sábado, 24 de abril de 2010

Você conhece seu dono?


Por: Martyn Lloyd Jones

Escutem as palavras de Isaías:

"O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono, mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.(Isaias 1:3)

Por que vocês acham que Isaías escolheu o boi e o jumento? A resposta óbvia é: De todos os animais, eles são os mais estúpidos. De entre todas as criaturas do universo eles são os mais obstinados e difíceis de se tratar.

Por isso Isaías tomou o boi e o jumento para estabelecer este ponto. Até o boi e o jumento conhecem seu dono e a manjedoura de seu dono. Apesar de obtusos e estúpidos, como eles são, eles têm um instinto que faz com que reconheçam seu dono. E muito difícil conduzir um boi; um jumento por vezes parece ser irremovível. Vocês podem puxar, empurrar e bater num jumento e ele não se move, mas, quando está com fome e vê seu dono chegar com uma vasilha, ele se apressa imediatamente ao seu encontro! O boi e o jumento obedecem a seu instinto: eles querem a comida, e observam a pessoa que traz a mesma. Eles parecem ser tão obtusos, estúpidos e desatentos, incapazes de reagir a qualquer tipo de persuasão, porém quando se trata de comida e sustento, eles imediatamente obedecem à lei de seu ser e se apressam a consegui-lo. Mas homens e mulheres não fazem assim! Eles são mais tolos que um boi ou um jumento!

Prosseguindo, não é meramente loucura, é verdadeiramente uma questão de perversão; homens e mulheres são anormais. O boi e o jumento são perfeitamente normais. Pode ser que tenham uma natureza estúpida, mas o instinto de auto-preservação, o instinto de ter sua fome saciada, funciona e os põem assim no lugar certo. Eles se lembram, eles sabem, eles observam e agem. Todavia, os seres humanos não fazem isso. Eles, que foram feitos senhores da criação, se comportam de forma pervertida e antinatural, pervertida: eles negam a lei de seu próprio ser.

Como é isso? Bem, todos os homens e as mulheres que já viveram sempre tiveram dentro de si uma senso de Deus e da eternidade. Arqueologistas, que podem até mesmo não ser cristãos, foram capazes de mostrar de forma conclusiva que mesmo as raças mais primitivas têm uma crença num Deus supremo e completo. Achados arqueológicos sustentam esta verdade que a Bíblia sempre ensinou. Naturalmente, sei que muitas pessoas passam a maior parte de suas vidas tentando provar que não existe Deus. Esse é o meio pelo qual tentam silenciar essa percepção, esse sentimento, esse instinto, de que há alguém, algo mais alto e maior do que eles. Os gregos antigos possuíam esse sentimento. Eles construíram seus templos para Zeus, Artemis e Apoio, e entre eles havia um altar "AO DEUS DESCONHECIDO" (Atos 17:23). Eles não podiam lhe dar um nome, mas sabiam que existia - um deus, um poder.

Todo ser humano sente instintivamente que não fomos feitos para este mundo. As palavras de Longfellow "Tu és pó, ao pó tomaras" não se referiam à alma. Deus colocou a eternidade em nossas almas e em nossos corações. Não podemos nos imaginar chegando a um fim.

Você pode dizer: "Ora, não acredito que continuamos após a morte".

Mas eu não estou perguntando o que você crê. Estou perguntando qual é o seu instinto, e seu instinto lhe diz que você irá prosseguir. E um instinto vindo do ser de Deus, e do fato de que esta não é a única vida. Você tem um instinto de eternidade.

Contudo, homens e mulheres, em vez de obedecer a este instinto, como o boi e o jumento obedecem ao seu instinto, deliberadamente lutam contra o mesmo. Eles tentam livrar-se dele, desmenti-lo, e se acham espertos ao fazê-lo. Eles argumentam e raciocinam contra o mesmo. No entanto, o instinto está lá e não conseguem sufocá-lo, e assim eles se encontram num conflito perpétuo. Esse é o motivo pelo qual eles são mais idiotas do que os animais, mais estúpidos do que o boi e o jumento.

Mais do que isso, e ainda mais vergonhoso, homens e mulheres se deliciam e se gloriam no que é oposto a este instinto. Todas as pessoas possuem a compreensão do certo e do errado, mas homens e mulheres modernos se aprazem em sufocar a percepção do certo, e se gloriam no erro e no mal. Não preciso lhes dar evidência disso pois, infelizmente, é dolorido e óbvio, e está constantemente diante de todos nós.

Parece-me, lendo a análise da maioria dos críticos de filme e drama do tempo presente, que se alguma coisa é limpa deve ser rejeitada como primitiva e infantil. Nada é de qualquer interesse exceto o que é corrompido, pervertido e repulsivo. Isso é realismo; isso é que é arte! E se gloriam nisto - "...O deus deles é o ventre, e a glória deles é para confusão deles mesmos" (Filipenses 3:19). Eles são piores que o boi e o jumento. Animais não fazem tais coisas, só os humanos fazem tais coisas. Eles mesmos se fazem de loucos.

Eles se pervertem a si mesmos e mostram esta perversão. Eles violentam a lei de seu próprio ser.

E, finalmente, homens e mulheres rejeitam todo ensino e toda luz que lhes são oferecidos para resgatá-los. O boi e o jumento, mesmo obtusos e estúpidos, vêem o dono chegando com a vasilha e o alimento e correm para ele. Mas, o que fazem os homens e as mulheres quando a luz lhes é oferecida na sua escuridão? O que fazem quando a salvação lhes é oferecida no seu estado de perdição? Eles reagem contra a oferta; eles a rejeitam; eles a contradizem. E se acham espertos ao fazer assim. Nosso Senhor disse: "E a condenação é esta: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más" (João 3:19). Tudo o que eles precisavam estava na frente deles, porém argumentaram, resistiram, lutaram, jogaram pedras e O crucificaram. "O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, a manjedoura do seu dono, mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende." O pecado perverte os seres humanos e os torna néscios.

A Soberania de Deus e as Nossas Orações


Por Arthur W. Pink

"E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve." 1 João 5:14

Existem algumas perguntas que surgem na mente das pessoas quando pensam acerca da soberania de Deus.

Já dissemos que as pessoas são incapazes de escolher ser salvos de seus pecados a menos que Deus mesmo mude sua natureza pecaminosa.

Então, a primeira pergunta que responderemos é esta: se Deus realiza o câmbio na natureza das pessoas, por que devem esforçar-se os crentes em pregar o evangelho a todos? temos aprendido que por natureza os homens são pecaminosos, que por si mesmos não podem escolher crer em Cristo. Por que, então, os crentes devem urgir às pessoas a crerem? A resposta é esta: aos crentes lhes é ordenado por Deus pregar o evangelho a todos.

Não pregamos o evangelho pensando que os ouvintes inconversos tenham em si mesmos a capacidade para receber a Cristo como seu Senhor. Pregamos porque sabemos que isto é o que Deus tem nos comissionado fazer.

Sabemos que quando o evangelho é pregado, Deus mesmo fala eficazmente a alguns daqueles que escutam. Àquelas pessoas que Deus tem escolhido, lhes é dada a disposição para crer. Crer que Deus está no controle de tudo é de grande ajuda e estímulo para a pregação evangélica. Os crentes sabem que as pessoas escolhidas por Deus se arrependerão dos seus pecados quando escutem acerca de Jesus Cristo o Salvador.

De fato, esta convicção de que Deus está realizando seus propósitos mediante a pregação, é a base da verdadeira pregação evangélica. Veja Isaias 55:10-11, 2 Coríntios 2:14-17, Romanos 10:14-15 e 1 Pedro 1:23.

Em segundo lugar, outra pergunta que pode surgir é esta: se Deus tem determinado o que vai acontecer, e se também tem o controle sobre tudo o que acontece, então, existe alguma razão para orar? Se Deus já tem tomado todas as decisões, seguramente a oração não tem valor algum. Nós não podemos mudar a vontade de Deus. A nossa resposta é a seguinte: devemos entender o significado verdadeiro da oração. Alguns dizem que a oração é a forma em que Deus permite que as nossas vontades tenham influência no que acontece. Mas a Bíblia ensina claramente que é Deus quem faz com que as coisas sucedam. Portanto, a idéia de que as nossas orações fazem que as coisas aconteçam é errada. Outras pessoas dizem que a oração é uma forma de conseguir que Deus mude a Sua vontade. Mas, como já vimos, Deus já tem decidido exatamente o que vai acontecer. A oração não é algo que possamos usar para mudar as coisas; a nossa oração não muda a vontade de Deus.

A oração é a maneira assinalada por Deus para honrá-Lo. A oração é um meio de adoração a Deus. a oração é o reconhecimento de que dependemos totalmente de Deus, por todo o que somos e o que temos. A oração é o método divino para pedir a bênção de Deus.

A oração faz com que percebamos quão pequenos e fracos somos, e quão grande é Deus. a oração é um dom de Deus para seu povo, a fim de que eles Lhe peçam as coisas que Deus tem determinado. As orações dos crentes formam parte do plano de Deus para efetuar os Seus propósitos eternos. (Veja os seguintes textos que afirmam esta verdade: Mateus 5:10; 1 João 5:14; Romanos 8:26-27).

Além disso, Deus tem determinado que a oração seja um meio para efetuar sua vontade, tal como a pregação do evangelho é o meio utilizado por Deus para salvar os pecadores. As orações dos crentes formam parte do plano de Deus para executar Seus propósitos eternos.

Assim sendo, quando os crentes oram não o fazem para mudar o plano de Deus, senão para que o pano de Deus seja executado. Os crentes podem orar por certas coisas com confiança porque sabem que estão incluídas no plano de Deus. Quando dizemos a Deus as nossas necessidades, estamos encomendando-nos ao Seu cuidado, e Lhe suplicamos que trate com elas de conformidade com Seu plano. Então, pode perceber-se que a oração é basicamente uma atitude, uma atitude de dependência total de Deus. A oração é o oposto de dizer a Deus o que Ele tem que fazer, porque a oração pede para que a vontade de Deus seja feita. Assim, isto responde a nossa pergunta acerca da razão para orar. Os crentes oram por coisas que concordam com o plano que Deus tem pré-determinados, ou seja, coisas que são parte do mesmo plano de Deus. Os crentes oram, não para mudar o plano de Deus, senão para aceitá-lo e achar a bênção de Deus através desse plano.

Em terceiro lugar, talvez a seguinte pergunta tenha chegado a inquietar você: Se Deus tem decidido todo o que sucede, então por que devem preocupar-se os crentes em serem bons? Se Deus tem planejado que os crentes serão bons, então, por que devem preocupar-se de sê-lo eles mesmos?

Mais uma vez, a resposta básica é que os crentes fazem bem, porque Deus tem lhes mandado fazer o que é bom. Em realidade, o conhecimento de que Deus controla todas as coisas ajuda os crentes a realizar o que é bom.

Os crentes confiam em que Deus pode lhes dar a capacidade de realizar coisas boas. Os verdadeiros crentes sabem que em si mesmos não têm o poder de fazer o que Deus tem lhes ordenado. É, portanto, que confiam em que Deus pode lhes dar a fortaleza que necessitam para obedecer a Sua vontade.

Por último, talvez você tenha pensado que é injusto e cruel de parte de Deus escolher só certas pessoas para serem salvas. Porém, lembre-se do seguinte: se Deus não tivesse escolhido e salvo alguns, então ninguém teria sido salvo do pecado. Se Deus não tivesse escolhido ninguém, então todos nós teríamos morrido em nossos pecados. Deus não é injusto ao escolher salvar alguns e outros não, porque ninguém tem o direito de ser salvo, quer dizer, Deus não "deve" a salvação para ninguém. A salvação é inteiramente um assunto da bondade de Deus para as pessoas que não a merecem. Deus tem mostrado sua bondade a certas pessoas, segundo melhor Lhe pareceu a Ele (veja Mateus 11:25-27).

Nós poderíamos pensar que teria sido melhor que Deus salvasse todos, mas não estamos capacitados para decidir isto. Não somos capazes de ver e compreender todo o que Deus vê e compreende. Os caminhos de Deus não são como os nossos caminhos, e nós não podemos compreendê-los integramente (Veja Isaias 55:8-9 e Romanos 11:33-36). Todo quanto podemos dizer é que Deus tem demonstrado seu amor na eleição e salvação de gente que não merece sua bondade. Então, permita-me fazer-lhe uma última pergunta: É você uma das pessoas que Deus tem escolhido para salvação? Existe algum desejo em seu coração de ser uma das pessoas que pertencem a Deus?

TEXTOS BÍBLICOS:

João 17:6, 9: "Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra. (...) Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus".

2 Pedro 1:3: "Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude".

Efésios 2:10: "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas".

1 Pedro 1:5: "Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo".

1 Samuel 3:18: "Então Samuel lhe contou todas aquelas palavras, e nada lhe encobriu. E disse ele: Ele é o SENHOR; faça o que bem parecer aos seus olhos".

Jó 1:20-21: "Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou. E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR".

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Este artigo foi traduzido do espanhol para o português por Daniela Raffo. Este artigo é parte de um livro que foi traduzido de uma versão abreviada em inglês intitulada "Quem está no controle?", publicado por Grace Publications Trust, e em sua versão original em inglês por Baker Book House. O título da versão original em inglês é: "A soberania de Deus".

Deus tem Inimigos?














Por Jorge Fernandes Isah

É interessante que afirmamos o tempo todo ser satanás e o réprobo inimigos de Deus. Damos tanta atenção a alguns aspectos que existe uma legião de crentes capaz de considerar o diabo como um inimigo de Deus, estando no mesmo pé de igualdade, à Sua altura; quase como se fosse um “Deus”. Mas biblicamente, o que nos é dito? Eles são rivais? De certo modo, é verdade. Mas Deus tem inimigos? Sob qual ponto de vista Ele tem inimigos?

A palavra inimigo quer dizer:

1) Segundo o Priberan: adj. s. m. 1. Hostil, contrário a. 2. Que aborrece ou quer mal. 3. Que milita em facção oposta. 4. Com quem se anda em guerra. s. m. 5. Pop. Diabo.

2) Segundo o Michaelis: adj (lat inimicu) 1. Que não é amigo. 2. Adverso, contrário, hostil. 3. Indisposto, malquistado. 4. Adversário. sup abs sint: inimicíssimo. sm 1. Pessoa que tem inimizade a alguém. 2. Nação, tropa, gente com quem se está em guerra. 3. O diabo, o demônio. 4. O que tem aversão a certas coisas.

Definido o termo, há dois aspectos a serem ponderados:
1) Num sentido, Deus tem inimigos, como a própria Bíblia afirma. Se considerarmos que satanás e os réprobos fazem oposição a Ele, desobedecendo-o, em rebeldia, entendemos que há inimizade entre eles. Como os desejos do diabo e dos ímpios serão sempre contrários aos divinos, podemos declarar que o Senhor tem inimigos. E, na verdade, Deus odeia tudo quanto eles fazem [logo, odeia-os também], porque suas ações são sempre antagônicas à santidade e perfeição divinas.

2) Em outro sentido, não há como sustentar a afirmação. Por que? Tanto o diabo como os réprobos foram criados com um propósito claro e definido. Como criaturas, estão sujeitos à vontade do Criador, e não são seres autônomos que podem fazer o que lhes “der na telha”, mas estão a cumprir rigorosamente todo o plano soberano de Deus, sem que nenhum dos seus atos e vontade estejam alheios a Ele, que os mantém sob o Seu serviço, às Suas ordens, como subordinados e completamente dependentes dEle. Portanto, o Senhor não tem inimigos, mas subalternos.

Parece algo conflituoso, mas não é. Veja bem: do ponto de vista de se oporem a Deus, de trabalharem contra, dando vazão à natureza rebelde, e assim desobedecê-lo, satanás e os réprobos são inimigos. Mas dentro do decreto eterno, onde todas as coisas, inclusive os anjos caídos e os ímpios, encontram-se na categoria de forjados, talhados e moldados pelo Criador para cumprirem Seus santos e perfeitos desígnios... sendo como tudo o mais criação e criaturas; sendo o poder delas proveniente, secundário e ordenado; sendo o Senhor Todo-Poderoso e não havendo “força” que possa confrontá-lo, nem impedi-lo de realizar qualquer dos seus propósitos... Deus não tem inimigos. Deve-se frisar que mesmo os atos pecaminosos e frontalmente contrários a Deus, executados pelas criaturas, foram por Ele determinados e ordenados antes da fundação do mundo.

Qual demônio ou mesmo legiões de demônios, homem ou elemento da natureza pode agir livremente e eficientemente impugná-lo? Quando digo livremente, estou a dizer a possibilidade de uma vontade neutra, sem coerção ou influências, o que, entre as criaturas, é impossível. Todos, sem exceção, até mesmo Adão e Eva no Éden estão sujeitos a algum tipo de constrangimento; quanto aos elementos da natureza, eles não têm vontade, logo, não lhes é possível fazer escolhas.

Deve-se entender que a natureza caída do homem exerce influência nele, e ele se opõe pela força da sua natureza, a qual o leva a escolher se rebelar. Com isso não quero dizer que o homem é escravo de sua natureza, no sentido de dominá-lo à força, mas o intelecto, as vontades e decisões trabalham em comum acordo, em sintonia, cumprindo o intento de se rebelar contra Deus assim como a natureza pecaminosa do homem quer fazê-lo.

Por eficiência, digo que se refere ao fato do homem se rebelar e levar a melhor contra Deus, tendo a mais insignificante e irrisória possibilidade de vitória. Ninguém pode derrotá-lo. Ainda que alguns achem possível, e o diabo, especialmente, parece disposto e empenhado em infligir-lhe um revés... Como isso aconteceria?

Criaturas não-eternas não podem vencer o Eterno. Criaturas não-infalíveis não podem vencer o Infalível. Criaturas não-soberanas não podem vencer o Soberano. Criaturas não-santas não podem vencer o Santo. Criaturas não-perfeitas não podem vencer o Perfeito. Em todos os aspectos, satanás e os réprobos já estão derrotados, antes mesmo da fundação do mundo; na verdade, foram criados para a perdição eterna, a derrocada inevitável, sem a menor chance de vitória.

Portanto, pode Deus ter inimigos? Sim e não. Não há nenhum paradoxo ou mistério nesta assertiva. Apenas são faces diferentes de uma mesma moeda, na qual Deus usa de uma linguagem antropomórfica para que entendamos a Sua relação como Criador com a obra de Suas mãos: anjos, homens e a natureza. No fundo, tudo se resume em: ainda que Deus tenha inimigos, eles nada podem fazer contra Ele, pois, na condição de servos, resta-lhes obedecê-lo ainda que na desobediência. Se quisesse, o Senhor já tê-los-ia destruído, assim como tudo o que criou e que pode ser chamado e colocado no rol de "inimigo".

Deus não tem inimigos pois não há ninguém, nem força alguma capaz de confrontá-lO; algo que possa, de alguma forma e alheio ao Seu controle, opor-se deliberadamente. Ou seja, nada se resolve sem a aquiescência divina; nenhum ato é possível independente dEle; mesmo o mal, o pecado, a rebeldia, a obstinação pecaminosa, todos foram traçados e estão diante dos Seus olhos eternamente.

E assim, quer por bem ou por mal, o homem, seja natural ou espiritual, glorifica-lo-á, assentindo ou não, na salvação ou condenação, pois toda a vontade decretiva divina se cumprirá inexorável e infalivelmente. Por que, no fim, toda a criação objetiva a glória de Deus.

E Ele é e será glorificado; ontem, hoje, sempre.

Fonte: KÁLAMOS

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Myles Munroe discursa para o budista Dalai Lama e outros esotéricos da nova era


Resumo da notícia: “ O líder mundial Myles Munroe falou recentemente em um encontro ecumênico de proporções globais, com um líder hindu Sikh; um dos imãs chefe do Islã, o Dalai Lama, o arcebispo católico do México, e o arcebispo anglicano de Cantuária, na Inglaterra. Myles era o único evangélico. Após 30 minutos, Myles concluiu a sua intervenção foi aplaudido de pé e aos gritos de “Mais!” Um discurso de 30 minutos se transformou em uma hora.

“Eu vim para conversar com você sobre o que precisamos mais”, disse Myles. “Nós não precisamos de mais religiões no mundo, porque todos nós sabemos que elas são o problema. O que precisamos é um governo no mundo, e eu vim para informá-los sobre um governo alternativo. O único que funciona no reino de Deus “.

(fone: http://www.%20godsbigideaonline.com/)

Comentário:

Podemos concluir que os objetivos de Myles Munroe são totalmente compatíveis com os anseios dos aderentes da nova era, pois todos aguardam a chegada do senhor das religiões pagãs (o cristo cósmico) para instalar uma nova ordem mundial na terra. Somente Baha’u’llah criou algo dessa magnitude e está sendo colocado em prática gradativamente e com muito sucesso.

Uma dessas práticas consiste em criar líderes comunitários que serão futuros agentes facilitadores do governo, mais conhecidos como delatores intolerantes. A intenção de Munroe é criar um centro de liderança comunitária no Brasil para o sistema de governo espiritual de Baha’u’llah.

Sim! A igreja evangélica do futuro não será um local de adoração a DEUS, mas sim um centro comunitário nos moldes do comunismo. As pessoas de todas as religiões serão cadastradas, investigadas, monitoradas e motivadas para contribuir com o plano de reconstrução do meio ambiente.

Líderes como Myules Munroe são os primeiros a receberem o espírito de apostasia ambiental para espalharem nas pessoas que não sabem discernir o fim dos tempos.

Esse plano é conhecido como “o Plano de Sete Anos”. Ele foi elaborado pelas igrejas evangélicas americanas e tem a função de contaminar toada a terra com esses ensinamentos ecológicos e ecumênicos.

O plano também foi elaborado juntamente com a comunidade mundial Bahá’i e aprovado pelo Príncipe Philip da ingralterra . Pasmem! Mas é isso mesmo! E pra homenagear Baha’u’llah (e não o Senhor Jesus) ele foi divido em nove iniciativas conforme está ordenado no Kitab-i-aqdas artigo 29:

O plano de sete anos começa com a interpretação errada do pai nosso dizendo que o reino será estabelecido na terra através dos seguintes versículos :

"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome" (MT 6:9)
"Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (MT 6:10).

A oração do pai nosso é uma oração de arrependimento e perdão para se reconciliar com DEUS e continuarmos a receber as dádivas espirituais e não um sistema de governo terreno.

Myles Munrroe usa a mesma técnica descrita acima em suas palestras.

Para fazer a oferenda ao reino o Dr. Pastor (agora isso é a última moda que eles usam para impor sua autoridade herética) Myles Munroe e Silas Malafaia dono da Escola de Líderes da Associação Vitória em Cristo (ESLAVEC), colocaram no ar três programas de motivação de liderança em homenagem ao reino (ver o site vitória em cristo) .

Mas a proporção 3 em (1-1-1) está muito longe de ser o reino de DEUS e sim uma oferenda para a esfera central de Bahá, representada pela besta de dois chifres e o anticristo (o executivo mundial de Baha’u'llah). Ver o banner principal.

Fonte: Apocalipse Total

Evangelho da Prosperidade sob Inspeção


Deus e riquezas: investigação do Senado americano procura saber o que há no evangelho da prosperidade dos televangelistas

Seis líderes carismáticos dos Estados Unidos estão sob a mira de um comitê do Senado que investiga os gastos pessoais de cada um deles. Os americanos se perguntam: É Deus agindo ou é o diabo? Dependendo da ótica de cada um o senador Charles Grassley é um agente de Deus a favor da justiça ou o próprio diabo com chifres! Algumas pessoas pensam que ele é o próprio diabo ao anunciar que começou uma investigação para saber de que maneira seis proeminentes ministros carismáticos usam o dinheiro do povo. Logo que a notícia saiu na mídia, as pessoas começaram a me ligar preocupadas se não se trata de um complô para fazer com que as igrejas comecem a pagar os impostos – pois são livres de certas taxas nos Estados Unidos.

Um assessor do senador me informou que ele não esconde nenhum segredo e que não quer interferir na liberdade de religião; o que pretende, isto sim, é investigar se essas seis pessoas não estão metendo a mão no dinheiro que o povo lhes dá para obras filantrópicas com o fim de comprar mansões, fazer cirurgias plásticas caríssimas e outras práticas diversionistas.

“Faz tempo que o público cristão exige um grau maior de prestação de contas”. Em cartas enviadas Grassley solicitou a Kenneth e Glória Copeland, a David e Joyce Meyer, a Randy e Paula White, Creflo e Taffi Dollar, Eddie Long e Benny Hinn de quem dispõem de quatro semanas para devolver-lhe um calhamaço de papéis provando de que estão em dia com a Receita Federal americana.

Grassley vem sendo elogiado por levantar suspeitas contra organizações seculares de caráter filantrópico – ONGS – inclusive a Cruz Vermelha americana. Devido às reclamações de seus eleitores, o senador está abrindo sindicância contra esses seis tele-evangelistas exigindo deles notas fiscais dos bens adquiridos, relatórios das reuniões de diretorias, provas contábeis feitas por empresas de auditorias, com dados precisos, entre outros documentos.

Cada pregador recebeu uma carta exigindo comprovantes de despesas e de práticas questionáveis. Entre as exigências, Grassley requereu:

1. Recibo de compra do carro conversível Bentley que Paula White, pregador televisivo diz ter dado de presente ao pastor texano T.D. Jakes.

2. Informações da pregadora Joyce Meyer sobre os gastos com a mobília de sua mansão no Missouri que incluem uma caríssima mesa de malaqueta no valor de 30 mil dólares, uma cômoda com tampa de mármore que custou 23 mil dólares, e dois vasos Dresden que custaram 19 mil dólares.

3. Que Benny Hinn lhe envie os documentos e a prova de onde veio o dinheiro para a compra de uma casa no valor de três milhões de dólares em Dana Point, na Califórnia.

4. Recibos e registros que expliquem como Eddie Long conseguiu pagar 1.4 milhões de dólares na compra de 20 hectares na área rural de Atlanta.

5. Registros e notas de viagens ao Havaí e Ilhas Fiji que Kenneth e Glória Copeland fizeram utilizando o avião ministerial.

6. Que o pregador de fé Creflo Dollar explique sua participação no levantamento de 2 milhões de dólares doados a Kenneth Copeland.

Nós os carismáticos, de fato, sentimo-nos desajeitados neste momento. A própria Universidade Oral Roberts está sob investigação por mau uso do dinheiro, e alguns dos grandes nomes do movimento carismático são acusados de não pagar impostos e de usar o dinheiro de Deus para seu conforto pessoal.

Não quero julgar esses pregadores. Sei que Joyce Meyer envia milhares de dólares para projetos em campos missionários ao redor do mundo, e que a Receita Federal notificou-a de que sua organização está sendo condescendente com os impostos. Espero que sua resposta satisfaça as exigências do comitê do senado e não sofra interrupção.

Por outro lado não consigo entender como alguns pregadores levantam ofertas com a maior cara de pau. Por exemplo, como alguém consegue gastar 10 mil dólares numa diária de hotel, no regresso pra casa de uma viagem missionária? É dinheiro de Deus?

Algo tem de ser feito. Perguntas devem ser levantadas. Por isso não culpo o senador nem acho que esteja a serviço do diabo ao solicitar essas provas. O pior é que esta investigação foi solicitada por um senador, tudo porque o povo não está pedindo que seus líderes prestem conta do dinheiro arrecadado.

Creio que Deus está apontando seu dedo para a igreja, exigindo que andemos por suas veredas.
J. Lee Grady , editor da revista Charisma.

Fonte: www.charismanews.com

Marco Feliciano fala sobre candidatura pelo PSC a Deputado Federal


"De repente eu sou uma voz profética nesse país", diz o pastor que espera ter o apoio de pelo menos 90 mil evangélicos.

O empresário e pastor Marco Feliciano declarou em entrevista ao jornal Gazeta Popular que será candidato pelo PSC (Partido Social Cristão) a Deputado Federal. "O Estado de São Paulo no último censo doIBGE, em 2005, apontou 11 milhões e 200 mil evangélicos, desse número, acredito que 9 milhões me conheçam, então vou ter que conquistar aí pelo menos 1% desse grupo evangélico. Se 1% me apoiar, estamos dentro".

A repercussão dos seus discursos junto ao público evangélico é, para Feliciano, o medidor de uma possível candidatura forte. "É claro que eu vou contar muito com a força do meu povo, pois nós os evangélicos somos segmentados e nós temos uma visão, temos uma liderança, quando eu abro a minha boca e falo uma coisa sobre a verdade e o povo concorda comigo eu tenho atenção deles. Então entre uma pessoa de fé, um cristão verdadeiro, e uma pessoa que está lá, que faz apologia as drogas, ao aborto, a homofobia, coisas assim, é claro que o nosso povo vai ficar sempre com aquele que é Cristão".

"É uma chance única de uma cidade pequena como a nossa, com menos de 40 mil pessoas, de repente lançar no cenário nacional, estadual, dois candidatos a deputados que tem condições de chegarem lá. O Estevão [ex-prefeito de Orlândia, interior de São Paulo, e candidato a deputado estadual pelo PPS] é muito bem articulado e eu tenho o poder de mobilização de massas", disse o pastor. A máfia das ambulâncias, conhecido como escândalo das sanguessugas que estourou em 2006 após a descoberta de uma quadrilha que tinha como objetivo desviar desviar dinheiro para compra de ambulâncias, foi destacada por Feliciano. " De repente com aquele escândalo perdemos a metade da bancada [evangélica]. Com a metade, hoje não conseguimos fazer mais nada".

ós avaliar as propostas do PMDB e PSC. "Semana passada fiquei co
"Há uma lei tramitando, só falta ser aprovada pelo nosso presidente, em que a mulher prostituta vai ter uma carteira de trabalho assinada. Imagina você que é um pai, ter sua filha como prostituta com uma função reconhecida pelo país. Como é que a gente fica? Não estou falando de preconceito, estou falando de ética, estou falando de família. Então têm leis que precisam ser barradas pois tem muita gente doida naquele Senado, tem muita gente doida dentro da Câmara Federal, tem muita gente doida que tem o poder mas não sabe fazer a política como deve ser feita".

Pela terceira vez assediado por partidos políticos, Feliciano decidiu lançar sua candidatura apm o Orestes Quércia até as 22h30 no telefone. Eles queriam minha filiação no PMDB, mas pensei e achei por bem um partido que tem tudo haver comigo, inclusive na nomenclatura Cristão. (...) Queria que as pessoas que estão lendo essa matéria soubessem que foi isso que queimou no meu coração, de repente eu sou uma voz profética nesse país".Sobre a possbilidade de se candidatar a prefeitura de Orlândia, o pastor declarou: "Quem sabe. Mas primeiro quero lutar pela Câmara Federal".

Fonte: Guia-me / Jornal Gazeta Popular

Bíblia e Predestinação [7] - A missão de Jesus é a expiação limitada


Por Helder Nozima

Leia o post anterior da série clicando aqui.
Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Marcos 10:45)
O versículo acima é considerado chave na interpretação do Evangelho de Marcos. Ali, Jesus define qual a Sua missão: dar a vida em resgate por muitas pessoas. Para os não-reformados, "todos" significa, tranqüilamente, muitas pessoas. Todavia, o bom intérprete da Bíblia precisa se perguntar por que Jesus disse "muitos" e não "todos". Para os reformados, portanto, é revelador o fato de que Jesus não diz "em resgate por todos", mas prefere um termo mais restrito. Qual das duas interpretações devemos seguir? Uma olhada em outros textos pode ser esclarecedora.

A profecia de Isaías
Isaías é apontado por muitos como o profeta messiânico, aquele que mais falou a respeito de Jesus. Talvez a profecia mais clara sobre o ministério do Cristo esteja em Isaías 53, quando o profeta descreve o Messias como um Servo Sofredor, que entrega a Sua alma pelo pecado:
Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu. (Isaías 53:10-12)
E aqui, mais uma vez o "muitos" aparece. Repare que parece haver uma insistência do profeta em mostrar que o trabalho do Servo Sofredor alcança a muitos, há uma relutância em dizer "todos". E, de fato, aqui os termos não podem ser apontados como sinônimos. Por quê?

1) Quando Jesus oferece a Sua alma, o que Ele enxerga é a Sua posteridade, ou seja, os Seus descendentes (Is 53:10). Aqui, fala-se, efetivamente, de pessoas salvas, os condenados não podem ser considerados como a posteridade de Cristo. Assim, o que Cristo tem em mente são apenas as pessoas que, realmente, são beneficiadas por Sua oferta;

2) A morte de Cristo é apontada como a prosperidade da vontade do SENHOR (Is 53:10). Em outras palavras, ela é o cumprimento perfeito do desejo de Deus, de outra forma, não faria sentido vê-la como prosperidade. Mais do que isso, o Servo Sofredor vê o fruto penoso de seu trabalho e fica satisfeito (Is 53:11);

3) Qual o trabalho do Servo que O satisfez e cumpre a vontade de Deus? Justificar a muitos. Veja bem, até os arminianos concordam que Cristo não justifica a todos, porque, se assim fosse, todos seriam salvos. Logo, fica claro que a vontade de Deus nunca foi a de que todos fossem salvos, mas sim muitos;

4) E como os "muitos" são justificados? A resposta do versículo 11 é "porque as iniqüidades deles levará sobre si". Segundo Isaías, o Messias leva as iniqüidades apenas dos muitos que são justificados.;

5) Os "muitos" são a parte que Deus dá ao Servo Sofredor (Is 53:12) e o Servo leva sobre Si o pecado de "muitos" (Is 53:12). É claríssimo no versículo 12 que, em toda a visão, que começa em Isaías 52:13 e termina em 53:12, o "muitos" não inclui toda a humanidade, e sim, apenas os que são justificados, tornados justos, salvos enfim. Assim, uma leitura atenta da visão de Isaías mostra que todos os benefícios trazidos pelo sofrimento do Messias se aplicam apenas aos salvos, e não a todos os homens. Todas as vezes que Isaías diz "nós" ou "nossas", é a salvos que ele se refere, e não a todos. Desta maneira, podemos dizer que Jesus:

- Toma sobre si as enfermidades e dores dos salvos apenas (Is 53:4);
- É traspassado pelas transgressões e iniqüidades de salvos apenas (Is 53:5);
- Seu castigo traz paz apenas aos salvos, e não a todos (Is 53:5);
- Suas pisaduras saram os salvos somente (Is 53:5)
- Deus fez cair sobre Ele a iniqüidade dos salvos apenas (Is 53:6). O "todos" aí refere-se a "salvos", não a "todos os homens".
- Foi ferido por causa da transgressão do "meu povo" (Is 53:8), não de "todos os povos".

Talvez um não-calvinista se agarre ao "nós todos" de Isaías 53:6 para tentar provar que o texto se refere a todos os homens. Mas, não é possível. A profecia mostra que nós fomos sarados por suas pisaduras e que o castigo de Jesus nos dá a paz. Pergunto: para quem não crê em Cristo, as pisaduras de Jesus o salvam? O condenado ao inferno tem paz? Isaías seria confuso ou esquizofrênico se, no mesmo texto, uma hora ele falasse de salvos apenas e, em outra hora, de todos os homens, e depois voltasse a tratar exclusivamente de salvos.
Assim, quando olhamos para a profecia, fica claro que o "muitos" de Marcos 10:45 não pode, de modo algum, referir-se a "todos", senão Jesus estaria contradizendo o que o Espírito Santo disse por intermédio de Isaías.

A oração sacerdotal
Em Isaías 53:12, também é dito que Jesus intercedeu pelos transgressores. Inicialmente, pode-se até ter a ideia de que, ao menos orar, Jesus orou por todos os pecadores. Mas, quando se vê o cumprimento da profecia em João 17, vemos que nem intercessão Jesus faz pelos não-salvos:
É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus... (João 17:7)
Os não-reformados tentam provar que Jesus morreu por todos usando textos como João 3:16, onde se diz que "Deus amou o mundo". Mas aqui, lemos que Jesus não roga pelo "mundo", mas apenas "por aqueles que me deste". Fica claro, portanto, que não se pode ler a palavra "mundo" sempre da mesma maneira. Em João 3:16, podemos ler "mundo" como "criação" ou mesmo "humanidade", daí Jesus vem para salvar parte da humanidade. Porque Deus ama o mundo, não o destruirá por inteiro, parte dele será salvo. Mas, em João 17:9, "mundo" são todas aquelas pessoas que o Pai não deu a Jesus, ou seja, os não-salvos. Estes não recebem sequer a oração do Messias.

Isso fica claro ao lermos outros textos da oração sacerdotal:
Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. Agora, eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti; porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste. (João 17:6-8)

Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós. Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. (João 17:11-12)

E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra... (João 17:19-20)

Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. (João 17:22-23)

Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo. (João 17:24)

Pai justo, o mundo não te conheceu; eu, porém, te conheci, e também estes compreenderam que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja. (João 17:25-26)
Pode parecer chocante para muitos, mas a oração é autoexplicativa. Jesus faz diferença entre o mundo e os que o Pai deu a Ele (salvos) em termos de oração, manifestação do nome de Cristo, transmissão da Palavra, guarda, proteção, santificação, companhia de Jesus e até mesmo amor.

Destaco ainda que, de modo explícito, Jesus diz no versículo 19 que se santifica a favor daqueles que recebeu do Pai. Jesus não se santifica pelo mundo.

Desta maneira, João 17 permanece como um baluarte suficiente e inquestionável da expiação limitada. O fato de ser uma oração de Jesus ao Pai e a abundância de distinções feitas por Ele na intercessão deveriam ser suficientes para que todo versículo que sugira uma expiação universal fosse reinterpretado para não conflitar com o próprio Cristo. Aliado a Isaías 53, tem-se duas amplas e significativas porções bíblicas (clássicas até) cujo ensino não pode ser reinterpretado em favor de 2 ou 3 versículos que, supostamente, ensinam que Jesus morreu por todos. O mais provável é que os não-reformados compreendam errado esses versículos do que os reformados errarem na interpretação de duas passagens tão claras, importantes e grandes (são textos, não versículos).

1 João 2:1-2
E isso é particularmente verdadeiro na interpretação de 1 João 2:1-2, um dos textos-prova mais fortes a favor de uma expiação universal:
Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro. (1 João 2:1-2)
Aparentemente, João ensina que o sacrifício de Jesus foi feito em favor de todos os homens. Não podemos, porém, esquecer aqui que estamos falando do mesmo apóstolo que escreveu a oração de Jesus em João 17. João contradiz a João?

É certo que não. A minha interpretação é a de que João aqui diz o seguinte: "Jesus é a propiciação pelo pecado de todos os que estão lendo essa carta, e não só dos nossos, mas o de todos os salvos espalhados pelo mundo inteiro".

É preciso considerar que a palavra "mundo" tem várias conotações nos escritos joaninos. Se em 1 João 2, se diz que Jesus é a propiciação pelos pecados do "mundo inteiro", no mesmo capítulo o apóstolo diz:
Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente. (1 João 2:15-17)
Popularmente, se entende que "mundo" aqui é apenas um sistema político-econômico-ideológico que se opõe a Deus. Mas, no versículo 17, João estabelece um contraste que só faz sentido se incluir também pessoas:
O mundo passa vs. aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente.
O mundo aqui inclui os não-salvos, no mesmo capítulo. Como é possível que Jesus seja a propiciação pelos pecados do mundo inteiro...e o mundo significar também uma humanidade condenada? A resposta é: o mundo em 1 Jo 2:1-2 é diferente do mundo de 1 Jo 2:15-17 e não inclui os condenados. Isso fica mais claro se você considerar que na perícope seguinte (1 Jo 2:18-26), o apóstolo trata dos anticristos.

Um outro contraste entre a igreja e o mundo quando fala de falsos profetas:
Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é o que está em vós do que aquele que está no mundo. Eles procedem do mundo; por esta razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro. (1 João 4:4-6)

João volta a estabelecer um contraste entre o mundo e os filhos de Deus no capítulo 5:
Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno. (1 João 5:18-19)
E aqui fica claro: há os que nasceram de Deus (salvos) e o mundo (condenados). Tanto aqui como no capítulo 4, o mundo é identificado com Satanás e os que pertencem a Deus estão se opondo ao mundo.
Temos, portanto, pelo menos quatro passagens em 1 João onde "mundo" refere-se a pessoas:

1 Jo 2:1-2 = contexto positivo, Jesus é a propiciação pelos pecados do mundo inteiro.
1 Jo 2:15-17 = contexto negativo, o mundo passa, os que fazem a vontade de Deus permanecem eternamente. Distinção e contraste entre igreja e mundo. Mundo é humanidade condenada.
1 Jo 4:4-6 = contexto negativo, o mundo ouve os falsos profetas e é influenciado pelo diabo, a igreja vence os falsos profetas e ouve os apóstolos. Distinção e contraste entre igreja e mundo. Mundo é humanidade condenada.
1 Jo 5:18-19 = contexto negativo, o mundo é do Maligno, os que são de Deus não são tocados pelo diabo. Distinção e contraste entre igreja e mundo. Mundo é humanidade condenada.

Considerando os contrastes repetidos que João faz entre os salvos e os condenados, é impossível que "mundo" em 1 João 2:1-2 se refira a todas as pessoas. Logo, a melhor saída é a minha interpretação, de que João se referia a salvos em todo o mundo (planeta Terra), por se harmonizar tanto com o restante da carta como com João 17 e Isaías 53.

Batalhando Pela Fé



Por: John Piper

A epístola de Judas começa e termina com palavras muito confortadoras para os crentes. No versículo 1, Judas nos descreve como aqueles que são “chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo”. Os três verbos estão na voz passiva. Enfatizam a ação de Deus. Ele chama, ama e guarda. Somos chamados, amados e guardados. Judas se mostrou bastante zeloso em começar enfatizando a segurança do crente na eleição e no amor preservador da parte de Deus.

No final da epístola, versículo 24, Judas afirmou: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante de sua glória, ao único Deus... glória”. Observe, no versículo 1, somos guardados por Deus em Jesus Cristo; e, no versículo 24, Deus é poderoso para guardar-nos de tropeços. Judas começou e terminou sua epístola assegurando os crentes de que Deus exercita sua onipotência em guardá-los de desviarem-se da fé.

O que devemos responder quando alguém nos perguntar por que estamos tão certos de que permaneceremos firmes na fé até ao fim e de que seremos salvos no Dia do Juízo? Devemos responder o seguinte: “Deus me chamou da incredulidade. Portanto, eu sei que Ele me ama com amor especial e eletivo. Por isso, sei que Ele me guardará de cair. Deus realizará em mim aquilo que é agradável diante dEle mesmo (Hb 13.21) e me apresentará com exultação diante do trono de sua glória”.

Essa é a maneira como Judas começa e termina sua epístola. No entanto, no meio da epístola, Judas demonstra outra preocupação. A sua preocupação não é ajudar os crentes a sentirem-se contentes, e sim a serem vigilantes. Depois de lhes haver mostrado o amor eletivo de Deus, bem como o incomparável poder de Deus em preservar os crentes em segurança, Judas passa a mostrar-lhes o perigo que os cerca, exortando-os a batalhar pela fé.

Versículo 3: “Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”. Em outras palavras, a vitória certa da igreja não significa que não temos de lutar para vencer.

O simples fato de que nosso excelente General nos promete vitória nas praias do inimigo não significa que as tropas podem guardar suas armas no navio. A promessa de vitória pressupõe coragem na batalha. Quando Deus promete que sua igreja será protegida de derrotas, o propósito dEle não é que mantenhamos nossa espada na bainha, e sim que lancemos mão da espada do Espírito e olhemos confiantes para Ele, a fim de recebermos forças para vencer a batalha. Sempre que a promessa de segurança da parte de Deus é utilizada para justificar a nossa ausência no campo na batalha, podemos suspeitar que há um traidor entre os nossos soldados.

Conforme podemos observar na epístola de Judas, o procedimento de Deus é proporcionar confiança ao seu povo, a confiança de que a sua fé será vitoriosa ao fim (vv. 1, 24), e, depois, enviá-los para lutar pela fé.

O assunto central do pequeno livro de Judas é o versículo 3. Por isso, desejamos torná-lo o assunto de nossa mensagem: é dever de todo crente genuíno batalhar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Procurarei desenvolver o significado desta doutrina utilizando quatro sentenças.

1. Existe uma fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos.

2. Esta fé é digna de que batalhemos por ela.

3. Esta fé está sendo constantemente ameaçada por elementos de dentro da igreja

4.Todo crente genuíno deve batalhar por esta fé.

1. Existe uma fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos. Às vezes, a palavra “fé” é utilizada significando o sentimento de confiança em Cristo. Em outras vezes, como acontece nesta passagem, ela foi utilizada significando as verdades em que cremos a respeito dAquele em quem confiamos.

Por um lado, é necessário enfatizar que o cristianismo é basicamente um relacionamento com Jesus, e não um conjunto de idéias sobre a pessoa de Jesus. A razão por que fazemos isso é esta: ninguém será salvo por crer e um conjunto de idéias. O diabo crê na maior parte das verdades do cristianismo. Precisamos enfatizar que, se uma pessoa não tiver uma confiança viva em Jesus, como Salvador e Senhor, toda a ortodoxia do mundo não introduzirá tal pessoa no céu.

Mas, se nossa ênfase no relacionamento pessoal com Jesus nos leva a negar que existe um grupo de verdades essenciais no cristianismo, cometemos um grave erro. Existem verdades sobre Deus, o Senhor Jesus, o homem, a igreja e o mundo que são essenciais à vida do cristianismo. Se tais verdades são corrompidas e distorcidas, o resultado não será apenas idéias erradas e verdades mal aplicadas. A vida íntima de fé não é independente das afirmações doutrinárias da fé. Quando as doutrinas estão corrompidas, o coração se encontra na mesma condição. Existe um corpo de doutrinas que tem de ser preservado.

A maior evidência disso no versículo 3 é a declaração de Judas no sentido de que a fé “uma vez por todas foi entregue aos santos”. Isto significa que ela se propagou a partir dos apóstolos. A fé não foi inventada pela igreja. Foi revelada por Deus aos seus apóstolos e a seus companheiros mais achegados; em seguida, ela foi ensinada às igrejas como “todo o desígnio de Deus” (At 20.27).

Para nós, uma das ex-pressões mais importantes é “uma vez por todas” (v. 3). Agora estamos há quase dois mil anos depois que a fé foi inicialmente entregue à igreja e estamos cercados por milhares de pessoas e seitas que reivindicam ter uma nova palavra de revelação que completa a Palavra de Deus para a humanidade. Maomé ofereceu aos seguidores o Alcorão; Joseph Smith, o seu Livro de Mórmom; Sun Moon, o seu Princípio Divino. E todos os dias vocês encontram pessoas que consideram as tendências intelectuais contemporâneas como um substituto adequado para a Bíblia.

Mas observe com bastante cuidado. Judas ensinou que a fé “uma vez por todas foi entregue aos santos”. A revelação de Deus concernente ao conteúdo doutrinário de nossa fé está completo. A igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas (Ef 2.20). Qualquer pessoa que surge e reivindica ter uma nova revelação da parte de Deus, para acrescentá-la à fé que “uma vez por todas foi entregue aos santos”, está agindo contra as Escrituras.

A razão por que temos a Bíblia é que a igreja do terceiro e do quarto século reconheceu que Deus falou “uma vez por todas” nesses escritos. O cânon foi concluído, e todas as reivindicações a respeito da verdade têm de ser avaliadas pelo padrão da fé que “uma vez por todas foi entregue aos santos”.

Quando afirmamos a existência de uma fé que “uma vez por todas foi entregue aos santos”, queremos dizer fé e não “fés”. Em nossos dias, é comum alguém falar sobre diversas teologias no Novo Testamento.

Os eruditos gostam de enfatizar a diversidade de opiniões entre os autores do Novo Testamento e a dificuldade para trazê-los todos a um entendimento coerente da realidade.

Ora, certamente existe alguma diversidade entre um escritor inspirado e outro do Novo Testamento. Mas eu rogo à nova geração de estudiosos que pensem mais e melhor a respeito das implicações de Judas 3: “A fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”. Embora possa haver diversidade na maneira como entendemos esta fé, a ênfase recai sobre a unidade. Existe uma fé apostólica. Existe um corpo de doutrinas que sustentam uma à outra, chamado “fé”. Não devemos acrescentar ou retirar nada desse corpo de doutrinas. Ele foi uma vez por todas entregue aos santos.

2. Esta fé é digna de que batalhemos por ela. Lemos em Romanos 14 que um crente considera um dia superior aos demais e que outro crente considera iguais todos os dias. Cada crente deve estar convicto em sua própria mente e não menosprezar nem condenar seu irmão. Mas na epístola de Judas somos ensinados a batalhar por aquilo em que cremos.

O que eu posso deduzir é que existe um conjunto de doutrinas digno de que batalhemos por ele, bem como aplicações secundárias dessas doutrinas; e por causa dessas aplicações não devemos contender uns com os outros.

Mas grave isto em sua mente: existe uma verdade digna de que batalhemos por ela. Existe uma verdade digna de morrermos por ela. Isso é muito difícil para a nossa cultura relativista entender. Talvez sejamos capazes de imaginar uma pessoa morrendo por outra; todavia, muitos em nossos dias não consideram qualquer verdade tão preciosa, que eles lutarão ou mesmo morrerão por ela.

Não foi sempre assim. A fé que hoje nutrimos foi preservada para nós à custa do sangue de centenas de reformadores. De 1555 a 1558, a rainha Maria, a católica que reinou na Inglaterra, queimou na fogueira 288 reformadores protestantes — homens como John Rogers, John Hooper, Rowland Taylor, Robert Ferrar, John Bradford, Nicholas Ridley, Hugh Latimer e Thomas Cranmer. E por que eles foram queimados? Porque permaneceram firmes em favor de uma verdade — a verdade de que a presença real do corpo de Jesus não está na eucaristia, e sim no céu, à direita do Pai. Por essa verdade, eles suportaram o agonizante sofrimento de serem queimados vivos.

O sangue dos mártires é um poderoso testemunho de que a fé “uma vez por todas” entregue aos santos é digna de batalharmos por ela. Existe evidência disso no versículo 3. Judas disse que desejava realmente escrever acerca da nossa comum salvação. “Quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé.” Quando a fé está em jogo, nossa salvação também está em jogo. Se a verdade está corrompida, a nossa salvação também está corrompida. Os apóstolos e reformadores se mostraram dispostos a morrer por causa da fé, porque se preocuparam com a preservação da mensagem de salvação — eles se preocuparam com pessoas e com a glória de Deus.

Precisamos obter um sentimento completamente novo da preciosidade da doutrina bíblica. Como igreja, precisamos conhecer a profundidade, a beleza e o valor da verdade doutrinária. Existe uma fé digna de contendermos por ela.

3. Esta fé está sendo constantemente ameaçada por elementos de dentro da igreja. Maria, a sanguinária, confessava ser cristã; ela não era bárbara. Os piores inimigos da doutrina cristã são aqueles que se declaram cristãos e não se apegam à fé que “uma vez por todas foi entregue aos santos”.

Em sua última mensagem aos pastores da igreja de Éfeso, o apóstolo Paulo os advertiu dizendo: “Depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas, para arrastar os discípulos atrás deles” (At 20.29-30). Os lobos que pervertem a fé são pessoas que se declaram crentes. São pastores, líderes de igreja, professores de seminários e missionários.

Em sua epístola, Judas apresenta no versículo 4 a razão por que a igreja precisava preparar-se para batalhar pela fé: “Certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo”.

Assim, a ameaça à fé está vindo de indivíduos que agora se encontram no meio da igreja. Provavelmente, eles estão dizendo o seguinte: “Se nós somos salvos pela graça, não importa o que somos em nossa vida moral. Na verdade, quando um crente peca, isto serve tão-somente para magnificar a graça de Deus”. Deste modo, eles colocam a graça de Deus em oposição aos mandamentos de Cristo e, na prática, negam o senhorio de Jesus.

Eles têm agido dessa maneira desde o primeiro século. Paulo disse que isso iria acontecer. Judas o viu se realizando, como um cumprimento das predições de Paulo. Nos versículos 17 e 19, Judas afirmou: “Lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam: No último tempo, haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias paixões. São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito”.

Embora as cartas de Paulo tenham-no feito derramar muitas lágrimas (Fp 3.18), quase todas as cartas abordam assuntos relacionados a lutas que estava travando com pessoas que declaravam ser crentes. Portanto, não devemos ficar surpresos com o fato de que hoje muitas de nossas lutas em favor da fé se realizam com crentes que ensinam e escrevem coisas que (pelo menos do nosso ponto de vista) são contrárias à “fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”.

O Novo Testamento ensina com muita clareza que a fé será, por repetidas vezes, ameaçada por pessoas de dentro da igreja.

4. Isso nos leva à admoestação final: todo crente genuíno deve batalhar por esta fé. A epístola de Judas não foi escrita para um pastor, e sim para aqueles que são “chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo” (v. 1). Por conseguinte, o dever de batalhar pela fé não pertence exclusivamente aos pastores consagrados ao ministério da Palavra, embora eles tenham uma responsabilidade especial. Batalhar pela fé é o dever de todo crente verdadeiro.

Os versículos 21 e 22 nos dizem algo sobre as coisas que nos deveriam preparar para batalharmos pela fé — “Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna”. E os versículos 22 e 23 nos falam a respeito de maneiras pelas quais podemos envolver-nos nessa batalha.

A melhor coisa que podemos fazer para que sejamos uma igreja eficaz em batalhar pela fé é nos tornarmos uma igreja bem fundamentada na fé — “Edificando-vos na vossa fé santíssima”. Estudem! Meditem! Edifiquem! Cresçam! Há muitas verdades maravilhosas a aprendermos sobre Deus. E a melhor defesa da fé é conhecer tais verdades e amá-las.

A oração é uma parte indispensável do batalhar pela fé — “Orando no Espírito Santo”. A menos que procuremos ter a mentalidade do Espírito Santo, através da oração, não cresceremos em nossa assimilação da fé e seremos soldados fracos.

No que se refere à batalha propriamente dita, Judas instruiu: “E compadecei-vos de alguns que estão na dúvida; salvai-os, arrebatando-os do fogo; quanto a outros, sede também compassivos em temor, detestando até a roupa contaminada pela carne”.

Pelo menos duas coisas são evidentes nessa instrução: 1) batalhar às vezes envolve um esforço intelectual para que seja mudada a maneira de pensar da outra pessoa — “Compadecei-vos de alguns que estão na dúvida”; 2) batalhar às vezes envolve repreensão moral — “Procurem aqueles que estão atolados no lamaçal onde foram apanhados por idéias perversas e resgatem-nos ao lugar de segurança, mesmo que odeiem o que eles estão fazendo”.

Na realidade, essas coisas andam sempre juntas: um esforço para mudar a maneira de pensar e um empenho para mudar a moralidade. Batalhar pela fé nunca é simplesmente um exercício acadêmico, assim como nunca é apenas um exercício mental; visto que a fonte de todas as falsas doutrinas é o orgulho do coração humano e não a fraqueza de sua mente.

Essa é a razão por que Judas nos exorta a crescer, orar, permanecer no amor de Deus e depender de sua misericórdia, antes de afirmar qualquer coisa sobre a maneira como devemos batalhar pela fé. Viver a fé é o melhor argumento que os crentes têm em favor da fé. Por essa razão, o apóstolo Pedro disse: “Santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15). A maneira como você luta é tão importante quanto o conteúdo de seus argumentos. Você pode vencer com sua lógica e perder com sua vida.

Em resumo,

1. Existe uma fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.

2. Esta fé é digna de que batalhemos por ela.

3. A fé está, por repetidas vezes, sofrendo ameaças vindas da própria igreja, por meio de crentes que professam apenas verbalmente a fé.

4. É dever de todo crente batalhar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Qualificações dos Presbíteros: Modesto 6

Juliano Heyse (editor)

É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto... 1 Tm 3:2

Introdução

Esta qualificação só aparece na lista de 1 Timóteo. A tradução não ajuda muito. Modesto, honesto, simples, circunspecto são claramente traduções que ficam distantes do sentido para onde apontam os comentaristas. Aparentemente este termo tem algo a ver com civilidade, o caráter de um cidadão respeitável, com a vida bem organizada e equilibrada. Das traduções em português abaixo, a NVI parece ter chegado mais perto do sentido exato. Esta palavra é a mesma de "traje decente" de 1 Tm 2:9. Respeitável, decente, apropriado, parece ser mesmo uma tradução mais adequada.

Grego

• Em 1 Timóteo κοσμιοζ - kosmios

Strongs - bem organizado, conveniente, modesto.

Rienecker e Rogers - ordeiro. Implica em comportamento ordeiro, mas também no cumprimento dos deveres e o ordenamento da vida interior, da qual surge o comportamento exterior.

Outras versões

Outras traduções do mesmo termo em português:

Almeida Revista e Atualizada (ARA)modesto
Nova Versão Internacional(NVI)respeitável
Almeida Revista e Corrigida(ARC)honesto
Nova Tradução na Linguagem de Hoje(NTLH)simples
Tradução Brasileira(TB)circunspecto

Comentários

• Broadman – o oposto de desordenado.

• D. A. Carson (-)

• Jamieson, Fausset e Brown – no grego, é "ordeiro"; sóbrio refere-se à mente interior; "ordeiro", ao comportamento, aspecto, aparência, modo de andar, exterior. O novo homem tem sobre is algo de um personagem de um festa sagrada, incompatível com toda confusão, desordem, excesso, violência, frouxidão, presunção, grosseria e mesquinharia.

• João Calvino – Significa alguém que se porta com decência e civilidade.

• John Gill – de bom comportamento. limpo e decente no seu vestuário; modesto em todo o seu comportamento e conduta e afável e cortês com todos; excelente em sua vida e conversação, sendo adornado com tudo que é gracioso e belo.

• John MacArthur – A palavra grega significa "ordenado". Presbíteros não podem ter vidas caóticas; se eles não conseguem organizar suas próprias vidas, como poderiam trazer ordem à igreja?

• Matthew Henry – Deve ter um bom comportamento, centrado e sólido, e não vazio, fútil, e superficial.

• New American Commentary – Ser "respeitável" demanda dignidade e ordem no comportamento. Não é simplesmente uma demanda por boa educação e boas maneiras, mas descreve uma pessoa cuja vida exterior bem ordenada reflete uma estabilidade interna. Um traço de personalidade relacionado especialmente com as ações exteriores de um bispo.

• William MacDonald – moderado, ou seja, deve ser muito metódico em seus hábitos.

Conclusão

O presbítero deve ser um cidadão decente, respeitável, correto e com a vida bem organizada e ordenada. O termo não era propriamente cristão, mas um requisito desejável em toda a civilização greco-romana.


Fontes

Comentário Bíblico Popular – Novo Testamento – William MacDonald – Ed. Mundo Cristão
The Broadman Bible Commentary – Broadman Press
The MacArthur Bible Commentary – Thomas Nelson Publishers
Bíblia OnLine 3.00 – SBB
Definindo o que são presbíteros – artigo de D.A.Carson - http://www.bomcaminho.com/dac001.htm
The New American Commentary – Broadman Press
Chave Linguística do Novo Testamento Grego – Ed. Vida Nova

Tradução (onde necessário): Juliano Heyse