quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A fé cristã é realmente racional?


Por R. C. Sproul

Com absoluta certeza! Ela é intensamente racional. Agora, já me fizeram a seguinte pergunta: "É verdade que o sr. é um racionalista cristão?" Eu respondi: "De maneira nenhuma! Isso é uma contradição, em termos. O racionalista é alguém que abraça uma filosofia que se contrapõe ao cristianismo." Portanto, embora um cristão verdadeiro não seja um racionalista, a fé cristã certamente é racional.

O cristianismo é coerente? É inteligível? Faz sentido? Ele se harmoniza num padrão coerente de verdade, ou ele é o oposto do racional — ele seria irracional? Seria o cristianismo complacente com a superstição e concordaria com cristãos que crêem que o cristianismo é francamente irracional? Penso que isso é um fato muito lamentável. O Deus do cristianismo se dirige à mente das pessoas. Ele fala conosco. Ele tem um livro escrito para o nosso entendimento.

Quando digo que o cristianismo é racional, não quero significar com isso que a verdade do cristianismo em toda a sua majestade possa ser deduzida a partir de alguns princípios lógicos por um filósofo especulativo. Há muita informação sobre a natureza de Deus que podemos encontrar unicamente porque o próprio Deus escolheu revelá-las a nós. Ele revela essas coisas através de seus profetas, através da história, através da Bíblia e através do seu Filho unigénito, Jesus.

Mas o que ele revela é inteligível, podemos entender com nosso intelecto. Ele não nos pede que desprezemos nossas mentes para nos tornarmos cristãos. Há pessoas que pensam que, para se tornarem cristãs, elas precisam deixar seus cérebros em algum lugar do estacionamento. O único pulo que o Novo Testamento nos chama a dar, não é um pulo no escuro, mas é para fora do escuro, para a luz, para aquilo que verdadeiramente podemos entender. Isto não quer dizer que tudo o que a fé cristã afirma é absolutamente claro no que diz respeito às nossas categorias racionais. Não posso entender, por exemplo, como uma pessoa pode ter uma natureza divina e uma natureza humana ao mesmo tempo, que é aquilo que cremos sobre Jesus. Isso é um mistério — mas mistério não é o mesmo que irracional.

Mistério não se aplica somente à religião. Não compreendo inteiramente a força da gravidade. Essas coisas são misteriosas para nós, mas não são irracionais. Uma coisa é dizer: "Não compreendo, com minha mente finita, como isso funciona." Outra coisa diferente é dizer: "Elas são gritantemente contraditórias e irracionais, mas vou acreditar assim mesmo." Não é isso que o cristianismo faz. O cristianismo afirma que há mistérios, mas esses mistérios não podem ser articulados em termos do irracional; se assim fosse, então nos afastaríamos da verdade cristã.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Deus não te abençoará nunca mais


Por Mauricio Zágari

Imagine a cena: você está orando quando, subitamente, o Senhor Todo-Poderoso aparece em meio a um grande clarão de luz e lhe diz: “A partir de hoje até o dia de sua morte nunca mais te darei uma bênção sequer”. Recado dado, o Altíssimo desaparece e ali fica você, com cara de espanto, talvez com lágrimas nos olhos. É como se tivesse recebido a sentença de Ezequias. E daí em diante você repara que Deus não te concede mais nenhum favor, nenhuma benção, nenhum benefício, nada, nada, nada. A minha pergunta seria: ainda assim você continuaria a louvá-lo, adorá-lo e servi-lo como faz hoje? Continuaria evangelizando do mesmo modo, pregando da mesma maneira e sendo exatamente o mesmo tipo de cristão que é hoje?

Pois, sejamos honestos, uma ENORME parcela da nossa adoração é fruto daquilo que recebemos e esperamos receber de Deus. “Senhor, me ajuda…”, “Deus, preciso disso e daquilo…”, “Pai , seja feita a tua vontade, só que a minha é essa assim e assado”. Sim. Uma gigantesca parte da nossa relação com Cristo são pedidos de vitória, clamores em prol do que precisamos, súplicas por necessidades. E aí vem Ele e diz que não vai mais atender a absolutamente mais nada disso. Que não vai mais te abençoar, te conceder mais nenhuma resposta de oração. E aí, como é que fica?

Pois se tiramos da nossa relação com Deus aquilo que Ele pode nos dar, o que sobra? A resposta: unicamente seu Ser. Isso significa que a partir daquele dia todo o nosso relaciomento com o Criador passaria a ser exclusivamente de reconhecimento de quem Ele é. Não haveria mais pedidos. Não haveria mais súplicas. Não dobraríamos mais nossos joelhos para rogar por socorro, mas apenas para exaltar Seu poder, Sua grandeza, Sua soberania, Sua justiça, Seu amor, Seus feitos, Seu tudo.

A questão aqui é: isso bastaria a você? Vocé continuaria sendo cristão com o mesmo fervor? Continuaria anunciando o Evangelho com o mesmo amor e a mesma devoção? Aí você, que é tão santarrão como eu, teria a reação imediata de estufar o peito, bater nele como um gorilão e afirmar: “Sim!!!! Pois a Sua graça me basta!!!! Meu relacionamento com Deus independe do que Ele me dá, eu amo Jesus e isso me basta!!!!“.

Mas, na prática…

Pense bem. Hoje, se você pede algo ao Senhor e Ele não te dá, no mínimo você fica lá, se lamuriando… “Por quê, ó Deus!?!? O que retém a tua mão? Mimimi…”. Pense só num exemplo: namoro. Você que é solteiro, quantas vezes já orou a Deus pedindo que enviasse “o teu prometido”, “a tua Rebeca”, “o escolhido”, “a tua bêncao”? Provavelmente dezenas. E, sem que ninguém nos ouça, você ficou um tanto chateado com o Criador por essa demora, pois, o que custava mandar logo um namorado pra você? Tanta gente da sua igreja já até se casou e você está ali esperando. “Poxa, Deus, por quê?!?!”. Sim, nós cobramos de Deus Suas bênçãos e nos chateamos quando elas não vêm ou demoram, isso acontece com TODOS nós.

Agora imagine-se com esse anseio e sem que o Altíssimo atendesse “até o dia de tua morte” o que você pede. Tudo bem? Dá pra levar na boa?

Ou então você fica doente e ora por cura. Hoje sua oração por isso é fervorosa, diante da perspectiva de um milagre. Mas…. E diante da perspectiva de “A partir de hoje até o dia de sua morte nunca mais te darei uma bênção sequer“? Tudo continua igual? Você diz “amém” e segue adorando, amando e glorificando esse Deus que não te dá mais nada, que não vai mover uma palha pra te curar?

Não sejamos hipócritas. Diante dessa perspectiva haveria um esvaziamento violento das igrejas. Muitas “comunidades” em lares desapareceriam, muitos cultos em igrejas tradicionais passaria a contar com apenas cinco ou seis pessoas (isso se o pastor aparecesse para celebrar), uma enorme quantidade de templos neopentecostais onde a Teologia da Prosperidade e a heresia da Confissao Positiva são a tônica fechariam as portas. O povo ia cuidar da vida e correr atrás daquilo que pragmaticamente pudesse resolver seus problemas e assim obter o que precisa. Afinal, quem quer saber de um Deus que não nos dá nada? Quem quer saber de um Deus cuja única razão de ser é ser adorado e exaltado por sua essência, por seus atributos, por seu… Ser?

Claro que esse exercício de imaginação é uma impossibilidade. Agrada a Deus abençoar Seus filhos. Sua graça comum abençoa até os ímpios. O Sol brilha para todos e a chuva cai sobre justos e injustos. O Senhor é rico em abençoar e tem prazer em dar pão, peixe, maná e vida aos Seus. Mas pensar nessa possibilidade impossível que propus acima nos conduz a um exercício no mínimo de humildade, nos leva a avaliar nossas motivações e, quem sabe, nos traz mais para perto do propósito maior de Deus ter nos criado: Sua glória.

Pois Deus nos abençoa, mas não foi para isso que nos criou, foi para Sua glória. Deus nos concede alimento, mas não foi para isso que nos criou, foi para Sua glória. Deus nos dá muito mais do que merecemos, mas não foi para isso que nos criou, foi para Sua glória. Deus tem infinito prazer em responder às lágrimas de gratidão de seu povo por favores e milagres recebidos mas, ainda assim, não foi para isso que nos criou.

Foi para Sua glória: “De longe tragam os meus filhos, e dos confins da terra as minhas filhas; todo o que é chamado pelo meu nome, a quem criei para a minha glória, a quem formei e fiz” (Is 43.6,7).

Glória a Deus nas alturas, vindo ou não aquilo que lhe pedimos, glória a Deus nas alturas. Senhor, Senhor nosso, como é majestoso o teu nome em toda a terra! Tu, cuja glória é cantada nos céus. Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos. Atribuam ao Senhor, ó seres celestiais, atribuam ao Senhor glória e força. Atribuam ao Senhor a glória que o seu nome merece; adorem o Senhor no esplendor do seu santuário. Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus! Sobre toda a terra esteja a tua glória! Deem ao Senhor, ó famílias das nações, deem ao Senhor glória e força. Os céus proclamam a sua justiça, e todos os povos contemplam a sua glória. Perdure para sempre a glória do Senhor! O Senhor está exaltado acima de todas as nações; e acima dos céus está a sua glória. Deem glória, pois, ao Senhor no oriente, e nas ilhas do mar exaltem o nome do Senhor, o Deus de Israel. Teu é o Reino, o poder e a glória para sempre! Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Sim, ao único Deus sábio seja dada glória para todo o sempre, por meio de Jesus Cristo. A ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre! A nosso Deus e Pai seja a glória para todo o sempre. Ao Rei eterno, o Deus único, imortal e invisível, sejam honra e glória para todo o sempre. Em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem sejam a glória e o poder para todo o sempre. Ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Tu, Senhor e Deus nosso, és digno de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas. Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor! Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o poder, para todo o sempre! Louvor e glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força sejam ao nosso Deus para todo o sempre. Aleluia! A salvação, a glória e o poder pertencem ao nosso Deus. Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-lhe glória! Bendito seja o seu glorioso nome para sempre; encha-se toda a terra da sua glória. Amém e amém. (Todas as frases deste parágrafo foram tiradas ipsis literis da Bíblia).

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Fonte: Apenas

Quando os lobos atacam as ovelhas


Por Rev. Hernandes Dias lopes

O apóstolo João, em sua segunda carta, versículos 7 a 11, fala acerca de três perigos que a igreja enfrenta em relação aos falsos mestres e enganadores, que como lobos, espreitam as ovelhas de Cristo. Os falsos mestres sempre existiram e sempre procuraram se infiltrar no meio do rebanho para atacar as ovelhas. Esses enganadores negam, por exemplo, as verdades essenciais da fé cristã, como a encarnação de Cristo e sua morte vicária na cruz. Eles têm o mesmo espírito do anticristo e vêm para preparar seu caminho (2Jo 7). Esses lobos nem sempre colocam as unhas de fora. Na maioria das vezes, travestem-se de ovelhas para entrar no aprisco e devorá-las. Que cautela a igreja precisa ter? Quais são os perigos que precisamos evitar para não sermos atacados por essa alcateia de lobos?

1. O perigo de tornar atrás (2 Jo 8). João alerta aos crentes para ficarem atentos a fim de não retrocederem e não perderem aquilo que foi realizado com esforço pelos verdadeiros obreiros de Deus. Quem retrocede na fé, quem escuta a voz dos falsos mestres e quem se afasta da igreja do Deus vivo para dar ouvidos às heresias perniciosas dos falsos mestres rifa sua própria alma no balcão do engano. O apóstolo João recomenda cautela, pois os falsos mestres não se apresentam como tal. Eles vêm com voz suave. São simpáticos, atraentes, bons comunicadores. Parecem sempre estar na frente, trazendo revelações novas e espetaculares. Mas, sorrateiramente ou mesmo explicitamente negam as verdades fundamentais da fé cristã e desconstroem os pilares do cristianismo. Seguir esses aventureiros é desviar-se da fé, é mergulhar na escuridão da mentira de Satanás e colocar os pés no caminho largo que conduz à perdição.

2. O perigo de ir além (2 Jo 9). Os falsos mestres sempre ficam aquém das Escrituras ou vão além delas. Eles ultrapassam a doutrina de Cristo. Não têm a Palavra de Deus como única regra de fé e prática. Acrescentam à Bíblia alguma nova revelação. Ao fazerem isso, negam a veracidade e a suficiência das Escrituras. Negam também a Pessoa e a obra perfeita e completa de Cristo. Negam a salvação pela graça e introduzem mentiras perniciosas, fazendo-as passar pela última verdade a que todos os homens devem se render. O apóstolo Paulo já havia alertado aos crentes da Galácia que ainda que um anjo de Deus viesse do céu para pregar outro evangelho, além daquele que foi pregado, deveria ser rejeitado veementemente. Só há um evangelho. Só há uma mensagem salvadora. Buscar outros caminhos, outras fontes e outras revelações é cair num abismo trevoso, é desviar-se da verdade, é apostatar-se da fé.

3. O perigo de ir junto (2 Jo 10,11). O apóstolo João é enfático em dizer que não podemos receber em nossa casa aqueles que trazem em sua bagagem a falsa doutrina, aqueles que negam nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo como nosso único e suficiente Salvador e Senhor. Não podemos dar as boas vindas a esses lobos travestidos de ovelhas, pois fazer isso é tornar-se cúmplice de suas obras más. Os falsos mestres são incansáveis em sua jornada de morte. Eles são itinerantes. Batem de porta em porta e buscam sempre uma oportunidade para enredar alguém com sua astúcia. A única forma de mantermos esses lobos fora do aprisco, longe das ovelhas e distante da nossa casa é firmarmo-nos na verdade. Sem o conhecimento das Escrituras, não teremos discernimento necessário para distinguir entre o lobo e a ovelha, entre a verdade e a mentira, entre o verdadeiro evangelho e o falso evangelho. Nesse tempo em que a sociedade organizada, por meio de suas mais respeitadas instituições, conspiram contra os valores espirituais e morais que devem reger a família. Nesse tempo em que florescem como cogumelo novas seitas bem como novas igrejas introduzindo novidades estranhas às Escrituras, arrebatando multidões aos seus redutos, precisamos nos acautelar e dar ouvidos à exortação do apóstolo João: Não torne atrás! Não vá além da doutrina! Não caminhe junto com os falsos mestres!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

HOMOSSEXUALISMO E A IGREJA EMERGENTE


Por Roger Oakland

Pode até parecer fora de propósito incluir uma seção sobre a sexualidade neste capítulo (deste livro
) sobre a reforma pós-moderna. Contudo, este é um aspecto do tópico que não pode ser ignorado, pois tem sido uma marca registrada na Igreja Emergente, este relacionado ao homossexualismo.

Nesta seção, estou simplesmente apresentando certas declarações feitas por aqueles da Igreja Emergente, visando mostrar esta mudança de paradigma no que se refere à sexualidade. Deixo com vocês a maneira de interpretar estas declarações, mas a minha oração é que vocês olhem para as mesmas através da visão da Escritura. Uma coisa é certa: após ter lido esta seção, acho que vocês hão de concordar que a espiritualidade emergente está tentando redefinir o pensamento e a visão dos cristãos sobre a sexualidade. Vou iniciar citando a Palavra de Deus, conforme Romanos 12:1-2:

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

Um exemplo desta mentalidade da nova reforma sobre a sexualidade pode ser encontrado no livro de Dan Kimball - They Like Jesus But Not the Church (Eles Gostam de Jesus, Mas Não da Igreja). Kimball dedica um capítulo inteiro, intitulado “The Church is Homophobic” (A Igreja é Homofóbica), à homossexualidade, afirmando que os cristãos devem reinterpretar o que achamos que a Bíblia diz sobre o homossexualismo. Ele declara:

Porque este é um assunto tão enorme em nossa cultura, e porque toda a tensão e discussão sobre ele tem a ver com o que a Bíblia ensina sobre o mesmo, não podemos mais regurgitar sobre o que temos sido ensinados sobre o homossexualismo... Não se pode mais fazer isso... Devemos nos aproximar da Bíblia com humildade, oração e sensibilidade, levando em consideração o significado original das palavras gregas e hebraicas, observando os contextos históricos em que as passagens foram escritas... Não mais podemos, com integridade, citar alguns versículos isolados e dizer: "assunto encerrado!” (1)

Kimball elabora:

Muito honestamente, e alguma pessoas podem ficar furiosas comigo porque estou dizendo isto, mas às vezes eu desejaria que isto (o homossexualismo) não fosse um item pecaminoso, porque tenho conhecido pessoas gays, as quais são as mais gentis, amáveis, sólidas e apoiadoras que já encontrei. À medida que falo com elas, escuto suas histórias e fico conhecendo-as, começo a entender que a sua orientação sexual não é algo de que possam "desligar". A atração homossexual não é uma coisa que as pessoas simplesmente escolhem, conforme, geralmente, é erroneamente ensinado de muitos púlpitos. (2)

Kimball não é o único entre os da igreja emergente com sua visão permissiva e aceitável do homossexualismo. Outro, neste campo, é Jay Bakker, filho de Jim Bakker, do antigo Clube PTL. Numa entrevista com a Radarmagazine, Bakker diz: “Senti como se Deus tivesse falado ao meu coração e dito que (o homossexualismo) não é pecado”. (3) No website de Bakker, ele apoia esta visão. (4) Numa entrevista com Larry King, em dezembro 2006, aconteceu a seguinte conversa:

Larry King - Você diria que faz parte da ala liberal do cristianismo?
Jay Bakker - Bem, eu diria definitivamente que sou um pouquinho mais liberal do que, provavelmente, a maioria é, sim.
King - Por exemplo, você casaria gays na sua igreja?
Bakker - Se a lei fosse aprovada, sim.
King - Então, você concorda que venha uma lei?
Bakker - Sim, eu concordo. (5)

Brian McLaren expressou sua visão (ou falta desta) sobre o assunto e declarou:

A maioria dos líderes emergentes que eu conheço compartilha a minha agonia sobre esta questão (sobre o homossexualismo)... Francamente, muitos de nós não sabemos o que pensar sobre o homossexualismo. Já ouvimos todos os lados, mas nenhuma posição mereceu, até agora, a nossa confiança, de modo que possamos dizer: "parece bem ao Espírito Santo e a nós..." Talvez careçamos de uma moratória de cinco anos para fazer pronunciamentos. (6)

Um pastor, que dirige um ministério que ajuda que os homossexuais deixem seu estilo de vida (homosexual), pode ajudar-nos a ver a extensão dessa mudança de attitude em direção ao homossexualismo. Ele explica:

Eles se autodenominam neo-evangélicos. Philip Yancey dedicou um capítulo inteiro do seu livro What’s So Amazing About Grace (Maravilhosa Graça)? Ele acha que devemos estender a graça às pessoas que não conseguem mudar o seu homossexualismo... Tony Campolo acha que as pessoas que não conseguem mudar o seu homossexualismo deveriam viver em parcerias homossexuais celibatas. Sua esposa acha que os gays deveriam se casar entre eles. Lewis Smedes concorda com Richard Foster. Todos eles parecem concordar que existem algumas pessoas que não conseguem mudar o seu homossexualismo, não sendo capazes de viver em celibato e, portanto, deveriam ser feitas exceções. (7)

O pastor, um ex-homossexual, desafia os da igreja que abraçam publicamente o homossexualismo, acreditando que existe uma reposta para todas essas visões pós-modernas. Ele declara:

Desde quando Richard Foster, Philip Yancey, Tony Campolo e Lewis Smedes são peritos na mutabilidade do homossexualismo?... Eu mesmo vivi este caso, durante a maior parte dos meus 42 anos. Durante 17 anos, eu tenho ajudado centenas, ou talvez milhares, a abandonar o homossexualismo. Jamais vi duas curas idênticas. E jamais vi alguém que, pela graça de Deus, não pudesse ser curado. Ora, isto é o que há de maravilhoso na graça! Ela nos capacita a viver uma vida moral e transformada em Cristo. (8)

Em 2004, Philip Yancey (autor e editor da Christianity Today), aceitou uma entrevista com Candace Chellew-Hodge para a Whosoever, uma "revista online" para "cristãos" (aspas do blogger) gay, lésbica, bissexual e transgênero. Quando Chellew-Hodge perguntou para Yancey sobre sua visão de gays e lésbicas na igreja, Yancey respondeu:

Quando se chega ao assunto particular da política de ordenação de ministros gays e lésbicas, eu fico confuso, como tanta gente. Existem algumas (não muitas) passagens na Escritura que me deixam sem ação. Francamente, não conheço a resposta para tais assuntos. (9)

Minha pergunta para Yancey e outros auto-denominados líderes cristãos é por que vocês não conhecem a resposta? A Bíblia é clara sobre este assunto. Talvez não possamos sempre entender; mas, uma parte de como ser cristão é aceitar a Palavra de Deus, confiando que ela é verdadeiramente a Palavra de Deus. Yancey pode não ser um líder emergente, porém suas crenças certamente se enquadram na espiritualidade emergente. A declaração seguinte, feita por ele, mostra que Yancey compartilha uma idêntica desconsideração pela doutrina bíblica:

Talvez o nosso tempo esteja pedindo um novo tipo de movimento ecumênico, não de doutrina, nem mesmo de unidade religiosa, mas de um (movimento) que avança o que os judeus, cristãos e muçulmanos têm em comum... De fato, os judeus, cristãos e muçulmanos têm muito em comum. (10)

Excerto do capítulo 12 do livro Faith Undone, de Roger Oakland.
Traduzido por Mary Schultze, em 16/06/2011.

Notas:
1. Dan Kimball, They Like Jesus but Not the Church, op. cit., p. 137.
2. Ibid., p. 138.
3. Entrevista com Jay Bakker, “Empire of the Son” (Radar, http://radaronline.com/features/2006/12/empire_of_the _son _par t_ iii.php).
4. Bakker’s website: http://www.revolutionnyc.com/links.htm Jay Bakker; veja a transcrição em inglês: http://transcripts.cnn.com/TRANSCRIPTS/0612/15/lkl.01.html.
6. Brian McLaren, “Leader’s Insight: No Cowardly Flip-Flop: How should pastors respond to “the Homosexual Question”? (Christianity Today, January 23, 2006, http://www.christianitytoday.com/leadersnewsletter/2006/cln60123.html).
7. Mario Bergner, “Conversations with Jason about Homosexuality” (Redeemed Lives News, Spring/Summer 2001, http://www.redeemedlives.org).
8. Ibid.
9. Entrevista por Candace Chellew-Hodge com Philip Yancey, “Amazed by Grace” (Whosoever online magazine, http://www.whosoever.org/v8i6/yancey.shtml).
10. Philip Yancey, “Hope for Abraham’s Sons” (Christianity Today, November 1, 2004).

domingo, 6 de novembro de 2011

Jesus Cristo, nosso único mediador


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

Jesus Cristo é a segunda Pessoa da Trindade, o Eterno que entrou no tempo, o Infinito e Imenso que se esvaziou, o Deus que se fez homem, o Senhor do universo que se fez servo. Sendo bendito fez-se maldição, para que nós, filhos da ira, fôssemos abençoados com toda sorte de bênção. Sendo santo fez-se pecado para que fôssemos resgatados da condenação, do poder e da presença do pecado. Jesus é o Verbo que se fez carne e vestiu pele humana para revelar-nos a graça e a glória do Pai. Jesus é o Caminho que nos conduz a Deus. É a porta de entrada do céu. É o Mediador que nos reconcilia com o Pai. Jesus é singular tanto pela natureza de sua Pessoa como pela exclusividade da sua obra.

No mundo inteiro e em todos os tempos, as religiões engendradas pelo homem, se esforçam para abrir caminhos para Deus. Buscam agradar a divindade por meio de obras, rituais e sacrifícios. É uma tentativa desesperada e inócua de abrir caminhos da terra para o céu. Nomeiam uma infinidade de mediadores entre Deus e os homens, no propósito fracassado de conseguir o favor divino. As Escrituras, porém, são categóricas em nos dizer que há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo Homem. Só há um caminho que leva o homem a Deus e esse Caminho é Jesus. Só há uma porta de acesso ao céu e essa Porta é Jesus. Há outros caminhos que parecem ser caminhos de vida, mas no final são caminhos de morte.

Jesus Cristo é o nosso único e suficiente Mediador, e isso por algumas razões:

1. Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens porque Ele é Deus-Homem. Jesus é Deus e Homem ao mesmo tempo. Ele é perfeitamente Deus e perfeitamente Homem. É uma só Pessoa, mas com duas naturezas distintas. Jesus não deixou de ser Deus ao tornar-se Homem. Aquele que nem o céu dos céus pode contê-lo, desceu da glória, esvaziou-se e fez-se carne. Vestiu a nossa pele, nasceu numa manjedoura, cresceu numa carpintaria e morreu numa cruz. Ele é a ponte que nos liga a Deus, o caminho que nos dá acesso ao Pai e a porta de entrada da bem-aventurança eterna.

2. Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens porque é o nosso representante e fiador. Jesus veio ao mundo para ser nosso representante e fiador. Não veio apenas para estar ao nosso lado, mas em nosso lugar. Não veio apenas para falar por nós, mas para morrer por nós. Não veio apenas para nos defender, mas para nos substituir. Sua morte na cruz foi um sacrifício, um sacrifício substitutivo. Ele morreu a nossa morte. Ele pagou a nossa dívida. Ele sofreu o duro golpe da lei que deveríamos sofrer. Ele sorveu sozinho o cálice amargo da ira de Deus que nós deveríamos beber. Ele recebeu em si mesmo a merecida punição do nosso pecado. Ele cumpriu com todas as demandas da justiça divina ao morrer em nosso lugar, em nosso favor, para nos oferecer perdão e vida eterna.

3. Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens porque ressuscitou, venceu a morte, triunfou sobre os principados e potestades e nos fez assentar com ele nas regiões celestes. A morte de Cristo na cruz não foi um sinal de fraqueza e derrota, mas de retumbante vitória. Ele matou a morte e arrancou seu aguilhão, quando ressuscitou dentre os mortos. A vitória de Cristo é a nossa vitória. Morremos com ele e com ele ressuscitamos. Estamos escondidos com Cristo em Deus. Estamos assentados com ele nas regiões celestes, acima de todo principado e potestade. Nele somos mais do que vencedores. Por meio dele temos livre acesso ao trono da graça e chegaremos ao Céu, ao Paraíso, ao Seio de Abraão, à Casa do Pai, à Cidade Santa, à Nova Jerusalém. Ele é nosso irmão mais velho e seguindo suas pegadas, entraremos pelos portais da glória trajando vestes alvas e com palmas em nossas mãos. Com ele, assentar-nos-emos em tronos e, com ele, reinaremos em seu reino de glória, para todo o sempre. Porque Cristo foi tudo para nós na terra, no tempo, na vida e na morte, ele será tudo para nós no céu, na glória e isso, por toda a eternidade.

Será que eu sou joio?


Por Maurício Zágari

No evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus, no capítulo 13, o Mestre conta uma parábola:

“O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro“

Jesus é claríssimo nessa parábola. Ele diz que ao longo da História da Igreja os verdadeiramente salvos conviveriam diariamente com pessoas postas ali “pelo inimigo” mas que por razões as mais variadas convivem com os santos na assembleia como se fossem santos. Conviverão, cantarão juntos no louvor, muitos terão cargos na igreja e até se tornarão pastores. Mas foram postos ali pelo inimigo e, como tal, estão ali para fazer o que é característico do inimigo: roubar, matar e destruir.

Cem por cento das vezes nós nos consideramos trigo.

Eu nunca vi ninguém chegar e dizer “olha, vou te contar uma coisa, eu sou joio”. Todo mundo se acha trigo. Até mesmo o joio, se você for reparar. Porque, como diz a parábola, o joio é tão parecido com o trigo que imagino que deve ser difícil até mesmo ele se distinguir. É como o patinho feio, que achava que era pato até crescer e descobrir que era cisne. E como o joio foi “semeado” (repare, o texto não diz que foi “plantado”, mas sim “semeado”) isso significa que foi posto entre o trigo ainda em seus estágios inicias de desenvolvimento. Só aos poucos é que o joio vai crescendo e fazendo o que lhe é natural: prejudicar o trigo.

A grande questão aqui é: já parou pra pensar que o joio pode ser você?

O joio pode ser você

“Ai, Zágari, essa doeu! Que acusação forte! Tá dizendo que eu não sou salvo, mas que fui posto pelo diabo no meio da Igreja pra atrapalhar?” Bom… lamento informar, mas pela parábola de Jesus há uma grande possibilidade de ser isso mesmo. E para você não dizer que estou te julgando, deixa eu fazer uma confissão: eu mesmo já me fiz essa pergunta. “Será mesmo que eu sou trigo?”.

A Biblia diz que pelos frutos conhecereis as arvores. E Gálatas 5.22,23 revela o fruto que dá aquele que tem o Espirito: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Então se eu tenho o Espirito em mim, ou seja, se eu sou trigo, tenho de manifestar essas virtudes. E a verdade é que muitas e muitas vezes não manifesto. Peco desbragadamente pela falta de amor, choro pela falta de alegria, tenho tão pouca paz em meu coração que preciso tomar rivotril, sou absolutamente impaciente com as pessoas. Também em muitos momentos não sou amável e muito menos bondoso. Minha fidelidade a Deus frequentemente é posta à prova, tenho surtos de raiva que de mansidão passam longe e… dominio próprio… ah, sobre esse eu até tenho vergonha de falar. Parece que em muitos e muitos momentos em não tenho domínio sobre nada: quem me vence é minha concupiscência. Então, diante desse quadro todo, vejo essa como uma pergunta bastante legitima: será que eu sou joio?

Eu sei: não é um pensamento agradável, especialmente pela parte que diz “atai-o em feixes para ser queimado”.

E aí, o que fazer?

Mas e aí, o que fazer? Bem, aqui entra a minha reflexão. Deus é capaz de transformar água em vinho. Ou cinco pães e dois peixes em alimento para uma multidão. Ou um olho morto e cego em um órgão funcional. Jesus consegue fazer a pele pútrida e decaída de um leproso ficar limpa, lisa e nova. Jesus pega um vazio disforme e dele esculpe o universo Então a verdade bíblica é que Jesus tem todo o poder para transformar qualquer coisa em qualquer coisa.

Diante disso, será que Jesus pode transformar um joio posto pelo diabo no meio dos santos em trigo? De cara, a tentação é afirmar categoricamente: sim! Mas essa é uma pergunta com grandes implicações teológicas. Pois elegerá Deus os não-eleitos? Vamos a Romanos 9.22: “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição”. Se os vasos de ira foram “preparados para a perdição” o que fará o Senhor? Os despreparará? Voltará atrás?

Sim, Deus é onipotente. Mas algumas coisas Ele não faz, para manter sua coerência. Por isso creio que, embora o Todo-Poderoso tenha todo poder dos céus e da terra para transmutar um joio em trigo Ele não o faz simplesmente porque isso contrariaria seus propósitos eternos. A verdade é dolorosa, triste e horrível, mas cumpre a justiça divina: bilhões de pessoas vão para o inferno. Dessas, muitas faziam parte daquele grupo que se intitulava “cristão” pelo simples motivo de frequentar uma igreja. Só que muitos dos que se intitulam “cristãos”… são joio. Não estou inventando, está na Biblia. Acredito que esses serão aqueles que no grande e terrível dia do juízo dirão ao Criador: “Senhor, Senhor”. Pois um hindu não diria isso de Jesus. Um muçulmano também não. Mas um suposto cristão diria. Viraria para o Rei dos Reis e o chamaria de “Senhor”. Só que a resposta será devastadora para esses supostos cristãos: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mateus 7.23).

Por isso temo pelo joio. Pois estão entre nós. Cantam no coral. Produzem CDs gospel. Apresentam programa de TV evangélicos. Cantam louvores nas rádios. Passam salvas na igreja. Estão nos conselhos. Recepcionam visitantes. Pregam. Possuem blogs cristãos na internet. Têm cara de trigo, cheiro de trigo, linguajar de trigo, roupas e adereços de trigo, Bíblias de estudo embaixo do braço, terno e gravata… mas um dia ouvirão “Nunca vos conheci”. Que perspectiva terrível.

Deus poderia transformar joio em trigo? Lógico que poderia. Ele pode pegar qualquer coisa que o diabo faça e tornar santo. Mas no que tange à salvação, Deus já sabe quem são os vasos preparados para a perdição.

Eu espero não ser um deles. Muitas das minhas atitudes me fazem por vezes pensar que sou. Mas eu tenho uma esperança, que está cravada numa cruz sanguinolenta. A esperança de que, pela graça de um carpinteiro que morreu torturado e humilhado, mediante a fé que Deus plantou em meu coração, eu seja um trigo meio torto, meio esgarçado, meio ressecado…mas um trigo. Porque, meu irmão, minha irmã, por mais que um trigo esteja debulhado, meio capenga e mal-ajambrado, ele herdará o Céu – pois o Todo-Poderoso decretou: “Recolhei-o no meu celeiro”

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Fonte: Apenas

sábado, 5 de novembro de 2011

A Cabana – O fim do discernimento evangélico



Por Albert Mohler Jr

O mundo editorial vê poucos livros alcançarem o status de blockbuster, mas A Cabana, de William Paul Young já ultrapassou esse ponto. O livro, originalmente auto-publicado por Young e mais dois amigos, já vendeu mais de 10 milhões de cópias e foi traduzido para em mais de trinta línguas. Já é um dos livros mais vendidos dois últimos tempos, e seus leitores são muito entusiasmados.

De acordo com Young, o livro foi escrito originalmente para seus filhos. Essencialmente, a história pode ser descrita como uma teodicéia narrativa – uma tentativa de responder às questões sobre o mal e o caráter de Deus por meio de uma história. Nessa história, o personagem principal está enfrentando grande sofrimento após o seqüestro e homicídio brutal de sua filha de sete anos, quando recebe um convite que se torna um chamado de Deus para encontrá-lo na mesma cabana onde sua filha foi assassinada.

Na cabana, “Mack” se encontra com a divina Trindade: “Papa”, uma mulher afro-americana; Jesus, um carpinteiro judeu; e “Sarayu”, uma mulher asiática revelada como sendo o Espírito Santo. O livro é na maior parte uma série de diálogos entre Mack, Papa, Jesus e Sarayu. Essas conversas revelam um Deus bem diferente do Deus da Bíblia. “Papa” é alguém que nunca faz algum julgamento e parece muito determinado em afirmar que toda a humanidade já foi redimida.

A teologia de A Cabana não é incidental na história. De fato, em muitos pontos a narrativa parece servir apenas como estrutura para os diálogos. E os diálogos revelam uma teologia que é, no mínimo, inconvencional e indubitavelmente herética sob alguns aspectos.

Enquanto o dispositivo literário de uma “trindade” incomum das pessoas divinas é em si mesmo sub-bíblico e perigoso, as explicações teológicas são piores. “Papa” fala a Mack sobre o momento em que as três pessoas da Trindade “se manifestaram à existência humana como o Filho de Deus”.

Em lugar algum da Bíblia se fala sobre o Pai ou o Espírito vindo à existência humana. A Cristologia do livro é semelhantemente confusa. “Papa” diz a Mack que, mesmo Jesus sendo completamente Deus, “ele nunca dependeu de sua natureza divina para fazer alguma coisa. Ele apenas viveu em relacionamento comigo, vivendo da mesma maneira que eu desejo viver em relacionamento com todos os seres humanos”. Quando Jesus curou cegos, “Ele o fez apenas como um ser humano dependente e limitado, confiando em minha vida e meu poder trabalhando nele e através dele. Jesus, como ser humano, não tinha poder algum em si para curar qualquer pessoa”.

Há uma extensa confusão teológica para desbaratar aí, mas é suficiente dizer que a igreja cristã tem lutado por séculos para ter um entendimento fiel da Trindade para evitar exatamente esse tipo de confusão – um entendimento que põe em risco a própria fé cristã.

Jesus diz a Mack que é “a melhor forma para qualquer humano se relacionar com Papa ou Sarayu”. Não o único caminho, mas apenas o melhor caminho.

Em outro capítulo, “Papa” corrige a teologia de Mack ao afirmar “Eu não preciso punir as pessoas pelo pecado. O pecado é a própria punição, te devorando por dentro. Não é meu propósito puni-lo; minha alegria é curá-lo”. Sem dúvida alguma, o prazer de Deus está na expiação alcançada pelo Filho. Entretanto, a Bíblia revela consistentemente que Deus é o santo e correto Juiz, que irá de fato punir pecadores. A idéia de que o pecado é meramente “a própria punição” se encaixa no conceito oriental de karma, não no evangelho cristão.

O relacionamento do Pai com o Filho, revelado em textos como João 17, é rejeitado em favor de uma igualdade absoluta de autoridade entre as pessoas da Trindade. “Papa” explica que “nós não temos nenhum conceito de autoridade final entre nós, apenas unidade”. Em um dos parágrafos mais bizarros do livro, Jesus fala para Mack: “Para está tão submisso a mim como eu estou a ele, ou Sarayu a mim, ou Para a ela. Submissão não tem a ver com autoridade e não é obediência; tem a ver com relacionamentos de amor e respeito. Na verdade, somos submissos a você da mesma forma”.

A submissão da trindade a um ser humano – ou a todos os seres humanos – teorizada aqui é uma inovação teológica do tipo mais extremo e perigoso. A essência da idolatria é a auto-adoração, e a idéia de que a Trindade é submissa (de qualquer forma) à humanidade é indiscutivelmente idólatra.

Os aspectos mais controversos da mensagem do livro envolvem as questões de universalismo, redenção universal e reconciliação total. Jesus diz a Mack: “Aqueles que me amam vêm de todos os sistemas existentes. São Budistas ou Mórmons, Batistas ou Muçulmanos, Democratas, Republicanos e muitos que não votam ou não fazem parte de qualquer reunião dominical ou instituição religiosa”. Jesus acrescenta, “Eu não tenho nenhum desejo de torná-los cristãos, mas apenas acompanhá-los em sua transformação em filhos e filhas do meu Papa, em meus irmãos e irmãs, meus Amados”.

Mack faz então a pergunta óbvia – todos os caminhos levam a Cristo? Jesus responde “muitos caminhos não levam a lugar algum. O que significa que eu vou caminhar por qualquer caminho para te achar”.

Dado o contexto, é impossível não tirar conclusões essencialmente universalistas ou inclusivistas sobre o pensamento de William Young. “Papa” diz a Mack que ele está reconciliado com todo o mundo. Mack questiona: “Todo o mundo? Você quer dizer aqueles que acreditam em você, certo?”. “Para” responde “O mundo inteiro, Mack”.

Tudo isso junto leva a algo muito parecido com a doutrina da reconciliação proposta por Karl Barth. E mesmo que Wayne Jacobson, colaborador de William Young, tenha lamentado que a “auto intitulada polícia doutrinária” tenha acusado o livro de ensinar a reconciliação total, ele reconhece que as primeiras versões dos manuscritos eram muito influenciadas pelas convicções “parciais, na época” de Young na reconciliação total – o ensino de que a cruz e a ressurreição de Cristo alcançaram uma reconciliação unilateral de todos os pecadores (e toda a criação) com Deus.

James B. DeYoung, do Western Theological Seminary, especialista em Novo Testamento que conhece William Young há anos, afirma que Young aceita uma forma de “universalismo cristão”. A Cabana, ele afirma, “está fundamentado na reconciliação universal”.

Mesmo quando Wayne Jacobson e outros reclamam daqueles que identificam heresias em A Cabana, o fato é que a igreja Cristã identificou explicitamente esses ensinamentos exatamente como são – heresia. A questão óbvia é: Como é que tantos cristãos evangélicos parecem não apenas serem atraídos para essa história, mas para a teologia apresentada na narrativa – uma teologia que em muitos pontos conflita com as convicções evangélicas?

Observadores evangélicos não estão sozinhos nessa questão. Escrevendo em The Chronicle of Higher Education (A Crônica da Alta Educação N. T.), o professor Timothy Beal da Case Western University argumenta que a popularidade de A Cabana sugere que os evangélicos talvez estejam mudando sua teologia. Ele cita os “modelos metafóricos não bíblicos de Deus” do livro, assim como o “não hierárquico” modelo da Trindade e, mais importante, “a teologia da salvação universal”.

Beal afirma que nada dessa teologia é parte da “teologia evangélica tradicional”, e então explica: “De fato, todas as três estão enraizadas no discurso acadêmico radical e liberal dos anos 70 e 80 – trabalho que influenciou profundamente a teologia da libertação e o feminismo contemporâneo, mas, até agora, teve pouco impacto nas conjecturas teológicas não acadêmicas, especialmente dentro do meio religioso tradicional”.

Ele então pergunta: “O que essas idéias teológicas progressivas estão fazendo dentro desse fenômeno evangélico pop?”. Resposta: “Poucos de nós sabemos, mas elas têm sido presentes nas margens liberais do pensamento evangélico por décadas”. Agora, continua, A Cabana tem introduzido e popularizado esses conceitos liberais mesmo em meio aos evangélicos tradicionais.

Timothy Beal não pode ser considerado apenas um “caçador de heresias” conservador. Ele está empolgado com a forma que essas “idéias teológicas progressivas” estão “se infiltrando na cultura popular por meio dA Cabana”.

De forma similar, escrevendo em Books & Culture (Livros & Cultura N.T.), Katherine Jeffrey conclui que A Cabana “oferece uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica”. Enquanto sua maior preocupação é o lugar do livro “em um cenário literário cristão”, ela não pode evitar o debate dessa mensagem teológica.

Ao avaliar o livro, deve manter-se em mente que A Cabana é uma obra de ficção. Mas é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Um grande número de romances e obras de literatura notáveis contém aberrações teológicas e até heresias. A questão crucial é se a aberração doutrinária é apenas parte da história, ou é a mensagem da obra propriamente dita.

Quando se fala em A Cabana, o fato mais perturbante é que muitos leitores são atraídos pela mensagem teológica do livro, e não enxergam como ela é conflitante com a Bíblia em tantos pontos cruciais.

Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico. É difícil não concluir que o discernimento teológico é agora uma arte perdida entre os evangélicos – e essa perda só pode levar à catástrofe teológica.

A resposta não é banir A Cabana ou tirá-lo das mãos dos leitores. Não devemos temer livros – devemos lê-los para respondê-los. Precisamos desesperadamente de uma restauração teológica que só pode vir através da prática do discernimento bíblico. Isso requer de nós identificarmos os perigos doutrinários de A Cabana, para termos certeza. Mas nossa tarefa verdadeira é reaproximar os evangélicos dos ensinos da Bíblia sobre essas questões e cultivar um rearmamento doutrinário dos cristãos.

A Cabana é um alarme para o cristianismo evangélico. É o que dizem afirmações como as de Timothy Beal. A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – uma falha no próprio entendimento do Evangelho de Cristo. A perda trágica da arte do discernimento bíblico deve ser assumida como uma perda desastrosa de conhecimento bíblico. Discernimento não consegue sobreviver sem doutrina.

Nota:
Albert Mohler, Jr. (nascido em 1960) é um Batista do Sul, calvinista evangélico. Ele atualmente serve como o nono Presidente da Southern Baptist Theological Seminary, em Louisville, Kentucky. Ele tem sido um membro do conselho de Foco James Dobson sobre a Família desde 31 de agosto de 2004.