quarta-feira, 9 de julho de 2014

AS DUAS MULTIDÕES


Por Pr. Silas Figueira

Lc 7.11-17

INTRODUÇÃO

O capítulo sete de Lucas começa nos dizendo que Jesus estava na cidade de Cafarnaum, onde curou o servo de um oficial romano. No outro dia, nós vemos Jesus dirigindo-se para a cidade de Naim e com Ele numerosa multidão. Naim ficava cerca de 38 km de Cafarnaum.

CIDADE DE NAIM - Naim, que em hebraico significa a bela, a graciosa, era uma aldeia construída próximo ao Hermom, a sudoeste de Nazaré. Naim está situada na região de Suném, onde Eliseu ressuscitou o filho da Sunamita (2Rs 4.8-37). 

E é na entrada desta cidade que algo maravilhoso acontece. Podemos dizer que foi um incidente notável o encontro entre as duas multidões às portas de Naim. Pelos olhos espirituais podemos ver a morte montada em seu cavalo amarelo (Ap 6.7,8); e como disse Spurgeon: “A morte leva seus despojos até o túmulo”. De repente, o cortejo fúnebre se depara com uma multidão que acompanhava Jesus e seus discípulos. Diz-nos o texto que o Senhor Jesus olha para aquela pobre viúva e se compadece dela. Não foi a viúva que o viu e correu ao seu encontro e pediu que o Senhor a abençoasse ressuscitando seu filho. Mas foi o Senhor quem a viu e foi ao seu encontro. Ele para o cortejo consola aquela mãe enlutada e ressuscita o seu jovem filho. Aquela mulher que estava condenada a terminar os seus dias sozinha, sem descendente, de repende é surpreendida com a bênção inesperada. Lucas não menciona pranteadores profissionais, mas decerto estavam ali, pois até os mais pobres em Israel costumavam alugar pelo menos dois flautistas e uma carpideira. O principal objetivo destas era levar os partícipes ao choro e lamento, mesmo que o defunto não merecesse. 

O que podemos aprender com esse texto? Que lições ele nos tem a dar?

1 – A primeira lição que aprendo é que sempre vai haver duas multidões: Uma acompanhando o senhor da morte e a outra acompanhando o Senhor da vida (Lc 7.11,12).

Este texto nos coloca diante de duas multidões que se encontram na porta da cidade de Naim. A primeira estava feliz, cheia de emoção e alegria, já a segunda estava infeliz. 

A multidão que saia da cidade de Naim estava infeliz porque acompanhando um féretro onde se encontra um jovem. Eles tinham como ponto de referência um rapaz morto. Eles contemplavam um defunto e procuravam consolar a sua triste mãe. Eles tinham como referência a morte e uma mãe enlutada. Estavam caminhando para o cemitério em direção a um túmulo. O ponto de referência daquela multidão estava morto.

Assim como esta multidão, existem muitas pessoas hoje caminhando a passos largos para o cemitério. Tem como referencial de vida a morte. E quem tem como referencial em sua vida a morte, ainda que aparentemente esteja vivo, vive uma vida infeliz, pois a morte trás profunda tristeza. Tanto que o Senhor Jesus diz para aquela mãe: “Não chores”. 

Podemos dizer também que os espiritualmente mortos provocam grande tristeza aos que estão embaixo da graça de Cristo. Quantas mães estão chorando por seus filhos espiritualmente mortos. Quantas esposas estão chorando por seus maridos espiritualmente mortos também. Quantas pessoas enlutadas por causa da morte espiritual de seus entes queridos. Quantas mães servindo refeição a filhos mortos. Quantas esposas deitadas ao lado de maridos mortos. 

Muitas pessoas que estão debaixo da graça, que foram alcançadas por Jesus vivem enlutadas por ainda não verem sua casa alcançada pela ressurreição. Assim como aquela mãe não podia ter mais comunhão com seu filho, pois falecera, muitas mães hoje estão sem comunhão com seus filhos queridos porque eles estão espiritualmente mortos. 

Mas mais ainda, ficamos enlutados por causa do futuro dos espiritualmente mortos. Assim como uma pessoa morta precisa ser enterrada por causa da corrupção da carne, assim também ocorre com os mortos espirituais. Eles também estão em estado de decomposição. O pecado decompõe a alma, faz com que ela cheire mal nas narinas do nosso Deus. 

Apesar de não crermos em zumbis, vemos um mundo cheio de mortos vivos. Vivem ao nosso redor, entre nós, se casam, tem filhos, amam, lutam, odeiam, tiram férias, frequentam igreja... Estamos literalmente cercados por mortos vivos.

Nós não somente estávamos entre eles, como de fato éramos um deles. Paulo diz: “E vos vivificou, estando vós mortos em delitos e pecados” – Efésios 2.1 – A palavra usada significa literalmente cadáver. Paulo está dizendo que cada membro da igreja em Éfeso antes era completamente desprovido de vida espiritual. Ele está dizendo que pecadores perdidos são completamente incapazes e também indispostos de chegar a Deus por iniciativa própria.

Todos nós sabemos o que morte significa. Uma pessoa morta é incapaz de responder a qualquer estímulo. Quando a pessoa morre seu corpo é reduzido a um vazio infinito, todo estímulo é fútil, não há capacidade de ouvir, falar, pensar. Os toques que antes tanto emocionavam já não produzem nada, as vozes familiares ao ouvido caem agora num mundo de silêncio impenetrável. O corpo que foi cheio de vida agora não passa de uma concha vazia. Todas as famílias da terra já tiveram experiência com a morte, cada cidade tem cemitérios cheios de tristeza todos os dias.

Um homem morto perdeu toda a capacidade de responder ao mundo físico, e essa é a ilustração perfeita colocada por Paulo sobre os homens que não foram regenerados.

A morte é o oposto da vida. Cristo em João 17.3 diz: “E a vida eterna é essa: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro...”. João repete a mesma verdade: “Aquele que tem o Filho tem a vida, e quem não tem o Filho de Deus não tem vida” – 1 João 5.12. O homem natural está morto. Ele vive, se move, ri, busca prazer. Mas estão mortos enquanto vivem. Não estão mortos para o mundo, mas estão mortos para Deus. 

É interessante observar que os Evangelhos registram três ressurreições que o Senhor Jesus realizou: A filha de Jairo – esta acara de morrer; o filho da viúva de Naim – este estava morto a vinte e quatro horas e Lázaro – que estava morto há quatro dias. A única diferença entre estes três mortos era o grau de decomposição. A filha de Jairo o corpo ainda estava quente, o filho da viúva de Naim o corpo estava entrando em estado de decomposição e Lázaro já cheirava mal, ou seja, estava em decomposição. No entanto, os três mortos o Senhor ressuscitou. Assim como o Senhor Jesus tem poder para ressuscitar o corpo, Ele também tem poder para ressuscitar os mortos espirituais. 

Mas a multidão que acompanhava Jesus está alegre, pois estavam acompanhando o Senhor da vida. E quem tem Jesus como referência ainda que esteja vivendo entre os mortos, crê que a ressurreição há de acontecer a qualquer momento. Nas horas menos esperadas o Senhor para o esquife e trás vida, pois Ele é o Senhor da vida. Esse texto nos enche dessa real esperança.

2 – Segunda lição que aprendo aqui é que aquele rapaz representa toda a esperança que muitos depositam no futuro (Lc 7.12).

Aquele garoto, filho daquela pobre viúva, representava toda a esperança que ainda lhe restava. Pois além dela ser viúva, acabara de perder seu único filho. A morte lhe bateu a porta duas vezes e foi vitoriosa. Provavelmente este rapaz era a única fonte de sustento daquela velha mãe. A sua única esperança de sobrevivência – era muito comum naquela época, muitas viúvas sem filhos passarem necessidade e terem que partir para a mendingança. 

Aquele menino foi a única coisa boa que lhe havia restado, que lhe dava razão para continuar vivendo. Que lhe dava sentido à vida. 

Certamente ela sonhava com o casamento do seu filho, uma boa nora, alguns netos, uma velhice feliz ao lado de seu filho. Uma família próspera; mas agora tudo estava indo por terra abaixo, ou melhor, para o túmulo.

Assim como esse filho representava a segurança dessa pobre viúva, esse rapaz representa para muitas pessoas hoje um futuro tranquilo, mas que morreu. 

Este rapaz representa para muitas pessoas toda a esperança, todas as alegrias e investimentos que sucumbiram diante da morte. 

- Quantas pessoas casaram pensando que o casamento traria felicidade, e agora veem o casamento desmoronando, morrendo. 

- Outros colocam suas esperanças numa UTOPIA POLÍTICA, achando que o mundo melhorará a partir de um bom projeto político. No entanto, ele vê seu sonho indo de caos em caos. 

- BERTRAND RUSSEL – matemático, filósofo e sociólogo, nascido em 1872 disse que a ciência dos nossos dias iria melhorar até mesmo os GENES DOS HOMENS, de forma que nascessem mental e psicologicamente melhores. Mas o que vemos é o homossexualismo aumentando, os jovens nas drogas, a vida sendo destruída, morrendo. Sem falar das duas guerras mundiais que ocorreram.

- Há aqueles que perderam totalmente a esperança e por isso vivem infelizes – corações vazios – pessoas seguindo a morte. Gente vivendo num cemitério existencial.

ILUSTRAÇÃO

Certa noite, no ano de 1954, Billie Sicard demitiu-se da vida. Nenhum anúncio foi feito, nem documento oficial algum foi assinado. Mas, mesmo assim, ela demitiu-se. Billie decidiu não viver mais. Seu espírito morreu em 1954, seu corpo em 1979.

Naquela noite de 1954, a única razão para Billie viver deixou-a. seu filho George, de 12 anos, morreu de um tumor cerebral. A vida do pequeno George prendeu Billie num vácuo. Ela tinha 34 anos quando ele nasceu. Depois que o marido a deixou, o filho tornou-se a sua vida. Quando ele morreu, a morte dele passou a ser a dela.

Ela era rica. Billie morava desde 1937 num bairro de luxo em Sunset Island. Sua casa foi vendida por 226.000 dólares depois que ela morreu. Tudo isso, porem, era imaterial para Billie. Sua vida era o filho.

Contam que quando George morreu num hospital na cidade de Nova Iorque, o corpo dele foi levado para o velório em sua casa. Depois de o corpo ter ficado exposto a visitação durante um dia na casa da Sra. Sicard, os responsáveis pela funerária foram removê-lo. Ela impediu que o retirassem. Durante vários dias ficou chorando por trás das portas fechadas, até que finalmente deu permissão para o sepultamento.

Gastar cem dólares em brinquedos para George não representava nada para Billie. Em 1979 quando o corpo dela foi encontrado, encontraram também os brinquedos, exatamente como ele os deixara. Nada tinha sido guardado, nada mudado de lugar.

Durante 25 anos, Billie vagou por uma casa cheia de brinquedos, com o coração cheio de memórias. Quando a casa foi vendida, o uniforme de escoteiro de George estava ainda pendurado no armário do pavimento térreo. Na parede se via um desenho infantil de um trenzinho desenhado com lápis vermelho. Ela jamais limpou. Os chinelos dele. Enfeitados com o Mickey Mouse, repousavam num canto do quarto.

Quando Billie demitiu-se da vida, tornou-se uma reclusa da sociedade. Seu jardim transformou-se em selva. Sua casa tornou-se uma fonte de história de fantasmas e boatos. Não se importava com nada. 

Billie simplesmente aposentou-se. Sua vida representa um legado silencioso à humanidade:

“O HOMEM PRECISA POSSUIR ALGO MAIOR QUE A MORTE... CASO CONTRÁRIO, A MORTE PASSA POSSUI-LO”. 

Aquela pobre viúva e toda aquela multidão que a acompanhava estavam vivenciando a morte.

Se a nossa esperança está naquilo que pode morrer, corremos o risco de vivenciarmos a morte todo dia, mas se a nossa esperança está no Senhor da vida, ainda que vivenciemos a morte esta já está vencida, pois o Senhor a venceu. 

3 – A terceira lição que aprendo aqui é que Jesus é o único referencial da vida (Lc 7.14,15). 

Assim como havia uma multidão enlutada, havia outra multidão alegre tendo como referencial o Senhor Jesus. O Senhor da vida, não só da vida comum, mas principalmente da vida eterna. Como Ele mesmo falou em Jo 10.10: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Aquela multidão que acompanhava Jesus tinha uma única razão para estarem felizes, eles tinham esperança de vida eterna. 

As contingências e circunstâncias eram idênticas para ambas, a multidão que acompanhava Jesus também morria, ficava doente, chorava, mas o que as diferenciavam era para quem estavam olhando. Ah queridos, em quem você está fitando seus olhos espirituais? Se for para o Senhor Jesus, você é um bem-aventurado, mas se estiver olhando para outra direção que triste sina é a sua vida. 

Nas ruas de nossa cidade nós nos deparamos com pessoas caminhando para o cemitério e outras caminhando para o céu. Gente rindo, mas infelizes, e gente, aparentemente chorando, mas com esperança de mudança por confiarem em Jesus. 

A grande diferença entre estas duas multidões não é se uma tem mais dinheiro que a outra, nem porque gozam de mais saúde e outros não, ainda mais que saúde não é perpétua. O que faz desta multidão que segue a Jesus, de nós que somos cristãos, diferentes daquela outra multidão desesperada, seguindo um enterro, é justamente o fato de estarmos olhando e seguindo a Jesus – “Que vive e reina para sempre!” 

Somente Ele é capaz de fazer brotar a paz e a felicidade em meio a catástrofe da vida. Esta multidão que segue a Jesus tinha esperança de vitória em meio ad lutas da vida assim como nós. Veja o que o apóstolo Paulo nos fala em Rm 8.31-39. Essa é a nossa esperança.

Temos o Espírito Santo que nos consola e intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26-30). 

Posso andar com alegria porque há um túmulo vazio em Jerusalém, aja o que houver o túmulo de Jesus está vazio. Ele ressuscitou e vive pelos séculos dos séculos e está conosco todos os dias (Mt 28.20).

Nós temos um referencial, uma motivação para viver e para andar. Não fazemos parte dessa multidão de infelizes e desesperados, FILHOS DO CEMITÈRIO, andando para a sepultura, adorando a morte. 

Nós nascemos para a vida, para a esperança, para a felicidade, para o céu. Nascemos para a felicidade encarnada em Jesus porque o túmulo está vazio. 

4 – O que o Senhor Jesus faz quando olha para esta multidão desesperada?

Quando Ele olha para você que investiu no futuro do seu casamento e agora o ver ruir, quando olha para o seu idealismo político, para o enorme vazio do seu coração, quando olha para você que vê seus intentos indo para o cemitério, para o túmulo, Ele faz a mesma coisa que fez em Naim.

1º- O texto nos diz que Jesus sentiu compaixão (v 13). 

Jesus não é indiferente as nossas dores. Ele se importa comigo, Ele se importa com você. Ele se importa com a nossa dor. O autor de Hebreus nos fala assim:

“Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. (Hb 4.15,16)

2º O texto nos diz que Jesus consolou aquela mãe enlutada (V 13b). 

“Não chores” porque ainda há esperança. Em Jesus nós encontramos consolo, esperança em meio à tragédia. 

3º O texto nos diz que houve uma intervenção de Jesus (v 14). 

Ele parou o esquife, Ele parou o enterro, Ele parou a morte. Jesus tem poder para interferir em nossas catástrofes. 

- No casamento
- Na firma falida
- Nos relacionamentos
- Na enfermidade

Hoje o Senhor pode interferir em sua vida!

4º O senhor Jesus quando interferiu falou ao morto e este ouviu (v 14). 

“Levanta-te” – Hoje Ele pode dizer para sua vida desestruturada e caída: “Levanta-te”. 

Para o seu casamento caído: “Erga-te!” 

Ele pode dar uma ordem de vida, de ressurreição para sua vida morta.

5º Jesus o restituiu a sua mãe (v 15).

Jesus pode restituir o seu marido.

Restituir a sua esposa, seus filhos.

Restituir a alegria da salvação, a paz de espírito.

Restituir a sua saúde – física, emocional e espiritual.

Ele pegou aquele jovem morto e o devolveu vivo, ressuscitado.

Jesus pode fazer isso por você hoje!

6º Todos glorificaram a Deus (v 16).

A intervenção de Jesus foi sobre aquele jovem morto e o restituiu vivo a sua mãe. No entanto, nós vemos que através do versículo 16 que não só aquela viúva e o seu filho glorificaram a Deus, mas toda a multidão. Eles reconheceram que Deus havia visitado o seu povo.

Todos os milagres tem que levar as pessoas a glorificarem a Deus. 

CONCLUSÃO

Deus está aqui e quer visitar o seu coração e fazer nele morada. Ele quer restaurar a sua vida arruinada, destruída, morta. Ele quer te dar vida.

Vida eterna – vida plena de significado, com prazer de viver. Vida com cheiro de vida e não uma vida com cheiro de morte.

O Senhor da vida está te chamando!

Saia da sombra da morte venha para a luz de Cristo. Jesus está passando hoje pela sua vida, não o deixe passar adiante. Convide-o a entrar em sua vida hoje. Assim como o Senhor Jesus abençoou aquela viúva e o seu filho, Ele quer restaurar também a sua vida e sua casa. Só depende de você.

Pense nisso!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Rejeitando os desejos da carne mas abraçando os desejos da mente.


Por Josemar Bessa

O apóstolo Paulo faz uma distinção entre os desejos da carne e dos pensamentos: “Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.” - Efésios 2:3

Ambos se opõe totalmente a Deus, ambos são fruto de nossa natureza caída (Carnais). Mas são diferentes e de maneira sutil podem penetrar fortemente onde o outro não se manifesta tão evidentemente.

Os desejos da carne parecem ser as mais grosseiros, as paixões mais sensuais, conectadas, por assim dizer, com a parte que gostaríamos de colocar como a mais inferior de nossa natureza. Os desejos da mente são aqueles que estão conectados com o que vemos muitas vezes até como qualidade superiores.

Alguns estão completamente mergulhados em toda sorte de frutos sensuais de luxúria, na satisfação deles avidamente... Enquanto outros, que podem desprezar tudo isso, ou pelo menos não são tentados ou pratiquem tão avidamente estes, realizam com igual ardor os sussurros de um caráter e disposição mais refinados.

Ambição de subir na vida, sede de poder sobre seus semelhantes, um desejo por fama, uma filosofia que parece moral mais que está em oposição a Verdade de Deus, descontentamento com a atual situação da vida, invejando outros em posições superiores a eles, riqueza, talento, realizações, posições mundanas, tentativa de felicidade fora de uma vida que em tudo glorifica a Cristo, ambição de sair da obscuridade, fazer um nome para si mesmo... “desejos da mente”.

Observe como Paulo coloca tudo isso no mesmo nível, os desejos da carne e da mente, e põe sobre eles o mesmo selo, ambos com a marca negra da desobediência e sua consequência nefasta, a ira de Deus.

Quando olhamos os desejos da carne se manifestando de maneira grosseira, tendemos a vê-lo como algo claro contra tudo o que Deus é, mas o que pensamos do comerciante incansável(ou em qualquer outra atividade), enérgico nos negócios, tendo como alvo da vida tão somente crescer... que põe em prática tudo que é necessário para isso, que racionaliza suas motivações, ou seus desvios na busca do crescimento?... Ele é igualmente culpado aos nossos olhos como aqueles que expressam os grosseiros frutos da carne?

O que pensamos do artista dedicado dia e noite no cultivo de suas habilidades como pintor, músico, escultor, escritor... ou em todas as outras atividades da vida... enterrados em seus livros... no ramo particular que escolheu seguir, cuja vida e energia é totalmente gasta em satisfazer todos esses desejos de sua mente?

Tanto quanto a sociedade, bem-estar público, o conforto próprio e de suas famílias, e o progresso do mundo estão em causa aqui... quando chegamos a pesar a questão diante de Deus, com a eternidade em vista, e as julgamos com a Palavra da Verdade, vemos imediatamente que não há diferença real entre eles,que o homem satisfazendo os desejos mais gritantes da carne e o erudito, o artista, o homem de negócios, o homem literário... em uma palavra, o homem do mundo, qualquer que seja o seu “mundo”... abraçado aos desejos da mente... ambos são da terra, são inimigos de Deus... Deus não está no centro do propósito de suas vidas, e se você pudesse olhar para o fundo de seus corações, muitas vezes ficaria evidente que o homem de “bem” voltado para os desejos da mente, com seu refinamento, educação... manifestam ser inimigos de Deus em suas mentes mais profundamente do que o libertino.

O pecado em ambos é a mesma coisa, e consiste no fato de que em tudo que eles procuram satisfazer é uma mente carnal que é inimizade contra Deus e Sua Palavra, que não são sujeitos a ela, e como disse o Apóstolo, nem mesmo o podem ser.

Deus (como se revelou em sua Palavra) não está em suas mentes, em seus pensamentos... apesar de viverem, respirarem, se moverem e existirem nEle, vivem inteiramente para si mesmos, e portanto, são rebeldes na definição mais profunda que Deus dá em Sua Palavra, alienados da vida de Deus, vivendo como se Deus não existisse ou como se existisse, existisse para eles e não eles para Deus.

“Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.” - Efésios 2:3

Fonte: Josemar Bessa

terça-feira, 1 de julho de 2014

VOCÊ VAI À IGREJA, MAS DEUS RECEBE O SEU CULTO?


Por Fabio Campos

Texto base: “O Senhor diz: "Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que me prestam só é feita de regras ensinadas por homens”. – Isaías 29.13 (NVI)

O conceito de “culto” nos dias atuais tornou-se genérico e se distância em muito do seu real significado. Quando as pessoas dizem que vão ao culto, muitos fazem disto o momento do seu “sacrifício” para deixar Deus um pouco mais feliz, podendo assim, depois do dever de casa feito, angariar o “direito” de demandar as bênçãos divinas com a consciência mais tranquila.

Veja a motivação da grande maioria das pessoas nos dias de hoje - vão ao culto só para fazerem campanhas; votos de prosperidades; buscar o milagre que “hoje vai chegar”. Cerimônias e rituais são introduzidos na liturgia para atrair “fiéis”. Um “culto tal” para atrair fiéis? Pois é, os papéis se inverteram! Até onde sabemos e disto as Escrituras testificam é que, culto, é o ato de “homenagear a divindade através da adoração”. Logo, então, tudo o que vemos nestas igrejas que fazem do culto um meio para atrair pessoas a conquistarem os seus objetivos, certamente, não trata de culto, mas de um meio “supersticioso” para conseguir um fim físico ou espiritual por benefício.

Informo que Deus não se agrada deste culto e considera isso uma abominação ao Seu Santo Nome. A advertência dada por Deus através do profeta Isaias, concernente a isso, englobava – “um povo de aparente piedade, devoto, mas com o coração longe de Deus - interessado apenas no seu bem estar. Enganados pelo o seu coração - fechados para a voz da consciência - prestavam o culto através de regras ensinadas por homens” (Is 29.13).

O culto segundo a Bíblia é racional e não emocional. Não digo que não existe espaço para a alteração das emoções. Quem consegue permanecer com o seu coração de pedra na presença do Nosso Amado Senhor Jesus. O que dizer dos discípulos no caminho de Emaús ao escutar as Palavras do Senhor. Enquanto ouviam, seus corações queimavam. Engano, mas muito engano há em inibir as emoções no culto. Todavia, prestar culto a Deus é saber através do raciocínio a quem se está adorando e a forma reverente que Ele exige (Rm 12.1). A conotação dada por Paulo na carta aos Romanos [12.1], acerca disso, traz o sentido da“apresentação de um sacrifício”; “colocar de lado” para qualquer [outro] propósito. Ou seja, o culto é o homem quem dá a Deus e nunca o contrário -, Deus cultuar o homem. Ele é gracioso e faz muito mais do que pedimos ou pensamos, entretanto, cultuar a Deus é isso.

Lembro-me ainda quando católico; diziam-me que a cada missa que eu participava, mais um degrau eu subia rumo ao céu. Na minha mente ir à igreja era fazer um favor a Deus. Na mente de muitos evangélicos não é diferente. Você nunca pensou de onde vem tanta intrepidez destes para profetizar, determinar e decretar as bênçãos? “Já que estou fazendo tudo certinho, logo tenho o direito para conquistar tudo isso”, pensam eles.

Este tipo de culto é condenado por Deus. E assim Ele diz: “Quando lhes pediu que viessem à minha presença, quem lhes pediu que pusessem os pés em meus átrios” (Is 1.12?). Ninguém compra a bênção de Deus com sacrifico nenhum. Ele não tem prazer na compra da Bíblia “Ceruliana” de 900 reais. Ainda que haja um aparente quebrantamento com as mãos levantadas, Deus esconderá seus olhos destes (Is 1.15).

Muitos desigrejados estão difamando o ato de se reunir “como igreja”. Podem enganar a leigos e a uma multidão de homens, mas a Deus não se engana, pois ele mesmo disse para não deixarmos de congregar (Hb 10.25); e se reunindo, que fosse “com ordem e decência” (1 Co 14.40). Não podemos entrar de qualquer jeito na presença de Deus.

O Senhor sempre zelou por sua comunhão com o homem que Ele o criou. Desde o princípio Deus se reunia com o homem (Gn 3.8). Com a desobediência de Adão [e agora todos estão em Adão até a conversão a Jesus Cristo], Deus expulsou o homem de sua presença (Gn 3.24), passando então, depois de expulso, a ser um “errante pela terra” (Gn 4.14). Todavia, o Senhor sendo rico em misericórdia traçou um plano elaborado desde antes da fundação do mundo, cumprindo-o através de vários servos por Ele levantados. Moisés foi um destes. Ele legislou os preceitos Divinos e a importância do culto - como Deus o recebe através de regras e formas.

Quer ver o zelo de Deus para com o culto? Leia o livro de levíticos! A ordem deste culto perdurou por milhares de anos até chegar a “Plenitude dos Tempos” - quando Deus veio em carne na Pessoa do Filho Jesus cumprir todos estes preceitos - reconciliando os homens consigo mesmo - não imputando suas transgressões (2 Co 5.19). Como bem disse o grande teólogo Karl Barth: "O Deus Eterno deve ser conhecido em Jesus Cristo e não em outro lugar".

Hoje o nosso culto deve ser simplesmente a maneira de agradecermos por tudo o que Ele fez e por tudo o que Deus é. É o momento que nos desligamos dos acontecimentos lá de fora e nos concentramos, em gratidão, para darmos o nosso melhor, conhecendo assim a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Este ato [o de cultuar] é tão sério que Paulo faz uma severa advertência à igreja de Coríntios, concernente ao véu que era usado pelas mulheres na época [em sinal de respeito aos seus maridos], pois os anjos estavam assistindo o culto (1 Co 11.10). Rapaz, os anjos assistem o culto que prestamos a Deus. Senhor...! Misericórdia! Ainda bem que em Cristo minhas sandálias são retiradas ao entrar na sua presença. Sigo pelo Novo e Vivo caminho.

Portanto, amados, o culto é mais do cantar, ofertar e ouvir a Palavra. Tudo isso pode se tornar simples dogmas, litanias e liturgias decoradas, ensaiadas, sem amor e sem convicção, como diz a nota de rodapé da “Bíblia de estudo Shedd” [comentário de Is. 29.13]. Todas estas atividades [cantar, ofertar e ouvir a Palavra] faz parte, mas somente os que adoram o Pai em espírito e em verdade terão o seu culto recebido pelo Senhor como oferta de cheiro suave. Em compensação outros, o seu culto, para Deus, é simplesmente um “fogo estranho”.

Não vá à igreja simplesmente para assistir a um culto. Vá a igreja cultuar a Deus e participar da comunhão dos santos através salmos, orações e hinos espirituais que sejam dignos ao Nosso Senhor Jesus, segundo como ensina as Escrituras Sagradas.

Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fonte: Fabio Campos

Com que personagem da Bíblia você se identifica?

Judas

Por Maurício Zágari

Sempre que lemos a Bíblia, nos identificamos mais com certos personagens e assumimos uma postura de oposição a outros. Isso é natural e todos fazemos isso. Como conhecemos bem as histórias das Escrituras, já sabemos a forma como os relatos acabam e, por isso, criamos empatia com os heróis – em geral, nos colocamos no lugar dos grandes homens e mulheres de Deus. O que não notamos é que, se estivéssemos no lugar dos vilões, muitas vezes provavelmente agiríamos exatamente como eles. Se você consegue perceber esse fato, muita coisa muda na sua forma de ser, você cresce em humildade e, assim, se aproxima de Deus. Deixe-me dar alguns exemplos, para deixar mais claro o que estou dizendo.

Na parábola do bom samaritano (Lc 10) todos olhamos torto e falamos mal daqueles malvados sem coração que passaram pela estrada e não prestaram socorro ao pobre homem que estava largado à beira do caminho. Todos cremos que agiríamos exatamente como o samaritano, que parou, cuidou do ferido, doou seu tempo e seu dinheiro a ele. Jamais nos identificamos com o sacerdote e o levita que foram cuidar de sua vida e de seus próprios interesses e não deram atenção ao homem que jazia ali, necessitado de uma mão estendida. Bem, agora pensemos na vida real. Tente calcular quantas vezes você viu alguém literalmente caído na rua, dormindo sob uma marquise ou desabado de embriaguez e parou para ajudá-lo. Foram muitas? Agora faça as contas de quantas vezes viu gente nessas situações e simplesmente continuou em seu caminho, sem fazer absolutamente nada pelos tais. Ouso dizer que você deu as costas ao seu semelhante muitas, mas muitas vezes mais do que parou para prestar auxílio. Estou errado? Se estou, você é uma pessoa bem melhor do que eu, que deixei pessoas caídas à beira do caminho infinitamente mais vezes do que parei para ajudar. Isso sem falar naquelas que, metaforicamente, estão feridas e desesperadas por amparo e socorro e que fingimos não ver e largamos para lá. A realidade é que não somos muito diferentes daquele sacerdote e do levita.

Outro exemplo: no caso da mulher adúltera (Jo 8), sempre olhamos para os escribas e fariseus com olhar condenatório. Como podem aqueles legalistas desalmados não perdoar a pobre mulher? Mas… sejamos sinceros. Ponha-se naquele lugar, naquele contexto. Se você estivesse no meio da multidão, será que não teria uma pedra em sua mão? Será que não olharia para aquela pecadora e pensaria que ela merecia mesmo aquela punição? Qual de nós, se estivesse naquela situação, pensaria em dizer “nem eu te condeno, vá e não peques mais”? Ouso dizer que a grande maioria cumpriria a lei e quebraria alguns dos ossos dela com prazer. Afinal, é o que fazemos hoje também. Sejamos francos: não somos muito adeptos do perdão, em nossa vida diária cremos que condenações sumárias e apedrejamento dos “pecadores” é o que agrada a Deus. Em geral, quando sabemos que um irmão pecou, exigimos juízo acima de tudo e não nos lembramos muito da graça, da restauração. Na internet, então, o que mais se vê hoje em dia são cristãos que vivem jogando pedras para todos os lados, acusando, atacando, ofendendo, alfinetando, lançando indiretas, apedrejando. Basta olhar redes sociais, blogs, sites e streams de vídeo de cristãos para perceber que há multidões de irmãos em Cristo que passam os dias tacando pedregulhos virtuais – numa postura de pretensa superioridade espiritual, exatamente como aqueles escribas e fariseus. A realidade é que não somos muito diferentes daqueles homens.

Vamos além. Pense no rico e em Lázaro (Lc 16). Todos condenamos aquele rico desumano e louvamos o mendigo. Mas, na vida cotidiana, quem de nós deixa de lado nem que seja por um tempo o conforto e os bens para dar aos pobres e necessitados algo que vá além das migalhas que caem de nossa mesa? Seria muito atrevimento meu dizer que não somos tão mais generosos assim do que aquele homem rico?

Davi e Golias, então, nos oferecem uma reflexão peculiar. Nenhum de nós jamais se considera o filisteu da história. Vivemos dizendo coisas como “temos de derrotar os gigantes”, ou “Quem é, pois, esse incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?” e em 100% das vezes nos pomos no lugar de Davi. Jamais no de Golias. Mas pense um pouco. Quantas vezes você foi o mais forte em uma situação e humilhou o mais fraco? Quantas vezes usou de sarcasmo na sua fala contra quem discorda de você? Quantas vezes abusou do poder de que dispõe para rebaixar os menores? Em nossa superioridade, muitos cristãos oprimem os mais fracos. A realidade é que não somos muito diferentes de Golias.

Marta sempre é criticada por sua postura no relato de Lucas 10. Mas já perdi a conta de quantas vezes preferi enveredar pelo ativismo em vez de priorizar a intimidade com Jesus. Na teoria, sempre nos vemos como Maria, mas, na prática, agimos em incontáveis situações como Marta. Optamos por trabalhar para Deus em detrimento de comungar com ele. A realidade é que não somos muito diferentes de Marta.

E poderíamos prosseguir indefinidamente. Sempre admiramos Abigail e criticamos Nabal, sem reparar a quantidade de vezes em que nos negamos a ajudar quem nos pede auxílio. Sempre cremos que nunca agiríamos como Pedro e Judas, mas traímos diariamente Jesus com nossas atitudes pecaminosas e escolhas equivocadas. Sempre condenamos Pilatos, mas lavamos as mãos numerosas vezes diante de situações em que poderíamos interferir mas permanecemos apáticos em benefício próprio. Sempre achamos que somos exatamente como Estevão mas na primeiro risco que corremos saímos correndo covardemente e deixamos os outros para lá, como fizeram os discípulos no Getsêmani.

A realidade é que agimos diariamente como os vilões da história.

Não há crescimento na fé ou vida com Cristo sem o reconhecimento deste fato: nós erramos. Somos transgressores, mentirosos, egoístas, sovinas, egocêntricos, medrosos, ativistas, maus. Nossa natureza nos afasta do ideal cristão. Agimos exatamente como Paulo – não como o grande apóstolo Paulo, mas o grande pecador Paulo -, que revela sua natureza falha numa das confissões mais lindas da Bíblia (que não me canso de reproduzir nas reflexões que compartilho no APENAS, tamanho é o exemplo de humildade e transparência que Paulo dá por meio destas palavras):

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado” (Rm 7.14-25).

Nosso valor vem de Cristo. É ele quem nos justifica, santifica, edifica. É somente por ele que somos mais que vencedores. Longe de Jesus somos perdedores da pior espécie. Sem ele nada podemos fazer. Peço a Deus que essa percepção nos conduza sempre aos pés do Senhor, em humildade e reconhecimento de que somos pó. Só o Cordeiro nos livra do merecido inferno. O céu é um presente gracioso de Pai para filho. Somos os vilões da história da humanidade, mas Cristo tem o poder de nos regenerar, amenizando nossa culpa e absolvendo-nos de nossa vilania.

Meu irmão, minha irmã, seja sempre amoroso e gracioso com seu próximo. Lembre-se de que você não é tão melhor assim do que ele. Pense que muitas e muitas vezes as suas atitudes são iguaizinhas às dos vilões da Bíblia. Se você reconhecer esse fato, Deus vai exaltá-lo, ampará-lo e lhe dar graça. E, no último dia, você ouvirá do Pai: “Muito bem, servo bom e fiel…” (Mt 25.21).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Fonte: Apenas

Oração não é “magia branca”




Por Geoffrey Willour 

“E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.” (Jesus Cristo no Evangelho de Mateus 6.7-8, ARA)

“A Oração é um santo oferecimento dos nossos desejos a Deus, por coisas conformes com a sua vontade, em nome de Cristo, com a confissão dos nossos pecados, e um agradecido reconhecimento das suas misericórdias.”(Resposta da pergunta #98 do Breve Catecismo de Westminster)

A oração é o grande privilégio do crente. Quando nós crentes vamos ao encontro do nosso Pai celestial em oração, através da fé em Seu Filho Jesus Cristo, nosso único mediador, literalmente entramos pelo Espírito Santo no que pode ser descrito como outra dimensão. Na oração nós nos achegamos ao trono da graça, entramos no santuário interno, o celestial Santo dos Santos, a própria sala do trono da presença de Deus onde o Criador do universo é servido por anjos, apóstolos, santos e mártires, e toda a companhia celeste (Hebreus 4.14-16; 12.14-24,28-29; Apocalipse 4-5; 7.9-12). Quando Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados, tendo de uma vez completado a obra de expiação e entregado Seu espírito ao Pai, o véu no Templo separando o Santo lugar do Santo dos Santos foi rasgado em dois de cima a baixo, indicando que o Pai efetuou a redenção pelo Seu Filho e que agora o caminho para o Santo dos Santos foi aberto (todo o tempo) para todos o que creem (e não somente uma vez ao ano para o sumo-sacerdote (somente), como era antes na antiga aliança – veja Mateus 27.50-51). Na oração nós realmente nos achegamos a Deus em uma santa e íntima união pactual.

Assim, a ordenança da oração é poderosa. De fato, a tradição reformada e presbiteriana historicamente tem visto a oração como sendo em certo sentido um meio de graça (não no sentido de que Deus objetivamente oferece e sela Sua graça em nós, como Ele faz com a Palavra e os sacramentos, mas no sentido de que a oração é um meio pelo qual nós, pela fé, recebemos subjetivamente a graça de Deus em Cristo, que é oferecida objetivamente a nós pela Palavra e sacramentos). Portanto, a oração é uma coisa poderosa. Entretanto, hoje a prática da oração é vista com muitos equívocos, e existem muitas ideias falsas por aí sobre a oração. Um equívoco comum é uma visão do poder da oração que basicamente torna a oração numa forma de magia branca.

Como são alguns exemplos dessa visão da oração como uma forma de magia branca? Bem, querido leitor, deixe-me procurar responder essa questão te perguntando algumas coisas para colocar o problema em evidência. Você acha que suas orações são mais efetivas se elas são longas e prolixas? Você acha que seria mais abençoado por Deus e seria uma pessoa mais espiritual se você gastasse períodos prolongados na prática da oração? Você acredita que quanto mais pessoas estão orando por você, é mais provável que Deus ouça suas orações e te garanta as bênçãos e pedidos que você procura? Você acha que Deus estará mais propenso a te escutar se você conseguir uma pessoa em particular que você considera especialmente santa (por exemplo, seu pastor, ou um cristão maduro que você admira) a orar por você? Você acha que usando uma fórmula particular de oração (como a popular “oração de Jabez” ou a antiga “oração de Jesus”) vai conseguir a atenção de Deus melhor que usar suas próprias palavras na oração? Se você respondeu “sim” a quaisquer dessas perguntas, então você pode ter sido influenciado pelas noções populares, mas não-bíblicas, de oração, noções pagãs que basicamente tornam a oração em uma forma de magia branca.

As maiores expressões de oração como “magia branca” podem ser encontradas em certos círculos carismáticos e pentecostais, especialmente entre os chamados pregadores da prosperidade. Por exemplo, eu ouvi um pregador da prosperidade (do tipo “declare e reinvidique”) se gabando de como ele basicamente manda em Deus. A ideia em alguns dos círculos supostamente “cristãos” é que se você tem bastante fé pode basicamente “declarar e reinvidicar” suas bênçãos de Deus – incluindo as bênçãos de cura, saúde, riqueza, e prosperidade. Entretanto, isto passa o mais longe possível da doutrina bíblica sobre a oração. (Tente dizer a Jó, ou o Apóstolo Paulo, ou Estevão o Mártir – todos homens de oração profunda e sincera – que eles somente não tiveram fé o suficiente para “declarar e reinvidicar” suas bênçãos, ou que suas dificuldades e sofrimentos são evidência de uma fé fraca). Além de ser completamente blasfemo, é também completamente pagão. É o exemplo mais extremo de oração como magia branca. Isto transforma Deus em um capataz e sujeita o Criador à vontade da criatura. Não é um meio de fazer Deus de capacho ou dar ordens a Deus. Antes, é um caminho pelo qual nós expressamos nossa total dependência do Soberano do universo, e humildemente pedimos a Ele por coisas que são necessárias para nós e agradáveis à Sua vontade. É um meio pelo qual nós dizemos a Deus, “Seja feita a tua vontade” (e não, “Senhor, faça a minha vontade).

Quando os discípulos do nosso Senhor pediram que Ele os ensinasse como orar, Ele os ensinou um modelo de oração que veio a ser conhecido como a “Oração do Senhor”¹ (Lucas 11.1-4; Mateus 6.9-13). (Seria mais preciso a chamá-la de “a oração dos discípulos”, porque ela pretendia servir como modelo de oração para os seguidores de Jesus Cristo.) Enquanto muitas coisas podem ser ditas sobre esse modelo de oração, eu faria somente algumas observações. Primeiramente, esta oração é muito curta e direta ao ponto. Pode ser orada em menos de 30 segundos. Segundo, ela é muito íntima (Deus é chamado pelo crente de “Pai Nosso”) e simples, evitando o excesso de floreio e vã repetição caracterizados pela oração do tipo “magia branca” que acontece hoje. Terceiro, ela é completamente teocêntrica e focada no Reino. Somente uma das petições (“O pão nosso de cada dia nos dai hoje”) se foca em nós e nossas necessidades terrenas, e mesmo assim somente pede pelo que precisamos (pão nosso de cada dia), e não o que nós poderíamos querer (saúde, riqueza, facilidade, conforto, prosperidade, etc.). Finalmente, ela é uma oração que manifesta uma atitude de total submissão à vontade de Deus, o oposto de tentar forçar Deus a servir nossos desejos ou interesses ou pautas. A oração “magia branca” procura usar Deus para propósitos egocêntricos. A oração verdadeira procura se submeter à vontade de Deus em humildade e gratidão. Quando somos tentados a nos inclinar ao modo de pensar da “oração magia branca”, faríamos bem em refletir sobre a Oração do Senhor.

A oração é um grande privilégio. A oração é poderosa. A oração é vital para a vida spiritual e a saúde tanto do crente individual como da igreja corporativa. Entretanto, oração não é magia branca, e Deus não é nosso Mordomo Cósmico. À medida que procuramos ser pessoas devotadas à Palavra e à oração, deixemo-nos lutar por uma teologia bíblica sobre oração, para a glória de Deus e para o nosso bem espiritual.

(Ao longo desse texto, eu realmente apreciei alguns dos comentários do Rev. Jonathan Fisk, pastor luterano do Sínodo de Missouri, faz do tema da oração perto do final desse recente vídeo do “Worldview Everlasting”. Foi dos comentários do Pastor Fisk que eu tirei a ideia de classificar as falsas noções de oração como “magia branca”.)


¹ A “Oração do Senhor” é mais conhecida aqui no Brasil como o “Pai Nosso”, mas mantivemos a tradução por causa do contraste que ele faz logo depois com a “oração dos discípulos”.

Fonte: Reforma 21

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Spurgeon Desprezado


Por  Iain Murray

O fato de que foi sua ênfase em restabelecer a velha doutrina provocou intensa oposição a seu ministério, Spurgeon não tinha a menor dúvida. "Somos depreciados como hipers; (Hiper-Calvinista) somos considerados a escória da criação; dificilmente um ministro nos dá atenção ou fala favoravelmente de nós, porque sustentamos fortes ideias sobre a venerável soberania de Deus, Seus soberanos atos eletivos e Seu amor especial para com o Seu povo".

Pregando à sua igreja local em 1860, ele disse: "Não há uma outra igreja de Deus na Inglaterra, que durante os últimos cinquenta anos, teve que passar por maiores provações do que as que nós temos tido... raro é o dia que rola sobre a minha cabeça em que a mais vil ofensa, a mais terrível difamação, não seja proferida contra mim, tanto privadamente como pela imprensa pública; todo engenho é empregado para pôr abaixo o ministro de Deus - todas as mentiras que o homem pode inventar são lançadas contra mim.... Eles não impediram a nossa utilidade como igreja; não diminuíram o número dos nossos congregados; aquilo que se esperava fosse mero espasmo - um entusiasmo que se esperava que duraria apenas uma hora - Deus tem aumentado diariamente; não por minha causa, e sim por causa do evangelho que eu prego; não porque havia alguma coisa em mim, mas porque me apresentei como um expositor do calvinismo claro, honrado e sincero, e porque procuro falar a Palavra de forma simples".

Spurgeon não se surpreendia com a inimizade que manifestada para com a sua proclamação das doutrinas da graça: "Irmãos, em todos os nossos corações há esta inimizade natural contra Deus e contra a soberania da Sua graça". "Sei de homens que mordem seus lábios e rangem os dentes de raiva quando prego a soberania de Deus.... Os visionários doutrinários atuais admitem a existência de um Deus, porém Ele não deve ser Rei: quer dizer, eles preferem um deus que não é deus, e dão preferência ao servo, e não Aquele que exerce governo sobre os homens." O fato de que a conversão e a salvação são obra de Deus é uma verdade humilhante. É por seu caráter humilhante que os homens não gostam dela. Ouvir dizer-me que, se hei de ser salvo é preciso que Deus me salve, e que estou em Suas mãos, como o barro está nas para com o Seu povo".

Spurgeon não se surpreendia com a inimizade que manifestada para com a sua proclamação das doutrinas da graça: "Irmãos, em todos os nossos corações há esta inimizade natural contra Deus e contra a soberania da Sua graça". "Sei de homens que mordem seus lábios e rangem os dentes de raiva quando prego a soberania de Deus.... Os visionários doutrinários atuais admitem a existência de um Deus, porém Ele não deve ser Rei: quer dizer, eles preferem um deus que não é deus, e dão preferência ao servo, e não Aquele que exerce governo sobre os homens." O fato de que a conversão e a salvação são obra de Deus é uma verdade humilhante. É por seu caráter humilhante que os homens não gostam dela. Ouvir dizer-me que, se hei de ser salvo é preciso que Deus me salve, e que estou em Suas mãos, como o barro está nas que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece". O mundo também tem uma religião universal, porém, vejam como Cristo põe isso abaixo: "Eu rogo por eles: não rogo pelo mundo". Deus nos ordenou dentre os homens: "Eleitos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai, pela obra santificadora do Espírito e pela fé na verdade".

Obviamente, Spurgeon considerava a diferença entre o calvinismo e o arminianismo como algo concreto e definível, e não mera questão de "equilíbrio" ou de proporção da verdade. Com o termo arminianismo ele não queria dar uma "ênfase" à responsabilidade humana, pois ele pregava a responsabilidade do homem tão fortemente como qualquer que já viveu. Menos ainda ele achava que uma coerente posição escriturística abranja as duas posições; na verdade, ele achava difícil ser paciente quando refutava essa confusão. "Não pensem", diz ele, "que vocês precisam ter erros em sua doutrina para se tornarem úteis. Temos alguns que pregam calvinismo em toda a primeira parte do sermão, e o concluem com arminianismo, porque acham que isso os fará úteis. Um absurdo útil! É tudo o que isso é. Se um homem não pode ser útil com a verdade, não pode ser útil com um erro. O que há na doutrina pura é suficiente, sem a introdução de heresias, para pregar aos pecadores. O fato é que existem questões doutrinárias definidas envolvidas na controvérsia entre os dois sistemas, e quando defrontado por uma dessas questões o homem deve sustentar ou uma ou outra.

Algumas dessas questões podem ser expostas como segue: Haveria um plano de redenção pelo qual Deus Se determinou a salvar, mediante Cristo, algumas pessoas que Ele escolheu?

Acaso esse plano prove a concessão gratuita de todas as coisas necessárias para o seu cumprimento, ou seria o seu cumprimento condicionado pela aceitação do homem?

Porventura Cristo, em Sua morte, assegura infalivelmente a redenção de todos aqueles que Ele representou como substituto?

Ao regenerar pecadores, será que o Espírito Santo efetua plenamente o propósito do Pai e aplica infalivelmente a obra redentora de Cristo?

Seria possível resistir à obra regeneradora do Espírito?

Acaso somos regenerados, ou nascemos de novo, por causa da nossa fé e arrependimento, ou seria a fé efeito e resultado da regeneração?

Provavelmente há alguns que objetariam até mesmo à formulação de perguntas como essas. Os breves artigos doutrinários do movimento evangélico moderno - diferentemente das confissões reformadas dos séculos 16 e 17 - nada dizem sobre essas questões, presumivelmente porque isso não é mais considerado necessário. A atitude predominante tem sido a de desdenhar as proposições definidas da verdade e contender por obscuridade e indefinição, como se isso fosse mais espiritual e bíblico, e contribuísse mais para a manuten¬ção da unidade. Portanto, não é surpreendente que em tal atmosfera de baixa visibilidade espiritual tenha se tornado corrente a ideia de que um homem pode ser arminiano e calvinista.

A igreja perfeita!


Por Josemar Bessa

Muitas pessoas num mundo que prega abertamente o individualismo, e cada homem como medida do que é bom e correto para si mesmo, tentam encontrar desculpas que racionalizem o problema nascido no Éden, o homem sendo “deus” de si mesmo.

Uma das desculpas é sempre tirar a responsabilidade pessoal pelo meu fracasso e colocá-lo em grupos maiores que não tem uma cara específica. Gostamos e abraçamos como desculpa os pecados institucionais, tão condenados diariamente, e pouco falamos dos pecados pessoais, que em última análise, são o nosso verdadeiro problema.

Muitos falam da imperfeição da igreja apenas como uma desculpa para sua vida vivida em torno de si mesmo.

Por exemplo, a unidade da igreja – A unidade da igreja (olhe para a igreja local) não significa a ausência de conflitos. Quando Cristo orou pela unidade, ele também orou pela santificação de sua igreja ( João 17.17). A necessidade de santificação pressupõe a presença do pecado, e presença do pecado resulta muitas vezes, como não podia deixar de ser, em desunião.

Cristo sabia disso, ele não ora de forma ingênua, ele orou por igreja verdadeiras num mundo real e caído, orou por igrejas imaturas, por igrejas perseguidas que lutariam com o medo..., igrejas que teriam problema com o orgulho, igrejas com membros pecadores... Ou seja, igrejas como as que o apóstolo Paulo fundou e dirigiu, e Pedro, e João... e tiveram que escrever cartas, admoestar, repreender... Igrejas como as que Jesus repreende através de João em Apocalipse 1-3. Mas a oração de Jesus ainda é que esses pecadores justificados, regenerados... estejam juntos, se mantenham juntos... Por quê? O plano de muitos hoje seria cada um ficar em sua casa até que todos fossem perfeitos para se juntarem. Mas Jesus os quer juntos e ora para que sejam santificados pela Palavra... pecadores que muitas vezes tem conflitos, juntos? Por que? Porque Jesus usa os pecados irritantes dos outros para expor nossos próprios pecados, criando oportunidades de tolerar, desenvolver a paciência, orar por transformação, aprender a perdoar... cumprindo assim uma instrução fundamental: “amar uns aos outros” ( Jo 13.34-35). Como Ele nos amou, como Ele amou os discípulos... se havia algo longe de qualquer perfeição era o grupo de discípulos que andou com Jesus naqueles três anos: Pedro, Tiago e João, Tomé... Quanto orgulho e disputa por primeiro lugar houve entre eles, quanto medo, quanta incredulidade... Tudo isso levou a desunião muitas vezes, mas a contenda que naturalmente leva a desunião traz consigo a possibilidade de refinar a igreja quando o pecado é confrontado, confessado... e o evangelho da graça é aplicado (Mt 18.21-35).

O crescimento na unidade da igreja não depende de faixa etária, música... Você cria tribos, “igrejas tribais” – Em torno da juventude, estilos musicais, vestes... Não é Cristo o ponto focal dessa união – ela é humana e carnal. Sempre é a isso que nossas estratégias levam.

A unidade da igreja depende da Palavra de Deus. Logo antes de Cristo orar pela unidade da igreja nos versos 20,21 de João 17, ele ora para que Deus santifique o seu povo. A sua oração deixa claro que a unidade tem uma base, a santificação. E ele afirma que a santificação flui da Verdade: “Santifica-os na verdade, a tua Palavra é a verdade!”

Apenas quando nos humilhamos de fato sob a Palavra, não sobre partes, mas toda a Palavra, toda a Verdade. Quando abandonamos a ideia de determinar o que é relevante ou não nela, o que sempre é forjado na arrogância de um coração que não ama a Verdade, sempre que nos reunimos em torno de sua mensagem integral, mudanças espirituais verdadeira produzem unidade espiritual verdadeira.

Unidade construída em qualquer outra base, quer seja a personalidade do líder, o estilo, o ministério específico que se molda ao gosto natural de um grupo... está destinado ao fracasso aos olhos de Deus. Só quando a Palavra é central, os membros podem de fato ser reconciliados uns com os outros, aprender a perdoar uns aos outros, amar uns aos outros... a unidade da igreja depende de empenho de todos juntos crescerem na prática na compreensão da Palavra de Deus: “Santifica-os na Verdade!”

Muitos esperam o que nunca foi prometido por Cristo. Muitos esperam o que nunca foi experimentado por nenhuma das igrejas fundadas por Paulo, Pedro, João... A unidade da igreja não será plenamente realizada neste mundo. Portanto, muitos usam esse tema, como outros, apenas para disfarçarem sua recusa em viver o evangelho e crescer como povo e rebanho de Deus juntos. O que leva a compromisso, obediência, sujeição... e tantas outras coisas que apesar de ser o claro ensino bíblico, a mente desta geração detesta. Nesta geração um dos deuses mais cultuados é o individualismo. E muitos usam de várias desculpas para cristianizarem esse deus em suas vidas.

Muitos esperam hoje o que não está prometido até a volta de Cristo, o que o torna a pessoa inútil agora, no único tempo que ela tem neste mundo no trabalho de Deus na edificação da Sua igreja. Como Paulo poderia se manter útil e motivado em escrever cartas para as igrejas locais, pessoalmente lutar pela verdade de Deus nelas, pelo crescimento espiritual das pessoas... se pensasse assim?

A esperança do futuro não pode distorcer a percepção do presente. Todos nós devíamos saber, pelo claro ensino bíblico e pela nossa luta pessoal, que vivemos em um momento em que o Espírito e a carne coexistem numa guerra. Que o mundo é um inimigo poderoso, que Satanás engana e trabalha também em nosso meio. Devemos então, de modo realista, como Jesus, orar pela paz e união da igreja, buscar “se possível estar em paz com todos” – ou seja, no que depender de nós. Sermos filhos de Deus, ou seja, pacificadores no meio da igreja (Mt 5.9)... mas não ficarmos surpresos quando a desunião mostrar sua feia face. Devemos em momentos assim avaliar a nossa própria contribuição tanto na quebra da união, como na responsabilidade pela paz. Este é um assunto, como muitos outros, que nós temos o já, e temos também o “ainda não”.

Devemos avaliar a nossa própria contribuição para a luta, é preciso remover o registro do nosso próprio olho, e devemos esperar de novo no evangelho de Jesus Cristo. Sua paz é já, mas ainda não!

Exercer o perdão, a paciência, a longanimidade, a benignidade, a mansidão, o amor... é estar vivendo exatamente isso. Num perfeito ambiente de paz, esses frutos não estariam sendo desenvolvidos. Um dia esse tempo chegará.

Se tua aspiração fixa agora está no que ainda está no futuro, e com isso a tua desculpa está na imperfeição da igreja, sua motivação não pode ser a mesma dos apóstolos... nem mesmo a de igreja ao orar por sua igreja (João 17), mas não passa disso, desculpa e racionalização. No entanto, paz perfeita está prometida, e está prometida por um Deus soberano que não pode falhar e não falhará. Hoje já estamos em paz com Ele (Rm 5.1). Agora oramos pela união, temos nos tornado pacificadores, estamos sendo santificados pela Palavra... estamos engajados na batalha, e não procurando desculpas para fugir dela.

Fonte: Josemar Bessa