quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Pregação expositiva – o antídoto para a adoração anêmica



Por Albert Mohler Jr.

Cristãos evangélicos tem estado especialmente atentos à questão da adoração nos anos recentes, reacendendo pensamentos e conversas a respeito do que realmente é adoração e como deve ser feita. Mesmo que esse interesse renovado tenha, infelizmente, resultado em muitos conflitos em algumas igrejas, é possível que aquilo que A. W. Tozer uma vez chamou de “a joia perdida” da adoração evangélica está sendo recuperada.

Entretanto, se a maioria dos evangélicos rapidamente concorda que a adoração é o centro da vida da igreja, não consenso para responder uma questão inescapável: o que é central na adoração cristã? Historicamente, igrejas mais litúrgicas afirmam que os sacramentos formam o cerne da adoração cristã. Essas igrejas argumentam que os elementos da Ceia do Senhor e a água do batismo são a forma mais poderosa de apresentar o evangelho. Entre os evangelicais, alguns apontam para o evangelismo como o cerne da adoração, planejando cada faceta do culto – músicas, orações, o sermão – com o apelo evangelístico em mente.

Por mais que muitos evangélicos mencionem a pregação da palavra como necessária ou parte comum da adoração, o modelo de adoração que prevalece nas igrejas evangélicas é, cada vez mais, definido pela música, juntamente com inovações como apresentações teatrais e audiovisuais. Quando a pregação da palavra recua, um sem número de inovações de entretenimento tomam seu lugar.

Normas tradicionais de adoração agora estão subordinadas à uma demanda por relevância e criatividade. Uma cultura visual orientada à mídia substituiu a cultura orientada à palavra que serviu de berço para as igrejas reformadas. De certa forma, a cultura orientada à imagens do evangelicalismo moderno é uma aceitação das mesmas práticas que foram rejeitadas pelos reformadores em sua busca por uma adoração verdadeiramente bíblica.

A música preenche a maior parte do espaço na adoração evangélica, e muito dessa música vem na forma de corinhos contemporâneos marcados por pouquíssimo conteúdo teológico. E além da popularidade do corinho como forma musical, muitas igrejas evangélicas parecem intensamente preocupadas em replicar a qualidade dos estúdios em suas apresentações musicais.

Em termos de estilo musical, as igrejas mais tradicionais apresentam grandes corais – muitas vezes com orquestras – e podem até cantar os hinos mais estabelecidos da fé. A contribuição dos corais é muitas vezes massiva em sua escala e profissional em sua qualidade. Em qualquer evento, a música preenche o espaço e conduz a energia do culto de adoração. Planejamento intenso, investimento financeiro e preparação prioritária são direcionados para a dimensão musical da adoração. Equipes profissionais e um exército de voluntários gastam muito de suas semanas em ensaios e práticas de grupo.

Tudo isso não passa despercebido à congregação. Alguns cristãos consumem igrejas que oferecem o estilo de adoração e experiências que se encaixa em suas expectativas. Em muitas comunidades, as igrejas são conhecidas por seu estilo de adoração e seus eventos musicais. Aqueles insatisfeitos com o que encontram em uma igreja podem rapidamente se mudar para outra, às vezes usando a linguagem da auto-expressão para explicar que a nova igreja “atente nossas necessidades” ou “nos permite adorar com liberdade”.

Uma preocupação com adoração verdadeiramente bíblica estava no cerne da Reforma. Mas mesmo Martinho Lutero, que compôs hinos e considerava obrigatório que os pregadores fossem musicalmente treinados, não reconheceria essa preocupação moderna com música como legítima ou saudável. Por quê? Porque os reformadores estavam convencidos que o centro da verdadeira adoração bíblica era a pregação da palavra de Deus.

Graças a Deus pelo evangelismo ser parte da adoração cristã. Confrontados pela apresentação do evangelho e pela pregação da palavra, pecadores são atraídos à fé em Jesus Cristo e a oferta da salvação é apresentada a todos. De forma semelhante, a Ceia do Senhor e o batismo são honrados enquanto ordenanças dos mandamentos do Senhor, e ambos tem seu lugar na verdadeira adoração.

Além disso, a música é um dos mais preciosos dons de Deus para seu povo, e é uma linguagem pela qual podemos adorar Deus em espírito e em verdade. Os hinos da fé trazem riqueza confessional e conteúdo teológico, e muitas canções modernas recuperam um senso de doxologia outrora perdido em muitas igrejas evangélicas. Mas a música não é o ato central da adoração cristã, nem o evangelismo e nem mesmo os sacramentos. O cerne da adoração cristã é a pregação autêntica da palavra de Deus.

Pregação expositiva é central, irredutível e inegociável para a missão bíblica de adoração autêntica que agrada a Deus. A simples declaração de John Stott afirma a questão de forma ousada: “Pregação é indispensável ao Cristianismo”. Mais especificamente, a pregação é indispensável à adoração cristã – e não apenas indispensável, mas central.

A centralidade da pregação é o tema de ambos os testamentos da Escritura. Em Neemias 8, vemos o povo exigindo que Esdras, o escriba, traga o livro da lei à assembleia. Esdras e seus pares se colocaram em uma plataforma elevada e leram do livro. Quando ele abria o livro para ler, a assembleia se colocava de pé em honra a palavra de Deus e respondia “Amém, amém!”.

De forma interessante, o texto explica que Esdras que aqueles que o auxiliavam “leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia” (Neemias 8.8). Esse texto notável apresenta um retrato da pregação expositiva. Uma vez que o texto era lido, ele era cuidadosamente explicado para a congregação. Esdras não promoveu uma apresentação ou orquestrou um espetáculo – ele simples e cuidadosamente proclamou a palavra de Deus.

Esse texto é uma séria acusação contra grande parte do cristianismo contemporâneo. De acordo com esse texto, a demanda pela pregação bíblica emergiu dos corações do povo. Eles se reuniram como uma congregação e invocaram o pregador. Isso reflete uma intensa fome e sede da pregação da palavra de Deus. Onde está evidente esse desejo em meio aos evangélicos de hoje?

A Bíblia está quase calada em igrejas além da conta. A leitura pública da Escritura foi abandonada em muitos cultos, e o sermão tem sido ofuscado, reduzido a uma breve devocional ao fim da música. Muitos pregadores aceitam isso como uma concessão necessária à era do entretenimento. Alguns conseguem inserir uma breve mensagem de encorajamento ou exortação antes da conclusão do culto.

Como Michael Green colocou, “essa é a era do sermãozinho, e sermãozinhos geram cristãozinhos”.

A anemia da adoração evangélica – à parte de toda a música e energia – é diretamente atribuível à ausência da pregação expositiva genuína. Tal pregação deveria confrontar a congregação com nada menos que a viva e ativa palavra de Deus. E essa confrontação vai moldar a congregação, conforme o Espírito Santo acompanha a palavra, abre os olhos e aplica essa palavra aos corações humanos.

Fonte: iPródigo

Salvação ou deboche?


Por Josemar Bessa

Algumas pessoas dizem que querem ser salvas, mas jamais foram levadas a ver porque de fato precisam de salvação. É um desejo auto-centralizado. É um desejo de salvação para o futuro, mas não agora. Não pelo menos nos termos bíblicos.

Agora seu deleite está nesse mundo, seu amor está sobre o pecado... Mas no futuro, quando este mundo não for mais uma realidade, quando o prazer do pecado já não for mais possível, então querem ser livres dos horrores inevitáveis que o pecado ( que nada mais é que o desprezo por quem Deus é, Sua santidade, Sua mente, expressa em Sua Palavra), traz.

Por hora sentem prazer no que despreza Deus e querem uma salvação (e não faltará quem a ofereça) compatível com isso. Isso é um deboche para com o Salvador, que é o “Cordeiro que foi morto”, e também é o Deus contra quem cada pecado é cometido, contra quem todo o desprezo é lançado.

Agora, olhe a característica da salvação bíblica descrita por Spurgeon:

“Esta salvação completa é acompanhada por uma santa vocação. Aqueles que o Salvador redimiu são chamados pelo poder do Espírito Santo para a santificação. Eles abandonam seus pecados e se esforçam, pela operação toda poderosa do Espírito, para serem semelhantes a Cristo.” Na verdade Paulo diz dos redimidos: “...todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”. - 2 Coríntios 3:18

Então Spurgeon continua: “Eles escolhem a santidade, não por motivação natural, e sim por causa da propensão da nova natureza implantada neles na Regeneração soberana. Os crentes são capazes de regozijar-se na santidade, não naturalmente, como antes se deleitavam no pecado, mas pelo poder infinito que opera neles momento após momento. Deus não os escolheu, nem os chamou porque eles eram santos. Eles os chamou para que sejam santos” (C. H. Spurgeon – 1834/1892).

Isso descreve os teus sentimentos? 
Descreve a salvação de que você já está desfrutando? 
Então você não tem nada a temer.

“Que nos salvou e nos chamou com santa vocação” – 1 Timóteo 1.9

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

"Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico)"



Por Pr. Silas Figueira

“Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás”. (Ap 2.9)

“Conheço a tua tribulação...”

No grego é usado o termo “Thlipsis”, que tem o sentido de pressão, opressão, literalmente, significa esmagar um objeto, comprimindo-o. Descreve a vítima sendo esmagada, e seu sangue extraído. Descreve pessoas sendo esmagadas até a morte por uma enorme pedra. Também descreve a dor de uma mulher ao dar à luz [1]. Thlipsis é derivado de “thlibo”, que tem o sentido de pressionar, pressionar junto. Aqui nesse texto a ideia é de perseguição devido ao ódio dos judeus e gentios contra a igreja.

Quando o Senhor disse: “Conheço a tua tribulação”, Ele está dizendo: “Sei exatamente o que está se passando. Já passei por isso. Sei como se sente. Sei como é ser falsamente acusado, molestado e cuspido. Sei o que é ser açoitado, escarnecido e morrer de maneira injusta. Sei o que está sofrendo, e valorizo grandemente a sua lealdade”.

Em Esmirna, os crentes eram dolorosamente esmagados sob as rígidas leis romanas. Muitos eram arrancados de suas casas, capturados nas feiras livres e levados cativos. César jogava toda a força de seu poderoso império sobre esta pequena igreja. E muitos desses santos já haviam selado seus testemunhos com o próprio sangue [2].     

“... a tua pobreza (mas tu és rico)...”

Aqueles crentes eram pobres, mas não porque não trabalhassem – sendo essa a causa mais comum da pobreza – mas devido às perseguições que sofriam. Suas propriedades foram confiscadas ou destruídas, e eles sofriam encarceramento. Foram reduzidos a nada, pela ira do imperador. A simples sobrevivência física tornou-se um problema, pela falta de alimento.

Em seu comentário sobre o Apocalipse, R.N. Champlin conta a história de certo homem chamado Nicodemos, cuja família possuía uma décima parte da indústria de estanho em Roma. Mas, tento a família abraçado o cristianismo, depois da ressurreição de Cristo, foi reduzida a uma pobreza extrema, e as filhas da família podiam ser vistas a revirar os monturos, atrás de detritos, para isso matar a fome. Por conseguinte, aprende-se, por exemplos como esses, que a piedade não é garantia da riqueza física [3].

Precisamos estar permanentemente advertidos de que o ter pode comprometer o ser. Quando Salomão passou a remunerar os profetas que trabalhavam em seu palácio, esses se calaram diante das injustiças e se esqueceram do povo. A Igreja primitiva não tinha posses nem mesmo templos para celebrar os cultos, porém foi capaz de abalar as estruturas do Império Romano com sua mensagem e testemunho de vidas [4].

Havia duas palavras para pobreza no grego: ptochéia e penia. A primeira é pobreza total, extrema. Era representada pela imagem de um mendigo agachado. Penia é o homem que carece do supérfluo, enquanto que ptochéia é o que não tem nem sequer o essencial. João usou a palavra ptochéia para descrever a pobreza dos esmirneanos. A pobreza dos crentes era um efeito colateral da tribulação. Ela vinha de algumas razões:

1) Os crentes eram procedentes das classes mais pobres e muitos deles eram escravos. Os primeiros cristãos sabiam o que era pobreza absoluta.

2) Os crentes eram saqueados e seus bens eram tomados pelos perseguidores. O autor de Hebreus nos dá uma ideia do que estava acontecendo naquela época aos cristãos de Roma e era um reflexo do que estava acontecendo em outras igrejas também, no caso aqui, em Esmirna:

“Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimentos; ora expostos como em espetáculo, tanto de opróbrio quanto de tribulações, ora tornando-vos co-participantes com aqueles que desse modo foram tratados. Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados, como também aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens, tendo ciência de possuirdes vós mesmos patrimônio superior e durável”. (Hb 10.32-34).

3) Os crentes haviam renunciado aos métodos suspeitos e, por sua fidelidade a   Cristo, perderam os lucros fáceis que foram para as mãos de outros menos escrupulosos; ou judeus e pagãos podem ter-se negado a fazer negócios com eles [5].

“... mas tu és rico...”

A igreja de Esmirna era rica não em bens materiais, mas em riqueza espiritual. Isso pode ser comparado ao caso da igreja de Laodicéia, que era “rica” quanto às riquezas materiais, porém, inteiramente paupérrima quanto às riquezas espirituais.

O Senhor diz para os crentes de Esmirna que eles não deviam sentir piedade de si mesmos. Podiam parecer pobres, mas, na realidade, eram ricos, a saber, de bens espirituais, ricos da graça e de seus frutos [6].

Enquanto o mundo avalia os homens pelo ter, Jesus os avalia pelo ser. Importa ser rico para Deus. Importa ajuntar tesouros no céu. A igreja de Esmirna era pobre, mas era fiel. Era pobre, mas rica diante de Deus. Era pobre, mas possuía tudo e enriquecia a muitos [7].

Nós podemos ser ricos para com Deus, ricos na fé, ricos em boas obras. Podemos desfrutar das insondáveis riquezas de Cristo. À vista de Deus há tantos pobres homens ricos como ricos homens pobres. É melhor ser como a igreja de Esmirna, pobre materialmente e rica espiritualmente, do que como a igreja de Laodicéia, rica materialmente, mas pobre diante de Cristo.

Ensinar a igreja a ter um estilo de vida simples é ensinar à igreja o caminho da dependência de Deus, e não de coisas e de materiais. É também ensiná-la a ter os olhos e atitudes mais sensíveis para com os necessitados. A tirar os olhos de si mesma e passar a ver os outros. Só assim uma comunidade será rica. A riqueza e a prosperidade material não são sinônimos de riqueza espiritual. É possível uma igreja ser rica material e espiritualmente. Mas mesmo que uma comunidade seja materialmente abastada, precisará revelar os valores de Deus nessa área da vida. Nosso desafio é mostrar ao mundo que a piedade é grande fonte de lucro. Mostrar que somos uma comunidade rica em piedade e satisfeita com o que Deus nos tem proporcionado [8].

“... e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são...”

Em Esmirna, havia uma grande comunidade judaica que hostilizava fanaticamente o cristianismo. Esta comunidade judaica estava ajudando os romanos na perseguição contra a igreja de Esmirna espalhando falsos rumores sobre os cristãos. Os inimigos de Cristo estavam caluniando o Seu povo, “blasfemando” contra eles, por essa razão, esses judeus haviam perdido o direito de serem chamados de Israel de Deus. Eles eram judeus de raça, mas não eram filhos de Abraão na fé. O apóstolo Paulo escrevendo aos romanos diz: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente...” (Rm 2.28a), e, “...porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; mas: em Isaque será chamada a sua descendência. Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa”. (Rm 9.6-8). O apóstolo Paulo diz enfaticamente que somente os nascidos de novo, e isso independe de raça, são os verdadeiros israelitas; observe: “porém judeu é aquele que o é interiormente...” (Rm 2.29a). Em Gálatas 3.7 o apóstolo Paulo diz: “Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão”, e em Gálatas 6.16 ele chama a Igreja Cristã de “Israel de Deus”. Podemos resumir tudo isso dizendo que, os verdadeiros judeus são aqueles que confiam em Cristo, os quais, por isso mesmo conquistaram legítimo direito de se chamarem judeus e de possuírem os seus privilégios espirituais. Como diz no Evangelho de João falando a respeito de Jesus: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.12-13).

A maledicência exerce uma estranha fascinação sobre todos nós. Como diz o livro de Provérbios: “As palavras do maldizente são comida fina, que desce para o mais interior do ventre” (Pv 26.22). E os descrentes de Esmirna nutriam-se exatamente dessas suculentas iguarias. Mas os cristãos foram profundamente feridos por causa desse abuso. Era doloroso ser mal interpretado e difamado. Entretanto, não é de duvidar que eles seguiam os passos de seu humilde Mestre, de quem está escrito: “Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça” (1Pe 2.23) [9].

“... sendo, antes, sinagoga de Satanás”.

Os judeus são claramente opositores da Igreja. Expressando-se desta forma João faz uma distinção importante entre judaísmo interior e exterior. Estes “judeus” sem dúvida são judeus por raça e por religião, que se reúnem na sinagoga para adorar ao Senhor. Mas na verdade interiormente eles não são judeus, porque rejeitaram Jesus, o Messias, e confirmavam esta rejeição perseguindo a igreja [10]. 

Os crentes de Esmirna estavam sendo acusados de coisas graves. O diabo é o acusador. Ele é o pai da mentira. Aqueles que usam a arma das acusações levianas são “Sinagoga de Satanás”. Os judeus foram os principais inimigos da igreja no primeiro século. Perseguiram a Paulo em Antioquia da Psídia (At 13.50), em Icônio (At 14.2-5). Em Listra Paulo foi apedrejado (At 14.19), em Corinto Paulo tomou a decisão de deixar os judeus e ir para os gentios (At 18.6). Quando retornou para Jerusalém, os judeus o prenderam no templo e quase o mataram. O livro de Atos termina com Paulo em Roma sendo perseguido pelos judeus. Eles se consideravam o genuíno povo de Deus, os filhos da promessa, a comunidade da aliança, mas rejeitaram o Messias e perseguiram a Igreja de Deus. A religião deles foi satanizada. Tornou-se a religião do ódio, da perseguição, da rejeição da verdade. Quem difama a Cristo ou O degrada naqueles que O confessam promove a obra de Satanás e guerreiam as guerras de Satanás.

Os crentes de Esmirna passaram a sofrer várias acusações levianas:

1)      Canibalismo - por celebrarem a ceia com o pão e o vinho, símbolo do corpo e do sangue de Cristo.
2)      Imoralidade – por celebrarem a festa do Ágape antes da ceia, por causa do ósculo santo e da ênfase que eles davam ao amor fraternal. Consequentemente eram acusados de incesto e orgias sexuais.
3)      Divididores de famílias – uma vez que as pessoas que se convertiam a Cristo deixavam suas crenças vãs para servirem a Cristo.
4)      Ateísmo – por não se dobrarem diante de imagem dos vários deuses.
5)     Deslealdade ao governo – eles eram chamados de desleais e revolucionários, por se negarem a dizer que César era o Senhor.


Os judeus incrédulos tomaram o partido de Satanás, no conflito entre a igreja e o pagão império romano. Alegremente ajudaram às autoridades romanas a esmagarem a igreja. Aquele que ajudasse Roma, com razão era considerado debaixo da influência satânica. Esses judeus passaram a cultuar a César para não perderem os seus bens. Agora passaram a caçoar e falar mal dos cristãos que tinham perdido tudo por permanecerem fiéis a Jesus. Por isso que o Senhor afirma que esses não são judeus realmente, mas sim Sinagoga de Satanás. São agentes do diabo. Podemos chamá-los de sádicos da fé e da religião [11].    

Notas:
1 Lawson, Steven J. As sete igrejas do Apocalipse. Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 4º edição, 2004: p. 100.
2 Ibid, p.100.
3 Champlin, Ph. D., R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo. Ed. Candeia, São Paulo, SP, 10º reimpressão, 1998: p. 395.
4 Barro, Jorge Henrique e Proença, Wander de Lara. Uma Igreja Sem Propósitos, Ed. Mundo Cristão, São Paulo, SP, 2004: p.157.
5 Lopes, Hernandes Dias. Apocalipse, o futuro chegou. Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005: p. 79.
6 Hendriksen, Willian. Mais que Vencedores, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, SP, 2001: p.94.
7 Lopes, Hernandes Dias. Apocalipse, o futuro chegou. Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005: p. 82.
8 Barro, Jorge Henrique e Proença, Wander de Lara. Uma Igreja Sem Propósitos, Ed. Mundo Cristão, São Paulo, SP, 2004: p.169.
9 Stott, John R. W. O que Cristo pensa da Igreja. Ed. United Press, Campinas, SP, 1999: p. 31.
10  Ladd, George. Apocalipse, introdução e comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 4º reimpressão, 1989: p. 35.
11 Barro, Jorge Henrique e Proença, Wander de Lara. Uma Igreja Sem Propósitos, Ed. Mundo Cristão, São Paulo, SP, 2004: p.169. 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Nunca satisfeito por muito tempo!


Por Josemar Bessa

O homem natural nunca está satisfeito por muito tempo. O homem pode alcançar qualquer coisa, mas sempre termina desejando o que não tem. Por que é assim? Porque o pecado é a fonte de toda insatisfação e descontentamento.

Mas então se isso é verdade sobre todo o mundo não regenerado, não deve ser sobre os que estão em Cristo. O poder da habitação do Espírito Santo é tal, que é dito sobre eles que se tem o que vestir e com que se alimentar, devem expressar pleno contentamento: "Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes." - 1 Timóteo 6:8 - "Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade." - Filipenses 4:12

Infelizmente uma grande parte dos que se dizem cristãos vivem descontentes como o mundo. Um coração que não está fixado e constantemente meditando no que tem em Deus, escorrega para a vala comum das consequências do mundanismo. Onde está o remédio? Considere, considere e considere Deus!

A declaração da Soberania de Deus e o descontentamento são auto-excludentes.

Considere o que Deus é para você. 

Ele não é teu Deus em Jesus? 

Ele não é o seu Pai Celestial? 

Ele não te amou com amor eterno? 

Não foi ele que ordenou e organizou todos os acontecimentos da sua vida em sua infinita sabedoria? 

Ele não assegurou em seu poder que todas as coisas cooperassem para o seu bem? 

Estando sob estas circunstâncias não é a expressão da mais amarga ingratidão lamentar-se, estar descontente e dar lugar a autocomiseração?

Pense por um instante no que Cristo fez por você. 

Não tomou seus pecados e recebeu o castigo? 

Não concedeu a você uma justiça perfeita? 

Não prometeu estar contigo até o fim? 

Não está ele agora intercedendo por você no Céu? 

Não prometeu voltar para buscá-lo? 

Se este é o caso qualquer descontentamento é motivo para a mais profunda vergonha!

Uma eternidade te espera: luz - sem trevas; alegria - sem dor; saúde - sem doença; prazer - sem dor; triunfo sem provações; e a vida - sem morte.


Na eternidade, você vai. . . desfrutar de tudo o que você pode desejar (Deus, Deus, Deus!!!), estar onde você será perfeitamente feliz, e possuir tudo o que o seu Deus pode dar. ( Tudo que Deus é!)


Mas volte para o tempo, para o agora e considere a providência que cuida de você. Providência é. . .

O olho de Deus fixado sobre você,

A mente de Deus planejando para você,

O coração de Deus amando você,

A mão de Deus suprindo o que você necessita,

O braço de Deus colocado sob você.

Ele conta os cabelos da tua cabeça, observa cada passo que você dá, e vai anular tudo que possa se levantar contra o seu bem-estar eterno.

Você é filho da providência, filho do Deus da providência - estar contente é tua única opção!

O mais doce de todos os Puritanos, Thomas Watson (1620-1686), certa vez disse que:

1. Tenha a providência de Deus em grande apreço. A providência de Deus mantém toda a criação em seus eixos, ou tudo o mais seria rapidamente dissolvido e o eixo principal se quebraria. Se a providência de Deus fosse retirada só por um momento, as criaturas se desintegrariam e voltariam ao seu primeiro nada. Sem essa sábia providência de Deus haveria ansiedade e confusão no mundo inteiro, do mesmo modo que um exército quando é derrotado e desbaratado. A providência de Deus infunde conforto e virtude em tudo que gostamos. Nossas roupas não nos aqueceriam e nossa comida não nos alimentaria sem a providência especial de Deus. Tudo isso não merece que admiremos a providência?

2. Aprenda calmamente a se submeter à divina providência. Não murmure diante das coisas que são organizadas pela sabedoria divina. Não podemos encontrar falhas nas obras da providência assim como não podemos encontrar falhas nas obras da criação. É pecado tanto se queixar da providência de Deus quanto negá-la. Se os homens não agirem como gostaríamos que agissem, Deus os fará agir como ele quer. Sua providência é sua roda-mestra, que faz girar todas as rodas menores, e, no final, a glória de Deus será revelada em todas as coisas. "Emudeço, e não abro os meus lábios porque tu fizeste isso" (SI 39.9).

Pode ser que pensemos, às vezes, que poderíamos organizar melhor as coisas se tivéssemos o governo do mundo em nossas mãos. Porém, se fôssemos deixados à nossa própria escolha, teríamos escolhido aquilo que nos faria mal. Davi desejava fervorosamente que seu filho, que fora fruto de seu pecado, vivesse, mas se aquela criança tivesse vivido, seria um monumento perpétuo à sua vergonha. Contentemo-nos que Deus governe o mundo, aprendamos a aquiescer a sua vontade e a nos submeter à sua providência. Alguma aflição lhe sucedeu? Lembre-se de que Deus vê que isso é adequado para você, ou não lhe teria sobrevindo. Suas roupas não servem tão bem para você quanto as cruzes que Deus permite carregar. A providência de Deus pode, às vezes, ser secreta, mas sempre é sábia. E, embora não nos calemos diante da desonra que Deus permite passarmos, ainda devemos aprender a estar calados sob o descontentamento que nos dá.

3. Todo cristão deve crer que a providência de Deus coopera, no final, para seu bem. As providências de Deus são, por vezes, obscuras, nossos olhos ficam turvos e mal podemos apresentar o significado delas. Porém, quando não podemos peneirar a providência, vamos crer que ela coopera para o bem do eleito (Rm 8.28). As engrenagens num relógio parecem se mover ao contrário uma da outra, mas elas ajudam no movimento do relógio, fazendo soar o alarme. Assim, as providências de Deus parecem engrenagens contrárias, mas todas juntas cooperam para o bem do eleito. A picada numa veia, por si só, é má e dolorosa, mas como ela previne de uma febre e promove a saúde do paciente, é boa. Assim, a aflição por si só não é alegre, mas penosa. Porém, o Senhor a transforma no bem de seus santos. A pobreza deixará à míngua os pecados deles, e as aflições os prepararão para o reino. Portanto, cristãos, creiam que Deus os ama e que realizará as providências mais opostas para promover sua glória e o bem dos seus.

4. Creia que a providência é um antídoto contra o medo extremo de que as coisas que acontecem não são ordenadas pelo decreto de Deus e por sua providência. Às vezes tememos o que acontecerá quando os homens tiverem ido longe em suas ações. Porém, não vamos piorar as coisas por causa de nosso medo. Os homens são limitados em seu poder, e não podem fazer crescer nem um cabelo sem que a providência de Deus o permita. Deus pode deixar que o exército de Senaqueribe marche em direção a Jerusalém, mas não atirará nenhuma seta contra ela. "Então, saiu o Anjo do SENHOR e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil" (Is 37.36). Quando Israel estava cercado, entre faraó e o mar Vermelho, sem dúvida alguns corações começaram a tremer, e consideraram-se homens mortos. Porém, a providência o havia ordenado, e o mar foi uma passagem segura para Israel e um sepulcro para faraó e todas as suas hostes.

5. Permita que a misericórdia providencial de Deus gere gratidão. Somos mantidos vivos pela ação maravilhosa da providência. A providência faz que nossas roupas nos agasalhem, que nossas refeições nos alimentem. Somos alimentados todos os dias da cesta de esmolas da providência de Deus. Se temos a saúde e uma propriedade, não é por nossa diligência, mas pela providência de Deus. "Antes, te lembrarás do SENHOR, teu Deus, porque ele é o que te dá força para adquirires riquezas" (Dt 8.18). Em especial, se formos um pouco além, devemos ser gratos por ter nascido e crescido numa terra evangélica, e que vivemos num lugar onde brilha o sol da justiça, o que é um sinal da providência. Por que não nascemos num lugar onde prevalece o paganismo? Devemos ser gratos porque Cristo se fez conhecido a nós e nos tocou com seu Espírito. De onde vem isso? Vem da miraculosa providência de Deus, que é o efeito de sua graça imerecida. 

Esse é o nosso Deus! Amém!



Fonte: Josemar Bessa

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Não baseie sua fé nas experiências por Mark Driscoll

Mark Driscoll usa o testemunho de Pedro sobre a Transfiguração de Cristo para mostrar que a Bíblia deve ser a base para a nossa fé, não as experiências que vivemos.


Fonte: iPródigo

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A nova fé: quem precisa dela?




A pequeníssima epístola de Judas nunca foi tão atual e profética (com o perdão dessa expressão desgastada). O versículo 3 encoraja a “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (RC). A expressão “fé que uma vez foi dada aos santos” faz pensar nas novidades teológicas no ambiente cristão (ainda que com cem, duzentos anos ou mais).

A fé dada há dois mil anos já era suficiente para realizar o seu papel e levar-nos a cumprir a carreira proposta. Pensar que essa fé dada uma vez pudesse ou devesse atingir um estágio de evolução ou alcançar posteriormente alguma revelação, por mais privilegiada que fosse, é uma certeza estranha ao Evangelho. A fé dada uma vez aos santos era, por si, pronta e acabada, usando um termo pobre para explicar tamanha riqueza.

Ninguém precisa de uma “nova fé”, porque Cristo não está promovendo ou delegando uma fé nova ou diferente da que entregou aos santos há dois mil anos. Alguém está cansado do Evangelho como ele é, é caso admissível. Há irmãos que vivem de novidade em novidade e precisam de estímulo extra para “fazer funcionar” algum mecanismo ou fazer girar alguma roda, mesmo que da fortuna. Mas não há novidade: a fé foi dada uma vez aos santos. Ponto final.

É inconcebível uma nova revelação que já não tenha ocorrido entre os apóstolos, como é impensável alguma nova associação da fé com um ramo da ciência no intuito de fazer a fé ganhar novo vigor, assumir significado renovado e fazer sentido no contexto pós-moderno. Nada disso existe. É preciso muita fé para crer que o homem de hoje – justo hoje! – está redescobrindo um novo jeito de construir sua espiritualidade ou estabelecer diálogo com “outros saberes”. Nada disso é necessário. A fé é um caso à parte, independente. Ou você crê ou não crê. Mas remodelar a fé ou o seu significado etimológico para que ela desça ao nosso nível é perversão e por isso, no mesmo versículo, Judas diz que queria escrever sobre a “salvação comum”, mas mudou o texto para “encorajar-nos a batalhar pela fé”.

Preservar a fé é crucial para manter a salvação sobre a qual ele queria escrever. E ele usa todo o texto da epístola demonstrando quais são as ameaças à fé: falsos irmãos que se desviaram mas permanecem nas reuniões (v. 4); os incrédulos que estão fora da Igreja (v. 5); os pervertidos (v. 10); os egoístas individualistas que são insubmissos (v. 12); os murmuradores (v.16); os escarnecedores (v. 18); os maliciosos (v. 19).

As novidades que têm sido introduzidas na Igreja nos últimos tempos faz da pequena carta de um dos irmãos de sangue de Jesus um verdadeiro “jornal do dia”. Leia-a, é curta, apenas 25 versículos da mais clara e saudável revelação. Eu creio na Bíblia como Palavra de Deus e sei que ela está ensinando a verdade para todo aquele que crê que a fé foi dada um vez aos santos… e não precisou de amuleto para andar nem de plástica para parecer nova.

Fonte: NAPEC

Como eram as pessoas salvas antes de Cristo?



Por J. Warner Wallace

Tradução: Nathan Cazé


Fé somente em Cristo somente

Como Cristãos, acreditamos que somos salvos pela graça de Deus, através da fé no Salvador (Jesus Cristo); é fé somente, em Cristo somente. A salvação, então, é dependente de algo que Deus tem feito para nós ao invés de algo que nós fazemos para nós mesmos. Sabemos que as nossas boas obras simplesmente não nos podem salvar, e também reconhecemos que Jesus fez tudo necessário por nós; Ele morreu na cruz para pagar o preço de nosso pecado. Da cosmovisão Cristã, Deus não existe somente, mas Ele tem algo para nos salvar e tudo que Ele requere é que nós coloquemos a nossa fé em Jesus para nossa salvação. Mas o que dizer de todas aquelas pessoas que viveram e morreram antes de Jesus nascer? Se a fé em Jesus for necessária, como eles poderiam ser salvos antes de seu aparecimento? Bem, aqueles que viveram antes de Jesus foram salvos exatamente da mesma forma que você e eu somos salvos; pela graça de Deus e através da fé deles no Salvador! Aqueles que viveram antes de Jesus entenderam o que é a graça e eles colocaram a fé deles no Redentor que está vindo…

Eles Entenderam a Graça

Esses crentes primitivos amavam a Deus e queriam viver com ele para sempre. Eles ouviam atentamente às palavras de Deus ao passo que estas eram reveladas pelos profetas e a escritura. Como resultado, eles entenderam a natureza da graça. Davi, por exemplo, escreveu sobre o perdão e a graça de Deus:

Salmos 32:1-5

Bem-Aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano. Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio. Selá. Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado. Selá.

Davi estava completamente ciente da natureza do dom gratuito de Deus da salvação, e Paulo deixa isso claro para nós quando ele descreve o conhecimento que Davi tinha a este respeito:

Romanos 4:6-8

Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo:

Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos.

Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.

Davi claramente entendeu que todos nós somos pecadores que devemos ser salvos pela Graça de nosso Deus (como Paulo diz, “sem as obras”). Davi não era o único crente da antiguidade que sabia que eles seriam salvos pela fé deles, mesmo que o Salvador ainda não havia chegado. O Novo Testamento nos diz que os nossos heróis da fé entenderam o papel que a fé desempenhou na salvação deles:

Hebreus 11:13

Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.

Esses crentes da antiguidade certamente sabiam que suas boas obras não poderia salvá-los; como Isaías, eles sabiam que a ‘bondade’ deles não era ‘bom o suficiente’:

Isaías 64:6

Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam.

Os crentes da antiguidade também sabiam que o padrão de Deus era impossivelmente alto. Eles sabiam que quando eram comparados a Deus, eles ficaram aquém do alvo e, como Davi, eles sabiam que até mesmo sacrifícios de animais não agradaria um Deus Santo:

Salmo 40:6

Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.

Eles Esperavam um Messias

Os crentes da antiguidade sabiam que as próprias obras deles eram repetidamente insuficientes aos olhos de um Deus Santo. Com o conhecimento limitado de Deus que lhes foram dados naquela época, eles entenderam que Deus teria que fazer algo dramático para salvá-los. Os seguidores de Deus que viveram antes de Jesus colocavam a fé deles no Salvador que estava por vir e que foi descrito desde os primórdios dos tempos. Deus disse a Adão e Eva que um de seus descendentes eventualmente derrotaria Satanás…

Gênesis 3:15

E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

Abraão entendeu que Deus providenciaria um sacrifício para o pecado, assim como ele entendeu que Deus providenciaria um sacrifício substitutivo para tomar o lugar de seu próprio filho quando Deus chamou Abraão para sacrificar Isaque:

Gênesis 22:28

E disse Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos.

Revendo, milhares de anos atrás, Paulo nos lembra de que a fé de Abraão salvou-o. Abraão levou Isaque ao ponto do sacrifício, completamente esperando que Deus, em Sua bondade, providenciaria um “cordeiro”:

Romanos 4:3

Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

Embora Abraão não tenha nunca completamente entendido o papel que Jesus desempenharia algum dia, ou a forma exata em que Deus viria à terra para ser um sacrifício para todos aqueles em necessidade desesperada de um Salvador, ele sabia que Deus completaria tudo o que ele havia prometido e ele olharia adiante ao dia da vinda do Messias:

João 8:56

Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.

Jó teve uma expectativa e esperança parecida por um Redentor. Ele sabia que Deus, de alguma maneira, salvá-lo-ia, mesmo se ele estivesse incerto sobre os detalhes exatos:

Jó 19:25-26

Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus…

De uma forma semelhante, Moisés também esperava e acreditava na vinda do Messias, e ele antecipou a recompensa da Salvação:

Hebreus 11:26

Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.

Moisés até escreveu uma escritura que apontava para a vinda do Senhor!

João 5:46

Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele.

E Moisés não estava solzinho. Sabemos que muitos dos profetas do Velho Testamento e homens sábios também falaram da vinda do Salvador. Enoque, por exemplo, falou sobre a segunda vinda do Messias:

Judas 14

E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos…

Embora Enoque não escrevesse sobre isto na escritura, é razoável assumir que ele também falou sobre a primeira vinda de Jesus e sua missão na terra! Crentes escutaram acerca do Messias de seus profetas que claramente descreveram onde Ele nasceria:

Miqueias 5:2

E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

Os profetas também descreveram como o Messias seria traído:

Zacarias 11:12

Porque eu lhes disse: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o meu salário e, se não, deixai-o. E pesaram o meu salário, trinta moedas de prata.

Os profetas também descreveram como o Messias morreria:

Isaías 53:5

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades  o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

E os profetas também descreveram o fato de que o Messias seria ressuscitado:

Salmos 16:10

Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.

Isaías 26:19

Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos.

De fato, tanto foi escrito e predito sobre o Salvador, mesmo aqueles que precederam Jesus foram capazes de reconhecer a Sua chegada!

Atos 10:43

A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome.

Os detalhes eram claros para aqueles que honestamente amavam a Deus suficientemente para examinar as escrituras. Por isso que Jesus esperava que alguém como Nicodemos entendesse a verdade do Evangelho até mesmo antes de Sua (Jesus) aparição:

João 3:10

Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?

Uma Fé Suficiente Somente no Messias Somente

Os santos do Velho Testamento entendiam o papel e a importância da fé, e eles esperavam a vinda do Redentor e Messias que os salvaria. Eles realmente não deveriam nos surpreender, porque de acordo com a Bíblia, o sacrifício de Jesus na cruz foi planejado por Deus desde o começo do tempo.

Apocalipse 13:8

E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.

Aqueles que amaram a Deus e viveram antes que Jesus soubesse que os seus pecados seria expiados pelo sacrifício deste Salvador.

Isaías 53:6

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.

Romanos 3:25

Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

Assim como nós, estes crentes da antiguidade foram salvos pela graça somente, por meio do Salvador somente, mesmo se o entendimento deles acerca do Salvador não fosse tão completo como o nosso hoje. Alguns podem argumentar que a fé deles era incompleta; eles não entenderam a exata identidade do Messias, e eles não sabiam exatamente como Deus cumpriria o sacrifício necessário para salvá-los. Mas pense um pouco sobre isso. Quem dentre nós tem uma fé verdadeiramente ‘completa’? Se você for um Cristão, é você ‘completamente’ conhecedor em relação a tudo que possa ser conhecível sobre Deus, o Salvador deste e o plano de Salvação? Que nível de teólogo você deve ser para ser salvo? Deve a sua fé ser ‘completa’ ou há algum nível de ‘suficiência’ requerido? O quanto que você precisa ‘saber’ para ‘saber’ se você está salvo?

Você consegue responder todas as perguntas acerca da Trindade, por exemplo? Você entende completamente como é que Jesus pôde ser completamente humano e mesmo assim completamente Deus ao mesmo tempo? A sua falta de entendimento ‘pleno’ o desqualifica da Salvação? De cada um de nós é esperado fazer o máximo que podemos fazer com a informação que temos. Um dia, cada um de nós será responsabilizado pela informação que recebemos de Deus. Seremos perguntados: “O que você fez com o que eu revelei a você?” Assim como nós, os santos do Velho Testamento fizeram o máximo que podia com o que foi revelado a eles. Eles depositaram toda a sua fé em tudo o que Deus lhes havia dado. E essa fé em Deus e em Sua promessa de um Salvador futuro foi suficiente para eles serem incluídos na família de Deus.

Fonte: NAPEC