sábado, 9 de maio de 2020

O MENINO JESUS NO TEMPLO - Lucas 2.39-52
























Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 2.40-52

INTRODUÇÃO

Cumpridas todas as ordenanças exigidas pela lei, José e Maria voltaram com o menino Jesus para a Galileia, à cidade de Nazaré. Lucas não registra o tempo que Jesus passou com seus pais em Belém, até os dois anos de idade, nem a visita dos magos do oriente e, muito menos, o período que eles passaram no Egito, em virtude da perseguição de Herodes, o Grande. Lucas aqui dá um salto de doze anos. Entre os versículos 40 e 41 há esta lacuna. Lucas é o único evangelista que narra este evento de Jesus no templo, diante dos doutores da lei, aos doze anos de idade. A vida de Jesus desde a sua infância até a adolescência é um mistério. A maior parte de sua vida Ele permaneceu no anonimato, até o início o seu ministério aos 30 anos (Lc 3.23).

É interessante destacar que tanto Mateus como Lucas mostram que Jesus nasceu de forma sobrenatural, mas cresceu de forma natural. Lucas diz que Jesus crescia e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; a graça do Senhor estava sobre Ele (Lc 1.40). A história do menino Jesus aos doze anos representa todo o seu desenvolvimento. O menino Jesus cresceu, não como um menino-prodígio, mas como um ser humano igual a nós, exceto no que se refere ao pecado.

Por ter Jesus ido morar em Nazaré, Ele passou a ser conhecido como Jesus, o nazareno (At 2.22). Seus seguidores também passaram a ser chamados de nazarenos (At 24.5). Seus inimigos usaram esse nome com desprezo, e Pilatos incluiu essa denominação na placa colocada no topo da cruz (Jo 19.19). Jesus não se envergonhou de usar esse nome, mesmo depois de exaltado à destra do Pai (At 22.8), e Pedro e João usaram esse nome para curar o paralítico na porta Formosa (At 3.6). Jesus levou ao céu algo que os homens desprezavam (Jo 1.46) e o tornou glorioso!

Mas quais a lições que podemos tirar desse episódio?

1 – JESUS OBSERVAVA A TRADIÇÃO JUDAICA (Lc 2.41,42).

Em tudo Jesus foi obediente a Lei e as tradições do seu povo. Ele não se rebelou contra aquilo que o Pai havia estabelecido em Sua Lei. Quando Jesus ensinava aos seus discípulos Ele corrigia os erros que as autoridades da Lei tinham ensinado. Como Ele mesmo falou: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido” (Mt 5.17,18”.

De acordo com a lei de Moisés (Êx 23.14-17; 34.23; Dt 16.16), todos os israelitas masculinos (exceto os menores de idade, anciãos, enfermos e escravos) tinham a obrigação de comparecer ao templo três vezes ao ano, a saber, nas festas da Páscoa, do Pentecostes e dos Tabernáculos, a fim de participar da celebração festiva. No entanto, nem todos os judeus podiam cumprir este mandamento literalmente em todas as três festas, em vista das distâncias às vezes grandes até Jerusalém. Willian Barclay diz que havia ficado estabelecido que todo homem adulto judeu que vivesse dentro dos 30 quilômetros de Jerusalém devia ir ali para a Páscoa. Todos os judeus do mundo tinham a esperança de poder passar a festa ali pelo menos uma vez em sua vida.

De Nazaré até Jerusalém são cerca de 145 quilômetros. No entanto, José e Maria iam a festa da Páscoa todos os anos (Lc 2.41). Lucas destaca que Jesus foi a essa festa quando estava com 12 anos; tudo indica que aquele ano era um ano ainda mais especial para José e Maria, pois eles foram a Jerusalém não somente para a festa da Pascoa, mas também para a cerimônia do Bar Mitzvá. Alguns estudiosos acreditam que esta foi a primeira vez que Jesus teria ido a Jerusalém, já que os meninos menores de 12 anos não tinha necessidade de ir às festas.

1o – O que é o Bar Mitzvá. Bar Mitzvá (filho do mandamento) é a cerimônia que insere o jovem judeu como um membro maduro na comunidade judaica. A expressão “Bar-Mitsvá” se origina parcialmente do aramaico, a língua do Talmud. Quando um judeu atinge a sua maturidade (aos 12 anos de idade para as meninas, 13 anos de idade para os meninos), passa a se tornar responsável pelos seus atos, de acordo com a lei judaica. Nessa altura, diz-se que o menino passa a ser Bar Mitzvah (בר מצוה , “filho do mandamento”); e a menina passa a ser Bat Mitzvá (בת מצוה, “filha do mandamento”). Aos 12 anos o menino já começava a se preparar para esse momento tão importante em sua vida. Ao completar 13 anos, o homem é chamado pela primeira vez para a leitura da Torá (Pentateuco). Antes desta idade, são os pais os responsáveis pelo ensino da Lei aos filhos (Dt 6.1-9). Depois desta idade, os rapazes e moças podem finalmente participar em todas as áreas da vida da comunidade e assumir a sua responsabilidade na lei ritual judaica, tradição e ética. Segundo o Talmud, aos 13 anos e 1 dia de idade um judeu se torna obrigado a obedecer mandamentos.

No entanto, o que mais temos visto hoje são cristãos sem compromisso com Deus e em cumprir os seus mandamentos, principalmente os jovens. O descompromisso com Cristo, a irresponsabilidade com sua obra na vida do cristão acontece pela falta de amor a Ele, quando amamos a Deus, e as pessoas, em tudo que fazemos, procuramos ser responsáveis, cumprindo os compromissos assumidos. Alguns cristãos pensam que a responsabilidade, e o compromisso com a obra deve ser somente do pastor ou do líder, e esquecem que cada um deverá prestar contas diante do tribunal de Cristo, individualmente. “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (2Co 5.10).

Você pai tem colocado sobre os ombros dos seus filhos responsabilidades? Principalmente a responsabilidade de observar os princípios da Palavra de Deus? Têm lhes ensinado que, como cristãos, eles devem dar bom testemunho, pois eles têm um nome a zelar, que é o nome de Jesus? Eles tem visto esse testemunho em sua vida?

Observe que o texto nos diz que José e Maria iam todos os anos a Jerusalém, apesar da enorme distância a ser percorrida, geralmente a pé. E você é assíduo aos cultos? Seus filhos veem em você essa dedicação e empenho na igreja? Você pode falar como falou Davi: “Alegrei-me quando me disseram, vamos a casa do Senhor?”. Mais do que palavras, devemos deixar o exemplo para os nossos filhos. As palavras passam, o exemplo fica!

2o – Os períodos distintos da infância, segundo os judeus. Os judeus eram muito metódicos em relação a observância das tradições. Observe:

1) Aos três anos acontece o desmame, e pela primeira vez era permitido o uso de vestes com borlas – o livro de Números (Nm 15.37-41) nos fala sobre esse mandamento; Deus manda Moisés dizer aos filhos de Israel que no canto de suas vestes façam borlas, franjas (Adorno pendente feito de fios de lã) e presas com um cordão azul. Era nessa ocasião que começava a educação da criança.
2) Aos cinco a criança começava a aprender a Lei mediante o ensinamento na escola.
3) Aos dez anos o menino podia começar a estudar a Mishnah (tradição oral judaica), o conjunto de interpretações tradicionais da Lei. A Mishnah estipula que um menino deve ser levado para a observância um ou dois anos antes de completar treze anos de idade.
4) As doze o menino se tornava diretamente responsável pela obediência à Lei, incluindo suas ordenanças e festividades prescritas.
5) Aos treze, o menino começava a usar filactérios em suas orações diárias.
6) Aos dezoito anos, podia começar o estudo da Gemara, que era a coletânea mais ampla das declarações e lendas judaicas (Talmude).

Como bons judeus, José e Maria ensinaram Jesus a observar todos esses processos que eram cobrados dos pais dos meninos judeus. E você pai tem observado os princípios da Palavra de Deus e ensinado o seu filho a observá-los? A responsabilidade é sua como pai e não da tia da escolinha infantil na igreja, ou do professor da classe da EBD e nem do pastor e dos diáconos. A igreja ajuda muito, mas a educação vem de berço!

2 – O MENINO JESUS FOI ESQUECIDO EM JERUSALÉM (Lc 2.43-46).

A festa da Páscoa durava sete dias, e as pessoas viajavam para essas festas em caravanas, com as mulheres e crianças à frente para determinar o ritmo da caminhada e os homens e rapazes atrás. Parentes e vilarejos inteiros costumavam viajar juntos, e uns cuidavam dos filhos dos outros. Durante a festa tudo ocorreu normalmente, foi no retorno para casa que ocorreu esse imprevisto. Durante essas festas Jerusalém ficava abarrotada de pessoas. Vinham peregrinos de todos os cantos de Israel. Crianças se perderem dos responsáveis deveria ser algo comum. Por isso que todos cuidavam dos filhos uns dos outros para evitar esses transtornos.

Como qualquer adolescente, Jesus estava fascinado com a cidade de Jerusalém e, principalmente com o templo. Em Nazaré havia sinagogas e bons mestres, mas em Jerusalém e, principalmente no templo, estavam os doutores da lei (Lc 2.46).

Esse episódio nos ensina três coisas importantes:

1o – Jesus ia crescendo de forma natural se sujeitando aos seus pais (L 2.40,51,52). Jesus não deixou de ser Deus na Sua encarnação. No entanto, a Bíblia nos fala que Ele despojou-se dos Seus atributos divinos para torna-se como um de nós e se submeteu à vontade do Pai (Jo 5.19,30), mas, em momento algum Ele deixou de ser Deus. Na Sua encarnação Ele se sujeitou ao crescimento humano, intelectual, físico, espiritual e social.

A Bíblia é clara em dizer que Jesus abriu mão dos atributos de sua divindade e se tornou como um de nós (Fl 2.5-8). Seu relacionamento com o Pai celestial não substituía nem anulava seu dever para com os pais terrenos. Sua obediência ao quinto mandamento era uma parte essencial da perfeita obediência que Ele prestou em nosso benefício. O autor de Hebreu nos fala assim: “Embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5.8,9). Jesus encarnou para cumprir a nossa justiça. Aquilo que nos era impossível, o Senhor fez por nós.

Estamos vivendo um tempo muito difícil em relação ao respeito as autoridades constituídas, principalmente a autoridade dos pais. É assustador vermos o quanto os filhos não repeitam mais os pais e, em parte, a culpa é dos próprios pais que não lhes impõem limites. O que temos visto hoje, e creio que, infelizmente, ficará pior, é um cumprimento profético que nos falou o apóstolo Paulo. Veja o que ele nos fala em 1 Timóteo 3.1-5:

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”.

Há um livro chamado “O Comunista nu” de Cleon Skousen, escrito em 1958. Este livro foi escrito com a intenção de mostrar que a intenção do Comunismo era destruir os valores cristãos na América. Veja algumas dessas metas:

Meta 17 – Obter o controle das escolas. Usá-las como canais de transmissão para o socialismo e propaganda comunista atual. Suavizar o currículo. Obter o controle de associações de professores. Colocar a ideologia do partido nos livros didáticos.
Meta 25 – Quebrar os padrões culturais da moralidade através da Promoção da pornografia e obscenidade em livros, revistas, filmes, rádio e TV.
Meta 26 – Apresentar a homossexualidade, a degeneração e a promiscuidade como algo “normal, natural e saudável”.
Meta 27 – Infiltrar-se nas igrejas e substituir a religião revelada com a religião “social” (Teologia da Missão Integral). Desacreditar a Bíblia e enfatizar a necessidade de maturidade intelectual que não precisa de uma “muleta religiosa”.
Meta 30 – Desacreditar os pais.

O diabo não está brincando, ele está agindo de forma destruidora e pior, com o aval de muitos líderes religiosos. Enquanto Jesus era submisso ao Pai Celestial e aos seus pais terrenos, o diabo está fazendo com que a sua malignidade entre e destrua os valores da família e da sociedade cristã. E como ele está fazendo isso? Dizendo que o certo é errado e que o errado é que é certo.

2o – Não volte para casa sem Jesus (Lc 2.43). Uma vez que Jesus estava com 12 anos de idade, Jesus podia passar de um grupo para outro sem que ninguém desse por sua falta. José talvez achasse que Jesus estivesse com Maria e as outras crianças, enquanto Maria imaginava que Jesus estava com José e os outros homens ou, talvez, com alguns de seus parentes. É bom destacar que a estada de Jesus ali em Jerusalém não foi maliciosa e nem desobediência; deveu-se apenas a uma suposição equivocada da parte dos seus pais (Lc 2.44) de que ele vinha mais atrás.

Esse episódio tem uma grande lição para nós. Há muitas pessoas que estão esquecendo Jesus no templo. Vem para cultuá-lo, mas esquecem de levá-lo para suas casas. O marido acha que Jesus está com a esposa, a esposa por sua vez acha que Jesus está com o marido. Os filhos acham que Jesus está com os pais e os pais pensam que Jesus está com os filhos. No final das contas, Jesus não está com ninguém. Aí chegam em casa sem Jesus e passam a semana inteira sem Ele, e só voltam a reencontrá-lo no domingo seguinte, quando vem à igreja.

NÃO ESQUEÇA O PRINCIPAL

Conta a lenda, que certa vez uma mulher pobre com uma criança no colo, ao passar diante de uma caverna, escutou uma voz misteriosa que lá de dentro dizia:
“Entre e apanhe tudo o que você desejar, mas não esqueça o principal. Lembre-se porém de uma coisa: depois que você sair, a porta se fechará para sempre! Portanto, aproveite a oportunidade, mas não esqueça o principal…”
A mulher entrou na caverna, e lá encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas joias, pôs a criança no chão e começou a juntar ansiosamente tudo o que podia em seu avental.

A voz misteriosa então, falou novamente: “Você só tem oito minutos”.
Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou…

Lembrou-se então, que a criança ficara lá dentro e que a porta estava fechada para sempre!
A riqueza durou pouco, e o desespero durou para toda a vida.

O mesmo acontece às vezes conosco. Temos muitos anos para vivermos neste mundo e uma voz sempre nos adverte: “Não esqueça o principal!” E o principal é Jesus em nossas vidas!

3o – Volte para buscá-lo e o procure diligentemente (Lc 45,46,48b). Quando José e Maria se deram conta de que Jesus não estava entre os parentes e conhecidos, então, imediatamente voltaram para Jerusalém à sua procura. O versículo 46 diz que “passados três dias, o acharam no templo”. Isso, provavelmente não significa que eles tenham procurado por Jesus por três dias em Jerusalém. Aparentemente, eles se deram conta de seu desaparecimento no final de um dia inteiro de viagem. Isso requeria mais um dia inteiro de viagem de volta a Jerusalém, e a maior parte do outro dia foi buscando por ele.

A perda de uma criança é algo desesperador. Já perdi minha filha na praia, graças a Deus que a encontramos, mas até acharmos passa mil coisas por nossas cabeças. Tanto que hoje existe um código quando se encontra criança perdida na praia: bater palmas para dizer aonde a criança se encontra para que os responsáveis a encontrem.

Espiritualmente falando, quantas pessoas perderam Jesus, mas quantos o estão o procurando? Talvez você tenha perdido Jesus naquele namoro, naquele casamento, no emprego, em um passeio… não importa onde. O que importa é se você quer reencontrá-lo. A Bíblia fala para aqueles que o querem encontrar ou reencontrá-lo: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13). José e Maria procuram por Jesus diligentemente, até encontrá-lo. Sigamos esse exemplo deles. Não volte para casa sem Jesus, e se Ele não os acompanhou: volte com urgência. Não o deixe para trás.

3 – ONDE JESUS ESTÁ? (Lc 2.49).

José e Maria, depois de três dias, encontraram Jesus no templo, assentado entre os doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Naquele momento toda a aflição que vinham tendo torna-se alívio ao encontrarem Jesus. No texto original, esse termo “aflito” (odunao – grego), significa sentir uma dor intensa, estar em agonia, atormentado. Essa mesma expressão é utilizada por Paulo em Romanos 9.2 onde descreve a aflição de Paulo pelos perdidos de Israel.

Convém observar que o fato de Lucas usar a expressão “seus pais” (Lc 2.43) e “Teu pai e eu” (Lc 2.48) indica apenas que José era reconhecido legalmente como pai de Jesus. Outro detalhe que devemos observar é que alguns estudiosos acreditam que Jesus passou a ter consciência de que era o Messias nessa época. Se este é de fato assim não podemos afirmar, embora eu não creia. Mas foi nesse episódio que Jesus pela primeira vez, esclarece para seus pais a sua origem e a sua missão. Eles, porém, não entenderam nem alcançaram suas palavras (Lc 2.50). O versículo 49 nos fornece as primeiras palavras registradas de Jesus na Bíblia.

Mas o que esse episódio nos ensina?

1o – Assim como José e Maria, há muitas pessoas procurando Jesus em lugares errados (Lc 2.49). José e Maria procuraram Jesus em todos os lugares. No entanto, Jesus agiu de forma madura, ele estava em um lugar seguro e público, na presença de pessoas confiáveis, onde seus pais poderiam buscá-lo. Ele estava no templo (Lc 2.46).

Muitas pessoas estão procurando Jesus em muitos lugares, menos onde Ele deveria estar, no templo, na casa do Pai. As pessoas estão procurando Jesus nas religiões, nas filosofias, acham que irão encontrá-lo nas suas boas obras… Os lugares são os mais diversos. No entanto, assim como José e Maria estão procurando Jesus em lugares errados, há muitas outras pessoas também. Com isso não irão encontrá-lo. Tem gente que está igual Zaqueu, subindo em árvore para ver Jesus. Pessoas que agem assim podem achar um Jesus placebo, nem genérico é, e nem similar. Placebo mesmo.

2o – Jesus está na casa do Pai (Lc 2.49). Jesus chama Deus de Pai. No Antigo Testamento Deus é chamado de Pai, seja em relação à “criação” ou em relação a Israel, o filho primogênito (Êx 4.22), designando, portanto, a posição de Deus perante seu povo. Mas em lugar algum Deus é chamado de Pai da forma como hoje o indivíduo filho de Deus o trata como Pai. Nenhum dos homens da velha aliança, por mais forte que fosse sua fé, por mais fervorosa que fosse sua devoção a Deus, ousou chamar Deus de seu Pai pessoal. O israelita tinha um conceito sublime demais de Deus. Tinha consciência clara demais da grande distância entre Criador e criatura, Eterno e nascido do pó, Santo e pecador, para que tivesse intimidade suficiente para designá-lo de “Pai”. Pelo contrário, isso é destacado expressamente como alta prerrogativa do Messias vindouro (Sl 89.27; 2Sm 7.14).

Onde Jesus está? Jesus está aonde o nome dele é pregado de forma correta. Ele está na adoração que lhe é feita em espírito e em verdade. Ele está onde nós menos esperamos. Jesus está onde Ele é clamado. Ele deveria estar nas igrejas evangélicas, no coração do seu povo, na vida diária dos que o temem. Ele está no nosso testemunho diário. Ele está em nós na pessoa do Espírito Santo:

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): Senhor, de onde vem que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo? Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14.21-23)

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co 6.19,20)

Jesus está em você?

CONCLUSÃO

O texto que meditamos hoje nos mostra que Jesus foi fiel a Lei e as tradições do seu povo. Ele veio para cumprir a Lei em nosso lugar, pois aquilo que nos era impossível Ele realizou por nós. Mas também vimos que podemos estar na igreja, ouvir uma palavra abençoada e retornarmos para nossas casas sem levar Jesus conosco. Podemos perder a oportunidade de tê-lo em nossa companhia para sempre. E por fim, vimos que José e Maria procuraram Jesus diligentemente até encontrá-lo. No entanto, perderam muito tempo procurando por Ele em lugares errados. Por isso devemos estar atentos a isso também. E, por fim, vimos que o Senhor, ainda menino, estava no templo, na casa do Pai. Devemos entender que o Senhor está com o Pai e ambos está em nós na Pessoa do Espírito Santo.

Pense nisso!

Bibliografia

1 – Barclay, William. Comentário do Novo Testamento, Lucas.
2 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, volume 2, Lucas e João. Editora Candeia, São Paulo, SP, 1995.
3 – Davidson, F. O Novo Comentário da Bíblia, volume 2. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1987.
4 – Garder, Paul. Quem é Quem na Bíblia. Editora Vida, São Paulo, SP, 1999.
5 – Keener, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia, Novo Testamento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2017.
6 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus, o homem perfeito. Comentário Expositivo Hagnos. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017.
7 – MacArthur, John. Comentário do Novo Testamento, versículo por versículo. Editora Tomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2019.
8 – Manual Bíblico SBB. Barueri, SP, 3a edição, 2018.
9 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1986.
10 – Rienecker, Fritz. Evangelho de Lucas, Comentário Esperança. Editora Esperança, Curitiba, PR, 2005.
11 – Wiersbe, W. Warren. Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento, Vol. 1. Editora Geográfica, Sato André, SP, 2012.

ANA, UMA PROFETISA PIEDOSA























Por Pr. Silas Figueira

Texto base: Lucas 2.36-39

INTRODUÇÃO

É estranho que sejamos informados precisamente sobre quem foi Ana. Mas não lemos as palavras de seu louvor. Exatamente ao contrário de Simeão, do qual nada se diz acerca de sua vida, mas se reproduz o seu louvor. O texto que lemos é uma continuidade da apresentação de Jesus no templo. Ele narra o momento em que Jesus está sendo apresentado por Simeão (v. 38), e Ana se aproxima e começa a louvar e falava a respeito de Jesus com todos ao redor.

O texto nos diz que Ana, que traduzido quer dizer “filha da graça”, era da tribo de Aser e filha de Fanuel. Seu pai é citado e não o seu marido para comprovação do registro genealógico e sua ascendência tribal é mencionada por ser incomum, pois desta tribo não há nenhum registro de algum profeta. Aser era o oitavo filho de Jacó, filho de Zilpa, a serva de Lia e concubina de Jacó (Gn 30.12,13). A tribo descendente de Aser pertencia ao reino das dez tribos apóstatas e idólatras do norte de Israel. Entretanto, alguns israelitas fiéis de cada uma dessas tribos migraram para o sul, a fim de não serem excluídos do templo; todavia, ao fazê-lo, tiveram que abrir mão das terras de suas famílias e de sua herança.

A forma como Lucas nos apresenta Ana podemos tirar algumas lições importantes para nossas vidas.

1 – ANA NÃO ERA UMA FALSA PROFETISA (Lc 2.36,38).

Durante muitos anos a voz profética estivera em silêncio em Israel. Por cerca de quatrocentos anos o Senhor não falava com Seu povo através de profetas. Ana é a primeira profetisa a ser citada no Novo Testamento. Apesar de não termos registrado alguma de suas profecias, sabemos, à luz do texto, que ela era de fato uma profetisa. A Bíblia, em diferentes passagens, apresenta mulheres genuinamente vocacionadas por Deus para o ministério profético. O Antigo Testamento menciona três mulheres que são profetisas: Miriã, irmã de Arão (Ex 15.20); Débora, a juíza de Israel (Jz 4.4); Hulda, mulher de Salum (2Rs 22.14), e há a menção também da mulher de Isaías, que alguns teólogos a veem somente como esposa do profeta (Is 8.3). E em Neemias encontramos a menção de Noadia, mas esta era uma falsa profetisa (Ne 6.14). No Novo Testamento nós encontramos Ana e as quatro filhas de Filipe (At 21.9). Na igreja de Corinto havia mulheres que detinham esse dom (1Co 11.5).

Apesar de a Bíblia não deixar de mencionar mulheres como profetisas, nós não encontramos nenhum livro profético escrito por elas.

Como podemos afirmar que Ana não era uma falsa profetisa?

1º – Um verdadeiro profeta aponta para Cristo nas suas profecias (Lc 2.38). Observe que Ana no mesmo instante fala a respeito de Jesus a todos que esperavam a redenção de Jerusalém. Aqui está a diferença entre um falso profeta e um verdadeiro profeta. Um verdadeiro profeta quer que as pessoas conheçam a pessoa bendita de Cristo, o falso profeta quer que as pessoas o conheçam.

O falso profeta é aquele que muda a mensagem por conveniência pessoal, ele não está interessado na glória de Deus, nem na salvação dos perdidos, ele está interessado no seu bem estar, o que ele objetiva é o lucro, e desta maneira ele transforma este evangelho, que ele mesmo diluiu misturando com heresias graves, num produto, transforma o culto num balcão, transforma o templo em uma praça de negócios, transforma os crentes em consumidores e o que ele objetiva finalmente é o seu enriquecimento pessoal.

O pastor Renato Vargens nos dá dez características de um falso profeta:

1) Um falso profeta relativiza as Escrituras. Para um falso profeta a Bíblia não é a Palavra de Deus. Para este as Escrituras são falíveis e não devem servir como plena
referência para o cristão.

2) Um falso profeta fala mais em dinheiro do que em Cristo. Um falso profeta comercializa o evangelho e vende as bênçãos de Deus mediante ofertas extravagantes.

3) Um falso profeta considera sua palavra inquestionável colocando suas profecias e revelações em pé de igualdade com as Escrituras.

4) Um falso profeta anuncia, prega e proclama um evangelho absolutamente antropocêntrico.

5) Um falso profeta interpreta as Escrituras segundo a ótica do seu “próprio umbigo” relativizando o absoluto e inventando doutrinas segundo os desejos de seu coração.

6) Um falso profeta prega o evangelho da confissão positiva, negando a possibilidade do sofrimento, e anunciando um cristianismo desprovido da cruz.

7) Um falso profeta sincretiza o evangelho miscigenando a fé, introduzindo doutrinas espúrias as verdades inquestionáveis da Bíblia.

8) Um falso profeta tem sede de poder, vive pelo poder e ama o poder.
9) Um falso profeta se considera melhor do que os outros e em virtude disso, distingue-se do rebanho criando e fabricando novos títulos eclesiásticos.

10) Um falso profeta fala de Cristo, entretanto o nega, prega sobre Cristo, mas não o conhece, fala em nome do Espírito Santo, sem contudo ter sido regenerado por ele.

2º – Um verdadeiro profeta é consagrado a Deus (Lc 2.37b). O versículo 37 que diz Ana “não deixava o templo, servindo a Deus dia e noite com jejuns e orações”. Após a morte do seu marido Ana passou a dedicar-se em servir a Deus em tempo integral, com orações e jejuns. Devoção e piedade eram as marcas distintivas desta mulher. A expressão “nunca se apartava do templo” significa que ela atendia regularmente no templo. Alguns acreditam que ela, depois da morte do marido, passou a morar em algum quarto no templo.

A crise que Ana enfrentou não a afastou de Deus, pelo contrário, ela se apegou ao Senhor com orações e jejuns. Ela era uma referência de vida consagrada para as pessoas de Jerusalém. No entanto, o que mais vemos hoje são pessoas que diante da crise se afastam de Deus o culpando dos problemas que lhes ocorreram. Veem a vida como colônia de férias, e quando “ralam o joelho desistem das brincadeiras”.

Eu não entendo como pode uma pessoa que poderia estar na igreja, junto dos seus irmãos ficar em casa, longe da Palavra de Deus, em frente a uma TV o tempo todo, que tem disposição para ir a todos os lugares, menos para a igreja e, mesmo assim, dizer que está na presença de Deus e que tem tido grandes experiências com Ele. Que é profundamente usado como para falar às pessoas a respeito de Deus e muitas pessoas são tocadas com suas palavras. Como uma brasa pode ficar acesa por tanto tempo longe do fogo?

2 – ANA ERA UMA MULHER HONRADA (Lc 2.36).

Ana nos é apresentada como uma mulher que desde a sua juventude sempre foi uma pessoa honrada. Não quero com isso dizer que uma pessoa que teve um passado sórdido não possa ter uma vida exemplar hoje. A Bíblia não esconde, por exemplo, que Maria Madalena tinha sido uma mulher que havia sido possessa por sete demônios (Lc 8.2). Ela e outras mulheres que acompanhavam Jesus foram libertas. Mas Ana, desde a sua infância sempre foi uma mulher honrada. Depois que seu marido morreu ela manteve-se na presença de Deus. Ela não passou a agir forma dissoluta. Veja o que o apóstolo Paulo aconselhou Timóteo a respeito das viúvas:

“Ora, a que é verdadeiramente viúva e desamparada espera em Deus, e persevera de noite e de dia em rogos e orações; mas a que vive em deleites, vivendo está morta” (1Tm 5.5,6).

Quais as características que provam que ela era uma mulher honrada?

1º – Ela honrou o nome de seu pai e de sua tribo (Lc 2.36a). Ela era uma mulher conhecida pelo nome de seu pai e de sua tribo. Ela honrava os seus antepassados, apesar de sua tribo ter se tornado apóstata, a casa de seu pai fez o caminho inverso e Ana seguiu esses passos. Infelizmente hoje são poucas as pessoas que têm compromisso em honrar o seu nome e o nome de sua família. O que mais vemos hoje são filhos desonrando os seus pais. Trazendo tristeza e vergonha aos seus progenitores. A Bíblia é enfática a esse respeito em relação aos filhos. Tanto o Antigo Testamento quanto o Novo nos dá essa ordem:

“Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá” (Êx 20.12).

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Ef 6.1-3).

“Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor” (Cl 3.20).

“Mas, se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus” (1Tm 5.4).

Ana honrou o nome de seu pai e de sua tribo, ou seja, da sua família. Você tem feito isso? Nós temos um nome a zelar, acima de tudo o nome de “cristão”.

Ilustração: Alexandre o Grande X Alexandre Soldado.

Certa vez trouxeram diante do grande General e Imperador Grego, Alexandre, um soldado para ser julgado. A sala de audiência estava repleta com o alto-escalão do exército de Alexandre. Diante do rei, aquele jovem soldado, apavorado, pele rosada, olhos claros arregalados, aguardando o veredito, que implacavelmente era a morte.

“- Qual é a acusação? Disse Alexandre”. - Ele desertou na hora da batalha meu senhor, disseram-lhe os oficiais. E quando todos aguardavam a sentença de morte, comum naqueles casos, a face do rei mudou-se, e a ira que lhe era comum, deu lugar a uma impressão de compaixão e misericórdia. O rei ergueu-se de seu trono e foi ao rapaz e perguntou-lhe: “- Qual é o teu nome, meu filho?” “- Alexandre, meu senhor!” respondeu o rapaz. Ao ouvir aquilo, a face do rei transformou-se novamente e este voltou a perguntar, já agora visivelmente perturbado: “- Qual é o teu nome?” O moço, que até então estava de cabeça baixa, saltou do chão e pondo-se de pé em sinal de continência disse: “- Alexandre, Senhor!”. Enfurecido, Alexandre o Grande, olhando para aquele rapaz, vociferou: “- SOLDADO, OU VOCÊ MUDA O SEU NOME OU VOCÊ MUDA A SUA CONDUTA!”.

Não podemos dizer que pertencemos à família de Deus e andarmos na contramão do que o Senhor quer de nós. Temos um nome a zelar. Como nos fala Pedro em sua primeira carta:

“Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte” (1Pe 4.15,16).

2º – Ela honrou o seu marido (Lc 2.36b). O texto nos diz que quando era se casou ela era virgem. Que permaneceu casada por sete anos até que ficou viúva.

Ana se guardou para o seu marido, coisa que hoje é raro acontecer, principalmente onde tal coisa deveria ser normal, que é nas famílias cristãs. Tanto para as jovens como para os jovens cristãos. No entanto, isso está cada vez mais difícil devido à pressão da mídia (filmes, novelas, leituras); os jovens estão se casando cada vez mais tarde (faculdade, trabalho); por falta de compromisso com Deus e com Sua Palavra; por mau testemunho dos de dentro da igreja. Ninguém está livre de erros, mas isso, para muitos, não é um erro, mas algo comum. É o famoso: “O que que tem? Todo mundo faz! Meu corpo, minhas regras!”.

O normal em muitas igrejas é um Evangelho sem cruz – O falso evangelho. Jesus disse que quem quisesse segui-lo deveria em primeiro lugar: NEGAR A SI MESMO. Sem renúncia será impossível ser um discípulo de Cristo. O evangelho que Cristo ensinou deve gerar em primeiro lugar na vida de qualquer um a convicção, certeza, que se não aborrecer sua vida ele jamais agradará a Deus. O que o evangelho moderno prega? Uma entrada fácil. Se tornar um cristão sem abrir mão dos interesses carnais, mundanos e sensuais. Se tornar um cristão mais não se arrepender das práticas mundanas. Isso não é evangelho.

Jesus disse que quem quisesse segui-lo deveria também TOMAR SUA CRUZ. Jesus deixou seu trono de glória, esvaziou-se de todo seu poder para assumir a forma de servo tomando sua cruz: dar sua vida pela humanidade. Se quisermos segui-lo devemos tomar o exemplo de Cristo e assumir uma responsabilidade de morrer todos os dias como ovelha muda ao matadouro pela causa de Cristo: Salvação dos homens. Se não há morte, não há vida. Devemos entender a necessidade de viver para glória de Deus levando a obediência e submissão ao evangelho todos os dias. O evangelho moderno não prega angustia, entrega pela causa de Cristo, antes uma multidão interesseiras, domingueiras, mundanas e sem compromisso com as Escrituras, com a cruz de Cristo.

3 – ANA ERA UMA MULHER VIÚVA E HUMILDE (Lc 2.36,37).

Lucas faz questão de descrever não somente que Ana era profetisa, mas também descreve a vida dela, inclusive a sua idade. Diferentemente de Simeão, Lucas para descrever a sua vida.

É interessante destacarmos que os únicos em Israel que reconheceram Cristo em seu nascimento eram pessoas humildes e simples. Com exceção dos magos de Mateus 2.1- 12, que eram estrangeiros e gentios, ricos, poderosos e influentes em sua própria cultura, os únicos israelitas que compreenderam ser Jesus o Messias por ocasião do nascimento dele, foram Maria e José, os pastores, Simeão e Ana.

Lucas depois de dizer a sua origem, ele passa a descrever a sua vida.
1º – Ana era uma idosa viúva. A lei judaica mais antiga permitia que uma jovem se casasse a partir dos doze anos de idade. Se considerarmos os 84 anos de Ana como sendo o da sua viuvez, tendo ela se casado aos 12 anos e vivido com o marido sete, então ela estaria viúva acerca de 65 anos! Não teve filhos, pelo menos Lucas não diz. Nunca se casou de novo e vivia como viúva há mais de seis décadas. Com certeza ela se voltou para Deus no seu sofrimento e solidão, foi confortada e consolada.

A viuvez naquela época era extremamente difícil. Ela praticamente garantia uma vida de pobreza extrema. Por isso que, na igreja primitiva, o apóstolo Paulo exortou as viúvas jovens a se casarem de novo (1Tm 5.14), para que a igreja não se sobrecarregasse para sustenta-las. Temos na Bíblia a história de Rute que era viúva e se casou com Boás, tornando-se assim a bisavó do rei Davi.

É bem provável que Ana vivia de doações ou tinha o seu sustento a partir do que restou da herança da família. De qualquer maneira, ela deve ter tido uma vida bem austera, pura e discreta. Ana não se casou novamente, mas passou a dedicar a sua vida à obra de Deus. Não deve ter sido fácil para ela, mas ela confiou no cuidado de Deus.

2º – Ana era assídua no templo. “Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações”. Ana é uma das pessoas mais consagradas que encontramos nas páginas da Bíblia. Segundo MacArthur, “Não nos vem à mente ninguém mais que tivesse jejuado e orado fielmente por mais de sessenta anos”.

Em todo o tempo devemos depender do Senhor e do Seu cuidado. Ana é um exemplo de que podemos estar passando por grandes lutas, mas o Senhor nos sustenta até o fim. Ana tomou a decisão de servir a Deus e não abriu mão disso. O sofrimento que a vida nos oferece não é motivo para nos afastarmos de Deus, mas deveria ser a causa de nos aproximarmos ainda mais dele.

Creio que o conforto de sua alma vinha das promessas de Deus através de Sua Palavra.

Como nos fala o Salmo 46: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (Sl 46.1,2,10,11).

3º – Ana era uma testemunha fiel. “E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém”. “E, chegando naquela hora...”. Em quê hora? Justamente na hora que Simeão tomou o menino Jesus em seus braços (Lc 2.28-32) e proferiu a bênção profética de Lucas 2.34,35. “... dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos...”. Os verbos “dar” e “falar” indicam ação contínua. Isso significa que Ana ao mesmo tempo agradecia a Deus pelo Messias e falava a todos quantos esperavam a redenção de
Jerusalém, ou seja, a “consolação de Israel”, sua libertação do pecado por intermédio do Redentor. Essa foi a mensagem de Ana até o fim de sua vida. Existiam muitos religiosos em Israel, mas Deus escolheu Ana para ser portadora das boas novas de Salvação. Ana foi separada por Deus, porque amava e buscava a Sua presença.

A profetisa Ana é uma dessas mulheres fascinantes, que a vida nos reserva, pouco se fala dela, somente três versículos bíblicos, mas é o suficiente para descrever um pouco da vida, do caráter e das suas qualidades. Ana nos mostra que no templo podemos derramar nossos corações diante daquele que conhece as nossas necessidades e as nossas aflições, e os nossos anseios e desejos.

No Templo Ana alimentava seu espírito e sua alma era satisfeita. “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente” Sl 16.11.

CONCLUSÃO

Com Ana aprendemos que somente os que esperam com fé e se consagram ao Senhor são os que conseguem ter revelações profundas da parte de Deus.

Que a vida e as qualidades de Ana te inspirem a devotar tua vida na presença de Deus em louvor e adoração diária. A vida de Ana nos faz ver a importância da dedicação de nossa vida ao Senhor mesmo vivendo situações tão difíceis. Como deve ter sido difícil para ela tão jovem perder seu marido, mas mesmo passando por esta situação, ela não permitiu que seu amor e dedicação a Deus acabasse a sua fé, pelo contrário, ela continuou servindo a Deus.

Uma vida de dedicação total a Deus é o que precisamos ter, amarmos a Deus acima de qualquer situação. Uma mulher que ousa viver de tal forma, com certeza irá presenciar coisas tremendas acontecer em sua vida, podemos ter a certeza que todas as promessas nos alcançarão, não porque vivemos para ver somente as promessas, mas porque vivemos para o Deus que cumpre suas promessas em nossa vida.

Bibliografia:

1 – Barclay, William. Comentário do Novo Testamento, Lucas.
2 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, volume
2, Lucas e João. Editora Candeia, São Paulo, SP, 1995.
3 – Davidson, F. O Novo Comentário da Bíblia, volume 2. Edições Vida Nova, São
Paulo, SP, 1987.
4 – Garder, Paul. Quem é Quem na Bíblia. Editora Vida, São Paulo, SP, 1999.
5 – Keener, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia, Novo Testamento.
Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2017.
6 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus, o homem perfeito. Comentário Expositivo
Hagnos. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017.
7 – MacArthur, John. Comentário do Novo Testamento, versículo por versículo. Editora
Tomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2019.
8 – MacArthur, John. Doze Mulheres Extraordinariamente Comuns. Editora Thomas
Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2019.
9 – Manual Bíblico SBB. Barueri, SP, 3a edição, 2018.
10 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário. Edições Vida Nova e Mundo
Cristão, São Paulo, SP, 1986.
11 – Rienecker, Fritz. Evangelho de Lucas, Comentário Esperança. Editora Esperança,
Curitiba, PR, 2005.
12 – Wiersbe, W. Warren. Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento, Vol. 1.
Editora Geográfica, Sato André, SP, 2012.

SIMEÃO, UM HOMEM QUE NÃO TEMIA A MORTE


Por Pr. Silas Figueira

Texto base:  Lucas 2.25-35 

INTRODUÇÃO 

Assim como Zacarias e Isabel, Simeão e Ana fazem parte do remanescente judeu fiel, que aguardava com ansiedade a vinda do Messias. Nos diz o texto que Simeão movido pelo Espírito Santo foi levado ao templo e teve a honra de ter em seus braços o Salvador ainda menino, pois, foi-lhe revelado pelo Espírito que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor (Lc 2.26). 

A julgar pela narrativa, Simeão era um ancião. Dentre os Evangelhos sinópticos, somente Lucas narra esse episódio e é a única vez que Simeão é citado nesse Evangelho. Simeão é desconhecido para nós, porém é bem conhecido por Deus. Poderíamos dizer que ele aparece no relato de Lucas à semelhança de Melquisedeque, sem que sejam mencionados pai, mãe, genealogia, o começo ou fim da vida (Hb 7.3). Simeão representa aquelas pessoas que temem a Deus, mas que não se destacam, não aparecem, são pessoas anônimas. 

Outra particularidade de Simeão é que ele foi o primeiro a predizer que Jesus seria uma bênção para os gentios, bem como para os judeus. Também foi o primeiro a predizer o sofrimento de Jesus, quando advertiu Maria sobre a dor que sentiria pelo que Seu Filho experimentaria. Com isso podemos concluir que Simeão era profeta, ou que pelo menos, naquele momento, movido pelo Espírito Santo, estava profetizando. 

O texto também nos fala que Simeão era um homem justo. Entendendo, que sua justiça consistia na fiel observância da lei, e seu temor a Deus em um reverente respeito à sublimidade e santidade de Deus. Por reconhecer que era impossível cumprir por si próprio a lei de Deus, tinha anseio por consolo e paz. Era algo que somente o Messias prometido poderia propiciar-lhe. Por essa razão, seu temor a Deus transformava-se cada vez mais em espera pelo consolo de Israel. Mas a sua espera foi compensada ao tomar em seus braços o Salvador. Ele não viu Jesus iniciando o Seu ministério, mas teve o conforto do Senhor em saber que o tempo de espera havia chegado ao fim. É importante destacar que o cântico de Simeão é o cumprimento da salvação preparada por Deus desde a eternidade passada. Mas quais as lições que podemos tirar desse texto?

1 – SIMEÃO ERA UM HOMEM PIEDOSO (Lc 2.25). 

As palavras piedade, piedoso (a) e piedosamente são encontradas mais de 40 vezes no Novo Testamento, e frequentemente são mal-entendidas. A nossa palavra “piedade” vem do Latim, e tem dois sentidos: 1. Amor e respeito às coisas religiosas; religiosidade; devoção. 2. Pena dos males alheios; compaixão, dó, comiseração. Na linguagem popular, e muitas vezes no Antigo Testamento, a palavra tem o segundo sentido e traz a ideia de compaixão. Mas, no Novo Testamento, o sentido normalmente é o primeiro, ou seja, devoção a Deus ou respeito às coisas religiosas. Era nesse sentido que Simeão era piedoso. Ele era um homem temente a Deus. 

Por ser uma pessoa piedosa, Lucas destaca três características de Simeão. 

1º – O Espírito Santo estava sobre ele (Lc 2.25). O papel do Espírito Santo no Antigo Testamento é muito parecido com o seu papel no Novo Testamento. Lembre-se que Simeão estava debaixo da Lei. Quando falamos do papel do Espírito Santo, podemos discernir quatro áreas gerais nas quais o Espírito Santo trabalha: 1) regeneração, 2) habitação (ou enchimento), 3) contenção do pecado e 4) capacitação para o serviço. Evidências dessas áreas do trabalho do Espírito Santo são tão presentes no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento. 

No Antigo Testamento Ele vinha de forma capacitadora sobre os reis, juízes, sacerdotes e profetas. Hoje, depois do Pentecostes, Ele veio sobre toda a carne, ou seja, de forma especial sobre todos os que creem em Cristo. Como disse o apóstolo Pedro: 

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” (1Pedro 2.9,10). 

Um ponto de vista comum é que não havia a habitação do Espírito nos crentes do AT. O Espírito somente vinha ‘sobre’ os crentes para tarefas especiais, mas não habitava nos crentes. Esse ponto de vista normalmente afirma também que o AT era o tempo da Lei e o NT o tempo da graça. A Teologia Reformada afirma que há somente uma forma de salvação, uma operação da Graça, uma só fé, um só Evangelho, a atuação básica do Espírito é a mesma nos dois Testamentos. A santificação sempre foi pela graça e a regeneração pelo Espírito. Vemos isto de forma clara na vida de Simeão que era uma pessoa que estava debaixo da Lei, no entanto, era um homem cheio do Espírito Santo. 

2º - Simeão era um homem justo e temente a Deus. É o que podemos chamar de um homem piedoso, como já abordamos. Essa piedade era demonstrada em suas atitudes e fé. Ele esperava a consolação de Israel, ou seja, ele aguardava ansiosamente a vinda do Messias e O encontrou. 

Simeão era um homem compromissado com Deus. Ele não era um religioso nominal, mas um crente sincero e envolvido na sua fé. Infelizmente vivemos hoje o que A. W. Tozer chama de “Os Perigos de Uma Fé Superficial”. Ele diz que a igreja evangélica de sua época, e não está diferente hoje, creio que está pior, vivia “a maldição do mundanismo” que entrou na igreja através do entretenimento, de um louvor sem a verdadeira adoração, de uma letargia espiritual, de uma busca constante por facilidades (crentes que acham que a vida deve ser um mar de rosas). Hoje, faltam-nos crentes como Paulo e os mártires do início da igreja. Faltam-nos homens e mulheres de coragem como vimos no tempo da Reforma Protestante. Como homens e mulheres dos países que têm perseguição religiosa (países islâmicos, China, Coréia do Norte). 

Falta-nos crente como Jorge Müller que leu a Bíblia por mais de 200 vezes, sendo 50 de joelhos e, quando perguntado por um repórter o que gostaria de fazer ainda, ele, de joelhos, respondeu: “Ler mais a Bíblia, pois conheço pouco ainda, da excelência de Cristo”. Jesus Cristo, a Rocha inabalável era à base da fé de Jorge Müller. 

Quando olhamos para a igreja evangélica brasileira, a base de muitas delas é areia movediça. O mundo religioso evangélico hoje tem criado um Jesus a seu bel-prazer. No meio evangélico está em voga um Jesus “coach”, um Jesus “personal training”, um Jesus despido de teologia e de tradições. Igrejas pintadas de preto, adaptadas aos palcos de mídia, apresentam um Jesus descolado, despojado, de calças rasgadas nos joelhos e de camisa fashion, um Jesus de olhos azuis e Ferrari na garagem. Já o Jesus do reteté é quase um orixá afro-brasileiro, sambando e rodando ao som de frases de efeito e de gritos de guerra. O Jesus do mundo neopentecostal dos grandes ícones é um grande arsenal de estorinhas para turbinar a fé dos que precisam vencer, progredir, prosperar e que possa encher os cofres destes fanfarrões da fé. E o Jesus do catolicismo carismático tenta se aproximar de todos, buscando ainda manter a tradição romanista, um Jesus “light”. 

Quando falamos que a igreja está se mundanizando, estamos falando de uma liderança que prega um evangelho sem cruz, ou, quando muito, um Cristo descaracterizado do verdadeiro Evangelho. Neste carnaval de 2020 um indivíduo que se diz pastor batista será “Jesus” no desfile da Mangueira, que tem como título do samba enredo “A verdade vos libertará”; e o pior que não parou por aí. Certo bispo de uma igreja evangélica recebeu também um convite para participar do desfile, e em seu facebook pediu oração para decidir se irá aceitar o convite ou não. A resposta da grande maioria era para que ele aceitasse, pois iria pregar o evangelho lá. Palavras dele: “Peço que orem para que o Espírito do amor de Cristo me guie”. Dentre muitos comentários, um escreveu que o bispo devia aceitar, pois seria coerente com a mensagem que ele prega e estará de acordo com os livros que publicou! 

Mas esse não é o Jesus da Bíblia e muito menos o que Simeão encontrou no templo naquele dia e, muito menos, o que se revelou no Novo Testamento. As pessoas lá de fora têm uma visão distorcida de Jesus da Bíblia porque andam lendo a Bíblia em pessoas que não a vivem. No entanto, muitos não vivem porque o desconhecem. Foram apresentados a outro Cristo, a outro Jesus, a outro Messias. 

Não importa o que o mundo pensa e fala a respeito de Jesus, nós temos a obrigação de conhecê-lo e confessá-lo como fez Pedro em nome dos discípulos: 

“E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.13-16). 

3º - Simeão esperava a consolação de Israel. Simeão aguardava a vinda do Messias. E lhe foi revelado pelo Espírito que ele não morreria antes de ver o cumprimento dessa profecia. Hoje a igreja não espera o retorno do Senhor nos ares como Ele prometeu. As pessoas estão vivendo como na época de Noé, como nos alertou Jesus: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt 24.37-39). Não é que Deus não esteja falando, muito pelo contrário, Deus está gritando a plenos pulmões, mas a igreja não está ouvindo. As pessoas estão dispersas dentro da igreja. Olham para os seus celulares o tempo todo, mas não olham para a Bíblia, não percebem os sinais que estão acontecendo no mundo, sinais estes que estão nos alertando a repeito da vinda Cristo. 

2 – SIMEÃO ERA GUIADO PELO ESPÍRITO SANTO (Lc 2.26-29). 

Por ser um homem cheio do Espírito Santo, ele era guiado pelo Espírito de Deus, instruído pela Palavra de Deus e obediente à vontade de Deus e, portanto, teve o privilégio de ver a salvação de Deus. 

Podemos tirar lições preciosas aqui: 

1º - O que Deus nos promete Ele cumpre (Lc 2.26). Como já falamos, provavelmente Simeão era idoso. Segundo a tradição ele tinha cerca de 113 anos de idade, mas isso não passa de especulação. O que nos interessa aqui é observar a fé deste homem. O texto diz que fora-lhe revelado que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor, e isso ocorreu como o Senhor havia lhe falado. As promessas de Deus são reais e irão se cumprir ou já estão se cumprindo em nossas vidas. Uma delas é que o Senhor Jesus disse que estaria conosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28.20), e, pela fé, sabemos que Ele está conosco. 

2º - Simeão foi ao templo guiado pelo Espírito Santo (Lc 2.26). Guiado pelo Espírito do Senhor Simeão vai ao templo e encontra o Messias. Provavelmente havia ali naquele dia várias mulheres com filhos recém-nascidos. Mas o Espírito guiou Simeão à pessoa certa. É o Espírito Santo que nos revela Jesus. É o Espírito Santo que nos mostra o Salvador. Só é guiado pelo Espírito quem é sensível ao Espírito. Por isso devemos tomar cuidado com quem compartilhamos as nossas experiências, pois nem todos irão compreender o que o Senhor está pedindo de nós. Temos como exemplo Abraão que foi oferecer seu filho Isaque em sacrifício, sendo que foi uma ordem de Deus (Gn 22). 

Quem é de Deus é guiado pelo Espírito de Deus. E a maneira como o Senhor se revela a nós hoje é através da Sua Palavra. Têm muitas pessoas que querem ser guiadas por revelações, visões, profecias, por arrepios. Deus até pode se revelar desta forma, mas isso é uma exceção e não a regra. O Espírito Santo aplica a Sua Palavra ao nosso coração e por ela somos guiados. Simeão foi guiado pelo Espírito Santo, foi-lhe revelado pelo Espírito Santo que não veria a morte. O Espírito Santo o guiou para lhe confirmar o que estava escrito nas Escrituras. 

3º - Simeão estava preparado para morrer (Lc 2.26,29,30). Simeão diz para Deus que estava pronto para a morte. Ele não a temia, pois seus olhos haviam visto a salvação de Israel. 

Observe como começa o versículo 29: “agora”. O agora de Simeão demonstra que ele estava consciente que podia partir em paz, pois, seus olhos viram a salvação do Senhor (v. 30). Da mesma forma expressou o apóstolo Paulo no final de sua vida. Ele escreve a Timóteo: 

“Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2Tm 4.6-8). 

É interessante notar que as pessoas se preparam para muitas coisas na vida, mas raramente você ouve falar de alguém que se preparou para morrer. A mãe se prepara para receber o seu bebê e os preparativos são diversos. A criança é preparada para ir para a escola, na juventude a faculdade, o primeiro trabalho, namoro, casamento, filhos... Mas, em momento algum se preparam para a morte. 

A morte é real. Ela nos bate à porta mais cedo ou mais tarde, mas uma hora ela vem. E ela é extremamente democrática. Ela vem para todos. Ricos e pobres, cultos e iletrados. Vem para todas as raças e povos. Homens, mulheres, crianças. Ainda que não pensemos nela, quando menos esperamos ela dá o ar da graça. Se não bate na nossa porta, bate na do vizinho. 

A Bíblia nos fala que o último inimigo a ser destruído será a morte (1Co 15.26). Que no céu não haverá morte (Ap 21.4). O crente em Jesus não passará pela segunda morte (Ap 20.6). Jesus venceu a morte e o diabo quando ressuscitou dentre os mortos (Hb 2.14). E a Bíblia também nos garante que quem é de Deus já passou da morte para a vida (Jo 5.24). Por isso não precisamos temê-la. 

Existem muitas pessoas que se preocupam como vão morrer, mas se esquecem de que o que importa é como estão vivendo. 

3 – O CÂNTICO DE SIMEÃO (Lc 2.29-32). 

O cântico de Simeão é conhecido como “Nunc Dimittis”, por causa das duas primeiras palavras da tradução em latim. Esse cântico é um hino missionário, pois fala de Jesus como salvador dos judeus e também dos gentios. Observe que esse cântico é uma profecia, pois os judeus não se envolviam nem com samaritanos e muito menos com gentios. E vindo esse cântico de um judeu idoso falando a respeito de um salvador universal era algo extremamente fora do contexto do que os judeus esperavam. 

1º - Simeão, pelo Espírito, entende o propósito maior da vinda do Messias (Lc 2.30,31). A mensagem de salvação não era só para os judeus. O Salvador viria com um propósito maior. Uma igreja movida pelo Espírito Santo precisa ver o que Deus vê. Precisa agir na direção que o Espírito Santo dá. Por isso que as nossas decisões precisam ser em oração para que o Senhor nos dê a direção certa. Devemos fazer os nossos planos, mas quem dirige os nossos passos é o Senhor. Temos como exemplo o apóstolo Paulo que planejava ir para a Ásia, mas foi impedido por Deus. Veja o texto: 

“E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu. E, tendo passado por Mísia, desceram a Trôade. E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um homem da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia, e ajuda-nos. E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho” (Atos 16.6-10). 

Deus ainda fala, guia e dirige a Sua Igreja hoje. 

2º - Simeão entende pelo Espirito que Israel havia cumprido a sua missão (Lc 2.32). Só pelo Espírito que Simeão pode identificar o Salvador. Como ele poderia saber que aquelas três pessoas pobres (José, Maria e o menino Jesus), eram o cumprimento profético que o Senhor havia lhe revelado? Havia ali uma multidão e, no entanto, Simeão no momento em que ele tomou o menino em seus braços, para cumprir o que dizia a Lei, ele imediatamente louva a Deus (Lc 2.27,28). 

Israel naquele momento estava cumprindo a sua missão. Estava entregando ao mundo o Salvador. Como disse Jesus à mulher samaritana “a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22). Deus estava cumprindo com Seu povo o que havia falado a Abraão: “E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz” (Gn 22.18). 

Precisamos entender que Deus tem um propósito com cada um de nós. Fazemos parte de um plano maior de Deus nesta terra. O Senhor tem um projeto e irá se concretizar e nós, seus servos, estamos incluídos nele. José teve um papel fundamental nos planos de Deus, da mesma forma José e Maria. Os apóstolos posteriormente. Os escritores do Novo Testamento, se quer, podiam imaginar que estavam sendo instrumento de Deus para um propósito maior. 

Assim aconteceu com Israel. Assim acontece com cada um de nós também, não para reescrever uma nova Bíblia, mas para apresentar Jesus ao mundo! 

4 – SIMEÃO, UM PROFETA ABENÇOADOR (Lc 2.34,35). 

Após Simeão tomar em seus braços o menino Jesus, ele louva a Deus profetizando sobre o Salvador, logo após, Simeão os abençoa e profetiza a respeito de como Maria sofreria devido o ministério de Jesus. É interessante notar que com a visita dos pastores eles não ficaram tão impressionados como ficaram com Simeão (Lc 2.33). Acontece que Simeão sabia tudo a respeito de Jesus; Seu ministério e como Ele seria rejeitado pelos seus, e que Maria iria sofrer pelo seu Filho. O que Simeão disse foi muito além do que os pastores disseram. 

Vejamos o conteúdo dessas duas profecias: 

1º - Simeão profetiza a respeito do ministério de Jesus (Lc 2.34). Para aqueles que o rejeitam, Ele é pedra de tropeço (1Pe 2.28); contudo, para aqueles que o recebem são erguidos (Ef 2.6). Até hoje a humanidade se divide e continuará se dividindo a respeito de Jesus. Enquanto uns enaltecem o Evangelho, o poder de Deus para a salvação (Rm Rm 1.16), para outros o Cristo crucificado é estorvo, escândalo, tolice e um absurdo. 

Sinal que é contraditado – durante todo o ministério de Jesus Ele operou sinais e maravilhas. O Senhor mostrou para todos que Ele era o Messias prometido. Não havia como as pessoas refutarem tal coisa. No entanto, Israel rejeitou. Como disse João em seu Evangelho: “Ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam” (J 1.11). Apesar de todos os sinais que operou, Ele foi rejeitado (Jo 12.37). 

Os homens não mudaram, apesar de vermos muitas pessoas religiosas, o verdadeiro Evangelho que apresenta o verdadeiro Cristo tem sido rejeitado por muitos. 

2º - Simeão profetiza a respeito do sofrimento que Maria teria (Lc 2.35). Simeão passa a tratar do custo que Maria pagará. Ele diz que uma espada transpassaria a sua alma. A palavra espada aqui é rhomphaia, que é uma espada grande, semelhante a uma lança, não a pequena que é machaira. Essa espada em sua alma seria devido a morte de Cristo na cruz. A graça que lhe foi concedida de ser a mãe do Salvador tinha um custo alto. 

O Evangelho tem seus custos até hoje. Embora muitos tentem pregar um Evangelho sem cruz, o verdadeiro Evangelho tem cruz, tem calvário e por isso tem Pentecostes. Mas sem calvário não há pentecostes. 

CONCLUSÃO 

Assim como o Espírito Santo estava sobre Simeão e o guiou até Jesus, nós também temos o Espírito para nos guiar hoje. O Senhor pela sua infinita misericórdia tem nos assistido e nos guiado por todos os caminhos. Após Simeão ter tido um encontro real com o Salvador Jesus, ele pode orar dizendo que já estava pronto para morrer. Só quem teve um encontro real com Jesus pode falar assim como Simeão falou. Não quer dize que queira morrer, mas que não teme a morte, pois já passou da morte para a vida. Simeão é um exemplo de servo perseverante que esperou com paciência a vinda do seu Senhor. Que tenhamos esta mesma expectativa crendo que em breve o Senhor virá para buscar a Sua Igreja.

Pense Nisso! 

Bibliografia: 
1 – A. W. Tozer. Os Perigos de Uma Fé Superficial. Graça Editorial, Rio de Janeiro, RJ, 2014. 
2 – Barclay, William. Comentário do Novo Testamento, Lucas. 
3 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, volume 2, Lucas e João. Editora Candeia, São Paulo, SP, 1995. 
4 – Davidson, F. O Novo Comentário da Bíblia, volume 2. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1987. 5 – Garder, Paul. Quem é Quem na Bíblia. Editora Vida, São Paulo, SP, 1999. 
6 – Keener, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia, Novo Testamento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2017. 
7 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus, o homem perfeito. Comentário Expositivo Hagnos. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017. 
8 – MacArthur, John. Comentário do Novo Testamento, versículo por versículo. Editora Tomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2019. 
9 – Manual Bíblico SBB. Barueri, SP, 3a edição, 2018. 
10 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1986. 
11 – Rienecker, Fritz. Evangelho de Lucas, Comentário Esperança. Editora Esperança, Curitiba, PR, 2005.