sexta-feira, 29 de abril de 2016

GIDEÃO – UM HOMEM DE DEUS NO MEIO DE UM POVO IDÓLATRA



Por Pr. Silas Figueira


Texto base: Juízes 6.1-40

INTRODUÇÃO


Depois da morte de Josué deu-se início ao período chamado de Juízes que durou cerca de 349 anos. Nesse tempo "não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto" (Jz 17.6; 21.25). Durante esse período, se repetia várias vezes o mesmo ciclo: O povo obedecia a Deus por algum tempo e, depois, afastava-se dele. Como alerta ao povo rebelde, Deus permitia que um inimigo o oprimisse. Quando o povo se arrependia e pedia libertação Deus mandava juízes para livrá-lo das mãos dos inimigos. O povo resgatado servia ao Senhor durante o resto daquela geração, assim começando de novo o ciclo.


A lição que podemos tirar da vida de Gideão é que as crises sempre virão, muitas vezes por questões naturais, outras por causa do pecado – no caso do tempo dos Juízes foi o pecado do povo –, mas independentemente o Senhor sempre tem o Seu remanescente e o levanta para lutar pelo Seu povo. Gideão serve de grande ânimo para os que têm dificuldade em aceitar a si mesmos e em crer que Deus pode fazer deles aquilo que deseja ou usá-los para aquilo que quiser.

Quem foi Gideão – Gideão era da tribo de Manassés, ele foi o juiz que libertou os filhos de Israel dos midianitas. Esse povo oprimia Israel roubando suas colheitas e também seus animais (Jz 6.2-6). Foi então que Gideão teve uma experiência com Deus, onde o Anjo do Senhor o chamou para fazer dele o libertador de Israel. Gideão foi o quinto dos juízes ou libertadores, apresentado em Juízes, capítulos 6, 7 e 8. Gideão, pois, foi a resposta dada por Deus ao clamor do povo.

Os midianitas – Eram descendentes de Abraão e de Quetura (Gn 25.1,2 - 1 Cr 1.32); os midianitas ou árabes habitavam principalmente ao norte da Arábia. Na direção do sul eles estendiam-se pela praia oriental do golfo de Acabá, e para o norte povoavam a fronteira oriental da Palestina. Os descendentes de Hagar e os de Quetura casaram, sem dúvida, uns com os outros, e serve isto para explicar o fato de os negociantes a quem foi vendido José serem num lugar chamados midianitas e em outro ismaelitas (Gn 37.25,28). Os midianitas caíram na idolatria e na imoralidade, exercendo uma péssima influência nos filhos de Israel, como se pode ver na narrativa de Nm 25.6 a 18. Ao tempo em que as tribos cananéias constituíam um povo detestado, puderam os midianitas, dizendo-se consanguíneos e dos israelitas, conviver com estes, e mais prontamente afastá-los da sua obediência ao Senhor. Em Consequência disto foi, por ordem expressa de Moisés, sustentada uma guerra contra Midiã (Nm 31). Passados anos, eles restabeleceram-se deste golpe, e tornaram-se os cruéis opressores do povo de Israel, devastando as suas searas até Gaza na costa do Mediterrâneo. O despojo tomado por Moisés e Gideão mostra que os midianitas eram um poderoso povo nômade, vivendo de pilhagem, e amando a ostentação.

Quais as lições que podemos tirar da vida e da experiência de Gideão?

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE QUANDO HÁ ARREPENDIMENTO O SENHOR ATENDE O CLAMOR DO SEU POVO (Jz 6.6-11).

O povo de Israel passou a servir a Baal e em consequência disto, o Senhor os entregou aos seus inimigos (Jz 6.1). Um povo que não quer servir ao Senhor o Senhor não tem nenhum compromisso em guardá-los. As consequências disso tudo foi a fome que se estabeleceu no meio do povo (Jz 6.2-5). Como disse Charles Spurgeon: “Deus nunca permite que seu povo peque com sucesso”.

1º Quando o povo clama o Senhor envia seus profetas (Jz 6.7-10). O Senhor não deixa o Seu povo sem resposta, para isto envia um profeta para lhes trazer à memória a quem eles deveriam servir; não a Baal, mas ao SENHOR que lhes havia tirado do Egito.

Deus não deixa sem resposta o seu povo quando se arrepende dos seus pecados. O Senhor é misericordioso e os seus ouvidos estão sempre atentos a nossa oração (2Cr 7.14).

2º - Quando há arrependimento o Senhor levanta um libertador (Jz 6.11-14). Gideão aos olhos humanos não era a pessoa ideal para ser o líder do povo de Israel. Primeiro ele era o menor de sua casa e a sua casa era a mais pobre de Manassés (Jz 6.15). E em segundo lugar, ele era uma pessoa medrosa, e sem grande fé. Mas Deus com frequência escolhe “as coisas fracas deste mundo” a fim de realizar grandes coisas para Sua glória (1Co 1.26-29).

Gideão foi escolhido de dentro de uma família idólatra (Jz 6.25-32), apesar de crermos que Gideão não era a favor desse tipo de culto, pois quando o Anjo do Senhor lhe aparece ele questiona-o a respeito do Senhor (Jz 6.13), mostrando que havia temor a Deus em seu coração e que estava questionando o que estava acontecendo com o seu povo. 

3º - Gideão era um homem estrategista (Jz 6.11). Gideão estava malhando o trigo no lagar, lugar em que pisavam as uvas para o preparo do vinho. Ninguém iria desconfiar que ali houvesse um homem escondido preparando o trigo para sua família ter pão. Gideão poderia até ser o menor de sua casa, mas era um homem com propósito bem definido. Creio que por isso que o Senhor o escolheu.

As nossas atitudes diante da crise pode mudar a história de nossa vida. Gideão não se deixou levar pela crise que já durava sete anos, ele buscou outra maneira de levar o sustento para sua casa. É nessa hora que surgem as oportunidades para colocarmos em prática a nossa fé e por a mão na massa, como dizem por aí.

SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE DEVEMOS ESTAR PRONTOS A OBEDECER A ORDEM DIVINA (Jz 6.25-32).

Aqui começa a terceira fase da ação de Deus de libertar o povo da idolatria e das mãos dos seus inimigos. A primeira foi enviando um profeta (Jz 6.7-10), a segunda foi convocando Gideão para essa tarefa (Jz 6.11-24) e a terceira, foi derrubando o altar a Baal e levantando um altar ao Senhor (Jz 6.25-32).

Uma vez que Deus chamou a atenção de Gideão (Jz 6.16-24), Ele lhe deu a sua primeira ordem: destruir os ídolos do próprio pai e fazer um altar ao Senhor no mesmo lugar (Jz 6.25,26). Gideão levou dez homens consigo e cumpriu o mandamento do Senhor na mesma noite. Os vizinhos ficaram irados, mas o pai de Gideão entendeu o significado de seu ato e o defendeu. Um "deus" que não consegue se defender contra um punhado de homens não merece defesa pelos homens.

Uma vez que Deus nos revelou a sua vontade, não devemos jamais questionar sua sabedoria nem discutir seus planos.

1º - A nossa obediência, como a de Gideão, começa em casa (Jz 6.25). Tanto no Velho como no Novo Testamento, Deus destaca as nossas responsabilidades em relação à própria família. Filhos devem obedecer e honrar aos pais (Ef 6.1-3). Maridos e esposas devem amar um ao outro (Ef 5.25; 1 Pe 3.7; Tt 2.4,5). Pais devem instruir os filhos, criando-os na disciplina e admoestação do Senhor (Dt 6.6,7; Efésios 6:4). Um dos alvos de cada servo de Deus é de influenciar sua família para servir ao Senhor (Js 24.15).

2º - É na ordem de Deus que repousa a Sua autoridade (Jz 6.28). A ordem do Senhor para Gideão é que ele deveria derrubar o altar de Baal assim como o poste-ídolo e no lugar levantar um altar ao Senhor. Mas a ordem não para por aí, Gideão deveria oferecer nesse altar um boi em holocausto ao Senhor.

Só há alguns detalhes que devemos observar. Primeiro: Gideão não era levita e muito menos sacerdote, então pela Lei ele não poderia fazer isso. Segundo: ele ofereceu o holocausto ao Senhor durante a noite. Aqui nós encontramos um caso especial, não uma doutrina a ser quebrada daqui para frente. É bom observarmos isso porque há muitas pessoas pegando texto fora de contexto e fazendo dele uma doutrina sem base teológica.

- Obedecer a Deus trás as suas consequências (Jz 6.29-32). As pessoas do local se voltaram contra Gideão, elas não entenderam que era a mão de Deus os livrando da idolatria. Devido a isso os homens do local queriam matá-lo. Se não fosse a intervenção de seu pai ele teria enfrentado maiores dificuldades. Naquele dia, Gideão aprendeu uma lição de grande valor: se ele obedecesse ao Senhor, mesmo com medo em seu coração, o Senhor o protegeria e que obediência não gera simpatia do povo.

Por causa dessa atitude Gideão passou a ter um apelido: Jurubaal, que quer dizer: Baal contenda contra ele (v. 32). Muitas vezes, o mundo dá apelidos ofensivos a servos fiéis de Deus. D. L. Moody ficou conhecido como “Moody, o maluco” por ter feito a sua famosa escola dominical. Spurgeon foi, com frequência, satirizado. Os inimigos de João Calvino colocavam em seus cachorros o seu nome. 
    
Recentemente eu ouvi um testemunho de um homem que disse que havia um jovem crente que queria pregar na porta de um baile funk. Assim ele fez, mas chegando lá alguém disso que ele era de uma faquição criminosa diferente da deles. Imediatamente pegaram o pobre rapaz para matá-lo, embora ele alegasse estar ali pregando o Evangelho, pois ele era um homem de Deus. Não deram ouvidos a ele e o levaram para um lugar onde havia um valão. Depois que lhe deram uma surra, lhe quebrando as pernas e os braços, pegaram as suas armas e atiram nele. Mas para surpresa deles as balas não saiam, mas quando atiravam para cima saiam. Um deles resolveu então matá-lo esfaqueado, mas quando o bandido desceu no valão para matar o jovem crente, imediatamente ele caiu endemoniado. Com isso os bandidos reconheceram que aquele jovem era verdadeiramente um homem de Deus.

Quem contou esse fato foi um rapaz que presenciou esse ocorrido. Ele contou que Deus operou três milagres naquela noite. Primeiro não deixou aquele jovem morrer, segundo revelou a todos ali que ele era verdadeiramente um crente em Jesus, e em terceiro lugar o jovem que havia dado o testemunho foi um dos bandidos que havia quebrado as pernas e os braços daquele jovem.
Obedecer, repito, trás as suas consequências. 
   
TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE SEM O REVESTIMENTO DO ESPÍRITO SANTO A OBRA DE DEUS NÃO PODE SER FEITA (Jz 6.33-40).

O Senhor Jesus em Atos 1.8 disse: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”.

Esse mesmo Espírito que veio sobre a Igreja, veio antes sobre a vida de Gideão. Foi por causa dEle que Gideão conseguiu enfrentar o exército inimigo.

1º - Corremos quatro riscos sérios quando vamos realizar a obra de Deus:
1 - Fazer a obra de Deus sem Deus. 2 - Fazer a obra de Deus para glorificar a nós mesmos. 3 - Fazer a obra de Deus sem revestimento de poder. 4 – Fazer a obra de Deus sem a Sua orientação.

Há muitas pessoas que estão realizando grandes coisas em nome de Deus, mas quando vamos analisar como estão sendo feitas estas “obras” percebemos que muitas delas esbarram numa dessas quatro coisas. Isso quando não esbarram nas quatro.

Gideão foi convocado por Deus, foi revestido do Seu poder, não foi para glorificar o seu próprio nome e muito menos fez sem a orientação do Senhor. Esta é uma grande lição para nós.

2º - Não faça a obra de Deus com dúvidas (Jz 6.36-40). Alguém disse que a fé é igual escova de dente, cada um tem que ter a sua.

Quando os midianitas começaram a se preparar para fazer o seu ataque anual, Gideão temeu diante de tão grande exército. Eram mais de 135 mil homens do exército inimigo (Jz 8.10, 7.12), qual a chance que 32 mil homens teriam diante de 135 mil, além de inúmeros camelos (Jz 7.12)? Essa é a primeira vez que a Bíblia menciona camelos sendo usados em combate e, sem dúvida, aqueles que o montavam tinham rapidez e mobilidade no campo de batalha.

Sua desvantagem militar era de 4 contra 1! Isso com 32 mil homens, mas Deus não deixou Gideão entrar na batalha com este número de soldados. Em duas etapas, ele diminuiu a força militar de Israel. Primeiro, 22.000 voltaram para casa, e os midianitas ficaram com uma vantagem de 13,5 contra 1. Na segunda etapa, Deus mandou embora mais 9.700 israelitas, deixando Gideão com apenas 300 soldados. Para vencer o inimigo, cada soldado israelita teria que vencer 450 do inimigo!

Apesar da promessa da vitória Gideão duvidou da promessa de Deus. Por isso que Gideão pede a Deus mais dois sinais. Eu não duvido que o Senhor hoje possa nos dar sinal algum para tirar no nosso coração a dúvida, mas em geral não é assim que ocorre. O normal é o Senhor nos falar através de Sua Palavra, pois é ela que revela a Sua vontade para a nossa vida. Por isso eu lhe afirmo sem nenhum medo de errar: provas assim não é um método bíblico de determinar a vontade de Deus. Isso foi um caso isolado, por isso não se pode fazer disso um hábito entre os cristãos.

3º - Deus confirma o Seu chamado. Gideão faz o teste e o Senhor confirma o que Ele pediu nas duas vezes. Isso nos mostra que o Senhor olha para nós e entende os nossos medos, as nossas dúvidas... Isso nos é mostrado em Hb 4.15:

“Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.

CONCLUSÃO

Assim como Gideão, nós também estamos sendo convocados para lutar em prol do Reino de Deus e levar o Seu povo a reconhecer os seus erros e fazê-los deixar de ser presa do pecado e da miséria espiritual. Mas para isso nós precisamos estar dispostos a obedecê-Lo, tendo consciência que a vitória vem dEle e não de nós mesmos.

Estamos em guerra e se o Senhor não estiver ao nosso lado para nos orientar, certamente, pereceremos. Mas com o Senhor ao nosso lado poderemos falar como disse o salmista:

“SENHOR, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim. São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele. Porém tu, SENHOR, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça. Com a minha voz clamo ao SENHOR, e ele do seu santo monte me responde. Deito-me e pego no sono; acordo, porque o SENHOR me sustenta. Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados. Levanta-te, SENHOR! Salva-me, Deus meu, pois feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes. Do SENHOR é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção” (Sl 3).

Pense nisso e fique com Deus!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

AS CASAS EM QUE JESUS ESTEVE


Por Pr. Silas Figueira

Texto base: João 12.1,2

INTRODUÇÃO

Esse texto nos mostra Jesus em Sua última semana com os seus discípulos antes de ser levado à cruz. Ele estava na casa de Lázaro e de suas duas irmãs Marta e Maria, e ali lhe preparam uma ceia. A alegria estava estampada em todos os presentes, não só pela presença de Jesus, mas também por verem a Lázaro que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos. Muitas pessoas estavam ali não só por causa de Jesus, mas também por causa de Lázaro como o texto nos informa. Afinal de contas, Jesus havia operado um grande milagre naquela casa. No seio daquela família.

Jesus frequentava esta casa todas as vezes que se encontrava naquela região. Mas é interessante observar que Jesus não só entrou nesta casa, Ele esteve em muitas outras casas. E é sobre isso que eu quero pensar com você, sobre algumas casas em que Jesus esteve e o que Ele viu nelas e como agiu em cada uma delas. 

A PRIMEIRA CASA QUE EU QUERO VER COM VOCÊ É A CASA ONDE HAVIA UMA FESTA DE CASAMENTO (Jo 2.1-11)

Iniciando um casamento sem alegria

Jesus, juntamente com os seus discípulos, havia sido convidado para este casamento. E o texto nos fala que esse foi o lugar onde Ele operou Seu primeiro milagre. Se há um lugar onde Jesus quer operar sinais e maravilhas é no nosso casamento. O vinho era o símbolo da alegria, e o vinho havia acabado; e muitas dessas festas de casamento duravam uma semana. Imagine o constrangimento dos pais ao saberem que o vinho havia acabado. Tanto era um constrangimento que Maria comenta o caso com Jesus. Agora imagine quantos casamentos já há muito tempo perderam a alegria, ou pior, começaram sem alegria.

Um novo lar começa com o casamento, mas um lar sem alegria não é um lugar agradável de se viver. Observe algumas coisas que podemos tirar desse episódio:

1º - Se queremos ter um lar feliz, não digo sem problemas, mas feliz, é necessário convidar o Senhor Jesus para estar nele. A presença de Jesus em nosso lar é a razão de nossa casa ter sempre a Sua alegria. A alegria do Espírito Santo é contagiante quando convidamos Jesus para fazer parte do nosso casamento. 

Muitas pessoas casam-se em uma igreja evangélica, ouvem o sermão do pastor, mas só convidam Jesus para aquele momento, depois O deixam de fora de seus lares. Querem a bênção, mas não querem o abençoador. Querem desfrutar da presença de Jesus só por um momento e não para a vida toda. Quando surgem os problemas recorrem a Ele fora de casa, pois Ele não mora com a família. 

Entenda uma coisa: mesmo quando Jesus está presente em nosso lar os problemas acontecem. Jesus não é uma apólice de seguros contra as dificuldades que a vida oferece. Mas com Ele em nosso lar temos a esperança de que os problemas serão solucionados. Nunca se esqueça disso! 

2º - Precisamos de discernimento para detectar quando a alegria está acabando. Um casamento pode começar com muita alegria, mas no decorrer dos anos ela pode se acabar. Não espere que a alegria acabe para recorrer a Jesus, busque-o antes que isso ocorra. 

Muitas vezes nós não percebemos isso de imediato, mas Deus é maravilho e sempre vem ao nosso encontro usando pessoas que percebem que isso está acontecendo. Obseve que Maria foi uma dessas pessoas usadas por Deus para perceber o constrangimento que aquela família estava passando. Por isso não recuse o conselho de pessoas que querem o bem do seu lar. Não recuse a intercessão das pessoas que amam vocês. Uma coisa que eu aprendi nesses trinta anos de casado é que nós precisamos sempre de ajuda de pessoas de Deus, tanto nos aconselhando, quanto intercedendo por nós.

3º - Ponham em prática as ordens de Jesus. Observe que Jesus mandou os serventes encher de água as talhas. Mas o que havia acabo era o vinho. Meu irmão, minha irmã não discuta com Jesus, obedeça-o. O milagre é por conta dele, e Ele não precisa de nossa orientação para operá-lo. Mas se queremos ver o milagre devemos obedecê-lo. E o milagre ocorre quando observamos a Sua Palavra e a pomos em prática. 

Entenda uma coisa: o milagre que o Senhor opera, aos olhos humanos parece absurdo, mas o resultado é maravilhoso. Basta crer e obedecer. Quando assim fazemos desfrutamos do melhor em nosso casamento. O vinho que o Senhor tem para nós não é natural, assim como a alegria em nosso lar também não é. A alegria natural acaba no decorrer dos anos muitas vezes, mas a alegria do Senhor se renova e é sempre a melhor. O vinho novo é melhor.

A SEGUNDA CASA QUE EU QUERO VER COM VOCÊ É A CASA DE PEDRO (Mc 1.29,30)

Quando a doença se instala em nosso lar.

O contexto de Marcos nos mostra que Jesus estava em Cafarnaum e foi para uma sinagoga no dia de sábado onde um homem possesso de espírito imundo é liberto. Ao saírem da sinagoga, na companhia de Tiago e João, foram para casa de Simão Pedro e André. Chegando lá encontraram a sogra de Pedro enferma e acamada. Pedro era um homem casado e sua sogra morava com ele. Vemos com isso que era um homem zeloso para com os seus familiares.

1º - Zelo para com a família não isenta ninguém de ter problemas em sua casa. Pedro era apóstolo, mas dentro de sua casa a enfermidade havia se instalado. A sua sogra se encontrava enferma. Devemos entender que vivemos em um mundo onde estamos sujeitos a todo tipo de doenças e enfermidades. Alguns pregadores dizem que as pessoas ficam enfermas por falta de fé, que se somos crentes em Jesus nada de ruim pode nos acontecer. Isso é uma grande mentira.

Fique sabendo que o crente fica doente e pode morrer doente. Mas uma coisa é certa: Jesus curou e continua curando hoje. Não limite o poder de Deus como muitos tem feito. Agora, devemos ter maturidade para entender que Ele cura quem quer, quando quer. 

2º - Devemos levar o problema a Jesus. “E logo lhe falaram a respeito dela” (Mc 1.30). “E rogaram por ela” (Lc 4.38). Os discípulos imediatamente rogaram a Jesus que intervisse naquele problema que aquela família estava enfrentando. Uma pessoa doente gera em todos da casa comoção e angústia. Veja o que Paulo nos fala em 1Co 12.25,26: 

“Para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam”

A palavra grega para “febre” é a mesma palavra para fogo. Mateus diz que ela estava ardendo em febre (Mt 8.14). Lucas, que era médico, usando um termo mais técnico diz que ela estava com febre muito alta (Lc 4.38). Por isso que os discípulos rogam por ela.

3º - As nossas causas impossíveis são possíveis para Jesus (Mc 4.30,31). A sogra de Pedro estava acamada. A palavra “acamada” no grego é katakeimai que pode ser traduzida por “estar prostrada”. 

A sogra de Pedro não tinha forças para reagir nem diante de Jesus. Ela provavelmente queria se levantar, mas não tinha forças para isso.

Quantas vezes as nossas forças se esvaem e não conseguimos reagir a nada. Se não houver uma intervenção de Jesus nós iremos morrer prostrados, pois pela nossa livre e espontânea vontade é impossível reagir e se levantar. Só há uma coisa que precisamos fazer, é deixar o Senhor entrar onde estamos e pedir que Ele repreenda todo o mal e que nos tome pela mão. Pois para Jesus não existe doença incurável. Essa febre, que tudo indica era causada pela malária, levava o enfermo à morte. Mas veja o que Jesus fez: “inclinando-se para ela, repreendeu a febre (Lc 4.39), tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando a servi-los” (Mc 1.31)

O resultado foi que a febre a deixou. Toda infecção foi neutralizada pela ordem de Jesus. A cura foi imediata. Devemos entender que existem enfermidades físicas, emocionais (psicossomáticas) e até espirituais. Mas Jesus pode curar todas elas, pois para Deus não há impossível. 

A TERCEIRA CASA QUE EU QUERO VER COM VOCÊ É A CASA DE JAIRO (Mc 5.21-24, 35-43)

Superando a incredulidade

Jairo era um dos principais da sinagoga de Cafarnaum, ele era um dos administradores. Jesus muitas vezes se encontrou com Jairo nessa sinagoga, pois era uma das sinagogas que Jesus frequentava. Segundo se entende Jairo não cria que Jesus era o Messias, mas diante de uma grande adversidade por ele enfrentada ele o busca desesperado. Assim como na casa de Pedro, a doença havia se instalado em sua casa, a sua única filha que tinha em torno de doze anos estava à beira da morte.

Mas para que Jairo vivenciasse o milagre em sua casa ele teve que superar alguns obstáculos, que muitas vezes tem sido também para muitas pessoas hoje.

1º O primeiro obstáculo foi o orgulho. Jairo era alguém que era procurado para dar conselhos e fazer orações, mas que agora se vê em uma encruzilhada: procurar a ajuda de Jesus ou ficar com o seu orgulho? O que que os visinhos, os amigos, os fariseus e as pessoas que frequentam a sinagoga iriam pensar dele por buscar ajuda de Jesus? Esse é o grande problema irmãos, muitas pessoas deixam de ser abençoadas por Jesus por se preocuparem com o que os outros vão pensar a respeito delas. “O que vão pensar de mim se eu procurar Jesus, se eu for à igreja”. Gente assim nunca será abençoada, pois o orgulho é maior que a fé em Jesus. 

Dizem que orgulho é igual mau hálito, quem tem não sabe que tem. Jairo teve que engolir o seu orgulho para poder ver o milagre em sua casa. 

2º - O segundo obstáculo que Jairo teve que enfrentar foi o da espera. Enquanto Jesus o acompanhava até a sua casa, uma mulher toca em Jesus e é curada por Ele. Nesse ínterim Jesus para dar atenção àquela pobre mulher, e é nesse período que a sua filha morre. O tempo é um terrível obstáculo a ser enfrentado por todos nós. Quando a espera parece interminável, Jesus nunca chega na hora que mais precisamos dEle, pensamos. Isso não foi diferente com Jairo.

Mas saiba de uma coisa, os milagres ao nosso redor são para fortalecer ainda mais a nossa fé no Senhor, pois o nosso milagre também está por chegar. Creia nisso.

3º - O terceiro obstáculo que ele teve de enfrentar foi a própria realidade (Mc 5.35). Pessoas que trazem más notícias e incrédulas sempre teremos ao nosso redor. Gente que irá falar que não precisamos de Jesus, pois a morte já chegou. Gente que sempre fala que é assim mesmo, que não tem jeito. Que devemos nos conformar com a situação da nossa casa, nos conformar com a morte espiritual dos nossos familiares. Gente assim é igual ave de agouro. Espante para longe de você.

4º - O quarto e maior obstáculo é a falta de fé (Mc 5.36). Observe que quando Jesus chega à casa de Jairo todos estavam chorando, mas quando Ele fala que a menina não estava morta, mas estava dormindo todos riram dele (Mc 5.38-40). A incredulidade leva as pessoas rirem da nossa fé. 

Um conselho que lhe dou: “Não ande com gente assim”. Ande com gente crente, gente de fé, gente que crê na intervenção de Deus hoje na vida das pessoas. Faça como Abraão, deixe os servos cuidando do jumento, mas sobe o monte para adorar a Deus (Gn 5.5). Gente incrédula tem mais é que tomar conta de jumento, o crente vai adorar crendo no milagre (Hb 11.17-19). 

Somos muitas vezes chamados de fanáticos e tudo o mais. Por isso que Jesus mandou todos saírem. Só entrou com Ele onde estava a menina, Jairo e a esposa, Pedro, Tiago e João (Mc 5.41).

A fé gera o milagre, mas o milagre não gera fé. Jesus ressuscita a menina e logo manda que lhe dessem de comer. Sabe o que isso quer dizer? Que Jesus opera o milagre, mas cabe a cada um de nós fazê-lo permanecer vivo – melhor que um milagre é não depender dele. E no caso em questão é não depender dele novamente. 

A QUARTA CASA QUE EU QUERO VER COM VOCÊ É A CASA DE MARTA E MARIA (Jo 11.1-15, 20-27, 39-44)

Decepcionados com Deus.

Começamos a mensagem lendo o texto de João capítulo 12 onde Jesus está em um banquete na casa de Lázaro, Marta e Maria, havia ali muita alegria, pois, afinal de contas, Lázaro havia ressuscitado e estava entre os que o amavam. Mas antes desse milagre acontecer, as irmãs de Lázaro passaram por uma grande decepção com o Senhor. Lázaro havia ficado muito enfermo e elas mais do que de pressa mandaram dizer a Jesus que aquele a quem Ele amava estava enfermo. Mas Jesus ficou mais dois dias no lugar onde estava. Quando Ele chega à Betânia Lázaro já estava sepultado há quatro dias. 

Essas duas irmãs quando souberam que Jesus havia chegado os seus corações estavam completamente tomados pela decepção. A decepção delas para com o Mestre estava estampada em suas palavras: “Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido o meu irmão” (v 21). “Quando Maria chegou ao lugar onde estava Jesus, ao vê-lo, lançou-se-lhe aos pés, dizendo: Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido” (v 32).

Há uma grande decepção na fala dessas mulheres. Afinal de contas elas eram amadas do Senhor, assim como Lázaro (v 5). Mas porque Ele não ouviu o clamor dessas irmãs? Porque que Ele não foi de imediato para socorrê-las? Porque que o Senhor fez isso com elas e faz o mesmo conosco também hoje? 

Devido a isso nós nos decepcionamos com Ele. Apesar de não admitirmos tal sentimento. Mas a grande questão é: Porque nos decepcionamos com Deus? O que há realmente por trás dessa decepção? Creio que existam três razões que podemos detectar nesse texto.

1º - Nos decepcionamos com Deus porque nos tornamos tão íntimos do Senhor que achamos que Ele está a nossa disposição a qualquer hora (v 3). Por trás dessas palavras há uma certa ordem para que o Senhor deixasse tudo o que estivesse fazendo e ir correndo socorrer o seu amigo. Há um certo determinismo oculto por trás dessas palavras, que creio, que elas não sabiam que estivesse. Mas há. 

Observe que elas não dizem que era Lázaro, mas “aquele a quem tu amas”, era como se Jesus tivesse a responsabilidade de curá-lo na hora que elas quisessem. Afinal era aquele a que Ele amava, não era um Lázaro qualquer, aquele que não era o Seu amigo, não, era O LÁZARO QUE ELE AMAVA. 

Eu tenho uma má notícia para você, somos iguaizinhos a elas. Ainda que de forma inconsciente nós também pensamos iguais a elas. Quando a dor, a crise, a enfermidade nos bate à porta logo avisamos ao Senhor achando que Ele deixará tudo para nos socorrer de imediato. Mas nem sempre isso ocorre. Ele vem e nos socorre, mas às vezes demora. E como demora às vezes. 

Queridos, Jesus é Senhor e não servo. Ele é quem sabe o momento de agir e se deve agir. Ele não está a nossa disposição como o gênio da lâmpada de Aladim. Por isso nos decepcionamos com Ele. Mas a culpa é nossa.

2º - Nos decepcionamos com Deus quando achamos que o agir dele está limitado ao tempo e ao espaço (vs 21, 32). Queridos, basta uma palavra do Senhor e tudo pode mudar. Não há necessidade da presença física do Senhor para que o milagre aconteça. Jesus havia curado muitas pessoas apenas com uma ordem sem se quer ir à casa da pessoa (Lc 7.1-10; Jo 4.43-54).

Há muitas pessoas hoje que pensam que a oração do pastor só faz efeito se ele estiver impondo as mãos sobre o enfermo. Há dois erros nesse pensamento: o primeiro é achar que pastor tem algum poder e segundo é achar que existe oração forte. O que existe é um Deus forte para quem nós dirigimos as nossas orações. 

3º - Nos decepcionamos com Deus quando enquadramos o Senhor dentro de nossa teologia (vs 24-27, 39,40). Muitos teólogos dizem que quando morreu o último apóstolo morreu com ele os milagres. São enfáticos em dizer: Deus não cura mais hoje. Os milagres acabaram. 

Eu creio em curas, não em curandeiros. Eu creio em milagres, mas não em marcar hora para que ele aconteça. E é o que mais temos visto por aí, infelizmente. Nisso eu não creio. E eu não creio por ouvir falar, mas por experiência própria. Já vi curas, mas também já vi o Senhor dizer que não estava ouvindo aquela oração e que iria levar a pessoa, e levou. 

Deus é Deus e Ele não mudou. Não o limite a sua teologia, mas também não faça dele um curandeiro, um xamã ou qualquer outra coisa nesse nível. O Senhor continua agindo através da Sua misericórdia e graça ainda hoje. 

Ouça os testemunhos dos muitos missionários que estão no campo e você verá o quanto Deus tem feito através deles na vida de muitas pessoas, e quantos milagres o Senhor tem operado na vida de muitas ali. Deus não mudou. Por isso não o prenda dentro de sua teologia. Quando o último apóstolo morreu o Senhor continuou vivo!

CONCLUSÃO

Jesus esteve em muitas casas e em todas elas Ele agiu com misericórdia e graça. Hoje Ele que estar na sua casa também. Convide-o a fazer morada em seu lar. Se você vai se casar convide-o para a festa, leve-o para o seu lar para que o vinho não acabe e a alegria se renove a cada manhã. 

A enfermidade vem; as decepções também, mas o nosso Deus não mudou. Infelizmente o que muda é a visão que temos do Senhor, por isso que a nossa oração é para que Ele abra o nosso entendimento e nos faça crescer na graça e nos conhecimento do nosso Senhor Jesus Cristo.

Pense nisso!

sábado, 9 de abril de 2016

DE DEUS AOS ÍDOLOS


Por Pr. Silas Figueira

Texto base Ezequiel 14.1-11

INTRODUÇÃO

O profeta Ezequiel nasceu em uma família sacerdotal (Ez 1.3), seu nome significa “Deus Fortalece”. O profeta Ezequiel foi levado junto com outros judeus para o cativeiro babilônico em 597 a.C., ou seja, na segunda deportação de Judá enquanto que Daniel foi na primeira deportação. O cativeiro ocorreu por causa da idolatria do povo juntamente com os líderes judeus. Ali na Babilônia ele se instalou em sua casa, numa vila próxima de Nepur, junto ao rio Quebar.

O profeta Ezequiel passava todo tempo em casa, exceto quando Deus ordenava que ele saísse (Ez 3.24), e não tinha permissão de falar a menos que fosse para proclamar uma mensagem do Senhor. Quando o Senhor chamou o profeta Ezequiel, advertiu-o de que estaria ministrando para um povo rebelde (Ez 2.3-8), espiritualmente cego e surdo (Ez 12.2).  O texto que lemos nos mostra os anciãos de Israel (Judá tornou-se Israel depois do cativeiro assírio que levou cativo o reino norte – Israel), indo procurar o profeta para ouvir o que o Senhor tinha a dizer sobre a situação deles e a dos exilados (Ez 8.1; 20.1).

Mas quais lições podemos tirar desse texto? O que ele tem a nos ensinar?

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE CORREMOS O RISCO DE SERMOS CORRIGIDOS PELO SENHOR E NÃO APRENDERMOS A LIÇÃO (Ez 14.1-3).

Mesmo diante de uma situação calamitosa que estavam enfrentando, os judeus não se arrependeram de seus pecados, continuavam buscando ajuda de outros deuses e se escondiam atrás da religião de seus pais. O templo em Jerusalém fora profanado pela idolatria, tudo aquilo que o Senhor havia dito para não fazerem eles estavam fazendo (Ez 8). Tudo isso estava ocorrendo em Jerusalém enquanto o povo estava no cativeiro babilônico.

1º - O Senhor desmascarou a idolatria de seus corações e o falso temor que eles tinham de dEle. Pelo que vemos aqui os anciãos não haviam aprendido ainda que a causa do cativeiro fora exatamente a idolatria deles e do povo. Eles continuavam não só na idolatria como tentavam enganar o profeta com as suas hipocrisias. Mas a Deus ninguém engana.

Em seus corações, em vez de haver amor a Deus e à Sua Palavra, havia ídolos. Ainda assim, assentavam-se piedosamente diante do profeta de Deus e fingiam ser espirituais. Para eles ouvir o profeta Ezequiel era como desfrutar de um entretenimento religioso, não era para receber a Palavra de Deus (Ez 33.31).

Não está diferente dos dias atuais aonde muitas pessoas vão às igrejas, mas sem nenhum compromisso com Deus e com a Sua Palavra. Vão por ser um lugar, muitas vezes de encontro, por ser um lugar onde há um show acontecendo, por ser a igreja da moda... Enfim vão por todos os motivos, menos para ouvir Deus falando e, infelizmente, os seus líderes só servem para entreter as pessoas presentes. Como disse certa pessoa: “Se o Espírito Santo for retirado de algumas igrejas eles não perceberão que isso ocorreu”.

2º - A desgraça que se abateu sobre eles não os levou ao arrependimento. Aqui que está o X da questão, o Senhor corrige o seu povo, mas a obstinação pelo pecado é maior que o temor a Deus. Jesus afirmou que as pessoas amavam mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más (Jo 3.19).

Muitas pessoas perguntam por que o mundo está um caos, simples, porque as pessoas não querem se sujeitar ao senhorio de Cristo e muito menos fazer a Sua vontade; e quando eu falo “as pessoas” estou me dirigindo àquelas pessoas que estão dentro de nossas igrejas. Gente que congrega todos os dias em suas igrejas, gente que entrega seus dízimos e as suas ofertas, gente que tem cacoete de crente, mas que está longe de serem servos do Senhor. Esses tais ainda amam as trevas (a maioria juntamente com muitos de seus líderes), querem o cuidado de Deus, mas não querem se sujeitar a Sua vontade apesar de tê-las em suas mãos. 

Veja o resultado que ocorreu em Jerusalém na época do profeta Ezequiel registrado pelo profeta Jeremias no livro de Lamentações:

“Forçaram as mulheres em Sião; as virgens, nas cidades de Judá. Os príncipes foram por eles enforcados, as faces dos velhos não foram reverenciadas. Os jovens levaram a mó, os meninos tropeçaram debaixo das cargas de lenha; os anciãos já não se assentam na porta, os jovens já não cantam. Cessou o júbilo de nosso coração, converteu-se em lamentações a nossa dança. Caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós, porque pecamos!” (Lm 5.11-16).

É o que temos visto hoje em nossa sociedade é o reflexo da igreja brasileira, uma igreja que não busca a Deus para ouvi-lo, mas para se beneficiar dEle. Com isso vemos o aumento da violência, a roubalheira descontrolada, famílias totalmente sem respeito uns pelos outros, enfim, a desgraça em todos os ramos da nossa sociedade. Que vai do Governo Federal, passando pela sociedade civil e entrando na Igreja. E a culpa de tudo isso é da igreja. Falo sem medo de errar. A igreja de hoje não está nada diferente da época de Ezequiel, Jeremias e Daniel. A igreja hoje não se modernizou, mas se mundanizou!

3º - Israel tornou-se sal fora do saleiro. Israel era para ser luz para as nações, no entanto as trevas que havia no mundo tomou o coração de todos. Eles, que deveriam evangelizar o mundo, estavam agora precisando ser evangelizados, aliás, estavam sendo, mas não queriam ouvir a voz de repreensão do Senhor.

Entenda uma coisa: uma igreja que não salga, que não dá sabor, que não é luz neste mundo, uma igreja que não reflete a imagem de Cristo precisa com urgência ser evangelizada, ou, na melhor das hipóteses, voltar ao primeiro amor (Ap 2.4).  Poucos são aqueles que têm lutado por uma vida santa e irrepreensível. Poucos são aqueles que levam Deus a sério. Mas graças a Deus que ainda existe um remanescente fiel. 

A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE PODEMOS NOS TORNAR IDÓLATRAS TAMBÉM (Ez 14.4,5).

É muito fácil olharmos para esse texto e recriminar os anciãos e o povo que foi levado para o cativeiro babilônico. É fácil olharmos para eles e corarmos a face de ira por eles não terem ouvido a voz de Deus e ter lhe dado ouvidos. Mas é nessa hora que devemos olhar para esse texto e ver se não há em nós algum caminho mal e pedir ao Senhor que nos guie pelo caminho eterno, como disse o salmista (Sl 139.23,24).

1º - Quando os ídolos tomam o coração? Todas as vezes que deixamos Deus de lado e começamos a achar que podemos ser guiados pela razão fabricamos um ídolo. Como diz Erwin Lutzer: “Dizer eu acredito em Deus pode simplesmente significar que estamos vendo a nós mesmos em um espelho de corpo inteiro [...] A idolatria vai muito além de se prostrar (dançar) diante de uma estátua, seja ela de ouro, de prata, de gesso ou madeira; é a construção mental de um deus que tem pouca semelhança com o Deus verdadeiro. Idolatria é dar respeitabilidade às nossas opiniões sobre Deus, formadas à nossa imagem e semelhança. É forjar uma ideia de Deus de acordo com nossas inclinações e preferências”.

O termo ídolo aqui no texto de Ezequiel é bolas de esterco, uma figura vulgar que o profeta utilizava com frequência. É aquilo que se deve evitar, jogar fora, porque fede nas narinas do nosso Deus. E a Bíblia nos fala que somos o bom perfume de Cristo (2Co 2.15).

2º - Por que criamos os nossos deuses? Porque o Deus verdadeiro tem as suas exigências e muitas pessoas preferem não se sujeitar a elas. Por isso que as pessoas constroem um deus baseado em seus próprios desejos e interesses egoístas. E quais seriam eles?

● O deus da minha saúde e riqueza.
● O deus das minhas necessidades emocionais.
● O deus do meu sexo.
● O deus da minha autojustificação.

A pessoa tem uma imagem distorcida de Deus e desde então acham que Deus é aquilo que criaram segundo a sua vontade.

3º - Esse deus está mais perto de nós do que possamos imaginar. Por exemplo, pediram ao Bispo Walter McAlister que definisse o que era o neupentecostalismo. Ele então o definiu da seguinte forma: “O neupentecostalismo é um movimento de religião popular que vê Deus como alguém que distribui benefícios com base na necessidade ou no desejo da massa [...] Esse movimento é marcado por um otimismo muito grande: ‘Vai dar certo, vamos vencer’. O conceito de vitória é muito forte no neopentecostalismo [...] Utilizando frases bíblicas fora do seu contexto e aplicam de forma extremamente otimista (Tudo posso naquele que me fortalece – Fl 4.13, tudo o quê? Tudo o que eu quiser, ora). Acima de tudo, o neopentecostalismo é orientado para o bem-estar pessoal, com o estar de bem com a vida e a prosperidade financeira, quase que exclusivamente. Fala-se pouco sobre conversão de fato; fala muito sobre benefícios que se pode alcançar por meio da oração fervorosa e do ambiente de emoção”.

Só para esclarecer: o neopentecostalismo não está só nas igrejas carismáticas, mas também é uma tendência hoje em muitas igrejas chamadas históricas. 

Isso é idolatria, pois cria-se um deus que não é o Deus da Bíblia. É um deus criado segundo os interesses pessoais. É um deus que se molda a nossa vontade. Apesar de usar a Bíblia para justificar os seus interesses, mas como já foi falado, é texto fora de contexto, e isso é um grande pretexto para heresia. 

TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO AQUI É QUE O SENHOR SEMPRE CHAMA O SEU POVO AO ARREPENDIMENTO (Ez 14.6-11).

O Senhor não deixa de confrontar o Seu povo. Ele se levanta e mostra o erro daqueles que chamam pelo Seu Nome. Só que esta palavra conversão tinha perdido o seu significado para os homens iníquos no cativeiro. Eles chegaram a odiar a Lei do Senhor por amar os seus próprios caminhos.

1º - O arrependimento é uma mudança de mentalidade (Ez 14.6,11). Significa deixar o pecado e voltar-se para o Senhor. Os exilados judeus precisavam mudar de ideia sobre os ídolos e a adoração a falsos deuses e, então, voltar-se para o único Senhor que é digno de toda adoração.

2º - Deus julga o seu povo, mas trata com cada um de forma individual (Ez 14.7). O que o homem planta ele colhe (Gl 6.7) e, o Senhor retribuirá a cada um segundo o seu procedimento (Rm 2.6). O Senhor lida com o todo, mas de forma individual.

3º - O Senhor não deixará de julgar o Seu povo e nem os falsos profetas que o seduz (Ez 14.9,10). O texto aqui está falando dos falsos profetas que eram consultados e levavam o povo ao engano. Foram esses falsos profetas que enganaram o povo antes do cativeiro e agora continuavam enganando no cativeiro. Por isso que tanto o profeta que fala dolosamente, assim como os homens corruptos serão severamente punidos.

O Salmo 50.21 diz: “Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista”. O Senhor é longânimo, Ele é tem uma extrema paciência, mas o cálice de Sua ira um dia irá transbordar e então os que andam na contramão de Sua Palavra irão beber de Sua ira.

CONCLUSÃO

O texto que lemos nos mostra a hipocrisia dos líderes religiosos, mas também mostra a misericórdia de Deus para quem se voltar para Ele. A idolatria está muito além de uma imagem que se adora, a idolatria está muitas vezes dentro do coração, e um coração cheio de ídolos fede nas narinas de Deus. Por isso devemos nos examinar para ver se não estamos levantando algum altar em nossos corações e colocado nele algum ídolo; ídolo esse que pode ser a nossa vontade e não a vontade de Deus.  
Esse texto é um alerta para todos nós, por isso meu irmão e minha irmã examinem-se e se há algum ídolo se instalando dentro do seu coração busque a face do Senhor e se arrependa e se volte para Ele.

E que o Senhor tenha misericórdia de nós.


Pense nisso! 

sábado, 2 de abril de 2016

A GRAÇA DE DEUS E A MULHER ADÚLTERA


Por Pr. Silas Figueira


Texto Base João 8.1-11

INTRODUÇÃO

Para muitos eruditos esse texto não faz parte do Evangelho de João, eles alegam que essa passagem não faz parte dos manuscritos mais antigos, só vindo a aparecer nos manuscritos mais novos, e nos casos em que aparece, nem sempre se encontra nessa parte do Evangelho de João. No entanto, Papias, um discípulo de João, parece ter conhecido e exposto essa história. A maioria dos estudiosos concorda que essa passagem faz parte das Escrituras, e segundo F. F. Bruce, é “um fragmento de material autêntico do Evangelho”, onde quer que seja colocado. Por isso que a versão Almeida Revista e Atualizada trás esse texto entre colchete [Jo 7.53-8.11].

Eu não tenho nenhuma dificuldade de crer nesse episódio, pois eu creio que o Senhor preservou a Sua Palavra e ela é fiel e verdadeira. As aulas que tenho dado no seminário sobre Crítica Textual só aumentam ainda mais as minhas convicções do quanto o Senhor preservou a Sua Palavra. E outro detalhe importante, esse texto é uma ponte que liga o discurso de Jesus no templo e as diversas reações a esse discurso, principalmente a dos principais sacerdotes e fariseus, conf. Jo 7.1-53. Hernandes Dias Lopes citando Hendriksen diz que essa passagem pode ser entendida como preparação e elucidação do discurso do Senhor em João 8.12. Lembrando-nos que essa mulher e seus acusadores estavam numa densa escuridão moral. Assim não nos surpreendemos ao ler: Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12).

Voltemos ao texto.

O texto nos diz que era madrugada e Jesus volta do monte das Oliveiras para o templo e logo pela manhã já estava ensinando. Lá estava Ele rodeado de pessoas, alguns são discípulos, outros curiosos. Quer discípulos, quer curiosos, eles o ouvem atentamente. Podemos dizer que aquelas pessoas abriram mão do sono para estarem com Jesus bem cedo para ouvi-Lo. Acordaram cedo para comer de um pão espiritual que somente Ele poderia oferecer. Somente o verdadeiro Pão da Vida pode saciar a fome espiritual das pessoas.

Não sabemos o que o Senhor estava ensinando, mas foi nesse instante da manhã que um bando interrompe o ensino de Jesus. Invadem o pátio, eram líderes religiosos, homens respeitados e importantes. A horda é constituída da mais alta nada da sociedade judaica, eram os escribas e fariseus, eram os pastores e diáconos daquela época.

Esses homens saem de alguma rua estreita com uma mulher. Como diz o Pr. Eduardo Rosa Pedreira: “esses homens são conhecidos como vigilantes morais, policiais do pecado alheio, gente com olhos abertos para detectar como radares humanos a fraqueza do outro”.

Com eles está uma mulher. Como diz Max Lucado: “e lutando para manter o equilíbrio na crista dessa onda bravia encontrava-se uma mulher semidespedida”. Apenas momento antes estava na cama com um homem que não era o seu marido. Esses policiais do pecado alheio não estavam interessados na Lei, nem muito menos na questão do adultério, pois se não teriam levado o homem também. Queriam apenas usar de forma desonesta essa situação para apanhar Jesus em algum erro, em uma armadilha (v. 6).

Se Jesus recomendasse a clemência, Ele se colocaria em oposição à Lei de Moisés. Se Ele recomendasse o apedrejamento, os judeus sabiam que tal julgamento entrava em choque com a jurisdição romana, que reservava para si o direito de aplicar a morte. A malignidade desses homens era notória em suas atitudes. Eles queriam pegar Jesus em algum erro, era isso que lhes interessava. A pobre mulher era só um chamarisco para tal coisa.

Esses homens põem esta mulher na frente de Jesus e lhe dizem:

– Apanhamos esta mulher em flagrante adultério! Brada o líder. A lei diz para apedrejá-la. O que o Senhor diz?

A lei dizia muitas coisas.

● A Lei referente ao adultério era realmente muito severa, porquanto de acordo com as passagens de Lv 20.10 e Dt 22.22 nesse caso, ambos os envolvidos, deveriam ser condenados à morte.

● Em Dt 22.23,24 especifica a morte por apedrejamento para o caso especial de adultério em que a mulher fosse virgem, comprometida com outro homem (noiva).

● Em Lv 21.9 diz que se a filha de um sacerdote viesse a tornar-se prostituta deveria ser queimada.

Em outras palavras, aquela mulher perante a Lei deveria morrer.

É, pois, neste maravilhoso encontro, neste cenário atípico que podemos tirar algumas lições importantes para nossa vida.

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE PRECISAMOS MUDAR A NOSSA VISÃO – Uma pessoa é maior que seus pecados.

Enquanto os fariseus viram uma mulher adúltera, Jesus viu uma pessoa. Jesus viu gente. Para os seus acusadores nada do que ela foi ou poderia ser era mais importante que o adultério por ela cometido. Toda a sua vida estava resumida naquele ato. Um momento apenas, e tudo mais foi ignorado.

O seu pecado era passivo de morte, isso é um fato. Ela havia traído o seu marido. A palavra grega para adultério é moikeia, que descreve uma relação extraconjugal. Ela violou os votos de fidelidade conjugal, quebrou a aliança, feriu a Lei de Deus e transgrediu o sétimo mandamento.

Não estou querendo justificar o pecado desta mulher, mas nós não sabemos o que aconteceu para que esta mulher fizesse isso. Não sabemos se seu marido a maltratava, se ele havia a traído também e por isso com ela estava se vingando dele. Quem sabe ela se aproveitou do fim da festa dos tabernáculos, já que a cidade estava lotada de gente para dar vazão aos seus desejos e pecar. Não sabemos se não foi nos braços de um estranho que ela encontrou o carinho, o afeto que seu coração tanto desejava. Não sabemos. De uma coisa sabemos:

1º Os fariseus usaram de sua autoridade para condenar e não para restaurar (Jo 8.4,5). Os líderes religiosos usaram da sua autoridade tanto para condenar a mulher, quanto para condenar Jesus. Mais uma vez repito, o que havia ali era uma grande malignidade no coração daqueles homens. Passava longe do coração deles a misericórdia.

O Cristo Redentor é uma estátua com vinte e sete metros de altura. Mil trezentas e vinte toneladas de concreto armado. Posicionada numa montanha dois mil e quatrocentos metros acima do nível do mar. Essa estátua do Cristo Redentor é impressionante, mas há uma grande ironia nesse Redentor: ele é cego. A segunda ironia é que no peito da estátua há um coração. Só que é um coração de pedra. A terceira ironia é que abaixo dele há uma cidade envolta no pecado, mas que ele não redime, não tem poder de libertar as pessoas de seus pecados.

A estátua do Cristo Redentor é um símbolo desses fariseus. Homens cegos e com um grande coração de pedra. Não havia nem ternura em seus olhos e nem amor em seus corações. Muitos daqueles homens tinham a idade para ser seu pai, mas eles não a viram como uma filha que precisava de colo, de carinho, de respeito, de disciplina, mas a viam como digna de morte. Eles eram redentores sem vista e sem coração.

2º Vemos a hipocrisia dos religiosos (Jo 8.5,6). Esses religiosos pareciam estar preocupados com a Lei, com a moral e os bons costumes, mas na verdade eram grandes hipócritas. Gente sem nenhum compromisso com Deus e muito menos com a Sua Lei. Eram homens invejosos que não conseguiam conviver com a popularidade de Jesus e nem queriam ouvir os seus ensinamentos. Diziam ser filhos de Deus, mas eram filhos do diabo como bem disse Jesus. A vergonha e os temores da mulher, ao ser exposta publicamente, não lhes significava nada, conquanto alcançassem o objetivo que tinham proposto que era de matar Jesus. Com essa atitude esses líderes se tornaram mais culpados que a acusada.

3º Corremos o risco de nos tornarmos como esses homens (Jo 8.9,10a). Observe que a multidão pega em pedras para apedrejar a mulher. As mesmas pessoas que estavam ouvindo os ensinamentos de Jesus, de repente, passam a dar atenção aos líderes religiosos. Isso serve de alerta para todos nós. Corremos o risco de sermos influenciados a ver os pecados alheios e não repararmos nos nossos. Como disse Jesus em Mt 7.1-5 sobre o julgar o pecado alheio.

SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE SOMOS TODOS IGUAIS DIANTE DE JESUS (Jo 8.7-9).

O que vemos aqui é a igualdade radical de todo ser humano diante de Jesus. Aos olhos de Deus todos nós somos pecadores (Rm 3.23). Para Ele não existe tamanho de pecado, nós sim fazemos distinção, nós sim comparamos tamanho de pecado. Aqui em baixo é que somos diferentes. Aliás, é bom lembrar que há muitas pessoas em nossas igrejas que se alegram, infelizmente, com o pecado dos irmãos, principalmente se seus pecados forem “maiores” que os deles. Assim eles se sentem mais santos que os outros.

1º - Jesus nivelou todos eles ao pecado da adúltera (Jo 8.7). Hernandes Dias Lopes citando William Barclay diz que é interessante notar que “a palavra grega anamartetos, ‘sem pecado’, significa não só sem pecado, mas também sem um desejo pecaminoso. Portanto, Jesus estava dizendo: vocês só podem apedrejá-la se nunca desejaram no coração fazer o mesmo”.

Veja o que o Senhor disse em Mt 5.27,28: “Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela”.

O certo é que as pedras abandonadas no chão provam que o adúltero e a adúltera são tão pecadores aos olhos de Jesus quanto qualquer um que não haja cometido este pecado, mas esteja envolvido em outros.

2º - Quando somos confrontados com os nossos pecados há quebrantamento (Jo 8.9). O que se ouviu depois da pergunta de Jesus foi o bater de pedras no chão. Felizmente aqueles homens tinham um pouco de senso crítico e consciência sensível, a ponto de perceberem seu próprio pecado e abandonarem a ideia de tentar matar uma pessoa tão pecadora quanto eles.

Quando me considero tão pecador quanto aquele que me feriu, entro num caminho de quebrantamento maravilhoso. Minha ira pode ser quebrada, meu orgulho pode ser quebrado, meu eu pode ser quebrado por esta atitude de não atirar pedras em quem me feriu – conquanto tenha todas as razões do mundo para fazê-lo.

3º - Quando me considero tão pecador quanto aquele que me feriu, então percebo que há perdão para o outro. Isso não é fácil de se ouvir, principalmente quando alguém já foi ferido por outra pessoa através de um adultério. Talvez você diga que eu estou falando isso porque tal coisa não aconteceu comigo, mas eu quero lhe dizer que se eu não pensar assim eu estou dizendo que o sacrifício de Cristo na cruz foi só para perdoar alguns pecados, e, principalmente, não perdoar os que me feriram.   

Não estou dizendo com isso que devemos voltar a conviver com quem nos feriu. Eu estou dizendo que devemos perdoar aquelas pessoas que nos feriram, pois essa é uma necessidade da nossa alma, se não liberamos perdão nós iremos morrer envenenados com o nosso ódio.

TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE A GRAÇA DE DEUS NOS ISENTA DA MORTE (Jo 8.10,11).

O Pr. Eduardo Rosa Pedreira diz que “o ver que todos haviam saído de cena sem condenar a mulher, Jesus também não a condena. Aliás, naquele cenário Ele era o único com condições de atirar a primeira pedra. Contudo não o fez. Ele nem se quer pegou numa pedra. Ele a perdoa, livra-a do peso de seu adultério, liberta-a: ‘Vai, segue teu caminho, constrói vida nova, caminha por jornadas novas, vai livre, vai! No entanto, não peques mais’”.

1º - Jesus não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega (Jo 8.11b). Cana ou caniço era um talo erguido à beira das águas de um rio ou lago ou represa, uma espécie de bambu. Havia muito destas canas nos rios de Israel, as crianças costumavam sentarem-se as margens destes rios, e ali faziam orifícios nestas canas transformando elas em flautas. Era uma tarefa difícil, porque com muita facilidade o bambu podia se danificar, se ficassem tortas ou estragadas as crianças o esmagavam e jogava fora.

O que é um pavio fumegante? É o pavio de uma lâmpada que ainda fumega. Quem já morou na roça sabe muito bem o que é um pavio, isto era muito usado no passado as lamparinas tinham um pavio que era aceso com gasolina. Um pavio fumegante não está mais aceso, não existe mais fogo nele mais ainda esta fumegando. Na antiguidade como não havia ainda luz elétrica e as casas em Israel eram iluminadas por pequenas candeias de azeite. Um pavio feito de linho flutuava no azeite, clareando a cassa, terminando o azeite o mau cheiro do linho ardente se tornava desagradável e dona de casa o jogava fora.

Jesus tirou os olhos do que estava escrevendo no chão somente quando todos os acusadores tinham partido. Diante dele estava somente essa pobre mulher totalmente quebrada moralmente e espiritualmente apagada. Ele a restaura. Não é porque não damos mais som e nem temos mais luz que o Senhor nos descarta. Somos descartáveis para os homens, mas não para Deus. Por isso o Senhor libertou aquela mulher para que ela trilhasse um novo caminho e tivesse uma nova vida.  

2º - O perdão tem suas exigências (Jo 8.11c). Jesus despede a pecadora, mas sem fechar os olhos ao seu pecado. Se Ele tivesse a despedido sem essa recomendação Ele estaria dando aval ao seu pecado, mas não foi isso que Ele fez. Ele a despede em paz, mas com essa ordem: “Vai e não peques mais”.

Esta mulher volta-se e caminha para o anonimato. Ninguém mais a vê ouve falar dela. Há uma antiga lenda que diz que o nome dela era Susana e que se tornou discípula de Tiago, irmão de Jesus. Se isso é verdade nós nunca poderemos descobrir, mas uma coisa é certa: esta mulher nasceu de novo.

3º - Jesus restaura a dignidade desta mulher. Ela vai para o anonimato restaurada pelo Senhor. O Senhor a havia perdoado de seus pecados e lhe dado uma nova oportunidade. Assim o Senhor está fazendo hoje também com cada um que se achega a Ele quebrado e sem brilho. Ele restaura a honra dessa mulher e lhe dá nova vida.

CONCLUSÃO

Muitas pessoas definem o casamento como uma prisão, uma forca, mas eu quero dizer que há liberdade no casamento, mas esta liberdade jamais estará livre de limites. Ela nunca é absoluta; ser totalmente livre é viver uma vida sem amor. Se você é dirigido apenas pelos seus próprios desejos e não tem consideração pelos outros, então logo estará preso aos seus desejos. A ideia do “casamento aberto” – no qual se permite que cada um dos parceiros tenha relações íntimas com outras pessoas – nunca se mostrou ser uma forma funcional de casamento por uma simples razão: viola o amor verdadeiro. Alguém pode alegar que o mundo está mudando, mas nesse ponto a família não pode mudar.

O Pr. Eduardo Rosa Pedreira diz que “não há espaço para amizades coloridas ou as modernas ‘relações abertas’. Na era do ‘ficar junto’; no tempo em que antes de casar se mora junto, como um prelúdio para ver se vai dar certo o casamento; nestes tempos de tanta mudança, ainda é preciso erguer a voz e contestar aquilo que fragmenta e mata uma relação sadia”. 
    
Por isso que na Bíblia o pecado sempre será pecado e será tratado como pecado independentemente de haver uma concessão do parceiro para o pecado, no caso em questão – o adultério.

Pense nisso!