sábado, 5 de novembro de 2016

A INSENSATEZ DA RIQUEZA E AS PREOCUPAÇÕES DA VIDA



























Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: Lucas 12.13-34

INTRODUÇÃO

Quem nunca sonhou em ficar rico em ter muito dinheiro de tal forma que não precisasse se preocupar com nada? Não ter a preocupação em ter dinheiro no final do mês para pagar o aluguel, a prestação da casa própria ou do carro, isso sem contar com a conta de água, luz, telefone, escola das crianças, dinheiro para compra do remédio de uso contínuo, ou simplesmente de por o pão de cada dia sobre a mesa.

Ah! O dinheiro, como esse papel moeda faz toda a diferença na vida da gente. Uns tem muito, outros pouco e alguns não tem nada. Como dizem alguns: “Dinheiro não é problema, dinheiro é a solução!”. Mas há um pequeno, ou gigantesco problema em relação ao dinheiro que a Bíblia nos alerta: “Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda” Ec 5.10 – ARA.

O dinheiro é bom e necessário, mas ele não é tudo. O problema não é ter ou não ter muito dinheiro, mas a importância que ele exerce em nossa vida. A maneira como olhamos para ele e qual a influência que ele exerce sobre nós que é a grande questão. O dinheiro em si não tem nada, mas ele pode tornar-se um dos maiores males de nossa vida porque o dinheiro não é só uma moeda, o dinheiro é um ídolo. Jesus chamou a riqueza de mamom que é um demônio (Mt 6.24). Quando ele se torna um deus para mim e para você é aí que mora o perigo.

Como nos alerta o Reverendo Hernandes Dias Lopes quando nos diz que o dinheiro é o maior senhor de escravos do mundo. Milhões de pessoas se prostram em seu altar todos os dias e dedicam tempo, talento, vida e, devoção a esse deus. Muitas pessoas pisam arrogantemente no próximo e sacrificam até a família para satisfazerem os caprichos insaciáveis dessa divindade. Há indivíduos “[...] que só se preocupam com coisas terrenas” (Fl 3.19). Fazem do dinheiro a razão da sua vida [1].  

O texto que lemos nos mostra o perigo de confiarmos na riqueza e sermos pobres para com Deus, mas também nos fala da riqueza que temos em confiarmos nEle.

Por isso eu quero pensar com você nesse texto onde o Senhor Jesus nos acalma o coração e nos leva a vivermos pela fé, sabendo que o Pai tem cuidado de nós.

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE O SENHOR NOS ENSINA É SOBRE O PERIGO DA GANÂNCIA (Lc 12.13-15).

Alguém da multidão lhe disse: “Mestre, dize a meu irmão que divida a herança comigo”. Respondeu Jesus: “Homem, quem me designou juiz ou árbitro entre vocês?” Então lhes disse: “Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens” (NVI).

Dentre a multidão aparece alguém pedindo ajuda em relação à divisão de uma herança, mas o Senhor identificou logo que a questão ia muito além de uma simples divisão de uma herdade. A causa principal era a ganância que estava no coração da pessoa que pediu ajuda, ou dos dois irmãos. A pessoa pediu ajuda para se beneficiar financeiramente essa era a questão. Por isso que o Senhor se posicionou contra ele e seu pedido, pois enquanto os dois fossem gananciosos, nenhum acordo seria satisfatório.

Com isso eu aprendo que:

1º - Há pessoas que estão procurando Jesus, mas estão mal intencionadas (Lc 12.13). Estamos vivendo uma época em que as pessoas estão indo até Jesus não para alcançarem a salvação, mas para buscarem uma bênção. Seja ela financeira, de cura ou outra coisa qualquer. Aliás, na maioria das nossas igrejas a palavra salvação já deixou de ser pregada há muito tempo. O assunto é ficar rico. Recentemente eu assisti a um vídeo em que um determinado pastor pedia uma oferta especial, e os que ofertassem teria uma colheita abundante, mas para isso eles deveriam ofertar da seguinte maneira:

Sete pessoas com uma oferta acima de R$ 10.000,00: “Uma Colheita Incontável” (1Rs 18.30).
Dez pessoas com uma oferta acima de R$ 10.000,00: “Uma Colheita Incomparável” (1Rs 17.14).
Doze pessoas com uma oferta acima de R$ 5.000,00: “Uma Colheita Milagrosa” (2Rs 3.20).
Vinte pessoas com uma oferta acima de R$ 1.000,00: “Uma Colheita Abundante” (Gn 26.12).
Cem pessoas com uma oferta de qualquer valor: “Uma Colheita para mudar sua sorte” (2Sm 29.24,25).

Nós chamamos esse tipo de mensagem do evangelho de “Teologia da Prosperidade”.  Quem contribui para esses ministérios e tem fé nesse tipo de mensagem é gente que só vai a Jesus mal intencionado. É gente gananciosa assim como os pastores que pregam tal heresia.

É gente cega pela ganância e que acredita que melhorarão de vida investindo tudo que possuem para receber o dobro ou mais. É gente cega por mamom e completamente longe de Jesus.

Aprendo também que:

2º - Há pessoas que pensam que são melhores que as outras por causa do bem que possuem (Lc 12.15). A sociedade julga as pessoas pelo bem que possuem, disso não deveríamos estranhar, mas acontece que isso tem acontecido dentro da igreja também.

Se uma pessoa tem uma boa casa, um bom carro, um bom emprego... Logo alguém diz que essa pessoa é muito abençoada. O parâmetro que estão medindo uma pessoa abençoada não é pela vida devota e piedosa que essa pessoa tem, mas pelos bens que possui. A culpa de tudo isso não é da sociedade sem Deus, mas de pastores que deixaram de pregar a verdadeira mensagem do Evangelho e pregam que a bênção está no ter e não no ser. Por isso que há em muitas igrejas hoje pessoas que vivem de aparência, gente toda endividada, mas que estão andando nos seus carros do último tipo, mas comendo Miojo para manter a pose. 

Não sei se você sabe, mas na década de 1950, nós consumíamos cinco vezes menos do que hoje. Não éramos monos felizes por isso. Na década de 1970, mais de 70% das famílias dependiam de apenas uma renda para a família; hoje, mais de 70% das famílias dependem de duas rendas para manter o padrão. Ou seja, o luxo de ontem, tornou-se a necessidade imperativa de hoje. As propagandas apelativas tentam abrir um buraco de insatisfação dentro de nós, berrando aos nossos ouvidos que se não usarmos os seus produtos estaremos à margem da verdadeira felicidade [2]. 

Não há dúvidas de que esse apego excessivo às coisas é um dos mais danosos hábitos que alguém pode ter. Como é uma atitude bastante natural no ser humano, raramente reconhecemos a malignidade dela; mas suas consequências são trágicas. Como nos alertou Paulo em sua carta em 1 Timóteo 6.9,19:

“Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos” (1Tm 6.9,10 –NVI).

A avareza é a sede insaciável de uma quantidade cada vez maior de algo que acreditamos ser necessário para nos fazer sentir verdadeiramente satisfeitos. Pode ser a sede de dinheiro ou das coisas que o dinheiro pode comprar, pode também ser a sede de cargos e de poder. Jesus deixou claro que a vida verdadeira não depende da abundância de posses. Não negou que temos certas necessidades básicas (Mt 6.32; 1Tm 6.17). Apenas afirmou que não tornaremos a vida mais rica adquirindo mais coisas [3].

Aprendo também que:

3º - Há pessoas que lutam tanto pelas riquezas desta vida que se esquece de serem ricas para com Deus (Lc 12.20,21). Há pessoas que só pensam na vida aqui e agora e nem se lembram de que um dia irão morrer e terão que prestar contas a Deus da vida que tiveram.

O que significa ser “rico para com Deus”? Significa reconhecer com gratidão que tudo o que temos vem de Deus e nos esforçar para usar o que Ele nos dá para o bem de outros e para a glória de Deus. A riqueza pode ser desfrutada e usada ao mesmo tempo se nosso propósito é honrar a Deus (1Tm 6.10ss). Ser rico com Deus significa enriquecimento espiritual, não apenas prazer pessoal. Como é triste quando as pessoas são ricas nesta vida e pobres na outra! [4].

ILUSTRAÇÃO

Conta-se uma história que Carlos Magno pediu para ser enterrado sentado em seu trono. Pediu para que a coroa fosse colocada em sua cabeça e o cetro na mão. Exigiu que a capa real fosse colocada em volta dos ombros e um livro aberto fosse posto em seu colo.

Isso ocorreu em 814 d.C. Quase duzentos anos mais tarde, o imperador Otelo deu ordens para verificar se o pedido de enterro fora atendido. Conta-se que ele enviou um grupo de homens para abrir o túmulo e fazer um relatório. Só que agora, quase dois séculos depois, a cena era horrível. A coroa estava inclinada, o manto comido pelas traças, o corpo desfigurado. Porém, nas coxas esqueléticas, o livro que Carlos Magno estava aberto: a Bíblia. Um dedo descarnado apontava para Mateus 16.26: “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?”

A SEGUNDA LIÇÃO QUE O SENHOR NOS ENSINA É QUE O PAI CUIDA DE NÓS NOS MÍNIMOS DETALHES (Lc 12.22-30).

Jesus depois de mostrar o perigo da ganância, Ele agora conforta os seus discípulos dizendo que o Pai estaria cuidando deles o tempo todo. Por isso, eles não deveriam viver ansiosos por coisa alguma. A ansiedade nada mais é que o medo do futuro e isso na verdade é falta de fé. É desacreditar do cuidado divino. É desacreditar das promessas da Palavra de Deus.

Uma preocupação exclusiva com o alimento, bebida e roupas poderia se justificar apenas se a sobrevivência física fosse tudo nesta vida. Se vivêssemos apenas para viver, então, sim, o sustento do nosso corpo seria a nossa principal preocupação [5].

Assim como o pai humano cuida de seus filhos e de suas necessidades básicas assim o Senhor também cuida das nossas necessidades físicas, emocionais e espirituais. É um cuidado completo, mas para isso eu preciso confiar no que Ele está fazendo e me sujeitar ao que Ele está fazendo.

Com isso eu aprendo que:

1º - O Senhor não nos isenta de pensarmos no futuro em qualquer sentido, e muito menos de fazermos provisão para o futuro. Tanto que Jesus utiliza-se do argumento das aves que voam no espaço. Não é verdade afirmar-se que as aves têm apenas de ficar empoleiradas em alguma árvore ou poste, esperando até que o alimento lhe seja trazido mecanicamente. Isso não corresponde à realidade. Elas buscam ativamente o seu alimento. Há uma intensa atividade entre as aves, pelo que o próprio argumento empregado pelo Senhor Jesus, exclui inteiramente a possibilidade de interpretarmos esse Seu ensino como se envolvesse coisa alguma. Nosso Senhor jamais condenou os agricultores por ararem o terreno, desterroarem a terra, semearem e colherem a colheita, e, finalmente, juntarem em celeiros a safra do ano [6].

Tanto que a Bíblia nos fala que quem não trabalha também não é digna de comer (2Ts 3.10).

Aprendo também que:

2º - Estar livre de preocupação não nos isenta de dificuldades. Seria muita ingenuidade de nossa parte pensar que por sermos cristãos estaremos imunes das adversidades da vida. Seria uma má leitura do texto e da Bíblia como um todo. Tanto que o apóstolo Paulo fortalecendo a fé dos irmãos de Listra, Icônio e Antioquia disse: “É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus” (At 14.22 – NVI). E escrevendo aos Filipenses no capítulo 4.10-13 disse:

“Alegro-me grandemente no Senhor, porque finalmente vocês renovaram o seu interesse por mim. De fato, vocês já se interessavam, mas não tinham oportunidade para demonstrá-lo. Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece”.

Os infortúnios da vida sempre estarão presentes enquanto vivermos. A diferença é que nós confiamos que o Senhor cuida de nós. Que Ele vela por nossas vidas e que nenhum mal não atingirá a não se que haja um propósito da parte de Deus nisso, ainda que não venhamos entender. Como nos fala Paulo em Rm 8.28:

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (NVI).

Aprendo também que:

3º - A preocupação exagerada é incompatível com a fé cristã (Lc 12.24). Jesus utiliza o argumento do menor para o maior para mostrar a importância de cada coisa dentro de uma escala divina. Jesus não morreu na cruz pelas aves do céu e muito menos pelos lírios do campo, mas derramou o Seu sangue por você e por mim. Como nos fala Rm 8.32:

“Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas?” (NVI).

O Doador da vida cuidará para que nos sejam providenciados o sustento e tudo quanto for necessário para esta vida.

John Stott citando Martinho Lutero diz: “Vejam, ele está fazendo das aves nossos professores e mestres. É uma grande e permanente vergonha para nós o fato de, no Evangelho, um frágil pardal se tornar teólogo e pegador para o mais sábio dentre os homens” [7].

Jesus cita os pássaros para mostrar o cuidado de Deus para com eles e para nos servir de exemplo de como o Senhor cuida de nós muito mais. Observe que os pássaros têm seus ninhos em árvores, pelo menos a maioria, e ficam expostos à natureza – a chuva, ao sol, ao vento, ao frio... – no entanto o Senhor Jesus diz que o Pai cuida delas.

Observe uma coisa comigo e veja o quanto você é rico e não sabia:

1) Você tem casa com dois ou mais quartos?
2) Você tem carro?
3) Você tem banheiro privativo?
4) Você tem água encanada?
5) Você tem chuveiro quente?
6) Você tem dinheiro para comprar alimento?
Então, você é rico! [8].

O apóstolo Paulo escrevendo ao seu filho na fé Timóteo disse:

“De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos” (1Tm 6.6-8 – NVI).

A TERCEIRA LIÇÃO QUE O SENHOR NOS ENSINA É QUE DEVEMOS INVESTIR O MELHOR QUE TEMOS EM SEU REINO (Lc 12.31-34).

Esse ensinamento é totalmente contrário a tudo que o mundo ensina. Essas palavras vão de encontro a tudo que se tem ouvido através da mídia e em muitos púlpitos por aí. Esse ensinamento procede? É isso mesmo que devemos fazer? Eu só posso lhes dizer que sim e não. Mas como assim? Devemos sim fazer o que nos é ensinado por Jesus, mas não devemos fazer por mera religiosidade, mas por termos compromisso com o Reino de Deus. Não por barganha como muitas pessoas têm feito, mas por amor ao Senhor e por crermos que Ele tem o melhor para nós.

Com isso eu aprendo que:

1º - Devemos colocar o Reino Deus em primeiro lugar em nossas vidas (Lc 12.31 conf. Mt 6.33). A primeira ambição na vida de um cristão deve ser a busca pelo Reino de Deus. Podemos ter outras ambições, não há problema algum, dede que estas sejam legítimas e glorifiquem o nome do Senhor. Mas o que vem em primeiro lugar é o Reino de Deus em nossas vidas. Essa não uma opção é uma ordem.

Pois quando eu coloco o Reino de Deus em primeiro lugar as demais preocupações se tornam uma perda de tempo. Com isso, eu não que quero dizer que não devemos planejar o futuro, mas que não devemos nos preocupar com ele além da conta. Devemos entender que na vida do cristão a prioridade é o Reino de Deus as demais coisas nos serão acrescentadas. Pois, toda e qualquer conquista nesta vida se não estiver em segundo lugar em nossas vidas isso se tornará idolatria. 

Aprendo também que:

2º - Não devemos nos apegar excessivamente as coisas desta terra (Lc 12.33,34). Quando o Senhor nos diz:

“Vendam o que têm e deem esmolas. Façam para vocês bolsas que não se gastem com o tempo, um tesouro nos céus que não se acabe, onde ladrão algum chega perto e nenhuma traça destrói. Pois onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração”.

O Senhor está nos alertando para as futilidades das riquezas, pois tem gente que é rica para consigo mesmo, mas não é rica para abençoar o próximo. Há pessoas que são como o Mar Morto que só recebem, mas estão mortas porque não sabem doar.

Quando o Senhor diz para se vender o que se tem, Ele não está dizendo que não devemos possuir as coisas; Ele está dizendo que não devemos ser possuídos por elas. O vender o que se tem são os excessos que acumulamos e acumulamos e já não temos onde por. Por isso Ele disse para vender e repartir o dinheiro com os necessitados.

O mesmo conselho Jesus deu ao jovem rico (Mc 10.17-27). O possuir virou uma cegueira na vida de muitas pessoas. Como falamos anteriormente, as pessoas são medidas pelo que possuem e não pelo que são, e é contra esse mal que o Senhor nos alerta mais uma vez aqui.

É ter o necessário e ficar satisfeito. Como nos disse Paulo em 1Tm 6.7,8:

“Pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos” (NVI).

A questão é: onde está o seu tesouro? Onde ele estiver ali estará o seu coração. 
 tem s alertando para a futilidades das riquezas. sta terra o melhor para nReino de Deus.  o Senhor cuida
Aprendo também que:

3º - O Pai reservou o Reino para os que o temem (Lc 12.32). Enquanto muitas pessoas estão se transpassando com muitas dores para ficarem ricas (1Tm 6.9,10), o Senhor reservou para os que o temem o melhor, não nesta terra, mas nos céus.

A nossa felicidade não está firmada no que é fugas, mas no que é eterno. Como nos fala João em sua primeira carta:

“O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1Jo 2.17 – NVI).

Quem vive pela fé sempre a terá fé sendo testada, pois a fé é um constante teste. Por sua vez quem vive pela fé tem a certeza de que o Senhor está com ele e que de nada terá falta. Mas isso é uma questão de fé.

CONCLUSÃO

O Pai nos reservou o Reino, mas cuida de nós desde aqui. Observe bem o texto de Lucas 12.25-31:

“Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? Visto que vocês não podem sequer fazer uma coisa tão pequena, por que se preocupar com o restante? Observem como crescem os lírios. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais vestirá vocês, homens de pequena fé! Não busquem ansiosamente o que comer ou beber; não se preocupem com isso. Pois o mundo pagão é que corre atrás dessas coisas; mas o Pai sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, o Reino de Deus, e essas coisas lhes serão acrescentadas” (NVI).

O que falar diante de um texto tão rico como este onde somos confortados de que Ele cuida de nós, tem cuidado de nós e continuará cuidando de nós!

Pense nisso!

Notas

1 – Lopes, Hernandes Dias. Riqueza, a prosperidade que vem de Deus. Editora United Press, São Paulo, SP, 2014: p. 12.
2 – Ibid, p. 14.
3 – Wiersbe, Warren W. Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo. Editora Geográfica, Santo André, SP, 2012, p. 286.
4 – Ibid, p. 288.
5 – Stott, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. Editora ABU, São Paulo, SP, 1986: p. 168.
6 – Lloyd-Jones, D. Martyn. Estudo no Sermão do Monte. Editora Fiel, São Paulo, SP, 1984, p. 393.
7 – Stott, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. Editora ABU, São Paulo, SP, 1986: p. 171.
8 – Lopes, Hernandes Dias. Riqueza, a prosperidade que vem de Deus. Editora United Press, São Paulo, SP, 2014: p. 28.

sábado, 29 de outubro de 2016

O CULTO ACEITÁVEL A DEUS


Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Gn 4.1-11 

INTRODUÇÃO

Temos vivido um tempo difícil para a Igreja do Senhor Jesus. Quando digo “Igreja” eu me refiro àquelas pessoas que tem compromisso com Cristo e não aquelas pessoas que frequentam as nossas igrejas, mas que estão longe de um real compromisso com o Mestre.

E esse tempo difícil se resume no tipo de culto que se tem apresentado ao Senhor em muitos templos espalhados por aí, e também no nosso dia a dia – pois o culto não se resume a um ajuntamento eclesiástico, o culto é o nosso testemunho diário numa sociedade perdida. O que temos presenciado em muitas comunidades é um culto sem compromisso com o “Ser cultuado”, nesse caso com Deus. Assim como Caim, há muitas pessoas apresentando a Deus um culto não aceitável, diferentemente de Abel que ofereceu a Deus o melhor de si e do seu rebanho.

O que tem havido é uma expressão de fé que não é sadia, pois está adoentada pela carne, pelos desejos mundanos, pela falta de seriedade na adoração. Há um emocionalismo a flor da pele, mas que não passa de pura piegas. É uma fé que quer sentir o sobrenatural, mas que não encara o dia a dia com suas dificuldades e lutas diárias. É gente que quer ouvir: “É só vitória!”, mas se esquece, ou não sabe que não há vitória sem luta; e que a vitória que o Senhor tem para o Seu povo vai muito além de alcançar algum benefício nesta terra. Uma fé sadia e madura reconhece o sobrenatural de Deus e não necessita de intervenções miraculosas para provar que Deus é real. O cristão sadio não busca a Deus para que mude as circunstâncias num passe de mágica, mas confia que Deus o ajudará em meio a tribulações, disse John Stott [1].

E pensando nessa maturidade que eu quero analisar esse texto de Gênesis 4.1-11 onde encontramos Abel e Caim, esses dois irmãos, oferecendo os seus sacrifícios, o seu culto ao Senhor. Porque que um foi aceito e o outro não e as consequências que isso causou na vida desses dois irmãos.

O que podemos aprender com esse episódio nos primórdios da humanidade?

EM PRIMEIRO LUGAR APRENDEMOS AQUI QUE A ADORAÇÃO É INDIVIDUAL (Gn 4.3,4).

“Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho” (NVI).

O que é adoração? Poderíamos dizer que é uma honra que se presta a Deus, em virtude do que Deus é e do que significa para os que O adoram. A palavra hebraica que mais se usa para adoração no Velho Testamento significa inclinar-se. No caso, por exemplo, em Gn 18.2. A palavra grega que geralmente se utiliza no Novo Testamento proskuneo, e significa prestar honra, tanto a Deus como aos homens.

Observe que o texto nos diz que cada um trouxe a sua oferta, e ofertas diferentes; isso é mais uma prova que a forma como me chego a Deus é de forma individual. Podemos adorar em comunidade, mas a adoração sempre será individual. A prova é que o Senhor aceita a adoração de Abel e rejeita a de Caim.

Veja o que o Senhor nos fala no Salmo 139.1-3:

Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe percebes os meus pensamentos. Sabes muito bem quando trabalho e quando descanso; todos os meus caminhos são bem conhecidos por ti (NVI).

O Senhor sonda indivíduos, ainda que estejam adorando em comunidade.
  
EM SEGUNDO LUGAR APRENDEMOS AQUI QUE NEM TUDO QUE SE CHAMA “ADORAÇÃO” É ACEITÁVEL A DEUS (Gn 4.4c,5a).

“O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta, mas não aceitou Caim e sua oferta” (NVI).

O Senhor Jesus não está preocupado com a minha oferta, mas como eu levo a minha oferta. Veja que o Senhor se agrada de Abel e depois da sua oferta. Deus esquadrinha o coração do adorador, o que eu dou é secundário. Observe, por exemplo, a passagem em que o Senhor está diante do gazofilácio vendo as pessoas ofertarem no templo (Mc 12.41-44):

“Jesus sentou-se em frente do lugar onde eram colocadas as contribuições, e observava a multidão colocando o dinheiro nas caixas de ofertas. Muitos ricos lançavam ali grandes quantias. Então, uma viúva pobre chegou-se e colocou duas pequeninas moedas de cobre, de muito pouco valor. Chamando a si os seus discípulos, Jesus declarou: Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou na caixa de ofertas mais do que todos os outros. Todos deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver” (NVI).
O Senhor Jesus viu os ofertantes antes de ver a oferta oferecida. Uns davam sobra, a viúva deu tudo.

Notemos as condições para a adoração. Podemos apresentar pelo menos três condições para uma adoração aceitável:

1º - A adoração tem que vir de um coração regenerado – O homem natural não tem capacidade própria para adorar a Deus; nem mesmo tem direito aos privilégios do Reino de Deus. O Senhor não aceita a adoração de quem não se submete aos termos da sua aliança (SI 50.16-17). O pecador não regenerado não pode ver o Reino de Deus (Jo 3.3). O homem natural não pode compreender as coisas espirituais (1 Co 2.12-16).

Por isso que o autor de Hebreus disse que “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hb 11.6 – NVI).

2º - A adoração tem que ser em Espírito (Jo 4.24) – Isto significa adoração em conformidade com a natureza de Deus. Deus é espírito e, em razão disto, somente pode ser adorado “em espírito”. E assim como nascemos de novo – nascidos do Espírito – ou seja, regenerados, a nossa adoração deve ser de acordo com a nossa nova natureza.  

3º - A adoração tem que ser em Verdade (Jo 4.24) – Isto diz respeito aos motivos e à vida do adorador. Se quanto à natureza do culto temos de adorar em espírito, quanto aos motivos temos de adorar em verdade; temos de trazer à presença de Deus um espírito cheio de sinceridade, honestidade e verdade.

Portanto, um culto formal, orientado por uma “ordem” humanamente estabelecida, pode ser muito atraente e bonito, mas não é culto verdadeiro. A adoração a Deus não consiste em rituais complicados e cerimônias pomposas. Esses artifícios humanos podem, quando muito, provocar emoção e, não raro, salvam as aparências, satisfazem o orgulho e vaidade humana, mas não alegram o coração de Deus.

John Stott diz que a primeira característica da adoração de coração é que ela se baseia na razão; a mente está totalmente envolvida. Na Bíblia, o “coração” não equivale simplesmente às emoções como na linguagem atual. No pensamento bíblico, o “coração” é o centro da personalidade humana e é, muitas vezes, usado para enfatizar mais o intelecto do que as emoções [2].

O apóstolo Paulo deixou isso bem claro quando disse que o nosso culto tem que ser um “culto racional” (Rm 12.1). Racional vem da palavra grega logikos. Nesta palavra, não é difícil ver a ideia da lógica ou raciocínio.

Por isso que em Atos 16.14 nos diz que o Senhor abriu o entendimento de Lídia para atender à mensagem de Paulo.

Por exemplo, os samaritanos aceitavam o Pentateuco, mas rejeitavam a revelação posterior que Deus fez de si mesmo por meio dos profetas. Tendo a Lei sem os profetas, o conhecimento divino dos samaritanos era incompleto. Então, a “verdadeira adoração” é a “adoração em verdade”; é a adoração de Deus Pai como ele se revelou plena e finalmente em Jesus Cristo. Se a adoração samaritana estava (para dizer o mínimo) empobrecida por causa da rejeição ao ensinamento dos profetas, grande parte da adoração judaica estava corrompida pelo ritualismo [3].

Através da Sua Palavra o Senhor se revela e nos revela como devemos adorá-Lo. Por isso a necessidade de conhecermos a Sua Palavra para podermos adorá-Lo de forma correta. 
   
EM TERCEIRO LUGAR APRENDEMOS AQUI QUE O SENHOR QUER RESTAURAR O CORAÇÃO DO ADORADOR (Gn 4.5b-7).

“Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou. O Senhor disse a Caim: Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo”.

O Senhor não aceitou nem a Caim nem a seu sacrifício, pois não se agradara de Caim. Tudo indica que Caim não se apresentou diante do Senhor com o seu coração totalmente rendido a Ele.

Mas o Senhor não desistiu de Caim. O Senhor tentou restaurá-lo, trazer-lhe a consciência de que ele é quem estava errado, e que se ele agisse de forma correta seria aceito. No entanto Caim não ouviu o conselho amoroso do Senhor e se deixou dominar pelo pecado.

Por que o Senhor rejeitou a oferta de Caim e por que Caim não aceitou a correção do Senhor? Creio que há somente uma resposta para esta pergunta: Porque Caim era do maligno (1Jo 3.12).

“Não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más e as de seu irmão eram justas”. 

O apóstolo João diz que Caim é um símbolo do mundo que nos odeia (1Jo 3.13). Caim odiou Abel não porque Abel era mau, mas porque Abel era piedoso. Não foram os pecados de Abel que inflamaram seu ódio, mas as virtudes. A retidão de Abel atormentava Caim. O mesmo aconteceu com Davi em relação a Urias.

Caim não era um ateu. Ele era um religioso. Ele fazia oferendas a Deus. Seu ódio brota neste contexto da prática religiosa. Vamos ver o processo da rebeldia espiritual de Caim.

1º - Caim quis adorar a Deus sem observar os preceitos de Deus. A aproximação de Deus se dava por meio do sangue (Gn 4.4). O sangue dos animais apontava para o sacrifício de Cristo na cruz (Rm 3.24-26). Todos os sacrifícios apontavam para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29; Hb 9.22). Quando Caim trouxe a Deus um sacrifício incruento, ele estava desprezando o caminho de Deus, a Palavra de Deus, as prescrições do culto divino. Queria abrir até Deus um caminho pelos esforços, o caminho das obras. O caminho de Caim é o caminho do humanismo idolátrico, o caminho das obras de justiça separado da graça (Jd 11).

Em outras palavras ele quis dizer: eu cultuo do meu jeito, da minha maneira, segundo a minha vontade. Assim como há pessoas que dizem que são servas de Cristo, mas não frequentam igreja, pois não há necessidade de estar na igreja para adorá-lo, segundo eles. Mas também não há nenhum testemunho na vida de que tem compromisso com Ele.

Mas há uma segunda interpretação dessa passagem. Para alguns teólogos não foi porque Caim não ofereceu um sacrifício incruento que o Senhor o rejeitou, mas por falta de compromisso com Deus, e falta de temor, já que ele era do maligno. Derek Kidner diz que é um argumento precário afirmar que a ausência de sangue desqualificou a oferta de Caim (cf. Dt 26.1-11); tudo que é explicito aqui é que Abel ofereceu a fina flor do seu rebanho e que o espírito de Caim era arrogante (v. 5; cf. Pv 26.27). O Novo Testamento infere as implicações adicionais e importantes de que a vida de Caim, diversamente da de Abel, desmentia sua oferenda (1Jo 3.12) e de que para aceitação de Abel, sua fé foi decisiva (Hb 11.4) [4].

2º - Caim quis prestar culto a Deus sem examinar o próprio coração. Caim pensou que poderia separar o culto da vida. Ele pensou que Deus estivesse buscando adoração e não adoradores. Se nossa vida for de Deus e não estiver certa em Deus, o nosso culto será abominável aos olhos do Senhor. Pois o Senhor não se agrada de rituais separados da vida. Culto sem vida é abominação para Deus (Is 1.13,14; Am 5.21-23; Ml 1.10).

3º - Caim quis prestar culto a Deus com o coração cheio de ódio e inveja do seu irmão Abel. De nada adianta trazermos ofertas a Deus se o coração for um poço de inveja e ódio. A relação com Deus não pode estar certa se a relação com o próximo estiver quebrada. Antes de trazer a oferta ao altar precisamos nos reconciliar com os nossos irmãos (Mt 5.23,24). Antes de Deus aceitar a oferta, ele precisa aceitar o ofertante.

Não podemos separar o culto da vida. A raiz do problema de Caim era a inveja. Ele se desgostou ao ver que Deus havia aceitado seu irmão e sua oferta, ao passo que ele mesmo e sua oferta foram rejeitados. Caim preferiu eliminar o seu irmão a imitá-lo. A inveja de Caim o levou a tapar os olhos e os ouvidos para o aprendizado [5].

EM QUARTO LUGAR APRENDEMOS AQUI QUE UM CORAÇÃO QUE NÃO QUER SER RESTAURADO O PECADO ENTRA E DESTRÓI (Gn 4.8-10).

A Bíblia é clara em mostrar que o ódio de Caim era originado pelo diabo, no maligno, e que acabou no assassinato do próprio irmão. A palavra grega esphaxen significa literalmente cortar a garganta ou degolar. Não é só o pecado em geral que procede do diabo, mas o ódio e o homicídio em particular, pois, como dissera Jesus, o “diabo... foi homicida desde o princípio” (Jo 8.44). Inveja – ódio – assassinato é uma sequência natural e terrível [6].

Caim mata o seu irmão no coração, depois o envolve em uma mentira e por fim o assassina. O homicídio foi tão somente o resultado do que ele já vinha sendo, e não o começo da sua iniquidade (1Jo 3.15).

Com essa atitude Caim colheu frutos amargos em sua vida.

1º - Tornou-se o primeiro homicida da terra. Ele não matou um estranho, mas um que era carne de sua carne, o seu próprio irmão. E tudo por inveja, por ser seu irmão justo e ele não.

2º - Trouxe tristeza duas vezes para sua família. Primeiro por ter assassinado o seu irmão Abel e segundo, por ter deixado a companhia de seus pais, ou seja, seus pais perderam os seus dois filhos.

3º - Ele se tornou uma pessoa amaldiçoada pelo Senhor (Gn 4.10-12,15). Diz o texto que Caim foi marcado pelo Senhor para que ninguém o matasse. Esse sinal que ninguém sabe o que é, mas esse sinal visava tanto à sua proteção quanto para mostrar o desprezo do Senhor por ele.

A vida de Caim é um exemplo da fúria do pecado no coração do homem. O quanto ele é destrutivo e as suas consequências extremamente danosas. Ele não só destrói a pessoa que o carrega, mas também as pessoas ao redor, é só olharmos para a nossa sociedade e veremos as suas consequências. 
   
EM QUINTO LUGAR APRENDEMOS AQUI QUE A VERDADEIRA ADORAÇÃO NÃO É VÃ (Hb 11.4).

“Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício superior ao de Caim. Pela fé ele foi reconhecido como justo, quando Deus aprovou as suas ofertas. Embora esteja morto, por meio da fé ainda fala” (NVI).

Abel era um homem justo por causa da sua fé (Mt 23.35), por isso que ele é exemplo para todos nós hoje. 

Mas entenda uma coisa: a fé não nos isenta de sermos perseguidos, de passarmos por tribulações, muito menos de sermos mortos. Tudo isso o Senhor já nos havia alertado que passaríamos nesta terra e ao lermos a história da Igreja, seja no Novo Testamento quanto na própria história da Igreja no mundo vemos isto de forma muito clara.

Desconforto é realidade. Dor é realidade. Conflito é realidade. Batalha espiritual é realidade. A fé sadia nos ajuda a aceitar todas essas realidades bíblicas, sendo beneficiados pela realidade da presença e ajuda de Cristo. Uma fé tóxica e doente nega o lado negro, criando, assim, um conflito ainda maior [7].

Como disse Pedro em sua primeira carta:

“Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria. Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso, ou como quem se intromete em negócios alheios. Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome. Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus; e, se começa primeiro conosco, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? E, “se ao justo é difícil ser salvo, que será do ímpio e pecador?” Por isso mesmo, aqueles que sofrem de acordo com a vontade de Deus devem confiar sua vida ao seu fiel Criador e praticar o bem” (1Pe 4.12-19 - NVI).

CONCLUSÃO

A história de Abel e Caim é um alerta para todos nós, pois afinal de contas somos adoradores. Adoramos a um único Deus verdadeiro que quer ser adorado em espírito e em verdade, ou seja, devemos adorá-lo com todo o nosso ser e firmados na Sua Palavra. Assim procedeu Abel, por isso foi aceito diante do Senhor, ele, em primeiro lugar e depois a sua oferta. No entanto, Caim, por ser do maligno, agiu segundo a sua vontade e Satanás encheu o seu coração de ódio do seu irmão por este ser piedoso.

Mas devemos nos lembrar das palavras de Jesus que nos alertou dizendo: “Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes me odiou” (Jo 15.18 – NVI). Ser odiado faz parte da vida cristã, não pense que seremos sempre amados por sermos fiéis ao Senhor. E muitas vezes o ódio virá de pessoas próximas a nós. De gente que amamos, mas que, infelizmente, nos odeiam.

Que o nosso coração esteja guardado desse sentimento maligno. Que façamos o que o Senhor nos orientou a fazermos: “vigiar e orar para não cairmos em tentação” (Mt 26.41).

Pense nisso!

Notas

1 – Felton, Jack e Arterburn, Stephen. Mais Jesus, menos religião. Editora Mundo Cristão, São Paulo, SP: 2002, p: 19.
2 – Stott, John. As Controvérsias de Jesus. Editora Ultimato, Viçosa, MG: 2015, p. 139.
3 – Ibid, p. 140.
4 – Kidner, Derek. Gênesis, Introdução e Comentário. Editora Mundo e Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1985, p. 70.
5 – Lopes, Hernandes Dias. 1, 2, 3 João, Como ter garantia de salvação. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2010, p. 171, 172.
6 – Stott, John R. W. I, II e III João introdução e comentário, Editora Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1988, p. 120.
7 – Felton, Jack e Arterburn, Stephen. Mais Jesus, menos religião. Editora Mundo Cristão, São Paulo, SP: 2002, p: 17.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Jesus orou por igrejas verdadeiras num mundo real e caído, orou por igrejas imaturas, orou...

 
 
Por Josemar Bessa

Muitas pessoas num mundo que prega abertamente o individualismo e cada homem como medida do que é bom e correto para si mesmo, tentam encontrar desculpas que racionalizem o problema nascido no Éden, o homem sendo “deus” de si mesmo.

Uma das desculpas é sempre tirar a responsabilidade pessoal pelo meu fracasso e colocá-lo em grupos maiores que não tem uma cara específica. Gostamos e abraçamos como desculpa os pecados institucionais, tão condenados diariamente, e pouco falamos dos pecados pessoais, que em última análise, são o nosso verdadeiro problema.

Muitos falam da imperfeição da igreja apenas como uma desculpa para sua vida vivida em torno de si mesmo.

Por exemplo, a unidade da igreja – A unidade da igreja ( olhe para a igreja local) não significa a ausência de conflitos. Quando Cristo orou pela unidade, ele também orou pela santificação de sua igreja ( João 17.17). A necessidade de santificação pressupõe a presença do pecado, e presença do pecado resulta muitas vezes, como não podia deixar de ser, em desunião.

Cristo sabia disso, ele não ora de forma ingênua, ele orou por igreja verdadeiras num mundo real e caído, orou por igrejas imaturas, por igrejas perseguidas que lutariam com o medo..., igrejas que teriam problema com o orgulho, igrejas com membros pecadores... Ou seja, igrejas como as que o apóstolo Paulo fundou e dirigiu, e Pedro, e João... e tiveram que escrever cartas, admoestar, repreender... Igrejas como as que Jesus repreende através de João em Apocalipse 1-3. Mas a oração de Jesus ainda é que esses pecadores justificados, regenerados... estejam juntos, se mantenham juntos... Por quê? O plano de muitos hoje seria cada um ficar em sua casa até que todos fossem perfeitos para se juntarem. Mas Jesus os quer juntos e ora para que sejam santificados pela Palavra... pecadores que muitas vezes tem conflitos, juntos? Por que? Porque Jesus usa os pecados irritantes dos outros para expor nossos próprios pecados, criando oportunidades de tolerar, desenvolver a paciência, orar por transformação, aprender a perdoar... cumprindo assim uma instrução fundamental: “amar uns aos outros” ( Jo 13.34-35). Como Ele nos amou, como Ele amou os discípulos... se havia algo longe de qualquer perfeição era o grupo de discípulos que andou com Jesus naqueles três anos: Pedro, Tiago e João, Tomé... Quanto orgulho e disputa por primeiro lugar houve entre eles, quanto medo, quanta incredulidade... Tudo isso levou a desunião muitas vezes, mas a contenda que naturalmente leva a desunião traz consigo a possibilidade de refinar a igreja quando o pecado é confrontado, confessado... e o evangelho da graça é aplicado (Mt 18.21-35).

O crescimento na unidade da igreja não depende de faixa etária, música... Você cria tribos, “igrejas tribais” – Em torno da juventude, estilos musicais, vestes... Não é Cristo o ponto focal dessa união – ela é humana e carnal. Sempre é a isso que nossas estratégias levam.

A unidade da igreja depende da Palavra de Deus. Logo antes de Cristo orar pela unidade da igreja nos versos 20,21 de João 17, ele ora para que Deus santifique o seu povo. A sua oração deixa claro que a unidade tem uma base, a santificação. E ele afirma que a santificação flui da Verdade: “Santifica-os na verdade, a tua Palavra é a verdade!”

Apenas quando nos humilhamos de fato sob a Palavra, não sobre partes, mas toda a Palavra, toda a Verdade. Quando abandonamos a ideia de determinar o que é relevante ou não nela, o que sempre é forjado na arrogância de um coração que não ama a Verdade, sempre que nos reunimos em torno de sua mensagem integral, mudanças espirituais verdadeira produzem unidade espiritual verdadeira.

Unidade construída em qualquer outra base, quer seja a personalidade do líder, o estilo, o ministério específico que se molda ao gosto natural de um grupo... está destinado ao fracasso aos olhos de Deus. Só quando a Palavra é central, os membros podem de fato ser reconciliados uns com os outros, aprender a perdoar uns aos outros, amar uns aos outros... a unidade da igreja depende de empenho de todos juntos crescerem na prática na compreensão da Palavra de Deus: “Santifica-os na Verdade!”

Muitos esperam o que nunca foi prometido por Cristo. Muitos esperam o que nunca foi experimentado por nenhuma das igrejas fundadas por Paulo, Pedro, João... A unidade da igreja não será plenamente realizada neste mundo. Portanto, muitos usam esse tema, como outros, apenas para disfarçarem sua recusa em viver o evangelho e crescer como povo e rebanho de Deus juntos. O que leva a compromisso, obediência, sujeição... e tantas outras coisas que apesar de ser o claro ensino bíblico, a mente desta geração detesta. Nesta geração um dos deuses mais cultuados é o individualismo. E muitos usam de várias desculpas para cristianizarem esse deus em suas vidas.

Muitos esperam hoje o que não está prometido até a volta de Cristo, o que o torna a pessoa inútil agora, no único tempo que ela tem neste mundo no trabalho de Deus na edificação da Sua igreja. Como Paulo poderia se manter útil e motivado em escrever cartas para as igrejas locais, pessoalmente lutar pela verdade de Deus nelas, pelo crescimento espiritual das pessoas... se pensasse assim?

A esperança do futuro não pode distorcer a percepção do presente. Todos nós devíamos saber, pelo claro ensino bíblico e pela nossa luta pessoal, que vivemos em um momento em que o Espírito e a carne coexistem numa guerra. Que o mundo é um inimigo poderoso, que Satanás engana e trabalha também em nosso meio. Devemos então, de modo realista, como Jesus, orar pela paz e união da igreja, buscar “se possível estar em paz com todos” – ou seja, no que depender de nós. Sermos filhos de Deus, ou seja, pacificadores no meio da igreja (Mt 5.9)... mas não ficarmos surpresos quando a desunião mostrar sua feia face. Devemos em momentos assim avaliar a nossa própria contribuição tanto na quebra da união, como na responsabilidade pela paz. Este é um assunto, como muitos outros, que nós temos o já, e temos também o “ainda não”.

Devemos avaliar a nossa própria contribuição para a luta, é preciso remover o registro do nosso próprio olho, e devemos esperar de novo no evangelho de Jesus Cristo. Sua paz é já, mas ainda não!

Exercer o perdão, a paciência, a longanimidade, a benignidade, a mansidão, o amor... é estar vivendo exatamente isso. Num perfeito ambiente de paz, esses frutos não estariam sendo desenvolvidos. Um dia esse tempo chegará.

Se tua aspiração fixa agora está no que ainda está no futuro, e com isso a tua desculpa está na imperfeição da igreja, sua motivação não pode ser a mesma dos apóstolos... nem mesmo a de igreja ao orar por sua igreja (João 17), mas não passa disso, desculpa e racionalização. No entanto, paz perfeita está prometida, e está prometida por um Deus soberano que não pode falhar e não falhará. Hoje já estamos em paz com Ele (Rm 5.1). Agora oramos pela união, temos nos tornado pacificadores, estamos sendo santificados pela Palavra... estamos engajados na batalha, e não procurando desculpas para fugir dela.
 
Fonte: Josemar Bessa