor de alguém ou de alguma coisa. A palavra grega enteuxis traz a ideia de entrar na presença do rei para lhe fazer uma petição. Portanto, nenhum pedido é grande demais para ele. Para Deus não há impossíveis!

Quarto, as “ações de graças”. Elas tratam da nossa gratidão a Deus pelo que ele tem feito. A palavra grega eucaristia, deixa claro que orar não é apenas aproximar-se de Deus para adorá-lo por quem ele é, e rogar a ele suas bênçãos, mas, também, e, sobretudo, agradecê-lo pelo que ele tem feito.

Você tem orado com frequência? 

V – DANIEL NÃO FOI SALVO DA COVA DOS LEÕES, MAS DOS LEÕES (Dn 6.16-23) 

Quando o rei Dario soube que Daniel fora vítima de um golpe e que ele, sem saber, foi usado para isso, fez de tudo para livrar se amigo da morte, mas sem resultado (Dn 13-16). O diabo pode prosperar e operar tão eficazmente sob a máscara da lei e da ordem fingindo fazer o bem quando na verdade quer é destruir a obra de Deus. O diabo tanto faz vestir uma máscara conservadora quanto uma máscara revolucionária. Ele tanto trabalha nos lugares mais depravados como nos lugares onde a lei, a ordem e a justiça deveriam reinar. 

Veja que os judeus para crucificarem Jesus utilizaram da lei:

“Responderam-lhe os judeus: Temos uma lei, e, de conformidade com a lei, ele deve morrer, porque a si mesmo se fez Filho de Deus” (Jo 19.7).

Assim como Jesus ressuscitou, Daniel pela misericórdia de Deus também ressuscitou. Pois apesar de estar entre as feras o Senhor não permitiu que as tais lhe causassem nenhum dano. Daniel sai ileso daquela cova.

“Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?” (Is 43.13).

Quando cuidamos de nossa integridade, Deus cuida de nossa reputação. Deus agiu e nada aconteceu ao seu servo. Deus livrou Daniel em meio ao problema e não do problema. Daniel creu em Deus e o anjo fechou a boca dos leões. Quantos livramentos o Senhor tem lhe dado?

VI – QUANDO DEUS AGE AQUELES QUE SÃO CONTRA NÓS CAEM EM SUAS PRÓPRIAS CILADAS (Dn 6.24)

Aqueles que intentaram contra a vida do servo do Senhor foram vítimas da sua própria armadilha. Os que se voltaram contra Daniel morreram devorados pelos leões, e levaram suas famílias junto com eles. O mesmo aconteceu com Hamã que intentou contra Mordecai preparando para ele uma forca, sendo ele que foi enforcado nela (Et 7.9,10). 

Meu irmão, o Senhor é o Justo Juiz que defende a nossa causa. Confie nele, não se abale por causa daqueles que lhe perseguem. Se você está andando na presença de Deus o Senhor virá ao seu encontro e lhe dará vitória. Creia no Senhor e espere nele. 

VII – NA VITÓRIA DE DANIEL DEUS É QUEM FOI EXALTADO (Dn 6.25-27)

Toda honra e toda glória deve ser dada a Deus somente. Quando o Senhor livrou Daniel da cova dos leões são e salvo todos ao redor glorificaram a Deus e não a Daniel. 

Vemos hoje muitas pessoas que recebem glória dos homens como se fossem deuses. Como se a capacidade humana fosse a razão de suas vitórias. No entanto, quando Daniel saiu ileso da cova dos leões, foi o nome do Senhor que foi glorificado. 

O que temos visto de líderes por aí se passando por deuses e querendo receber uma glória que não lhes pertencem é algo tremendo. Gente sem um pingo de temor e nem vergonha na cara em se passar por Deus. São verdadeiros filhos do diabo agindo em nome de seu pai. Que o Senhor nos livre desse mal.

VIII – OS QUE TÊM ESPÍRITO EXCELENTE PROSPERAM EM TODOS OS LUGARES E EM TODO TEMPO (Dn 6.28)

Daniel prosperou em quatro reinados, o de Nabucodonosor, no de seu filho Belsazar, no de Dario e por fim no de Ciro. Em todos eles Daniel se portou como homem de Deus. Em momento algum se mostrou menos que isso. 

Daniel é um exemplo para todos nós, e nos mostra que é possível ser um verdadeiro cristão em meio a tanta corrupção. Para isso você e eu fomos chamados, por isso não nos rebaixemos.

CONCLUSÃO

Podemos concluir de forma simples, ao que tudo indica, este capítulo parece dizer que os impérios sobem e mudam, os reis vêm e vão, as modas e os estilos de vida se alteram, mas a única coisa estável em meio a tudo isso é o próprio Daniel: homem de Deus que pratica a justiça, que ama a misericórdia, e que anda humildemente com Deus.

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