domingo, 5 de junho de 2022

A PERSEVERANÇA NA ORAÇÃO - Lucas 11.5-13

Pr Silas Figuiera

Texto básico: Lucas 11.5-13

INTRODUÇÃO

Jesus mostrou a seus discípulos o “Pai Nosso” como modelo de oração, que traz todas as coisas essenciais que devem ser pedidas a Deus. Depois desse ensinamento ele assegura o atendimento da oração. Essa confiança é fundamentada pelo Senhor: 1) através de um exemplo do dia-a-dia (v. 5-8); 2) com vistas à experiência diária (v. 9-10); 3) sobretudo considerando a misericórdia do Pai no céu (v. 11-13) [1].

A oração do “Pai Nosso” é um modelo de oração, não uma reza a ser recitada. Longe disso. Através da oração que Jesus deixou como modelo podemos ver que nela consiste a maturidade de como devemos orar. Nela lemos que o que prevalece na oração é a vontade do Pai: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (v. 2). Entendendo que a vontade do Pai é pura, perfeita e agradável (Rm 12.2), que Sua vontade soberana sempre irá prevalecer e nós nos sujeitamos à ela.

Entender que Sua vontade irá prevalecer é entender que Ele é eterno, onipotente, santo e imutável, onisciente, onipresente, que levará a efeito o plano perfeito que Ele ordenou desde o início. Isso mostra maturidade espiritual. Como disse Jó: “Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido” (Jó 42.2). Assim, entendemos que a oração não muda os planos de Deus, a oração confirma em nosso coração a Sua vontade, que como já sabemos é pura, perfeita e agradável.

Mas se a oração não muda a mente ou os planos de Deus, que proposito ela serve? Talvez você pergunte! A oração é um meio que Deus ordenou para cumprir Seus propósitos: “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16), ou seja, Deus move o coração do crente a orar. Deus muda as circunstâncias pela oração. A oração remove o sofrimento, mas também nos dá poder para enfrentar os problemas e usá-los para cumprir os propósitos de Deus.

É o próprio Deus que nos leva a buscar a Sua face em meio as diversas ocasiões e crises que enfrentamos. Vemos isso na história de Israel. Veja por exemplo Jr 29.11-13, onde o Senhor diz para seu povo que estava no cativeiro babilônico que eles deveriam crescer nessa cidade e depois de setenta anos eles iram orar, e o Senhor iria lhes ouvir a oração e lhes libertar do cativeiro e leva-los de volta para Jerusalém. O mesmo vemos em Dn 9 quando Daniel lê o profeta Jeremias e descobre que o fim do cativeiro estava chegando. Devido a isso, ele ora confessando o pecado do povo. Vemos o mesmo em Neemias capítulo primeiro, quando ele soube da situação de miséria que se encontrava os judeus em Jerusalém, ele busca a face do Senhor em oração e confissão de pecados e se propõe a ir a Jerusalém para restaurar os seus muros. Esses são alguns exemplos de como o Senhor move o coração do Seu povo a orar, interceder e agir.

No texto que lemos vemos o Senhor Jesus ensinando os seus discípulos a serem perseverantes na oração. Essa confiança está fundamentada em três pilares:

1 – ESSA CONFIANÇA ESTÁ FUNDAMENTADA NA INTEGRIDADE DE DEUS (Lc 11.5-8).   

Para ilustrar sobre a importância da perseverança na oração, Jesus lhes conta uma parábola. Mas para entendermos essa parábola, devemos entender o contexto histórico da época.

O contexto histórico – Viajar à noite na Palestina era comum por causa do intenso calor do dia, e assim a chegada deste amigo à meia-noite não é de forma alguma algo incomum [2]. Kenneth Bailey diz que o elemento essencial desta parte da parábola é que o hospedeiro é hospedeiro da comunidade e não apenas do indivíduo. Este fato se reflete até como que se cumprimentavam o hóspede. É-lhe dito: “você honrou a nossa aldeia”, e nunca: “você me honrou”. Dessa forma a comunidade é responsável por hospedá-lo. O hóspede deve sair da aldeia sentindo-se bem com a hospedagem da mesma como comunidade [3]. Devido a isso, o hospedeiro poderia ir de casa em casa pedindo emprestado, caso não tenha, a melhor toalha, jarro, talheres, alimentos. E todos cederiam de bom grado. Se algum vizinho não socorresse o amigo, ele ficaria mal visto da aldeia. Por isso que, mesmo contragosto, este homem se levanta para socorrer o vizinho importuno. E não só lhe dá três pães, mas muito mais do que necessitava (v. 8).

Com isso em mente, podemos destacar três coisas importantes:  

1º - O Pai não dorme. O Pai não é um homem que se casa e procura dormir cedo. O salmista diz que “não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel” (Sl 121.4). Por isso que a qualquer hora da noite ou do dia o Senhor está pronto a nos atender.

2º - O Pai não é um vizinho incomodado. O Senhor não se sente incomodado com as nossos pedidos. Muito pelo contrário, Ele nos ensina que devemos ser perseverantes na oração. Em Lucas 18.1 nos diz: “E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer”.

3º - O Pai nos atende de bom grado. Leon Morris diz não devemos brincar de orar, mas, sim, devemos mostrar persistência se não recebemos a resposta imediatamente. Não é que Deus não deseje atender e precisa ser pressionado para dar uma resposta. O contexto inteiro deixa claro que está ansioso por dar. Mas se não quisermos aquilo que estamos pedindo, suficientemente para sermos persistentes, então não fazemos muita questão dele [4].

Wiersbe diz que a persistência na oração não é uma tentativa de fazer Deus mudar de ideia (“Seja feita a tua vontade”), mas sim de nos colocar numa posição em que ele nos confie a resposta [5]. A oração nos prepara para recebermos a resposta de Deus.

Esta parábola nos revela a natureza de Deus. Se um vizinho que põe tantos obstáculos para socorrer o seu vizinho inoportuno, mas por ser um homem íntegro, lhe socorrerá, muito mais o Pai que você busca em oração, por sua mais alta integridade e por lhe amar, lhe responderá a qualquer hora. Este é o ensinamento desta parábola. Deus é um Deus de honra, e por isso, seus filhos podem ter certeza absoluta de que suas orações serão atendidas em tempo oportuno.

2 – ESSA CONFIANÇA ESTÁ FUNDAMENTADA NA PRONTIDÃO DE DEUS EM NOS OUVIR (Lc 11.9,10).

Jesus faz agora a aplicação da parábola. Ele mostra que para recebermos algo da parte de Deus devemos orar.  Devemos agir como o homem da parábola, que, mesmo sabendo que estava incomodando e recebendo um não à princípio do seu vizinho, não deixou de insistir na busca do que necessitava. Com isso, ele recebeu até mais do que buscava (v. 8, conf. Ef 3.20).

Podemos destacar algumas lições importantes em relação a oração.

1º - Em primeiro lugar, a ordem de Jesus para orarmos (Lc 11.9). Há uma tríplice ordem aqui: pedi, buscai e batei. A oração tem a ver com humildade, perseverança e ousadia. Os imperativos presentes “continue a pedir”, “continue a buscar” e “continue a bater” indicam que a oração não é um ritual semipassivo em que de vez em quando partilhamos nossos interesses com Deus. A oração exige vigor e persistência [6].

John Stott diz que na oração há muita coisa por detrás dela. Primeiro, oração pressupõe conhecimento. Considerando que Deus só concede dádivas de acordo com a sua vontade, temos de esmerar-nos em descobri-la – pela meditação nas Escrituras e pelo exercício da mente cristã disciplinada nessa meditação. Segundo, oração pressupõe fé. Uma coisa é conhecer a vontade de Deus; outra é nos humilharmos diante dele e expressarmos a nossa confiança em que ele é capaz de executar a sua vontade. Terceiro, oração pressupõe desejo. Podemos conhecer a vontade de Deus e crer que ele pode executá-la, e ainda assim não desejá-la. A oração é o principal meio ordenado por Deus para a expressão de nossos mais profundos desejos. Assim, antes de pedir, precisamos saber o que pedir e se está de acordo com a vontade de Deus; temos de crer que Deus pode concedê-lo; e precisamos genuinamente desejar recebê-lo. Então, as graciosas promessas de Jesus se realizarão [7].

2º - Em segundo lugar, a promessa a quem ora (Lc 11.9,10). Os tempos verbais desta passagem são importantes: “Pedi (continuem pedindo), buscai (continuem buscando), batei (continuem batendo)”. Em outras palavras, não procurem Deus só quando surgem emergências no meio da noite, mantenham-se constantemente em comunhão com o seu Pai [8]. Entendendo que não receberemos tudo o que pedirmos, mas receberemos o que precisamos, e o que iremos receber é o melhor para nossas vidas.

3 – ESSA CONFIANÇA ESTÁ FUNDAMENTADA NA MISERICÓRDIA DO PAI NO CÉU (Lc 11.11-13).

Jesus conclui esse assunto mostrando o quanto o Pai é misericordioso. Ele faz uma comparação com o pai humano, que é falho e mal, mas que entretanto, procura dar o melhor para os filhos. Por isso devemos confiar que o Pai do céu nos dará sempre o melhor para nós.

Observe que esta parábola eleva o nível da discussão de amizade à paternidade; se uma pessoa iria responder a um pedido ousado de um amigo, quanto mais seria um pai responder aos seus filhos?

D. M. Lloyd-Jones diz que em nossa insensatez, inclinamo-nos por pensar que Deus está contra nós, quando algo de desagradável nos acontece. Entretanto, Deus é o nosso Pai; e, na qualidade de nosso Pai, Ele jamais nos dará qualquer coisa que nos seja prejudicial. Nunca; isso é simplesmente impossível [9].

Com isso em mente, podemos destacar algumas lições importantes.

1º - Deus nunca erra (Lc 11.11,12). Qual o pai que se um filho lhe pedir um pão lhe dará uma pedra? E se lhe pedir um peixe lhe dará uma serpente? Ou se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Isso é totalmente ilógico. Ora, se mesmo um pai terreno, ainda que mau por natureza (SI 51.1-5; 130.3; Is 1.6; Jr 17.9; Jo 3.3, 5; Rm 3.10; Ef 2.1), providencia para seus filhos somente coisas boas, e não coisas que venham a causar-lhes dano, quanto mais razão tem o Pai celestial – literalmente, o Pai do céu –, que é isento de toda maldade e é, de fato, a fonte de toda bondade, de dar ... o quê? [10]. Se aqui na terra o pedido dos filhos já exerce grande poder sobre os pais, a oração dos filhos de Deus move o coração do Pai no céu com muito mais intensidade [11].

Mas pode ser que por uma distração o pai dê algo ao filho algo que lhe prejudique. Quantas vezes já ouvimos de pais que esqueceram os filhos pequenos dentro do carro e foram trabalhar? Vi um vídeo de uma mãe que foi levar o filho para a aula de violão e esqueceu o filho em casa. Isso prova que somos falhos. Outras vezes procuramos fazer o melhor para os nossos filhos e no entanto estamos lhes prejudicando... somos falhos.

No entanto, Deus nunca erra. Deus conhece a diferença que entre o bem e o mal, com uma profundidade desconhecida por qualquer outro ser. O Pai jamais incorre em equívocos. Ele jamais nos dará alguma coisa que possa a vir a prejudicar-nos [12].

2º - Deus sempre tem o melhor para nós (Lc 11.13). Se, porém, os homens maus não fazem danos aos seus filhos, mas, pelo contrário, lhes fazem bem, quanto mais Deus fará bem aos Seus filhos? O bem que Deus fará não é deixado em termos gerais: Dará o Espírito Santo. Lucas está interessado na obra do Espírito Santo, e aqui vê o dom do Espírito como o sumo bem para o homem [13].

Esse é o único caso no Evangelho de Lucas no qual a presença do Espírito Santo é descrita como comum para a vida espiritual dos cristãos. A referência no contexto da história do amigo importuno é uma exortação para a persistência na busca de uma vida cheia do Espírito. E uma passagem na qual a busca pela santificação encontra uma particular garantia das Escrituras. Somente aqui, nas tradições do Evangelho, somos encorajados a buscar persistentemente o legado do Espírito Santo [14].

Para aqueles que pedem um presente, Ele dá o doador; para aqueles que procuram a verdade Ele dá o Espírito da verdade (Jo 16.13); para aqueles que procuram “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22-23) Ele dá o produtor de todas essas coisas. Somos a habitação do Espírito Santo (Rm 8.9,11; 1Cor 6.19; 2Tm 1.14), Ele é a fonte de todo o bem na vida do cristão (Ef 3.20).

CONCLUSÃO

Ousemos entrar confiantemente na presença do Senhor, pois teremos bons resultados em nossa oração. O Senhor tem prazer em ter comunhão com Seus filhos. Ele é o bom Pai que nos dá boas dádivas. Em Sua presença desfrutaremos as ricas bênçãos de Sua bondade e experimentaremos a realidade de que Ele “é capaz de fazer muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que opera em nós” (Ef. 3.20).

Ele não é um vizinho insensível as nossas necessidades, mas um Pai amoroso pronto a nos socorrer em tempo oportuno!

Pense nisso!

Bibliografia:

1 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 164.

2 – Childers Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 417.

3 – Bailey, Kenneth E. As Parábolas de Lucas, Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1985, p. 106.

4 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 185.

5 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 279.  

6 – Lopes, Hernandes Dias. Mateus, Jesus, o Rei dos reis, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2019, p. 239.

7 – Stott, John R. W. Contracultura Cristã, A mensagem do Sermão do Monte, Ed. ABU, São Paulo, SP, 1981, p. 88.

8 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 280.

9 – Lloyd-Jones, D. M. Estudo no Sermão do Monte, Ed. Fiel, São Paulo, SP, 1984, p. 481.

10 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 116.

11 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 166.

12 – Lloyd-Jones, D. M. Estudo no Sermão do Monte, Ed. Fiel, São Paulo, SP, 1984, p. 481.

13 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 185.

14 – Neale, David A. Lucas, 9 – 24, Novo Comentário Beacon, Ed. Central Gospel, Rio de Janeiro, RJ, 2015, p. 100. 

quarta-feira, 1 de junho de 2022

SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR - Lucas 11.1-4

Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 11.1-4

INTRODUÇÃO

O texto que lemos nos mostra Jesus mais uma vez em oração. Após Jesus terminar de orar, um de seus discípulos lhe pede para que os ensine a orar assim como João Batista ensinou os seus discípulos. Costumamos pensar em João Batista como profeta e mártir, mas os discípulos de Jesus lembravam-se dele como homem de oração [1]. Apesar de João ser cheio do Espírito Santo desde o ventre, ele foi um homem que se mostrou na dependência de Deus através de sua vida de oração.

Alguém falou que “a oração é o fôlego da alma”. Assim como João ensinou os seus discípulos a respeito da oração o Senhor Jesus também ensinou aos seus discípulos. Jesus não só ensinou a respeito da oração como Ele também foi um homem de oração. Lucas falou mais sobre oração do que qualquer outro evangelista. Por descrever Jesus como o Homem perfeito, é o Evangelho que enfatiza a vida de oração de Jesus (3.21; 5.15-17; 6.12,13; 9.18,28; 11.1; 22.31,32; 22.39,40; 23.34). Sete destas orações de Jesus constam somente em Lucas e mostram Jesus orando antes de cada grande crise de sua vida. Somente este Evangelho registra que Jesus orou por Pedro (22.31,32). Jesus orou por seus inimigos (23.34) e por si mesmo (22.41,42). Os discípulos aprenderam a orar com Jesus, e a igreja primitiva aprendeu a orar com os discípulos [2].

Diante do pedido desse discípulo Jesus então lhes dá um modelo de oração. A oração aqui registrada tem um paralelo com Mt 6.9-13, onde no Sermão do Monte o Senhor lhes fala como os seus discípulos deveriam orar. Leon Morris diz que Jesus ensinou sobre esse modelo de oração mais de uma vez [3]. Em Mateus Jesus estava no início de seu ministério, aqui em Lucas Ele está a caminho de Jerusalém para ser crucificado. A oração registrada em Lucas é mais breve do que a incluída no Sermão do Monte, mas a centralidade de Seu ensino é o mesmo.

Vejamos o que esse texto tem a nos ensinar.

1 – A ORAÇÃO É PRIORIDADE DA VIDA DO CRENTE (Lc 11.1).

Lucas registra aqui nesse texto que estando Jesus a orar... isso despertou nos discípulos o desejo não só de orar, mas de orar de maneira certa. A orar não como os fariseus oravam, mas orar como Jesus orava. A ideia que temos é que os discípulos viam como o fariseus oravam, depois viram como João Batista orava e por fim, como Jesus orava. A oração que ouviram de Jesus era radicalmente diferente das tradicionais orações que estavam acostumados a ouvir nas sinagogas pelos escribas, fariseus e rabinos.

Jesus viveu uma vida intensa de oração. Orou antes de tomar grandes decisões em seu ministério. Orou na hora da tentação. Orou na hora mais amarga do Getsêmani. Orou suspenso na cruz. Orou às madrugadas. Passou noites inteiras em oração. Ensinou-nos a orar sempre e nunca esmorecer. Jesus ainda continua intercedendo pelas suas ovelhas junto ao trono da graça [4]. Se Jesus Cristo, o Filho perfeito de Deus, dependeu da oração “nos dias da carne” (Hb 5.7), nós dependemos muito mais! A oração eficaz é a provisão para todas as necessidades e a solução para todos os problemas [5].

Com isso em mente, podemos destacar duas coisas aqui:

1º - Existe o jeito certo de orar. Ensina-nos a orar... Jesus no Sermão do Monte disse para os seus discípulos: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos” (Mt 6.7). Para sermos ouvido por Deus não precisamos falar muito, mas no falar de forma correta. É orar segundo a Sua vontade e não segundo a nossa vontade, como nos fala João em sua primeira carta: “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5.14).

A questão é: se existe um jeito certo de orar e esse jeito é segundo a vontade de Deus, como eu posso saber qual é a vontade de Deus? A Sua vontade está revelada em Sua Palavra. E com certeza nós oramos de acordo com a sua vontade, quando oramos de acordo com o padrão de oração que Ele nos deu. Muitos estão errando quando oram porque não oram segundo as Escrituras, mas segundo as suas vontades. Tiago em sua carta diz: “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tg 4.3). Por isso, antes de oramos “O pão nosso de cada dia nos dá hoje” (Mt 6.11), devemos orar “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).

2º - A oração é prioridade na vida do crente (Lc 11.1). Observe que em meio a tantos milagres, tantos prodígios, autoridade sobre os demônios, autoridade no ensino... os discípulos pedem que o Senhor lhes ensinasse a orar. Isso nos mostra que a autoridade do crente vem mediante uma vida de oração e não de ação. Isso nos ensina que devemos orar para agir e não agir para orar.

Eles não pedem: “ensina-nos a pregar”, mas, “ensina-nos a orar”. Jesus deixou o exemplo de orar antes de tomarmos qualquer decisão. Antes de darmos o primeiro passo. Isso devemos observar e colocar como prioridade em nossas vidas também. A oração é mais do que meramente um dever ocasional; é um modo de vida.

Talvez você diga que não é uma pessoa de oração, ou pelo menos como dizem que devemos ser. Vou lhe dar um exemplo de uma pessoa que era um excelente escritor, excelente crente, mas um homem modesto na sua vida devocional. Esse homem era C. S. Lewis. Ele gostava de dizer: “Não sou como os místicos, aqueles que sobem a montanha para orar. Sou alguém que está no sopé da montanha. Eu não estou muito alto, nem lá embaixo. Vivo no meio da montanha, como um cristão normal” [6]. Ou seja, se você não pode ser um Moisés no alto do monte Sinai recebendo as tábuas da lei, seja pelo menos como Josué que acompanha Moisés (Êx 24.13).

2 – UM MODELO DE ORAÇÃO – PRIORIDADE NA VONTADE DE DEUS (Lc 11.2).

Os discípulos não haviam solicitado que Jesus lhes ensinasse uma oração para recitar, mas como orar. Jesus respondeu dando-lhes uma oração que, infelizmente, no decorrer dos anos passou a ser recitada e até mesmo cantada. Entre os católicos este modelo de oração que Jesus ensinou é chamada de “Oração do Pai Nosso”. No entanto, Jesus alertou contra a repetição sem sentido na oração (Mt 6.7). Jesus não teria dado aos Seus seguidores uma oração para recitar mecanicamente. Também não há qualquer registro no Novo Testamento de ninguém posteriormente recitando esta oração. Longe de ser apenas mais um ritual de oração, esta oração é um esqueleto ou estrutura para toda a oração.

No entanto, é bom lembrarmos que o conteúdo dessa oração é um tesouro de lições espirituais. Por isso, expô-las em uma mensagem é algo impossível. Esta oração modelo sobre a qual muitos livros já foram escritos não admite ser considerada adequadamente em apenas uma mensagem.    

O que podemos aprender com este modelo de oração dado por Jesus?

1º - A oração deve ser uma prática diária (Lc 11.2a). Jesus não disse: “Se orardes”, mas “Quando orardes”. Ele pressupõe que seus discípulos vão orar. A oração é uma necessidade vital na vida espiritual [7]. Há momentos em nossas vidas que a oração é tudo que nos resta. A oração não nos impede de agir, mas há certos momentos que já não temos mais nada a fazer a não ser orar. E é nessa hora que a nossa fé é colocada à prova.

2º - A oração revela nossa intimidade com o Pai (Lc 11.2b). “Pai nosso...” Jesus começa com o simples trato: Pai, o que corresponde ao aramaico abba, o modo de uma criança se dirigir ao seu pai humano. Jesus ensinou Seus seguidores a pensarem em Deus como sendo Pai deles (que aprenderam a lição é visto em Rm 8.15; G1 4.6) [8].

Abba era muitas vezes uma das primeiras palavras que uma criança aprendia a dizer. Jesus enfatiza que a oração envolve intimidade com Deus. Os crentes têm o privilégio de entrar na presença do Criador e Rei soberano do universo e se dirigindo a ele em termos íntimos. Dirigindo-se a Deus como Pai, isso mostra que os crentes vivem em família eterna com Deus. Embora sejamos pecadores (1Jo 1.8), o Senhor não deixa Suas amadas crianças a quem Ele concedeu a vida eterna (Jo 3.15,16,36).

Pai nosso – devemos entender que Ele é pessoal. Há, no entanto, um problema. Conforme João explica, somente aqueles que recebem Jesus e creem em seu nome, têm o direito de se referir a Ele como “Pai nosso” (Jo 1.12). Na verdade, Jesus deixou claro que havia apenas dois tipos de pessoas no mundo: aqueles que se referiam a Satanás como “nosso pai”, e aqueles que chamavam a Deus de “Pai nosso” (Jo 8.44-47). Não há outras opções [8].

3º - A oração revela a grandeza de Deus (Lc 11.2c). “Que estás nos céus”. Ele não é somente bom, Ele também é grande. As palavras “nos céus” indicam não tanto o lugar de sua habitação, mas também sua autoridade e o poder que tem na qualidade de criador e governador de todas as coisas. Assim ele combina amor paternal com poder celestial; e o que o seu amor ordena, o seu poder é capaz de realizar [9].

4º - A oração revela a santidade de Deus (Lc 11.2d). “Santificado seja o teu nome”. Santificado quer dizer “tornado santo”, “reverenciado”. O nome na antiguidade significava muito mais do que significa para nós. Resumia a totalidade do caráter de uma pessoa, tudo quanto era conhecido ou revelado acerca dela [10].

Santificado quer dizer venerado ou honrado, considerado santo. Está em foco a honra de Deus entre os homens e entre os seres angelicais. Veja por exemplo Isaías 6.1-5.

Na presença de Deus Todo-Poderoso, Isaías ficou completamente cônscio das suas imperfeições. A pessoa, o poder e a pureza do Santo o tornaram inteiramente ciente da sua própria corrupção. É na pureza intensa e brilhante da pessoa de Deus que as nossas fraquezas e imperfeições aparecem da pior maneira possível. Quanto mais nos aproximamos dele, tanto mais claramente sentimos os nossos próprios pecados. E é somente assim que descobriremos quanto necessitamos de nos purificar das nossas imperfeições [11].

O Nome significa tudo quanto está envolvido na Pessoa de Deus, tudo quanto nos foi revelado a Seu respeito. Por isso que o Senhor se revelou aos filhos de Israel sob diversos nomes. Ele usou certos vocábulos para indicar a sua pessoa (El ou Elohim), que apontam para o seu poder, para sua força.

O Nome – o nome de Deus – significa o título, a pessoa, o poder, a autoridade, o caráter e a própria reputação de Deus. Entenda uma coisa, tão grande era o respeito do antigo povo hebreu pelo nome de Deus que nem mesmo ousavam pronunciá-lo nem tentavam pô-lo em língua humana. Era representado pelas letras Y H W H. Mais tarde, foram aumentadas para YAWEH, que em nossas traduções é SENHOR.

O nome YAWEH quer dizer “Auto Existente”. No Antigo Testamento, o Senhor se descreveu a Si mesmo através do seu nome: Yahweh-jireh – o Senhor proverá; Yahweh-rapha – o Senhor cura; Yahweh-nissi – o Senhor é a nossa bandeira; Yahweh-shalom – o Senhor é a nossa paz; Yahweh-ra-ah – o Senhor é o nosso pastor; Yahweh-tsidkenu – o Senhor é a nossa justiça; e ainda Yahweh-shammah – o Senhor está presente. Ao lermos a antigo Testamento no original, vemos que todos esses nomes de Deus foram usados com certa frequência [12].

5º - A oração desperta o desejo do reino de Deus na terra (Lc 11.2e). “Venha o teu reino”. Desde que o homem pecou tem havido um grande número de impérios e nações ao longo da história humana, mas espiritualmente há apenas dois reinos: o reino de Deus e o reino de Satanás (cf. Cl 1.13). Todos os reinos deste mundo atualmente fazem parte do domínio das trevas de Satanás. Desde a queda a raça humana está em rebelião contra Deus. A maioria das pessoas, desde a infância, acreditam erroneamente que eles podem definir o rumo para suas vidas, determinar seu próprio destino, decidir o seu próprio futuro, e traçar seu próprio curso da vida. Agem como se o Senhor não reinasse. Como se Ele nada visse. Ledo engano.

Foi exatamente o Reino de Deus que o Senhor Jesus veio implantar na terra, não de forma literal, mas no coração dos seus discípulos. A Igreja Católica a interpreta fazendo da Igreja Romana um reino particular. Jesus em momento algum veio para inaugurar uma instituição religiosa. Longe disso.

Veja o que o Senhor Jesus falou para os fariseus sobre a vinda do Reino de Deus:

“Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17.20,21 – ARA).

Quando o Jesus veio a este mundo Ele veio para inaugurar este Reino, que é o Evangelho sendo amplamente espalhado em toda a terra. É este Reino sendo instalado dentro dos corações das pessoas; gente que antes era serva de Satanás, mas agora convertidas ao Senhor. Como disse Paulo aos Colossenses 1.13,14: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados”.

E podemos ir um pouco além. Quando eu oro “venha o teu Reino”, estou desejoso de renunciar ao governo da minha própria vontade, abstenho-me de tomar as minhas próprias decisões, a fim de permitir que o Senhor, pelo Seu Espírito decida o que eu deva fazer.

É o Senhor reinando de forma plena no meio da Sua Igreja.

6º - A oração nos dá maturidade em nossos desejos (Lc 11.2f). “Seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu”. Alguém disse bem que o propósito da oração não é garantir que a vontade do homem seja feita no céu, mas sim que a vontade de Deus seja feita aqui na Terra. Orar não é dizer o que desejamos e depois desfrutar disso egoisticamente. Orar é pedir que Deus nos use para realizar aquilo que Ele deseja, de modo que seu nome seja glorificado, seu reino seja expandido e fortalecido e sua vontade seja feita [13].

Quando eu oro dizendo para Deus que seja feita a Sua vontade tanto na terra quanto no céu, eu estou abrindo mão da minha vontade em detrimento da dEle. Ou seja, a minha vontade não prevalece, mas a do Pai, e esta é, pura, perfeita e agradável (Rm12.2).

E temos como exemplo o próprio Senhor Jesus que disse que veio ao mundo não para fazer a Sua vontade, mas a vontade do Pai (Jo 6.38): “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou”.

Mas sozinhos não conseguimos colocar em prática o que o Senhor deseja de nós. Não podemos viver um Evangelho só de palavras, mas, acima de tudo, de ação. Por isso que no final do Sermão do Monte o Senhor Jesus disse para os seus discípulos: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7.21 – ARA).

Por isso que o apóstolo Paulo em Filipenses 2.13: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

Como disse John Stott: “Na contracultura cristã nossa prioridade máxima não está no nosso nome, no nosso reino ou na nossa vontade, mas em Deus” [14].

3 – UM MODELO DE ORAÇÃO – APRESENTANDO OS NOSSOS PEDIDOS (Lc 11.3,4).

Uma vez que estamos firmes em nosso relacionamento com Deus e em sua vontade, é possível apresentar nossos pedidos (Lc 11.3,4). Podemos pedir-lhe que supra nossas necessidades (não nossa ganância!) no dia de hoje, que nos perdoe pelo que fizemos ontem e que nos dirija para o futuro. Esses três pedidos abrangem todas as nossas necessidades: provisão material e física, perfeição moral e espiritual e proteção e orientação. Se orarmos dessa maneira, teremos certeza de orar dentro da vontade Deus [15].

1º - Provisão material e física (Lc 11.3). “Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano”. Devemos pedir que Deus supra nossas necessidades diárias, e não nossa ganância insaciável [16]. Aqui “pão” indica tudo o que é necessário para o sustento da vida física [17]. Podemos dizer que a substância deste pedido, pão, abrange todos os requisitos temporais básicas da vida, como a alimentação, habitação, vestuário, cuidados de saúde, e talvez até mesmo governo que oferece paz e ordem na sociedade (cf. Rm 13.1-4).

Leon Morris destaca que o presente continuo, “continua dando” e o de dia em dia tornam claro que devemos confiar em Deus constantemente, e não pedir suprimentos por um período longo e então esquecer-nos dEle [18]. Esse alerta tem base no que está escrito em Dt 8.10-17 conf. Ap 3.17-19.

2º - Perfeição moral (Lc 11.4a). “E perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a qualquer que nos deve”. Aqui, diferentemente de Mateus, o Senhor diz que devemos pedir perdão pelos nossos pecados, enquanto que em Mateus o Senhor ensina a pedir perdão pelas nossas dívidas.

Este pedido vai além da necessidade de coisas que sustentam a vida física para a necessidade muito mais significativa, para o que proporciona vida espiritual. O perdão dos pecados é a maior necessidade de cada pessoa (Lc 5.17-20), uma vez que os pecados perdoados nos dá a garantia de que não passaremos pelo julgamento divino e que alcançamos a vida eterna (Rm 8.1).

Leon Morris diz que o Novo Testamento deixa claro que o perdão brota da graça de Deus e não de qualquer mérito humano. Pelo contrário, o pensamento avança do menor para o maior: visto que até mesmo homens pecaminosos como nós podem perdoar, podemos aproximar-nos confiantemente de um Deus misericordioso [19].

3º - Proteção espiritual (Lc 11.4b). “E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal”. A primeira vista, este pedido parece intrigante. Esta palavra, fora do contexto da Escrituras, dá a entender que Deus às vezes faz com que um homem seja tentado, no entanto, Tiago 1.13 nos assegura que Ele nunca faz assim (Tg 1.13). Pelo contrário, Jesus está encorajando a fugir da tentação (cf. 1Co 6.18; 10.14; 1Tm 6.11; 2Tm 2.22). O cristão reconhece sua fraqueza, reconhecendo a facilidade com que cede diante das tentações do mundo, da carne e do diabo. Portanto ele ora para que seja liberto de todas elas.

Devemos reconhece com humildade que somos fracos. Reconhecer que o mundo é mal, caído e, inevitavelmente, é um ambiente hostil e perigoso. Nós enfrentamos perigos físicos, perigos mentais e intelectuais e perigos espirituais. O apóstolo Paulo nos lembra muito bem em Ef 6.1-18 que estamos em guerra. Que o mundo jaz no maligno (1Jo 5.19). Por isso devemos pedir proteção moral e espiritual, rogando ao Pai que nos livre das ciladas do diabo, do laço do passarinheiro e dos ardis da tentação do maligno [20].  

CONCLUSÃO

Vemos nesse texto que a prática da oração nos leva a ter consciência da nossa total dependência de Deus. Que a oração correta nos leva a termos também consciência dos nossos pecados e que precisamos da misericórdia de Deus para alcançarmos o Seu perdão.

Vemos que os discípulos estavam interessados em aprender a orar e não em aprender a pregar ou a operar milagres. A vida devocional de Jesus despertou nos seus discípulos esse mesmo interesse. Vimos também que a oração dada por Jesus nos mostra como devemos orar, orar de forma coerente e de acordo com a Sua vontade.

Que possamos seguir os passos de Jesus e aprendermos a orar como convém, para que em tempo oportuno sejamos ouvidos.

Pense nisso!   

Bibliografia:

1 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 278.

2 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 23.

3 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 182.

4 – Lopes, Hernandes Dias, Casimiro, Arival Dias. Aprendendo a Orar Com Quem Ora, Ed. United Press, São Paulo, SP, 2015, p. 7.

5 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 278.

6 – Ferreira, Franklin. Servos de Deus, espiritualidade e teologia na História da Igreja, Ed. FIEL, São José dos Campos, SP, 2013, p. 401.  

7 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 183.

8 – Hanegraaff, Hank. A Oração de Jesus. Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2002; p. 42.

9 – Sttot, John. A Mensagem do Sermão do Monte. Editora ABU, São Paulo, SP, 1986: p. 149.

10 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 183.

11 – Keller, W. Phillip. Orando Diariamente o Pai-Nosso. Editora Vida, São Paulo, SP; p. 67.

12 – Lloyd-Jones, D. Martyn. Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel, São Paulo, SP, 1984: p. 345.

13 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 279.

14 – Sttot, John. A Mensagem do Sermão do Monte. Editora ABU, São Paulo, SP, 1986: p. 152.

15 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 279.

16 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 355.

17 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 111.

18 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 183.

19 – Ibidem, p. 184.

20 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 355.  

domingo, 3 de abril de 2022

SÓ UMA COISA É NECESSÁRIA – JESUS NA CASA DE MARTA E MARIA - Lucas 10.38-42

Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 10.38-42

INTRODUÇÃO

Essa história não é registra em nenhum outro evangelho, esse ocorrido é exclusivo do evangelho de Lucas. Esse episódio ocupa um lugar importante no Evangelho de Lucas e transmite uma verdade essencial, pois revela a prioridade mais alta da vida cristã, a de amar a Deus. Ele faz um encaixe da história do Bom Samaritano que salientou a importância de amar o próximo como a evidência de amar a Deus.

Lucas não diz quando essa ida a casa de Marta e Maria ocorreu (esse episódio não está registrado de forma cronológica), ele simplesmente narrou um incidente ocorrido fora da Galileia, em algum tempo não-especificado, que provavelmente ocorreu durante uma das muitas viagens de Jesus para fora da Galileia.

No evangelho de Lucas, a aldeia onde esse incidente ocorreu não é definida pelo nome, mas o evangelho de João informa-nos que Marta e Maria residiam em Betânia (Jo 11.1 e 12.1-3), e mostra que a mulher que ungiu a Jesus, para o seu sepultamento, era Maria. Elas também são identificadas como irmãs de Lázaro (Jo 11.1) [1].  

Marta é um nome aramaico que significa “senhora” (isto é, uma mulher que chefia uma família), que combina com seu caráter e posição. Ela pode muito bem ter sido uma viúva (Simão leproso – Mt 26.6,7 conf. Jo 12.1-3), embora que não há nenhuma menção de seu marido e Lucas descreve o lugar como a casa dela.

A recepção na casa de Marta deve ter sido não somente a Jesus, mas também aos seus discípulos. A demanda é grande. O trabalho de colocar a refeição sobre a mesa é enorme. Marta se desdobra no serviço a Jesus. Maria se concentra em ouvir Jesus. Isso provoca desconforto em Marta. Ela não esconde sua agitação e cobra de Jesus uma postura. Quer que Jesus reprove Maria por sua atitude contemplativa e tome partido a seu favor. Jesus, porém, elogia Maria e reprova Marta, deixando claro que uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte e esta não lhe será tirada [2].

É interessante destacarmos que esse incidente ocorreu durante uma refeição. Aquele momento que deveria ser de comunhão e alegria se torna momento de inquietação para Marta, pois ela estava ansiosa e preocupada com muitas coisas.

Esse texto nos ensina lições preciosas para nossas vidas.

1 – A IMPORTÂNCIA DE CONVIDAR JESUS PARA ENTRAR EM NOSSA CASA (Lc 10.38).

Marta quando soube que Jesus estava em sua aldeia tratou de convidá-lo com sua comitiva para estar em sua casa. Ela não só recebe Jesus, mas também todos que estavam com Ele.

Com isso em mente podemos destacar duas coisas:

1º - Faça como Marta, convide Jesus para entrar em seu lar. Muitas vezes nós recebemos tantas visitas indesejáveis em nossa casa, gente que aparece sem avisar. Creio que isso já ocorreu com você. De repente, pessoas chegam em nossa casa em momento inoportuno (TJs são craques nisso), no dia errado, na hora errada, e, muitas vezes, atrapalham o nosso dia. Jesus, no entanto, só entra em lares que Ele é convido. E Ele não faz acepção de pessoas. Ele entra na casa de um pai desesperado – Jairo (Mc 5.22,23); de um homem que havia tido lepra (Mt 26.6); em uma festa de casamento (Jo 2.1,2); e até na casa de um fariseu (Lc 7.36). Quem entra em nossa casa sem ser convidado é Satanás. Ele vem em nossos vidas como um ladrão nos causando prejuízo, roubando a nossa paz e nos tirando a alegria. Por isso, não perca a oportunidade de convidar Jesus para entrar em seu lar, em sua vida, no seu coração.

2º - Convide pessoas que andam com Jesus para entrar no seu lar. Jesus quando entrou na casa de Marta e Maria, Ele chega com sua comitiva. Ele não foi só. Isso nos serve de exemplo. Convide para estar em sua casa pessoas que tenham compromisso com Jesus. Que sejam íntimos do Senhor. Cuidado com quem você chama para estar em seu lar. Principalmente pessoas que se dizem cristãs, mas andam longe de Jesus. O apóstolo Paulo nos dá um alerta sobre isso em 1 Coríntios 5.11: “Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais”.

Quando Paulo diz que com tais não devemos nem comer, ele está falando de manter comunhão. Ter um relacionamento íntimo com tais pessoas, pois “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co 15.33).

2 – O QUE PODEMOS APRENDER COM AS ATITUDES DESSAS DUAS IRMÃS (Lc 10.38-40).

Ao olharmos para essa narrativa, nós encontramos duas pessoas completamente diferentes. Maria está totalmente envolvida com os ensinos de Jesus assentada aos seus pés. Marta, por sua vez, está ocupada demais para ouvi-lo. As duas estão envolvidas com Jesus, mas com atitudes diferentes.  

1º - A atitude de Maria (Lc 10.38,39). O nome é Maria é “Mariam”, a forma grega do Hebraico Miriã. As duas irmãs que amavam o Senhor estavam empenhadas em demonstrar ao hóspede sua alegria e seu amor. Jesus deitou-se à mesa e começou a falar. As palavras do texto, como ela (Maria) se assentasse aos pés do Senhor, talvez permitam reconhecer que Maria também havia começado a servir a Jesus, mas que depois prestou atenção nas palavras de Jesus e se assentou aos pés dele para poder ouvir melhor [3].

Podemos destacar duas atitudes de Maria diante de Jesus:

a) Maria tem uma atitude de humildade – assentou-se aos pés de Jesus. Maria aparece três vezes nos relatos dos Evangelhos e, em cada ocasião, se encontra no mesmo lugar: aos pés de Jesus. Assentou-se a seus pés e ouviu sua Palavra (Lc 10.39); lançou-se a seus pés e dividiu com ele sua tristeza (Jo 11.32); e achegou-se a seus pés e derramou sua adoração (Jo 12.3). É interessante observar que, em cada uma dessas situações, o texto fala de algum tipo de fragrância: em Lucas 10, é a do alimento; em João 11, é a da morte (Jo 11.39); e em João 12, é a do perfume [4]. Essa atitude de Maria é um exemplo para todos nós.

b) Maria assenta-se aos pés de Jesus para ouvi-lo. Sua posição, o mais próximo a Jesus, era como ela poderia ouvi-lo melhor, prestar mais atenção aos seus ensinamentos. Isso indica um intenso interesse de Maria em aprender de Jesus. Maria demonstrou a atitude de um verdadeiro crente. Em Lucas 6.47,48 Jesus definiu um autêntico discípulo como “aquele que vem a mim e ouve as minhas palavras e as põe em prática”. Maria estava ouvindo para poder praticar. A situação aqui sugere uma relação professor-aluno. Os discípulos geralmente sentavam-se aos pés do rabi, como Paulo se sentava aos pés de Gamaliel (At 22.3) [5].

2º - A atitude de Marta (Lc 10.40). Sua atitude é totalmente contrária de sua irmã. Enquanto Maria para e dá atenção ao que Jesus ensina, Marta se distrai com os muitos afazeres. Marta tem um temperamento irrequieto, uma personalidade agitada. Todas as vezes em que ela aparece na Bíblia, está fazendo alguma coisa, está servindo à mesa, está em ação, está discutindo [7].

Diante dessa atitude podemos destacar duas lições importantes:

a) Marta recebe Jesus em sua casa, mas não lhe dá a devida atenção – Marta, porém, andava distraída em muitos serviços (Lc 10.40a). Infelizmente, mesmo os crentes genuínos podem perder o foco no que realmente importa. Ao contrário de sua irmã, Marta estava distraída com os afazeres para ouvir os ensinamentos do Senhor. O verbo traduzido por “distraída” significa literalmente “atraída por coisas à sua volta”. Ela permitiu que os preparativos (lit. muitos serviços), a tirassem de dar atenção melhor a Jesus e seus ensinamentos.

William Hendriksen diz que, provavelmente, a mente de Marta se volta em todas as direções. Como poderei cuidar de todos os detalhes desta refeição elaborada: os aperitivos, a salada, a carne, as verduras, os condimentos, os pães, a sobremesa, a distribuição dos convidados ao redor da mesa etc.? E tudo isso para: “Jesus e Lázaro, Maria e Marta, mais Pedro, André, Tiago e João, Filipe e Bartolomeu, Mateus e Tomé, e também Tiago o Menor e Judas o Maior, Simão o Zelote e Judas (que veio a ser) o traidor” [8].

Entenda, o erro de Marta não está em preparar a refeição para Jesus e seus discípulos, mas em estar tão envolta com os afazeres que não dá a devida atenção aos seus ensinamentos. Wiersbe diz que “o que fazemos com Cristo é muito mais importante do que aquilo que fazemos para Cristo” [9].  

O ativismo tem sido um grande mal na vida de muitos cristãos hoje. Muitos fazem tanto para Cristo, mas não ouvem os seus ensinamentos. Estão tão envoltos em tarefas que não aprendem nada do que Jesus lhes ensina. Isso é muito perigoso. Ativismo não é adoração.  

b) Marta, diante da postura de Maria, perde a compostura (Lc 10.40b). Marta fica tão aborrecida com sua irmã e por Jesus não se importar com isso, que ela perde a compostura. Ela chega ao ponto de dar uma ordem a Jesus: “Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude”.

Suas prioridades equivocadas finalmente fizeram com que Marta perdesse a alegria de servir. Ela se tornou mais e mais confusa, agitada e frustrada, até que, finalmente, ela ficou com raiva. O alvo de sua raiva era a sua irmã, que, em vez de ajudar com as tarefas, estava sentado ouvindo Jesus. Finalmente, em exasperação descontrolada, Marta veio até Jesus e o interrompeu. Sua irritação a levou a perder o controle e fazer a acusação sem pensar ao próprio Jesus.

Ah! Meus irmãos, quão semelhantes a Marta nós somos! Quantas e quantas vezes agimos iguais a ela. Cuspimos marimbondos para cima das pessoas que não fazem a obra como gostaríamos que fizessem. Devido a isso cuspimos esses mesmos marimbondos em cima de Jesus que não repreende tais pessoas como gostaríamos. 

Marta chega ao ponto de questionar se Jesus não se importava dela servir sozinha. Quando não podia aguentar mais, pediu que Jesus interviesse. Observe que no seu pedido há repreensão a Jesus: não te importas...? e a Maria: de que minha irmã tivesse deixado que eu fique a servir sozinha? Em sua explosão, não só critica Maria, mas também Jesus por permitir que Maria se sente a li... ociosa [10]. Ainda não aprendemos essa lição!

Quantos estão servindo a Jesus mas não se conformam que outras pessoas não sirvam como elas, ou seja, quem não serve como eu sirvo, não serve para servir. Aos olhos de muitas pessoas o que elas fazem é de suma importância, enquanto o que os outras pessoas fazem é só ociosidade. Mas saiba de uma coisa: “Poucas coisas causam tanto estrago à vida cristã quanto tentar trabalhar para Cristo sem dedicar tempo a ter comunhão com Cristo” [11].

3 – JESUS CENSURA MARTA (LC 10.41).

Longe de repreender Maria como Marta tinha exigido, Jesus fez ao contrário, Ele a elogiou pela sua postura: “Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”, e reprendeu Marta.

Com isso em mente, podemos aprender alguma lições:

1º - Jesus censura Marta com amor (Lc 10.41,42). Mesmo diante da atitude descontrolada de Marta, e de forma até indelicada, Jesus calmamente repreende Marta com carinho e amor. Jesus responde de forma amável; o duplo vocativo: Marta! Marta! É um a forma meiga de se dirigir a ela. Jesus não a repreende da mesma forma que ela age.

2º - Jesus censura Marta por sua preocupação excessiva (Lc 10.41). Jesus diz que Marta está preocupada com um número demasiado de coisas. A vida tem poucas necessidades reais, e, quando necessário, podemos passar sem muitas das coisas às quais dedicamos nosso tempo [12]. O coração de Marta parecia um mar agitado pelo vento. Sua preocupação estava fora de controle e o que ela estava fazendo pelo Senhor já não estava sendo algo agradável. Quando isso ocorre precisamos reavaliar se vale a pena continuar. Se não estamos indo por um caminho errado. E, com certeza, estamos.

O problema de Marta não era ter trabalho demais a fazer, mas permitir que o trabalho a distraísse e desgastasse. Tentava servir a dois senhores! Se servir a Cristo dificulta nossa vida, então algo em nosso serviço está terrivelmente errado! [13].

A obra de Cristo não pode ser um peso. Muitas vezes ela não será fácil, mas não pode ser um peso. Algo que nos angustie e nos leve a murmuração. Como disse Paulo em Filipenses: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas” (Fl 2.14).

3º - Jesus censura Marta por sua escolha errada (Lc 10.42). Jesus diz à apressada Marta que apenas uma coisa é necessária, uma aparente referência a um prato único de jantar [14]. O alimento necessário já estava sendo servido e o anfitrião era o próprio Jesus. Só um alimento naquela noite era necessário – ouvir à Palavra de Deus e Maria tinha feito a melhor escolha.

A fornada de Jesus estava sendo servida e Maria estava se fartando com o Pão da Vida enquanto Marta passava fome.

4 – JESUS ELOGIA MARIA (Lc 10.39,42).  

J. C. Ryle diz que essas palavras não foram pronunciadas tendo em vista apenas o benefício de Maria, e sim o de todos os verdadeiros crentes a serem pessoas resolutas e dedicadas, a seguir a Cristo totalmente, a andarem em intimidade com Deus, a tornarem as coisas da alma sua primeira preocupação e a darem menos importância as coisas deste mundo [15].

Com isso em mete, podemos tirar algumas lições:

1º - Jesus elogia Maria pelo seu posicionamento (Lc 10.39). Maria, pelo que tudo indica, estava servindo, parou para ouvir os ensinamentos de Jesus. Ela passa a ser servida por Jesus e não recusa o alimento. Ela bebia a largos sorvos da fonte. Ela nutria seu coração com o pão do céu. Ela valorizava mais a presença de Jesus do que o trabalho para Jesus [16]. Marta estava preocupado com o pão que alimenta o corpo, enquanto o foco de Maria foi sobre o Pão da Vida que alimenta a alma (cf. Jo 633,35, 48,51).

2º - Jesus elogia Maria por sua sábia escolha (Lc 10.42). Jesus deixa claro para Marta que Maria escolheu a boa parte, a única coisa necessária; estar aos seus pés para ouvir seus ensinamentos e ter comunhão com Ele. A escolha de Maria foi uma escolha que lhe não lhe seria tirada, pois ela escolheu estar aos pés de Jesus e como Ele mesmo afirmou: “o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6.37).

CONCLUSÃO

Todos nós temos uma maneira peculiar de adoração. Uns são mais contemplativos, outros são mais práticos. Mas isso não torna a adoração do outro melhor ou pior. A maneira como Marta adorava o Senhor era com o trabalho (Jo 12.1,2), no entanto Maria com contemplação (Jo 12.3).

O que faltava a Marta era compreender que o servir a Cristo não pode nos afastar dele. Foi isso que ocorreu aqui nesse texto. No entanto o Senhor a corrigiu, e ela, como uma boa serva, aprendeu o que Jesus estava lhe ensinado. Portanto, não nos surpreende que duas das mais proeminentes profissões de fé encontradas nas Escrituras iriam fluir do coração e dos lábios de Marta: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, Deus te dará tudo o que pedires” (Jo 11.21,22). “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo” (Jo 11.27).

Portanto, a história tem um final glorioso. Deus foi glorificado, e isso é sempre o que mais importa.

Pense nisso!   

Bibliografia:

1 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Lucas, vol. 2, Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005, p. 111.

2 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 347.

3 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 160.

4 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 276.

5 – Childers Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 416.

6 – Ryle, J. C. Meditação no Evangelho de Lucas, Ed. Fiel, São José dos Campos, SP, 2002, p. 183.

7 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 349.

8 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 98.

9 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 276.

10 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 99.

11 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 276.

12 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 181.

13 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 277.

14 – Neale, David A. Lucas, 9 – 24, Novo Comentário Beacon, Ed. Central Gospel, Rio de Janeiro, RJ, 2015, p. 91.

15 – Ryle, J. C. Meditação no Evangelho de Lucas, Ed. Fiel, São José dos Campos, SP, 2002, p.185.

16 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 351. 

domingo, 20 de março de 2022

QUEM É O MEU PRÓXIMO? – A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO - Lucas 10.29-37

Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 10.29-37

INTRODUÇÃO

Esta parábola do Bom Samaritano é a continuidade da conversa que Jesus está tendo com o doutor da lei iniciada no v. 25. A princípio esse escriba queria saber a respeito do que era preciso fazer para herdar a vida eterna, mas ele ficou inquieto com a resposta de Jesus (v. 28), pois havia apenas um problema com a resposta do doutor da lei (v. 27), ninguém nunca fez, nem poderá sempre “fazer” o que a lei estabelece, para com Deus e os homens. Escorregar numa única vez é falhar [1]. Como disse Paulo em Romanos 3.20: “Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado”.

Se algum ser humano realmente cumpre com perfeição essa ordenança sobre o amor, então de fato obterá a vida eterna [2]. Pois um compromisso total com abnegado amor (ágape; o mais alto tipo de amor), envolvendo todas as faculdades humanas, incluindo o coração, alma, força e mente, amando a Deus e ao próximo é impossível para qualquer pessoa. Como perguntou os discípulos a Jesus: “Quem poderá pois salvar-se?”, e Jesus respondeu: “Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível” (Mt 19.25,26).

O escriba se embaraçou com a própria resposta que deu a Jesus. Por isso ele tenta se justificar a si mesmo, ele pergunta: “E quem é meu próximo?”. Sobre isso havia uma grande variedade de opiniões entre os judeus. Havia quem pervertia o mandamento de Levítico 19.18, fazendo-o dizer: “Amará ao seu próximo e aborrecerá ao seu inimigo”. Jesus refuta essa interpretação em Mateus 5.43-48. Um ponto de vista amplamente aceito parece ter sido este: “Ame ao seu próximo, o israelita”. Não obstante, os fariseus restringiam isso muito mais, ou seja: “Ame ao seu próximo, o fariseu”. Eles arrazoavam assim: “Essa plebe que não conhece a lei é maldita” (Jo 7.49). E os habitantes de Qumran declaravam que todo aquele que não pertencesse ao seu pequeno grupo era um “filho das trevas”, e devia ser odiado [3].

Quem é o meu próximo? Diante dessa pergunta o Senhor Jesus passa a contar a parábola do Bom Samaritano.

Quais as lições que podemos tirar dessa parábola para nós hoje?

1 – A PRIMEIRA COISA QUE DEVEMOS ENTENDER É O QUE NÃO SIGNIFICA ESSA PARÁBOLA.

Muitas são as interpretações dessa parábola. No entanto devemos observar o que o texto realmente ensina para não cometermos erros de interpretações equivocadas.

1º - Essa parábola não é uma alegoria. Muitas pessoas interpretam essa parábola de forma alegórica. O homem que que caiu nas mãos de salteadores significa Adão. Os salteadores significa o pecado e Satanás. O sacerdote, a lei moral – o levita, a lei cerimonial, que não podiam e nem tinham qualquer recurso para dar alívio àquele homem, porque pela lei vem o pleno conhecimento do pecado, não a cura dele.

O samaritano significa Cristo, por isso ele foi chamado pelos judeus em João 8.48 de samaritano; que ia de viagem, ou seja, a sua vinda do céu à terra, sua encarnação. A estalagem, sua Igreja, unindo-o com o seu povo; teve o cuidado dele, colocou-o sob o aviso contínuo de sua providência e amor; quando ele partiu, quando ele deixou o mundo, e ascendeu ao Pai; tirou dois dinheiros, a lei e o Evangelho; a Lei convence o homem do pecado, o Evangelho mostrar como o pecado foi removido pelo sacrifício de Cristo, ou, as duas ordenanças: o batismo e Ceia do Senhor; o hospedeiro, os ministros do Evangelho para a edificação da Igreja de Cristo que cuidam do rebanho de Cristo até a sua volta. Quando voltar, será para julgamento do mundo; eu pagarei, recompensará os salvos na glória e os perdidos no castigo eterno.

2º - Essa parábola não fala de salvação por meio das obras de misericórdia. Outros pensam que Jesus está ensinando a respeito da salvação mediante uma vida de sacrifício em favor do próximo. Bailey diz que se ignorarmos o diálogo de Jesus com o doutor da lei, essa parábola se torna apenas uma exortação ética para alcançar as pessoas necessitadas [4]. Este também é outro erro que se tem cometido. No entanto, a Bíblia deixa claro que devemos socorrer os necessitados e não desprezá-los. Tanto que Tiago em sua epístola nos fala: “A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.27, conf. Tg 2.14-18). Isso não é salvação pelas obras, mas a fé em ação.

2 – A ATITUDE DO DOUTOR DA LEI (Lc 10.29).

Esse doutor da lei tentou Jesus primeiramente com uma pergunta capciosa e agora tenta se esquivar com uma pergunta evasiva [5]. Se o perito na lei fosse um homem honesto, teria reconhecido que não amava Deus como devia; ele nem mesmo amava o próximo como devia. Esse homem, imerso no estudo da lei de Deus, deveria ter se abalado com a mensagem da lei. Ele deveria ter sentido uma profunda convicção. Deveria estar penitente, contrito, humilde. Sua próxima pergunta deveria ter sido algo como: “Se por experiência própria e amarga eu percebo que não consigo cumprir nem mesmo os mandamentos mais básicos da lei; onde posso encontrar redenção?” [6]. Leon Morris diz que ao abordarmos a parábola, devemos ter em mente que ela é contada ao intérprete da lei em resposta à pergunta: “Quem é o meu próximo?” e não, “Que devo fazer para ser salvo?” [7].

Com isso em mente podemos destacar duas coisas:

1º - Ele queria convencer os outros que era um homem justo. Este homem era tão orgulhoso que não se quebrantou diante da própria resposta dada (v. 27). Kenneth Bailey citando Karl Barth diz que o doutor da lei não sabe que somente por misericórdia ele pode viver e herdar a vida eterna. Ele nem sabe o que é isso [8]. Diante disso, ele se recusou a confessar a realidade do seu coração pecador desdenhando a convicção de pecado que ele, certamente, sentiu aumentar internamente. Este foi o comportamento que Paulo viria condenar da nação de Israel como um todo, como lemos em Romanos 2.23-29.

Esta tem sido a atitude de muitas pessoas diante do evangelho. Muitos tentam se justificar ao invés de se prostrar confessando os seus pecados e sua incapacidade de cumprir as ordenanças de Cristo. Muitos pensam que seus méritos de “misericórdia” serão suficientes para alcançar a salvação. Ledo engano.

2º - Ele é irônico na pergunta: “Quem é meu próximo?”. A fim de esvaziar a suspeita de que ele não cumpria a síntese da lei, ele pergunta pelo significado e pela limitação do conceito “próximo”, apresentando uma ágil réplica: “Quem é o próximo para mim?” Não pergunta: “Que devo fazer para amar dessa maneira?” mas deseja que se explique quem se enquadra intelectualmente no conceito de próximo [9]. Na interpretação do doutor da lei o seu próximo era um judeu, a não ser que Jesus tenha uma interpretação diferente de próximo. Na ironia da sua pergunta Jesus lhe dá uma resposta avassaladora. Uma resposta que o deixou sem argumento e descobriu de forma contundente quem era o seu próximo.

3 – A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO – UMA LIÇÃO DE VIDA (Lc 10.30-37).

Essa parábola é exclusiva do evangelho de Lucas. Ela é uma das mais belas parábolas da Bíblia. John MacArthur diz que ela é uma das parábolas mais queridas e mais interessantes de Jesus. É tão conhecida que já se tornou uma expressão proverbial para um comportamento generoso e sacrificial. Chamar alguém de “bom samaritano” é um elogio nobre [10].

Esta parábola nos traz lições muito mais profundas e nos mostra o quanto a religiosidade pode ser uma cortina de fumaça se não for vivida de forma coerente com as Escrituras. Observemos a atitude dos salteadores, do sacerdote e do levita e, por fim, a atitude do samaritano.

1º - A atitude dos salteadores (Lc 10.30). Esta parábola tem traços de realidade; ladrões infestavam a estrada de Jericó naquela época. A estrada de vinte e sete quilômetros que desce pelo deserto, de Jerusalém para Jericó, tem sido perigosa durante toda a sua história [11]. Na verdade, tão perigosa que as pessoas chamam-na “via sangrenta” [12]. As duas cidades aqui mencionadas distam cerca de sete horas uma da outra. O caminho de Jerusalém a Jericó levava pelo temido deserto rochoso de Judá [13]. Jesus não diz que os salteadores da Sua história roubaram o homem: aquilo seria subentendido. Concentra-Se nos maus tratos violentos dados ao viajante. Deixaram-no semimorto [14]. Não se tem qualquer informação sobre o homem, além dos acontecimentos de sua jornada. Seu nome não é informado, nem mesmo a sua raça é declarada. No entanto, a implicação da história é que ele era judeu – grande parte da essência e da força da história dependem deste fato [15].

Jesus não conta algo que o doutor da lei já não soubesse. Fazer essa viagem era correr riscos. Devido a isso, muitos viajavam em caravanas para evitar tais perigos. Outro detalhe que precisa ser observado é que uma pessoa podia ser identificada pela roupa que vestia. Sendo assim, era comum saber se a pessoa com quem se encontrava era judia ou de outra nacionalidade. No entanto, os salteadores deixaram este homem despojado de suas roupas, desta forma quem iria ajuda-lo uma vez que não podia ser identificado? Propositalmente Jesus complica a história.

2 – A atitude do sacerdote e do levita (Lc 10.31,32). Tendo descrito a terrível situação do homem assaltado, Jesus imediatamente introduz um raio de esperança, lembrando que por acaso um sacerdote e um levita estavam descendo nessa estrada. Esta parece ter sido a melhor notícia possível. Um sacerdote era um servo de Deus, aquele que oferecia sacrifícios pelos pecados do povo, que se espera que seja um modelo de virtude espiritual e o melhor, mais piedoso, e mais justo dos homens, assim como o levita. Ambos estariam intimamente familiarizado com a lei e comprometidos com seus princípios, um dos quais era a exigência de mostrar misericórdia. Em Levítico 19.34 Deus ordenou que o povo de Israel que “Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-ás como a ti mesmo, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus”. De acordo com Êxodo 23.4-5, eles deveriam resgatar o burro de um inimigo se ele estivesse desgarrado, ou caído debaixo da sua carga, muito mais o próprio homem. Mas não foi isso que ocorreu!

Apesar de um grande número de sacerdotes e levitas viverem em Jericó e subirem até Jerusalém quando chegava o seu período de servir no Templo [16], este pobre homem moribundo enfrentou a indiferença dos religiosos, com uma pequena diferença, o sacerdote viu o homem ferido, “passou pelo outro lado” (Lucas 10.31). O texto grego usa um verbo que não ocorre em nenhum outro lugar das Escrituras: antiparerchomai. O prefixo “anti” significa, é claro, “oposto”. O sacerdote deliberadamente se deslocou para o lado oposto da estrada. O levita, por sua vez, ainda se aproximou para vê-lo (Lc 10.32). Se os salteadores o deixaram semimorto, o sacerdote e o levita o deixaram para morrer. Se os salteadores assaltaram esse homem é provável que o sacerdote e o levita não corressem esse risco pelo cargo que ocupavam no templo, o medo deles era de ficarem cerimonialmente impuros.

A lei escrita relacionava cinco fontes de contaminação. O contato com cadáver estava no topo. A lei oral acrescentava mais quatro. O contato com um não-judeu era a primeira desta lista adicional [17]. Em busca de evitar o pecado e alcançar a santidade estes homens evitaram ajudar este semimorto. No entanto, não existe justificativa para tal negligência desses dois religiosos. A tentativa de absolvê-los, dizendo que, se entrassem em contato com um cadáver, eles incorreriam em impureza ritual, o que o deixariam impossibilitados de exercer suas funções no templo, não justifica. Em primeiro lugar, eles não estavas indo para o templo, mas para casa, e é possível que não tivessem de voltar ao templo senão depois de certo tempo. Não havia justificativa alguma para a negligência pecaminosa do sacerdote e do levita.

Wiersbe diz que não é difícil pensar em justificativas para a atitude do sacerdote e do levita. (Talvez nós mesmos já tenhamos usado algumas delas!) O sacerdote havia servido a Deus no templo a semana inteira e sentia-se ansioso por voltar para casa. Talvez houvesse bandidos por lá e estivessem usando a vítima como “isca”. Por que se arriscar? De qualquer modo, não era culpa dele que o homem tivesse sido atacado. Por ser uma estrada movimentada, alguém acabaria ajudando o homem. O sacerdote deixou a responsabilidade para o levita que, por sua vez, não fez coisa alguma! O mau exemplo de um homem religioso tem grande poder [18].

3 – A atitude do samaritano (Lc 10.33-35). Ao usar o samaritano como o herói, Jesus desconcertou [o doutor da lei], pois judeus e samaritanos eram inimigos (Jo 4.9; 8.48). Não foi um judeu que ajudou um samaritano; antes, um samaritano ajudou um judeu que havia sido ignorado por seus compatriotas! [19]. Se havia alguém que não tinha nenhuma razão para ajudar este pobre moribundo era este samaritano. Jesus faz de um inimigo o herói improvável desta parábola.

Observe a atitude desse samaritano: Tendo desmontado, o samaritano atravessou para o outro lado da estrada onde o homem semimorto jazia deitado. Imediatamente ministra os primeiros socorros, ungindo suas feridas com vinho (em virtude de seu conteúdo alcoólico era desinfetante e antisséptico) e derramando sobre elas azeite suavizante, o qual agia como um tipo de pomada. Depois o leva até uma estalagem pondo-o no seu próprio animal. Chegando lá continuou “cuidando dele” pessoalmente. No dia seguinte o samaritano tirou dois denários (dinheiros) eram uma quantia equivalente a dois dias de salário para o trabalhador mediano (cf. Mt 20.9), soma essa que, segundo os preços de seu tempo para “alojamento e comida”, bastava sobejamente para vários dias (cerca de dois meses). O samaritano é cuidadoso em garantir ao hospedeiro que ele não sofreria prejuízo algum pelo bom cuidado prestado ao judeu. É como se ele dissesse: “Em meu regresso, eu pessoalmente pagarei toda despesa adicional que porventura você tenha. E assim ponha-a em minha conta, não na dele” [20].

Com esta atitude (v. 35), ele deu ao hospedeiro um cheque em branco. Sua generosidade não conhecia limites. Ele se importava com o estrangeiro ferido, cuidando dele como se fosse um familiar ou grande amigo. Esse é o tipo de amor ilimitado da qual o escriba não amava.

John MacArthur diz que Jesus virou a pergunta do perito na lei de ponta-cabeça. A pergunta que ele fizera foi: “Quem é meu próximo?” Mas essa não é a pergunta correta. Jesus está lhe mostrando por meio dessa parábola que a compaixão justa não é limitada. Ela não procura definir os sofredores que merecem receber ajuda. As obrigações do segundo mandamento não se definem pela pergunta de quem é o seu próximo [21].

4 – JESUS CONCLUI A CONVERSA DEVOLVENDO A PERGUNTA (Lc 10.36,37).

Jesus modificou o ponto de vista do doutor da lei, e deixou que ele decidisse qual dos três (o sacerdote, o levita ou o samaritano) agiu como um próximo para o homem ferido [22]. Para não ter de citar a palavra samaritano, o professor da lei utiliza a paráfrase: “Aquele que exerceu a misericórdia nele” [23].

Mediante esta parábola nós podemos chegar à seguinte conclusão: 1) Devemos ajudar as pessoas que precisam verdadeiramente de nossa ajuda; 2) Qualquer homem de qualquer nação que estiver necessitado é o nosso próximo; 3) A nossa ajuda tem que ser prática, e não pode consistir apenas em sentir pena. Isso é o que nos ensina Jesus com esta parábola e o que nos ensina Tiago em sua epístola (Tg 2.1,14-18).

CONCLUSÃO

Quero terminar com as palavras de J. C. Ryle que diz que estas palavras significam que o crente precisa estar disposto a manifestar bondade e amor a todos os se acham em necessidade. Nossa bondade não pode estender-se apenas aos nossos familiares, amigos e parentes. Temos de amar e ser bondosos com todas as pessoas, sempre que a ocasião exigir [24].

Pense nisso!

Bibliografia

1 – Robertson, A. T. Comentário de Lucas, à luz do Novo Testamento grego, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2013, p. 205.

2 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 90.

3 – Ibidem, p. 91.

4 – Bailey, Kenneth E. As Parábolas de Lucas, Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1985, p. 76.

5 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus o homem perfeito, Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017, p. 341.

6 – MacArthur, John. As Parábolas de Jesus, Ed. Thomas Nelson, Rio de Janeira, RJ, 2018, p. 106.

7 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 178.

8 – Bailey, Kenneth E. As Parábolas de Lucas, Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1985, p. 82.

9 – MacArthur, John. As Parábolas de Jesus, Ed. Thomas Nelson, Rio de Janeira, RJ, 2018, p. 111.

10 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 157.

11 – Bailey, Kenneth E. As Parábolas de Lucas, Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1985, p. 85.

12 – Keller, Timothy. Ministério de Misericórdia, o chamado para a estrada de Jericó, Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2016, p. 11.

13 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005. p. 158.

14 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário, Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1986, p. 178.

15 – Childers Charles L. Comentário Bíblico Beacon, Lucas, vol. 6, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2006, p. 413.

16 – Ibidem, p. 414.

17 – Bailey, Kenneth E. As Parábolas de Lucas, Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1985, p. 88.

18 – Wiersbe, Warren W. Lucas, Novo Testamento 1, Comentário Bíblico Expositivo, Ed. Geográfica, Santo André, SP, 2007, p. 274.

19 – Ibidem, p. 275.

20 – Hendriksen, William. Lucas, vol. 2, São Paulo, SP, Ed. Cultura Cristã, 2003, p. 93, 94.

21 – MacArthur, John. As Parábolas de Jesus, Ed. Thomas Nelson, Rio de Janeira, RJ, 2018, p. 112.

22 – Robertson, A. T. Comentário de Lucas, à luz do Novo Testamento grego, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2013, p. 208.

23 – Rienecker, Fritz. O Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Ed. Evangélica Esperança, Curitiba, PA, 2005, p. 159.

24 – Ryle, J. C. Meditação no Evangelho de Lucas, Ed. Fiel, São José dos Campos, SP, 2002, p. 181.