terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Quem é Atraído Pela Cruz de Cristo?


Por Clóvis Gonçalves

A extensão da expiação é um dos temas mais debatidos pelos interessados em teologia. Duas posições são defendidas fervorosamente, uma delas afirmando que Jesus morreu para tornar possível a salvação do mundo inteiro e outra que Jesus morreu para tornar certa a salvação dos eleitos somente. O texto acima geralmente é apresentado contra esta última posição, com a suposição de que todos significa "todas as pessoas do mundo, sem exceção".

Consideremos, primeiro, quem está falando. O início do verso 30, "Então, explicou Jesus", deixa claro que o "eu" e "a mim mesmo" do versículo se referem a Jesus. Os pronomes eu e mim são enfáticos, uma vez que a forma verbal indica o sujeito e torna dispensável o uso de pronomes. Certamente a intenção de Jesus é fazer um forte contraste entre a Sua pessoa e o "príncipe deste mundo" mencionado no verso anterior, e que seria expulso pela Sua morte.

Para saber com quem Jesus estava falando, precisamos recorrer ao contexto. Voltando para o versículo 20 lemos que “entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos; estes, pois, se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e lhe rogaram: Senhor, queremos ver Jesus” (Jo 12.20–21, RA). É importante destacar que esses gregos eram gentios e não judeus helenistas, nascidos na Diáspora. E foi no momento que estes estrangeiros foram apresentados a Jesus por André e Filipe que Jesus se referiu à Sua morte e aos resultados dela. É fundamental ter em mente que o discurso de Jesus foi provocado pela presença dos gregos e dirigido a um auditório misto, composto por judeus e gentios.


Estando claro quem diz e para quem o faz, podemos nos concentrar no que é dito. Jesus faz duas afirmações envolvendo Sua pessoa e vamos considera-las separadamente. Primeiramente Ele diz“e Eu, quando for levantado da terra”. Ser “levantado” é uma referência à sua morte, como o narrador interpreta as palavras de Jesus: “Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer” (João 12.33, RA). A mesma linguagem é utilizada em Jo 3:14. É interessante que a voz do verbo levantar é passiva, o que indica que neste caso Jesus não realiza, mas sofre a ação descrita. Convém observar, também, que a palavra “quando” é um advérbio condicional, que indica que a ação seguinte depende do evento ou ação descritos, e por isso o sentido é de “e se, no caso de”.

A declaração de Jesus que está no centro da controvérsia é “atrairei todos a mim mesmo”. O verbo atrair está na voz ativa, significando que é Jesus quem toma a iniciativa e realiza a ação e no modo indicativo, que é utilizado quando quem fala descreve uma ação como sendo real, em oposição a algo que é apenas possível, contingente ou intencional. Compare com a declaração do verso anterior, em que Jesus diz “...agora o seu príncipe será expulso” (João 12.31, RA). O mesmo modo verbal é utilizado, logo dizer que Jesus apenas tentará atrair as pessoas para Si, sem a certeza de que isto ocorrerá de fato, implica reconhecer que Ele apenas tentará expulsar a Satanás, uma vez que as duas coisas, a expulsão de um e a atração de outros são expressas da mesma maneira, e como resultados da mesma ação: a morte de Jesus.

Além disso, quando considerado teologicamente, o termo atrair implica mais que meramente exercer influência moral. Não é como se o Senhor se tornasse atraente na cruz, o pecador olhando-O ali fosse até Ele. Jesus já havia dito que “ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6.44, RA), e a palavra traduzida por trazer e atrair é a mesma nos dois casos. O termo aponta tanto para o fato de que é Deus quem atrai como para a realidade de que o homem por si mesmo não pode ir a Cristo. Mais, indica que o homem resiste a esta atração divina, contudo o Senhor vence esta resistência em seus escolhidos. Em vários lugares encontramos indicações de que esta atração não é passiva, pelo contrário, é ativa e poderosa. Os autores bíblicos utilizam-se dela para descrever o puxar redes cheia de grandes peixes (João 21:6,11), o arrastar pessoas ao tribunal (Atos 16:19; Tg 2:6) e o sacar uma espada da bainha (João 18:10).

Mas se considerarmos que essa atração é tanto iniciativa de Deus quanto invencível, como evitar a conclusão de que todas as pessoas serão salvas, uma vez que Jesus diz que atrairá a todos? Chegamos ao cerne do problema. A saída fácil é ignorar o que foi dito até agora e fazer do Crucificado apenas atraente e não Aquele que por Sua morte efetivamente atrai aqueles por quem deu a vida e salva de fato. Nem sempre o caminho fácil e agradável é o correto a seguir.

Examinemos com atenção a expressão todos. Notemos, inicialmente, que “pessoas” ou “homens”não constam do original, como aparece em algumas traduções, e inclusive há quem sugira que o termo se refira a todas as coisas, tudo. Portanto, se a palavra todos for tomada em sentido absoluto, forçosamente teremos que incluir os anjos caídos e os seres inferiores como objetos da atração de Cristo. Ou seja, algum tipo de limitação não expressa é admitida mesmo por universalistas.

O Novo Testamento apresenta diversos lugares em que a palavra todos não pode significar todos os indivíduos sem exceção. Por exemplo, quando se diz que “ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão” (Mt 3:5, RA) e “toda aquela cidade saiu ao encontro de Jesus” (Mt 8:34, RA), obviamente as cidades citadas não ficaram abandonadas enquanto cada homem, mulher e criança iam ver João Batista e Jesus. O mesmo quando lemos que“toda a cidade se ajuntou à porta” (Mc 1:33, RA). E quando Jesus diz que “todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores" (Jo 10:8, RA) não pode significar, por exemplo, que Abraão, Jó e Daniel eram assaltantes. Por falar em Abraão, quando seu servo partiu “levando consigo de todos os bens dele” (Gn 24:10, RA), é claro que não deixou Abraão na miséria e a promessa de Joel, “derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2:28, RA), não implica que cada indivíduo sobre a terra é batizado com o Espírito. Quando lemos que Jesus percorria a Judéia“curando todas as enfermidades” (Mt 4:23, RA) devemos lembrar que houve lugar em que “não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mateus 13.58, RA). Assim também, quando lemos que os discípulos “tendo partido, pregaram em toda parte” (Mc 16:20, RA), não devemos pensar que pregaram em todos os lugares do mundo, mas em toda parte a que foram. Em cada caso, o contexto nos esclarece quando todos significa todos sem exceção, a maior parte, todos os tipos e classes, etc.

Agora podemos voltar a falar do contexto em que a declaração de Jesus está inserida. Lembramos que o Seu discurso foi feito na presença e motivado pelos não judeus que queriam vê-lo. Portanto, o todos significa que não apenas judeus, mas também gentios seriam atraídos, ou seja, todos sem distinção e não todos sem exceção. Vemos isso de forma recorrente no quarto evangelho. A salvação não depende de laços familiares ou de raça (1:13; 8:31-59), Jesus é o Salvador não apenas dos judeus, mas também dos samaritanos e em consequência, do mundo (4:42), Ele tem outras ovelhas que não são do redil dos judeus, mas do mundo gentio (10:16), morrerá não só pela nação, mas para reunir num só os filhos de Deus que estão dispersos (11:51). Entendemos, então, que por todos o Senhor estava dizendo “não apenas os judeus, mas também os gentios”.

É o que também entende a maioria dos comentaristas e eruditos. Robertson diz que todos “não significa cada homem individual, pois alguns, como Simeão disse (Lc 2:34) são repelidos por Cristo”. Bartley diz que a expressão é uma “referência ao alcance universal do evangelho, que inclui os gentios”. Wiersbie afirma que "Cristo menciona os gentios quando fala em ser "levantado" na cruz. Em Mateus 10:5 e 15:24, Cristo ensinou seus discípulos a evitarem os gentios; todavia, agora ele diz que os gentios também serão salvos pela cruz. (...) Cristo tinha que ser levantado para que 'todos' (v. 32, judeus e gentios) fossem atraídos a Ele. Isso não significa todas as pessoas, sem exceção, mas todas as pessoas, independente da raça". Para Hernandez, todos significa “tanto gregos (ali presentes, v. 20) como judeus, como pessoas de todo povo e nação. Isto enfatiza a composição multinacional e racial do povo de Deus”. Lembrando que “um momento antes os gregos pediram para ver Jesus”, Hendriksen, diz que “Jesus promete atrair a todos os homens a si mesmo. Este todos os homens, neste contexto que coloca gregos junto aos judeus, deve significa homens de toda nação”, acrescentando que “estes gregos representam as nações – os eleitos de todas as nações – que chegariam a aceitar a Cristo com fé viva, através da graça soberana de Deus”. Matthew Henry também diz que “o grande desígnio do Senhor Jesus é atrair a si todos os homens, não só os judeus, mas também os gentios de toda raça, língua, nação e povo”. Luiz Palau também entende que “a cruz é como um ímã ao qual tanto judeus como gentios são atraídos”. Walvoord, interpretando o ser atraído como ser salvo, afirma que “aqueles que serão salvos não virão apenas dos judeus, mas também de toda tribo, língua, linhagem e nação (Ap 5:9)”. Cabal é firme ao declarar que “isto não é universalismo (salvar a todos), mas o evangelho é oferecido a todos sem distinção – atraindo pessoas de todos os tipos para Si mesmo”. Finalmente, para Dockery, todos significa “todas as pessoas sem distinção de sexo, raça, posição social ou nacionalidade”.

Concluindo, a interpretação de que Cristo atrai redentivamente todos os homens a si mesmo, a menos que se advogue o universalismo, impõe que a atração referida por Cristo seja meramente potencial, e não real. Longe de glorificar a Deus e exaltar a obra de Seu Filho na cruz, tal tentativa acaba por anular a eficácia intrínseca de Seu sacrifício, fazendo-a depender, ao final, da vontade do homem e não da intenção divina. 

Soli Deo Gloria

Fonte: Cinco Solas

PRESOS NO TEMPO!


Por Fabio Campos

Texto base: “Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite”. – Salmos 90.4 (AFC)

O tempo só passou a existir após o start dado pelo Criador por meio do Verbo. A criação é limitada ao tempo; e não somente isto, ela é sujeita a ele. Antes de tudo havia apenas a eternidade; sem princípio – sem meio – sem fim. O tempo na eternidade sempre foi agora; antes de tudo, Deus É (Eu Sou).

Mas nós estamos presos dentro de um espaço. Nossas ações e esperas limitam-se cronologicamente a 24 horas – 12 meses e anos. Somos totalmente limitados. Nossa vida se compara com a folha de grama, qual floresce gloriosamente como o nascer do sol, mas logo, no fim da tarde, é cortada sem hesitação. Quem pode com suas mãos barrar a morte? Alguém já conseguiu resisti-la? As pessoas morrem, deveríamos levar isso mais a sério.

Nossas inquietações e ansiedades provam justamente desta limitação, que temos do tempo. Gostaríamos de mudar as coisas agora e não esperarmos o seu momento. Quanta ira acumulamos sobre nós quando por nossa perturbação “tomamos a Soberania de Deus” para realizarmos as coisas do nosso jeito.

O salmo 90 ilustra essa questão. Depois de dada a promessa a Israel acerca da “Terra Prometida”, Moisés mandou um grupo para espirar a terra. Voltando os espiais e contanto acerca daquela vizinhança, tiveram medo, pois aquele povo era grande e forte. Os únicos que não se acovardaram foram Calebe e Josué. Eles tiveram a sua recompensa por confiar em Deus e agir no momento certo, ou seja, daquela geração, foram os únicos que entraram na tão sonhada “Terra Prometida”.

Israel queria ter certeza da sua capacidade caso a capacidade de Deus “falhasse”. Após ter acendido a ira do Senhor sobre o povo, o povo fez pior. Sem o respaldo de Deus, com remorso e para justificar o seu pecado, muitos entraram e invadiram aquela terra. Houve uma grande matança e poucos israelitas sobreviveram para contar o fato.

Moisés que conhecia a justiça de Deus orou ao Senhor, oração esta que se encontra no salmo 90. Muitos conhecem a Palavra de Deus, mas poucos conhecem o Deus da Palavra. Visto que andam dizendo e a forma ímpia (ainda que com palavras piedosas) que vivem. Moisés sabia da ira de Deus e que nada poderia apagar o seu furor.

Os anos vão tão de depressa. A cada dia que se passa, é um dia a menos nesta terra. Por isso que Moisés pediu ao Senhor sabedoria para que pudesse “contar os seus dias”. Ou seja, viver sem picuinha; aproveitar a vida e viver por aquilo que não vai ter fim; viver para a eternidade! Não é autossabotagem. Como disse C. S. Lewis: “As pessoas que mais pensaram na eternidade foram as que mais fizeram por este mundo”.

Mas Deus é misericordioso; Ele não nos trata conforme os nossos pecados, pois se não fosse assim, quem, então, subsistiria? Mesmo na agonia de estar preso no tempo, passando por tribulações, tenha certeza que ela é leve e momentânea, pois há uma glória qual nos espera. Alcançando em Deus este coração sábio, Ele que é bom, compensará os tempos desfavoráveis que nos sobreveio com tempos bons de refrigério.

A vida não é só enchente. As tempestades têm o seu prazo de validade; se estivermos na Rocha, ou seja, em Jesus, tudo se dará contra nós, mas ao terminar, estaremos de pé para viver; agora mais fortalecido; viver uma vida confirmada e aprovada por Deus (Sl 90.17).

Um coração sábio sabe que está restrito ao tempo e sujeito a vaidade, entretanto, pela ótica da eternidade, Ele põe toda sua confiança em Deus, o qual faz o fim antes mesmo de existir o começo. Há alguma coisa difícil para Deus?

“Espere no Senhor. Seja forte! Coragem! Espere no Senhor” – Salmo 27.14

Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fonte: Fabio Campos

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O vilão com mil faces em mil faces de vilões.


Por Josemar Bessa

Theodore Dalrymple é um grande escritor. Ele é um médico britânico aposentado.

(Anthony Daniels (nascido em 11 de outubro de 1949), que geralmente usa o pseudônimo de Theodore Dalrymple. Ele é um escritor Inglês e médico psiquiatra aposentado. Ele trabalhou em uma série de países africanos subsaarianos, bem como no East End de Londres. Antes de sua aposentadoria, em 2005, ele trabalhou na City Hospital, Birmingham e Winson Prison Green no centro da cidade de Birmingham , Inglaterra.)

Dadas estas definições, ele viu e ouviu um monte de coisas desagradáveis ​​ao longo dos anos em hospitais, prisões... Em um de seus ensaios ele fala sobre como ele costumava acreditar que as pessoas eram basicamente boas(Dalrymple não é um cristão). Ele viveu e cuidou de pessoas em países onde ditadores governaram e pessoas foram massacradas, mas ele pensava durante muito tempo, que a menos que você tivesse esses tiranos no poder, a maldade generalizada, o mal generalizado não era possível.

Ele gradualmente mudou de ideia depois de ouvir inúmeras histórias e coisas horríveis que seus pacientes tinham experimentado e feito. “Talvez a característica mais alarmante desse mal por baixo e enraizado no íntimo do homem, é ele ser endêmico. O que o faz estar tão próximo da concepção do pecado original é que ele é espontâneo e não forçado. Ninguém obriga as pessoas a cometê-lo.”

Dalrymple diz que em uma ditadura você pode “entender” as pessoas fazendo coisas ruins para se protegerem. Mas em um país livre, como a Grã-Bretanha, ninguém o obriga a ser mau. Na verdade, muitas vezes você vai ser punido se você fizer o mal. E ainda assim as pessoas escolhem livremente o que é mau. Fazem isso o tempo todo e de todas as maneiras possíveis. Quantas vezes não fazem, mas confessam, como muitas vezes ouvi, pensar coisas terríveis e não são feitas por motivos muitas vezes egoístas – medo das consequências - mais desejadas. "Nunca mais", escreve ele, "vou ser tentados a acreditar na bondade fundamental do homem, ou que o mal é algo excepcional ou alheio à própria natureza humana" ( Our Culture, What's Left of It ).

O pecado está em cada coração humano. Ele é o vilão com mil faces em mil faces de vilões. É o homem que abandona uma mulher grávida e deixa a cidade. É deixar a família e filhos por causa de um “novo amor” – sob a desculpa de querer ser feliz a custa da família, palavra empenhada e felicidade de outros. É a evidência da feiura do egocentrismo disfarçado com a palavra “amor”. Como se chamássemos veneno de essência de hortelã mudasse o que o veneno é. É o homem dizer que seus desejos sexuais é que define o que é família e casamento. É também o homem de família respeitável que despreza sua esposa e ignora seus filhos. É a mulher mesquinha que fala mal de todo mundo, mas é também a doce senhora que nunca diz uma palavra indelicada mas abriga todos os tipos de ressentimentos e rancores no peito. É o garoto que mente a seus pais... É também a criança que fica em linha reta, cara emburrada e faz pirraça quando seus desejos são contrariados... é o coração que admite não ser perfeito como forma de auto-justificação se refugiando no orgulho da comparação com o que os outros estão fazendo...

O pecado é a luxúria que leva a sociedade ver o sexo como mero entretenimento, usando outros seres humanos como se fossem coisas... é cobiça e assassinato... Mas o pecado também é impaciência, egocentrismo mesquinho e a necessidade de controlar tudo e todos... Pecado é ter crises e “odiar” a si mesmo, não por seu pecado, mas porque em seu orgulho você quer ser o mais bonito, o mais inteligente, mais magro, mais atlético... O pecado está no desgosto com todas as pessoas que não são o que nosso ego desejava que elas fossem para nós. O pecado não está no fato de que o homem não se ama, mas na auto-importância que sentimos, achando que mesmo Deus devia se curvar a nossa vontade... na auto-importância que sentimos em nosso esnobismo intelectual para com aqueles que achamos que não são tão iluminados como nós somos, o esnobismo estético, o esnobismo financeiro, e esnobismo do nosso gosto “refinado”...

O pecado está ajudando e fazendo caridade porque os outros irão pensar bem de nós, que somos pessoas boas, de bom caráter ( e jamais fazendo isso somente para a glória de Deus)... O pecado está ajudando e fazendo caridade para que nós mesmos achemos que somos bons... O pecado está sempre falando mais da falha dos outros, da igreja... do que orando por eles... o pecado está recusando um milímetro de misericórdia para os que nos ferem, quando misericórdia infinita foi dada a nós em Cristo. O pecado ama ser apreciado pelas pessoas no que fazemos por elas e nos leva a fazer tudo para receber os aplausos dos nossos feitos. O pecado é atribuirmos um monte de nomes novos a velha corrupção do nosso ser. É esconder a preguiça chamando de déficit de atenção, chamamos o medo do homem e a falta de confiança em Deus de crise de ansiedade, é ignorar a Deus e chamar isso devida muito ocupada...

Precisamos desesperadamente recuperar a palavra “pecado” em nosso vocabulário. Quando um político famoso, atleta famoso, uma celebridade, ou um pastor, padre, pessoa comum... faz um “mea culpa” - é quase sempre na linguagem do "Lamento ter decepcionado tantas pessoas." Ou: "Lamento o meu erro de julgamento." Ou, "Eu admito que isto tem sido uma luta por mim e eu estou buscando ajuda.”

Raramente, alguém diz "Eu pequei. É indesculpável. Não posso responsabilizar ninguém... Por favor, me perdoem. Se não perdoarem, eu seu que seria merecido...” – Como Davi disse, por exemplo: “Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista...” -Salmos 51:3-4

Mesmo como cristãos encontramos maneiras de evitar a palavra pecado. Ou quando pedimos perdão, temos tantas justificativas e ressaltamos tanto o erro dos outros que o pedido de perdão é na verdade uma distribuição de culpas para amenizar a nossa.

Falamos mais facilmente de nossas imperfeições, nossas falhas, nossas dificuldades, nossas disfunções, nossas fraquezas, nossas inseguranças, problemas psicológicos, que estamos em processo de crescimento... Mas quantas vezes nós chamamos o pecado de "pecado"?

A Bíblia diz que o pecado é o problema do mundo. Somos traidores, rebeldes e desleais ao nosso Rei. Somos criaturas ingratas empinando os nossos narizes para o Criador. Somos amantes loucos fazendo de desejos, pessoas e coisas ídolos que não podem nos satisfazer. Temos corações poluídos que gostam do que é ruim e não gosta do que é bom, corações corrompidos que buscam a glória própria e não somente a glória de Deus. “E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” -. João 3:19 - O pecado é o pecado que assedia a todo homem nascido em Adão.

Com exceção de Jesus, é claro. Deus tomou “aquele que não conheceu pecado, e o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” - 2 Coríntios 5:21 – Ou seja, o pecado pode ter mil faces se expressando em todo homem nascido em Adão, mas a salvação tem apenas uma.

“Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.”- Romanos 3:10-12

Bondade essencial? Não! Depravação total! – Até mesmo um não cristão como Theodore Dalrymple pôde ver isso – em todos, do ditador cruel ao mais simples, comum e pobre homem da sociedade humana.

Fonte: Josemar Bessa

sábado, 6 de dezembro de 2014

UMA VIDA NOVA PRA VOCÊ!


Por Fabio Campos

Texto base: “... assim andemos nós também em novidade de vida”. – Romanos 6.4 (AFC) 

O cristianismo bíblico não se trata de uma religião pautada em preceitos como “não toque nisso”; ou “não proves aquiloutro”. Nem tão pouco se trata de “ordenanças” a ser cumpridas a fim de satisfazer um possível mandamento de Deus dado os homens. Dentro do “contexto social” podemos dizer sim, que o cristianismo, é uma religião. Entretanto, biblicamente, sua essencial, é uma “Pessoa”, pela qual através do Seu Espírito, conduz os homens a uma “novidade de vida” de dentro para fora.

Ser cristão é passar de “criaturas” para filhos de Deus. Não é um processo natural pelo esforço do homem, mas é algo vindo de fora que adentra na alma, tornando-o uma “nova criatura”; não somente nos seus atos, mas no seu ser.

É entender que nossas “boas-obras” sem a “justiça” (aquilo que torna o homem justo perante Deus), a qual somente Jesus pode dar aos homens, é o pior de todos os pecados, pois alguém que justifica a si mesmo ostentado sua “caridade”, caiu no mesmo pecado do diabo, ou seja, o orgulho. Tal coisa é abominável diante de Deus (Is 64.6).

Novidade de vida é morrer para o pecado. Tal processo nunca poderá ser consumado se não buscarmos em Deus a capacitação (reconhecendo que estamos perdidos). Quando Ele encontra em nós, humildade suficiente no reconhecimento de que estamos perdidos, O Senhor vem em nosso auxílio. Muita gente, infelizmente, se orgulha da “sua boa conduta”. Alegram-se por serem tidos como uma pessoa “bacana”.

Estes, talvez, são os que mais se demoram a perceber que está indo para o inferno, pois são mais difíceis a serem levadas ao conhecimento de que precisam de Cristo. Deus pela sua misericórdia acordam alguns do seu sono espiritual, permitindo-os que suas “boas-obras”, em determinado momento, fracassem, e que junto dela, sua autoestima, escorra pelo ralo.

Muitas vezes o sofrimento bate em nossa porta para nos direcionar a “esta novidade de vida”. Deus é mais interessado em mudar você do que a situação. Certa vez, disse C. S. Lewis: "Se o cristianismo fosse algo que inventamos, certamente ele seria mais fácil". Muitas querem uma nova vida sem abandonar suas crenças antigas. Recusam-se (e nem se esforçam em Deus) a abandonar seus “velhos vícios”. Para que o novo tome lugar, o velho precisa se retirar -, ou seja, o velho estilo de vida, o pecaminoso, onde a fonte de “alegra” se encontra na prática daquilo que não convém.

Enquanto nesta vida, devido a nossa natureza corrupta, sempre seremos “atraídos” pela tentação. Todavia, viver em novidade de vida, é sair debaixo do “reinado” do pecado - obedecendo ao que ele manda -, para submeter-se a Deus - caminhando em santificação, fugindo da aparência do mal. A santificação traz uma alegria eterna, enquanto que o pecado traz uma satisfação momentânea, e isso com consequências terríveis de serem administradas por toda uma vida.

O cristianismo é estar e viver em “novidade de espírito” (Rm 7.6). Os benefícios que temos em Deus, através de Cristo, são infinitos. Deus é o que precisamos. Sem Ele algumas coisas até chegam a nós, no entanto com muita perturbação, ansiedade e confusão. Feliz daquele que de Deus desfruta. Este tem o refrigério que a alma de todo homem anseia.

Finalizando este artigo novamente recorro a C. S. Lewis:

“Para nos tornarmos novas criaturas, temos de perder o que agora chamamos de ‘nós mesmos’. Temos de sair de nós mesmos e entrar em Cristo. A vontade dele tem de ser a nossa e temos de pensar seus pensamentos” [1]. Do contrário, “se você buscar a si mesmo, no fim só encontrará o ódio, a solidão, o desespero, a fúria, a ruína e a podridão. Se buscar a Cristo, o encontrará; e junto com ele, encontrará todas as coisas” [2], como amor, alegria, paz, paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio.

Não faz nenhuma diferença se o homem tem religião ou não; o importante é que ele seja uma nova pessoa nascida em Jesus (Gl 6.15). Como disse o cantor: “nada muda enquanto eu não mudar”. Em Cristo podemos e devemos andar em novidade de vida - desfrutando de tudo, a saber, do próprio Deus.

Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!
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Notas:

[1] LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo, SP; Martins Fontes, 2014, p. 296.
[2] Ibid, p. 300.

Fonte: Fabio Campos

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Estranhas formas de amor!



Por Josemar Bessa

Nada pode nos separar do amor de Deus, diz Paulo. Paulo diz que somos “mais que vencedores” – em todas essas coisas – A maioria das pessoas têm a ideia de que a vitória ocorre quando estamos vivendo vidas que estão livres de problemas, aflições e angústias. Paulo diz que a realidade é muito diferente. Nó somos “super-vencedores”, apesar de tudo o que o mundo e o diabo possam lançar sobre nós.

O “essas coisas” a que Paulo se refere, pode ser encontrado nos versos 33-35 de Romanos 8: "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” – Grande parte dessas coisas são parte de uma vida comum de todos os homens regenerados.

Somos mais que vencedores “apesar do acusador” – Somos vitoriosos sobre tudo que desafia a nossa relação com Deus. Deus tendo nos Justificado, nada pode mudar isso, nada pode mudar sua mente. A justiça foi satisfeita em Cristo

Somos mais que vencedores apesar dos que nos condenam (v.34). Sobre os que dizem sermos indignos diante de Deus. Cristo morreu por nós na cruz e derramou seu sangue para nos salvar, e nada pode desfazer o que já foi feito na cruz!

Somos mais que vencedores em todos os ataques do mundo e satanás – Estes sempre foram inimigos dos filhos de Deus. Os ataques são frequentes e são graves. Apesar de tudo o que é lançado em nossa direção, nós ainda somos vitoriosos sobre todo o esforço para nos derrotar e nos destruir.

Olhe para a lista de ataques aos filhos de Deus nesta vida. (e ela é apenas uma amostra):

· Tribulação - Este é dos problemas mais comuns que as pessoas enfrentam, João 16:33; 14:01 – “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. João 16:33 – “Não se turbe o vosso coração...” - João 14:1

· Angústia - Literalmente, " estar num lugar estreito ". Significa ser cercado por circunstâncias aflitivas, preso, sem saída...

· Perseguição - O sofrimento infligido por causa da nossa relação com Jesus.

· Fome - A falta de recursos necessários. Um subproduto natural da perseguição.

· Nudez - A falta de roupa adequada. Por estar em um estado de miséria. Este é também um subproduto da perseguição.

· Perigo - A ameaça de perigo iminente e terrível.

· Espada - A ameaça de assassinato. O frio instrumento de morte que enviou muitos crentes à eternidade.

"Somos mais que vencedores não evitando essas coisas, mas por estar triunfando sobre elas por meio de Jesus Cristo. Nossa dor em nosso sofrimento é muito real, mas isso é propósito de Deus. Devemos lembrar que Seu plano para nossas vidas e o nosso plano para nossas vidas raramente é o mesmo plano. Aqui está o que Ele está fazendo:

Ø Ele está Refinando Nossas Vidas - Assim como um ourives aquece o minério para remover as impurezas, Deus usa as provações e aflições da vida: “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo” - 1 Pedro 1:7

Ø Ele está refazendo Nossas Vidas – Cada dia somos menos como éramos e mais como Cristo é. Quando Ele terminar seu trabalho em nós, seremos a imagem do Senhor Jesus Cristo - “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” - Romanos 8:29; - “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” - Efésios 4:13

Ø Ele está realinhando nossas vidas – Está nos fazendo ver que Sua glória é prioridade no Reino, e está nos levando a nos gloriarmos no que manifesta mais plenamente Sua glória, mesmo quando isso é a revelação e aceitação de nosso sofrimento: “Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte. Fui néscio em gloriar-me; vós me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós, visto que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos, ainda que nada sou” - 2 Coríntios 12:8-11

O processo é muito doloroso, mas é muito necessário se Ele deve em tudo ser glorificado em nós. Devemos lembrar que Deus vai ser mais glorificado em nossas vidas quando estamos sendo purificados do que se Ele nos permitisse viver uma vida de facilidades.

Quando você ora mais? Quando a Bíblia se mostra e ensina mais profundamente? Quando você está mais propensos a buscar o Senhor? A resposta a todas estas perguntas é simples, e é universal. Estamos mais propensos a fazer estas coisas quando o calor sobe e a pressão aumenta! Isso é apenas a realidade, e é por isso que o Senhor envia provações em nosso caminho. Assim como leva tempo de calor e pressão para transformar carvão em diamantes, Deus toma as mesmas circunstâncias para transformar pecadores em santos!

Paulo nos diz que a única razão porque nós somos vitoriosos nesta vida é " por meio dele que nos amou ". A nossa vitória não se encontra dentro de nós mesmos, a nossa vitória repousa somente nEle!

Considere por um momento o que merecemos, “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor”. - Romanos 6:23 – “Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá” - Ezequiel 18:4

Em seguida, pense por um momento sobre a natureza do Seu amor por nós -“Por isso, o SENHOR esperará, para ter misericórdia de vós; e por isso se levantará, para se compadecer de vós, porque o SENHOR é um Deus de equidade; bem-aventurados todos os que nele esperam”. - Isaías 30:18

Então, pare e pense sobre o que Ele fez para provar seu amor por nós: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” - Romanos 5:8

O amor de Deus para Seus filhos é tão grande e tão profundo que Deus quer que saibamos que nada pode jamais nos separar de Seu grande amor por nós.

Os versos 38-39 são um comentário sobre a profundidade, largura, altura e comprimento do amor de Deus para Seus filhos. Paulo nos diz que nenhuma das coisas mencionadas nestes versos pode " nos separar" do amor de Deus.

A palavra no versículo 38 significa "ter poder". Em outras palavras, nenhuma das coisas que as pessoas temem tanto tem qualquer poder para nos separar de Seu amor incrível.

Quando passamos por essas coisas, precisamos ter a certeza em nossos corações que até mesmo as dores, tristezas e aflições da vida são a prova do amor de Deus para nós.

Paulo conhecia muito bem os tormentos da vida: “...em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez” - 2 Coríntios 11:23-27

No entanto, ele nos diz no verso 38 de Romanos 8 que ele " está convencido ". Essa frase está no " tempo perfeito ". Isso significa que Paulo está convencido, e nada pode mudar sua mente sobre o assunto.

Sua mente está sobre a mesma rocha que a de Paulo?

Dores, tristezas e aflições são provas do amor de Deus por nós.

Fonte: Josemar Bessa

Cinco Solas da Reforma Protestante


Por Denis Monteiro

Os reformadores lutaram contra o sistema católico em vista à Sagrada Escritura. A igreja católica crê que a Escritura é a Palavra de Deus, mas ela também acredita que as decisões nos concílios e o papado falam oficialmente em matéria de fé e moral. Ou seja, a Escritura não é a voz definitiva para a igreja católica, mas a tradição e o Papa têm a mesma autoridade. 

Para os reformadores, somente a Escritura tem a voz definitiva no que concerne a moralidade e fé. E a forma que os reformadores creem na Escritura, foi expressa na Confissão de Fé de Westminster:

Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento,… todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática… A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus… O Velho Testamento em Hebraico… e o Novo Testamento em Grego…, sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal… O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura. (I, 2,4,8,10).

Aplicação

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” II Timóteo 3:16, 17

Somente por meio das Escrituras – a revelação tanto da Pessoa quanto da vontade de Deus – o homem pode conhecê-Lo, ser salvo e habilitado para a boa obra do Senhor. Entretanto, cresce em nossos dias uma visão da irrelevância das Escrituras onde ela não é mais a autoridade final em questões espirituais entre o Homem e Deus, mas apenas uma dentre muitas fontes de autoridade a respeito de Deus e a prática cristã.

Quando iremos tomar qualquer decisão, quem fala mais alto: A nossa concepção baseado em “achismos” ou a Sagrada Escritura é quem dita o nosso viver? Em sua busca por santificação, a Bíblia tem tomado um lugar de destaque? Você tem resistido à tentação com suas próprias forças ou usando a Palavra de Deus, assim como Jesus?

Solus Christus – Somente Cristo

Em 431 d.C o catolicismo instituiu o culto a Maria, em 787 foi instituído o culto às imagens e em 933 foi instituído a canonização dos santos. Também foi instituído que a figura do sacerdote (líder religioso) como um representante de Cristo na terra, onde que, os pecados a ele deveriam ser confessados.

O catolicismo crê da mesma forma que nós cremos: Que Cristo nasceu sem pecado e de uma virgem. Mas o catolicismo colocou Maria como co-redentora e os santos com o mérito de intercessão.

Certamente esse não é o ensino da Escritura, pois ela declara: “há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2:5) e que “por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:25) e que “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4:12).

A Reforma trouxe à Igreja o Evangelho simples dos apóstolos, centrado na suficiência e exclusividade da obra de Cristo para a salvação. A velha confissão de Paulo foi de novo a confissão dos reformadores: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1Co 2:2).

Aplicação

“Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo: a ele ouvi. Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo. Aproximando-se deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos, e não temais! Então eles, levantando os olhos a ninguém viram senão só a Jesus.” Mateus 17:5-8

Numa época onde muitos ídolos estão aparecendo no meio evangélico, numa época onde a atitude de muitos seria de montar uma tenda para Jesus e outras para os pastores e cantores famosos, temos aqui um direcionamento dado por Deus sobre quem devemos buscar ouvir e ver: Somente a Cristo. Somente em Cristo, e apenas nEle a satisfação de Deus está depositada. O Senhor disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Não há nada e nem ninguém fora de Cristo e nem além dEle que possa satisfazer a Deus. O Senhor se compraz em Seu filho, apenas. Unicamente por imputar a justiça de Cristo sobre seu povo que Deus se alegra em nós.

Quando você prega, conversa, se relaciona, etc, você tem Cristo como o centro, tentando sempre expor Sua encarnação, vida, morte, sacrifício, exaltação e Soberania?

Sola Gratia – Somente a graça

Para a Igreja Católica todo aquele que permanecia fora da Igreja Católica estaria perdido, os quais padeceriam no fogo eterno. O único modo para que esses que estão fora da igreja poderiam ser salvos seria: Se unindo à Igreja Católica, participando dos sacramentos, jejuns, esmolas, outros trabalhos piedosos os quais proporcionarão recompensas eternas e até alguns sacrifícios estabelecidos pela igreja.

Dizer que a salvação é pela graça não é só afirmar o caráter sobrenatural da salvação, mas excluir todo e qualquer esforço humano para que o mesmo seja salvo. A Reforma insistia nesse conceito teocêntrico, exaltando a eleição divina. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece… Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra.

Aplicação

Quando reconhecemos a graça de Deus em nossas vidas, essa graça não nos deve levar a pensar que somos super-crentes, que possamos reivindicar algo de Deus ou decretar algo. Mas reconhecer que antes éramos por natureza filhos da ira, que desde o ventre nascemos alienados de Deus merecedores da ira Divina. Mas Deus, por sua infinita graça, nos elegeu derramando a Sua ira sobre Seu Santo Filho.

Será que reconhecemos que a cada dia é em Deus que nós vivemos, nos movemos e existimos? O teólogo John Newton, compôs, dizendo sobre a graça de Deus:

Graça Maravilhosa, como é doce o som.
Que salvou um miserável como eu!
Eu estava perdido, mas agora fui achado,
Era cego, mas agora eu vejo.
Foi a graça que ensinou meu coração a temer. 
E a graça aliviou meus medos; 
Como preciosa essa graça apareceu, 
A hora em que eu acreditei!
Através de muitos perigos, labutas e armadilhas, Eu cheguei; 
É a graça que me trouxe em segurança até o momento, 
E graça vai me levar para casa.

Sola Fide – Somente a Fé

A igreja Católica dizia, sobre as indulgências, que “ao som de cada moeda que cai neste cofre, uma alma se desprende do purgatório e voa até o paraíso”. Hoje existem as “novas indulgências”, onde que há alguns trabalhos para que as penas no purgatório fossem aliviadas, por exemplo: um dia sem fumar, rezar com o Papa em frente à televisão, ajudar refugiados, orar mentalmente com surdos-mudos, não comer carne, etc. Assim como as obras de caridade faziam com que a pessoa fosse salva, assim também o era as indulgências.

Logo, não são as nossas obras que nos salva da ira de Deus. Mas a graça de Deus em nossas vidas e uma fé única e sincera em Cristo Jesus e em Sua obra consumada na cruz. Nós não precisamos fazer algo diante de Deus para nos justificar, a fé dada por Deus que Ele mesmo nos justifica.

Por isso, quando Lutero leu “O justo viverá pela fé” ele entendeu que o meio pelo qual o pecador vive diante de Deus é pela fé, a qual é dada pelo próprio Deus.

A única obra que nos salvou foi à obra de Cristo feito na cruz do calvário.

Aplicação

As obras são resultados de uma fé sincera. Será que você descansa unicamente na obra de Cristo?

A justificação pela fé somente é o progresso para a santificação. Toda e qualquer obra que façamos para sermos aceitos diante de Deus é um pecado. Faça obras que reflita a sua fé em Cristo Jesus, pois fomos salvos pela fé e para as boas obras as quais Deus de antemão nos preparou.

Que oremos como Augustus M. Toplady:

Nada trago em minhas mãos, 
Apenas me agarro à tua cruz;
Nu, venho a ti para me vestir,
Dependente, busco graça em ti;
À tua fonte vou correr. 
Lava-me, Senhor, ou vou morrer!
Rocha Eterna, partida por mim, 
Deixa-me esconder em ti. 

Soli Deo Gloria – Somente a Deus a glória

Coroando estes temas da Reforma que vimos, este é o Somente Deus a Glória. Dar glória a Deus é entender e confessar que não há nada neste mundo que possa ocupar o lugar que pertence a Deus.

Assim, quando o catolicismo colocava santos, papas, relíquias e sacerdotes no lugar de Deus desobedecia o princípio Bíblico que Deus não divide sua glória com outra coisa qualquer.

No entanto, os reformadores partiram de uma visão teocêntrica (Deus no centro) para falar da salvação do pecador, o qual o próprio Paulo expõe e conclui dizendo: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.33-36)

Assim como Paulo louva a Deus por tão grande obra, assim são os reformadores em expor as doutrinas bíblicas para a igreja. Eles colocaram, novamente na agenda da igreja, um culto voltado somente para Deus, reconhecendo que a criação inteira vem de Deus, por Deus e para Deus. Uma vida voltada para Deus, porque “dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas”, e glorificando a Deus em tudo que venhamos fazer.

Aplicação

Será que a nossa única satisfação está em Deus?

Será que, como parte da criação, nós proclamamos a glória de Deus juntamente com as Suas obras?

Será que o nosso fim, é como diz a Bíblia, assim como, o catecismo, de glorificar a Deus e alegramos nEle para sempre?

Fonte: NAPEC

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Deus no banco dos réus


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

O mundo caminha a passos largos para o secularismo ateu. Cresce o número daqueles que não acreditam em Deus e também daqueles que odeiam a Deus. A fé cristã tem sido perseguida em todo o mundo como se fosse uma ameaça à humanidade. Cristãos têm sido presos, torturados e mortos pela sua fé. Outros têm sido escarnecidos nos meios acadêmicos como se a fé cristã fosse um parentesco da ignorância e um aliado do obscurantismo intelectual. A fé cristã e os valores cristãos têm sido tripudiados nas casas de leis, nas cortes dos governantes, na imprensa, na mídia e nas ruas. Vivemos um tempo de apostasia e de resistência à verdade.

Os filhos de Coré, no seu tempo, já enfrentavam esse ataque implacável. Assim, o salmista expressa: “Esmigalham-se-me os ossos, quando os meus adversários me insultam, dizendo e dizendo: O teu Deus, onde está?” (Sl 42.10). Os filhos de Coré, quando escreveram este salmo estavam encurralados por circunstâncias medonhas e seus adversários os colocavam contra a parede, o melhor, colocavam o seu Deus no banco dos réus. A providência era carrancuda. Os inimigos eram muitos. Os perigos ameaçadores. O livramento parecia impossível. Para agravar a situação, os adversários ainda os insultavam com uma pergunta insolente e perturbadora: Onde está o seu Deus? Por que ele não age? Por que não vem em seu socorro? Esta é a pergunta que os ímpios ainda fazem, para nos acuar. Onde está Deus num mundo onde prevalece a mentira, a falsidade, a injustiça, a violência, a opressão, a maldade, a promiscuidade e a falência dos valores morais? Se Deus existe, por que ele não se manifesta? Se ele é Todo-poderoso por que não prevalece contra essa torrente de maldade que assola a humanidade? Se ele é amor, por que permite que os justos sofram? Se Deus é real, por que não põe um fim nessa confusão mundial?

O Salmista responde a essas afrontas, afirmando sua confiança em Deus, apesar das circunstâncias adversas. Reconhece que Deus é soberano e não pode ser domesticado pelo homem. Sabe que Deus age não conforme a pressão dos homens, mas conforme a seu propósito e conselho eterno. Longe de se enfraquecer com o escárnio dos adversários, o salmista reafirma seu apego a Deus, quando diz: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42.1,2). Longe de perder sua confiança em Deus, o salmista reafirma que Deus é seu auxílio. Num solilóquio profundo, ele diz: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu (Sl 42.5). Longe de se afastar de Deus, chocado com as mazelas do mundo e com as acusações sofridas, reafirma sua confiança na infinita misericórdia de Deus. Assim ele escreve: “Contudo, o Senhor, durante o dia, me concede a sua misericórdia” (Sl 42.8). Longe de ceder aos ataques dos adversários e admitir que Deus perdeu o poder, reafirma, confiantemente, que Deus é a sua rocha. Diz o salmista: “Digo a Deus, minha rocha: Por que hei de andar eu lamentando sob a opressão dos meus inimigos?” (Sl 42.9). Longe de capitular-se à amargura contra Deus, reafirmou que Deus é o motivo do seu louvor: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl 42.11). O salmista está consciente de que o mal nem sempre é julgado na hora que é cometido. Os ímpios que escapam dos tribunais da terra terão que comparecer perante o tribunal de Deus, onde serão julgados retamente. Quanto aos justos, ainda que sofram agora, desfrutarão de bem-aventurança eterna. A verdade incontestável é: não é Deus quem está no banco dos réus; o homem é que terá que prestar contas da sua vida a Deus, o Juiz de vivos e de mortos.