sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

DEUS SE FEZ HOMEM E HABITOU ENTRE NÓS (O PRIMEIRO NATAL)


Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Luas 2.1-7

INTRODUÇÃO

Este capítulo, que fornece o olhar mais detalhado sobre os acontecimentos do primeiro Natal, é talvez o capítulo mais conhecido na Bíblia. Sua história conhecida tem música inspirada, cartões, livros e concursos ao longo dos séculos. Mas o mundo celebra o nascimento de Jesus Cristo, por razões erradas. Natal tornou-se uma desculpa para a autoindulgência (Tendência para desculpar os próprios erros e defeitos), o materialismo e as festas; ele se degenerou em um evento social secularizado que perde totalmente o seu verdadeiro significado.

Durante os primeiros séculos de sua existência, a igreja não celebrava o nascimento de Cristo. Alguns dos primeiros pais da igreja, em especial, Orígenes, chegou a argumentar contra a comemoração dos aniversários dos santos e mártires (incluindo Jesus). Os pais da igreja argumentavam que essas pessoas deveriam ser honradas no dia do seu martírio e não no dia do seu nascimento. Observando que os únicos aniversários mencionados na Bíblia são os de Faraó (Gn 40.20) e Herodes (Mt 14.6.). Eles viam as comemorações de aniversário como um costume pagão. Até o século II, a data real do nascimento de Cristo havia sido esquecido. Os primeiros indícios da igreja comemorando o Natal em 25 de dezembro vem do manuscrito do século IV conhecido como o Chronography ou Calendário de 354 d.C. De acordo com esse documento o Natal era comemorado em 25 de dezembro pela igreja de Roma por volta do ano 336 d.C. Essa data foi gradualmente adotada pela igreja como um todo ao longo dos próximos séculos.

Por que a igreja finalmente decidiu celebrar o nascimento de Jesus em 25 de dezembro também não se sabe ao certo. Alguns acreditam que ele era para oferecer uma alternativa cristã ao popular feriado pagão conhecido como dies natalis Solis Invicti (“o nascimento do sol invicto”), que era comemorado em 25 de dezembro. Esse festival tinha como propósito honrar a vários deuses do sol, a principal dessas divindades foi Mithras, cujo culto (mitraísmo) representou uma séria ameaça para a igreja cristã. Outros sustentam que a data foi escolhida porque é de nove meses após o 25 de Março, o dia em que algumas pessoas acreditavam (sem garantia bíblica) ser a data da concepção de Jesus.

Curiosidades à parte, vamos analisar esse texto e ver o que ele tem a nos ensinar.

1 – DEUS PREPAROU O MUNDO PARA O NASCIMENTO DE JESUS (Lc 2.1,2).

O apóstolo Paulo escrevendo aos Gálatas disse: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gálatas 4.4). A vinda de Cristo a terra foi planejada desde a eternidade. O Senhor preparou o mundo para que isso ocorresse. Nada foi obra do acaso. O Senhor trabalhou na história para que o Salvador viesse a terra em tempo oportuno.

1o – Resumidamente ocorreram estes eventos históricos durante a história de Israel:

Período Babilônico (605 a.C. - 538 a.C.) - sob a liderança de Nabucodonosor, a Babilônia conquista Judá. Nesse período de cativeiro que durou cerca de 70 anos, Israel deixou de ser uma comunidade agrícola para se tornar uma comunidade comercial. Nesse período também surgem as sinagogas. Os judeus abandonam a idolatria. Preservam a língua e a Lei de Moisés.

Período Medo-Persa – (538 a.C. - 331 a.C.) - Reconstrução do templo em Jerusalém e a reconstrução dos seus muros. O povo pôde voltar para sua terra.

Período Grego (331 a.C. - 167 a.C.) - Através do reinado dos gregos o Senhor estabelece uma língua universal – o grego koinê. Inclusive, o Novo Testamento foi escrito em grego koinê – língua comum.


Período Macabeu (167 a.C. - 63 a.C.) - Antíoco Epifânio tentou implantar a cultura helenística aos judeus e profanou o templo, com isso houve uma revolta liderada pelos macabeus. Com isso a nação judaica esteve independente de 142 a.C. a 63 a.C. 

Período Romano (63 a.C. -167 d.C.) - Havia liberdade religiosa, estradas seguras, leis justas e muito duras, e a implantação da crucificação para criminosos perigosos.

Deus prepara o mundo para a vinda de Jesus. Por isso que Paulo fala com muita propriedade que o Senhor nasceu na plenitude dos tempos. O Senhor preparou o mundo nesses 600 anos para que Seu Filho viesse ao mundo. O evangelista Lucas começa descrevendo exatamente esse tempo histórico que Paulo chama de “plenitude dos tempos”. Jesus não nasceu nem antes e nem depois, mas no tempo determinado por Deus.

No entanto, a preparação do mundo para a vinda do Salvador começou desde a fundação do mundo como está escrito no Apocalipse: “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13.8; conf. Lc 3.23-38).

A plenitude dos tempos que Paulo nos fala em Gálatas 4.4 quer dizer que o tempo estava cumprido sob o aspecto político, linguístico, de comunicações e religioso. Um reino (o Império Romano), uma língua (o idioma grego), uma rede de comunicação (estradas e conexões de navegação) unia o império mundial no mar Mediterrâneo. Religioso (a religião judaica bem firmada), apesar do sacerdócio corrupto, havia muitas pessoas tementes a Deus.

2o – O Rei dos reis nasce quando César Augusto era o imperador (Lc 2.1). Seu verdadeiro nome era Caio Otávio. Ele foi imperador no período de 27 a.C. a 14 d.C. Era sobrinho neto do grande imperador Júlio César. Seu tio-avô tinha grande estima por ele e concedeu-lhe muitas honras. Quando Júlio César foi assassinado em 44 a.C., Otávio descobriu que, no testamento deixado pelo imperador, ele havia sido constituído como seu filho e herdeiro. Então, imediatamente mudou seu nome para Caio Júlio César. No ano 27 a.C., o senado romano conferiu a Otávio, agora Caio Júlio César, o título de Augusto (venerável). Dali para frente, ele passou a ser conhecido como César Augusto ou Augusto César. Ele tinha grande habilidade administrativa, promovendo as artes, incentivando a literatura e propiciando ao império um longo período de prosperidade e paz.

César Augusto era o imperador, mas quem estava no controle do mundo era o Senhor nosso Deus, pois usou de um édito do imperador para levar José e Maria a percorrer cerca de 120 quilômetros que separavam Nazaré de Belém para que se cumprisse a Sua Palavra. Os governantes pensam que estão no controle do mundo, mas só estão por vontade permissiva de Deus. Como lemos em João 19.10,11 quando Jesus está perante Pilatos: “Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado.

Spurgeon disse “que para mostrar um espírito independente, um tirano menor, Herodes, ofende o tirano maior, César Augusto. Por causa disso, Augusto lhe informa que não o tratará mais como amigo, mas como servo. E para mostrar o seu desgosto, ordena que se faça um censo de todo o povo judeu como preparação a um planejado regime tributário (Lc 2.1-5). Desta forma o Senhor faz com que Sua Palavra se cumprisse. Assim como o Senhor nosso Deus tem um freio para o cavalo de guerra mais selvagem e um gancho para o mais terrível leviatã, da mesma forma os governantes do mundo são como marionetes movidas por fios invisíveis nas mãos do Supremo Senhor da terra e céus”.

A inserção do nascimento de Jesus no contexto histórico do governo do imperador Augusto tem meramente a finalidade de mostrar que em última análise os mais poderosos desta terra não passam de instrumentos para a concretização da vontade de Deus! Na obediência do judeu José ao gentio Augusto, se explicita que unicamente a mão de Deus governa.

3o – Os cumprimentos proféticos acerca de Jesus se concretizaram. Jesus nasceu em Belém Efrata como cumprimento profético (Mq 5.2 e Mt 2.6). Cerca de 700 a.C., Miqueias já havia profetizado que o Messias nasceria na pequena Belém. Aliás, o AT tem mais de 100 profecias a cerca de Jesus. Veja apenas alguns exemplos:

1 – Que Ele nasceria de uma virgem (Is 7.14; Mt 1.18-25).
2 – Que Ele viria da tribo de Judá (Gn 49.9,10; Hb 7.12-17).
3 – Que Ele seria da linhagem de Davi (2Sm 7.12-16; Mt 1.1).
4 – Que por ocasião do seu nascimento haveria um infanticídio (Jr 31.15; Mt 2.16-18).
5 – Que seus pais teriam que fugir para o Egito (Os 11.1; Mt 2.13-15).
6 – Que Ele nasceria em Belém Efrata (Mq 5.2; Mt 2.4-6).

O Senhor que falou através dos seus profetas fez com que se cumprisse a Sua Palavra. Ele é o Senhor da história; pois para Deus nada é impossível e Ele vela por cumprir a sua Palavra. O Seu nascimento não foi como o de qualquer outra criança, Ele era diferente de qualquer outra criança que já nasceu, seja antes ou depois. Pois este menino era o Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, divindade em carne humana, tão esperado Messias de Israel, o Salvador do mundo. Em seu nascimento Deus entrou sociedade humana como uma criança; o criador do universo se tornou um homem; o eterno “Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (João 1.14).

2 – UMA VIAGEM NECESSÁRIA (Lc 2.3-7).

No Império Romano se realizavam censos periódicos. A cada quatorze anos, o governo romano realizava um censo com duplo objetivo: para impor as contribuições e para descobrir aqueles que podiam cumprir o serviço militar obrigatório. Os judeus estavam isentos do serviço militar, e, portanto, o censo na Palestina tinha um propósito predominantemente impositivo, e todos os homens judeus tinham que voltar à cidade de seus antepassados para registrar seu nome, ocupação, propriedades e família.

O texto original de Lucas diz: Aconteceu… que saiu um decreto (um dogma) de César Augusto. O resultado do recenseamento de César Augusto foi de 60 milhões de pessoas. Isso significava: um imenso reino, uma enorme potência. O resultado da contagem divina significa: “Um pobre gênero humano, um mundo perdido!”. Devido a isso, Jesus veio ao mundo.

Com isso em mente podemos destacar duas coisas:

1o – O Evangelho tem uma ligação com a realidade do mundo (Lc 2.3-5). Quem pensa que o Evangelho é um acontecimento à parte da história secular hoje, está enganado. Como já falamos a história está nas mãos do Senhor e Ele a move segundo os seus propósitos. Hoje os acontecimentos históricos continuam sendo controlados pelo Senhor. Isso não ocorreu somente para que o Senhor Jesus nascesse. Nos dias atuais a história se move para que o Senhor retorne a esta terra para buscar o Seu povo, mas antes disto é necessário que aconteça o que nos falou o apóstolo Paulo:

Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Ts 2.3,4).
Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” (2 Tm 3.1-5).

Já que o Evangelho está ligado diretamente aos fatos históricos atuais, é bom lembrarmos que estaremos sujeitos a aborrecimentos por parte do mundo secular. Deus não tornará o mundo melhor para nós que o servimos. José e Maria passaram por momentos difíceis em suas vidas. Vejam aqui a viagem que tiveram que fazer de Nazaré até Belém. Eles poderiam ter algum privilégio já que Maria estava carregando em seu ventre o Filho de Deus, ou quem sabe serem isentos dessas obrigações, mas não foi isso que ocorreu. Isso é uma lição para nós que pensamos que as adversidades não deveriam acontecer com os crentes em Jesus. Que, por sermos seus servos, nossa vida deveria ser um mar de rosas. Mas essa mensagem é falsa e não retrata o verdadeiro Evangelho. Jesus disse que no mundo passaríamos por aflição (Jo 14.33).

Mas a verdade é que Jesus nasceu nesse mundo real, com todas as suas aflições, obrigações e dificuldades. E, sim, apesar delas, e até através delas, os propósitos divinos foram realizados.

Lucas cuidadosamente diz que Jesus era filho primogênito (prototokos) de Maria, não seu único (monogenes) filho (cf. seu uso de monogenes para se referir a uma única criança em Lc 7.12; 8.42; 9.38). Em Mateus 1.25 nos diz que José “não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome Jesus”. E em Marcos 6.3 diz: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs?”

2o – Não havia lugar para eles na hospedaria (Lc 2.6,7). A longa viagem não deve ter sido solitária, pois todos os familiares também deveriam recensear-se. A cidade de Belém estava abarrotada de peregrinos. Não havia sequer uma pensão ou abrigo para acolher o casal nazareno. A cidade estava indisponível para Jesus nascer. Quando Jesus nasceu ele ficou em um estábulo. Muitos estudiosos acreditam que Jesus nasceu em uma caverna que costumava ser usada como abrigo de animais, não numa cabana de madeira, como as que vemos nos presépios modernos.

A manjedoura que Jesus foi colocado ao nascer, é bem provável que fosse bem diferente das que vemos nos presépios hoje. O que se usava muito naquela época eram cochos feitos de pedras e não de madeira como se veem hoje.

Jesus nasceu num estábulo e foi posto em uma manjedoura por que o Senhor queria nos ensinar algumas lições com isso. Charles Spurgeon pregando sobre esse texto nos diz porque Jesus foi colocado em uma manjedoura:

1 – Foi uma lição de humildade. A Bíblia não nos deixa nenhuma dúvida em relação a isto. Conforme a profecia de Isaías: “Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos. Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum”.

Além do mais, ao ser posto em uma manjedoura, por dizer assim, Jesus estendia um convite aos mais humildes para que viessem até Ele. Nós poderíamos tremer se nos aproximássemos diante de um trono, mas não temeríamos se nos aproximamos diante de uma manjedoura. Se tivéssemos visto na entrada o Mestre, cavalgando ao longo das ruas de Jerusalém com muita pompa, sobre mantos estendidos no caminho e folhas de palmeira espalhadas, e o povo clamando: “Hosana!”, poderíamos ter pensado que era inacessível, ainda que esse simples pensamento fosse errado. Mas vemos ali o Senhor cavalgando sobre um jumentinho, Ele era tão manso e humilde que as crianças se agrupavam ao seu redor com seus infantis gritos de “Hosana!” Não poderia alguém ser mais acessível que Cristo.

Observe que ao longo da vida de Jesus Ele andou com pescadores; os de humilde condição haveriam de ser seus discípulos. Como Ele mesmo falou: “as raposas têm covis, e as aves do céu ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde recostar a cabeça” (Mt 8.18-20); nada, portanto, poderia ser mais apropriado que, em Sua etapa de humilhação, - quando deixou de lado toda Sua glória e tomou a forma de servo e se rebaixou ao estado mais humilde – ser colocado em uma manjedoura. E Ele mesmo disse que deveríamos aprender com Ele a sermos mansos e humildes de coração (Mt 11.29).

2 – O Senhor Jesus Cristo nasceu no estábulo da hospedaria para mostrar quão gratuito Ele era para todos os que se aproximassem Dele. As hospedarias eram pagas, no entanto, o Senhor nasceu num lugar de livre acesso, um lugar onde todos podiam ficar. Isso mostra que o Evangelho deve ser pregado a toda criatura e não excluir ninguém. Tanto que o convite de Jesus é para todos os cansados e sobrecarregados e todos os sedentos: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). “E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” (Jo 7.37).

3 – Nosso Senhor foi colocado na manjedoura onde se alimentavam os animais para mostrar que inclusive os homens que se assemelham às feras podem vir a Ele e viver. Nenhuma criatura pode ser tão degradada que Cristo não possa levantá-la. Poderia cair e poderia parecer que cairá invariavelmente no inferno, mas o braço longo e forte de Cristo pode alcançá-la ainda em sua mais desesperada degradação e pode levantá-la de uma aparente ruína irremediável. Como disse o apóstolo Paulo: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20).

Mas se Cristo foi posto onde se alimentavam os animais, lembrem-se que depois que Ele se foi os animais se alimentaram ali outra vez. Era apenas a Sua presença que podia glorificar a manjedoura, e aqui aprendemos que se Cristo fosse retirado, o mundo voltaria a sua anterior escuridão pagã. Se Cristo fosse retirado do coração humano, os mais santos se tornariam vis outra vez, e aqueles que, na sua conduta, se parecem com os anjos logo demonstrariam que estão relacionados aos demônios. A manjedoura seria ainda uma manjedoura para os animais, se o Senhor da Glória fosse retirado, e nós regressaríamos aos nossos pecados e à nossa lascívia, se Cristo uma vez retirasse Sua graça e nos abandonasse por nós mesmo. Penso que Cristo foi posto em uma manjedoura pelas razões mencionadas.

3 – AINDA HOJE NÃO HÁ LUGAR PARA JESUS EM MUITOS LUGARES (Lc 2.6,7).

O Rei dos reis e Senhor dos senhores nasceu em uma manjedoura por que não havia lugar para eles na hospedaria. Jesus deveria nascer em um palácio, tanto que os magos foram procurar o Rei dos judeus no palácio de Herodes (Mt 2.1,2). Mas Jesus não estava lá.

Ainda hoje não há lugar para Jesus em muitos lugares. Onde Jesus não tem lugar?

1o – No coração dos arrogantes (Mt 11.25,26). Raramente há lugar para Cristo nos palácios! Como disse Charles Spurgeon: “como poderiam os reis da Terra receber o Senhor? Ele é o Príncipe da Paz e eles se deleitam na guerra!” Jesus não é recebido ainda hoje onde a arrogância impera. Onde o “eu” fala mais alto do que o “tu”. Onde predomina o aqui e agora.

A soberba precede a ruína, o espírito arrogante vem antes da queda” (Pv 16.18).

2o – A sociedade atual não quer Jesus em seus corações. Veja como vivem as pessoas, por melhor que elas sejam ou aparentam ser, estão querendo manter distância do Senhor. Há lugar para as vãs sutilezas da etiqueta; há lugar para a conversa frívola; há lugar para a adoração do corpo; há lugar para a ascensão disto ou daquilo como o ídolo do momento, mas há pouquíssimo lugar para Cristo, e está longe de ficar na moda seguir plenamente o Senhor.

3o – Não há lugar para Jesus em muitas igrejas hoje. Não houve lugar para Jesus entre os seus e muito menos entre os religiosos em Sua época. Não houve lugar para Ele no templo ou nas sinagogas. Ele não encontrou refúgio nesses lugares; antes, foi ali onde Ele encontrou os mais ferozes inimigos de toda a Sua vida. Não foi a multidão comum, e sim os sacerdotes que foram os instigadores de Sua morte; os sacerdotes incitaram o povo para que dissessem: “Não a este, mas sim a Barrabás”. Em muitas igrejas hoje Jesus também não seria aceito. Em muitas dessas igrejas onde o Evangelho tem sido maculado é um retrato da igreja de Laodiceia onde o Senhor está do lado de fora da igreja batendo em Sua porta (Ap 3.20).

Os líderes dessas igrejas são inimigos da cruz. Os inimigos da cruz são mercenários, não são pastores de Cristo que amam Suas ovelhas (Jo 10.12). Estes têm sido os mais ferozes inimigos de nosso Deus e do Seu povo. Prestem atenção: Igrejas onde a Palavra de Deus é substituída por autoajuda e não de ajuda do Alto é uma igreja que está maculando a mensagem da cruz. Igrejas onde o que predomina nos púlpitos é psicologia barata e não a Palavra de Deus, estão maculando a mensagem da cruz. Igrejas onde a Teologia do Coaching tem sido ensinada, tem maculado a mensagem da cruz. Igrejas onde os líderes estão preocupados com os bens das ovelhas e não com bem delas esse lugar não é igreja, mas sinagoga de Satanás.

As mensagens pregadas nesses lugares alisam o ego, mas não traz transformação para os seus ouvintes. Preste atenção no que você ouve e no que você lê. Lugares assim não têm lugar para Jesus!

CONCLUSÃO

Quero concluir lhe perguntando: “HÁ LUGAR PARA JESUS EM SEU CORAÇÃO?” Se você tem lugar para Cristo, então, a partir deste dia, saibam de uma coisa O MUNDO NÃO TEM LUGAR PARA VOCÊS, pois o texto não só diz que não havia lugar para Jesus, mas, também diz: “Não havia lugar para eles”, não havia lugar para José nem para Maria, como tampouco havia para o bebê. A partir deste dia não haverá lugar para você na boa opinião do mundo. A partir deste momento se você tem lugar para Cristo, o mundo dificilmente encontrará um lugar de tolerância para você. Apesar de o mundo pregar contra a intolerância, o mundo não aceita opinião contrária a dele e quem segue a Cristo anda na contramão do mundo. Ser cristão hoje, compromissado com a Verdade do Evangelho é ser inimigo do mundo. Então se prepare, pois se não há lugar para Cristo, também não haverá para os que o temem e andam em Seus caminhos. Saiba que no mundo não há lugar para o homem que tem lugar para Cristo. Essa é a dura realidade do Evangelho que nos é revelado nesse texto do nascimento de Jesus. NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA HOSPEDARIA.

Por isso eu lhe pergunto mais uma vez: “Há lugar para Jesus em seu coração?”

Pense nisso!

Bibliografia:

1 – Barclay, William. Comentário do Novo Testamento, Lucas.

2 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, volume 2, Lucas e João. Editora Candeia, São Paulo, SP, 1995.

3 – Davidson, F. O Novo Comentário da Bíblia, volume 2. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1987.

4 – Hale, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento, Editora Juerp, Rio de Janeiro, RJ, 1986.

5 – Keener, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia, Novo Testamento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2017.

6 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus, o homem perfeito. Comentário Expositivo Hagnos. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017.

7 – MacArthur, John. Comentário do Novo Testamento, Lucas.

8 – Manual Bíblico SBB. Barueri, SP, 3a edição, 2018.

9 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1986.

10 – Rienecker, Fritz. Evangelho de Lucas, Comentário Esperança. Editora Esperança, Curitiba, PR, 2005.

11 – Spurgeon, Charles H. Não Havia Lugar Para Eles na Hospedaria. http://www.projetospurgeon.com.br/2013/12/nao-havia-lugar-para-cristo-na-hospedaria/, acessado em 13/12/19.

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