domingo, 4 de janeiro de 2026

A MESA DO SENHOR, OU A MESA DOS DEMÔNIOS?

Pr. Cleber Montes Moreira

“Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.” (1 Coríntios 10:21)

Ao navegar pela internet logo no início do ano, deparei-me com inúmeras notícias e postagens mostrando como pessoas e grupos religiosos passaram a virada do ano. Muitos repetiram o ritual de vestir branco e aguardar a chegada de 2026 à beira-mar. O que chama atenção é que, entre eles, estavam também pessoas que se dizem cristãs, conscientes ou não do significado dessa prática. Abandonaram o ajuntamento cristão e o culto ao Deus verdadeiro para iniciar o ano misturados àqueles que seguem outras crenças e adoram outros deuses.

Isso levanta uma pergunta que me inquieta profundamente: por que alguns preferem passar a virada do ano longe do ajuntamento da família de Deus? Essa escolha não é neutra. Ela revela mais do que uma simples preferência de lugar; expõe um afastamento da doutrina bíblica, da comunhão dos santos e, sobretudo, da centralidade de Deus na vida. Quando o cristão troca o culto por um ambiente que contradiz sua fé, ele precisa avaliar seu relacionamento com Deus à luz das Escrituras e arrepender-se urgentemente.

O costume de vestir branco no Réveillon, especialmente em ambientes litorâneos, é uma prática amplamente difundida no Brasil e possui raízes claras nas religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. Historicamente, o uso do branco está associado à reverência a Oxalá, enquanto a ida à praia relaciona-se ao culto a Iemanjá, com oferendas feitas às águas em busca de proteção, paz e prosperidade. Para o cristão, porém, essa prática exige discernimento espiritual. A purificação, a paz e a esperança para um novo tempo não procedem de cores, roupas, datas ou rituais, mas da obra completa e suficiente de Cristo na cruz. “O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 João 1:7). Quando símbolos e práticas religiosas alheias à fé bíblica são incorporados, ainda que sob o pretexto de tradição cultural, abre-se espaço para o perigoso sincretismo, que atribui a elementos da criação e a falsas divindades uma confiança que pertence exclusivamente ao Senhor.

Este texto não é um ataque à liberdade religiosa daqueles que seguem outras doutrinas. É, antes, um chamado à fidelidade dos que afirmam servir ao Deus da Bíblia. O Senhor declara: “Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; e a minha glória não darei a outrem” (Isaías 42:8). Ele condena a vida dividida, pois “ninguém pode servir a dois senhores” (Mateus 6:24), e adverte que “a amizade do mundo é inimizade contra Deus” (Tiago 4:4). O Deus santo não aceita um coração dividido entre Ele e os ídolos, sejam eles explícitos ou disfarçados de costumes sociais.

Confesso que ficaria profundamente entristecido se um amigo que se diz cristão, ou mesmo uma ovelha sob cuidado pastoral, fosse visto atravessando a virada do ano praticando rituais que contradizem a fé bíblica. Da mesma forma, entristece-me ver aqueles que trocam o culto por ambientes marcados por embriaguez, linguagem torpe ou shows seculares onde o nome de Deus não é honrado. Essas escolhas não são meramente circunstanciais; elas revelam valores, prioridades e, em última instância, o caráter espiritual de cada um.

O apóstolo Paulo é claro e incisivo ao nos advertir: “Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1 Coríntios 10:21). Ele afirma que tal postura provoca o Senhor ao ciúme e, em seguida, apela à consciência cristã: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” (1 Coríntios 10:23). A pergunta que permanece é inevitável: suas escolhas edificam sua fé e glorificam a Deus?

Suas crenças, suas decisões e seu modo de viver glorificam o Deus verdadeiro ou acabam exaltando outros “deuses”? À luz da Palavra, cada cristão é chamado a examinar a si mesmo e a decidir, com temor e fidelidade, de qual mesa realmente participa. 

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