terça-feira, 2 de março de 2010

Dez acusações contra a igreja moderna 7



Por Paul Washer

Sétima Acusação: Uma Ignorância com relação à natureza da Igreja..

Deus tem apenas uma instituição religiosa. É a Igreja. E o nosso objetivo e resultado final do avivamento será o plantio de Igrejas bíblicas. Eu tenho um grande medo de que a Igreja local hoje seja desprezada. Diga a alguém que você é um pregador itinerante, que você tem um ministério mundial e todos se curvarão. Diga a alguém que você é um pastor de grupo de 30 e farão com que você se sente no fundo durante a conferência.

Ele não é o príncipe dos pregadores itinerantes, ele é o príncipe dos pastores.

Muitos anos atrás, Bill Clinton tinha um slogan durante a eleição. "É a economia, estúpido". Meu pastor, Jeff Noblett, um dos presbíteros em nossa Igreja, o principal pastor e pregador, me disse um dia: "Você sabe, eu gostaria de ter um monte de camisetas feitas".

"O que elas diriam, irmão Jeff?"

"É a Igreja, estúpido".

Jesus deu Sua vida pela Igreja, uma linda virgem, a igreja primitiva. Se você quer dar sua vida por algo no ministério, dê à Igreja, a uma Igreja, a um corpo de crentes, a uma congregação local. Isto é a Igreja.

Agora deixe me dizer algo sobre a Igreja. Quero que vocês ouçam bem. Não existe um remanescente de crentes na Igreja. Todos nós sabemos sobre a Teologia Remanescente, você sabe que através de todo o curso de Israel, havia Israel, o povo de Deus e um remanescente de verdadeiros crentes. Este não é o caso da Igreja. Não há um remanescente de crentes ou um pequeno grupo de crentes dentro de um grande grupo chamado Igreja. A igreja é o remanescente.

E eu quero dizer isso: Se pastores chegaram próximos de blasfemar, é com relação a isso. Eu ouço teólogos, professores itinerantes, pastores, uns e outros dizendo esse tipo de coisa: "Há tanto pecado dentro da Igreja quanto fora dela. Há tanto divórcio na Igreja quanto fora dela. Há tanta imoralidade e pornografia na Igreja quanto fora dela." E então pregadores dizem: "Sim, a Igreja está agindo como uma prostituta".

Eu quero que você saiba disso: Você deve ter muito cuidado ao chamar a noiva de Jesus Cristo de prostituta.

Eu vou lhe dizer qual é o problema. Pastores e pregadores não sabem o que é a Igreja. Eu quero que você saiba que a Igreja de Jesus Cristo na América hoje é linda. Ela é frágil, às vezes . Ela é fraca. Ela é esbofeteada. Ela não é perfeita, mas eu quero que você saiba que ela é quebrantada. Ela está andando humildemente com seu Deus. O seu problema é que você não sabe o que é a Igreja.

Hoje por causa da falta pregação bíblica a tão chamada Igreja está cheia de pessoas carnais e ímpias que se identificam com o Cristianismo. E então por causa dos bodes no meio das ovelhas, as ovelhas estão sendo acusadas de todas as coisas que os bodes estão fazendo e o nome de Deus está sendo blasfemado entre os Gentios por causa de nós (Romanos 2:24).

Vocês já leram... Vamos apenas... Eu sei que já estamos passando do horário, mas apenas vá rapidamente comigo, rapidamente. Eu quero te mostrar algo. Vá até Jeremias 31, obrigado. Verso 31 de Jeremias 31.

“Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá.”


Agora eu não quero tirar nada do povo chamado Israel, mas este texto é também aplicado a Igreja. Entenda isto. Eu não quero entrar em batalhas na escatologia, mas na Bíblia, no Novo Testamento, o livro de Hebreus é aplicado ao povo de Deus.

“Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito.”

Eu ouço pregadores dizendo todo o tempo: "Bem, quando você olha para trás e vê Israel, você vê um monte de ímpios e idólatras. E no meio deles havia um pequeno remanescente de verdadeiros crentes." Isso é verdade, mas não aplique isso à Igreja do Novo Testamento por que Ele diz: “Eu irei fazer algo diferente, não como a aliança que Eu fiz com os pais deles no dia em que Eu os tirei com minha mão para trazê-los da terra do Egito, Minha aliança que eles quebraram, embora Eu tenha sido um marido para eles, declara o Senhor. Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois destes dias”, declara o Senhor, “Eu colocarei Minha Lei dentro deles.”

Ele não apenas lhe deu, se você é convertido, Ele não apenas lhe deu a Lei numa tábua de pedra. Ele tem sobrenaturalmente, através da doutrina da regeneração, escrito estas Leis no seu coração. E porque Ele fez isso, “Eu serei seu Deus, e eles serão Meu povo".

E veja o que diz: “Não ensinarás cada um a seu próximo, nem cada um seu irmão, dizendo: ‘Conhece ao Senhor’. Porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei”. [Jr 31:34]

Novamente, a doutrina da regeneração, Deus está fazendo algo novo nestes últimos 2000 anos. Nós não temos muitas igrejas na América. Temos um monte de prédios de tijolos realmente bonitos com gramados finamente podados.

Só porque alguns dizem que são da igreja ou que são cristãos, isso não quer dizer que realmente sejam. Veja o que diz. Eles não terão que ensinar um ao outro.

Isso não quer dizer que não haverá pastores e mestres, mas haverá um proeminente conhecimento de Deus entre eles, particularmente com relação aos seus pecados terem sido perdoados.

Veja rapidamente o capítulo 32 verso 38. “Eles serão Meu povo e eu serei seu Deus.” Ele não diz: “Eu espero que sim, talvez, se eu der sorte, ah, se eu conseguir evangelistas suficientes para trabalhar para mim, talvez isso tudo dê certo.”

Ele diz: “Eu vou trazer um povo a mim, um povo pelo qual entregarei meu Filho.” E ele diz: “Eles serão Meu povo e eu serei seu Deus”.

Veja isso: “Eu lhes darei um coração e só caminho.”

Agora, não fique bravo comigo, mais do que você já está pelo menos. Mas me ouça. Nos anos 70 e 80 e todas as marchas para Jesus, todos lamentando e chorando: “A igreja está tão dividida. A igreja não é uma.”

Meu querido amigo. Deixe-me lhe dizer algo. Se a igreja não é uma, então há uma oração que Deus o Pai não respondeu para seu Filho. E essa promessa da Nova Aliança falhou.

Então eu quero redirecionar você um pouco. Eu quero lhe submeter que a Igreja é uma. Ela sempre foi uma.

Você já se sentou num avião ou talvez encontrou alguém que você não conhecia num supermercado e você sendo Batista ou Menonita, ou qualquer coisa, mas verdadeiramente evangélico, verdadeiramente cristão, você fala com ele não mais que poucos minutos e você descobre: “Ele é um crente. E um que está vivo.”

E naquele momento você daria sua vida por ele. Você daria sua vida por ele.

Eu me lembro uma vez nós estávamos no Departamento Amazonas no Peru e foi no tempo do Sandero Luminoso e estava acontecendo uma guerra civil lá. Nós viajamos 22 horas num caminhão que carregava grãos sob uma lona preta e mais ou menos meia-noite nós tiramos a lona, o caminhão parou e nós pulamos na selva. Nós passamos a noite bem na margem da selva e fizemos caminho para certo lugar. Na metade do caminho nós nos perdemos na escuridão no dia seguinte, então nós estávamos orando, eu meu querido amigo Paco, estávamos orando: “Ó, Deus, nos dê alguma direção. Estamos perdidos. Se formos encontrados aqui os terroristas dominam este lugar. Nem os militares entrariam aqui.” Nós clamamos: “Ó, Deus, nos dê uma direção. Ajude-nos.”

Nós ouvimos um sino. E então ouvimos alguém falando. No começo achamos que era uma conversa estranha. Então percebemos que era um garotinho vindo do campo com seu burro e ele estava falando com seu burro. Então ficamos atrás dele e o seguimos. Então ficamos na extremidade da cidade, num pequeno vilarejo, cabanas, casas de tijolos e eu disse: “Paco, você sabe que se os terroristas forem os donos disso, nós estamos mortos.”

“Sim, mas nós chegamos a algum lugar”.

Então nós descemos, fomos até um homem que estava bêbado no escuro e dissemos: ”Há irmãos aqui?” Porque todo mundo sabe o que isso significa nas montanhas. Significa um cristão verdadeiro.

Então ele disse: “Aquela senhora bem ali.”

Então eu fui até lá. Era uma velha mulher Nazarena e eu bati na porta. Eu disse: “Sou um pastor evangélico. Por favor, me ajude.”

Aquela senhora saiu com uma lanterna. Ela me agarrou. Puxou-me para dentro. Ela agarrou Paco e nos levou para baixo. Sua casa ficava em um tipo de precipício no meio da lama, e nos levou para o porão onde havia algum feno e galinhas e outras coisas, e ela nos fez sentar lá e ela acendeu uma lâmpada e então um garotinho veio, ela o chamou e disse: “Vá chamar os outros irmãos”. Ele começaram a trazer galinhas, e yucca e tudo mais, arriscando suas vidas. Por quê? Porque somos um.

Pare de dizer todas estas tolices que você está dizendo, que o corpo de Cristo está dividido e que é uma bagunça e está cheio de pecado. Eu não falaria da noiva de Cristo dessa maneira se eu fosse você.

O que você tem é um monte de bodes e joio no meio das ovelhas. E porque muito pouca disciplina bíblica e compassiva é praticada na Igreja, eles vivem entre as ovelhas, eles se alimentam dessas ovelhas e as destroem, e aqueles dentre vocês que são líderes na Igreja vão pagar um alto preço quando você estiver diante Daquele que as ama, porque você não teve coragem suficiente para se levantar e confrontar o ímpio.

A propósito, me escute. O cenário médio na América do Norte no que diz respeito às igrejas em geral, as igrejas são democracias. E eu não quero entrar nos prós e contras disso. Mas eis o que acontece: Por a pregação do evangelho ser tão baixa, a igreja é, basicamente a maioria, carnal, cheia de pessoas perdidas. E por ser uma democracia, eles em geral, são os que governam a direção da igreja. E por o pastor não querer perder o grande número de pessoas e por ele ter idéias erradas quanto evangelismo e verdadeira conversão, ele atende aos ímpios em sua igreja e seu pequeno grupo de verdadeiras ovelhas que pertencem a Jesus Cristo está sentado no meio de todo o teatro, no meio de todo o mundanismo, no meio todo o entretenimento que está acontecendo, “Nós queremos apenas adorar Jesus e queremos apenas que alguém nos ensine a Bíblia”. E pastores vão pagar por isso.

Isto é verdade. Isto é verdade.

Você está dizendo: “Ah, você está apenas nervoso.”

Meus queridos amigos, você sabem o quanto me custa dizer isso? Isto é verdade. Tentando manter juntos um bando de ímpios enquanto um pequeno rebanho no meio deles está morrendo de fome e fazendo com que eles vão na direção que eles não querem ir com a maioria dos carnais.

Escute-me. Se a minha esposa estivesse no Walmart tarde da noite e você estivesse passando por lá, e você tivesse visto dois homens que estavam abusando dela, três, quatro, cinco, os homens estivessem abusando dela e machucando-a e você abaixasse a cabeça em nome da auto-preservação e você passasse de lado, eu quero te dizer algo, meu amigo. Eu não vou apenas atrás daqueles 10 homens, eu vou atrás de você também.

É a noiva de Cristo e ela é preciosa para Ele. Vai custar-lhe servir Jesus. Poderá custar-lhe sua igreja, sua reputação e sua denominação, absolutamente tudo. Mas a noiva de Jesus Cristo é digna disso.

Veja o que diz. Eu amo isso. Veja, 39: “E lhes darei um mesmo coração, e um só caminho.” (Jeremias 32:39). E o que é esse caminho? É Cristo e é santidade.

Todo verdadeiro crente que eu já encontrei falou muito de Cristo e tinha um desejo de ser mais santos do que já eram, mais conformados a Cristo. E veja: “E lhes darei um mesmo coração, e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem, e o bem de seus filhos, depois deles.” (Jr 32:39)

Ah, que grande texto é esse. Mas vamos apenas continuar rapidamente: “E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem.“ (Jr 32:40)

Agora, nós apenas lemos isso e muitas pessoas que são ímpias, que estão perdidas, apenas vão à igreja no domingo. Eles ouvem este verso e dizem: “Sim, Deus fez uma aliança eterna comigo. Ele nunca se apartará de mim, nunca, nunca. Eu estou seguro por causa da graça de Deus”. Mas eles falham em ler a segunda parte.

E veja o que diz: ”E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim.” (Jr 32:40)

A evidência de que Deus fez uma aliança eterna com você, senhor, é que Ele colocou o temor de Deus em você para que você não se aparte Dele e se você se apartar Dele e Ele não te disciplinar e você continuar se apartando Dele, essa é a evidência que Ele não colocou Seu temor em você, você não foi regenerado e você não tem uma aliança com Deus de forma alguma.

Ah, isto é verdade.

Fonte: Voltemos ao Evangelho

Obadias e Elias


Charles H. Spurgeon

A piedade jovem conduz à piedade perseverante. Obadias pôde dizer: “Tenho adorado o Senhor desde a minha juventude.” O tempo não o havia mudado: qualquer que tenha sido sua idade, sua religião não deteriorara. Todos nós gostamos de novidade, e já vi alguns homens caírem no mal, como se fosse por uma mudança. Não se trata de se queimar até a morte no martírio que é a obra dura; tostar-se perto de um fogo lento é um teste de firmeza muito mais terrível. Continuar com graça durante uma longa vida de tentação é ser gracioso de fato. Pois a graça de Deus converter um homem como Paulo, que está cheio de ameaças contra os santos, é uma grande maravilha; mas a graça de Deus preservar um crente por dez, vinte, trinta, quarenta, cinqüenta anos, é milagre igualmente grande e merece mais de nosso louvor do que geralmente ganha. Obadias não foi afetado pela passagem do tempo; ele foi visto quando velho o que era quando jovem.

Nem foi ele levado pela moda daqueles tempos maus. Ser servo de Jeová era considerado coisa desprezível, antiga, ignorante, coisa do passado; o culto a Baal era o “pensamento moderno” da hora. Toda a corte andava atrás do deus de Sidon, e todos os cortesãos iam pelo mesmo caminho. Meu lorde adorava Baal, e minha dama adorava Baal, porque a rainha adorava Baal; mas Obadias disse: “Tenho adorado o Senhor desde a minha juventude.” Bendito é o homem que não se importa com a moda, pois ela passa. Se por um tempo ela se entusiasma pelo erro, o que faz o homem crente senão permanecer firmemente com o certo? Obadias nem era afetado pela ausência dos meios de graça. Os sacerdotes e levitas tinham fugido para Judá, e os profetas foram mortos ou tiveram de se esconder, e não havia culto público de Jeová em Israel. O templo estava lá longe em Jerusalém; portanto, ele não tinha oportunidade de ouvir qualquer coisa que pudesse fortalecê-lo ou incentivá-lo; contudo, mantinha seu curso.

Além disso, havia as dificuldades de sua posição. Ele era mordomo do palácio. Se tivesse agradado Jezabel e adorado Baal, talvez se sentisse mais seguro em sua posição, pois teria patrocínio real; mas estava ali, governador na casa de Acabe, mas temente a Jeová. Deve ter tido que caminhar muito delicadamente, e vigiar bem suas palavras. Imagino que ele tenha se tornado uma pessoa muito cautelosa, e que tivesse um pouco de medo mesmo de Elias, esperando que não lhe desse uma ordem que pudesse levar à sua destruição. Tornou-se extremamente prudente, e olhava as coisas em volta para nem comprometer sua consciência nem pôr em perigo sua posição.

É preciso ser um homem notavelmente sábio para fazer isso, mas aquele que pode fazê-lo deve ser louvado. Ele não fugiu de sua posição, nem retrocedeu de sua religião. Se tivesse sido forçado a fazer coisa errada, tenho certeza de que teria imitado os sacerdotes e levitas, e fugido para Judá, onde o culto a Jeová continuava; mas sentiu que, sem ceder à idolatria, podia fazer algo a favor de Deus em sua posição avantajada, e assim se determinou a ficar e a lutar até o fim.

Quando não há esperança de vitória, você pode resolver se retirar; mas é um bravo homem aquele que, quando a corneta soa o toque de retirada, não o ouve, que põe seu olho cego à luneta e não pode ver o sinal de cessar fogo, mas segura sua posição contra todas as probabilidades, e causa todo o prejuízo possível ao inimigo. Obadias foi um homem que na verdade “segurou o forte”, pois sentiu que quando todos os profetas estavam condenados por Jezabel, era papel dele ficar perto da tigre fêmea e salvar a vida de pelo menos cem servos de Deus do poder cruel dela. Se não pudesse fazer mais, com isso já não teria vivido em vão. Admiro o homem cujo poder decisivo é igual à sua prudência, embora eu tivesse temido muito ocupar um lugar tão perigoso. O caminho que seguia era equivalente a andar na corda bamba com Blondim.

Eu mesmo não gostaria de tentar isso, nem recomendo que alguém tente um feito tão difícil. O papel de Elias é muito mais seguro e grandioso. O curso do profeta era simples; não tinha de agradar, e sim de reprovar Acabe; e não tinha que ser cauteloso, mas agir de um modo ousado e forte pelo Deus de Israel. Quanto parece ser o homem mais importante quando os dois estão de pé juntos diante de todos nós. Obadias cai com o rosto na terra e o chama “Meu senhor Elias”; e estava certo, porque era seu inferior. Mas eu preciso não cair moralmente na veia de Elias para que não precise deter-me com uma parada brusca. Foi um grande feito Obadias poder gerenciar a casa de Acabe com Jezabel nela, e mesmo assim, com tudo isso, ganhar essa comenda do Espírito de Deus, que ele temia ao Senhor grandemente.

Ele perseverou, também, não se opondo ao seu sucesso na vida; e isso é crédito dele. Nada há mais perigoso para um homem do que prosperar neste mundo, e tornar-se rico e respeitável. Naturalmente, nós o desejamos, lutamos por isso; mas quantos que, ao ganhar, têm perdido tudo, quanto à riqueza espiritual! Antes, o homem amava o povo de Deus, e agora diz: “São uma classe vulgar de pessoas.” Conquanto pudesse ouvir o evangelho, ele não se importava com a arquitetura do prédio da igreja; mas agora que se tornou crítico de arte, precisa ter uma torre, arquitetura gótica, um púlpito de mármore, trajes sacerdotais, um belo jardim, e toda sorte de coisas bonitas. À medida que encheu o bolso, esvaziou o coração. Ficou longe da verdade e dos princípios ao prosperar quanto aos bens materiais. É um negócio ruim, que em certo tempo ele teria sido o primeiro a condenar. Não há nobreza nessa conduta; é covarde até o último grau.

Deus nos salve dessa situação; mas muitas pessoas não são salvas dela. Sua religião não é matéria de princípios, mas matéria de interesses: não é a busca da verdade, mas uma ansiedade por alta sociedade, seja isso o que for; não é seu objetivo glorificar a Deus, mas obter maridos ricos para as filhas; não é a consciência que os guia, mas a esperança de poder convidar um nobre cavaleiro para jantar com eles, e poder comer na mansão dele depois. Não pense que é sarcasmo meu: falo com tristeza de coisas que deixam a pessoa envergonhada. Ouço falar delas diariamente, embora não me afetem pessoalmente. Vivemos uma época de maldades disfarçadas sob a noção de respeitabilidade. Deus nos envie homens do calibre de John Knox, ou, se preferir, do metal inquebrável de Elias; e se esses provarem ser muito duros e sérios podemos nos contentar com homens como Obadias. É possível que estes sejam mais difíceis de produzir do que os Elias: mas com Deus, todas as coisas são possíveis.

Obadias, com sua graça precoce e decisão perseverante, tornou-se um homem de piedade eminente, e isso é mais admirável considerando o que ele era e onde estava. Piedade eminente em um lorde da corte de Acabe! Essa é mesmo uma maravilha da graça. A religião desse homem era intensa dentro dele. Se ele não fazia o uso aberto dela que Elias fazia, é que não tinha sido chamado para tal carreira, mas ela residia fundo em sua alma, e os outros sabiam disso. Jezabel o sabia, sem dúvida nenhuma. Ela não gostava dele, mas precisava suportá-lo; olhava-o de lado, mas não podia desalojá-lo. Acabe aprendera a confiar nele e não podia passar sem ele, pois provavelmente lhe fornecia um pouco de força de mente. É possível que Acabe gostasse de segurá-lo só para mostrar a Jezabel que ele podia ser teimoso se quisesse, e ainda era um homem.

Qualquer que seja a explicação, é fora do comum que no centro da rebelião contra Deus houvesse alguém cuja devoção a Deus fosse intensa. Como é horrível achar um Judas entre os apóstolos, assim é grandioso descobrir um Obadias entre os cortesãos de Acabe. Que grande graça deve ter estado em operação para manter um fogo desse no meio do mar, tal piedade no meio da mais vil iniqüidade!

A religião de sua juventude tornou-se para Obadias uma piedade confortável depois. Quando ele pensou que Elias estava para expô-lo a grande perigo, pleiteou seu longo tempo de serviço prestado a Deus, dizendo “temo ao Senhor desde a minha mocidade”; assim como Davi, quando ficou velho, disse: “Desde a minha juventude, ó Deus, tens me ensinado, e até hoje eu anuncio as tuas maravilhas. Agora que estou velho, de cabelos brancos, não me abandones, ó Deus” (Sl 71.17-18a). Será um grande consolo para as pessoas, quando idosas, olharem para uma vida que foi passada no serviço de Deus. Você não confiará nela, não achará que tem mérito; mas bendirá a Deus por ela. Um servo que esteve com seu mestre desde a mocidade não deve ser dispensado da casa quando se torna grisalho. Um mestre correto respeita a pessoa que o serviu muito tempo e bem. Suponha que você tenha tido uma ama que cuidou de você quando era criança, seria capaz de colocá-la na rua quando ela não pudesse mais fazer o seu trabalho? Não, você faria o que pudesse por ela; se pudesse, não a deixaria viver num asilo. Ora, o Senhor é muito mais bondoso e gracioso do que nós, e ele nunca deixará seus velhos servos desamparados.

Fonte: Capítulo 19 do excelente livro Pescadores de Crianças: Orientação prática para falar de Jesus às crianças, de Charles H. Spurgeon, publicado pela Shedd Publicações.

Pastor, uma espécie em extinção


Por: Débora Borel

Onde eles estão? Quem sabe onde podemos encontrar um bom pastor? Alguns dizem que eles estão extintos. Mas tenho tido notícias de homens e mulheres que sobem ao púlpito com este título.

Será somente um título!? Sim, porque títulos não geram abnegação, renúncia. Títulos não dobram joelhos nem curvam faces. Títulos podem até estender as mãos, desde que elas não voltem vazias. Títulos não amam, não cuidam sem interesse, não apascentam. Eles também não celebram a vitória de outros nem choram as suas dores.

Posso afirmar então que nem todo que se diz pastor é Pastor. Pode ser apenas um título. Então onde estão os pastores? Esses homens e mulheres que não olham para suas ovelhas como números. Que, ao invés de invadir o aprisco de outro pastor, estão preocupados com aqueles que Deus lhes confiou e de estender o pastoreio sobre os que ainda não fazem parte do Seu rebanho (o de Deus).

Onde estão os pastores que aprenderam com o Mestre Jesus que a chave da autoridade é a renúncia e a obediência? Esses pastores devem ter a mesma atitude de Jesus, que mesmo sendo Deus, não usurpou ser igual a Deus. Ele aprende a se ausentar de si mesmo no intuito de dar lugar a outro. Ele não é sobre-humano, mas super-humano, isto é, humano de verdade. Ele chora, confessa que está com medo, pede ajuda, não abre mão da verdade para agradar os fariseus de plantão. O pastor, segundo o modelo do mestre Jesus, não tem uma sabedoria pautada no conhecimento, mas no temor. Reconhece os olhos de Deus por todos os lugares e sabe que não pode se esquivar deste olhar.

Alguém já disse que o Ministério Pastoral é um deserto. Talvez esteja aí a razão de não encontrarmos com facilidade bons pastores. Pois no deserto não há holofotes, há, sim, o sol escaldante na cabeça durante o dia e o frio cortante da noite. No deserto também não há aplausos, mas muitas murmurações de gente que questiona a fé, a autoridade que Deus delega e até o próprio Deus. Creio que alguns até iniciaram sua caminhada neste deserto, mas não puderam suportar a sensação do vazio, tão pouco o teste do coração.

O que me consola é saber que o próprio Deus é quem investe neste Ministério, pois ainda que alguns desistam e outros sejam apenas um título, há aqueles que permanecem firmes e constantes, cumprindo sua carreira e guardando a fé. Posso concluir então que Deus não instituiria este sacerdócio sabendo que seria impossível o seu cumprimento. Sendo assim, quando Deus chamar alguém ao Ministério Pastoral e este iniciar a sua caminhada no deserto, deve estar atento à nuvem que o protege durante o dia e à coluna de fogo que o aquece à noite. Deve contar também com o maná que desce do céu e com os mananciais que brotam da rocha. Acima de tudo, deve ter muito cuidado com as queixas para que elas não tomem o lugar da voz de Deus.

Aqueles que perseveram verão a glória de Deus. Serão testemunhas vivas da terra que produz leite e mel, tomarão posse da promessa e verão o Reino de Deus sendo estabelecido entre os povos. Que Deus nos ajude a achar esses pastores!

Fonte: Sepal

segunda-feira, 1 de março de 2010

Dez acusações contra a igreja moderna 6


Por Paul Washer

A Sexta Acusação: Um Apelo Evangelístico Sem Fundamento Bíblico.

Nós já tocamos neste ponto um pouco. Quero aprofundar. Olhe como temos feito ultimamente. Quero dizer... Escute-me agora... Tenho visto isto por todos os lados. Os Calvinistas, os Arminianos, muitos deles compartilham algo em comum. E é isto, o mesmo convite superficial. Falam muito sobre um monte de coisas e então eles chegam ao convite e é quase como se todos tivessem enlouquecido.

Caminham em direção a alguém dizendo "Deus te ama e tem um plano maravilhoso para tua vida".

Já pensou em dizer isso a um norte-americano?

"Senhor, Deus te ama, e tem um plano maravilhoso para tua vida."

"O que? Deus me ama? Bom, isso é maravilhoso porque eu também me amo! E Deus tem um plano maravilhoso? Eu também tenho um plano maravilhoso para minha vida! E se eu O aceitar em minha vida terei minha melhor vida agora?

Isso é simplesmente maravilhoso.”Isso não é evangelismo bíblico! Permita-me te dar algo no lugar disso. Deus vai a Moisés e diz isto.

“SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado” [Ex 34:6, 7]

A reação de Moisés:

“E, imediatamente, curvando-se Moisés para a terra, o adorou;” [Ex 34:8]

O evangelismo começa com a natureza de Deus. Quem Deus é? Pode um homem reconhecer seu pecado se ele não tem um padrão com o qual se comparar? Se nós dissermos somente coisas triviais sobre Deus que divirtam a mente carnal dele será que essa pessoa poderá ser levado a um arrependimento e fé genuínos?

Nós não começamos com: “Deus te ama e tem um plano maravilhoso para tua vida.” Começamos com o conselho completo de quem é Deus e nós lhes dizemos desde o principio que isto poderá custar as suas vidas.

Depois disso temos algumas perguntas exploratórias: “Ei, você sabe que é um pecador, não?”

Há alguns anos minha mãe morreu de câncer, É como se o doutor entrasse e dissesse:

– Ei, Barb! Você sabe que tem câncer, não é?

Nós tratamos o pecado tão superficialmente. Sem agravos, nada solene.

“Senhor, há uma terrível podridão em você e um juízo está vindo”.

Porque se só dissermos a um homem:

– Senhor, você sabe que é um pecador?

Vão e perguntem ao diabo se ele sabe que é um pecador, ele dirá:

“Bom, sim, eu sou e um muito bom nisso. Ou um muito mal dependendo de como você vê. Mas, sim, sei que sou pecador.”

A pergunta não é: você sabe que é pecador? A pergunta é: o Espírito Santo está operando através da pregação do evangelho de tal maneira em seu coração que uma mudança está sendo produzida, de maneira que o pecado que uma vez você amava agora você odeia, e o pecado que uma vez você desejava abraçar agora foge dele como se estivesses fugindo de um dragão?

E depois a pergunta: “Você quer ir para o céu?”

Esta é a razão pela qual eu não permitiria que meus filhos fossem a 98% das escolas dominicais e aos acampamentos bíblicos de verão em igrejas evangélicas porque alguma pessoa bem intencionada se levantará e dirá:

“Jesus não é maravilhoso?”, depois de ter mostrado o filme Jesus.
"Sim."
Quantos de vocês, pequenas crianças, amam a Jesus?”
“Oh, Eu.”
“Quem quer aceitar a Jesus no seu coraçãozinho?”
“Oh, Eu.”

E depois eles são batizados. E eles caminham um pouco porque eles foram criadas em uma cultura cristã, ou algum tipo de cultura-igreja. E então quando eles completam 15, 16 anos, e quando eles têm a força da vontade eles começam a quebrar os laços. Eles começam a viver em perversidade e então nós vamos atrás deles dizendo: “Vocês são Cristãos. Vocês só não estão vivendo como tais. Pare de desviar", ao invés de ir a eles biblicamente e dizer isto: “Você fez uma profissão de fé em Cristo. O professou até no batismo, mas agora parece que você se afastou dEle. Examine-se. Prove-se. Há pouca evidencia de uma conversão verdadeira em você.”

E então quando eles têm 24, 25 anos, depois da universidade, talvez aos 30, eles voltam à igreja e eles rededicam suas vidas e eles se unem ao grupo com essa moralidade pseudocrístão que caracteriza os igrejeiros na America. E ao final eles escutam isto: “nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” (Mateus 7:23)

Você diz: “Irmão Paul, estás tão nervoso.”

Não tenho o direito de estar? Alguém deve estar clamando por avivamento, mas nós nem temos nossas fundações eretas.

Oh, que avivamento viesse e endireitasse nossas fundações. Mas não deveríamos enquanto temos os olhos e os ouvidos abertos e temos a Palavra na nossa frente corrigir estas coisas?

"Você gostaria de ir para o céu?"

Meus queridos amigos, todos querem ir para o céu. Eles só não querem que Deus esteja lá quando chegarem. A pergunta não é se você quer ir ao céu. A pergunta é: "Você quer a Deus?" Você tem deixado de ser um inimigo de Deus? Cristo tem se tornado precioso para você? Você O deseja?

É disso que se trata a teoria política, meus queridos amigos, todo desejam ir ao céu. Mas os homens são inimigos de Deus. Então, a pergunta não é se você quer ir a um lugar especial aonde não sofrerá e obterá tudo o que queira; a pergunta é: Você O quer? Cristo se tornou precioso para você?

Freqüentemente depois de uma pessoa orar, perguntam: “Você gostaria de ir para o Céu?”

“Bom, sim.”
“Então, você gostaria de orar e pedir que Jesus entre no seu coração?”

Agora, meu querido amigo, deixe-me dizer-lhe isto: Há pessoas que foram salvadas utilizando essa metodologia, mas não é graças a ela, mas sim apesar dela.

“Senhor, você deseja a Cristo? Você vê seu pecado?”

"Oh, sim, sim eu vejo meu pecado"

"Senhor, vejamos alguns versículos da Bíblia que falam sobre com o que o arrependimento se parece. O Espírito testemunhando que isso está acontecendo em sua vida. Você vê quebrantamento? Vê a desintegração de tudo pelo que tem lutado em sua vida e agora sua mente está cheia de novos pensamentos sobre Deus e novos desejos e nova esperança?"

“Sim, eu vejo.”
"Senhor, Isso pode ser os primeiros frutos de arrependimento. Agora, entregue sua vida a Cristo. Confie nEle. Confie nEle."

Agora, me escute. Você tem autoridade para falar do evangelho as pessoas. Você tem autoridade de lhes dizer como serem salvos. E você tem autoridade para apontar princípios bíblicos sobre a certeza da salvação, mas você não tem autoridade de lhes dizer que são salvos, esta é a obra do Espírito Santo de Deus.

Mas quando vocês os conduzem por aquela coisinha: “Você convidou Jesus para entrar em seu coração?”

"Sim"
"Você foi sincero?"
"Sim"
"Você acha que Ele te salvou?"
"Não sei"
"Claro que Ele salvo porque você foi sincero e ele prometeu que se O convidasse, Ele entraria. Logo, você está salvo."

E eles saem da igreja, depois de cinco minutos de aconselhamento e o evangelista vai comer em um restaurante, e a pessoa está perdida. Está perdida.

Um apelo evangelístico sem fundamento bíblico.

Se alguma vez duvidaram, se alguma eles vez duvidaram de sua salvação... Aqui vamos de novo... Se alguma vez eles duvidaram de sua salvação: “Houve algum momento em que você orou e pediu para Jesus entrar em seu coração?”

"Sim"
"Você foi sincero?"
"Acho que sim"
"O diabo está lhe incomodando"

E se eles vivem sem crescimento, mesmo no contexto de uma igreja sem crescimento em carnalidade continua, sem problema, nós colocamos a culpa na falta de discipulado pessoal e resolvemos com a doutrina do Cristão carnal.

A doutrina do Cristão carnal tem destruído mais vidas e enviado mais gente ao inferno...

Os Cristãos lutam contra o pecado? Sim. Pode um Cristão cair em pecado? Absolutamente. Pode um Cristão viver num estado continuo de carnalidade todos os dias de sua vida não carregando frutos e verdadeiramente ser Cristão? Absolutamente não ou senão cada promessa no Velho Testamento referente à Nova Aliança falhou e tudo que Deus disse sobre disciplina em Hebreus é uma mentira.

Uma arvore é conhecida por seus frutos.

Quando trabalhamos com homens sobre a conversão… Tenho visto pregadores que entendem muito sobre as coisas de Deus, mas quando eles descem, mesmo depois de uma apresentação exemplar do evangelho, eles entram, novamente, nesta metodologia.

Deixe-me lhe dar uma história, e depois iremos à próxima acusação, mas uma história que é um dos momentos mais preciosos na minha vida como Cristão.

Eu estava pregando no Canadá só… Na verdade eles me disseram que estava a 30 km do Alaska. Havia mais ursos pardos na cidade do que pessoas. Sério. Era uma igreja pequena de como 15, 20 pessoas e eu estava pregando. E bem quando fiquei em pé no púlpito, esta montanha de homem entrou, nos seus 60 ou 70 anos, mas uma montanha de homem. Ele podia ter batido em cada um de nós neste prédio.

Enquanto eu pregava, via sua face, deixei tudo de lado e comecei a pregar o evangelho. Era o ser humano mais triste que eu já vi. Somente o evangelho, o evangelho. E quando terminei, caminhei direto do púlpito a ele.

Eu disse: “Senhor, o que há de errado. O que perturba sua alma? Eu nunca vi um homem tão triste e abatido em toda minha vida”.

E ele tirou um envelope e tinha alguns raios-x os quais não pude entender, mas ele disse isso: “Acabo de vir do médico. Vou morrer em três semanas.” Foi isso que ele me disse. “Agora eu tenho morado toda minha vida em um rancho de gado. Só se chega lá por avião flutuante ou cavalgando pelas montanhas e todas essas coisas.” Ele disse: “Nunca estive em uma igreja. Nunca li a Bíblia. Acredito que há um Deus e uma vez escutei sobre um cara chamado Jesus." Ele disse:
“Eu nunca tive medo de nada em minha vida e agora estou aterrorizado.”

Eu disse: “Senhor, você entendeu a mensagem, o evangelho?”
Ele disse: “Sim.”

Agora, o que fariam a grande maioria dos pregadores naquele momento?

“Então, você gostaria de convidar Jesus para entrar em seu coração?"

Isto é o que eles fariam.

Eu disse: “Senhor, você entendeu?”

Ele disse: “Eu entendi, mas é só isso? é que só…” Ele disse:
“Uma criança poderia ter entendido aquilo. Qualquer um. É só isso que eu entendi e eu oro ou...?”

Eu disse: “Senhor, você vai morrer em três semanas. Eu tinha que ir embora amanhã. Vou cancelar meu vôo e ficaremos aqui lendo a Palavra lutando e clamando a Deus até que você se converta ou morra e vá ao inferno”.

E, então, começamos. Comecei com o Velho Testamento, o Novo Testamento, cada versículo sobre as promessas de Deus com respeito à redenção e salvação, uma e outra vez, varias vezes, lendo João 3:16, orando por um tempo, clamando a Deus, questionando sobre o arrependimento do homem, sobre a fé, sobre a certeza da salvação, trabalhando até que Cristo tenha sido formado nele.

E então, finalmente, simplesmente exaustos aquela noite, não houve nenhum avance, não houve nada, eu disse: “Senhor, vamos a orar.” E oramos.

Eu disse: “Senhor, leia João 3:16 outra vez.”
Ele disse: “Lemos isso um milhão de vezes.”
Eu disse: “eu sei, mas é uma das maiores promessas de salvação. Leia o texto de novo.”
E eu nunca esquecerei. Tinha minha Bíblia no seu colo, naquelas suas mãos grandes e montanhosas.
Ele disse: “OK. Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu… Sou salvo! Sou salvo! Irmão Paul, todos meus pecados se foram. Tenho vida eterna… Sou salvo. Ou seja…”
Eu disse: “Como você sabe?”
Ele disse: "Você nunca leu este versículo antes?”

O que estava acontecendo? Uma obra do Espírito de Deus ao invés daqueles truquezinhos que você tenta.

Você quer ir a comer? Você pensa que pregar é um espetáculo e depois disto você volta pro hotel? Não, apos a pregação é que o trabalho começa! Lidando com almas. As pessoas vão à frente em reuniões para aconselhamento com pessoas que não deveriam estar aconselhando.
Cinco minutos, eles estão dando o… Rápido, dê o cartão ao pastor e o pastor diz: “Gostaria de lhes apresentar o novo filho de Deus. Bem vindo à família de Deus.”

Como você se atreve?

Se você vai apresentá-lo, diga isto: “Este homem esta noite fez uma profissão de fé em Jesus Cristo. E por causa de nosso temor de Deus e nosso amor pelas almas dos homens nós agora iremos trabalhar para ter certeza que Cristo tem realmente sido formado nele, que ele verdadeiramente tem um entendimento bíblico sobre arrependimento e fé e grande certeza e gozo no Espírito Santo. Isto é o que nós vamos fazer”.

Olhe o que nós fizemos. Suplico-te. Olhe o que estamos fazendo. E isto não é algum tipo de Seita. Isto somos nós. Pare. Pare.

Fonte: Voltemos ao Evangelho

O Mandamento Bíblico Para os Evangélicos Serem Diferentes e Separados


Peter Masters

A Palavra de Deus ensina que os cristãos devem manter-se separados de qualquer forma de religião que contradiz e despreza as verdades fundamentais da fé cristã, que salvam a alma. Este é um mandamento básico e comprometedor encontrado em muitas passagens das Escrituras. E nenhuma destas, por. mais branda que seja, utiliza uma linguagem obscura e controversa. Consideraremos, de maneira breve, dez passagens que apresentam este mandamento.

Primeiramente, a ordem para sermos um povo distinto e separado é afirmada, de maneira evidente, em 2 Coríntios 6.14-17: "Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor".

O vocábulo grego traduzido "separai-vos" refere-se ao estabelecimento de um limite. (Nossa palavra "horizonte" origina-se desse termo grego.) Paulo ensina que temos de nos manter separados no mesmo sentido de um limite que é colocado e jamais pode ser ultrapassado. Os falsos ensinadores e seus erros precisam estar fora dos limites para nós ou além do horizonte. Jamais devemos ter comunhão com eles em qualquer nível. O apóstolo utiliza as mais fortes palavras disponíveis para nos ordenar a não estarmos, em ocasião alguma, em comunhão com ensinadores religiosos que negam a Palavra de Deus e asseveram falsa doutrina.

Com certeza, jamais devemos nos colocar em jugo desigual com os incrédulos, o que significa que nunca devemos trabalhar juntamente com falsos ensinadores religiosos em qualquer tipo de empreendimento espiritual. Jamais devemos ser encontrados debaixo do mesmo jugo. Por meio deste mandamento, somos proibidos de nos assentarmos em comitês, compartilhar o mesmo púlpito ou servir em equipes pastorais juntamente com estes falsos ensinadores. Por igual modo, somos instruídos a não estarmos juntos com eles em assembléias eclesiásticas e denominacionais.[1]

O "jugo" é o vínculo de serviço. Do ponto de vista divino, aos falsos ensinadores, que negam os fundamentos da fé cristã, não deve, em ocasião alguma, ser atribuído reconhecimento espiritual. Também não devemos reconhecer suas igrejas como válidas aos olhos de Deus.

Precisamos, sem dúvida, ser compassivos e demonstrar interesse por todos aqueles que estão enlaçados no erro. Judas adverte os crentes a respeito dos falsos cristãos, salientando que alguns poderão ser salvos. "Salvai-os... em temor", ele declara, "arrebatando-os do fogo... detestando até a roupa contaminada pela carne" (Judas 23). A ordem das Escrituras é que alcancemos os "cristãos" não-evangélicos como pessoas que estão de fora, mas nunca devemos falar ou realizar qualquer coisa que bajularia, dignificaria ou reconheceria sua falsa doutrina.

Nosso segundo texto, ordenando um testemunho evangélico distinto e o separar-nos do erro, é Romanos 16.17.

Nesta passagem, Paulo exorta as igrejas a notarem "aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles". Este versículo refere-se a todos os falsos ensinadores, que levam as pessoas a não encontrarem a Verdade.

Hoje, aplica-se à Igreja Católica Romana, que apostatou da Verdade cristã há muitos séculos e adquiriu grandes proporções, ensinando exatamente o oposto das doutrinas da salvação apresentadas na Bíblia. Este versículo também se refere aos teólogos liberais, que negam a inspiração e a infalibilidade das Escrituras, escarnecendo de muitas das doutrinas fundamentais da fé cristã. Negam a existência do inferno e ensinam que toda a humanidade será eternamente salva. Estes dois movimentos iludem as almas de milhões de pessoas. Não devemos nos admirar de que o apóstolo denuncie tais ensinadores e movimentos. Estes são de tal maneira ofensivos a Deus e perigosos às almas, que jamais devemos reconhecê-los e associar-nos a eles.

Porventura, este mandamento está sendo obedecido quando os evangelistas convidam os não-evangélicos a participarem de seus ministérios? Esta ordem tem sido observada quando eles enviam os convertidos à Igreja Católica e a outras igrejas não-evangélicas, a fim de serem instruídos por estas? Tem sido obedecida pelos ministros evangélicos que trabalham juntamente com não-evangélicos em atividades denominacionais, ministros que fazem parte de comitês e, de maneira íntima, compartilham várias atividades eclesiásticas?

O terceiro texto que nos ordena a separação é 1 Coríntios 5.9-13, no qual o apóstolo exorta os irmãos a não se associarem a crentes professos que eram culpados de vários pecados específicos. Embora o apóstolo estivesse se referindo a pecados cometidos por indivíduos, ele faz duas menções à idolatria, o principal compromisso religioso daquela época. Não existe qualquer comunhão entre nós e aquele que professa ser cristão mas continua na prática da idolatria. Nem mesmo devemos tomar refeições com tal pessoa (quando isto expressa aceitação e comunhão). Este é o mandamento do Senhor, dado através do apóstolo, a respeito de todos que professam ser cristãos mas praticam falsa religião. Os falsos mestres são "inimigos da cruz de Cristo", conforme Paulo afirmou em Filipenses 3.18. Os crentes jamais devem ter comunhão e identificar-se com estes de uma maneira que endossaria o ponto de vista e a postura espiritual deles.

O quarto texto que nos ordena manter uma postura distinta e separada é Gálatas 1.8, onde o apóstolo nos adverte que os falsos ensinadores podem mostrar-se como pessoas equipadas com grandes dons e de personalidade muitíssimo atraente. Talvez possuam maneiras amáveis e graciosas e considerável charme, mas, se advogam falsa doutrina (assim como os não-evangélicos), os verdadeiros crentes não precisam estender-lhes sua comunhão. Paulo asseverou: "Ainda que... um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema". A palavra "anátema" significa que a pessoa tem de ser banida, excomungada ou considerada como totalmente inaceitável. A falsa doutrina é tão destrutiva às almas e ofensiva a Deus, que Paulo declarou seria anátema ele ou qualquer membro de sua equipe que pregasse outro evangelho.

Este mandamento é tão importante, que o apóstolo foi movido pelo Espírito a repetir a si mesmo; e, em Gaiatas 1.9, ele afirma: "Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema". Tal pessoa deve ser tratada como um intruso. Este evidente mandamento está sendo obedecido em nossos dias, quando os líderes evangélicos elaboram declarações anunciando que todo o clero católico (embora ensine a justificação pelas obras e promova a adoração de Maria) deve ser aceito como verdadeiramente cristão? Está sendo obedecido quando os teólogos liberais (que rejeitam a Bíblia, a expiação, a necessidade de conversão e outras verdades essenciais) são incluídos entre os verdadeiros cristãos?

O quinto texto é 2 João 6-11, onde o Espírito Santo utiliza João, o apóstolo do amor, para outorgar-nos um dos mais claros mandamentos a respeito da separação, em toda a Bíblia. Esta passagem nos instrui a não termos comunhão, de maneira alguma, com os falsos ensinadores. João inicia relembrando-nos que o amor ao Senhor é demonstrado por obediência e fidelidade à sua Palavra revelada. Em seguida, ele declara que muitos enganadores têm surgido, "os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo... Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus... Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas" (2 João 7-10).

Somos ensinados que todo mestre cristão que realmente não crê em Jesus como o Salvador encarnado está destituído de qualquer relacionamento pessoal com Deus.

Se tal pessoa aparece entre nós, não devemos oferecer-lhe comunhão ou reconhecimento e tampouco saudá-lo em nome de Cristo.

Mas a quem isto se aplica? Somente aos que francamente negam que o Salvador veio em carne? Se este é o caso, os católicos e diversos outros não-evangélicos estariam qualificados à nossa comunhão, pois, embora neguem a conversão evangélica, afirmam que Jesus Cristo veio em carne. Essa é exatamente a maneira como evangélicos que estão comprometidos com outros ensinos interpretam esta passagem. Eles declaram que os católicos e mesmo muitos liberais qualificam-se à nossa comunhão (em outras palavras, eles são verdadeiramente salvos), porque crêem que Cristo veio em carne. No entanto, deveria ser óbvio que esta interpretação é absurdamente superficial, despojando o texto de seu pleno significado. Após a morte, as pessoas serão admitidas no céu, embora nunca tenham sido salvas, apenas por que crêem na encarnação?

Confessar que Jesus Cristo veio em carne não é um mero assentimento técnico da doutrina da encarnação. Significa que agimos de acordo com esta crença, acreditando em todos os ensinos do Salvador e comportando-nos de acordo com seus mandamentos. Se realmente cremos que Ele é Deus, então, com certeza, creremos em tudo que Ele disse a respeito de Si mesmo e de sua obra, no Calvário, em favor da salvação dos pecadores. Obedeceremos sua chamada para nos arrependermos e nos convertermos. Com prontidão, aceitaremos e creremos nas doutrinas evangélicas acerca da salvação da alma. Contudo, essas coisas têm sido negadas e atacadas, com grande vigor, pela Igreja Católica Romana e pelos outros não-evangélicos. É evidente que estes verdadeira e profundamente não crêem que Jesus Cristo veio em carne, porque não O respeitam a ponto de obedecer-Lhe os ensinos.

As palavras de 2 João 7-10 nos convocam a não atribuir reconhecimento aos mestres religiosos que não respeitam, aceitam e obedecem as palavras e atitudes do Filho de Deus encarnado. Os católicos e os liberais substituíram por idéias e cerimônias humanas os ensinos do Senhor, rejeitando, por meio desta atitude, sua autoridade.

O próximo texto que ordena separarmo-nos dos falsos ensinadores é 1 Timóteo 4.1 e 7, onde aprendemos que toda falsa doutrina é obra do maligno e seus demônios. "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios." Uma das principais atividades das hostes demoníacas hoje é seduzir e tentar as pessoas a seguirem falsas doutrinas. De maneira alguma devemos reconhecer ou cooperar com aqueles que propagam ensinos de demônios. "Rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas", Paulo disse. Timóteo precisava rejeitar tudo que procedia de outras fontes, exceto da Palavra de Deus. Desde o começo da carta, Timóteo é encarregado de silenciar (na igreja) o ensino de qualquer outra doutrina (I Timóteo 1.3-4). No entanto, os evangélicos, em nossos dias, estão dizendo que as doutrinas de Roma e dos liberais também são eficazes em trazer pessoas à salvação. Este é um estarrecedor transtorno para o evangelicalismo. Reconhecer tais doutrinas é ajudar à obra dos demônios.

Em 1 Timóteo 4.2, Paulo afirma que muitos dos que ensinam em oposição à Verdade revelada por Deus falam mentiras, por intermédio de hipocrisia. Aparentemente, eles sabem o que estão fazendo. Sabem que não existe qualquer verdadeiro poder e verdade nas coisas que estão ensinando. Muitos estão cientes de serem manipuladores da Verdade. Não se mostram sinceros em seus pontos de vista.

Nosso sétimo texto é 1 Timóteo 6.3-5, onde Paulo novamente ordena que nos apartemos daqueles que não ensinam as palavras e doutrinas de nosso Senhor. "Se alguém ensina alguma outra doutrina e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com a doutrina que é segundo a piedade... Aparta-te dos tais" (arc). Agora, deve estar claro que os documentos mencionados anteriormente — Evangélicos e Católicos Juntos e A Declaração de Nottingham — foram escritos em ousado desafio aos evidentes mandamentos da Palavra de Deus. Representam um óbvio comprometimento com o erro.

Nosso oitavo texto é 2 Timóteo 2.16-21, onde Paulo nos ordena: "Evita igualmente os falatórios inúteis e profanos, pois os que deles usam passarão a impiedade ainda maior". "Evitar" significa "afastar-se" e "fugir de". Este é um dever. Não há qualquer reconhecimento espiritual ou comunhão com os falsos mestres. Nesta passagem, Paulo mostra que a igreja professa possui muitas pessoas destituídas de valor. Nela, existem falsos ensinadores e seus discípulos. Em seguida, ele diz: "Se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra". "Purificar" significa limpar completamente. Igrejas e crentes verdadeiros precisam manter-se completamente incontamina- dos de ensinos que contradizem as doutrinas evangélicas que salvam a alma.

O nono texto é 2 Timóteo 3.5, onde Paulo se refere a alguns que, "tendo forma de piedade", negam-lhe o poder; e acrescentou: "Foge também destes". Os católicos e os liberais negam a poderosa e transformadora obra de Deus na conversão, não considerando-a uma experiência instantânea, recebida em imediata resposta ao arrependimento e à fé. Não podemos nem devemos comprometer esta doutrina vital. Temos de fugir de tais ensinadores.

Nosso décimo texto é Efésios 5.11, onde Paulo afirma: "E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as". Este versículo refere-se tanto às questões morais quanto às doutrinárias. Demonstra um princípio fundamental ensinado em toda a Bíblia. A Verdade de Deus tem de ser preservada. Precisamos desmascarar os erros das falsas doutrinas, para que as pessoas não sejam afastadas do Caminho.

De tais passagens, deve ficar evidente que dar reconhecimento espiritual àqueles que ensinam outro "evangelho" é uma desobediência gravíssima. Podemos mostrar amor às pessoas que estão no erro ao tentarmos conquistá-las para a Verdade. Podemos demonstrar simpatia por aqueles que estão nas trevas, nos esforçando por alcançá-los como pessoas que estão de fora. No entanto, jamais devemos tolerar e reconhecer o ensino deles, pois isto é uma arrogante ofensa contra a Palavra de Deus. O Senhor ordena ao seu povo não ter comunhão com falsos ensinadores. O leitor está envolvido em qualquer aliança pela qual se identifica com os falsos ensinadores, dando-lhes reconhecimento e encorajando-os? Separação da falsa doutrina não é uma idéia de homens, é o que o Senhor exige de nós, e, se nos mostramos fiéis a Ele, precisamos obedecê-Lo.

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Fonte: Separados Pela Verdade, Peter Masters, Ed. Fiel.

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Notas:
[1] As principais denominações voltaram-se para o liberalismo teológico em um período de 140 anos. Por muitos anos, um abundante número de evangélicos permaneceu entre aqueles e lutou por reconquistá-los para a Verdade. Eles permaneceram firmes contra os não-evangélicos. Não estou criticando os evangélicos que diligentemente batalharam pela fé em suas denominações espiritualmente decadentes. Acreditamos que eles deviam ter abandonado aqueles grupos, mas reconhecemos o corajoso esforço de muitos que batalharam nessas denominações. O grande problema na atualidade é este: muitos evangélicos que permanecem nessas antigas denominações pararam de contestar e começaram a comprometer-se com o erro assumido por elas. Muitos agora aceitam pessoas não-evangélicas como legítimos cristãos.

Zumbis Intelectuais



Por Jorge Fernandes Isah

Em poucos anos de conversão, tenho ouvido muitos crentes dizerem-se avessos à teologia. O argumento mais usual, distorcido e surreal é afirmar que a “letra mata e o espírito vivifica” [2Co 3.6], abrindo espaço para todo o tipo de sandice dita espiritual que abunda nas igrejas [Paulo alude claramente à impossibilidade de salvação pela lei, pela letra, a qual é capaz de trazer apenas a condenação ao homem, visto que a lei não salva, mas revela-nos o nosso pecado e nos dá a condenação. Somente a obra consumada de Cristo pode livrar-nos do inferno. Portanto, o versículo não é uma proibição para se estudar as Escrituras].

O pouco convívio com a Bíblia, a falta de senso crítico, e o estímulo que muitos líderes imprimem à experiência pessoal, a qual ganhou uma relevância ímpar em nossos dias, acentuada pela ignorância teológica dos seus defensores, levam os crentes, de uma forma geral, a negligenciar o zelo que os irmãos de Beréia tinham [At 17.11], e a uma espécie de torpor espiritual que os faz aceitar de bom grado tudo o que lhes é proposto sem examinar as Escrituras, conduzindo à morte da razão. No pouco ou nenhum conhecimento da Palavra eles são abatidos pelas armas que satanás lhes dá, as quais julgam provir do Senhor mas nem remotamente percebem que ao puxar o gatilho tornam-se alvos de si mesmos.

O conhecimento de Deus passou a ser subjetivo e cada um pode tê-lo a seu modo, facilitado pela completa alienação doutrinária; amoldando-o a qualquer recipiente blasfemo, herético e diabólico.

Parece-me que os crentes estão meio que perdidos; são tantos os ataques do inimigo [e o seu desejo é a destruição da igreja, visto que o Senhor Jesus morreu por ela], são tantas as suas artimanhas, que os crentes não têm idéia do que seja uma vida cristã [a base que se tem dado aos crentes é muito frágil, e “ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1Co 3.11). Não se prega a Bíblia expositivamente (2Ti 4.2-3); é psicologismo pra cá, humanismo pra lá, e individualismo por todos os lados; não se estimula os crentes a lerem teologia, a ler livros que os levem à santidade, a aprofundar-se nas doutrinas; e muito porcamente dizem que as Escrituras são a única regra de fé. Mas como isso é possível sem conhecê-la, sem entendê-la?].

Parte disso deve ser creditada aos acadêmicos [muitos deles inconvertidos e educados em seminários e faculdades nitidamente opositores do Evangelho], que tratam o estudo da Bíblia com mais frieza do que um legista disseca um cadáver; é como um labirinto onde se tem a certeza de que jamais se sairá dali; visto que o homem cada vez mais está preocupado com a sua glória pessoal, “porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu” [Rm 1.21]; “e, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm” [Rm 1.28]; pois, “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” [2Co 4.4].

Então, prefiro autores que conciliam doutrina com doxologia, ao estilo de Lloyd-Jones, John Owen, Charles Spurgeon, Jonathan Edwards, Arthur Pink, John Piper, John McArthur... Guardadas as devidas proporções, eles tentam repetir o que Paulo fazia divinamente inspirado: “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas Cristo Jesus, o Senhor” [2Co 4.5]; “para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” [2Ti 3.17]. Enquanto isso, os Warrens, Malafaias, Cavalcantis, Mclarens, Hinns e Yansens da vida ganham cada vez mais espaço nas livrarias, nas estantes, e em mentes loucas, porque o que eles fazem é meio que anestesiar a consciência, um inibidor que impede as pessoas de pensarem como crentes, os quais devem ter a mente de Cristo [1Co 2.16], transformados pelo Evangelho; e não mantidos em coma pelo humanismo/secularismo/místico com que são tratados, tornando-as em zumbis intelectuais, em natimortos espirituais. Na vaidade das suas mentes, “entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração... se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza” [Ef 4.18-19].

Só há um antídoto: a leitura diária, devocional e reverente da Palavra em espírito de oração; porque “toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” [2Ti 3.16], e a “tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre" [Sl 119.160]; sabendo que os pensamentos de Deus são mais altos do que os nossos, e os Seus caminhos são mais altos do que os nossos [Is 55.9]; “porque, quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas, glória, pois, a ele eternamente. Amém” [Rm 11.34-36].

Então, não nos furtemos a “conhecer os mistérios do reino de Deus”, o qual nos é dado pela revelação das Sagradas Escrituras, mas aos outros é dado “por parábolas, para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam” [Lc 8.10].