domingo, 26 de junho de 2016

QUANDO A SOBERBA DERRUBA UM HOMEM DE DEUS

Por Pr. Silas Figueira

Texto base: 2 Crônicas 26.16-23

INTRODUÇÃO

Uma das frases que muito se ouve é que “não adianta começar bem, mas tem que terminar bem”. Uzias foi um homem que começou bem. Ele começou a reinar quando tinha apenas 16 anos. Ele reinou no lugar de Amazias, seu pai. Uzias – Jeová é força, também conhecido como Azarias – Jeová tem ajudado, reinou por cerca de 52 anos em Jerusalém, aproximadamente de 791 a 740/39 a.C. Reinou como co-regente junto com seu pai Amazias, o qual nos primeiros anos de seu reinado, provavelmente estava preso no reino do Norte. Sua mãe chamava-se Jecolia e era de Jerusalém.

Desde o início de seu reinado, Uzias se mostrou um adorador fiel ao Deus de Israel, apesar de não ter tentado eliminar os “altos”, os santuários nas colinas onde o povo de Judá adorava. O povo deveria ir ao templo oferecer sacrifícios ao Senhor, mas era mais conveniente visitar um desses santuários locais. Alguns dos altos ainda eram consagrados a divindades pagãs, como Baal (2 Cr 27.2), e esses santuários só foram removidos nos reinados de Ezequias  e de Josias (2 Cr 31.1; 2 Rs 23).

Nos versículos 4,5,15 nos diz que “Ele fez o que era reto perante o SENHOR, segundo tudo o que fizera Amazias, seu pai. Propôs-se buscar a Deus nos dias de Zacarias, que era sábio nas visões de Deus; nos dias em que buscou ao SENHOR, Deus o fez prosperar. Divulgou-se a sua fama até muito longe, porque foi maravilhosamente ajudado, até que se tornou forte”. 
     
Infelizmente, Uzias depois de ter conquistado todos os seus adversários começou a agir como um insano. Nada mais tinha o que conquistar, resolveu realizar as atividades dos sacerdotes. No Antigo Testamento, o Senhor fazia separação entre reis e sacerdotes, e enquanto um sacerdote poderia tornar-se profeta (Ezequiel, Zacarias, João Batista), nenhum profeta ou rei poderia tornar-se sacerdote.

Somente Jesus exerceu essas funções de profeta, sacerdote e rei combinadas num único indivíduo, e seu sacerdócio é “segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4; Gn 14.18-20; Hb 5-7).

Diante desse ocorrido na vida de Uzias nós podemos aprender algumas lições importantes.

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O CRESCIMENTO PODE SER A MAIOR PROVA PARA A VIDA DE UMA PESSOA (2 Cr 26.16).

“Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração...”.

Uzias foi um rei muito abençoado pelo Senhor (2 Cr 26.5-15), e isso deveria torná-lo mais humilde e não orgulhoso. O sucesso traduzido pelo crescimento pode configurar a oportunidade perfeita para Satanás incitar à soberba no coração. Foi isso que ocorreu com Uzias. 

Como nos fala Salomão em Provérbios 16.18: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda”.

1º - O que está registrado aqui é para servir de exemplo para nós (1 Co 10.6-11).

“Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se. E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil. Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes. Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador. Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado”.

Entenda uma coisa: os relatos dos erros de vários personagens bíblicos não são para imitá-los, mas foram registrados para a nossa advertência como nos diz Paulo nesta carta aos Coríntios.

Tem gente que diz: “Já que eles erraram posso errar também”, isso não é sabedoria, mas burrice.

2º - O crescimento é algo natural e necessário, mas devemos vigiar para não sermos contaminados com a soberba

Satanás é um “expert” em crescimento, principalmente, o do ego. O sucesso de Uzias se tornou o seu fracasso. O sucesso lhe subiu à cabeça, e quando isso ocorre, nós também corremos o risco de cometermos o mesmo erro de Uzias.

Foi esse mesmo pecado com que Satanás fosse expulso do céu, e ele faz com que tenhamos esse mesmo pecado em nossos corações. Foi ele que ufanou o coração de nossos primeiros pais com isso veio a queda de toda a humanidade.

É muito fácil julgá-lo, mas devemos vigiar para que tal mal não nos alcance também. O próprio Senhor disse para os seus discípulos que “o espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41).

A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE A SOBERBA ENDURECE NOSSOS OUVIDOS EM RELAÇÃO AOS CONSELHOS DE PESSOAS SENSATAS (2 Cr 26.17,18).

Ouçamos os conselhos de Salomão: “Não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança. Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros há bom êxito. Com medidas de prudência farás a guerra; na multidão de conselheiros está a vitória” (Pv 11.14; 15.22; 24.6).

Há um ditado popular que diz que quem não ouve conselhos, ouve: “Ah! Coitado!”, outros já dizem que “se conselho fosse bom não de dava, se vendia”.

1º - O Senhor alertou o rei Uzias do erro que estava cometendo. Observe que os sacerdotes lhe chamaram a atenção, ele “poderia” até estar inocente no que estava fazendo, mas o Senhor não o deixou perdido em sua inocência.
Da mesma forma o Senhor chamou a atenção de Caim quando estava intentando o mal contra seu irmão Abel (Gn 4.6,7).

Uzias estava com dura cerviz. No dicionário Aurélio o significado para a palavra cerviz é a parte posterior do pescoço nuca, ou seja, uma parte dura, rígida.

Já as palavras “Dura Cerviz” no Hebraico compõem apenas uma única palavra e significa literalmente “Obstinado” ou “Teimoso”.

2º - A soberba nos deixa surdos para os conselhos de Deus e somos seduzidos pela voz de Satanás. Observe o que os sacerdotes lhe falaram: “sai do santuário, porque transgrediste; nem será isso para honra tua da parte do SENHOR Deus”.

No entanto, seus ouvidos estavam fechados para ouvir a voz de Deus pela boca dos seus sacerdotes. Ele estava obstinado em seu pecado; ele estava cego pelo poder e sucesso. Como falamos no início, o sucesso pode ser a maior prova para a vida de uma pessoa.

Temos que ouvir conselhos com humildade, ouvir quem tem a nos ensinar. Não fazer como Uzias e nem tão pouco como Roboão filho de Salomão que deu ouvidos aos conselhos dos jovens e não deu ouvidos aos conselhos das pessoas experientes. Por causa disso um reino foi dividido.

Como disse Max Lucado: “Orgulho e vergonha. Você nunca saberia que eles são irmãos. Parecem tão diferentes. Orgulho faz o tórax inflar. Vergonha deixa a cabeça caída. Orgulho se vangloria. Vergonha se esconde. Orgulho procura ser visto. Vergonha evita ser vista”.

Uzias foi do orgulho à vergonha. Para alcançar o sucesso levaram anos, para sua ruína alguns instantes. Como disse o apóstolo Paulo: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1 Co 10.12).

A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE PERDEMOS O TEMOR DIANTE DA SOBERBA E COMEÇAMOS A AGIR COMO DONOS DA OBRA DE DEUS, USURPANDO AQUILO QUE PERTENCE AO SENHOR (2 Cr 26.18).

Que triste quadro está diante de nós. Um homem tão temente a Deus cair nessa armadilha de Satanás. Uzias pensou que podia ser o que ele bem entendesse, afinal de contas ele era o rei, não um rei qualquer, mas um dos maiores reis da história de Israel.

Quando a soberba toma o coração perdemos a noção de quem somos e pensamos que podemos tudo. É igual um fato ocorrido aqui em nossa cidade. A prefeitura havia feito um convênio com uma empresa de plano de saúde para os funcionários, quando um dos funcionários recebeu o seu cartão disse com todo orgulho: “Agora sim eu posso ficar doente!”. Quer conhecer alguém lhe dê um pouquinho de poder.

1º - O “poder” não nos isenta de limites. Uzias era rei e não sacerdote. Ele deveria se colocar na posição de rei e não ultrapassar aquilo que o Senhor lhe havia confiado. Observe que os sacerdotes resistiram ao rei, ou seja, eles defenderam a lei mosaica. 
   
Veja por exemplo a Árvore do Conhecimento do Bem e Mal que estava no Jardim do Éden, de todos os frutos das árvores Adão e Eva podiam comer livremente, mas a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal não podiam comer. Essa era uma ordem única. Isso nos mostra que até no Jardim do Éden havia limites.

Quando ultrapassamos os limites estabelecidos por Deus caímos em pecado e o pecado gera a morte (Rm 6.23).

2º - A Palavra de Deus é balizadora, é ela quem impõe o limite. Uzias podia ser rei, mas nem por isso ele estava acima da lei que o Senhor havia estabelecido. Quanta diferença dos dias de hoje, onde a Palavra de Deus tem sido tripudiada pelos “sacerdotes”, pois estão agindo iguais aos filhos do sacerdote Eli, Hofni e Finéias. Beneficiam-se através da distorção da Palavra e permitem o pecado dentro da igreja, pois medem o sucesso pelo número de pessoas no culto e não pela verdade que liberta alcançando os corações.

Os sacerdotes não permitiram que a Casa do Senhor fosse tratada de qualquer maneira. Eles se impuseram contra o rei não permitindo que ele violasse a Lei do Senhor.

No Egito, os reis também eram sumos sacerdotes, mas esses dois ofícios sempre foram mantidos separados na Lei do Senhor. Talvez Uzias estive querendo imitar os egípcios, e até tivesse planos de tornar-se sumo sacerdote. Nesse caso, então seu orgulho o estava fazendo desviar para longe da Lei do Senhor.

Imitar o mundo sempre foi algo que desqualifica uma igreja e principalmente um líder. É o que temos visto hoje em muitas igrejas, o Egito dentro da igreja. 

A QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE DA SOBERBA PROCEDE A RUÍNA (2 Cr 26.19-23).

“Exaltou-se o seu coração para sua própria ruína...”. Cobiçar o sacerdócio foi uma insensatez sem precedentes. Ele conhecia a Lei de Moisés; tentar tomá-la à força foi arrogância, pois o rei sabia o que havia acontecido com outros que haviam tentado apropriar-se daquilo que não lhes era de direito – veja a rebelião de Corá, Datã e Abirão contra Moisés e Arão (Nm 16). Esses homens, apesar de serem levitas, eles queriam o sacerdócio que pertencia à família de Arão. Veja as consequências dessa rebelião (Nm 16.31-35).

1º - O Senhor humilhou o rei Uzias no mesmo lugar onde ele queira se exaltar. O altivo rei foi humilhado não pelos sacerdotes, mas pelo Senhor. Como disse Jesus: “Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt 23.12).

Aquele que queria tomar o lugar do sumo sacerdote ficou leproso; por causa disso ele nunca mais pode entrar no templo e  teve que viver até sua morte em uma casa separada.

Hernandes Dias Lopes nos diz que a lepra tinha cinco características:

a) A lepra separa – O leproso tinha que ser tirado da família, da sociedade e jogado numa caverna ou numa aldeia de leprosos. O pecado separa você de Deus.

b) A lepra insensibiliza – A lepra deixa a pessoa insensível. Assim é o pecado. Ele endurece, cauteriza, calcifica a alma.

c) A lepra deforma – A lepra deixa marcas e deformidades. Ela mutila e deixa cicatrizes profundas. Assim é o pecado. Ele deixa marcas profundas na mente, na alma, no corpo.

d) A lepra contamina – A lepra é contagiosa. O pecado também contamina. Ele pega. Fuja de más influências, de lugares perigosos.

e) A lepra mata – A lepra era uma doença incurável. O pecado é uma doença mortal.

Devido a isso o rei Uzias nunca mais viveu em sociedade e pior, nunca mais pôs os pés na Casa do Senhor.

2º - Mas até a lepra na vida do rei Uzias foi um ato de misericórdia do Senhor para com ele. O espinho na carne de Paulo foi para que ele, Paulo, não se ensoberbecesse, já a lepra no rei Uzias foi para que ele deixasse a soberba. Em ambos os casos foi a misericórdia do Senhor sobre a vida de seus servos.

Se o Senhor não fizesse nada com o rei Uzias ele poderia até matar os sacerdotes e seu pecado seria ainda muito pior. Mas até essa enfermidade que lhe surgiu de imediato foi a graça do Senhor freando o seu servo de uma transgressão ainda maior.

Uzias não era um homem mau, ele se deixou levar pelo orgulho, pela soberba, ele deu ouvido a Satanás e colheu frutos amargos desse erro. Não pense você que ele foi o primeiro a agir assim, pelo contrário, antes dele o rei Davi caiu no mesmo erro quando levantou um censo em Israel. Veja 1 Cr 21.1: “Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel”.

Quais foram as consequências disso na vida de Davi e no seu reino. Veja 1 Cr 21.7: “Tudo isto desagradou a Deus, pelo que feriu a Israel”. O orgulho de Uzias o levou a querer tomar o sacerdócio por isso foi ferido, já o pecado de Davi era a grandeza de seu reino, por isso o Senhor feriu o povo.

Quanto mais Deus nos acrescenta, mais cuidadosos devemos precisamos nos tornar em relação à soberba. Aquilo que o Senhor nos dá pode se tornar um ídolo em nossas vidas. Corremos o risco de deixar de adorar o Doador para adorar os bens doados. Podemos deixar de adorar o criador para adorar a criatura.

Se houve um homem que passou no teste do Senhor esse homem foi Abraão, pois ofereceu Isaque sem pestanejar, pois cria que o Senhor era poderoso para lhe restituir a vida (Hb 11.17-19).

CONCLUSÂO

Uzias teve um excelente começo, mas um fim trágico, o que serve de advertência para nos mantermos vigilantes e orarmos pedindo ao Senhor que nos ajude a terminar bem. Entenda um bom começo não é garantia alguma de um final feliz, pois a ambição pecaminosa já foi a ruína de muitos servos do Senhor. Por isso vigiemos e oremos para não cairmos em tentação.

Como nos diz Warren W. Wiersbe: “Uzias, o soldado, foi derrotado pelo próprio orgulho; Uzias, o construtor, destruiu o próprio ministério e seu testemunho; e Uzias, o lavrador, ceifou a colheita dolorosa daquilo que havia semeado”.

Isso serve de aviso a todos nós!

Pense nisso!

quarta-feira, 22 de junho de 2016

ELCANA UM EXEMPLO DE MARIDO


Por Pr. Silas Figuiera

Texto base 1 Samuel 1.1-11, 19-23

Elcana era de Ramataim-Zofim, da região montanhosa de Efaim, e era filho de Jeroão. Servo fiel ao Senhor, tinha duas esposas: Ana e Penina. Anualmente levava sua família para adorar e fazer sacrifícios em Siló, onde Eli era sacerdote (1Sm 1.1-4). Amava profundamente a Ana, embora esta fosse estéril (1Sm 1.5).

Elcana era um marido que procurava suprir as necessidades de suas esposas, mesmo sendo Ana estéril, ele cuidava dela, pois a amava. Elcana poderia ter se divorciado de Ana, afinal de contas ela era uma mulher que não lhe completava como família, ela não gerava filhos. Não são poucos os casos, hoje em dia, de homens que se separam de suas esposas por elas não poderem ter filhos. Há relatos de muitas mulheres na África que por não terem filhos são devolvidas para os pais. Algo extremamente humilhante. 
  
Ele poderia trata-la com desdém, pois para muitos homens era uma mulher doente. Eu conheci uma moça que estava com câncer e que quando o marido chegava em casa dizia para ela morrer logo, isso quando não agredia fisicamente. Ele era um covarde e criminoso. Um monstro para ser exato! Enquanto ela era jovem e bonita, e ele podia exibi-la não havia problema algum, mas no dia em que ficou doente ele revelou que não a amava.
 
Elcana poderia dar atenção somente para Penina, pois esta tinha filhos, mas ele não fazia isso. É bom destacar que provavelmente Ana fora a sua primeira esposa, naquela época era comum os homens terem mais de uma mulher, principalmente se esta não pudesse gerar filhos.

Mas o que fez com que Elcana tratasse Ana de forma diferente foi porque ele a amava.  É o amor é que sustenta um casamento diante das adversidades da vida. A saúde um dia pode vir a acabar, a beleza pode deixar de existir, a crise muitas vezes nos bate à porta. Todo casamento passa por adversidades. Mas é nessa hora que o amor faz toda diferença no casamento. Um casamento sem amor não passa de um ajuntamento de corpos. Como disse Paulo em Colossenses 3.4: “O amor é o vínculo da perfeição”.

O que o apóstolo Paulo nos fala em Efésios 5.25-33 de como os maridos cristãos deve tratar as suas esposas, Elcana já fazia isso por Ana. Isso prova que é o amor que gera o cuidado, o carinho e o respeito. É somente através do amor que não é egoísta, ou seja, que não busca os seus próprios interesses (1Co 13.5), que um casamento pode se manter de pé, e os maridos, amarem as suas esposas como Cristo amou a igreja.

O amor de Elcana por Ana fez dele um exemplo de marido cuidando dela em quatro áreas:

Primeiro, Elcana foi um exemplo de marido, pois ele cuidava da sua vida espiritual (1Sm 1.4,5).

“No dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, dava ele porções deste a Penina, sua mulher, e a todos os seus filhos e filhas. A Ana, porém, dava porção dupla, porque ele a amava, ainda mesmo que o SENHOR a houvesse deixado estéril”.

Elcana era responsável pela vida espiritual de Ana, ele exercia o sacerdócio em sua casa. Ele não era negligente com a espiritualidade em seu lar.

Hoje quantas mulheres reclamam que seus maridos são homens que não se importam em ler a Bíblia, não oram e se oram, oram sozinhos. Muitos maridos não intercedem por sua família e nem leva a sua família para os pés do Senhor. Não são exemplo de vida espiritual. Elcana era um exemplo buscando influenciar a sua família no temor do Senhor.

Creio que pelo seu exemplo de fé de seu marido Ana buscou a Deus confiando que Ele era capaz de realizar um milagre em sua vida.

Segundo, Elcana foi um exemplo de marido, pois ele cuidava da sua vida emocional (1Sm 1.8).

“Então, Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, por que choras? E por que não comes? E por que estás de coração triste? Não te sou eu melhor do que dez filhos?”

Elcana se preocupava com os sentimentos de Ana. Ele olhava para ela com carinho e se condoia de sua dor. Ainda que ele não entendesse a sua angústia de forma plena, pois ele achava que ele era melhor que dez filhos para ela; mas mesmo assim ele procurava suprir a necessidade emocional de sua esposa. Com essas palavras ele tentava lhe mostrar que ele a amava e queria vê-la feliz. Que se compadecia de sua dor e sofrimento.

Quantos maridos que são ausentes na dor da esposa. Acham que é “frescura”, que choram por qualquer motivo. Não procuram entendê-las e nem são companheiros na hora da dor.

Os homens precisam entender que as mulheres são muito mais propensas a depressão, choram muitas vezes sem motivo aparente... Nessas horas que os maridos precisam estar ao lado delas e não ficar as criticando. 

Terceiro, Elcana foi um exemplo de marido, pois ele cuidava para que Ana tivesse maturidade espiritual (1Sm 1.21-23).

“Subiu Elcana, seu marido, com toda a sua casa, a oferecer ao SENHOR o sacrifício anual e a cumprir o seu voto. Ana, porém, não subiu e disse a seu marido: Quando for o menino desmamado, levá-lo-ei para ser apresentado perante o SENHOR e para lá ficar para sempre. Respondeu-lhe Elcana, seu marido: Faze o que melhor te agrade; fica até que o desmames; tão-somente confirme o SENHOR a sua palavra. Assim, ficou a mulher e criou o filho ao peito, até que o desmamou”.

Ana fez um voto a Deus e Elcana lhe fez lembrar que esse voto deveria ser cumprido. Isso se chama maturidade espiritual. Pessoas imaturas espiritualmente falando são pessoas que fazem votos e não os cumprem. No entanto, Elcana por ser um homem maduro espiritualmente fazia com que sua casa tivesse essa maturidade também.

Veja o que Salomão nos fala no livro de Ecresiástes 5.4,5:

“Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes. Melhor é que não votes do que votes e não cumpras”.

Clint Archer disse que a “infantilidade só é irritante em um adulto. Quando uma criança de quatro anos veste uma capa, uma cueca por sobre a calça, alegando ter visão raio-x, isso é fofo. Quando seu pai faz isso, é preocupante (ou insanidade)”. Assim são muitos crentes imaturos fazendo votos absurdos e irraciionais. Não estou falando de novos convertidos, mas de crentes que já deveriam estar ensinando. O escritor da Carta aos Hebreus viu um paralelo entre a alimentação de um bebê e a condição espiritual dos cristãos. Eles são reprovados por não terem crescido na vida cristã, por continuarem sendo como criancinhas recém-nascidas que necessitam de leite, não suportando ainda alimentos sólidos, ou seja, um ensino espiritual mais profundo. Eles não têm progredido na fé (Hb 5.11-14).

A maturidade espiritual nos leva a tomarmos decisões dentro dos princípios bíblicos e nos esforçamos por coloca-los em prática. O maduro na fé não toma decisões precipitadas e impensadas, mas procura fazer tudo na direção do Espírito Santo.

Creio que Ana quando tomou a decisão de fazer aquele voto não foi algo de repente, mas provavelmente já vinha falando a respeito disso com Deus e com o seu marido. Tanto que ele não a questiona, mas lhe diz para cumprir o que havia votado.

Quarto, Elcana foi um exemplo de marido, pois acreditava e incentiva os projetos de Ana (1Sm 1.23a).

“Respondeu-lhe Elcana, seu marido: Faze o que melhor te agrade...”

Como já falamos anteriormente, creio que Elcana sabia do que Ana queria fazer se tivesse um filho e se este fosse um menino. Ele a incentivou em seu voto. Ele foi um fator motivacional para ela. Agora quantos maridos tentam o tempo todo desmotivar as suas esposas em seus projetos e sonhos. Quantos maridos se tornam pedra de tropeço para suas esposas; não as incentivam para que seus sonhos se tornem realidade.

Quantas mulheres gostariam de estudar, mas não tem o incentivo dos maridos, isso quando elas não ouvem várias críticas.

O que Elcana fez serve de exemplo para todos nós, ele não só a incentivou como participou do projeto com ela.

Maridos ousem sonhar com as suas esposas, e se esforcem para que esse sonho se torne realidade.

Quero concluir essa nossa reflexão dizendo que Elcana foi um exemplo, pois ele amava a sua esposa. Se quisermos fazer a diferença na vida de nossas esposas devemos ama-las, respeita-las e lhes dar nossa total compreensão. Somente com ajuda do Espírito Santo seremos capazes de por em prática o que o Senhor nos ensina em Sua Palavra em relação ao cuidado para com as nossas esposas. 
  
Pense nisso!

sábado, 4 de junho de 2016

AVIVAMENTO: PODER DO CÉU!



Por Pr. Silas Figueira

INTRODUÇÃO

Texto Base Atos 2.1-41 

Um dos grandes questionamentos hoje é se o que ocorreu no dia de Pentecostes poderá ocorrer hoje. Para muitos teólogos tal ocorrido não acontecerá mais. Aliás, para alguns o termo avivamento é coisa do passado. No entanto, lemos outros teólogos de renome que pensam de forma bem diferente. Por exemplo, D. Martyn Lloyd-Jones diz que “realmente temos que parar de dizer que o que aconteceu no dia de Pentecostes aconteceu uma vez para sempre. Não foi assim; foi apenas o primeiro”. Com isso ele não está dizendo que haverá outro Pentecostes como ocorreu no início da Igreja, mas que o derramar do Espírito continua até hoje. Ele nos diz: “Pois bem, isso é o que ocorre em um avivamento. É Deus derramando do Seu Espírito, enchendo o Seu povo novamente. Não é o que lemos em Efésios 5.18, que é o mandamento para que “continuemos sendo cheios do Espírito” [...] Na verdade, como lhes mostrei, as Escrituras demonstram claramente o oposto: “Caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós no princípio”. Precisamos nos acautelar para que não apaguemos o Espírito em favor de teorias ou temores de certos grupos religiosos excêntricos”.

O teólogo Franklin Ferreira definiu avivamento assim: “Em uma definição simples, podemos afirmar que avivamento é Deus reanimando seu povo, renovando a aliança que estabeleceu com ele, tratando-o de forma familiar. Avivamento é a percepção e experiência – mais do que crença – de que Deus está presente em nosso meio e, por isso, algo diferente acontece entre nós”.

Avivamento é algo sério, pois procede de Deus para Sua Igreja. Não devemos negligenciar esse mover dos céus sobre o Seu povo como se isso fosse algo de pouca monta.

O texto de Atos 2 é o cumprimento da promessa de Deus de que derramaria do Seu Espírito sobre toda carne. Não foi um acontecimento isolado que ocorreu no início da Igreja, mas esse mesmo poder do Espírito Santo encontra-se a nossa disposição hoje para nos tornar testemunhas mais eficazes de Cristo.

Se nós obsevarmos a história da Igreja veremos que os grandes avivamentos ocorreram em épocas de maiores crises na sociedade e em consequência da frieza espiritual da Igreja. Nos dias atuais, creio que necessitamos com urgência de um novo avivamento, pois a sociedade está perdida e a igreja sem rumo certo. Na igreja de hoje vemos de um lado uma quantidade enorme de líderes, em nome do Espírito Santo, pregando as maiores e absurdas heresias e, de outro lado, vários pastores tentando engessar e encaixotar o Espírito Santo em seus dogmas teológicos. Poucas são as igrejas que estão pregando um Evangelho equilibrado onde há teologia séria com o mover do Espírito Santo.

Concordo com Franklin Ferreira quando diz que “Deus manda pessoas e situações como instrumentos de juízo sobre nós, para que clamemos por avivamento”. Então esta é uma boa hora para começarmos a clamar, pois a coisa está indo de mal a pior em nosso país.

Entendendo o Pentecostes:

Pentecostes significa “quinquagésimo”, pois se refere a uma festa realizada cinquenta dias depois da Festa das Primícias (Lv 23.15-22). O calendário das celebrações de Israel em Levítico 23 é um esboço do ministério de Jesus Cristo. A Páscoa retrata sua morte como Cordeiro de Deus (Jo 1.29; 1C0 5.7), e a Festa das Primícias representa sua ressurreição dentre os mortos (1Co 15.20-23). Cinquenta dias depois da Festa das Primícias, observava-se a Festa de Pentecostes, que retrata a formação da Igreja. Em Pentecostes, os judeus comemoravam a entrega da Lei, mas os cristãos comemoram a dádiva do Espírito Santo à Igreja.

Mas dentro desse tema Avivamento o que podemos aprender com esse texto.

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE EU APRENDO É QUE O AVIVAMENTO NÃO É PRODUZIDO PELO HOMEM.

O que muitos líderes chamam de avivamento o Senhor chama de heresia e histeria. Muitos pensam que estão avivados, mas estão longe do que o Senhor planejou para o Seu povo. Há nessas igrejas dois tipos de “avivamento”, o “avivamento falsificado” e o “avivamento fabricado ou produzido”, menos o verdadeiro avivamento. Vejamos:

1º - Há muitos líderes falsificando o avivamento. John MacArthur diz que “A partir da invenção das moedas gregas, por volta de 600 a.C., até a introdução do papel-moeda no século XIII na China, a falsificação sempre foi considerada um crime grave. Historicamente, era punível com a morte na maioria das vezes. Na América colonial, por exemplo, Benjamin Franklin imprimiu papel-moeda, que incluía o aviso ameaçador: “A falsificação é a morte”. Os anais da história inglesa relacionam as execuções de numerosos falsificadores, a maioria dos quais foram enforcados, e alguns queimados na estaca. Esse nível de punição pode soar cruel aos nossos ouvidos modernos, mas o crime de falsificação foi severamente punido por duas razões principais.

Primeiro, a lei a considerava como uma ameaça à estabilidade econômica do Estado e o bem-estar geral de todos os cidadãos. E em segundo lugar, em países como a Inglaterra, a emissão de moeda era considerada prerrogativa que pertencia apenas ao rei. Assim, a falsificação não era apenas um pequeno furto contra a pessoa enganada que recebeu a moeda falsa, era considerada como algo muito mais sério – um perigo para a sociedade em geral e uma traição subversiva contra a autoridade real.

Mas e quanto àqueles que falsificam a obra de Deus? O crime de falsificação de dinheiro torna-se insignificante em comparação com o ato traiçoeiro de falsificação do ministério do Espírito Santo. Se a impressão de moeda falsa é uma ameaça à sociedade, a promoção de experiências religiosas fraudulentas representa um perigo muito maior. E se a produção de moedas falsas constitui um ato de traição contra um governo humano, a pregação de um evangelho falso é uma ofensa infinitamente pior contra o Rei dos reis”.

A falsificação da obra de Deus é um crime contra o próprio Deus e no caso em questão será indesculpável quem tal coisa praticar. Mas a falta de temor e o desejo de encher as igrejas, muitos líderes tem feito tal coisa. Eles se esquecem de que as pessoas são muito mais do que números. Esses líderes se esquecem de que terão de prestar contas a Deus pelos seus atos (Mt 7.15, 21-23).

2º - Há muitos líderes “produzindo o avivamento”. Para Charles Finney, evangelista congregacional americano, nascido no século 19, o avivamento é algo que a comunidade pode produzir, desde que siga determinados passos.

Veja o que ele disse: “Na vida espiritual nada existe além das capacidades naturais; ela consiste totalmente no correto exercício dessas capacidades. É apenas isto e nada mais. Quando a humanidade se torna verdadeiramente religiosa, as pessoas são capacitadas a demonstrar esforços que eram incapazes de manifestar antes. Exercem apenas capacidades que tinham antes, e utilizavam de maneira errônea, e agora as empregam para a glória de Deus”. Deste modo, visto que o novo nascimento é um fenômeno natural, o mesmo ocorre ao avivamento: “Um avivamento não é um milagre, tampouco depende deste, em qualquer sentido; é simplesmente um resultado do filosófico da correta utilização dos meios estabelecidos, assim como qualquer outro resultado produzido pelo emprego destes meios”. A crença de que o novo nascimento e um avivamento dependem necessariamente da atividade divina era perniciosa para Finney. Ele disse: “Nenhuma doutrina é mais perigosa do que esta para o progresso da igreja, e nada pode ser mais absurdo”.

Isso nós temos visto hoje em muitos seguimentos da igreja. Todas estas igrejas que adotam métodos humanos para atrair e fazer a igreja crescer, dizendo que isso é um avivamento, são na verdade herdeiros de Charles Finney e de sua teologia sem Deus.

Nesses lugares há muito choro, mas não há arrependimento. Há muito pula pula, mas nenhum joelho no chão buscando a face do Senhor. Há muita gritaria, mas não vemos lamento pelo pecado. Há muita palha sendo pregada nos púlpitos e nenhum alimento sólido que alimenta as ovelhas. Há muita autoridade humana, mas nenhum temor a Deus.

SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O AVIVAMENTO SE DÁ EM RESPOSTA AS ORAÇÕES DA IGREJA (At 2.1).

Citando mais uma vez Franklin Ferreira ele diz que “Avivamento é um poderoso derramamento do Espírito Santo sobre a igreja local, em resposta às orações dos cristãos...”. Os 120 discípulos estavam congregados no cenáculo em unânime e perseverante oração, quando de repente, o Espírito Santo foi derramado sobre eles.

1º - Com isso entendemos que a busca pelo avivamento se dá em unidade e oração perseverante (Até que do alto...). Durante dez dias aqueles discípulos estavam em perseverante oração esperando a promessa do Senhor de que derramaria sobre eles do Seu Espírito (Lc 24.49). Não queremos dizer com isso que o Espírito Santo não seria derramado no dia de Pentecostes se a igreja não estivesse orando, eu quero afirmar que o Senhor move a Sua Igreja para buscá-Lo em perseverante oração, pois há um fervor dado pelo próprio Espírito nos movendo para isso (Fl 2.13).

2º - A Bíblia nos ensina sobre a necessidade de orar por Avivamento. Há vários relatos bíblicos que nos impulsionam nessa direção. É o próprio Senhor que nos move a buscar de Sua face. Como disse Davi no Salmo 42.1,2: “Como suspira a corça pelas corentes das águas, assim por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo...”

Sede de Deus é a verdadeira busca por um avivamento para que a nossa alma sedenta seja saciada e os corações frios sejam aquecidos pelo fogo do Espírito.

Em 1891, aos treze anos de idade, Evan Roberts começou a ter fome e sede, e orar por duas coisas importantes: (1) para que Deus o enchesse com o Seu Espírito, e (2) para que Deus enviasse o reavivamento ao País de Gales. Roberts fez talvez o maior investimento no banco de oração de Deus a favor do reavivamento que o Senhor desejava enviar. E talvez fosse essa a razão de Deus ter começado a onda internacional de reavivamentos no País de Gales – através de Evan Roberts.

A oração é a chave que abre as portas e janelas do Céu sobre a igreja.

TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE NO AVIVAMENTO COISAS EXTRAORDINÁRIAS ACONTECEM (At 2.2-4).

Falar de avivamento é falar de coisas que fogem a normalidade da vida da igreja. É impossível ler nos relatos bíblicos e da história da Igreja onde houve avivamento não encontrar coisas extraordinárias acontecendo.

O teólogo Franklin Ferreira conta que “ninguém menos que Martyn Lloyd-Jones, talvez o maior pregador do século 20, conta que, em uma das vezes em que Jonathan Edwards regressava à casa, ao dirigir-se ao quarto de oração para deixar o casaco, ele encontrou a mulher como que flutuando acima da cama, em decorrência da ação do amor de Cristo sobre ela”.

Hernandes Dias Lopes diz que “O derramamento do Espírito Santo foi um fenômeno celestial. Não foi algo produzido, ensaiado, fabricado. Aconteceu algo verdadeiramente do céu. Foi incontestável e irresistível. Foi soberano, ninguém pôde produzi-lo. Foi eficaz, ninguém pôde desfazer os resultados. Foi definitivo, ele veio para ficar para sempre com a igreja”.

Observe que no dia de Pentecostes três fatos ocorreram.

1º - O Espírito Santo veio com um som como de um vento impetuoso (At 2.2). O vento foi uma forma de Deus se manifestar no Antigo Testamento. Deus falou com Jó num redemoinho (Jó 38.1; 40.6); um forte vento oriental abriu o caminho através do Mar Vermelho (Êx 14.21). Jesus também usou o vento para falar do Espírito Santo (Jo 3.8) e Ele soprou sobre os discípulos e lhes disse: “Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20.21,22).

Quando o vento do Espírito sopra ninguém pode detê-lo. Como diz Hernandes Dias Lopes: “Os homens podem até medir a velocidade do vento, mas não podem mudar o seu curso. Como o vento, o Espírito também é misterioso; ninguém sabe donde vem nem para onde vai. Seu curso é livre e soberano. Deus não se submete à agenda dos homens nem se deixa domesticar”.

2º - O Espírito Santo veio em línguas como de fogo (At 2.3). Ao olharmos para o Antigo Testamento nós também veremos o Espírito Santo se manifestando através do fogo. Deus se manifestou na sarça em que o fogo não a consumia (Êx 3.2). Quando Salomão consagrou o templo ao Senhor, desceu fogo do céu (2Cr 7.1). No Carmelo, Elias orou, e fogo desceu (1Rs 18.38,39). A aparição do Senhor no Monte Sinai depois que o povo de Israel aceitou o Antigo Pacto (Êx 19.18).

Aqui no Pentecostes não foi diferente, o Senhor se manifestou através do fogo.
3º - O Espírito Santo os levou a falar em outras línguas - idiomas (At 2.4). Duas coisas são necessárias destacar: 1º - aqui não está se falando em dom de línguas como alguns pentecostais dizem; e 2º - também não é nem um dom especial para falar línguas estrangeiras como alguns tradicionais também costumam dizer.

Esse falar em línguas inteligíveis foi algo sobrenatural, mostrando o oposto do que houve em Babel. Em Babel as línguas eram ininteligíveis e houve dispersão; já no Pentecostes não foi necessário interpretação e houve ajuntamento. Observe o versículo 11b, eles falavam em idiomas das pessoas de várias nacionalidades que se encontravam ali. Eles falavam das grandezas de Deus, não das grandezas dos homens.

Hernandes Dias Lopes diz que “A glossolalia de Atos 2 foi um fenômeno tanto de fala como de audição. Não foram sons incoerentes, mas uma habilidade sobrenatural para falar em línguas reconhecíveis. Assim, a expressão outras línguas poderia ser traduzida por “línguas diferentes da língua materna”. Os discípulos falaram línguas que não haviam aprendido. O termo grego traduzido por língua em Atos 2.6 e 8 é dialektos e refere-se à linguagem ou dialeto de um país ou região. 
        
Com a vinda do Espírito Santo duas coisas não seriam mais as mesmas: 1 – o Espírito passaria a habitar nas pessoas, não apenas vir sobre elas; e 2 – sua presença seria permanente, não apenas temporária (Jo 14.16,17).

EM QUARTO LUGAR O AVIVAMENTO GERA INTREPIDEZ NA PREGAÇÃO (At 2.14-41).

Avivamento que gera euforia somente não é avivamento. Avivamento gera intrepidez na mensagem pregada. O milagre das línguas atraíram as multidões, mas o que gera vida é a pregação da Palavra. A fé gera o milagre, mas o milagre não gera fé.

Pedro se levanta com intrepidez e inicia o seu sermão mostrando que o que estava acontecendo não era embriaguez, mas um cumprimento profético.

1º A pregação deve ser com entendimento (Lc 24.45). O texto de Lucas nos diz que o Senhor lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras. É o inverso do diabo que cega o entendimento (2Co 4.4). É o Espírito Santo que nos dá esse entendimento, pois a Palavra é inspirada por Ele. Sem o Espírito Santo as pessoas podem conhecer a Bíblia, mas não podem compreendê-la. Como nos diz o apóstolo Paulo em 1Co 2.12-16:

“Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo”.

Por isso Pedro começa o seu sermão citando o profeta Joel com conhecimento revelado pelo Espírito Santo. Este profeta havia profetizado que o Espírito Santo seria derramado sobre toda a carne, e isso em termos qualitativos, e não em termos quantitativos.

Pedro mostra que esta profecia estava se cumprindo naquela manhã.

2º - A pregação de Pedro foi uma pregação cristocêntrica na sua essência. A mensagem de Pedro mostrou a verdade a cerca de Jesus e Seu ministério. Uma das coisas que mais temos visto hoje em dia em muitos púlpitos é que o Senhor Jesus tem sito negligenciado em Sua obra. Fala-se em prosperidade (usando textos do VT), cura, libertação, vitória; mas não se fala de cruz, renúncia, arrependimento. Pecado então passa longe desses púlpitos, pois falar de pecado ofende os ouvintes.

Hernandes Dias Lopes nos diz que Pedro abordou cinco pontos em seu sermão:

1 – A vida de Cristo (2.22); 2 – A morte de Cristo (2.23); 3 – A ressurreição de Cristo (2.24-32); 4 – A exaltação de Cristo (2.33-35) e por fim, 5 – O senhorio de Cristo (2.36).

Quanta diferença para os dias de hoje!

3º - A pregação tem que ser eficaz em seu propósito (At 2.37-41). O Espírito Santo usou a mensagem de Pedro para tocar o coração dos ouvintes. Isso é avivamento. Avivamento é a Palavra sendo pregada com intrepidez e tendo uma resposta positiva a esta mensagem. São vidas sendo salvas por compreenderem que estão perdidas.

A mensagem de Pedro foi dura aos ouvidos da multidão, mas eles estenderam que precisavam tomar uma decisão com urgência. Hoje, há pouca convicção de pecado na igreja. Há pessoas insensíveis demais, com os olhos enxutos demais e o coração duro demais.

Em um avivamento as pessoas reconhecem que são pecadoras e buscam o perdão do Senhor. Isso ocorreu no país de Gales em 1904. O avivamento de Gales foi um dos mais impressionantes mover de Deus de todos os tempos. Em poucos meses de avivamento, um país inteiro foi transformado, mais de cem mil pessoas aceitaram o Senhor Jesus como seu Senhor e Salvador, e a notícia foi espalhada ao redor do mundo.

O avivamento começou em outubro de 1904 na pequena cidade de Loughor, com Evan Roberts, um jovem de 26 anos. Evan Roberts tinha acabado de começar a cursar o seminário quando teve uma visão na qual Deus o chamava para voltar à sua pequena cidade e pregar para os jovens da sua igreja. Roberts já tivera outras experiências com Deus e estava convencido que Ele estava prestes a derramar um poderoso avivamento sobre o país de Gales. Mesmo assim, podemos imaginar que não foi fácil para ele voltar para casa depois de apenas quinze dias no seminário. Mas, na noite de domingo, 30 de outubro de 1904, durante o culto, Roberts teve uma visão dos seus amigos de infância e entendia que Deus estava falando para ele voltar para casa e evangeliza-los.

No dia seguinte Evan Roberts reuniu os jovens da igreja e começou a passar a sua visão para o avivamento. Ele ensinou que o povo orasse uma oração simples: "Envia o Espírito Santo agora, em nome de Jesus Cristo". Roberts também enfatizou quatro pontos fundamentais para o avivamento:

A confissão aberta de qualquer pecado não confessado.
O abandono de qualquer ato duvidoso.
A necessidade de obedecer prontamente tudo que o Espírito Santo ordenasse.
A confissão de Cristo abertamente.

O avivamento no país de Gales durou apenas nove meses, porém neste tempo marcou o mundo. Os frutos, os resultados do avivamento, foram bons: uma pesquisa feita seis anos depois do avivamento descobriu que 80% dos convertidos continuavam sendo membros das mesmas igrejas onde tiveram se convertido. Porém, isso não significa que os outros 20% tivessem se desviado, porque muitos se mudaram para missões independentes ou novas denominações.

CONCLUSÃO

Franklin Ferreira nos diz que “precisamos orar por avivamento. A situação do nosso país impõe-nos essa exigência. A Sagrada Escritura é categórica: precisamos clamar ao Senhor, precisamos ouvir Deus dirigir-nos a nós, como ele mesmo disse a Salomão: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e buscar a minha presença, e se desviar dos seus maus caminhos, então ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2Cr 7.14).

A resposta para a solução no nosso país, e porque não dizer, de nós mesmos, está em Deus. Está em nós nos colocarmos diante dele com rogos, jejum e arrependimento dos nossos pecados aí então o Senhor virá e irar sarar a nossa terra.

A resposta está em Deus, mas será que a igreja quer a Sua resposta?

Pense nisso!