Por Pr. Silas Figueira
Por Pr. Silas Figueira
Por Pr Silas Figueira
Texto base: Lucas 12.1-12
INTRODUÇÃO
A controvérsia que começou no capítulo onze a partir do versículo quatorze ainda está em andamento. Essa controvérsia começou depois que Jesus expulsou um demônio de um homem que o deixava mudo e cego (Mt 12.22). Os fariseus (Mt 12.24) e os escribas (Mc 3.22) começaram a blasfemar e dizer que Jesus fazia tais prodígios pelo poder de Belzebu, o príncipe dos demônios – Satanás. Depois desse ocorrido um fariseu convidou Jesus para jantar em sua casa (Lc 11.37). Na casa desse fariseu Jesus destaca a hipocrisia dos fariseus e dos escribas (Lc 11.39-54). Fritz Rienecker destaca que os discípulos que talvez estivessem do lado de fora da casa do fariseu devem ter percebido que Jesus se encontrava em uma situação extremamente perigosa (Lc 11.53,54). Então Jesus sai da casa e dirige-se aos seus seguidores. Lemos no texto do v. 1: “Ele disse a seus discípulos”. Jesus sente a necessidade de voltar-se de forma especial aos seus que, como provavelmente é correto presumir, denotam um semblante totalmente atemorizado [1]. Quando Jesus revelou a hipocrisia dos líderes judeus a ira deles contra Jesus se tornou visível. Jesus fez isso, pois esses líderes eram uma influência entre o povo. O Reverendo Hernandes Dias Lopes destaca que aqueles que se tornaram incorrigíveis ainda poderiam influenciar perigosamente os discípulos, através de sua hipocrisia [2].
A hipocrisia religiosa
dos fariseus não podia oferecer o verdadeiro conhecimento de Deus, pois não o
conheciam, devido a isso, esses homens tinham uma visão distorcida do pecado e
da salvação, por isso Jesus os confronta retirando a máscara da hipocrisia que
se escondiam. Todo falso líder religioso afirma conhecer a verdade, mas, na
realidade, nenhum deles conhece. E uma vez que esses líderes religiosos não
tinham verdade em si mesmo, eles eram hipócritas vazios. Por isso, era uma má
influência para o povo e, principalmente, para os discípulos de Jesus.
Quais as lições que
podemos tirar desse texto?
1
– DEVEMOS TER CUIDADO COM A HIPOCRISIA (Lc 12.1).
Mas como podemos
definir uma pessoa hipócrita? Hipócrita é aquela ou aquele que demonstra uma
coisa, quando sente ou pensa outra, que dissimula sua verdadeira personalidade
e afeta, quase sempre por motivos interesseiros ou por medo de assumir sua
verdadeira natureza, qualidades ou sentimentos que não possui.
Com isso em mente podemos
destacar três coisas:
1º - E primeiro lugar,
o hipócrita é um ator. A palavra grega hupokritēs (hipócritas) era
originalmente um termo secular referindo-se a um ator que desempenhou um papel
no palco. Mas no Novo Testamento, tornou-se um termo religioso, usado
exclusivamente no sentido negativo de alguém que diz falar em Deus, mas não vivem
o que pregam, por isso são hipócritas. A definição original teatral de hupokritēs expressa figurativamente a
natureza dos enganadores espirituais. Um ator tenta desempenhar um papel
convincente no palco, fingindo ser alguém que não é, o falso religioso também.
2º - Em segundo lugar,
sempre haverá hipócritas em todas as áreas da vida.
Pessoas que tentam impressionar os outros e esconder seu verdadeiro eu. Na vida
cristã, hipócrita é alguém que tenta parecer mais espiritual do que é de fato.
Essas pessoas sabem que estão fingindo e esperam não ser descobertas. Sua vida
cristã não passa de uma farsa [3]. J. C. Ryle diz que se não desejamos nos
tornar fariseus, cultivemos um cristianismo que envolve todo nosso coração.
Diariamente compreendemos que o Deus a quem temos de prestar contas vê muito
além da superficialidade daquilo que professamos ser e nos avalia de acordo com
o estado de nosso coração. Sejamos autênticos e verdadeiros em nosso
cristianismo [4].
3º - Em terceiro lugar,
a hipocrisia é como um fermento (Lc 12.1b).
O fermento ou levedo é associado ao mal nas Escrituras (Êx 12.15-20; 1Co 5.6-8;
G1 5.9). Assim como o fermento, a hipocrisia começa pequena, mas, de forma
rápida e silenciosa, cresce e contamina toda a pessoa, fazendo-a inchar de
soberba e orgulho [5]. Alcione Emerich diz que a massa representa o evangelho
de forma geral, com sua mensagem (vida, perdão, salvação, ressurreição, pecado,
confissão, restauração, arrependimento, etc.), mas o fermento, que é a menor
parte, pode representar pequenos ensinamentos que vão se infiltrando e, sem que
percebamos, vamos sendo contaminados e adoecemos progressivamente [6].
2
– A HIPOCRISIA SERÁ REVELADA POR DEUS (Lc 12.2,3).
A arte de ser hipócrita
depende da capacidade de conservar algumas coisas ocultas. Quando o ocultamento
já não é possível, o hipócrita é inevitavelmente desmascarado [7]. A lição que
Jesus tencionava ensinar, ao mencionar aqui o fermento, é que o caráter
hipócrita dos homens não pode ficar oculto para sempre, mas que finalmente será
completamente revelado [8].
Com isso em mente,
podemos destacar duas coisas aqui:
1º - Em primeiro lugar,
a hipocrisia é inútil diante de Deus (Lc 12.2).
Jesus ecoa o verso final de Eclesiastes, onde Salomão advertiu que “Deus há de
trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom,
quer seja mau” (Ec 12.14). Isto mostra como são tolos aqueles que praticam a
hipocrisia e o fingimento. A religião tem a ver com o relacionamento do homem
com Deus. Como Deus sabe de tudo, e no final revelará tudo, como é tolo alguém
ficar contente com a forma e a sombra sem se importar com a realidade! É
totalmente estúpido alguém ter a esperança de enganar o infinito conhecimento e
a justiça de Deus! [9].
2º - Em segundo lugar,
Jesus fundamenta o perigo da hipocrisia farisaica com uma ameaça (Lc 12.2).
A hipocrisia é uma grande insensatez, pois aquilo que o homem esconde atrás das
máscaras acaba por vir à tona. O que é feito atrás dos bastidores acaba por vir
à plena luz. Aquilo que é dito às escondidas acaba por ser proclamado dos
eirados. O oculto sempre será revelado, senão neste mundo, no porvir. A Bíblia
diz: “Até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a
mesma coisa” (Sl 139.12) [10]. No dia do Juízo tudo será revelado. Nesse dia as
pessoas serão julgadas pelo que pensaram, falaram e agiram. O Justo Juiz, Jesus
Cristo, já não será mais o Advogado, mas juiz. E ninguém terá como se defender
de suas acusações.
3
– A CAUSA DA HIPOCRISIA (Lc 12.4-7).
A referência ao medo é
feita cinco vezes em Lucas 12.1-7. Os versículos 4-7 são uma exortação para
temer a Deus, e não àqueles que podem matar apenas o corpo. Contudo, o perigo
também é espiritual. No NT, aquele que tem o poder para lançar alguém no
inferno é Deus, e não o diabo (Mc 9.45,47; Tg 4.12) [11]. Wiersbe deixa claro
que uma das principais causas da hipocrisia é o medo dos outros. Quando temos
medo do que os outros vão dizer de nós ou fazer contra nós, tentamos
impressioná-los, a fim de obter sua aprovação [12]. Os hipócritas temem os
homens, mas não temem a Deus. Temem o que os outros irão falar a respeito
deles, mas não temem a Deus que irá julgar seus atos pecaminosos.
Com isso em mente,
podemos destacar três coisas:
1º - Em primeiro lugar,
Jesus alerta os seus discípulos dos perigos futuros (Lc 12.5).
Esta é a única vez que Jesus chama seus discípulos de “amigos” em Lucas. Faz
isso para alertá-los sobre a causa da hipocrisia, que é o medo dos outros: o
medo de não ser aceito, de ser criticado, de ser rejeitado, de ser perseguido.
Em vez de temermos os outros que podem nos criticar, perseguir e até matar,
devemos temer a Deus. Ele tem o poder de tirar a vida e até lançar a alma das
pessoas no inferno. A autoridade de Deus se estende além da morte [13]. Jesus,
no entanto, não esconde de seus discípulos a magnitude do perigo em que serão
lançados! Não lhes assegura proteção para sua vida física. Mas como consolo
mostra-lhes ao mesmo tempo o limite do poder humano hostil [14].
2º - Em segundo lugar, Jesus
alerta os discípulos a temerem somente a Deus (Lc 12.5).
Os hipócritas não temem a Deus, eles temem o que os outros irão falar a
respeito deles. Mas Deus punirá os hipócritas no inferno. Jesus deixa claro
para os seus discípulos não terem medo dos seres humanos, que nos piores cenários
só podem matar o corpo e depois disso nada mais podem fazer. Por outro lado, Jesus
passou a alertar a quem deviam temer, eles deviam temer Aquele que, depois de
matar o corpo, tem poder para lançar a alma no inferno. A palavra “inferno” é “Geena”
e refere-se ao vale de Hinom, localizada fora de Jerusalém. Dentro desse vale
os judeus apóstatas tinham construído um local de culto, onde eles sacrificaram
seus filhos ao deus pagão Moloque, queimando-os em fogo (Jr 7.31). Esse
santuário foi profanado pelo piedoso rei Josias, como parte de suas reformas
(2Rs 23.10), e, eventualmente, o local tornou-se depósito de lixo da cidade de
Jerusalém. Era um lugar onde o fogo estava em constantemente combustão, por
isso, Geena passou a ser usado em sentido figurado para falar do inferno eterno
(cf. Mt 5.22,29,30; 10.28; 18.9.; 23.15, 33; Mc 9.43,45,47; Tg 3.6). Jesus
deixa claro aqui que o inferno é real.
3º - Em terceiro lugar,
não precisamos temer o futuro (Lc 12.6,7). Se o fim dos
hipócritas é o castigo eterno, o fim dos salvos em Cristo é o gozo eterno (Ap
21.1-7). O cuidado de Deus estende-se não apenas a uma pessoa, mas até mesmo o
aspecto mais secundário, os cabelos de nossa cabeça estão debaixo da
providência de Deus. Nós não nos importamos muito com o fato de que diariamente
perdemos alguns dos nossos 140.000 fios de cabelo. Deus, porém, diante do qual
ocupamos posição de destaque em relação a todos os pardais, importa-se com as
mínimas coisas de nossa vida. Por isso, lancemos fora o temor diante de pessoas
e da natureza: não podeis cair sem o consentimento de Deus; e quando ele
consente isso certamente redundará no melhor para seu filho! Consequentemente,
o único temor que o discípulo pode e deve ter é o temor diante de Deus.
Contudo, o significado de temor (reverência) a Deus será concretizado nas
palavras subsequentes. A principal característica, a essência mais central
desse temor é confiança absoluta e obediência incondicional [15].
4
– FIDELIDADE A DEUS O ANTÍDOTO CONTRA A HIPOCRISIA (Lc 12.8,9).
Em vez de negarmos
nossa fé em Cristo, na terra, para ganharmos o aplauso dos outros, devemos
confessar nossa fé em Cristo, diante dos outros, para recebermos aprovação nos
céus. O que adianta sermos aprovados pelos outros e sermos reprovados por
Jesus? O que adianta ganharmos troféus na terra e sermos rejeitados no céu? O
que adianta sermos confessados perante os outros por causa da hipocrisia e
sermos desmascarados e reprovados por Jesus perante os santos anjos no céu? [16].
Nesse tempo que se fala tanto em cancelamento, muitas pessoas, para serem
aceitas pelas outras pessoas, negam a fé.
Podemos tirar duas
lições importantes desse texto para nós:
1º - Em primeiro lugar,
devemos professar Cristo abertamente (Lc 12.8).
Nossa atitude diante de Jesus é a da máxima importância. Se um homem O
confessar diante dos homens, Jesus o confessará diante dos anjos de Deus (Mateus
diz “diante de meu Pai que está nos céus” Mt 10.32). Este é encorajamento
caloroso para o dia do juízo. Mas o homem que negar Jesus (“repudiar”) enfrentará
a negação final [17]. William Hendriksen destaca que esta palavra, confessar ou reconhecer, mostra que a mensagem levada pelos discípulos não devia
ser friamente objetiva, um mero recital de palavras memorizadas. Ao contrário,
o coração desses homens deve estar em sua mensagem. Sua pregação devia
consistir em dar testemunho. Devia incluir seu testemunho pessoal (SI 66.16)
[18].
A essência de confessar
Jesus como Senhor é a abnegação, a apresentação de todos os aspectos da sua
vida ao Seu controle soberano como um escravo ao seu mestre (Lc 7.8). Em Lucas
9.23,24 Jesus declarou: “E dizia a todos:
Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e
siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas
qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará” (cf. Gl 2.20;
Cl 3.3). Wiersbe é enfático ao dizer que não importa se nosso nome será
reconhecido pelos homens aqui na Terra; o mais importante é que Deus nos
reconheça no céu (ver 2Tm 2.8-14) [19].
2º - Em segundo lugar,
aquele o negar diante dos homens será negado diante de Deus e seus anjos (Lc
12.9). Aquele que nega seus pais diante de seus amigos
não é digno do lar a que pertence. E aquele que nega a sua relação com o
Salvador, rompe essa relação. Aquele que testemunha por meio de seus atos não
ter uma relação espiritual com Cristo recebe a negação da parte de Deus, nos
céus, e aquilo que recebe no julgamento não é o resultado de um espírito de
vingança da parte de Deus. Antes, é o reconhecimento de um fato. Ser filho de
Deus e um cidadão dos céus é uma situação que não pode existir onde a falta de
amor, o egoísmo e a covardia caracterizam a atitude humana em relação a Deus
[20].
J. C. Ryle nos alerta
para o fato de que confessar Cristo nos trará zombaria, desprezo, escárnio,
ridículo, inimizade e perseguição. Os ímpios rejeitam a verdade. O mundo que
odiou a Cristo odiará os verdadeiros os cristãos. Mas negar a Cristo ou envergonhar-nos
de seu evangelho pode nos proporcionar uma pequena medida de boa opinião dos
outros, por alguns anos, mas não nos proporcionará paz verdadeira. No entanto,
se ele nos negar no último dia, isto será nossa ruína no inferno durante toda a
eternidade. Abandonemos nossos covardes temores. Confessemos a Cristo [21].
5
– O PERIGO DO FERMENTO DA HIPOCRISIA (12.10-12).
A hipocrisia pode
começar pequena como um pouco de fermento, mas cresce a ponto de levar uma
pessoa não apenas a negar sua verdadeira identidade, mas a negar também a
identidade de Cristo, associando-o aos demônios (11.15) [22]. Ou seja, o fermento da hipocrisia cresce e desenvolve a blasfêmia. A
pessoa blasfema contra o Pai, contra o Filho e o pior, contra o Espírito Santo.
E Jesus deixou claro que a blasfêmia contra o Espírito Santo era algo inaceitável
a ponto de não haver perdão para quem tal coisa fizer. Mas fica uma pergunta: o
que é a blasfêmia contra o Espírito Santo e por que é algo imperdoável?
1º - Em primeiro lugar,
a blasfêmia contra o Espírito Santo é negar o Seu testemunho a respeito de
Jesus. O Espírito revela a verdade da salvação em Cristo,
e aqueles que falam mal dessa revelação como os fariseus tinham feito (Lc 11.15),
rejeita o testemunho do Espírito Santo a respeito de Cristo (cf. Jo 15.26), isolando-se da
única fonte divina, a verdade salvadora. Por isso eles não podem ser salvos.
2º - Em segundo lugar,
a blasfêmia contra o Espírito Santo é associá-lo aos demônios (Lc 11.15).
Em Mateus 12.31,32 nos diz: “Portanto, eu
vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia
contra o Espírito não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma
palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar
contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro”.
O contexto dá a entender que o “pecado imperdoável” é atribuir obstinadamente a
Satanás uma obra que é do Espírito Santo. A blasfêmia contra o Espírito é uma
rejeição escarnecedora do Espírito, como o único Revelador da santa propiciação
realizada por Deus [23].
3º - Em terceiro lugar,
por que é algo imperdoável? Quando lemos Lucas 12.10
a ideia que se tem é que há um pecado maior do que o outro. Deus quer perdoar
uns e não outros? Em Marcos lemos: “Na
verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e
toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem; Qualquer, porém, que blasfemar
contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo”
(Mc 3.28,29).
C. S. Lewis escreveu
certa vez algo que esclarece este ponto. Ele disse: “só existem dois tipos de
pessoas: as que dizem a Deus: ‘Seja feita a tua vontade’, e aquelas a quem Deus
diz: ‘A sua vontade seja feita’”. Quando nos arrependemos, dizemos que a
vontade de Deus deve ser feita em nossa vida, que é o nosso perdão. Quando não
há arrependimento, o homem escolhe viver afastado de Deus e conforme sabemos
Deus não forçaria alguém a viver em sua presença sem que quisesse.
O pecado imperdoável é
o estado de descrença contínua. “O pecado imperdoável é uma apostasia total”
(Calvino). Toda pessoa que arrependida procura a Jesus, encontra nele abrigo: “Aquele
que vem a mim de maneira nenhuma eu o lançarei fora” (Jo 6.37). A blasfêmia
contra o Espírito Santo, a rejeição completa, deliberada, permanente até a
morte. Ora, se Cristo é o único caminho de salvação e alguém deliberadamente o
rejeita, não existe, pois, perdão para tal pessoa. Leon Morris diz que este
pecado sem perdão não diminui a capacidade divina de perdoar, mas este tipo de
pecador já não tem a capacidade de arrepender-se e crer [24].
4º - Em quarto lugar, os
discípulos, por não serem hipócritas, não tinham nada a temer (Lc 12.11,12).
Jesus conclui sua palavra sobre a hipocrisia dizendo que os seus amigos não
precisam temer a perseguição nem ficar perplexos sobre o que dizer nos interrogatórios
aos quais serão submetidos, pois, se forem levados aos tribunais, o Espírito
Santo lhes ensinará como devem responder (12.11,12). O livro de Atos dos
Apóstolos demonstra de forma cabal como essa promessa de Jesus se confirmou. Os
sacerdotes, os escribas e fariseus em Jerusalém foram obrigados a presenciar e
maravilhar-se diante da alegria de Pedro e João (At 4.13). O discurso de defesa
de Estêvão penetrou o coração dos ouvintes (At 7.54). Félix assustou-se diante
do Paulo algemado (At 24.25) [25].
CONCLUSÃO
Diante de tudo que
ouvimos, creio que não precisamos de mais argumentos para mostrar o quanto é
perigoso e repulsivo ser um hipócrita. Se tememos a Deus, devemos confessá-lo
até o fim. Não precisamos temer o que os homens podem fazer conosco, pois o
máximo que podem fazer é nos matar. No entanto, o Senhor não só tem poder para
matar o corpo como também tem poder para lançar a alma da pessoa no inferno.
Podemos ser
“cancelados” nesta terra por muitas pessoas, mas que não sejamos “cancelados” por
Deus nos céus.
Pense nisso!
Bibliografia
1 – Rienecker, Fritz. O
Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba,
PA, 2005. p. 175.
2 – Lopes, Hernandes
Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p.
379.
3 – Wiersbe, Warren W.
Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo
André, SP, 2007, p. 285.
4 – Ryle, J. C.
Meditação no Evangelho de Lucas, Ed. Fiel, São José dos Campos, SP, 2002, p.
210.
5 – Lopes, Hernandes
Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p.
380.
6 – Emerich, Alcione.
Contaminação Espiritual, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2012, p. 49.
7 – Morris, Leon L.
Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São
Paulo, SP, 1986, p. 196.
8 – Champlin, R. N. O Novo
Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, Vol. 2, Ed. Hagnos,
São Paulo, SP, 2005, p. 124.
9 – Childers, Charles
L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ,
2006, p. 424.
10 – Lopes, Hernandes
Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p.
380.
11 – Neale, David A.
Lucas, 9 – 24, Novo Comentário Beacon, Ed. Central Gospel, Rio de Janeiro, RJ,
2015, p. 117.
12 – Wiersbe, Warren W.
Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo
André, SP, 2007, p. 285.
13 – Lopes, Hernandes
Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p.
381.
14 – Rienecker, Fritz.
O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba,
PA, 2005. p. 176.
15 – Ibidem, p. 177.
16 – Lopes, Hernandes
Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p.
382.
17 – Morris, Leon L.
Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São
Paulo, SP, 1986, p. 198.
18 – Hendriksen,
William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 170.
19 – Wiersbe,
Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed.
Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 286.
20 – Childers, Charles
L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ,
2006, p. 426.
21 – Ryle, J. C.
Meditação no Evangelho de Lucas, Ed. Fiel, São José dos Campos, SP, 2002, p.
213.
22 – Lopes, Hernandes
Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p.
383.
23 – Earle, Ralph.
Comentário Bíblico Beacon, Mateus, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006,
p. 95.
24 – Morris, Leon L.
Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São
Paulo, SP, 1986, p. 199.
25 – Rienecker, Fritz.
O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba,
PA, 2005. p. 178.
Por Pr Silas Figueira
Texto base: Lucas 11.37-54
INTRODUÇÃO
Jesus mais uma vez foi convidado a fazer uma refeição na casa de um fariseu. Não era a primeira vez que tal coisa acontecia. Em outra ocasião o Senhor havia sido convidado também (Lc 7.36-49). Wiersbe destaca que a essa altura do ministério de Cristo, quando os líderes religiosos já haviam decidido matá-lo, o que levou um fariseu a convidá-lo para uma refeição em sua casa? Se estivesse buscando a verdade de coração, teria conversado com Jesus em particular. Ao que parece, procurava uma oportunidade de acusar Jesus e pensou tê-la encontrado, quando Jesus não realizou a lavagem cerimonial antes de comer (Mc 7.2,3) [1]. Jesus aproveita o momento para mostrar a insensatez desse fariseu e condenar os pecados do farisaísmo (11.42- 52) [2].
Parece que o contato de
Jesus com os fariseus, até mesmo quando era um convidado deles, jamais produziu
resultados favoráveis, pois se via forçado a pronunciar alguma reprimenda
negativa [3]. Jesus não poderia evitar o conflito com o pecado e o erro, mesmo
que tivesse que confrontá-lo à mesa no momento de uma refeição. Jesus era
paciente e amoroso com os pecadores, mas era severo e até, para alguns, rude
com os hipócritas. Estamos vivenciando uma época em que a promoção da tolerância
e da diversidade está sendo visto como as mais altas virtudes, devido a isso,
muitas pessoas são incapazes de distinguir a verdade do erro. Por isso que o engano
tem dominado as mentes das pessoas. Mesmo aqueles que se dizem cristãos
defendem tolerar falsos mestres em nome do amor, aceitação, paz e unidade. Coisa
que Jesus nunca fez.
Muitas das declarações
de Jesus relativas aos fariseus e doutores da lei nesta passagem são muito
parecidas com suas acusações a esses mesmos grupos em Mateus 23. Estas não são,
no entanto, duas versões do mesmo discurso, mas dois discursos proferidos pelo
Mestre em duas ocasiões diferentes. Os eventos e ensinos registrados em Mateus
23 ocorreram em Jerusalém durante a Semana da Paixão; o episódio que estamos
considerando em Lucas aconteceu enquanto Jesus estava na Peréia, a caminho de
Jerusalém [4].
Quais as lições que
esse texto tem para nós hoje?
1
– JESUS DISCERNE O
PENSAMENTO DO FARISEU (Lc 11.37-38).
Quando Jesus entrou, o
fariseu admirou-se que Jesus não se lavara (o verbo é baptizõ) antes da refeição. Isto nada tinha a ver com a higiene,
mas, sim, era uma regra feita visando a pureza cerimonial. Antes de comer
alguma coisa, os judeus escrupulosos mandavam derramar água sobre suas mãos
para remover a contaminação contraída pelo seu contato com um mundo pecaminoso
[5]. As abluções rituais, observadas antes das refeições, não foram prescritas
por qualquer regulamento de lei mosaica, mas eram elaboradamente observadas
pelos fariseus, em obediência à legislação oral criada pelos escribas (Mc
7.3,4) [6]. Por Jesus não ter agido segundo as suas tradições, este fariseu ficou
admirado da Sua conduta.
Com isso em mente
podemos destacar duas coisas:
1º - Jesus não tem
compromisso com tradições humanas. Esses hábitos
inventados pela tradição oral dos escribas não tinha nenhum respaldo bíblico,
por isso Jesus não tinha nenhum compromisso em observá-la como eles observavam.
Muitas pessoas inventam
usos e costumes, coisas até mesmo absurdas em nome de Deus. Aplicam proibições
em coisas que a Bíblia não proíbe e liberam o que a Bíblia proíbe. E,
geralmente, o peso recai muito mais sobre as mulheres.
2º - As tradições
humanas afastam as pessoas de Deus. Muitas pessoas são
tão presas às tradições e a usos e costumes que se afastam de Deus. Tradições
são práticas, ensinamentos e costumes transmitidos de outras pessoas, muitas
vezes, de uma geração para outra. Os religiosos da época de Jesus guardavam
longas listas de regras inventadas e transmitidas por homens, princípios que
não vieram da Lei revelada pelo Senhor. Tudo isso não passava de idolatria,
pois eles colocavam em pé de igualdade as suas tradições com a Lei de Moisés.
2
– AS ACUSAÇÕES DE JESUS CONTRA OS FARISEUS (Lc 11.39-44).
Tudo indica que Jesus
propositadamente não lavou as mãos antes do jantar. Se a ação de Jesus foi de
fato deliberada, Ele deve ter tido dois motivos: a) Ele estava expressando sua
reprovação a uma regra que, além de não ter significado, obscurecia um
importante princípio e ocasionava um pretexto hipócrita; b) Ele, provavelmente,
estava tentando provocar uma discussão com os fariseus exatamente sobre esses
assuntos. Assim, Jesus e o fariseu (ou fariseus, se outros estivessem
trabalhando por meio deste) estariam tentando precipitar o conflito verbal. Com
certeza, Jesus não estava sendo vingativo; Ele estava tentando ajudar os
fariseus a verem a verdade e, ao mesmo tempo, estava tentando salvar outros da
influência corruptora do farisaísmo [7].
Jesus condena os
fariseus pela hipocrisia da sua religião de aparência.
1º - Primeiro, os
fariseus eram superficiais na conduta de fé.
Embora o fariseu não dissesse nada, o Senhor sabia o que se passava em sua
mente e entendeu que ele estava perturbado porque Jesus tinha ignorado a
lavagem ritual. Imediatamente, sem pedir desculpas e sem deferência, Jesus
confrontou a superficialidade do fariseu e lhe disse: “E o Senhor lhe disse: Agora vós, os fariseus, limpais o exterior do
copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade” (Lc
11.39).
2º - Segundo, os fariseus
não se preocupavam em ter um coração puro (Lc 11.39-41).
Jesus expõe a hipocrisia dos fariseus que são zelosos na purificação cerimonial
e descuidados com a santificação do coração. Denuncia a espiritualidade das
aparências farisaicas sem o concurso de uma vida piedosa. Do que vale seguir à
risca os rituais cerimoniais sem observar a purificação do coração? Jesus
declarou que lavar o corpo enquanto o coração permanece impuro é tão absurdo
quanto lavar por fora um prato sujo por dentro [8]. Os fariseus falham em não
purificar o coração “de rapina e
perversidade”. Essa purificação interior é infinitamente mais importante do
que a observação de seus preceitos exteriores de purificação [9].
Jesus mostra que o
interior deve refletir no exterior, pois somos o que demonstramos ser
interiormente e não o contrário (Lc 11.40,41). Jesus chama a atenção que os
fariseus deveriam dar, generosa e amorosamente, de sua natureza mais íntima –
seu amor, sua compaixão, sua devoção, seu próprio ser. O versículo 39 implica
que esses fariseus estavam roubando os pobres [10].
Observe que Jesus
chamam esses homens de “loucos” (v. 40). Loucos! Aphrones – grego (tolos, sem juízo, bobos) descreve aqueles que são
ignorantes, que não têm bom senso e pensam superficialmente. Jesus então pergunta:
“Quem fez o exterior fez também o interior?”, era uma repreensão inconfundível.
É pensar que Deus santo só estaria preocupado com a sua observância de rituais
externos e não sobre seus corações era o cúmulo da loucura.
Essa denúncia de Jesus
em relação aos fariseus continua hoje. Não é incomum vermos cristãos
preocupados em demasia com os usos e costumes, mas não vigia a língua, o mau
testemunho na sociedade. Muitos, infelizmente, são maus pagadores. Péssimos
pais de família. Guardam ódio no coração.
Bem disse Jesus em
Mateus 5.8: “Bem-aventurados os limpos de
coração, porque eles verão a Deus”.
-
A partir do versículo 42 começa os “ais” de Jesus.
“Ai” é uma expressão de pesar, não de índole vindicativa, e tem um significado
como “Que pena!” [11]. Os primeiros três “ais” são dirigidos especificamente
aos fariseus por suas prioridades erradas; os últimos três, aos escribas,
especialistas na lei, ou “advogados”. Doutores da Lei.
3º - Os fariseus
dizimavam do supérfluo e deixavam de dizimar do que era essencial (Lc 11.42).
O que provocou esse primeiro “ai” era a devoção dos fariseus ao que era de
importância secundária. Era costume entre eles, até se excediam, dando ao
Senhor a décima parte de todas as pequenas ervas aromáticas que cultivavam em suas
hortas, e exigiam de seus seguidores que fizessem o mesmo. Segundo eles o viam,
a hortelã de “aroma adocicado”, a arruda de aroma forte, de fato toda erva de
hortaliça, devia ser dizimada sem falta! Mas, na lei de Moisés não se diz uma
palavra sequer acerca do dízimo dessas coisas [12].
No entanto, eles haviam
Deixado completamente de lado o cerne da lei, de julgar com justiça e com o
amor a Deus. Jesus ordena que a essência da lei seja cumprida; já as coisas
secundárias, como o dízimo das ervas da horta, tampouco devem ser deixadas de
lado!
4º - Os fariseus
prezavam
a reputação acima do caráter (Lc 11.43). Acreditavam
que se tomariam mais espirituais ao se assentar nos lugares certos e ao ser
reconhecidos pelas pessoas certas. Reputação é aquilo que as pessoas pensam que
somos; caráter é aquilo que Deus sabe que somos [13]. Os fariseus eram
hipócritas, orgulhosos e desprezavam as pessoas comuns (Jo 7.49), e deixavam de
fazer justiça aos mais necessitados. Não obstante, queriam ser amados, admirados,
reverenciados, respeitados, e se colocavam em uma posição elevada, acima de
todos os outros.
5º - Os fariseus
contaminavam o ambiente que viviam (Lc 11.44).
Segundo um costume judaico, pouco antes da chegada das grandes caravanas de
pessoas que viajavam para Jerusalém com o fim de assistir à Páscoa, os
sepulcros eram caiados. Isso era feito para que ficassem bem visíveis, de modo
que ninguém se contaminasse cerimonialmente ao andar inadvertidamente sobre um
sepulcro (Nm 19.11-22) [14].
No entanto, os fariseus
eram como sepulturas sem qualquer identificação (invisíveis); sua aparência não
correspondia, de maneira alguma, à realidade! Isso significa que,
inconscientemente, contaminavam os outros quando, na verdade, pensavam estar
ajudando-os a se tornar mais santos! Ao invés de ajudar as pessoas, os fariseus
as prejudicavam [15]. Os homens que passavam por sepulturas não marcadas
tornavam-se cerimonialmente impuros. E os homens que andavam no ensino e nos
caminhos dos fariseus tornavam-se moralmente impuros [16].
Como nos fala o autor
de Hebreus 12.14,15: “Segui a paz com
todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; tendo cuidado de que
ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando,
vos perturbe, e por ela muitos se contaminem”.
3
–
AS ACUSAÇÕES DE JESUS CONTRA OS DOUTORES
DA LEI (Lc 11.45-52).
Uma objeção feita por
um professor da Lei levou o discurso de Jesus em outra direção, pois um dos
especialistas na lei não pôde conter-se por mais tempo e reagiu ao discurso de
Jesus. Esse homem pergunta a Jesus se ele não percebe que ao atacar os fariseus
está também “insultando” os especialistas na lei. Diante desse argumento Jesus
então se volta para os doutores da lei. Os intérpretes da lei eram homens que
se entregavam ao estudo da Lei do Antigo Testamento.
Jesus então profere
três “ais” contra eles também.
1º - Os escribas
colocavam fardos pesados sobre as pessoas que eles mesmos não carregavam (Lc
11.46). Esta é uma acusação brutal aos escribas (doutores
da lei) por suas interpretações mesquinhas da lei escrita em seus ensinamentos
orais (posteriormente, registradas por escrito como Mishna e depois como Gemara).
Esta terrível carga, os doutores da lei não pretendiam carregar, nem mesmo “com
um de seus dedos tocar” para ajudar as pessoas [17]. A Mishna determina que é mais importante observar as interpretações
escribais do que a própria Lei. Os intérpretes da lei deveriam fazer uma tal
exposição da Lei de Deus que ajudasse e inspirasse aos homens. Pelo contrário, fizeram
dela um fardo cansativo [18].
2º - Os escribas
seguiam as mesmas pegadas de seus pais, que foram assassinos de profetas (Lc
11.47-51). O primeiro martírio registrado no
Antigo Testamento foi o de Abel, e o último, o de Zacarias (ver Gn 4.1-15; 2Cr
24.20-27, lembrando que 2Cr é o último livro da Bíblia hebraica) [19]. A
segunda crítica foi o tratamento que os intérpretes da lei tinham dado aos
profetas. Sustentavam que estavam honrando os heróis da fé ao edificar túmulos
esplêndidos para eles. Mas realmente, nada mais faziam senão completar a obra
daqueles que os mataram. O mesmo espírito operava em ambos os grupos. Sua ação
dava assentimento inconsciente aos assassinos. É sempre mais fácil honrar
santos mortos do que santos vivos. As vidas dos edificadores dos túmulos dos
profetas mostravam por demais claramente que eram do mesmo espírito dos
assassinos [20].
3º - Os escribas não
entravam no Reino e impediam os outros de entrarem (Lc 11.52).
O terceiro “ai” contra os professores da lei diz que a Escritura Sagrada é um
livro fechado para eles mesmos e para o povo [21]. Jesus diz que os intérpretes
da lei tomam a chave do conhecimento e a escondem, não entrando no reino nem
deixando que as pessoas entrem. Os escribas eram culpados de privar as pessoas
comuns do conhecimento da Palavra de Deus. Em vez de abrir as Escrituras para o
povo e explicá-las fielmente, eles impediam as pessoas de entenderem a Palavra
[22]. Wiersbe diz que Jesus é a chave para o entendimento das Escrituras (Lc 24.44-48).
Quando se remove a chave, não é possível entender o que Deus escreveu [23].
4
– JESUS SUSCITA A IRA DOS FARISEUS E DOUTORES DA LEI (Lc 11.53,54).
Infelizmente, os fariseus
e os escribas não conseguiram dar ouvidos às advertências de Jesus. Em vez de
se arrependerem de seus pecados, repudiando seu falso sistema de religião, e pedindo
misericórdia divina, eles se tornaram ainda mais agressivos e hostis com Jesus.
Enechō em grego (hostil) poderia ser
traduzido como “guardar rancor”. Eles
não apenas não concordavam com Jesus teologicamente, a animosidade contra Jesus
era pessoal devido expô-los publicamente como falsos mestres.
Os escribas e os
fariseus tentavam fazer Jesus errar em suas palavras (Lc 11.53,54).
A última coisa que os hipócritas querem é ver seus pecados revelados, pois isso
prejudica sua reputação. Em vez de se oporem ao Senhor, esses homens deveriam
buscar sua misericórdia. Começaram a atacá-lo deliberadamente com perguntas
capciosas, na esperança de pegá-lo em alguma heresia e de mandar prendê-lo. Que
maneira vergonhosa de tratar o Filho de Deus! [24].
Diante do que Jesus
falou esses homens se sentiram humilhados e resolveram confrontar Jesus ao
invés de se arrependerem de seus pecados. E a ira deles se tornou ainda maior
porque Jesus não fez isso em oculto, em uma conversa particular, mas à vista de
muitas pessoas. Veja o capítulo 12.1: “Ajuntando-se
entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos
outros, começou a dizer aos seus discípulos: Acautelai-vos primeiramente do
fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”.
CONCLUSÃO
A igreja de Jesus
Cristo deve, em qualquer tempo e lugar, estar sempre vigilante contra os falsos
mestres que fingem serem morais, finge que amam a Deus, e que ensinam a
verdade, mas, na realidade, são pecaminosos, tolos egoístas, desprovido de
poder espiritual, de vida espiritual e da verdade espiritual. Porque eles são
culpados de “falarem coisas perversas,
para atraírem os discípulos após si” (At 20.30), eles não devem ser
recebidos em nome da tolerância, mas devem ser rejeitados, pois, “promovem dissensões e escândalos contra a
doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (Rm 16.17). Esses tais devem
ser confrontados em nome da sã doutrina e por amor a Deus!
Pense nisso!
Bibliografia:
1 – Wiersbe, Warren W.
Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo
André, SP, 2007, p. 282.
2 – Lopes, Hernandes
Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p.
373.
3 – Champlin, R. N. O
Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, vol. 2, Ed. Hagnos,
São Paulo, SP, 2005, p. 120.
4 – Childers, Charles
L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ,
2006, p. 420.
5 – Morris, Leon L.
Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São
Paulo, SP, 1986, p. 191.
6 – Champlin, R. N. O
Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, vol. 2, Ed.
Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 120.
7 – Childers, Charles
L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ,
2006, p. 421.
8 – Lopes, Hernandes
Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p.
374.
9 – Rienecker, Fritz. O
Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba,
PA, 2005. p. 172.
10 – Childers, Charles
L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ,
2006, p. 421.
11 – Morris, Leon L.
Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São
Paulo, SP, 1986, p. 192.
12 – Hendriksen,
William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 149.
13 – Wiersbe, Warren W.
Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo
André, SP, 2007, p. 282.
14 – Hendriksen,
William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 151.
15 – Wiersbe, Warren W.
Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo
André, SP, 2007, p. 282.
16 – Morris, Leon L.
Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São
Paulo, SP, 1986, p. 193.
17 – A. T. Robertson.
Comentário de Lucas, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2013, p. 225.
18 – Morris, Leon L.
Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São
Paulo, SP, 1986, p. 193.
19 – Wiersbe, Warren W.
Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo
André, SP, 2007, p. 283.
20 – Morris, Leon L.
Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São
Paulo, SP, 1986, p. 194.
21 – Rienecker, Fritz.
O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba,
PA, 2005. p. 174.
22 – Lopes, Hernandes
Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p.
376.
23 – Wiersbe, Warren W.
Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo
André, SP, 2007, p. 283.
24 – Ibidem, p. 283.
Esta é uma leitura errada das Escrituras de acordo com os ideais humanistas pós-modernos.
É verdade que Jesus lavou os pés de seus discípulos, mas a palavra-chave operativa aqui é "d'Ele". Em outras palavras, ele não lavou os pés de todo e qualquer um, mas apenas os daqueles que o Pai lhe deu. De fato, depois de lavar os pés de seus discípulos, ele fez esta oração por eles:
"Eu revelei o teu Nome àqueles que do mundo me deste. Eles eram teus; Tu os confiaste a mim, e eles têm obedecido à tua Palavra. Agora, eles entendem que tudo o que me deste vem de Ti. Pois Eu compartilhei com eles as palavras que me deste, e eles as aceitaram. Eles reconheceram, de fato, que vim de Ti e creram que me enviaste. Eu rogo por eles. Não estou orando pelo mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus. Tudo o que tenho é teu, e tudo o que tens é meu; e neles Eu Sou glorificado. Agora, não ficarei muito mais no mundo, mas estes ainda estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai santo, protege-os em Teu Nome, o Nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um. Enquanto Eu estava com eles, protegi-os e os defendi em teu Nome. E nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura."
(João 17:6-12 - KJA)
Claramente, então, nosso Senhor Jesus Cristo — o verdadeiro Senhor das Escrituras, não a imaginação vã e hippie de uma cultura sem Deus — intercede e ora em favor apenas dos que são d'Ele. Em outras palavras, Ele não saiu aleatoriamente lavando pés, como se estivesse desesperado pela atenção de todos, mas apenas daqueles que o Pai em Sua soberana graça lhe deu.
Não, Jesus não lavou os pés de Pôncio Pilatos, ou Herodes, ou Caifás, etc., mas somente aqueles que o Pai escolheu.
Qualquer coisa menos do que isso ou fingir que Jesus sai lavando os pés de alguém sem nenhum chamado real à salvação e santificação, bem… não passa de uma completa degradação e corrupção do verdadeiro Evangelho de nosso Senhor que reduz Cristo a um “mendigo por amor”: quem faz isso é o falso Gezuz hippie da cultura hollywoodiana que predomina em nosso tempo.
(Tradução adaptada a partir de publicação de Cristiano Conservador)
Por Pr Silas Figueira
Texto base: Lucas 11.29-36
INTRODUÇÃO
Durante todo o Seu ministério, o Senhor Jesus Cristo enfrentou a hostilidade e oposição, principalmente dos líderes da seita religiosa judaica; os escribas, fariseus e saduceus. Em Mateus 12.38 nos diz que os escribas e os fariseus tentaram colocar Jesus em dificuldades, pedindo que Ele lhes mostrasse algum sinal. O Mestre tinha acabado de lhes dar um maravilhoso sinal, ao libertar o endemoninhado cego e mudo. Mas eles procuravam alguma coisa ainda mais sensacional e espetacular. O texto de Lucas 11.16 indica que eles estavam pedindo “um sinal do céu” que provasse que Ele era o Messias [1]. Eles queriam um sinal do céu, algo como a chuva de maná no deserto (Êx 16.4s) ou a parada do sol e da lua (Js 10.13) ou a chuva de fogo do céu em Elias (1Rs 18.38). A exigência do sinal era tão-somente um pretexto para justificar sua incredulidade [2].
Jesus já tinha curado
enfermos, purificado leprosos e ressuscitado mortos, e eles ainda se mantinham
reféns de seu coração endurecido. Até mesmo quando Jesus estava dependurado no
madeiro, disseram-lhe: Desce da cruz e creremos em ti. O problema deles,
entretanto, não era evidência suficiente, mas cegueira incorrigível [3].
No relato de Marcos,
Jesus diz simplesmente: “a esta geração
não se lhe dará sinal algum” (Mc 8.12). Eles estavam tão cegos em seu ódio
contra Jesus, que eles não perceberam as oportunidades espirituais que estavam
perdendo.
Vejamos quais as lições
que podemos aprender com esse texto.
1
– JESUS NÃO SE SURPREENDEU COM A INCREDULIDADE DAQUELA GERAÇÃO (Lc 11.29).
Jesus não se
surpreendeu com a incredulidade daquelas pessoas, principalmente dos líderes judeus.
Não era por falta de sinais e prodígios que eles desacreditavam de Jesus, era
porque Jesus não fazia o que lhes agradava. Jesus colocava em xeque a
autoridade deles (Mt 7.28,29), e isso gerou no coração deles um ódio profundo
por Jesus.
Podemos destacar duas
lições aqui:
1º - Em primeiro lugar,
o problema dos líderes religiosos não era a falta de luz, mas a falta de visão.
Eles estavam cegos de ira e de inveja de Jesus. A luz estava em todos os
lugares. Ela brilhou de forma extraordinária nos milagres realizados por Jesus
(Jo 15.24; cf. Jo 5.36; 10.25,38; 14.11) e no ensino incomparável que Ele deu (cf.
Mt 7.28; Jo 7.46). Nada revela mais profundamente a maldade dos que o rejeitaram
do que a realidade de que a luz estava em toda parte, mas eles recusaram-se a
vê-la.
Há um velho ditado que
diz que “o pior cego é aquele que não quer ver”. Assim eram essas pessoas que
pediam um sinal a Jesus. E se Jesus lhes desse mais algum sinal eles
continuariam na incredulidade.
2º - Em segundo lugar,
aquela geração era maligna (Lc 11.29). Outro grande
problema que temos aqui é que aquela geração era maligna. Era uma geração de
incrédulos. Como lemos em Jo 12.37-40: “E, ainda que tinha
feito tantos sinais diante deles, não criam nele; para que se cumprisse a
palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a
quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso não podiam crer, então Isaías
disse outra vez: Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que
não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure”.
O Senhor permitiu que eles permanecessem em sua incredulidade.
O uso da palavra genea (geração) indica que Jesus estava
se referindo à maioria das pessoas em Israel naquela época; tanto de galileus
(cf. Lc 9.41), quanto também dos judeus. A forma como Jesus caracteriza o povo
de Israel como ímpio é chocante. Afinal, Ele não estava falando dos pagãos que
adoravam ídolos ou ateus. A geração que Ele se referia era, pelos padrões
humanos normais, extremamente morais, religiosos e conscientes de Deus. O povo
judeu foi fanaticamente devotado a manter a lei de Deus e observar suas
tradições religiosas, como a vida de Paulo antes de sua conversão ilustra (cf.
Atos 22.3; Gl 1.14). Mas embora exteriormente parecesse ser justas,
interiormente, estavam cheios de maldade (Lc 11.39; Mt 23.25-28).
Algo que não podemos
deixar de observar nos dias de hoje. Vivemos um tempo de muita apostasia, de
muita incredulidade e de pouca fé. Uma geração de cristãos que espera muito de
Deus, mas que não quer lhe dar a devida adoração. Uma geração mimada que pisam
no sagrado e profanam o nome do Senhor. E não precisamos ir longe para vermos o
que está acontecendo, basta olharmos as redes sociais.
2
– JESUS DÁ TRÊS SINAIS AOS SEUS OPONENTES (Lc 11.31-36).
Jesus não se sujeita em
realizar o que seus adversários desejavam. Eles queriam que Jesus realizasse algum sinal
(milagre) extraordinário, mas Jesus diz que lhes dará três sinais, não sinais
miraculosos, mas sinais de condenação, pois aquela geração cega havia rejeitado
a luz do mundo (João 8.12; 9.5). Estes versículos revelam a realidade do
julgamento, e a razão para o julgamento.
1º - Primeiro, o sinal
do profeta Jonas (Lc 11.29,30,32). Quando Jonas foi
chamado a pregar em Nínive, ele tentou escapar do Deus de Israel abandonando a
terra de Israel: “Mas Jonas fugiu da
presença do Senhor, dirigindo-se para Társis” (Jn 1.3a). A história
demonstra que Deus não só está presente no templo de Israel, mas também
onipresente em todas as nações [4].
a) Os ninivitas se arrependeram com a mensagem de Jonas (Lc 11.32). Pessoas menos iluminadas obedeceram a uma pregação menos iluminada; porém pessoas muito mais iluminadas se negaram a obedecer à Luz do Mundo [5]. Ambos proclamaram julgamento e chamado para o arrependimento.
Jesus
diz que, no dia do juízo, os ninivitas se levantarão para condenar essa geração,
pois ouviram a pregação de Jonas e se arrependeram; no entanto, Jesus, sendo
maior do que Jonas, não foi ouvido por sua geração, que permaneceu incrédula e
perversa [6].
b) Jonas simboliza a ressurreição
de Jesus (Mt 12.40). “Pois,
como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o
Filho do homem três dias e três noites no seio da terra”. Para os
ninivitas, “o sinal” era claramente a
reaparição miraculosa do homem que se cria estar morto. Jonas tinha estado
dentro da baleia (Jn 1.17) antes de voltar à vida, por assim dizer. Para os
ninivitas o sinal foi o reaparecimento de um homem que aparentemente estivera
morto durante três dias. Para os homens dos dias de Jesus, o sinal seria o
reaparecimento do Filho do homem no terceiro dia após a Sua morte [7].
A
mensagem de Jonas impactou os ninivitas porque o profeta era um milagre de
alguém que estivera morto por três dias e havia voltado à vida. Assim a
mensagem de Jesus tem impacto sobre nossas vidas, pois Ele ressuscitou ao
terceiro dia (Jo 2.18,19), mas diferente de Jonas, Ele vive eternamente.
2º
- Segundo, o sinal de Salomão (Lc 11.31). A rainha do
sul, conhecido no Antigo Testamento como a Rainha de Sabá (1Rs 10.1-13), vai subir
com os homens desta geração no dia do julgamento e irá condená-los por
rejeitarem a mensagem de salvação.
Esta
rainha fez uma árdua jornada de várias semanas desde os confins da terra (Seba
foi localizado no sudoeste da Arábia, mais de mil quilômetros de Jerusalém),
seu propósito era ouvir a sabedoria de Salomão, enquanto a sabedoria de Jesus
era de fácil acesso para as pessoas de sua geração. Ela era uma idólatra pagã,
sem o conhecimento do verdadeiro Deus, enquanto eles estavam mergulhados no
Antigo Testamento. Eles foram convidados a vir a Jesus (Mt 11.28-30), enquanto que
não há nenhuma indicação de que ela tenha sido convidada para visitar Salomão.
No entanto, ela foi salva do seu pecado depois de crer no que Salomão disse a
ela sobre o Deus verdadeiro, enquanto que aquela geração rejeitou salvação do verdadeiro
Rei, infinitamente mais sábio e maior que Salomão. Essa é uma acusação grave
sobre aquela geração perversa.
Quando
Jonas pregou aos gentios de Nínive, eles se arrependeram e foram poupados.
Quando uma rainha gentia ouviu as palavras do rei Salomão, maravilhou-se e
creu. Se, com todos os seus privilégios, os judeus não se arrependessem, o povo
de Nínive e a rainha de Sabá testemunhariam contra eles no julgamento final. O
Senhor deu a Israel inúmeras oportunidades, mas ainda assim se recusaram a crer
(Lc 13.34, 35; Jo 12.35-41) [8].
Quantos
hoje têm tido a oportunidade de ouvir o Evangelho, mas o rejeitam ou dizem que
em outra ocasião tomarão a decisão por Cristo. As oportunidades têm sido dadas,
mas muitas pessoas continuam descrentes da mensagem de salvação que lhes tem
sido pregadas. No entanto, chegará um tempo em será tarde demais para
decidirem.
3º
- O terceiro sinal, a luz (Lc 11.33-36). A experiência
universal da luz e da escuridão no mundo físico fornece uma porta para a
compreensão do conceito de luz e escuridão no mundo espiritual. Aqui a luz é
uma metáfora para compreender a verdade revelada por Deus, já que a luz revela
(Ef 5.13), enquanto que as trevas escondem (1Co 4.5). A Palavra de Deus é uma
luz que brilha neste mundo escuro (SI 119.105; Pv 6.23). Mas não basta a luz
brilhar externamente, também deve penetrar em nossa vida, a fim de surtimos os
seus efeitos. “A entrada das tuas
palavras dá luz, dá entendimento aos simples” (SI 119.130) [9]
Jesus
ilustra esse assunto com três exemplos:
1) O perigo de esconder a luz (Lc
11.33). Seria inútil para alguém, depois de acender uma
lâmpada colocá-la em um porão ou escondê-la debaixo do alqueire (cesta para
medir grãos). Ninguém acende uma candeia e depois a coloca em lugar onde não
pode ser vista. Pelo contrário, é colocada onde sua luz pode ser vista com o
melhor proveito. No entanto, era exatamente o que os líderes judeus estavam
fazendo na esfera espiritual. Em vez de permitir que luz de Jesus iluminasse os
seus corações eles a estavam a obscurecendo.
Há
dois tipos de escuridão: (a) a da ignorância; e (b) a da incredulidade
obstinada. O segundo tipo, o que aqui está pauta, é muitíssimo mais perigoso.
Foi esse tipo de escuridão que reinou no coração dos que odiavam a Jesus [9].
3 – A luz ilumina a todos que ouvem
Jesus (Lc 11.36). Quando o coração tem uma configuração
correta, isto é, quando ele pertence à verdade e intenta a verdade, ele se
apropria da revelação da verdade divina e comunica essa luz com toda a
capacidade da alma [10]. Quando cremos em Jesus Cristo, nossos olhos são
abertos, a luz penetra nosso ser e nos tornamos filhos da luz (Jo 8.12; 2Co
4.3-6; Ef 5.8-14). É importante usar a luz e fixarmos nosso olhar na fé [11].
CONCLUSÃO
Quero concluir com as
palavras de Wiersbe que diz que cada um de nós é controlado pela luz ou pela
escuridão. O mais assustador é que algumas pessoas se endurecem de tal modo
contra o Senhor que não conseguem fazer distinção entre uma coisa e outra!
Acreditam que estão seguindo a luz quando, na verdade, seguem a escuridão. Os
escribas e fariseus afirmavam “ver a luz” ao estudar a Lei, mas na verdade
estavam vivendo em trevas (ver Jo 12.35-50) [12].
Pense nisso!
Bibliografia:
1 – Earle, Ralph. Comentário
Bíblico Beacon, Mateus, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 95.
2 – Rienecker, Fritz. O
Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba,
PA, 2005. p. 170.
3 – Lopes, Hernandes
Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p.
368.
4 – Neale, David A.
Lucas, 9 – 24, Novo Comentário Beacon, Ed. Central Gospel, Rio de Janeiro, RJ,
2015, p. 105.
5 – Hendriksen,
William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 137.
6 – Lopes, Hernandes
Dias. Mateus, Jesus, o Rei dos reis, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2019, p. 369.
7 – Morris, Leon L.
Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São
Paulo, SP, 1986, p. 189.
8 – Wiersbe, Warren W.
Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo
André, SP, 2007, p. 281.
9 – Hendriksen,
William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 142.
10 – Rienecker, Fritz.
O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba,
PA, 2005. p. 170.
11 – Wiersbe, Warren W.
Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo
André, SP, 2007, p. 281.
12 – Ibidem, p. 282.