terça-feira, 23 de outubro de 2012

Pão da vida: a singularidade de Jesus

 


Não há dádiva maior na vida de um ser humano que ser um discípulo de Cristo. Seguir o Mestre, alimentar-se de Seu ensino, ter comunhão com Ele, exercer a fé no Redentor, tendo-O acima de qualquer suspeita, como Senhor e Salvador, e não apenas como um guru, um médium, um espírito evoluído ou um líder espiritual. A singularidade de Jesus está em Seu ser, e por mais que alguns tentem expor o contrário, o Senhor é o nome acima de todo nome. E este fato é eterno e imutável.

Recentemente, meditando nas Escrituras, mergulhei no Evangelho de João, mais precisamente no capítulo seis. Deste tempo, extraí um esboço que se transformou neste estudo, que gostaria de compartilhar com os leitores. Este capítulo, assim como todo conteúdo deste Evangelho, possui ensino profundo a respeito da vida e missão do Messias.

Milagres

A Bíblia atesta que uma grande multidão estava seguindo a Jesus, na cidade de Tiberíades, diante dos feitos miraculosos:

E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos. João 6.2

Neste ponto, precisamos refletir brevemente acerca da natureza dos milagres. O contexto nos mostra que Jesus se preocupava e – evidentemente – continua se preocupando com as pessoas e com as necessidades mais íntimas do ser humano. A falha de nossa geração está em evidenciar muito mais o milagre do que o próprio Deus que fez o milagre. O milagre deve apontar para Cristo – o milagre é um meio, e não um fim em si mesmo.
Uma fé baseada em milagres nunca é tão agradável a Deus como a fé baseada somente em Sua palavra. A palavra de Deus não deveria exigir milagres para comprová-la. Qualquer coisa que Deus diz é verdade, jamais poderia ser mentira. Isso deveria ser o suficiente para qualquer pessoa! [1]
Daquela multidão, que estava acompanhando feitos miraculosos do Messias, contavam-se cinco mil homens, além das mulheres e crianças (v.10). De apenas cinco pães e dois peixes, Jesus alimentou toda multidão (v.9). A fartura foi tamanha que, além de alimentar a multidão, as sobras encheram doze cestos. Neste momento, satisfeita com o milagre, a reação do povo foi uma tentativa precipitada de coroar a Jesus como rei, ao que reagiu retirando-se para orar (v.14-15).

Veja que, neste momento, uma vasta multidão estava seguindo Jesus, pronta para engrandecê-lo pelos seus milagres. Em nossos dias, temos visto este paralelo. A ênfase da pregação está no resultado, no agora, num imediatismo perigoso que pode minar a fé. Esse caminho arriscado direciona o povo a viver uma fé em milagres (o que chamo fé na fé). Neste sentido, cabe a reflexão: qual o compromisso que as pessoas contempladas com milagres estabelecem com Deus?

Enquanto Jesus orava, os discípulos seguiram pelo Mar da Galiléia (também chamado de Tiberíades ou Lagoa de Genesaré) de volta à Cafarnaum. Neste caminho (v.16-21), uma forte tempestade sobreveio e sacudia a embarcação fortemente, ao que Jesus surge caminhando sobre a as águas colocando o caos em perfeita ordem (veja detalhes em Mt 14.22-36; Mc 6.45-56). Isso ainda nos faz lembrar do feito de Mc 4.35-41, quando sob forte tempestade Jesus dormia, e ao ser despertado cessou a tormenta. Espantados, os discípulos exclamaram:

Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem? Marcos 4:41b

Precisamos aprender um contexto muito mais profundo em tudo isso, pois muitos pregadores e leitores da Bíblia utilizam estes versículos para dizer que Jesus “acalma as tempestades da vida”, mas muito mais do que isso, Jesus é o criador de todas as coisas, e a natureza prostra-se ante seu poder e glória. Charles Hodge comenta sobre isso em sua Teologia Sistemática no tema “Seu controle sobre a natureza”:
Quando curava os enfermos, abria os olhos dos cegos, restaurava os coxos, ressuscitava os mortos, alimentava a milhares com uns poucos pães e acalmava a fúria do mar, fazia isso pela emissão de sua palavra, pelo simples exercício de sua vontade. E assim manifestou sua glória, dado aos que tinham olhos para ver visível demonstração de que ele era Deus na forma humana. [2]
Ele tem mais que domínio sobre as tempestades da vida, Jesus tem o domínio sobre tudo o que se criou, sobre todo o universo e o que nele há! Jesus é o Rei da Glória!

Jesus, o pão da vida

No dia seguinte (v.22), já na cidade de Cafarnaum, o que julgo ser o ápice do capítulo se inicia, quando Cristo atinge o ponto de máximo interesse, mostrando para toda aquela gente qual é o cerne do Evangelho:

Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou. João 6.29

O Senhor continua o discurso para aquele povo apresentando sua messianidade e esquadrinhando os propósitos do coração. O povo, sempre ávido por milagres, tenta mais uma vez coagir Jesus por sinais, mesmo após o Senhor ter se revelado como o pão da vida!

Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu? João 6:30
Sobre esta pergunta, cito D.A. Carson:
A pergunta no v. 30 revela a superficialidade do pensamento deles, pois de que novo sinal eles precisavam depois de ver uma multidão ser alimentada a partir de provisões insignificantes? A referência ao maná no deserto (31) fornece uma indicação de como funcionava a mente deles. Provavelmente eles pensavam que esta provisão era superior à que Jesus tinha proporcionado, em função da enorme quantidade de maná. O seu conceito de sinal parece ter-se limitado a uma reprodução da experiência dos israelitas no deserto. Isso era o mesmo que esperar que para impressioná-los, o Messias fizesse algo muito maior do que Moisés tinha feito. [3]
O povo estava convicto que o milagre do Maná no deserto representava um feito maior que Jesus, e além, achavam que o Maná era maior que Jesus, o Pão da Vida! Mais uma vez na história, o povo estava focado na quantidade, e não na relevância e qualidade do feito, agindo desta maneira, caíram no erro de minimizar a pessoa e obra de Cristo (v. 42-50). Ao que a Bíblia de Genebra comenta:
Ainda que tivessem visto o milagre da multiplicação de pães e peixes, não o reconheceram como um sinal que identificasse Jesus como o Messias. Foi meramente como uma oportunidade de refeição para eles.[4]
O Senhor afunila ainda mais o propósito de seu ensino, dando um verdadeiro tapa na cara do orgulho e auto-suficiência humana: o homem não pode encontrar Deus por seu próprio mérito e esforço próprio, e mesmo que isso venha a ferir as intenções mais sinceras de uma pessoa – e para glória de Deus – é Ele mesmo quem move o coração do homem ao caminho da graça (v.37).

Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. João 6:37
A Carne e o Sangue

Ao falar sobre comer a carne e beber o sangue do Filho do Homem (v.53), Jesus não está discursando em sentido literal. Jesus também não estava falando a respeito do sacramento da ceia (a última ceia sequer tinha ocorrido). Tal declaração aponta para a vida e obra de Cristo, para uma crença absoluta em tudo aquilo que o Mestre disse e fez, sua obra, seu ensino.

Resultado: uma pergunta que ecoa na eternidade

Uma vez que as palavras de Jesus são vivas, aquilo que Ele profetizou ecoa por toda a eternidade. Não somente naquela ocasião, como ainda em nossos dias, muitos são os que seguem Jesus com outras intenções e concluem que “o discurso é duro, quem o suporta?” (v. 60), estes estão petrificados no escândalo (v. 61). No entanto, no meio desta multidão estão os que Deus elegeu (v. 65), e para os que são de Deus, as palavras de Jesus são “espírito e vida” (v. 63).

O confronto das palavras do Senhor dispersou a multidão. No funil da circunstancia, Jesus chega-se aos seus alunos mais próximos, seus doze discípulos, e lança o ultimato:

Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? João 6:67

A resposta de Pedro ao liquidante confronto de Deus (um confronto necessário, duro, mas de inigualável graça e misericórdia), confessa quão pequena é a humanidade. Nada somos e nada podemos se não for nEle e por Ele. O problema do pecado está exposto e toda e qualquer auto-suficiência é caquética e doente. O desfecho está estampando a singularidade do Messias: o pão da vida providenciado pelo Pai.

Simão Pedro respondeu-lhe: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus. João 6.68-69 (Almeida século 21)

William Macdonald assim sintetiza esta resposta de Pedro:
Senhor, como podemos te deixar? Tu ensinas as doutrinas que conduzem à vida eterna. Se nós te deixarmos, não há mais ninguém a quem poderíamos seguir. Deixar-te seria selar nossa condenação. [5]
Quanto a mim, sou grato, infinitamente grato ao Senhor. Ele me olhou e mesmo morto no pecado (Ef 2.1,4-6), me trouxe vida (Jo 6.58), aprouve a Ele me escolher (Jo 6.44), me fazendo dEle (Jo 6.35-40).

O Mestre rejeitou uma “coroa” (Jo 6.15), mas não abdicou da cruz.

Somos dignos de seu amor? Não.

O nome disso? Graça, irresistível e incompreensível.

Solus Christus! Soli Deo gloria!

NOTAS:
[1] MacDONALD, William. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. Mundo Cristão. São Paulo, SP: 2008. p.264
[2] HODGE, Charles. Teologia Sistemática. Hagnos. São Paulo, SP: 2001. p. 376
[3] CARSON, D.A. Comentário Bíblico Vida Nova. Edições Vida Nova. São Paulo, SP: 2009. p. 1561-1562
[4] Bíblia de Estudo de Genebra. Cultura Cristã. São Paulo, SP: 1999. p. 1239
[5] MacDONALD, William. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. p. 271

 Fonte: Napec

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Amor ou obsessão denominacional?

 
Por Pr. Magdiel G Anselmo
 
Há uma linha tênue entre o amor e a obsessão pela denominação a que somos membros.
 
Alguns dentre nós parecem amar mais a denominação do que o próprio Deus. Parecem amar mais a forma da organização do que a própria Bíblia. Defendem com muito mais vigor a "sua igreja" do que propriamente as doutrinas bíblicas fundamentais. 
 
Esse "amor" desmedido pela denominação da qual fazem parte traz um orgulho, que sabemos, não é saudável. Temos que entender que a denominação não é infalível e muito menos perfeita. Seus métodos e sua forma de se organizar pode não ser a melhor ou a mais eficaz hoje como eram a tempos. Não temos que "fechar os olhos" para seus erros administrativos e metodológicos.
 
Em toda organização existem momentos de manutenção e acerto de direção em sua trajetória.
 
Temos sim que levar em conta que o aperfeiçoamento dos processos deve ocorrer, e em alguns casos, a mudança ou até o abandono de formas antigas pode ser inevitável e necessária para que haja alcance, abrangência e acima de tudo, edificação.
 
Isso não significa negligenciar ou desrespeitar a tradicão, mas sim, aprender com ela e quando necessário fazer dela o "trampolim" para novos procedimentos e novos dias.
 
O amor denominacional é compreensivo, mas tudo tem limite, não pode se tornar em obsessão cega.
 
Quando vivemos grande parte de nossa vida envolvidos com e em uma organização é comum adquirirmos por ela forte zelo e amor. Isso não é ruim, desde que direcionado corretamente.  Todo desequilíbrio traz problemas, inclusive nesse caso.
 
O amor pela "nossa igreja" não pode suplantar ou sobrepujar a reflexão e o discernimento do que é correto e do que é razoável.
 
O que é inquestionável e imutável devem ser sempre preservados como são o caso das Escrituras. As metodologias, formas e organizações que são criadas pelo homem devem sempre passar pelo crivo bíblico e, também pela prova do tempo e da sua eficiência em cada momento da história. Não é pecado aperfeiçoar ou mudar, desde que não incorramos em desrespeito ou infrinjamos os ensinamentos bíblicos já nos revelados.
 
Mas, lamentavelmente o que vêmos muitas vezes é que somente a possibilidade em mudar traz um perplexidade tamanha que parece que estamos a negar a nossa fé em Cristo. Modificar uma estrutura de muitos anos parece ser mais difícil que a transformação de vidas em Cristo. 
 
Inevitavelmente esse conceito conduz a arrogância e orgulho denominacionais. "A minha igreja é a melhor", "o nosso jeito é o melhor", afirmam soberbamente sem discernir se realmente isso é uma verdade atualmente, como se a forma, o jeito, o método, etc... estivesse ao mesmo nível ou até superior a própria Palavra de Deus, essa sim uma verdade em qualquer época ou contexto. Os limites para se adentrar na caracterização de uma seita quase são ultrapassados. Temos que fugir do exclusivismo e da tendência de pensar que somos os mais perfeitos dentre os mortais. A forma pode variar desde que não afete o conteúdo, a essência - isso é que devemos propagar e defender.
 
Aí então, percebemos que muitos defendem com mais energia a não mudança ou o aperfeiçoamento de métodos e formas já comprovadamente ineficazez do que a própria fé cristã como orienta a epístola de Judas.
 
O zelo tornou-se obsessão arrogante e o amor transformou-se em cegueira espiritual.
 
O orgulho denominacional tem crescido, principalmente nas igrejas mais antigas, tradicionais e históricas, e esse crescimento nada traz de bom a causa de Cristo ou a expansão da Igreja, mas tem alcançado também as novas e já percebemos os conflitos desnecessários que causam.
 
Mais reflexão bíblica e menos paixão denominacional, são aconselháveis em nosso contexto atual.
 
Nos desapegarmos de costumes e tradições denominacionais  que já não tem sentido ou necessidade é algo a se considerar para que cresçamos e façamos a diferença em nosso presente século. A idéia equivocada de que é pecado mudar procedimentos ou formas deve ser rejeitada e o aprimoramento de nossa atuação exige muitas vezes um replanejamento e direcionamento adequados e contextualizados.
 
O questionamento da postura de meros replicantes do passado é crucial. O cristão "papagaio de pirata" que somente repete sem avaliar, sem julgar o que lhe é ensinado ou imposto pelas organizações não tem mais espaço em uma Igreja que deseja aprender com seus erros e progredir em sua expansão. As questões secundárias (as que não dizem respeito ao texto bíblico) devem ser reavaliadas e provadas em seu funcionamento, operacionalidade e eficiência.
 
Não podemos e não devemos canonizar o que não é sagrado.
 
As desculpas de termos e seguirmos linhas teológicas variadas e de possuirmos histórias diferentes não justificam ou explicam os erros cometidos ou a ausência de reflexão sobre o assunto em questão. 
 
Pensemos urgentemente com seriedade sobre essas questões.

Fonte: A Verdade Bíblica

Ecumenismo, avanço ou uma ameaça à igreja?

 
Por Rev. Hernandes Dias Lopes

Está na moda o diálogo inter-religioso. Vivemos a época do inclusivismo, fruto da ideia pós-moderna, que não existe verdade absoluta. Muitos pastores, em nome do amor, sacrificam a verdade e caem nessa teia perigosa do ecumenismo. Precisamos afirmar que não existe unidade espiritual fora da verdade, assim como luz e trevas não podem coexistir. Não podemos ser um com aqueles que negam a salvação pela graça de Cristo Jesus. Não é um ato de amor deixar que aqueles que andam pelo caminho largo da condenação sigam "em paz" por esse caminho de morte. Esse falso amor tem cheiro de morte. Essa atitude de dar as mãos a todas as religiões, numa espécie de convivência harmoniosa, acreditando que toda religião é boa e leva a Deus é uma falácia. Toda religião é vã a não ser que pregue a Cristo, e este crucificado. Toda religião afasta o homem de Deus, a não ser que anuncie Jesus Cristo como o único caminho para Deus! Vamos deixar esse discurso falacioso de amor a todos, e vamos amar de verdade às pessoas, de todas as religiões, pregando a elas, com senso de urgência, o evangelho que exige arrependimento e fé e oferece vida eterna.

Obviamente, a união de todas as religiões e de todas as crenças não é um avanço, mas uma ameaça à igreja de Cristo. O que está por trás dessa tentativa de unir todas as crenças é a heresia de que toda religião é boa e todo o caminho leva a Deus. O ecumenismo, o diálogo inter-religioso e a fraternidade com todos os credos é um engano fatal. É um falso entendimento do que Jesus ensinou sobre a unidade espiritual da igreja. Não há unidade espiritual fora do evangelho de Cristo. O argumento de que Jesus acolheu publicanos e pecadores e por isso devemos receber todos os credos é uma falsa interpretação do texto bíblico. O amor não é um substituto da verdade. Todos são convidados a vir a Cristo, mas de todos é exigido arrependimento e fé.


É preciso alertar, ainda, que essa frouxidão doutrinária do liberalismo desemboca na relativização moral. O entendimento pós-moderno é que cada um tem sua própria verdade. A verdade deixou de ser objetiva para ser subjetiva. Com isso, assistimos, estarrecidos, não apenas um ataque aos valores morais, mas uma inversão dos valores morais. O profeta Isaías já havia denunciado essa atitude: "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!" (Is 5.20). É isso que estamos vendo na mídia todos os dias. Faz-se apologia do aborto, do adultério, do homossexualismo, da violência e da mentira. Porque uma ideia falsa foi plantada no passado, estamos fazendo uma colheita desditosa no presente. A igreja de Cristo precisa estar firme contra todas essas ondas de engano e permanecer inabalável no cumprimento de sua vocação de levar o evangelho a toda criatura, em todo o mundo.

O Vale da Sombra da Morte

 
Por Maurício Zágari

Parece nome de filme de terror: o Vale da Sombra da Morte. Que imagem horripilante. Mistura em apenas uma expressão três conceitos que metem medo: “Vale” fala de um lugar desprotegido, ladeado por altas e perigosas escarpas, onde é fácil ser vitima de um emboscada ou uma avalanche.”Sombra” nos lembra o medo mais primitivo do ser humano: o escuro, a falta de luz, frio, ausência de sol, impotência diante dos perigos que porventura estejam escondidos onde não conseguimos ver. “Morte” dispensa comentários. Então “Vale da Sombra da Morte” é um lugar pavoroso, de medo, falta de proteção, total impotência, calafrios, depressão, imprevisibilidade, terror. Você já passou por esse lugar? Não é um lugar físico, mas espiritual, emocional e psicológico. Em algum momento da vida, a esmagadora maioria das pessoas atravessará esse vale. E precisamos nos preparar para isso, embora ele sempre nos trague quando menos esperamos.

Uns entrarão em suas regiões mais profundas, outros nas menos; uns ficarão nele muito tempo, outros nem tanto. Você sabe que está nele quando acorda chorando, quando os dias correm rápido e você percebe que já chegou outra segunda-feira sem que o tempo pareça ter passado, quando nada parece fazer sentido, quando a tristeza é sua companheira mais frequente, quando você não enxerga razão para sair da cama, quando o céu azul é cinza aos teus olhos, quando viver torna-se comer e dormir – se o apetite não desaparece. Quando a morte passa a não ser tão assustadora assim.
Só que aí acontece algo extraordinário.

Deus nos revela, por meio do Salmo 23 do rei Davi, uma outra possibilidade. Ele mostra uma mão estendida por entre o desespero que, para quem está em pleno Vale da Sombra da Morte, parece impossível, apenas uma miragem à distância. Mas para quem está em Cristo, essa miragem na verdade não é uma ilusão, é um vislumbre real do que está na linha do horizonte. O que precisa ser feito para chegar até essa  realidade é dar um passo. Depois outro. Depois juntar todas as suas forças para dar um terceiro. Um quarto vem arrastado e aos soluços. O quinto vem com um gemido. No sexto os pés nem desgrudam do chão, tão pesados estão. O sétimo é automático, sem vontade, querendo cair ao solo e ali ficar. Do oitavo em diante só Deus sabe como você consegue ir em frente. Mas… quando você menos espera… superou um dia. Depois outro. Depois outro. Depois outro. Depois outro. Depois outro e… quando se dá conta, aquele longínquo horizonte está debaixo dos seus pés. Seus olhos embaçados pelas lágrimas, junto com o abatimento da sua alma, não deixaram você perceber que as escarpas sumiram. Você levanta a cabeça. E o Vale da Sombra da Morte não está mais ali. E onde você está? Que lugar é esse onde você chegou?

O Salmo 23 responde: pastos verdejantes. Junto das águas de descanso. O local onde sua alma encontra refrigério. As veredas da justiça. É quando você consegue inspirar fundo e dizer: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda“. E você percebe, então, que a cada dolorido passo daquela jornada de uma ponta a outra do Vale da Sombra da Morte o milagre da graça aconteceu. Você se dá conta de que a bondade e a misericórdia certamente te seguiram por todos os dias da sua vida. E não a bondade e a misericórdia de qualquer um, mas daquele que nos prometeu que estaria conosco todos os dias, até a consumação do século. Todos os dias. Mesmo nos dias em que você esteve envolto na escuridão, na solidão e no pavor pela incerteza do que vinha à frente.


Então as lembranças daquele período terrível se tornam aprendizado. As feridas dos meses de sofrimento da hora de acordar à de dormir passam a ser cicatrizes de lembranças que doem mas não sangram mais. Estranhos com quem você esbarrou no caminho e lhe deram copos d’água em meio à sequidão tornam-se a face do amor. Deitado, então, nos pastos verdejantes, você lembra-se de que, enquanto caminhava sem enxergar direito devido à escuridão pelo estreito Vale da Sombra da Morte, só conseguia vislumbrar um lugar iluminado: de um lado, escarpas. Do outro, mais escarpas. À frente e atrás, sombras. Mas… acima de sua cabeça, lá estava ele, sempre presente e concedendo esperança: o céu.

Embora seja o local mais arrasador e apavorante que existe nesta terra, o Vale da Sombra da Morte tem uma função para o Reino de Deus: quando você chega ao lugar de paz, se consegue jamais se esquecer daquela jornada sombria, fria, solitária e apavorante que ficou para trás, agarra-se com todas as suas forças a um desejo premente e inapagável:  habitar na Casa do Senhor para todo o sempre.

Se você está neste momento de sua vida atravessando o Vale da Sombra da Morte, meu irmão, minha irmã, saiba que ao final dele há pastos verdejantes, águas de descanso, refrigério, justiça. Não tema mal nenhum, porque Jesus está contigo. Essa é minha esperança. Essa precisa ser a esperança de todos nós.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício.

Fonte: Apenas

A Igreja Efeminada

 
Por Stephen Perks

Recentemente fui questionado se seria correto dizer que, na história do mundo, dinastias e civilizações inteiras de fato naufragaram na rocha da homossexualidade. Minha resposta foi que não deveríamos pôr as coisas desse modo. Claro, eu creio que a prática homossexual é imoral e proibida pela Lei de Deus. Todavia, em Romanos 1.21 – 32, Paulo põe dessa forma: deixaram de servir a Deus para servirem à criatura. Como uma consequência, Deus entregou-lhes às paixões impuras. Homossexualidade é julgamento de Deus sobre uma sociedade que abandonou a Deus e adora a criatura em vez do Criador. A apostasia espiritual é a rocha na qual as culturas, incluindo a nossa, foi fundada, e a homossexualidade é o julgamento de Deus sobre tal apostasia. Esta é a razão porque a homossexualidade era uma prática comum entre as antigas culturas pagãs; na verdade, é uma prática comum entre a maioria das culturas pagãs, incluindo a nossa crescente cultura neo-pagã. Em resumo, a ideia de que a tolerância da homossexualidade é um mal que conduzirá ao julgamento de Deus não é bíblica, pois coloca o carro na frente dos bois. É exatamente o contrário! A prevalência da homossexualidade em uma cultura é um sinal seguro de que Deus já tem executado ou está executando sua ira sobre a sociedade por sua apostasia. A causa deste julgamento não é a prática imoral da homossexualidade (apesar dos atos imorais homossexuais); mas sim, sua apostasia espiritual. A prevalência da homossexualidade é o efeito, não a causa da ira de Deus visitando aquela sociedade. E em uma sociedade cristã (ou talvez devesse dizer “pós-cristã”), isso significa, inevitavelmente, que a prevalência da homossexualidade na sociedade é julgamento de Deus sobre a igreja por sua apostasia, sua infidelidade para com Deus, porque o julgamento de Deus começa com a Casa de Deus (1Pe 4.17).

Esta, decerto, não é uma mensagem popular aos cristãos. É fácil levantar o dedo para os pecados e imoralidades grosseiros, mas a igreja está muito menos disposta a considerar seu papel nos males sociais que maculam nossa era. A apostasia espiritual que nos levou à presente condição começou na igreja, e grande parte do fracasso da sociedade moderna, que os cristãos corretamente lamentam pode, em alguma medida, ser atribuída a esta apostasia da igreja como a causa fundamental. E mesmo agora a igreja recusa-se a assumir sua responsabilidade para preservar a sociedade deste mal tão sério, tendo abdicado de seu papel profético como porta-voz de Deus para a Nação.

Claro, isto não quer dizer que não deveríamos desafiar o lobby gay e não trabalharmos para estabelecer uma moralidade bíblica em nossa sociedade. Nós devemos. Mas, também devemos escolher as prioridades corretas; e eu temo que a igreja tenha um diagnóstico equivocado destes problemas e tenha escolhido errado as suas prioridades. A Igreja sofre com o flagelo homossexual, tanto quando, e talvez mais, do que qualquer outro setor da sociedade (com exceção da mídia e do mundo do entretenimento). Para maior parte deste século, a igreja tem procurado um deus feminino para substituir o Deus da Bíblia. Nós tivemos ministros que ensinaram, agiram e pregaram como mulheres há muitos anos. O Ministério Pastoral de nossa geração é, no geral, caracterizado pela feminilização. O crescente número de homossexuais no ministério é, penso, simultaneamente uma causa e efeito relacionados a isto e, ao mesmo tempo, uma manifestação do julgamento de Deus sobre a igreja. Muitas vezes, é claro, o julgamento funciona numa relação de causa e efeito, porque toda criação é obra de Deus; portanto, ela funcionada de acordo com Seu plano e vontade. A igreja tem se tornado completamente efeminada por causa de um clero efeminado. O Ministério hoje é dirigido primariamente por mulheres, e ministros têm começado a pensar e agir como mulheres, porque o Cristianismo tem se tornado naquilo que é chamado de “religião salva-vidas” – mulheres e crianças primeiros. E o mundo vê isso bem adequadamente.

Por exemplo, foi-me dito em mais de uma ocasião por pastores e presbíteros que, quando eles visitam os membros de suas igrejas, se porventura o homem da casa vem recebê-los à porta, frequentemente a primeira coisa que este homem diz é: vou buscar a esposa. Pastores e Presbíteros estão ali para mimar as mulheres e as crianças; ou então, como pensa o mundo, isto é simplesmente porque o ministério na igreja é frequentemente dirigido principalmente às mulheres e crianças, e não aos homens. Tenho observado o mesmo tipo de coisa em reuniões das igrejas. Se alguém levanta uma questão doutrinária ou mesmo assuntos sérios sobre a missão da igreja, o interesse é quase nulo. No entanto, frequentemente tem havido, e continua havendo, enormes problemas doutrinários e problemas relacionados ao entendimento da igreja de sua missão no mundo, incomodando essas igrejas; apesar disso, estas igrejas nem mesmo consideraram que isso merece discussões nas reuniões de liderança da igreja. Os líderes da Igreja falarão de maneira interminável sobre “relacionamentos” e afins, mas evitarão questões doutrinárias [como evitam] a praga porque estes assuntos são considerados causas de divisão e que dificultam os “relacionamentos”.

Agora, no fundo eu creio que isto é um sério problema criado pela feminização da liderança da igreja. A agenda da liderança, que é uma agenda masculina, foi substituída por uma agenda feminina, que é um desastre para liderança. A igreja tem abandonado o Deus das Escrituras pelo conforto de uma divindade do tipo feminino que não requer líderes eclesiásticos que exponham doutrinas bíblicas ou ajam com convicção de acordo coma Palavra de Deus (ambos são percebidos, muitas vezes com razão, como causador de divisão – Mt 10. 34ss); mas, em vez disso, exige líderes simplesmente para mãe de suas congregações de uma forma feminina. Isso, naturalmente, produz ministros efeminados e uma igreja efeminada. Mas, isto não é simplesmente uma causa e efeito impessoal relacionadas. Deus age através de causas secundárias em sua Criação para executar sua vontade. Um ministério efeminado e uma igreja efeminada são a resposta de Deus para a determinação de a igreja substituir o Deus da Escritura por um deus do sexo feminino; e esta cruzada contra o Deus da Bíblia tem sido em sua própria maneira, uma característica do evangelicalismo, como abertamente tem sido a característica do liberalismo que os evangélicos dizem abominar, mas ainda assim, estão dispostos a imitar.

Este não é um problema apenas agora na igreja, mas porque está na igreja, a sociedade em geral é agora feminizada e efeminada. Somos governados por mulheres e homens que pensam e agem como mulheres. Mas, as mulheres não fazem bons governos em geral. Em Margaret Thatcher tivemos uma situação inversa: uma mulher que pensava mais como um homem deve pensar, mas a exceção não anula a regra. Eu não estou discutindo um ponto político aqui, nem endossando qualquer posição [política]; até porque eu acredito que isto tudo é parte da situação em julgamento. O mundo está de cabeça para baixo, porque os homens viraram de cabeça para baixo por sua rebelião contra Deus. Jean-Marc Berthoud frisou bem este ponto em seu artigo “Humanism: Trust in Man – Ruin of the Nations”, o qual eu recomendo em relação a este tópico. Agora somos governados por mulheres e crianças (Is 3.4, 12)

Mas, a Liderança não é feminina. Líderes Efeminados não governam bem, seja o Estado, seja a Igreja. É vital que a Justiça seja temperada com Misericórdia. Mas alguém não pode temperar a Misericórdia com a Justiça. Quando a misericórdia é colocada antes da justiça, as sociedades sofrem colapsos nas situações idiotas que temos hoje, onde os criminosos são libertos e as pessoas inocentes são condenadas. Por exemplo, as punições infligidas aos motoristas por inadvertidamente dirigirem um pouco acima do limite da velocidade hoje, mesmo onde não há perigo envolvido, são muitas vezes mais graves do que os castigos infligidos aos ladrões. E hoje um pai pode ser punido por bater em um filho travesso – mesmo que tal castigo seja realizado num ambiente de amor e disciplina e não haja perigo para criança – mas ainda assim, alguém pode, com impunidade, assassinar os filhos ainda não nascidos. O Estado ainda paga por esses abortos, fornecendo-lhes o Sistema Único de Saúde.

Creio que isto é o resultado final da feminização de nossa cultura. Pensa-se, frequentemente, que a liderança feminina é mais compassiva, mais carinhosa. Isto é um mito que a ideologia feminista tem trabalhado nas percepções populares da realidade em nossa cultura. Pelo contrário, a cultura feminista é uma cultura violenta, uma cultura que produz o aborto e ao mesmo tempo exige que se extinga as coisas tipicamente masculinas. Uma situação mais perversa é difícil de se imaginar. Em última análise, o feminismo é, na prática, inerentemente violento, intrinsecamente instável, intrinsecamente perverso, inerentemente injusto, porque ele é todas essas coisas em princípio, a saber, a rejeição da ordem criada por Deus; e as consequências de um compromisso religioso sempre se desenvolverão na prática. O Feminismo está, agora, desenvolvendo as consequências práticas de sua visão religiosa da sociedade (e isto é sua religião).

As igrejas têm falhado em ver isso. Elas têm abraçado o feminismo vigorosamente, e como consequência, se tornaram uma importante avenida pela qual o Feminismo tem sido capaz de influenciar nossa cultura. O clero estava envolvido na feminização da fé e da igreja bem antes do Movimento Feminista tivesse se tornado consciente na percepção popular. E a feminização de nossa cultura é um dos principais motivos para sua anarquia e violência. Por exemplo, o resultado da feminização da sociedade tem sido a de que os homens perderam o seu papel em muitos aspectos. O feminismo tem definido homens em nada mais do que briguentos ou efeminados. Na perspectiva feminista, estas são as duas alternativas para os Homens, embora isso não possa ser entendido por muitas feministas; talvez normalmente não seja, porque o Feminismo é ingênuo e não opera com base na razão, mas na emoção; e estas coisas trazem-nos novamente ao problema da liderança e governos femininos. Emoções não lideram ou governam bem. Para as Feministas, os homens são governantes incapazes; as mulheres devem governar.

Agora nós temos o governo de mulheres e homens efeminados. O efeito de colocar as virtudes femininas no lugar das virtudes masculinas, e as virtudes masculinas no lugar das virtudes femininas tem sido a de subverter a ordem criada. Como resultado, a justiça é desprezada e a misericórdia é transformada e colocada em seu lugar. A Liderança é masculina, mas é preciso temperá-la com as virtudes feministas. Quando as virtudes feministas estão na liderança, as virtudes masculinas não podem funcionar; a masculinidade é feita desnecessária. Isto é um dos problemas mais sérios da nossa sociedade. O Feminismo tornou a liderança masculina na igreja e da nação obseleta e, agora, estamos colhendo as consequências espirituais e sociais disto. A Justiça é uma vítima! A misericórdia cessa de ser misericórdia e torna-se indulgência dos piores vícios. Violência, anarquia, desordem e uma sociedade disfuncional são o legado da Feminização de nossa Sociedade, porque neste sentido, nem as virtudes masculinas, nem as femininas podem desempenhar apropriadamente seu papel. O mundo é posto de ponta cabeça. Até mesmo as igrejas “crentes na Bíblia” são anestesiadas na sua apostasia em relação a este e muitos outros assuntos em nossa sociedade. Temos uma igreja efeminada, e uma sociedade efeminada e, portanto, a resposta de Deus tem sido um ministério cada vez mais homossexual e uma crescente sociedade homossexual. Este é o justo julgamento de Deus sobre nossa apostasia espiritual.

A resposta é o arrependimento, voltar-se para Deus e abandonar nosso caminho de rebelião contra a ordem divina da Criação. A igreja deve começar isto. O julgamento começa com a igreja (1Pe 4.17) e o arrependimento também. Eu não creio que resolveremos o problema homossexual até reconhecermos sua causa. É o julgamento de Deus sobre a apostasia da Nação. Liderando o caminho para esta apostasia estava a igreja.

O que tenho dito acima não significa minimizar a seriedade do problema homossexual, nem sua imoralidade. Mas devemos reconhecer isto como uma manifestação do julgamento de Deus, como Paulo tão claramente ensina em Romanos, capítulo um. A resposta está em combater as causas, enquanto não deixamos de fazer as outras coisas. O que eu disse aqui não significa promover uma diminuição da oposição cristã aos direitos homossexuais por qualquer meio; mas significa encorajar a uma maior leitura do problema, porque é nesta vasta leitura do problema que detectamos a causa e esperamos a solução para o problema.

Além disso, este assunto não um assunto isolado. É parte inseparável da re-paganização de nossa sociedade, uma tendência de que a igreja, em grande medida, não apenas tem tolerado, mas por vezes, estimulado, por sua percepção míope de fé e sua negação prática de sua relevância para toda a vida do homem, incluindo seus relacionamentos e responsabilidades. Enquanto a crítica é necessária e vital na tarefa profética da igreja de levar a Palavra de Deus para influenciar nossa sociedade, ela não é o bastante. Em vez disso, a igreja também deve jogar fora o seu próprio consentimento na prática do humanismo secular e praticar o pacto da vida da comunidade redimida no momento que ela tenha qualquer efeito sobre nossa cultura. Portanto, o julgamento continuará ininterruptamente até a igreja mais uma vez começar a viver para fora, bem como falando a palavra de vida para sociedade em sua volta. Somente então quando ela começar a manifestar o reino de Deus; e apenas quando a igreja começar a manifestar o reino de Deus novamente, nossa sociedade começará a ser liberta do julgamento de Deus.

Fonte: Monergismo

Palavras sequestradas! Quem define a liberdade?



Por Josemar Bessa

Uma das palavras mais amadas pelo ser humano é “LIBERDADE”. Soa bem aos nossos ouvidos. Nossa cultura ama se achar livre.

Todos os comerciais que vemos na televisão, cinema, na rede mundial de computadores... na compra de automóveis, imóveis, eletrônicos, a companhia aérea que voaremos, o destino turístico... apelam dizendo que todas essas experiências fazem e farão de você “livre”.

Todos os hinos das nações são canções de “liberdade”... somos um povo livre... Todos sabem usar a palavra mágica “liberdade” como um encantamento mágico nos ouvidos humanos, políticos, empresários, publicitários, vendedores, líderes militares... “liberdade” logo atrai o interesse. Poucas palavras são tão usadas para situações tão diferentes e carregam com elas tanto peso para nossa sociedade.

A palavra também é encontrada em toda a Escritura e a tradição cristã: "a verdade vos libertará" (João 8:32) e "...para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gal. 5:1). A liberdade não é apenas um tema americano ou humanitário, é também um tema do evangelho.

Infelizmente, duas idéias muito diferentes de liberdade se confundem na mente de muitas pessoas. A idéia bíblica de liberdade é diferente, mas facilmente confundido com o valor cultural de mesmo nome. E nenhum deles é o mesmo que "o livre-arbítrio." Ela pode ser confusa para o cristão comum que quer saber o que a  "verdadeira liberdade" é. É ter escolhas? É falta de coerção e restrição? É ser capaz de fazer o que quiser? Em que sentido é que Cristo nos libertou, e como é que diferente das  promessas e sonhos dos shoppings, Tv, cinema...

No coração do evangelho cristão é a verdade estranho que a verdadeira liberdade só é encontrada em desistir de tudo que a cultura secular apregoa como liberdade.

O grande pai da igreja Agostinho ensinou que a verdadeira liberdade não é uma escolha ou falta de restrição, mas poder ser o que você está destinado a ser. Ao quê fomos destinados a ser? Para que fomos criados? Em nenhum lugar a Bíblia afirma a liberdade humana, pelo contrário: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.” João 8:34 – Isso é repetido na bíblia quase ad infinitum. Paulo diz muitas vezes como Cristo, “...porque, quando éreis servos do pecado” (Romanos 6.20) – Por isso tantas vezes vemos a expressão a “liberdade do evangelho”. Isso é ofensivo ao orgulho humano – quando mais digno um ser se ache, mas ofendido fica com a afirmação de sua escravidão. Os judeus religiosos ao ouvirem Cristo dizer que eram escravos, se enfureceram ( Mesmo muitos que se dizem cristãos, se apegam até a medula a ideia da liberdade humana), mas com isso estão ecoando uma cultura escravizada que se acha livre, quando cada ação sua mostra sua escravidão.

“Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado...Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” - João 8:33-36

Para sermos livres, como disse Agostinho, devemos ter algumas coisas:

1) Se você não tem o desejo de fazer uma coisa, você não está totalmente livre para fazê-lo. Oh, você pode reunir a força de vontade para fazer o que você não quer fazer, mas ninguém chama isso de plena liberdade. Não é a maneira que nós queremos viver. Há um constrangimento e pressão sobre nós que não queremos.

2) E se você tem o desejo de fazer alguma coisa, mas não a capacidade de fazê-lo, você não é livre para fazê-lo.

3) E se você tem o desejo e a capacidade de fazer algo, mas não tem oportunidade de fazê-lo, você não é livre para fazê-lo.

4) E se você tem o desejo de fazer alguma coisa, e a capacidade de fazê-lo, bem como a oportunidade de fazê-lo, mas ele destrói você, no final, você não está totalmente livre não é livre de fato.

Para ser totalmente livre, devemos ter o desejo, a capacidade e a oportunidade de fazer o que nos fará felizes para sempre. Sem arrependimentos. E só Jesus, o Filho de Deus que morreu e ressuscitou por nós, pode tornar isso possível. Se o Filho vos libertar, sereis realmente livres.

Um trem só é livre, desde que ele permanece sobre os seus trilhos, um trem que saia dos trilhos é "livre" dos trilhos, mas não é livre no sentido mais importante da palavra. É uma destruição, uma destruição foi libertada, e agora não pode ir a qualquer lugar. "livre", mas não verdadeiramente livre.

Jesus diz que todo mundo é  escravo do pecado. Isto significa que o pecado não é apenas um ato mau, mas um poder em nossos corações que nos faz voltar e voltar aos atos escravizantes. Nós pecamos porque somos pecadores.

Portanto, a nossa escravidão é a escravidão a este poder dentro de nós. Pode haver “tipos de liberdade” que possamos imaginar ter por nós mesmos, mas não é real, faz parte da ilusão da escravidão do pecado no coração. Esse é o ponto de Jesus. A escravidão é muito profunda. E todos os homens nascem assim. O homem não pode decidir ser livre, não pode dar passos em direção a liberdade... senão não seria escravo. Somente Jesus pode nos libertar. Então ele diz no verso 36: "Então, se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."

Os seres humanos foram criados à imagem de Deus. Liberdade verdadeira, então, não é encontrada no afastamento dessa imagem. Quanto mais Deus soberanamente transforma um homem na imagem de Cristo, mas livre ele se torna, quando mais longe dela, maior a escravidão.

De uma perspectiva cristã, de uma perspectiva bíblica, liberdade paradoxalmente é um tipo de escravidão. “Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos (Doulos (δολος) - escravos) de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.” Romanos 6:22

A “liberdade” da cultura a nossa volta é o perfeito controle do poder escravizante do pecado: “Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo.” 2 Pedro 2:19

É como um homem em queda livre de um prédio de muitos andares. Parece “livre”, mas está preso pela gravidade que determina um fim terrível para ele. O vento no rosto, a sensação de liberdade..., se ele não se dá conta do que está acontecendo, pode fazê-lo se sentir “feliz e livre” – mas isso irá inexoravelmente matá-lo e não há NADA que possa fazer contra a lei da gravidade. Mesmo que ele não saiba ainda, está num cativeiro de destruição. Parece livre, pois parece que nada o prende. Mas logo a ilusão de liberdade irá mostrar as correntes da destruição inevitável. Logo toda “liberdade” se mostrará ilusão. Em segundo estará morto.

Não existe pára-quedas feito pelo homem para tal coisa. Se soberanamente não houver um Salvador, a inexorável atração gravitacional mortal da escravidão do pecado fará seu trabalho completo.

O homem não é livre.  O que gostamos e orgulhosamente nossa cultura chama de “livre-arbítrio” é tão somente a expressão das correntes de uma natureza completamente caída e escravizada. Mas para você, quem define liberdade, Deus ou a cultura?

Fonte: Josemar Bessa

sábado, 20 de outubro de 2012

Não acredito em templos

Por Pablo Massolar

Uma vez perguntaram a Jesus onde era o lugar correto para se adorar a Deus. Quem fez essa pergunta foi uma mulher, samaritana, que não pertencia à "religião oficial" da época. Os judeus consideravam os samaritanos idólatras e impuros. Ela tão pouco teria, aos olhos dos moralistas, uma vida "santa" e "irrepreensível" para se aproximar e fazer tal questionamento ao Senhor, pois se tratava de uma mulher que já havia passado por cinco casamentos e o atual marido, bem... não era de fato marido dela. Um escândalo até mesmo para os discípulos de Jesus que achavam inapropriada aquela conversa.

A resposta de Jesus foi simples: sugerindo não se tratar do lugar físico/geográfico. A adoração a Deus deve ser pessoal, interior, espiritual e sincera.


A primeira coisa que salta aos olhos de quem lê o relato completo do Novo Testamento é que Jesus quebra muitos paradigmas, a começar por tirar da religião e do templo a exclusividade da mediação e do relacionamento com Deus. Nossa oração e adoração não dependem de um altar construído para serem ouvidas. O altar, o templo, o lugar de culto é o próprio coração.


A segunda coisa é que, diferentemente da tendência da religião de dizer quem é puro ou não, quem é mais especial, Deus não nos avalia por questões meramente morais ou sociais. Foi Jesus mesmo quem disse que prostitutas e corruptos poderiam ser mais dignos de entrar no Reino de Deus do que alguns que se consideram exclusivamente santos, mas vivem de forma hipócrita (Mateus 21.31).


O encontro com Deus é transformador, sim. E radical. Mas nem por isso acontece somente nos ambientes ou dias santificados pela igreja ou pelas religiões dos homens. Particularmente não acredito em templos ou em religiões como lugares e entidades sagrados em si mesmos. Acredito no Deus que não cabe dentro das religiões, não é totalmente explicado pela razão humana, ri dos tratados teológicos, não se detém nos limites impostos pelas tradições vazias. Ele conversa com ateus, pagãos e também faz amizade com quem é considerado "afastado de Deus". Deus é maior do que a própria Bíblia ou qualquer outro livro sagrado. Livros são confissões humanas, limitados, mas a Palavra de Deus é eterna e pode ser escrita até mesmo nos corações de quem não sabe ler, de quem não tem acesso ao papel.


O Deus apresentado por (e em) Jesus é o Deus que ama até as últimas consequências, que entende a aflição humana, se comunica multiformemente, que se compadece ao invés de condenar. É o Deus que tem mais prazer na reconciliação do que na condenação e não leva em conta o tempo da ignorância.


"Misericórdia quero" é o que Deus grita enquanto a religião vocifera "morte aos impuros".


Vejo uma multidão esquecida, adoecendo nos arredores da igreja. É gente que não encontrou abrigo, não foi acolhida, foi expulsa e considerada "fora dos padrões". Muitas vezes projetamos no outro o santo que não conseguimos ser e dizemos "enquanto você não se tornar como um de nós, não será aceito em nosso meio". Muitos, a partir desse ponto, decidem viver uma vida apenas de aparências, sem transformação real, simplesmente para serem "aceitos".


Nos esquecemos que quem santifica e transforma é Deus e não nossas imposições, arrogâncias e externalidades. É a caminhada, o dia a dia, que vai nos tratando, curando, limpando as feridas, trabalhando e completando a obra de Deus em nós. Não é no tempo que queremos, mas na compreensão e confiança de que quem opera tanto o querer como o realizar é Deus.


Neste sentido, até mesmo numa conversa de mesa de bar, Deus pode operar com graça, curar e inflamar corações cansados e sobrecarregados. Por que não? Os religiosos de hoje torcerão o nariz da mesma forma como fizeram os fariseus do tempo de Jesus, quando o acusaram de andar com pecadores. Mas Deus trabalha sem se importar com o que falam. Enquanto uns ordenam, outros decretam e outros ainda profetizam suas impressões puramente carnais e humanas, o Senhor vai dando vista aos cegos e ouvidos aos surdos que estão fora dos domínios dos templos.


Nenhuma religião é dona de Deus. Nenhum sacerdote é detentor exclusivo da voz de Deus. Nada que não se pareça com o amor ou com o espírito de Jesus pode ser chamado de Evangelho ou Bíblico, ainda que dito e ordenado pelas grandes instituições religiosas. Pense nisso!

Fonte: Ovelha Magra