sábado, 29 de fevereiro de 2020

VEIO A PALAVRA DE DEUS A JOÃO NO DESERTO


Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: Lucas 3.1-6

INTRODUÇÃO

Os eventos narrados em Lucas 1 e 2 tratam da infância de João Batista e de Jesus, sendo que nada nos é falado a respeito da infância de João, e de Jesus, é falado somente quando ele foi ao templo aos 12 anos. Sabemos que Jesus foi morar em Nazaré (Mt 2.23), no entanto, o Evangelho de Lucas diz que João “esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel” (Lc 1.80). Entendendo que a palavra “deserto” não designa exatamente o deserto como nós o conhecemos, mas um lugar ermo, sem população, no qual existem somente florestas, várzeas, estepes e tendas isoladas de pastores. Deve ser o chamado “deserto de Judá”, aquela região abandonada na margem ocidental do mar Morto.

O ministério de João Batista nos é apresentado nos três Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas). Neles a mensagem de João Batista é bem similar, pois apresenta João como pregador do arrependimento, que utilizou como lema as palavras de Isaías 40.3: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda ao nosso Deus” (Mt 3.1-3; Mc 1.2-4; Lc 3.3-6). Alguns historiadores acreditam que João Batista tenha vivido na comunidade dos essênios, comunidade esta que preservou os papiros do Mar Morto, em Qunrã, que ficava próximo o local onde João estava pregando. Entretanto, não há nenhum vestígio histórico que confirme isto. Mas podemos afirmar que João não buscou nem encontrou seu preparo junto a escribas, fariseus nem grandes eruditos. 

Depois de quatrocentos anos de silêncio, o Senhor volta a falar com seu povo através da boca de um profeta. João, o Batista foi o último profeta do Antigo Testamento e o primeiro do Novo. João Batista viveu trinta anos no anonimato, agora ele se apresenta publicamente. Pouco depois também Jesus, praticamente repetindo a pequena diferença cronológica entre o nascimento de ambos começa também o Seu ministério. 

Antes de Jesus começar o Seu ministério, João é enviado para preparar o Seu caminho. A partir desse ponto temos a introdução do ministério de Jesus. João é enviado como o precursor do Messias. Como disse o Reverendo Hernandes Dias Lopes, João é a dobradiça entre o Antigo Testamento e o Novo. 

Quais a lições que podemos aprender nesse texto? 

1 – ENTENDENDO O CONTEXTO HISTÓRICO (Lc 3.1,2)

Lucas inicia este capítulo citando o nome de sete homens: um imperador, um governador, três tetrarcas (governantes sobre a quarta parte de uma região) e dois sumos sacerdotes judeus. Sendo que cinco eram autoridades políticas e duas religiosas. Mas a Palavra de Deus não foi enviada a nenhum deles! Antes, a Palavra de Deus veio a João Batista, um profeta judeu, filho de um sacerdote, no deserto. 

1o – O poder político está subordinados ao plano de Deus (Lc 3.1,2). A expressão “plenitude do tempo” de Gl 4.4 significa: na época do mais poderoso e mais extenso império mundial, a saber, do Império Romano, nasce Jesus, tendo a religião judaica dividida em vários seguimentos (os fariseus, os saduceus, os essênios, isso sem contar os herodianos, os samaritanos e os zelotes). 

Os personagens políticos nos são apresentados: 

a) Tibério César (14 a 37 d.C.) – Imperador Romano. Era filho adotivo e sucessor de César Augusto (31 a.C. a 14.d.C.). Este César Augusto foi o primeiro Imperador Romano e foi no seu tempo de reinado que Jesus nasceu. Tibério César é aquele de quem Jesus afirmou: “Dai a César o que é de César” (Lc 20.24,25). Era a sua efígie que Jesus constatou na moeda que lhe fora mostrada. 

b) Pôncio Pilatos presidente da Judeia – Pôncio Pilatos, também conhecido simplesmente como Pilatos, foi governador da província romana da Judeia entre os anos 26 e 36 d.C. Pôncio Pilatos tratava apenas dos impostos e rebeliões armadas contra Roma. Logo, Herodes era submisso ao imperador romano, representado por Pôncio Pilatos. Problemas que envolvessem a religião e a lei dos judeus eram julgados por Herodes. Isso explica o porquê de Pilatos enviar Jesus à jurisdição de Herodes, pois a problemática era no âmbito da religião e não da política. 

c) Herodes tetrarca da Galileia, e seu irmão Filipe tetrarca da Itureia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene – Herodes não era um nome propriamente dito, mas um título, assim como César, imperador romano. Depois da morte de Herodes, o Grande, por volta do ano 4 d.C., seu reino foi dividido entre quatro de seus filhos, depois de ter reinado quarenta anos. O título tetrarca significa literalmente governador de uma quarta parte. Assim, ele: 

1) deu a Galileia e a Pereia a Herodes Antipas, que reinou de 4 a 39 d.C. Jesus viveu seus dias na Galileia sob o governo desse Herodes. Dentre todos os filhos dos dez matrimônios que Herodes o Grande havia contraído, Herodes Antipas era o que mais se assemelhava a seu pai no que dizia respeito à ganância de poder, luxúria e imoralidade (Cf. Lc 3.19). 

2) Deu a Itureia e Traconites a Herodes Filipe. 

3) Deu Abilene, que fica ao norte das demais regiões mencionadas, a Lisânias. Deste, pouco se sabe, exceto que foi o monarca do pequeno reino de Abilene sobre o aclive oriental das montanhas do Líbano, a nordeste de Damasco. 

4) Deu a Judeia, Samaria e Edon a Arquelau (23 a.C. - 18 d.C.). Ele foi o menos estimado dos filhos de Herodes, foi cruel e despótico. As queixas dos judeus contra ele finalmente o levaram ao exílio. Assim foi que os romanos começaram a governar diretamente sobre a Judeia. Na bíblia é citado apenas uma vez, em Mateus 2, após a morte de seu pai, Herodes, o Grande. 

Essa catastrófica situação estatal e política, em que o povo eleito de Deus se encontrava sob o poderio odioso dos herodianos e à mercê da escravidão do domínio dos romanos, fez com que se manifestasse, como nunca antes, uma esperança política pelo Messias, um grito de libertação e redenção da ímpia servidão. Esse clamor por libertação era canalizado em diversos cânticos messiânicos. 

Assim como Moisés, surge no cenário onde os hebreus estavam sendo oprimidos o nosso Senhor Jesus para libertar o Seu povo. Não uma nação, mas o mundo da opressão de Satanás (Jo 3.16). Não como um libertador político, mas como o Salvador de nossas almas. Formando para si uma nação santa, um povo de propriedade exclusiva para si (1Pe 2.9). Um povo comprado pelo Seu sangue (1Pe 1.18,19). 

2o  -  O mais alto poder religioso está subordinado ao plano de Deus. Agora nos é apresentado o cenário religioso. A mensagem de João transcende a esfera da política e da religião. Além da realidade política opressora e ameaçadora, Lucas marca a deprimente situação religiosa em Israel por meio dos sumo sacerdotes Anás e Caifás (Caiafás). Quando o evangelista cita dois sumo sacerdotes, isso também assinala o desgaste do governo religioso, pois, de acordo com a lei, somente um sumo sacerdote podia exercer o mandato. O sumo sacerdote era ao mesmo tempo a cabeça civil e religiosa da comunidade. Na antiguidade o posto tinha sido hereditário e tinha duração de toda a vida. 

Anás, forma contraída de Ananias (no hebraico, “protegido por Yahweh”). Foi sumo sacerdote dos judeus (ver Lucas 3.2; João 18.13,24; Atos 4.6). No tempo de Cristo, o ofício sumo sacerdotal tornara-se extremamente instável, porquanto eram nomeados e destituídos sumos sacerdotes ao sabor do capricho das autoridades romanas. A sucessão legítima no sumo sacerdócio já havia cessado sob o regime de Herodes o Grande e ainda mais sob o domínio dos romanos. O precursor de Pilatos, Valério Grato, havia deposto o sumo sacerdote Anás no ano de 15 d. C., para em seguida eleger e expulsar vários novos sumo sacerdotes ao longo de alguns anos, até que finalmente encontrasse em Caifás (Caiafás, genro de Anás) um instrumento suficientemente solícito. Ele exerceu o cargo nos anos 18 a 36 d. C. Apesar de tudo, para o povo e em virtude da lei Anás continuou sendo o verdadeiro sumo sacerdote. – Essa coexistência de dois sumo sacerdotes foi o começo da dissolução deste cargo tão importante e relevante no AT. – A decadência de Israel havia, pois, avançado da realidade política até o coração do povo eleito de Israel. Se o sumo sacerdote era assim, imagine os sacerdotes! Assim sucedeu que, embora removido do ofício, Anás reteve grande autoridade. Anos após haver sido deposto, continuava grande a sua autoridade, pois em Atos 4.6 ele é o primeiro nome a aparecer na lista de líderes sacerdotais. 

A decadência da religião se revela de forma declarada quando líderes religiosos começam a se envolver na política. Quando procuram almejar cargos públicos mediante a liderança que exercem na igreja. A coisa mais comum é encontrarmos pastores usufruindo do chamado “cabide em emprego”. É comum encontrarmos pastores em vários órgãos públicos, não porque foram concursados, mas como cabide de emprego. 

2 – A PALAVRA DE DEUS VEIO A JOÃO NO DESERTO (Lc 3.2b)

Após descrever os poderes políticos e religiosos de sua época, João aparece na narrativa, toma a iniciativa e revela o plano de Deus. A semelhança do profeta Elias em sua maneira de se vestir e profetizar, João dirigiu-se ao rio Jordão, onde batizava e pregava. Ainda que César reine, os religiosos estejam corrompidos, o Senhor levanta o Seu servo João para profetizar e anunciar a vinda do Messias. Deus permanece definitiva e plenamente no controle do drama mundial. 

Israel já estava amargando quatrocentos anos de silêncio profético. Os sacerdotes realizavam os sacrifícios. Multidões vinham para as festas. Os escribas e fariseus eram zelosos das tradições, mas a palavra de Deus estava ausente. A religião estava rendida à apostasia por um lado e à hipocrisia pelo outro. Os liberais saduceus dominavam o templo, e os hipócritas fariseus colocavam fardos pesados sobre os ombros das pessoas. A cobrança abusiva de impostos e extorsão predominavam nas mãos dos publicanos. É nesse deserto espiritual que Deus levantou João, o último profeta da antiga aliança. 

1o  – João, um homem incomum para um tempo de apostasia. Deus, ainda hoje, levanta os seus profetas. Pessoas que não se conformam com a hipocrisia religiosa e muitos menos com o liberalismo teológico. No entanto, assim como no passado, ainda hoje profeta incomoda, pois vê o que Deus vê e revela o que está vendo. Por que a Palavra veio a João no deserto e não aos sacerdotes e ao sumo sacerdote? Porque esses homens estavam longe de Deus, apesar de serem os seus representantes legais. Deus tem compromisso com a verdade e não com instituições. 

A palavra de Deus veio a João, um homem estranho, com roupas estranhas e um cardápio estranho (Mt 3.4). João era um sacerdote, porém um sacerdote que não concordava com a religiosidade dos sacerdotes de sua época. João certamente podia se valer de boas roupas e de boa comida, pois pela lei mosaica ele deveria se vestir com vestes sacerdotais (Êx 28.4), e se alimentar de flor de farinha (Lv 2.1-3). No entanto, usava destes recursos para expor a hipocrisia dos corações e a pobreza dos homens daquela época. 

A roupa feita da pele de camelo (animal considerado imundo pela lei, Lv 11.4) causava um escândalo na mente religiosa daqueles dias, assim como alimentar-se de gafanhotos era algo chocante. 

Mas revelar aos religiosos da época como eles realmente eram ou estavam, era o objetivo de João. 

Pelos de Camelo – Mostrava o quão hostis eram os homens que se diziam servos de Deus, o camelo é reconhecido pelo seu temperamento hostil, além de ter a característica de não precisar beber água de contínuo. Ao camelo basta beber água uma vez pelo período de 40 a 50 dias. A palavra diz que Jesus é a água da vida, e não ir ao Senhor continuamente nos gera sede. Quando os homens olhavam para João enxergavam em suas vestes o que eles mesmos eram. João bem como o Evangelho de Cristo têm por objetivo revelar como somos diante de Deus. 

Cinto de couro– Usado em torno dos lombos, fazia aos homens lembrar a opressão que o jugo causava nos bois que serviam como animais de carga. Não havia como não se constranger olhando João daquela forma paramentado. Eles estavam rebeldes em função das vestes de camelo, e se estavam também subjugados pelo pecado através do cinto de couro que João usava em torno dos seus lombos. 

Gafanhotos e mel silvestre – O gafanhoto era tido como inseto símbolo da destruição (Jl 1.4), alimentar-se de gafanhotos era mostrar que o devorador é devorado pelo Senhor, isto salienta o poder do Senhor (Lm 2.2). O mel silvestre como alimento é o símbolo de Cristo como alimento, veja Êxodo 16.31 onde o maná é descrito como tendo o sabor de mel. 

Assim como João Batista, todo pregador da Palavra de Deus é aquele que recebe a palavra e a transmite com integridade e poder. 

2o  – João recebe a palavra em um lugar incomum (Lc 3.2). A Palavra de Deus não se manifestou nos grandes centros urbanos, não veio através dos religiosos, muito menos no templo. A Palavra de Deus veio a João no deserto. Duas coisas ocorrem quando a Palavra de Deus é pregada no poder do Espírito: ou ela atrai ou afasta as pessoas. No caso de João atraiu, apesar dele não operar nenhum milagre (Jo 10.41), no entanto, com Jesus afastou (Jo 6.60,66). 

No deserto veio a palavra de Deus a João. Não se explica como a “palavra de Deus” chegou a João. De qualquer maneira foi-lhe concedida uma revelação direta de Deus. Nem sempre Deus trabalha pelas vias oficiais. Nas proximidades do Mar Morto, um deserto totalmente árido, veio a palavra de Deus a João. 


A palavra de Deus se revela em um lugar incomum para um homem também incomum. João era um homem que se destacava em sua vida, não pelo local que morava, mas pela vida que vivia. Ele era uma pessoa compromissada com a verdade. Ele se destacava por ser um servo leal. Ele não estava vendido como os sacerdotes e, muito menos, estava de conchavo com os políticos de sua época como o sumo sacerdote. Isso não é diferente hoje. Quando estamos compromissados com Deus, geralmente as pessoas nos isolam e nos veem como estranhos no ninho.

3 – JOÃO, UM MENSAGEIRO EFICAZ (Lc 3.3-6)

A voz de João ecoou como uma trombeta no deserto, como nos fala Joel 2.1: “Tocai a trombeta em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; tremam todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, já está perto”. A mensagem de Deus chegou em todos os lugares e a pessoas iam até João para ouvirem o recado de Deus através da boca de seu profeta, e serem batizadas por ele. 

1o  – O conteúdo de sua mensagem (Lc 3.3). João não estava afalando a respeito de uma mera mudança de mente, nem um lamento ou um remorso. João pregava uma palavra dura para um povo de dura servis. Gente religiosa, mas que andava longe de um verdadeiro compromisso com Deus. 

A mensagem de João é para que o povo se arrependesse de seus pecados. Que se voltassem para Deus. E como prova de arrependimento, eles deveriam passar pelas águas do batismo. Esse batismo provavelmente tem suas raízes no Antigo Testamento (Lv 15.13). O batismo também era um ritual para os prosélitos entrarem para o judaísmo, ou seja, era um reconhecimento de que o Deus de Israel era o verdadeiro Deus. Com isso em mente, o batismo de João representava o reconhecimento de que eles haviam se afastado de Deus e queriam se retratar com Ele. Era um reconhecimento de que eles estavam como os gentios. 

A mensagem de João era uma mensagem de juízo e graça. Para àqueles que se arrependem há o predão, a remissão dos pecados. Não há salvação sem arrependimento. Ninguém pode confiar em Cristo sem primeiro descrer de seus próprios méritos. O chamado ao arrependimento não é uma mensagem muito ouvida hoje em muitos púlpitos. Há um crescimento numérico, mas sem mudança de vida. Há muita adesão as igrejas e não conversão para entrar no Reino de Deus. Como disse Jesus a Nicodemos: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.3,5). 

2o  – Uma mensagem fundamentada nas Escrituras (Lc 3.4,5). João está citando Isaías 40.3-5 que diz: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo o vale será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro será abatido; e o que é torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. E a glória do Senhor se manifestará, e toda a carne juntamente a verá, pois a boca do Senhor o disse”. 

João não pregou o que ele quis, o que ele inventou, o que o povo queria ouvir. João Batista foi bíblico em sua mensagem. Ele não pregou autoajuda, mas ajuda do alto mediante ao arrependimento. Ele não pregou o que o povo queria ouvir, mas o que o povo tinha necessidade de ouvir. A mensagem dele estava fundamentada nas Escrituras e não nas novidades que o cercava. Algo completamente diferente dos dias de hoje, em muitas igrejas. Hoje há muitos pastores que dizem ser voz profética, mas não passam de pregadores de novidades. Inventam doutrinas antibíblicas, que afastam cada vez mais as pessoas de Deus, mas os mantém cativos em suas igrejas. 

Nós não somos a fonte da mensagem; apenas seus instrumentos. A mensagem de Deus aplana os montes da soberba através do verdadeiro arrependimento. Aterra os vales do desespero, endireita os caminhos tortos do pecado e da hipocrisia e coloca no lugar todas as áreas da vida que estão fora do propósito de Deus. 

3o  – A abrangência da pregação (Lc 3.6). Tanto gentios como judeus veriam a salvação anunciada por João. Por isso que o batismo de João caracteriza-se por uma dupla definição. 

1) É um batismo de arrependimento (conversão). 

2) É um batismo pelo perdão dos pecados. 

Tanto judeus como os gentios careciam do perdão de Deus. A pregação de juízo e arrependimento de João remetia para a mudança da mentalidade do coração e para a renovação da vida! A mensagem de João era uma preparação para a vinda do Messias. João estava aplainando os caminhos tortuosos para que quando o Rei da Glória se manifestasse, todos estivem prontos para recebê-lo. 

CONCLUSÃO

Assim como foi nos dias de João Batista, assim tem sido os dias de hoje. Vemos muitas pessoas envolvidas nas igrejas, mas completamente longe de Deus. Vemos uma liderança corrompida, envolvida na política e no jogo sujo do poder. Mas assim como o Senhor levantou João Batista como profeta para sua época, para preparar o caminho para o Senhor Jesus, hoje o Senhor está levantando seu povo como voz profética para anunciar a volta do Senhor. 

O fim está próximo, arrenda-te povo de dura servis. A mensagem de arrependimento precisa voltar aos púlpitos de nossas igrejas. Devemos ser como João, bíblicos em nossa mensagem e íntegros em nosso caráter. 

Pense nisso!

Bibliografia:

1 – Barclay, William. Comentário do Novo Testamento, Lucas.
2 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, volume 2, Lucas e João. Editora Candeia, São Paulo, SP, 1995.
3 – Davidson, F. O Novo Comentário da Bíblia, volume 2. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1987.
4 – Garder, Paul. Quem é Quem na Bíblia. Editora Vida, São Paulo, SP, 1999.
5 – Keener, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia, Novo Testamento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2017.
6 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus, o homem perfeito. Comentário Expositivo Hagnos. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017.
7 – MacArthur, John. Comentário do Novo Testamento, versículo por versículo. Editora Tomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2019.
8 – Manual Bíblico SBB. Barueri, SP, 3a edição, 2018.
9 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1986.
10 – Rienecker, Fritz. Evangelho de Lucas, Comentário Esperança. Editora Esperança, Curitiba, PR, 2005.
11 – Wiersbe, W. Warren. Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento, Vol. 1. Editora Geográfica, Sato André, SP, 2012.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

A RELIGIÃO DOS “AMANTES DE SI MESMOS”


Pr. Cléber Montes Moreira

"Porque haverá homens amantes de si mesmos…” (2 Timóteo 3:2)

Enquanto o amor se esfria no mundo em decorrência da multiplicação da iniquidade (Mateus 24:12), o amor sincero, altruísta, um outro tipo de amor se estabelece cada vez mais como marca de uma geração corrompida e cada vez mais distante de Deus. Falo do amor ao qual se refere Paulo ao dizer que os homens dos “tempos trabalhosos” seriam “amantes de si mesmos”.

Este amor — amor egoísta, que busca saciar os deleites da carne — parece ser a força propulsora de uma apostasia da fé jamais vista na história. Ele move tanto aqueles que procuram os benefícios dos falsos evangelhos quanto os falsos profetas que providenciam meios para atender às demandas do mercado da fé. Os primeiros estão sempre em busca da cura, do milagre, do emprego, da prosperidade, de trazer de volta o amor que se foi, de desfazer algum “trabalho de macumbaria”, de legitimar seus pecados, e outros favores e vantagens, enquanto os últimos — movidos pelo mesmo amor — ofertam soluções e fazem promessas em troca do que lhes interessa, quase sempre o dinheiro, o poder e o status. É assim que por meio deste amor multidões com comichão nos ouvidos, não suportando a sã doutrina, constituem para si líderes segundo seus próprios interesses, os quais, por sua vez, e porque são carnais e não espirituais, passam a mercadejar a Palavra em benefício próprio (2 Timóteo 4:3; 2 Pedro 2:3; 2 Coríntios 2:17).

Aqueles que amam a si mesmos acabam se tornando “sologâmicos”, ou seja, casados consigo mesmos, com seus interesses e caprichos. Eles fazem juras de amor e prometem ser fiéis a si mesmos na busca da satisfação pessoal, muitas vezes ao custo da honra, da desconstrução da família, em detrimento dos interesses e bem-estar do próximo, e do afastamento de Deus.

Mais que pelo entendimento errado das Escrituras, que pela falta de uma hermenêutica correta, a apostasia da fé deste tempo é fruto do amor que contempla os interesses pessoais, que alimenta a ganância, que coloca o ego como centro da adoração do sistema religioso humano; também nos arraiais evangélicos onde quase tudo converge para o homem. Basta uma análise simples das canções gospel, das mensagens proferidas por “encantadores de pecadores” (como chamo certos pregadores), e dos eventos que atraem multidões de “adoradores” para que se perceba onde está o foco. Nestas celebrações marcadas por rituais hedonistas, a adoração é dirigida ao (in)fiel — tudo é preparado para ele, para o seu prazer, para a sua exaltação.

Os profetas do engano são os ateus modernos: oportunistas de plantão, que falam em nome do Deus no qual eles mesmos não creem — porque se cressem teriam temor —, que usam a Bíblia apenas como pretexto e meio para conquistar a confiança dos incautos, que ostentam autoridade e poder espiritual, mas vivem na carne; ele são os “inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18,19).

Seja o helicóptero decolando de um heliporto de um mega templo em São Paulo, cheio de malas de dinheiro, a portinha de um templo de uma seita qualquer num bairro pobre, os frequentadores das correntes dos empresários, ou os pobres que procuram na religião alguma solução, parece que todos são movidos pelo mesmo amor que busca os próprios interesses.

O encontro dos “amantes de si mesmos” — de um lado os (in)fiéis que procuram um deus que corresponda aos seus desejos temporais, do outro os mercadores da fé que despudoradamente adéquam o evangelho aos anseios dos ouvintes — cria um ambiente favorável aos desvios, onde o amor-próprio passa a ser o fator gerador da apostasia da fé. Deste encontro de interesses (e interesseiros) que surge a necessidade de teologias moldáveis que correspondam às expectativas e contemplem a diversidade, que seja capaz de apresentar um deus serviçal, multiforme e representativo das mais diversas correntes de fé, de tradições e de comportamentos; um deus criado à imagem e semelhança dos homens. A Teologia da Prosperidade, o Evangelho Social, o Evangelho da Confissão Positiva, o Triunfalismo Gospel, a Teologia do Coaching, a Teologia Inclusiva (também chamada Teologia Queer e Teologia Gay) e outros desvios são apenas alguns dos meios pelos quais este deus se revela. Nada mais funesto, mais anticristão, que esta religião que fala de Deus, mas é, em sua essência, antropocêntrica — a religião dos “amantes de si mesmos”.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

O MENINO JESUS NO TEMPLO



Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: Lucas 2.40-52

INTRODUÇÃO

Cumpridas todas as ordenanças exigidas pela lei, José e Maria voltaram com o menino Jesus para a Galileia, à cidade de Nazaré. Lucas não registra o tempo que Jesus passou com seus pais em Belém, até os dois anos de idade, nem a visita dos magos do oriente e, muito menos, o período que eles passaram no Egito, em virtude da perseguição de Herodes, o Grande. Lucas aqui dá um salto de doze anos. Entre os versículos 40 e 41 há esta lacuna. Lucas é o único evangelista que narra este evento de Jesus no templo, diante dos doutores da lei, aos doze anos de idade. A vida de Jesus desde a sua infância até a adolescência é um mistério. A maior parte de sua vida Ele permaneceu no anonimato, até o início o seu ministério aos 30 anos (Lc 3.23).

É interessante destacar que tanto Mateus como Lucas mostram que Jesus nasceu de forma sobrenatural, mas cresceu de forma natural. Lucas diz que Jesus crescia e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; a graça do Senhor estava sobre Ele (Lc 1.40). A história do menino Jesus aos doze anos representa todo o seu desenvolvimento. O menino Jesus cresceu, não como um menino-prodígio, mas como um ser humano igual a nós, exceto no que se refere ao pecado.

Por ter Jesus ido morar em Nazaré, Ele passou a ser conhecido como Jesus, o nazareno (At 2.22). Seus seguidores também passaram a ser chamados de nazarenos (At 24.5). Seus inimigos usaram esse nome com desprezo, e Pilatos incluiu essa denominação na placa colocada no topo da cruz (Jo 19.19). Jesus não se envergonhou de usar esse nome, mesmo depois de exaltado à destra do Pai (At 22.8), e Pedro e João usaram esse nome para curar o paralítico na porta Formosa (At 3.6). Jesus levou ao céu algo que os homens desprezavam (Jo 1.46) e o tornou glorioso!

Mas quais a lições que podemos tirar desse episódio?

1 – JESUS OBSERVAVA A TRADIÇÃO JUDAICA (Lc 2.41,42).

Em tudo Jesus foi obediente a Lei e as tradições do seu povo. Ele não se rebelou contra aquilo que o Pai havia estabelecido em Sua Lei. Quando Jesus ensinava aos seus discípulos Ele corrigia os erros que as autoridades da Lei tinham ensinado. Como Ele mesmo falou: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido” (Mt 5.17,18”.

De acordo com a lei de Moisés (Êx 23.14-17; 34.23; Dt 16.16), todos os israelitas masculinos (exceto os menores de idade, anciãos, enfermos e escravos) tinham a obrigação de comparecer ao templo três vezes ao ano, a saber, nas festas da Páscoa, do Pentecostes e dos Tabernáculos, a fim de participar da celebração festiva. No entanto, nem todos os judeus podiam cumprir este mandamento literalmente em todas as três festas, em vista das distâncias às vezes grandes até Jerusalém. Willian Barclay diz que havia ficado estabelecido que todo homem adulto judeu que vivesse dentro dos 30 quilômetros de Jerusalém devia ir ali para a Páscoa. Todos os judeus do mundo tinham a esperança de poder passar a festa ali pelo menos uma vez em sua vida.

De Nazaré até Jerusalém são cerca de 145 quilômetros. No entanto, José e Maria iam a festa da Páscoa todos os anos (Lc 2.41). Lucas destaca que Jesus foi a essa festa quando estava com 12 anos; tudo indica que aquele ano era um ano ainda mais especial para José e Maria, pois eles foram a Jerusalém não somente para a festa da Pascoa, mas também para a cerimônia do Bar Mitzvá. Alguns estudiosos acreditam que esta foi a primeira vez que Jesus teria ido a Jerusalém, já que os meninos menores de 12 anos não tinha necessidade de ir às festas.

1o – O que é o Bar Mitzvá. Bar Mitzvá (filho do mandamento) é a cerimônia que insere o jovem judeu como um membro maduro na comunidade judaica. A expressão “Bar-Mitsvá” se origina parcialmente do aramaico, a língua do Talmud. Quando um judeu atinge a sua maturidade (aos 12 anos de idade para as meninas, 13 anos de idade para os meninos), passa a se tornar responsável pelos seus atos, de acordo com a lei judaica. Nessa altura, diz-se que o menino passa a ser Bar Mitzvah (בר מצוה , “filho do mandamento”); e a menina passa a ser Bat Mitzvá (בת מצוה, “filha do mandamento”). Aos 12 anos o menino já começava a se preparar para esse momento tão importante em sua vida. Ao completar 13 anos, o homem é chamado pela primeira vez para a leitura da Torá (Pentateuco). Antes desta idade, são os pais os responsáveis pelo ensino da Lei aos filhos (Dt 6.1-9). Depois desta idade, os rapazes e moças podem finalmente participar em todas as áreas da vida da comunidade e assumir a sua responsabilidade na lei ritual judaica, tradição e ética. Segundo o Talmud, aos 13 anos e 1 dia de idade um judeu se torna obrigado a obedecer mandamentos.

No entanto, o que mais temos visto hoje são cristãos sem compromisso com Deus e em cumprir os seus mandamentos, principalmente os jovens. O descompromisso com Cristo, a irresponsabilidade com sua obra na vida do cristão acontece pela falta de amor a Ele, quando amamos a Deus, e as pessoas, em tudo que fazemos, procuramos ser responsáveis, cumprindo os compromissos assumidos. Alguns cristãos pensam que a responsabilidade, e o compromisso com a obra deve ser somente do pastor ou do líder, e esquecem que cada um deverá prestar contas diante do tribunal de Cristo, individualmente. “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (2Co 5.10).

Você pai tem colocado sobre os ombros dos seus filhos responsabilidades? Principalmente a responsabilidade de observar os princípios da Palavra de Deus? Têm lhes ensinado que, como cristãos, eles devem dar bom testemunho, pois eles têm um nome a zelar, que é o nome de Jesus? Eles tem visto esse testemunho em sua vida?

Observe que o texto nos diz que José e Maria iam todos os anos a Jerusalém, apesar da enorme distância a ser percorrida, geralmente a pé. E você é assíduo aos cultos? Seus filhos veem em você essa dedicação e empenho na igreja? Você pode falar como falou Davi: “Alegrei-me quando me disseram, vamos a casa do Senhor?”. Mais do que palavras, devemos deixar o exemplo para os nossos filhos. As palavras passam, o exemplo fica!

2o – Os períodos distintos da infância, segundo os judeus. Os judeus eram muito metódicos em relação a observância das tradições. Observe:

1) Aos três anos acontece o desmame, e pela primeira vez era permitido o uso de vestes com borlas – o livro de Números (Nm 15.37-41) nos fala sobre esse mandamento; Deus manda Moisés dizer aos filhos de Israel que no canto de suas vestes façam borlas, franjas (Adorno pendente feito de fios de lã) e presas com um cordão azul. Era nessa ocasião que começava a educação da criança.
2) Aos cinco a criança começava a aprender a Lei mediante o ensinamento na escola.
3) Aos dez anos o menino podia começar a estudar a Mishnah (tradição oral judaica), o conjunto de interpretações tradicionais da Lei. A Mishnah estipula que um menino deve ser levado para a observância um ou dois anos antes de completar treze anos de idade.
4) As doze o menino se tornava diretamente responsável pela obediência à Lei, incluindo suas ordenanças e festividades prescritas.
5) Aos treze, o menino começava a usar filactérios em suas orações diárias.
6) Aos dezoito anos, podia começar o estudo da Gemara, que era a coletânea mais ampla das declarações e lendas judaicas (Talmude).

Como bons judeus, José e Maria ensinaram Jesus a observar todos esses processos que eram cobrados dos pais dos meninos judeus. E você pai tem observado os princípios da Palavra de Deus e ensinado o seu filho a observá-los? A responsabilidade é sua como pai e não da tia da escolinha infantil na igreja, ou do professor da classe da EBD e nem do pastor e dos diáconos. A igreja ajuda muito, mas a educação vem de berço!

2 – O MENINO JESUS FOI ESQUECIDO EM JERUSALÉM (Lc 2.43-46).

A festa da Páscoa durava sete dias, e as pessoas viajavam para essas festas em caravanas, com as mulheres e crianças à frente para determinar o ritmo da caminhada e os homens e rapazes atrás. Parentes e vilarejos inteiros costumavam viajar juntos, e uns cuidavam dos filhos dos outros. Durante a festa tudo ocorreu normalmente, foi no retorno para casa que ocorreu esse imprevisto. Durante essas festas Jerusalém ficava abarrotada de pessoas. Vinham peregrinos de todos os cantos de Israel. Crianças se perderem dos responsáveis deveria ser algo comum. Por isso que todos cuidavam dos filhos uns dos outros para evitar esses transtornos.

Como qualquer adolescente, Jesus estava fascinado com a cidade de Jerusalém e, principalmente com o templo. Em Nazaré havia sinagogas e bons mestres, mas em Jerusalém e, principalmente no templo, estavam os doutores da lei (Lc 2.46).

Esse episódio nos ensina três coisas importantes:

1o – Jesus ia crescendo de forma natural se sujeitando aos seus pais (L 2.40,51,52). Jesus não deixou de ser Deus na Sua encarnação. No entanto, a Bíblia nos fala que Ele despojou-se dos Seus atributos divinos para torna-se como um de nós e se submeteu à vontade do Pai (Jo 5.19,30), mas, em momento algum Ele deixou de ser Deus. Na Sua encarnação Ele se sujeitou ao crescimento humano, intelectual, físico, espiritual e social.

A Bíblia é clara em dizer que Jesus abriu mão dos atributos de sua divindade e se tornou como um de nós (Fl 2.5-8). Seu relacionamento com o Pai celestial não substituía nem anulava seu dever para com os pais terrenos. Sua obediência ao quinto mandamento era uma parte essencial da perfeita obediência que Ele prestou em nosso benefício. O autor de Hebreu nos fala assim: “Embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5.8,9). Jesus encarnou para cumprir a nossa justiça. Aquilo que nos era impossível, o Senhor fez por nós.

Estamos vivendo um tempo muito difícil em relação ao respeito as autoridades constituídas, principalmente a autoridade dos pais. É assustador vermos o quanto os filhos não repeitam mais os pais e, em parte, a culpa é dos próprios pais que não lhes impõem limites. O que temos visto hoje, e creio que, infelizmente, ficará pior, é um cumprimento profético que nos falou o apóstolo Paulo. Veja o que ele nos fala em 1 Timóteo 3.1-5:

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”.

Há um livro chamado “O Comunista nu” de Cleon Skousen, escrito em 1958. Este livro foi escrito com a intenção de mostrar que a intenção do Comunismo era destruir os valores cristãos na América. Veja algumas dessas metas:

Meta 17 – Obter o controle das escolas. Usá-las como canais de transmissão para o socialismo e propaganda comunista atual. Suavizar o currículo. Obter o controle de associações de professores. Colocar a ideologia do partido nos livros didáticos.
Meta 25 – Quebrar os padrões culturais da moralidade através da Promoção da pornografia e obscenidade em livros, revistas, filmes, rádio e TV.
Meta 26 – Apresentar a homossexualidade, a degeneração e a promiscuidade como algo “normal, natural e saudável”.
Meta 27 – Infiltrar-se nas igrejas e substituir a religião revelada com a religião “social” (Teologia da Missão Integral). Desacreditar a Bíblia e enfatizar a necessidade de maturidade intelectual que não precisa de uma “muleta religiosa”.
Meta 30 – Desacreditar os pais.

O diabo não está brincando, ele está agindo de forma destruidora e pior, com o aval de muitos líderes religiosos. Enquanto Jesus era submisso ao Pai Celestial e aos seus pais terrenos, o diabo está fazendo com que a sua malignidade entre e destrua os valores da família e da sociedade cristã. E como ele está fazendo isso? Dizendo que o certo é errado e que o errado é que é certo.

2o – Não volte para casa sem Jesus (Lc 2.43). Uma vez que Jesus estava com 12 anos de idade, Jesus podia passar de um grupo para outro sem que ninguém desse por sua falta. José talvez achasse que Jesus estivesse com Maria e as outras crianças, enquanto Maria imaginava que Jesus estava com José e os outros homens ou, talvez, com alguns de seus parentes. É bom destacar que a estada de Jesus ali em Jerusalém não foi maliciosa e nem desobediência; deveu-se apenas a uma suposição equivocada da parte dos seus pais (Lc 2.44) de que ele vinha mais atrás.

Esse episódio tem uma grande lição para nós. Há muitas pessoas que estão esquecendo Jesus no templo. Vem para cultuá-lo, mas esquecem de levá-lo para suas casas. O marido acha que Jesus está com a esposa, a esposa por sua vez acha que Jesus está com o marido. Os filhos acham que Jesus está com os pais e os pais pensam que Jesus está com os filhos. No final das contas, Jesus não está com ninguém. Aí chegam em casa sem Jesus e passam a semana inteira sem Ele, e só voltam a reencontrá-lo no domingo seguinte, quando vem à igreja.

NÃO ESQUEÇA O PRINCIPAL

Conta a lenda, que certa vez uma mulher pobre com uma criança no colo, ao passar diante de uma caverna, escutou uma voz misteriosa que lá de dentro dizia:
“Entre e apanhe tudo o que você desejar, mas não esqueça o principal. Lembre-se porém de uma coisa: depois que você sair, a porta se fechará para sempre! Portanto, aproveite a oportunidade, mas não esqueça o principal…”
A mulher entrou na caverna, e lá encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas joias, pôs a criança no chão e começou a juntar ansiosamente tudo o que podia em seu avental.

A voz misteriosa então, falou novamente: “Você só tem oito minutos”.
Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou…

Lembrou-se então, que a criança ficara lá dentro e que a porta estava fechada para sempre!
A riqueza durou pouco, e o desespero durou para toda a vida.

O mesmo acontece às vezes conosco. Temos muitos anos para vivermos neste mundo e uma voz sempre nos adverte: “Não esqueça o principal!” E o principal é Jesus em nossas vidas!

3o – Volte para buscá-lo e o procure diligentemente (Lc 45,46,48b). Quando José e Maria se deram conta de que Jesus não estava entre os parentes e conhecidos, então, imediatamente voltaram para Jerusalém à sua procura. O versículo 46 diz que “passados três dias, o acharam no templo”. Isso, provavelmente não significa que eles tenham procurado por Jesus por três dias em Jerusalém. Aparentemente, eles se deram conta de seu desaparecimento no final de um dia inteiro de viagem. Isso requeria mais um dia inteiro de viagem de volta a Jerusalém, e a maior parte do outro dia foi buscando por ele.

A perda de uma criança é algo desesperador. Já perdi minha filha na praia, graças a Deus que a encontramos, mas até acharmos passa mil coisas por nossas cabeças. Tanto que hoje existe um código quando se encontra criança perdida na praia: bater palmas para dizer aonde a criança se encontra para que os responsáveis a encontrem.

Espiritualmente falando, quantas pessoas perderam Jesus, mas quantos o estão o procurando? Talvez você tenha perdido Jesus naquele namoro, naquele casamento, no emprego, em um passeio… não importa onde. O que importa é se você quer reencontrá-lo. A Bíblia fala para aqueles que o querem encontrar ou reencontrá-lo: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13). José e Maria procuram por Jesus diligentemente, até encontrá-lo. Sigamos esse exemplo deles. Não volte para casa sem Jesus, e se Ele não os acompanhou: volte com urgência. Não o deixe para trás.

3 – ONDE JESUS ESTÁ? (Lc 2.49).

José e Maria, depois de três dias, encontraram Jesus no templo, assentado entre os doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Naquele momento toda a aflição que vinham tendo torna-se alívio ao encontrarem Jesus. No texto original, esse termo “aflito” (odunao – grego), significa sentir uma dor intensa, estar em agonia, atormentado. Essa mesma expressão é utilizada por Paulo em Romanos 9.2 onde descreve a aflição de Paulo pelos perdidos de Israel.

Convém observar que o fato de Lucas usar a expressão “seus pais” (Lc 2.43) e “Teu pai e eu” (Lc 2.48) indica apenas que José era reconhecido legalmente como pai de Jesus. Outro detalhe que devemos observar é que alguns estudiosos acreditam que Jesus passou a ter consciência de que era o Messias nessa época. Se este é de fato assim não podemos afirmar, embora eu não creia. Mas foi nesse episódio que Jesus pela primeira vez, esclarece para seus pais a sua origem e a sua missão. Eles, porém, não entenderam nem alcançaram suas palavras (Lc 2.50). O versículo 49 nos fornece as primeiras palavras registradas de Jesus na Bíblia.

Mas o que esse episódio nos ensina?

1o – Assim como José e Maria, há muitas pessoas procurando Jesus em lugares errados (Lc 2.49). José e Maria procuraram Jesus em todos os lugares. No entanto, Jesus agiu de forma madura, ele estava em um lugar seguro e público, na presença de pessoas confiáveis, onde seus pais poderiam buscá-lo. Ele estava no templo (Lc 2.46).

Muitas pessoas estão procurando Jesus em muitos lugares, menos onde Ele deveria estar, no templo, na casa do Pai. As pessoas estão procurando Jesus nas religiões, nas filosofias, acham que irão encontrá-lo nas suas boas obras… Os lugares são os mais diversos. No entanto, assim como José e Maria estão procurando Jesus em lugares errados, há muitas outras pessoas também. Com isso não irão encontrá-lo. Tem gente que está igual Zaqueu, subindo em árvore para ver Jesus. Pessoas que agem assim podem achar um Jesus placebo, nem genérico é, e nem similar. Placebo mesmo.

2o – Jesus está na casa do Pai (Lc 2.49). Jesus chama Deus de Pai. No Antigo Testamento Deus é chamado de Pai, seja em relação à “criação” ou em relação a Israel, o filho primogênito (Êx 4.22), designando, portanto, a posição de Deus perante seu povo. Mas em lugar algum Deus é chamado de Pai da forma como hoje o indivíduo filho de Deus o trata como Pai. Nenhum dos homens da velha aliança, por mais forte que fosse sua fé, por mais fervorosa que fosse sua devoção a Deus, ousou chamar Deus de seu Pai pessoal. O israelita tinha um conceito sublime demais de Deus. Tinha consciência clara demais da grande distância entre Criador e criatura, Eterno e nascido do pó, Santo e pecador, para que tivesse intimidade suficiente para designá-lo de “Pai”. Pelo contrário, isso é destacado expressamente como alta prerrogativa do Messias vindouro (Sl 89.27; 2Sm 7.14).

Onde Jesus está? Jesus está aonde o nome dele é pregado de forma correta. Ele está na adoração que lhe é feita em espírito e em verdade. Ele está onde nós menos esperamos. Jesus está onde Ele é clamado. Ele deveria estar nas igrejas evangélicas, no coração do seu povo, na vida diária dos que o temem. Ele está no nosso testemunho diário. Ele está em nós na pessoa do Espírito Santo:

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): Senhor, de onde vem que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo? Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14.21-23)

Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co 6.19,20)

Jesus está em você?

CONCLUSÃO

O texto que meditamos hoje nos mostra que Jesus foi fiel a Lei e as tradições do seu povo. Ele veio para cumprir a Lei em nosso lugar, pois aquilo que nos era impossível Ele realizou por nós. Mas também vimos que podemos estar na igreja, ouvir uma palavra abençoada e retornarmos para nossas casas sem levar Jesus conosco. Podemos perder a oportunidade de tê-lo em nossa companhia para sempre. E por fim, vimos que José e Maria procuraram Jesus diligentemente até encontrá-lo. No entanto, perderam muito tempo procurando por Ele em lugares errados. Por isso devemos estar atentos a isso também. E, por fim, vimos que o Senhor, ainda menino, estava no templo, na casa do Pai. Devemos entender que o Senhor está com o Pai e ambos está em nós na Pessoa do Espírito Santo.

Pense nisso!

Bibliografia

1 – Barclay, William. Comentário do Novo Testamento, Lucas.
2 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, volume 2, Lucas e João. Editora Candeia, São Paulo, SP, 1995.
3 – Davidson, F. O Novo Comentário da Bíblia, volume 2. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1987.
4 – Garder, Paul. Quem é Quem na Bíblia. Editora Vida, São Paulo, SP, 1999.
5 – Keener, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia, Novo Testamento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2017.
6 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus, o homem perfeito. Comentário Expositivo Hagnos. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017.
7 – MacArthur, John. Comentário do Novo Testamento, versículo por versículo. Editora Tomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2019.
8 – Manual Bíblico SBB. Barueri, SP, 3a edição, 2018.
9 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1986.
10 – Rienecker, Fritz. Evangelho de Lucas, Comentário Esperança. Editora Esperança, Curitiba, PR, 2005.
11 – Wiersbe, W. Warren. Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento, Vol. 1. Editora Geográfica, Sato André, SP, 2012.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

ANA, UMA PROFETISA PIEDOSA


Por Pr. Silas Figuera

Texto Base: Lucas 2.36-39

INTRODUÇÃO

É estranho que sejamos informados precisamente sobre quem foi Ana. Mas não lemos as palavras de seu louvor. Exatamente ao contrário de Simeão, do qual nada se diz acerca de sua vida, mas se reproduz o seu louvor. O texto que lemos é uma continuidade da apresentação de Jesus no templo. Ele narra o momento em que Jesus está sendo apresentado por Simeão (v. 38), e Ana se aproxima e começa a louvar e falava a respeito de Jesus com todos ao redor.

O texto nos diz que Ana, que traduzido quer dizer “filha da graça”, era da tribo de Aser e filha de Fanuel. Seu pai é citado e não o seu marido para comprovação do registro genealógico e sua ascendência tribal é mencionada por ser incomum, pois desta tribo não há nenhum registro de algum profeta.  Aser era o oitavo filho de Jacó, filho de Zilpa, a serva de Lia e concubina de Jacó (Gn 30.12,13). A tribo descendente de Aser pertencia ao reino das dez tribos apóstatas e idólatras do norte de Israel. Entretanto, alguns israelitas fiéis de cada uma dessas tribos migraram para o sul, a fim de não serem excluídos do templo; todavia, ao fazê-lo, tiveram que abrir mão das terras de suas famílias e de sua herança.

A forma como Lucas nos apresenta Ana podemos tirar algumas lições importantes para nossas vidas.

1 – ANA NÃO ERA UMA FALSA PROFETISA (Lc 2.36,38).

Durante muitos anos a voz profética estivera em silêncio em Israel. Por cerca de quatrocentos anos o Senhor não falava com Seu povo através de profetas. Ana é a primeira profetisa a ser citada no Novo Testamento. Apesar de não termos registrado alguma de suas profecias, sabemos, à luz do texto, que ela era de fato uma profetisa. A Bíblia, em diferentes passagens, apresenta mulheres genuinamente vocacionadas por Deus para o ministério profético. O Antigo Testamento menciona três mulheres que são profetisas: Miriã, irmã de Arão (Ex 15.20); Débora, a juíza de Israel (Jz 4.4); Hulda, mulher de Salum (2Rs 22.14), e há a menção também da mulher de Isaías, que alguns teólogos a veem somente como esposa do profeta (Is 8.3). E em Neemias encontramos a menção de Noadia, mas esta era uma falsa profetisa (Ne 6.14). No Novo Testamento nós encontramos Ana e as quatro filhas de Filipe (At 21.9). Na igreja de Corinto havia mulheres que detinham esse dom (1Co 11.5).

Apesar da Bíblia não deixar de mencionar mulheres como profetisas, nós não encontramos nenhuma livro profético escrito por elas.

Como podemos afirmar que Ana não era uma falsa profetisa?

1º - Um verdadeiro profeta aponta para Cristo nas suas profecias (Lc 2.38). Observe que Ana no mesmo instante fala a respeito de Jesus a todos que esperavam a redenção de Jerusalém. Aqui está a diferença entre um falso profeta e um verdadeiro profeta. Um verdadeiro profeta quer que as pessoas conheçam a pessoa bendita de Cristo, o falso profeta quer que as pessoas o conheçam.

O falso profeta é aquele que muda a mensagem por conveniência pessoal, ele não está interessado na glória de Deus, nem na salvação dos perdidos, ele está interessado no seu bem estar, o que ele objetiva é o lucro, e desta maneira ele transforma este evangelho, que ele mesmo diluiu misturando com heresias graves, num produto, transforma o culto num balcão, transforma o templo em uma praça de negócios, transforma os crentes em consumidores e o que ele objetiva finalmente é o seu enriquecimento pessoal.

O pastor Renato Vargens nos dá dez características de um falso profeta:

1) Um falso profeta relativiza as Escrituras. Para um falso profeta a Bíblia não é a Palavra de Deus. Para este as Escrituras são falíveis e não devem servir como plena referência para o cristão.

2) Um falso profeta fala mais em dinheiro do que em Cristo. Um falso profeta comercializa o evangelho e vende as bênçãos de Deus mediante ofertas extravagantes.

3) Um falso profeta considera sua palavra inquestionável colocando suas profecias e revelações em pé de igualdade com as Escrituras.

4) Um falso profeta anuncia, prega e proclama um evangelho absolutamente antropocêntrico.

5) Um falso profeta interpreta as Escrituras segundo a ótica do seu “próprio umbigo” relativizando o absoluto e inventando doutrinas segundo os desejos de seu coração.

6) Um falso profeta prega o evangelho da confissão positiva, negando a possibilidade do sofrimento, e anunciando um cristianismo desprovido da cruz.

7) Um falso profeta  sincretiza o evangelho miscigenando a fé, introduzindo doutrinas espúrias as verdades inquestionáveis da Bíblia.

8) Um falso profeta tem sede de poder, vive pelo poder e ama o poder.

9) Um falso profeta se considera melhor do que os outros e em virtude disso, distingue-se do rebanho criando e fabricando novos títulos eclesiásticos.

10) Um falso profeta fala de Cristo, entretanto o nega, prega sobre Cristo, mas não o conhece, fala em nome do Espírito Santo, sem contudo ter sido regenerado por ele.

2º - Um verdadeiro profeta é consagrado a Deus (Lc 2.37b). O versículo 37 que diz Ana “não deixava o templo, servindo a Deus dia e noite com jejuns e orações”. Após a morte do seu marido Ana passou a dedicar-se em servir a Deus em tempo integral, com orações e jejuns. Devoção e piedade eram as marcas distintivas desta mulher. A expressão “nunca se apartava do templo” significa que ela atendia regularmente no templo. Alguns acreditam que ela, depois da morte do marido, passou a morar em algum quarto no templo.

A crise que Ana enfrentou não a afastou de Deus, pelo contrário, ela se apegou ao Senhor com orações e jejuns. Ela era uma referência de vida consagrada para as pessoas de Jerusalém. No entanto, o que mais vemos hoje são pessoas que diante da crise se afastam de Deus o culpando dos problemas que lhes ocorreram. Veem a vida como colônia de férias, e quando “ralam o joelho desistem das brincadeiras”.

Eu não entendo como pode uma pessoa que poderia estar na igreja, junto dos seus irmãos ficar em casa, longe da Palavra de Deus, em frente a uma TV o tempo todo, que tem disposição para ir a todos os lugares, menos para a igreja e, mesmo assim, dizer que está na presença de Deus e que tem tido grandes experiências com Ele. Que é profundamente usado como para falar às pessoas a respeito de Deus e muitas pessoas são tocadas com suas palavras. Como uma brasa pode ficar acesa por tanto tempo longe do fogo?

2 – ANA ERA UMA MULHER HONRADA (Lc 2.36).

Ana nos é apresentada como uma mulher que desde a sua juventude sempre foi uma pessoa honrada. Não quero com isso dizer que uma pessoa que teve um passado sórdido não possa ter uma vida exemplar hoje. A Bíblia não esconde, por exemplo, que Maria Madalena tinha sido uma mulher que havia sido possessa por sete demônios (Lc 8.2). Ela e outras mulheres que acompanhavam Jesus foram libertas. Mas Ana, desde a sua infância sempre foi uma mulher honrada. Depois que seu marido morreu ela manteve-se na presença de Deus. Ela não passou a agir forma dissoluta. Veja o que o apóstolo Paulo aconselhou Timóteo a respeito das viúvas:

“Ora, a que é verdadeiramente viúva e desamparada espera em Deus, e persevera de noite e de dia em rogos e orações; mas a que vive em deleites, vivendo está morta” (1Tm 5.5,6).

Quais as características que provam que ela era uma mulher honrada?

1º - Ela honrou o nome de seu pai e de sua tribo (Lc 2.36a). Ela era uma mulher conhecida pelo nome de seu pai e de sua tribo. Ela honrava os seus antepassados, apesar de sua tribo ter se tornado apóstata, a casa de seu pai fez o caminho inverso e Ana seguiu esses passos. Infelizmente hoje são poucas as pessoas que têm compromisso em honrar o seu nome e o nome de sua família. O que mais vemos hoje são filhos desonrando os seus pais. Trazendo tristeza e vergonha aos seus progenitores. A Bíblia é enfática a esse respeito em relação aos filhos. Tanto o Antigo Testamento quanto o Novo nos dá essa ordem:

“Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá” (Êx 20.12).

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Ef 6.1-3).

“Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor” (Cl 3.20).

“Mas, se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus” (1Tm 5.4).

Ana honrou o nome de seu pai e de sua tribo, ou seja, da sua família. Você tem feito isso? Nós temos um nome a zelar, acima de tudo o nome de “cristão”.

Ilustração: Alexandre o Grande X Alexandre Soldado.

Certa vez trouxeram diante do grande General e Imperador Grego, Alexandre, um soldado para ser julgado. A sala de audiência estava repleta com o alto-escalão do exército de Alexandre. Diante do rei, aquele jovem soldado, apavorado, pele rosada, olhos claros arregalados, aguardando o veredito, que implacavelmente era a morte.

“- Qual é a acusação? Disse Alexandre”. - Ele desertou na hora da batalha meu senhor, disseram-lhe os oficiais. E quando todos aguardavam a sentença de morte, comum naqueles casos, a face do rei mudou-se, e a ira que lhe era comum, deu lugar a uma impressão de compaixão e misericórdia. O rei ergueu-se de seu trono e foi ao rapaz e perguntou-lhe: “- Qual é o teu nome, meu filho?” “- Alexandre, meu senhor!” respondeu o rapaz. Ao ouvir aquilo, a face do rei transformou-se novamente e este voltou a perguntar, já agora visivelmente perturbado: “- Qual é o teu nome?” O moço, que até então estava de cabeça baixa, saltou do chão e pondo-se de pé em sinal de continência disse: “- Alexandre, Senhor!”. Enfurecido, Alexandre o Grande, olhando para aquele rapaz, vociferou: “- SOLDADO, OU VOCÊ MUDA O SEU NOME OU VOCÊ MUDA A SUA CONDUTA!”.

Não podemos dizer que pertencemos à família de Deus e andarmos na contra mão do que o Senhor quer de nós. Temos um nome a zelar. Como nos fala Pedro em sua primeira carta:

“Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte” (1Pe 4.15,16).

2º - Ela honrou o seu marido (Lc 2.36b). O texto nos diz que quando era se casou ela era virgem. Que permaneceu casada por sete anos até que ficou viúva.

Ana se guardou para o seu marido, coisa que hoje é raro acontecer, principalmente onde tal coisa deveria ser normal, que é nas famílias cristãs. Tanto para as jovens como para os jovens cristãos. No entanto, isso está cada vez mais difícil devido à pressão da mídia (filmes, novelas, leituras); os jovens estão se casando cada vez mais tarde (faculdade, trabalho); por falta de compromisso com Deus e com Sua Palavra; por mau testemunho dos de dentro da igreja. Ninguém está livre de erros, mas isso, para muitos, não é um erro, mas algo comum. É o famoso: “O que que tem? Todo mundo faz! Meu corpo, minhas regras!”.

O normal em muitas igrejas é um Evangelho sem cruz - O falso evangelho.

Jesus disse que quem quisesse segui-lo deveria em primeiro lugar: NEGAR A SI MESMO. Sem renúncia será impossível ser um discípulo de Cristo. O evangelho que Cristo ensinou deve gerar em primeiro lugar na vida de qualquer um a convicção, certeza, que se não aborrecer sua vida ele jamais agradará a Deus. O que o evangelho moderno prega? Uma entrada fácil. Se tornar um cristão sem abrir mão dos interesses carnais, mundanos e sensuais. Se tornar um cristão mais não se arrepender das práticas mundanas. Isso não é evangelho.

Jesus disse que quem quisesse segui-lo deveria também TOMAR SUA CRUZ. Jesus deixou seu trono de glória, esvaziou-se de todo seu poder para assumir a forma de servo tomando sua cruz: dar sua vida pela humanidade. Se quisermos segui-lo devemos tomar o exemplo de Cristo e assumir uma responsabilidade de morrer todos os dias como ovelha muda ao matadouro pela causa de Cristo: Salvação dos homens. Se não há morte, não há vida. Devemos entender a necessidade de viver para glória de Deus levando a obediência e submissão ao evangelho todos os dias. O evangelho moderno não prega angustia, entrega pela causa de Cristo, antes uma multidão de pessoas interesseiras, domingueiras, mundanas e sem compromisso com as Escrituras, com a cruz de Cristo.

3 – ANA ERA UMA MULHER VIÚVA E HUMILDE (Lc 2.36,37).

Lucas faz questão de descrever não somente que Ana era profetisa, mas também descreve a vida dela, inclusive a sua idade. Diferentemente de Simeão, Lucas para descrever a sua vida. 

É interessante destacarmos que os únicos em Israel que reconheceram Cristo em seu nascimento eram pessoas humildes e simples. Com exceção dos magos de Mateus 2.1-12, que eram estrangeiros e gentios, ricos, poderosos e influentes em sua própria cultura, os únicos israelitas que compreenderam ser Jesus o Messias por ocasião do nascimento dele, foram Maria e José, os pastores, Simeão e Ana.

Lucas depois de dizer a sua origem, ele passa a descrever a sua vida.

1º - Ana era uma idosa viúva. A lei judaica mais antiga permitia que uma jovem se casasse a partir dos doze anos de idade. Se considerarmos os 84 anos de Ana como sendo o da sua viuvez, tendo ela se casado aos 12 anos e vivido com o marido sete, então ela estaria viúva acerca de 65 anos! Não teve filhos, pelo menos Lucas não diz. Nunca se casou de novo e vivia como viúva há mais de seis décadas. Com certeza ela se voltou para Deus no seu sofrimento e solidão, foi confortada e consolada.

A viuvez naquela época era extremamente difícil. Ela praticamente garantia uma vida de pobreza extrema. Por isso que, na igreja primitiva, o apóstolo Paulo exortou as viúvas jovens a se casarem de novo (1Tm 5.14), para que a igreja não se sobrecarregasse para sustenta-las. Temos na Bíblia a história de Rute que era viúva e se casou com Boás, tornando-se assim a bisavó do rei Davi.

É bem provável que Ana vivia de doações ou tinha o seu sustento a partir do que restou da herança da família. De qualquer maneira, ela deve ter tido uma vida bem austera, pura e discreta. Ana não se casou novamente, mas passou a dedicar a sua vida à obra de Deus. Não deve ter sido fácil para ela, mas ela confiou no cuidado de Deus.

2º - Ana era assídua no templo. “Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações”. Ana é uma das pessoas mais consagradas que encontramos nas páginas da Bíblia. Segundo MacArthur, “Não nos vem à mente ninguém mais que tivesse jejuado e orado fielmente por mais de sessenta anos”.

Em todo o tempo devemos depender do Senhor e do Seu cuidado. Ana é um exemplo de que podemos estar passando por grandes lutas, mas o Senhor nos sustenta até o fim. Ana tomou a decisão de servir a Deus e não abriu mão disso. O sofrimento que a vida nos oferece não é motivo para nos afastarmos de Deus, mas deveria ser a causa de nos aproximarmos ainda mais dele.

Creio que o conforto de sua alma vinha das promessas de Deus através de Sua Plavra. Como nos fala o Salmo 46: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (Sl 46.1,2,10,11).

3º - Ana era uma testemunha fiel. “E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém”. “E, chegando naquela hora...”. Em quê hora? Justamente na hora que Simeão tomou o menino Jesus em seus braços (Lc 2.28-32) e proferiu a bênção profética de Lucas 2.34,35. “... dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos...”. Os verbos “dar” e “falar” indicam ação contínua. Isso significa que Ana ao mesmo tempo agradecia a Deus pelo Messias e falava a todos quantos esperavam a redenção de Jerusalém, ou seja, a “consolação de Israel”, sua libertação do pecado por intermédio do Redentor. Essa foi a mensagem de Ana até o fim de sua vida. Existiam muitos religiosos em Israel, mas Deus escolheu Ana para ser portadora das boas novas de Salvação. Ana foi separada por Deus, porque amava e buscava a Sua presença.

A profetisa Ana é uma dessas mulheres fascinantes, que a vida nos reserva, pouco se fala dela, somente três versículos bíblicos, mas é o suficiente para descrever um pouco da vida, do caráter e das suas qualidades. Ana nos mostra que no templo podemos derramar nossos corações diante daquele que conhece as nossas necessidades e as nossas aflições, e os nossos anseios e desejos.

No Templo Ana alimentava seu espírito e sua alma era satisfeita. “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente” Sl 16.11.

CONCLUSÃO

Com Ana aprendemos que somente os que esperam com fé e se consagram ao Senhor são os que conseguem ter revelações profundas da parte de Deus.

Que a vida e as qualidades de Ana te inspirem a devotar tua vida na presença de Deus em louvor e adoração diária. A vida de Ana nos faz ver a importância da dedicação de nossa vida ao Senhor mesmo vivendo situações tão difíceis. Como deve ter sido difícil para ela tão jovem perder seu marido, mas mesmo passando por esta situação, ela não permitiu que seu amor e dedicação a Deus acabasse a sua fé, pelo contrário, ela continuou servindo a Deus.

Uma vida de dedicação total a Deus é o que precisamos ter, amarmos a Deus acima de qualquer situação. Uma mulher que ousa viver de tal forma, com certeza irá presenciar coisas tremendas acontecer em sua vida, podemos ter a certeza que todas as promessas nos alcançarão, não porque vivemos para ver somente as promessas, mas porque vivemos para o Deus que cumpre suas promessas em nossa vida.

Bibliografia:

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