sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Pela Hipocrisia falam Mentiras


Alguns apostatarão da fé (1Tm 4.2).

Por João Calvino

Não fica muito claro se Paulo está falando dos mestres ou dos ouvintes, mas prefiro tomá-lo como uma aplicação aos últimos, visto que prossegue tratando dos mestres quando os chama de espíritos sedutores. É mais enfático dizer que não só haverá quem divulgue os ensinos ímpios e corrompa a pureza da fé, mas também dizer que não faltarão alunos que sejam atraídos para suas seitas. E quando uma mentira aumenta sua influência, ela avoluma as dificuldades. Mas ele não está falando de um erro trivial, e, sim, de um mal terrível, a apostasia da fé, embora à primeira vista não pareceria ser tão mal assim à luz do ensino que ele menciona. Pois como é possível ser a fé completamente subvertida pela proibição de certos alimentos ou do matrimônio?

Devemos, porém, levar em conta uma razão mais ampla, ou seja, que aqui os homens estão inventando um culto divino pervertido para a satisfação de seu ego; e ao ousarem proibir o uso de coisas saudáveis que Deus permitiu, estão alegando que são os mestres de suas próprias consciências. E tão logo a pureza do culto é pervertida, não permanece nada íntegro e saudável, e a fé é completamente subvertida. Por isso, ainda que os papistas debochem de nós, ao criticarmos suas leis tirânicas acerca de observâncias externas, temos consciência de que estamos lidando com um assunto seríssimo e importantíssimo; porque, assim que o culto divino é contaminado com tais corrupções, a doutrina da fé é também subvertida. A controvérsia não é acerca de carne e peixe, ou acerca das cores preto ou cinza, acerca de quarta-feira ou sexta-feira, e, sim, acerca das más superstições dos homens que desejam obter o favor divino por meio de tais futilidades e pela invenção de um culto carnal, fabricando para si ídolos no lugar de Deus. Quem ousaria negar que fazer isso é apostatar da fé?

Espíritos sedutores. Ele está se referindo a profetas ou mestres, aplicando-lhes esse título porque se vangloriavam de possuir o Espírito, e ao procederem assim estavam causando impressão sobre o povo. Em geral, é deveras verdade que todas as classes de pessoas falam da inspiração de uni espírito, mas não o mesmo espírito que inspira a todos. Pois às vezes Satanás passa por espírito mentiroso na boca dos falsos profetas, com o fim de iludir os incrédulos que merecem ser enganados [1 Rs 22.21-23]. Mas todos quantos atribuem a Cristo a devida honra falam pelo Espírito de Deus, no dizer de Paulo [1 Co 12.3]. Esse modo de expressar-se teve sua origem na reivindicação feita pelos servos de Deus, a saber, que todos os seus pronun¬ciamentos públicos lhes vieram por revelação do Espírito; e, visto que eram os instrumentos do Espírito, lhes foi atribuído o nome do Espírito. Mais tarde, porém, os ministros de Satanás, através de uma falsa imitação, como fazem os símios, começaram a fazer a mesma reivindicação em seu favor, e da mesma forma falsamente assumiram o mesmo nome. Eis a razão por que João diz: "provai os espíritos, se realmente procedem de Deus" [1 Jo4.1].

Além do mais, Paulo explica o que quis dizer, acrescentando: e doutrinas de demônios, o que eqüivale dizer: "atentando para os falsos profetas e suas doutrinas diabólicas". Uma vez mais digamos que isso não constitui um erro de somenos importância ou algo que deva ser dissimulado, quando as consciências dos homens são constrangidas por invenções humanas, ao mesmo tempo que o culto divino é pervertido.

Pela hipocrisia, falam mentiras. Se esta frase for considerada como uma referência aos demônios, então falar mentiras será uma referência aos seres humanos que falam falsamente pela inspiração do diabo. Mas é possível substituí-la por: "através da hipocrisia dos homens que falam mentiras". Evocando um exemplo particular, ele diz que falam mentiras hipocritamente, e são marcados com ferretes em sua consciência. E devemos observar que essas duas coisas se relacionam intimamente, e que a primeira flui da segunda. As más consciências que são marcadas com o ferrete de seus maus feitos lançam mão da hipocrisia como um refúgio seguro, a saber, engendram pretensões hipócritas com o fim de embaralhar os olhos de Deus. Aliás, esse é o mesmo expediente usado por aqueles que tentam agradar a Deus com ilusórias observâncias externas.

E assim, a palavra hipocrisia deve ser entendida em relação ao presente contexto. Ela deve ser considerada primeiramente em relação à doutrina, e significando que gênero de doutrina é esse que substitui o culto espiritual de Deus por gesticulações corporais, e assim adultera sua genuína pureza, e então inclui todos os métodos inventados pelos homens para apaziguar a Deus ou obter seu favor. Seu significado pode ser assim sumariado: em primeiro lugar, que todos os que introduzem uma santidade forjada estão agindo em imitação ao diabo, porquanto Deus jamais é adorado corretamente através de meros ritos externos. Os verdadeiros adoradores "o adorarão em espírito e em verdade" [Jo 4.24]. E, em segundo lugar, que esse culto externo é uma medicina inútil por meio da qual os hipócritas tentam mitigar suas dores, ou, melhor, um curativo sob o qual as más consciências ocultam suas feridas sem qualquer valia, a não ser para agravar ainda mais sua própria ruína.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Feminização da Família


Por William O. Einwechter

O feminismo é um movimento radical. Como tal, ele atinge até as raízes do relacionamento entre homem e mulher, e busca alterar a estrutura social e institucional, que é percebida como conflitante com as ideais e objetivos do feminismo. Janet Richards declara que “O feminismo é em sua natureza radical… nós protestamos primeiramente contra as instituições sociais… se considerarmos o passado não há dúvida de que toda a estrutura social foi planejada para manter a mulher inteiramente sob a dominação do homem.”[1] Sendo uma ideologia radical, o objetivo do feminismo é a revolução. Gloria Steinem fala pelas feministas quando diz: “Pregamos uma revolução, não apenas uma reforma. É uma mudança mais profunda que qualquer outra.”[2] Feministas querem criar uma “nova sociedade” onde as condições restritivas sociais do passado sejam para sempre removidas.[3] Quão bem sucedidas feministas foram em promover sua agenda de revolução social? Davidson diz: “Hoje, o feminismo é a ideologia de gênero da nossa sociedade. Desde as universidades até as escolas públicas, da mídia até as Forças Armadas, o feminismo decide as questões, determina os termos do debate, e intimida oponentes em potencial ao ponto do silêncio absoluto.”[4]

A instituição social que o feminismo tem mirado como uma das mais opressivas a mulher é a família tradicional. Por “família tradicional” queremos dizer a estrutura familiar desenvolvida na sociedade Ocidental, sob a influência direta do Cristianismo e a Bíblia. Na família tradicional, o homem é o cabeça do lar e o responsável por prover as coisas necessárias para o sustento da vida. A mulher é a “mantenedora do lar”, e sua principal responsabilidade é o cuidado com as crianças. A família tradicional assim definida é de acordo com o plano bíblico para o lar. Feministas odeiam a família que é padronizada de acordo com a Palavra de Deus porque é contrária a tudo que aceitam como verdade. Portanto, seu objetivo é a destruição total da família tradicional. A feminista Roxanne Deunbar disse claramente: “Em última análise, queremos destruir os três pilares da sociedade de classes e castas – a família, a propriedade privada, e o estado.”[5] Feministas buscam subverter a família tradicional, e no seu lugar almejam uma instituição social radicalmente diferente que é moldada segundo o dogma feminista.

Quando consideramos a natureza radical do feminismo e da sua agenda para subverter a família que é estruturada segundo o modelo bíblico, seria sábio parar um pouco e refletir o quão bem sucedidas feministas tem sido em remodelar a família de acordo com o seu próprio desígnio. O fato é que na sociedade Ocidental o feminismo tem sido enormemente bem sucedido em destruir a família tradicional. A feminização da família já foi estabelecida! Por “feminização da família” queremos dizer o moldar da família de acordo com as crenças e objetivos do feminismo. Essa feminização ocorreu nos últimos trinta anos e com pouca oposição dos homens. Os homens sumiram amedrontados com as acusações feministas de sexismo, repressão, tirania e exploração, como um covarde fugiria diante de acusações de determinado inimigo em campo de batalha. Nada parece ter aterrorizado tanto os homens do que encaradas e palavras iradas de feministas.

Agora, quando dizemos que a feminização da família já foi estabelecida, não queremos dizer que as feministas alcançaram totalmente seus objetivos em relação à família. Queremos dizer, no entanto, que uma revolução na vida da família por influência feminista e de acordo com a ideologia feminista já foi estabelecida na sociedade ocidental. Hoje, a instituição social da família está mais alinhada com a visão de Betty Friedan do que com os ensinamentos do apóstolo Paulo. Isso representa um triunfo (pelo menos parcial) da visão radical feminista de revolução social.

A feminização da família é observada em pelo menos seis áreas:

1. O casamento foi desestabilizado, e o divórcio está numa crescente.

A “demonização” feminista do casamento fez do divórcio algo “socialmente e psicologicamente aceitável, através da ideia de que é uma possível solução para uma instituição defeituosa e já em seu leito de morte.”[6] O ensinamento bíblico que casamento é uma instituição divina e pactual que une homem e mulher para o resto da vida através de um voto sagrado (Gen. 2:18-24; Mat. 19:3-9) foi repudiado pela sociedade moderna. O conceito bíblico foi substituído pela noção de que casamento é uma mera instituição humana, e por isso imperfeita, e que o divórcio é uma forma aceitável de lidar com qualquer problema associado ao casamento.

2. A liderança masculina na família foi substituída por uma organização “igualitária” onde marido e esposa “compartilham” as responsabilidades da liderança na família.

A ideia bíblica de que o homem é o cabeça da família (1 Cor. 11:3-12; Ef. 5:22-23) e senhor do seu lar (1 Pe. 3:5-6) é considerada por feministas algo tirânico e bárbaro, um vestígio do homem primitivo e sua habilidade de dominar fisicamente sua parceira. Nos nossos dias, a esmagadora maioria de ambos homens e mulheres zombam da noção de que a esposa deve se submeter à autoridade do marido.

3. O homem como provedor foi rejeitado, e introduzido um novo modelo de responsabilidade econômica compartilhada.

A visão da nossa era é que o homem não é mais responsável do que a mulher por prover as necessidades financeiras da família. Feministas creem que o ensinamento bíblico que o homem é o provedor da família (1 Tim. 5:9) é parte de uma conspiração masculina para manter as mulheres sob seu domínio por fazerem delas economicamente dependentes dos homens.

4. A mulher como uma dona do lar de tempo integral é zombada, e a mulher que trabalha fora buscando realização e independência é agora a norma cultural.

O mandamento bíblico para que a mulher seja “dona do lar” (Tito 2:4-5) ou é desconhecido ou ignorado. Pessoas com a mentalidade feminista consideram algo indigno que uma mulher fique em casa e limite suas atividades à esfera do lar e da família. Uma carreira profissional é considerada mais conveniente e significante para as esposas e mães de hoje.

5. A norma bíblica da mulher como cuidadora de suas crianças foi substituída pelo ideal feminista de uma mãe que trabalha fora e deixa seus filhos na creche para que ela possa cuidar de outros assuntos importantes.

A responsabilidade da maternidade é vista em termos muito diferentes do que no passado. O chamado bíblico para a mãe de estar com suas crianças, amá-las, treiná-las, ensiná-las, e protegê-las (1 Tim. 2:15; 5:14) é rejeitado pela visão feminista de uma mulher que foi libertada de tais limitações sobre sua individualidade e realização própria.

6. A ideia de que uma família grande é uma “bênção” é rejeitada por uma noção de que uma família pequena de um ou dois filhos (e para alguns, nenhum filho) é muito melhor.

O conceito de “planejamento familiar” objetivando reduzir o número de crianças num lar é defendido por quase todos. O ensino bíblico de que uma família grande é sinal de bênçãos e da soberania de Deus (Salmo 127; 128) é ignorado por famílias modernas, até mesmo aquelas proclamando serem cristãs. A visão feminista que nós determinamos o número de crianças que nós teremos, e que nós somos soberanos sobre esse assunto é agora aceito sem questionamento. E é claro, essa suposta soberania humana sobre a vida e o nascimento leva a justificação do aborto, que é o maior controle de natalidade de todos.

Sim, a feminização da família foi estabelecida no Ocidente! O conceito cristão de família foi substituído pela ideia feminista de família: divórcio fácil substituiu a visão pactual do casamento; igualitarismo substituiu a liderança masculina; o homem e a mulher como provedores em parceria substituiu o homem como provedor; a esposa e mãe que trabalha fora do lar substituiu a mulher como dona do lar; a mãe como uma empregada profissional substituiu a mãe como cuidadora de suas crianças; “planejamento familiar” e “controle de natalidade” substituíram a grande família.

Dois fatores contribuíram significantemente para o sucesso do feminismo na subversão da estrutura e prática familiar que é baseada na Bíblia.

O primeiro fator é a covardia dos homens; sim, até mesmo homens cristãos. Até certo ponto é compreensível (mesmo assim vergonhoso) que homens não-cristãos se acovardassem diante das feministas e seus ataques contra eles e a família tradicional. Mas que homens cristãos, que tem a Palavra de Deus, igualmente tenham se rendido é realmente lamentável. Deus chamou homens para defenderam a Sua verdade no mundo e viverem Seus preceitos. Mas um olhar para o lar evangélico cristão mediano revelará que até mesmos eles foram largamente feminizados. Feministas radicais e anticristãs transformaram nossos lares, e os homens cristãos quase não objetaram contra isso, nem disputaram por esse santo território, que é o padrão familiar bíblico. E ainda, maridos e pais cristãos também demonstraram covardia ao serem incapazes de liderar e assumir a responsabilidade que Deus os entregou. Eles estiveram mais que dispostos a abrir mão da carga total de liderança e provisão para suas famílias; eles estiveram mais que alegres de compartilhar (ou despejar) essas cargas com (ou sobre) suas esposas. A família foi feminizada porque homens cristãos abandonaram seus postos.

O segundo fator é o silêncio e a passividade da igreja. A feminização da família ocorreu em boa parte porque a igreja na maior parte do tempo esteve em silêncio sobre a questão. A igreja não resistiu os ataques feministas com a espada da Palavra de Deus. Ao invés disso, e vergonhosamente, a igreja abandonou seu posto diante da investida feminista, e na verdade até absorveu várias ideias feministas. A igreja vem sendo cúmplice ao ensinar coisas como um casamento igualitário, “planejamento familiar”, e por apoiar a ideia de mulheres profissionais e mães trabalhando fora. Muito da culpa deve ser depositada aos pés de pastores e anciãos que ou foram enganados ou se acovardaram de pregar ou se posicionar pela verdade concernente à família como Deus a revelou na Sua Santa Palavra. Feministas tem sido bem sucedidas em alterar a família porque a igreja falhou em viver e ensinar a doutrina bíblica positiva sobre a família e não expôs, denunciou, e respondeu as mentiras das feministas.

Qual deve ser a nossa resposta como cristãos diante da feminização da família? Nossa resposta começa com o reconhecimento de que isso aconteceu. Negar o fato não nos fará bem algum. Então, devemos assumir a tarefa de “desfeminização” da família e da “re-Cristianização” da família. Essa tarefa é o dever de cada família cristã individualmente; mas é principalmente o dever de maridos e pais cristãos que foram escolhidos por Deus como líderes de seu lar. Homens devem liderar através de preceitos e exemplos na erradicação de todos os aspectos da influência feminista da vida e estrutura de suas famílias, e a restaurar segundo o padrão bíblico. Homens devem ser homens e tomar sobre si a carga total da responsabilidade confiada a eles por Deus. Homens devem parar de se intimidar com a retórica feminista e devem promover a ordem de Deus em suas famílias sem receio.

A tarefa de reconstrução da família de acordo com a Palavra de Deus também faz necessário que a igreja ensine fielmente o que a Bíblia diz sobre a família, e em muitos casos, a alterarem a estrutura de suas igrejas e ministérios (que também foram feminizados) para fortalecerem a família em vez de miná-la. Faz-se necessário que pastores e anciãos respeitam a instituição pactual da família, e parem de entregar o senhorio de suas famílias, e parem de perseguir aqueles homens que buscam uma “desfeminização” das suas próprias famílias. Faz-se necessário que pastores e anciãos sejam um exemplo para o rebanho na “desfeminização” das suas próprias famílias. E faz-se necessário que professores e pregadores com a coragem e a convicção de João Knox e João Calvino exponham as mentiras venenosas do dogma feminista e declararem e defendam o padrão bíblico para a família desde o púlpito.

=====================================
Fontes:

1. Citado por Michael Levin em Feminism and Freedom [Feminismo e Liberdade] (New Brunswick, 1988), p. 19.

2. Idem.

3. Idem.

4. Nicholas Davidson, “Prefácio”, em Gender Sanity [Sanidade de Gênero], ed. Nicholas Davidson (New York, 1989), p. vi.

5. Citado por Rita Kramer em “The Establishment of Feminism” [Estabelecendo o Feminismo], em Gender Sanity [Sanidade de Gênero], p. 12 (ênfase acrescentada).

6. Levin, Feminism and Freedom [Feminismo e Liberdade], p. 277.

Tradução: Isaac Barcellos



Fonte: Monergismo

Eu também tenho um sonho

Por Marcelo Berti

Em 28 de Agosto de 1963 nos degraus do Lincoln Memorial em Washington D.C., Martin Luther King proferiu um discurso que defendia a integração e relacionamento inter-racial nos Estados Unidos que ficou internacionalmente conhecido como “I have a dream” (Eu tenho um sonho). O sonho de Martin Luther King era fundamentado no sonho americano de liberdade e igualdade, no qual descendentes de escravos e filhos de donos de escravos pudessem viver em harmonia, de modo que as crianças pudessem viver em uma nação que não julga o cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Seu sonho alimentou centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo, e seu discurso inflamou outras centenas de milhares na luta pela igualdade e liberdade ao redor do mundo. Seu sonho foi revolucionário, e ainda hoje é desafiador.

Entretanto, Martin Luther King não é o único que tem um sonho: Eu também tenho um sonho. Um sonho fundamentado nas escrituras e no desejo do próprio Deus; um sonho que reflete a intenção divina em organizar a mais importante instituição do planeta, a igreja; comprada pela vida de Seu Filho e fundada por seu ministério, a Igreja de Cristo é a esperança do mundo.

A igreja é o instrumento pelo qual Deus quer fazer conhecido a todo o mundo Sua pessoa, caráter, obra e plano. É através da igreja que Deus quer fazer conhecer Sua multiforme sabedoria e levar o evangelho da salvação a todos os homens sem distinção de classe, cor, credo ou credencial. Um evangelho para todos. Com Deus, eu ouso sonhar em uma Igreja que reflita a vida comunitária, espiritual e social da igreja primitiva; uma igreja que sabe o que quer, o que busca e o que representa, disposta a viver sua missão plenamente.

Apaixonado pela vida da igreja primitiva, ouso escrever meu sonho nesse breve post baseado nas escrituras: Uma igreja que cresce em direção à maturidade e plenitude espiritual de tal modo que o impacto social é inevitável.

Eu tenho um sonho hoje!

Eu sonho com o dia em que a igreja compreenda o valor da liderança segundo as escrituras. Uma liderança que prioriza o caráter ao carisma, que vive cabalmente sua missão de servir a Deus e na sua dependência oferecer-se em serviço a outras pessoas. Uma liderança que honra seu papel de protetora da sã doutrina e proclamadora da verdade de Deus.

Eu tenho um sonho de que a liderança cristã não seja uma mera formalidade institucional ou apenas uma necessidade corporativa, mas o que realmente é: Parte essencial da missão de Cristo! Líderes que formam, informam e inflamam a igreja a uma vida centrada em Cristo de acordo com as escrituras. Homens e mulheres que se dedicam primeiro ao Senhor, e então ao povo de Deus. Homens regados pelo poder das escrituras e do Espírito divino, homens que falam a verdade de acordo com os oráculos de Deus. Homens que não tem medo das represálias desse mundo, não se preocupam com os perigos dessa vida, mas que considerem sua missão, seu ministério como a única carreira que intencionam completar. Homens que combatem o bom combate de Cristo!

Eu tenho um sonho de que as comunidades cristãs abandonem seus fúteis empenhos em busca de glória denominacional; que aprendam a viver a simplicidade do evangelho que não é institucionalizado, setorizado, fragmentado ou adaptado para convir às necessidades de suas comunidades ou lideranças. Também sonho que com o dia em que as divisões inúteis e contraproducentes a causa de Cristo sejam fatos de um passado distante e que comunidades cristãs compreendam e vivam sua missão no mais alto potencial para a glória de Deus.

Eu tenho um sonho de que as comunidades cristãs abominem as fórmulas mágicas de crescimento, os líderes gananciosos, as divisões denominacionais babilônicas, a violação das escrituras, o amor ao dinheiro, a busca sórdida por prazer mundano, os grandes templos em função da glória que geram, a politicagem institucional e denominacional generalizada. Eu sonho com o dia em que comunidades cristãs estejam satisfeitas com o que do Senhor tem recebido e o honram com o que tem, sem crise de identidade ministerial.

Eu tenho um sonho de que as comunidades cristãs sirvam a sociedade em que vivem com a causa do evangelho e não com um assistencialismo promocional ou algum outro tipo de perversão da missão cristã. Que a missão da igreja não seja integral, da libertação, da prosperidade ou de alguma outra moda: mas que seja apenas a Missão de Cristo, aquela que Ele mesmo delegou aos apóstolos.

Eu tenho um sonho que cristãos busquem verdadeiramente o genuíno e não adulterado alimento espiritual e que se dediquem à maturidade e assim evitem falatórios inúteis, discussões insensatas, contendas e debates sem fim, pois finalmente entenderam que não tem utilidade e são fúteis. Sonho com cristãos, homens e mulheres, abandonando a maledicência e a promiscuidade e se dedicando primeiramente ao Senhor da Seara. Também sonho que cristãos busquem uma vida centrada na eternidade e que entendam que o agora é apenas passageiro e que tudo o que agora parece fantástico é apenas uma distração barata do que a Eternidade com Deus pode nos oferecer.

Eu tenho um sonho que cristãos encarem o ministério cristão como essencial, primordial e em primeiro lugar em suas vidas. Que sejam cristãos enquanto médicos, professores, juízes ou qualquer outra profissão que venham a ter nessa vida. Sonho com o dia em que viver para a Glória de Deus seja o lema dos cristãos!

Eu tenho um sonho que cristãos em troca dos benefício que essa vida possa oferecer suportem sua cruz diariamente, não ligando para a vergonha ou o desprestígio, mas com o foco no Autor e Consumador da fé vivam sua missão de acordo com a expectativa de Deus.

Eu sonho com o dia que veremos cristãos como Paulo, Pedro, Timóteo, homens moldados por Cristo e que buscam ser como Cristo em suas vidas pessoais. Homens que liderem suas comunidades oferecendo nada menos do que tudo a Deus, conscientes de que sua missão é essencialmente espiritual, mas que sua dedicação é nesta vida. Sonho com líderes que amem a Deus com todas as suas forças e todo seu entendimento, homens que não se deixam levar pela glória passageira desse mundo, que não tem seus egos inflados por belas palavras que acham que proferem. Homens santos e impelidos pelo Espírito Santo para proclamarem a santa verdade de Deus a um mundo corrompido e inimigo do nosso Senhor.

Posso parecer um sonhador… mas acho que era esse o sonho que nosso Senhor tinha para a igreja…

Eu ouso sonhar esse Sonho do Senhor!

A glória de Deus, fim último de todas as coisas


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

Deus e não o homem é o centro do universo. O homem é um ser criado e dependente enquanto Deus é o criador e auto-existente. Deus é completo e perfeito em si mesmo. Ele não depende da criação para ser Deus nem deriva glória dela para ser pleno. Muito embora Deus seja uno também é trino. É um só Deus em três pessoas distintas, de tal forma que o Pai não é o Filho nem o Filho o Pai. O Filho não é o Espírito Santo nem o Espírito Santo é o Pai. Essas três Pessoas divinas e distintas, desde toda a eternidade, resolveram criar todas as coisas para o louvor da sua glória e formar o homem à sua imagem e semelhança, a fim de que este o conhecesse e o glorificasse, pela riqueza de sua graça.

A despeito da raça humana ter caído em desventura e pecado, Deus não desistiu de nós, antes enviou-nos seu bendito Filho, para ser nosso redentor. Tanto o amor de Deus por nós é eterno como também é eterna sua provisão para nosso pecado, uma vez que, nos decretos de Deus, o Cordeiro de Deus foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8). Deus jamais desistiu de nos amar e nos atrair para si com cordas de amor. Seu amor é eterno, incondicional, perseverante e sacrificial. Deus nos amou quando nós éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos. Estando nós perdidos, Deus nos encontrou. Estando nós cegos, Deus iluminou os olhos da nossa alma. Estando nós mortos em delitos e pecados, Deus nos deu vida juntamente com Cristo. E por que Deus fez tudo isso? Para o louvor da sua glória!

A glória de Deus é o fim último de todas as coisas. Todas as coisas foram criadas e existem para que Deus seja glorificado. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, sintetiza essa magna verdade, nos seguintes termos: “Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36). Chamamos a atenção, portanto, para três verdades aqui:

1. Deus é a origem e o dono de todas as coisas. O universo não veio à existência por geração espontânea nem surgiu de uma explosão cósmica. Em vez de ser o resultado de uma evolução de milhões e milhões de anos, foi criado por Deus para a sua própria glória. Deus é a fonte e Deus é dono do universo. Não há um centímetro sequer do vasto cosmos onde Deus não possa dizer: “Isto foi criado por mim. Isto é meu. Isto existe para a minha glória”.

2. Deus é o sustentador de todas as coisas. Não apenas todas as coisas são de Deus, mas também, todas as coisas são por meio dele. Deus não é apenas o criador do universo e tudo o que nele há, é também seu sustentador. Deus não é apenas transcendente, é também imanente. Não apenas está fora da criação, é maior do que ela e independente dela, mas interfere na criação e dela cuida. Em Deus nós vivemos, nos movemos e existimos. É Deus quem nos dá respiração e tudo o mais. Ele é o nosso criador e provedor. Ele é o Deus da criação e também o Deus da providência. Ele é o Deus que perdoa as nossas iniquidades e nos coroa de graça e misericórdia.

3. Deus é a razão máxima para a qual todas as coisas existem. Paulo conclui dizendo que todas as coisas são para ele. Fomos criados por Deus e nossa existência não encontra seu pleno significado enquanto não nos voltamos para Deus. Não vivemos para nós mesmos. Não somos o fim último de nossa própria existência. Não viemos a este mundo para construirmos monumentos a nós mesmos. Fomos criados e salvos para o louvor da sua glória. O universo deve ser o palco iluminado onde resplandece a glória de Deus. Nossa vida deve ser a plataforma onde se desenrola o eterno, perfeito e vitorioso projeto divino, cujo fim último é a manifestação da glória de Deus. É quando vivemos nessa dimensão que encontramos deleite e prazer na vida. É quando focamos nossa vida em Deus que encontramos a nós mesmos. É quando vivemos para Deus, que ele é glorificado em nós e nós sentimos mais prazer nele!

Fonte: Palavra da Verdade

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Igreja Católica ganha fortuna com publicações pornô na Alemanha


A Editora comprada pela igreja é a maior publicadora de material adulto da Alemanha Weltbild [Cosmovisão], a maior empresa de mídia da Alemanha, teve suas ações compradas na totalidade pela Igreja Católica mais de 30 anos atrás. Mas isso não os impediu de continuar publicando livros que muitos de seus fiéis considerariam ofensivo.

A empresa vende livros, DVDs, CDs de música e muitos outros produtos. Poucas pessoas sabiam dessa conexão até o início deste mês, quando o Buchreport, newsletter sobre a indústria de entretenimento alemã, informou que a empresa católica também vende material pornográfico. O assunto também está na capa deste mês revista católica PUR.

Um porta-voz da Igreja respondeu: "a Weltbild tenta impedir a distribuição de conteúdo possivelmente pornográfico." Aparentemente os esforços de prevenção não foram bem sucedidos.

Por mais de 10 anos, um grupo de católicos indignados vem tentando mostrar para as autoridades da Igreja o que está acontecendo. Eles se dizem indignados com a hipocrisia da empresa.

Em 2008, o grupo redigiu um documento de 70 páginas detalhando a prova da venda de material questionável.

Eles garantem que todos os bispos cujas dioceses recebem parte dos lucros da Weltbild receberam esse documento. Não é uma escolha fácil, afinal, cerca de 182 milhões de euros são destinados à igreja. Cabe a pergunta: que vale mais: "o dinheiro ou a moral"?

Hoje, a empresa cuja sede fica na cidade de Augsburg, emprega 6.400 pessoas e seu volume de negócios é de 1,7 bilhão de euros anualmente.

Além disso, é a líder do mercado editorial alemão e mantém um site que é perde apenas para a Amazon daquele país. Os lucros são reinvestidos regularmente na empresa visando aumentar sua fatia no mercado, o que só é possível se a Weltbild continuar vendendo materiais que não são compatíveis com os ensinamentos da Igreja.

Os 2.500 livros eróticos em seu catálogo atual, incluindo os do selo Pantera Azul, especializado em pornografia, são apenas um exemplo. A Igreja Católica alemã possui ainda 50% da editora Droemer Knaur, que também imprime material pornográfico e livros budistas

Fonte: NOTÍCIAS CRISTÃS Via: Web Evangelista

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Inconveniência da Expressão Livre-Arbítrio


Graça Operante e Graça Cooperante e o Livre-Arbítrio.

Caso se admita isto, estará fora de questão que o livre-arbítrio não é bastante ao homem para as boas obras, a não ser que seja ajudado pela graça, e na verdade pela graça especial, graça esta de que os eleitos só são dotados mediante a regeneração.

Logo, deixo de levar em conta os fanáticos que bradam que a graça é distribuída a todos de modo igual e de forma indistinta. Isto, entretanto, ainda não está claro: se porventura o homem esteja de todo privado da capacidade de fazer o bem, ou tenha para isso alguma capacidade, ainda que diminuta e precária, que certamente nada possa de si, todavia, em auxiliando-a a graça, desempenhe também ela mesma sua função. Tendo em mira decidir isto, o Mestre das Sentenças ensina que nos é necessária dupla graça para que nos tornemos capazes para uma boa obra. A uma ele chama de graça operante, mercê da qual resulta que queiramos o bem eficazmente; cooperante, a outra, que acompanha a boa vontade, coadjuvando-a.

Nesta divisão desagrada-me isto: que, enquanto atribui à graça de Deus o eficaz desejo do bem, dá a entender que, já de sua própria natureza, de certo modo, ainda que ineficazmente, o homem deseja o bem. Assim Bernardo, asseverando que de fato a boa vontade é obra de Deus, no entanto concede isto ao homem: que ele deseja, de moto próprio, esta espécie de boa vontade. Isto, entretanto, está longe da mente de Agostinho, de
quem, todavia, Lombardo deseja parecer haver tomado essa distinção entre graça operante e graça cooperante.

No segundo membro desse binômio distincional ofende-me a ambigüidade, a qual tem gerado interpretação pervertida. Pois pensaram que cooperamos com a segunda dessas modalidades da graça de Deus, visto ser nosso direito ou de tornar inútil a primeira graça, rejeitando-a, ou de confirmá-la, seguindo-a obedientemente.

Isto o autor da obra A Vocação dos Gentios exprime desta forma: os que fazem uso do juízo da razão são livres para apartar-se da graça, de sorte a ser mérito o não haver-se apartado; e de sorte que, o que não se pode fazer, senão mediante a assistência do Espírito, se credita aos merecimentos daqueles de cuja vontade isto não pôde ser feito.

Pareceu-me bem abordar, de passagem, estes dois pontos, para que o leitor já veja quanto discordo dos escolásticos mais sóbrios. Ora, dos sofistas mais recentes difiro em extensão ainda maior, a saber, quanto estão distanciado da antigüidade. Como quer que seja, desta divisão, contudo, compreendemos em que medida eles têm conferido o livre-arbítrio ao homem. Pois Lombardo sentencia, afinal, que temos o livre-arbítrio não que, em relação ao bem e ao mal, estejamos capacitados para ou fazer ou pensar de modo igual, mas apenas que somos liberados de compulsão, liberdade que, segundo ele, não é impedida, ainda que sejamos depravados, e servos do pecado, e nada possamos senão pecar.

A Inconveniência da Expressão Livre-Arbítrio

Desse modo, pois, dir-se-á que o homem é dotado de livre-arbítrio: não porque tenha livre escolha do bem e do mal, igualmente; ao contrário, porque age mal por vontade, não por efeito de coação. Por certo que isto soa muito bem. Mas, a que servia etiquetar com título tão pomposo coisa de tão reduzida importância? Excelente liberdade, sem dúvida, seria se com efeito o homem não fosse compelido pelo pecado a servi-lo; se, no entanto, é ( – escravo por querer; escravo por vontade], de sorte que a vontade lhe é mantida amarrada pelas peias do pecado! Certamente que abomino (machías) – contendas de palavras - com as quais a Igreja em vão se afadiga, porém julgo ser religiosamente preciso evitar estas palavras que soam algo absurdo, principalmente quando induzem perniciosamente ao erro. Indago, porém, quão poucos são os que, em ouvindo atribuir-se livre-arbítrio ao homem, imediatamente não o concebam ser senhor tanto de sua mente quanto da vontade, tanto que possa de si mesmo vergar-se para uma e outra dessas duas partes?

Contudo, alguém dirá que é preciso afastar perigo desta natureza, se cuidadosamente o povo em geral for informado quanto ao exato sentido desta expressão. Na realidade, porém, como o coração humano propende espontaneamente para a falsidade, de uma palavrinha só o erro sorverá mais depressa do que faz extenso discurso em prol da verdade. Nesta própria expressão temos deste fato mais indisputável experiência do que seria de se almejar. Ora, enquanto se apega à etimologia do termo, deixada de lado aquela interpretação dos escritores antigos, quase toda a posteridade tem sido arrastada à ruinosa confiança pessoal.

Esperei com IMpaciência no Senhor


Por Mauricio Zágari

Uma das virtudes do fruto do Espírito descritas em Gálatas 5 é a paciência. Mas… você já parou para se perguntar por quê? Por que Deus se preocupa justamente em desenvolver em nós a capacidade de esperar? A verdade é que eu e você não sabemos esperar, queremos tudo para ontem, perdemos o sossego enquanto algo que desejamos não ocorre. E aí dá aquela sensação de demora nas coisas que – em nossa opinião – deveriam acontecer imediatamente, segundo a NOSSA vontade. Pronto, e aí, quando não conseguimos o que queremos na hora em que queremos, entramos numa espiral de nervosismo, ansiedade, irritação.

Então o grande fator aqui um só: o tempo. É o “quando”. Pois a pergunta “quando, Senhor?l” está em confronto direto com a manifestação da paciência. Por isso, quando não temos paciência, enfiamos os pés pelas mãos, fazemos besteiras, erramos feio, nos machucamos e machucamos o nosso próximo. E Deus sabe disso. Logo, sempre há um preço a ser pago diante do Eterno pela impaciência. Pois impaciência demonstra que não confiamos o suficiente em Deus para esperar que Ele aja.

A paciência é uma qualidade tão importante na vida dos que querem viver em intimidade com Deus que em Romanos 15.5 o Senhor é chamado de “Deus da paciência” Ou seja, dentre tantas características do Pai que o apóstolo Paulo poderia ter destacado – como amor, justiça, ira, poder, majestade, soberania etc – ele foi inspirado pelo Espírito para destacar logo essa. Isso é à toa? Não, nada na Biblia é à toa.

Sendo um atributo tão digno de nota do Criador, evidentemente também é o que Ele espera de seus filhos. Tiago 5.10 nos manda tomar como exemplo o sofrimento e a… paciência… dos profetas como duas grandes referências para nossas vidas. Ou seja: agrada ao Senhor que sejamos pacientes, que não saiamos armando esquemas para conseguirmos o que queremos num tempo que pode – e provavelmente não é – o determinado por Deus.

Salmos 40.1 nos dá a fórmula do sucesso para recebermos de Deus a atenção dEle quanto ao que queremos: “Esperei com paciência pelo Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor“. Ou seja: é preciso ter paciência para obter as respostas do Altíssimo. Uma das passagens mais lindas e significativas da Bíblia a esse respeito está em Gênesis 29.20, que descreve o exercício de paciência de Jacó para poder se casar com a mulher que ele amava, Raquel: “Então Jacó trabalhou sete anos por Raquel, mas lhe pareceram poucos dias, pelo tanto que a amava“. Lindo, simplesmente perfeito. Jacó sabia tão exatamente o que ele queria que foi capaz de esperar sete anos para alcançar o tão almejado objetivo. Ele traçou uma meta, mirou no alvo e partiu em direção ao que seu coração desejava. O tempo? Foi irrelevante.

Depois, após casar-se com Raquel, ainda teve de trabalhar mais sete anos para seu sogro, como parte do acordo, num total de 14 anos. E o texto bíblico diz que esse looooongo tempo ainda “lhe pareceram poucos dias”. Extraordinário!

E aqui, pare para pensar: nós mal conseguimos esperar com paciência dez minutos por um ônibus, ao passo que aquele homem esperou sete anos para ter o que queria. Sete anos! Sete longos anos. 2.555 dias. E depois ainda trabalhou outros sete, para honrar seu acordo com seu sogro. Que exemplo de paciência bem recompensada! Que modelo fantástico a ser seguido!

E mais: não sei se você já parou pra pensar nisso, mas quem foi o filho de Jacó e Raquel? Se Jacó não tivesse tido a paciência de esperar por Raquel, o filho do casal, José, nunca teria nascido. E José foi o homem que décadas depois salvaria o Egito e as nações vizinhas de perecer em uma terrível crise de fome. E, curiosamente, o próprio Jacó estava entre os que receberam os alimentos providenciados pelo filho que foi fruto da sua paciência. Que Deus extraordinário!

Imagine quantos milhares de homens, mulheres e crianças teriam sofrido se apenas Jacó não tivesse tido paciência de esperar sete anos para ter sua meta alcançada – e na época ele jamais poderia nem de longe supor o que o fruto daquela paciência traria de benefícios, não só para ele e Raquel, mas para milhares de milhares de milhares.

Mas Deus sabia.

Só que aí, apesar de sabermos de tudo isso, esperamos e agimos com IMpaciência no Senhor. Fazemos do nosso modo. Inventamos as nossas estratégias. Andamos no nosso passo e não no de Deus. E, pode ter uma certeza absoluta: como tudo o que fazemos contra a vontade e o tempo de Deus, acabaremos quebrando a cara. Queremos tomar as rédeas e Deus…bem, Ele que venha correndo atrás.

Se você reparar o que Gênesis relata, verá que Raquel deve dificuldades de conceber um filho antes de José nascer. Então Jacó passou à frente de Deus e, im-pa-ci-en-te-men-te, gerou outros filhos segundo suas próprias estratégias e carências: com Lia (a quem Jacó não amava, mas com quem se casou por obrigação social), gerou Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom e Diná (Gn 29.32-35; 30.18-21). Depois, Raquel entregou sua serva Bila para Jacó engravidar (novamente, impaciência de esperar que Deus agisse, entubando no Senhor goela abaixo vontades e carências humanas) e nasceram Dã e Naftali (Gn 30.6-8). Não satisfeitos com isso, Lia, impossibilitada de ter mais filhos, ou seja, de conseguir o que desejava, volta a querer impor suas vontades às de Deus e dá a Jacó sua serva Zilpa, que gerou Gade e Aser (Gn 30.11-13).

Mas, ao fim de toda essa confusão, Deus honrou a paciência que Jacó tivera de esperar Raquel anos antes e ainda deu de bônus ao casal outro filho, Benjamim. E fez de José uma das maiores bênçãos que o mundo antigo já conheceu – e cuja história se tornou uma das mais abençoadoras para judeus e cristãos dos últimos 4 mil anos.

Ah, se todos os homens fossem pacientes como Jacó foi! Se esperarmos com IMpaciência no Senhor e não soubermos aguardar o Seu tempo, José nunca nascerá na nossa vida. E, como não haverá que nos salve da fome, morreremos desgraçadamente de inanição. Se não física, inanição espiritual e emocional.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Fonte: Apenas