domingo, 16 de fevereiro de 2020

O MENINO JESUS NO TEMPLO



Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: Lucas 2.40-52

INTRODUÇÃO

Cumpridas todas as ordenanças exigidas pela lei, José e Maria voltaram com o menino Jesus para a Galileia, à cidade de Nazaré. Lucas não registra o tempo que Jesus passou com seus pais em Belém, até os dois anos de idade, nem a visita dos magos do oriente e, muito menos, o período que eles passaram no Egito, em virtude da perseguição de Herodes, o Grande. Lucas aqui dá um salto de doze anos. Entre os versículos 40 e 41 há esta lacuna. Lucas é o único evangelista que narra este evento de Jesus no templo, diante dos doutores da lei, aos doze anos de idade. A vida de Jesus desde a sua infância até a adolescência é um mistério. A maior parte de sua vida Ele permaneceu no anonimato, até o início o seu ministério aos 30 anos (Lc 3.23).

É interessante destacar que tanto Mateus como Lucas mostram que Jesus nasceu de forma sobrenatural, mas cresceu de forma natural. Lucas diz que Jesus crescia e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; a graça do Senhor estava sobre Ele (Lc 1.40). A história do menino Jesus aos doze anos representa todo o seu desenvolvimento. O menino Jesus cresceu, não como um menino-prodígio, mas como um ser humano igual a nós, exceto no que se refere ao pecado.

Por ter Jesus ido morar em Nazaré, Ele passou a ser conhecido como Jesus, o nazareno (At 2.22). Seus seguidores também passaram a ser chamados de nazarenos (At 24.5). Seus inimigos usaram esse nome com desprezo, e Pilatos incluiu essa denominação na placa colocada no topo da cruz (Jo 19.19). Jesus não se envergonhou de usar esse nome, mesmo depois de exaltado à destra do Pai (At 22.8), e Pedro e João usaram esse nome para curar o paralítico na porta Formosa (At 3.6). Jesus levou ao céu algo que os homens desprezavam (Jo 1.46) e o tornou glorioso!

Mas quais a lições que podemos tirar desse episódio?

1 – JESUS OBSERVAVA A TRADIÇÃO JUDAICA (Lc 2.41,42).

Em tudo Jesus foi obediente a Lei e as tradições do seu povo. Ele não se rebelou contra aquilo que o Pai havia estabelecido em Sua Lei. Quando Jesus ensinava aos seus discípulos Ele corrigia os erros que as autoridades da Lei tinham ensinado. Como Ele mesmo falou: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido” (Mt 5.17,18”.

De acordo com a lei de Moisés (Êx 23.14-17; 34.23; Dt 16.16), todos os israelitas masculinos (exceto os menores de idade, anciãos, enfermos e escravos) tinham a obrigação de comparecer ao templo três vezes ao ano, a saber, nas festas da Páscoa, do Pentecostes e dos Tabernáculos, a fim de participar da celebração festiva. No entanto, nem todos os judeus podiam cumprir este mandamento literalmente em todas as três festas, em vista das distâncias às vezes grandes até Jerusalém. Willian Barclay diz que havia ficado estabelecido que todo homem adulto judeu que vivesse dentro dos 30 quilômetros de Jerusalém devia ir ali para a Páscoa. Todos os judeus do mundo tinham a esperança de poder passar a festa ali pelo menos uma vez em sua vida.

De Nazaré até Jerusalém são cerca de 145 quilômetros. No entanto, José e Maria iam a festa da Páscoa todos os anos (Lc 2.41). Lucas destaca que Jesus foi a essa festa quando estava com 12 anos; tudo indica que aquele ano era um ano ainda mais especial para José e Maria, pois eles foram a Jerusalém não somente para a festa da Pascoa, mas também para a cerimônia do Bar Mitzvá. Alguns estudiosos acreditam que esta foi a primeira vez que Jesus teria ido a Jerusalém, já que os meninos menores de 12 anos não tinha necessidade de ir às festas.

1o – O que é o Bar Mitzvá. Bar Mitzvá (filho do mandamento) é a cerimônia que insere o jovem judeu como um membro maduro na comunidade judaica. A expressão “Bar-Mitsvá” se origina parcialmente do aramaico, a língua do Talmud. Quando um judeu atinge a sua maturidade (aos 12 anos de idade para as meninas, 13 anos de idade para os meninos), passa a se tornar responsável pelos seus atos, de acordo com a lei judaica. Nessa altura, diz-se que o menino passa a ser Bar Mitzvah (בר מצוה , “filho do mandamento”); e a menina passa a ser Bat Mitzvá (בת מצוה, “filha do mandamento”). Aos 12 anos o menino já começava a se preparar para esse momento tão importante em sua vida. Ao completar 13 anos, o homem é chamado pela primeira vez para a leitura da Torá (Pentateuco). Antes desta idade, são os pais os responsáveis pelo ensino da Lei aos filhos (Dt 6.1-9). Depois desta idade, os rapazes e moças podem finalmente participar em todas as áreas da vida da comunidade e assumir a sua responsabilidade na lei ritual judaica, tradição e ética. Segundo o Talmud, aos 13 anos e 1 dia de idade um judeu se torna obrigado a obedecer mandamentos.

No entanto, o que mais temos visto hoje são cristãos sem compromisso com Deus e em cumprir os seus mandamentos, principalmente os jovens. O descompromisso com Cristo, a irresponsabilidade com sua obra na vida do cristão acontece pela falta de amor a Ele, quando amamos a Deus, e as pessoas, em tudo que fazemos, procuramos ser responsáveis, cumprindo os compromissos assumidos. Alguns cristãos pensam que a responsabilidade, e o compromisso com a obra deve ser somente do pastor ou do líder, e esquecem que cada um deverá prestar contas diante do tribunal de Cristo, individualmente. “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (2Co 5.10).

Você pai tem colocado sobre os ombros dos seus filhos responsabilidades? Principalmente a responsabilidade de observar os princípios da Palavra de Deus? Têm lhes ensinado que, como cristãos, eles devem dar bom testemunho, pois eles têm um nome a zelar, que é o nome de Jesus? Eles tem visto esse testemunho em sua vida?

Observe que o texto nos diz que José e Maria iam todos os anos a Jerusalém, apesar da enorme distância a ser percorrida, geralmente a pé. E você é assíduo aos cultos? Seus filhos veem em você essa dedicação e empenho na igreja? Você pode falar como falou Davi: “Alegrei-me quando me disseram, vamos a casa do Senhor?”. Mais do que palavras, devemos deixar o exemplo para os nossos filhos. As palavras passam, o exemplo fica!

2o – Os períodos distintos da infância, segundo os judeus. Os judeus eram muito metódicos em relação a observância das tradições. Observe:

1) Aos três anos acontece o desmame, e pela primeira vez era permitido o uso de vestes com borlas – o livro de Números (Nm 15.37-41) nos fala sobre esse mandamento; Deus manda Moisés dizer aos filhos de Israel que no canto de suas vestes façam borlas, franjas (Adorno pendente feito de fios de lã) e presas com um cordão azul. Era nessa ocasião que começava a educação da criança.
2) Aos cinco a criança começava a aprender a Lei mediante o ensinamento na escola.
3) Aos dez anos o menino podia começar a estudar a Mishnah (tradição oral judaica), o conjunto de interpretações tradicionais da Lei. A Mishnah estipula que um menino deve ser levado para a observância um ou dois anos antes de completar treze anos de idade.
4) As doze o menino se tornava diretamente responsável pela obediência à Lei, incluindo suas ordenanças e festividades prescritas.
5) Aos treze, o menino começava a usar filactérios em suas orações diárias.
6) Aos dezoito anos, podia começar o estudo da Gemara, que era a coletânea mais ampla das declarações e lendas judaicas (Talmude).

Como bons judeus, José e Maria ensinaram Jesus a observar todos esses processos que eram cobrados dos pais dos meninos judeus. E você pai tem observado os princípios da Palavra de Deus e ensinado o seu filho a observá-los? A responsabilidade é sua como pai e não da tia da escolinha infantil na igreja, ou do professor da classe da EBD e nem do pastor e dos diáconos. A igreja ajuda muito, mas a educação vem de berço!

2 – O MENINO JESUS FOI ESQUECIDO EM JERUSALÉM (Lc 2.43-46).

A festa da Páscoa durava sete dias, e as pessoas viajavam para essas festas em caravanas, com as mulheres e crianças à frente para determinar o ritmo da caminhada e os homens e rapazes atrás. Parentes e vilarejos inteiros costumavam viajar juntos, e uns cuidavam dos filhos dos outros. Durante a festa tudo ocorreu normalmente, foi no retorno para casa que ocorreu esse imprevisto. Durante essas festas Jerusalém ficava abarrotada de pessoas. Vinham peregrinos de todos os cantos de Israel. Crianças se perderem dos responsáveis deveria ser algo comum. Por isso que todos cuidavam dos filhos uns dos outros para evitar esses transtornos.

Como qualquer adolescente, Jesus estava fascinado com a cidade de Jerusalém e, principalmente com o templo. Em Nazaré havia sinagogas e bons mestres, mas em Jerusalém e, principalmente no templo, estavam os doutores da lei (Lc 2.46).

Esse episódio nos ensina três coisas importantes:

1o – Jesus ia crescendo de forma natural se sujeitando aos seus pais (L 2.40,51,52). Jesus não deixou de ser Deus na Sua encarnação. No entanto, a Bíblia nos fala que Ele despojou-se dos Seus atributos divinos para torna-se como um de nós e se submeteu à vontade do Pai (Jo 5.19,30), mas, em momento algum Ele deixou de ser Deus. Na Sua encarnação Ele se sujeitou ao crescimento humano, intelectual, físico, espiritual e social.

A Bíblia é clara em dizer que Jesus abriu mão dos atributos de sua divindade e se tornou como um de nós (Fl 2.5-8). Seu relacionamento com o Pai celestial não substituía nem anulava seu dever para com os pais terrenos. Sua obediência ao quinto mandamento era uma parte essencial da perfeita obediência que Ele prestou em nosso benefício. O autor de Hebreu nos fala assim: “Embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5.8,9). Jesus encarnou para cumprir a nossa justiça. Aquilo que nos era impossível, o Senhor fez por nós.

Estamos vivendo um tempo muito difícil em relação ao respeito as autoridades constituídas, principalmente a autoridade dos pais. É assustador vermos o quanto os filhos não repeitam mais os pais e, em parte, a culpa é dos próprios pais que não lhes impõem limites. O que temos visto hoje, e creio que, infelizmente, ficará pior, é um cumprimento profético que nos falou o apóstolo Paulo. Veja o que ele nos fala em 1 Timóteo 3.1-5:

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”.

Há um livro chamado “O Comunista nu” de Cleon Skousen, escrito em 1958. Este livro foi escrito com a intenção de mostrar que a intenção do Comunismo era destruir os valores cristãos na América. Veja algumas dessas metas:

Meta 17 – Obter o controle das escolas. Usá-las como canais de transmissão para o socialismo e propaganda comunista atual. Suavizar o currículo. Obter o controle de associações de professores. Colocar a ideologia do partido nos livros didáticos.
Meta 25 – Quebrar os padrões culturais da moralidade através da Promoção da pornografia e obscenidade em livros, revistas, filmes, rádio e TV.
Meta 26 – Apresentar a homossexualidade, a degeneração e a promiscuidade como algo “normal, natural e saudável”.
Meta 27 – Infiltrar-se nas igrejas e substituir a religião revelada com a religião “social” (Teologia da Missão Integral). Desacreditar a Bíblia e enfatizar a necessidade de maturidade intelectual que não precisa de uma “muleta religiosa”.
Meta 30 – Desacreditar os pais.

O diabo não está brincando, ele está agindo de forma destruidora e pior, com o aval de muitos líderes religiosos. Enquanto Jesus era submisso ao Pai Celestial e aos seus pais terrenos, o diabo está fazendo com que a sua malignidade entre e destrua os valores da família e da sociedade cristã. E como ele está fazendo isso? Dizendo que o certo é errado e que o errado é que é certo.

2o – Não volte para casa sem Jesus (Lc 2.43). Uma vez que Jesus estava com 12 anos de idade, Jesus podia passar de um grupo para outro sem que ninguém desse por sua falta. José talvez achasse que Jesus estivesse com Maria e as outras crianças, enquanto Maria imaginava que Jesus estava com José e os outros homens ou, talvez, com alguns de seus parentes. É bom destacar que a estada de Jesus ali em Jerusalém não foi maliciosa e nem desobediência; deveu-se apenas a uma suposição equivocada da parte dos seus pais (Lc 2.44) de que ele vinha mais atrás.

Esse episódio tem uma grande lição para nós. Há muitas pessoas que estão esquecendo Jesus no templo. Vem para cultuá-lo, mas esquecem de levá-lo para suas casas. O marido acha que Jesus está com a esposa, a esposa por sua vez acha que Jesus está com o marido. Os filhos acham que Jesus está com os pais e os pais pensam que Jesus está com os filhos. No final das contas, Jesus não está com ninguém. Aí chegam em casa sem Jesus e passam a semana inteira sem Ele, e só voltam a reencontrá-lo no domingo seguinte, quando vem à igreja.

NÃO ESQUEÇA O PRINCIPAL

Conta a lenda, que certa vez uma mulher pobre com uma criança no colo, ao passar diante de uma caverna, escutou uma voz misteriosa que lá de dentro dizia:
“Entre e apanhe tudo o que você desejar, mas não esqueça o principal. Lembre-se porém de uma coisa: depois que você sair, a porta se fechará para sempre! Portanto, aproveite a oportunidade, mas não esqueça o principal…”
A mulher entrou na caverna, e lá encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas joias, pôs a criança no chão e começou a juntar ansiosamente tudo o que podia em seu avental.

A voz misteriosa então, falou novamente: “Você só tem oito minutos”.
Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou…

Lembrou-se então, que a criança ficara lá dentro e que a porta estava fechada para sempre!
A riqueza durou pouco, e o desespero durou para toda a vida.

O mesmo acontece às vezes conosco. Temos muitos anos para vivermos neste mundo e uma voz sempre nos adverte: “Não esqueça o principal!” E o principal é Jesus em nossas vidas!

3o – Volte para buscá-lo e o procure diligentemente (Lc 45,46,48b). Quando José e Maria se deram conta de que Jesus não estava entre os parentes e conhecidos, então, imediatamente voltaram para Jerusalém à sua procura. O versículo 46 diz que “passados três dias, o acharam no templo”. Isso, provavelmente não significa que eles tenham procurado por Jesus por três dias em Jerusalém. Aparentemente, eles se deram conta de seu desaparecimento no final de um dia inteiro de viagem. Isso requeria mais um dia inteiro de viagem de volta a Jerusalém, e a maior parte do outro dia foi buscando por ele.

A perda de uma criança é algo desesperador. Já perdi minha filha na praia, graças a Deus que a encontramos, mas até acharmos passa mil coisas por nossas cabeças. Tanto que hoje existe um código quando se encontra criança perdida na praia: bater palmas para dizer aonde a criança se encontra para que os responsáveis a encontrem.

Espiritualmente falando, quantas pessoas perderam Jesus, mas quantos o estão o procurando? Talvez você tenha perdido Jesus naquele namoro, naquele casamento, no emprego, em um passeio… não importa onde. O que importa é se você quer reencontrá-lo. A Bíblia fala para aqueles que o querem encontrar ou reencontrá-lo: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13). José e Maria procuram por Jesus diligentemente, até encontrá-lo. Sigamos esse exemplo deles. Não volte para casa sem Jesus, e se Ele não os acompanhou: volte com urgência. Não o deixe para trás.

3 – ONDE JESUS ESTÁ? (Lc 2.49).

José e Maria, depois de três dias, encontraram Jesus no templo, assentado entre os doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Naquele momento toda a aflição que vinham tendo torna-se alívio ao encontrarem Jesus. No texto original, esse termo “aflito” (odunao – grego), significa sentir uma dor intensa, estar em agonia, atormentado. Essa mesma expressão é utilizada por Paulo em Romanos 9.2 onde descreve a aflição de Paulo pelos perdidos de Israel.

Convém observar que o fato de Lucas usar a expressão “seus pais” (Lc 2.43) e “Teu pai e eu” (Lc 2.48) indica apenas que José era reconhecido legalmente como pai de Jesus. Outro detalhe que devemos observar é que alguns estudiosos acreditam que Jesus passou a ter consciência de que era o Messias nessa época. Se este é de fato assim não podemos afirmar, embora eu não creia. Mas foi nesse episódio que Jesus pela primeira vez, esclarece para seus pais a sua origem e a sua missão. Eles, porém, não entenderam nem alcançaram suas palavras (Lc 2.50). O versículo 49 nos fornece as primeiras palavras registradas de Jesus na Bíblia.

Mas o que esse episódio nos ensina?

1o – Assim como José e Maria, há muitas pessoas procurando Jesus em lugares errados (Lc 2.49). José e Maria procuraram Jesus em todos os lugares. No entanto, Jesus agiu de forma madura, ele estava em um lugar seguro e público, na presença de pessoas confiáveis, onde seus pais poderiam buscá-lo. Ele estava no templo (Lc 2.46).

Muitas pessoas estão procurando Jesus em muitos lugares, menos onde Ele deveria estar, no templo, na casa do Pai. As pessoas estão procurando Jesus nas religiões, nas filosofias, acham que irão encontrá-lo nas suas boas obras… Os lugares são os mais diversos. No entanto, assim como José e Maria estão procurando Jesus em lugares errados, há muitas outras pessoas também. Com isso não irão encontrá-lo. Tem gente que está igual Zaqueu, subindo em árvore para ver Jesus. Pessoas que agem assim podem achar um Jesus placebo, nem genérico é, e nem similar. Placebo mesmo.

2o – Jesus está na casa do Pai (Lc 2.49). Jesus chama Deus de Pai. No Antigo Testamento Deus é chamado de Pai, seja em relação à “criação” ou em relação a Israel, o filho primogênito (Êx 4.22), designando, portanto, a posição de Deus perante seu povo. Mas em lugar algum Deus é chamado de Pai da forma como hoje o indivíduo filho de Deus o trata como Pai. Nenhum dos homens da velha aliança, por mais forte que fosse sua fé, por mais fervorosa que fosse sua devoção a Deus, ousou chamar Deus de seu Pai pessoal. O israelita tinha um conceito sublime demais de Deus. Tinha consciência clara demais da grande distância entre Criador e criatura, Eterno e nascido do pó, Santo e pecador, para que tivesse intimidade suficiente para designá-lo de “Pai”. Pelo contrário, isso é destacado expressamente como alta prerrogativa do Messias vindouro (Sl 89.27; 2Sm 7.14).

Onde Jesus está? Jesus está aonde o nome dele é pregado de forma correta. Ele está na adoração que lhe é feita em espírito e em verdade. Ele está onde nós menos esperamos. Jesus está onde Ele é clamado. Ele deveria estar nas igrejas evangélicas, no coração do seu povo, na vida diária dos que o temem. Ele está no nosso testemunho diário. Ele está em nós na pessoa do Espírito Santo:

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): Senhor, de onde vem que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo? Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14.21-23)

Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co 6.19,20)

Jesus está em você?

CONCLUSÃO

O texto que meditamos hoje nos mostra que Jesus foi fiel a Lei e as tradições do seu povo. Ele veio para cumprir a Lei em nosso lugar, pois aquilo que nos era impossível Ele realizou por nós. Mas também vimos que podemos estar na igreja, ouvir uma palavra abençoada e retornarmos para nossas casas sem levar Jesus conosco. Podemos perder a oportunidade de tê-lo em nossa companhia para sempre. E por fim, vimos que José e Maria procuraram Jesus diligentemente até encontrá-lo. No entanto, perderam muito tempo procurando por Ele em lugares errados. Por isso devemos estar atentos a isso também. E, por fim, vimos que o Senhor, ainda menino, estava no templo, na casa do Pai. Devemos entender que o Senhor está com o Pai e ambos está em nós na Pessoa do Espírito Santo.

Pense nisso!

Bibliografia

1 – Barclay, William. Comentário do Novo Testamento, Lucas.
2 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo, volume 2, Lucas e João. Editora Candeia, São Paulo, SP, 1995.
3 – Davidson, F. O Novo Comentário da Bíblia, volume 2. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1987.
4 – Garder, Paul. Quem é Quem na Bíblia. Editora Vida, São Paulo, SP, 1999.
5 – Keener, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia, Novo Testamento. Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 2017.
6 – Lopes, Hernandes Dias. Lucas, Jesus, o homem perfeito. Comentário Expositivo Hagnos. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2017.
7 – MacArthur, John. Comentário do Novo Testamento, versículo por versículo. Editora Tomas Nelson, Rio de Janeiro, RJ, 2019.
8 – Manual Bíblico SBB. Barueri, SP, 3a edição, 2018.
9 – Morris, Leon L. Lucas, Introdução e Comentário. Edições Vida Nova e Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1986.
10 – Rienecker, Fritz. Evangelho de Lucas, Comentário Esperança. Editora Esperança, Curitiba, PR, 2005.
11 – Wiersbe, W. Warren. Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento, Vol. 1. Editora Geográfica, Sato André, SP, 2012.

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