sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Sexto sentido!!


Por Josemar Bessa

Alguns anos atrás vi um filme surpreendente chamado O Sexto sentido. Um menino parecia estar sofrendo de um transtorno mental. Mas seus problemas tinham origem no fato de que ele via fantasmas. Mas os fantasmas que ele via não sabiam que eram fantasmas. Não sabiam que estavam mortos. Um psicólogo infantil tenta ajudar o menino, mas esse psicólogo não percebe que ele também está morto. Uma das cenas mais impactantes no filme é quando o garotinho olha para o psicólogo e diz: “Eu vejo gente morta!”

Cada vez mais na literatura, cinema, youtube... cresce uma fascinação mórbida pela morte, pessoas morrendo, mortos... Zumbis! Zumbis são criaturas (fictícias), homens mortos que são reanimados, andam, devoram... apesar de estarem mortos...

Apesar de não crermos em zumbis, vemos um mundo cheio de mortos vivos. Vivem ao nosso redor, entre nós, se casam, tem filhos, amam, lutam, odeiam, tiram férias, frequentam igreja... estamos literalmente cercados por mortos vivos.

Nós não somente estávamos entre eles, como de fato éramos um deles. Paulo diz: “E vos vivificou, estando vós mortos em delitos e pecados” Efésios 2.1 – A palavra usada significa literalmente cadáver. Paulo está dizendo que cada membro da igreja em Éfeso antes eram completamente desprovidos de vida espiritual. Ele está dizendo que pecadores perdidos são completamente incapazes e também indispostos de chegar a Deus por iniciativa própria.

Todos nós sabemos o que morte significa. Uma pessoa morta é incapaz de responder a qualquer estímulo. Quando a pessoa morre seu corpo é reduzido a um vazio infinito, todo estímulo é fútil, não há capacidade de ouvir, falar, pensar... Os toques que antes tanto emocionavam já não produz nada, as vozes familiares ao ouvido caem agora num mundo de silêncio impenetrável. O corpo que foi cheio de vida agora não passa de uma concha vazia. Todas as famílias da terra já tiveram experiência com a morte, cada cidade tem cemitérios cheios de tristeza todos os dias...

Um homem morto perdeu toda a capacidade de responder ao mundo físico, e essa é a ilustração perfeita colocada por Paulo sobre os homens que não foram regenerados.

A morte é o oposto da vida. Cristo em João 17.3 diz: “E a vida eterna é essa: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro...”. João repete a mesma verdade: “Aquele que tem o Filho tem a vida, e quem não tem o Filho de Deus não tem vida” – 1 João 5.12. O homem natural está morto. Ele vive, se move, ri, busca prazer... mas estão mortos enquanto vivem. Não estão mortos para o mundo, mas estão mortos para Deus. Ele não está num estado de enfermidade mas que ainda sobra alguma vida que o deixe capaz de alguma reação em direção a Deus. Ele está morto.

Infelizmente grande parte da “igreja” de nossos dias acredita, contrariando todo o ensino bíblico,  que os perdidos tem uma capacidade de aproximação de Deus se desejarem, e em seus próprios termos, e quando bem entenderem... Mas os fatos são bem diferentes. Estão mortos. São incapazes de se achegar a Deus, se alguém tiver que ser salvo, Deus terá que soberanamente fazê-lo. É isso que Cristo ensinou em João 6.44: “ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer”. O homem precisa de uma ressurreição para vir a Cristo, e isso amigo, é uma obra inteiramente de Deus.

É por isso que as coisas espirituais não significam nada para o homem natural. É por isso que as coisas que agitam o coração regenerado nunca agita o coração do homem natural. Ele está morto. É por isso que ouvem o evangelho e  estão insensíveis as coisas de Deus. Quando Adão pecou, seus filhos morreram com ele: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” – Romanos 5.12

O homem regenerado não ouviu apenas a proclamação geral do evangelho. Ele ouviu um chamado específico, pessoal e eficaz: “Lázaro, sai para fora!” João 11.43

E vos vivificou, estando vós mortos em delitos e pecados” – Efésios 2.1

Como o menininho do filme eu posso dizer todos os dias:  Eu vejo gente morta!

Fonte: Fides Reformata

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Pregadores e seus críticos

 
Por Brian Hedges

Pastor, você irá construir uma grande igreja, se aprender a se comunicar.
Ouvir esse sermão foi como beber água de um hidrante.
Estou tão desapontado! Eu queria que você desse a Deus toda a glória, mas você não conseguiu!
Sua pregação foi tão intelectual.
Sua pregação foi muito prática.
Você não falou o suficiente sobre justiça social.
Você falou demais sobre justiça social.
Sua pregação é só sobre condenação.
Sua pregação não foi profunda o suficiente. Dê-nos carne, não leite.

Eu já ouvi todas essas declarações, ou pelo menos recebi estes sentimentos, sobre minhas pregações. Alguns tem caído no sono durante ela. Uma mulher sacudiu a cabeça em desacordo com o que eu ensinei sobre eleição, enquanto outros argumentaram comigo enquanto eu ainda estava no púlpito. Já houve pessoas me esperando na esquina depois da igreja para discutir teologia. Alguns comentários de terceiros me informando sobre membros da igreja que não estavam aproveitando nada com minhas mensagens. Um cara me disse que se sentia como se estivesse sentado na escola (eu suponho que seja pela mensagem ter muitos pontos). Outros têm gentil e graciosamente me encontrado face a face para confessar que não têm sido alimentados.

Algumas dessas críticas me surpreendem. Algumas parecem injustas. Algumas machucam. Algumas são bem merecidas, especialmente o comentário do hidrante. Ocasionalmente algumas são descartadas, mas na verdade muitas delas colam. Todo pregador experiente poderia acrescentar algo à essa lista. Críticas pessoais são um dos perigos do trabalho do ministério cristão.

Isto também é um grande benefício. Pregadores precisam apreciar feedbacks. E precisamos deles mais do que apenas elogios (embora sejamos gratos por eles também). Não existem pregadores perfeitos. Todos nós precisamos de diálogos francos com ouvintes, tanto sobre nosso conteúdo quanto a nossa entrega. Então, não leia esse artigo como uma reclamação de uma pastor assediado e chorão que não aguenta mais. Eu não quero pessoas na minha congregação parando de me dar feedbacks críticos com medo de machucar meu ego.

Mas, tanto pregadores quanto ouvintes, tanto os que são criticados quanto os que criticam, pode haver um diálogo mais eficiente. Então, aqui estão algumas sugestões para ambos.

 

PARA OUVINTES


1. A crítica mais construtiva é dada em um contexto de amor fraternal mútuo. Em geral, essa verdade não é apenas para pregadores. Todos nós somos mais amigáveis a receber críticas quando elas vêm de alguém que nos ama e tem em mente o melhor para nós.

2. Certifique-se de que seus motivos estão corretos. Eu observo em algumas críticas um apetite doentio para um debate. Outros travam por pontos pequenos ou ilustrações. Partículas de homilética se tornam montanhas teológicas, e eu me pergunto se a pessoa sequer ouviu o resto do sermão. As melhores críticas vêm de pessoas que tem um desejo sincero de ver pessoas sendo ajudadas e Deus glorificado através de um claro ensino das Escrituras.

3. Preste atenção no timing. Aqui vão alguns casos que são usados fora de hora:
Domingo a tarde ou Segunda-Feira. Seu pastor já está exausto do final de semana. Dê a ele 48 horas de descanso antes de mandar aquele email

Domingo de manhã antes de pregar. Não confronte ele com questões sobre a pregação da semana passada antes dele subir no púlpito. Na verdade, tente não questioná-lo sobre nada. Deixe ele focar na tarefa que ele tem nas mãos.

Enquanto ele está de férias. Guarde isso pra quando ele voltar a trabalhar.

Considere, na verdade, não usar o e-mail para essas coisas. Em vez disto, agende um telefonema amigável no meio da semana ou uma saída para lanchar. Sim, isso significa conversar face a face (ou pelo menos, voz a voz). E isso também te dá tempo para pensar cuidadosamente sobre o que e como dizer e ainda oferece um local agradável para seu pastor vir com uma mente fresca para dar toda a atenção para suas preocupações.

4. Critique as coisas certas. Seu pastor não precisa que você sinalize cada falta insignificante no púlpito. O amor cobre uma multidão de pecados, incluindo imperfeições e falhas no sermão. Se você está cansado de ilustrações esportivas, ou achou que o sermão dessa semana foi um pouco maçante, deixe isso para lá. Guarde suas críticas para coisas que realmente têm importância: mau uso das Escrituras, mensagem confusa, uso de palavras e tons desnecessários ou ofensivos ou tendências de escapar da centralidade do evangelho. Sendo mais específico: se o pregador usa textos fora do contexto. Ou seu esboço deixa todos perdidos. Ou usa humor inapropriado ou faz declarações depreciativas sobre gays ou liberais. Ou sempre insiste em temas dispensáveis, ao invés de encarnação, expiação, ressurreição ou segunda vinda. Então é hora de levá-lo para tomar um café. E você deve pagar a conta.

5. Seja cuidadoso. É perigoso sentar para ouvir o ministério da Palavra de Deus com um ouvido crítico. Se você não observar seu coração, irá empobrecer a sua alma. Procure defeitos no sermão e você os encontrará. Mas não desenvolva uma mentalidade crítica. Em vez disso, venha adorar com os olhos abertos e os ouvidos atentos para a Palavra do Deus Vivo.

 

PARA PREGADORES


1. Leve as críticas a sério. A maioria das críticas tem um fundo de verdade. Seu trabalho é encontrá-las. Talvez não esteja sendo claro o suficiente. Talvez o sermão tenha sido muito longo, ou com muito conteúdo, ou foi muito em cima da cabeça das pessoas. Spurgeon, outrora, lembrou seus alunos que o Senhor comissionou a Pedro para alimentar suas ovelhas, não girafas. Seja qual for a crítica, dê a ela alguma atenção. Você irá aprender algo.

2. Não se leve tão a sério. Mantenha seu senso de humor saudável. Se você realmente se atrapalhou e alguém lhe disse, relaxe. Você terá outra chance domingo que vem.

3. Trate suas críticas com outros. Nenhum de nós é imparcial quando se trata de nossos próprios sermões. É provável que nós mesmo ignoremos a crítica, ou vamos descartá-la levianamente, ou achá-la muito dura, ou ficar na defensiva ou entender tudo errado. Mas, se seu ouvido está em sintonia com a sua fala, você vai ser mais propenso a ouvir o que você deve e responder com humildade de sabedoria.

4. Procure críticos sensatos. Spurgeon dizia: “Um amigo sensato que não lhe poupe crítica semana após semana, ser-lhe-á bênção maior do que mil admiradores sem discernimento, se você tiver bom senso suficiente para aguentar aquele tratamento, e graça suficiente para ser-lhe agradecido.” Ele passou a falar de um “crítico anônimo de grande capacidade”, ele lhe enviava listas semanais com palavras pronunciadas e outros deslizes do discurso. Spurgeon nunca soube a identidade de seu revisor anônimo, mas ele passou a apreciá-lo.

5. Nunca esqueça a tarefa que foi dada a nós. Pregar pode ser seu trabalho, mas isto não é sobre você. É sobre a glória de Deus, a magnitude de Jesus, a beleza da cruz, o poder da ressurreição e o poder transformador do Espírito Santo através da Palavra. É sobre fazer santos e converter os perdidos. Pregar é um grande privilégio e vale a pena cada gota de esforço que você gasta no aprendizado para fazê-lo cada vez melhor. Parte deste esforço é aprender com nossos críticos.

E ainda mais uma coisa: se você tiver a oportunidade de sentar para tomar um café ou lanchar com um crítico para discutir seu sermão, certifique-se de pagar a conta.

Fonte: Ipródigo

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O barro continua criticando o trabalho do Oleiro.


Por Josemar Bessa

Em nossa geração nada é mas comum do que o barro criticar o Oleiro, o barro fazer debates sobre o Oleiro, o barro querer definir  Oleiro...

Quando as pessoas (muitas vezes também no meio cristão), por exemplo,  dizem que se Deus é Todo-poderoso e é amor o mal não devia existir ou operar como opera...  

A idéia do “barro” é que Deus deve executar e dirigir o universo de acordo com o nosso conjunto de regras. “Se eu fosse Deus”, dizem, “eu não permitiria...” Esta é uma visão antropocêntrica do universo. Esta visão enche o mundo, nossa cultura, e também, infelizmente, grande parte dos que se dizem cristãos. A visão antropocêntrica do universo vê e acha que tudo que nos faz sofrer é necessariamente mau.

Todo o problema que temos com o que é mau neste mundo, flui do completo afastamento da nossa mente da cruz.

A queda de Adão não apenas mergulhou a humanidade no pecado, ela rompeu a harmonia inerente à ordem criada: “Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.” - Romanos 8:20-22

Toda dor e sofrimento existente está alicerçada no fato de que essa harmonia  inerente na criação ficou desestruturada pelo pecado. Mesmo quando os seres humanos não tem uma ligação direta por seus atos específicos na causa do sofrimento, terremotos, furacões, enchentes, tsunamis... é, no entanto devido a essa desestruturação, por causa do pecado,  na ordem criada, que tosas essas coisas fluem.

Então o que é que Deus faz? Uma coisa que sabemos que Ele não faz, pelo menos numa base regular, é intervir como nós, o “barro” sábio, achávamos que ele deveria fazer. Ele não bloqueia balas perdidas, carros desgovernados, vírus fatais, furacões... em vez disso, Ele restabelece a ordem no cosmos, reconciliando ele a si mesmo na morte do seu Filho Jesus (2 Co 5.18,19). Como Paulo expressa tão claramente em Efésios 1.10 – “De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;” - Efésios 1:10

Em Cristo, Deus sofre o “mal”, dor... e finalmente tudo isso é empregado para o bem, superando a morte e reconciliando tudo que foi alienado pelo pecado em Jesus, para expressão infinita da glória de um Deus santo contra quem todo pecado é cometido.

Todo o problema que temos com a questão do mal e do sofrimento acontece quando tentamos abordá-los além da cruz de Cristo, centrado no homem e não na glória de Deus. Deixamos assim o terreno da verdade e a discussão torna-se uma abstração filosófica onde colocamos a misericórdia de Deus, e o amor de Deus contra a sua onisciência e poder infinito.

A cruz deve silenciar todas as especulações. Aqui, e só aqui, o Inocente sofre por outros que de fato são culpados e merecem não só sofrer agora, mas como para sempre. Aqui, e só aqui, o próprio Deus tem a mais extrema injustiça jogada sobre Ele mesmo, e nesse ato hediondo que é sua crucificação, ele faz a reconciliação pela qual toda criação geme.

Jesus Cristo, o segundo Adão, o Cabeça de uma nova criação, redefine o universo desordenado em sua própria morte e ressurreição, restaurando tudo em sua morte.

Em Cristo não há o “Problema do Mal” e do sofrimento, pois nEle “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam, daqueles que foram chamados segundo o seu propósito” (Rm 12.32).

A história não acabou! Assim como este mundo foi uma vez livre do mal e da dor inicialmente, assim será novamente no Retorno do Rei! O Paraíso perdido será então o paraíso restaurado e infinitamente maior. Este universo será ressuscitado para revelar toda a glória do Cordeiro que foi morto.

Uma nova e infinita era onde Deus prometeu morar com o seu povo e para sempre mantê-los longe de todo mal e sofrimento para que gozem para sempre de Sua glória infinita e nela regozijem. Como lemos nos capítulos finais da Bíblia: “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” - Apocalipse 21:3-4

Fonte: Josemar Bessa

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Shopping de Igrejas



 Por Isaltino Gomes Coelho Filho

No início de meu ministério na Cambuí, em Campinas, uma pessoa me disse ter mudado há pouco para a cidade e estava frequentando as igrejas, analisando-as e vendo o que cada uma tinha para lhe oferecer. Como pastor rodado, conhecedor dos vários tipos de membros de igreja, desejei que Cambuí não fosse a “agraciada”. Felizmente não foi. As pessoas que se supervalorizam e desejam que o mundo se encaixe em sua visão não são boas companhias. Geralmente azedam o ambiente por onde passam, e logo precisam mudar de ambiente. Não se pode contar com elas para projetos sérios que não tenham sua grife pessoal. Estão sempre indo ao shopping de igrejas escolher uma que lhe seja mais agradável.

Nesta mentalidade, “igreja” deixou de ser a comunhão dos salvos, onde os remidos se reúnem para adorar a Deus e testemunhar de Jesus, e passou a ser uma prestadora de serviços. A ideia de muitos cristãos é esta: sua fé em Cristo lhes deu um cartão de crédito sem limites e elas cultivam a cultura do consumismo espiritual. Não foram salvas para servir a Deus e à igreja de Cristo, mas para serem agraciadas e servidas. Impressiona-me como as pessoas se queixam de igrejas! Na realidade, é o culto à vontade própria e a incapacidade de se relacionar com os outros que gera a maior parte dos queixumes. Sou reticente quando alguém briga em sua comunidade quer vir para a comunidade a que sirvo. Em vindo, será que não haverá o transplante de um problema? Porque pé de espinho é pé de espinho em qualquer canteiro… Não é a terra que produz espinho, mas a natureza da planta.

O número de servos nas igrejas diminuiu e surgiram coisas como “adoradores extravagantes”(!). Aliás, muitos querem ser adoradores. Poucos querem ser servos. Por que, em vez de “adorador extravagante” a pessoa não almeja ser “servo incondicional”? Poucos querem servir, mas muitos querem ser servidos. Muitos têm expectativas sobre como a igreja deve servi-los. Deveriam pensar: “Qual é a expectativa de Deus para minha vida?”. Ou: “O que Deus quer de mim?”. Mas sempre dizem o querem de Deus. Com isto há um número elevado de evangélicos no Brasil, mas poucos estão servindo mesmo a Deus. Muitos servem aos seus interesses. Há massa, mas sem qualidade espiritual.

Para muitos membros, frequência é opcional e a igreja não tem autoridade sobre eles. A igreja presta serviços, e elas, possuidoras de um cartão de crédito espiritual, escolhem qual lhes é mais adequada. Assim temos poucos engajados e muitos clientes. Gente assim se frustra, porque vida cristã não é isto. Gente assim não descobre a beleza de uma vida comprometida com Jesus. Prejudica a igreja local porque deixa de ser militante e passa a ser consumidor desengajado. E prejudica a obra de Deus porque é inútil. Não ajuda o reino.

A obra de Deus necessita de servos, não de clientes. De gente engajada e não de frequentadores episódicos e sem vínculos. A igreja precisa de quem a ame e não de quem a use. Ela é o corpo de Cristo na terra, e já foi bastante maltratada pelo mundo. Não deve ser pelos que dizem ser de Cristo.

Não vá ao shopping de igrejas. Vá à arena, lutar pelo evangelho e pelo nome de Jesus. Seja servo e não dono da igreja. Seja mais um e não “O Cara”. Sua vida será grandemente beneficiada. Quem encontra seu lugar e serve a Deus ali é uma pessoa realizada. Não tem tempo nem vontade de se queixar. O reino de também será beneficiado.

Uma geração de Soldados nus!

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.” - Efésios 6:11

Por Josemar Bessa

Como se combate como servo de Deus?  Jamais entre presunçosamente no campo de batalha, diz Paulo. Mas qual é o sinal da presunção? É a grande característica de nossos dias, a falta, o despreparo, o desprezo, a falta de zelo pela Palavra de Deus.

Sem conhecimento verdadeiro das doutrinas bíblicas, da verdade de Deus como Ele a revelou,  ninguém está combatendo, está apenas sendo presunçoso e louco. Não está firme, a despeito do misticismo, bravatas... tão comuns. Se você não está firme em todo o conselho de Deus, não conhece de fato a Palavra,  as doutrinas essenciais... pode dar razão delas... Então toda a sua confiança no poder de Deus para salvá-lo, toda essa confiança sem um compromisso inabalável com a verdade não passa de bravata e ilusão.

Confiar em Deus sem tomar a Armadura da Palavra em todas as suas peças, não passa de uma confiança carnal. Pois é motivado por uma ignorância sobre Deus, e, como resultado disso, uma ignorância sobre si mesmo. Ninguém tem devidamente uma confiança no poder de Deus se despreza os meios de combate determinados por Ele.

Se apressar para uma batalha com um espírito fanático, desprezar toda a armadura do soldado, ir nú para o combate... não é confiar em Deus, é desprezá-lo. Você não pode partir em nome do Senhor dos Exércitos sem a armadura que Ele concede – que é toda composta por Sua Palavra.

Vivemos numa época de tolos. Época em que muitos dizem confiar em Deus, esperar em sua misericórdia, desafiam o diabo e todas as suas obras... e fazem tudo isso como pobres criatura nuas... Não há armadura, que é Toda Verdade de Deus, sobre suas almas.

Para essa presunção tão comum em nossa geração Paulo levanta sua voz em advertência: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.” - Efésios 6:11 - para poder ficar de pé no dia mau...

Sem o conhecimento de toda Verdade de Deus, é impossível ficar firme, Paulo está dizendo, contra as “astutas ciladas” do diabo. É onde caiu a igreja dos Coríntios: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo.” - 2 Coríntios 11:3

Não basta nem mesmo ter uma armadura – ( sabedoria humana, estratégias...) – Ele deve ser a “armadura de Deus”. 

Não basta nem mesmo parte da Verdade de Deus. Deve ser “toda a armadura de Deus!”. 

Não adiante esperar que os outros façam isso por você, pois a ordem é: “Revesti-vos...” – Se revestir de Cristo é se revestir de toda a Verdade! 

Você está nu?

Fonte: Josemar Bessa

RELIGIÃO COMO ENFEITE

 
Por Isaltino Gomes Coelho Filho

Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que 
está nos céus” (Mateus 6.1)

Há um site de humor que mostra atrizes famosas, maquiadas, bem vestidas, enfeitadas, e exibe outra foto delas, ao natural, sem produção alguma, como se diz. A diferença é tão grande que muitas vezes nem se reconhece quem é. A imagem da pessoa enfeitada é bem diferente da pessoa real.

Acontece isto muitas vezes na área religiosa. As pessoas se enfeitam e aparecem como não são. Quando vistas na vida real, não há semelhança entre as duas imagens, a produzida, e a natural. Há muita religiosidade artificial, apenas enfeite na vida da pessoa. Serve para exibir uma imagem bonita aos outros, mas no fundo, a pessoa não é aquilo. Às vezes, a pessoa real é até feia.

Por exemplo: no culto há quem seja bem exagerado nos cânticos, com gestos e balanço de corpo, de modo que todos vejam sua participação, mas sua vida fora da igreja não condiz com o que canta. Há também a bondade exibicionista, em que o bem é feito para a pessoa mostrar aos demais como é generosa. Mas, no fundo, a pessoa não se importa muito com os sofredores.
Jesus advertiu contra isto, como vemos no texto que inicia nosso estudo. O bem que fazemos não deve ser para nossa exaltação, mas por amor ao bem. Quem faz coisas boas para ser visto não recebe recompensa de Deus Pai. Fez por vaidade e não por amor. Este é o princípio básico na caridade: fazer o bem por amor e não por exibição. Fazer o bem por causa do necessitado e não para ser admirado pelas pessoas, ou como ensinam algumas religiões, para comprar a Deus. Praticar o bem pelo bem. A bondade não deve ser utilitária, mas desprendida.

QUANDO, POIS …

Por isso Jesus diz: “Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa” (Mt 6.2). As esmolas faziam parte da religião de Jesus, em sua época. Além de a pobreza ser grande, não havia amparo social para órfãos, viúvas, deficientes, etc. As esmolas eram uma prática religiosa que ajudava essas pessoas a sobreviverem. Mas não deviam ser feitas ao som de trombetas.

A linguagem é figurada. Uma trombeta soando chama a atenção. Tem som forte e estridente que logo é ouvido. Quem a ouve, sem esperar, logo procura saber o que ouve. Os hipócritas faziam assim nas sinagogas. Davam esmolas como ato religioso, na casa de Deus, mas querendo que os homens vissem. E faziam também nas ruas, para que os passantes os notassem. Tanto na sinagoga como na rua, num prédio ou em lugar aberto, faziam questão que todos vissem seu gesto. “Para serem glorificados pelos homens” mostra seu objetivo: receber louvor dos homens. Por isso, como diz o versículo 1, não terão recompensa de Deus. Já receberam o que queriam, o elogio dos homens. Esta é a questão: fazemos as coisas para Deus ou para os homens? Para a glória de Deus ou nossa glória pessoal? Nossa vida cristã é direcionada para Deus ou para as pessoas?

O PADRÃO – DISCRIÇÃO

“Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 5.3-4). A mão direita não saber o que a esquerda faz era um provérbio popular da época de Jesus para mostrar a discrição nos atos. Quem ajuda alguém deve ser discreto. Os atos de bondade do seguidor de Jesus devem ser discretos.

Sendo discreta, a bondade não aceita o soar de trombetas. A atitude do alarido é humilhante para quem recebe a esmola. Ao invés de ser algo discreto, é mostrado a todos. E a pessoa que recebe ajuda fica numa situação desfavorável. Todos a vêem como um desgraçado ou pobretão, um miserável. A prática do bem é para Deus, não para auto-elogio de quem pratica nem para humilhação de quem recebe.

O exibicionista não recebe recompensa de Deus porque já recebeu os elogios dos homens, mas neste caso, sucede o oposto. Os homens não vêem, mas como foi feito para Deus, ele recompensa. Deus sabe quando foi feito para os outros e quando foi feito para ele. Deus gosta do “secreto”, daquilo que é feito sem trombeta. Por isso é bom evitarmos a religiosidade exibicionista, de maquiagem e arrumação para aparecermos bem diante dos outros.

E, QUANDO ORARDES…

Mas Jesus continua: “E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.5-6).

De esmolas ele encaminha seu assunto para a oração. De atos para com as pessoas, passa para a atitude diante de Deus. Os hipócritas gostavam de orar em pé nas ruas, bem mesmo nos cruzamentos de ruas. Não eram ruas como as nossas, mas eram muito movimentadas porque eram estreitas e as pessoas passavam a pé. De repente, o exibicionista parava no meio do caminho, levantava os braços, e começava a orar para que todos vissem sua espiritualidade. De novo a questão do exibicionismo, mas agora em nível mais dramático. Para quem esta pessoa orava? Para os outros ou para Deus? Para quem oramos, para quem cantamos, para quem desempenhamos tarefas na igreja? Para as pessoas verem nossa capacidade e nossa espiritualidade ou para Deus? Para sermos exaltados ou para bom relacionamento com Deus?

Mais uma vez Jesus mostra que quem age para ser visto pelas pessoas já recebeu sua recompensa. Deve-se orar para Deus, no secreto do quarto, que ele verá e recompensará. O Mestre não está invalidando a oração pública, pois ele orou em público. Nem dizendo que não se deve orar em pé. A posição que assumimos na oração é irrelevante. Qual era a posição de Jonas, no ventre do peixe? O que Jesus censura é a religião como enfeite, como um adorno para nossa vida. Tanto na prática do bem, que é a dimensão horizontal da religião, como na oração, que é a dimensão vertical da religião, ele nos mostra que devemos ser discretos.

TEU PAI, QUE VÊ EM SECRETO

Duas vezes Jesus usou esta expressão (vv. 4 e 6). Assim ele ressaltou bem uma realidade: o nosso relacionamento com Deus não precisa ser trombeteado, mas deve ser diretamente voltado para ele. Isto não exclui os atos de cultos, a freqüência à igreja, a comunhão com os irmãos. Mas nos lembra que Deus vê em secreto. Deus vê no íntimo. Disse bem Davi: “Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma” (Sl 51.6).

Deus deseja a verdade no íntimo. E nos conhece no íntimo. Ele sabe de nossas intenções. Jesus sabe quem somos, o que pensamos, o que está no nosso íntimo. Não é apenas o Pai que vê em secreto. O Filho conhece em secreto o que há dentro de nós: “E não necessitava de que alguém lhe desse testemunho do homem, pois bem sabia o que havia no homem” (Jo 2.25). Ele sabe de nossas intenções.

Por isso, preocupe-se em dar bom testemunho, em cultivar uma boa imagem junto às pessoas e em ter um procedimento correto diante delas. Mas não seja artificial nem hipócrita. Isto deve estar em seu coração, no seu íntimo. Não toque trombeta porque Deus não é surdo nem se ilude. Seja uma pessoa de fé, com bom relacionamento com Deus, e com boas ações, a partir de dentro. Não para se exibir às pessoas, mas como um ato de culto para com Deus.

CONCLUSÃO

O teólogo inglês John Stott cunhou uma expressão para designar o que ele considera uma doença da igreja contemporânea: “holofotite”. Segundo ele, é a ânsia que as pessoas têm em se colocar debaixo de holofotes para serem notadas e aplaudidas. Não seja assim conosco. Que os atos que mostram nossa fé sejam discretos. Que sejam vistos não para nosso engrandecimento, mas para a grandeza de Deus. Que ele brilhe, não nós.

Os reformadores usavam uma expressão latina, em seus escritos: Soli Deo gloria (“Para a glória de Deus”). Que seja um lema a reger nossos atos.

Martírio: o testemunho cristão

 
Por Jorge Fernandes Isah


Vejam bem, o Cristianismo bíblico sempre foi atacado e perseguido em todos os tempos. Os primeiros quatro séculos da era cristã foram de perseguição e morte para a igreja. Muitos perderam a própria vida por amor a Cristo, pois era-lhes impossível negar aquele que os amou eternamente e entregou-se a si mesmo por eles na cruz. Era-lhes preferível a morte física do que rejeitar o Salvador e Senhor e a fé. Por isso, muitos foram sacrificados, e mesmo colocados como objeto de diversão nas arenas romanas. Famílias inteiras eram presas, perdiam seus bens e eram lançadas às feras: leões e gladiadores.

Há exemplos na Bíblia, desde o sacrifício do próprio Senhor Jesus, crucificado e morto injustamente, passando por:

- Estevão [At 7.54-60] [2],

- pela dispersão da igreja [At 8.1-4],

- por Tiago, irmão de João o evangelista, morto pelas mãos de Herodes Agripa [AT 12.2],

- a prisão de Pedro pelo mesmo Herodes Agripa [At 12.3-11].

O significado da palavra martírio [cujo sentido desconhecia, e surpreendi-me ao descobri-lo] vem do grego martýrion, que remete-nos ao testemunho.

Comumente se usa o termo martírio para explicar, em forma figurada, uma aflição, tortura, tribulação, dor. Quando vemos alguém sofrendo muito, seja por uma doença ou por problemas pessoais com filhos ou parentes, dizemos que a vida dele é um martírio. Mas o sentido original do termo não era este.

Na cruz, Cristo nos deu o seu testemunho. Sendo santo e justo, morreu pelos injustos e pecadores, apagando os nossos pecados e nos reconciliando com Deus. Então, tem o significado de alguém que, por sua morte, testemunha o amor por outrem ou é capaz de morrer no lugar de outro, a substituição vicária. Um adendo: é importante ressaltar que Cristo foi um homem sem pecados ou máculas, o homem perfeito que, como Filho, em tudo agradou e serviu ao Pai. Portanto, ele não levou sobre si nada além dos pecados daqueles que o Pai entregou em suas mãos, ele nos substituiu, tomou o nosso lugar, pagando o preço que nos era impossível pagar. Ali, ele testemunhou o amor pelo Pai e por aqueles que o Pai entregou em suas mãos, pagando o preço com o seu sangue; testificando também o amor e a fidelidade do Pai para com o seu povo, a aliança eterna que realizou conosco por intermédio do seu Filho Amado. Ele, em todos os sentidos, é um mártir, ao nos unir completa e eternamente ao Pai, uma união indissolúvel e perfeita.

No aspecto moderno do termo, todo homem é um mártir em potencial, pois a vida, em decorrência do pecado, trará mais aflições e tribulações ao homem quanto maior o seu  distanciamento de Deus, e, quanto mais distante mais o sofrimento se acentua... A separação de Deus testemunha o sofrimento e a angústia que a vida rebelde projeta na alma do homem, refletindo nele a realidade da qual tenta desesperadamente evitar, revelando a impotência que insiste em não ver mas que se revela evidente.


Porém, nós, que somos filhos de Deus, podemos experimentar a dor e o sofrimento e a angustia de maneira diferente, pois, ainda que sejamos tão humanos como os rebeldes, temos o refrigério e o consolo divinos através dos seu Espírito, que nos consola e conforta com maravilhosas promessas, mas também pelo martírio dos santos que, a despeito de toda a perseguição e sofrimento, foram capacitados a rejeitarem a si mesmos em favor da obediência ao Senhor, na certeza de que Deus, nos momentos mais difíceis, cuida e jamais abandona os seus filhos... O que nos remete, invariavelmente, à ordem de Cristo de segui-lo, tomando a nossa cruz e negando-nos a nós mesmos. 


Um exemplo, que sempre me chamou a atenção, foi o de Pedro. No livro de Atos, após a morte de Tiago, ele foi preso pelo rei Agripa, que pretendia martirizá-lo para satisfazer ao desejo homicida do povo de Israel. Contudo, maravilhosamente, sabendo que morreria no dia seguinte, Pedro, algemado entre dois soldados e com guardas à porta para escoltá-lo até o local da execução, dormiu tranquilamente, de forma que foi necessário o anjo do Senhor tocar na sua ilharga para acordá-lo.

Podemos imaginar o que Pedro pensava da sua condição?

E nós, como portaríamos em seu lugar?

Pedro estava disposto a se sacrificar, a testemunhar com a própria vida a vida que Cristo lhe dera. Interessante que no A.T. as ovelhas eram sacrificadas para anular os pecados do povo de Israel. O sacrifício de Cristo veio livrar-nos e apagar definitivamente os nossos pecados, trazendo para si um povo. E agora Pedro estava disposto a seguir o exemplo do Senhor e morrer em nome daquele que lhe dera perdão e vida. O martírio era um testemunho de que nada neste mundo poderia impedi-lo de servir ao seu Senhor.

Pedro deu-nos uma demonstração de fé, de que mesmo na morte é possível perder a vida para louvar e bendizer o nome do Senhor. Não foi isso o que o Senhor disse? Aquele que guardar a sua vida  perde-la-á, o que perdê-la ganha-la-á [Mt 16.25]. Pedro se importava com a sua vida apenas se ela servisse para a obra do Senhor, usá-la para louvor do seu nome santo; não havia outro motivo pelo qual guardá-la, e mesmo na morte ele não a perderia.

No ano 391 da era cristã, um monge chamado Telêmaco foi a Roma, após ter ouvido o chamado de Deus para ir até lá. Entrando na cidade, em dado momento, ele se viu cercado por uma turba de pessoas alvoroçadas, e impelido por elas, entrou no Coliseu onde se reiniciariam os jogos dos gladiadores. Constantino havia proibido a morte nas arenas setenta anos antes, mas o novo imperador, por pressão popular, decidiu legalizá-los novamente. Ao ver a fúria dos gladiadores lutando e matando-se mutuamente, o velho monge desceu as escadarias e entrou na arena se colocando entre os lutadores, dizendo: "Em nome de Cristo, parem!". A turba se enfureceu com ele e incitou os gladiadores a hostilizá-lo. Colocado de lado por um deles, ao ver a luta se reiniciar, colocou-se novamente entre os dois, e foi atingido mortalmente por um golpe de espada. A turba, até então ruidosa, calou-se. Em meio ao silêncio das 80.000 pessoas pode-se ainda ouvir o moribundo dizer: "Em nome de Cristo, parem!". Um a um os espectadores sairam em silêncio. Com a morte de Telêmaco, definitivamente os jogos de gladiadores foram extintos no Império Romano.

Hoje os testemunhos, com raras exceções, são meros discursos ou palavreado vazio e sem sentido, onde, na maioria das vezes, o que se diz é diametralmente oposto ao que se faz. Cristo viu isso em seu tempo entre os fariseus, os mestres de Israel. Ele disse ao povo para segui-los no que diziam, que era a própria revelação de Deus, mas jamais fazer ou agir como eles faziam e agiam. Utilizavam-se da retórica para, erroneamente, proclamar algo que vai muito além das palavras. Sabemos que sem a linguagem humana o Evangelho não seria proclamado. Mas, muitas vezes, o testemunho [e lembre-se que testemunho é sinônimo de martírio] falará muito mais do que um milhão de palavras. O testemunho de Cristo falou por si mesmo. Assim como os já citados.

Na teologia há um termo que se chama "ortopraxia", o qual refere-se à prática correta. É preciso aliar a teologia correta ou a crença correta [ortodoxia] com a prática correta. Penso que Tiago [Tg 2.18], ao se referir às obras mortas, falava exatamente disso, do discurso vazio que se acomoda intelectualmente mas não produz resultado prático ou os frutos aos quais o Senhor Jesus se referiu. E como toda a árvore que não dá bons frutos é cortada e lançada no fogo eterno, assim será para os que têm o correto na mente mas não o aplicam no seu dia-a-dia. Eles enganam a si mesmos [Mt 7.15-20].

Então, gostaria de finalizar com um trecho da biografia do pr. William Carey. Em uma carta, escrita em 17.08.1831, escrita a Jabez Carey, quando estava em Serampore, Índia, ele disse:

"Hoje estou fazendo setenta anos, o que é um monumento à misericórdia e bondade divina, apesar de, numa revista de minha vida, eu encontrar muitas coisas pelas quais devia ser humilhado no pó. Meus pecados ostensivos e concretos são inumeráveis, minha negligência no trabalho do Senhor foi grande, não promovi sua causa nem busquei sua glória e honra como deveria. Apesar de tudo isso fui poupado até agora e ainda sou mantido em sua obra, queria ser mais consagrado ao seu serviço, mais santificado, praticando as virtudes cristãs e produzindo frutos de justiça, para louvor e honra do Salvador que deu sua vida em sacrifício pelo pecado".


Que cada um de nós seja capaz de testemunhar, até o sangue se preciso, a gratidão a Deus pelo amor infinito com que nos amou.
 
Notas: 1- Aula realizada na E.B.D. do Tabernáculo Batista Bíblico;
2- Este trecho, e algumas passagens não citadas no presente texto, encontra-se melhor explicado no áudio da aula;
3- Baixe o áudio desta aula em Aula 37.MP3
 
Fonte: Kálamos