domingo, 9 de julho de 2017

O PERIGO DE NOS ESQUECERMOS DE QUEM NOS DEU TUDO O QUE TEMOS



Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: Deuteronômio 6.1-25

INTRODUÇÃO

Quando o povo de Israel estava prestes a entrar na terra prometida, Moisés, o grande líder do povo, chamou o povo para lhes dar os últimos conselhos e lembrar-lhes tudo que já havia lhes falado. Neste episódio, Moisés faz um grande alerta que serve para todos nós ainda hoje: “o perigo de nos esquecermos de quem nos deu o temos”.

A cena pode ser antiga, mas a mensagem é muito moderna. As pessoas que estavam diante de Moisés era a nova geração de hebreus, pois os de vinte anos para cima havia morrido no deserto durante os quarenta anos de peregrinação. Os únicos sobreviventes foram Josué e Calebe. Naquela nova geração os mais velhos tinham em média sessenta anos. Essa era uma geração muito jovem e poucos eram os que se lembravam dos grandes feitos que o Senhor havia feito no Egito para libertar o Seu povo. Por isso que Moisés chama a si a todos para lhes alertar do perigo que corriam, pois eles estavam prestes a tomar posse da terra que o Senhor havia prometido dar quando fez esse juramento a Abraão (Dt 6.10).

Aquela nova geração iria tomar posse de cidades que não edificaram, de vinhas que não plantaram, de poços que não haviam aberto. Em outras palavras, eles receberiam tudo pela qual não lutaram. Que grande perigo essa nova geração corria de se tornarem mimados. Pois o povo receberia muito em breve tudo isso a troco de nada (embora eles fossem lutar para conquistar a terra), mas estava tudo pronto eles não teriam que construir nada, plantar nada... Tudo estava pronto.

Essa era a grande armadilha que eles corriam: o perigo esquecer-se do Senhor Seu Deus.

Assim como o Senhor alertou o Seu povo através de Moisés, o Senhor também nos alerta hoje. Não pense nem por um instante sequer que o Senhor não se interessa pela conduta dos seus escolhidos. Corremos os mesmos perigos dessa nova geração que estava diante de Moisés. Corremos o perigo de nos esquecermos do Senhor por causa da prosperidade. Corremos o perigo de pensamos que por termos tudo somos melhores que os outros. Cuidado com esse pensamento.

Analisando esse texto, nós podemos tirar algumas lições preciosas para nós hoje.

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE TER TUDO DE FORMA FÁCIL PODE NOS FAZER ESQUECER QUEM NOS DEU TUDO (Dt 6.10-12).

Moisés alerta essa nova geração do perigo de se esquecerem do abençoador diante da facilidade da bênção adquirida. Observe o verso 12: “guarda-te, para que não esqueças o SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão”. Diante desse texto podemos tirar duas lições preciosas:

1º - A gratidão é um dom esquecidos por muitos. Vigie para que vocês não venham se esquecer de quem lhe tirou da terra do Egito e lhes deu essa boa terra. Não se esqueçam do Senhor, foi Ele quem lhes deu tudo isso, disse Moisés.

Quem é grato não esquece, mas o ingrato nunca se lembra. O ingrato é o tipo de pessoa que é extremamente egoísta, só olha para o seu próprio umbigo e quando levanta os olhos é para pedir alguma coisa. Mas ele mesmo não sabe dizer muito obrigado pelo bem recebido.

Veja por exemplo a cura dos dez leprosos em Lucas 17.11-19, de dez curados somente um voltou para agradecer. E isso não mudou de lá para cá, continua a mesma coisa.

a) Observe que existem mais pessoas que recebem benefícios da parte de Deus que quem chega diante dele para agradecer.

b) O número de pessoas que oram é maior que o número de pessoas agradece.

c) Existem mais pessoas que creem e recebe a bênção do que as que voltam para dizer muito obrigado.

Israel corria o risco de se tornar uma nação ingrata. Uma nação que não se lembraria de quem os havia libertado da terra da servidão e os levado para a terra que havia jurado que daria aos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. E, infelizmente, Israel se esqueceu do Senhor e passou a seguir outros deuses.

Ingratidão, quem a pratica não tem sentimento, quem a recebe se entristece amargamente.

2º - Devemos vigiar para não nos tornamos pessoas ingratas também. A ordem de Moisés foi muito clara: “guarda-te”, vigie o seu coração para não cair nessa terrível armadilha.

Para muitas pessoas, Deus é alguém que só serve para períodos tensos e de ameaças de morte. Geralmente pessoas que pensam assim não dão lugar e, muitos menos, têm tempo para Deus em suas vidas. Só o buscam quando se encontram em grande perigo, mas depois do livramento, dEle não se lembram mais.

Por isso devemos tomar muito cuidado para não cairmos no mesmo erro, tanto dos israelitas como a dos nove leprosos.

A nossa vitória está no Senhor e dEle seremos sempre dependentes. Como nos fala o Salmo 33.17-22:

“Não há rei que se salve com o poder dos seus exércitos; nem por sua muita força se livra o valente. O cavalo não garante vitória; a despeito de sua grande força, a ninguém pode livrar. Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia, para livrar-lhes a alma da morte, e, no tempo da fome, conservar-lhes a vida. Nossa alma espera no SENHOR, nosso auxílio e escudo. Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome. Seja sobre nós, SENHOR, a tua misericórdia, como de ti esperamos”.

Você pode até receber ingratidão, mas em nome do Senhor, não seja ingrato. Lembre-se do Senhor.

A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE OBTER ALGUMA COISA A TROCO DE NADA PODE NOS LEVAR À IRRESPONSABILIDADE (Dt 6.10-12).

Essa irresponsabilidade se transforma na síndrome da criança mimada. A criança tem brinquedos demais, luxo demais, tudo adquirido com grande facilidade e isso induz a irresponsabilidade. Pois afinal de contas ela não lutou por alcançar nada naquilo.

Eu sou de uma geração que tudo que adquiri foi com muito esforço. Se eu queria algo eu deveria lutar por alcançar, eu deveria trabalhar para conquistar o que desejava. Hoje, infelizmente, nós temos visto muitos jovens tendo tudo, mas sem o mínimo de esforço para alcançar. Por isso que não valorizam nada, não se importam com nada e acham que são merecedores de tudo. Temos visto uma geração de jovens que receberam tudo “de mãos beijada”, por isso não sabem o quanto foi difícil para os seus pais conquistarem o que conquistaram.

1º - Quem recebe as coisas de forma muito fácil, muitas vezes, não dão o devido valor do que recebeu. Israel iria entrar na terra que manava leite e mel. Iria tomar posse da boa terra que lhes daria tudo, inclusive cidades edificadas, vinhas plantadas, poços cavados. Eles não teriam nenhum trabalho para edificar, plantar e nem cavar poços. Estava tudo ali a disposição deles.

Devido a isso, eles corriam o risco de se tornar um povo mimado, que não daria o devido valor a tudo aquilo que estava diante deles. Corria o risco de não glorificar ao Senhor por todo bem adquirido, reconhecendo que fora a boa mão do Senhor que estava sobre eles. Que tudo aquilo era o cumprimento de uma promessa que o Senhor havia feito a Abraão, Isaque e a Jacó. Que tudo aquilo era como se fosse o pagamento pelos anos de escravidão que haviam passado no Egito. Literalmente era a graça de Deus sendo derramada sobre a vida dos seus servos. 

E isso é o que mais temos visto hoje. Pais que se esforçam para dar aos filhos as melhores escolas, as melhores roupas, os melhores celulares... E quantos filhos recebem isso com desdém, e o pior, acha que isso é obrigação dos pais.

O que temos visto hoje em dia são jovens fúteis, mimados, ainda cheirando a leite e todinho; um bando de jovens que não valorizam seus pais e o esforço deles em tentar lhes proporcionar o melhor. E o pior, agem assim dentro da igreja e pensam que Deus é um pai bonachão que deve lhes dar tudo também, afinal eles são “príncipes e princesas do Senhor”. 
    
2º - Quem recebe as coisas de forma muito fácil, muitas vezes, não cuida do que recebeu. Os hebreus iriam receber tudo do bom e do melhor. Preste atenção no que o Senhor daria para os seus servos:

“Havendo-te, pois, o SENHOR, teu Deus, introduzido na terra que, sob juramento, prometeu a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, te daria, grandes e boas cidades, que tu não edificaste; e casas cheias de tudo o que é bom, casas que não encheste; e poços abertos, que não abriste; vinhais e olivais, que não plantaste” (Dt 6.10,11).

O mínimo que eles deveriam fazer era cuidar de tudo aquilo com muito zelo, sabendo que o Senhor lhes havia dado. Em cada casa que entrassem, cada uva que colhessem, cada copo d’água que tomassem deveriam se lembrar de que a boa mão do Senhor os havia dado tudo aquilo, então eles deveriam ser zelosos por tudo aquilo.

Cuidar significa se importar. Significa que é grato pelo bem recebido. Entende o significado do carinho recebido.

O Filho Pródigo é um bom exemplo que você pode receber tudo de forma muito fácil e não cuidar do que recebeu. Ele simplesmente esbanjou tudo o que o pai havia lhe entregue. Ficou na total miséria.

Tudo que vem fácil vai embora da mesma forma! 
   
A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE A ATITUDE DESCUIDADA CONDUZ À PERDA DOS PADRÕES DE FIDELIDADE (Dt 6.13-19).

A ordem de Moisés ao povo era para que eles jamais se esquecessem de quem lhes havia dado tudo aquilo. Aquela era a segunda geração de israelitas dos que saíram do Egito. Eles deveriam se lembrar do Senhor o do bem adquirido através dEle.

O texto é claro em avisar para que eles, ao entrarem na terra, não se envolvessem com os deuses dos cananeus (v. 14), e lhes avisou das consequências se isso viesse ocorrer (v. 15). O Senhor estava alertando essa nova geração de israelitas para não se perderem diante da prosperidade adquirida. Diante dos deuses dos pagãos e diante do povo da terra. Mas, infelizmente, foi isso que ocorreu, a terceira geração se desviou completamente do Senhor. Veja o que nos fala o Livro de Juízes 2.6-15:

“Havendo Josué despedido o povo, foram-se os filhos de Israel, cada um à sua herança, para possuírem a terra. Serviu o povo ao SENHOR todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que viram todas as grandes obras feitas pelo SENHOR a Israel. Faleceu Josué, filho de Num, servo do SENHOR, com a idade de cento e dez anos; sepultaram-no no limite da sua herança, em Timnate-Heres, na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás. Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o SENHOR, nem tampouco as obras que fizera a Israel. Então, fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o SENHOR; pois serviram aos baalins. Deixaram o SENHOR, Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses das gentes que havia ao redor deles, e os adoraram, e provocaram o SENHOR à ira. Porquanto deixaram o SENHOR e serviram a Baal e a Astarote. Pelo que a ira do SENHOR se acendeu contra Israel e os deu na mão dos espoliadores, que os pilharam; e os entregou na mão dos seus inimigos ao redor; e não mais puderam resistir a eles. Por onde quer que saíam, a mão do SENHOR era contra eles para seu mal, como o SENHOR lhes dissera e jurara; e estavam em grande aperto”.

Esse é o grande problema que enfrentamos hoje. A nova geração de crentes não tem a mesma fidelidade, o mesmo zelo e a mesma identificação com Cristo como a geração passada. O que mais vemos por aí são jovens e adultos descompromissados com a verdade do Evangelho. E a culpa é da nova geração de líderes que está surgindo hoje. Grande parte da liderança cristã passou a acreditar e a ensinar que a relação entre Deus e o homem é algo pautado na busca de sensações, emoções, bênçãos individuais, diversão, relacionamentos e prazeres temporais. O importante hoje é a promoção de um ambiente ‘cool’ para chamar a atenção do jovem e segurá-lo na igreja custe o que custar.

Para tanto, negocia-se a mensagem, a forma de culto, o conteúdo das músicas, a centralidade de Cristo, e tudo mais que possa compor a experiência da pessoa que estará presente na igreja. O problema é que quando subestimamos a eficiência da pregação da mensagem do evangelho e passamos a buscar complementos que, supostamente, venham suprir as expectativas daqueles que frequentarão nossos cultos, estamos assumindo, ainda que inconscientemente, a insuficiência da cruz de Cristo para redenção de todas as necessidades da vida humana.

1º - Fidelidade a Deus é mais que frequentar uma igreja (Dt 6.13-15,17). Tem gente que é fiel a igreja que frequenta, mas não é fiel a Deus. Devemos ter compromisso com as nossas igrejas e também com a liderança das mesmas, mas antes devemos ter compromisso com Deus. Os homens falham, se desviam da verdade, traçam caminhos que levam para longe da verdade. Por isso, quando temos compromisso, em primeiro lugar, com o Senhor e com a Sua Palavra, nós não nos deixamos levar pelo engodo dos homens. O privilégio sempre vem acompanhado de responsabilidade, e a responsabilidade de Israel era temer ao Senhor e obedecê-lo. 

2º - Fidelidade a Deus envolve confiança plena no Senhor (Dt 6.16). Massá e Meriba significam “teste e condenação”. Encontramos esse episódio em Êx 17.1-7 onde os israelitas estavam com sede e questionaram com Moisés se o Senhor estava no meio deles ou não. A adversidade revela a nossa fé. É muito fácil ser crente fiel em tempo de bonança, mas devemos ser fiéis em todo tempo. Jó é um exemplo disso. Mesmo diante de tudo que passou ele não pecou (Jó 1.22).

Essa nova geração de crentes tem colocado o Senhor à prova constantemente. Observe como os líderes midiáticos têm ensinado os seus seguidores a orarem. Geralmente é “determinar”, “ordenar”, “tomar posse”, “reivindicar”, é por aí vai.

Entenda uma coisa meu irmão, o Senhor prova a nossa fé não somente nas grandes crises da vida, mas ainda mais nos pequenos acontecimentos inesperados, que pode ir de um atraso e a perda da condução a uma enfermidade súbita que pela qual podemos ser acometidos. A maneira como reagimos a essas situações indicará o que há em nossos corações.

3º - A fidelidade a Deus tem as suas consequências (Dt 6.18,19). O que o homem planta isso ele colhe (Gl 6.7,8). E isso é uma lei espiritual. O Senhor tem compromisso com a Sua Palavra e com o que Ele nos prometeu, o problema é que muitos líderes estão falando e prometendo o que o Senhor não disse e acham que o Senhor tem obrigação de fazer o que eles querem.

QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE PARA SALVARMOS A PRÓXIMA GERAÇÃO DEVEMOS TESTEMUNHAR PARA ELES DOS FEITOS DO SENHOR EM NOSSAS VIDAS (Dt 6.20-25).

Testemunhar é mais do que falar, é viver. As palavras nem sempre permanecem, mas o exemplo sim. A próxima geração precisa ver em nós um exemplo de fidelidade a Deus e não apenas palavras. Isso quer dizer que mais que ir à igreja, devemos ser a igreja.

Observe que o futuro reserva a continuidade da fé e não devemos deixar que esta fé esfrie e se desvie do Senhor. Essa é uma responsabilidade nossa. Mas para isso é necessário três coisas:

1º - Devemos manter a fé viva dentro de nós (Dt 6.20-23). “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que veem” (Hb 11.1 – ACF). Como podemos falar de algo que não cremos ou que duvidamos? A fé deve ser viva, firme e inabalável. Como nos fala o Salmo 125.1:

“Os que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre”.

2º - Devemos perseverar na doutrina do Senhor (Dt 6.24). A fé que devemos transmitir deve estar embasa na doutrina e não em achismos comuns hoje em dia em nosso meio. A Bíblia nos fala que a Igreja Primitiva permanecia firme na doutrina dos apóstolos (At 2.42). Permanecer na doutrina implica em cuidado em observar o que foi ensinado. Por isso devemos ser como os crentes de Bereia que observavam as Escrituras para ver se o que Paulo ensinava tinha procedência (At 17.11).
  
3º - Devemos crer no cuidado do Senhor por nós (Dt 6.25). O Senhor Jesus antes de ser recebido aos céus deixou estas palavras:

“Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”. (Mt 28.20 – ACF).

Deus tem cuidado de nós todos os dias. Ele não nos desampara e cuida de cada um de nós, ainda que não percebamos muitas vezes o seu cuidado. Mas para que isso ocorra é necessário permanecer fiel a Ele. O Senhor não tem responsabilidades com quem não tem responsabilidade com Ele. Há muitos crentes nominais, mas são poucos os que levam o Senhor a sério. Entenda uma coisa meu irmão, de Deus não se zomba.

Essa mensagem de renovo deveria ser transmitida a nova geração para que ela não se perdesse se esquecendo do Senhor. E para que esta nova geração seja salva devemos contar do cuidado de Deus para com cada um de nós. Como nos fala a segunda estrofe do hino 7 do Cantor Cristão:

Já nossos pais nos contaram a glória
De Deus, falando com muito prazer,
Que nas tristezas, nos grandes perigos,
Ele os salvou por seu grande poder.

CONCLUSÃO

Um dos maiores perigos que corremos é nos apegarmos às bênçãos do Senhor e não ao Senhor da bênção. Israel corria esse risco, pois estavam para entrar na terra que tinha tudo a lhes oferecer. Eles corriam o perigo de se tornarem ingratos, infiéis, e o pior se envolverem com outros deuses. Mas infelizmente tudo isso veio a acontecer e as consequências foram terríveis, mas não foi por falta de aviso do Senhor.

Da mesma forma hoje, nós corremos esse mesmo perigo. Como disse o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 10.11,12:

“Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado. Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (ARA).

Essas palavras de Moisés é uma advertência para nós hoje, por isso, não despreze as palavras do Senhor para você hoje. Vigie para não ser uma pessoa próspera, mas sem a graça do Senhor sobre a sua vida. E não ser uma pessoa ingrata com Aquele que tudo tem nos dado, principalmente a vida eterna.

Pense nisso!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

CONVERSÃO NÃO É MORALIDADE, MUDE O DISCURSO DO SEU TESTEMUNHO


Por Fabio Campos

Texto base: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda.” – Filipenses 3.7

É raro encontrar alguém que defina biblicamente o que é conversão. Muitos confundem o seu resultado com o ato do que de fato ela representa.

É interessante ponderar sobre a conversão do apóstolo Paulo.

Ele não era um sujeito imoral (do ponto de vista social e religioso). Seu pecado não era a boêmia, a noitada, o mulherio. Seu mundanismo não era oriundo de uma vida pródiga, mas do orgulho de sua “pregressa piedade”. Paulo, do ponto de vista da lei era irrepreensível; também era um bom cidadão; além de ser exemplo para qualquer um de seus compatriotas.

O passado ímpio do apóstolo, todavia, é justamente o testemunho de muita gente dos nossos dias. Seus deveres religiosos eram devidamente cumpridos. Mas do que Paulo tinha que se arrepender?

Perceba o discurso da grande maioria; falam mais do que fizeram para Cristo do que aquilo que Cristo fez por eles.

Paulo mantinha sua segurança no realizar dos afazeres ministeriais e na virtude das boas obras. Era disto que ele se arrependeu. Muitos, porém, se gabam justamente do que Paulo considerou perda. Ou seja, apoiam-se em suas obras de justiça (Fp 3. 4-9).

Afinal, o que é conversão?

A primeira coisa que precisa ser definida é que conversão não é moral, mas ontológica. A moral (e não moralismo) é simplesmente o resultado da nova criatura que foi gerada em Cristo (2 Co 5.17). A primeira coisa que deveria ser dito num testemunho não é o que você é, ou faz hoje, mas como Deus te convenceu do quanto a sua justiça (aquilo que você confiava para salvação) se tratava de esterco (excremento humano, porção do alimento rejeitado pelo organismo como não nutritivo e que deve ser expelido). 

Por ignorância da sã doutrina, quando Cristo me converteu a Ele, logo de inicio fui radical com coisas que hoje tolero (usos, costumes e ingestão de alimentos em geral), e tolerava coisas que hoje sou radical (doutrinas espúrias). Pelo estudo das Escrituras fui convencido de que o Reino de Deus não consiste em “coisas”, mas pessoas que verdadeiramente tiveram um novo nascimento; nascidas não de descendia natural, nem pela vontade de algum homem, mas de Deus (Jo 1. 13).

Não se trata do que você come ou do que você bebe; mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17).

Muitos chamam de pecado o que Deus fez para ser desfrutado. A Bíblia chama esses “mestres” de hipócritas e mentirosos, que têm a consciência insensível (1 Tm 4.2). E é aqui que entra o ponto que ofusca o verdadeiro sentido ontológico do resultado da conversão. Baralhar santificação com rigor ascético, abstendo até de prazeres legítimos; proibir o que Deus criou para nosso deleite e para o louvor da sua glória (1 Tm 4.3; 1 Co 10.31). Muitos religiosos taxariam de mundano as festas realizadas sob orientação do próprio Deus no meio do seu povo (Dt 14.26).

Conversão passou a ser “não tocar” nisto; “não provar” aquilo; “não manusear” tal coisa. De fato, como diz a Escritura, isto até tem aparência de santidade; mas só aparência, pois não tem valor algum no combate contra os desejos que realmente são pecaminosos (Cl 2. 20-23).

Os legalistas, no entanto, dizem ser certo justamente o que Deus abomina (opressão em nome da lei). Seita procede exatamente deste modo. Rígidos para com o corpo e laicos na doutrina, que poderia libertar as pessoas do fardo pesado colocado sobre seus ombros.

O Senhor é traído não quando caímos pela fraqueza da carne. Deus é traído quando nos apartamos da simplicidade e pureza devidas a Cristo; quando abraçamos outro evangelho; quando prestamos culto a um "deus" estranho (tipo mamon, o “deus” da teologia da prosperidade). Isto é traição!

A conversão, portanto, está muito além da mera mudança de comportamento. A conversão bíblica consiste primeiramente em abandonar por completo sua própria justiça para lançar-se por completo, por meio da fé, na justiça de Cristo (Ef 2. 8-9). É descansar no sacrifício vicário de Jesus; se trata em renunciar nossa auto-suficiência e pretensioso orgulho de cumprir a lei (Fp 3.3).

O que importa não é isto ou aquilo; guardar o sábado; deixar de comer ou beber certos alimentos. Nada disto valerá se, contudo, você não for nova criatura. Estamos firmados e confirmados numa Pessoa. Não é a obediência de regras ou a observação de determinada tradição que nos fará aceitáveis diante de Deus. É Cristo Jesus, justiça nossa. É n’Ele e em nada mais. Ele é tudo para aquele que sabe que não possui nada.

Se você ainda se apóia no seu desempenho religioso; no fato de se abster, por exemplo, do álcool e de certos alimentos – você até pode ser um bom moço ou moça, mas você ainda não é um genuíno cristão. O Evangelho de Cristo incomoda os libertinos tanto quanto incomoda os legalistas. Os libertinos esquecem Deus; os legalistas tentam ser Deus.

Portanto, conversão é ter em Cristo toda a confiança, é ser achado n”ele, não tendo por justiça as nossas obras, mas sim a justiça que procede da fé no Salvador, a saber, a justiça que vem de Deus. O fim da lei é Cristo para a justificação do todo aquele crê.

Em Cristo Jesus, considere esta reflexão e arrazoe isto em seu coração.

Soli Deo Gloria!

Fonte: Fabio Campos

terça-feira, 4 de julho de 2017

Aos solteiros que procuram por um casamento incrível!


Por Josemar Bessa

Os solteiros que procuram se casar bem, podem aprender tanto com um homem que se casou há quatrocentos anos. Ele fez uma escolha supremamente sábia por todas as razões certas e se beneficiou imensamente por causa disso.

Richard Baxter (1615-1691) ( Um dos Grandes Puritanos) viveu a metade de sua vida como um homem solteiro porque acreditou, naquele momento, que um jovem zeloso pastor estava "casado com sua congregação" e não tinha tempo adequado para uma esposa como devia. Quando sua igreja o despediu e ele foi forçado a viver sua vida como um escritor (se transformou num dos escritores mais populares de seu tempo), pensou que ter uma esposa seria uma coisa muito boa, de fato, e ele logo entrou em um casamento muito feliz e gratificante com uma jovem chamada Margaret.

Eles tiveram um casamento incrível .

Ao fazer sua escolha, Richard já era um homem sábio que, como pastor, vira a loucura em que tantos outros haviam caído. Assim, ele estava determinado a "evitar a paixão tola que o mundo chama de amor".

Ele não evitou o amor, mas procurou um amor mais elevado : "Eu sei que você deve ter amor por aquele com quem você se casa", ele escreveu, mas insistia que fosse um amor "racional" - que discernisse "valor e aptidão" no amado, não "cego ... luxúria, desejo ou fantasia."

Richard tinha visto como "a luxúria cega e a fantasia" (apelo sexual e paixão romântica) podiam fazer pessoas aparentemente sábias curiosamente cegas para o pobre valor de uma pessoa e baixo caráter, então ele determinou cedo que não seria guiado por essas coisas.

Em vez disso, ele estava determinado a encontrar um cônjuge "digno" e um cônjuge "apto".

Se você se sentir louco de paixão e seu maior e desesperado desejo é ouvir que o outro sente a mesma coisa sobre você, force-se a fazer duas perguntas racionais:

É uma pessoa digna? “Ela ou ele são aptos para o casamento? "

Vamos olhar para cada um por sua vez.

Primeiro, eles são dignos de você ter tal interesse neles? Force-se a olhar para eles objetivamente. Se você não tivesse sentimentos tão fortes por eles, e os fosse avaliar assim, você ainda gostaria deles, os admiraria e os respeitaria?

Se você não pode responder "sim" a todas as três perguntas você está caindo presa de uma "fantasia cega".

Se você está muitas vezes desconfortável sobre eles, ou constantemente tendo que explicar e desculpar as falhas e falhas de caráter que todo mundo vê e aponta para você, você está no meio de uma "fantasia cega". Não é verdadeiramente digno de você para ser, aos olhos do mundo, o que a relação de Cristo é com a Igreja; Você não deve ter medo de que eles não sintam o mesmo sobre você; Você deve ter medo do por que você está se sentindo assim sobre eles.

Em seguida, pergunte a si mesmo: "Eles são aptos?" Ou seja, eles têm as habilidades relacionais, emocionais e espirituais necessárias para ser um cônjuge superlativo num relacionamento com Deus?
Eles podem lidar com conflitos?
Eles são humildes, gentis e pacientes?
Eles são um doador ou um tomador?
Deus é o centro de sua vida?
Eles oram e buscam crescer em justiça?
Seriam um bom pai (mãe) e um verdadeiro amigo?
Você pode confiar neles em todos os sentidos?

Se a resposta for não, eles não estão "aptos" para o casamento.

Os sentimentos são altos e fortes, e eles vêm e vão. Fazer perguntas sobre "dignidade" e "aptidão" irá ajudá-lo a ser objetivo e fazer uma escolha sábia.

Resumindo - o melhor do pensamento puritano em fazer uma escolha marital sábia, sublinha que os cristãos foram instados a não procurar alguém que ama romanticamente, mas sim para alguém que se pode amar "com firme afeição em uma base permanente".

Porque o casamento é tudo sobre o futuro e os sentimentos são apenas sobre o presente, faz mais sentido escolher alguém que você pode amar no futuro, porque eles são dignos de seu amor e aptos para o casamento. Essas coisas geralmente duram; Sentimentos nunca o fazem. Eles mudam.

Descubra primeiro se a pessoa que você está interessado é digna e apta. Então pergunte a si mesmo: "É alguém com quem eu gostaria de passar o tempo? É alguém que me atrai fisicamente o suficiente para que eu deseje estar com ele (ela) sexualmente? "

Desejo sexual e romance não são inimigos - eles podem ser deliciosas "especiarias" na vida. Mas se você fizer deles o curso principal, você terminará relacionalmente faminto, porque não podem satisfazer e se juntar aos desejos mais profundos da alma que só encontram satisfação em Deus.

Eu polvilho canela numa banana frita... mas eu não como várias colheres de canela como um substituto para o que vou comer naquele momento. Isso é o que você está tentando fazer quando você deixa "o desejo e as fantasia cegas" se tornarem os fatores principais em determinar quem escolher e, finalmente, com quem se casar. 

Digno e apto.

É isso que você deve procurar. Isso é o que você deve avaliar. Assim foi com Richard Baxter e Margaret.

Fonte: Josemar Bessa

segunda-feira, 12 de junho de 2017

URIAS, O JUSTO INJUSTIÇADO!


Por Fabio Campos

Texto base: “E mandou Davi indagar quem era aquela mulher; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu? Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela...”. – 2 Samuel 11: 3,4 (AFC)

Quando me perguntam qual o meu herói favorito no Antigo Testamento – para surpresa de muitos – digo que é Urias, o heteu. Urias foi mais um dos justos injustiçado neste mundo de cão. A tragédia se torna ainda mais dramática pelo fato da crueldade ter sido praticada não pelas mãos do ímpio, mas de um justo, o rei Davi.

Urias é meu referencial não por causa da habilidade com a espada, mas por seu caráter e por sua hombridade. Ele era viril segundo os padrões de Deus. O “mano” foi valoroso frente a “molecagem” de Davi.

Urias significa “minha luz é Yahweh”; o herói da nossa reflexão, com efeito, fez valer o significado.

Urias era estrangeiro, heteu, que pertencia ao seleto grupo dos heróis de Davi (2 Sm 23.39; 1 Cr 11.41); residia em Jerusalém, vizinho do palácio real (pois sua casa era possível de ser avistada do palácio [2 Sm 11.2]).

Tanto o seu nome como a sua conduta sugerem que ele havia abraçado a religião hebraica (2 Sm 11.11). O hitita lutava sob as ordens de Joabe, comandante das tropas de Davi. Certa vez, quando Urias estava na guerra, o rei encontrava no terraço do palácio e, ao olhar para baixo, viu Bate-Seba, esposa do soldado, banhando-se. Davi desejou-a ardentemente, mandou trazê-la e engravidou-a (1 Sm 11. 1-5). O rei ordenou que Urias retornasse a Jerusalém, na esperança de que dormisse com a esposa e lhe evitasse assim a situação embaraçosa.

Ao chegar da guerra a mando do rei, Urias recebe a ordem de Davi que fosse para casa descansar e dormir com sua esposa. Urias,sem falar nada, saiu da presença do rei e, o invés de ir para o conforto do seu lar e deliciar-se com os carinhos de sua esposa,preferiu dormir à porta do palácio real.

Urias recusou tal privilégio que seus companheiros de exército não teriam. Sua preocupação era com a Arca e com o povo de Israel. As investidas de Davi para fazer com que ele dormisse com Bate-Seba não deram certo. Mesmo embriagando-o, o valente Urias honrou sua convicção: novamente dormiu com os servos.

Exasperado, Davi o enviou de volta à frente da batalha, com uma recomendação ao comandante Joabe para colocar Urias na linha de frente no cerco à cidade de Rabá, o que acarretou na sua morte. O rei Davi, então, toma Bate-Seba para ser sua esposa. O que parecia ser louvável a todo Israel (ainda ninguém sabia o que de fato havia acontecido), cheirava mal perante o Senhor Deus (2 Sm 11.27).

Urias foi apagado pelo homem, mas elogiado por Deus.

Com efeito, a disciplina e fidelidade de Urias são dignas de ser imitadas por todo aquele que verdadeiramente leva Deus a sério. Quanta virtude há neste homem que morreu sem saber da trama que foi levantada contra ele.

Sem promover a fidelidade aos seus camaradas de guerra, Urias não esperou “sentir de Deus” para entender que naquela ocasião, ainda que fosse lícito, não convinha dormir com sua esposa. A fé de Urias não era pautada em emoções ou em expectativas de triunfos, mas em princípios: “Pela tua vida, e pela vida da tua alma, não farei tal coisa” (2 Sm 11:11).

A voz da consciência de Urias falou mais alto que a ordem do rei:“Porém Urias se deitou à porta da casa real” (2 Sm 11.9a). Ele se abdicou do prestígio daquele privilégio e preferiu dormir com os servos de Davi: [pernoitou] “com todos os servos do seu senhor; e não desceu à sua casa” (2 Sm 11.9).

Urias, como um bom soldado, era disciplinado e rigoroso consigo mesmo. Ele sabia que o seu chamado era o de proteger Israel. Diferente de Davi, Urias sabia que sua espada seria enfraquecida caso cedesse aos desejos do seu coração: “... mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade” (Pv 16.32).

O heteu era obediente (v.12); porém fazia apenas aquilo que era correto. Mesmo sob influência do vinho, Urias foi mais disciplinado e leal do que Davi, que estava sóbrio (v. 13).

O hitita é o tipo de gente que podemos confiar o tempo todo. Você poderia deixar, por exemplo, sua esposa a sós com ele sem nenhuma preocupação de haver dele algum galanteio. Não havia suspeita na vida deste guerreiro. Era o tipo de servo que não vasculhava a gaveta do seu patrão. Sem abrir o envelope entregue por Davi direcionado a Joabe, Urias levou sua própria sentença de morte (14-15).

Urias não tinha medo de nada exceto de Deus. Sem retrucar ou pedir explicações, sabendo do perigo de morte por ser o “linha de frente” na batalha, obedeceu ao seu comandando; porém, desobedeceu ao rei quando ordenou que dormisse com sua esposa.

Quanta virtude! Cadê os homens deste quilate?

Joabe não viu com bons olhos a orientação de Davi mas obedeceu ao rei (v.25). Colocou Urias na linha de frente e, no calor da batalha, conforme planejado, Urias foi morto.

Aparentemente o plano de Davi foi bem sucedido. Com indiferença, recebeu a notícia da morte do heteu: “Não fique preocupado com isso, pois a espada não escolhe a quem devorar” (2 Sm 11.25). Bate-Seba, porém, chorou a morte de seu marido.

O desejo descontrolado de Davi e sua pervertida atitude destruiu a família de Urias. Com isto, o rei trouxe desgraça sobre Israel e sobre sua família. Quanta desgraça por causa de um simples olhar onde por tudo começou.

Quando tudo estava sob o controle do rei, após alguns meses, Deus resolve tratar com Davi e honrar a memória de Urias. O profeta Natã é enviado ao rei para repreendê-lo. Com uma história contada na pessoa de um terceiro, o rei sem saber que este homem mal se tratava dele mesmo, cravou sua própria sentença:

“Então, Davi encheu-se de ira contra o homem e disse a Natã: "Juro pelo nome do Senhor que o homem que fez isso merece a morte! Deverá pagar quatro vezes o preço da cordeira, porquanto agiu sem misericórdia. “Então Natã disse a Davi: "Você é esse homem!” – 2 Samuel 12:5-7

Davi sofreu graves conseqüências por causa do seu pecado.

Desde então a família do rei viveu em guerra; seus filhos se deitaram com as concubinas do próprio Davi; houve muita contenda entre seus filhos, e um estupro por meio do incesto entre os irmãos Amnon e Tamar, filhos do rei. Deus, porém, perdoou Davi por haver ele confessado o seu pecado publicamente (ver salmo 51).

Infelizmente o mundo é atraído pelo carisma, e não pelo caráter. Urias não foi uma personagem de destaque nas Escrituras, mas não tenho dúvida que Deus o considera um herói.

A maior tentação dos cristãos não é o desânimo dos fracassos, mas o anseio pelo sucesso. É aqui que todos aqueles que se deixam levar comem nas mãos do diabo (Mt 4.8). O sucesso pode nos dar privilégios – como tinha o rei Davi – porém facilita a possibilidade de adquirir também aquilo que não nos pertence. Como disse Charles Haddon Spurgeon, considerado o príncipe dos pregadores:“Com muito mais frequência o cristão envergonha sua fé na prosperidade do que na adversidade."

Que Deus nos guie e nos livre não somente do mau, mas de não sermos o agente do mal na vida de alguém.

Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração.

Soli Deo Gloria!

Fonte: Fabio Campos

sábado, 3 de junho de 2017

COMO VENCER A ANSIEDADE


Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: Mateus 6.24-34

INTRODUÇÃO

Uma grande crise se instalou em nosso país, e porque não dizer no mundo. Vivemos dias em que cada vez mais ouvimos falar em corrupção, perda de emprego, roubalheira das mais diversas em todas as instâncias do governo, a justiça que não prevalece... Olhamos ao redor e diante de tanta crise, se não tivermos cuidado, seremos engolidos por uma total desesperança.

No entanto, o texto de Mateus 6.24-34 nos renova a fé. Nos trás esperança e renova a nossa confiança no Senhor que nos guarda. Mas para isso devemos vigiar, pois a tentação é muito grande. E essa tentação é a de servir a dois senhores. A tentação de abrir mão do cuidado de Deus por nós e nos embrenharmos por um caminho extremamente perigoso. O caminho que nos leva a perder a fé no Senhor e em seu cuidado e partirmos a buscar outro senhor para cuidar de nós, dos nossos interesses e dos nossos entes queridos.

Quando perdemos a fé que o Senhor tem poder para cuidar de nós, automaticamente, nos vemos tomados por uma extrema preocupação. É aquilo que o Senhor chama de ansiedade.

PARA VENCERMOS A ANSIEDADE NÓS DEVEMOS EM PRIMEIRO LUGAR DEFINIR A QUEM IREMOS SERVIR (Mt 6.24). 

Jesus aqui é enfático ao dizer que nós não podemos servir a dois senhores. Isso é impossível. Isso é algo que para o Senhor é inviável. E Ele nos dá duas razões básicas:

1º - Porque o amor não pode ser divido (Mt 6.24a). Se você ama um não pode amar ao outro, pelo contrário, irá aborrecer o outro. Pode-se trabalhar para dois empregadores, mas nenhum escravo pode ser propriedade de dois senhores, pois ter um só dono e prestar serviço de tempo integral são da essência da escravidão [1].

Por que falamos isso? Porque vezes seguidas, nas páginas das Escrituras, os crentes são referidos como escravos de Deus e escravos de Cristo. De fato, enquanto o mundo exterior os chama de “Cristãos”, os crentes primitivos repetidamente referiam a si mesmos, no Novo Testamento, como escravos do Senhor (Rm 1.1; 1Co 7.22; Gl 1.10; Ef 6.6; Fl 1.1; Cl 4.12; Tt 1.1; Tg 1.1; 1Pe 2.16; 2Pe 1.1; Jd 1; Ap 1.1) [2].

E a expressão servir no grego é doulenein, que é servir como escravo. Então na condição de escravo eu devo ter um só senhor e amá-lo incondicionalmente. Por isso que amar ao Senhor e as riquezas é impossível. Como disse o apóstolo Paulo em 1 Timóteo 6.10:

“Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.

Na condição de escravo, tem que haver total fidelidade sem reservas, porquanto o escravo não tinha vida própria, mas tudo fazia segundo a vontade do seu “senhor”. É claro, portanto, que tal serviço não pode ser prestado a dois senhores [3].

2º - Porque a adoração não pode ser dividida (Mt 6.24b). O homem que cuida das coisas espirituais procura apenas um tesouro, isto é, o tesouro dos céus (Mt 6.19-21).

Não podemos servir a Deus e as riquezas, ou seja, não podemos servir ao Criador dos céus e da terra, ao Deus Vivo e qualquer objeto de nossa própria criação que chamamos de “dinheiro” (Mamon é uma transliteração da palavra aramaica para riqueza) e, nesse contexto, representa também os interesses mundanos. Não podemos servir aos dois [4].

A riqueza é uma grande tentação. Não que seja pecado ser rico, o pecado está em confiar nela como se ela fosse um deus; e na verdade, para muitos, ela é um deus. Por isso o apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo nos alerta a respeito disso:

“Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos. Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão” (1 Timóteo 6.9-11 – NVI).
E em Eclesiastes 5.10 nos diz:

“Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade”.

E o próprio Jesus alertou os seus discípulos sobre esse perigo:

“Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Marcos 10.23-25).

A tentação é grande, mas uma vez eu repito. Não pense que nós não seremos tentados. Não pense que estamos isentos de passarmos por isso. Nós não somos intocáveis. Por isso que o apóstolo Paulo escrevendo aos Coríntios disse:
“Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Coríntios 10.12).

EM SEGUNDO LUGAR, PARA VENCERMOS A ANSIEDADE DEVEMOS TER UMA FÉ RACIONAL (Mt 6.25,31).

Jesus começa esse versículo dizendo: “Por isso vos digo”. Isso quer dizer que aquilo que Senhor Jesus está para falar é uma conclusão do que Ele havia falado anteriormente, ou seja, antes de nos convidar a agir, ele nos convoca a pensar. Convida-nos a examinar clara e friamente as alternativas que foram expostas, pensado-as cuidadosamente [5].

O Evangelho e a sua mensagem devem ser analisadas. Não é pecado pensar. Aliás, o Senhor nos convida a servi-lo calculando o valor do discipulado (Lc 9.57-62). O apóstolo Paulo nos diz que o nosso culto deve ser um culto racional (Rm 12.1). David Martyn Lloyd-Jones diz que Cristo não se contentou meramente em estabelecer princípios, dar-nos uma ordem ou mandamentos. Antes, nos dá argumentos e oferece-nos razões. Ele apresenta estas coisas para serem apreciadas pelo nosso bom senso. Uma vez mais somos lembrados que Ele está apresentando a verdade diante do nosso intelecto. Jesus não se preocupou somente em produzir uma determinada atmosfera emocional, mas também raciocina junto conosco. Essa é a grande questão que precisamos aprender. É por esse motivo que Ele começa, novamente, com as palavras “por isso” [6].

Por isso...

1º - Devemos ver a vida com os olhos do Senhor. Isso implica em andar pela fé e não por vista. Assim como os espias que voltaram de espiar a terra de Canaã, devemos ver o melhor que o Senhor tem para nós. No entanto, devemos tomar cuidado para não fixarmos os olhos nas dificuldades, mas na possibilidade da vitória. Para que possamos ver o que o Senhor tem para nós, devemos em primeiro lugar ter a visão dEle e, em seguida, abrir mão da nossa visão. O que os nossos olhos veem podem nos levar ao total engano.

Não sei se você sabe, mas a águia possui oito vezes mais células visuais por centímetro cúbico do que o ser humano. Tal fato se traduz por habilidades espantosas. Por exemplo, voando à altura de 200 metros a águia consegue detectar um objeto do tamanho de uma moedinha, movendo-se na grama de 15 centímetros de altura. A águia pode enxergar um peixe de oito centímetros saltando num lago a oitenta quilômetros de distância. A visão espiritual nos leva a ver o que os olhos naturais não veem (1Co 2.14-16).

Por isso...

2º - O Senhor nos proíbe de vivermos ansiosos (Mt 6.25, 31, 34). Ao lermos esse texto, a ideia que muitos têm é que não temos que nos preocupar com nada. Não é isso que o texto nos diz. Jesus em momento algum disse que devemos desprezar as necessidades do nosso corpo. Que não precisamos cuidar dele. Afinal nós somos o templo do Espírito Santo (1Co 6.19) e precisamos cuidar dele (Ef 5.29). Nem tampouco proíbe a previdência quanto ao futuro. Devemos pensar no amanhã, pois afinal de contas devemos nos prevenir quanto às adversidades que a vida pode apresentar.

O Senhor também não nos isenta de ganharmos a própria vida, de trabalharmos para termos o nosso pão de cada dia. Embora nunca nos esquecendo de que este pão procede do Senhor que o coloca em nossa mesa. Outro detalhe importante, a falta de ansiedade não nos isenta das dificuldades que a vida oferece. O Senhor nos deixou um aviso importante em João 14.1: “Não se turbe o vosso coração”. E em João 16.33 Ele nos diz: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”.

A ansiedade que o Senhor proíbe é a ansiedade que nos leva a desacreditar no Seu cuidado. É a preocupação excessiva com o dia de amanhã. O psicólogo Rollo May chama esse tipo de ansiedade de “Ansiedade Neurótica”. A maioria das ansiedades neuróticas provém de conflitos psicológicos subconscientes. A pessoa se sente ameaçada como por um fantasma; não sabe onde se encontra o perigo, como combatê-lo e dele fugir. E ele diz que quando um indivíduo sofre de ansiedade durante um prolongado período de tempo fica com o corpo vulnerável a doenças psicossomáticas. Esta é o denominador comum psicológico das perturbações psicossomáticas, tais como úlceras, várias formas de afecções cardíacas, etc. A ansiedade é, em suma, a forma contemporânea da peste branca (tuberculose) – a maior destruidora da saúde e do bem-estar humanos [7]. Essa é a ansiedade que o Senhor nos proíbe de termos, pois tal ansiedade na verdade é falta de fé. É uma total falta de confiança do cuidado do Senhor por cada um de seus filhos amados. Veja o que o autor de Hebreus nos fala:

“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6).

Veja o que Paulo nos fala em Filipenses 4.6:

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças”.

E o que apóstolo Pedro em sua primeira carta nos fala assim também:

“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.6,7).

Quem busca riquezas pensa que o dinheiro resolverá todos os problemas, quando, na verdade, trará ainda mais problemas! As riquezas materiais criam uma sensação falsa e perigosa de segurança, a qual termina em tragédia [8]. E isso gera ainda mais ansiedade.  

EM TERCEIRO LUGAR, PARA VENCERMOS A ANSIEDADE DEVEMOS ENTENDER QUAIS SÃO OS VERDADEIROS VALORES DA VIDA (Mt 6.26-31).

É assustador observar quantas pessoas parecem viver inteiramente dentro desses estreitos limites: alimento, bebida e comida. Como dizia a Dona Bela da Escolinha do Professor Raimundo: “Só pensa naquilo”. Tem gente assim. Só focam nas coisas desta terra e se esquece por completo das coisas celestiais. Pessoas assim adoram a mamom e não a Deus. Confiam no cuidado de mamom e desacreditam do cuidado do Senhor. 

Por isso que a partir daqui o Senhor começa a fazer um paralelo mostrando o que na verdade tem valor e de quanto o nosso Deus tem cuidado dos seus. E Ele nos mostra isso através da observância. Do aprendizado. Do ver o cuidado de Deus pelas coisas mais simples que existem: as aves que Ele alimenta, as flores que Ele veste de beleza e da vida que Ele dá.

1º - O Senhor mostra o quanto o Pai cuida das aves (Mt 6.26). Deus é o nosso Pai, e se o nosso Pai cuida tanto das aves do céu, com as quais está relacionado somente através da Sua providência geral, quão maior, necessariamente, deve ser o Seu cuidado por nós. Um pai terreno pode mostrar-se bondoso, por exemplo, para com os pássaros e os animais; mas seria inconcebível um homem prover sustento para meras criaturas e, ao mesmo tempo, negligenciar seus próprios filhos [9]. Veja o próprio exemplo que o Senhor nos da em Mateus 7.7-11:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?”

Lucas 11.11-13 nos diz:

“Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir [pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir] um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”

O Senhor deixa claro que nós valemos mais do que as aves, embora Ele não deixe que nenhuma delas morra sem o Seu consentimento: “Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai” (Mt 10.29);  e por isso o Pai irá cuidar de cada um de nós muito mais. Só que há um pequeno detalhe aqui, as aves saem pela manhã para procurar o seu alimento e cabe a cada um de nós buscarmos recursos para pôr o alimento em nossa mesa.

2º - O Senhor mostra o quanto o Pai cuida das flores (Mt 6.28,29). Jesus nos manda observar o cuidado que o Pai tem para com flores e o quanto as “vestem” de pura beleza. O Senhor nos manda “considerar” (observar bem) o Seu cuidado.

As flores que cresciam no campo não eram cuidadas pelos homens e eram consideradas de pouco valor. Se o campo fosse ser preparado para ser plantado, a hera era cordata ou queimada, e todas as flores também teriam o mesmo destino. A despeito do reduzido valor das flores, Deus cuida delas, providenciando-lhes belíssimas vestes. Ora, se Deus assim age no tocante à criação física, por acaso não cuidará, nesse particular, de seus próprios filhos? [10].

Há em muitas pessoas uma preocupação exacerbada com coisas que não deveriam tomar a nossa mente. E uma dessas preocupações é com as vestes. Há pessoas que já não tem onde por as roupas que tem e toda vez que vai sair diz que não tem roupa. Isso parece até brincadeira!

Muitas pessoas não vestem roupas, vestem uma grife. Observe a moda, por exemplo. Todos se vestem iguais. E a cada ano tem uma moda diferente, e toda vez que ela muda tem que se mudar o “guarda roupa”, afinal temos que andar na moda.

Interessante é que o tempo passou, mas o ser humano continua o mesmo. Nos tempos antigos, as pessoas eram avaliadas pelas roupas que usavam e possuíam. Tanto que nos tesouros orientais incluíam-se vestes de alto preço.

No entanto, o Senhor nos diz que nem Salomão com toda a sua glória se vestiu como qualquer deles. As vestes manufaturadas de Salomão não se comparam as vestes que o Senhor dá as flores mais simples.

Por esse motivo o Senhor nos diz que não devemos viver preocupados com esse tipo de coisa. É inútil. É desperdício de tempo. É desacreditar do cuidado de Deus (Gn 3.21).

Por isso que o Senhor falou a respeito de “homens de pequena fé”. Essa pequena fé se limita a salvação e não inclui a vida inteira do crente, e tudo que está envolvido nessa vida. Há pessoas que creem que irão para o céu, e estão certos em crer assim, mas desacreditam de todas as promessas de Deus para nós.

3º - O Senhor mostra que o dom da vida pertence ao Pai (Mt 6.27). Jesus deixa claro aqui que a ansiedade pode antecipar a morte e não prolongar a vida; e que a preocupação com ela não irá fazer com a morte não nos alcance quando chegar a nossa hora.

A palavra côvado era uma medida de comprimento de 45 centímetros. No entanto, a ideia que se tem aqui não é de estatura, mas de duração da vida. Em outras palavras, o Senhor está nos dizendo que nenhuma preocupação irá fazer com que a nossa vida seja mais longa. A vida é dom de Deus. A vida e a morte estão em Suas mãos. Não temos que viver preocupados como e quando iremos morrer, mas devemos estar preocupados como temos vivido.

EM QUARTO LUGAR, PARA VENCERMOS A ANSIEDADE DEVEMOS DESCANSAR NOS CUIDADOS DO SENHOR (Mt 6.31-34).

Se há algo que uma pessoa ansiosa não faz nunca é descansar. Não há paz em sua vida. Não há tranquilidade no seu viver. A preocupação com as coisas materiais nos faz viver como pagãos. Por isso, tome cuidado. Não quero dizer com isso que não podemos nos preocupar, o que eu quero dizer é que devemos confiar no Senhor e crer que Ele continua e continuará no controle de tudo.

Por que podemos descansar nos cuidados do Senhor? Nesses últimos versos o Senhor Jesus nos dá três razões básicas e porque não dizer lógicas.

1º - Porque o Pai conhece todas as nossas necessidades (Mt 6.31,32). Vencemos a ansiedade quando confiamos em Deus. A fé é o antídoto para a ansiedade. Deus nos conhece. Ele nos ama. Ele é o nosso Pai. Ele sabe do que temos necessidade. Se pedirmos um pão, ele não nos dará uma pedra; se pedirmos um peixe, ele não nos dará uma cobra. Nele vivemos e nele existimos. Ele é o Deus que nos criou. Ele é o Deus que nos mantém a vida. Ele nos protege, nos livra, nos guarda, nos sustenta.

Em suma, tudo o que você necessita não irá te faltar. Pode ser que o que você necessita não seja o que você deseja, aí é outra coisa. Como diz uma das frases da música “Trem Bala: “Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu. É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu”.

2º - A nossa única prioridade é buscar o Seu Reino e a Sua justiça (Mt 6.33). Nada menos do que Deus e seu Reino devem ocupar a nossa mente e o nosso coração. O nosso problema não é fazer investimentos, mas fazer investimentos errados. Somos desafiados a buscar uma riqueza que não perece. A ajuntar tesouros não na terra. A colocarmos nosso dinheiro, nossos bens, nossa vida a serviço de Deus e do seu Reino, em vez de vivermos ansiosos ajuntando tesouros para nós mesmos.

O maior investimento que podemos fazer não é nas coisas aqui de baixo, da terra, mas nas coisas lá do alto onde Cristo está assentado.

3º - Porque assim como o Pai cuida de nós hoje Ele irá cuidar amanhã (Mt 6.34). A preocupação com o amanhã não ajuda nem o dia de hoje nem o de amanhã. Antes nos priva de nosso vigor no dia de hoje – o que significa que teremos ainda menos energia no dia de amanhã. Alguém disse que a maior parte das pessoas crucifica-se entre dois ladrões: os remorsos de ontem e as preocupações de amanhã. É correto planejar e até mesmo economizar para o futuro (2Co 12.14; 1Tm 5.8), mas é pecado preocupar-se com o futuro e permitir que o amanhã nos prive das bênçãos de hoje [11].

CONCLUSÃO

O Senhor nos diz que quem vive com tal ansiedade é gentio, ou seja, é o ímpio que não conhece ao Senhor. É aquela pessoa que vive olhando para as coisas dessa terra e não sabe que existe um Deus que tudo faz por aqueles que o servem. Como nos fala Isaías 64.4: “Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam” (NVI).

Mas nós não somos gentios. Por isso buscamos o Seu Reino e a Sua justiça e cremos que aquilo que os gentios chamam de bênção nós iremos chamar de acréscimo. Pois é exatamente o que essas coisas são. Por isso que devemos buscar primeiro o Reino e a Sua justiça, essa é a prioridade de todo crente, o resto é o resto.

Pense nisso!

Fonte:

1 – Stott, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU Editora, São Paulo, SP, 1986: p. 164.
2 – MacArthur, John. Escravo, A Verdade Escondida sobre nossa Identidade em Cristo. Editora Fiel, São José dos Campos, SP, 1ª Reimpressão 2014: p. 20.
3 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo, vol. 1, Editora Candeia, Cidade Dutra, Interlagos, SP, 10ª Reimpressão, 1998: p. 326.
4 – Stott, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU Editora, São Paulo, SP, 1986: p. 164.
5 – Ibid, p. 166.
6 – Lloyd-Jones, D. Martyn. Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel, São Paulo, SP, 1984: p. 392.
7 – May, Rollo. O Homem à Procura de si Mesmo. Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 15ª Edição, 1989: p. 31, 36.
8 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento 1, Editora Geográfica, Santo André, SP: p.33.
9 – Lloyd-Jones, D. Martyn. Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel, São Paulo, SP, 1984: p. 401.
10 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo, vol. 1, Editora Candeia, Cidade Dutra, Interlagos, SP, 10ª Reimpressão, 1998: p. 328.
11 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento 1, Editora Geográfica, Santo André, SP: p.33.