terça-feira, 18 de junho de 2019

A Igreja Verdadeira


Por Pr. Roque Lopes de Carvalho Filho

Introdução

Com tantas igrejas existentes, cria-se uma dificuldade: Qual igreja seguir e em qual acreditar? Quem "pegar o bonde da salvação errado, vai desembarcar no céu errado"? Muitas têm características da igreja verdadeira, mas só com objetivo de atrair as pessoas. A igreja verdadeira não é caracterizada pela prática de expulsão de demônios ou pelo uso do nome de Jesus. Há igrejas que até usam o nome de Jesus, expelem demônios em seu nome, mas ele não as reconhece (Mateus 7.22-23). Há elementos fundamentais que não podem faltar a uma igreja verdadeira. Vejamos alguns.

Serve ao Deus verdadeiro

Os hindus creem em cerca de 300 milhões de deuses. Adoram macacos, elefantes, vacas, cobras e até ratos. Embora se creia na existência de muitos deuses, que elementos os tornam verdadeiros? O apóstolo Paulo disse aos coríntios:

"Pois, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também" (I Coríntios 8.5-6 ACF1).

Não é somente a letra maiúscula que define um Deus verdadeiro, é a sua natureza (Gálatas 4.8). Um Deus verdadeiro não tem princípio nem fim (Gênesis 21.33). É o criador de todas as coisas (Salmo 102:25) (Isaías 44.24; 45.18). É único (Deuteronômio 6:4) (Isaías 44.6; 46.9). Ele sabe todas as coisas (Isaías 44.7-9). Ele não se deixa manipular através de imagens (Êxodo 20.3-5) (Salmo 115.3-10). Não é uma energia ou uma força impessoal, ele é uma pessoa e se comunica com seu povo (Gênesis 9.8;12:1) (2 Crônicas 7.14). Conhece profundamente o homem (Hebreus 4:13). Um "Deus conosco" (Mateus 1.23), presente entre o seu povo. Que se manifestou em carne, e se fez homem (João 1.14). Só restará um Deus no universo (Jeremias 10.11), o Deus que se manifestou a Israel (Deuteronômio 7.6), e que foi revelado por Jesus Cristo (João 17.3-6).

Tem a escritura verdadeira

Conta-se que o filósofo francês Voltaire (1694-1778) teria afirmado que a Bíblia, cem anos após a sua morte, seria um livro esquecido, ultrapassado, e empoeirado em todas as estantes em que estivesse. Antes que se completassem os cem anos de sua morte, na casa em que ele residia, abriu-se uma editora de Bíblias. Voltaire não conhecia a Bíblia, pois ela diz:

"Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão" (Mateus 24.35).

São palavras verdadeiras (João 17.17), de um Deus verdadeiro (I João 5.20). A Bíblia é divinamente inspirada (2 Timóteo 3.16-17) (2 Pedro 1.20-21). Ela mergulha profundamente dentro do homem com eficácia, discernindo todo o seu interior (Hebreus 4.12). Nela o homem deve meditar de dia e de noite (Josué 1:8) (Salmo 1.2).

Vale a pena ressaltar que alguns céticos, tentando denegrir as palavras da Bíblia, têm afirmado pejorativamente: "Lembrem-se, a Bíblia foi escrita por homens"! Citando as palavras do pastor Paulo Romero, respondemos: "E vocês queriam que fosse escrita por um cavalo?" Deus usou o que era mais óbvio, o homem, ser inteligente e capaz. E a escrita, comum a todos os povos, o meio prático de que sua Palavra passaria de geração a geração (Deuteronômio 6.6-9).

Tem o Messias verdadeiro

Muitos homens têm vindo ao mundo afirmando que foram enviados por Deus ou foram tidos como deuses: Buda, Maomé, Zoroastro, Confúcio, reverendo Moon, Yuri Tais, e tantos outros. Dizem-se portadores de uma mensagem divina. São eles messias verdadeiros? O que dizem veio de um Deus verdadeiro? quais as credenciais de um verdadeiro messias? Vejamos algumas: O reconhecimento do próprio Deus (Mateus 3.17) (1 João 5:9), profecias se cumpriram a seu respeito (Isaías 7.14; 9:6; 11.1-5;53:1-7), a natureza de sua missão (Lucas 4.14-21), os poderes que possui (Lucas 7.12-15), a autoridade que tem (Mateus 7.29), a capacidade de aproximar o homem de Deus (João 1:29) (1 João 1.7), a capacidade de vencer a morte (Lucas 24:1-6), de perdoar pecados (Lucas 5.20), sua origem celestial (João 3.11-13).

Napoleão Bonaparte, francês que tentou conquistar o mundo, disse o seguinte sobre Jesus: "Eu tive um reino que desmoronou rapidamente. Onde estão os meus seguidores? Onde estão aqueles que vinham aprender as minhas palavras? Onde estão os impérios que se ergueram na humanidade: babilônios, assírios, gregos e romanos? Todos acabaram assim como o meu. Mas Jesus Cristo ergueu um reino que já dura quase dois mil anos, e não terá fim". Jesus dividiu a história, e sem ele a história é incompreensível. Ele é Senhor, Rei e Deus (Apocalipse 17:14) (Tito 2.13). O Messias verdadeiro traz em suas mãos as chagas deixadas pela cruz, na qual morreu para salvar todo aquele que nele crê (João 20.24-29) (Colossenses 2.13-17). Jesus Cristo é o Messias verdadeiro, todos os outros são falsos (Mateus 24.24). "Jesus não é maior do que Buda, Maomé, Zoroastro, Confúcio, Kardec, ou qualquer outro, Jesus é incomparável".

Tem a Mensagem verdadeira

Conta-se que um menino de cinco anos estava no gabinete de seu pai fazendo-lhe várias perguntas. O pai, não conseguindo trabalhar, pegou um mapa com todos os países do mundo e recortou-os um por um, pedindo ao menino que os levasse para seu quarto e os colocasse em ordem. Não demorou cinco minutos e o menino já estava de volta com o mapa montado. O pai, espantado com a rapidez do menino, perguntou-lhe como havia montado tão facilmente o mapa. O Menino respondeu: "Havia um homem desenhado do outro lado, do tamanho do mapa, depois que coloquei o homem em ordem, vi que tinha colocado o mundo também". Só há uma forma deste mundo se tornar melhor, é mudar o ser humano, e a Bíblia é o livro que tem esta proposta(João 2.25) (1 Coríntios 15.1-4). A mensagem verdadeira é baseada na graça de Deus, arrependimento de pecados, não em méritos humanos. (Atos 17.30) (Efésios 2.8-9). É uma mensagem de salvação e vida eterna (Atos 16.29-31) (João 3.16). Infelizmente esta mensagem tem sido distorcida, e muitas pessoas já não se aproximam mais de Jesus pela cruz (João 12.32-33), mas por interesses pessoais. Várias tendências teológicas têm surgido, distorcendo a verdadeira mensagem da salvação: unção do riso, vômito do Espírito, maldição hereditária, regressão, dente de ouro, teologia da prosperidade. Vale a pena ressaltar que para tudo se encontra uma passagem bíblica. O chavão é: "Está na Bíblia". Satanás usou esta técnica com Jesus quando lhe disse: "...lança-te daqui abaixo; porque está escrito..." (Mateus 4.6). E citou para Jesus o Salmo 91.11-12, para que Jesus se atirasse do pináculo do templo, afirmando que os anjos do Senhor não o deixariam cair. Jesus respondeu a Satanás: "Também está escrito: Não tentarás ao Senhor teu Deus" (Mateus 4.7). Jesus usou o texto de Deuteronômio 6.16 para mostrar a Satanás que não basta apenas usar da autoridade da Bíblia em textos isolados, ela é um todo, e interpreta-se a si mesma. Apesar de todas as circunstâncias a Bíblia continua e continuará sendo o único livro verdadeiro e digno de confiança.

Tem um povo verdadeiro

Adolf Hitler quase destruiu o mundo porque achava que os alemães eram uma raça pura, superior e que só eles deveriam mandar e governar o planeta, mas os seus ideais não permaneceram. Os judeus foram considerados para Deus um povo especial, o qual ele escolheu para se manifestar (Deuteronômio 7.6). Hoje, o povo de Deus não é caracterizado pela raça, etnia, mas por ter nascido de novo (João 3.3-8). É um povo chamado e escolhido por Deus, mediante Jesus Cristo (Gálatas 3.28) (Romanos 9.21-25) (Romanos 9.27-33), que recebeu Jesus como Salvador, tornando-se filho de Deus (João 1:12). Esse povo busca as coisas de Deus (Colossenses 3.1-3) é templo do Deus verdadeiro (1 Coríntios 3.16), anda nos passos de seu Redentor(Colossenses 2.6-7), e espera a sua volta (Atos 1.11) (1 Tessalonicenses 4.16-17). Deus tem tolerado a maldade do mundo somente por causa deste povo (Mateus 24.22). É um povo selado pelo Deus verdadeiro (Efésios 1.13). É importante que se tenha em mente que a igreja é composta de pessoas imperfeitas: A igreja não é um museu para santos, mas um hospital para doentes. Jesus disse que não veio chamar justos ao arrependimento, mas pecadores (Mateus 9.12). Obviamente, espera-se que as pessoas que compõem a igreja sejam transformadas em seu viver, mas elas ainda não atingiram a perfeição.

Conta-se que uma irmã, insatisfeita com sua igreja, teria chegado para o seu pastor e lhe dito: "Estou à procura de uma igreja perfeita, com um pastor perfeito, diáconos perfeitos, ministro de música perfeito, regentes perfeitos, professores perfeitos, e membros perfeitos". O pastor lhe respondeu: "O dia em que irmã encontrar, por favor, não entre, senão a irmã vai estragá-la."

Conclusão

Alguém já disse: "Se a igreja não fosse de Deus os homens já teriam terminado com ela". Deus criou todas as coisas, e teve o bom gosto de criar tudo em ordem e perfeito. Mas o homem tem o poder de estragar tudo. A igreja foi criada por Jesus, que se entregou por ela (Efésios 5:25), ela é a noiva, bela, bonita e perfeita, e ele virá buscá-la (Apocalipse 19:7). Esta é a igreja verdadeira. Você é parte dela? Sua igreja tem estas marcas?

1 Todos os textos bíblicos citados neste estudo foram extraídos da tradução de João Ferreira de Almeida - Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF), editada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, exceto quando houver sido especificado em contrário.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

A Justificação pela Fé (Sobre a Dupla Imputação)


Por David S. Steele e Curtis C. Thomas 

A. O Significado de “Imputação”.

Imputar algo a uma pessoa significa pôr esse algo em sua conta (creditar) ou contá-la entre as coisas que lhe pertencem - ser-lhe creditado, e o que lhe é imputado passa a ser legalmente seu; é-lhe contado como sua possessão. Imputar significa contar, creditar, atribuir.

“Enquanto se faz referência ao significado de imputar, não importa quem é o que imputa, se é um homem (1 Sm 22:15) ou Deus mesmo, como vemos em Salmo 32:2; não importa o que é imputado, se uma boa ação para recompensa (Sm 106:30) ou uma ação má para castigo (Lv 17:4); e, finalmente, não importa se o imputado é algo que nos pertencia pessoalmente antes da imputação, como no caso citado anteriormente do Salmo 106:30, donde se imputa a Finéias sua própria boa ação, ou algo que não nos tem pertencido previamente, como é o caso em que Paulo pede a Filemom que uma dívida que não é sua pessoalmente, lhe seja colocada em sua conta (Fm 18). Em todos estes casos a ação de imputar é simplesmente colocar algo na conta de alguém. De forma que, quando Deus, no caso aqui, diz “imputar pecado” a alguém, o significado é que Deus considera o tal como pecador e em conseqüência, culpável e merecedor de castigo. Semelhantemente, a não imputação de pecado significa simplesmente não atribuir essa carga como base do castigo (Sl.32:2). Da mesma forma, quando Deus diz “Imputar justiça” a uma pessoa, o significado é que Deus considera judicialmente tal pessoa como justa e merecedora de todas as recompensas a que tem direito toda pessoa justa (Rm.4:6-11)”.

B. A Base da Justificação.

A dupla imputação de pecado e justiça (referidos a Cristo e ao crente) forma a base da justificação.

1. Os pecados dos crentes foram imputados a Cristo - por isto Ele sofreu e morreu na cruz (1 Pd 2:24; II. Co 5:21). Cristo foi feito legalmente responsável pelos pecados do crente, e sofreu o justo castigo que a este correspondia. Ao morrer no lugar do crente, Cristo satisfez as demandas da justiça e o libertou para sempre de toda possibilidade de condenação ou castigo. Quando os pecados do crente foram imputados a Cristo, o ato de imputação não fez a Cristo pecador ou contaminou Sua natureza -tampouco, de modo algum afetou Seu caráter; este ato só tornou Cristo o responsável legal de tais pecados. A imputação não troca a natureza de nada; somente afeta a posição legal da pessoa.

2. Jesus Cristo viveu uma vida perfeita - guardou completamente a lei de Deus. A justiça pessoal que Cristo obteve durante Sua vida na terra é imputada ao pecador no momento em que este crê. A justiça de Cristo é outorgada ao crente; e Deus o vê como se ele mesmo houvesse feito todo o bem que Cristo fez. A obediência de Cristo, Seus méritos, Sua justiça pessoal é imputada (atribuída) ao crente. Isto de modo algum troca a natureza do crente (como também a imputação de pecados a Cristo não muda a Sua natureza); somente muda a posição legal do crente diante de Deus.

C. O Meio da justificação.

O meio pelo qual o pecador recebe os benefícios da obra salvadora de Cristo (Sua vida sem pecado e Seu sacrifício), é a fé n’Ele. Ninguém pode ser justificado senão pela fé; no entanto, ninguém é justificado sobre a sua fé. A fé, em si mesma, não salva o pecador; porém o leva a Cristo, o qual é quem, de fato, salva; portanto, a fé, conquanto seja um meio necessário para a justificação, não é em si mesma a causa ou a base da justificação. “Paulo disse que os crentes são justificados dia pisteos (Rm.3:25), pistei (Rm.3:28) e ekpisteos (Rm.3:30). O dativo e a preposição dia, representam a fé como meio instrumental pelos quais Cristo e Sua justiça são imputados; a preposição ek mostra que a fé ocasiona, e logicamente precede, nossa justificação pessoal. Paulo nunca disse, e sem dúvida negaria, que os crentes são justificados dia pistin, ou seja, por causa de sua fé. Se a fé fosse a base da justificação, a fé seria, com efeito, uma obra meritória; e a mensagem do evangelho seria, depois de tudo, meramente uma nova versão da justificação por obras, doutrina considerada por Paulo como irreconciliável com a graça, e destrutiva espiritualmente (Compare Rm 4:4; 11:6; Gl .4:21-5:1 2). Paulo considera a fé, não como a causa da justificação, mas como a mão vazia, estendida, que recebe a justiça ao receber a Cristo”.

D. A distinção entre justiça “imputada” e justiça “pessoal”.

Devemos ter o cuidado de não confundir a justiça imputada (a qual recebemos pela fé e que é a única base de justificação) com os atos pessoais de justiça (santidade), realizados pelos crentes como resultado da obra do Espírito Santo em seus corações. Hodge disse:

A justiça pela qual somos justificados, não é algo feito por nós nem nada que tenhamos forjado em nós mesmos, mas algo feito por nós e a nós imputado. É a obra de Cristo, o que Ele fez e sofreu para satisfazer as demandas da lei (...) não é nada que tenhamos criado ou forjado em nós ou algo inerente em nós. Por isso dizemos que Cristo é nossa justiça; que somos justificados por Seu sangue, Sua morte, Sua obediência; somos justos nEle e somos justificados por Ele, ou em Seu nome. A justiça de Deus, revelada no Evangelho e pela qual somos constituídos justos é, portanto, a justiça perfeita de Cristo, a qual cumpre completamente todos os requisitos da lei a que os homens estão obrigados e que todos os homens tem quebrado”.

A base da justificação é A OBRA DE CRISTO, e O MEIO da justificação é a FÉ EM CRISTO.
Extraído do Livro “Romanos, um bosquejo explicativo”

Fonte: Jornal “OS PURITANOS” - Via: Monergismo

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Criação: O Fracasso Evangelical


Por P. Andrew Sandlin

Se você se pergunta por que tantos evangelicais estão se rendendo ao “casamento” entre pessoas do mesmo sexo ou a “atração” homossexual, “barrigas de aluguel”, “fluidez de gênero” e transgenerismo, parte da culpa está no DNA do próprio evangelicalismo. Os evangelicais defendem o evangelho bíblico, as boas novas de que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou dos mortos para que os pecadores pudessem ser salvos. Essa é a sua especialidade paradigmática e devemos agradecer a Deus de eles terem grande sucesso em promovê-la nos últimos dois séculos.

A marginalização criacional

Mas com essa especialização veio a marginalização de outras partes da Bíblia, a saber, a criação. Não é que os evangelicais neguem a criação. Eles frequentemente são os primeiros a defender a criação em seis dias de 24h e um dilúvio global. Todavia, eles tendem a não integrar a criação à sua cosmovisão. Pior: eles não entendem que a criação é o fundamento do evangelho. Isso é muito fácil de se provar, se você parar para pensar. O evangelho oferece a salvação dos pecados, mas o que é pecado? É uma violação da lei de Deus (1Jo 3.4). Mas como essa violação aconteceu? Ela aconteceu como resultado da distorção humana da criação. Os capítulos 1 e 2 de Gênesis expõem as leis ou normas criacionais. Elas incluem a distinção Criador-criatura, a humanidade feita à imagem de Deus, a distinção entre homem e mulher nessa imagem divina única, o imperativo da procriação, o mandato cultural, o Sábado e a bondade da própria criação. Podemos chamar isso do sistema operacional da criação. É assim que Deus montou o cosmos para funcionar.

E é justamente dentro desse sistema operacional que o software do evangelho funciona. O pecado introduziu um vírus nesse sistema operacional. O objetivo do evangelho é eliminar a esse vírus cada vez mais. O vírus não oblitera o sistema operacional, mas o danifica. O evangelho é a missão de Deus para caçar e eliminar o vírus.

Os evangélicos tendem, todavia, a internalizar, privatizar e gnosticizar o evangelho. O evangelho trata principalmente sobre conseguir que pecadores sejam perdoados por Deus e comungar com ele e levá-lo para o céu. É compreensível que, nessa linha de pensamento, tratar do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo possa ser algo periférico que tire a atenção da igreja do evangelho.Enfrentar barrigas de aluguel, armazenamento de óvulos fecundados e trans-humanismo (como o Center of Bioethics and Culture faz) é na melhor das hipóteses uma causa secundária e, na pior, uma distração da missão da igreja.

Mas se entendermos que o objetivo do evangelho é a restauração da ordem criacional de Deus, aumentar a aderência a suas normas criacionais, não só para a sua glória, mas para o nosso deleite, reconheceremos que essas tarefas e muitas outras estão bem detnro da estrutura do evangelho bíblico.

O Mediador da criação

Uma falha teológica fundamental está na raiz desse evangelho truncado. Os evangélicos modernos sabem que Jesus é o mediador da redenção, mas eles parecem menos interessados em vê-lo como o mediador da criação. Mas a Bíblia claramente ensina que ele é ambos. Veja o que Paulo escreve em Colossenses 1.13-20:

Ele [Deus o Pai] nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados [aqui temos Jesus como mediador da redenção]. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste [aqui temos Jesus como mediador da criação]. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

Para Paulo, a mediação de Jesus tanto na criação quanto na redenção integra ambas para transmitir a plenitude de Deus para e dentro do cosmos. O Jesus que morreu na rude cruz é o mesmo Jesus que moldou as leis do universo e sustenta a sua existência. 

Porque os evangélicos abraçaram uma visão truncada da Bíblia, porque eles enfatizaram o evangelho (numa construção mais estrita) como tudo que importa, eles estiveram dispostos a sacrificar as verdades criacionais mais fundamentais em que o verdadeiro evangelho está fundamentado. Eles não planejavam fazer isso. E se alguém tivesse lhes dito há 20 anos que eles um dia endossariam ou se renderiam a “fluidez de gênero” ou “‘casamento’ entre pessoas do mesmo sexo”, eles dariam risada. Mas a sua preocupação com uma parte vital da Bíblia e a relativa negligência de outras partes vitais pavimentou o caminho para essas mudanças indiscriminadas. As sementes do comprometimento atual estavam ali desde o princípio. A negligência não foi intencional, mas foi negligência mesmo assim e agora estamos pagando um preço alto por ela.

A solução para essa negligência é um retorno a uma visão robusta e completa da criação e das normas criacionais. Vamos pregar o antigo evangelho da rude cruz de Jesus e o mais antigo ainda do senhorio criacional. 

Traduzido por Guilherme Cordeiro.

Fonte: Monergismo

domingo, 2 de junho de 2019

O Esquerdismo é anticristão.


Por Josemar Bessa

Cristãos tem sido massacrados sistematicamente, e respondendo ao massacre de centenas de cristãos durante os ataques da Páscoa essa semana por terroristas islâmicos, vários proeminentes políticos democratas esquerdistas escolheram emitir declarações que omitem qualquer menção direta da identidade de fé das vítimas, ou seja, cristãos.

Obama disse o seguinte: "Os ataques aos turistas e adoradores da Páscoa no Sri Lanka são um ataque à humanidade. Em um dia dedicado ao amor, à redenção e à renovação, oramos pelas vítimas e permanecemos com o povo do Sri Lanka".

Hillary Clinton seguiu literalmente o mesmo roteiro: "Neste fim de semana sagrado para muitas religiões, devemos nos unir contra o ódio e a violência. Estou orando por todos os afetados pelos terríveis ataques de hoje aos turistas e adoradores da Páscoa no Sri Lanka."

Vários outros democratas ( Esquerdistas ) se apegaram a essa mesma frase - "adoradores da Páscoa". Se apenas um deles tivesse seguido esse caminho, talvez pudesse ser uma forma estranha de descrever o massacre aos cristãos neste Domingo de Páscoa. Mas é simplesmente impossível acreditar que vários democratas significativos ( os mais importantes - líderes ) pensariam independentemente e inocentemente em se referir às vítimas cristãs de maneira indireta e obscura – e não falando sobre atentado terrorista contra cristãos.

Eu sou cristão a vida toda, e o termo "adoradores da Páscoa", ou algo parecido, é algo totalmente estranho , mas de repente, virou expressão comum - “por pura coincidência” - na boca de todos os líderes esquerdistas na América. Judeus comemoram a páscoa, é óbvio, mas a grande maioria no mundo dos que celebram a páscoa são cristãos e o ataque foi feito em igrejas cristãs... ataques feitos por muçulmanos.

Imagine um atentado contra muçulmanos em que as pessoa se referissem simplesmente como ataques aos “observadores do Ramadã” – esse termos vago. Isso nunca acontece ou aconteceu. O temor vago nesse caso do ataque na Páscoa é totalmente proposital e geral nos líderes esquerdistas Democratas. Eles simplesmente não podem dizer ataque e massacre contra cristãos por serem cristãos. Por que ser tão vago sobre quem sofreu o ataque a não ser que haja um motivo para não reconhecer explicitamente o grupo atacado e vítima da barbárie em questão?

É a mesma razão pela qual você não verá, os ataques sem fim a cristãos na África, por exemplo, serem rotulados de cristofobia... mas qualquer coisa facilmente ser marcada e rotulada como islamofobia.

Tanto Hillary Clinton quanto Obama reagiram a um ataque há algumas semanas na Nova Zelândia de forma totalmente diferente. O que eles disseram?

Obama disse: "Michelle e eu enviamos nossas condolências ao povo da Nova Zelândia. Sofremos com vocês e a COMUNIDADE MUÇULMANA. Todos nós devemos nos opor ao ódio em todas as suas formas". Aqui é Comunidade Muçulmana e não “celebradores do Ramadã”. Mas para eles é impensável falar sobre um ataque a cristãos só porque são cristãos.

Clinton disse: "Meu coração está partido pela Nova Zelândia e pela COMUNIDADE MUÇULMANA global. Devemos continuar a combater a perpetuação e a normalização da ISLAMOFOBIA e do racismo em todas as suas formas. Os terroristas supremacistas brancos devem ser condenados pelos líderes em todos os lugares. Seu ódio mortal deve ser detido." Aqui ela fala em Comunidade Muçulmana e Islamofobia. Não é nada vago, difuso ou confuso. É claro e direto.

Só hipócritas poderiam deixar de notar o grande contraste entre essas declarações quando agora, 300 cristãos foram massacrados no Domingo de Páscoa. Eles não são “Cristãos”, são “adoradores da páscoa”. No que aconteceu na Nova Zelândia eles falam sobre Terrorismo, Islamofobia, supremacistas brancos... Era de se esperar que agora falassem no Massacre de Cristãos, Terroristas Islâmicos e Cristofobia. Mas não...

Os cristãos são o grupo mais perseguido do planeta. Em uma base mensal, centenas de cristãos são assassinadas por sua fé, milhares estão trancados na prisão sem justa causa, e dezenas de igrejas são queimadas ou vandalizadas na Europa, América e em todo mundo. De fato, a coisa mais chocante sobre a tragédia dessa Páscoa é quão rotineira ela tem se tornado. Foi apenas há dois anos que mais de cem cristãos foram mortos em explosões nos cultos do Domingo de Ramos no Egito. Muitos cristãos em várias partes do mundo sabem que estão com suas vidas em risco quando se reúnem para culto e adoração. Há um massacre sistêmico de cristãos acontecendo agora na África. Este é o fato - os cristãos não são apenas um grupo que sofre violência, mas os mais vitimizados no mundo pela violência e terrorismo – isto é extraordinariamente inconveniente para os esquerdistas, que estruturaram toda a sua agenda em torno de sua narrativa de vitimização – mas também em torno de ser anti-cristã. Ao contar, minorias raciais, mulheres, homossexuais e muçulmanos como vítimas, enquanto os homens ( brancos ) e cristãos como os maus. Os malvados da história... opressores... Essa dicotomia seria descontroladamente desequilibrada e desarticulada se os cristãos fossem admitidos na coluna das maiores vítimas de violência e atrocidades no mundo - especialmente porque são frequentemente vítimas de terroristas muçulmanos.

Então, o esquerdismo nas grandes mídias, nos seus maiores representantes e líderes políticos na América, Europa... ignoram o genocídio dos cristãos. E sempre que podem – países e agendas da ONU - promulgam políticas que tornam as coisas piores. E quando são forçados a olhar um massacre contra cristãos como esse de Domingo, tornam tudo vago com frases “adoradores da Páscoa”... deixando bem claro a sua hipocrisia ilimitada. Sistematicamente cristãos são decapitados, explodidos, assassinados de todas as formas possíveis pelo terrorismo islâmico. Mas você nunca verá esse massacre constante de cristãos sendo rotulados pelo esquerdismo pelo que ele é. Porque sendo o que são, os esquerdistas, na verdade não se importam. Os cristãos são “os maus” e não vítimas para o esquerdismo. E como eles não se importam, o esquerdismo olha para o massacre cristão como olham para o massacre de crianças abortadas... usam termos vagos, porque no fundo, acham pouco.

Fonte: Josemar Bessa

segunda-feira, 27 de maio de 2019

A Mensagem Inclusiva e a Mentira do Universalismo


















Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna… Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:16,18)

A Palavra de Deus pode ser relativizada ou ressignificada? As doutrinas cristãs podem se adequar ao tempo, às tradições e culturas? A Bíblia deve ser lida e interpretada de acordo com as necessidades, anseios, culturas e lutas dos povos ou de certas minorias? A igreja precisa ser ‘reimaginada’ para se conformar ao contexto social? Temas como pecado e arrependimento podem ser relativizados? Deus muda? Os valores do evangelho mudam? O diabo e seus operários tentam nos convencer destas possibilidades, porém, conservando um espírito bereano, devemos a cada dia examinar as Escrituras para não sermos enganados por falsários da Palavra (Atos 17:11), e colocarmos tudo à prova (1 João 4:1). É o que faremos em relação ao tema deste estudo.

A heresia do universalismo e a ressignificação das Escrituras:

Conforme matéria publicada no site JM Notícias, em 29 de abril de 2019, intitulada “Igreja Anglicana do DF celebra primeiro casamento gay”, o líder daquela igreja, o bispo Maurício Andrade, teria dito: “A revelação da Bíblia foi em um contexto, uma realidade que a gente precisa atualizar.”1 O pastor David Wilkerson certa vez disse: “Deus nos ajude a nunca suavizar o seu evangelho”, entretanto, é exatamente isso que os adeptos da Teologia Inclusiva, propagadores do universalismo, têm feito: eles apresentam uma interpretação bíblica baseada numa “nova hermenêutica”, em que textos são ressignificados para dar suporte às suas heresias. Quando não conseguem ressignificar alguma passagem bíblica, argumentam que foi escrita para certa época, ou que é fruto de uma cultura machista, patriarcal, opressora etc. Alguns textos, principalmente dentre os escritos por Paulo, são chamados de “textos de interdição” porque, segundo eles, interditam mulheres e LGBTIs. Se não concordam com a Palavra de Deus, a ressignificam, ou simplesmente ignoram certos textos. Este esforço resulta em sermões ‘adocicados’, literaturas heréticas, e até mesmo Bíblias Inclusivas dedicadas ao público LGBTI2, em que o termo pecado é reinterpretado.

O Universalismo ensina que, em virtude do amor de Deus, todos acabarão sendo salvos e estarão para sempre no Lar Eterno. O pastor e escritor Ciro Sanches Zibordi chega a dizer que “o universalismo extremado prevê a salvação até do Diabo!”3. Um pregador muito conhecido, grande influenciador, mas herege, ao falar da justiça de Cristo afirmou que o pecado não é mais um critério entre Deus e os homens, e que Hitler e Herodes estão à mesa com Jesus, e ainda que arrependimento e confissão de pecados não são critérios para se assentar à mesa de Deus no reino celestial.4 Este mesmo pastor já negou a existência do inferno.

“Deus odeia o pecado”, e odiará sempre:

Teólogos liberais, universalistas e inclusivos se esforçam para negar as consequências do pecado sobre a vida humana, apresentando um discurso em que o critério único para a salvação é amar. Quem ama, tendo tido ou não uma experiência com Cristo, independente de suas convicções religiosas, de seus valores e do curso moral de sua vida, está salvo. Dizem que “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Embora esta afirmação seja verdadeira, ela tem sido usada pelo diabo para suavizar o conceito de pecado e do rigor do juízo divino. Trata-se de uma artimanha diabólica para enganar incautos, aplacar consciências, e gerar uma atmosfera favorável para quem deseja estar bem com Deus e, ao mesmo tempo, com o mundo (Tiago 4:4). Assim é que uma atriz pornô certa feita disse que havia se convertido ao evangelho, mas continuava exercendo sua “profissão”, e que havia escolhido ser membro de uma igreja evangélica que não lhe exigia nada. Estas igrejas liberais e inclusivas estão se proliferando como praga e, infelizmente, lançando raízes de suas heresias até mesmo nas denominações conservadoras.

Em toda a Bíblia, desde o Éden, vemos as consequências trágicas do pecado sobre a humanidade. Hoje não é diferente. Por isso “Deus odeia o pecado”, e odiará sempre. O pecador sem arrependimento, sem o novo nascimento, sem o fruto da nova vida, jamais poderá entrar nos céus. Relativizar esta verdade é servir ao Pai da Mentira, ao diabo, é praticar a sua obra (João 8:44). Assim como Seu autor, a Bíblia não muda, e nem o que nela está escrito sobre o pecado e o que ele produz na vida humana (Malaquias 3:6; Tiago 1:17; Provérbios 8:36; Mateus 24:35; João 8:34; Hebreus 13:8; João 8:24; Romanos 5:12; Romanos 6:23).

“Deus ama o pecador”, mas ele precisa se arrepender para ser salvo:

O insondável amor de Deus, ainda que derramado por todos na cruz pela entrega de Jesus para morrer em nosso lugar, não dispensa a necessidade de arrependimento e do novo nascimento para a entrada no reino. Ao religioso, que dizia guardar os mandamentos desde sua meninice, Jesus amou, mas não pode salvar porque seu coração estava neste mundo: “E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me. Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades.” (Marcos 10:21,22 – grifos do autor). Ao virtuoso Nicodemos, um mestre religioso, o Senhor informou: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3).

Deus ama a todos, independente de seus pecados, sejam maus ou bons perante a opinião pública, fiéis ou infiéis, bons ou maus cônjuges, e pais, e filhos, religiosos ou não, homicidas, adúlteros, mentirosos, egoístas… Mas, este amor não desencadeia o perdão sobre quem não crê, não se arrepende e não se submete ao senhorio de Cristo. A exigência para a salvação é esta, e não há alternativas: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19 – grifo do autor).

Ao malfeitor quebrantado, da cruz ao lado, a despeito de seus pecados, o Salvador assegurou: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43). Deus amou aquele homem, porém a salvação se deu mediante seu arrependimento e reconhecimento de Cristo como seu Senhor e Salvador, atitude sem a qual nenhum pecador, não obstante o amor de Deus, entrará nos céus.

Reflita:

A mensagem inclusiva é uma negação da Sã Doutrina que apresenta o arrependimento e o novo nascimento como condição exclusiva e irrevogável para a entrada no reino. Que “Deus amou o mundo de tal maneira” é fato inegável. Que Ele “deu o seu Filho unigênito” para morrer na cruz em nosso lugar também. Porém, a salvação é para “todo aquele que nele crê”, e este crer implica reconhecimento do pecado, arrependimento, novo nascimento e vida no Espírito. Assim é que “quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:16,18).

O amor divino não é complacente; Ele nunca salvará do inferno aquele que não crê: “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados” (João 8:24). O Eterno é santo e justo, e continua odiando o pecado, como sempre odiou e odiará. Os valores de Sua Palavra são imutáveis, inabaláveis e inegociáveis. A mensagem inclusiva e o universalismo é falácia do diabo. Pense nisso!
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2 https://www.oasiseditora.com.br/ (Editora Inclusiva)


segunda-feira, 6 de maio de 2019

ORDENAÇÃO FEMiNINA AO MINISTÉRIO PASTORAL: o que tem a dizer a Bíblia Sagrada.


Por Pr. Barbosa Neto

Foi amplamente divulgado que foram eleitas três pastoras para integrar a diretoria da Ordem dos Pastores Batistas - OPBB  - a nível nacional.

Queridos colegas e irmãos e irmão e amigos, aqui vai um simples comentário muito respeitoso de um servo inútil, mas crente em Jesus e que tem o seu nome escrito no Livro da Vida do Cordeiro para sempre e que é guardado pelo poder de Deus, no Céu.
 
Acredito que pelos Princípios Batistas, já que afirmam ter a Bíblia Sagrada como única regra de fé e prática, podemos afirmar que toda ordem estipulada nesse mundo, seja ela de caráter eclesiástico ou não, deve se sujeitar às Escrituras Sagradas.

Se alguém conseguir defender - com argumentos honestos - de que a assim-chamada “ordenação feminina ao ministério pastoral” é bíblico quero retirar tudo o que aqui for escrito.

A “ordenação pastoral feminina” não fere questão de gênero, mas uma questão crucial de ordem da criação divina e ordem hierárquica estipulada por Deus entre homem e mulher, seja na família, seja na sociedade. Só uma pergunta: como uma mulher vai exercer autoridade espiritual sobre homens, sendo que em casa ela deve se sujeitar a autoridade de seu marido, inclusive espiritual?

A questão não é sociológica, como afirmam, mas teológico-bíblica. Queridos, diante dos fatos vistos no decorrer da História da Igreja, é melhor ser taxado de radical, tentando se apegar à verdade, do que ser liberal, abrindo mão de princípios fundamentais das Sagradas Escrituras.

Portanto, com todo respeito aos muitos anos de ministério de muitos amigos e irmãos. Não basta se envergonhar tão-somente, como servos de Deus, precisamos nos posicionar. Pagar um preço pela verdade e não se dobrar aos comodismos do sistema. Que Deus nos oriente a tomar as decisões certas. E não as convenientes! A esse comentário, recebi as seguintes reações:

1. Pastor, quem ordena são homens, mas o Espírito Santo é que concede dons, logo as mulheres podem receber o dom de pastoreio.

Minha resposta para nossa reflexão: Com todo respeito, seria uma boa análise, se não fosse os falsos silogismos que a análise possui.

As Sagradas Escrituras não se contradizem. O mesmo Deus que outorgou autoridade é o que delega funções na Igreja. A Bíblia Sagrada é clara, agora, cada um tem a sua responsabilidade diante da Palavra exposta!

Só para entendimento, a questão de gênero não tem nada a ver com capacidade ou atividade, mas com delegação de autoridade. O homem não é melhor do que a mulher em nada, mas uma coisa o homem cristão precisa exercer em casa e na Igreja: autoridade de homem. Autoridade entende-se por responsabilidade de assumir a liderança, seus bônus e muito mais os seus ônus.

2. Pastor, do ponto de vista filológico, não se pode afirmar que a ordenação fere as Sagradas Escrituras. Há de se considerar o contexto cultural da época em que o texto foi escrito, ou seja, patriarcal.

Minha resposta para nossa reflexão: A partir do momento que se menciona a estrutura cultural patriarcal, já se coloca como parâmetro uma análise sociológica e não teológica.

Além disso, a análise filológica não pode ser determinante e exclusiva para se chegar a uma posição diante do texto bíblico, afinal, as Sagradas Escrituras tem uma linha teológica indiscutível, que deve orientar toda a nossa análise textual.

Uma palavra deve ser avaliada em seu contexto, inclusive dentro da teologia bíblica. Dessa forma, não se pode analisar o texto do ponto de vista puramente semântico.

Sendo assim, a questão da liderança masculina é notória nas Sagradas Escrituras, não só por um contexto sociológico diferente, mas por uma questão teológica.

Deus fez o homem primeiro, Deus colocou sobre o homem uma responsabilidade maior do que sobre a mulher, Deus estipulou a mulher como auxiliadora e não como cabeça, Deus nos alerta sobre à parte mais frágil - a feminina, etc. Portanto, com todo respeito, toda análise técnica deve se render à naturalidade das Sagradas Escrituras que traça uma linha coerente no decorrer da história.

3. Assim como Deus permitiu algumas exceções, hoje, pela omissão dos homens, as mulheres tem se colocado para fazer e fazem bem.

Minha resposta para nossa reflexão: O fato dos homens se omitirem na História da Bíblia, como o caso de Débora, e os homens se omitirem de seus ofícios nos dias de hoje, seja na família, na igreja e na sociedade, não se torna um pressuposto legítimo para se defender a causa feminina na questão posta, pelo contrário, torna-se uma alerta para as falhas cometidas pelos homens e às consequências disso para si próprios, para a igreja, para a família e para a sociedade.

Isso não tem nada a ver com machismo, pois acredito que as mulheres são tão competentes quanto aos homens, mas trata-se - digo mais uma vez - de ordem da criação divina.

ISSO NÃO É UM MERO DETALHE NAS ESCRITURAS e do propósito da liderança masculina dentro dos planos de Deus.

Agora, se não acham isso pertinente, não sou eu que os convencerei, mas as consequências do movimento feminista em todas as esferas, inclusive familiar e eclesiástica, são visíveis.

4. Por que se importar com isso, sendo que isso não leva ninguém para o céu ou inferno. Existem discussões mais relevantes que precisamos nos ater.

Minha resposta para nossa reflexão: O fato da salvação eterna (ir ou não ir para o inferno) não pode minimizar a discussão.

Somos peregrinos sim, aqui na terra, mas enquanto peregrinos, obedecemos a uma ordem posta por Deus pelas Sagradas Escrituras, a fim de que nossa vida siga um parâmetro dado por Deus.

Portanto, minimizar a relevância do assunto, é desconsiderar os propósitos divinos para homens e mulheres na família, igreja e sociedade. Se fosse assim, com essa ótica, dízimo, ofertas, batismo, ceia do Senhor e tantos outros assuntos bíblicos e pertinentes à vida cotidiana da igreja deixariam de ser relevantes, afinal nenhum desses conduzem o homem ao céu ou ao inferno.

O fato de se ter assuntos mais importantes para a discussão é evidente. Acredito, sinceramente, que a salvação das almas é algo de sumo importância na vida da Igreja como agência do Senhor, todavia, isso não exclui a relevância da pauta aqui colocada, pois se parte do problema da Igreja estar deixando de lado algumas das suas funções elementares deve-se ao fato da omissão masculina em exercer liderança e cumprir seu papel, a começar na família, na igreja e na sociedade. Homens omissos, famílias comprometidas, igreja deficitária e sociedade fragilizada. Basta encararmos com sinceridade os fatos!

5. A Bíblia não proíbe a ordenação feminina. Não existe texto bíblico algum que faça isso. Portanto é uma questão de dialogar com a cultura. As experiências de cada realidade podem avaliar bem se é ou não da vontade de Deus a questão da ordenação feminina ao pastorado.

Minha resposta para nossa reflexão: O fato das mudanças culturais serem elementos importantes para uma hermenêutica responsável é verídico, mas não conclusivo, pois, como já foi dito, as variáveis textuais e especialmente uma teologia bíblica é crucial para se manter no trilho de uma interpretação bíblica sincera e responsável.

As experiências como um parâmetro para a coerência com a vontade de Deus é no mínimo perigoso, para não dizer, enganoso. Se partirmos desse pressuposto, sob uma avaliação humana do que dá ou não certo, o ministério de Jeremias foi um fracasso, mas divinamente, sabemos pelas Escrituras que ele cumpriu com êxito a vontade de Deus. Defender essa bandeira é se aproximar dos equívocos da neo-ortodoxia, da onda carismática e tantos outros modismos perigosos para a saúde da igreja.

A História da Igreja Cristã tem mostrado isso.

A questão da ordenação de mulheres ao ministério da Palavra tem sido objeto de discussão por parte de muitas pessoas em igrejas e seminários. É um assunto tão delicado que alguns preferem nem mesmo se pronunciar sobre ele. Normalmente, esse tema tem sido discutido mais sob a ótica cultural dos tempos bíblicos em relação ao tempo atual e dos direitos de igualdade entre homem e mulher. Por isso mesmo tem causado constrangimento em alguns meios, tornando-se um assunto melindroso. O debate tem sido mais em torno desses aspectos culturais e pessoais do que necessariamente exegético e talvez seja essa a razão do incômodo.

As posições giram sempre em torno de três opções: A primeira diz que mulher pode ser pastora; a segunda declara que a mulher não pode ser pastora e, a terceira afirma que não tem posição. De forma geral, aqueles que defendem a ordenação feminina ao pastorado usam argumentos baseados no avanço da civilização, na modernização dos tempos, no progresso humano e a crescente participação da mulher em outras áreas da sociedade. Nessa mesma linha, outros consideram simplesmente inevitável que as mulheres sejam ordenadas pastoras, pois, segundo pensam, essa é uma tendência irreversível. Naturalmente, ainda há aqueles que pensam sob o ponto de vista da igualdade e analisam a nova sociedade que Cristo construiu, fazendo de ambos um só povo, onde não há distinção entre homem e mulher (Efésios 2.14-16). Do segundo grupo, que é contrário à ordenação das irmãs, alguns são simplesmente machistas e não ponderam o assunto com sobriedade e acabam relegando às mulheres uma posição quase humilhante. Alguns simplesmente ignoram as questões mais simples da teologia, sociologia, entre outras, para oferecer uma posição consistente. O terceiro grupo está dividido entre aqueles que temem ser dogmáticos por não encontrarem subsídios e aqueles que não se importam com o assunto, como se isso não lhes dissesse respeito ou fosse importante.

No entanto, esse artigo deseja desafiar o leitor a uma reflexão teológica do assunto. Apesar de reconhecer que todos devem sempre considerar os tempos e as mudanças culturais, creio que a Bíblia deva ser sempre o primeiro e último escrutínio para uma decisão assim. Como pastores, nosso espírito precisa ser bíblico, mesmo que isso implique em posicionamentos contrários à cultura ou à tendência por mais inevitável que seja. A voz profética, aliás, nem sempre obteve respaldo da moda. Tendo como base os escritos de alguns autores comprometidos com a Bíblia, quero propor a análise de determinados textos sagrados para provocar uma reflexão consistente em cada um (pelo menos que sirva de ponto de partida), para depois chegar a uma conclusão.

2. Passagens consideradas a favor da ordenação feminina

Em primeiro lugar vamos olhar para algumas passagens bíblicas que muitas vezes são usadas para sustentar a possibilidade da ordenação feminina ao ministério pastoral. A primeira delas é Romanos 16.7 - aqui, em sua saudação à Igreja de Roma, Paulo menciona uma pessoa por nome Júnias, que era notável entre os apóstolos. Algumas correntes tomam esse texto para argumentar que Júnias era uma mulher que exercia o ofício apostólico. Antes de mais nada, porém, duas perguntas devem ser feitas: a) seria esse um nome feminino? b) a expressão "notável entre os apóstolos", significa que Júnias era um dos apóstolos ou significa que os apóstolos tinham Júnias em alta conta?

Ao que tudo indica, parece que Júnias era nome tanto de homem quanto de mulher no período neotestamentário. O conhecido pastor e teólogo batista Russell Shedd declara que "não é possível determinar através do original se o segundo nome é feminino ou masculino". Alguns autores lembram que Epifânio relata que Júnias se tornou bispo de Apaméia. Outro dos antigos pais da Igreja, Orígenes, também faz referência em seu comentário em latim à carta aos Romanos a Júnias, mas, no masculino. De forma conclusiva, no entanto, a única coisa de que se tem certeza no texto de Romanos 16.7 é que Júnias era uma pessoa que ajudou o apóstolo em seu ministério. Qualquer exegeta sabe que fica muito difícil tomar o apoio de uma passagem tão frágil como essa para fazer uma sustentação doutrinária.

Uma outra passagem muito usada para apoiar a visão da ordenação feminina é Gálatas 3.28, que declara: "não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus". É, de fato, um texto muito atraente e muitos encontram nele o respaldo para sua posição, fazendo uso dele para dizer que Cristo aboliu toda a diferença entre homem e mulher. Para eles, Cristo quebrou a maldição de Gênesis sobre a mulher, e agora dá, também a ela, o direito de ter as mesmas funções eclesiásticas que os homens.

Como sempre, a boa exegese sempre nos leva a fazer uma pergunta ao texto. Nesse caso específico, a melhor pergunta a ser feita seria: Nesse texto o apóstolo Paulo está falando da abolição da subordinação feminina e de igualdade de funções ministeriais entre homem e mulher? A resposta pode começar a ser encontrada no contexto de Gálatas. Ao que tudo indica, Paulo escreveu essa carta para responder a questões levantadas sobre a nossa justificação diante de Deus. Sua afirmação central é a de que todos, independente da sua raça, cor, posição social e sexo, são recebidos por Deus da mesma maneira: pela fé em Cristo. Definitivamente Gálatas 3.28 não está tratando do desempenho de papéis na igreja e na família, mas da nossa posição diante de Deus. A salvação em Cristo justifica igualmente homens e mulheres diante de Deus, mas não altera o papel de ambos estabelecido previamente na Criação. O pastor e teólogo presbiteriano Augustus Nicodemus afirma que "o assunto não são as funções que homens e mulheres desempenham na Igreja de Cristo, mas a posição que todos os que creem desfrutam diante de Deus".

É importante sempre ter em mente que a questão da subordinação feminina tem sua base na Criação (Gênesis 1 e 2) e não na Queda (Gênesis 3). A cruz de Cristo aboliu as diferenças cerimoniais para que todos pudessem aproximar-se de Deus, mas em nenhum momento pôs um término nas funções ou papéis fundamentais do homem e da mulher estabelecidos por Deus muito antes da Queda. Para o saudoso Dr. Shedd "no reino de Deus, homem e mulher são iguais; na natureza, são interdependentes, na sociedade, igreja e família, a mulher se submete". A igualdade que hoje há em Cristo não afetou ou alterou o papel do homem ou da mulher. O marido continua sendo o cabeça e a mulher continua sendo submissa. Essa posição honrosa de ambos contribui inclusive para o entendimento da nossa eclesiologia. É o paralelo do casamento humano com as bodas de Cristo e sua igreja, a noiva (1Coríntios 11.7-10; Efésios 5.22-24 e 1Timóteo 2.12-15).

Há ainda um outro fator a ser observado. Aquilo que é bom para a Igreja é bom para a sociedade também. No coração de uma mulher cristã deveria haver o sentimento de promover a liderança de seu marido, bem como no coração de um homem cristão deveria haver o sentimento de liderar sua esposa em amor. Esse sentimento de submissão "no temor de Deus" (Efésios 5.21) deveria ser o tom do "bom andamento da vida", como sugere o saudoso Dr. Russell Shedd. Para ele esse compasso de submissão deveria existir naturalmente no lar, "da esposa para o marido, dos filhos aos pais", e também "no emprego, dos empregados aos chefes", todos, enfim, refletindo a submissão "da Igreja para o seu Mestre, Cristo". A deterioração desse valor dentro da Igreja tem afetado em grande parte as famílias por todo o mundo. A Igreja tem a oportunidade de colocar-se como um padrão diferente do mundo, mas infelizmente tem se adaptado com muita facilidade às suas pressões. O pastor batista John Piper declara que "na igreja, a redenção em Cristo deu a homens e mulheres bênçãos iguais da salvação; no entanto, alguns papéis do governo e ensino dentro da igreja permanecem restritos aos homens". Assim, esse texto de Gálatas também não deve ser utilizado como base teológica para o ministério pastoral feminino.

Uma terceira passagem ainda muito usada para sustentar a ordenação feminina ao ministério pastoral é Atos 2.16-18, quando Pedro cita o profeta Joel dizendo que, "vossas filhas profetizarão e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito". Esse texto é usado para dizer que, assim como os homens, as mulheres também receberam o Espírito Santo de Deus e, portanto, podem exercer as mesmas funções que eles. Em primeiro lugar, deve-se notar o paradoxo dessa defesa, pois, para se reclamar igualdade aqui, dever-se-ia antes, reclamar igualdade lá. O texto diz que elas receberam o Espírito, sim, mas não diz que elas exerceram ministério pastoral. Pelo menos, é o que o "silêncio da Bíblia" indica. Se as mulheres exerceram os mesmos ministérios que os homens no período da igreja apostólica, por que não há nenhuma menção no Novo Testamento de apóstolas, presbíteras, pastoras ou bispas? Por todo o Novo Testamento não se encontra qualquer recomendação apostólica nesse sentido. Nem uma sequer! As cartas conhecidas como "Pastorais", em que Paulo instrui Timóteo e Tito, e que são usadas como texto base para a ordenação dos oficiais da Igreja, nada falam quanto à ordenação de mulheres. O conhecido pastor e escritor John Piper (Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, EUA) lembra que todos os dons são dados tanto a homens como a mulheres, mas os ofícios, não, e essa distinção (entre dons e ofício) precisa estar em nossa mente. Uma simples leitura das qualificações exigidas por Paulo em 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9 transmite a clara impressão de que o apóstolo tinha em mente a ordenação de homens. E ninguém pode alegar que era uma questão cultural ou machismo da parte do apóstolo. Ele não apenas reconhecia a igualdade do ser humano diante de Deus e a importância do trabalho feminino no Reino, mas também sempre lutou para proteger a mulher dentro daquela sociedade machista. Ele tinha questões teológicas em mente.

Mais uma vez, então, a pergunta que deve ser feita ao texto em questão é: o fato de as mulheres receberem o Espírito Santo significa obter autorização para a ordenação ministerial? O Dr. Augustus Nicodemus Lopes lembra que o texto fala de profecia, sonhos e visões e, bem sabemos, que esses fenômenos podem acontecer sem que a pessoa seja ordenada. Essa passagem não é um texto que traz qualificações para o ministério pastoral. Apesar de ter havido profetizas na igreja apostólica, como as quatro filhas de Filipe (Atos 21.9; cf. 1 Coríntios 11.5), em nenhum lugar diz que elas eram pastoras.

Basicamente essas são as passagens utilizadas para sustentar a ordenação feminina ao pastorado. Mas elas devem ser analisadas com atenção, pois o fato de terem recebido os dons do Espírito (inclusive aqueles relacionados com o ensino), nenhum dos textos traz sustentação para que elas sejam ordenadas. Quando Cristo desejou estabelecer pastores para sua Igreja, ele nos deixou o registro bíblico de homens sendo incumbidos dessa função. Mesmo sendo um Senhor gracioso que considera todos iguais para receberem misericórdia e graça; que ama indistintamente suas ovelhas e morreu por todas de igual forma, ele não mencionou mulheres como pastoras. Ele as amou, serviu e foi servido por elas. Não as ignorou, mas, pelo contrário, foi-lhes um protetor num mundo desigual. Foi o libertador de tantas opressões que elas sofriam, mas nada falou sobre serem pastoras. Além disso, a igreja sempre declarou ser sustentada sobre o ensino dos apóstolos e eles, da mesma forma, não parecem sustentar essa posição.

Todos os textos acima demonstram que as mulheres cristãs, juntamente com os homens, participam da graça de Deus, e dos dons do Espírito, sem restrições. Entretanto, toda boa homilética afirmará que elas nada têm a dizer sobre ordenação ao ministério pastoral, nem a favor, nem contra, pois tratam de outros assuntos, não podendo ser usadas para sustentar essa posição. Há, todavia, pelo menos três passagens bíblicas que oferecem princípios sobre o assunto por tratarem do ensino e, aparentemente, impõem restrições à ordenação pastoral feminina e que por essa razão também devem ser analisadas.

3. Passagens consideradas contra a ordenação feminina

A primeira delas é I Coríntios 11.2-16. Aqui Paulo aborda o problema causado por algumas mulheres que estavam orando, profetizando (e provavelmente falando em línguas) com a cabeça descoberta, isto é, sem o véu, contrariando assim o costume das igrejas cristãs primitivas (v. 16). O contexto nos leva a entender que algumas mulheres daquela comunidade estavam fazendo reivindicações, mas tinham um espírito contencioso (v. 16). O apóstolo naturalmente não nega à essas mulheres a participação no culto, mas insiste que elas usem o véu - uma expressão cultural que reflete o princípio permanente da subordinação feminina (11.5,6,10,14). O apóstolo indica que, nos cultos, a participação delas deveria ser vista como um sinal de que estavam debaixo da autoridade eclesiástica masculina (v.10). Em outras palavras, embora Paulo permita que a mulher profetize e ore no culto público, ele requer dela que se apresente de forma a deixar claro que está debaixo de autoridade, no próprio ato de profetizar ou orar.

Isso pode ser confuso e soar como "politicamente incorreto" caso não tenhamos um coração espiritualmente disposto nas mãos do Senhor. No texto em questão, Paulo argumenta teologicamente, a partir da subordinação de Deus Filho a Deus Pai. A subordinação da mulher ao homem não a torna inferior. Assim como Pai e Filho, que são iguais em poder, honra e glória, desempenham papéis diferentes na economia da salvação (o Filho submete-se ao Pai), homem e mulher se complementam no exercício de diferentes funções, sem que nisso haja qualquer desvalorização. Para o professor de Novo Testamento, Dr. Thomas Schreiner, "uma vez que Paulo apela à relação entre os membros da Trindade, fica claro que ele não olha para as relações descritas neste texto como meramente cultural". Paulo ainda recorre ao relato da Criação em Gênesis 2, desejando mostrar que a mulher não é inferior, mas, sim, a glória do homem (vv.8-9). Paulo vê nos detalhes da Criação uma ordenação divina quanto aos diferentes papéis do homem e da mulher. O fato, por exemplo, de termos de ser submissos às autoridades civis não nos torna inferiores. A própria Bíblia ordena essa submissão (Rm 13.1-5; I Pe 2.13-17). Também os filhos não são inferiores a seus pais, mas lhes devem submissão (Ef 6.1). Como bem lembrou o Dr. Augustus Nicodemus Lopes , "o conceito de subordinação de uns a outros tem a ver apenas com a maneira pela qual Deus estruturou e ordenou a sociedade, a família e a igreja".

Logo se percebe a importância de I Coríntios 11 para a questão desse debate sobre a ordenação feminina. A mulher deve estar debaixo da autoridade espiritual exercida pelo homem e, ao participar do culto, não pode exercê-la sobre ele. Ao comentar essa passagem, o saudoso Dr. Shedd afirma que "com o véu" (sinal de submissão), "a esposa protegia sua própria dignidade". Alguém, então, poderia argumentar que deveríamos voltar a usar o véu como era o caso da igreja em Corinto. Mas o véu, no entanto, era apenas a maneira grega do século I de demonstrar subordinação. Não é necessário usar o véu hoje, mas o princípio da subordinação continua. O apóstolo defende a participação diferenciada da mulher no culto usando argumentos permanentes, que transcendem cultura, tempo e sociedade, como a distribuição ou economia da Trindade (v.3), o modo pelo qual Deus criou o homem (vv.8-9) e ainda apelando para o costume das igrejas cristãs em geral (v.16). Para o Dr. Shedd "Paulo apela para princípios. Usar ou não véu depende do que significa para a época ou sociedade atual". Além disso, é bom notar que I Coríntios 11 começa lembrando aos leitores que as questões de autoridade, submissão e ordem no culto público deveriam ser tratadas com uma instrução apostólica (v.2). O parágrafo termina afirmando que "ser contencioso" (como algumas mulheres de Corinto) não era um "costume" apostólico, nem deveria ser em nenhuma "igreja de Deus" (v.16).

Uma segunda passagem é encontrada no mesmo livro (I Co 14.33b-38), indicando uma sequência dentro de um mesmo tema: a ordem no culto público. "... Como em todas as igrejas dos santos. As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja" (vv. 33b-35).

A frase, "não lhes é permitido falar", tem conotação de autoridade. Elas podiam falar nos cultos, mas não de forma a parecerem insubmissas, como mostra o verso 34b. Paulo também cita "a lei", que é o Antigo Testamento. No contexto imediato, Paulo fala do julgamento dos profetas no culto (v. 29), o que envolveria certamente questionamentos, e mesmo a correção dos profetas por parte da igreja reunida. Para o professor de Novo Testamento e autor reconhecido internacionalmente, Dr. D. A. Carson há aqui uma alusão à Criação que deve ser observada universalmente. Paulo está possivelmente proibindo que as mulheres questionem ou ensinem os profetas em público. Certamente havia na igreja de Corinto um problema de arrogância jactanciosa por parte de algumas mulheres.

Assim como em I Coríntios 11.16, aqui também a determinação de Paulo está de acordo com o espírito cristão em todas as demais igrejas (14.33b). Portanto, não é local. Sua ordem está conforme a "lei", (14.34b) e deveria ser entendida como um "mandamento do Senhor" e esse mandamento seria prontamente reconhecido pelos "espirituais" (14.37). Mais uma vez o Dr. Carson lembra que existe uma sequência lógica tratada por Paulo desde o capítulo 11 e todo o tempo o apóstolo tem de advertir os coríntios que existe uma prática em todas as igrejas de Deus que deveria também ser observada por eles. Eles estavam tão orgulhosos de suas revelações que já começaram a agir diferentemente do padrão cristão. "Por que eles deveriam ser diferentes?" pergunta Carson. Na prática os coríntios deveriam se portar como as demais igrejas (14.33b) e na teologia também (14.36), pois Deus não teria dado uma doutrina diferente para aquela igreja em especial. Paulo, assim, não estaria estabelecendo um padrão apenas para aquela igreja, mas lembrando-lhe de que ela deveria seguir um padrão já estabelecido em todas as demais igrejas. O saudoso Dr. Russell Shedd, por sua vez, é muito objetivo ao comentar essa passagem. Para ele, "muitos dos abusos na igreja se devem às mulheres, geralmente mais dominadas por experiências psíquicas". Carson acredita que essas instruções são "para o nosso bem".

Uma terceira passagem é I Timóteo 2.11-15. Aqui vemos a palavra de Paulo para que "a mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição". A ordem apostólica não permite "que a mulher ensine, nem que exerça autoridade sobre o homem" (vv. 11-12). O apóstolo escreveu para instruir Timóteo a combater uma perigosa heresia que havia se infiltrado na igreja de Éfeso. Os falsos mestres estavam ensinando que a prática ascética era um meio para se alcançar uma espiritualidade mais elevada. Insistiam na abstinência de certas comidas, do casamento e do sexo em geral (I Timóteo 1.3-7; 4.1-3; 6.4-5; cf.  II Timóteo 2.14, 16-17, 23-24). Eles também rejeitavam os papéis tradicionais das mulheres no casamento, e encorajavam-nas a reivindicar papéis iguais na igreja e no lar (2.15; 4.1-2; 5.14-15). O texto dá a entender que o ensino desses falsos mestres tinha como porta de entrada as mulheres (I Timóteo 5.12,15; cf. II Timóteo 3.6-7).

A palavra "ensinar", em Timóteo, está relacionada com a frase "em posição de autoridade", no sentido restrito de instrução doutrinária autoritativa, feita com o peso da autoridade oficial dos pastores (I Tm 4.11; 6.2; 5.17). O leitor cuidadoso poderá fazer um estudo mais profundo e comprovar pessoalmente isso. Mas, o que fica evidente, afinal, é que a atitude que o apóstolo exigia das mulheres cristãs de Éfeso era de submissão e silêncio quanto ao aprendizado da doutrina no culto público. Não seria lógico concluir que essa proibição de a mulher exercer autoridade sobre os homens exclui as mulheres do ofício pastoral? De acordo com Paulo, o oficio pastoral está relacionado essencialmente ao ato de governar e presidir a casa de Deus (1Tm 3.4-5; 5.17). Não se limita a essa função, mas deve passar por ela.

O contexto de I Timóteo 2.11-15 é a instrução de Paulo a Timóteo quanto ao culto público da igreja (I Timóteo 2.1-10). A instrução de Paulo aqui tem força universal, como o próprio texto enfatiza. A ordem apostólica é para que os cristãos orem "por todos os homens" (2.1), por "todos os que se acham investidos de autoridade" (2.2), visto que Deus quer que "todos os homens sejam salvos" (2.4). Assim, os varões devem "orar em todo lugar" (2.8). O ensino de Paulo, portanto, tem a ver com "todos os homens... em todo lugar". (2.8).

Há, ainda, uma disputa sobre os termos gregos gnuaiki e andros. O contexto parece muito mais indicado a explicar que a frase se refere a "mulher e homem" e não a "esposa e marido". Com isso o texto ensina que a mulher não deveria "exercer autoridade sobre um homem" (NVI, RA, etc). Alguns acreditam que se uma mulher estiver em perfeita submissão ao seu próprio marido, então ela está autorizada a ensinar outros homens. Mais uma vez, essa seria uma análise precipitada e, possivelmente, descontextualizada. Douglas Moo (professor de Novo Testamento e conhecido autor), acredita que Paulo autoriza "mulher ensinar outra mulher", com base em Tito 2.3-4, mas "as proíbe de ensinar homens". Para o professor, nas epístolas pastorais, as atividades de governo (na igreja) são atribuídas a presbíteros. Claramente, então, a proibição de Paulo de que uma mulher exerça autoridade sobre um homem exclui a mulher de se tornar líder no sentido em que esse ofício é descrito por ele. Desta forma, Moo conclui que uma mulher estaria impedida de ocupar qualquer função em uma igreja que seja equivalente ao ofício de governo eclesiástico descrito por Paulo. Para ele essa conclusão é perfeitamente aplicável em nossos dias, uma vez que o apóstolo tem em mente a Criação e as funções do homem e da mulher que advêm dela e não sua cultura particular.

4. Conclusões e recomendações

Tanto John Piper como Wayne Grudem acreditam que uma verdadeira avalanche de material feminista desabou sobre o mundo e acabou por acertar a igreja também. Naturalmente não com a mesma má índole do mundo. Muitos dentro da igreja têm defendido sua posição em prol da ordenação feminina com as mais íntegras e honestas intenções. Com certeza, no entanto, isso tem causado grande incerteza dentro da igreja, como uma neblina sobre um assunto específico, tirando a clareza de quais papéis os homens e as mulheres devem exercer. Mas o fato é que a maioria dos evangélicos não tem aceitado essa posição, pois rejeitam aquilo que chamam de "o movimento feminista evangélico".

Devemos encontrar uma resposta bíblica que traga o equilíbrio sadio entre homem e mulher, como pessoas distintas diante de Deus. Celebrar a masculinidade e a feminilidade como presentes de Deus para um e para outro. Uma resposta que indique aos homens suas funções e posições como modelos aos filhos, resgatando sua masculinidade bíblica. Assim também as mulheres sabedoras de suas funções como modelos para suas filhas, resgatando sua feminilidade bíblica. As distorções causadas pelo pecado devem ser refutadas e, homem e mulher, devem ter um santo orgulho de serem o que são como dádiva de Deus ao mundo. Wayne Grudem (principalmente conhecido por sua "Teologia Sistemática") está certo quando comenta o texto de I  Pedro 3.1-7 e faz o alerta de que está mais do que na hora das "mulheres serem como Sara e os homens honrá-las assim". O assunto da ordenação feminina pode ter como raiz a distorção dos papéis inicialmente concedidos por Deus a homens e mulheres.

É evidente que há elementos no Novo Testamento que pertencem à cultura do século I. A função do exegeta é descobrir nelas o princípio permanente para então aplicá-lo no contexto contemporâneo. É a ponte construída entre o mundo bíblico e o mundo atual. As passagens de I Coríntios 11.2-16, 14.34-35 e 1 Timóteo 2.11-12 têm um princípio permanente para que se mantenham distintamente os papéis inerentes ao homem e à mulher na igreja e na família. Assim, não devemos inverter os papéis. A mulher não deve ocupar posição de autoridade sobre os homens, mas deve observar de maneira análoga seu papel como o da Igreja, que está submissa ao Senhor. Ela tem liberdade, usa seus dons e talentos e ainda tem suas preferências, mas, em última análise, deve ouvir ao Senhor.

Definitivamente Paulo não instrui sobre esse assunto tendo como base considerações condicionadas culturalmente. Seu apoio é basicamente feito de princípios inerentes à própria humanidade, enraizados na Criação. Ele sempre apela às Escrituras (Antigo Testamento), demonstrando que a origem dos papéis próprios do homem e da mulher não estão fundamentados nas questões transitórias das igrejas e muito menos em algum aspecto cultural, mas teológico, que envolve Deus e a Criação. É bem provável que o mundo dos apóstolos estava distante cerca de 4 mil anos do evento da Criação. Talvez alguém pudesse alegar que os tempos haviam mudado e o cristianismo deveria estabelecer novos critérios culturais, mas o apelo dos apóstolos às Escrituras mostra que havia um princípio permanente estabelecido por Deus que transcendia as épocas.

Assim, é difícil encontrar respaldo bíblico explícito e suficiente para que se recebam mulheres ao pastorado, onde irão presidir, governar, e ensinar doutrina aos homens. Por isso, nenhuma autoridade contemporânea pode criar seus argumentos a partir das mudanças sociais para ir além da Escritura ou ainda contradizê-la. É necessário grande temor no coração para não cair em alguma falácia. É verdade que muitas mulheres exerceram papel importante na vida de Cristo (como em Lucas 8) e dos apóstolos, como, Priscila (Atos 18.2; Romanos 16.3-5); Maria (Romanos 16.6); Trifena, Trifosa e Pérside (Romanos 16.12); Febe (Romanos 16.1), Evódia e Sínteque (Filipenses 4.2-3), et alii, mas a Bíblia nada fala sobre serem pastoras. Cada igreja local deve, portanto, analisar com critério o papel da mulher no ministério, dando a ela honra, respeito e espaço para exercer seus dons. Há muito trabalho preparado por Deus que pode e deve ser feito por mulheres piedosas. O Senhor as capacitou e a história tem dado demonstração abundante dessa verdade. Todo esse trabalho pode ser feito, com o digno sustento, inclusive, mas é precário afirmar ou insistir que deva ser oficializado com um título que carece de mais apoio escriturístico.

5. Referências

Grudem, Wayne: Teologia Sistemática
Keener, Graig S.: Paul, Women & Wives
Lopes, Augustus Nicodemus: O que o Novo Testamento Fala sobre Ordenação Feminina.
Piper, John: Recovering Biblical Manhood and Womanhood.
Shedd, Russell P.  A Bíblia Shedd. Vida Nova.
*Jaime Augusto Cisterna é pastor batista, pastoreando atualmente a Igreja Batista Mineira de Belo Horizonte - MG.
http://www.luz.eti.br/cr_ordenacaomulheres-cist.html
Sugestão de leituras e recursos complementares para a reflexão:
http://www.mackenzie.br/.../VOLUME_II.../ordenacao....pdf
http://tempora-mores.blogspot.com.br/2014/01/respostas-argumentos-usados-em-favor-da.html
https://docs.google.com/file/d/0B2Vaq-Hw2BXCQkdGSXNFSVlZMjg/edit
http://opbbcps.blogspot.com.br/2012/07/mulheres-no-ministerio-mark-driscoll.html
http://s3supimpa.blogspot.com.br/2014/01/masculina-mule-macho-sim-sinho.html
http://www.youtube.com/watch?v=vN6qgEwOZ7w
http://www.youtube.com/watch?v=0tWPo4eIs2c&feature=share
http://www.youtube.com/watch?v=T57-dF25_-E
http://www.youtube.com/watch?v=gfbXViH4SR8&feature=share
http://www.youtube.com/watch?v=0ovFvLMrKaU
https://www.youtube.com/watch?v=8iKASp_MlhU