sexta-feira, 4 de novembro de 2022

A VIDA EM ESTADO DE PRONTIDÃO - Lucas 12.35-40

Por Pr Silas Figueira

Texto base: Lucas 12.35-40

INTRODUÇAO 

A comunhão com Jesus chama e equipa discípulos para o extraordinário. Na seção anterior (Lc 12.22-34), Jesus advertiu os discípulos que é fácil as ansiedades da vida desviarem a atenção do cuidado fiel de Deus com seus filhos. Na presente seção, Jesus passa de uma advertência para uma exortação – a vigilância, a disponibilidade e a prontidão para o inesperado. Essa exortação ressoa em toda a Escritura.1 Wiersbe destaca que Jesus desloca a ênfase da preocupação com o presente para a atenção quanto ao futuro.2

Childers diz que Jesus ainda está se dirigindo a seus discípulos na presença da multidão e Ele ainda está pensando no perigo da avareza – de estar alguém fortemente preso às coisas materiais e temporais.3 Leon Morris é do mesmo pensamento de que Jesus reforça Seu ensino sobre o uso correto dos bens com a lembrança de que as coisas terrestres são temporárias, e de que a vinda do Filho do homem e certa.4

Pensando nisso, vamos destacar algumas lições importantes desse texto.

1 – ESTEJAMOS PRONTOS PARA A VOLTA DO MESTRE (Lc 12.35,36).

A Bíblia ensina que a história humana vai acabar quando o Senhor Jesus Cristo voltar à Terra para levar seu povo para estar com Ele, estabelecer o Seu reino, e punir os maus. A segunda vinda do Filho de Deus marca o fim do mundo como nós o conhecemos. Assim como Ele veio a primeira vez e estabeleceu a Sua Igreja, Ele garantiu para os seus discípulos que retornaria par buscar a Sua Igreja (conf. Mt 16.27, 24.42; Mc 13,26,27; Lc 21.34-36; Jo 14.1-3; At 1.11; 1Ts 4.16-18, 5.23; Hb 9.28; Ap 22.20).  A Escritura é clara e confiável quando fala a respeito da segunda vinda de Cristo. A volta do Senhor Jesus em plena glória é uma doutrina essencial e central da fé cristã.

Na verdade, em alguns aspectos a doutrina da segunda vinda é a verdade mais importante de tudo. Ela identifica e descreve o ponto culminante da história da redenção, que engloba o julgamento dos ímpios, a bênção dos justos, a exaltação final e permanente e glória do Rei dos reis e Senhor dos senhores.

No entanto, existem muitas pessoas que dizem ser crentes em Jesus, mas que vivem como se a vota de Cristo nunca ocorrerá. Vivem tão apegados as coisas dessa terra como se o céu fosse aqui. Observamos isso de forma clara na nova geração de crentes. Em sua grande maioria levam uma vida sem dar qualquer testemunho de que são cristãos. Digo que são crentes porque constam no rol de membros de alguma igreja. Mas não demonstram nenhum fruto. Muitos frequentam bares e boates. Vão as festas de Halloweens fantasiados de diabo. Isso quando não fazem coisa pior.  

Por isso que o Senhor depois de falar a respeito do perigo do apego as riquezas chama os seus discípulos e dá esse alerta.

A Bíblia revela, pelo menos, algumas razões pelas quais o Senhor Jesus Cristo deve retornar a terra da mesma forma que Ele a deixou, como lemos em Atos 1.10,11: “E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir”.

1º - Em primeiro lugar, o testemunho do Antigo Testamento. O Antigo Testamento contém mais de três centenas de profecias da vinda do Messias, mais de uma centena foram cumpridas na primeira vinda de Jesus Cristo. Isso deixa pelo menos duas centenas de profecias restantes a serem cumpridas na Sua segunda vinda. Por exemplo, no Sl 2.6-9 Deus prometeu que seu filho iria ser rei sobre toda a terra e governar com mão de ferro. Is 9.6-7 descreve seu reinado como do trono de Davi. Zc 14.4-9 descreve Seu retorno à Terra para reinar como Rei. Deus não pode mentir (Tt 1.2) e não vai mudar de ideia (Nm 23.19.). As promessas que Ele fez irá cumpri-las, o Senhor Jesus Cristo voltará para cumpri-las.

2º - Em segundo lugar, as próprias afirmações de Jesus. Durante Seu ministério terreno Jesus se referiu várias vezes a respeito da sua segunda vinda (por exemplo, Mt 24.27, 30,37,39,44; Mc 13.26; 14.62; Jo 14.2,3). Ele deu um discurso extenso e detalhado (Mt 24-25.) O capítulo final da Bíblia registra a promessa de Jesus para vir novamente em suas próprias palavras (Ap 22.7,12,20). Veracidade e credibilidade de Cristo são, portanto, inseparavelmente ligada à Sua segunda vinda.

3º - Em terceiro lugar, o testemunho do Espírito Santo. O “Espírito da verdade” (Jo 14.17; 15.26; 16.13), foi Ele que inspirou os autores das Escrituras (2Pe 1.20,21), que repetidamente escreveu do retorno de Cristo (por exemplo, 1Co 1.4-7; Fl 3.20; Cl 3.4; 1 Ts 4.16,17; Tt 2.13; Hb 9.28 e Tg 5.7,8; 1Pe 1.13; 5.4; 1Jo 3.2). O Espírito, juntamente com o Pai e o Filho, testificam que Jesus Cristo voltará à Terra em triunfo e glória.

4º - Em quarto lugar, a corrupção do mundo. O retorno de Jesus Cristo é a bendita esperança dos crentes. Mas para o mundo incrédulo é a perspectiva aterrorizante de julgamento imediato, pois o Senhor Jesus Cristo trará destruição, devastação e morte para os ímpios (cf. Jo 5.25-29; 2Ts 1.7-10; Jd 14,15; Ap 19.11-16) e estabelecerá o Seu reino justo. O capítulo final da história da Terra será escrito por Jesus, o legítimo herdeiro do mundo (Hb 1.2; cf. Ap 5.1-5). Isso ocorrerá no Seu triunfante retorno.

A resposta adequada a essa realidade, em cada geração é vigilância (Mt 24.42-44; Mc 13.33-37; Lc 21.34-36). Nesta passagem Jesus tanto exortou seus seguidores a permanecerem em todos os momentos prontos para seu retorno, e disse-lhes por que tal disposição é importante.

2 – COMO DEVEMOS AGUARDAR A VOLTA DE CRISTO (Lc 12.35-40).

Champlin diz que temos aqui uma espécie de alegoria cujo principal motivo é advertir os crentes a se conservarem sempre vigilantes quanto à vinda de Cristo, que a igreja primitiva esperava que haveria de ocorrer dentro de sua própria geração.5

Nesta passagem, Jesus dá outro motivo pelo qual esta fixação àquilo que é material é perigosa. Se alguém quiser estar pronto para a volta do Mestre, a qualquer hora, deve ter o seu tesouro e o seu interesse nas coisas espirituais e eternas. A forte ligação com aquilo que é material se tornará a corrente que os prenderá aqui, quando os santos forem levados no arrebatamento.6

Jesus exorta os seus ouvintes para estarem prontos para seu retorno por meio de quatro analogias simples da vida cotidiana: roupas, lâmpadas, servos, e os ladrões.

1ª - A primeira analogia diz respeito as roupas (Lc 12.35a). “Estejam cingidos os vossos lombos”. James R. Edwards destaca que Jesus está trazendo a ideia do que ocorreu com os israelitas em Êxodo 12.11, que eles deveriam estar de prontidão para saírem do Egito.7 Os longos mantos orientais podiam impedir tanto o caminhar como o trabalho, a menos que fossem amarrados acima da cintura, para dar liberdade de movimentos aos pés e pernas. O cinto servia, portanto, a um propósito prático. O servo assim cingido estava pronto para a ação imediata, como o cristão que removeu todos os obstáculos para servir a Deus, e receber os seus favores.8

Em 1Pe 1.13 nós lemos: “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo”. As palavras de Jesus são uma chamada para prontidão, à luz do Seu retorno iminente. Que nada nos impeça de subir com quando Cristo retornar.

2ª - A segunda analogia diz respeito as lâmpadas (Lc 12.35b). Lâmpadas tem apenas uma função: para fornecer luz. Neste caso, como muitas vezes é, a luz é uma figura de conhecimento. O cristão não deve jamais negligenciar a sua luz; ele não deve permitir que seu pavio fique chamuscado ou que o seu óleo se esgote. A devoção pessoal – oração e leitura da Bíblia – e o serviço fiel manterão a lâmpada da alma ardendo com brilho.9 Jesus poderá voltar a qualquer momento, por isso, precisamos nos mantermos alertas, tendo as nossas lâmpadas sempre acesas, e não nos perdermos na escuridão espiritual.

Como disse Paulo na sua carta aos Colossenses 3.1-4: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória”.

3ª - A terceira analogia diz respeito aos servos (Lc 12.36-38). Jesus passa a retratar servos cujo senhor fora para uma festa de casamento, e que o esperam de volta a qualquer momento. Não serão achados despreparados, mas, sim, abrirão a porta tão logo ele bata, e se demonstrarão prontos para qualquer serviço que ele desejar.10

Devido a essa prontidão, o senhor não iria deixar de recompensar aqueles servos que ele encontrou em estado de alerta, quando ele voltou. Em uma inversão de papéis incrível, para demonstrar o prazer do senhor em tal disposição, Jesus diz que o senhor passou a cingir-se a servir os que o serviam e tinham eles à mesa como seus iguais. Isso é o que o próprio Jesus fez para Seus amados discípulos (Jo 13.1-5; cf. Mt 20.28; Lc 22.27). Que grande privilégio!

4ª - A quarta analogia diz respeito ao ladrão (Lc 12.39,40). O quadro agora apresentado não é de um senhor de volta, mas de um ladrão. O elemento surpresa associada à chegada clandestina de um ladrão se encaixa o ponto da imprevisibilidade da volta do Senhor. Em Apocalipse 3.3 Jesus advertiu a igreja de Sardes, “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei”. Tanto 1 Tessalonicenses 5.2-4 e 2 Pedro 3.10 comparam a vinda do Dia do Senhor com a de um ladrão.

Jesus resume os quatro das analogias dando uma exortação final: “Portanto, estai vós também apercebidos; porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais” (Lc 12.40). Este versículo amplifica e completa o anterior. O dono da casa está despreparado para o ladrão porque ele não “sabe” de sua vinda. Mas quando o Filho do Homem vier, é desnecessário que os seus seguidores professos sejam apanhados despreparados, pois eles podem e vão “saber”. Eles não sabem a hora de sua vinda, mas sabem, com certeza, que Ele virá. A solução é: Esteja sempre pronto. Portanto, o verdadeiro segredo da vinda do Senhor Jesus Cristo é um incentivo adicional para um permanente e elevado grau de discipulado.11

CONCLUSÃO

Jesus traz um alerta para seus discípulos para não ficarem presos as coisas dessa terra, não que seja proibido obter bens materiais, mas o grande perigo é quando essas coisas tomam o lugar de adoração em nossas vidas. Quando os bens materiais se tornam o nosso deus. O alerta de Jesus é para estarmos com os nossos olhos fixos no céu. Não nos esquecendo que a qualquer momento o Senhor virá e nós não sabemos a que hora isso ocorrerá. Por isso, devemos estar em estado de prontidão porque o Senhor logo virá.

Pense nisso!

Bibliografia

1 – Edwards, James R. o Comentário em Lucas, Ed. Shedd, Sto Amaro, SP, 2019, p. 484.

2 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 288.

3 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 431.

4 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 204.

5 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, Vol. 2, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 130

6 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 431.

7 – Edwards, James R. O Comentário de Lucas, Ed. Shedd, Sto Amaro, SP, 2019, p. 484.

8 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 431.

9 – Ibidem, p. 431.

10 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 204.

11 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 432. 

domingo, 16 de outubro de 2022

A INSENSATEZ DA RIQUEZA E AS PREOCUPAÇÕES DA VIDA - Lucas 12.13-34

 

Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: Lucas 12.13-34

INTRODUÇÃO

Quem nunca sonhou em ficar rico em ter muito dinheiro de tal forma que não precisasse se preocupar com nada? Não ter a preocupação em ter dinheiro no final do mês para pagar o aluguel, a prestação da casa própria ou do carro, isso sem contar com a conta de água, luz, telefone, escola das crianças, dinheiro para compra do remédio de uso contínuo, ou simplesmente de por o pão de cada dia sobre a mesa.

Ah! O dinheiro, como esse papel moeda faz toda a diferença na vida da gente. Uns tem muito, outros pouco e alguns não tem nada. Como dizem alguns: “Dinheiro não é problema, dinheiro é a solução!”. Mas há um pequeno, ou gigantesco problema em relação ao dinheiro que a Bíblia nos alerta: “Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda” Ec 5.10 – ARA.

O dinheiro é bom e necessário, mas ele não é tudo. O problema não é ter ou não ter muito dinheiro, mas a importância que ele exerce em nossa vida. A maneira como olhamos para ele e qual a influência que ele exerce sobre nós que é a grande questão. O dinheiro em si não tem nada, mas ele pode tornar-se um dos maiores males de nossa vida porque o dinheiro não é só uma moeda, o dinheiro é um ídolo. Jesus chamou a riqueza de mamom que é um demônio (Mt 6.24). Quando ele se torna um deus para mim e para você é aí que mora o perigo.

Como nos alerta o Reverendo Hernandes Dias Lopes quando nos diz que o dinheiro é o maior senhor de escravos do mundo. Milhões de pessoas se prostram em seu altar todos os dias e dedicam tempo, talento, vida e, devoção a esse deus. Muitas pessoas pisam arrogantemente no próximo e sacrificam até a família para satisfazerem os caprichos insaciáveis dessa divindade. Há indivíduos “[...] que só se preocupam com coisas terrenas” (Fl 3.19). Fazem do dinheiro a razão da sua vida [1].  

O texto que lemos nos mostra o perigo de confiarmos na riqueza e sermos pobres para com Deus, mas também nos fala da riqueza que temos em confiarmos nEle.

Por isso eu quero pensar com você nesse texto onde o Senhor Jesus nos acalma o coração e nos leva a vivermos pela fé, sabendo que o Pai tem cuidado de nós.

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE O SENHOR NOS ENSINA É SOBRE O PERIGO DA GANÂNCIA (Lc 12.13-15).

Alguém da multidão lhe disse: “Mestre, dize a meu irmão que divida a herança comigo”. Respondeu Jesus: “Homem, quem me designou juiz ou árbitro entre vocês?” Então lhes disse: “Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens” (NVI).

Dentre a multidão aparece alguém pedindo ajuda em relação à divisão de uma herança, mas o Senhor identificou logo que a questão ia muito além de uma simples divisão de uma herdade. A causa principal era a ganância que estava no coração da pessoa que pediu ajuda, ou dos dois irmãos. A pessoa pediu ajuda para se beneficiar financeiramente essa era a questão. Por isso que o Senhor se posicionou contra ele e seu pedido, pois enquanto os dois fossem gananciosos, nenhum acordo seria satisfatório.

Com isso eu aprendo que:

1º - Há pessoas que estão procurando Jesus, mas estão mal intencionadas (Lc 12.13). Estamos vivendo uma época em que as pessoas estão indo até Jesus não para alcançarem a salvação, mas para buscarem uma bênção. Seja ela financeira, de cura ou outra coisa qualquer. Aliás, na maioria das nossas igrejas a palavra salvação já deixou de ser pregada há muito tempo. O assunto é ficar rico. Recentemente eu assisti a um vídeo em que um determinado pastor pedia uma oferta especial, e os que ofertassem teria uma colheita abundante, mas para isso eles deveriam ofertar da seguinte maneira:

Sete pessoas com uma oferta acima de R$ 10.000,00: “Uma Colheita Incontável” (1Rs 18.30).
Dez pessoas com uma oferta acima de R$ 10.000,00: “Uma Colheita Incomparável” (1Rs 17.14).
Doze pessoas com uma oferta acima de R$ 5.000,00: “Uma Colheita Milagrosa” (2Rs 3.20).
Vinte pessoas com uma oferta acima de R$ 1.000,00: “Uma Colheita Abundante” (Gn 26.12).
Cem pessoas com uma oferta de qualquer valor: “Uma Colheita para mudar sua sorte” (2Sm 29.24,25).

Nós chamamos esse tipo de mensagem do evangelho de “Teologia da Prosperidade”.  Quem contribui para esses ministérios e tem fé nesse tipo de mensagem é gente que só vai a Jesus mal intencionado. É gente gananciosa assim como os pastores que pregam tal heresia.

É gente cega pela ganância e que acredita que melhorarão de vida investindo tudo que possuem para receber o dobro ou mais. É gente cega por mamom e completamente longe de Jesus.

Aprendo também que:

2º - Há pessoas que pensam que são melhores que as outras por causa do bem que possuem (Lc 12.15). A sociedade julga as pessoas pelo bem que possuem, disso não deveríamos estranhar, mas acontece que isso tem acontecido dentro da igreja também.

Se uma pessoa tem uma boa casa, um bom carro, um bom emprego... Logo alguém diz que essa pessoa é muito abençoada. O parâmetro que estão medindo uma pessoa abençoada não é pela vida devota e piedosa que essa pessoa tem, mas pelos bens que possui. A culpa de tudo isso não é da sociedade sem Deus, mas de pastores que deixaram de pregar a verdadeira mensagem do Evangelho e pregam que a bênção está no ter e não no ser. Por isso que há em muitas igrejas hoje pessoas que vivem de aparência, gente toda endividada, mas que estão andando nos seus carros do último tipo, mas comendo Miojo para manter a pose. 

Não sei se você sabe, mas na década de 1950, nós consumíamos cinco vezes menos do que hoje. Não éramos monos felizes por isso. Na década de 1970, mais de 70% das famílias dependiam de apenas uma renda para a família; hoje, mais de 70% das famílias dependem de duas rendas para manter o padrão. Ou seja, o luxo de ontem, tornou-se a necessidade imperativa de hoje. As propagandas apelativas tentam abrir um buraco de insatisfação dentro de nós, berrando aos nossos ouvidos que se não usarmos os seus produtos estaremos à margem da verdadeira felicidade [2]. 

Não há dúvidas de que esse apego excessivo às coisas é um dos mais danosos hábitos que alguém pode ter. Como é uma atitude bastante natural no ser humano, raramente reconhecemos a malignidade dela; mas suas consequências são trágicas. Como nos alertou Paulo em sua carta em 1 Timóteo 6.9,19:

“Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos” (1Tm 6.9,10 –NVI).

A avareza é a sede insaciável de uma quantidade cada vez maior de algo que acreditamos ser necessário para nos fazer sentir verdadeiramente satisfeitos. Pode ser a sede de dinheiro ou das coisas que o dinheiro pode comprar, pode também ser a sede de cargos e de poder. Jesus deixou claro que a vida verdadeira não depende da abundância de posses. Não negou que temos certas necessidades básicas (Mt 6.32; 1Tm 6.17). Apenas afirmou que não tornaremos a vida mais rica adquirindo mais coisas [3].

Aprendo também que:

3º - Há pessoas que lutam tanto pelas riquezas desta vida que se esquece de serem ricas para com Deus (Lc 12.20,21). Há pessoas que só pensam na vida aqui e agora e nem se lembram de que um dia irão morrer e terão que prestar contas a Deus da vida que tiveram.

O que significa ser “rico para com Deus”? Significa reconhecer com gratidão que tudo o que temos vem de Deus e nos esforçar para usar o que Ele nos dá para o bem de outros e para a glória de Deus. A riqueza pode ser desfrutada e usada ao mesmo tempo se nosso propósito é honrar a Deus (1Tm 6.10ss). Ser rico com Deus significa enriquecimento espiritual, não apenas prazer pessoal. Como é triste quando as pessoas são ricas nesta vida e pobres na outra! [4].

ILUSTRAÇÃO

Conta-se uma história que Carlos Magno pediu para ser enterrado sentado em seu trono. Pediu para que a coroa fosse colocada em sua cabeça e o cetro na mão. Exigiu que a capa real fosse colocada em volta dos ombros e um livro aberto fosse posto em seu colo.

Isso ocorreu em 814 d.C. Quase duzentos anos mais tarde, o imperador Otelo deu ordens para verificar se o pedido de enterro fora atendido. Conta-se que ele enviou um grupo de homens para abrir o túmulo e fazer um relatório. Só que agora, quase dois séculos depois, a cena era horrível. A coroa estava inclinada, o manto comido pelas traças, o corpo desfigurado. Porém, nas coxas esqueléticas, o livro que Carlos Magno estava aberto: a Bíblia. Um dedo descarnado apontava para Mateus 16.26: “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?”

A SEGUNDA LIÇÃO QUE O SENHOR NOS ENSINA É QUE O PAI CUIDA DE NÓS NOS MÍNIMOS DETALHES (Lc 12.22-30).

Jesus depois de mostrar o perigo da ganância, Ele agora conforta os seus discípulos dizendo que o Pai estaria cuidando deles o tempo todo. Por isso, eles não deveriam viver ansiosos por coisa alguma. A ansiedade nada mais é que o medo do futuro e isso na verdade é falta de fé. É desacreditar do cuidado divino. É desacreditar das promessas da Palavra de Deus.

Uma preocupação exclusiva com o alimento, bebida e roupas poderia se justificar apenas se a sobrevivência física fosse tudo nesta vida. Se vivêssemos apenas para viver, então, sim, o sustento do nosso corpo seria a nossa principal preocupação [5].

Assim como o pai humano cuida de seus filhos e de suas necessidades básicas assim o Senhor também cuida das nossas necessidades físicas, emocionais e espirituais. É um cuidado completo, mas para isso eu preciso confiar no que Ele está fazendo e me sujeitar ao que Ele está fazendo.

Com isso eu aprendo que:

1º - O Senhor não nos isenta de pensarmos no futuro em qualquer sentido, e muito menos de fazermos provisão para o futuro. Tanto que Jesus utiliza-se do argumento das aves que voam no espaço. Não é verdade afirmar-se que as aves têm apenas de ficar empoleiradas em alguma árvore ou poste, esperando até que o alimento lhe seja trazido mecanicamente. Isso não corresponde à realidade. Elas buscam ativamente o seu alimento. Há uma intensa atividade entre as aves, pelo que o próprio argumento empregado pelo Senhor Jesus, exclui inteiramente a possibilidade de interpretarmos esse Seu ensino como se envolvesse coisa alguma. Nosso Senhor jamais condenou os agricultores por ararem o terreno, desterroarem a terra, semearem e colherem a colheita, e, finalmente, juntarem em celeiros a safra do ano [6].

Tanto que a Bíblia nos fala que quem não trabalha também não é digna de comer (2Ts 3.10).

Aprendo também que:

2º - Estar livre de preocupação não nos isenta de dificuldades. Seria muita ingenuidade de nossa parte pensar que por sermos cristãos estaremos imunes das adversidades da vida. Seria uma má leitura do texto e da Bíblia como um todo. Tanto que o apóstolo Paulo fortalecendo a fé dos irmãos de Listra, Icônio e Antioquia disse: “É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus” (At 14.22 – NVI). E escrevendo aos Filipenses no capítulo 4.10-13 disse:

“Alegro-me grandemente no Senhor, porque finalmente vocês renovaram o seu interesse por mim. De fato, vocês já se interessavam, mas não tinham oportunidade para demonstrá-lo. Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece”.

Os infortúnios da vida sempre estarão presentes enquanto vivermos. A diferença é que nós confiamos que o Senhor cuida de nós. Que Ele vela por nossas vidas e que nenhum mal não atingirá a não se que haja um propósito da parte de Deus nisso, ainda que não venhamos entender. Como nos fala Paulo em Rm 8.28:

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (NVI).

Aprendo também que:

3º - A preocupação exagerada é incompatível com a fé cristã (Lc 12.24). Jesus utiliza o argumento do menor para o maior para mostrar a importância de cada coisa dentro de uma escala divina. Jesus não morreu na cruz pelas aves do céu e muito menos pelos lírios do campo, mas derramou o Seu sangue por você e por mim. Como nos fala Rm 8.32:

“Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas?” (NVI).

O Doador da vida cuidará para que nos sejam providenciados o sustento e tudo quanto for necessário para esta vida.

John Stott citando Martinho Lutero diz: “Vejam, ele está fazendo das aves nossos professores e mestres. É uma grande e permanente vergonha para nós o fato de, no Evangelho, um frágil pardal se tornar teólogo e pegador para o mais sábio dentre os homens” [7].

Jesus cita os pássaros para mostrar o cuidado de Deus para com eles e para nos servir de exemplo de como o Senhor cuida de nós muito mais. Observe que os pássaros têm seus ninhos em árvores, pelo menos a maioria, e ficam expostos à natureza – a chuva, ao sol, ao vento, ao frio... – no entanto o Senhor Jesus diz que o Pai cuida delas.

Observe uma coisa comigo e veja o quanto você é rico e não sabia:

1) Você tem casa com dois ou mais quartos?
2) Você tem carro?
3) Você tem banheiro privativo?
4) Você tem água encanada?
5) Você tem chuveiro quente?
6) Você tem dinheiro para comprar alimento?
Então, você é rico! [8].

O apóstolo Paulo escrevendo ao seu filho na fé Timóteo disse:

“De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos” (1Tm 6.6-8 – NVI).

A TERCEIRA LIÇÃO QUE O SENHOR NOS ENSINA É QUE DEVEMOS INVESTIR O MELHOR QUE TEMOS EM SEU REINO (Lc 12.31-34).

Esse ensinamento é totalmente contrário a tudo que o mundo ensina. Essas palavras vão de encontro a tudo que se tem ouvido através da mídia e em muitos púlpitos por aí. Esse ensinamento procede? É isso mesmo que devemos fazer? Eu só posso lhes dizer que sim e não. Mas como assim? Devemos sim fazer o que nos é ensinado por Jesus, mas não devemos fazer por mera religiosidade, mas por termos compromisso com o Reino de Deus. Não por barganha como muitas pessoas têm feito, mas por amor ao Senhor e por crermos que Ele tem o melhor para nós.

Com isso eu aprendo que:

1º - Devemos colocar o Reino Deus em primeiro lugar em nossas vidas (Lc 12.31 conf. Mt 6.33). A primeira ambição na vida de um cristão deve ser a busca pelo Reino de Deus. Podemos ter outras ambições, não há problema algum, dede que estas sejam legítimas e glorifiquem o nome do Senhor. Mas o que vem em primeiro lugar é o Reino de Deus em nossas vidas. Essa não uma opção é uma ordem.

Pois quando eu coloco o Reino de Deus em primeiro lugar as demais preocupações se tornam uma perda de tempo. Com isso, eu não que quero dizer que não devemos planejar o futuro, mas que não devemos nos preocupar com ele além da conta. Devemos entender que na vida do cristão a prioridade é o Reino de Deus as demais coisas nos serão acrescentadas. Pois, toda e qualquer conquista nesta vida se não estiver em segundo lugar em nossas vidas isso se tornará idolatria. 

Aprendo também que:

2º - Não devemos nos apegar excessivamente as coisas desta terra (Lc 12.33,34). Quando o Senhor nos diz:

“Vendam o que têm e deem esmolas. Façam para vocês bolsas que não se gastem com o tempo, um tesouro nos céus que não se acabe, onde ladrão algum chega perto e nenhuma traça destrói. Pois onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração”.

O Senhor está nos alertando para as futilidades das riquezas, pois tem gente que é rica para consigo mesmo, mas não é rica para abençoar o próximo. Há pessoas que são como o Mar Morto que só recebem, mas estão mortas porque não sabem doar.

Quando o Senhor diz para se vender o que se tem, Ele não está dizendo que não devemos possuir as coisas; Ele está dizendo que não devemos ser possuídos por elas. O vender o que se tem são os excessos que acumulamos e acumulamos e já não temos onde por. Por isso Ele disse para vender e repartir o dinheiro com os necessitados.

O mesmo conselho Jesus deu ao jovem rico (Mc 10.17-27). O possuir virou uma cegueira na vida de muitas pessoas. Como falamos anteriormente, as pessoas são medidas pelo que possuem e não pelo que são, e é contra esse mal que o Senhor nos alerta mais uma vez aqui.

É ter o necessário e ficar satisfeito. Como nos disse Paulo em 1Tm 6.7,8:

“Pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos” (NVI).

A questão é: onde está o seu tesouro? Onde ele estiver ali estará o seu coração. 
 
Aprendo também que:

3º - O Pai reservou o Reino para os que o temem (Lc 12.32). Enquanto muitas pessoas estão se transpassando com muitas dores para ficarem ricas (1Tm 6.9,10), o Senhor reservou para os que o temem o melhor, não nesta terra, mas nos céus.

A nossa felicidade não está firmada no que é fugas, mas no que é eterno. Como nos fala João em sua primeira carta:

“O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1Jo 2.17 – NVI).

Quem vive pela fé sempre a terá fé sendo testada, pois a fé é um constante teste. Por sua vez quem vive pela fé tem a certeza de que o Senhor está com ele e que de nada terá falta. Mas isso é uma questão de fé.

CONCLUSÃO

O Pai nos reservou o Reino, mas cuida de nós desde aqui. Observe bem o texto de Lucas 12.25-31:

“Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? Visto que vocês não podem sequer fazer uma coisa tão pequena, por que se preocupar com o restante? Observem como crescem os lírios. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais vestirá vocês, homens de pequena fé! Não busquem ansiosamente o que comer ou beber; não se preocupem com isso. Pois o mundo pagão é que corre atrás dessas coisas; mas o Pai sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, o Reino de Deus, e essas coisas lhes serão acrescentadas” (NVI).

O que falar diante de um texto tão rico como este onde somos confortados de que Ele cuida de nós, tem cuidado de nós e continuará cuidando de nós!

Pense nisso!

Notas

1 – Lopes, Hernandes Dias. Riqueza, a prosperidade que vem de Deus. Editora United Press, São Paulo, SP, 2014: p. 12.
2 – Ibid, p. 14.
3 – Wiersbe, Warren W. Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012, p. 286.
4 – Ibid, p. 288.
5 – Stott, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. Editora ABU, São Paulo, SP, 1986: p. 168.
6 – Lloyd-Jones, D. Martyn. Estudo no Sermão do Monte. Editora Fiel, São Paulo, SP, 1984, p. 393.
7 – Stott, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. Editora ABU, São Paulo, SP, 1986: p. 171.
8 – Lopes, Hernandes Dias. Riqueza, a prosperidade que vem de Deus. Editora United Press, São Paulo, SP, 2014: p. 28.

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

O PERIGO DO FERMENTO DA HIPOCRISIA - Lucas 12.1-12


Por Pr Silas Figueira

Texto base: Lucas 12.1-12

INTRODUÇÃO

A controvérsia que começou no capítulo onze a partir do versículo quatorze ainda está em andamento. Essa controvérsia começou depois que Jesus expulsou um demônio de um homem que o deixava mudo e cego (Mt 12.22). Os fariseus (Mt 12.24) e os escribas (Mc 3.22) começaram a blasfemar e dizer que Jesus fazia tais prodígios pelo poder de Belzebu, o príncipe dos demônios – Satanás. Depois desse ocorrido um fariseu convidou Jesus para jantar em sua casa (Lc 11.37). Na casa desse fariseu Jesus destaca a hipocrisia dos fariseus e dos escribas (Lc 11.39-54). Fritz Rienecker destaca que os discípulos que talvez estivessem do lado de fora da casa do fariseu devem ter percebido que Jesus se encontrava em uma situação extremamente perigosa (Lc 11.53,54). Então Jesus sai da casa e dirige-se aos seus seguidores. Lemos no texto do v. 1: “Ele disse a seus discípulos”. Jesus sente a necessidade de voltar-se de forma especial aos seus que, como provavelmente é correto presumir, denotam um semblante totalmente atemorizado [1]. Quando Jesus revelou a hipocrisia dos líderes judeus a ira deles contra Jesus se tornou visível. Jesus fez isso, pois esses líderes eram uma influência entre o povo. O Reverendo Hernandes Dias Lopes destaca que aqueles que se tornaram incorrigíveis ainda poderiam influenciar perigosamente os discípulos, através de sua hipocrisia [2].

A hipocrisia religiosa dos fariseus não podia oferecer o verdadeiro conhecimento de Deus, pois não o conheciam, devido a isso, esses homens tinham uma visão distorcida do pecado e da salvação, por isso Jesus os confronta retirando a máscara da hipocrisia que se escondiam. Todo falso líder religioso afirma conhecer a verdade, mas, na realidade, nenhum deles conhece. E uma vez que esses líderes religiosos não tinham verdade em si mesmo, eles eram hipócritas vazios. Por isso, era uma má influência para o povo e, principalmente, para os discípulos de Jesus.

Quais as lições que podemos tirar desse texto?

1 – DEVEMOS TER CUIDADO COM A HIPOCRISIA (Lc 12.1).

Mas como podemos definir uma pessoa hipócrita? Hipócrita é aquela ou aquele que demonstra uma coisa, quando sente ou pensa outra, que dissimula sua verdadeira personalidade e afeta, quase sempre por motivos interesseiros ou por medo de assumir sua verdadeira natureza, qualidades ou sentimentos que não possui.

Com isso em mente podemos destacar três coisas:

1º - E primeiro lugar, o hipócrita é um ator. A palavra grega hupokritēs (hipócritas) era originalmente um termo secular referindo-se a um ator que desempenhou um papel no palco. Mas no Novo Testamento, tornou-se um termo religioso, usado exclusivamente no sentido negativo de alguém que diz falar em Deus, mas não vivem o que pregam, por isso são hipócritas. A definição original teatral de hupokritēs expressa figurativamente a natureza dos enganadores espirituais. Um ator tenta desempenhar um papel convincente no palco, fingindo ser alguém que não é, o falso religioso também.

2º - Em segundo lugar, sempre haverá hipócritas em todas as áreas da vida. Pessoas que tentam impressionar os outros e esconder seu verdadeiro eu. Na vida cristã, hipócrita é alguém que tenta parecer mais espiritual do que é de fato. Essas pessoas sabem que estão fingindo e esperam não ser descobertas. Sua vida cristã não passa de uma farsa [3]. J. C. Ryle diz que se não desejamos nos tornar fariseus, cultivemos um cristianismo que envolve todo nosso coração. Diariamente compreendemos que o Deus a quem temos de prestar contas vê muito além da superficialidade daquilo que professamos ser e nos avalia de acordo com o estado de nosso coração. Sejamos autênticos e verdadeiros em nosso cristianismo [4].

3º - Em terceiro lugar, a hipocrisia é como um fermento (Lc 12.1b). O fermento ou levedo é associado ao mal nas Escrituras (Êx 12.15-20; 1Co 5.6-8; G1 5.9). Assim como o fermento, a hipocrisia começa pequena, mas, de forma rápida e silenciosa, cresce e contamina toda a pessoa, fazendo-a inchar de soberba e orgulho [5]. Alcione Emerich diz que a massa representa o evangelho de forma geral, com sua mensagem (vida, perdão, salvação, ressurreição, pecado, confissão, restauração, arrependimento, etc.), mas o fermento, que é a menor parte, pode representar pequenos ensinamentos que vão se infiltrando e, sem que percebamos, vamos sendo contaminados e adoecemos progressivamente [6].

2 – A HIPOCRISIA SERÁ REVELADA POR DEUS (Lc 12.2,3).

A arte de ser hipócrita depende da capacidade de conservar algumas coisas ocultas. Quando o ocultamento já não é possível, o hipócrita é inevitavelmente desmascarado [7]. A lição que Jesus tencionava ensinar, ao mencionar aqui o fermento, é que o caráter hipócrita dos homens não pode ficar oculto para sempre, mas que finalmente será completamente revelado [8].  

Com isso em mente, podemos destacar duas coisas aqui:

1º - Em primeiro lugar, a hipocrisia é inútil diante de Deus (Lc 12.2). Jesus ecoa o verso final de Eclesiastes, onde Salomão advertiu que “Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” (Ec 12.14). Isto mostra como são tolos aqueles que praticam a hipocrisia e o fingimento. A religião tem a ver com o relacionamento do homem com Deus. Como Deus sabe de tudo, e no final revelará tudo, como é tolo alguém ficar contente com a forma e a sombra sem se importar com a realidade! É totalmente estúpido alguém ter a esperança de enganar o infinito conhecimento e a justiça de Deus! [9].

2º - Em segundo lugar, Jesus fundamenta o perigo da hipocrisia farisaica com uma ameaça (Lc 12.2). A hipocrisia é uma grande insensatez, pois aquilo que o homem esconde atrás das máscaras acaba por vir à tona. O que é feito atrás dos bastidores acaba por vir à plena luz. Aquilo que é dito às escondidas acaba por ser proclamado dos eirados. O oculto sempre será revelado, senão neste mundo, no porvir. A Bíblia diz: “Até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa” (Sl 139.12) [10]. No dia do Juízo tudo será revelado. Nesse dia as pessoas serão julgadas pelo que pensaram, falaram e agiram. O Justo Juiz, Jesus Cristo, já não será mais o Advogado, mas juiz. E ninguém terá como se defender de suas acusações.

3 – A CAUSA DA HIPOCRISIA (Lc 12.4-7).

A referência ao medo é feita cinco vezes em Lucas 12.1-7. Os versículos 4-7 são uma exortação para temer a Deus, e não àqueles que podem matar apenas o corpo. Contudo, o perigo também é espiritual. No NT, aquele que tem o poder para lançar alguém no inferno é Deus, e não o diabo (Mc 9.45,47; Tg 4.12) [11]. Wiersbe deixa claro que uma das principais causas da hipocrisia é o medo dos outros. Quando temos medo do que os outros vão dizer de nós ou fazer contra nós, tentamos impressioná-los, a fim de obter sua aprovação [12]. Os hipócritas temem os homens, mas não temem a Deus. Temem o que os outros irão falar a respeito deles, mas não temem a Deus que irá julgar seus atos pecaminosos.

Com isso em mente, podemos destacar três coisas:

1º - Em primeiro lugar, Jesus alerta os seus discípulos dos perigos futuros (Lc 12.5). Esta é a única vez que Jesus chama seus discípulos de “amigos” em Lucas. Faz isso para alertá-los sobre a causa da hipocrisia, que é o medo dos outros: o medo de não ser aceito, de ser criticado, de ser rejeitado, de ser perseguido. Em vez de temermos os outros que podem nos criticar, perseguir e até matar, devemos temer a Deus. Ele tem o poder de tirar a vida e até lançar a alma das pessoas no inferno. A autoridade de Deus se estende além da morte [13]. Jesus, no entanto, não esconde de seus discípulos a magnitude do perigo em que serão lançados! Não lhes assegura proteção para sua vida física. Mas como consolo mostra-lhes ao mesmo tempo o limite do poder humano hostil [14].

2º - Em segundo lugar, Jesus alerta os discípulos a temerem somente a Deus (Lc 12.5). Os hipócritas não temem a Deus, eles temem o que os outros irão falar a respeito deles. Mas Deus punirá os hipócritas no inferno. Jesus deixa claro para os seus discípulos não terem medo dos seres humanos, que nos piores cenários só podem matar o corpo e depois disso nada mais podem fazer. Por outro lado, Jesus passou a alertar a quem deviam temer, eles deviam temer Aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar a alma no inferno. A palavra “inferno” é “Geena” e refere-se ao vale de Hinom, localizada fora de Jerusalém. Dentro desse vale os judeus apóstatas tinham construído um local de culto, onde eles sacrificaram seus filhos ao deus pagão Moloque, queimando-os em fogo (Jr 7.31). Esse santuário foi profanado pelo piedoso rei Josias, como parte de suas reformas (2Rs 23.10), e, eventualmente, o local tornou-se depósito de lixo da cidade de Jerusalém. Era um lugar onde o fogo estava em constantemente combustão, por isso, Geena passou a ser usado em sentido figurado para falar do inferno eterno (cf. Mt 5.22,29,30; 10.28; 18.9.; 23.15, 33; Mc 9.43,45,47; Tg 3.6). Jesus deixa claro aqui que o inferno é real.

3º - Em terceiro lugar, não precisamos temer o futuro (Lc 12.6,7). Se o fim dos hipócritas é o castigo eterno, o fim dos salvos em Cristo é o gozo eterno (Ap 21.1-7). O cuidado de Deus estende-se não apenas a uma pessoa, mas até mesmo o aspecto mais secundário, os cabelos de nossa cabeça estão debaixo da providência de Deus. Nós não nos importamos muito com o fato de que diariamente perdemos alguns dos nossos 140.000 fios de cabelo. Deus, porém, diante do qual ocupamos posição de destaque em relação a todos os pardais, importa-se com as mínimas coisas de nossa vida. Por isso, lancemos fora o temor diante de pessoas e da natureza: não podeis cair sem o consentimento de Deus; e quando ele consente isso certamente redundará no melhor para seu filho! Consequentemente, o único temor que o discípulo pode e deve ter é o temor diante de Deus. Contudo, o significado de temor (reverência) a Deus será concretizado nas palavras subsequentes. A principal característica, a essência mais central desse temor é confiança absoluta e obediência incondicional [15].

4 – FIDELIDADE A DEUS O ANTÍDOTO CONTRA A HIPOCRISIA (Lc 12.8,9).

Em vez de negarmos nossa fé em Cristo, na terra, para ganharmos o aplauso dos outros, devemos confessar nossa fé em Cristo, diante dos outros, para recebermos aprovação nos céus. O que adianta sermos aprovados pelos outros e sermos reprovados por Jesus? O que adianta ganharmos troféus na terra e sermos rejeitados no céu? O que adianta sermos confessados perante os outros por causa da hipocrisia e sermos desmascarados e reprovados por Jesus perante os santos anjos no céu? [16]. Nesse tempo que se fala tanto em cancelamento, muitas pessoas, para serem aceitas pelas outras pessoas, negam a fé.

Podemos tirar duas lições importantes desse texto para nós:

1º - Em primeiro lugar, devemos professar Cristo abertamente (Lc 12.8). Nossa atitude diante de Jesus é a da máxima importância. Se um homem O confessar diante dos homens, Jesus o confessará diante dos anjos de Deus (Mateus diz “diante de meu Pai que está nos céus” Mt 10.32). Este é encorajamento caloroso para o dia do juízo. Mas o homem que negar Jesus (“repudiar”) enfrentará a negação final [17]. William Hendriksen destaca que esta palavra, confessar ou reconhecer, mostra que a mensagem levada pelos discípulos não devia ser friamente objetiva, um mero recital de palavras memorizadas. Ao contrário, o coração desses homens deve estar em sua mensagem. Sua pregação devia consistir em dar testemunho. Devia incluir seu testemunho pessoal (SI 66.16) [18].

A essência de confessar Jesus como Senhor é a abnegação, a apresentação de todos os aspectos da sua vida ao Seu controle soberano como um escravo ao seu mestre (Lc 7.8). Em Lucas 9.23,24 Jesus declarou: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará” (cf. Gl 2.20; Cl 3.3). Wiersbe é enfático ao dizer que não importa se nosso nome será reconhecido pelos homens aqui na Terra; o mais importante é que Deus nos reconheça no céu (ver 2Tm 2.8-14) [19].

2º - Em segundo lugar, aquele o negar diante dos homens será negado diante de Deus e seus anjos (Lc 12.9). Aquele que nega seus pais diante de seus amigos não é digno do lar a que pertence. E aquele que nega a sua relação com o Salvador, rompe essa relação. Aquele que testemunha por meio de seus atos não ter uma relação espiritual com Cristo recebe a negação da parte de Deus, nos céus, e aquilo que recebe no julgamento não é o resultado de um espírito de vingança da parte de Deus. Antes, é o reconhecimento de um fato. Ser filho de Deus e um cidadão dos céus é uma situação que não pode existir onde a falta de amor, o egoísmo e a covardia caracterizam a atitude humana em relação a Deus [20].

J. C. Ryle nos alerta para o fato de que confessar Cristo nos trará zombaria, desprezo, escárnio, ridículo, inimizade e perseguição. Os ímpios rejeitam a verdade. O mundo que odiou a Cristo odiará os verdadeiros os cristãos. Mas negar a Cristo ou envergonhar-nos de seu evangelho pode nos proporcionar uma pequena medida de boa opinião dos outros, por alguns anos, mas não nos proporcionará paz verdadeira. No entanto, se ele nos negar no último dia, isto será nossa ruína no inferno durante toda a eternidade. Abandonemos nossos covardes temores. Confessemos a Cristo [21].

5 – O PERIGO DO FERMENTO DA HIPOCRISIA (12.10-12).

A hipocrisia pode começar pequena como um pouco de fermento, mas cresce a ponto de levar uma pessoa não apenas a negar sua verdadeira identidade, mas a negar também a identidade de Cristo, associando-o aos demônios (11.15) [22]. Ou seja, o fermento da hipocrisia cresce e desenvolve a blasfêmia. A pessoa blasfema contra o Pai, contra o Filho e o pior, contra o Espírito Santo. E Jesus deixou claro que a blasfêmia contra o Espírito Santo era algo inaceitável a ponto de não haver perdão para quem tal coisa fizer. Mas fica uma pergunta: o que é a blasfêmia contra o Espírito Santo e por que é algo imperdoável?

1º - Em primeiro lugar, a blasfêmia contra o Espírito Santo é negar o Seu testemunho a respeito de Jesus. O Espírito revela a verdade da salvação em Cristo, e aqueles que falam mal dessa revelação como os fariseus tinham feito (Lc 11.15), rejeita o testemunho do Espírito Santo a respeito de Cristo (cf. Jo 15.26), isolando-se da única fonte divina, a verdade salvadora. Por isso eles não podem ser salvos.

2º - Em segundo lugar, a blasfêmia contra o Espírito Santo é associá-lo aos demônios (Lc 11.15). Em Mateus 12.31,32 nos diz: “Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro”. O contexto dá a entender que o “pecado imperdoável” é atribuir obstinadamente a Satanás uma obra que é do Espírito Santo. A blasfêmia contra o Espírito é uma rejeição escarnecedora do Espírito, como o único Revelador da santa propiciação realizada por Deus [23].

3º - Em terceiro lugar, por que é algo imperdoável? Quando lemos Lucas 12.10 a ideia que se tem é que há um pecado maior do que o outro. Deus quer perdoar uns e não outros? Em Marcos lemos: “Na verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem; Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo” (Mc 3.28,29).

C. S. Lewis escreveu certa vez algo que esclarece este ponto. Ele disse: “só existem dois tipos de pessoas: as que dizem a Deus: ‘Seja feita a tua vontade’, e aquelas a quem Deus diz: ‘A sua vontade seja feita’”. Quando nos arrependemos, dizemos que a vontade de Deus deve ser feita em nossa vida, que é o nosso perdão. Quando não há arrependimento, o homem escolhe viver afastado de Deus e conforme sabemos Deus não forçaria alguém a viver em sua presença sem que quisesse.

O pecado imperdoável é o estado de descrença contínua. “O pecado imperdoável é uma apostasia total” (Calvino). Toda pessoa que arrependida procura a Jesus, encontra nele abrigo: “Aquele que vem a mim de maneira nenhuma eu o lançarei fora” (Jo 6.37). A blasfêmia contra o Espírito Santo, a rejeição completa, deliberada, permanente até a morte. Ora, se Cristo é o único caminho de salvação e alguém deliberadamente o rejeita, não existe, pois, perdão para tal pessoa. Leon Morris diz que este pecado sem perdão não diminui a capacidade divina de perdoar, mas este tipo de pecador já não tem a capacidade de arrepender-se e crer [24].

4º - Em quarto lugar, os discípulos, por não serem hipócritas, não tinham nada a temer (Lc 12.11,12). Jesus conclui sua palavra sobre a hipocrisia dizendo que os seus amigos não precisam temer a perseguição nem ficar perplexos sobre o que dizer nos interrogatórios aos quais serão submetidos, pois, se forem levados aos tribunais, o Espírito Santo lhes ensinará como devem responder (12.11,12). O livro de Atos dos Apóstolos demonstra de forma cabal como essa promessa de Jesus se confirmou. Os sacerdotes, os escribas e fariseus em Jerusalém foram obrigados a presenciar e maravilhar-se diante da alegria de Pedro e João (At 4.13). O discurso de defesa de Estêvão penetrou o coração dos ouvintes (At 7.54). Félix assustou-se diante do Paulo algemado (At 24.25) [25].

CONCLUSÃO

Diante de tudo que ouvimos, creio que não precisamos de mais argumentos para mostrar o quanto é perigoso e repulsivo ser um hipócrita. Se tememos a Deus, devemos confessá-lo até o fim. Não precisamos temer o que os homens podem fazer conosco, pois o máximo que podem fazer é nos matar. No entanto, o Senhor não só tem poder para matar o corpo como também tem poder para lançar a alma da pessoa no inferno.

Podemos ser “cancelados” nesta terra por muitas pessoas, mas que não sejamos “cancelados” por Deus nos céus.

Pense nisso!

Bibliografia

1 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 175.  

2 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 379.

3 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 285.

4 – Ryle, J. C. Meditação no Evangelho de Lucas, Ed. Fiel, São José dos Campos, SP, 2002, p. 210.

5 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 380.

6 – Emerich, Alcione. Contaminação Espiritual, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2012, p. 49.

7 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 196.

8 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, Vol. 2, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 124.

9 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 424. 

10 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 380.

11 – Neale, David A. Lucas, 9 – 24, Novo Comentário Beacon, Ed. Central Gospel, Rio de Janeiro, RJ, 2015, p. 117.

12 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 285.

13 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 381.

14 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 176.

15 – Ibidem, p. 177.

16 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 382.

17 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 198.

18 –  Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 170.

19 –  Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 286.  

20 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 426. 

21 – Ryle, J. C. Meditação no Evangelho de Lucas, Ed. Fiel, São José dos Campos, SP, 2002, p. 213.

22 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 383.

23 – Earle, Ralph. Comentário Bíblico Beacon, Mateus, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 95.

24 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 199.

25 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 178.