segunda-feira, 18 de novembro de 2013

UMA ORAÇÃO – “NÃO ME DÊS O LIVRE-ARBÍTRIO”


Por Fabio Campos 

Senhor Nosso e Nosso Senhor, por quanto tempo andei conforme o curso do meu coração. Por quanto tempo exercitei o meu querer segundo a escravidão das minhas vontades. Não sabia o quão desgraçado era por meio das minhas escolhas. Como poderia eu escolher o bem se tinha por habitação o mal. Como pude por tanto tempo confiar em alguém que era corrupto e enganoso, a saber, o meu coração.

Senhor Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Libertador de todo homem desventurado, como fui enganado pela concupiscência do meu desejo em pensar que era livre e que todo aquele que te servia era escravo devido à austeridade e rigor ascético do corpo. Mas quando me aproximei da luz fui iluminado pela verdade daquele que habita em Luz inacessível, Criador de todas as coisas e Nosso Senhor. Constatei que era escravo dos meus apetites e servo do meu estômago, fazendo o querer, satisfazendo-me apenas por algumas horas assim como se faz nas refeições diárias. Mas logo ali estava - faminto pela alegria que só há em Ti e a Ti pertence.

Quem poderá ser livre se verdadeiramente o Filho não o libertar? Quem poderá entender o mistério oculto desde a fundação do mundo se o Senhor não lhe abrir o entendimento? Quem poderá dar algo a ti primeiro pelo qual o Senhor deva restitui-lo? Quem Senhor? Muitos procuram a eficácia destas coisas na força do seu próprio braço; tolos! Maldito todo aquele que faz do seu braço mortal sua força. Então Senhor, quem poderia escolher-Te sem antes ter sido escolhido por Ti? Pois teu plano se cumpre por meio do Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo. Quem estava com o Senhor no princípio para querer andar nos seus caminhos por sua livre escolha? Somente Ti vive na eternidade, Majestade Santa e Deus Poderoso. Pois nos escolhestes antes da fundação do mundo para sermos santos por meio do Teu Amado Filho Jesus, O Filho de Deus e Deus o Filho.

O Senhor provou o seu amor para conosco que Cristo morreu quando ainda éramos pecadores e filhos da desobediência. Senhor Nosso, Teu Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos, pelo qual clamamos ABA - que o seu amor é real e que uma das maiores provas disso foi concedida pela graça aos seus escolhidos em privar-lhes do poder de escolha, impedindo-os de O “rejeitarem”, para fazer valer sua escolha soberana. O limpo limpe-se mais; o sujo suje-se mais. Teu maior castigo para aqueles que o rejeitam deliberadamente e que dão glória a criaturas ao invés do criador é a cauterização da mente para com a sua própria miséria, não tendo mais discernimento, trocando a luz pelas trevas e as trevas pela luz; pois o Senhor os entregou as suas próprias paixões, e eles mudaram o curso natural das coisas que foram criadas perfeitamente por Ti. Não são disciplinados como são os filhos, e pela aparente vitória aos olhos dos homens pensam que estão bem por nada lhes acontecerem de ruim. Mal sabem que estão acumulando para si uma ira santa e que logo o cálice da justiça irá transbordar. Terrível coisa será o dia do Senhor! Como se lamentarão!

Agindo Deus quem O impedirá! O que é difícil para Ti, Soberano, que pelo poder da Tua Palavra criou os mundos? O Senhor Age; e não reage, como afirmam aqueles que se vangloriam das suas obras, coisa que o Senhor abomina e as consideram como trapo de imundícia. Nisto consiste esta verdade que, Teu Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade. O Senhor veio até nós, e nós nunca fomos até o Senhor; mas pelas suas ternas misericórdias, as quais se renovam todas as manhãs, motivo pelo qual não somos consumidos, O Senhor nos falou pelo Filho a respeito da sua imagem e dos seus atributos, pois Nele habita corporalmente toda plenitude da divindade. O Filho é a imagem perfeita do Pai; ambos são um!

Deus, meu pedido final, que o Senhor me conceda a graça que, assim como o ocidente está para o oriente, assim o Senhor afaste de mim o meu “livre-arbítrio” naquilo que poderia tornar minha escolha em não ama-lo de todo o meu coração. Se não fosse pelo o teu Espírito nunca seria de mim a escolha em te servir, sabendo que a carne não se submete a tua Lei, mas o Espírito traz vida, e convence a atender-nos a teu chamado que misticamente foi compulsivo, mas tangivelmente, aos olhos dos homens e ao meu coração, em amor. Foi com Laços de carinho e ternura que me fez de Ti Teu prisioneiro, livre da condenação. Pensando eu que fazia um favor de ir até Ti pela ignorância dos meus sentidos, lancei-me aos teus braços. E como o imã que não pode escolher em afastar-se do metal quando próximos estão devido à força invisível que é maior do que qualquer coisa visível, assim foi quando o Teu Santo Espírito me Levou ao Teu Filho, e eu em Ti, já não tinha mais medo, pois o perfeito amor lança fora todo o medo. Se O Pai enviar ao Filho, de modo algum o Filho o lançará fora, pois Ele mesmo atraiu os homens para si quando foi pendurado no madeiro, e nisto nos tornarmos um por meio do Teu Santo Espírito em Cristo Jesus o Senhor.

Então Senhor, cheguei a conclusão que sou um miserável. E quem me libertará do corpo sujeito e esta morte? A Teu Filho bendito por estar Nele, pois a estes, já não há mais condenação e toda livre-escolha conforme a dureza do meu coração que estava levando-me ao inferno foi removida pela Tua, que é boa, perfeita e agradável.

Assim eu oro para o louvor da Tua Glória, em Nome de Jesus a quem muito amamos. Amém!

Soli Deo Gloria!

Fonte: Fabio Campos

Perseguidos e seu Perseguidor


Por Josaías Jr

Muitas vezes, quando as pessoas falam de forma romântica e/ou ingênua sobre retornar à igreja primitiva de Atos, elas enfatizam a simplicidade das reuniões (de fato, perdida em muitos lugares), a comunhão dos irmãos de Jerusalém (embora alguns confundam com comunismo ou falta de disciplina eclesiástica), os milagres apostólicos (embora confundam-se com os apóstolos) e os avanços missionários dos nossos pais. Entendidos corretamente, esses e outros pontos certamente servem de exemplo para todos nós, mas tendemos a nos esquecer das duras provações que os pregadores enfrentavam naquele conturbado período.

A partir de Atos 7, lemos histórias emocionantes sobre perseguições e ataques contra a jovem igreja cristã. Nesse período, personagens vão e vêm, e ganham a atenção de Lucas. No fim de Atos 8 e no início de Atos 9, dois personagens bastante distintos são destacados. Um deles aparece e desaparece tão rapidamente quanto entrou, e seu nome nos é ocultado. Outro surge em cena comandando uma dura perseguição e tem seu nome gravado para sempre na história do cristianismo. O primeiro é o eunuco etíope que é evangelizado e batizado pelo diácono Filipe. O segundo é o maior pregador, missionário e teólogo entre os pecadores – Saulo de Tarso, vulgo Paulo.

Domingo passado, escutamos um sermão sobre Filipe e o eunuco na nossa igreja e, no próximo Dia do Senhor, ouviremos sobre a conversão de Saulo. Conversando com o presbítero que pregará em Saulo e aquele que pregou sobre o eunuco, passei um tempo pensando sobre as diferenças e o que liga esses dois homens.

Diferentes

O eunuco era um homem de origem etíope e, embora haja diferenças geográficas entre a Etiópia daquela época e o que chamamos de Etiópia hoje, o importante aqui é que ele era um gentio. Não apenas qualquer gentio, um gentio de uma terra distante, funcionário de um reino pagão. Ora, ele era tão judeu quanto um centurião romano. Normalmente, isso significaria que ele não poderia entrar no templo do Senhor, mas apenas ficar no pátio dos gentios.

Mas o eunuco tinha um outro problema. Provavelmente por causa de sua posição, ele era um homem emasculado. Nem mesmo no pátio ele entraria. A lei de Deus era clara quanto a isso (Dt 23.1). Ele estava duplamente excluído da assembleia dos santos. Ainda assim, ciente ou não dessa situação, ele foi até Jerusalém. É possível que tenha sido visto com maus olhos. Porém, isso não o impediu de adquirir um rolo do livro do profeta Isaías, o qual ele lia, mas não compreendia. (At 8.30-31)

Saulo era um homem completamente diferente. Conhecido entre os judeus como notável estudioso, talvez pudesse recitar e explicar todo o livro de Isaías para você. Diferente do eunuco, este homem poderia ir e vir quando o assunto era religião. Ele era um fariseu de fariseus, hebreu de hebreus, da tribo de Benjamim. Era acostumado ao templo desde criancinha, pois fora circuncidado ao oitavo dia. Enquanto o eunuco levava as marcas de sua exclusão, Saulo carregava o sinal da participação. Quem sabe aquele fariseu não tivesse ele mesmo cuidado de afastar alguns indesejáveis do templo? Ora, ele já tinha expulsado a seita dos nazarenos da cidade de Davi… não seria tão complicado zelar pela casa de Deus.

Iguais

Ainda assim, esses dois personagens muito têm em comum. Tanto Saulo quanto o eunuco precisavam de novos olhos. Eles precisavam compreender a palavra diante deles. Anos depois, Paulo ensinaria que os judeus liam a sua Bíblia com um véu nos olhos. Eles haviam se tornado tão gentios quanto… os gentios. Enquanto o eunuco precisava da ajuda de Filipe para entender o que lê, Saulo também precisou enxergar o Senhor ressuscitado para perceber que todo o Antigo Testamento aponta para Jesus de Nazaré.

Da mesma forma como o eunuco é seguido por Filipe em sua carrugagem, Saulo, o perseguidor, é perseguido por Cristo em seu caminho para Damasco. O conhecimento que ele tinha da Lei foi útil, é claro, mas era necessário que a eleição de Deus prevalecesse em sua vida, como foi no caso do desconhecido etíope. Sem Cristo, os dois estavam fora da assembleia dos santos. (Aliás, é curioso pensar que o eunuco tenha visto e lido muito menos até crer, enquanto Saulo recalcitrou sabe-se quanto tempo contra os aguilhões).

Talvez não seja sem razão que Lucas registre essas duas conversões lado a lado. Talvez Paulo lembrasse de algo parecido quando escreveu: “E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto” (Ef 2.17). Isso é apenas especulação. O fato é que o Apóstolo sabia que tanto os frequentadores do templo quanto os proscritos agora podiam se aproximar do Deus santo por meio de Cristo. Agora, eles tinham algo em comum, algo que antes era impossível. O selo da aliança lhes foi dado (At 8.38 e 9.18), eles estavam unidos a Cristo, e as barreiras do templo já não se aplicavam. “Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Ef 2.18).

Na verdade, em Cristo eles mesmos eram o templo do Senhor.

Uma aplicação adicional

Lucas registra a empolgação do eunuco para ser batizado e como ele segue seu caminho jubiloso, mesmo depois do sumiço de Filipe. Você consegue imaginar o que significava para aquele homem receber o sinal e selo da aliança? Não sei ao certo como (e se) os judeus lidavam com a circuncisão de um eunuco, mas certamente sua condição era motivo de constrangimento e, quem sabe, um impedimento. Agora, porém, ele podia receber o sinal de que era parte do povo de Deus. Não é sem motivo que ele insiste no batismo (At 8.36). No nosso tempo, poucos são aqueles que dão alguma atenção a esse sacramento. O que te impede de ser batizado? Que aprendamos com nosso irmão etíope.

Fonte: Reforma 21

Dons apostólicos: Há apóstolos, hoje?


Por Jorge Fernandes Isah

Desde o início do século passado, com as manifestações carismáticas surgidas na Rua Azuza, em Los Angeles, em 1906, pelas mãos do ministro negro, William Joseph Seymour, que o Cristianismo, em nome de um "reavivamento", tem ensaiado uma série de experiências que remontam aos primórdios da Igreja Primitiva, mais especificamente o período apostólico, no séc. I. Mas, esses dons teriam realmente voltado? Ou eles estariam circunscritos a um momento histórico específico, e o que temos, hoje em dia, nada tem a ver com o Espírito Santo, pois houve um hiato de quase dois mil anos entre aquele e este período? Seriam as formas atuais as mesmas das realizadas antigamente? E estariam em conformidade com os relatos bíblicos e aplicados convenientemente como relatam os registros sagrados?

Primeiramente, devemos definir o que vem a ser dons apostólicos, mas antes disso, quem são os apóstolos e qual era a sua missão. A palavra apóstolo significa enviado ou mensageiro, aquele que anuncia algo ou alguém, e, no Novo Testamento, a missão deles era a de anunciar Cristo e o seu Evangelho; e, para isso, teriam de ser comissionados pelo próprio Senhor, chamados por ele para exercerem essa missão, não sendo possível que alguém se autointitule ou denomine-se a si mesmo com tal, sem sê-lo. Não há, na Escritura, um só apóstolo que não tenha recebido o seu mandato diretamente do Senhor, como nos revela o evangelista: "E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos" [Lc 6.13], e que não tenha convivido com ele e testemunhado a sua ressurreição ]At 1.21-22]. 

Alguém pode dizer que os apóstolos tinham o poder de nomear outros apóstolos e que esses poderiam nomear outros e mais outros, continuamente, numa espécie de apostolado sucessório, aos moldes do que a Igreja Católica reivindica para o papado. Contudo, não se tem, na Bíblia, qualquer referência a essa ordem sucessória, e os que hoje tentam reclamar para si mesmos algum apostolado nada mais fazem do que repetir o erro romanista, ao qual dizem oporem-se mas acabam por defendê-lo e inseri-lo em suas práticas não-bíblicas. 

Alguém ainda pode insistir que Matias, o apóstolo nomeado a substituir Judas Iscariotes, não foi diretamente nomeado por Cristo. Mas, espere um momento, para quem propõe a ação do Espírito Santo em eventos no mínimo discutíveis como os levantados pelo movimento carismático atual, pois estão muito aquém ou além do texto bíblico, por que não reconhecer a ação do Espírito de Deus na escolha do novo apóstolo? Houve oração e clamor para que ele, que conhece todos os corações, mostrasse qual, dentre José e Matias, seria o escolhido, "para que tome parte neste ministério e apostolado... E, lançando-lhes sorte, caiu a sorte sobre Matias" [At 1.23-26]. Alegar que coisas estranhas à Palavra são supostamente manifestações do Consolador [o qual é o Espírito de Cristo] e de que ele não interviria em algo tão vital para a expansão do Evangelho, parece-me um contra-senso. 

Ainda alguém pode alertar para o fato de Paulo não ter convivido com Jesus, e ainda assim, foi feito apóstolo. Realmente, ele não foi testemunha direta do ministério terreno do Senhor [ainda que tenha sido indiretamente], mas, de uma forma especial e exclusiva, foi chamado pelo próprio Cristo, sendo testemunha ocular da sua ressurreição. É o que ele nos diz: "Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)" [Gl 1.1], e, ainda, ao falar das aparições de Cristo: "E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus" [1Co 15.8-9], e, mais uma vez: " Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios" [Gl 2.8]. Ora, temos que Paulo se colocou em posição de igualdade no ministério apostólico de Pedro, apenas com a distinção quanto aos seus ouvintes, o alvo da sua pregação. 

Logo, não se pode falar em apóstolos modernos, pois nenhum dos que assim se intitulam preenchem as características necessárias: o chamado direto de Jesus, sobretudo, como testemunhas irrefutáveis da sua ressurreição. 

O Segundo ponto a ser analisado é sobre a sua missão. Lembre-se de que à época, os apóstolos estavam num período de transição entre a antiga e a nova aliança, e de que a igreja estava sendo formada. Eles, como emissários de Cristo, confirmariam indubitavelmente a verdade de que muitos sabiam, ainda que vagamente, acerca de Jesus, sua missão, morte e ressurreição, como um fato indiscutível e impreterível, levando-a tanto a judeus como a gentios. Toda a obra apostólica se baseava nesse fundamento, de que Cristo não somente era o Messias mas o Filho de Deus. O aspecto final dessa missão foi que os apóstolos, inspirados pelo Espírito Santo, escreveram e legaram à igreja, em todos os tempos, a santa e bendita palavra de Deus. Nem uma só linha do Novo Testamento foi redigida por alguém que não fosse apóstolo ou estivesse diretamente ligado a um deles, no caso, eram seus discípulos que, orientados pelas fontes primárias e sob a supervisão do Espírito, relataram os fatos relacionados à pessoa de Jesus e seu ministério. 

Com isso, chega-se facilmente à conclusão de que não há mais revelações divinamente inspiradas a serem transmitidas à Igreja, visto que o Cânon encontra-se concluído, não necessitando a nenhum crente nenhuma outra orientação que não esteja contida na Escritura Sagrada; o que nos leva a reconhecer que o ministério apostólico transcorreu em um determinado momento da história, e de que a missão daqueles homens chegou definitivamente ao fim, sem que houvesse sucessores ou novos mensageiros. Até, porque, a Igreja está edificada "sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor; no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito" [Ef 2.20-22], e, se uma casa não pode ter mais do que uma fundação, onde nelas são construídas paredes, colunas, vigas, telhado, piso, etc, como seria possível outro fundamento além daquele onde são dispostos o princípio da fé, de que Cristo é a pedra de esquina? Além de desnecessário é absurdo, e representaria a "invenção" de outra fé, de um outro "cristianismo", o que muitos têm se especializado e empenhado em produzir. 

Outra conclusão facilmente alcançável é: a igreja, quando se afasta desse entendimento, ainda que seja minimamente, se torna alvo acessível para a investida dos falsos-mestres e profetas e seus absurdos doutrinários. Invariavelmente acabam por apostatar a fé, negando a verdade e penetrando a mentira, instalando-se nela como uma genuína aberração religiosa, agindo ímpia, incrédula e dolosamente na admissão e difusão de ideias contrárias e excludentes à fé uma vez dada aos santos. Se no AT havia o ministério em que os profetas de Deus expunham publicamente a falácia e malignidade dos falsos-profetas, hoje, cabe-nos, como Igreja, denunciá-los e expô-los como charlatões e falseadores da verdade. O princípio para isso é um só, orientarmo-nos e deixar-nos guiar pela Escritura, através da qual o Espírito Santo nos falará e conduzirá em toda a verdade. 

Nota: 1- Aula realizada na EBD do Tabernáculo Batista Bíblico
2 - A foto desta postagem é um "Autorretrato como o apóstolo Paulo" [Rembrandt, 1661].

Fonte: kálamos

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Deus age na nossa fraqueza


Por Maurício Zágari

Há um trecho da oração do Pai-nosso que é extraordinário e enigmático: “Não nos deixes cair em tentação” (Mt 6.13). Já parou para refletir sobre essa petição? O aspecto mais curioso dela é que a Bíblia o tempo inteiro nos insta a nós resistirmos à tentação, a nós nos esforçamos para não pecar. Em outras palavras, a atribuição de interromper o processo que leva a tentação a se tornar pecado é posta sempre nas costas dos seres humanos. A responsabilidade é minha e sua. No entanto, na oração do Senhor uma das atitudes que Jesus nos ensina a tomar é justamente pedir a Deus que aja no sentido de ele criar alguma circunstância que nos impeça de pecar. Isso significa que o Senhor pode agir de maneiras que nem imaginamos com o objetivo de nos dar a força de que necessitamos para não fazermos aquilo que não devemos fazer. A pergunta é: por quê?

Se cabe a nós resistir às tentações, por que, afinal, devemos pedir que Deus intervenha em nossa vida, no sentido de não deixar que pequemos? Acredito eu que Jesus nos deu essa orientação porque sabia o quanto somos fracos e o quanto as tentações são fortes, como ele mesmo afirmou: “O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Então, naquilo que humanamente somos incapazes de resistir, precisamos recorrer à ação direta de Deus em nosso favor.

Isso pode acontecer de inúmeras maneiras. Suponhamos que não consiga ficar longe das drogas, é algo mais forte que você. No que você ora “não nos deixes cair em tentação”, o Senhor entra em ação em seu favor e faz com que aquele amigo que te fornecia as substâncias se mude para outra cidade, o que corta seu suprimento de drogas. Ou, suponhamos, você está enveredando pelo caminho do crime, sucumbindo a práticas ilegais. Acredite, o Senhor pode fazer com que você receba uma dura da polícia para que tome jeito. Uma noite na cadeia ou uma intimação judicial podem ser belas respostas de oração da parte do Pai. Suponhamos, também, que você seja dominado pela glutonaria e não consiga deixar de comer todas aquelas comidas que só fazem mal à sua saúde. Deus pode permitir que você tenha uma infecção intestinal que te levará ao hospital, para que você comece a se alimentar direito. Um último exemplo: você pode estar pecando porque acha que tem a vida inteira pela frente, mas Deus faz você descobrir que tem uma doença grave. Pronto: a percepção da sua finitude te faz entrar no prumo. Por vezes, Deus soma até mais de um fator para te auxiliar.

Enfim, seja qual for a situação em que você tenha uma fraqueza que pareça ser mais forte do que você, esta é a oração que precisa fazer: “Não nos deixes cair em tentação”. Acredite: Deus agirá de modo sobrenatural em seu favor. Ele fará coisas que você não espera, seja para tornar aquele pecado virtualmente impossível, seja para lhe dar as forças que você não tem, a fim de superar a tentação. Deus é criativo. E extremamente eficiente em seu métodos.

E se, em algum momento, a resposta de Deus ao “não nos deixes cair em tentação” for dolorosa e não exatamente a que você queria, tenha a certeza de que Paulo sabia o que dizia quando escreveu em Romanos 8.28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”: absolutamente tudo o que ocorre em sua vida é para o seu bem. Tudo. Deus está por trás. Ele nos surpreende com eventos muitas vezes inesperados, na hora certa, mas que são a mão dele atuando para te ajudar naquilo que você não tem forças. “O poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2Co 12.9). Quando poderia supor Paulo que o espinho na carne era Deus articulando as coisas para que o apóstolo fosse aperfeiçoado naquilo em que ele não tinha sozinho condições de superar? Mas era.

A vida tem me mostrado que Deus não é cego. Ele nos observa e, quando vê que seus filhos estão fracos, entra em cena e nos surpreende com soluções extraordinárias para nossos problemas e fraquezas. Cria circunstâncias inesperadas e eficazes para nos dar a força que faltava. Às vezes dói. Mas se foi Deus quem fez, certamente é o melhor.

Recomendo que ore todos os dias: “Não nos deixes cair em tentação”. É uma magnífica blindagem espiritual para as partes de sua vida que você não consegue controlar sozinho. Deus protegerá você, às vezes tomando atitudes inusitadas, às vezes fazendo coisas de que você nem mesmo tomará conhecimento. Mas tenha esta certeza: ele não vai te desamparar. “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mt 7.9-11).

Você está sem forças? Então pare de se esforçar para ficar de pé: desabe de joelhos. E ali, prostrado e ajoelhado, estará na postura ideal para clamar àquele que deseja aliviar todos os seus fardos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Fonte: Apenas

A abundante graça de Deus


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

Desde o Pentecostes, a igreja de Jerusalém, cheia do Espírito Santo, crescia em números e em graça. Permanecia firme na palavra e arraigada na oração. Tinha intimidade com Deus e simpatia aos olhos do povo. Adorava a Deus com entusiasmo e em cada alma havia temor. Nessa igreja havia uma liderança cheia do Espírito e um povo comprometido com a santidade. No capítulo quatro de Atos, somos informados que em todos os crentes havia abundante graça (At 4.33). Cinco verdades nos chamam a atenção na passagem em apreço.

Em primeiro lugar, abundante graça apesar de atroz perseguição (At 4.3). Os líderes da igreja estavam sendo encerrados em prisão e açoitados não porque fossem delinquentes e perturbadores da ordem social, mas porque pregavam o poderoso evangelho de Cristo. Uma igreja fiel sempre despertará a fúria do mundo. Uma igreja santa sempre incomodará uma sociedade rendida ao pecado. Porém, apesar de viver debaixo de opressão, a igreja tinha abundante graça, exuberante alegria e poderoso testemunho.

Em segundo lugar, abundante graça manifestada num ousado testemunho (4.8). A igreja dava audacioso testemunho do evangelho mesmo debaixo das ameaças mais ruidosas. Longe da igreja recuar e calar sua voz diante dos açoites e prisões, tornou-se mais intrépida. O apóstolo Pedro, cheio do Espírito Santo, deixou claro que a cura do paralítico (descrita no capítulo 3 de Atos) não era um prodígio realizado por seu próprio poder. Era uma obra soberana de Jesus, o mesmo que vencera a morte, ressuscitando dentre os mortos. Pedro não se concentra no milagre da cura, mas anuncia a Jesus como o único que pode salvar o pecador. O milagre não é o evangelho, mas abre portas para o evangelho. Pedro não hesitou em proclamar no quartel general do Judaísmo que o Messias esperado era o Jesus que havia sido crucificado em Jerusalém e levantado da morte. Não há nenhum hiato entre o Cristo divino e o Jesus histórico. Ele é o Salvador do mundo.

Em terceiro lugar, abundante graça demonstrada em fervorosa oração (At 4.24). Enquanto a liderança da igreja é ameaçada pelas autoridades no front da batalha, a igreja fica na retaguarda da oração. Longe desses crentes perderem a coragem e o fervor espiritual diante da perseguição, entregam-se à oração com mais fervor, sabendo que Deus é soberano e que até mesmo as ações mais perversas dos ímpios estão rigorosamente sob o controle de Deus. A igreja não pede cessação da perseguição, mas poder para testemunhar no meio da perseguição. A igreja não pede ausência de luta, mas oportunidade para pregar. Enquanto os crentes oravam, o Espírito Santo desceu sobre eles. A casa onde estavam reunidos tremeu e todos, com intrepidez, deram testemunho de Cristo. Não há poder sem oração e não há eficácia na pregação sem oração. A igreja precisa não dos aplausos do mundo, mas do poder do Espírito Santo. Precisa não do reconhecimento da terra, mas da intrepidez do céu.

Em quarto lugar, abundante graça revelada na plenitude do Espírito Santo (At 4.31). Quando a igreja orou, os céus se abriram, o Espírito Santo desceu e todos ficaram cheios do Espírito Santo. Antes desse revestimento de poder a igreja estava trancada por medo; agora, é trancada por falta de medo. Antes, eles temiam os açoites das autoridades, agora são as autoridades que temem a igreja. Uma igreja cheia do Espírito é irresistível. Ela não teme ninguém a não ser a Deus. Ela não foge de nada exceto do pecado. Um crente cheio do Espírito Santo pode até ser preso e algemado, mas se torna um embaixador em cadeias. Os homens podem prender a nós, mas jamais a palavra de Deus.

Em quinto lugar, abundante graça comprovada pela visível generosidade (At 4.32). Uma igreja cheia de graça é apegada às pessoas e desapegada das coisas. Não retém os bens apenas para si; distribui-os com generosidade. Não acumula com ganância, mas distribui com generosidade. Ama não apenas de palavras, mas de fato e de verdade. Suas obras são o avalista de seus palavras. Prega não apenas aos ouvidos, mas também aos olhos!

Hannibal, Genghis Kahn, Átila, Salmanasar...


Por Josemar Bessa

Se pudéssemos ir para o sol o conflito entre nós iria conosco. Se chegarmos a Marte, descobriremos que a guerra nos seguirá. Se construirmos naves que sondem e nos levem além da nossa galáxia, as “armas” de guerra irão conosco. A história do mundo foi e é escrita com sangue em cada uma de suas páginas.

Nos dias dos heteus, e os hicsos, e os elamitas, e os sumérios, nos dias de Tiglate-Pileser e Salmanasar e Senaqueribe e Assurbanipal, nos dias de Nabopolassar e Nabucodonosor, nos dias de Ciro, e Cambyses , e de Dario, e Xerxes, e de Artaxerxes, nos dias de Filipe da Macedônia e Alexandre, o Grande; nos dias da Cassandro e Antígono, e Lisímaco e Ptolomeu, e Antíoco, e Seleuco, nos dias de Pompéia, e César e Hannibal, e Scipio, nos dias de Átila, e Genghis Kahn, e Kublai Khan, e Tamerlão, nos dias de Carlos Magno e Napoleão, e Wellington, e nos dias de Bismarck e o Kaiser Wilhelm II, e Hitler...Guerra! Há um conflito no coração do universo, e sua história é escrita com sangue.

Por quê? Por orgulho pessoal. O pecado começou no coração de Lúcifer quando ele levantou-se contra Deus por orgulho. Nabucodonosor disse: "Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a minha glória e majestade para o meu excelente?" E Alexandre, o Grande sentou-se nas margens do rio Indus e chorou porque não havia mais nenhum mundos para conquistar. Napoleão disse: "A conquista me fez, e conquista deve manter-me." Você pode imaginar a emoção que sentiu Hitler, o povo alemão, a juventude da Alemanha... quando centenas de milhares de pessoas levantaram as mãos com suas tochas e bradaram “Heil Hitler”? Orgulho pessoal, orgulho nacional... ORGULHO!

Por quê? Pela supremacia nacional, por exemplo. Hamilcar tomou seu pequeno menino, Hannibal, e fez o rapazinho jurar ódio eterno e destruição do Império Romano. O Japão na Segunda Guerra Mundial lutou por seu lugar ao sol, isso é algo inerente ao espírito humano caído.

"Som, o som do clarim, preencha o pífaro!
Deixe todo o mundo tremer e proclamar,
Há mais glória em uma hora de luta
Do que em uma era sem um nome!"

Tudo o que é externo pode tentar controlar, mas jamais deter o que flui do coração do homem.

A violência é um fator constante na história humana, e simplesmente todo o desenvolvimento tecnológico em nada trouxe melhoras morais para nosso mundo e cultura, e não trará. Quando a igreja pensa que mudará a cultura com ações que se equivalem aquilo que o mundo tem feito, num esforço de auto-melhoramento... ela é tão irrelevante quanto tudo que o homem faz nesta direção.

Todo o tipo de perversão inunda o coração humano, tentar reformá-lo é obra fútil. Vivemos numa cultura tão bestializada, que fazer violência a uma tartaruga ( ou ao ovo da tartaruga) é infinitamente mais grave do que fazer violência e matar uma criança por nascer.

Guerras, assassinatos, roubos, estupro, vandalismo, tráfico de drogas, violência doméstica, raiva no trânsito, crueldade...

Por quê? Como tudo isso se perpetua na vida humana?

A análise marxista (que é a mesma de grande número de cristãos hoje ) diz que tudo isso tem a ver com a economia, o abismo entre ricos e pobres, a luta de classes... A prosperidade estatal devia ser a resposta... Mas os países que abraçaram o marxismo têm sido e foram os países mais violentos do mundo no último século, com milhões e milhões de mortos.

A análise darwiana é que este é simplesmente o homem, o macaco nu, lutando por seu território e direitos de acasalamento, afastando quaisquer agressores... Ou seja, isso é o que a vida é – é a resposta fatalista evolutiva. Mas o homem ira evoluir e evoluir...

A psiquiatria e a psicologia moderna nos dão uma miríade de respostas contradizentes...

Mas o que diz o Cristianismo? "De onde vêm as guerras e pelejas entre vós?” Tiago 4:1

É uma verdadeira tragédia quando a resposta da “igreja” seja a mesma do mundo – tentando aplicar assim os “remédios” inúteis que o mundo vem tentando desde sempre, achando que a igreja nada mais é que uma grande Ong tentando mudar o mundo dessa forma junto com as milhares de Ongs existentes, ou seja, mais do mesmo...

A Fonte de Nossa Violência

"Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês?" Tiago nos leva para dentro de nós mesmos e nos mostra a origem dos nossos problemas e do problema que nós somos. Ele diz que há uma guerra civil acontecendo dentro e não fora. Nosso prazeres estão descontrolados e deformados, e em campanha e disputa em todos os membros de nosso corpo.

Eles estão lutando por gratificação, e para ter toda a gratificação a sua própria maneira – Eis o problema – o ciúme, a ambição, o egoísmo e a luxúria estão todos lutando todo o tempo para se expressarem, buscando expressão máxima. Essa é a verdadeira análise – esta é a análise do cristianismo, este é o diagnóstico de Deus da condição humana.

Toda sua abordagem é essencialmente pessoal e interior. Ela não diz, é a luta de classes, é o processo evolutiva natural, ou é uma doença, e o homem precisa de cura com análise e comprimidos... Não! O cristianismo diz “De onde vem as guerras e pelejas? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês?"

Seus desejos próprios são a causa de todas as violências – entre países, entre casais, em todas as grupos sociais... Não o seu ambiente, não a sua casa infeliz, não o seu pai sem amor, seu marido insensível, violência do seu bairro, a dor que sofreu, ou sua pobreza... coisas assim são resultados que se retroalimentam exacerbando mais ainda as “paixões que guerreiam dentro de vocês” - mas eles não são responsáveis... o problema está dentro e “de suas paixões...”

Não posso culpar minha educação pelo meu comportamento... pessoas que se dizem horrorizados com a falta de paz no mundo, fazem protestos... largam suas esposas quebrando a paz e vivendo uma guerra no lar enquanto clamam por paz no mundo – “as paixões que guerreiam dentro de vocês!”

Não podemos apontar a conduta dos nossos pais como explicação para as “guerras que existem entre nós” – não posso apontar minha composição genética... todas essas respostas são fugas. Nosso ambiente não justifica as guerras, ele é o resultado das paixões que guerreiam dentro de nós!

Então, o problema é que os nossos desejos estão em guerra dentro de nós, e é inevitável que essa guerra ecloda na vida externa.

Sempre foi assim. Nossos primeiros pais tiveram um filho primogênito, Caim – Não havia uma “sociedade” em volta... lutas sociais... mas ele assassinou o seu irmão. O problema nunca foi externo.

Queda! Alienação de Deus. Estas coisas aconteceram no início da história humana: “De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?” - Tiago 4:1

Não é trágico que muitos que se dizem “igreja” tenham uma visão oposta ao claro ensino bíblico, e acreditem que medidas, estratégias humanas... irão externamente resolver o problema da guerra da alma humana, sendo a guerra e peleja externa apenas um reflexo dela? Não é trágico quando a igreja chega ao mesmo diagnóstico errado do mundo, e se esforce para aplicar os mesmos remédios que o homem vem tentando desde sempre?

Se a origem da violência está dentro de cada pessoa, não é esta conclusão desesperadora? Sem dúvida é. Mas a Verdade de Deus não nos deixa no desespero, mas isso, já é assunto para outro artigo. Por hora, encerremos com as palavras de Cristo:

“Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias...” - Mateus 15:19

Fonte: Josemar Bessa

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A alegria que vem de Deus

Maquiagem correta pode ajudar a destacar o sorriso na correria cotidiana

Por Maurício Zágari

Alegria é uma das virtudes que somos capazes de vivenciar quando o Espírito Santo manifesta em nós o seu fruto (Gl 5.22-23). A princípio, quando tomamos conhecimento desse fato, temos a sensação de que seguir Cristo significa, naturalmente, ser constantemente alegre. Só que tem um porém: Jesus jamais prometeu que seríamos. Não seremos, e, se alguém lhe garante uma alegria interminável nesta vida, pode ter certeza: é uma promessa que não se cumprirá. Abraçar o evangelho implica em negar a si mesmo, tomar a sua cruz diariamente e seguir Cristo (Lc 9.23). Isso fala de dificuldades, de esforço, de sofrimento. Todos os salvos sofrerão. Todos os salvos terão momentos de agonia, lamento, dor, luto… tristeza. Isso é líquido e certo. É um fato bíblico e um fato da vida. Bem, diante disso, é possível explicar essa aparente contradição? Temos o Espírito de Deus em nós, ele manifesta seu fruto em nossa vida, seu fruto inclui alegria, mas, estranhamente… vivemos muitos momentos de profunda tristeza. Isso tem explicação? Creio que sim, e te convido a pensar junto comigo.

Jesus não foi alegre o tempo todo. Pedro não foi alegre o tempo todo. João não foi alegre o tempo todo. Paulo não foi alegre o tempo todo. Nenhum dos apóstolos foi alegre o tempo todo. Os mártires da Igreja primitiva não foram alegres o tempo todo. Agostinho não foi alegre o tempo todo. Lutero não foi alegre o tempo todo. Calvino não foi alegre o tempo todo. Eu não sou alegre o tempo todo. Você não é alegre o tempo todo. Ninguém é alegre o tempo todo. Bem, o que tudo isso tem em comum?

“O tempo todo”.

Esse é o xis da questão. O fruto do Espírito inclui virtudes como paz, paciência e domínio próprio, por exemplo, mas ninguém tem paz o tempo todo, nem é paciente o tempo todo, tampouco domina-se o tempo todo. Assim, o grande problema é associar a crença em Jesus à manifestação constante e ininterrupta dessas virtudes. Elas se manifestarão, mas não… o tempo todo.

Só que nós vivemos em uma sociedade hedonista, que prega que nossa vida tem obrigatoriamente de ser uma felicidade que não acaba. Basta olhar as redes sociais - ou qualquer outra forma de exposição da pseudovida privada – dos seus amigos. Você não tem a impressão, por aquilo que eles dizem e, principalmente, pelas fotos que postam, de que todos vivem uma existência espetacular, recheada de beleza, emoções, viagens, aventuras, celebrações, alegrias inacabáveis? Acredite: não vivem. Mas, inconscientemente, sentem-se obrigados socialmente a expor ao mundo como são alegres o tempo inteiro, caso contrário seriam considerados fracassados, incompetentes, amaldiçoados ou qualquer coisa do gênero. Não quero que ninguém descubra que eu não vivo uma vida espetacularmente alegre, logo, a forma que tenho de fazer isso é postar onde todos possam ver meu sorriso constante, inapagável, feliz e contente. E, muitas vezes, artificial. Fazemos isso praticamente sem pensar, sem maldade, no automático, simplesmente porque nos ensinaram a vida inteira que viver é estar 24 horas por dia encharcado de endorfinas, desfrutando cada segundo numa ascendente de emoção, realização, euforia, gozo, júbilo. Assim, uma vida bem vivida seria como estar de domingo a domingo em um parque de diversões: exultante, feliz, alegre!

Só que não é assim que acontece.

Toda e qualquer pessoa vive em altos e baixos. Tem picos de humor. Momentos de tristeza. Quedas nos níveis de adrenalina. Problemas. Tribulações. Falta de alegria. Isso é normal. Não é agradável, mas é normal e previsível. Só que todos nos dizem que temos de estar sempre, sempre e sempre alegres! Não tem como não entrar numa crise existencial diante disso. “Todos dizem que uma vida plena é marcada por uma alegria sem fim, mas isso não acontece comigo; logo, minha vida é uma droga e minha fé, um fracasso”.

Errado.

Se você vive uma vida marcada pela alternância de momentos alegres e tristes, parabéns: você é humano como qualquer outro. E é aí que entra a alegria que é fruto do Espírito.

Pense bem. Você acha de fato que a alegria que Paulo descreve como resultado de uma vida de intimidade com o Espírito Santo é aquela que se manifesta numa montanha russa, numa festa, numa viagem a um local paradisíaco, num jantar com amigos recheado de piadas, ao assistir a um filme de comédia? Essa é a alegria natural, inerente ao ser humano. Tanto que qualquer indivíduo, cristão ou não cristão, sente esse tipo de alegria. Seria como dizer que a paz que sentimos deitados numa rede, pegando um ventinho e tomando água de coco é sobrenatural. Não é. É natural e humana. Creio que o fruto do Espírito se manifesta sobrenaturalmente quando precisamos de uma injeção de algo que vai além de nossas forças. É quando não tenho domínio próprio e estou quase caindo em tentação que Deus me dá uma temperança que parece ir além do que eu conseguiria. É quando estou atribulado que sinto a paz espiritual, fruto da presença divina. É quando quero matar meu inimigo aos chutes e pontapés que o Espírito manifesta em mim amor e, só com essa infusão sobrenatural, consigo fazer-lhe o bem.

Assim, creio que a alegria que é fruto do Espírito é aquela que vem quando temos tudo para estar tristes. É sobrenatural. Como isso é possível? Porque ela brota da certeza de que no mundo teremos aflições mas Jesus venceu o mundo (Jo 16.33). De saber que ele está conosco todos os dias, mesmo nos mais terríveis, até a consumação do século (Mt 28.20), e que não está alheio a absolutamente nada do que estamos passando. De ter a certeza de que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). É alegrar-se como resultado de sermos galhos enxertados na videira verdadeira. A certeza da presença de Cristo em nós, junto com a certeza de que ele jamais remove seus olhos de nossa vida… eis a razão de nossa alegria. E alegria eterna, que independe das circunstâncias da vida.

Por isso, mesmo nos momentos de mais desesperante tristeza, essa alegria que flui do Espírito de Deus para nós estará presente. Parece contraditório? Acredite, não é. É uma alegria não eufórica, mas pacífica. Calma. Amena. É uma brisa, não um vendaval. Não é sair saltando de júbilo como qualquer pessoa numa balada, aos gritos de euforia, é… um suave sorriso. Aquela alegria que nos faz suspirar em meio às lágrimas. A alegria humana é inerente ao homem e se manifesta naturalmente quando é óbvio que estaremos alegres. A alegria espiritual é inerente ao Espírito e se manifesta sobrenaturalmente em momentos inesperados.

E, acima de tudo, a alegria que é fruto do Espírito é aquela que vem de saber que, como estamos em Cristo, temos a vida eterna. Ouça as palavras dos lábios de Jesus: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus” (Lc 10.20). Está sofrendo? Alegre-se, você tem a vida eterna. Está com dor? Alegre-se, você tem a vida eterna. Está triste? Alegre-se, você tem a vida eterna. Tá tudo ruim? Alegre-se, você tem a vida eterna! É uma alegria que existe em meio à tristeza, como uma flor que brota no solo seco do sertão.

A vida na terra é difícil, muito difícil. Numerosos momentos ruins estão pela frente. Situações de enorme aflição virão. Nessas horas você ficará triste. Mas, olha… tenha bom ânimo. Jesus venceu. E a vitória dele te dá a vida eterna. Aí vem o Espírito Santo e manifesta o fruto dele na tua vida. É quando você se lembra que Jesus está com os olhos postos em ti e que ele tem morada preparada no céu, com teu nome na porta. Seria isso motivo de alegria?

Não busque a alegria segundo o mundo, essa é vaidade e correr atrás do vento. Alegria segundo o mundo é aquela que demonstramos em fotografias posadas e com sorrisos ensaiados. A alegria que é fruto do Espírito é aquela que não fotografamos, pois ela é muito maior do que uma lente pode captar. E, em geral, se manifesta nas horas em que não estamos acostumados a fotografar: no hospital, no orfanato, no desemprego, no susto, na dor, na crise matrimonial, no velório, na casa de recuperação, na depressão, no sofrimento. Pois é nas horas mais terríveis que Jesus sussurra em nosso ouvido: “Alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando” (1Pe 4.13).

Você ainda terá muita alegria. Mas não o tempo todo. A tristeza dará as caras com frequência. Mas o Espírito Santo te alegrará muitas vezes, frutificando em tua lembrança que Jesus é contigo e te dá a vida eterna. Afinal, “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2Co 4.17).

A alegria humana passa. A alegria divina dura para sempre. E ela está ao teu alcance – basta viver dia após dia aos pés de Jesus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Fonte: Apenas