sexta-feira, 2 de agosto de 2024

A PARÁBOLA DA VIÚVA IMPORTUNA - Lucas 18.1-8

Por Pr Silas Figueira

Texto base: Lucas 18.1-8

INTRODUÇÃO

A Bíblia ensina, tanto por preceito como por exemplo, que a oração abrange muitos assuntos diferentes. Mas um elemento muitas vezes esquecido da oração, é a oração para o retorno do Senhor Jesus Cristo. Jesus revela para os seus discípulos que os dias que viriam após sua Ascenção seriam dias difíceis para a Igreja, e os Seus discípulos deveriam ser perseverantes na oração.  

Quando lemos esta parábola, observamos que ela está ligada ao discurso anterior, que fala a respeito do retorno de Cristo. Portanto, vemos que a oração é prescrita como um remédio para que ninguém esmoreça nos difíceis dias vindouros – os dias do cerco de Jerusalém, os dias que precederão a segunda vinda de Jesus e todos os outros dias desesperadores. Quando Jesus fosse levado da terra, a Igreja seria como a viúva na parábola. Mas a oração seria o seu meio de suporte e alívio. [1]

William Hendriksen corroborando com esse argumento diz que Jesus revela aos seus discípulos que, durante o longo e cada vez mais difícil período de tempo que precederá a volta do Filho do homem (veja Lc 17.22,23), seus seguidores na terra, ao longo da História, em vez de esmorecer, devem perseverar em oração. [2]

John MacArthur diz que esta parábola é um encorajamento para cristãos que vivem em tempos ruins, que veem como o mundo fica cada vez mais hostil, que sentem a aproximação do juízo, que se sentem sozinhos e isolados “como foi nos dias de Noé” (Lc 17.26) e “como foi também nos dias de Ló” (v. 28). Em outras palavras, essa história se aplica especificamente a tempos como os nossos. Os dias são ruins. As necessidades são críticas. Nossa oração deveria ser urgente, fervorosa e persistente. Não podemos desanimar. [3]

Com isso em mente, vamos analisar esta parábola.

1 – OS DISCÍPULOS SÃO INCENTIVADOS A SEREM PERSEVERANTES NA ORAÇÃO (Lc 18.1). 

Como disse Matthew Henry: “Esta parábola tem a sua chave pendurada na porta; o sentido e o plano dela são prefixados. Cristo a disse com esta intenção, para nos ensinar que os homens deveriam orar sempre e nunca desfalecer”. [4]

Por que devemos ser perseverantes na oração? Vejamos algumas razões.

Primeiro, a oração renova a nossa fé. Perseverar em oração exige fé, pois quando estamos orando, nós estamos na presença de Deus crendo no Seu agir a nosso favor. Quando deixamos de orar, nós descremos do Seu agir. Os fortes não oram, os fracos se colocam diante de Deus em oração, pois sabem que só Ele pode os socorrer. Por isso devemos orar. Kenneth Bailey enfatiza que os fiéis devem ser persistentes na oração não apenas em relação à intenção de Deus na história, mas devem buscá-lo sempre que Ele parecer distante e a confiança do crente vacilar. A solução para o medo é a oração. [5]  

Como disse John C. Ryle: “A oração é a própria respiração do verdadeiro crente. O cristianismo autêntico começa e floresce na prática da oração; ou decai na falta dela”. [6]

Segundo, a oração nos torna mais humildes. À medida que oramos, nós nos colocamos diante daquele que pode nos socorrer, nos confortar e trazer paz ao coração. Quando oramos, cai por terra nosso orgulho, nosso eu, nossa autoconfiança. A oração é o grito de socorro de uma pessoa que reconhece a sua pequenez; que reconhece a sua total dependência de Deus.

Terceiro, a oração revela a vontade de Deus para nossas vidas (1Jo 5.14). “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve”. Eu só posso saber qual é a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus para minha vida (Rm 12.2), mediante a leitura das Escrituras e a oração.

Muitas pessoas ficam frustradas com Deus quando suas orações não são respondidas, mas muitas dessas pessoas não têm o hábito de ler as Escrituras para saber o que Deus quer dos Seus servos mediante a Sua Palavra. Por exemplo, quando Elias desafiou Acabe, dizendo que não iria chover, ele fez não fez isso no calor da sua emoção. Ele o fez segundo o que estava escrito nas Escrituras. Havia uma passagem específica que parece ter chamado a atenção de Elias: “Guardai-vos não suceda que o vosso coração se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prostreis perante eles; que a ira do SENHOR se acenda contra vós outros, e feche ele os céus, e não haja chuva, e a terra não dê a sua messe” (Dt 11.16,17).

Quarto, o Espírito Santo nos auxilia na oração. Veja o que o apóstolo Paulo nos fala em Rm 8.26,27: “Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus”.

Quando estamos em fervente oração, nós estamos sendo assistidos pelo Espírito Santo. A oração do Espírito Santo é intensa, eficaz e agônica. Ele intercede com “gemidos inexprimíveis”. Gemido é uma expressão de dor. Gememos quando não conseguimos expressar em palavras nossos sentimentos intensos. E assim que o Espírito intercede por nós, em nós, ao Deus que está sobre nós. Aquele que conhece todas as línguas, idiomas e dialetos de todos os povos, de todos os tempos, ora por nós com tal agonia que o faz com gemidos inexprimíveis. [7]

Devemos destacar que essa exortação lucana é dirigida a uma comunidade madura da oitava ou nona década do primeiro século. Os desafios da vida como igreja em um mundo hostil é a realidade diária deles. [8] Em pleno século XXI nós continuamos enfrentando perseguições e adversidades. Em alguns países, tortura e morte por causa de Jesus. O mundo não se cristianizou, o mundo continua jaz no maligno. E a tendência é caminharmos para dias piores. Por isso que está parábola é tão atual quanto foi no primeiro século.

Quinto, a oração nos ajuda a lutarmos contra o pecado. Até a volta do Senhor os discípulos vivem combatendo o pecado, motivo pelo qual não devem desistir da luta de oração e súplica antes de atingir o alvo. Essa exortação do Senhor aos discípulos evoca aquelas palavras de Mc 13.33: “Estai de sobreaviso, vigiai e orai!”, que também foram acrescentadas diretamente ao anúncio de sua volta. Ao analisar o mesmo assunto, Lucas ainda traz a aplicação prática: “Vigiai, pois, a todo tempo, orando!” (Lc 21.36). Portanto, a exortação à oração persistente está estreitamente ligada à expectativa da volta do Senhor [9] e uma vida de santidade.

Sexto, Deus adia as respostas às nossas orações a fim de que nossos motivos e alvos sejam purificados. Nada recebemos porque pedimos erradamente, por motivos egoísticos, de forma ignorante ou estúpida.         

2 – JESUS MOSTRA QUE A JUSTIÇA NESSE MUNDO É FALHA (Lc 18.2,3). 

No segundo livro de Crônicas 19.4-6 nos diz que “o rei Jeosafá estabeleceu juízes na terra, em todas as cidades fortificadas, de cidade em cidade. E disse aos juízes: Vede o que fazeis; porque não julgais da parte do homem, senão da parte do Senhor, e ele está convosco quando julgardes”.

Jeosafá agiu de acordo com a Lei que o Senhor estabelecera. Por ser um rei temente a Deus, ele procurou estabelecer a lei e a ordem de acordo com a justiça divina, e lembrou a esses juízes que o Senhor estava vendo como eles estariam julgando.

Não sabemos muita coisa acerca do sistema judicial que vigorava nas aldeias da Palestina, mas esta parábola indica que, em certos casos, as vilas menores podiam ser controladas por um único indivíduo, e que a justiça ou a injustiça poderiam depender das disposições desse único homem. [10]

John MacArthur diz que

Roma havia nomeado magistrados locais e juízes para as aldeias – autoridades municipais que julgavam casos criminais e defendiam os interesses de César. Eram os piores de todos, famosos por sua falta de moral e escrúpulos. Recebiam salários altos pagos pelo tesouro do templo, apesar de serem gentios e incrédulos. Os judeus costumavam tratá-los com o mesmo desdém profundo que demonstravam aos coletores de impostos. Seu título oficial era “Juiz de Proibição”, mas, com a alteração de uma única letra em aramaico, os judeus se referiam a eles como “juízes-ladrões”.

A descrição do juiz feita por Jesus nessa parábola deixa claro que ele era um desses nomeados pelos romanos. Ele “não temia a Deus nem se importava com os homens” (Lucas 18.2). Isso é uma caracterização bem escolhida. [11]

Com isso em mente, podemos destacar algumas lições.

Primeiro, Jesus apresenta um juiz que não temia a Deus e não respeitava o povo (Lc 18.2). Bailey diz que o problema desse juiz não é que ele não “respeita” outras pessoas no sentido de respeitar alguém de outra cultura ou posição elevada. Ao contrário, é um caso de incapacidade de sentir a maldade de suas ações na presença de alguém que possa fazê-lo ficar envergonhado... mesmo que o mundo todo grite: “Que vergonha!”, mas isso não causará nenhuma impressão sobre ele. [12] Esse é um indivíduo totalmente carente de qualquer emoção, de qualquer empatia. Este juiz é um ímpio e sociopata.  

Como falamos acima, este é um juiz provavelmente gentio. Embora, a corte religiosa mais alta em Israel era o Grande Sinédrio, que consistia em 71 juízes (todos eles líderes religiosos considerados especialistas da lei e da tradição oral do Antigo Testamento), no entanto, era uma instituição profundamente injusta e corrupta. Tanto que matou Jesus e perseguiu a Igreja. Era uma instituição vendida à Roma.

Não diferente dos nossos dias em que prevalece a injustiça, porque muitos bandidos estão usando toga e regem as comarcas do nosso país. Por isso, a injustiça prevalece e a justiça tem os olhos vendados de vergonha. A impiedade no lugar do juízo foi um dos males mais cruéis que Salomão viu debaixo do sol, Eclesiastes 3.16. O tempo passa e a malignidade no coração do homem só aumenta.

Segundo, Jesus apresenta uma viúva que pede justiça para si (Lc 18.3). Essa viúva tinha sido tratada de forma injusta. Alguém poderia ter tirado o pouco que ela possuía. Ou, talvez, a tivesse impedido de receber o que lhe correspondia. Por isso ela foi ao juiz, esperando que este confirmasse sua reclamação e lhe desse o que a justiça demandava. Provavelmente isso também implicaria o castigo para o oponente, mas a ênfase é, antes, sobre a urgente petição da viúva injustiçada de receber o que lhe era devido. [13]

No entanto, não seria tão fácil para esta pobre viúva alcançar a justiça esperada. Wiersbe destaca que esta viúva teve que superara alguns obstáculos. Em primeiro lugar, pelo fato de ser mulher, praticamente não existia perante a lei. Na sociedade palestina do tempo de Jesus, as mulheres não pleiteavam suas causas. Em segundo lugar, uma vez que era viúva, não tinha um marido para representá-la no tribunal. Por fim, era pobre e, nem que quisesse, não poderia pagar suborno. Não é de se admirar que as viúvas pobres não recebessem o amparo legal que lhes era devido! [14]

John MacArthur também destaca que naquela cultura, os tribunais pertenciam exclusivamente aos homens. Uma mulher jamais teria apelado a um juiz caso houvesse um homem em sua vida. Seu marido estava morto; evidentemente, ela não tinha irmão, cunhado, filho, primo, sobrinho, um parente homem distante ou algum vizinho próximo que pudesse ter defendido sua causa. Ela representa os pobres, impotentes, desprovidos, humildes, anônimos, não amados ou desesperados. [15]

A injustiça jurídica ainda prevalece em nossos dias. Aqueles que não têm recursos, geralmente, ainda são injustiçados. A corda ainda arrebenta no lado mais fraco. Se nós crermos que o nosso Senhor é o Justo Juiz, e que Ele defende a nossa causa, ainda que não seja nessa vida, mas na vindoura, há muito tempo já teríamos desistido de servi-lo. A injustiça prevalece e continuará prevalecer até a volta do Senhor. A justiça até pode prevalecer, mas é raro isso ocorrer. E eu não estou sendo pessimista, mas realista.

3 – DEUS NÃO É UM JUIZ INÍQUO QUE NÃO ATENDE AOS SEUS ESCOLHIDOS (Lc 18.4-8). 

Deus não é como esse juiz, pois é um Pai amoroso, que atenta para todas as nossas súplicas, sendo generoso em suas dádivas e se preocupando com nossas necessidades, pronto a supri-las quando clamarmos. Deus responde às orações para sua glória e para nosso bem e nunca se aborrece quando o buscamos. [16]

Com isso mente, podemos destacar algumas lições.

Primeiro, a persistência da viúva mudou o injusto juiz (Lc 18.4,5). O historiador Plutarco (46 d.C. – 120 d.C.), fala de uma mulher velha pobre que implorou por justiça a Filipe da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande, sem sucesso. Quando Filipe disse à mulher que não tinha tempo para ela, ela declarou: “Então abra mão de ser rei!” Filipe, surpreso, prosseguiu para ouvir o caso dela e também de outros. [17]

Leon Morris diz que a persistência dessa pobre viúva finalmente esgotou o juiz. No fim, fez conforme ela pedia, pois, nenhum motivo mais nobre do que se ver livre dela. Ele não queria que ela viesse a molestá-lo. [18] O termo grego aqui utilizado para “molestar” aqui utilizado é hypopiazein, “bater abaixo dos olhos”. O sentido da expressão é, como em 1Co 9.27, um verdadeiro golpear. O juiz, e não o narrador da parábola, descreve a viúva cinicamente como uma fúria. Teme uma intensificação do assédio dela a ponto de lhe “golpear a face”. [19]

Ele sabia que era um desgraçado. Mas a viúva o estava aborrecendo. Ele podia simplesmente calá-la acatando o seu apelo. Assim, resolveu fazer isso para que ela parasse de vir o tempo todo. A palavra continuamente traduz duas expressões no texto grego: eis telos. Significa literalmente: “até o fim” ou “infinitamente”. É uma expressão comum na Bíblia, que significa “para sempre”. O juiz estava, portanto, pensando: “Ela continuará vindo para sempre, e me cansará”. [20]

Segundo, a oração não é um pedido de um desconhecido a um magistrado injusto (Lc 18.6,7). A viúva não tinha acesso ao juiz; nós temos livre acesso ao trono da graça, por meio de Cristo. A viúva não tinha amigo algum no tribunal; nós temos junto ao Pai, Jesus Cristo, o Advogado, o Justo. Ele é o nosso grande Sumo Sacerdote que nos assiste em nossa fraqueza. Ela não tinha nenhuma garantia ou promessa do juiz em atender à sua causa; nós temos as Escrituras com centenas de promessas do cuidado generoso de Deus. A viúva dirigiu-se a um tribunal, mas nós entramos confiadamente no trono da graça (Hb 4.14-16). [21]

Se um juiz injusto concede o pedido por causa da persistência do requerente, quanto mais o Pai celestial irá responder à persistência de quem o pede? A comparação é particularmente potente. Esse é um contraste não só do humano e do divino, mas do injusto e do santo. Se um homem injusto sabe como fazer o bem, quanto mais saberia o Deus santo? [22]

Terceiro, o Senhor responderá as nossas orações em tempo oportuno (Lc 18.8a). Deus tem um povo eleito, que desfruta de seu cuidado especial. O Senhor Jesus declarou que “fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite”; e continuou: “Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça”. Enquanto o juiz iníquo tinha de ser molestado durante um longo tempo antes de, finalmente e de má vontade, agir, Deus não vai demorar, mas agirá depressa. [23]

É possível que surja a pergunta: “A palavra depressa não está em conflito com o fato de que o regresso do Filho do homem para julgar ainda não se concretizou?” A resposta deve ser: “O Senhor não retarda sua promessa segundo alguns a têm por demorada, senão que ele é paciente (ou longânimo) para conosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3.9).

Quarto, Jesus faz uma pergunta perturbadora (Lc 18.8b). “Quando, porém, vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” Charles L. Childers destaca que a pergunta de Jesus não era para ser respondida. Ela não poderia ser respondida por ninguém, além de Deus; ela foi feita como um aviso, para que o aparente atraso da volta do Senhor não se tornasse uma ocasião para a dúvida. A última resposta será dada pelos cristãos. A resposta pode ser: “Sim, haverá fé”, se determinarmos resistir às sugestões de dúvida de Satanás. Podemos ficar mais perto do Senhor, de modo que a fé se torne o resultado natural do nosso relacionamento íntimo com Ele. [24]

Wiersbe é enfático em dizer que não haverá grande fé no fim dos tempos. Oito pessoas foram salvas no tempo de Noé e somente quatro em Sodoma (e uma delas pereceu no caminho). Passagens como 1 Timóteo 4 e 2 Timóteo 3 apresentam um retrato sombrio dos últimos dias. [25]

John MacArthur diz que é impossível viver a vida cristã fielmente a não ser que seja à luz da segunda vinda. Conhecer o final da história nos dá confiança e estabilidade. Como diz Paulo: “sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil” (1Co 15.58). [26] 

CONCLUSÃO 

Jesus conclui esta parábola fazendo uma pergunta, quando Ele voltar, Ele vai encontrar alguém orando fielmente na ânsia para a segunda vinda? Qualquer que amam a sua vinda, certamente gritarão: “Maranata” (“ora vem Senhor Jesus) (1Co 1.22).

Algumas pessoas pensam que a escatologia (a doutrina das últimas coisas), é mera especulação sensacionalista com pouco valor prático. Mas, como o ensinamento do Senhor nesta passagem indica, nada poderia estar mais longe da verdade. Os ensinos de Paulo a igreja de Tessalônica enfatiza ainda mais a importância e valor prático do ensino sobre o fim dos tempos. As duas epístolas do apóstolo Paulo a eles revelam que no breve tempo que passou com eles (cf. Atos 17.1,2), ele ensinou-lhes uma escatologia surpreendentemente abrangente (2Ts. 2.5).

Que a nossa oração seja como o Senhor nos mostrou nesta parábola. Orar para que Seu retorno seja muito em breve. Que possamos entender que não tem como o mundo melhorar, pelo contrário, estamos indo de mal a pior (2Tm 3.13). Como Jesus deixou bem claro para Sua Igreja, que na época de Sua vinda o mundo estará como nos dias de Noé e nos dias de Ló.

Pense nisso!           

Bibliografia:

1 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 466.

2 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, SP, 2003, p. 376.

3 – MacArthur, John. As Parábolas de Jesus, Ed. Thomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2018, p. 212.

4 – Henry, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento Mateus a João, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2008, p. 678.

5 – Bailey, Kenneth. As Parábolas de Lucas, Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1985, p. 310.

6 – Ryle, J. C. Meditações no Evangelho de Lucas, Ed. FIEL, São José dos Campos, SP, 2002, p. 287.

7 – Lopes, Hernandes Dias. Romanos, o evangelho segundo Paulo, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2010, p. 308.

8 – Neale, David A. Lucas, 9 – 24, Novo Comentário Beacon, Ed. Central Gospel, Rio de Janeiro, RJ, 2015, p. 206. 

9 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005, p. 365.

10 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, Vol. 2, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 173.

11 – MacArthur, John. As Parábolas de Jesus, Ed. Thomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2018, p. 214.

12 – Bailey, Kenneth. As Parábolas de Lucas, Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1985, p. 312.

13 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, SP, 2003, p. 378.

14 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 321.

15 – MacArthur, John. As Parábolas de Jesus, Ed. Thomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2018, p. 215.

16 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 322.

17 – Edwards, James R. O Comentário de Lucas, Ed. Shedd, Sto Amaro, SP, 2019, p. 629.

18 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 247.

19 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005, p. 365.

20 – MacArthur, John. As Parábolas de Jesus, Ed. Thomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2018, p. 218.

21 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 509.

22 – Neale, David A. Lucas, 9 – 24, Novo Comentário Beacon, Ed. Central Gospel, Rio de Janeiro, RJ, 2015, p. 206.

23 – Evans, Craig A. O Novo Comentário Bíblico Contemporâneo, Lucas, Ed. Vida, São Paulo, SP, 1996, p. 304.

24 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 467.

25 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 323.

26 – MacArthur, John. As Parábolas de Jesus, Ed. Thomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2018, p. 223. 

segunda-feira, 6 de maio de 2024

JESUS VOLTARÁ - Lucas 17.20-37

Por Pr Silas Figueira

INTRODUÇÃO

A pergunta dos fariseus alicerçava-se sobre um conceito bem formal do reino divino, que para eles na verdade deve ser equiparado ao “reino messiânico”. [1] Eles acreditavam que este seria um reino literal que reavivaria o poder político judaico, livrando-os do jugo romano e fazendo dos judeus os senhores do mundo. [2]

Essa pergunta dos fariseus dá oportunidade a Jesus de ensinar verdades solenes sobre o reino de Deus e sua segunda vinda.

Vejamos o que Jesus ensinou a respeito do reino de Deus. 

1 – O REINO DE DEUS NÃO É UM REINO POLÍTICO (Lc 17.20,21).

A resposta de Jesus torna claro que o reino é diferente de quaisquer reinos com os quais os fariseus tinham familiaridade. [3]

Com isso em mente, podemos destacar algumas lições.

Em primeiro lugar, uma má interpretação das Escrituras gera expectativas erradas. William Hendriksen destaca que os fariseus e seus muitos seguidores estavam esperando a chegada de um reino exterior, terreno, visível, um reino no qual os judeus ocupariam um lugar muito proeminente. Eles mal podiam esperar sua vinda. [4] Creio que a resposta de Jesus tenha deixado os fariseus, e talvez alguns de seus discípulos, frustrados, pois esta era a expectativa de toda nação. Jesus não veio ao mundo para estabelecer o reino universal; Ele já era Rei sobre esse reino (cf. Mt 28.18; Ef 1.20,21), e isso foi demonstrado mediante Seu poder sobre a morte, as doenças e a criação. Jesus veio para fornecer acesso ao Seu reino espiritual para o seu povo. Mas o povo judeu não entendeu isso, e estavam esperando o Messias para estabelecer um reino temporal, um reino terreno.

Wiersbe destaca que a pergunta dos fariseus foi válida, mas também infeliz, pois Jesus havia ministrado no meio deles por cerca de três anos e ainda se encontravam em trevas espirituais. Não entendiam a natureza de Jesus nem da obra que realizava. Suas ideias acerca do reino eram políticas, não espirituais. [5]

Uma má interpretação das Escrituras leva as pessoas se frustrarem com Deus. Muitos creem de forma errada e depositam sua fé em promessas que Deus não fez. Mas Deus não tem compromisso com que não falou e nem prometeu.

O Brasil, e porque não dizer a “igreja”, viveu na expectativa de um “messias” político. Depositou sua fé em um homem, ou pelo menos, em sua ideologia, e se esqueceu de que o papel da Igreja é entender e viver o Reino de Deus de forma espiritual. Alguns chegaram à beira da idolatria. Por isso que o Senhor frustrou seus sonhos, pois Deus não divide a Sua glória.

Em segundo lugar, o reino de Deus não virá de forma externa (Lc 17.20,21). Não obstante, Jesus indica em sua resposta que eles abrigavam um conceito errôneo a respeito da natureza do reino, como se ele fosse chegar com proclamações estrondosas, corcéis imponentes, exércitos em marcha, música marcial; em suma, “exibição externa!” [6] A única forma externa revelada foi a “coroação” de Jesus na cruz do Calvário. Quando estava estabelecendo o Seu reino derrotando Satanás, levando sobre si os nossos pecados e nos fazendo reis e sacerdotes (Ap 1.6).

Em terceiro lugar, Jesus enfatiza que o reino de Deus se manifesta de forma interna (Lc 17.21). John C. Ryle destaca que a expressão de nosso Senhor descreve com exatidão o início de seu reino espiritual. 

Começou em uma manjedoura, em Belém, sem o conhecimento dos grandes, dos ricos e dos sábios. Apareceu de repente no templo em Jerusalém, e somente Ana e Simeão reconheceram seu Rei. Trinta anos depois, foi recebido somente por um pequeno grupo de pescadores e publicanos, na Galileia. Os principais sacerdotes e fariseus não puderam vê-lo. O Rei veio para o que era seu, mas os seus não O receberam. Durante muito tempo, os judeus confessavam estar aguardando o reino; porém, olhavam na direção errada. Não tinham qualquer garantia para os sinais que estavam aguardando. O reino de Deus estava no meio deles. Apesar disso, não o puderam ver. [7] 

David Neale diz que para Lucas, toda a expectativa do Reino de Deus deve estar fundamentada na mensagem de Moisés e dos profetas. Essas expectativas incluem a compaixão pelos marginalizados. Elas não incluem uma correspondente hegemonia religiosa, nacional ou racial. Lembre-se da resposta dos mensageiros de João Batista: “os cegos veem, os aleijados andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e as boas novas são pregadas aos pobres” (Lc 7.22). Tudo isso já ocorreu e está ocorrendo no presente Reino de Deus. Para o Jesus de Lucas, é um erro pensar no Reino como uma realidade política. [8]

O reino de Deus é uma realidade espiritual invisível. Está entre nós e dentro de nós. Ou seja, onde uma pessoa se submete ao governo de Deus, onde um indivíduo se rende ao senhorio de Cristo, aí chegou o reino de Deus. [9] 

2 – A SEGUNDA VINDA DE CRISTO É UMA REALIDADE (Lc 17.22-37). 

Tendo respondido à pergunta dos fariseus, Jesus volta-se, então, para seus discípulos, a fim de instruí-los sobre a vinda do reino. O Mestre os adverte a não se tornarem tão obcecados por sua volta a ponto de não fazer outra coisa senão procurar sinais disso. [10]

Várias seitas surgiram exatamente por viverem em função dessa expectativa e marcarem datas para o advento de Cristo. Entre essas seitas estão os Adventistas, as Testemunhas de Jeová. Essas são as mais proeminentes.

A. W. Tozer diz que embora tenhamos a certeza de que Jesus voltará, não sabemos quando isso ocorrerá. Essa é a questão. Somos incapazes de prever esse momento. Desde os dias apostólicos, não existiu alguém suficientemente capaz de ou instruído nas escrituras para saber, exatamente, o dia e a hora da segunda vinda de Jesus. Todas as pessoas que opinaram fracassaram. [11]

No entanto, todos os verdadeiros cristãos que entendem as Escrituras e amam o Senhor Jesus Cristo, e estão preocupados com a Sua glória, desejam o Seu retorno. Embora, estamos vivendo um período em que tal expectativa está cada vez mais escassa. Hoje praticamente não se fala no retorno de Cristo e nem a respeito do arrebatamento da Igreja.

Com isso em mente, podemos destacar alguns pontos importantes.

Em primeiro lugar, Jesus fala a respeito de Sua ausência física entre os discípulos (Lc 17.22). Jesus está alertando aos Seus discípulos a respeito de Sua morte, e que os discípulos ansiarão pelo Seu retorno. Que a saudade do período em que estiveram com Jesus será grande e o quanto eles desejariam que aqueles dias voltassem.

Charles L. Childers enfatiza que o Senhor Jesus está aqui avisando os seus discípulos que dias negros os esperam – dias de perseguição e trabalho – quando suas mentes se voltariam às abençoadas lembranças do tempo em que Ele estava com eles. Eles desejarão a sua presença física novamente, mas esse desejo não será atendido. Estas palavras do Senhor Jesus também eram endereçadas àqueles discípulos que ainda não haviam nascido (incluindo a nossa época e épocas posteriores à nossa) e que só mais tarde tomariam conhecimento destas palavras. Nos dias de sofrimento e frustração, todos desejariam a presença física de Cristo. [12]

Em segundo lugar, a haverá o surgimento de falsos cristos (Lc 17.23). Em Mateus 24.23,24 lemos: “Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”.

A perplexidade da igreja primitiva, quanto à demora da volta de Cristo, que eles esperavam para breve (ver 1Co 15.51), é refletida na narrativa de Lucas (ver Lc 17.22,23). Muitos desejarão ver os “dias do Filho do homem”, o cumprimento das promessas do reino. Porém, em sua ansiedade, não deverão permitir que os falsos mestres os levem para um “falso reino” e para um “falso cristo”. [13]

Devemos ficar atentos, pois sinais e prodígios não é sinal de que o Senhor se faz presente nesse lugar. O que prova que o Senhor se faz presente em um lugar (de forma espiritual), é a sã doutrina sendo pregada e vivida. Sinais e prodígios podem até acontecer, mas sem negligenciar a sã doutrina. 

Em terceiro lugar, a volta de Jesus será repentina (Lc 17.24). A vinda (parousia) do Filho do Homem ocorrerá repentinamente, sem prévio aviso, como o relâmpago. Mas a linguagem aqui também implica que ela será visível, como o relâmpago, de um lado a outro no horizonte. A imagem implica claramente que haverá conhecimento, em todas as partes do mundo, da segunda vinda de Cristo. [14]

Em quarto lugar, Jesus ensina que antes padeceria muitas coisas e seria rejeitado por aquela geração (Lc 17.25). Seu retorno para buscar a Sua Igreja só aconteceria depois da Sua morte na cruz. William Hendriksen destaca que muito antes de ocorrer a segunda vinda, o Filho do homem deve sofrer. É um dever, porque o decreto de Deus desde a eternidade deve ser executado, a profecia deve ser cumprida, os eleitos desde a eternidade devem ser resgatados. Ele deve sofrer “muitas coisas”. Os detalhes horríveis desse sofrimento são aqui amorosamente ocultos. As palavras “e deve ser rejeitado por esta geração” mostram que Jesus estava apontando para o Calvário. [15]

Em quinto lugar, a segunda vinda de Cristo será num período de descuido espiritual (Lc 17.26-30). Jesus ofereceu dois paralelos históricos para mostrar como será nos dias do Filho do Homem. A época que precederá a vinda de Cristo se assemelhará aos dias de Noé. As pessoas estavam levando vidas normais e seculares, ignorando a Deus. Mas de repente o dilúvio (em grego, kataklysmos, “cataclisma”) os levou a todos. [16]

Os dias de Noé e os dias de Ló foram marcados antes de tudo pela indiferença. As pessoas comiam, bebiam, casavam, eles estavam sendo dadas em casamento... eles estavam comprando, vendendo, plantando, construindo, até o momento em que o julgamento caiu, até o dia em que Noé entrou a arca e no dia em que Ló saiu de Sodoma.

Os dias de Noé e Ló também foram dois dos mais miseráveis, vis e maus períodos da história humana. A maldade era galopante. Nos dias de Noé “a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6.5). Sodoma nos dias de Ló também foi marcada pela perversão sexual, tanto que o nome da cidade passou a se referir ao pecado homossexual. Tão vil eram seus habitantes que tentou estuprar os dois anjos enviados para resgatar Ló e sua família do julgamento iminente de Sodoma (Gn 19.4-11).

Dia após dia, estamos caminhando para esses dias terríveis. As leis estão mudando para apoiar o pecado e não o que a Bíblia ensina. Vivemos dias em que o certo está se tornando errado, e o errado, está se tornando o certo. A igreja está cada vez mais reclusa e proibida de dizer a verdade abertamente. Líderes de muitas igrejas estão se rendendo a esse sistema maligno para não serem rechaçados pela sociedade. O que Jesus falou em Mateus 7.15-23 está se cumprindo em nossos dias. 

O Reverendo Hernandes Dias Lopes diz que 

não há nenhum mal nessas atividades. Todas elas são lícitas. O problema é que essas pessoas só fizeram investimentos na vida terrena e nenhum investimento na vida espiritual. Colocaram as bênçãos de Deus no lugar do Deus das bênçãos. Transformaram as dádivas de Deus na única razão para viver e se esqueceram de Deus. Assim estará o mundo quando Jesus voltar: as pessoas estarão pensando apenas em seus interesses imediatos e terrenos, não fazendo nenhuma provisão para a vida espiritual. O Dia do Senhor as apanhará de surpresa! [17]

Em sexto lugar, Jesus alerta a respeito da destruição de Jerusalém (Lc 17.31-33). Jesus para exemplificar o Seu retorno e o que acontecerá, cita um fato que muito em breve irão ocorrer: o cerco de Jerusalém pelos Romanos no ano 70 d.C. pelo general Tito. Esse cerco era somente um exemplo que na Sua volta será inescapável fugir dele. Nenhuma caverna conseguirá esconder as pessoas daquele que virá com grande poder e glória. Nem mesmo a morte poderá servir de escape naquele dia (Ap 6.12-17).

Leon Morris destaca que as palavras semelhantes em Mateus e Marcos se referem à fuga diante da queda de Jerusalém no ano 70 d.C., e alguns estudiosos sustentam que Lucas tirou o dito do seu contexto e o aplicou a uma situação em que a fuga seria impossível. [18] Quando Jerusalém foi invadida pelo general Tito, a cidade ficou devastada, o templo foi arrasado e incendiado, os muros foram quebrados, e o povo que não foi passado ao fio da espada acabou disperso pelo mundo. Nesse dia, era impossível pensar em resgatar algo de valor dentro de casa. O cerco de Roma tornou-se inescapável. [19]

Ralph Earle citando Eusébio de Cesareia nos diz como foi obedecida a ordem para que os que estavam na Judéia fugissem para os montes (Mt 24.16). Ele escreve: “No entanto, todo o corpo da igreja em Jerusalém tinha recebido uma ordem por uma revelação divina, dada antes da guerra aos homens de comprovada piedade, e saíram da cidade e viveram em uma cidade além do Jordão, chamada Pella”. [20]

Jesus cita como exemplo a mulher de Ló que olhou para trás e virou uma estátua de sal (Gn 19.17,26). O doloroso sobre a esposa de Ló é saber que em sua escala de valores ela pôs a terra antes do céu, as coisas materiais antes das espirituais. [21]

John C. Ryle destaca que devemos observar nestes versículos o aviso solene de nosso Senhor contra uma falsa confissão de segui-Lo.

A mulher de Ló foi deixada como um sinal e uma advertência para todos aqueles que professam ser crentes. Devemos temer que muitos serão encontrados na mesma situação da mulher de Ló, no dia da segunda vinda de Cristo. Existem muitos crentes professos, em nossa época, que avançam bastante em sua religiosidade. Conformam-se aos padrões externos de pais e amigos crentes. Falam a linguagem do povo de Deus; obedecem às ordenanças do cristianismo. Mas durante todo esse tempo suas almas não estão em retidão diante de Deus. O mundo está em seus corações, e estes, no mundo. Mais tarde, no Dia do Juízo, sua falsidade será exposta a todos. O cristianismo dessas pessoas será demonstrado como algo completamente podre. Existem muitos casos semelhantes ao da mulher de Ló. [22]

A mulher de Ló olhou para trás. O seu corpo já estava fora de perigo, conforme pensou; mas o seu coração continuava preso em Sodoma, diz Champlin. Assim sendo, ela se tornou um tipo do indivíduo de mente mundana, carnal, que só busca seus próprios interesses, sem jamais importar-se com a sua própria alma. [23] Ela foi tirada de Sodoma, mas Sodoma não foi tirada de dentro dela. [24]

Jesus faz um alerta solene: “Qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, salvá-la-á” (Lc 17.33). Fritz Rienecker diz que o termo psyché (vida em grego) designa a alma com todas as suas pulsões e capacidades naturais.

Salvar a vida psíquica significa querer mantê-la da maneira como ela é, tentando tão-somente desenvolvê-la e satisfazê-la. Esse, porém, é o meio para perdê-la. Para protegê-la do aniquilamento, existe apenas um meio: é preciso consentir em perdê-la livremente, pelo fato de entregá-la ao sopro do Espírito divino, que mata e vivifica simultaneamente, e o qual a preenche com seu poder superior e lhe comunica valor e beleza perenes. Contudo, quando se visa conservar a vida psyché, perde-se não apenas a vida natural em si, mas também a vida superior, eterna, na qual deveria ter-se transformada como a flor que se transforma no fruto. [25]

Em sétimo lugar, na segunda vinda de Cristo haverá apenas dois grupos de pessoas (Lc 17.34-36). Esses dois grupos são formados por aqueles que serão tomados no arrebatamento (lTs 4.17) e aqueles que serão deixados para o juízo (Mt 13.41,42; 2Ts 1.7-9; Ap 14.17-20). Nem intimidade física (dois na mesma cama) nem sociedade de trabalho (duas mulheres juntas moendo, dois homens no campo) pode impedir essa separação. [26]

William Hendriksen destaca que o versículo 34 descreve o que ocorre durante a noite; o versículo 35, o que ocorre durante o dia. Isso é muito lógico, porque o Filho do homem chega nos ares acima de um lugar onde for noite, será dia no outro lugar do globo e vice-versa. O que significa “tomada”? A resposta se encontra em 1 Tessalonicenses 4.17: “seremos arrebatados com eles nas nuvens para o encontro com o Senhor nos ares”. Veja também Apocalipse 14.14-16. [27]

Em oitavo lugar, a volta de Cristo será tão repentina que não haverá tempo para se preparar (Lc 17.37). Os ouvintes de Jesus querem saber onde tudo isto ocorrerá, mas Ele não responde diretamente. Parece que está citando um provérbio que apresenta a verdade de que é o cadáver que atrai os abutres (não águias – a palavra grega significa ambos, mas as águias não comem carniça nem se reúnem em bandos). Onde se acharem os espiritualmente mortos, ali haverá julgamento. [28] Os abutres (não águias) se precipitam sobre um cadáver, também diz William Hendriksen. [29]

Charles L. Childers citando William Barclay trata este parágrafo sob o título: “Os Sinais da Sua Vinda”. Ele observa: 1) Haverá tempos em que o cristão estará ansioso pela vinda de Cristo, mas precisará ser paciente, 22; 2) A vinda de Cristo é certa, mas a sua hora é desconhecida, 23-30; 3) Quando Cristo vier, Deus executará os seus julgamentos, 31-36; 4) Cristo virá quando as condições necessárias forem cumpridas - quando os motivos forem certos. Este é o sentido do provérbio contido no versículo 37. [30]

CONCLUSÃO

Quero concluir com as palavras de Warren W. Wiersbe onde ele diz que hoje em dia, há muitos cristãos professos que considerariam a volta de Cristo uma interrupção dos seus planos (ver 1Ts 5.1-11)!

Jesus retratou a civilização como um corpo em decomposição e que, um dia, estaria pronto a sofrer o julgamento. O cristão com discernimento encontra evidências desse fato por toda parte e sabe que os “dias de Noé” e os “dias de Ló” não tardarão. Nosso Senhor pode voltar a qualquer momento para buscar sua Igreja, de modo que não estamos à procura de sinais; antes, estamos cientes de que “os acontecimentos vindouros são precedidos de sua sombra”. Uma vez que vemos várias dessas coisas ocorrendo (Lc 21.28), sabemos que sua vinda se aproxima.

Estamos esperando sua volta, verdadeiramente ansiosos para que ele venha? [31]

Pense nisso!

Bibliografia:

1 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005, p. 322.

2 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 464.

3 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 243.

4 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, SP, 2003, p. 364.

5 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 318.

6 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, SP, 2003, p. 364.

7 – Ryle, J. C. Meditações no Evangelho de Lucas, Ed. FIEL, São José dos Campos, SP, 2002, p. 282.

8 – Neale, David A. Lucas, 9 – 24, Novo Comentário Beacon, Ed. Central Gospel, Rio de Janeiro, RJ, 2015, p. 199.

9 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 501.

10 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 318.

11 – Tozer, A. W. Preparando-se Para a Volta de Jesus, Graça Editorial, Rio de Janeiro, RJ, 2018, p. 17.

12 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 465.

13 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, Vol. 2, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 170.

14 – Earle, Ralph. Comentário Bíblico Beacon, Mateus, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 166.

15 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, SP, 2003, p. 366.

16 – Earle, Ralph. Comentário Bíblico Beacon, Mateus, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 168.

17 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 502.

18 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 245.

19 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 502.

20 – Earle, Ralph. Comentário Bíblico Beacon, Mateus, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 165.

21 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, SP, 2003, p. 369.

22 – Ryle, J. C. Meditações no Evangelho de Lucas, Ed. FIEL, São José dos Campos, SP, 2002, p. 285, 286.

23 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, Vol. 2, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 171.

24 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 465.

25 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 140.

26 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 504.

27 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, SP, 2003, p. 370.  

28 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 246.

29 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, SP, 2003, p. 370.

29 – Childers, Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 465.

31 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 320. 

sábado, 6 de abril de 2024

Porque Há Filhos Bandidos em Famílias Crentes?

Por João Cruzué 

Por que há filhos de crentes no meio da bandidagem e no tráfico de drogas? Aí está uma questão de resposta aparentemente fácil. Quem é que ainda não ouviu: "a boa parte dos nomes de presidiários brasileiros são nomes bíblicos. Afinal por que isso acontece? Será por falta de cuidados? tempo excessivo gasto na Igreja e negligência no cuidado dos pequenos? A primeira vista pode parecer um assunto de fácil dedução, mas eu descobri que não.

Uma das ilações mais ouvidas hoje  é: "A culpa é das mães dessas crianças que ficam orando em demasia dentro das Igrejas, enquanto seus filhos estão com más companhias do lado de fora. Excesso de oração e falta de acompanhamento do que eles fazem. Será?

Dona Nilza é mãe de D...., o braço direito do chefe de tráfico no Rio. Foi ela, uma senhora evangélica que junto com o filho pastor e alguns amigos crentes, convenceram o jovem a se entregar ao delegado do 6º DP., Dr. Luiz A. C. de Andrade.

O eletricista Ivanildo, evangélico de 55 anos, também seguiu o exemplo de Dona Nilza e levou o filho C. A.  a se entregar à Polícia carioca. Também há uns dois anos, o padrasto daquele garoto que roubou o carro de uma senhora e arrastou o filhinho dela preso na porta do carro por alguns quilômetros - também era evangélico. Não há, portanto, nenhum segredo em dizer que há mesmo muitos filhos de crentes envolvidos na vida criminosa.

Para os que tenta explicar de uma maneira fácil esta questão, vamos ao seguinte fato: Deus criou o primeiro Casal: Adão e Eva, e eles geraram Caim e Abel. Caim foi o primeiro criminoso sobre a terra, segundo o que se lê nas Sagradas Escrituras. Onde foi que Adão e Eva erraram? Eles oravam demais? Iam a Igreja? Não tinham tempo para conversar com os filhos? Eram pessoas muito ocupadas? Para todas estas perguntas, eu creio que as respostas sejam a mesma: não!

Esaú, o filho gêmeo de Isaque e Rebeca, planejou a morte do irmão que lhe passou a perna no caso da bênção da primogenitura. O resultado foi que jurou de morte o irmão esperto: Jacob. Só não chegou a matá-lo, porque Deus interveio.

José, o primeiro filho de Jacob com Raquel, sofreu muito na mão dos irmãos. Foi amarrado, jogado num poço, vendido como escravo, acusado injustamente por uma mulher adúltera, preso, esquecido na prisão - e apesar de tudo isto, não se tornou um criminoso.

O Rei Davi, o homem que tinha um coração segundo Deus, foi o maior Rei sobre a nação de Israel. Um de seus filhos praticou um incesto com a irmã, outro filho vingou o incesto matando o irmão, e mais tarde se voltou contra o pai e tentou matá-lo, seguindo conselhos malignos.

O que estes fatos têm em comum? A contaminação da raça humana pelo pecado. Ele espreita bem de perto, principalmente as famílias dos crentes, para destruir, envergonhar, escandalizar e manchar de vergonha qualquer família cristã. Contra isso é preciso orações, jejum e muita conversa ao pé do ouvido dos filhos.

Não quero dizer com isso que a maioria dos casos de bandidagem entre filhos de crentes está a falta de coragem dos pais em confrontá-los, fingindo que são bons meninos. Conheci um grande pastor perdeu três filhos assassinados. Todos eles envolvidos de alguma forma com más companhias. Estar atento ao que acontece com os filhos é o grande dever dos pais. 

Conheço também um caso bem sucedido. Pai e mãe cristãos trabalhavam de segunda à sábado. Os filhos ficavam com a avó e também na rua perambulando com outras crianças. Quando o pai descobriu que um desles, com apenas quatro anos pegava o ônibus do bairro para ir roubar brinquedos em outro de grande comércio - ficou horrorizado. Tratou de mudar da Capital para um lugar bem longe, longe destas companhias. Sua drástica atitude evitou que aquele menino se tornasse um criminoso mais tarde.

Por que há filhos de pais crentes que envolvidos no tráfico de drogas e na bandidagem? Há várias e possíveis explicações. E nenhuma delas seria suficiente para explicar 100% o fato. Há um fator no Brasil que não é intrínseco aos pais que traz grande dor de cabeça: nenhum adolescente pode trabalhar antes dos 16 e 18 anos. Eu pergunto: é fácil para um jovem de 18 anos aprender a trabalhar já quase adulto? É corretíssima a Lei que dispõe sobre a obrigação dos pais matricularem seus filhos na escola e mantê-los apenas estudando até os 18 anos. Por acaso os criminosos respeitam esta lei? Não, não respeitam. Eles exploram as necessidades destes adolescentes, geralmente sem dinheiro algum no bolso, para conduzi-los ao mau passo. O governo não deixa, mas há emprego "garantido" no tráfico para os filhos dos mais pobres.

A conclusão a que chego é que em alguns casos a falha está na falta de amor dos próprios pais em pensar que amar é somente passar a mão na cabeça dos filhos e fingir que não veem, nem confrontam seus mal-feitos. Em outros casos, há pais de conduta irrepreensível que possuem filhos criminosos. Uma atitude eu não posso negar: Deus confrontou Caim; os irmãos de José foram confrontados com suas próprias consciências quando estiveram em apuros no Egito; Deus impediu o intento criminoso de Esaú quanto à Jacoó. Davi só não perdeu a família toda para o diabo, porque se arrependeu e era um homem de oração. E, por fim há um caso de grande exemplo na Bíblia para os pais que estão passando pela angústia de ter filhos criminosos: o Pai do filho pródigo. Se ele não fosse um pai amoroso nem tivesse um coração perdoador, seu filho caçula teria sido mal recebido e teria feito meia volta e fatalmente seria um criminoso.

Sempre houve e sempre haverá criminosos no meio de famílias decentes e honradas, como também no meio de famílias de cultura criminosa pode ter filhos que são corretos e trabalhadores. O que não pode acontecer é negar o perdão e um abraço amoroso para quem deseja recomeçar, nem deixar o filho morrer no crime sem confrontá-lo e aconselhá-lo a acertar as contas com a justiça. É uma situação muito difícil, que somente a misericórdia de Deus pode ajudar. O que não pode se esquecido é que os filhos são herança de Deus aos pais e que esta herança pode ser um suplício por uma falha de atitude dos pais: ou falta de oração, ou falta de encaminhar seus pequenos para a Casa de Deus, ou falta de amor por não corrigi-los antes que o diabo os leve à destruição. Que Deus nos guarde e aos nossos filhos também.

Fonte: Olhar Cristao

sábado, 30 de março de 2024

O SIGNIFICADO DA CEIA DO SENHOR

Por Pr Silas Figueira

Texto base: 1 Coríntios 11.23-34

INTRODUÇÃO

As igrejas evangélicas reconhecem duas ordenanças estabelecidas por Jesus Cristo e que devem ser observadas por seu povo: o batismo e a Ceia do Senhor. Sendo que o batismo representa a nova vida que alcançamos em Cristo, a ceia simboliza a morte do Senhor. 

O apóstolo Paulo, nesta Primeira Carta aos Coríntios, tratou de maneira objetiva sobre a Ceia do Senhor. Ela foi instituída pelo próprio Jesus na noite em que foi traído. Na sexta-feira, chamada pelos católicos de “sexta-feira da Paixão”. Nessa noite o Senhor foi preso e se deu por nós na cruz do calvário; mas no domingo de Páscoa o nosso Senhor ressuscitou.

Somente aqueles que foram remidos e lavados no sangue do Cordeiro e confessam o nome do Senhor Jesus devem participar desse banquete da graça. Só aqueles que discernem o que Cristo fez na cruz são chamados para participar desse memorial. A Ceia está centralizada na morte expiatória de Cristo e no Seu sacrifício vicário. A cruz de Cristo e não o egoísmo humano está no centro dessa celebração. O sangue de Cristo é o selo da nova aliança. Por meio dele Deus perdoa os nossos pecados e nos salva da ira vindoura [1].

Nesse texto nós encontramos ensinamentos do seu verdadeiro significado.

1 – O QUE PAULO NOS FALA A RESPEITO DA CEIA (1Co 11.23-26).

O apóstolo Paulo nesse texto ensina a igreja de Corinto o verdadeiro sentido da ceia, e mostra que a ceia é mais que um momento de comunhão, ele mostra que a ceia é um momento de celebração, pois o nosso Senhor não ficou no sepulcro, mas ressuscitou dentre os mortos e vive para todo o sempre. Leon Morris diz que é praticamente certo que esta epístola foi escrita antes de qualquer dos evangelhos, o que significa que este é o mais antigo relato que temos da instituição da Santa Comunhão [2].

Esse texto nos ensina algumas lições:

1º - Paulo mostra que a ceia é uma revelação (1Co 11.23a). Paulo deixa claro que o que ele está ensinando não é a sua própria opinião, mas Palavra revelada de Deus. Não é um ensinamento humano, mas uma ordenação divina. Jesus na noite em que foi traído deixou essa ordenança (Lc 22.17-20).

Alguns intérpretes acreditam que o apóstolo Paulo recebeu essa revelação diretamente do Senhor e não através dos outros apóstolos (cf. Gl 1.11,12). No entanto, a maioria dos intérpretes entende que Paulo quis dizer que a ceia faz parte das tradições da igreja e que essas tradições eram firmemente cridas como algo dado pelo próprio Senhor Jesus; e então Paulo, na qualidade de apóstolo de Cristo, expressou essas tradições com a sua autoridade apostólica [3].

Mas quanto a isso pouco nos importa, pois uma coisa nós sabemos, essa palavra procede de Deus para nós. O apóstolo recebeu do Senhor e nos ensinou o que havia recebido dele, seja direta ou indiretamente. Isso nos basta. 

2º - Paulo mostra que a ceia é um convite à comunhão com Cristo (1Co 11.23b). “Na noite em que foi traído”. Nessa noite o Senhor Jesus estava reunido com seus apóstolos em comunhão com eles. Por isso, nós precisamos entender que quando comemos o pão e bebemos o cálice, o Senhor está nos convidando à sua mesa. Ele está nos chamando a comunhão com ele e com nossos irmãos. Se os cristãos participam sem amar seus irmãos, os membros da igreja, eles estão desonrando o próprio Senhor. Por essa razão, precisamos aprender as palavras ditas pelo Senhor quando instituiu sua Ceia [4].

Na noite em que foi traído o Senhor proclamou algo tremendo para todos nós, a Sua salvação. Mesmo sabendo que Judas iria traí-lo, que Pedro iria negá-lo, que os apóstolos fugiriam, o Senhor Jesus não deixou de amá-los. Mesmo sabendo de tudo isso, a Nova Aliança foi estabelecida e a velha Aliança foi rompida. Como Jesus mesmo disse: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15.13).

3º - Paulo mostra que a ceia é um momento de darmos graças (1Co 11.24a). E tendo dado graças. É do termo grego que Paulo usou aqui, “eucharistesas”, que se deriva nossa palavra “eucaristia”, a qual se tornou um termo técnico para indicar a Ceia do Senhor [5]. Jesus deu “graças” mesmo sabendo do que estava por vir. A algumas horas da sua morte na rude cruz, o Senhor deu graças. Jesus fez uma oração de ação de graças, à mesa. Quando Jesus vê toda a realidade de sua paixão e morte diante de si, ele agradece. Não é lamento nem tampouco pesar pela despedida que preenchem seu coração, e sim a gratidão [6]. Sermos gratos a Deus em todo o tempo é uma lição que aprendemos aqui.

4º - Paulo mostra que os elementos da ceia são símbolos do sacrifício de Cristo (1Co 11.24,25). O pão simboliza o corpo do Senhor que foi pendurado na cruz calvário, e o cálice o sangue de Cristo, a nova aliança que estava sendo inaugurada. Em seu corpo pendurado na cruz, Jesus levou sobre si os nossos pecados e o seu sangue derramado nos purifica de todo pecado (1Jo 1.7). A velha aliança estava sendo quebrada e a nova aliança estava começando. Jesus era o nosso Cordeira Pascal que foi entregue na cruz para nos reconciliar para sempre com o Pai.

“Este cálice é o novo testamento do meu sangue”. Essa expressão dá à palavra sangue um sentido espiritual mais profundo. O cálice representa a nova aliança que Jesus ratifica com seu sangue. Quando Moisés confirmou o primeiro pacto no Monte Sinai, ele aspergiu sangue sobre o povo e disse: “Este é o sangue da aliança que o Senhor fez com vocês” (Êx 24.8; ver também Zc 9.11). Sangue animal foi aspergido para o primeiro pacto. O sangue de Cristo, para o novo pacto [7].

Este sacrifício estava sendo realizado por você e por mim: “Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós”. “Este cálice é o novo testamento do meu sangue”. Jesus deu o seu corpo, toda a sua vida encarnada, por nós que cremos nEle.

Existem quatro maneiras de interpretar a ceia, principalmente os seus elementos – o pão e o vinho. Nós temos quatro interpretações:

1) TRANSUBSTANCIAÇÃO – É a ideia de que os elementos, pão e vinho, mudam de substância e se transformam em carne e sangue de Cristo na hora da consagração dos elementos. É a posição do Catolicismo Romano.

2) CONSUBSTANCIAÇÃO – É a posição de Lutero. É a ideia de que Cristo está presente fisicamente nos elementos pão e vinho. Conhecida também como empanação.

3) MEMORIAL – É a posição de Zwuinglio. É a ideia de que a Ceia é a apenas um memorial, ou seja, uma recordação da morte de Cristo – Igreja Batista.

4) MEIO DE GRAÇA – É a ideia de que Cristo está presente espiritualmente na Ceia, como alimento para nossa alma. Esta é a posição da Igreja Presbiteriana.

Temos também três tipos de ceia: a restrita – somente para os crentes em Jesus. A ultra restrita – somente para os membros daquela denominação ou somente para os membros daquela igreja. E a ceia livre – todos os presentes podem participar, independentemente de serem crentes em Jesus ou não. 

5º - Paulo mostra que a ceia deve ser realizada até a vinda do Senhor (1Co 11.26c). A Ceia do Senhor foi instituída para que a igreja pudesse recordar continuamente o sacrifício vicário de Cristo na cruz em seu favor. Todas as vezes que celebramos a Ceia do Senhor, estamos proclamando que o corpo de Cristo foi partido (pendurado na cruz), e dado por nós e seu sangue foi vertido como símbolo da nova aliança, sangue este que nos purifica de todo o pecado. A morte de Cristo é o eixo central do evangelho. Fomos reconciliados com Deus pela morte de Cristo. É pela sua morte que temos vida. Devemos anunciar a sua morte até que ele venha em glória.

João Calvino diz que a Ceia foi instituída com este propósito, a saber: para que Cristo nos lembre do benefício de sua morte, e nós, de nossa parte, possamos reconhecê-la diante dos homens [8]. Por isso, não participar da Ceia do Senhor é desobediência e um pecado visto que a ceia é uma ordenança.

2 – OS PERIGOS EM RELAÇÃO À CEIA DO SENHOR (1Co 11.27-32).

Apesar de cremos que a ceia seja um memorial, nem por isso deve-se participar dela de forma indigna. Jesus se faz presente em nossas vidas e no culto que celebramos a Ele. Por isso, não devemos negligenciar as ordenanças bíblicas e as orientações que Paulo dá em relação a ceia.

1ª – Em primeiro lugar, não devemos participar indignamente (1Co 11.27). Leon Morris diz que ninguém jamais pode se considerar digno da bondade de Cristo para conosco [9]. Aquele que pensa que é digno da bondade de Cristo não entendeu o seu estado pecaminoso. Não entendeu que foi devido ao seu pecado que Jesus morreu na cruz. Mas há um segundo problema, é achar que nunca é digno de participar da ceia. Quem pensa assim também não entendeu que a razão de participarmos dela, que é exatamente porque Jesus já pagou um alto preço por nós e, devido a isso, somos dignos de estar participando de sua mesa.

Participar indignamente deve ser entendido segundo o contexto de 1Co 11.17-22. Paulo quis dizer que a decência comum deve ser observada; não pode haver qualquer das desordens de glutonaria, de embriaguez, de egoísmo, de degradação a outros, de contendas entre os crentes, de grupos facciosos, etc., todas essas práticas atuavam como elementos perturbadores da igreja de Corinto, que profanavam sua observância da Ceia do Senhor [10]. Participar da Ceia indignamente é assentar-se à mesa de forma leviana e irrefletida.

Participar da ceia do Senhor indignamente é não entender o que Jesus fez por nós na cruz. É não entender o significado do pão e do cálice. É não perceber que aquele pedaço de pão representa o corpo do nosso Senhor que foi pendurado no madeiro por nós, levando sobre si os nossos pecados. Ele se fez maldito em nosso lugar (Gl 3.13; Cl 2.14). É não entender que o cálice representa o seu sangue inocente que foi derramado para nos purificar de todo o pecado. Éramos escravos do pecado, mas mediante o seu sangue fomos libertos.

Um exemplo do que estamos falando, quando alguém pisa ou queima a bandeira do nosso país, essa pessoa não está desonrando um pedaço de pano, mas está desonrando o país que ela representa. E caso você não saiba, isso é crime. Quando participamos da ceia indignamente estamos desonrando o nosso Salvador. E isso é pecado. 

2º - Em segundo lugar, as consequências de participarmos da ceia indignamente (1Co 11.27-30). Participar da ceia não nos trará nenhuma bênção especial. Não seremos mais santos ou iremos alcançar a salvação por causa disso. Os que participam da ceia já estão debaixo da bênção do Senhor (Ef 1.3). No entanto, se participarmos dela de forma indigna traremos castigo para nossas vidas. O apóstolo Paulo enumera algumas dessas consequências.

1 – Será culpado do corpo e do sangue do Senhor (1Co 11.27c). A versão ARA traz a palavra réu. Em outras palavras, “será culpado de”, presumivelmente como participante na causa da morte de Cristo, ou antes, “será culpado de profanar o corpo”, etc. Isso torna o indivíduo culpado de “violar” ou de “pecar contra” o corpo e o sangue de Cristo [11]. Ser réu do corpo e do sangue de Cristo Jesus é um pecado gravíssimo.  Você só tem dois lados para estar em relação ao sangue. Você está debaixo dos benefícios do sangue ou está do lado daqueles que levaram Jesus para a cruz e o mataram. Você é assassino de Cristo ou é beneficiário do sangue de Cristo. Participar indignamente da Ceia e ser réu do corpo e do sangue de Cristo; é estar na mesma posição de Anás, Caifás, Pilatos e os soldados romanos que pregaram Jesus na cruz. Assim, só existem duas possibilidades: Você está debaixo dos benefícios do sangue de Cristo ou é réu do corpo e do sangue do Senhor [12]. David Prior diz que quando Paulo fala de alguém que come o pão e bebe o cálice indignamente, tornando-se réu do corpo e do sangue de Cristo, ele está dizendo que nos tornamos culpados de derramar o sangue de Cristo; isto é, nos colocamos, não do lado dos que estão participando dos benefícios de sua paixão, mas do lado dos que foram culpados por sua crucificação [13].

2 – Come para sua própria condenação (1Co 11.29,30). A versão ARA diz que come e bebe juízo para si. Uma pessoa que participa da ceia sem discernir a sua forma correta come e bebe juízo para si mesmo. A palavra grega aqui usada para juízo ou condenação é krima, aqui tem a ideia de castigo para o crente em Jesus, não de condenação eterna (Rm 8.1), é uma correção pedagógica. Há uma grande diferença no uso da palavra condenação que Paulo usa no v. 29, aqui ele usa a palavra krima no grego (julgamento) e katakrima (condenado) no versículo v. 32. A palavra krima refere-se a disciplina dos salvos e katakrima refere-se à condenação dos perdidos (para não sermos condenados com o mundo).

O versículo 30 nos fala de punições temporais e não eternas. Punições que vem sobre a vida do crente que é leviano em relação a ceia. Naturalmente, Paulo não quis dar a entender que “todas as enfermidades” são motivadas por algum pecado, porquanto ele mesmo sofria de um “espinho na carne”, tendo recebido a revelação que esse espinho lhe fora dado a fim de conservá-lo humilde, para que pudesse aprender melhor a confiar na graça de Deus em favor dele (2Co 12.7). Na verdade, a enfermidade física pode ter certo efeito disciplinador (Hb 12.5-7). E essa disciplina não significa necessária e especificamente que ela tenha sido motivada por algum pecado cometido [14].

João Calvino diz que não se pode afirmar se nesse tempo alguma praga os atormentava, ou se eram afligidos por outros gêneros de enfermidades. Seja como for, deduzimos do que Paulo diz que o Senhor havia enviado algum tipo de açoite para discipliná-los [15]. Paulo enumera três as punições que vieram sobre a igreja de Corinto: fraqueza, doença e morte física. Werner de Boor diz que pelo fato de que na celebração indigna da ceia se trata de comer e beber, a culpa também tem um efeito físico, em fraqueza e enfermidade, sim, ela até leva a falecimentos. Mais uma vez fica claro todo o realismo na compreensão paulina da santa ceia [16].

3 – Não discernindo o corpo do Senhor (1Co 11.29c). Paulo está falando de dois corpos aqui. O primeiro corpo é o corpo físico de Cristo. E o corpo que foi moído e traspassado na cruz. Contudo, há outro corpo que precisa ser discernido. E o corpo místico de Cristo. Qual é o corpo místico de Cristo? A Igreja! Quando você vem para a Ceia, mas, despreza o seu irmão, fazendo acepção de pessoas, ou nutrindo mágoa em seu coração, você está participando da Ceia sem discernir o corpo. E se você participa da Ceia sem discernir o corpo, você está participando de forma indigna [17].

Essa palavra de Paulo tem um paralelo com o Salmo 133 que nos diz: “Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre”.

Sem o discernimento do Corpo de Cristo não pode haver o derramar da graça mediante o Espírito Santo e, logicamente, não pode ter bênção e nem vida. 

3 – COMO DEVEMOS PARTICIPAR DA CEIA (1Co 11.28,33).

Esses versículos nos ensinam verdades fundamentais para participarmos da ceia.

1º - Para participar da ceia deve-se fazer um autoexame (1Co 11.28a). Os que participarão da ceia devem examinar-se a si mesmo. Olhar para dentro de si, vasculhar o seu coração e mente. Werner de Boor diz que a verdadeira – dignidade para a mesa do Senhor Jesus reside unicamente na minha – indignidade real e por mim mesmo confirmada [18]. O texto nos diz para olharmos para nós mesmos e participarmos da ceia, e não olharmos para a vida do irmão ao lado. Tem gente que deixa de participar da ceia porque fica bisbilhotando a vida alheia. Você não é o juiz do seu irmão. Em vez de examinar e julgar a vida alheia; examine-se a si mesmo e julgue-se a si mesmo. Investigue o seu coração. Analise a sua vida.

2º - Depois do autoexame coma do pão e beba do cálice (1Co 11.28b). E digno observar que Paulo diz: Examine-se o homem a si mesmo e coma. Paulo não diz: Examine-se o homem e deixe de comer. Você não deve fugir da Ceia por causa do pecado, mas fugir do pecado por causa da Ceia. A Ceia é um instrumento de restauração. A Ceia é um tempo de cura, de reconciliação e restauração. A Ceia é o momento em que devemos aguçar os sentidos da nossa alma para examinar-nos e nos voltarmos para o Senhor. Na Ceia devemos correr do pecado para Deus e não de Deus para o pecado. A ordem de Paulo é: Examine-se e coma! [19]. Amém?

3º - Esperar uns pelos outros (1Co 11.33). Essa palavra é usada aqui em sentido literal. É como se Paulo tivesse escrito: “Esperai até todos terem chegado, antes de iniciardes a festa”. A Ceia do Senhor tem por propósito fomentar o companheirismo espiritual, não tendo por finalidade principal satisfazer a necessidade que o corpo tem de alimentos. Se porventura algum crente está com fome, pode comer em sua própria casa [20]. Entendendo aqui que a ceia na igreja primitiva era uma festa com muito alimento. Devido a isso Paulo chama a atenção da igreja de Corinto, pois alguns que não tinham o que comer passam fome na ceia (1Co 11.21,22).

4º - Paulo mostra que quando participamos da ceia devemos olhar para quatro direções. Warren Wiersbe destaca quatro pontos que Paulo ensinou sobre a Ceia, e que devemos ainda hoje observar sempre que nos reunirmos para a Ceia do Senhor: devemos olhar para trás, para a frente, para dentro e ao redor [21].

a) Devemos olhar para trás (1Co 11.24,26a). Quando você participa da Ceia, você deve olhar para trás, para a cruz de Cristo (11.26). Jesus está ordenando que a igreja se lembre não dos Seus milagres, mas da Sua morte. Devemos olhar para trás e nos lembrar por que Cristo morreu, como Cristo morreu, por quem Cristo morreu. Cristo é o centro da Ceia. A Ceia é uma pregação dramatizada do calvário [22].

Devemos lembrar o fato de Jesus haver morrido, pois sua morte faz parte da mensagem do evangelho: “Cristo morreu [...] foi sepultado” (1Co 15.3,4). Não é a vida de Cristo nem seus ensinamentos que salvam os pecadores, mas sua morte. Portanto, devemos nos lembrar do motivo dele ter morrido: Cristo morreu por nossos pecados; foi nosso substituto (Is 53.6; 1 Pe 2.24), quitando uma dívida que jamais poderíamos pagar [23].

b) Devemos olhar para a frente (1Co 11.26). Quando participa da Ceia, você não olha somente para trás, mas também para a frente. Paulo diz: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (11.26). A Ceia nos aponta para a segunda vinda de Cristo, quando Ele vier buscar a Sua Igreja.

c) Devemos olhar para dentro (1Co 11.28). Quando você celebra a Ceia, não somente olha para trás e para a frente, mas também olha para dentro. Investigue o seu coração. Analise a sua vida. E digno observar que Paulo diz: Examine-se o homem a si mesmo e coma.

d) Devemos olhar ao redor (1Co 11.33,34). Quando você participa da Ceia, você olha ao redor (11.33,34). Paulo está orientando os crentes a esperarem uns pelos outros para uma verdadeira comunhão. E caso alguém tenha que se reconciliar com algum faça e procure ter paz com todos os irmãos.

CONCLUSÃO

A ceia é algo que vai muito além de comer o pão e beber o cálice. A ceia é nos lembrarmos da morte de Cristo e reconhecermos o que Ele fez por nós na cruz. Não devemos participar da ceia com partidarismo e ódio no coração, mas buscar estar em paz com os nossos irmãos. É fugir do pecado para os braços de Deus.

Pense Nisso!

Bibliografia

1 – Lopes, Hernandes Dias. 1 Coríntios, como resolver conflitos na Igreja, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2008, p. 216.

2 – Morris, Leon. 1 Coríntios, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 3ª ed., 1986, p. 128.

3 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, 1 Coríntios, vol. 4, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2002, p. 180.

4 – Kistemaker, Simon J. Comentário de 1 Coríntios, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 546.

5 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, 1 Coríntios, vol. 4, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2002, p. 180.

6 – Boor, Werner de. Cartas aos Coríntios, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2004, p. 93.

7 – Kistemaker, Simon J. Comentário de 1 Coríntios, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 552.

8 – Calvino, João. 1 Coríntios, Ed. FIEL, São José dos Campos, SP, 2015, p. 415.

9 – Morris, Leon. 1 Coríntios, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 3ª ed., 1986, p. 131.

10 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, 1 Coríntios, vol. 4, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 183.

11 – Ibidem, p. 183.

12 – Lopes, Hernandes Dias. 1 Coríntios, como resolver conflitos na Igreja, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2008, p. 218.

13 – Prior, David. A Mensagem de 1 Coríntios, Ed. ABU, São Paulo, SP, 1993, p. 202.

14 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, 1 Coríntios, vol. 4, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 185.

15 – Calvino, João. 1 Coríntios, Ed. FIEL, São José dos Campos, SP, 2015, p. 421.

16 – Boor, Werner de. Cartas aos Coríntios, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2004, p. 95.

17 – Lopes, Hernandes Dias. 1 Coríntios, como resolver conflitos na Igreja, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2008, p. 219.

18 – Boor, Werner de. Cartas aos Coríntios, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2004, p. 94.

19 – Lopes, Hernandes Dias. 1 Coríntios, como resolver conflitos na Igreja, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2008, p. 215.

20 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, 1 Coríntios, vol. 4, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 186.

21 – Wiersbe, Warren W. 1 Coríntios, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 792,793.

22 – Lopes, Hernandes Dias. 1 Coríntios, como resolver conflitos na Igreja, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2008, p. 215.

23 – Wiersbe, Warren W. 1 Coríntios, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 792.